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‘Brezaocnarra ibution 2 Vhistoive de la pensée de ado). méthode dialectique, Pres. Prix PaubPelliot. Obra pre- Geeeques, platonizienne, Presees Universe ‘premieda pela Association des: Fudes Le Paradigme dans la dialectique platoniciewne, Presses Universitaires 1947. Obra premiada pela Association des Rrudes Creeques. Dresses Universitaires de France, 1949. Vidée de temps. J. Vein, 1953. Obras coletivas: Suerte, Plton pcre, Clrsine, pire in Lex Pioophes Ce do Actor, constante de aan, vem inse ido nas péginns finais déssc volume. a ‘ VICTOR GOLDSCHMIDT * A RELIGIAO DE PLATAO Prcficio introdutéxio de OSWALDO PORCHAT PEREIRA Teadagio de IEDA e OSWALDO PORCHAT PEREIRA 2. edigéo Ba DIFUSAO EUROPEIA DO LIVRO Rua Bento Freitas, 362 Roa Marquis SAO PAULO aaa | eeoenne Peelies a ‘irulo do origina La Religion de Platon Difuséo Europtia do Liero, Séo Paulo PrerAcio InrRopurGRi0 Jé no tempo em que éramos aluno de V. Goldschmidt na do pensamento antigo, ¢ do platonismo em pa ‘205 nossos estudantes do Departamento de Filo: contato, em lingua portuguéss, com a obra do duas grandes etapas: at Enguanto esperamos, autor (Les Dialogues de ‘nao obstante a sestrigéo’s troduco ao pensamento pla de estudar a religiio de Platio segundo 0 es pitito © a propria intengéo do autor veda-nos subi contexto propriamente platOnico e prescreve-nos ha sua relagio com o ptdptio pensamento de Plata sua filosofia”, O mesmo poderia dizerse vilidamente, qua‘quer outro tema platénico. Era um verdadeiro desafio, autor nolo confessa nas primeitas linhas do pteficio, tratar sunto num livro tao pequeno. © desafio foi enfren- nganem oer 8 pequnes dient da sre ale tretanto, em que a ref platSnicos, a comparagio freqiiente dos textos, a concisio do ensamento tornam engahosa qualquer aparéncia de facilidade. ‘Tal como ns Didlogos de Platio, onde a profundidade dialética se oculta sob a forma lit wuagem familiar. necessidace de compreender sergio natural no contexto momento intetne 4 ser apreendido seundo 4, filosofia, Outra no foi @ razio por que éndice, a comunicacéo que apresentou ao XII ‘Congresso'Internacional de Filosofia (Bruxelas, 1953), intitulada “Tempo bsttio ¢ tempo Iigico na intrpretasio Consideramos in La philosophie de V1 56), como os dois momentos mente scus resultados. Eis por que julgamos i pouco sékre aquéle texto, em que se patenteia a preocupagio de ‘6 ddos que crigem seus préprios dogmas em cinon para ‘uma andlise interpretativa, pretensamente critica, do pease ‘mento filoséfico. Objetividede que consiste na reconstituicgo explicita do movimeato do pensamento do autor, ‘mesmos caminhos de argumentagio © descoberta, segundo seus diversos niveis, respeitando tddas as suas atticulagGes estrutu- ais, reescrevendo, por assim dizer, segundo a ordem das ra- x0es, a sua obra, sem nada ajuntar, entretanto, que o filésofo nfo padesse e devesse assumir explicitumente como seu, E sem esquecer um 96 instante que “as assergGes de um sistema no podem ter por causas, ao mesmo tempo préximas ¢ adequadas, seniio razdes, e raxdes conhecidas do fildsofo e alegadas por éle”. E certo que uma tal atitude, prépria a quem fo quer jul- gar um autor, mas compreendélo, exige um esf6rco penetrante de inteligéncia, uma rigorosa disciplina intelectual, a austncia de todo preconceito e dogmatismo. Exige que o intérprete se aca disefpulo — ainda que O que é lamentével, entre cusar por alguns a propria dade desejével para todo a cabo @ exigencia de compreensio obje- © postulando-ce paradoxalmente 0 carer itrealizével da pretensio a uma tal compreensio, Goldschmidt reduz a dois os métodos tradicionais de inter- pretacio dos sistemas filoséficos, que denomina respectivamente dogmitico e genético. O primeito pretende, é certo, abordar uma dos dégmata a serem verdadciros. Examina sua verdade, subtrai-o ao tempo: para fnzé seu contexto filoséfico, isto é, da estrutura que as engendiou ¢ sustenta: tal método freqiientemente se converte em critica e em 7 se"; a causa das divindades pollades eta bem melhor sustentada por Deméstenes, que no era aluno de tio e que seu adversé- io péde tratar de im nbém, porque os ho- sem “os dois", mas que quete Dal entio, cada vez que, no plano po Jizagao se inspirou ou se pretendeu autor iso que, ao mesmo tempo, ela optasse cont nos, se se concede 0 préprio principio da ranche no se enganou a ésse resp TEMPO HISTORICO E TEMPO LOGICO NA INTERPRETACAO DOS SISTEMAS FILOSOFICOS. © fim, conserva, no primeito plano, © er refutagio, podese perguntar se tan , la compreensfo. A interpretacdo € ou pode ser um método cic anarquia dos sistemas sucessivos, provém, precisamente, de que t8das as teses de uma doutrina e de tédas as dout , que “a histétia da ela nfo tem valor A filosofia é explicitagio ¢ diseurso, Ela se explicita em movimentos no curso dos quais produz, abandona las uinas 3s outras numa ordem por 1226s. io) désses a it efetua-se num tempo tird em reapreender, conforme a intengio do 3 separar as teses dos rem em sugetit, por imagens, uma Igou dever formular em razves. tema, que se chame intuigio, su ‘0 central, nfo permaneceu na inacio, Reduz- M. Guécoult, Reo. de Méteph. e¢ de Mor, janmarco, 1952, J; Hersch, Lilusion philosophigue, Ps 6, pig. 70. jlgammos conveniente teiduzit 1 neste contesto? ‘aio simente porque pode esta expresedo set consctamente wade, em pesquises etiolégi- acima do sistema ©, em relagio 20 , inversamente, para producies desta causa, qualquer que . Ors, de uma dem ter por tazbes ‘conbec sem dhivida, seu movimento produtor, 1a a0 método. Douttina ¢ métado, cor io elementos separados. O método se encontra ém tios movimentos do pen- il , ¢ a principal tarefa do intéxprete € vel déste pensamento que lo. Quando um autor todo uma exposicio teérica, € preciso que em quando, a propésito dos “Ensaios dés- se método”, Descartes precisa “que as coisas que éles contém 10 ser achadas sem éle, e que se pode conhecer por 1s sobrenudo por cate "bypokefmenon", que & 141 Ales o que éle vale”, é preciso actescentar que, sem éles, nem mesino se pode conhecer o gue éle é. Inversamente, tampouco se conhecem as teses, se abstrafdas do método de que resultam. de filosofia, nfo procede stmente tia; € preciso, apds aplicando as’ segras qual um (das e indiferentes a seu modo de expli deve ter o temor de precisar: 3 sua expressio veal Mas apni no se cofunde com a cia Isso provinha tinicamente de um fragmento de jinas, que nfo estava no lugar onde deveria estar (Essai sur Vorig. des conn, bum., TI, IL, 4). Os movimentos do. pensamento filos6 estratura da obra, nada mais sendo esta estrui ‘que 4s articulagées dom mesma estrutura, que se constréi ao longo da progr dica e que, uma ver tetminada, define a arquitetura fe de progressio é, @ no S, Supor um tempo, e um tempo est ico ou, guardando para o t€rmo sua longado por toda expe ésse tempo, nem o autor nem o leitor escapam dados. (estudados_ pelos ) que condicionam a filos. Esta “temporal tura da obra, como o tempo mt / Bémitie um tempo log ips 0 autor, os movimentos de que a estrutura da obra guarda € tepor em movimento a ‘estrutura e, désse mod ‘movimento inicial do MeditacGes sua estru pensar-me de darJhe uma Meditacio inteita; e eu gostaria que 6s leitores nfo empregassem apenas 0 pouco de tempo neces ‘menos, algumas sema- de passar adian- © método que a subtende tem € 0 tempo onde se desenvolve fe chama Pedco, posta gastar com isso menos le se chama Paulo, O éo de interpretacio, que Descartes censura em Ga fence movtnslo alhues, acontene em Bergson sgl, aoe Ee ‘6icos. De um modo mais geral, repor os sistemas num tempo 1é- € compreender sua independéncia, relativa talvez, mas ¢s- ‘sempo exterior 20 sis- formas, supée im tem (6). Bréhiee, Le pbilosopbie et som passé, Pais, 1940, pig. 40. do sistema, que comanda seu de- jualquer que seja seu condicions- M, Gaéroult, a propésito de necer indicages, ao menos, pata © que concerne verdade formal de uma doutrine. — Que os mo- vimentos filoséficos se cumpram 4 nifica, essencialmente, que a filisofia € disc nfo The é dada em bloco e de uma s6 vez, ma € progressivamente, isto 6 em fempos ¢ cm Se assim & nfo parece, entio, que se possa temay 0 acdrdo simultiineo, resultando de uma conspisagdo in temporal, de seus dogmas considerados, tinicame conteido material. E 0 mesmo desconhecimento do tempo Ié- Bico que esté ne taiz destas duas exigéncias, a nosso ver, iluss- Has: medir a coeréncia de um sistema pela concordés ‘twada num presente eterno, dos doginas que o compéem, ¢ rea- (3) Bei Ren Pie, etc, 1, ne 38. us deve aceitar ser ditigido, e isso, mndo uma indicagio dada por Bergson, tempo légico, de que pertence ao filésofo a ini le que sejam comuns a duas cons “s araras apatentadas. yan "ou Mestudos arguite- E o que explica 0 recurso necessétio, da parte do historia- dot, a obra assumida. Seja qual {6x 0 valor dos inéditos, éles Etudes de philoso sclences, ext bomenageta Neachitel, 1950, 146