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RODADA 04

#MegeExtensivo

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Sumário

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO DA RODADA............................................................3

1. DIREITO DO CONSUMIDOR ...................................................................................4


1.1. DOUTRINA (RESUMO) E LEGISLAÇÃO .........................................................6
1.2. LEGISLAÇÃO................................................................................................45

2. PROCESSO CIVIL (Parte 1) ................................................................................50


2.1 .DOUTRINA (RESUMO) E LEGISLAÇÃO .......................................................52
2.2. LEGISLAÇÃO................................................................................................81
2.3. JURISPRUDÊNCIA.........................................................................................91

3. PROCESSO CIVIL (Parte 2) ...............................................................................100


3.1. DOUTRINA (RESUMO)................................................................................102
3.2. LEGISLAÇÃO..............................................................................................120
3.3. JURISPRUDÊNCIA.......................................................................................139

4. DIREITO CIVIL ....................................................................................................146


4.1. DOUTRINA (RESUMO)................................................................................148
4.2. LEGISLAÇÃO..............................................................................................179
4.3. JURISPRUDÊNCIA.......................................................................................192

5. CRIANÇA E ADOLESCENTE (Parte 1) ..............................................................199


5.1. DOUTRINA (RESUMO) e LEGISLAÇÃO .....................................................201
5.2. JURISPRUDÊNCIA.......................................................................................209

6. CRIANÇA E ADOLESCENTE (Parte 2) ..............................................................210


6.1. DOUTRINA (RESUMO) e LEGISLAÇÃO.....................................................212
6.2. JURISPRUDÊNCIA.......................................................................................233

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CONTEÚDO PROGRAMÁTICO DA RODADA
(Conforme Edital Mege)

CONSUMIDOR
Da qualidade de produtos e serviços. Beatriz Fonteles
Da prevenção e da reparação dos danos.
Da proteção à saúde e à segurança.
Da responsabilidade pelo fato do produto e do serviço.
Da responsabilidade por vício do produto e do serviço. (Item 2).

3
PROCESSO CIVIL
Parte 1: Da competência (Item 3) Guilherme Andrade
Parte 2: Das partes e dos procuradores.
Do juiz e das funções essenciais à justiça.
Breves apontamentos sobre Ministério Público,
Defensoria Pública e Advocacia Pública (Item 4)

CIVIL
Das pessoas naturais. Da personalidade. Camila Figueiredo
Da capacidade. Dos direitos da personalidade.
Da ausência. Das pessoas jurid ́ icas.
Da desconsideraçao ̃ da personalidade jurid
́ ica.
Do domiciĺ io. (Item 2)

CRIANÇA E ADOLESCENTE
Parte 1: Do direito à convivência familiar e comunitária. Edison Burlamaqui
Da família natural. (Item 2)
Parte 2: Da família substituta. Da guarda.
Da tutela e da adoção. (Item 3)

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DIREITO DO CONSUMIDOR
1 4
conteúdo atualizado em 02-09-2017

Da qualidade de produtos e serviços.


Da prevenção e da reparação dos danos.
Da proteção à saúde e à segurança.
Da responsabilidade pelo fato do produto e do serviço.
Da responsabilidade por vício do produto e do serviço. (Item 2).
Apresentação

Chegamos, nesta rodada, ao tema de Direito do Consumidor mais cobrado em provas


de concursos públicos, como alertamos na aula inaugural.
Tentamos, na maior medida possível, sistema zar o estudo de modo que não haja
confusão entre as hipóteses de responsabilização pelo fato e pelo vício do produto e do serviço.
Aqui, há muitos julgados importantes, inclusive com destaques deste ano de 2017.
Como na Rodada anterior, não elaboramos tópico próprio para súmulas e jurisprudência; os
enunciados e julgados per nentes foram alocados dentro do resumo da doutrina, pois
entendemos que facilita a compreensão e fixação.
Os ar gos de lei per nentes são apenas do CDC e estão transcritos e grifados nos seus
aspectos mais capciosos.

Ó mos estudos!
Beatriz Fonteles 5

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1.1. DOUTRINA (RESUMO)
1.1.1 RESPONSABILIDADE CIVIL DE CONSUMO
1.1.1.1. FUNDAMENTOS E CONSIDERAÇÕES INICIAIS

Um dos fundamentos para a responsabilidade civil nas relações de consumo, decorrente


do próprio microssistema, é a previsão da “efe va prevenção e reparação de danos
patrimoniais e morais, individuais, cole vos e difusos” como direito básico do consumidor
o
(CDC, art. 6 , VI).
Observe-se que o disposi vo trata tanto da efe va prevenção – denotando a
importância da tutela inibitória – quanto da efe va reparação. Como exemplos de prevenção,
tem-se a possibilidade de se ingressar no Poder Judiciário com tutelas de urgência, tanto de
natureza cautelar como de cunho antecipatório. O tema será tratado com mais vagar quando do
estudo da Defesa do Consumidor em Juízo (ponto 7 do Edital Mege), mas já se fazem essas
breves observações para alertar os alunos sobre a importância da prevenção dos danos.
Com base na previsão legal (que fala em efe va reparação e traz a lume os danos de
diversas espécies), a doutrina costuma destacar que o CDC consagrou o princípio da reparação
integral (res tu o in integrum). Quer-se com isso dizer que o dever de reparação (ou o direito à 6
reparação) no campo de consumo é mais amplo do que na responsabilidade civil regida
somente pelo Código Civil.
Algumas regras – que serão à frente estudadas – demonstram esse princípio: a) a
responsabilidade civil obje va como regra; b) a não incidência de determinadas regras de
mi gação da responsabilidade previstas no CC (ex vi art. 944, parágrafo único); c) a vedação de
cláusula contratual que impossibilite, exonere ou atenue a obrigação de indenizar pelo fato ou
pelo vício do produto ou serviço (art. 25 do CDC); d) a previsão de nulidade da cláusula
contratual que impossibilite, exonere ou atenue a responsabilidade do fornecedor por vícios de
qualquer natureza dos produtos e serviços (art. 51, I, do CDC).
ATENÇÃO!

Cláusulas contratuais do art. 51, I, do CDC:


- É possível a limitação da indenização devida pelo fornecedor nos casos em que o consumidor
é PESSOA JURÍDICA e desde que haja situação jus ficável.
Por essa razão, diz-se que o princípio da reparação integral não é absoluto.

1.1.1.2. NATUREZA, EM GERAL, DA RESPONSABILIDADE CIVIL CONSUMERISTA

Via de regra, a responsabilidade, na sistemá ca de consumo, é obje va, dispensando a


presença de culpa lato sensu (arts. 12 e 14 do CDC – “independentemente da existência de culpa”).

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EXCEÇÃO:
A responsabilidade pessoal dos profissionais liberais será apurada mediante a verificação de
culpa (ou seja, responsabilidade subje va). O tema ainda será estudado com mais detalhes.
OBS: A questão dos serviços notariais e de registros.
Vimos, no resumo do Ponto 1, ser tormentosa a questão do enquadramento dos serviços
notariais e de registro como relação, ou não, de consumo. Remete-se o aluno às explicações
ali feitas, em destaque.
De toda sorte, entendemos importante fazer um destaque. A Lei n. 13.286/2016 modificou o
art. 22 da Lei n. 8.935/94 para assim dispor sobre a responsabilidade civil de notários e
oficiais de registro:
“Art. 22. Os notários e oficiais de registro são civilmente responsáveis por todos os prejuízos
que causarem a terceiros, por culpa ou dolo, pessoalmente, pelos subs tutos que
designarem ou escreventes que autorizarem, assegurado o direito de regresso”.
Ins u-se, pois a responsabilidade subje va dos notários e oficiais de registro, por meio da
referida lei (em contraposição à posição prevalecente no STJ – vide AgRg no AREsp
110.035/MS, T4, Rel. Ministro Marco Buzzi, j. em 23/10/2012 e AgRg no AREsp 474.524/PE,
T2, Rel. Min. Herman Benjamin, j. em 06/05/2014). 7
Para a corrente que entende tratar-se de relação consumerista, o caminho natural seria a
aplicação do art. 14 do CDC (responsabilidade obje va), mas agora existe norma específica
prevendo a responsabilidade subje va. Acreditamos que ainda haverá “cenas dos próximos
capítulos” sobre essa questão, mas esse é o panorama atual para fins de provas de concursos
públicos.

O fundamento para a responsabilidade obje va nas relações de consumo é a adoção


da Teoria do Risco da A vidade, segundo a qual o fornecedor deve assumir os riscos
decorrentes da inserção de determinado produto ou a vidade no mercado de consumo. Ora, é
o fornecedor – e apenas ele -, quem pode distribuir, mediante mecanismos de preços, os custos
dos danos causados pela a vidade (é quem pode fazer a distribuição dos riscos).
Além de obje va, a responsabilidade é, em regra, solidária, em conformidade com a
o o
previsão dos arts. 7 , parágrafo único, e 25, parágrafo 1 (maiores detalhes serão
oportunamente estudados):

Art. 7o, parágrafo único. Tendo mais de um autor a ofensa, todos /responderão
solidariamente pela reparação dos danos previstos nas normas de consumo.
Art. 25, parágrafo 1o. Havendo mais de um responsável pela causação do dano, todos
responderão solidariamente pela reparação prevista nesta e nas seções anteriores.

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Exceção à responsabilidade solidária - Como já visto anteriormente, a regra é a
solidariedade na responsabilidade de consumo, respondendo todos os envolvidos com o
fornecimento ou a prestação. Entretanto, a responsabilidade pelo fato (defeito) do
produto não é a ngida pela solidariedade, pois, segundo os arts. 12 e 13 do CDC, neste
caso é consagrada a responsabilidade imediata do fabricante (produtor, construtor,
importador) e a responsabilidade subsidiária do comerciante. Tal será estudado com mais
vagar ainda nesta rodada.

ATENÇÃO!

Teoria Unitária da Responsabilidade!


Para o Direito do Consumidor, não importa a dis nção entre responsabilidade contratual e
extracontratual (aquiliana).
Trata-se de uma diferença importante em comparação à responsabilidade do Código Civil. Na
seara do Direito do Consumidor, entendeu-se necessário romper com a divisão acima, para a
proteção do consumidor, permi ndo a responsabilização direta do fabricante pelo dano ao
consumidor (seja o consumidor stricto sensu seja o equiparado).
OBS: Várias questões obje vas já abordaram a referida Teoria!!! 8

1.1.1.3. DIFERENÇA ENTRE VÍCIO E FATO

Existem duas grandes divisões de responsabilidade civil no CDC: a responsabilidade


pelo fato (arts. 12 a 17) e a responsabilidade pelo vício (arts. 18 a 20). Nesta rodada,
estudaremos detalhadamente ambas em tópicos próprios.
a) Vício do produto e do serviço – o vício baseia-se na qualidade-adequação de
produtos ou serviços. Há uma inadequação entre o produto ou o serviço oferecido e as legí mas
expecta vas do consumidor. Configura-se quando torna o produto ou serviço impróprio ou
inadequado ao seu uso regular; quando diminui o seu valor.
Com relação aos efeitos, o vício a nge o produto ou serviço em si (é intrínseco), e não a
pessoa do consumidor.
b) Fato do produto e do serviço – também denominado como defeito ou acidente de
consumo. Baseia-se na qualidade-segurança do consumidor ou de terceiros (ví mas de
consumo – consumidores equiparados bystander). Envolve, portanto, problemas de segurança.
Com relação aos efeitos, o fato a nge a incolumidade sico-psíquica do consumidor (é
extrínseco); gera danos além do produto. Geram com mais frequência danos materiais, morais,
esté cos etc.

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O STJ tem um precedente interessante onde a diferença acima é abordada:

CONSUMIDOR. RESPONSABILIDADE PELO FATO OU VÍCIO DO PRODUTO.DISTINÇÃO.


DIREITO DE RECLAMAR. PRAZOS. VÍCIO DE ADEQUAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL.
DEFEITO DE SEGURANÇA. PRAZO PRESCRICIONAL. GARANTIA LEGAL E PRAZO DE
RECLAMAÇÃO. DISTINÇÃO. GARANTIA CONTRATUAL.APLICAÇÃO, POR ANALOGIA,
DOS PRAZOS DE RECLAMAÇÃO ATINENTES À GARANTIA LEGAL.
- No sistema do CDC, a responsabilidade pela qualidade biparte-se na exigência de
adequação e segurança, segundo o que razoavelmente se pode esperar dos produtos
e serviços. Nesse contexto, fixa, de um lado, a responsabilidade pelo fato do produto
ou do serviço, que compreende os defeitos de segurança; e de outro, a
responsabilidade por vício do produto ou do serviço, que abrange os vícios por
inadequação.
- Observada a classificação u lizada pelo CDC, um produto ou serviço apresentará
vício de adequação sempre que não corresponder à legí ma expecta va do
consumidor quanto à sua u lização ou fruição, ou seja, quando a desconformidade
do produto ou do serviço comprometer a sua prestabilidade. Outrossim, um produto
ou serviço apresentará defeito de segurança quando, além de não corresponder à
expecta va do consumidor, sua u lização ou fruição for capaz de adicionar riscos à
sua incolumidade ou de terceiros.
- O CDC apresenta duas regras dis ntas para regular o direito de reclamar, conforme 9
se trate de vício de adequação ou defeito de segurança. Na primeira hipótese, os
prazos para reclamação são decadenciais, nos termos do art. 26 do CDC, sendo de 30
(trinta) dias para produto ou serviço não durável e de 90 (noventa) dias para produto
ou serviço durável. A pretensão à reparação pelos danos causados por fato do produto
ou serviço vem regulada no art. 27 do CDC, prescrevendo em 05 (cinco) anos.

(...)
(REsp 967.623/RJ, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA,
julgado em 16/04/2009, DJe 29/06/2009).

ATENÇÃO!

Cuidado para alguns equívocos frequentes!


o
A existência de vício pode ensejar, além das hipóteses do parágrafo 1 do art. 18, também danos
morais. Para o STJ, “o regime previsto no art. 18 do CDC, entretanto, não afasta o direito do
consumidor à reparação por danos morais, nas hipóteses em que o vício do produto ocasionar
ao adquirente dor, vexame, sofrimento ou humilhação, capazes de ultrapassar a esfera do mero
dissabor ou aborrecimento” (REsp 324.629, T3, Rel. Ministra Nancy Andrighi, DJ 28/04/2003).
Cita-se alguns exemplos reconhecidos pelo STJ (de produtos com vícios que também ensejaram
danos morais):
- venda de carro com ano de fabricação adulterado (REsp 713.284, T3, Rel. Ministra Nancy
Andrighi, j. 03/05/2005);

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- carro vendido a consumidor com incompa bilidade com os combus veis disponíveis nos
postos de gasolina brasileiros, não informada ao consumidor (REsp 1.443.268, T3, Rel. Ministro
Sidnei Bene , DJe 08/09/2014);
- vício na numeração do motor que gerou a impossibilidade de alienação do veículo pelo
consumidor (AgRg no REsp 1.463.897, T3, Rel. Ministro Moura Ribeiro, DJe 22/09/2014);
- veículo zero quilômetro que necessita retornar à concessionária por diversas vezes para
reparos (REsp 1.249.363, T3, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, DJe 17/03/2014).
O defeito gera a inadequação do produto ou serviço e dano ao consumidor; assim, há vício sem
defeito, mas não defeito sem vício (alterna va considerada correta pelo CESPE – prova de
Defensor Público do AC/2012).

Temos, assim, em resumo:

VÍCIO DO PRODUTO/SERVIÇO FATO DO PRODUTO/SERVIÇO


Qualidade-adequação Qualidade-segurança

A nge o produto ou o serviço em si – intrínseco A nge em especial a incolumidade sico-


psíquica do consumidor ou de terceiros (as
ví mas de consumo) - extrínseco 10
Também denominado defeito ou acidente de
consumo

Sujeita-se a prazo decadencial Sujeita-se a prazo prescricional

1.1.1.4. RESPONSABILIDADE PELO VÍCIO

Pede-se licença, neste ponto, para fazer uma inversão da ordem legal (haja vista que a
responsabilidade pelo fato está prevista no CDC antes da responsabilidade pelo vício).
Consideramos que a inversão é benéfica ao estudo, haja vista que é interessante primeiro
conhecer os vícios intrínsecos aos produtos e serviços, para, só então, passar às consequências
extrínsecas (fato ou defeito ou acidente). Além disso, o resumo sobre a responsabilidade do fato
é mais extenso e complexo.
A responsabilidade pelo vício desdobra-se em quatro situações diferentes, que desde
já se pontua para que o estudo se dê de forma sistema zada, de modo a evitar confusões de
conceitos e regras rela vos a cada uma das espécies.

a) Vício de qualidade do produto


b) Vício de quan dade do produto
c) Vício de qualidade do serviço
d) Vício de quan dade do serviço

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1.1.1.4.1. Vício de qualidade do produto (art. 18)

Há responsabilidade por vício do produto quando existe um problema oculto ou


aparente no bem de consumo, que o torna impróprio ou inadequado para uso ou diminui o seu
valor, do como um vício por inadequação. Em casos tais, não há repercussões fora dos produtos.
Outro vício de qualidade do produto é a falha de informação (disparidade com as
indicações constantes do recipiente, embalagem, rotulagem ou mensagem publicitária).
Observe-se o teor do art. 18 para, em sequência, serem feitos os comentários
per nentes:

Art. 18. Os fornecedores de produtos de consumo duráveis ou não duráveis


respondem solidariamente pelos vícios de qualidade ou quan dade que os tornem
impróprios ou inadequados ao consumo a que se des nam ou lhes diminuam o valor,
assim como por aqueles decorrentes da disparidade, com as indicações constantes do
recipiente, da embalagem, rotulagem ou mensagem publicitária, respeitadas as
variações decorrentes de sua natureza, podendo o consumidor exigir a subs tuição
das partes viciadas.

Em que pese o caput do art. 18 fazer menção a que os fornecedores respondem pelos 11
vícios de qualidade ou quan dade dos produtos, o disposi vo trata especificamente dos vícios
de qualidade. Os de quan dade são tratados no art. 19 (e vistos no tópico subsequente).
Fornecedor – o fato de a previsão legal referir-se a “fornecedor”, como gênero,
significa que todos aqueles integrantes da cadeia de consumo (fabricante, produtor,
fornecedor, distribuidor, comerciante etc.) são responsáveis de forma solidária. Não há, pois,
responsabilidade diferenciada para o comerciante.

NÃO CONFUNDIR:
Há uma diferença importante neste ponto em relação à responsabilidade pelo fato do produto
(art. 12).
- Na responsabilidade pelo vício do produto, o comerciante é solidariamente responsável.
- Na responsabilidade pelo fato do produto, o comerciante só é responsável nos casos previstos
no art. 13.
Por tal razão, é INCORRETA a seguinte asser va:
Por expressa previsão no CDC, a responsabilidade do comerciante é subsidiária à do fabricante
quanto a vício do produto (Juiz Subs tuto TJ/PB 2015 – CESPE).

A regra da responsabilidade solidária apresenta uma exceção importante (e há outra


relacionada ao vício de quan dade do produto, adiante exposta):

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Produtos in natura (art. 18, § 5°) - No caso de fornecimento de produtos in natura, será
responsável perante o consumidor o fornecedor imediato, exceto quando iden ficado
claramente seu produtor.
O par. 6o do art. 18 traz um rol exemplifica vo de vícios de qualidade do produto:

Ÿ os produtos cujos prazos de validade estejam vencidos (inciso I);


Ÿ os produtos deteriorados, alterados, adulterados, avariados, falsificados,
corrompidos, fraudados (inciso II, primeira parte);
Ÿ os produtos nocivos à vida ou à saúde, perigosos (inciso II, segunda parte);
Ÿ os produtos em desacordo com as normas regulamentares de fabricação,
distribuição ou apresentação (inciso II, terceira parte);
Ÿ os produtos que, por qualquer mo vo, se revelem inadequados ao fim a que se
des nam (inciso III).

Prazo para solução do vício de qualidade - segundo o art. 18, § 1°, do CDC, o
fornecedor tem o prazo de 30 dias para sanar o vício de qualidade.
Este prazo tem natureza decadencial, caducando o direito ao final do transcurso do tempo
(os detalhes da decadência serão estudados no ponto correspondente – ponto 3 do Edital Mege). 12
Dessa forma, segundo a doutrina, este prazo deve ser respeitado pelo consumidor, sob
pena deste perder o direito de fazer uso das medidas previstas nos incisos do comando legal.
A jurisprudência majoritária tem entendido pela carência de ação, por falta de
adequação e interesse de agir, no caso do consumidor que busca o Judiciário antes de passado o
prazo previsto acima para a solução do vício.

Detalhes sobre o prazo:


- Redução ou ampliação (cláusula de prazo) - art. 18, § 2° - Poderão as partes convencionar a
redução ou ampliação do prazo previsto no parágrafo anterior, não podendo ser inferior a 7
(sete) nem superior a 180 (cento e oitenta) dias.
Mínimo – 7 dias;
Máximo – 180 dias.
MUITA ATENÇÃO: há diversas questões obje vas cobrando esses prazos mínimo e máximo, por
vezes trocando-os (ex: 5 e 90 dias).
Nos contratos de adesão, a cláusula de prazo deverá ser convencionada em separado, por meio
de manifestação expressa do consumidor.
- Causas de dispensa do prazo – art. 18, § 3°- Nesses casos, o consumidor não é obrigado a
aguardar o prazo de 30 dias para solução do vício de qualidade, podendo fazer uso direto das
opções previstas no § 1°:

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a) Quando, em razão da extensão do vício, a subs tuição das partes viciadas puder comprometer a
qualidade ou caracterís cas do produto;
b) Diante da extensão do vício, a subs tuição das partes viciadas puder gerar a diminuição
substancial do valor da coisa; e
c) Quando se tratar de produto essencial. Ex.: veículo u lizado como instrumento de trabalho (táxi).

Opções do consumidor havendo vício de qualidade - art. 18, § 1° - Não sendo o vício sanado
no prazo máximo de 30 (trinta) dias, pode o consumidor exigir, alterna vamente e à sua escolha:

- a subs tuição do produto por outro da mesma espécie, em perfeitas condições de uso
(inciso I);
- a res tuição imediata da quan a paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de
eventuais perdas e danos (inciso II);
- o aba mento proporcional do preço (inciso III).
STJ: é possível ao magistrado deferir, em vez da entrega de um carro novo, a indenização
pela desvalorização do veículo, pois é providência que se mantém dentro dos limites
postulados (REsp 870.440, T4, Relator Ministro Luis Felipe Salomão, DJe 18/10/2011).

13
ATENÇÃO!

Se o vício não for sanado no prazo legal (§ 1°) ou convencional (§ 2°), as opções alterna vas acima
ficarão sob a escolha do consumidor!
** Pegadinhas frequentes de provas: a asser va (errada) considerar que a escolha compete ao
fornecedor ou citar apenas uma ou duas das opções (lembrem-se sempre que são três
alterna vas, que não tem caráter cumula vo).
** Não esqueçam que a res tuição imediata e atualizada da quan a paga (inciso II) não afasta a
possibilidade de responsabilidade por perdas e danos (também há algumas questões que
demandam esse conhecimento).
Novidade STJ 2017: É legal a conduta de fornecedor que concede apenas 03 (três) dias para troca
de produtos defeituosos, a contar da emissão da nota fiscal, e impõe ao consumidor, após tal
prazo, a procura de assistência técnica credenciada pelo fabricante para que realize a análise
quanto à existência do vício.
Não há no CDC norma cogente que confira ao consumidor um direito potesta vo de ter o produto
trocado antes do prazo legal de 30 (trinta) dias. A troca imediata do produto viciado, portanto,
embora prá ca sempre recomendável, não é imposta ao fornecedor. O prazo de 3 (três) dias
para a troca da mercadoria é um plus oferecido pela empresa, um bene cio concedido ao
consumidor diligente, que, porém, não é obrigatório.
(REsp 1.459.155, T3, Rel. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, DJe 20/02/2017).
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No caso de, não sanado o vício no prazo legal ou convencional, o consumidor escolher
outro produto da mesma espécie (art. 18, § 1°, I), se o fornecedor não possibilitar a subs tuição
do produto, poderá haver a subs tuição por outro de espécie, marca ou modelo diversos,
mediante complementação ou res tuição de eventual diferença de preço (art. 18, § 4°).
Para finalizar, é importante destacar que a ignorância do fornecedor sobre os vícios de
qualidade por inadequação dos produtos e serviços não o exime da responsabilidade (art. 23).

1.1.1.4.1.1. Dos entendimentos sobre prazo de validade e vida ú l do produto (STJ)

Pode-se ques onar se o fornecedor pode estabelecer prazo de validade para os


produtos, em especial aqueles de natureza perecível, e se há responsabilidade pelo consumo
após esgotado o prazo es pulado. O STJ já enfrentou esse tema para decidir que atende às
normas do CDC a fixação de prazo de validade e que passa a ser do consumidor o risco do
consumo do produto após esse prazo:
- O fabricante, ao estabelecer prazo de validade para consumo de seus produtos,
atende aos comandos impera vos do próprio Código de Defesa do Consumidor,
especificamente, acerca da segurança do produto, bem como a saúde dos consumidores. O
prazo de validade é resultado de estudos técnicos, químicos e biológicos, a fim de possibilitar ao
14
mercado consumidor a segurança de que, naquele prazo, o produto estará em plenas condições
de consumo. Dessa forma, na oportunidade em que o produto foi consumido, o mesmo já
estava com prazo de validade expirado. E essa circunstância rompe o nexo de causalidade e, via
de consequência, afasta o dever de indenizar (REsp 1.252.307/PR, T3, Rel. Ministro Massami
Uyeda, DJe 02/08/2012).
Segundo entendimento do STJ, o fornecedor responde por vício oculto de produto
durável decorrente da própria fabricação e não do desgaste natural gerado pela fruição
ordinária, desde que haja reclamação dentro do prazo decadencial de noventa dias após
evidenciado o defeito, ainda que o vício se manifeste somente após o término do prazo de
garan a contratual, devendo ser observado como limite temporal para o surgimento do
defeito o critério de vida ú l do bem.
- O Código de Defesa do Consumidor, no § 3º do art. 26, no que concerne à disciplina do
vício oculto, adotou o critério da vida ú l do bem, e não o critério da garan a, podendo o
fornecedor se responsabilizar pelo vício em um espaço largo de tempo, mesmo depois de
expirada a garan a contratual.
Com efeito, em se tratando de vício oculto não decorrente do desgaste natural gerado
pela fruição ordinária do produto, mas da própria fabricação, e rela vo a projeto, cálculo
estrutural, resistência de materiais, entre outros, o prazo para reclamar pela reparação se inicia no
momento em que ficar evidenciado o defeito, não obstante tenha isso ocorrido depois de expirado
o prazo contratual de garan a, devendo ter-se sempre em vista o critério da vida ú l do bem.

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Ademais, independentemente de prazo contratual de garan a, a venda de um bem do
por durável com vida ú l inferior àquela que legi mamente se esperava, além de configurar um
defeito de adequação (art. 18 do CDC), evidencia uma quebra da boa-fé obje va, que deve
nortear as relações contratuais, sejam de consumo, sejam de direito comum. Cons tui, em outras
palavras, descumprimento do dever de informação e a não realização do próprio objeto do
contrato, que era a compra de um bem cujo ciclo vital se esperava, de forma legí ma e razoável,
fosse mais longo. (REsp 984.106, T4, Rel. Ministro Luis Felipe Salomão, DJe 20/11/2012).

1.1.1.4.1.2. Dos precedentes importantes envolvendo vício do produto (STJ)

Além dos inúmeros julgados já citados, são de importante conhecimento também os


seguintes, divididos abaixo por temas correlatos:

a) Sobre responsabilidade solidária dos fornecedores

- Solidariedade entre fabricante e concessionária de veículo vendido com defeito


(veículo novo cujo ar condicionado não funcionava) – vício do produto (REsp 821.624, T4,
Rel. Ministro Aldir Passarinho Junior, DJ 04/11/2010). No mesmo sen do, REsp 611.872,
T4, Rel. Ministro Antonio Carlos Ferreira);
- Responsabilidade da montadora se a concessionária (onde o consumidor comprou 15
carro zero quilômetro) deixa de entregar o veículo comprado e pago pelo consumidor
(REsp 1.309.981, T4, Rel. Ministro Luis Felipe Salomão, DJe 17/12/2013);
- Responde solidariamente por vício de qualidade do automóvel adquirido o fabricante
de veículos automotores que par cipa de propaganda publicitária garan ndo com sua
marca a excelência dos produtos ofertados por revendendor de veículos usados (REsp
1.365.609, T4, Rel. Ministro Luis Felipe Salomão, DJe 28/04/2015);
- Cabe às franqueadoras a organização da cadeia de franqueados do serviço, atraindo
para si a responsabilidade solidária pelos danos decorrentes da inadequação dos
serviços prestados em razão da franquia. Ou seja, a franqueadora pode ser
solidariamente responsabilizada pelos danos causados pela franqueada aos
consumidores (REsp 1.426.578, T3, Rel. Ministro Marco Aurélio Bellizze, DJe
22/09/2015).

b) Vícios do produto decorrentes de falha de informação

- Ainda que haja aba mento no preço do produto, o fornecedor responderá por vício
de quan dade na hipótese em que reduzir o volume da mercadoria para quan dade
diversa da que habitualmente fornecia no mercado (venda de refrigerante em volume
menor do que o habitual), sem informar na embalagem, de forma clara, precisa e
ostensiva, a diminuição de conteúdo (REsp 1.364.915, T2, Rel. Ministro Humberto
Mar ns, DJe 24/05/2013);
- Não existe obrigação legal de se inserir nos rótulos de vinho informações sobre a
quan dade de sódio e de calorias existentes no produto (peculiaridade – há uma lei e
um decreto específicos que regem a comercialização de bebidas) (REsp 1.605.489, T3,
Rel. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, DJe 18/10/2016).

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c) Diversos

- O provedor de buscas de produtos à venda online que não realiza qualquer


intermediação entre consumidor e vendedor não pode ser responsabilizado por
qualquer vício da mercadoria ou inadimplemento contratual (REsp 1.444.008, T3, Rel.
Ministra Nancy Andrighi, DJe 09/11/2016);
- O fornecimento de bem durável ao seu des natário final põe termo à eventual cadeia
de seus fornecedores originais, de modo que a posterior revenda desse mesmo bem
por seu adquirente cons tui nova relação jurídica obrigacional com o eventual
comprador e, por conseguinte, não se pode estender aos integrantes daquela
primeira cadeia de fornecimento a responsabilidade solidária de que trata o art. 18 do
CDC por eventuais vícios que este venha a futuramente detectar no produto (REsp
1.517.800, T3, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, DJe 05/05/2017);
- Nas hipóteses em que atua na condição de agente financeiro em sen do estrito, não
ostenta a CEF legi midade para responder por pedido decorrente de vícios de
construção na obra financiada. Sua responsabilidade contratual diz respeito apenas
ao cumprimento do contrato de financiamento, ou seja, à liberação do emprés mo,
nas épocas acordadas, e à cobrança dos encargos es pulados no contrato. (REsp
1102539, T4, Rel. Ministro Luis Felipe Salomão, DJe 06/02/2012).

1.1.1.4.2. Vício de quan dade do produto (art. 19)


16
Os vícios de quan dade são aqueles em que o produto, respeitadas as variações
decorrentes de sua natureza, tem seu conteúdo líquido inferior às indicações constantes do
recipiente, da embalagem, rotulagem ou de mensagem publicitária.
Opções do consumidor havendo vício de quan dade (art. 19, caput) - havendo vício
de quan dade o consumidor pode exigir, alterna vamente e à sua escolha:

- O aba mento proporcional do preço (inciso I);


- Complementação do peso ou medida (inciso II);
- A subs tuição do produto por outro da mesma espécie, marca ou modelo, sem os
aludidos vícios (inciso III);
- A res tuição imediata da quan a paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de
eventuais perdas e danos (inciso IV).

ATENÇÃO!

As opções alterna vas acima ficarão sob a escolha do consumidor!


** Aqui, há uma opção a mais em comparação ao vício de qualidade do produto (art. 18, § 1°),
que é a complementação do peso ou medida.
** A res tuição imediata e atualizada da quan a paga (inciso IV) não afasta a possibilidade de
responsabilidade por perdas e danos.

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A regra da responsabilidade solidária também aqui apresenta uma exceção
importante:
Pesagem ou medição errada (art. 19, § 2°) - O fornecedor imediato será responsável
quando fizer a pesagem ou a medição e o instrumento u lizado não es ver aferido segundo os
padrões oficiais. A responsabilidade, então, vai ser exclusiva do comerciante ou fornecedor
imediato.
Por fim, caso o consumidor opte pela subs tuição do produto, e não seja possível,
poderá haver subs tuição por outro de espécie, marca ou modelo diversos, mediante
complementação ou res tuição de eventual diferença de preço (o art. 19 § 1o permite a
o
aplicação do art. 18, § 4 ).

1.1.1.4.3. Vício de qualidade do serviço (art. 20)



O vício aqui é a falha na prestação do serviço, que comprometa a finalidade que dele
razoavelmente espera o consumidor.
O prestador dos serviços responde pelos vícios de qualidade que os tornem impróprios
ao consumo ou lhes diminuam o valor, assim como por aqueles decorrentes da disparidade com 17
as indicações constantes da oferta ou mensagem publicitária (neste úl mo caso, é possível
haver também vício de quan dade). Observe-se o teor do art. 20:

Art. 20. O fornecedor de serviços responde pelos vícios de qualidade que os tornem
impróprios ao consumo ou lhes diminuam o valor, assim como por aqueles
decorrentes da disparidade com as indicações constantes da oferta ou mensagem
publicitária, podendo o consumidor exigir, alterna vamente e à sua escolha:

Como nas demais hipóteses de vício, a responsabilidade é obje va e solidária.


Fornecedor – o fato de a previsão legal referir-se a “fornecedor”, como gênero,
significa que há solidariedade entre todos aqueles integrantes da cadeia de consumo. Aqui
também não há responsabilidade diferenciada para o comerciante.

MUITO IMPORTANTE:

Não se aplica a exceção quanto à responsabilidade dos profissionais liberais na situação


o
de vício do serviço. O art. 14, par. 4 , do CDC (que prevê a responsabilidade subje va dos
profissionais liberais) tem aplicação restrita aos casos de responsabilidade pelo fato do
serviço.

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São exemplos na jurisprudência de responsabilidade obje va e solidária dos prestadores de
serviços com vício:
- A seguradora de seguro de responsabilidade civil, na condição de fornecedora, responde
solidariamente perante o consumidor pelos danos materiais decorrentes de defeitos na
prestação dos serviços por parte da oficina que credenciou ou indicou, pois, ao fazer tal
indicação ao segurado, estende sua responsabilidade também aos consertos realizados pela
credenciada (REsp 827.833, T4, Rel. Ministro Raul Araújo, DJe 16/05/2012);
- Cabe às franqueadoras a organização da cadeia de franqueados do serviço, atraindo para si a
responsabilidade solidária pelos danos decorrentes da inadequação dos serviços prestados em
razão da franquia (ou seja, responsabilidade solidária entre fraqueador e franqueados) (REsp
1.426.578, T3, Rel. Ministro Marco Aurélio Bellizze, DJe 22/09/2015).

Aqui, a regra da responsabilidade solidária não apresenta exceção digna de nota.


O par. 2o do art. 18 traz um rol exemplifica vo de vícios de qualidade do serviço:

- Serviços que se mostram inadequados para os fins que razoavelmente dele se


esperam (primeira parte);
- Serviços que não atendam as normas regulamentares de prestabilidade (segunda 18
parte).

Opções do consumidor havendo vício de qualidade do serviço - art. 20, caput:

- A reexecução dos serviços, sem custo adicional e quando cabível (inciso I);
- A res tuição imediata da quan a paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de
eventuais perdas e danos (inciso II);
- O aba mento proporcional do preço (inciso III).

A reexecução dos serviços pode ser confiada a terceiros por conta e risco do fornecedor
o
(art. 20, par. 1 ).

ATENÇÃO!

Aqui, o CDC não es pula prazo para o fornecedor sanar o serviço (ou seja, prestado o serviço
com vício, o consumidor pode fazer uso imediato das opções acima). É uma diferença em
relação ao regramento do vício do produto.
As opções alterna vas acima ficarão sob a escolha do consumidor!
** Não esqueçam que a res tuição imediata e atualizada da quan a paga (inciso II) não afasta a
possibilidade de responsabilidade por perdas e danos.

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Serviços de reparação e obrigação de uso de peças originais (art. 21) - No
fornecimento de serviços que tenham por obje vo a reparação de qualquer produto,
considerar-se-á implícita a obrigação do fornecedor de empregar componentes de reposição
originais adequados e novos, ou que mantenham as especificações técnicas do fabricante,
salvo, quanto a estes úl mos, autorização em contrário do consumidor.
Assim, a regra é a u lização de peças originais e novas no conserto, salvo quando o
consumidor consen r em sen do contrário.
ATENÇÃO!

A desobediência ao exposto quanto à reparação e uso de peças originais pode gerar crime de
consumo.
Art. 70. Empregar na reparação de produtos, peça ou componentes de reposição usados, sem
autorização do consumidor:
Pena: detenção de três meses a um ano e multa.

Ignorância do fornecedor quanto aos vícios de qualidade por inadequação dos


produtos e serviços (art. 23) - A ignorância do fornecedor sobre os vícios de qualidade por
inadequação dos produtos e serviços não o exime de responsabilidade. 
 19
Prazos para reclamar o vício do serviço (art. 26) - Tratam-se de prazos decadenciais (os
detalhes da decadência serão estudados no ponto correspondente – ponto 3 do Edital Mege).

1.1.1.4.4. Vício de quan dade do serviço (art. 20)



O CDC não traz disposi vo expresso para tratar dos vícios de quan dade do serviço,
mas apreende-se tal espécie da parte final do caput do art. 20 (“disparidade com as indicações
constantes da oferta ou mensagem publicitária”).

1.1.1.4.5. Dos precedentes importantes envolvendo vício do serviço (STJ)

Além dos inúmeros julgados já citados, são de importante conhecimento também os


seguintes:

- A sociedade empresária de transporte cole vo interestadual não deve ser


responsabilizada pela par da do veículo, após parada obrigatória, sem a presença do
viajante que, por sua culpa exclusiva, não compareceu para reembarque mesmo após
a chamada dos passageiros, sobretudo quando houve embarque tempes vo dos
demais (REsp 1.354.369, T4, Rel. Ministro Luis Felipe Salomão, DJe 25/05/2015);
- Responsabilidade de companhia área (onde consumidoras adquiriram as passagens)
pela impossibilidade de embarque em país estrangeiro, ante a falta de visto necessário
para ingresso no território francês. Caberia à companhia aérea ter se pronunciado de

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forma escorreita acerca das medidas que deveriam ser adotadas pelas passageiras
para que se viabilizasse o sucesso da viagem (inclusive o alerta sobre a necessidade de
obtenção de prévio visto de ingresso no país estrangeiro) (REsp 988.595, T3, Rel.
Ministra Nancy Andrighi, DJe 09/12/2009).

1.1.1.5. SERVIÇOS PÚBLICOS (art. 22)

Entendemos que “serviços públicos” é um tema mais afeto à grade de Direito


Administra vo do que de Direito do Consumidor, razão pela qual trataremos aqui com
brevidade do assunto, invocando principalmente os entendimentos jurisprudenciais mais
abordados em provas.
A primeira informação importante é que os serviços públicos estão sujeitos à
incidência do CDC. Mas isso se aplica para todo e qualquer serviço público?

STJ: (em posicionamento já an go)


- Serviços públicos prestados por concessionárias, remunerados por tarifa ou preço público,
sendo alterna va sua u lização aplica-se o CDC;
ex.: serviços de energia elétrica, de água, telefonia, transportes públicos etc.
20
- Serviços públicos próprios, remunerados por taxa (tributo) não se aplica o CDC (entende-se
que não há um consumidor propriamente dito, mas um contribuinte).
A relação entre concessionária de serviço público e o usuário final para o fornecimento de
serviços públicos essenciais é consumerista, sendo cabível a aplicação do CDC (REsp 1.595.018,
AgRg no REsp 1.421.766, REsp 1.396.925, AgRg no AREsp 479.632, AgRg no AREsp 546.265,
AgRg no AREsp 372.327).

O art. 22 (complementado pelo art. 6o, X) consagra o dever dos fornecedores de prestar
serviços públicos adequados, eficientes e seguros e, quanto aos essenciais, con nuos.
Embora o CDC não defina serviço essencial, a doutrina, por meio do diálogo das fontes,
u liza a lei de greve como parâmetro (art. 10 da Lei n. 7.783/89):

Art. 10 São considerados serviços ou a vidades essenciais:


I - tratamento e abastecimento de água; produção e distribuição de energia elétrica,
gás e combus veis;
II - assistência médica e hospitalar;
III - distribuição e comercialização de medicamentos e alimentos;
IV - funerários;
V - transporte cole vo;
VI - captação e tratamento de esgoto e lixo;

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VII - telecomunicações;
VIII - guarda, uso e controle de substâncias radioa vas, equipamentos e materiais
nucleares;
IX - processamento de dados ligados a serviços essenciais;
X - controle de tráfego aéreo;
XI - compensação bancária.

No caso de descumprimento do previsto no art. 22, os fornecedores de serviço público


sujeitam-se aos dois regimes de responsabilidade previstos no CDC (pelo fato e pelo vício).

1.1.1.5.1. Precedentes importantes envolvendo serviços públicos (STJ)

a) Interrupção do fornecimento:

- O corte de fornecimento de energia elétrica em caso de inadimplemento não


caracteriza descon nuidade do serviço público, desde que haja aviso prévio (ou
aviso de advertência) ao consumidor sobre a interrupção (REsp 363.943, S1, Rel.
Ministro Humberto Mar ns, DJ 01/03/2004; REsp 1.111.477/RS, T1, Rel. Ministro
Benedito Gonçalves, DJe 21/09/2009). 21
- Somente as dívidas atuais podem jus ficar o corte do serviço. Hipótese dos autos
que se caracteriza pela exigência de débito pretérito, não devendo, com isso, ser
suspenso o fornecimento, visto que o corte de energia elétrica pressupõe o
inadimplemento de conta regular, rela va ao mês de consumo, sendo inviável, pois,
a suspensão do abastecimento em razão de débitos an gos, em relação aos quais
existe demanda judicial ainda pendente de julgamento, devendo a companhia
u lizar-se dos meios ordinários de cobrança, não se admi ndo nenhuma espécie de
constrangimento ou ameaça ao consumidor, nos termos do art. 42 do CDC (AgRg no
REsp 820.665, T1, Rel. Ministro José Delgado, DJ 08/06/2006).
- Possibilidade de interrupção do fornecimento em relação às pessoas jurídicas de
direito público. Diante da inadimplência de pessoa jurídica de direito público, pode
haver a interrupção do fornecimento do serviço, mas devem-se preservar as
unidades públicas provedoras de necessidades inadiáveis da comunidade (ex.:
hospitais, prontos-socorros, centros de saúde, escolas e creches) (EREsp 845.982, S1,
Rel. Ministro Luiz Fux, DJe 03/08/2009).
- Possibilidade de suspensão do fornecimento de energia elétrica em hospital par cular
inadimplente. Hipótese diversa nestes autos (da anterior) em que se cuida de
inadimplência de hospital par cular, o qual funciona como empresa, com a finalidade
de auferir lucros, embu ndo nos preços cobrados o valor de seus custos, inclusive de
energia elétrica (REsp 771.853, T2, Rel. Ministra Eliana Calmon, DJe 10/02/2010).
- O STJ ressalva apenas situações em que o corte de energia elétrica possa acarretar
lesão irreversível à integridade sica do usuário (ex. aparelho respiratório u lizado
na residência do consumidor, essencial à sua sobrevivência) (REsp 853.392, T2, Rel.
Ministro Castro Meira, DJ 05/09/2006).

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b) Serviço público de telefonia

- Súmula Vinculante 27: Compete à Jus ça Estadual julgar causas entre consumidor e
concessionária de serviço público de telefonia, quando a ANATEL não seja
li sconsorte passiva necessária, assistente, nem opoente.
- Súmula 506 STJ: A ANATEL não é parte legí ma nas demandas entre a concessionária
e o usuário de telefonia decorrentes de relação contratual.
- Súmula 356 STJ: É legí ma a cobrança de tarifa básica pelo uso dos serviços de
telefonia fixa.
- A par r de 01 de agosto de 2007, data de implementação do sistema, passou a ser
exigido das concessionárias o detalhamento de todas as ligações na modalidade
local, independentemente de ser dentro ou fora da franquia contratada, por
inexis r qualquer restrição a respeito. A solicitação do fornecimento das faturas
discriminadas, sem ônus para o assinante, basta ser feita uma única vez, marcando
para a concessionária o momento a par r do qual o consumidor pretende obter suas
faturas com detalhamento (REsp 1.074.799, S1, Relator Ministro Francisco Falcão,
DJe 08/06/2009).
- CANCELAMENTO da Súmula 357 STJ (passa a vigorar o entendimento do julgado
repe vo acima).

22
c) Serviço público de água e esgoto

- Súmula 407 STJ: é legí ma a cobrança da tarifa de água, fixada de acordo com as
categorias de usuários e as faixas de consumo. (é legal a cobrança de tarifa
progressiva de água).
- Súmula 412 STJ: a ação de repe ção de indébito de tarifas de água e esgoto sujeita-se
ao prazo prescricional estabelecido no Código Civil.
- Não é lícita a cobrança de tarifa de água no valor do consumo mínimo mul plicado
pelo número de economias existentes no imóvel (ex.: condomínio edilício), mesmo
que haja um único hidrômetro no local. Neste caso, a cobrança deve se dar pelo
consumo real aferido (REsp 1.166.561, repe vo, S1, Rel. Ministro Hamilton
Carvalhido, DJe 05/10/2010).
- É ilegal cobrar a tarifa de água por es ma va quando ausente o hidrômetro ou
quando este es ver com defeito. Neste caso, a cobrança pelo fornecimento de água
deve ser realizada pela tarifa mínima (REsp 1.513.218, Rel. Ministro Humberto
Mar ns, DJe 13/03/2015).
- A jurisprudência desta Corte pacificou o entendimento de que o inadimplemento é
do usuário (natureza pessoal da obrigação), ou seja, de quem efe vamente obteve a
prestação do serviço, razão porque não cabe responsabilizar o atual usuário por
débito pretérito rela vo ao consumo de água/energia elétrica de usuário anterior
(AgRg no REsp 1.327.162, T1, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, DJe
28/09/2012).

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d) Diversos

- A ANS não é parte legí ma em ação que se discute suposto abuso em reajuste de plano
de saúde (REsp 1.384.604/RS, T3, Rel. Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, DJe
22/06/2015).
- Se o serviço público de esgotamento sanitário está sendo prestado, ainda que não
contemple todas as suas fases (ex.: a concessionária realiza apenas a coleta e o
transporte dos dejetos sanitários, sem a promoção de seu tratamento final), é devida a
cobrança da tarifa (REsp 1.330.195, T2, Rel. Ministro Castro Meira, DJe 04/02/2013).

1.1.1.6. RESPONSABILIDADE PELO FATO

Passa-se agora à análise dos vícios de segurança, ou seja, aqueles capazes de gerar riscos
à segurança do consumidor ou de terceiros (ví mas de consumo).
Como já mencionado, é neste ponto que tem especial importância a figura dos
consumidores equiparados bystander, que são as ví mas do evento (ainda que não envolvidos
previamente em uma relação jurídica com o fornecedor), conforme previsão do art. 17 do CDC
(disposi vo integrante da Seção “Da responsabilidade pelo fato do produto e do serviço”). 23
A responsabilidade pelo fato desdobra-se em duas situações diferentes, a
responsabilidade pelo fato do produto e pelo fato do serviço.
Antes de ingressarmos nas responsabilidades propriamente ditas, cumpre-nos analisar
a disciplina legal referente à proteção da saúde e segurança dos consumidores (recomenda-se,
o
desde já, a leitura dos arts. 8 a 10 do CDC, em especial os grifos feitos na parte da legislação, pois
costumam ser as “pegadinhas clássicas” de provas).
Como visto no Ponto 1, um dos direitos básicos do consumidor é a proteção, que traz
o
para o fornecedor o dever de segurança (art. 6 , I, CDC).
o
Em princípio, o ar go 8 estabelece que os produtos/serviços não poderão acarretar
riscos à saúde e segurança do consumidor. Entretanto, são tolerados os riscos qualificados
como “normais e previsíveis”, desde que acompanhados de informações claras e precisas.
Trata-se da tolerância frente à periculosidade inerente: aquela que é indissociável do
produto/serviço e não surpreende o consumidor. Essa tolerância, todavia, não exime o
fornecedor do seu dever de informar. É possível, por exemplo, que o fornecedor seja
responsabilizado pelo fato do produto ou do serviço não pelo risco em si (natural para aquela
espécie), mas sim pela falta ou insuficiência de informações.
Podem ser citados como exemplos clássicos de produtos com riscos inerentes e
previsíveis: medicamentos, produtos de limpeza, faca de cozinha etc.

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Pegadinhas:

Há muitas questões de concurso com alterna vas similares às seguintes:


“Sempre que um produto ou serviço colocado no mercado de consumo oferecer risco à saúde
ou segurança dos consumidores será considerado defeituoso”.
“É vedada a comercialização de produtos cuja u lização implique quaisquer riscos ao
consumidor”.
São asser vas INCORRETAS!

Ao lado dos produtos/serviços com riscos normais e previsíveis (art. 8o), existem
o
aqueles potencialmente nocivos à saúde e/ou segurança (art. 9 ). Nestes, os riscos não são
normais ou previsíveis, ou seja, surpreendem o consumidor. Dessa forma, só podem ser
evitados se houver informação adequada e ostensiva sobre a periculosidade ou nocividade
(Ex.: venenos, agrotóxicos, fogos de ar cio etc).
Existem ainda os produtos/serviços com alto grau de nocividade ou periculosidade (art.
10). Para estes, há vedação de colocação no mercado de consumo, independentemente de haver
informação clara, precisa e ostensiva a seu respeito. A lei, inclusive, faz menção a que o fornecedor
sabe ou deveria saber. Ou seja, a ignorância do fornecedor não o exime da responsabilidade. 24
A periculosidade exagerada é aquela que nem mesmo informações ostensivas e manifestas
seriam capazes de mi gar seus riscos. Ressalte-se tratar de conceito jurídico indeterminado, devendo
o aplicador preencher seu conteúdo no caso concreto, com auxílio técnico.
Em resumo e considerando a gradação dos riscos, temos o seguinte panorama legal:

Produtos/serviços com
Produtos/serviços com Produtos/serviços
alto grau de nocividade
riscos normais e previsíveis potencialmente
ou periculosidade
- periculosidade inerente nocivos ou perigosos
- periculosidade exagerada
Art. 8º. Art. 9º Art. 10.

São permi dos. São permi dos. São vedados.

Exige do fornecedor Exige do fornecedor


informações necessárias e informações ostensivas e
adequadas a seu respeito. adequadas

No caso de conhecimento superveniente de periculosidade ou nocividade pelo


fornecedor, o legislador impõe-lhe a obrigação de comunicar imediatamente às autoridades
o o
competentes e consumidores, mediante anúncios na imprensa, rádio e TV (art. 10, §§ 1 e 2 ), às
expensas do próprio fornecedor. É o chamado mecanismo do recall.
Mesmo o consumidor não atendendo ao recall, o fornecedor con nua obje vamente
responsável (responsabilidade pelo fato do produto).

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1.1.1.6.1. Responsabilidade pelo fato do produto (art. 12)

Como visto, no fato do produto ou defeito estão presentes outras consequências além
do próprio produto, danos suportados pelo consumidor (extrínsecos), a gerar a
responsabilidade obje va direta e imediata do fabricante (art. 12 do CDC). 

Observe-se o teor do art. 12, caput, para, em sequência, serem feitos os comentários
per nentes:

Art. 12. O fabricante, o produtor, o construtor, nacional ou estrangeiro, e o importador


respondem, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos
causados aos consumidores por defeitos decorrentes de projeto, fabricação,
construção, montagem, fórmulas, manipulação, apresentação ou acondicionamento
de seus produtos, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua
u lização e riscos.

Fabricante, produtor, construtor e importador – aqui, o CDC especificou espécies, e


não o gênero “fornecedor”. Diferente, pois, de todas as hipóteses de vício. Isso significa que a
responsabilidade obje va e solidária será apenas quanto a essas 04 (quatro) espécies. Tal
previsão tem especial repercussão em relação ao comerciante (ou seja, quem leva o produto
diretamente ao consumidor), o que será visto em subtópico em sequência.
25
NÃO CONFUNDIR:

- Responsabilidade pelo vício (do produto e do serviço) há previsão da responsabilidade do


“fornecedor” como gênero, o que implica na solidariedade de toda a cadeia de fornecimento,
inclusive do comerciante.
- Responsabilidade pelo fato do produto há previsão da responsabilidade de apenas 04
(quatro) espécies, quais sejam, fabricante, produtor, construtor e importador. Para os demais,
em princípio, não há solidariedade. Há regras especiais para o comerciante (art. 13).

Caracterização do produto defeituoso (art. 12, § 1°) - O produto é defeituoso quando


não oferece a segurança que dele legi mamente se espera, levando-se em consideração as
circunstâncias relevantes, entre as quais (rol exemplifica vo):

- Sua apresentação (inciso I);


- O uso e os riscos que razoavelmente dele se esperam (inciso II);
- A época em que foi colocado em circulação (inciso III).

Além desses exemplos, o próprio caput do art. 12 traz a falha de informação


(“informações insuficientes ou inadequadas sobre sua u lização e riscos”) como exemplo de
defeito.

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Modalidades de defeitos decorrentes da caracterização do produto defeituoso:

a) Defeitos de projeto ou concepção - aqueles que a ngem a própria apresentação ou


essência do produto, que gera danos independentemente de qualquer fator externo;
b) Defeitos de execução, produção ou fabricação - rela vos a falhas do dever de
segurança quando da colocação do produto ou serviço no meio de consumo;
c) Defeitos de informação ou comercialização - aqueles decorrentes da apresentação
ou informações insuficientes ou inadequadas sobre a fruição ou riscos.

Responsabilidade obje va fundada na Teoria do Risco da A vidade – não se indaga se


o fabricante, produtor, construtor ou importador agiu com culpa, sendo irrelevante se ele agiu
com o maior cuidado possível. O disposi vo legal prevê que a responsabilidade é
“independentemente da existência de culpa”. Será suficiente que o consumidor demonstre,
para fins de responsabilização, o dano ocorrido (acidente de consumo) e a relação de
causalidade entre o dano e o produto adquirido.

NÃO CONFIGURA DEFEITO:


- O produto não é considerado defeituoso pelo fato de outro de melhor qualidade ter sido
colocado no mercado (art. 12, § 2°).
26
Trata-se de uma previsão muito cobrada em provas!

Pressupostos da responsabilidade pelo fato do produto:


a) Conduta
É a par cipação do fornecedor no processo de colocação do produto no mercado de
consumo. O comerciante, por exemplo, só será responsabilizado nas hipóteses legais do art. 13.
b) Defeito ou acidente de consumo
É a falha de segurança que introduz uma potencialidade danosa normalmente
inesperada pelo consumidor, ultrapassando a normalidade e previsibilidade do risco.
c) Dano
Requisito indispensável para configurar a responsabilidade obje va pelo fato do
produto. Somente o dano extrínseco ao produto, que ultrapassa os limites do produto e a nge o
patrimônio mais amplo do consumidor (moral, material ou esté co), é que cons tui
pressuposto do acidente de consumo.
d) Nexo de causalidade
Embora vigore a regra da responsabilidade obje va, é preciso haver relação de causa e
efeito entre a ação do fornecedor e o dano causado. É preciso haver, pois, a prova do nexo de
causalidade.

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Nada impede, porém, que o magistrado aplique no caso concreto a inversão do ônus
da prova do nexo de causalidade em favor do consumidor (ope judicis), se houver
verossimilhança das alegações ou se for o consumidor hipossuficiente (art. 6o, VIII).

ATENÇÃO!

A jurisprudência do STJ entende que houve inversão legal (ope legis) do ônus da prova em
relação ao defeito do produto. Ou seja:
- O consumidor tem o ônus de provar o dano que lhe foi causado e o nexo de causalidade com o
produto (relação causa e efeito);
- Compete ao fornecedor (é ônus deste) provar que o produto não é defeituoso.
A questão já foi decidida em sede de controvérsia de recursos repe vos:
RECURSO ESPECIAL. CONSUMIDOR. RESPONSABILIDADE POR VÍCIO NO PRODUTO (ART. 18 DO
CDC). ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO 'OPE JUDICIS' (ART. 6º, VIII, DO CDC). MOMENTO DA
INVERSÃO. PREFERENCIALMENTE NA FASE DE SANEAMENTO DO PROCESSO.
A inversão do ônus da prova pode decorrer da lei ('ope legis'), como na responsabilidade pelo
fato do produto ou do serviço (arts. 12 e 14 do CDC), ou por determinação judicial ('ope
judicis'), como no caso dos autos, versando acerca da responsabilidade por vício no produto 27
(art. 18 do CDC). Inteligência das regras dos arts. 12, § 3º, II, e 14, § 3º, I, e 6º, VIII, do CDC.
(...)
(REsp 802.832/MG, S2, Rel. Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, DJe 21/09/2011).

ATENÇÃO!

A responsabilidade, aqui, é obje va com lastro na teoria da a vidade ou do empreendimento.


Não vigora a responsabilidade obje va com base na teoria do risco integral. Questões e
asser vas que digam que o CDC adotou a teoria do risco integral estão INCORRETAS.
Isso significa que existem excludentes de responsabilidade, que serão tratadas em tópico
próprio, haja vista a grande importância para concursos e mul plicidade de julgados relevantes.

1.1.1.6.1.1. A situação do comerciante na responsabilidade pelo fato do produto (art. 13)

O comerciante não responde obje va e solidariamente em toda e qualquer situação.


As hipóteses de responsabilidade estão elencadas no art. 13:
- Quando o fabricante, o construtor, o produtor ou o importador não puderem ser
iden ficados (inciso I);
É o caso dos “produtos anônimos”, sem que o consumidor consiga iden ficar sua

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origem (o fabricante ou o produtor, por exemplo). Ex.: em um supermercado, são vendidas
hortalícias sem qualquer rótulo, adesivo ou iden ficação do produtor. Caso haja um acidente de
consumo (ex.: intoxicação pela presença de agrotóxicos), o comerciante terá responsabilidade
neste caso hipoté co.
- Quando o produto for fornecido sem iden ficação clara do seu fabricante, produtor,
construtor ou importador (inciso II);
Aqui, tratam-se de produtos mal iden ficados.
- No caso de produtos perecíveis, o comerciante não os conservar adequadamente
(inciso III).
Ex.: supermercado que expõe à venda produtos la cinios que, apesar de terem o
fabricante iden ficado, não foram man dos na temperatura ideal pelo estabelecimento. No
caso de um consumidor sofrer algum problema de saúde pelo fato de o produto estar estragado
(pela incorreta conservação), atrai-se a responsabilidade do comerciante.
Para considerável parcela da doutrina e para bancas de concursos (FCC, por exemplo),
a responsabilidade do comerciante é obje va e subsidiária.

ATENÇÃO!
28
Há questões pretéritas de provas obje vas de magistratura da banca CESPE/CEBRASPE que
consideraram incorreta alterna va que dispunha que o comerciante responderia
solidariamente com o fabricante pelo fato do produto.
LEMBREM-SE: A responsabilidade do comerciante pelo fato do produto será obje va e
subsidiária (e não solidária).

A responsabilidade subsidiária do comerciante não afasta a responsabilidade obje va


do fabricante, produtor, construtor (o art. 13, caput, dispõe que o “comerciante é igualmente
responsável”), inclusive no caso do inciso III.
Há entendimento forte no sen do de que, ainda que não haja conservação adequada de
produtos perecíveis pelo comerciante, o fabricante ou produtor são igualmente responsáveis.
Posteriormente, há possibilidade de exercício de direito de regresso contra o comerciante.
O parágrafo único do art. 13 prevê que aquele que efe var o pagamento ao
prejudicado poderá exercer o direito de regresso contra os demais responsáveis, segundo sua
par cipação no evento danoso. O direito de regresso pode ser exercido tanto pelo comerciante
como pelo fabricante/produtor/construtor/importador.

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ATENÇÃO!

Diante da previsão do direito de regresso, pode-se ques onar: é cabível a denunciação da lide
(por exemplo: comerciante, acionado judicialmente pelo consumidor, denuncia à lide o
fabricante)?
NÃO!!!
O art. 88 do CDC prevê expressamente que: “na hipótese do art. 13, parágrafo único deste
código, a ação de regresso poderá ser ajuizada em processo autônomo, facultada a
possibilidade de prosseguir-se nos mesmos autos, vedada a denunciação da lide”.
A previsão legal tem como jus fica va o intuito de evitar a demora que seria naturalmente causada
ao processo em razão dessa intervenção de terceiros, o que seria prejudicial para o consumidor.
** E quanto ao fato do serviço, é vedada igualmente a denunciação da lide (embora não haja
menção expressa no art. 88)?
a a
Após divergência inicial entre as 3 e 4 Turmas do STJ, entrou-se num consenso, em que
prevaleceu a posição extensiva de que a vedação se aplica também à responsabilidade pelo
fato do serviço.
RECURSO ESPECIAL. RESPONSABILIDADE CIVIL. INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. DEFEITO 29
NA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO A CONSUMIDOR. DENUNCIAÇÃO DA LIDE. INTERPRETAÇÃO DO
ART. 88 DO CDC. IMPOSSIBILIDADE.
1. A vedação à denunciação da lide prevista no art. 88 do CDC não se restringe à
responsabilidade de comerciante por fato do produto (art. 13 do CDC), sendo aplicável
também nas demais hipóteses de responsabilidade civil por acidentes de consumo (arts. 12 e
14 do CDC).
2. Revisão da jurisprudência desta Corte.
(REsp 1165279, T3, Rel. Ministro Paulo de Tarso Sansevrino, DJe 28/05/2012).

O art. 88 do CDC proíbe que o fornecedor que foi acionado judicialmente pelo consumidor faça a
denunciação da lide, chamando para o processo outros corresponsáveis pelo evento.
Esta norma é uma regra prevista em bene cio do consumidor, atuando em prol da brevidade do
processo de ressarcimento de seus prejuízos devendo, por esse mo vo, ser arguida pelo próprio
consumidor, em seu próprio bene cio. Assim, se o fornecedor/réu faz a denunciação da lide ao
corresponsável e o consumidor não se insurge contra isso, haverá preclusão, sendo descabido
ao denunciado invocar em seu bene cio a regra do art. 88. Em outras palavras, não pode o
denunciado à lide invocar em seu bene cio a regra de afastamento da denunciação (art. 88)
para eximir-se de suas responsabilidades perante o denunciante. (STJ. 4ª Turma. REsp 913.687-
SP, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em 11/10/2016. Info 592).

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1.1.1.6.1.2. As causas excludentes da responsabilidade obje va

O CDC adotou a teoria do risco da a vidade, e não do risco integral. A prova disso é a
previsão expressa de excludentes da responsabilidade do fornecedor (art. 12, § 3º - “o
fabricante, o construtor, o produtor ou importador só não será responsabilizado quando
provar”). Em todas as hipóteses de exoneração, o ônus da prova é do fornecedor:

- Que não colocou o produto no mercado (inciso I);

Seria o caso de produtos furtados, roubados, falsificados e lançados no mercado de


consumo sem o conhecimento do fornecedor.

Essa excludente só é aplicada se o fornecedor provar que não concorreu de nenhuma


forma para o lançamento do produto defeituoso no mercado. Se o produto for lançado, ainda
que de forma involuntária e inconsciente, permanecerá a responsabilidade. Há um caso
emblemá co em que essa temá ca foi decidida pelo STJ (famoso caso das pílulas de farinha –
an concepcional Microvlar).

STJ: - Em nada socorre a empresa, assim, a alegação de que, até hoje, não foi possível verificar
exatamente de que forma as pílulas-teste chegaram às mãos das consumidoras. O panorama 30
fá co adotado pelo acórdão recorrido mostra que tal demonstração talvez seja mesmo
impossível, porque eram tantos e tão graves os erros e descuidos na linha de produção e
descarte de medicamentos, que não seria hipótese infundada afirmar-se que os placebos
a ngiram as consumidoras de diversas formas ao mesmo tempo.

- A responsabilidade da fornecedora não está condicionada à introdução consciente e


voluntária do produto lesivo no mercado consumidor. Tal ideia fomentaria uma terrível
discrepância entre o nível dos riscos assumidos pela empresa em sua a vidade comercial e o
padrão de cuidados que a fornecedora deve ser obrigada a manter.

(...) (REsp 866.636/SP, T3, Rel. Ministra Nancy Andrighi, DJ 06/12/2007, p. 312).

- Que o defeito inexiste, embora tenha colocado o produto no mercado (inciso II);

Por meio dessa previsão legal, como já explicitado acima, entende-se que há inversão
legal do ônus da prova (ope legis), não sendo ônus do consumidor provar o defeito, e sim do
fabricante/produtor/construtor/importador provar que o defeito não existe. É quem melhor
conhece o produto e tem condições de fazer esse po de prova.

- A existência de culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro (inciso III).

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** E a culpa concorrente do consumidor?
NÃO afasta a responsabilidade obje va do fornecedor, mas pode permi r, no caso concreto,
uma redução da condenação imposta ao fornecedor.
Trata-se de uma posição jurisprudencial, que não possui assento expresso no CDC.
IMPORTANTE: o comerciante não pode ser considerado terceiro para fins de exclusão da
responsabilidade. Essa é a posição do STJ (“comerciante que não pode ser considerado terceiro
estranho à relação de consumo”) (REsp 980.860, T3, Rel. Ministra Nancy Andrighi, DJe
02/06/2009).

- Caso fortuito e força maior (externos)


Não estão previstos expressamente no CDC, por isso há grande controvérsia doutrinária
sobre sua aplicação nas relações de consumo.
Interessa, para fins de prova, o entendimento consolidado do STJ, que é no sen do de
serem causas excludentes, uma vez que rompem o nexo de causalidade (as excludentes de
responsabilidade previstas no art. 12, § 3º, seriam exemplifica vas, e não taxa vas).
Atualmente, o STJ faz dis nção entre caso fortuito externo e interno, com consequências
prá cas nos acidentes de consumo. 31
Fortuito Interno: fato inevitável e, normalmente, imprevisível, que se liga aos riscos do
empreendimento, portanto, não exonera o fornecedor (ex.: abalo sísmico que prejudica o
balanceamento do carro na linha de montagem).
Fortuito Externo: fato inevitável e, normalmente, imprevisível, causador do dano,
totalmente estranho à a vidade do fornecedor, que rompe o nexo de causalidade, exonerando,
portanto, o fornecedor (ex.: fogão explode por causa de um raio). É fato estranho à a vidade negocial.

IMPORTANTE:

Para bancas de concursos como FCC, CESPE/CEBRASPE, é aceita como correta a posição do STJ.
Alguns concursos específicos, porém, podem cobrar o entendimento doutrinário no sen do
contrário (caso fortuito e força maior não excluem a responsabilidade porque o rol do art. 12, §
3º, seria taxa vo).
Para saber como se posicionar nas provas, fiquem bastante atentos aos enunciados e à
delimitação do ques onamento (ex.: segundo a jurisprudência do STJ, a doutrina tem
entendimento...).
Os casos reconhecidos pelo STJ como fortuito interno e fortuito externo despencam em prova!

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1.1.1.6.1.3. E o risco do desenvolvimento? Configura excludente?

Risco do desenvolvimento é aquele que não pode ser cien ficamente conhecido no
momento de lançamento do produto no mercado, vindo a ser descoberto somente após certo
tempo de uso do produto/serviço.
Para a doutrina consumerista majoritária, o fornecedor deve responder pelos riscos
do desenvolvimento, não configurando, pois, excludente de responsabilidade.
Os argumentos normalmente invocados são normalmente ligados à não previsão do
risco do desenvolvimento no rol legal de excludentes, bem como à aplicação dos princípios
consumeristas da vulnerabilidade e da res tuição integral dos danos. Para alguns
doutrinadores, ademais, tratar-se-ia de um defeito de concepção, razão pela qual o fornecedor
permanece responsável (ideia de socialização dos riscos – explicada no Ponto 1).

1.1.1.6.1.4. Precedentes importantes envolvendo fato do produto (STJ)

O STJ com frequência examina e reconhece situações concretas em que se configura a


responsabilidade pelo fato do produto. Passa-se a comentar brevemente alguns julgados, seja
pela novidade, seja pela importância. 32
- Novidade 2017 (Informa vo 605): A comprovação de graves lesões decorrentes da
abertura de air bag em acidente automobilís co em baixíssima velocidade, que extrapolam as
expecta vas que razoavelmente se espera do mecanismo de segurança, ainda que de
periculosidade inerente, configura a responsabilidade obje va da montadora de veículos pela
reparação dos danos ao consumidor. Neste julgado, a Turma considerou que o fato de o air bag
ter aberto no caso de acidente, mesmo em baixíssima velocidade, causando lesões ao
motorista, configura fato do produto porque extrapola o risco que seria previsível desse po de
mecanismo. Ou seja, não atendeu a legí ma expecta va de segurança que dele se esperava.
(REsp 1.656.614, T3, Rel. Ministra Nancy Andrighi, DJe 02/06/2017).
- Novidade 2017 (Informa vo 603): Em se tratando de produto de periculosidade
inerente (medicamento), cujos riscos são normais à sua natureza e previsíveis, eventual dano
por ele causado ao consumidor não enseja a responsabilização do fornecedor. A Turma
entendeu que NÃO havia fato do produto no caso de consumidor que veio a morrer de
insuficiência renal aguda após ingerir o medicamento. Isso porque a bula adver a,
expressamente, como possíveis reações adversas, a ocorrência de doenças graves renais.
Portanto, em se tratando de produto de periculosidade inerente, cujos riscos são normais à sua
natureza (medicamento com contraindicações) e previsíveis (na medida em que o consumidor é
deles expressamente adver do), eventual dano por ele causado não enseja a responsabilização
do fornecedor. (REsp 1.599.405, T3, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, DJe 17/4/2017).
- A eclosão tardia do vício do reves mento (pisos e azulejos), quando já se

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encontrava devidamente instalado na residência do consumidor, determina a existência de
danos materiais indenizáveis e relacionados com a necessidade de, no mínimo, contratar
serviços des nados à subs tuição do produto defeituoso. Desse modo, a hipótese é de fato do
produto, sujeito ao prazo prescricional de 5 (cinco) anos. O vício do produto é aquele que afeta
apenas a sua funcionalidade ou a do serviço, sujeitando-se ao prazo decadencial do art. 26 do
Código de Defesa do Consumidor - CDC. Quando esse vício for grave a ponto de repercu r sobre
o patrimônio material ou moral do consumidor, a hipótese será de responsabilidade pelo fato
do produto, observando-se, assim, o prazo prescricional quinquenal do art. 27 do referido
diploma legal. (REsp 1.176.323, T3, Rel. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, DJe 16/03/2015).
- Mera anotação pelo fabricante, em letras minúsculas e discretas na embalagem do
produto, fazendo constar que deve ser evitado o "contato prolongado com a pele" e que "depois
de u lizar" o produto, o usuário deve lavar, e secar as mãos, não basta, como de fato no caso não
bastou, para alertar de forma eficiente o consumidor quanto aos riscos desse. O uso do sabão
em pó para limpeza do chão dos cômodos da casa, além da lavagem do vestuário, por si só, não
representou conduta descuidada apta a colocar a consumidora em risco, uma vez que não se
trata de uso negligente ou anormal do produto. Trata-se de defeito do produto por falha de
informação (falta de informação clara e suficiente). (REsp 1.358.615, T4, Rel. Ministro Luis
Felipe Salomão, DJe 01/07/2013).
33
- Comerciante a ngido em seu olho esquerdo pelos es lhaços de uma garrafa de
cerveja, que estourou em suas mãos quando a colocava em um freezer, causando graves lesões.
Enquadramento do comerciante, que é ví ma de um acidente de consumo, no conceito
ampliado de consumidor estabelecido pela regra do art. 17 do CDC ("bystander"). (REsp
1.288.008, T3, Rel. Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, DJe 11/04/2013).
- Dessa forma e alertado, por meio de amplos debates ocorridos tanto na sociedade
brasileira, quanto na comunidade internacional, acerca dos male cios do hábito de ingestão de
bebida alcoólica, é inques onável, portanto, o decisivo papel desempenhado pelo consumidor,
dentro de sua liberdade de escolha, no consumo ou não, de produto, que é, em sua essência,
nocivo à sua saúde, mas que não pode ser reputado como defeituoso. Nesse contexto, aquele
que, por livre e espontânea vontade, inicia-se no consumo de bebidas alcoólicas, propagando
tal hábito durante certo período de tempo, não pode, doravante, pretender atribuir
responsabilidade de sua conduta ao fabricante do produto, que exerce a vidade lícita e
regulamentada pelo Poder Público. (REsp 1.261.943, T3, Rel. Ministro Massami Uyeda, DJe
27/02/2012).
- O cigarro é um produto de periculosidade inerente e não um produto defeituoso,
pois o defeito a que alude o CDC consubstancia-se em falha que se desvia da normalidade, capaz
de gerar uma frustação no consumidor ao não experimentar a segurança que ordinariamente se
espera do produto ou serviço (REsp 1.113.804, T4, Rel. Ministro Luis Felipe Salomão, DJe
24/06/2010).

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- A circunstância de o adquirente não levar o veículo para conserto, em atenção a
RECALL, não isenta o fabricante da obrigação de indenizar. (REsp 1.010.392, T3, Rel. Ministro
Humberto Gomes de Barros, DJ 13/05/2008, p. 120).

1.1.1.6.1.5. Quadro resumo

Excluem a responsabilidade Não excluem a responsabilidade


pelo fato do produto pelo fato do produto
Não colocação do produto no mercado de Culpa concorrente do consumidor
consumo (causa legal)

Inexistência de defeito (causa legal) Força maior e caso fortuito internos

Culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro Risco do desenvolvimento


(causa legal)

Força maior e caso fortuito externos (causa


jurisprudencial, com controvérsia na doutrina)

1.1.1.6.2. Responsabilidade pelo fato do serviço (art. 14)

34
Nas hipóteses envolvendo fato do serviço, tem-se, em regra, o mesmo tratamento
legal do fato do produto, pelo que serão abordadas apenas as suas peculiaridades. 

Observe-se o teor do art. 14, caput, para, em sequência, serem feitos os comentários
per nentes:

Art. 14. O fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de


culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos rela vos à
prestação de serviços, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre
sua fruição e riscos.

Fornecedor – aqui, mais uma vez o CDC u lizou o gênero, o que gera a
responsabilidade obje va e solidária entre todos os envolvidos com a prestação, pela presença
de outros danos, além do próprio serviço como bem de consumo. 

Aqui também a responsabilidade obje va é fundada na teoria da a vidade ou do
empreendimento, sendo suficiente que o consumidor demonstre o dano ocorrido (acidente de
consumo) e o nexo de causalidade entre o serviço prestado e o dano.
Deve ficar logo registrado que, no fato do serviço, a responsabilidade civil dos
o
profissionais liberais somente existe se houver culpa de sua parte, conforme o art. 14, § 4 (será
objeto de subtópico adiante).

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ATENÇÃO!

Aqui, não há responsabilidade diferenciada para o comerciante. O disposto no art. 13 aplica-se


apenas para a responsabilidade pelo fato do produto, e não do serviço.
Tal tem como jus fica va a dificuldade de se diferenciar quem é o prestador direto e o indireto na cadeia
de prestação, dificuldade que não existe no fato do produto, em que a figura do fabricante é bem clara.
STJ:
- A agência de viagens responde pelo dano pessoal que decorreu durante o pacote de turismo
(REsp 287.849, Rel. Ministro. Ruy Rosado de Aguiar, DJ 13/08/2001).
- A seguradora de plano de saúde responde solidariamente pelos danos decorrentes de defeitos
dos serviços prestados aos segurados pelos hospitais e médicos por ela credenciados (inúmeros
precedentes).

O serviço é defeituoso quando não fornece a segurança que o consumidor dele pode
esperar, levando-se em consideração as circunstâncias relevantes, entre as quais (art. 14, § 1o):

- o modo do seu fornecimento (inciso I);


- os resultados e os riscos que razoavelmente dele se esperam (inciso II);
35
- a época em que foi fornecido.

Tem-se, assim, as seguintes modalidades de defeitos dos serviços:

a) Defeitos de projeto ou concepção - Aqueles que a ngem a própria apresentação ou


essência do serviço, que geram danos independentemente de qualquer fator externo;
b) Defeitos de execução, produção ou fabricação - Rela vos a falhas do dever de
segurança quando da colocação do produto ou serviço no meio de consumo;
c) Defeitos de informação ou comercialização - Aqueles decorrentes da apresentação
ou informações insuficientes ou inadequadas sobre a fruição ou riscos.

NÃO CONFIGURA DEFEITO:


- O serviço não é considerado defeituoso pela adoção de novas técnicas (art. 14, § 2°).
Trata-se de uma previsão muito cobrada em provas!

1.1.1.6.2.1. A responsabilidade subje va dos profissionais liberais (art. 14, § 4º)

O CDC criou uma exceção à responsabilidade obje va pelo fato do serviço, dispondo
que a responsabilização pessoal dos profissionais liberais depende da verificação de culpa,
sendo, portanto, uma responsabilidade subje va.

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O legislador foi claro ao mencionar “responsabilidade pessoal”no referido disposi vo. Se,
por outro lado, tais a vidades forem exploradas empresarialmente (sociedade de advogados,
hospital, consultoria financeira, etc), os defeitos serão indenizados independentemente da
verificação de culpa (aplicando-se a regra da responsabilidade obje va).

Obrigação de meio Obrigação de resultado

O profissional se obriga a empenhar todos os O profissional garante a consecução de um


esforços possíveis para a prestação do serviço resultado final específico.
contratado. Não há compromisso/obrigação Ex.: cirurgias esté cas embelezadoras,
com a obtenção de um resultado específico tratamento ortodôn co.
ATENÇÃO: as cirurgias esté cas reparadoras
(ex.: para recuperação de queimaduras) são
consideradas obrigação de meio.

Por tempos, tem sido citado como exemplo de obrigação de resultado a cirurgia
plás ca/esté ca embelezadora.
Tradicionalmente, o STJ aplicava a responsabilidade subje va dos profissionais liberais
apenas para os casos de serviços que configurassem obrigação de meio. Para as obrigações de
resultado, a culpa seria presumida.
36
A previsão legal do CDC, porém, não faz diferenciação entre obrigações meio e de
resultado, razão pela qual significa va parcela da doutrina discorda da tenta va de se criar um
regime diferenciado. A norma não autoriza a responsabilização obje va do profissional liberal com
base na existência de obrigação de resultado.
Contornando essa questão, o STJ vem se posicionando pela responsabilidade subje va
pelas obrigações de resultado, mas com presunção de culpa (inversão do ônus da prova). Há
inúmeros julgados nesse sen do, mas limitamo-nos a colacionar um, pela sua clareza e atualidade:

AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. RECURSO MANEJADO SOB A ÉGIDE


DO NCPC. ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA GRATUITA. RENOVAÇÃO DO PEDIDO NA VIA
ESPECIAL. DESNECESSIDADE. AÇÃO INDENIZATÓRIA. CIRURGIA PLÁSTICA.
RESPONSABILIDADE OBJETIVA. OBRIGAÇÃO DE RESULTADO. PROFISSIONAL QUE
DEVE AFASTAR SUA CULPA MEDIANTE PROVA DE CAUSAS DE EXCLUDENTE.
AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO.
2. Possuindo a cirurgia esté ca a natureza de obrigação de resultado cuja
responsabilidade do médico é presumida, cabe a este demonstrar exis r alguma
excludente de sua responsabilização apta a afastar o direito ao ressarcimento do
paciente.
(AgRg no REsp 1468756, T3, Rel. Ministro MOURA RIBEIRO, DJe 24/05/2016)
RECURSO ESPECIAL. RESPONSABILIDADE CIVIL. ERRO MÉDICO. ART. 14 DO CDC.
CIRURGIA PLÁSTICA. OBRIGAÇÃO DE RESULTADO. CASO FORTUITO. EXCLUDENTE DE
RESPONSABILIDADE

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1. Os procedimentos cirúrgicos de fins meramente esté cos caracterizam
verdadeira obrigação de resultado, pois neles o cirurgião assume verdadeiro
compromisso pelo efeito embelezador prome do.
2. Nas obrigações de resultado, a responsabilidade do profissional da medicina
permanece subje va. Cumpre ao médico, contudo, demonstrar que os eventos
danosos decorreram de fatores externos e alheios à sua atuação durante a cirurgia.
3. Apesar de não prevista expressamente no CDC, a eximente de caso fortuito possui
força liberatória e exclui a responsabilidade do cirurgião plás co, pois rompe o nexo de
causalidade entre o dano apontado pelo paciente e o serviço prestado pelo
profissional.
4. Age com cautela e conforme os ditames da boa-fé obje va o médico que colhe a
assinatura do paciente em termo de consen mento informado, de maneira a alertá-lo
acerca de eventuais problemas que possam surgir durante o pós-operatório.
(REsp 1180815, T3, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, DJe 26/08/2010)

Os tratamentos ortodôn cos também são considerados obrigação de resultado, para


fins de aplicação do entendimento acima (REsp 1.238.746, T4, Rel. Ministro Luis Felipe Salomão,
DJe 04/11/2011).

37
1.1.1.6.2.2. As causas excludentes da responsabilidade obje va (art. 14, § 3º)

O CDC adotou a teoria do risco da a vidade, e não do risco integral. A prova disso é a
previsão expressa de excludentes da responsabilidade do fornecedor (art. 14, § 3º). Em todas
as hipóteses de exoneração, o ônus da prova é do fornecedor:

- Que, tendo prestado o serviço, o defeito inexiste (inciso I);


- A culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro (inciso II).

** E a culpa concorrente do consumidor?


Como visto, NÃO afasta a responsabilidade obje va do fornecedor, mas pode permi r, no caso
concreto, uma redução da condenação imposta ao fornecedor (STJ).
IMPORTANTE: o comerciante não pode ser considerado terceiro para fins de exclusão da
responsabilidade (STJ).

- Caso fortuito e força maior (externos)

Não estão previstos expressamente no CDC, mas são aceitos pelo STJ (maiores
explicações já foram despendidas).

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Remete-se acima à diferenciação entre fortuito interno e fortuito externo, recordando
que apenas este é considerado causa de exclusão.

1.1.1.6.2.3. Precedentes importantes envolvendo fato do serviço (STJ)

Será feita uma divisão da análise por grandes temas, para facilitar o estudo:
a) Serviços prestados por ins tuições financeiras

- As ins tuições bancárias respondem obje vamente pelos danos causados por fraudes
ou delitos pra cados por terceiros (fortuito interno). Vide Súmula 479: as ins tuições
financeiras respondem obje vamente pelos danos gerados por fortuito interno rela vo
a fraudes e delitos pra cados por terceiros no âmbito de operações bancárias.
- O banco deve compensar os danos morais sofridos por consumidor ví ma de saque
fraudulento que, mesmo diante de grave e evidente falha na prestação do serviço
bancário, teve que intentar ação contra ins tuição financeira com obje vo de
recompor o seu patrimônio, após frustradas tenta vas de resolver extrajudicialmente
a questão. (AgRg no AREsp 395.426, T4, Rel. Ministro Marco Buzzi, DJe 17/12/2015).
- Não configura dano moral in re ipsa a simples remessa de fatura de cartão de
crédito para a residência do consumidor com cobrança indevida. Para configurar a
existência do dano extrapatrimonial, há de se demonstrar fatos que o caracterizem,
como a reiteração da cobrança indevida, a despeito da reclamação do consumidor,
38
inscrição em cadastro de inadimplentes, protesto, publicidade nega va do nome do
suposto devedor ou cobrança que o exponha a ameaça, coação, constrangimento.
(REsp 1.550.509, T4, Rel. Ministra Maria isabel Gallo , DJe 14/03/2016).
- A relação firmada entre unidades lotéricas e a Caixa Econômica Federal tem cunho
social, ampliando o acesso da população brasileira a alguns pontuais serviços
prestados por ins tuições financeiras, o que não é suficiente para transmudar a
natureza daquelas em ins tuições financeiras (REsp 1.224.236, T4, Rel. Ministro Luis
Felipe Salomão, DJe 02/04/2014).
- Mais do que mera cessão de espaço ou a simples guarda, a efe va segurança e vigilância
dos objetos depositados nos cofres pelos clientes são caracterís cas essenciais a
negócio jurídico desta natureza, razão pela qual o desafio de frustrar ações criminosas
contra o patrimônio a que se presta a resguardar cons tui ônus da ins tuição financeira,
em virtude de o exercício profissional deste empreendimento torná-la mais susce vel
aos crimes patrimoniais, haja vista a presunção de que custodia capitais elevados e de
que mantém em seus cofres, sob vigilância, bens de clientes. O roubo ou furto
perpetrado contra a ins tuição financeira, com repercussão nega va ao cofre locado ao
consumidor, cons tui risco assumido pelo fornecedor do serviço, haja vista
compreender-se na própria a vidade empresarial, configurando, assim, hipótese de
fortuito interno. (REsp 1.250.997, T4, Rel. Ministro marco Buzzi, DJe 14/02/2013).
- Está pacificado na jurisprudência do Superior Tribunal de Jus ça o entendimento de
que roubos em agências bancárias são eventos previsíveis, não caracterizando
hipótese de força maior, capaz de elidir o nexo de causalidade, requisito indispensável
ao dever de indenizar (fortuito interno) (REsp 1.093.617, T4, Rel. Ministro João Otávio
de Noronha, DJe 23/03/2009).

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NÃO CONFUNDIR:
Roubo no interior de agência bancária x roubo na rua, após sair de agência bancária
- Roubo no interior de agência bancária fortuito interno. Em regra, há responsabilidade obje va
da ins tuição financeira.
- Roubo na via pública, após sair de agência bancária ausência de responsabilidade obje va da
ins tuição financeira.
Na hipótese, não houve qualquer demonstração de falha na segurança interna da agência
bancária que propiciasse a atuação dos criminosos fora das suas dependências. Ausência,
portanto, de vício na prestação de serviços.
O ilícito ocorreu na via pública, sendo do Estado, e não da ins tuição financeira, o dever de
garan r a segurança dos cidadãos e de evitar a atuação dos criminosos.
O risco inerente à a vidade exercida pela ins tuição financeira não a torna responsável pelo
assalto sofrido pela autora, fora das suas dependências. (REsp 1.284.962, T3, Rel. Ministra
Nancy Andrighi, DJe 04/02/2013).

Crimes em estacionamentos (são diferentes as seguintes situações):


39
- Cliente roubado no estacionamento do banco A ins tuição bancária responde obje vamente
pelos furtos, roubos e latrocínios ocorridos nas dependências de estacionamento que
oferecera aos veículos de seus clientes. Proveito financeiro indireto
ob do pela ins tuição atrai-lhe o ônus de proteger o consumidor de eventuais furtos, roubos ou
latrocínios. (REsp 1.045.775, T3, Rel. Ministro Massami Uyeda, DJe 04/08/2009)
- Cliente roubado em estacionamento privado, oferecido pelo banco a seus clientes A ins tuição
bancária responde solidariamente com a empresa privada. A contratação de empresas
especializadas para fazer a segurança não desobriga a ins tuição bancária do dever de segurança
em relação aos clientes e usuários, tampouco implica transferência da responsabilidade às
referidas empresas, que, inclusive, respondem solidariamente pelos danos. (AgRg nos EDcl no
REsp 844.186, T4, Rel. Ministro Antonio Carlos Ferreira, DJe 29/06/2012)
- Cliente roubado em estacionamento privado, próximo, mas sem qualquer relação com o
banco não há responsabilidade da ins tuição financeira.
E da empresa que administra o estacionamento?
Também não. O roubo à mão armada exclui a responsabilidade de quem explora o serviço de
estacionamento de veículos. (REsp 1.232.795, T3, Rel. Ministra Nancy Andrighi, DJe 10/04/2013).
** Por que as ins tuições financeiras têm responsabilidade por crimes de roubo e furto
ocorridos em suas dependências ou dependências ofertadas a clientes e os estacionamentos
privados, desvinculados de bancos, não têm?

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Quanto às ins tuições financeiras, porque há previsibilidade de ocorrência desse po de evento
no âmbito da a vidade bancária, cuidando-se, pois, de risco inerente ao seu negócio (para
bancos, trata-se de fortuito interno).
A empresa de estacionamento, por outro lado, responsabiliza-se apenas pela guarda do veículo,
não sendo razoável lhe impor o dever de garan r a segurança e integridade sica do usuário e a
proteção dos bens portados por ele.
OBS: O entendimento acima acerca de estacionamentos privados não se aplica para aqueles
localizados em shopping center (será visto).

b) Responsabilidade de estacionamentos e serviços de vallet parkings

- A empresa de shopping center que fornece estacionamento aos veículos de seus clientes
responde obje vamente pelos furtos, roubos e latrocínios ocorridos no seu interior, uma
vez que, em troca dos bene cios financeiros indiretos decorrentes desse acréscimo de
conforto aos consumidores, o estabelecimento assume o dever - implícito em qualquer
relação contratual - de lealdade e segurança, como aplicação concreta do princípio da
confiança. (REsp 1.269.691,T4, Rel. Ministro Luis Felipe Salomão, DJe 05/03/2014).
- Condenação de supermercado a reparar os danos morais sofridos por consumidores
que foram ví mas de assalto à mão armada no interior do seu estacionamento. É dever
de estabelecimentos como shoppings centers e hipermercados zelar pela segurança de
40
seu ambiente, de modo que não se há falar em força maior para eximi-los da
responsabilidade civil decorrente de assaltos violentos aos consumidores. (REsp
582.047, T3, Rel. Ministro Massami Uyeda, DJe 04/08/2009).
- Reconhecimento da ocorrência de força maior ou fato exclusivo de terceiro como causa
de exclusão da responsabilidade civil do fornecedor, na hipótese de roubo de veículo
conduzido por manobrista de restaurante em via pública (serviço de valet parking)
(REsp 1.321.739, T3, Rel. Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, DJe 10/09/2013).

ATENÇÃO!

Nesse julgado, é importante atentar à diferença estabelecida pelo STJ:


- Roubo fato de terceiro ou força maior. Não há responsabilidade do restaurante. A exigência de
garan a da segurança sica e patrimonial do consumidor é menor do que aquela a nente aos
estacionamentos de shopping centers e hipermercados, pois trata-se de serviço prestado na via pública;
- Furto permanece a responsabilidade do restaurante. A diligência na guarda da coisa está
incluída nesse po de serviço.
** E se o serviço de vallet parking for localizado dentro de shopping center?
Há responsabilidade. O crime de roubo ou furto não cons tui causa excludente de
responsabilidade nos casos em que a segurança sica e patrimonial do consumidor é inerente
ao serviço prestado pelo estabelecimento comercial.

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c) Responsabilidade em caso de crimes patrimoniais

- A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) é responsável pelos danos


sofridos por consumidor que foi assaltado no interior de agência dos Correios na qual
é fornecido o serviço de banco postal. Ao realizar a a vidade de banco postal, contrato
de finalidade credi cia, a ECT buscou, no espectro da a vidade econômica, aumentar
os seus ganhos e proventos, pois, por meio dessa relação, o correspondente ra
proveito de recursos ociosos, u lizando a marca do banco para atrair clientes, fidelizar
consumidores, acessar serviços e produtos do sistema financeiro, agregando
diferencial compe vo ao negócio. (REsp 1.183.121, T4, Rel. Ministro Luis Felipe
Salomão).
- Cons tui causa excludente da responsabilidade da empresa transportadora o fato
inteiramente estranho ao transporte em si, como é o assalto ocorrido no interior do
cole vo (AgRg no Ag 1.389.181, T3, Rel. Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, DJe
29/06/2012).
- Tratando-se de postos de combus veis, a ocorrência de delito (roubo) a clientes de
tal estabelecimento, não traduz, em regra, evento inserido no âmbito da prestação
específica do comerciante, cuidando-se de caso fortuito externo, ensejando-se, por
conseguinte, a exclusão de sua responsabilidade pelo lamentável incidente. (REsp
1.243.970, T3, Rel. Ministro Massami Uyeda, DJe 10/05/2012).
41
d) Responsabilidade de planos de saúde, hospitais e médicos

- O plano de saúde responde solidariamente, com hospitais e médicos credenciados,


pelo dano causado ao paciente. (AgInt no AREsp 986.140, T4, Rel. Ministra Isabel
Gallo , DJe 22/05/2017 e inúmeros outros precedentes).

ATENÇÃO!

É importante atentar à diferença estabelecida pelo STJ:


- Seguros saúde - há livre escolha pelo beneficiário/segurado de médicos e hospitais, com
reembolso das despesas no limite da apólice. Não se poderá falar em responsabilidade da
seguradora pela má prestação do serviço; a responsabilidade será direta do médico e/ou
hospital, se for o caso.
- Contratos de planos de saúde - é fundado na prestação de serviços médicos e hospitalares
próprios e/ou credenciados, no qual a operadora de plano de saúde mantém hospitais e
emprega médicos ou indica um rol de conveniados. Há responsabilidade solidária e obje va
pela má prestação do serviço.

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- Adotadas as cautelas possíveis pelo hospital e não tendo sido iden ficada a hepa te
C no sangue doado, não é razoável afirmar que o só fato da existência do fenômeno
"janela imunológica" seria passível de tornar o serviço defeituoso. No limite, a tese
subverte todos os fundamentos essenciais da responsabilidade civil, ensejando
condenações por presunções. Parece correto sustentar, assim, que aquilo que o
consumidor pode legi mamente esperar não é, infelizmente, que sangue
contaminado jamais seja u lizado em transfusões sanguíneas, mas sim que todas as
medidas necessárias à redução desse risco ao menor patamar possível sejam tomadas
pelas pessoas ou en dades responsáveis pelo processamento do sangue (REsp
1.322.387,T4, Rel. Ministro Luis Felipe Salomão, DJe 26/09/2013).
- A responsabilidade das sociedades empresárias hospitalares por dano causado ao
paciente-consumidor pode ser assim sinte zada:
(i) as obrigações assumidas diretamente pelo complexo hospitalar limitam-se ao
fornecimento de recursos materiais e humanos auxiliares adequados à prestação dos
serviços médicos e à supervisão do paciente, hipótese em que a responsabilidade
obje va da ins tuição (por ato próprio) exsurge somente em decorrência de defeito
no serviço prestado (art. 14, caput, do CDC);
(ii) os atos técnicos pra cados pelos médicos sem vínculo de emprego ou
subordinação com o hospital são imputados ao profissional pessoalmente,
eximindo-se a en dade hospitalar de qualquer responsabilidade (art. 14, § 4, do
CDC), se não concorreu para a ocorrência do dano; 42
(iii) quanto aos atos técnicos pra cados de forma defeituosa pelos profissionais da
saúde vinculados de alguma forma ao hospital, respondem solidariamente a
ins tuição hospitalar e o profissional responsável, apurada a sua culpa profissional.
Nesse caso, o hospital é responsabilizado indiretamente por ato de terceiro, cuja culpa
deve ser comprovada pela ví ma de modo a fazer emergir o dever de indenizar da
ins tuição, de natureza absoluta (arts. 932 e 933 do CC), sendo cabível ao juiz,
demonstrada a hipossuficiência dopaciente, determinar a inversão do ônus da prova
(art. 6º, VIII, do CDC). (REsp 1.145.728, Rel. Ministro luis Felipe Salomão, DJe 08/09/2011).

e) Responsabilidade de provedores de internet, blogs e sites de no cias

- A verificação de o cio do conteúdo das mensagens postadas por cada usuário não
cons tui a vidade intrínseca ao serviço prestado pelos provedores de hospedagem
de blogs, de modo que não se pode reputar defeituoso, nos termos do art. 14 do CDC,
o site que não exerce esse controle. Ao ser comunicado de que determinada
mensagem postada em blog por ele hospedado possui conteúdo potencialmente
ilícito ou ofensivo, deve o provedor removê-lo preven vamente no prazo de 24
horas, até que tenha tempo hábil para apreciar a veracidade das alegações do
denunciante, de modo a que, confirmando-as, exclua defini vamente o vídeo ou,
tendo-as por infundadas, restabeleça o seu livre acesso, sob pena de responder
solidariamente com o autor direto do dano em virtude da omissão pra cada. (REsp
1.406.448, T3, Rel. Ministra Nancy Andrighi, DJe 21/10/2013).

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ATENÇÃO!

É importante atentar à diferença estabelecida pelo STJ:


Assim era o panorama antes da entrada em vigor do Marco Civil da Internet. Com a Lei n.
12.965/2014, que entrou em vigor em 23/06/2014. A par r dessa norma, vejamos como ficou.
Art. 19. Com o intuito de assegurar a liberdade de expressão e impedir a censura, o provedor de
aplicações de internet somente poderá ser responsabilizado civilmente por danos
decorrentes de conteúdo gerado por terceiros se, após ordem judicial específica, não tomar as
providências para, no âmbito e nos limites técnicos do seu serviço e dentro do prazo
assinalado, tornar indisponível o conteúdo apontado como infringente, ressalvadas as
disposições legais em contrário.
Art. 21. O provedor de aplicações de internet que disponibilize conteúdo gerado por terceiros
será responsabilizado subsidiariamente pela violação da in midade decorrente da
divulgação, sem autorização de seus par cipantes, de imagens, de vídeos ou de outros
materiais contendo cenas de nudez ou de atos sexuais de caráter privado quando, após o
recebimento de no ficação pelo par cipante ou seu representante legal, deixar de promover,
de forma diligente, no âmbito e nos limites técnicos do seu serviço, a indisponibilização desse
conteúdo. 43
O Marco Civil admi u, excepcionalmente, a possibilidade de responsabilização subsidiária do
provedor, em caso de inação face à no ficação extrajudicial da divulgação de conteúdo com
nudez e atos sexuais.

SITUAÇÃO DIFERENTE:
É diferente da regra geral acima a responsabilidade de portal de no cias man do por empresa
jornalís ca na internet:
- Hipótese em que o provedor de conteúdo é empresa jornalís ca profissional da área de
comunicação, ensejando a aplicação do Código de Defesa do Consumidor.
- Necessidade de controle efe vo, prévio ou posterior, das postagens divulgadas pelos usuários
junto à página em que publicada a no cia.
- A ausência de controle configura defeito do serviço.
- Responsabilidade solidária da empresa gestora do portal eletrônico perante a ví ma das
ofensas. (REsp 1.352.053, T3, Rel. Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, DJe 30/03/2015).

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f) Diversos

- Condenação de colégio por danos materiais e morais sofridos por um de seus alunos
em excursão organizada pela escola, haja vista tratar-se de fortuito interno (a
segurança dos alunos que estão sob a vigilância e autoridade da escola é inerente à
a vidade de ensino). (REsp 762.075, T4, Rel. Ministro Luis Felipe Salomão, DJe
29/06/2009).
- Pacificou-se o entendimento de que os danos sofridos por passageiros de
transporte cole vo, em razão de acidente, não excluem a responsabilidade da
empresa transportadora, ainda que decorrente de culpa de terceiro. Isso porque os
riscos de acidentes de trânsito são inerentes à a vidade de transporte e não podem
ser considerados imprevisíveis (diversos Precedentes).
- No âmbito da jurisprudência do STJ, não se configura o dano moral quando ausente
a ingestão do produto considerado impróprio para o consumo, em virtude da
presença de objeto estranho no seu interior, por não extrapolar o âmbito individual
que jus fique a li giosidade, porquanto atendida a expecta va do consumidor em sua
dimensão plural. (REsp 1.395.647, T3, Rel. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, DJe
19/12/2014).
- A contratação de serviços postais oferecidos pelos Correios, por meio de tarifa
especial, para envio de carta registrada, que permite o posterior rastreamento pelo
próprio órgão de postagem revela a existência de contrato de consumo, devendo a 44
fornecedora responder obje vamente ao cliente por danos morais advindos da
falha do serviço quando não comprovada a efe va entrega. (EREsp 1097266, S2, Rel.
Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, DJe 24/02/2015).
- O contrato de transporte consiste em obrigação de resultado, configurando o atraso
manifesta prestação inadequada. O dano moral decorrente de atraso de voo
prescinde de prova e a responsabilidade de seu causador opera-se in re ipsa em
virtude do desconforto, da aflição e dos transtornos suportados pelo passageiro.
(REsp 1.280.372, T3, Rel. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, DJe 10/10/2014).

1.1.1.6.1.5. Quadro resumo

Excluem a responsabilidade Não excluem a responsabilidade


pelo fato do serviço pelo fato do serviço
Inexistência de defeito (causa legal)

Culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro Culpa concorrente do consumidor


(causa legal)

Força maior e caso fortuito externos (causa Força maior e caso fortuito internos
jurisprudencial, com controvérsia na doutrina)

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1.2. LEGISLAÇÃO

TÍTULO I
Dos Direitos do Consumidor
CAPÍTULO IV
Da Qualidade de Produtos e Serviços, da Prevenção e da Reparação dos Danos
SEÇÃO I
Da Proteção à Saúde e Segurança

Art. 8o. Os produtos e serviços colocados no mercado de consumo não acarretarão riscos à
saúde ou segurança dos consumidores, exceto os considerados normais e previsíveis em
decorrência de sua natureza e fruição, obrigando-se os fornecedores, em qualquer hipótese, a
dar as informações necessárias e adequadas a seu respeito.
Parágrafo único. Em se tratando de produto industrial, ao fabricante cabe prestar as
informações a que se refere este ar go, através de impressos apropriados que devam
acompanhar o produto.
o
Art. 9 . O fornecedor de produtos e serviços potencialmente nocivos ou perigosos à saúde ou 45
segurança deverá informar, de maneira ostensiva e adequada, a respeito da sua nocividade ou
periculosidade, sem prejuízo da adoção de outras medidas cabíveis em cada caso concreto.
Art. 10. O fornecedor não poderá colocar no mercado de consumo produto ou serviço que sabe
ou deveria saber apresentar alto grau de nocividade ou periculosidade à saúde ou segurança.
o
§ 1 O fornecedor de produtos e serviços que, posteriormente à sua introdução no mercado de
consumo, ver conhecimento da periculosidade que apresentem, deverá comunicar o feito
imediatamente às autoridades competentes e aos consumidores, mediante anúncios
publicitários.
§ 2o Os anúncios publicitários a que se refere o parágrafo anterior serão veiculados na imprensa,
rádio e televisão, às expensas do fornecedor do produto ou serviço.
o
§ 3 Sempre que verem conhecimento de periculosidade de produtos ou serviços à saúde ou
segurança dos consumidores, a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios deverão
informá-los a respeito.
Art. 11. (vetado).

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SEÇÃO II
Da Responsabilidade pelo Fato do Produto e do Serviço

Art. 12. O fabricante, o produtor, o construtor, nacional ou estrangeiro, e o importador


respondem, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados
aos consumidores por defeitos decorrentes de projeto, fabricação, construção, montagem,
fórmulas, manipulação, apresentação ou acondicionamento de seus produtos, bem como por
informações insuficientes ou inadequadas sobre sua u lização e riscos.
§ 1° O produto é defeituoso quando não oferece a segurança que dele legi mamente se espera,
levando-se em consideração as circunstâncias relevantes, entre as quais:
I - sua apresentação;
II - o uso e os riscos que razoavelmente dele se esperam;
III - a época em que foi colocado em circulação.
§ 2º O produto não é considerado defeituoso pelo fato de outro de melhor qualidade ter sido
colocado no mercado.
§ 3° O fabricante, o construtor, o produtor ou importador só não será responsabilizado quando 46
provar:
I - que não colocou o produto no mercado;
II - que, embora haja colocado o produto no mercado, o defeito inexiste;
III - a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro.
Art. 13. O comerciante é igualmente responsável, nos termos do ar go anterior, quando:
I - o fabricante, o construtor, o produtor ou o importador não puderem ser iden ficados;
II - o produto for fornecido sem iden ficação clara do seu fabricante, produtor, construtor ou
importador;
III - não conservar adequadamente os produtos perecíveis.
Parágrafo único. Aquele que efe var o pagamento ao prejudicado poderá exercer o direito de
regresso contra os demais responsáveis, segundo sua par cipação na causação do evento
danoso.
Art. 14. O fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de culpa, pela
reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos rela vos à prestação dos
serviços, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos.
§ 1° O serviço é defeituoso quando não fornece a segurança que o consumidor dele pode
esperar, levando-se em consideração as circunstâncias relevantes, entre as quais:

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I - o modo de seu fornecimento;
II - o resultado e os riscos que razoavelmente dele se esperam;
III - a época em que foi fornecido.
§ 2º O serviço não é considerado defeituoso pela adoção de novas técnicas.
§ 3° O fornecedor de serviços só não será responsabilizado quando provar:
I - que, tendo prestado o serviço, o defeito inexiste;
II - a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro.
§ 4° A responsabilidade pessoal dos profissionais liberais será apurada mediante a verificação
de culpa.
Art. 15. (Vetado).
Art. 16. (Vetado).
Art. 17. Para os efeitos desta Seção, equiparam-se aos consumidores todas as ví mas do evento.

SEÇÃO III
Da Responsabilidade por Vício do Produto e do Serviço 47

Art. 18. Os fornecedores de produtos de consumo duráveis ou não duráveis respondem


solidariamente pelos vícios de qualidade ou quan dade que os tornem impróprios ou
inadequados ao consumo a que se des nam ou lhes diminuam o valor, assim como por aqueles
decorrentes da disparidade, com a indicações constantes do recipiente, da embalagem,
rotulagem ou mensagem publicitária, respeitadas as variações decorrentes de sua natureza,
podendo o consumidor exigir a subs tuição das partes viciadas.
§ 1° Não sendo o vício sanado no prazo máximo de trinta dias, pode o consumidor exigir,
alterna vamente e à sua escolha:
I - a subs tuição do produto por outro da mesma espécie, em perfeitas condições de uso;
II - a res tuição imediata da quan a paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de
eventuais perdas e danos;
III - o aba mento proporcional do preço.
§ 2° Poderão as partes convencionar a redução ou ampliação do prazo previsto no parágrafo
anterior, não podendo ser inferior a sete nem superior a cento e oitenta dias. Nos contratos de
adesão, a cláusula de prazo deverá ser convencionada em separado, por meio de manifestação
expressa do consumidor.
§ 3° O consumidor poderá fazer uso imediato das alterna vas do § 1° deste ar go sempre que,

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em razão da extensão do vício, a subs tuição das partes viciadas puder comprometer a
qualidade ou caracterís cas do produto, diminuir-lhe o valor ou se tratar de produto essencial.
§ 4° Tendo o consumidor optado pela alterna va do inciso I do § 1° deste ar go, e não sendo
possível a subs tuição do bem, poderá haver subs tuição por outro de espécie, marca ou
modelo diversos, mediante complementação ou res tuição de eventual diferença de preço,
sem prejuízo do disposto nos incisos II e III do § 1° deste ar go.
§ 5° No caso de fornecimento de produtos in natura, será responsável perante o consumidor o
fornecedor imediato, exceto quando iden ficado claramente seu produtor.
§ 6° São impróprios ao uso e consumo:
I - os produtos cujos prazos de validade estejam vencidos;
II - os produtos deteriorados, alterados, adulterados, avariados, falsificados, corrompidos,
fraudados, nocivos à vida ou à saúde, perigosos ou, ainda, aqueles em desacordo com as
normas regulamentares de fabricação, distribuição ou apresentação;
III - os produtos que, por qualquer mo vo, se revelem inadequados ao fim a que se des nam.
Art. 19. Os fornecedores respondem solidariamente pelos vícios de quan dade do produto
sempre que, respeitadas as variações decorrentes de sua natureza, seu conteúdo líquido for
inferior às indicações constantes do recipiente, da embalagem, rotulagem ou de mensagem
48
publicitária, podendo o consumidor exigir, alterna vamente e à sua escolha:
I - o aba mento proporcional do preço;
II - complementação do peso ou medida;
III - a subs tuição do produto por outro da mesma espécie, marca ou modelo, sem os aludidos
vícios;
IV - a res tuição imediata da quan a paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de
eventuais perdas e danos.
§ 1° Aplica-se a este ar go o disposto no § 4° do ar go anterior.
§ 2° O fornecedor imediato será responsável quando fizer a pesagem ou a medição e o
instrumento u lizado não es ver aferido segundo os padrões oficiais.
Art. 20. O fornecedor de serviços responde pelos vícios de qualidade que os tornem impróprios
ao consumo ou lhes diminuam o valor, assim como por aqueles decorrentes da disparidade com
as indicações constantes da oferta ou mensagem publicitária, podendo o consumidor exigir,
alterna vamente e à sua escolha:
I - a reexecução dos serviços, sem custo adicional e quando cabível;
II - a res tuição imediata da quan a paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de
eventuais perdas e danos;

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III - o aba mento proporcional do preço.
§ 1° A reexecução dos serviços poderá ser confiada a terceiros devidamente capacitados, por
conta e risco do fornecedor.
§ 2° São impróprios os serviços que se mostrem inadequados para os fins que razoavelmente
deles se esperam, bem como aqueles que não atendam as normas regulamentares de
prestabilidade.
Art. 21. No fornecimento de serviços que tenham por obje vo a reparação de qualquer produto
considerar-se-á implícita a obrigação do fornecedor de empregar componentes de reposição
originais adequados e novos, ou que mantenham as especificações técnicas do fabricante,
salvo, quanto a estes úl mos, autorização em contrário do consumidor.
Art. 22. Os órgãos públicos, por si ou suas empresas, concessionárias, permissionárias ou sob
qualquer outra forma de empreendimento, são obrigados a fornecer serviços adequados,
eficientes, seguros e, quanto aos essenciais, con nuos.
Parágrafo único. Nos casos de descumprimento, total ou parcial, das obrigações referidas neste
ar go, serão as pessoas jurídicas compelidas a cumpri-las e a reparar os danos causados, na
forma prevista neste código.
Art. 23. A ignorância do fornecedor sobre os vícios de qualidade por inadequação dos produtos 49
e serviços não o exime de responsabilidade.
Art. 24. A garan a legal de adequação do produto ou serviço independe de termo expresso,
vedada a exoneração contratual do fornecedor.
Art. 25. É vedada a es pulação contratual de cláusula que impossibilite, exonere ou atenue a
obrigação de indenizar prevista nesta e nas seções anteriores.
§ 1° Havendo mais de um responsável pela causação do dano, todos responderão
solidariamente pela reparação prevista nesta e nas seções anteriores.

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2
PROCESSO CIVIL 50
(conteúdo atualizado em 10/09/2017)

Parte 1

Da competência (Item 3)
Apresentação

Nesta rodada, estudaremos o tema “Da Competência”. Trata-se de tema que vem
sendo cada vez mais cobrado nos concursos, geralmente restrito ao conteúdo da Lei. Além do
estudo de alguns julgados dentro do próprio resumo doutrinário, ao final, em tópico próprio,
são listadas as Súmulas do STF e do STJ e outros precedentes importantes.
Abraços e bons estudos.
Guilherme Rodrigues de Andrade

51

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2.1. DOUTRINA (RESUMO)

2.1.1. COMPETÊNCIA

2.1.1.1. CONCEITO

Tradicionalmente, o conceito de jurisdição estava relacionado à medida de jurisdição


ou à quan dade de jurisdição delegada a um determinado órgão.
Ocorre que esta definição acaba por misturar, indevidamente, os conceitos de
jurisdição e competência. Conforme já vimos, a jurisdição é una e indivisível, não podendo ser
dividida em pedaços, mo vo pelo qual o próprio ar go 16 do NCPC afirma que “a jurisdição civil
é exercida pelos juízes e pelos tribunais em todo o território nacional, conforme as disposições
deste Código”.
Assim, um juiz, mesmo incompetente, terá jurisdição em todo território nacional.
Tanto é que este mesmo juiz terá competência para se declarar incompetente (kompetenz
kompetenz). Se lhe faltasse jurisdição, não poderia sequer dar uma decisão judicial se
declarando incompetente, pois não estaria inves do de jurisdição.
No entanto, os juízes gozam de jurisdição em todo território nacional (art. 16 do NCPC), 52
sendo certo ainda que, mesmo que se declare incompetente, os atos do juiz incompetente
preservarão os seus efeitos até que outra decisão seja proferida pelo juiz competente:

Art. 64, § 4o Salvo decisão judicial em sen do contrário, conservar-se-ão os efeitos de


decisão proferida pelo juízo incompetente até que outra seja proferida, se for o caso,
pelo juízo competente.

Vê-se, portanto, que a competência não é uma porção de jurisdição. A competência é a


limitação do exercício legí mo da jurisdição a fim de organizar e racionalizar seu o exercício
entre os seus diversos órgãos.

2.1.1.2. COMPETÊNCIA RELATIVA E ABSOLUTA

Competência Rela va – pres gia o interesse das partes, franqueando a elas a


aplicação ou não da regra de competência.
Competência Absoluta – pres gia o interesse público em detrimento do interesse
par cular. Neste caso, não há flexibilização pela vontade das partes, tratando-se de norma de
natureza cogente.

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2.1.1.2.1. Competência Rela va
2.1.1.2.1.1. Quem pode alegar

a) O réu, em preliminar de contestação, sob pena de se prorrogar a competência (arts. 65


e 337, II, ambos do NCPC);
b) O Ministério Público, quando atuar como fiscal da ordem jurídica (art. 65, Parágrafo
único, do NCPC);
c) o assistente li sconsorcial do réu (art. 124, do NCPC);
d) O assistente simples do réu, desde que o réu não se oponha, uma vez que o primeiro
não pode atuar contra a vontade expressa do assis do (arts. 121 e 122, do NCPC);
e) O denunciado à lide pelo réu (art. 128 do NCPC) e o chamado ao processo (art. 130 e
131, ambos do NCPC) em tese teriam esta legi midade e interesse, no entanto, para
alguns autores, pelo fato de esta intervenção de terceiro ocorrer após a contestação, já
terá ocorrido a prorrogação de competência ante a não alegação por parte do réu no
momento oportuno, qual seja, na contestação (art. 65 do NCPC).

2.1.1.2.1.2. Quem não pode alegar

a) O autor, em razão da preclusão lógica;


b) O Ministério Público quando é o autor da ação;
53
c) O assistente do autor e denunciado à lide pelo autor.

2.1.1.2.1.3. Reconhecimento de o cio da incompetência rela va

Dispõe a Súmula 33 do Superior Tribunal de Jus ça que “a incompetência rela va não


pode ser declarada de o cio”.
A súmula tem por finalidade proteger a essência da competência rela va, uma vez que esta
pres gia o interesse das partes, franqueando a elas a aplicação ou não da regra de competência.
Desta maneira, pode ser que o réu, mesmo sendo demandado em local diferente do que prevê a
legislação (uma incompetência territorial, por exemplo), prefira li gar no foro escolhido pelo autor.
Sendo assim, atendendo a interesses primordialmente par culares, não faz sen do
que o juiz reconheça a incompetência rela va de o cio.
Ocorre que o CPC/73 já nha a previsão legal da possibilidade de o juiz declarar de o cio a
nulidade da cláusula de eleição de foro, EM CONTRATO DE ADESÃO, conforme o ar go 112,
Parágrafo único.
Repe ndo, em parte, o NCPC criou norma semelhante no seu ar go 63, §3º:

Art. 63, § 3o Antes da citação, a cláusula de eleição de foro, se abusiva, pode ser
reputada ineficaz de o cio pelo juiz, que determinará a remessa dos autos ao juízo do
foro de domicílio do réu.

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Veja que, diferentemente do CPC/73, o novo disposi vo permite a declaração de
nulidade da cláusula de eleição de foro ABUSIVA EM QUALQUER CONTRATO. Isto é, o
magistrado não fica limitado a esta análise apenas nos contratos de adesão, podendo declarar a
nulidade em qualquer contrato, desde que verifique a abusividade da cláusula, analisando-se se
esta trará prejuízos ao réu em sua defesa.
Por fim, cumpre frisar que este mesmo disposi vo trouxe uma espécie de preclusão
temporal para o juiz, uma vez que a declaração de nulidade DE OFÍCIO somente poderá ser feita
antes da citação. Citado o réu, incumbe-lhe alegar a abusividade da cláusula de eleição de foro
na contestação, sob pena de preclusão (art. 63, §4º, do NCPC).

2.1.1.2.1.4. Momento para a alegação da incompetência rela va

Com o NCPC, o momento para a alegação da incompetência rela va é a própria


contestação (e não mais a exceção de incompetência, como era no CPC/73), em preliminar, sob
pena de preclusão, conforme dispõem os ar gos 66 e 337, II, ambos do NCPC:

Art. 65. Prorrogar-se-á a competência rela va se o réu não alegar a incompetência em


preliminar de contestação. 54
Art. 337. Incumbe ao réu, antes de discu r o mérito, alegar:
II - incompetência absoluta e rela va;

2.1.1.2.2. Competência Absoluta


2.1.1.2.2.1. Legi mado para arguir a incompetência absoluta

Em razão da natureza de ordem pública das normas que tratam da competência


absoluta, todos os sujeitos processuais podem alegá-la, inclusive o próprio autor, devendo o juiz
declará-la de o cio:
o
Art. 65, § 1 A incompetência absoluta pode ser alegada em qualquer
tempo e grau de jurisdição e deve ser declarada de o cio.

2.1.1.2.2.2. Momento da arguição da incompetência absoluta

Segundo o ar go 65, §1º, do NCPC acima transcrito, a incompetência absoluta pode ser
alegada em qualquer tempo e grau de jurisdição.
Com efeito, com relação ao primeiro grau de jurisdição, ou ainda em fase recursal, a
doutrina e jurisprudência são unânimes em afirmar que a incompetência absoluta poderá ser
alegada a qualquer momento.
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ATENÇÃO!

No entanto, com relação ao recurso especial e ao recurso extraordinário, a situação é diferente.


Isso porque, não obstante a redação do Novo Código de Processo Civil, a incompetência
absoluta não pode ser alegada e reconhecida se não houver o preenchimento do requisito do
PREQUESTIONAMENTO, ou seja, se não ver sido discu da anteriormente. Isso porque o ar go
105, III, da CRFB dispõe que “compete ao Superior Tribunal de Jus ça julgar, em recurso
especial, as causas DECIDIDAS, em única ou úl ma instância, pelos Tribunais Regionais Federais
ou pelos tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios [...]”. Da mesma forma, dispõe o
ar go 102, III, da CRFB que “compete ao Supremo Tribunal Federal julgar, mediante recurso
extraordinário, as causas DECIDIDAS em única ou úl ma instância [...]”. Observa-se que, tanto
no RESP quanto no RE, para a admissão do recurso é imprescindível que a questão
(incompetência absoluta) já tenha sido DECIDIDA pelos Tribunais, ou seja, é necessário o
chamado preques onamento (AgRg no AREsp 153455/RS [STJ]; AI 637258 AgR/RJ [STF]).

Em que pese este entendimento mais defensivo dos Tribunais Superiores, a


incompetência absoluta poderá ser alegada em sede de ação rescisória, conforme se observa
pela redação do ar go 966, II, do NCPC:
55
Art. 966. A decisão de mérito, transitada em julgado, pode ser rescindida quando:
II - for proferida por juiz impedido ou por juízo absolutamente incompetente;

2.1.1.3. IDENTIDADES PROCEDIMENTAIS ENTRE AS COMPETÊNCIAS RELATIVA E ABSOLUTA


2.1.1.3.1. Formas de alegação

Tanto a incompetência absoluta como a rela va deverão ser alegadas em preliminar de


contestação:

Art. 64. A incompetência, absoluta ou rela va, será alegada como questão preliminar
de contestação.

No entanto, a incompetência absoluta poderá ser alegada em momento posterior à


contestação, por meio de simples pe ção, tendo em vista a natureza de norma de ordem
pública, conforme dispõe o ar go 64, §1º, do NCPC.

2.1.1.3.2. Reconhecimento da incompetência

Caso a alegação de incompetência seja acolhida, os autos serão reme dos ao juízo
competente, sendo certo que os efeitos da decisão proferida pelo juízo incompetente serão
conservados até que outra decisão seja proferida, se for o caso, pelo juízo competente:

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Art. 64.
§ 3o Caso a alegação de incompetência seja acolhida, os autos serão reme dos ao juízo
competente.
§ 4o Salvo decisão judicial em sen do contrário, conservar-se-ão os efeitos de decisão
proferida pelo juízo incompetente até que outra seja proferida, se for o caso, pelo juízo
competente.

Observa-se, portanto, que, diferentemente do que ocorria no CPC/73, até mesmo os


atos decisórios proferidos por juiz absolutamente incompetente terão os seus efeitos
conservados até a re ficação ou ra ficação pelo juiz competente.

ATENÇÃO 1:

O reconhecimento da incompetência (rela va ou absoluta) no Juizado Especial Cível acarreta a


ex nção do processo sem resolução de mérito (art. 51, III, da Lei 9.099/95).

ATENÇÃO 2:

Ante a ausência de previsão legal, não cabe recurso da decisão que reconhece ou não reconhece a
incompetência (ver rol do ar go 1.015 do NCPC), podendo a matéria, entretanto, ser suscitada em
preliminar de apelação ou contrarrazões de apelação, na forma do ar go 1.009, §1º, do NCPC. 56
Alguns doutrinadores entendem ser cabível o Mandado de Segurança.

2.1.1.4. LIMITES DA JURISDIÇÃO NACIONAL

2.1.1.4.1. Princípio da Efe vidade

Os ar gos 21 a 25 do Novo Código de Processo Civil tratam dos limites da jurisdição


nacional, isto é, dos limites do poder soberano estatal.
O princípio da efe vidade determina que a Jus ça Brasileira só deve exercer a jurisdição
em demandas cuja decisão gere efeitos em território nacional ou em Estado Estrangeiro que
reconheça tal decisão, tornando-se assim sua atuação ú l e teoricamente eficaz.
Com base nestes princípios, o Novo Código de Processo Civil traz as regras de
competência internacional concorrente e exclusiva.

2.1.1.4.2. Competência Concorrente

Os ar gos 21 e 22 do NCPC es pulam as regras de competência concorrente, onde


tanto o juízo brasileiro como o juízo estrangeiro têm competência para o julgamento do
processo envolvendo as matérias e situações previstas no disposi vo legal.

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Art. 21. Compete à autoridade judiciária brasileira processar e julgar as ações em que:
I - o réu, qualquer que seja a sua nacionalidade, es ver domiciliado no Brasil;
II - no Brasil ver de ser cumprida a obrigação;
III - o fundamento seja fato ocorrido ou ato pra cado no Brasil.
Parágrafo único. Para o fim do disposto no inciso I, considera-se domiciliada no Brasil a
pessoa jurídica estrangeira que nele ver agência, filial ou sucursal.
Art. 22. Compete, ainda, à autoridade judiciária brasileira processar e julgar as ações:
I - de alimentos, quando:
a) o credor ver domicílio ou residência no Brasil;
b) o réu man ver vínculos no Brasil, tais como posse ou propriedade de bens,
recebimento de renda ou obtenção de bene cios econômicos;
II - decorrentes de relações de consumo, quando o consumidor ver domicílio ou
residência no Brasil;
III - em que as partes, expressa ou tacitamente, se submeterem à jurisdição nacional.

Interessante novidade consta no inciso III, onde as partes, mesmo que não
domiciliadas no Brasil, podem aceitar, expressa ou tacitamente, se submeter à jurisdição
brasileira. No entanto, com base no princípio da efe vidade, o juiz poderia negar a sua jurisdição 57
para resolver a demanda se constatar que a sua decisão não terá condições de sur r efeitos em
razão dos princípios da soberania de outros países.

2.1.1.4.3. Competência Exclusiva

O ar go 23 do NCPC traz as normas a respeito da competência exclusiva nacional,


segundo a qual nenhum outro Estado poderá proferir decisão que seja eficaz no território
brasileiro.

Art. 23. Compete à autoridade judiciária brasileira, com exclusão de qualquer outra:
I - conhecer de ações rela vas a imóveis situados no Brasil;
II - em matéria de sucessão hereditária, proceder à confirmação de testamento
par cular e ao inventário e à par lha de bens situados no Brasil, ainda que o autor
da herança seja de nacionalidade estrangeira ou tenha domicílio fora do território
nacional;
III - em divórcio, separação judicial ou dissolução de união estável, proceder à par lha
de bens situados no Brasil, ainda que o tular seja de nacionalidade estrangeira ou
tenha domicílio fora do território nacional.

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2.1.1.4.4. Contrato Internacional e Cláusula de Eleição de Foro Estrangeiro

Se, em um contrato internacional, exis r uma cláusula elegendo a Jus ça de


determinado país estrangeiro para solucionar eventuais li gios deste contrato, o Poder
Judiciário Brasileiro não será competente para o julgamento da referida ação, caso arguida a
existência desta cláusula:

Art. 25. Não compete à autoridade judiciária brasileira o processamento e o


julgamento da ação quando houver cláusula de eleição de foro exclusivo estrangeiro
em contrato internacional, arguida pelo réu na contestação.
§ 1o Não se aplica o disposto no caput às hipóteses de competência internacional
exclusiva previstas neste Capítulo.
§ 2o Aplica-se à hipótese do caput o art. 63, §§ 1o a 4o.

2.1.1.4.5. Li spendência

A existência de um processo estrangeiro não obsta a existência de um processo


idên co em território nacional e vice-versa.
58
Art. 24. A ação proposta perante tribunal estrangeiro não induz li spendência e não
obsta a que a autoridade judiciária brasileira conheça da mesma causa e das que lhe são
conexas, ressalvadas as disposições em contrário de tratados internacionais e acordos
bilaterais em vigor no Brasil.
Parágrafo único. A pendência de causa perante a jurisdição brasileira não impede a
homologação de sentença judicial estrangeira quando exigida para produzir efeitos no
Brasil.

No entanto, o ar go deve ser interpretado da forma a seguir.


Transitando em julgado a homologação de sentença estrangeira, o processo nacional
deverá ser ex nto sem resolução de mérito por ofensa superveniente à coisa julgada material
(art. 485, I, do NCPC). Isso porque a pendência da ação brasileira não impede a homologação da
sentença judicial estrangeira, todavia, quando esta for homologada, passará a produzir integrais
efeitos, como uma sentença nacional, razão pela qual o processo nacional não pode subsis r.
Da mesma forma, pelos mesmos mo vos, transitando em julgado a decisão proferida
no processo nacional, o Superior Tribunal de Jus ça não poderá homologar a sentença
estrangeira, sob pena de afrontar a coisa julgada.

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2.1.1.5. ESPÉCIES DE COMPETÊNCIA

Existem cinco espécies de competência, sendo três absolutas e duas rela vas:

a) absolutas: funcional; em razão da matéria; e em razão da pessoa.


b) rela vas: territorial; e valor da causa.

2.1.1.5.1. Competência Territorial


2.1.1.5.1.1. Foro comum (ou geral ou ordinário)

É a regra geral do direito brasileiro.

Art. 46. A ação fundada em direito pessoal ou em direito real sobre bens móveis será
proposta, em regra, no foro de domicílio do réu.
§ 1o Tendo mais de um domicílio, o réu será demandado no foro de qualquer deles.
§ 2o Sendo incerto ou desconhecido o domicílio do réu, ele poderá ser demandado
onde for encontrado ou no foro de domicílio do autor.
§ 3o Quando o réu não ver domicílio ou residência no Brasil, a ação será proposta no
foro de domicílio do autor, e, se este também residir fora do Brasil, a ação será
proposta em qualquer foro. 59
§ 4o Havendo 2 (dois) ou mais réus com diferentes domicílios, serão demandados no
foro de qualquer deles, à escolha do autor.
§ 5o A execução fiscal será proposta no foro de domicílio do réu, no de sua residência
ou no do lugar onde for encontrado.

Observe-se que as ações propostas fundadas em DIREITO REAL SOBRE MÓVEIS


também serão ajuizadas no foro do domicílio do réu.

2.1.1.5.1.2. Direito Real Imobiliário

Os direitos reais estão previstos no ar go 1.225 do Código Civil e derivam de uma


relação jurídica de direito material existente entre uma pessoa (sujeito a vo) e uma coisa,
sendo nesse caso a cole vidade o sujeito passivo, em razão de seus efeitos erga omnes.
Para as ações fundadas em direito real IMOBILIÁRIO, o Código de Processo Civil criou
uma regra de COMPETÊNCIA TERRITORIAL ABSOLUTA, em razão da conveniência de decidir no
local do imóvel as demandas referentes a ele, facilitando a produção da prova, bem como
permi ndo que o juiz e as partes tenham plena ciência da repercussão na vida econômica e
social que a decisão judicial causará na referida localidade.
Por tal razão, dispõe o ar go 47 do NCPC que, “para as ações fundadas em direito real
sobre imóveis é competente o foro de situação da coisa”.

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A regra somente poderá ser excepcionada se o direito real não recair sobre direito de
propriedade, vizinhança, servidão, divisão e demarcação de terras e de nunciação de obra nova,
ocasião em que o autor poderá optar entre: a) o foro do domicílio do réu; b) ou pelo foro de eleição:

Art. 47, § 1o O autor pode optar pelo foro de domicílio do réu ou pelo foro de eleição se
o li gio não recair sobre direito de propriedade, vizinhança, servidão, divisão e
demarcação de terras e de nunciação de obra nova.

Alguns exemplos desta exceção são as ações fundadas em usufruto, uso e habitação, que
também são direitos reais, mas foram afastadas da regra de competência territorial absoluta.

ATENÇÃO 1:

Ação de adjudicação compulsória.


A promessa de compra e venda registrada é um direito real imobiliário, conforme dispõem os
ar gos 1.215, VII, e 1.417, ambos do Código Civil. Sendo assim, há quem sustente que, no caso de
promessas de compra e venda de imóveis não registradas, as ações deveriam ser propostas no foro
do domicílio do réu (art. 46 do NCPC), por se tratar de ação de direito pessoal. No entanto, o
Superior Tribunal de Jus ça entende pela natureza real da ação, independentemente do registro
do contrato, de forma que a ação deverá ser proposta no foro de situação da coisa, na forma do 60
ar go 47, caput, do NCPC (AgRg no REsp 773942 / SP).

ATENÇÃO 2:

Ação de rescisão contratual cumulada com reintegração de posse.


Segundo o Superior Tribunal de Jus ça, a reintegração de posse nada mais é que decorrência
lógica da rescisão do contrato, sendo que a lide versa sobre direito pessoal, rela vo ao
inadimplemento de obrigação contratual. Portanto, não tem incidência o ar go 47 do NCPC (CC
141180).

ATENÇÃO 3:

Ação de descons tuição de hipoteca.


Segundo o Superior Tribunal de Jus ça, nas referidas ações, o li gio não versa sobre nenhum
dos direitos reais mencionados na segunda parte do ar go 47 do NCPC (direito de propriedade,
vizinhança, servidão, divisão, demarcação de terra e nunciação de obra nova), razão pela qual se
conclui que não há competência absoluta do foro da situação do imóvel para seu julgamento,
sendo a competência rela va.

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2.1.1.5.1.3. Ações Possessórias imobiliárias

Apesar de não ser um direito real, as referidas ações também deverão ser propostas no
foro de situação da coisa, cujo juízo tem competência absoluta (art. 47, §1º, do NCPC).

2.1.1.5.1.4. Inventário, par lha, arrecadação, cumprimento de disposições de úl ma


vontade, impugnação ou anulação de par lha extrajudicial e para todas as ações em que o
espólio for réu

REGRA – Foro do úl mo domicílio do autor da herança, no Brasil, ainda que este


vesse imóveis em local dis nto (CC 40717 / RS).
As exceções constam no parágrafo único do ar go 48 do NCPC, abaixo transcrito, cuja
leitura é indispensável:

Art. 48. O foro de domicílio do autor da herança, no Brasil, é o competente para o


inventário, a par lha, a arrecadação, o cumprimento de disposições de úl ma
vontade, a impugnação ou anulação de par lha extrajudicial e para todas as ações em
que o espólio for réu, ainda que o óbito tenha ocorrido no estrangeiro.
Parágrafo único. Se o autor da herança não possuía domicílio certo, é competente: 61
I - o foro de situação dos bens imóveis;
II - havendo bens imóveis em foros diferentes, qualquer destes;
III - não havendo bens imóveis, o foro do local de qualquer dos bens do espólio.

ATENÇÃO!

Ação anulatória de testamento.


Compete ao juízo do inventário o julgamento de ação anulatória de testamento, ainda que
outro juízo tenha sido responsável pela ação de abertura, registro e cumprimento do
testamento, uma vez que, não obstante os pedidos e as causas de pedir sejam dis ntos, há
evidente prejudicialidade entre as ações de inventário e a ação anulatória (REsp 420.394-GO, DJ
4/11/2002. REsp 1.153.194-MS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 13/11/2012. –
Informa vo 509, STJ).

2.1.1.5.1.5. Ações em face de réu ausente

Art. 49. A ação em que o ausente for réu será proposta no foro de seu úl mo
domicílio, também competente para a arrecadação, o inventário, a par lha e o
cumprimento de disposições testamentárias.

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2.1.1.5.1.6. Ações em face do réu incapaz

Art. 50. A ação em que o incapaz for réu será proposta no foro de domicílio de seu
representante ou assistente.

2.1.1.5.1.7. Ações em que a União for parte

Serão julgadas pela Jus ça Federal nos seguintes foros (art. 109, inciso I, da CRFB):
a) domicílio do réu, quando a União for autora da ação.

Art. 51 do NCPC - É competente o foro de domicílio do réu para as causas em que seja
autora a União.
Art. 109, §1º, da Cons tuição - As causas em que a União for autora serão aforadas na
seção judiciária onde ver domicílio a outra parte.

b) domicílio do autor, do local do fato ou no Distrito Federal, quando a União for a ré.

Art. 51, Parágrafo único, do NCPC - Se a União for a demandada, a ação poderá ser
proposta no foro de domicílio do autor, no de ocorrência do ato ou fato que originou
62
a demanda, no de situação da coisa ou no Distrito Federal.
Art. 109, §2º, da Cons tuição - As causas intentadas contra a União poderão ser
aforadas na seção judiciária em que for domiciliado o autor, naquela onde houver
ocorrido o ato ou fato que deu origem à demanda ou onde esteja situada a coisa, ou,
ainda, no Distrito Federal.

ATENÇÃO!

Esta regra também se aplica às ações movidas em face de autarquias federais, tendo em vista o
escopo de facilitar a propositura de ação pelo jurisdicionado em contraposição ao ente público
(RE – 627709 – Informa vo 775 do STF).

2.1.1.5.1.8. Competência por delegação

A fim de facilitar o acesso à Jus ça, a Cons tuição prevê duas hipóteses em que a
competência, que via de regra seria da Jus ça Federal, é delegada para a Jus ça Estadual (ao
menos em primeiro grau de jurisdição), conforme o §3º do ar go 109 abaixo transcrito:

Art. 109, § 3º Serão processadas e julgadas na jus ça estadual, no foro do domicílio


dos segurados ou beneficiários, as causas em que forem parte ins tuição de
previdência social e segurado, sempre que a comarca não seja sede de vara do juízo
federal, e, se verificada essa condição, a lei poderá permi r que outras causas sejam
também processadas e julgadas pela jus ça estadual.

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Na primeira hipótese, temos os seguintes requisitos/elementos para a delegação para
a Jus ça Estadual:

a) causa entre ins tuição de previdência social e segurado ou beneficiário;


b) a Comarca onde reside o segurado ou beneficiário não seja sede de Vara Federal;

OBSERVAÇÃO!

Cumpre frisar que, nesta primeira hipótese, o autor poderá escolher se prefere ajuizar a ação na
Comarca onde reside, perante a Jus ça Estadual, ou se prefere se deslocar para o local da Vara
Federal da Seção Judiciária a qual pertença a sua cidade. Tratam-se de foros concorrentes.

Na segunda hipótese, não há uma delegação imediata (como ocorre na primeira), mas
a Cons tuição prevê que uma lei poderá fazer esta delegação, desde que a Comarca não seja
sede de Vara Federal. Sendo assim, temos os seguintes requisitos/elementos para a delegação
para a Jus ça Estadual:

a) existência de uma lei efetuando a delegação;


b) a Comarca não seja sede de Vara Federal.
63
ATENÇÃO 1:

O ar go 15, I, da Lei 5.010/66 previa a possibilidade de a execução fiscal federal ser processada
perante a Jus ça Estadual se, na Comarca do executado, não exis sse Vara Federal, mas este
disposi vo foi revogado pela Lei 13.043/14.

Hipóteses de delegação previstas em leis ordinárias: a) art. 15, II, da Lei 5.010/66; b)
art. 119, §2º, da Lei 6.815/80; c) art. 4o, §1o, da Lei 6.969/81; d) art. 381, §4º, do NCPC.

ATENÇÃO 2:

Apesar de não se tratar de delegação de competência propriamente, o Novo Código de Processo


Civil passou a prever a possibilidade de a Carta Precatória, oriunda de processo da Jus ça
Federal, ser cumprida pela Jus ça Estadual quando o local onde ver de ser pra cado o ato não
tenha Vara Federal (art. 237, parágrafo único, do NCPC).

ATENÇÃO 3:

Em qualquer destas duas hipóteses, o recurso cabível será sempre para o Tribunal Regional
Federal na área de jurisdição do juiz de primeiro grau.

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2.1.1.5.1.9. Ações em que o Estado ou Distrito Federal forem partes

Serão julgadas pela Jus ça do Estado (ou do Distrito Federal, conforme o caso), nos
seguintes foros:

a) domicílio do réu, quando o Estado ou o DF forem autores.


b) domicílio do autor, do local do fato, no local de situação da coisa, ou na capital do
respec vo ente federado, quando o Estado ou o DF forem réus.

Art. 52. É competente o foro de domicílio do réu para as causas em que seja autor
Estado ou o Distrito Federal.
Parágrafo único. Se Estado ou o Distrito Federal for o demandado, a ação poderá ser
proposta no foro de domicílio do autor, no de ocorrência do ato ou fato que originou a
demanda, no de situação da coisa ou na capital do respec vo ente federado.

2.1.1.5.1.10. Ação de divórcio, separação, anulação de casamento e reconhecimento ou


dissolução de união estável

No intuito de assegurar a igualdade entre homens e mulheres (art. 5º, I, e art. 226, §5º, 64
ambos da CRFB), o legislador ex nguiu a regra de competência baseada no domicílio da mulher
nas referidas ações.
Desta forma, a regra é que a ação deverá ser ajuizada no foro de domicílio do guardião
de filho incapaz. Ou seja, aquele que detém a guarda do filho incapaz será “beneficiado” e
poderá ajuizar a ação em seu domicílio.
Se não exis r filho incapaz, a ação deverá ser ajuizada no foro do úl mo domicílio do
casal, isto é, no foro do local onde o casal morava antes de se separar.
Por fim, se nenhum dos ex-cônjuges (ex-companheiros etc.) morar no úl mo domicílio
(ambos podem ter se mudado), a ação seguirá a regra geral do NCPC, devendo ser proposta no
foro do domicílio do réu.

Art. 53. É competente o foro:


I - para a ação de divórcio, separação, anulação de casamento e reconhecimento ou
dissolução de união estável:
a) de domicílio do guardião de filho incapaz;
b) do úl mo domicílio do casal, caso não haja filho incapaz;
c) de domicílio do réu, se nenhuma das partes residir no an go domicílio do casal;

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2.1.1.5.1.11. Ação de alimentos, ação de oferecimento de alimentos e ação de inves gação de
paternidade cumulada com pedido de alimentos

Foro competente – domicílio do alimentando (aquele que pede os alimentos).

Art. 53. É competente o foro:


II - de domicílio ou residência do alimentando, para a ação em que se pedem
alimentos;
Súmula 1 do STJ - O foro do domicílio ou da residência do alimentando é o competente
para a ação de inves gação de paternidade, quando cumulada com a de alimentos.

2.1.1.5.1.12. Ação proposta contra pessoa jurídica

Art. 53. É competente o foro:


III - do lugar:
a) onde está a sede, para a ação em que for ré pessoa jurídica;

65
2.1.1.5.1.13. Ação proposta contra agência ou sucursal

Art. 53. É competente o foro:


III - do lugar:
b) onde se acha agência ou sucursal, quanto às obrigações que a pessoa jurídica
contraiu;

Analisando-se o disposi vo em tela, percebe-se uma grande diferença com relação ao


disposi vo correspondente no CPC/73. Isso porque o ar go 100, IV, b, do CPC/73 previa a
competência do foro do local da agência ou sucursal quanto às obrigações que ela contraiu, ou
seja, quanto às obrigações que a agência ou sucursal determinada contraiu.
Agora o NCPC, em seu ar go 53, III, b, amplia a regra de competência, de modo que a
ação poderá ser proposta no foro de determinada filial, mesmo que a relação jurídica tenha sido
celebrada entre o autor e outra filial de outra Comarca, mas da mesma pessoa jurídica. Assim,
por exemplo, segundo a nova regra, mesmo que uma pessoa jurídica tenha tomado um
emprés mo para inves r em sua a vidade (afastando-se as discussões consumeristas, portanto
- AgRg no REsp 1033736 / SP) com a filial A de banco, em caso de li gio decorrente desta relação
contratual, o autor poderá optar por ajuizar a ação no foro da filial B desta mesma pessoa
jurídica.

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2.1.1.5.1.14. Ação proposta contra sociedade ou associação sem personalidade jurídica

Art. 53. É competente o foro:


III - do lugar:
c) onde exerce suas a vidades, para a ação em que for ré sociedade ou associação
sem personalidade jurídica;

2.1.1.5.1.15. Ação que tenha como objeto o cumprimento de obrigação

Art. 53. É competente o foro:


III - do lugar:
d) onde a obrigação deve ser sa sfeita, para a ação em que se lhe exigir o
cumprimento;

2.1.1.5.1.16. Ação que verse sobre direitos previstos no Estatuto do Idoso

Art. 53. É competente o foro:


III - do lugar:
e) de residência do idoso, para a causa que verse sobre direito previsto no respec vo
66
estatuto;

A referida regra ampliou a proteção ao idoso, uma vez que o ar go 80 do Estatuto do


Idoso es pulava a competência do foro do domicílio do idoso somente para as ações envolvendo
interesses difusos, cole vos e individuais indisponíveis ou homogêneos (REsp 1246739 / MG).
Agora, portanto, mesmo que o direito em discussão não seja um direito individual
indisponível, a ação poderá ser proposta em seu domicílio, desde que esteja sendo discu do
algum direito previsto no Estatuto do Idoso.

2.1.1.5.1.17. Ação de reparação de dano proposta contra Serven a Notarial ou de Registro

Art. 53. É competente o foro:


III - do lugar:
f) da sede da serven a notarial ou de registro, para a ação de reparação
de dano por ato pra cado em razão do o cio;

2.1.1.5.1.18. Ação de reparação de dano

Em razão da presunção de que a instrução probatória será facilitada, o Código de


Processo Civil estabeleceu como competente o foro do local do ato ou do fato para as ações de
reparação de dano.

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Art. 53. É competente o foro:
IV - do lugar do ato ou fato para a ação:
a) de reparação de dano;

2.1.1.5.1.19. Ação proposta em face do administrador ou gestor de negócios alheios

Art. 53. É competente o foro:


IV - do lugar do ato ou fato para a ação:
b) em que for réu administrador ou gestor de negócios alheios;

2.1.1.5.1.20. Ação de reparação de dano em razão de delito ou acidente de veículos

Art. 53. É competente o foro:


V - de domicílio do autor ou do local do fato, para a ação de reparação de dano sofrido
em razão de delito ou acidente de veículos, inclusive aeronaves.

O disposi vo legal trata de duas situações diferentes. A primeira delas é a ação 67


proposta em face de determinada pessoa, na qual se pleiteia indenização por dano decorrente
de delito (contravenção ou crime). A segunda hipótese diz respeito às ações indenizatórias
propostas em razão de acidente de veículos (em geral, inclusive aeronaves).
Observe-se que, tanto na primeira como na segunda hipóteses, trata-se de foros
concorrentes, de maneira que o autor poderá escolher entre ajuizar a ação em seu domicílio ou
no local do fato.

ATENÇÃO!

Segundo o Superior Tribunal de Jus ça, na ação de cobrança do seguro DPVAT, cons tui
faculdade do autor escolher entre os foros do seu domicílio, do local do acidente ou ainda do
domicílio do réu, conforme a súmula 540.

2.1.1.5.2. Competência Funcional

Segundo tradicional lição de Chiovenda, a competência funcional decorre da confiança


que é depositada em determinado território para o processamento do feito, em razão da
proximidade da prova e da proximidade dos resultados da demanda em relação às pessoas.
Assim, a facilidade na propositura da demanda, na realização da prova e a proximidade dos
resultados da demanda às pessoas de um determinado local são fatores determinantes na fixação
da competência de um determinado foro, criando uma hipótese de competência funcional.

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Acompanhando este entendimento, o próprio legislador deixou claro que as ações
civis públicas “serão propostas no foro do local onde ocorrer o dano, cujo juízo terá competência
funcional para processar e julgar a causa”, conforme o ar go 2º da Lei 7.347/85.
A redação do disposi vo corrobora a lição de Chiovenda, uma vez que é evidente que o
local onde foi produzido o dano será o melhor (em regra) para o processamento da ação, ante a
proximidade com as provas.
Para a maior parte da doutrina, que ainda adere a este entendimento, o ar go 47 do
NCPC (Art. 47. Para as ações fundadas em direito real sobre imóveis é competente o foro de
situação da coisa.) também seria uma hipótese de competência funcional, uma vez que o local
da coisa imóvel seria o melhor para a colheita de provas.
Por outro lado, autores como Fredie Didier Jr. e Daniel Amorim cri cam este
entendimento. Para estes autores, é inconveniente entender que o critério funcional é aquele
determinado pela melhor ou pior forma de prestação da jurisdição, uma vez que o mínimo que
se espera é que a prestação jurisdicional de qualidade seja sempre a preocupação da jurisdição,
independentemente do local em que é exercida.
Assim, a competência funcional estaria relacionada com a distribuição das funções
que devem ser exercidas em um mesmo processo.
68
Acompanhando os ensinamentos de Vicente Greco Filho, Fredie Didier Jr. e Daniel
Amorim entendem que a COMPETÊNCIA FUNCIONAL PODE SER DECORRENTE:

a) Dos graus de jurisdição (originária ou recursal) – a lei escalona determinados órgãos


jurisdicionais em diferentes graus de jurisdição para conhecer e julgar a demanda.
b) Das fases do processo (cognição e execução, por exemplo) – a lei estabelece que o
juízo que pra cou determinado ato é o competente para a prá ca do subsequente,
como ocorre no caso da sentença e execução, onde o juízo que proferiu a sentença é
o competente (em regra) para a sua liquidação e execução.
c) Do objeto do juízo – a lei estabelece que, numa mesma decisão, par ciparão dois
órgãos diferentes, tal como ocorre no procedimento incidental de
incons tucionalidade, onde a Câmara ou Turma do Tribunal são competentes para
decidir o processo em si, aplicando a lei ao caso concreto, mas deixando para o
Tribunal pleno a competência para fixar a interpretação da lei ou decidir a respeito
de sua incons tucionalidade (ar gos 948 a 950 do NCPC).
d) Da relação entre a ação principal e as ações acessórias e incidentais – a lei estabelece
que o juízo da ação principal é absolutamente competente para as ações acessórias e
incidentais, como no caso da reconvenção, oposição, cautelar, embargos à execução, etc.

Para esta parcela da doutrina, então, quando a lei de ação civil pública (art. 2º) ou o
ar go 47 do NCPC estabelecem a competência do local do dano ou da situação da coisa, está na
verdade criando uma hipótese de competência territorial absoluta, imutável pela vontade das
partes, e não uma hipótese de competência funcional.
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2.1.1.5.3. Competência em razão da matéria

A competência em razão da matéria é aquela determinada em virtude da natureza da


causa (do objeto da demanda). Estas normas estão previstas na Cons tuição Federal, nas
Cons tuições Estaduais, nas leis federais e nas leis de organização judiciária.
Com relação à previsão da Cons tuição, pode-se afirmar que a competência da Jus ça
Comum é residual, de maneira que, não sendo competência da Jus ça Federal (art. 109, CRFB),
da Jus ça do Trabalho (art. 114, CRFB), da Jus ça Eleitoral (art. 121, CRFB), ou da Jus ça Militar
(art. 124, CRFB), a competência será da Jus ça Estadual.
São regras de competência absoluta, que têm por obje vo a especialização da jus ça.

2.1.1.5.4. Competência em razão da pessoa

A competência em razão da pessoa não vem regulada no Código de Processo Civil, mas
sim na Cons tuição da República (prevendo a competência da Jus ça Federal de primeiro grau,
do STF e do STJ), nas Cons tuições dos Estados (prevendo a competência originária dos
Tribunais) e nas leis de organização judiciária.
Trata-se, também, de uma regra de competência absoluta.
69
2.1.1.5.5. Competência em razão do valor da causa

Atualmente a competência em razão do valor da causa, com o fim do procedimento


sumário no NCPC, encontra-se restrita à questão dos Juizados Especiais.

a) Juizado Especial Cível (Lei 9.099/95)

Art. 3º O Juizado Especial Cível tem competência para conciliação, processo e


julgamento das causas cíveis de menor complexidade, assim consideradas:
I - as causas cujo valor não exceda a quarenta vezes o salário mínimo;
§ 3º A opção pelo procedimento previsto nesta Lei importará em renúncia ao crédito
excedente ao limite estabelecido neste ar go, excetuada a hipótese de conciliação.

Analisando-se o disposi vo em epígrafe, observa-se que se trata de norma de


competência rela va, uma vez que, sendo o valor da causa menor que 40 salários mínimos, o
autor poderá optar por ajuizar a ação no JEC ou na Jus ça Comum (Enunciado 1 do Fonaje - O
exercício do direito de ação no Juizado Especial Cível é faculta vo para o autor). Por outro lado,
se o valor da causa ultrapassar 40 salários mínimos, o valor excedente considera-se renunciado
pelo autor, na forma do §3º do ar go 3º da Lei 9.099/95.

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b) Juizado Especial Federal (Lei 10.259/01)

Art. 3o Compete ao Juizado Especial Federal Cível processar, conciliar e julgar causas de
competência da Jus ça Federal até o valor de sessenta salários mínimos, bem como
executar as suas sentenças.
§ 3o No foro onde es ver instalada Vara do Juizado Especial, a sua competência é
absoluta.

Os Juizados Especiais Federais têm competência para processar, conciliar e julgar


causas de competência da Jus ça Federal até o valor de 60 salários mínimos. No entanto, ao
contrário do que previsto em relação aos Juizados Especiais Cíveis, a norma de competência em
razão do valor da causa no JEF é de natureza absoluta, de maneira que o autor não poderá optar
por ajuizar a ação perante uma Vara Federal quando, na seção judiciária, ver instalado um
Juizado Especial Federal.
Assim, se o autor quiser ajuizar uma demanda contra União (ressalvadas as exclusões
legais do art. 3º, §1º, da Lei 10.259/01), cujo valor da causa seja inferior ou igual a 60 salários
mínimos, a ação deverá, obrigatoriamente, ser ajuizada perante o Juizado Especial Federal se,
na seção judiciária, ver instalado um Juizado Especial Federal.
70
c) Juizados Especiais da Fazenda Pública (Lei 12.153/09)

Art. 2o É de competência dos Juizados Especiais da Fazenda Pública processar, conciliar


e julgar causas cíveis de interesse dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e
dos Municípios, até o valor de 60 (sessenta) salários mínimos.
§ 4o No foro onde es ver instalado Juizado Especial da Fazenda Pública, a sua
competência é absoluta.

Os Juizados Especiais da Fazenda Pública têm competência para processar, conciliar e


julgar causas cíveis de interesse dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos
Municípios, até o valor de 60 salários mínimos. Da mesma forma que acontece em relação aos
Juizados Especiais Federais, e diferentemente dos Juizados Especiais Cíveis, a norma de
competência do Juizado Especial da Fazenda Pública, em razão do valor da causa, é de natureza
absoluta, de maneira que o autor não poderá optar por ajuizar a ação perante a Jus ça Comum
quando, no Foro, ver instalado um Juizado Especial da Fazenda Pública.
Assim, se o autor quiser ajuizar uma demanda contra o Estado (ressalvadas as
exclusões legais do art. 2º, §1º, da Lei 12.153/09), cujo valor da causa seja inferior ou igual a 60
salários mínimos, a ação deverá, obrigatoriamente, ser ajuizada perante o Juizado Especial da
Fazenda Pública se, no Foro, ver instalado um Juizado Especial da Fazenda Pública.

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2.1.1.5.6. Competência da Jus ça Federal

A competência da Jus ça Federal será fixada sempre por normas determinantes de


competência absoluta, estando previstas no ar go 109 (para os juízos federais de primeiro
grau) e no ar go 108 (para as ações de competência originária e para os recursos a serem
julgados pelos Tribunais Regionais Federais) da Cons tuição.
Para o nosso estudo, importa a limitação da análise do inciso I do ar go 109 da
Cons tuição, que é o responsável pela maioria das demandas que tramitam na Jus ça Federal.

Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar:


I - as causas em que a União, en dade autárquica ou empresa pública federal forem
interessadas na condição de autoras, rés, assistentes ou oponentes, exceto as de
falência, as de acidentes de trabalho e as sujeitas à Jus ça Eleitoral e à Jus ça do
Trabalho;

O disposi vo legal refere-se apenas à União, autarquias e empresas públicas federais, no


entanto, a jurisprudência já havia se consolidado no sen do de que os processos em que fossem
interessadas, na condição de autoras, rés, assistentes ou oponentes, as fundações federais, as
agências reguladoras federais e os conselhos de fiscalização profissional, também deveriam 71
tramitar perante a Jus ça Federal (REsp 572906 / RS; Súmula 66 do STJ – “Compete à Jus ça
Federal processar e julgar execução fiscal promovida por Conselho de Fiscalização Profissional.”).
O ar go 45 do NCPC norma zou o referido entendimento jurisprudencial, ao prever
que, quando no processo perante a Jus ça Estadual intervier en dade autárquica e fundação,
ou conselho de fiscalização de a vidade profissional, na qualidade de parte ou de terceiro
interveniente, os autos serão reme dos para a Jus ça Federal.

Art. 45. Tramitando o processo perante outro juízo, os autos serão reme dos ao juízo
federal competente se nele intervier a União, suas empresas públicas, en dades
autárquicas e fundações, ou conselho de fiscalização de a vidade profissional, na
qualidade de parte ou de terceiro interveniente, exceto as ações:
I - de recuperação judicial, falência, insolvência civil e acidente de trabalho;
II - sujeitas à jus ça eleitoral e à jus ça do trabalho.

ATENÇÃO 1:

Recentemente, o Plenário do Supremo Tribunal Federal decidiu que compete à Jus ça Federal
processar e julgar ações em que a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), quer mediante o
conselho federal, quer seccional, figure na relação processual. Segundo o Supremo Tribunal
Federal, a OAB, sob o ângulo do conselho federal ou das seccionais, não seria associação, pessoa
jurídica de direito privado, em relação à qual é vedada a interferência estatal no funcionamento

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(CF, art. 5º, XVIII). Consubstanciaria órgão de classe, com disciplina legal — Lei 8.906/1994 —,
cabendo-lhe impor contribuição anual e exercer a vidade fiscalizadora e censória. A OAB seria,
portanto, “autarquia corpora vista”, o que atrairia, a teor do art. 109, I, da CF, a competência da
Jus ça Federal para o exame de ações — de qualquer natureza — nas quais ela integrasse a
relação processual. Assim, seria impróprio estabelecer dis nção em relação aos demais
conselhos existentes.
OBS: Em que pese tenha constado no voto que a OAB seria uma “autarquia corpora vista”, não
se pode perder de vista que, na ADI 3026, o STF entendeu que a OAB seria um “serviço público
independente” (e não uma autarquia federal, en dade da Administração Pública Indireta),
categoria ímpar no elenco das personalidades jurídicas existentes no direito brasileiro, uma vez
que, além das finalidades corpora vas (relacionadas com os advogados), possui também
finalidades ins tucionais, como a defesa da Cons tuição, da ordem jurídica, dos direitos
humanos etc. (RE 595332/PR, rel. Min. Marco Aurélio, 31.8.2016. Informa vo 837).

ATENÇÃO 2:

Não compete à Jus ça Federal processar e julgar:


a) As ações em que par cipem Sociedade de Economia Mista, ainda que o capital 72
preponderante seja pertencente à União (Súmula 556 do STF – “É competente a Jus ça comum
para julgar as causas em que é parte sociedade de economia mista”. / Súmula 508 do STF –
“Compete à Jus ça Estadual, em ambas as instâncias, processar e julgar as causas em que for
parte o Banco do Brasil S. A”.).
b) Ações de falência, recuperação judicial e insolvência civil;
c) Ações trabalhistas e acidentárias trabalhistas;
d) Ações eleitorais.

Não obstante o ar go 45 do NCPC afirme que, “intervindo as mencionadas pessoas


jurídicas os processos serão reme dos para a Jus ça Federal”, não é o Juízo Estadual
competente para admi r ou inadmi r a intervenção da União ou das demais pessoas
mencionadas no ar go 109, I, da Cons tuição e do ar go 45 do NCPC.
Com efeito, dispõe a súmula 150 do Superior Tribunal de Jus ça que “compete a
Jus ça Federal decidir sobre a existência de interesse jurídico que jus fique a presença, no
processo, da União, suas autarquias ou empresas públicas”.
Sendo assim, o mero pedido de intervenção já acarreta a remessa dos autos ao Juízo
Federal para que este analise se é o caso ou não de admissão e, consequentemente,
processamento do feito perante a Jus ça Federal.

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Se por acaso o Juízo Federal entender que não é o caso de admissão do ente federal, ou
então se este for excluído do processo, deverá res tuir os autos ao juízo Estadual sem suscitar
conflito (art. 45, §3º, do NCPC e Súmula 224 do STJ – “Excluído do feito o ente federal, cuja
presença levara o Juiz Estadual a declinar da competência, deve o Juiz Federal res tuir os autos e
não suscitar conflito”):

Art. 45, § 3o O juízo federal res tuirá os autos ao juízo estadual sem suscitar conflito se
o ente federal cuja presença ensejou a remessa for excluído do processo.

Havendo CUMULAÇÃO DE PEDIDOS, onde o juízo estadual seja competente para


conhecer um deles, e a Jus ça Federal competente para conhecer o outro, os autos não deverão
ser reme dos para a Jus ça Federal, devendo o juízo estadual se limitar a julgar o pedido para o
qual é competente, não examinando o mérito do outro pedido para o qual é competente a
Jus ça Federal, conforme dispõem os §§ 1º e 2º do ar go 45:

§ 1o Os autos não serão reme dos se houver pedido cuja apreciação seja de
competência do juízo perante o qual foi proposta a ação.
§ 2o Na hipótese do § 1o, o juiz, ao não admi r a cumulação de pedidos em razão da
incompetência para apreciar qualquer deles, não examinará o mérito daquele em que 73
exista interesse da União, de suas en dades autárquicas ou de suas empresas públicas.

2.1.1.6. PRORROGAÇÃO DE COMPETÊNCIA

A prorrogação de competência é a situação prevista em lei que permite que um órgão


jurisdicional, que era abstratamente incompetente, torne-se competente para processar o feito.
Costuma-se dividir as espécies de prorrogação de competência em:

1 - PRORROGAÇÃO LEGAL (em razão da lei): a) conexão; b) con nência (que na


verdade é uma espécie de conexão); c) ausência de alegação de incompetência
rela va; e
2 - PRORROGAÇÃO VOLUNTÁRIA: a) cláusula de eleição de foro; b) prorrogação por
vontade unilateral do autor.

2.1.1.6.1. Prorrogação Legal


2.1.1.6.1.1. Conexão e Con nência

Art. 54. A competência rela va poderá modificar-se pela conexão ou pela con nência,
observado o disposto nesta Seção.

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Conexão - Comunhão de pedido OU causa de pedir entre as ações.

Art. 55. Reputam-se conexas 2 (duas) ou mais ações quando lhes for comum o pedido
OU a causa de pedir.

Con nência – Iden dade de partes e causa de pedir entre as ações. Mas o pedido de
uma delas abrange o da outra.

Art. 56. Dá-se a con nência entre 2 (duas) ou mais ações quando houver iden dade
quanto às partes e à causa de pedir, mas o pedido de uma, por ser mais amplo,
abrange o das demais.

Analisando-se os disposi vos legais, observa-se que, se duas ações


verem causas de pedir
em comum, elas serão consideradas conexas (art. 55, NCPC). Ocorre que, na con nência, há
IDENTIDADE de causas de pedir entre as ações, razão pela qual se pode concluir que a
con nência não deixa de ser uma espécie (se há iden dade de causas de pedir há comunhão de
causas de pedir) de conexão.
Obje vo Principal da conexão e da con nência - Evitar decisões conflitantes.
74

Art. 55, § 1o Os processos de ações conexas serão reunidos para decisão conjunta,
salvo se um deles já houver sido sentenciado.
Art. 57. Quando houver con nência e a ação con nente ver sido proposta
anteriormente, no processo rela vo à ação con da será proferida sentença sem
resolução de mérito, caso contrário, as ações serão necessariamente reunidas.

a) Conexão (art. 55, do NCPC)


a.1 - Conceito e finalidade

A conexão, conforme exposto, é um fenômeno processual caracterizado pela


iden dade de causa de pedir ou do pedido, não podendo ser confundida com seu efeito, que é
a reunião de processos, que, conforme será exposto, nem sempre ocorrerá.
Frise-se que, segundo a doutrina e jurisprudência majoritárias, não é necessária a
iden dade plena da causa de pedir, isto é, que tanto os fatos como os fundamentos jurídicos das
ações sejam comuns, bastando, ao contrário, que haja comunhão entre os fatos OU
(alterna vamente) os fundamentos jurídicos das ações (REsp 967.815-MG – Informa vo 480),
como ocorre, por exemplo, entre ações de usucapião e de reintegração de posse envolvendo as
mesmas partes e o mesmo bem imóvel, onde o quadro fá co (posse do bem) é o mesmo.

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Ampliando ainda mais o conceito da TEORIA TRADICIONAL da conexão, ante a sua
insuficiência, alguns doutrinadores passaram a propor a iden ficação da conexão com o
fenômeno da prejudicialidade, uma vez que o fundamento maior da conexão, assim como da
prejudicialidade, é o fato de haver entre determinadas relações jurídicas uma força que as atrai,
fazendo com que essas questões mereçam caminhar unidas.
Para estes doutrinadores, portanto, deveria ser u lizada a TEORIA MATERIALISTA da
conexão, a qual ultrapassa os limites estreitos da teoria tradicional e procura caracterizar o
fenômeno pela iden ficação de fatos comuns, causais ou finalís cos entre diferentes ações,
superando a simples iden dade parcial dos elementos cons tu vos das ações, permi ndo o
julgamento conjunto ante a prejudicialidade de uma ação em relação a outra (REsp 1.221.941-
RJ – Informa vo 559).
Havendo conexão, portanto, os processos deverão ser reunidos para decisão conjunta,
no intuito de serem evitadas decisões contraditórias, na forma do ar go 55, §1º, do NCPC:

Art. 55, § 1o Os processos de ações conexas serão reunidos para decisão conjunta,
salvo se um deles já houver sido sentenciado.

a.2 – Ampliação das hipóteses de conexão


75

Não obstante as discussões existentes sobre o conceito da conexão, o Novo Código de


Processo Civil, consagrando o entendimento jurisprudencial do STJ (REsp 754941 / RS), passou a
prever a possibilidade da reunião da ação de execução de tulo extrajudicial e da ação de
conhecimento rela va ao mesmo ato jurídico, bem como de execuções fundadas no mesmo
tulo execu vo:

Art. 55.
§ 2o Aplica-se o disposto no caput:
I - à execução de tulo extrajudicial e à ação de conhecimento rela va ao mesmo ato
jurídico;
II - às execuções fundadas no mesmo tulo execu vo.

Não há dúvidas, portanto, da possibilidade de reunião entre a ação de execução fiscal e


ação declaratória de inexistência de débito tributário, assim como já era determinado pela
jurisprudência.
a.3 – Equiparação de efeitos entre ações prejudiciais e não conexas
Com o intuito de evitar decisões conflitantes ou contraditórias, o NCPC passou a
possibilitar a reunião de ações para julgamento conjunto, MESMO QUE ENTRE ELAS NÃO HAJA
CONEXÃO, conforme se extrai do § 3º do ar go 55:

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Art. 55, § 3o Serão reunidos para julgamento conjunto os processos que possam gerar
risco de prolação de decisões conflitantes ou contraditórias caso decididos
separadamente, mesmo sem conexão entre eles.

a.4 - Obrigatoriedade ou faculta vidade da reunião de processos

Segundo o ar go 55, §1º, do NCPC, “os processos de ações conexas serão reunidos
para decisão conjunta, salvo se um deles já houver sido sentenciado”.
Não obstante a previsão legal, o Superior Tribunal de Jus ça, ainda sob a égide do
CPC/73, entendia exis r uma DISCRICIONARIEDADE do julgador ao determinar ou não a
reunião de processos.
Segundo o Superior Tribunal de Jus ça, “a reunião dos processos por conexão configura
faculdade atribuída ao julgador, sendo que o Código de Processo Civil concede ao magistrado certa
margem de discricionariedade para avaliar a intensidade da conexão e o grau de risco da
ocorrência de decisões contraditórias. Justamente por traduzir faculdade do julgador, a decisão
que reconhece a conexão não impõe ao magistrado a obrigatoriedade de julgamento conjunto. A
avaliação da conveniência do julgamento simultâneo será feita caso a caso, à luz da matéria
controver da nas ações conexas, sempre em atenção aos obje vos almejados pela norma de
76
regência (evitar decisões conflitantes e privilegiar a economia processual). Assim, ainda que
visualizada, em um primeiro momento, hipótese de conexão entre as ações com a reunião dos
feitos para decisão conjunta, sua posterior apreciação em separado não induz, automa camente,
à ocorrência de nulidade da decisão (REsp 1255498 / CE; vide também a súmula 515 do STJ – “A
reunião de execuções fiscais contra o mesmo devedor cons tui faculdade do Juiz”).

ATENÇÃO 1:

Não haverá reunião de processos:


a) nas ações conexas de diferentes competências absolutas, uma vez que a competência
absoluta é improrrogável (art. 54, do NCPC), ressalvadas ações civis públicas conexas, cuja
própria lei permite a reunião de processos, na forma do ar go 2º, parágrafo único, da Lei
7.347/85 (AgRg no CC 112.956-MS).
b) quando uma das ações já ver sido sentenciada (art. 55, §1º, do NCPC; Súmula 235 do STJ – “A
conexão não determina a reunião dos processos, se um deles já foi julgado”.

ATENÇÃO 2:

Ações cole vas conexas em trâmite na Jus ça Federal e na Jus ça Estadual:


Súmula 489 do STJ - Reconhecida a con nência, devem ser reunidas na Jus ça Federal as ações
civis públicas propostas nesta e na Jus ça Estadual.

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b) Con nência (art. 56, do NCPC)
b.1 – Conceito e Finalidade
A con nência é um fenômeno processual caracterizado pela iden dade de partes e de
causa de pedir entre duas ações, possuindo uma delas um pedido mais amplo e abrangente do
que a outra. Não pode também, ser confundida com os seus efeitos, que são a ex nção do
processo da ação con da ou a reunião de processos.
Conforme já exposto, comparando-se os ar gos 55 e 56 do NCPC, observa-se que a
con nência nada mais é do que uma espécie de conexão. Isso porque há conexão entre duas
ações quando elas verem causas de pedir em comum (art. 55, NCPC). Ocorre que, na
con nência, há IDENTIDADE de causas de pedir entre as ações, razão pela qual se pode concluir
que a con nência não deixa de ser uma espécie (se há iden dade de causas de pedir há
comunhão de causas de pedir) de conexão.
Não obstante as divergências sobre o seu conceito, a con nência também tem por
obje vo evitar decisões conflitantes.
b.2 – Efeitos do reconhecimento da con nência
Ante a necessidade de evitar decisões contraditórias, o ar go 56 do NCPC traz duas regras
quanto aos efeitos do reconhecimento da con nência, esquema zadas no quadro abaixo: 77

Situação Efeito

AÇÃO CONTINENTE (que possui o pedido mais A ação con da será ex nta sem resolução de
abrangente) PROPOSTA ANTES da ação con da mérito.
(ação cujo pedido também está con do na ação
con nente).
AÇÃO CONTIDA proposta anteriormente à As ações serão REUNIDAS para julgamento
ação con nente. conjunto.

2.1.1.6.1.2. Ausência de alegação de incompetência rela va

Além da conexão e da con nência, a incompetência rela va também será prorrogada


caso o réu não a argua em preliminar de contestação, ou o Ministério Público se quede inerte
nos processos em que atuar, nos termos do ar go 65 do NCPC:

Art. 65. Prorrogar-se-á a competência rela va se o réu não alegar a incompetência em


preliminar de contestação.
Parágrafo único. A incompetência rela va pode ser alegada pelo Ministério Público
nas causas em que atuar.

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2.1.1.6.2. Prorrogação Voluntária
2.1.1.6.2.1. Cláusula de Eleição de Foro

Art. 63. As partes podem modificar a competência em razão do valor e do território,


elegendo foro onde será proposta ação oriunda de direitos e obrigações.
§ 1o A eleição de foro só produz efeito quando constar de instrumento escrito e aludir
expressamente a determinado negócio jurídico.
§ 2o O foro contratual obriga os herdeiros e sucessores das partes.
§ 3o Antes da citação, a cláusula de eleição de foro, se abusiva, pode ser reputada
ineficaz de o cio pelo juiz, que determinará a remessa dos autos ao juízo do foro de
domicílio do réu.
§ 4o Citado, incumbe ao réu alegar a abusividade da cláusula de eleição de foro na
contestação, sob pena de preclusão.

Não obstante a redação do caput do ar go 63 do NCPC afirme que as partes podem


modificar a competência em razão do valor e do território, vimos que a competência em razão do
valor da causa só tem sen do nos Juizados Especiais. Outrossim, cabe lembrar que, no caso dos
Juizados Especiais Federais e nos Juizados Especiais Fazendários, a competência “em razão do
valor” é absoluta, razão pela qual não pode uma cláusula contratual dispor em sen do contrário. 78
Da mesma forma, deve ser lembrado que algumas competências territoriais são
absolutas, como as ações reais imobiliárias e as ações civis públicas, razão pela qual não podem
ser modificadas pela vontade das partes.
Em tempo, cumpre mencionar mais uma vez que, diferentemente do CPC/73, o novo
disposi vo permite a declaração de nulidade da cláusula de eleição de foro ABUSIVA EM
QUALQUER CONTRATO. Isto é, o magistrado não fica limitado a esta análise apenas nos
contratos de adesão, podendo declarar a nulidade em qualquer contrato, desde que verifique a
abusividade da cláusula, analisando se esta trará prejuízos ao réu em sua defesa.
Por fim, cumpre frisar que este mesmo disposi vo trouxe uma espécie de preclusão
temporal para o juiz, uma vez que a declaração de nulidade DE OFÍCIO somente poderá ser feita
antes da citação. Citado o réu, incumbe-lhe alegar a abusividade da cláusula de eleição de foro
na contestação, sob pena de preclusão (art. 63, §4º, do NCPC).

2.1.1.6.2.2. Prorrogação da competência pela vontade unilateral do autor

Esta forma de prorrogação da competência não está prevista em lei, mas pode ocorrer
quando, não obstante a previsão de uma competência legal de um foro especial para proteger o
autor, este preferir ajuizar a ação no foro do domicílio do réu.

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2.1.1.7. PREVENÇÃO

A prevenção é norma de concentração de competência, que define qual é o juízo


competente quando dois juízos forem igualmente competentes para a mesma causa.
Geralmente, nota-se a prevenção quando estamos diante de duas causas conexas propostas em
juízos dis ntos, sendo certo que a prevenção definirá em qual juízo as ações serão reunidas:

Art. 58. A reunião das ações propostas em separado far-se-á no juízo prevento, onde
serão decididas simultaneamente.

A regra de determinação da prevenção no CPC/73 variava conforme os juízos fossem


da mesma competência territorial ou não. Assim, sob a égide do CPC/73, “correndo em
separado ações conexas perante juízes que têm a mesma competência territorial, considera-se
prevento aquele que despachou em primeiro lugar (art. 106, CPC/73)”. Por outro lado, se os
juízos não fossem da mesma competência territorial, seria prevento o juízo onde ocorreu a
citação válida (art. 219, CPC/73).
Atualmente não há qualquer dis nção em relação à competência territorial, sendo certo
que o juízo prevento será aquele onde ocorreu em primeiro lugar o registro ou a distribuição.
79
Art. 59. O registro ou a distribuição da pe ção inicial torna prevento o juízo.

2.1.1.8. PRINCÍPIO DA PERPETUATIO JURISDICIONIS (ART. 43, NCPC)

Segundo o ar go 43 do NCPC:

Art. 43. Determina-se a competência no momento do registro ou da distribuição da


pe ção inicial, sendo irrelevantes as modificações do estado de fato ou de direito
ocorridas posteriormente, salvo quando suprimirem órgão judiciário ou alterarem a
competência absoluta.

O disposi vo legal trata do Princípio da Perpetua o Jurisdicionis, que tem por obje vo
evitar que o processo seja i nerante, proibindo-se mudanças de competência em razão de
alterações de fato (por exemplo, mudança de domicílio) ou de direito (por exemplo, mudanças
nas regras de competência territorial).
Apesar do princípio ser conhecido por “Princípio da Perpetua o Jurisdicionis”, trata-se,
na verdade, de perpetuação da competência, uma vez que, conforme visto nas rodadas
anteriores, os juízes têm jurisdição em todo o território nacional (art. 16, NCPC). De qualquer
forma, o importante é lembrar do nome do princípio (Perpetua o Jurisdicionis) e do seu
conteúdo.
Com efeito, pelo princípio da Perpetua o Jurisdicionis, com o registro ou da

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distribuição da pe ção inicial, a competência é perpetuada, de maneira que o processo
tramitará no foro onde foi ajuizada a ação (se for efe vamente o foro competente, é claro),
independentemente de alterações de fato ou de direito.
Com base neste princípio, o Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Jus ça,
vem entendendo que “a criação de Comarca ou Seção Judiciária não é mo vo para a
modificação da competência, em razão Princípio da Perpetua o Jurisdicionis (RE – 590415 –
Informa vo 783 do STF; REsp 1373132 / PB)”.

ATENÇÃO!

Exceções ao Princípio da Perpetua o Jurisdicionis:


a) Quando a norma SUPRIMIR o órgão jurisdicional, haverá modificação da competência;
b) Quando a norma alterar a COMPETÊNCIA ABSOLUTA, haverá modificação da competência.
OBS.: Ainda se tendo em vista as exceções ao referido princípio, cumpre destacar um julgado do
STJ que considerou possível a modificação da competência em caso de alterações de domicílios
dos responsáveis por menor, pois “deve a regra da perpetua o jurisdic onis ceder lugar à
solução que se afigure mais condizente com os interesses do infante e facilite o seu pleno acesso
à Jus ça” (CC 114.782/RS, Rel. Ministra Nancy Andrighi, j. 19/12/2012). 80

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2.2. LEGISLAÇÃO

TÍTULO II
DOS LIMITES DA JURISDIÇÃO NACIONAL E DA COOPERAÇÃO INTERNACIONAL
CAPÍTULO I
DOS LIMITES DA JURISDIÇÃO NACIONAL

Art. 21. Compete à autoridade judiciária brasileira processar e julgar as ações em que:
I - o réu, qualquer que seja a sua nacionalidade, es ver domiciliado no Brasil;
II - no Brasil ver de ser cumprida a obrigação;
III - o fundamento seja fato ocorrido ou ato pra cado no Brasil.
Parágrafo único. Para o fim do disposto no inciso I, considera-se domiciliada no Brasil a pessoa
jurídica estrangeira que nele ver agência, filial ou sucursal.
Art. 22. Compete, ainda, à autoridade judiciária brasileira processar e julgar as ações:
81
I - de alimentos, quando:
a) o credor ver domicílio ou residência no Brasil;
b) o réu man ver vínculos no Brasil, tais como posse ou propriedade de bens, recebimento de
renda ou obtenção de bene cios econômicos;
II - decorrentes de relações de consumo, quando o consumidor ver domicílio ou residência
no Brasil;
III - em que as partes, expressa ou tacitamente, se submeterem à jurisdição nacional.
Art. 23. Compete à autoridade judiciária brasileira, com exclusão de qualquer outra:
I - conhecer de ações rela vas a imóveis situados no Brasil;
II - em matéria de sucessão hereditária, proceder à confirmação de testamento par cular e ao
inventário e à par lha de bens situados no Brasil, ainda que o autor da herança seja de
nacionalidade estrangeira ou tenha domicílio fora do território nacional;
III - em divórcio, separação judicial ou dissolução de união estável, proceder à par lha de bens
situados no Brasil, ainda que o tular seja de nacionalidade estrangeira ou tenha domicílio fora
do território nacional.
Art. 24. A ação proposta perante tribunal estrangeiro não induz li spendência e não obsta a que a
autoridade judiciária brasileira conheça da mesma causa e das que lhe são conexas, ressalvadas as
disposições em contrário de tratados internacionais e acordos bilaterais em vigor no Brasil.

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Parágrafo único. A pendência de causa perante a jurisdição brasileira não impede a
homologação de sentença judicial estrangeira quando exigida para produzir efeitos no Brasil.
Art. 25. Não compete à autoridade judiciária brasileira o processamento e o julgamento da
ação quando houver cláusula de eleição de foro exclusivo estrangeiro em contrato
internacional, arguida pelo réu na contestação.
§ 1o Não se aplica o disposto no caput às hipóteses de competência internacional exclusiva
previstas neste Capítulo.
§ 2o Aplica-se à hipótese do caput o art. 63, §§ 1o a 4o.

CAPÍTULO II
DA COOPERAÇÃO INTERNACIONAL
Seção I
Disposições Gerais

Art. 26. A cooperação jurídica internacional será regida por tratado de que o Brasil faz parte e
observará:
82
I - o respeito às garan as do devido processo legal no Estado requerente;
II - a igualdade de tratamento entre nacionais e estrangeiros, residentes ou não no Brasil, em
relação ao acesso à jus ça e à tramitação dos processos, assegurando-se assistência judiciária
aos necessitados;
III - a publicidade processual, exceto nas hipóteses de sigilo previstas na legislação brasileira ou
na do Estado requerente;
IV - a existência de autoridade central para recepção e transmissão dos pedidos de cooperação;
V - a espontaneidade na transmissão de informações a autoridades estrangeiras.
§ 1o Na ausência de tratado, a cooperação jurídica internacional poderá realizar-se com base
em reciprocidade, manifestada por via diplomá ca.
§ 2o Não se exigirá a reciprocidade referida no § 1o para homologação de sentença estrangeira.
§ 3o Na cooperação jurídica internacional não será admi da a prá ca de atos que contrariem ou
que produzam resultados incompa veis com as normas fundamentais que regem o Estado
brasileiro.
§ 4o O Ministério da Jus ça exercerá as funções de autoridade central na ausência de
designação específica.
Art. 27. A cooperação jurídica internacional terá por objeto:

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I - citação, in mação e no ficação judicial e extrajudicial;
II - colheita de provas e obtenção de informações;
III - homologação e cumprimento de decisão;
IV - concessão de medida judicial de urgência;
V - assistência jurídica internacional;
VI - qualquer outra medida judicial ou extrajudicial não proibida pela lei brasileira.

Seção II
Do Auxílio Direto

Art. 28. Cabe auxílio direto quando a medida não decorrer diretamente de decisão de
autoridade jurisdicional estrangeira a ser subme da a juízo de delibação no Brasil.
Art. 29. A solicitação de auxílio direto será encaminhada pelo órgão estrangeiro interessado à
autoridade central, cabendo ao Estado requerente assegurar a auten cidade e a clareza do pedido.
Art. 30. Além dos casos previstos em tratados de que o Brasil faz parte, o auxílio direto terá os
seguintes objetos: 83
I - obtenção e prestação de informações sobre o ordenamento jurídico e sobre processos
administra vos ou jurisdicionais findos ou em curso;
II - colheita de provas, salvo se a medida for adotada em processo, em curso no estrangeiro, de
competência exclusiva de autoridade judiciária brasileira;
III - qualquer outra medida judicial ou extrajudicial não proibida pela lei brasileira.
Art. 31. A autoridade central brasileira comunicar-se-á diretamente com suas congêneres e, se
necessário, com outros órgãos estrangeiros responsáveis pela tramitação e pela execução de
pedidos de cooperação enviados e recebidos pelo Estado brasileiro, respeitadas disposições
específicas constantes de tratado.
Art. 32. No caso de auxílio direto para a prá ca de atos que, segundo a lei brasileira, não
necessitem de prestação jurisdicional, a autoridade central adotará as providências necessárias
para seu cumprimento.
Art. 33. Recebido o pedido de auxílio direto passivo, a autoridade central o encaminhará à
Advocacia-Geral da União, que requererá em juízo a medida solicitada.
Parágrafo único. O Ministério Público requererá em juízo a medida solicitada quando for
autoridade central.
Art. 34. Compete ao juízo federal do lugar em que deva ser executada a medida apreciar pedido
de auxílio direto passivo que demande prestação de a vidade jurisdicional.

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Seção III
Da Carta Rogatória

Art. 35. (VETADO).


Art. 36. O procedimento da carta rogatória perante o Superior Tribunal de Jus ça é de jurisdição
contenciosa e deve assegurar às partes as garan as do devido processo legal.
§ 1o A defesa restringir-se-á à discussão quanto ao atendimento dos requisitos para que o
pronunciamento judicial estrangeiro produza efeitos no Brasil.
§ 2o Em qualquer hipótese, é vedada a revisão do mérito do pronunciamento judicial
estrangeiro pela autoridade judiciária brasileira.

Seção IV
Disposições Comuns às Seções Anteriores

Art. 37. O pedido de cooperação jurídica internacional oriundo de autoridade brasileira 84


competente será encaminhado à autoridade central para posterior envio ao Estado requerido
para lhe dar andamento.
Art. 38. O pedido de cooperação oriundo de autoridade brasileira competente e os
documentos anexos que o instruem serão encaminhados à autoridade central, acompanhados
de tradução para a língua oficial do Estado requerido.
Art. 39. O pedido passivo de cooperação jurídica internacional será recusado se configurar
manifesta ofensa à ordem pública.
Art. 40. A cooperação jurídica internacional para execução de decisão estrangeira dar-se-á por
meio de carta rogatória ou de ação de homologação de sentença estrangeira, de acordo com o
art. 960.
Art. 41. Considera-se autên co o documento que instruir pedido de cooperação jurídica
internacional, inclusive tradução para a língua portuguesa, quando encaminhado ao Estado
brasileiro por meio de autoridade central ou por via diplomá ca, dispensando-se
ajuramentação, auten cação ou qualquer procedimento de legalização.
Parágrafo único. O disposto no caput não impede, quando necessária, a aplicação pelo Estado
brasileiro do princípio da reciprocidade de tratamento.

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TÍTULO III
DA COMPETÊNCIA INTERNA

CAPÍTULO I
DA COMPETÊNCIA

Seção I
Disposições Gerais

Art. 42. As causas cíveis serão processadas e decididas pelo juiz nos limites de sua competência,
ressalvado às partes o direito de ins tuir juízo arbitral, na forma da lei.
Art. 43. Determina-se a competência no momento do registro ou da distribuição da pe ção
inicial, sendo irrelevantes as modificações do estado de fato ou de direito ocorridas
posteriormente, salvo quando suprimirem órgão judiciário ou alterarem a competência
absoluta.
Art. 44. Obedecidos os limites estabelecidos pela Cons tuição Federal, a competência é
determinada pelas normas previstas neste Código ou em legislação especial, pelas normas de
organização judiciária e, ainda, no que couber, pelas cons tuições dos Estados.
85
Art. 45. Tramitando o processo perante outro juízo, os autos serão reme dos ao juízo federal
competente se nele intervier a União, suas empresas públicas, en dades autárquicas e
fundações, ou conselho de fiscalização de a vidade profissional, na qualidade de parte ou de
terceiro interveniente, exceto as ações:
I - de recuperação judicial, falência, insolvência civil e acidente de trabalho;
II - sujeitas à jus ça eleitoral e à jus ça do trabalho.
§ 1o Os autos não serão reme dos se houver pedido cuja apreciação seja de competência do
juízo perante o qual foi proposta a ação.
§ 2o Na hipótese do § 1o, o juiz, ao não admi r a cumulação de pedidos em razão da
incompetência para apreciar qualquer deles, não examinará o mérito daquele em que exista
interesse da União, de suas en dades autárquicas ou de suas empresas públicas.
§ 3o O juízo federal res tuirá os autos ao juízo estadual sem suscitar conflito se o ente federal
cuja presença ensejou a remessa for excluído do processo.
Art. 46. A ação fundada em direito pessoal ou em direito real sobre bens móveis será proposta,
em regra, no foro de domicílio do réu.
§ 1o Tendo mais de um domicílio, o réu será demandado no foro de qualquer deles.
§ 2o Sendo incerto ou desconhecido o domicílio do réu, ele poderá ser demandado onde for
encontrado ou no foro de domicílio do autor.

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§ 3o Quando o réu não ver domicílio ou residência no Brasil, a ação será proposta no foro de
domicílio do autor, e, se este também residir fora do Brasil, a ação será proposta em qualquer foro.
§ 4o Havendo 2 (dois) ou mais réus com diferentes domicílios, serão demandados no foro de
qualquer deles, à escolha do autor.
§ 5o A execução fiscal será proposta no foro de domicílio do réu, no de sua residência ou no do
lugar onde for encontrado.
Art. 47. Para as ações fundadas em direito real sobre imóveis é competente o foro de situação
da coisa.
§ 1o O autor pode optar pelo foro de domicílio do réu ou pelo foro de eleição se o li gio não
recair sobre direito de propriedade, vizinhança, servidão, divisão e demarcação de terras e de
nunciação de obra nova.
§ 2o A ação possessória imobiliária será proposta no foro de situação da coisa, cujo juízo tem
competência absoluta.
Art. 48. O foro de domicílio do autor da herança, no Brasil, é o competente para o inventário, a
par lha, a arrecadação, o cumprimento de disposições de úl ma vontade, a impugnação ou
anulação de par lha extrajudicial e para todas as ações em que o espólio for réu, ainda que o
óbito tenha ocorrido no estrangeiro. 86
Parágrafo único. Se o autor da herança não possuía domicílio certo, é competente:
I - o foro de situação dos bens imóveis;
II - havendo bens imóveis em foros diferentes, qualquer destes;
III - não havendo bens imóveis, o foro do local de qualquer dos bens do espólio.
Art. 49. A ação em que o ausente for réu será proposta no foro de seu úl mo domicílio,
também competente para a arrecadação, o inventário, a par lha e o cumprimento de
disposições testamentárias.
Art. 50. A ação em que o incapaz for réu será proposta no foro de domicílio de seu
representante ou assistente.
Art. 51. É competente o foro de domicílio do réu para as causas em que seja autora a União.
Parágrafo único. Se a União for a demandada, a ação poderá ser proposta no foro de domicílio
do autor, no de ocorrência do ato ou fato que originou a demanda, no de situação da coisa ou
no Distrito Federal.
Art. 52. É competente o foro de domicílio do réu para as causas em que seja autor Estado ou o
Distrito Federal.
Parágrafo único. Se Estado ou o Distrito Federal for o demandado, a ação poderá ser proposta
no foro de domicílio do autor, no de ocorrência do ato ou fato que originou a demanda, no de
situação da coisa ou na capital do respec vo ente federado.
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Art. 53. É competente o foro:
I - para a ação de divórcio, separação, anulação de casamento e reconhecimento ou dissolução
de união estável:
a) de domicílio do guardião de filho incapaz;
b) do úl mo domicílio do casal, caso não haja filho incapaz;
c) de domicílio do réu, se nenhuma das partes residir no an go domicílio do casal;
II - de domicílio ou residência do alimentando, para a ação em que se pedem alimentos;
III - do lugar:
a) onde está a sede, para a ação em que for ré pessoa jurídica;
b) onde se acha agência ou sucursal, quanto às obrigações que a pessoa jurídica contraiu;
c) onde exerce suas a vidades, para a ação em que for ré sociedade ou associação sem
personalidade jurídica;
d) onde a obrigação deve ser sa sfeita, para a ação em que se lhe exigir o cumprimento;
e) de residência do idoso, para a causa que verse sobre direito previsto no respec vo estatuto;
f) da sede da serven a notarial ou de registro, para a ação de reparação de dano por ato 87
pra cado em razão do o cio;
IV - do lugar do ato ou fato para a ação:
a) de reparação de dano;
b) em que for réu administrador ou gestor de negócios alheios;
V - de domicílio do autor ou do local do fato, para a ação de reparação de dano sofrido em razão
de delito ou acidente de veículos, inclusive aeronaves.

Seção II
Da Modificação da Competência

Art. 54. A competência rela va poderá modificar-se pela conexão ou pela con nência,
observado o disposto nesta Seção.
Art. 55. Reputam-se conexas 2 (duas) ou mais ações quando lhes for comum o pedido ou a
causa de pedir.
§ 1o Os processos de ações conexas serão reunidos para decisão conjunta, salvo se um deles já
houver sido sentenciado.
§ 2o Aplica-se o disposto no caput:

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I - à execução de tulo extrajudicial e à ação de conhecimento rela va ao mesmo ato jurídico;
II - às execuções fundadas no mesmo tulo execu vo.
§ 3o Serão reunidos para julgamento conjunto os processos que possam gerar risco de
prolação de decisões conflitantes ou contraditórias caso decididos separadamente, mesmo
sem conexão entre eles.
Art. 56. Dá-se a con nência entre 2 (duas) ou mais ações quando houver iden dade quanto às
partes e à causa de pedir, mas o pedido de uma, por ser mais amplo, abrange o das demais.
Art. 57. Quando houver con nência e a ação con nente ver sido proposta anteriormente, no
processo rela vo à ação con da será proferida sentença sem resolução de mérito, caso
contrário, as ações serão necessariamente reunidas.
Art. 58. A reunião das ações propostas em separado far-se-á no juízo prevento, onde serão
decididas simultaneamente.
Art. 59. O registro ou a distribuição da pe ção inicial torna prevento o juízo.
Art. 60. Se o imóvel se achar situado em mais de um Estado, comarca, seção ou subseção
judiciária, a competência territorial do juízo prevento estender-se-á sobre a totalidade do imóvel.
Art. 61. A ação acessória será proposta no juízo competente para a ação principal. 88
Art. 62. A competência determinada em razão da matéria, da pessoa ou da função é
inderrogável por convenção das partes.
Art. 63. As partes podem modificar a competência em razão do valor e do território, elegendo
foro onde será proposta ação oriunda de direitos e obrigações.
§ 1o A eleição de foro só produz efeito quando constar de instrumento escrito e aludir
expressamente a determinado negócio jurídico.
§ 2o O foro contratual obriga os herdeiros e sucessores das partes.
§ 3o Antes da citação, a cláusula de eleição de foro, se abusiva, pode ser reputada ineficaz de
o cio pelo juiz, que determinará a remessa dos autos ao juízo do foro de domicílio do réu.
§ 4o Citado, incumbe ao réu alegar a abusividade da cláusula de eleição de foro na contestação,
sob pena de preclusão.

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Seção III
Da Incompetência

Art. 64. A incompetência, absoluta ou rela va, será alegada como questão preliminar de
contestação.
§ 1o A incompetência absoluta pode ser alegada em qualquer tempo e grau de jurisdição e
deve ser declarada de o cio.
§ 2o Após manifestação da parte contrária, o juiz decidirá imediatamente a alegação de
incompetência.
§ 3o Caso a alegação de incompetência seja acolhida, os autos serão reme dos ao juízo
competente.
§ 4o Salvo decisão judicial em sen do contrário, conservar-se-ão os efeitos de decisão proferida
pelo juízo incompetente até que outra seja proferida, se for o caso, pelo juízo competente.
Art. 65. Prorrogar-se-á a competência rela va se o réu não alegar a incompetência em
preliminar de contestação.
Parágrafo único. A incompetência rela va pode ser alegada pelo Ministério Público nas 89
causas em que atuar.
Art. 66. Há conflito de competência quando:
I - 2 (dois) ou mais juízes se declaram competentes;
II - 2 (dois) ou mais juízes se consideram incompetentes, atribuindo um ao outro a competência;
III - entre 2 (dois) ou mais juízes surge controvérsia acerca da reunião ou separação de
processos.
Parágrafo único. O juiz que não acolher a competência declinada deverá suscitar o conflito,
salvo se a atribuir a outro juízo.

CAPÍTULO II
DA COOPERAÇÃO NACIONAL

Art. 67. Aos órgãos do Poder Judiciário, estadual ou federal, especializado ou comum, em todas
as instâncias e graus de jurisdição, inclusive aos tribunais superiores, incumbe o dever de
recíproca cooperação, por meio de seus magistrados e servidores.
Art. 68. Os juízos poderão formular entre si pedido de cooperação para prá ca de qualquer ato
processual.

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Art. 69. O pedido de cooperação jurisdicional deve ser prontamente atendido, prescinde de
forma específica e pode ser executado como:
I - auxílio direto;
II - reunião ou apensamento de processos;
III - prestação de informações;
IV - atos concertados entre os juízes cooperantes.
§ 1o As cartas de ordem, precatória e arbitral seguirão o regime previsto neste Código.
§ 2o Os atos concertados entre os juízes cooperantes poderão consis r, além de outros, no
estabelecimento de procedimento para:
I - a prá ca de citação, in mação ou no ficação de ato;
II - a obtenção e apresentação de provas e a coleta de depoimentos;
III - a efe vação de tutela provisória;
IV - a efe vação de medidas e providências para recuperação e preservação de empresas;
V - a facilitação de habilitação de créditos na falência e na recuperação judicial;
VI - a centralização de processos repe vos; 90
VII - a execução de decisão jurisdicional.
§ 3o O pedido de cooperação judiciária pode ser realizado entre órgãos jurisdicionais de
diferentes ramos do Poder Judiciário.

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2.3. JURISPRUDÊNCIA

PRINCIPAIS SÚMULAS DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA SOBRE O TEMA

Súmula 570 do STJ - Compete à Jus ça Federal o processo e julgamento de demanda em que se
discute a ausência de ou o obstáculo ao credenciamento de ins tuição par cular de ensino
superior no Ministério da Educação como condição de expedição de diploma de ensino a
distância aos estudantes.
Súmula 553 do STJ - Nos casos de emprés mo compulsório sobre o consumo de energia
elétrica, é competente a Jus ça estadual para o julgamento de demanda proposta
exclusivamente contra a Eletrobrás. Requerida a intervenção da União no feito após a prolação
de sentença pelo juízo estadual, os autos devem ser reme dos ao Tribunal Regional Federal
competente para o julgamento da apelação se deferida a intervenção.
Súmula 505 do STJ - A competência para processar e julgar as demandas que têm por objeto
obrigações decorrentes dos contratos de planos de previdência privada firmados com a
Fundação Rede Ferroviária de Seguridade Social - REFER é da Jus ça estadual.
Súmula 489 do STJ -Reconhecida a con nência, devem ser reunidas na Jus ça Federal as ações
91
civis públicas propostas nesta e na Jus ça estadual.
Súmula 480 do STJ - O juízo da recuperação judicial não é competente para decidir sobre a
constrição de bens não abrangidos pelo plano de recuperação da empresa.
Súmula 428 do STJ - Compete ao Tribunal Regional Federal decidir os conflitos de competência
entre juizado especial federal e juízo federal da mesma seção judiciária.
Súmula 383 do STJ - A competência para processar e julgar as ações conexas de interesse de
menor é, em princípio, do foro do domicílio do detentor de sua guarda.
Súmula 376 do STJ - Compete a turma recursal processar e julgar o mandado de segurança
contra ato de juizado especial.
Súmula 374 do STJ - Compete à Jus ça Eleitoral processar e julgar a ação para anular débito
decorrente de multa eleitoral.
Súmula 368 do STJ - Compete à Jus ça comum estadual processar e julgar os pedidos de
re ficação de dados cadastrais da Jus ça Eleitoral.
Súmula 365 do STJ - A intervenção da União como sucessora da Rede Ferroviária Federal S/A
(RFFSA) desloca a competência para a Jus ça Federal ainda que a sentença tenha sido proferida
por Juízo estadual.
Súmula 363 do STJ - Compete à Jus ça estadual processar e julgar a ação de cobrança ajuizada
por profissional liberal contra cliente.

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Súmula 349 do STJ - Compete à Jus ça Federal ou aos juízes com competência delegada o
julgamento das execuções fiscais de contribuições devidas pelo empregador ao FGTS.
Súmula 324 do STJ - Compete à Jus ça Federal processar e julgar ações de que par cipa a
Fundação Habitacional do Exército, equiparada à en dade autárquica federal, supervisionada
pelo Ministério do Exército.
Súmula 270 do STJ - O protesto pela preferência de crédito, apresentado por ente federal em
execução que tramita na Jus ça Estadual, não desloca a competência para a Jus ça Federal.
Súmula 236 do STJ - Não compete ao Superior Tribunal de Jus ça dirimir conflitos de
competência entre juízes trabalhistas vinculados a Tribunais Regionais do Trabalho diversos.
Súmula 235 do STJ - A conexão não determina a reunião dos processos, se um deles já foi
julgado.
Súmula 224 do STJ - Excluído do feito o ente federal, cuja presença levara o Juiz Estadual a
declinar da competência, deve o Juiz Federal res tuir os autos e não suscitar conflito.
Súmula 218 do STJ - Compete à Jus ça dos Estados processar e julgar ação de servidor estadual
decorrente de direitos e vantagens estatutárias no exercício de cargo em comissão.
Súmula 206 do STJ – A existência de vara priva va, ins tuída por lei estadual, não altera a
competência territorial resultante das leis de processo.
92
Súmula 170 do STJ - Compete ao juízo onde primeiro for intentada a ação envolvendo
acumulação de pedidos, trabalhista e estatutário, decidi-la nos limites da sua jurisdição, sem
prejuízo do ajuizamento de nova causa, com o pedido remanescente, no juízo próprio.
Súmula 150 do STJ - Compete a Jus ça Federal decidir sobre a existência de interesse jurídico
que jus fique a presença, no processo, da União, suas autarquias ou empresas públicas.
Súmula 66 do STJ - Compete a Jus ça Federal processar e julgar execução fiscal promovida por
Conselho de Fiscalização Profissional.
Súmula 58 do STJ - Proposta a execução fiscal, a posterior mudança de domicílio do executado
não desloca a competência já fixada.
Súmula 33 do STJ - A incompetência rela va não pode ser declarada de o cio.

PRINCIPAIS SÚMULAS DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL SOBRE O TEMA

Súmula Vinculante 27 - Compete à Jus ça Estadual julgar causas entre consumidor e


concessionária de serviço público de telefonia, quando a Anatel não seja li sconsorte passiva
necessária, assistente nem opoente.
Súmula 508 do STF - Compete à Jus ça Estadual, em ambas as instâncias, processar e julgar as
causas em que for parte o Banco do Brasil S. A.

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Súmula 517 do STF - As sociedades de economia mista só têm foro na jus ça federal, quando a
União intervém como assistente ou opoente.
Súmula 556 do STF - É competente a Jus ça comum para julgar as causas em que é parte
sociedade de economia mista.

PRINCIPAIS JULGADOS DOS TRIBUNAIS SUPERIORES A PARTIR DE 2015

QUARTA TURMA. DIREITO PROCESSUAL CIVIL. COMPETÊNCIA PARA PROCESSAR E JULGAR


AÇÃO DE DIVÓRCIO QUANDO O MARIDO FOR INCAPAZ. Compete ao foro do domicílio do
REPRESENTANTE DO MARIDO INTERDITADO por deficiência mental - e não ao foro da
residência de sua esposa capaz e produ va - processar e julgar ação de divórcio direto
li gioso, INDEPENDENTEMENTE DA POSIÇÃO QUE O INCAPAZ OCUPE NA RELAÇÃO
PROCESSUAL (AUTOR OU RÉU). Isso porque, não obstante o ar go 50 do NCPC especifique que
“a ação em que o incapaz for réu será proposta no foro de domicílio de seu representante ou
assistente”, não há razão para diferenciar-se a posição processual do incapaz - seja ele autor ou
réu em qualquer ação -, pois, normalmente, sempre necessitará de proteção, de amparo, de
facilitação da defesa dos seus interesses, possibilitando-se, por isso, ao seu representante li gar
no foro de seu domicílio (REsp 875.612-MG, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em 4/9/2014. 93
Informa vo 552).
TERCEIRA TURMA. DIREITO PROCESSUAL CIVIL. INAPLICABILIDADE DA CLÁUSULA DE ELEIÇÃO
DE FORO PREVISTA EM CONTRATO SEM ASSINATURA DAS PARTES. Na hipótese em que A
PRÓPRIA VALIDADE DO CONTRATO esteja sendo objeto de apreciação judicial pelo fato de
que não houve instrumento de formalização assinado pelas partes, a cláusula de eleição de
foro não deve prevalecer, ainda que prevista em contratos semelhantes anteriormente
celebrados entre as partes. Ou seja, se es ver sendo discu da a própria VALIDADE DO
CONTRATO (e não alguma obrigação deste contrato), a cláusula de eleição de foro nele inserida
não será determinante da competência (REsp 1.491.040-RJ, Rel. Min. Paulo de Tarso
Sanseverino, julgado em 3/3/2015, DJe 10/3/2015. Informa vo 557 do STJ).
PRIMEIRA SEÇÃO. DIREITO PROCESSUAL CIVIL. COMPETÊNCIA PARA PROCESSAR E JULGAR
AÇÃO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. Compete à Jus ça Estadual - e não à Jus ça
Federal - processar e julgar ação civil pública de improbidade administra va na qual se apure
irregularidades na prestação de contas, por ex-prefeito, relacionadas a verbas federais
transferidas mediante convênio e incorporadas ao patrimônio municipal, a não ser que exista
manifestação de interesse na causa por parte da União, de autarquia ou empresa pública
federal. Com efeito, na esfera penal, basta que o delito tenha sido pra cado em detrimento da
União, autarquias federais ou empresas públicas para que o processo seja processado perante a
Jus ça Federal, tendo em vista a redação do ar go 109, IV, da Cons tuição. Neste sen do é o
teor das Súmulas 208 e 209 do STJ. No entanto, em matéria cível, não basta o interesse destes

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mesmos entes, SENDO IMPRESCINDÍVEL QUE ESTES ENTES ESTEJAM ATUANDO (OU TENHAM
INTERESSE DE ATUAR) NO PROCESSO como autor, réu, assistente ou oponente, nos termos do
ar go 109, I, da Cons tuição. Não sendo este o caso, o feito deverá tramitar perante a Jus ça
Estadual (CC 131.323-TO, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 25/3/2015, DJe
6/4/2015. Informa vo 559 do STJ).
QUARTA TURMA. DIREITO PROCESSUAL CIVIL. HIPÓTESE DE CONEXÃO ENTRE PROCESSO DE
CONHECIMENTO E DE EXECUÇÃO. Pode ser reconhecida a conexão e determinada a reunião
para julgamento conjunto de um processo execu vo com um processo de conhecimento no
qual se pretenda a declaração da inexistência da relação jurídica que fundamenta a execução,
desde que não implique modificação de competência absoluta. Segundo o Código de Processo
Civil, há conexão entre duas ações quando lhes for comum o pedido ou a causa de pedir,
definição esta defendida pela Teoria Tradicional da Conexão, a qual exige a iden dade parcial de
algum dos elementos da demanda. No entanto, ampliando o conceito da Teoria Tradicional da
conexão, ante a sua insuficiência, alguns doutrinadores passaram a propor a iden ficação da
conexão com o fenômeno da prejudicialidade, uma vez que o fundamento maior da conexão,
assim como da prejudicialidade, é o fato de haver entre determinadas relações jurídicas uma
força que as atrai, fazendo com que essas questões mereçam caminhar unidas. Para estes
doutrinadores, portanto, deveria ser u lizada a TEORIA MATERIALISTA da conexão, a qual
ultrapassa os limites estreitos da teoria tradicional e procura caracterizar o fenômeno pela
94
iden ficação de fatos comuns, causais ou finalís cos entre diferentes ações, superando a
simples iden dade parcial dos elementos cons tu vos das ações, permi ndo o julgamento
conjunto ante a prejudicialidade de uma ação em relação a outra (REsp 1.221.941-RJ, Rel. Min.
Luis Felipe Salomão, julgado em 24/2/2015, DJe 14/4/2015. Informa vo 559 do STJ). OBS: Com
o NCPC, esta discussão sobre as teorias da conexão estará restrita ao plano acadêmico, tendo
em vista o ar go 55, §§2º e 3º.
SEGUNDA SEÇÃO. DIREITO PROCESSUAL CIVIL. FORO PARA O AJUIZAMENTO DE AÇÃO EM FACE
DE ENTIDADE FECHADA DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. É possível a par cipante ou
assis do de plano de bene cios patrocinado ajuizar ação em face da respec va en dade
fechada de previdência privada no foro do domicílio da ré, no eventual foro de eleição do
contrato ou, até mesmo, no foro onde labora ou laborou para a patrocinadora do plano (REsp
1.536.786-MG, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 26/8/2015, DJe 20/10/2015. Informa vo 571).
TERCEIRA TURMA. DIREITO DO CONSUMIDOR E INTERNACIONAL PRIVADO. COMPETÊNCIA
INTERNACIONAL E RELAÇÃO DE CONSUMO. A Jus ça brasileira é absolutamente
INCOMPETENTE para processar e julgar demanda indenizatória fundada em serviço fornecido
de forma viciada por sociedade empresária estrangeira a brasileiro que possuía domicílio no
mesmo Estado estrangeiro em que situada a fornecedora, quando o contrato de consumo
houver sido celebrado e executado nesse local, ainda que o conhecimento do vício ocorra
após o retorno do consumidor ao território nacional, tendo em vista que não se enquadra em

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nenhuma das hipóteses previstas nos ar gos 21 a 23 do NCPC. (REsp 1.571.616-MT, Rel. Min.
Marco Aurélio Bellizze, julgado em 5/4/2016, DJe 11/4/2016. Informa vo 580).
SEGUNDA TURMA. DIREITO PROCESSUAL CIVIL. DEVER DE REMESSA DOS AUTOS AO JUÍZO
COMPETENTE E PROCESSO ELETRÔNICO. Implica indevido obstáculo ao acesso à tutela
jurisdicional a decisão que, após o reconhecimento da incompetência absoluta do juízo, em vez
de determinar a remessa dos autos ao juízo competente, ex ngue o feito sem exame do mérito,
sob o argumento de impossibilidade técnica do Judiciário em remeter os autos para o órgão
julgador competente, ante as dificuldades inerentes ao processamento eletrônico, tratando-se
de dever do magistrado e de direito do jurisdicionado, nos termos do ar go 64, §2º, do NCPC.
(REsp 1.526.914-PE, Rel. Min. Diva Malerbi, 2a Turma, julgado em 21/06/2016. Info 586).
SEGUNDA SEÇÃO. DIREITO PROCESSUAL CIVIL. CONFLITO DE COMPETÊNCIA. MANDADO DE
SEGURANÇA. CONVENÇÃO PARTIDÁRIA. ESCOLHA DE CANDIDATOS. ANULAÇÃO.
COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ELEITORAL. Compete à Jus ça Eleitoral processar e julgar as causas
em que a análise da controvérsia é capaz de produzir reflexos diretos no processo eleitoral. No
âmbito do STJ, há julgados no sen do que "compete à Jus ça Estadual o processo e julgamento
das causas em que membros de par do polí co discutem a respeito da validade de atos
internos”, tendo em vista que "a competência da jus ça eleitoral só se caracteriza após o início
do procedimento eleitoral" (CC 19.689-RS, Primeira Seção, DJ 6/10/1997). No entanto, quando 95
a análise da controvérsia é capaz de produzir reflexos diretos no processo eleitoral, a exemplo da
hipótese em que se ques ona a validade de convenção par dária na qual são escolhidos os
candidatos ao pleito, com posterior registro de candidatura, há julgados mais recentes do
Tribunal Superior Eleitoral entendendo que a competência se estabelece em favor da Jus ça
Eleitoral (CC 148.693-BA, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, por unanimidade, julgado em
14/12/2016, DJe 19/12/2016. Informa vo 596).
SEGUNDA SEÇÃO. COMPETÊNCIA. PEDIDO DE DECLARAÇÃO DE AUTORIA DE OBRA
INTELECTUAL CUMULADO COM PEDIDO DE INDENIZAÇÃO POR SEU USO INDEVIDO.
APLICAÇÃO DA REGRA DE COMPETÊNCIA PREVISTA NO ART. 94 DO CPC/73. O pedido
cumulado de indenização, quando mediato e dependente do reconhecimento do pedido
antecedente de declaração da autoria da obra, não afasta a regra geral de competência do
foro do domicílio do réu. Com efeito, ainda que haja se requeira a reparação dos danos em
razão de uma suposta u lização ilícita de sua obra autoral (o que poderia atrai da regra do art.
53, V, do NCPC), primeiro deve ser reconhecida, nesta ação, a propriedade da obra intelectual.
Desta forma, observa-se que o pedido de reparação de danos é sucessivo, somente sendo
acolhido se primeiro houver a declaração de que o autor é efe vamente o proprietário da obra
intelectual. Sendo assim, o foro competente deve seguir a regra geral do ar go 46 do NCPC,
devendo a ação se proposta no foro do domicílio do réu (REsp 1.138.522-SP, Rel. Min. Maria
Isabel Gallo , por unanimidade, julgado em 8/2/2017, DJe 13/3/2017. Informa vo 599).

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RECURSOS REPETITIVOS. DIREITO ADMINISTRATIVO, DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO DE
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TARIFA DE ENERGIA ELÉTRICA. RELAÇÃO CONTRATUAL.
CONSUMIDOR E CONCESSIONÁRIA DO SERVIÇO PÚBLICO. INTERESSE DA ANEEL. NÃO
OCORRÊNCIA, EM REGRA. Não há, em regra, interesse jurídico da ANEEL – Agência Nacional
de Energia Elétrica – para figurar como ré ou assistente simples de ação de repe ção de
indébito rela va a valores cobrados por força de contrato de fornecimento de energia elétrica
celebrado entre usuário do serviço e concessionária do serviço público, razão pela qual a ação
deverá ser proposta perante a Jus ça Estadual, aplicando-se a Súmula vinculante 27, segundo a
qual, “compete à Jus ça Estadual julgar causas entre consumidor e concessionária de serviço
público de telefonia, quando a Anatel não seja li sconsorte passiva necessária, assistente nem
opoente” (REsp 1.389.750-RS, Rel. Min. Herman Benjamin, Primeira Seção, por unanimidade,
julgado em 14/12/2016, DJe 17/4/2017. Informa vo 601).
QUARTA TURMA. DIREITO PROCESSUAL CIVIL. EXCEÇÃO DE INCOMPETÊNCIA. AÇÃO DE
REPARAÇÃO DE DANOS. ACIDENTE DE VEÍCULOS. FORO DO DOMICÍLIO DO AUTOR OU DO
LOCAL DO FATO. ESCOLHA QUE NÃO COMPETE À LOCADORA DE VEÍCULOS. A prerroga va de
escolha do foro, estabelecida no art. 100, V, parágrafo único do CPC de 1973 (art. 53, V, do
atual CPC), não beneficia pessoa jurídica locadora de frota de veículos, em ação de reparação
dos danos advindos de acidente de trânsito com o envolvimento do locatário. A regra do ar go
53, V, do NCPC tem por obje vo beneficiar a ví ma do acidente, uma vez que o trânsito, por si só,
96
ocasiona acidentes em diversas localidades do país, sendo que não seria razoável que a ví ma
vesse que ajuizar uma ação distante do seu domicílio, o que lhe prejudicaria o acesso à Jus ça.
No entanto, quando a ví ma for empresa locadora de veículo, que teve se veículo colidido por
culpa de um terceiro, que a ngiu o cliente daquela, não faz sen do estender-lhe a proteção
prevista no ar go 53, V, do NCPC, eis que tal risco é inerente ao negócio jurídico prestado por
esta. (STJ. 4ª Turma. STJ. 4ª Turma. EDcl no AgRg no Ag 1.366.967-MG, Rel. Min. Marco Buzzi,
Rel. para acórdão Min. Maria Isabel Gallo , julgado em 27/4/2017 (Info 604).
A Jus ça competente para julgar li gios envolvendo servidores temporários (art. 37, IX, da
CF/88) e a Administração Pública é a JUSTIÇA COMUM (estadual ou federal). A competência
NÃO é da Jus ça do Trabalho. (STF. 1ª Turma. Rcl 6527 AgR/SP, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em
25/8/2015. Informa vo 796 do STF).
O STF não possui competência originária para processar e julgar ação popular, ainda que
ajuizada contra atos e/ou omissões do Presidente da República. A competência para julgar
ação popular contra ato de qualquer autoridade, até mesmo do Presidente da República, é,
via de regra, do juízo de 1º grau (STF. Plenário. Pet 5856 AgR, Rel. Min. Celso de Mello, julgado
em 25/11/2015. Informa vo 811).
PLENÁRIO. OAB E COMPETÊNCIA JURISDICIONAL. Compete à jus ça federal processar e julgar
ações em que a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), quer mediante o conselho federal,
quer seccional, figure na relação processual. Segundo o Supremo Tribunal Federal, a OAB, sob o

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ângulo do conselho federal ou das seccionais, não seria associação, pessoa jurídica de direito
privado, em relação à qual é vedada a interferência estatal no funcionamento (CF, art. 5º, XVIII).
Consubstanciaria órgão de classe, com disciplina legal — Lei 8.906/1994 —, cabendo-lhe impor
contribuição anual e exercer a vidade fiscalizadora e censória. A OAB seria, portanto,
“autarquia corpora vista”, o que atrairia, a teor do art. 109, I, da CF, a competência da jus ça
federal para o exame de ações — de qualquer natureza — nas quais ela integrasse a relação
processual. Assim, seria impróprio estabelecer dis nção em relação aos demais conselhos
existentes. OBS: Em que pese tenha constado no voto que a OAB seria uma “autarquia
corpora vista”, não se pode perder de vistas que na ADI 3026, o STF entendeu que a OAB seria
um “serviço público independente” (e não uma autarquia federal, en dade da Administração
Pública Indireta), categoria ímpar no elenco das personalidades jurídicas existentes no direito
brasileiro, uma vez que, além das finalidades corpora vas (relacionadas com os advogados),
possui também finalidades ins tucionais, como a defesa da Cons tuição, da ordem jurídica, dos
direitos humanos, etc. (RE 595332/PR, rel. Min. Marco Aurélio, 31.8.2016. Informa vo 837).
PLENÁRIO. CONFLITO DE COMPETÊNCIA E DISCUSSÃO SOBRE DEPÓSITO DE FGTS. Compete à
jus ça trabalhista processar e julgar causa rela va a depósito do Fundo de Garan a do Tempo
de Serviço (FGTS) de servidor que ingressou no serviço público antes da Cons tuição de 1988
sem prestar concurso, uma vez que esta ação se refere a verbas decorrentes da relação de
trabalho antes da estabilidade prevista no ar go 19 do ADCT, mo vo pelo qual deve ser aplicado
97
o ar go 114, I, da Cons tuição (STF. Plenário. CC 7.950/RN, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em
14/09/2016. Informa vo 839). OBS: A decisão vai no sen do contrário à decisão proferida,
também pelo Plenário, no julgamento da Rcl 8909 AgR/MG, abaixo mencionada.
PLENÁRIO. DISCUSSÃO DE VERBA TRABALHISTA ORIGINÁRIA DE PERÍODO CELETISTA E
COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA COMUM. Reconhecido o vínculo estatutário entre o servidor
público e a Administração, compete à Jus ça comum processar e julgar a causa, pois é a
natureza jurídica do vínculo existente entre o trabalhador e o Poder Público, vigente ao tempo
da propositura da ação, que define a competência jurisdicional para a solução da
controvérsia, independentemente de o direito pleiteado ter se originado no período cele sta
(STF. Plenário. Rcl 8909 AgR/MG, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Cármen Lúcia,
julgado em 22/09/2016. Informa vo 840). OBS: A decisão vai no sen do contrário à decisão
proferida, também pelo Plenário, no julgamento do CC 7.950/RN, acima mencionado.
SEGUNDA TURMA. REPASSE DE DUODÉCIMOS E FRUSTRAÇÃO NA REALIZAÇÃO DA RECEITA
ORÇAMENTÁRIA. Compete ao STF julgar mandado de segurança impetrado pelo Tribunal de
Jus ça contra ato do Governador do Estado que atrasa o repasse do duodécimo devido ao
Poder Judiciário, uma vez que todos os magistrados do TJ possuem interesse econômico no
julgamento do feito, razão pela qual deve ser aplicado o ar go 102, I, "n", da CF/88 (STF. 1ª
Turma. MS 34483-MC/RJ, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 22/11/2016. Informa vo 848).

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SEGUNDA TURMA. COMPETÊNCIA. LICENÇA-PRÊMIO E INTERESSE DA MAGISTRATURA. A
Turma assentou a incompetência do STF para apreciar demanda em que magistrado cobra
licença-prêmio, ante a inexistência de interesse da totalidade da magistratura nacional, uma vez
que a pretensão não se mostra exclusiva da categoria, haja vista o direito à fruição de licença-
prêmio por tempo de serviço interessar não apenas ao autor, mas também a outros agentes
polí cos e servidores públicos. Afinal, o bene cio pode estar previsto em estatuto jurídico do
agente ou do servidor. Ressaltou o STF que “a incidência da alínea 'n' do inciso I do art. 102 da
CF, sob o ângulo do interesse da magistratura, pressupõe exclusividade, não alcançando
situação em que outros segmentos sejam des natários da norma” (STF. 2ª Turma. AO
2126/PR, rel. orig. Min. Gilmar Mendes, red. p/ o ac. Min. Edson Fachin, julgado em 21/2/2017.
Informa vo 855).
Compete ao STF processar e julgar, originariamente, demanda ajuizada por magistrado
estadual a respeito de pagamento de correção monetária sobre valores correspondentes a
abono variável. O STF entendeu que seria aplicável ao caso o art. 102, I, “n”, da CF/88. (RE
608847 AgR/RJ, rel. orig. Min. Cármen Lúcia, red. p/ o acórdão Min. Teori Zavascki, julgado em
1º/12/2015. Info 810).
O STF tem competência para processar e julgar causas em que se discute prerroga va dos
juízes de portar arma de defesa pessoal, por se tratar de ação em que todos os membros da 98
magistratura são direta ou indiretamente interessados (art. 102, I, “n”, da CF/88). STF. Plenário.
(Rcl 11323 AgR/SP, rel. orig. Min. Rosa Weber, red. p/ o acórdão Min. Teori Zavascki, julgado em
22/4/2015. Info 782).
Segundo o art. 102, I, “f”, da CF/88, compete ao STF processar e julgar “as causas e os conflitos
entre a União e os Estados, a União e o Distrito Federal, ou entre uns e outros, inclusive as
respec vas en dades da administração indireta”. O STF confere interpretação restri va a esse
disposi vo e entende que, para se caracterizar a hipótese do art. 102, I, “f”, da CF/88, é
indispensável que, além de haver uma causa envolvendo União e Estado, essa demanda
tenha densidade suficiente para abalar o pacto federa vo. Em outras palavras, não é qualquer
causa envolvendo União contra Estado que irá ser julgada pelo STF, mas somente quando essa
disputa puder resultar em ofensa às regras do sistema federa vo. (STF. 1ª Turma. Rcl 12957/AM,
Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 26/8/2014. Info 756).
O § 2º do art. 109 da CF/88 prevê que as causas propostas contra a União poderão ser ajuizadas
na seção (ou subseção) judiciária: a) em que for domiciliado o autor; b) onde houver ocorrido o
ato ou fato que deu origem à demanda; c) onde esteja situada a coisa; ou d) no Distrito Federal.
Apesar de o disposi vo somente falar em “União”, o STF entende que a regra de competência
prevista no § 2º do art. 109 da CF/88 também se aplica às ações propostas contra autarquias
federais. Isso porque o obje vo do legislador cons tuinte foi o de facilitar o acesso à jus ça.
(STF. Plenário. RE 627709/DF, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 20/8/2014. Info 755).

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Compete ao STF julgar mandado de segurança contra ato do Presidente de Tribunal de Jus ça
que, na condição de mero executor, apenas dá cumprimento à resolução do CNJ. Isso porque a
competência para julgar MS contra atos do CNJ é do STF. (STF. 2ª Turma. Rcl 4731/DF, Rel. Min.
Cármen Lúcia, julgado em 5/8/2014. Info 753).
SEGUNDA TURMA. EXECUÇÃO INDIVIDUAL DE AÇÃO COLETIVA E COMPETÊNCIA. Não
compete originariamente ao Supremo Tribunal Federal processar e julgar execução individual
de sentenças genéricas de perfil cole vo, inclusive aquelas proferidas em sede mandamental.
Tal atribuição cabe aos órgãos judiciários competentes de primeira instância. Isto porque, não
obstante a ação mandamental tenha sido proposta no STF, com base no ar go 102, I, d, da
Cons tuição, o cumprimento da sentença perante as instâncias ordinárias tem o condão, assim
como ocorre em sede de ação civil pública, de aproximar a execução dos eventuais
beneficiários, o que facilita o exercício do direito já reconhecido no mandado de segurança
transitado em julgado. (STF, 2a Turma, Pet 6076 QO/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em
25/04/2017).
É da Jus ça do Trabalho (e não da Jus ça Comum) a competência para processar e julgar a
ação de indenização movida por atleta de futebol em face de editora pelo suposto uso
indevido de imagem em álbum de figurinhas quando, após denunciação da lide ao clube de
futebol (ex-empregador), este alegar que recebeu autorização expressa do jogador para ceder 99
o direito de uso de sua imagem no período de vigência do contrato de trabalho. (STJ. 2ª Turma.
CC 128610-RS, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em 22/6/2016. Info 587).
A Jus ça do Trabalho é competente para processar e julgar ação de consignação em pagamento
movida pela União contra sociedade empresária por ela contratada para a prestação de serviços
terceirizados, caso a demanda tenha sido proposta com o intuito de evitar futura
responsabilização trabalhista subsidiária da Administração nos termos da Súmula 331 do TST.
(STJ. 2ª Seção. CC 136739-RS, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em 23/9/2015. Info 571).

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3
PROCESSO CIVIL 100
(conteúdo atualizado em 02-09-2017)

Parte 2

Das partes e dos procuradores.


Do juiz e das funções essenciais à justiça.
Breves apontamentos sobre Ministério Público,
Defensoria Pública e Advocacia Pública (Item 4)
Apresentação

Bom dia, amigos estudantes e concurseiros. Nesta rodada, estudaremos o tema “DAS
PARTES E DOS PROCURADORES. DO JUIZ E DAS FUNÇÕES ESSENCIAIS À JUSTIÇA. BREVES
APONTAMENTOS SOBRE MINISTÉRIO PÚBLICO, DEFENSORIA PÚBLICA E ADVOCACIA PÚBLICA”.
Trata-se de tema que não é tão cobrado em concurso público. No entanto, com o NCPC, vemos
significa vas alterações, especialmente na questão dos honorários advoca cios, cuja leitura da
“lei seca” é indispensável. No entanto, como sempre digo, temos que nos preparar para o pior,
razão pela qual abordaremos o tema proposto.

Abraços e bons estudos


Guilherme Rodrigues de Andrade

101

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3.1. DOUTRINA (RESUMO)

3.1.1. PARTES PROCESSUAIS

3.1.1.1. CONCEITO

Partes são os sujeitos parciais do processo, que pedem ou contra quem é pedida uma
providência jurisdicional e, por essa razão, integram o contraditório e são a ngidos pelos efeitos
da coisa julgada.
Parte Material – Parte material é o sujeito da lide, ou seja, refere-se àquele que afirma
ser tular da relação jurídica material controver da em juízo.
Parte Processual – Parte processual, por sua vez, engloba aqueles que ocupam um dos
polos na relação jurídica processual.
Parte Complexa – formada por pluralidade organizada de indivíduos.
Parte simples – é aquela que está sozinha em juízo.

3.1.1.2. CAPACIDADE DE SER PARTE 102

Conceito – Consiste na pessoa, natural ou jurídica (direito público ou privado), que


figura na relação processual, seja no polo a vo (autor) ou passivo (réu). Assim, é a ap dão para
figurar em um dos polos da relação processual.
Refere-se à capacidade de direito ou de gozo. Esta consiste na ap dão para ser sujeito
de direitos e obrigações na ordem civil.
Quem tem capacidade de ser parte - Todos os sujeitos de direito, que são: as pessoas,
sicas ou jurídicas; o nascituro; o espólio; o condomínio; a massa falida; a tribo indígena;
nondum conceptus (é a prole eventual de alguém), etc.
Vemos, portanto, que existem alguns sujeitos que não têm personalidade jurídica
(civil), mas que podem ser parte. Nesse caso, dizemos que gozam de personalidade
judiciária. Exemplos: Ministério Público, Defensoria Pública, Tribunais de Jus ça, Tribunais
de Contas, Procon, Assembleias Legisla vas, Câmaras Municipais, nascituro, massa falida,
comunidade indígena.
A personalidade judiciária NÃO é ampla, de forma que esses órgãos NÃO podem atuar
em juízo em qualquer caso. Ou seja, eles até podem atuar em juízo, mas apenas para defender
os seus interesses estritamente ins tucionais (aqueles relacionados ao funcionamento,
autonomia e independência do órgão).

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Sobre o tema, vide a súmula 525 do Superior Tribunal de Jus ça:

A Câmara de Vereadores não possui personalidade jurídica, apenas personalidade


judiciária, somente podendo demandar em juízo para defender os seus direitos
ins tucionais.
Art. 75. Serão representados em juízo, a va e passivamente:
I - a União, pela Advocacia-Geral da União, diretamente ou mediante órgão vinculado;
II - o Estado e o Distrito Federal, por seus procuradores;
III - o Município, por seu prefeito ou procurador;
IV - a autarquia e a fundação de direito público, por quem a lei do ente federado
designar;
V - a massa falida, pelo administrador judicial;
VI - a herança jacente ou vacante, por seu curador;
VII - o espólio, pelo inventariante;
VIII - a pessoa jurídica, por quem os respec vos atos cons tu vos designarem ou, não
havendo essa designação, por seus diretores;
IX - a sociedade e a associação irregulares e outros entes organizados sem
personalidade jurídica, pela pessoa a quem couber a administração de seus bens;
103
X - a pessoa jurídica estrangeira, pelo gerente, representante ou administrador de sua
filial, agência ou sucursal aberta ou instalada no Brasil;
XI - o condomínio, pelo administrador ou síndico.
§1º - Quando o inventariante for da vo, os sucessores do falecido serão in mados no
processo no qual o espólio seja parte.
§2º - A sociedade ou associação sem personalidade jurídica não poderá opor a
irregularidade de sua cons tuição quando demandada.
§3º - O gerente de filial ou agência presume-se autorizado pela pessoa jurídica
estrangeira a receber citação para qualquer processo.
§4º - Os Estados e o Distrito Federal poderão ajustar compromisso recíproco para
prá ca de ato processual por seus procuradores em favor de outro ente federado,
mediante convênio firmado pelas respec vas procuradorias.

A grande dúvida sobre isso não é saber quem tem, mas quem NÃO tem capacidade de
ser parte: os mortos e os animais. Contudo, devemos fazer ressalvas quanto a essa afirmação,
pois, atualmente no Direito Civil, há o entendimento de que o na morto tem sim direito à
sepultura e ao nome.
Capacidade de Ser Parte do Nascituro - Já é pacífico na doutrina e jurisprudência que o
nascituro pode figurar como parte em um processo.
Pessoas Jurídicas - As pessoas jurídicas regularmente cons tuídas tanto terão a
capacidade de ser parte, como capacidade para estar em juízo (capacidade processual).

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3.1.1.3. CAPACIDADE PROCESSUAL

Nomenclatura – A capacidade processual também é chamada de “Capacidade para


Estar em Juízo”, “Legi mação ad processum” e “capacidade de fato ou de exercício”.
Conceito - capacidade processual é a ap dão para as prá cas dos atos processuais
independentemente de assistência ou representação (exemplo: pais, curadores, tutores, etc.).

Art. 71. O incapaz será representado ou assis do por seus pais, por tutor ou por
curador, na forma da lei.
Art. 72. O juiz nomeará curador especial ao:
I - incapaz, se não ver representante legal ou se os interesses deste colidirem com
os daquele, enquanto durar a incapacidade;
II - réu preso revel, bem como ao réu revel citado por edital ou com hora certa,
enquanto não for cons tuído advogado.
Parágrafo único. A curatela especial será exercida pela Defensoria Pública, nos
termos da lei.

É a ap dão para exercer por si só direitos e obrigações na ordem civil. Tem esta
104
capacidade quem não for rela va ou absolutamente incapaz (arts. 3º e 4º do CC).

Vício sanável - A falta de capacidade processual é sempre sanável.

Art. 76. Verificada a incapacidade processual ou a irregularidade da representação da


parte, o juiz suspenderá o processo e designará prazo razoável para que seja sanado o vício.

No mesmo sen do, o STJ considera a concessão do prazo para saneamento do vício
direito subje vo da parte (RMS 19.311 - PB - STJ).
Matéria de Ordem Pública - É matéria de ordem pública que poderá ser alegada a
qualquer momento e em qualquer grau de jurisdição (art. 337, IX e §5º e art. 485, IV e §1º,
ambos do NCPC).
Representante ou Assistente - Estes não são partes no processo, viabilizam a consecução
da capacidade processual dos incapazes. Apenas auxiliam o tular do direito, posto que este
úl mo não tem capacidade para sozinho defender seus interesses em juízo (art. 71, NCPC).
Pessoas Jurídicas - As pessoas jurídicas regularmente cons tuídas tanto terão a
capacidade processual como a capacidade de ser parte.
Capacidade Processual dos Cônjuges e Companheiros - Em regra, as pessoas casadas
ou que vivem em União Estável têm capacidade plena. Entretanto, o art. 73 do NCPC elenca as
seguintes exceções:
a) Capacidade Processual A va - Para propositura de ações que versem sobre DIREITOS
REAIS IMOBILIÁRIOS (reivindicatórias, usucapião, divisória, adjudicação compulsória,
desapropriação indireta, exceção hipotecária, entre outras), será necessário o consen mento do
outro cônjuge ou companheiro, exceto se casados sob regime de separação absoluta de bens.

Art. 73. O cônjuge necessitará do consen mento do outro para propor ação que verse
sobre direito real imobiliário, salvo quando casados sob o regime de separação
absoluta de bens.

b) Capacidade Processual Passiva - Ambos os cônjuges e companheiros (no regime da


comunhão parcial, universal e de par cipação final nos aquestos) necessariamente serão
citados para a ação (li sconsórcio passivo necessário):

Art. 73. §1º - Ambos os cônjuges serão necessariamente citados para a ação:
I - que verse sobre direito real imobiliário, salvo quando casados sob o regime de
separação absoluta de bens;
II - resultante de fato que diga respeito a ambos os cônjuges ou de ato pra cado por eles;
III - fundada em dívida contraída por um dos cônjuges a bem da família;
IV - que tenha por objeto o reconhecimento, a cons tuição ou a ex nção de ônus
sobre imóvel de um ou de ambos os cônjuges.
105

c) Ações Possessórias - art. 73, § 2º do NCPC - Nas ações possessórias, a par cipação do
cônjuge do autor ou do réu somente é indispensável nas hipóteses de composse ou de ato por
ambos pra cados.

Art. 73. §2º - Nas ações possessórias, a par cipação do cônjuge do autor ou do réu
somente é indispensável nas hipóteses de composse ou de ato por ambos pra cado.

d) Subs tuição da Autorização do Cônjuge - art. 74 do NCPC - O consen mento


previsto no art. 73 pode ser suprido judicialmente quando for negado por um dos cônjuges sem
justo mo vo, ou quando lhe seja impossível concedê-lo.

Art. 74. O consen mento previsto no art. 73 pode ser suprido judicialmente quando for
negado por um dos cônjuges sem justo mo vo, ou quando lhe seja impossível concedê-lo.

Inexistência de Autorização ou Suprimento Judicial - art. 74, parágrafo único do NCPC


- A falta de consen mento, quando necessário e não suprido pelo juiz, invalida o processo.

Art. 74. Parágrafo único. A falta de consen mento, quando necessário e não suprido
pelo juiz, invalida o processo.

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3.1.1.4. SUBSTITUIÇÃO PROCESSUAL

A regra é que ninguém pode pleitear direito alheio em nome próprio (art. 18 do NCPC),
ou seja, em princípio, tem legi midade para propor ação quem for o detentor do direito
material controver do. Entretanto, o ordenamento jurídico, em casos excepcionais, autoriza a
propositura da ação por pessoa estranha à relação jurídica. Nesse caso diz-se que ocorre a
subs tuição processual, legi mação extraordinária ou anômala.

Art. 18. Ninguém poderá pleitear direito alheio em nome próprio, salvo quando
autorizado pelo ordenamento jurídico.
Parágrafo único. Havendo subs tuição processual, o subs tuído poderá intervir como
assistente li sconsorcial.

A coisa julgada recairá sobre o subs tuído e também sobre o subs tuto. Nas ações
cole vas, em caso de procedência do pedido, a coisa julgada terá eficácia erga omnes, ou ultra
partes, valendo para todos os tulares dos direitos individuais defendidos na ação (art. 103, III,
do CDC). Por outro lado, a improcedência por insuficiência de provas não impedirá que tulares
do direito ajuízem demandas individuais, a não ser que tenham integrado a ação cole va como
li sconsortes (art. 103, §§ 1 e 2 do CDC).
106
3.1.1.5. SUCESSÃO PROCESSUAL (SUCESSÃO DAS PARTES)

No curso do processo, somente é lícita a sucessão voluntária das partes nos casos
expressos em lei (art. 108 do NCPC).

Art. 108. No curso do processo, somente é lícita a sucessão voluntária das partes nos
casos expressos em lei.

Duas são as hipóteses de sucessão das partes ou sucessão processual:

a) A primeira hipótese, FACULTATIVA, ocorre quando o bem li gioso é alienado a tulo


par cular, por ato entre vivos. Nesse caso, o adquirente pode suceder o alienante ou cedente,
desde que haja consen mento da outra parte.

Art. 109. A alienação da coisa ou do direito li gioso por ato entre vivos, a tulo
par cular, não altera a legi midade das partes.

Nesse caso, para que o adquirente ou o cessionário possa ingressar na demanda, é


necessário o consen mento da parte contrária.

Art. 109. §1º - O adquirente ou cessionário não poderá ingressar em juízo, sucedendo
o alienante ou cedente, sem que o consinta a parte contrária.

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De toda forma, o adquirente ou o cessionário poderá intervir no processo como
assistente li sconsorcial do alienante ou o cedente, de forma que se estenderá a ele os efeitos
da sentença proferida.

Art. 109. §2º - O adquirente ou cessionário poderá intervir no processo como


assistente li sconsorcial do alienante ou cedente.
§3º - Estendem-se os efeitos da sentença proferida entre as partes originárias ao
adquirente ou cessionário.

b) A segunda hipótese é OBRIGATÓRIA e ocorre na hipótese de morte de qualquer


das partes.

Art. 110. Ocorrendo a morte de qualquer das partes, dar-se-á a sucessão pelo seu
espólio ou pelos seus sucessores, observado o disposto no art. 313, §§ 1o e 2o.

Sucessão do MP na Ação Popular e na ACP - É também prevista a sucessão do MP na


ação popular e na ação civil pública quando a parte originária desiste da ação, nos termos do
ar go 9º da Lei 4.717/65 e do ar go 5º, §3º, da Lei 7.347/85. 107

3.1.1.6. CAPACIDADE POSTULATÓRIA

Conceito - é a capacidade técnica exigida para estar em juízo.


Quem tem capacidade postulatória - quem tem essa capacidade postulatória
são: principalmente, os advogados regularmente inscritos na OAB, mas também o
Ministério Público e, em alguns casos, as pessoas não advogadas (exemplo: nos
Juizados Especiais Cíveis em causas inferiores a 20 salários mínimos; causas
trabalhistas; habeas corpus, etc.).

Art. 103. A parte será representada em juízo por advogado regularmente inscrito na
Ordem dos Advogados do Brasil.
Parágrafo único. É lícito à parte postular em causa própria quando ver habilitação legal.

Mandato/Procuração - Para o advogado atuar este deve estar autorizado através de


uma procuração. Esta pode ser por instrumento público ou par cular. Ressalta-se que para
determinados atos (atos especiais) o advogado deverá ter poderes específicos para isso (art.
105 do NCPC).

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Art. 105. A procuração geral para o foro, outorgada por instrumento público ou
par cular assinado pela parte, habilita o advogado a pra car todos os atos do
processo, EXCETO receber citação, confessar, reconhecer a procedência do pedido,
transigir, desis r, renunciar ao direito sobre o qual se funda a ação, receber, dar
quitação, firmar compromisso e assinar declaração de hipossuficiência econômica,
que devem constar de cláusula específica.
§1º - A procuração pode ser assinada digitalmente, na forma da lei.
§2º - A procuração deverá conter o nome do advogado, seu número de inscrição na
Ordem dos Advogados do Brasil e endereço completo.
§3º - Se o outorgado integrar sociedade de advogados, a procuração também deverá
conter o nome dessa, seu número de registro na Ordem dos Advogados do Brasil e
endereço completo.
§4º - Salvo disposição expressa em sen do contrário constante do próprio
instrumento, a procuração outorgada na fase de conhecimento é eficaz para todas as
fases do processo, inclusive para o cumprimento de sentença.

Prá ca de Atos Urgentes sem Mandato – excepcionalmente, contudo, admite-se que


o advogado pra que atos sem procuração, quando tais atos buscarem evitar preclusão,
decadência, prescrição ou quando forem para pra car atos considerados urgentes.
108
Art. 104. O advogado não será admi do a postular em juízo sem procuração, salvo
para evitar preclusão, decadência ou prescrição, ou para pra car ato considerado
urgente.
§1º - Nas hipóteses previstas no caput, o advogado deverá, independentemente de
caução, exibir a procuração no prazo de 15 (quinze) dias, prorrogável por igual período
por despacho do juiz.
§2º - O ato não ra ficado será considerado ineficaz rela vamente àquele em cujo
nome foi pra cado, respondendo o advogado pelas despesas e por perdas e danos.

Dispensa de Mandato para o Procurador de Autarquia - o tular do cargo de procurador


de autarquia está dispensado de apresentar instrumento de mandato para representar a
Administração Indireta em juízo, porque a sua legi mação para tanto está prevista em lei.

Súmula nº 644 do STF - Ao tular do cargo de procurador de autarquia não se exige a


apresentação de instrumento de mandato para representá-la em juízo.

3.1.1.6.1. Da Subs tuição dos Procuradores

Falecimento e Perda da Capacidade Postulatória - art. 313, §3º, do NCPC - A


subs tuição deve ocorrer em 15 dias.

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Art. 313. §3º - No caso de morte do procurador de qualquer das partes, ainda que
iniciada a audiência de instrução e julgamento, o juiz determinará que a parte cons tua
novo mandatário, no prazo de 15 (quinze) dias, ao final do qual ex nguirá o processo sem
resolução de mérito, se o autor não nomear novo mandatário, ou ordenará o
prosseguimento do processo à revelia do réu, se falecido o procurador deste.

Revogação - No próprio ato, o cons tuinte já deve nomear um outro procurador (art.
111 do NCPC).

Art. 111. A parte que revogar o mandato outorgado a seu advogado cons tuirá, no
mesmo ato, outro que assuma o patrocínio da causa.
Parágrafo único. Não sendo cons tuído novo procurador no prazo de 15 (quinze) dias,
observar-se-á o disposto no art. 76.

Renúncia - Nesse caso, segundo o art. 112 do NCPC, a renúncia ocorrerá com a devida
prova de sua comunicação, sendo que o advogado deverá con nuar a representar a parte nos
10 dias seguintes, contados a par r da juntada do instrumento de comunicação. Dispensa-se a
comunicação referida quando a procuração ver sido outorgada a vários advogados e a parte
con nuar representada por outro, apesar da renúncia.

109
Art. 112. O advogado poderá renunciar ao mandato a qualquer tempo, provando, na
forma prevista neste Código, que comunicou a renúncia ao mandante, a fim de que
este nomeie sucessor.
§1º - Durante os 10 (dez) dias seguintes, o advogado con nuará a representar o
mandante, desde que necessário para lhe evitar prejuízo
§2º - Dispensa-se a comunicação referida no caput quando a procuração ver sido outorgada
a vários advogados e a parte con nuar representada por outro, apesar da renúncia.

3.1.1.7. DEVERES DAS PARTES E PROCURADORES

Amparando-se nos Princípios da Boa Fé (art. 5º, NCPC) e da Cooperação (art. 6º, NCPC),
o NCPC traz um rol de condutas a serem adotadas pelas partes e pelos seus procuradores,
previstas no ar go 77:

Art. 77. Além de outros previstos neste Código, são deveres das partes, de seus
procuradores e de todos aqueles que de qualquer forma par cipem do processo:
I - expor os fatos em juízo conforme a verdade;
II - não formular pretensão ou de apresentar defesa quando cientes de que são
des tuídas de fundamento;
III - não produzir provas e não pra car atos inúteis ou desnecessários à declaração ou à
defesa do direito;
IV - cumprir com exa dão as decisões jurisdicionais, de natureza provisória ou final, e
não criar embaraços à sua efe vação;

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V - declinar, no primeiro momento que lhes couber falar nos autos, o endereço
residencial ou profissional onde receberão in mações, atualizando essa informação
sempre que ocorrer qualquer modificação temporária ou defini va;
VI - não pra car inovação ilegal no estado de fato de bem ou direito li gioso.

Especial atenção deve ser dada ao inciso IV (e também ao inciso VI), o qual determina
que as partes devem cumprir com exa dão as decisões judiciais, não criando embaraços à sua
efe vação. Isso porque, o descumprimento deste dever importa em ato atentatório à
dignidade da jus ça, passível de multa de até 20% sobre o valor da causa. Ressalte-se que se o
valor da causa for irrisório ou ines mável, a multa poderá ser fixada em até 10 salários mínimos.

Art. 77, §1º - Nas hipóteses dos incisos IV e VI, o juiz adver rá qualquer das pessoas
mencionadas no caput de que sua conduta poderá ser punida como ato atentatório à
dignidade da jus ça.
§2º - A violação ao disposto nos incisos IV e VI cons tui ato atentatório à dignidade da
jus ça, devendo o juiz, sem prejuízo das sanções criminais, civis e processuais cabíveis,
aplicar ao responsável multa de até vinte por cento do valor da causa, de acordo com a
gravidade da conduta.
§3º - Não sendo paga no prazo a ser fixado pelo juiz, a multa prevista no § 2o será inscrita
como dívida a va da União ou do Estado após o trânsito em julgado da decisão que a 110
fixou, e sua execução observará o procedimento da execução fiscal, revertendo-se aos
fundos previstos no art. 97.
§4º - A multa estabelecida no § 2o poderá ser fixada independentemente da incidência
das previstas nos arts. 523, § 1o, e 536, § 1o.
§5º - Quando o valor da causa for irrisório ou ines mável, a multa prevista no § 2o poderá
ser fixada em até 10 (dez) vezes o valor do salário-mínimo.
§6º - Aos advogados públicos ou privados e aos membros da Defensoria Pública e do
Ministério Público não se aplica o disposto nos §§ 2o a 5o, devendo eventual
responsabilidade disciplinar ser apurada pelo respec vo órgão de classe ou
corregedoria, ao qual o juiz oficiará.
§7º - Reconhecida violação ao disposto no inciso VI, o juiz determinará o
restabelecimento do estado anterior, podendo, ainda, proibir a parte de falar nos autos
até a purgação do atentado, sem prejuízo da aplicação do §2º.
§8º - O representante judicial da parte não pode ser compelido a cumprir decisão em seu lugar.
Art. 78. É vedado às partes, a seus procuradores, aos juízes, aos membros do Ministério
Público e da Defensoria Pública e a qualquer pessoa que par cipe do processo empregar
expressões ofensivas nos escritos apresentados.
§1º - Quando expressões ou condutas ofensivas forem manifestadas oral ou
presencialmente, o juiz adver rá o ofensor de que não as deve usar ou repe r, sob pena
de lhe ser cassada a palavra.
§2º - De o cio ou a requerimento do ofendido, o juiz determinará que as expressões ofensivas
sejam riscadas e, a requerimento do ofendido, determinará a expedição de cer dão com
inteiro teor das expressões ofensivas e a colocará à disposição da parte interessada.

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3.1.2. HONORÁRIOS

Um dos temas mais importantes do NCPC é o rela vo aos honorários dos advogados.
Portanto, é imprescindível que o aluno faça uma leitura atenta do art. 85.
Os honorários advoca cios cons tuem a remuneração devida aos advogados em razão
da prestação de serviços jurídicos, tanto em a vidades consul vas como em a vidades
processuais.
Uma das principais inovações do NCPC foi a impossibilidade de compensação de
honorários em caso de sucumbência recíproca, conforme dispõe o ar go 85, §14.
Da mesma forma, torna-se imprescindível ressaltar que NCPC passou a admi r que,
em caso de omissão da sentença com relação à fixação dos honorários, e havendo trânsito em
julgado desta sentença, o advogado poderá pleiteá-los por ação autônoma, nos termos do
ar go 85, §18.
Por fim, entendo indispensável a leitura do ar go 85 do NCPC, devendo atentar para as
limitações estabelecidas no §3º.

Art. 85. A sentença condenará o vencido a pagar honorários ao advogado do vencedor. 111
§1º - São devidos honorários advoca cios na reconvenção, no cumprimento de
sentença, provisório ou defini vo, na execução, resis da ou não, e nos recursos
interpostos, cumula vamente.
§2º - Os honorários serão fixados entre o mínimo de dez e o máximo de vinte por cento
sobre o valor da condenação, do proveito econômico ob do ou, não sendo possível
mensurá-lo, sobre o valor atualizado da causa, atendidos:
I - o grau de zelo do profissional;
II - o lugar de prestação do serviço;
III - a natureza e a importância da causa;
IV - o trabalho realizado pelo advogado e o tempo exigido para o seu serviço.
§3º - Nas causas em que a Fazenda Pública for parte, a fixação dos honorários
observará os critérios estabelecidos nos incisos I a IV do § 2o e os seguintes
percentuais:
I - mínimo de dez e máximo de vinte por cento sobre o valor da condenação ou do
proveito econômico ob do até 200 (duzentos) salários-mínimos;
II - mínimo de oito e máximo de dez por cento sobre o valor da condenação ou do
proveito econômico ob do acima de 200 (duzentos) salários-mínimos até 2.000 (dois
mil) salários-mínimos;
III - mínimo de cinco e máximo de oito por cento sobre o valor da condenação ou do
proveito econômico ob do acima de 2.000 (dois mil) salários-mínimos até 20.000
(vinte mil) salários-mínimos;
IV - mínimo de três e máximo de cinco por cento sobre o valor da condenação ou do
proveito econômico ob do acima de 20.000 (vinte mil) salários-mínimos até 100.000
(cem mil) salários-mínimos;
V - mínimo de um e máximo de três por cento sobre o valor da condenação ou do
proveito econômico ob do acima de 100.000 (cem mil) salários-mínimos.
§4º - Em qualquer das hipóteses do § 3o:
I - os percentuais previstos nos incisos I a V devem ser aplicados desde logo, quando for
líquida a sentença;
II - não sendo líquida a sentença, a definição do percentual, nos termos previstos nos
incisos I a V, somente ocorrerá quando liquidado o julgado;
III - não havendo condenação principal ou não sendo possível mensurar o proveito
econômico ob do, a condenação em honorários dar-se-á sobre o valor atualizado da
causa;
IV - será considerado o salário-mínimo vigente quando prolatada sentença líquida ou o
que es ver em vigor na data da decisão de liquidação.
§5º - Quando, conforme o caso, a condenação contra a Fazenda Pública ou o bene cio
econômico ob do pelo vencedor ou o valor da causa for superior ao valor previsto no
inciso I do § 3o, a fixação do percentual de honorários deve observar a faixa inicial e,
naquilo que a exceder, a faixa subsequente, e assim sucessivamente.
§6º - Os limites e critérios previstos nos §§ 2o e 3o aplicam-se independentemente de 112
qual seja o conteúdo da decisão, inclusive aos casos de improcedência ou de sentença
sem resolução de mérito.
§7º - Não serão devidos honorários no cumprimento de sentença contra a Fazenda
Pública que enseje expedição de precatório, desde que não tenha sido impugnada.
§8º - Nas causas em que for ines mável ou irrisório o proveito econômico ou, ainda,
quando o valor da causa for muito baixo, o juiz fixará o valor dos honorários por
apreciação equita va, observando o disposto nos incisos do § 2o.
§9º - Na ação de indenização por ato ilícito contra pessoa, o percentual de honorários
incidirá sobre a soma das prestações vencidas acrescida de 12 (doze) prestações
vincendas.
§10 - Nos casos de perda do objeto, os honorários serão devidos por quem deu causa
ao processo.
§11 - O tribunal, ao julgar recurso, majorará os honorários fixados anteriormente
levando em conta o trabalho adicional realizado em grau recursal, observando,
conforme o caso, o disposto nos §§ 2o a 6o, sendo vedado ao tribunal, no cômputo
geral da fixação de honorários devidos ao advogado do vencedor, ultrapassar os
respec vos limites estabelecidos nos §§ 2o e 3o para a fase de conhecimento.
§12 - Os honorários referidos no § 11 são cumuláveis com multas e outras sanções
processuais, inclusive as previstas no art. 77.
§13 - As verbas de sucumbência arbitradas em embargos à execução rejeitados ou
julgados improcedentes e em fase de cumprimento de sentença serão acrescidas no
valor do débito principal, para todos os efeitos legais.

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§14 - Os honorários cons tuem direito do advogado e têm natureza alimentar, com os
mesmos privilégios dos créditos oriundos da legislação do trabalho, sendo vedada a
compensação em caso de sucumbência parcial.
§15 - O advogado pode requerer que o pagamento dos honorários que lhe caibam seja
efetuado em favor da sociedade de advogados que integra na qualidade de sócio,
aplicando-se à hipótese o disposto no § 14.
§16 - Quando os honorários forem fixados em quan a certa, os juros moratórios
incidirão a par r da data do trânsito em julgado da decisão.
§17 - Os honorários serão devidos quando o advogado atuar em causa própria.
§18 - Caso a decisão transitada em julgado seja omissa quanto ao direito aos
honorários ou ao seu valor, é cabível ação autônoma para sua definição e cobrança.
§19 - Os advogados públicos perceberão honorários de sucumbência, nos termos da lei.

3.1.3. LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ

Hipótese - Considera-se li gante de má-fé aquele que pra car alguma das condutas
previstas no art. 80 do NCPC, cujo rol é taxa vo.

Art. 79. Responde por perdas e danos aquele que li gar de má-fé como autor, réu ou 113
interveniente.
Art. 80. Considera-se li gante de má-fé aquele que:
I - deduzir pretensão ou defesa contra texto expresso de lei ou fato incontroverso;
II - alterar a verdade dos fatos;
III - usar do processo para conseguir obje vo ilegal;
IV - opuser resistência injus ficada ao andamento do processo;
V - proceder de modo temerário em qualquer incidente ou ato do processo;
VI - provocar incidente manifestamente infundado;
VII - interpuser recurso com intuito manifestamente protelatório.

Penalidade:

Art. 81. De o cio ou a requerimento, o juiz condenará o li gante de má-fé a pagar


multa, que deverá ser superior a 1% e inferior a 10% do valor corrigido da causa, a
indenizar a parte contrária pelos prejuízos que esta sofreu e a arcar com os honorários
advoca cios e com todas as despesas que efetuou.

Pluralidade de Li gantes de Má-fé - Quando forem 02 (dois) ou mais os li gantes de


má-fé, o juiz condenará cada um na proporção de seu respec vo interesse na causa ou
solidariamente aqueles que se coligaram para lesar a parte contrária.

@ concursos@mege.com.br /cursomege @cursomege 99.98262-2200


Art. 81. §1º - Quando forem 02 (dois) ou mais os li gantes de má-fé, o juiz condenará
cada um na proporção de seu respec vo interesse na causa ou solidariamente aqueles
que se coligaram para lesar a parte contrária.

Valor irrisório ou ines mável da causa - Quando o valor da causa for irrisório ou
ines mável, a multa poderá ser fixada em até 10 (dez) vezes o valor do salário-mínimo.

Art. 81. §2º - Quando o valor da causa for irrisório ou ines mável, a multa poderá ser
fixada em até 10 (dez) vezes o valor do salário-mínimo.

Valor da Indenização - § 3º O valor da indenização será fixado pelo juiz ou, caso não seja
possível mensurá-lo, liquidado por arbitramento ou pelo procedimento comum, nos próprios autos.

Art. 81. §3º - O valor da indenização será fixado pelo juiz ou, caso não seja possível
mensurá-lo, liquidado por arbitramento ou pelo procedimento comum, nos
próprios autos.

3.1.4. DO JUIZ

3.1.4.1. DOS PODERES, DOS DEVERES E DA RESPONSABILIDADE DO JUIZ 114

3.1.4.1.1. Direção do Processo

Ao juiz cabe o importante papel de dirigir o processo, com segurança, firmeza,


imparcialidade, urbanidade, prudência e humildade, devendo manter a paridade e igualdade
das partes.
O ar go 139 do NCPC traz um rol de funções que devem ser exercidas pelo Juiz na
direção do processo:

Art. 139. O juiz dirigirá o processo conforme as disposições deste Código, incumbindo-lhe:
I - assegurar às partes igualdade de tratamento;
II - velar pela duração razoável do processo;
III - prevenir ou reprimir qualquer ato contrário à dignidade da jus ça e indeferir
postulações meramente protelatórias;
IV - determinar todas as medidas indu vas, coerci vas, mandamentais ou sub-
rogatórias necessárias para assegurar o cumprimento de ordem judicial, inclusive
nas ações que tenham por objeto prestação pecuniária;
V - promover, a qualquer tempo, a autocomposição, preferencialmente com auxílio de
conciliadores e mediadores judiciais;
VI - dilatar os prazos processuais e alterar a ordem de produção dos meios de prova,
adequando-os às necessidades do conflito de modo a conferir maior efe vidade à
tutela do direito;
VII - exercer o poder de polícia, requisitando, quando necessário, força policial, além da
segurança interna dos fóruns e tribunais;
VIII - determinar, a qualquer tempo, o comparecimento pessoal das partes, para inquiri-
las sobre os fatos da causa, hipótese em que não incidirá a pena de confesso;
IX - determinar o suprimento de pressupostos processuais e o saneamento de outros
vícios processuais;
X - quando se deparar com diversas demandas individuais repe vas, oficiar o Ministério
Público, a Defensoria Pública e, na medida do possível, outros legi mados a que se referem o
art. 5o da Lei no 7.347, de 24 de julho de 1985, e o art. 82 da Lei no 8.078, de 11 de setembro
de 1990, para, se for o caso, promover a propositura da ação cole va respec va.
Parágrafo único. A dilação de prazos prevista no inciso VI somente pode ser determinada
antes de encerrado o prazo regular.

Duas das incumbências mencionadas no ar go 139 do NCPC nos chamam mais atenção.
A primeira delas diz respeito à possibilidade de o juiz “determinar todas as medidas indu vas,
coerci vas, mandamentais ou sub-rogatórias necessárias para assegurar o cumprimento de
ordem judicial, inclusive nas ações que tenham por objeto prestação pecuniária” (inciso IV).
Observa-se que o disposi vo legal posi va o que a doutrina vem chamando de PODER GERAL DE
EFETIVAÇÃO DAS ORDENS JUDICIAIS, permi ndo que o magistrado se u lize de todos os meios
necessários e medidas coerci vas, a fim de fazer valer a sua decisão judicial, inclusive naquelas 115
onde houver condenação ao pagamento de prestação pecuniária.
A outra previsão interessante diz respeito à possibilidade de o magistrado “dilatar os
prazos processuais e alterar a ordem de produção dos meios de prova, adequando-os às
necessidades do conflito de modo a conferir maior efe vidade à tutela do direito”.

3.1.4.1.2. Princípio da Indeclinabilidade da Jurisdição

Segundo o ar go 140 do NCPC, “o juiz não se exime de decidir sob a alegação de


lacuna ou obscuridade do ordenamento jurídico”. O disposi vo legal trata da indeclinabilidade
da jurisdição, consistente na proibição de o juiz pronunciar o non liquet alegando lacuna ou
obscuridade na lei, conforme já previa o ar go 4º da LINDB. Desta forma, o juiz deve sempre
resolver a lide, servindo-se, para tanto, de outros meios quando a lei é omissa ou obscura.

3.1.4.1.3. Princípio da congruência

Dispõe o ar go 141 do NCPC que “o juiz decidirá o mérito nos limites propostos pelas
partes, sendo-lhe vedado conhecer de questões não suscitadas a cujo respeito a lei exige
inicia va da parte”. Trata-se da posi vação do Princípio da Congruência, não podendo o juiz
decidir aquém (citra ou infra pe ta), fora (extra pe ta) ou além (ultra pe ta) do que foi pedido,
se para isto a lei exigir a inicia va da parte.
3.1.4.1.4. Processo Simulado

Podem ocorrer algumas hipóteses em que as partes (autor e réu), em conluio, queiram
pra car ato simulado ou conseguir fim vedado pela lei, u lizando-se do processo. Nestas situações,
quando o magistrado perceber a conduta das partes, deverá proferir decisão que impeça esses
obje vos, aplicando, de o cio, as penalidades da li gância de má-fé, na forma do ar go 142 do NCPC.

3.1.4.1.5. Responsabilidade Civil do Juiz

O ar go 143 do NCPC trata das hipóteses de responsabilidade civil do magistrado:

Art. 143. O juiz responderá, civil e regressivamente, por perdas e danos quando:
I - no exercício de suas funções, proceder com dolo ou fraude;
II - recusar, omi r ou retardar, sem justo mo vo, providência que deva ordenar de
o cio ou a requerimento da parte.
Parágrafo único. As hipóteses previstas no inciso II somente serão verificadas depois
que a parte requerer ao juiz que determine a providência e o requerimento não for
apreciado no prazo de 10 (dez) dias.
116

Analisando-se o inciso I do ar go 143, percebe-se que a responsabilidade pessoal do


juiz somente ocorrerá se ver procedido com dolo ou fraude. A culpa no exercício da a vidade
jurisdicional não acarreta, para o magistrado, o dever de indenizar.
Veja, o ato jurisdicional danoso, pra cado com culpa, embora não enseje ao juiz o dever de
indenizar, pode acarretar, em tese, esse dever para o poder público, na forma do ar go 37, §6º, da
Cons tuição; mas, ajuizada a ação contra o Estado e sendo este vencido, somente poderá voltar-se
em regresso contra o magistrado causador do dano se este ver agido com dolo ou fraude.
Diferente é a hipótese do inciso II, que permite a responsabilidade do magistrado por
culpa quando recusar, omi r ou retardar, sem justo mo vo, providência que deva ordenar de
o cio ou a requerimento da parte. Mas observe-se que, em qualquer caso, a recusa ou
retardamento injus ficado somente restará caracterizado após o interessado requerer ao juiz
e este se manter inerte por mais de 10 dias.

3.1.4.2. DOS IMPEDIMENTOS E DA SUSPEIÇÃO

A imparcialidade do juiz é atributo necessário para que possa julgar, sendo


manifestação do princípio cons tucional do Estado Democrá co de Direito (art. 1º, da CRFB) e
um dos elementos integradores do princípio cons tucional do juiz natural (art. 5º XXXVII e LIII,
da CRFB), sendo, também, inerente do exercício de a vidade jurisdicional, independentemente
da natureza do processo ou procedimento onde o poder é exercido.
Por tais razões, o Código de Processo Civil elenca algumas situações fá cas em que a
atuação do juiz resta ou pode restar comprome da.

3.1.4.2.1. Do Impedimento

Art. 144. Há impedimento do juiz, sendo-lhe vedado exercer suas funções no processo:
I - em que interveio como mandatário da parte, oficiou como perito, funcionou como
membro do Ministério Público ou prestou depoimento como testemunha;
II - de que conheceu em outro grau de jurisdição, tendo proferido decisão;
III - quando nele es ver postulando, como defensor público, advogado ou membro do
Ministério Público, seu cônjuge ou companheiro, ou qualquer parente, consanguíneo ou
afim, em linha reta ou colateral, até o terceiro grau, inclusive;
IV - quando for parte no processo ele próprio, seu cônjuge ou companheiro, ou parente,
consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral, até o terceiro grau, inclusive;
V - quando for sócio ou membro de direção ou de administração de pessoa jurídica parte
no processo; 117
VI - quando for herdeiro presun vo, donatário ou empregador de qualquer das partes;
VII - em que figure como parte ins tuição de ensino com a qual tenha relação de
emprego ou decorrente de contrato de prestação de serviços;
VIII - em que figure como parte cliente do escritório de advocacia de seu cônjuge,
companheiro ou parente, consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral, até o
terceiro grau, inclusive, mesmo que patrocinado por advogado de outro escritório;
IX - quando promover ação contra a parte ou seu advogado.
§ 1o Na hipótese do inciso III, o impedimento só se verifica quando o defensor público, o
advogado ou o membro do Ministério Público já integrava o processo antes do início da
a vidade judicante do juiz.
§ 2o É vedada a criação de fato superveniente a fim de caracterizar impedimento do juiz.
§ 3o O impedimento previsto no inciso III também se verifica no caso de mandato
conferido a membro de escritório de advocacia que tenha em seus quadros advogado
que individualmente ostente a condição nele prevista, mesmo que não intervenha
diretamente no processo.

As causas ensejadoras do impedimento são de natureza obje va, gerando presunção


absoluta de parcialidade do Juiz, mo vo pelo qual, provada a situação fá ca
(independentemente da real intenção do Juiz), deve o magistrado ser afastado do processo,
remetendo-se os autos ao seu subs tuto legal.
Cumpre observar que a natureza do impedimento é tão grave que poderá ensejar o
ajuizamento de ação rescisória, nos termos do ar go 966, II, do NCPC (Art. 966. A decisão de
mérito, transitada em julgado, pode ser rescindida quando: II - for proferida por juiz impedido
ou por juízo absolutamente incompetente).
Como o impedimento do juiz é questão de ordem pública, deve o juiz pronunciá-lo de
o cio, podendo a parte arguir o vício em qualquer momento, inclusive após o trânsito em
julgado da decisão, conforme mencionado acima.

ATENÇÃO!

Deve ser dada especial atenção para as hipóteses de impedimento previstas nos incisos VII, VIII e
IX, bem como nos §§1º e 3º, que tratam da atuação do advogado que seja parente do juiz que age
no processo e das hipóteses em que, mesmo não atuando, o escritório do referido advogado esteja
defendendo os interesses de clientes perante o referido magistrado.

3.1.4.2.2. Da Suspeição

Art. 145. Há suspeição do juiz:


I - amigo ín mo ou inimigo de qualquer das partes ou de seus advogados; 118
II - que receber presentes de pessoas que verem interesse na causa antes ou depois
de iniciado o processo, que aconselhar alguma das partes acerca do objeto da causa
ou que subministrar meios para atender às despesas do li gio;
III - quando qualquer das partes for sua credora ou devedora, de seu cônjuge ou
companheiro ou de parentes destes, em linha reta até o terceiro grau, inclusive;
IV - interessado no julgamento do processo em favor de qualquer das partes.
§ 1o Poderá o juiz declarar-se suspeito por mo vo de foro ín mo, sem necessidade de
declarar suas razões.
§ 2o Será ilegí ma a alegação de suspeição quando:
I - houver sido provocada por quem a alega;
II - a parte que a alega houver pra cado ato que signifique manifesta aceitação do
arguido.

Os mo vos enumerados no disposi vo legal indicam presunção rela va de


parcialidade do juiz, que pode ser afastada mediante prova em contrário. Os mo vos
indicadores de suspeição são de ordem subje va. Por ser rela va a presunção de parcialidade
decorrente da suspeição, é susce vel de preclusão, caso a parte ou interessado não ques one o
fato por pe ção, no prazo da lei.
3.1.5. DO MINISTÉRIO PÚBLICO, DA ADVOCACIA PÚBLICA E DA DEFENSORIA PÚBLICA

O Ministério Público é ins tuição permanente, essencial à função jurisdicional do


Estado, incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica, do regime democrá co e dos interesses
sociais e individuais indisponíveis (art. 127, CRFB).
A Advocacia-Geral da União é a ins tuição que, diretamente ou através de órgão
vinculado, representa a União, judicial e extrajudicialmente, cabendo-lhe, nos termos da lei
complementar que dispuser sobre sua organização e funcionamento, as a vidades de
consultoria e assessoramento jurídico do Poder Execu vo (art. 131, CRFB).
A Defensoria Pública é ins tuição permanente, essencial à função jurisdicional do
Estado, incumbindo-lhe, como expressão e instrumento do regime democrá co,
fundamentalmente, a orientação jurídica, a promoção dos direitos humanos e a defesa, em
todos os graus, judicial e extrajudicial, dos direitos individuais e cole vos, de forma integral e
gratuita, aos necessitados, na forma do inciso LXXIV do art. 5º da Cons tuição Federal (art. 134,
CRFB).
Para os fins do nosso o estudo, neste momento, entendo não haver maiores
necessidades de um aprofundamento sobre o tema, bastando a leitura dos ar gos 176 a 187 do 119
Código de Processo Civil, especialmente aqueles que tratam das PRERROGATIVAS do Ministério
Público, da Advocacia Pública e da Defensoria Pública, notadamente os ar gos 180, 183 e 186,
que serão transcritos mais à frente.
3.2. LEGISLAÇÃO

LIVRO III
DOS SUJEITOS DO PROCESSO

TÍTULO I
DAS PARTES E DOS PROCURADORES

CAPÍTULO I
DA CAPACIDADE PROCESSUAL

Art. 70. Toda pessoa que se encontre no exercício de seus direitos tem capacidade para estar
em juízo.
Art. 71. O incapaz será representado ou assis do por seus pais, por tutor ou por curador, na
forma da lei.
Art. 72. O juiz nomeará curador especial ao:
I - incapaz, se não ver representante legal ou se os interesses deste colidirem com os daquele,
enquanto durar a incapacidade; 120
II - réu preso revel, bem como ao réu revel citado por edital ou com hora certa, enquanto não
for cons tuído advogado.
Parágrafo único. A curatela especial será exercida pela Defensoria Pública, nos termos da lei.
Art. 73. O cônjuge necessitará do consen mento do outro para propor ação que verse sobre
direito real imobiliário, salvo quando casados sob o regime de separação absoluta de bens.
o
§ 1 Ambos os cônjuges serão necessariamente citados para a ação:
I - que verse sobre direito real imobiliário, salvo quando casados sob o regime de separação
absoluta de bens;
II - resultante de fato que diga respeito a ambos os cônjuges ou de ato pra cado por eles;
III - fundada em dívida contraída por um dos cônjuges a bem da família;
IV - que tenha por objeto o reconhecimento, a cons tuição ou a ex nção de ônus sobre imóvel
de um ou de ambos os cônjuges.
o
§ 2 Nas ações possessórias, a par cipação do cônjuge do autor ou do réu somente é
indispensável nas hipóteses de composse ou de ato por ambos pra cado.
§ 3o Aplica-se o disposto neste ar go à união estável comprovada nos autos.
Art. 74. O consen mento previsto no art. 73 pode ser suprido judicialmente quando for
negado por um dos cônjuges sem justo mo vo, ou quando lhe seja impossível concedê-lo.
Parágrafo único. A falta de consen mento, quando necessário e não suprido pelo juiz, invalida
o processo.
Art. 75. Serão representados em juízo, a va e passivamente:
I - a União, pela Advocacia-Geral da União, diretamente ou mediante órgão vinculado;
II - o Estado e o Distrito Federal, por seus procuradores;
III - o Município, por seu prefeito ou procurador;
IV - a autarquia e a fundação de direito público, por quem a lei do ente federado designar;
V - a massa falida, pelo administrador judicial;
VI - a herança jacente ou vacante, por seu curador;
VII - o espólio, pelo inventariante;
VIII - a pessoa jurídica, por quem os respec vos atos cons tu vos designarem ou, não havendo
essa designação, por seus diretores;
IX - a sociedade e a associação irregulares e outros entes organizados sem personalidade
jurídica, pela pessoa a quem couber a administração de seus bens;
X - a pessoa jurídica estrangeira, pelo gerente, representante ou administrador de sua filial, 121
agência ou sucursal aberta ou instalada no Brasil;
XI - o condomínio, pelo administrador ou síndico.
§ 1o Quando o inventariante for da vo, os sucessores do falecido serão in mados no processo
no qual o espólio seja parte.
o
§ 2 A sociedade ou associação sem personalidade jurídica não poderá opor a irregularidade de
sua cons tuição quando demandada.
§ 3o O gerente de filial ou agência presume-se autorizado pela pessoa jurídica estrangeira a
receber citação para qualquer processo.
§ 4o Os Estados e o Distrito Federal poderão ajustar compromisso recíproco para prá ca de ato
processual por seus procuradores em favor de outro ente federado, mediante convênio
firmado pelas respec vas procuradorias.
Art. 76. Verificada a incapacidade processual ou a irregularidade da representação da parte, o
juiz suspenderá o processo e designará prazo razoável para que seja sanado o vício.
o
§ 1 Descumprida a determinação, caso o processo esteja na instância originária:
I - o processo será ex nto, se a providência couber ao autor;
II - o réu será considerado revel, se a providência lhe couber;
III - o terceiro será considerado revel ou excluído do processo, dependendo do polo em que se encontre.
§ 2o Descumprida a determinação em fase recursal perante tribunal de jus ça, tribunal regional
federal ou tribunal superior, o relator:
I - não conhecerá do recurso, se a providência couber ao recorrente;
II - determinará o desentranhamento das contrarrazões, se a providência couber ao recorrido.

CAPÍTULO II
DOS DEVERES DAS PARTES E DE SEUS PROCURADORES

Seção I
Dos Deveres

Art. 77. Além de outros previstos neste Código, são deveres das partes, de seus procuradores e
de todos aqueles que de qualquer forma par cipem do processo:
I - expor os fatos em juízo conforme a verdade;
II - não formular pretensão ou de apresentar defesa quando cientes de que são des tuídas de
fundamento;
III - não produzir provas e não pra car atos inúteis ou desnecessários à declaração ou à defesa
122
do direito;
IV - cumprir com exa dão as decisões jurisdicionais, de natureza provisória ou final, e não
criar embaraços à sua efe vação;
V - declinar, no primeiro momento que lhes couber falar nos autos, o endereço residencial ou
profissional onde receberão in mações, atualizando essa informação sempre que ocorrer
qualquer modificação temporária ou defini va;
VI - não pra car inovação ilegal no estado de fato de bem ou direito li gioso.
o
§ 1 Nas hipóteses dos incisos IV e VI, o juiz adver rá qualquer das pessoas mencionadas no
caput de que sua conduta poderá ser punida como ato atentatório à dignidade da jus ça.
§ 2o A violação ao disposto nos incisos IV e VI cons tui ato atentatório à dignidade da jus ça,
devendo o juiz, sem prejuízo das sanções criminais, civis e processuais cabíveis, aplicar ao
responsável multa de até vinte por cento do valor da causa, de acordo com a gravidade da
conduta.
o
§ 3 Não sendo paga no prazo a ser fixado pelo juiz, a multa prevista no § 2o será inscrita como dívida
a va da União ou do Estado após o trânsito em julgado da decisão que a fixou, e sua execução
observará o procedimento da execução fiscal, revertendo-se aos fundos previstos no art. 97.
o
§ 4 A multa estabelecida no § 2o poderá ser fixada independentemente da incidência das
previstas nos arts. 523, § 1o, e 536, § 1o.
§ 5o Quando o valor da causa for irrisório ou ines mável, a multa prevista no § 2o poderá ser
fixada em até 10 (dez) vezes o valor do salário-mínimo.
o
§ 6 Aos advogados públicos ou privados e aos membros da Defensoria Pública e do Ministério
Público não se aplica o disposto nos §§ 2o a 5o, devendo eventual responsabilidade disciplinar
ser apurada pelo respec vo órgão de classe ou corregedoria, ao qual o juiz oficiará.
o
§ 7 Reconhecida violação ao disposto no inciso VI, o juiz determinará o restabelecimento do
estado anterior, podendo, ainda, proibir a parte de falar nos autos até a purgação do atentado,
o
sem prejuízo da aplicação do § 2 .
§ 8o O representante judicial da parte não pode ser compelido a cumprir decisão em seu lugar.
Art. 78. É vedado às partes, a seus procuradores, aos juízes, aos membros do Ministério Público
e da Defensoria Pública e a qualquer pessoa que par cipe do processo empregar expressões
ofensivas nos escritos apresentados.
§ 1o Quando expressões ou condutas ofensivas forem manifestadas oral ou presencialmente, o
juiz adver rá o ofensor de que não as deve usar ou repe r, sob pena de lhe ser cassada a palavra.
o
§ 2 De o cio ou a requerimento do ofendido, o juiz determinará que as expressões ofensivas
sejam riscadas e, a requerimento do ofendido, determinará a expedição de cer dão com inteiro
teor das expressões ofensivas e a colocará à disposição da parte interessada. 123

Seção II
Da Responsabilidade das Partes por Dano Processual

Art. 79. Responde por perdas e danos aquele que li gar de má-fé como autor, réu ou interveniente.
Art. 80. Considera-se li gante de má-fé aquele que:
I - deduzir pretensão ou defesa contra texto expresso de lei ou fato incontroverso;
II - alterar a verdade dos fatos;
III - usar do processo para conseguir obje vo ilegal;
IV - opuser resistência injus ficada ao andamento do processo;
V - proceder de modo temerário em qualquer incidente ou ato do processo;
VI - provocar incidente manifestamente infundado;
VII - interpuser recurso com intuito manifestamente protelatório.
Art. 81. De o cio ou a requerimento, o juiz condenará o li gante de má-fé a pagar multa, que
deverá ser superior a um por cento e inferior a dez por cento do valor corrigido da causa, a
indenizar a parte contrária pelos prejuízos que esta sofreu e a arcar com os honorários
advoca cios e com todas as despesas que efetuou.
§ 1o Quando forem 2 (dois) ou mais os li gantes de má-fé, o juiz condenará cada um na
proporção de seu respec vo interesse na causa ou solidariamente aqueles que se coligaram
para lesar a parte contrária.
§ 2o Quando o valor da causa for irrisório ou ines mável, a multa poderá ser fixada em até 10
(dez) vezes o valor do salário-mínimo.
o
§ 3 O valor da indenização será fixado pelo juiz ou, caso não seja possível mensurá-lo, liquidado
por arbitramento ou pelo procedimento comum, nos próprios autos.

Seção III
Das Despesas, dos Honorários Advoca cios e das Multas

Art. 82. Salvo as disposições concernentes à gratuidade da jus ça, incumbe às partes prover as
despesas dos atos que realizarem ou requererem no processo, antecipando-lhes o pagamento, desde
o início até a sentença final ou, na execução, até a plena sa sfação do direito reconhecido no tulo.
§ 1o Incumbe ao autor adiantar as despesas rela vas a ato cuja realização o juiz determinar de
o cio ou a requerimento do Ministério Público, quando sua intervenção ocorrer como fiscal da
ordem jurídica.
124
§ 2o A sentença condenará o vencido a pagar ao vencedor as despesas que antecipou.
Art. 83. O autor, brasileiro ou estrangeiro, que residir fora do Brasil ou deixar de residir no país
ao longo da tramitação de processo prestará caução suficiente ao pagamento das custas e dos
honorários de advogado da parte contrária nas ações que propuser, se não ver no Brasil bens
imóveis que lhes assegurem o pagamento.
§ 1o Não se exigirá a caução de que trata o caput:
I - quando houver dispensa prevista em acordo ou tratado internacional de que o Brasil faz parte;
II - na execução fundada em tulo extrajudicial e no cumprimento de sentença;
III - na reconvenção.
o
§ 2 Verificando-se no trâmite do processo que se desfalcou a garan a, poderá o interessado
exigir reforço da caução, jus ficando seu pedido com a indicação da depreciação do bem dado
em garan a e a importância do reforço que pretende obter.
Art. 84. As DESPESAS abrangem as custas dos atos do processo, a indenização de viagem, a
remuneração do assistente técnico e a diária de testemunha.
Art. 85. A sentença condenará o vencido a pagar honorários ao advogado do vencedor.
o
§ 1 São devidos honorários advoca cios na reconvenção, no cumprimento de sentença,
provisório ou defini vo, na execução, resis da ou não, e nos recursos interpostos,
cumula vamente.
§ 2o Os honorários serão fixados entre o mínimo de dez e o máximo de vinte por cento sobre o
valor da condenação, do proveito econômico ob do ou, não sendo possível mensurá-lo, sobre o
valor atualizado da causa, atendidos:
I - o grau de zelo do profissional;
II - o lugar de prestação do serviço;
III - a natureza e a importância da causa;
IV - o trabalho realizado pelo advogado e o tempo exigido para o seu serviço.
o
§ 3 Nas causas em que A FAZENDA PÚBLICA FOR PARTE, a fixação dos honorários observará os
critérios estabelecidos nos incisos I a IV do § 2o e os seguintes percentuais:
I - mínimo de dez e máximo de vinte por cento sobre o valor da condenação ou do proveito
econômico ob do até 200 (duzentos) salários-mínimos;
II - mínimo de oito e máximo de dez por cento sobre o valor da condenação ou do proveito econômico
ob do acima de 200 (duzentos) salários-mínimos até 2.000 (dois mil) salários-mínimos;
III - mínimo de cinco e máximo de oito por cento sobre o valor da condenação ou do proveito
econômico ob do acima de 2.000 (dois mil) salários-mínimos até 20.000 (vinte mil) salários-
mínimos; 125
IV - mínimo de três e máximo de cinco por cento sobre o valor da condenação ou do proveito
econômico ob do acima de 20.000 (vinte mil) salários-mínimos até 100.000 (cem mil)
salários-mínimos;
V - mínimo de um e máximo de três por cento sobre o valor da condenação ou do proveito
econômico ob do acima de 100.000 (cem mil) salários-mínimos.
o
§ 4 Em qualquer das hipóteses do § 3o:
I - os percentuais previstos nos incisos I a V devem ser aplicados desde logo, quando for líquida a
sentença;
II - não sendo líquida a sentença, a definição do percentual, nos termos previstos nos incisos I a
V, somente ocorrerá quando liquidado o julgado;
III - não havendo condenação principal ou não sendo possível mensurar o proveito econômico
ob do, a condenação em honorários dar-se-á sobre o valor atualizado da causa;
IV - será considerado o salário-mínimo vigente quando prolatada sentença líquida ou o que
es ver em vigor na data da decisão de liquidação.
§ 5o Quando, conforme o caso, a condenação contra a Fazenda Pública ou o bene cio
econômico ob do pelo vencedor ou o valor da causa for superior ao valor previsto no inciso I
do § 3o, a fixação do percentual de honorários deve observar a faixa inicial e, naquilo que a
exceder, a faixa subsequente, e assim sucessivamente.
§ 6o Os limites e critérios previstos nos §§ 2o e 3o aplicam-se independentemente de qual seja o
conteúdo da decisão, inclusive aos casos de improcedência ou de sentença sem resolução de mérito.
o
§ 7 Não serão devidos honorários no cumprimento de sentença contra a Fazenda Pública que
enseje expedição de precatório, desde que não tenha sido impugnada.
§ 8o Nas causas em que for ines mável ou irrisório o proveito econômico ou, ainda, quando o
valor da causa for muito baixo, o juiz fixará o valor dos honorários por apreciação equita va,
observando o disposto nos incisos do § 2o.
o
§ 9 Na ação de indenização por ato ilícito contra pessoa, o percentual de honorários incidirá
sobre a soma das prestações vencidas acrescida de 12 (doze) prestações vincendas.
§ 10. Nos casos de perda do objeto, os honorários serão devidos por quem deu causa ao
processo.
§ 11. O tribunal, ao julgar recurso, majorará os honorários fixados anteriormente levando em
conta o trabalho adicional realizado em grau recursal, observando, conforme o caso, o disposto
o o
nos §§ 2 a 6 , sendo vedado ao tribunal, no cômputo geral da fixação de honorários devidos ao
advogado do vencedor, ultrapassar os respec vos limites estabelecidos nos §§ 2o e 3o para a
fase de conhecimento.
§ 12. Os honorários referidos no § 11 são cumuláveis com multas e outras sanções processuais, 126
inclusive as previstas no art. 77.
§ 13. As verbas de sucumbência arbitradas em embargos à execução rejeitados ou julgados
improcedentes e em fase de cumprimento de sentença serão acrescidas no valor do débito
principal, para todos os efeitos legais.
§ 14. Os honorários cons tuem direito do advogado e têm natureza alimentar, com os mesmos
privilégios dos créditos oriundos da legislação do trabalho, sendo VEDADA A COMPENSAÇÃO
EM CASO DE SUCUMBÊNCIA PARCIAL.
§ 15. O advogado pode requerer que o pagamento dos honorários que lhe caibam seja
efetuado em favor da sociedade de advogados que integra na qualidade de sócio, aplicando-se à
hipótese o disposto no § 14.
§ 16. Quando os honorários forem fixados em quan a certa, os juros moratórios incidirão a
par r da data do trânsito em julgado da decisão.
§ 17. Os honorários serão devidos quando o advogado atuar em causa própria.
§ 18. Caso a decisão transitada em julgado seja omissa quanto ao direito aos honorários ou ao
seu valor, é cabível ação autônoma para sua definição e cobrança.
§ 19. Os advogados públicos perceberão honorários de sucumbência, nos termos da lei.
Art. 86. Se cada li gante for, em parte, vencedor e vencido, serão proporcionalmente
distribuídas entre eles as despesas.
Parágrafo único. Se um li gante sucumbir em parte mínima do pedido, o outro responderá, por
inteiro, pelas despesas e pelos honorários.
Art. 87. Concorrendo diversos autores ou diversos réus, os vencidos respondem
proporcionalmente pelas despesas e pelos honorários.
§ 1o A sentença deverá distribuir entre os li sconsortes, de forma expressa, a responsabilidade
proporcional pelo pagamento das verbas previstas no caput.
§ 2o Se a distribuição de que trata o § 1o não for feita, os vencidos responderão solidariamente
pelas despesas e pelos honorários.
Art. 88. Nos procedimentos de jurisdição voluntária, as despesas serão adiantadas pelo
requerente e rateadas entre os interessados.
Art. 89. Nos juízos divisórios, não havendo li gio, os interessados pagarão as despesas
proporcionalmente a seus quinhões.
Art. 90. Proferida sentença com fundamento em desistência, em renúncia ou em
reconhecimento do pedido, as despesas e os honorários serão pagos pela parte que desis u,
renunciou ou reconheceu.
§ 1o Sendo parcial a desistência, a renúncia ou o reconhecimento, a responsabilidade pelas
despesas e pelos honorários será proporcional à parcela reconhecida, à qual se renunciou ou da
127
qual se desis u.
§ 2o Havendo transação e nada tendo as partes disposto quanto às despesas, estas serão
divididas igualmente.
o
§ 3 Se a transação ocorrer antes da sentença, as partes ficam dispensadas do pagamento das
custas processuais remanescentes, se houver.
§ 4o Se o réu reconhecer a procedência do pedido e, simultaneamente, cumprir integralmente a
prestação reconhecida, os honorários serão reduzidos pela metade.
Art. 91. As despesas dos atos processuais pra cados a requerimento da Fazenda Pública, do
Ministério Público ou da Defensoria Pública serão pagas AO FINAL PELO VENCIDO.
o
§ 1 As perícias requeridas pela Fazenda Pública, pelo Ministério Público ou pela Defensoria
Pública poderão ser realizadas por en dade pública ou, havendo previsão orçamentária, ter os
valores adiantados por aquele que requerer a prova.
o
§ 2 Não havendo previsão orçamentária no exercício financeiro para adiantamento dos
honorários periciais, eles serão pagos no exercício seguinte ou ao final, pelo vencido, caso o
processo se encerre antes do adiantamento a ser feito pelo ente público.
Art. 92. Quando, a requerimento do réu, o juiz proferir sentença sem resolver o mérito, o autor
não poderá propor novamente a ação sem pagar ou depositar em cartório as despesas e os
honorários a que foi condenado.
Art. 93. As despesas de atos adiados ou cuja repe ção for necessária ficarão a cargo da parte, do
auxiliar da jus ça, do órgão do Ministério Público ou da Defensoria Pública ou do juiz que, sem
justo mo vo, houver dado causa ao adiamento ou à repe ção.
Art. 94. Se o assis do for vencido, o assistente será condenado ao pagamento das custas em
proporção à a vidade que houver exercido no processo.
Art. 95. Cada parte adiantará a remuneração do assistente técnico que houver indicado, sendo
A DO PERITO adiantada pela parte que houver requerido a perícia OU RATEADA quando a
perícia for determinada de o cio ou requerida por ambas as partes.
§ 1o O juiz poderá determinar que a parte responsável pelo pagamento dos honorários do perito
deposite em juízo o valor correspondente.
o
§ 2 A quan a recolhida em depósito bancário à ordem do juízo será corrigida monetariamente
e paga de acordo com o art. 465, § 4o.
§ 3o Quando o pagamento da perícia for de responsabilidade de beneficiário de gratuidade da
jus ça, ela poderá ser:
I - custeada com recursos alocados no orçamento do ente público e realizada por servidor do
Poder Judiciário ou por órgão público conveniado;
II - paga com recursos alocados no orçamento da União, do Estado ou do Distrito Federal, no
128
caso de ser realizada por par cular, hipótese em que o valor será fixado conforme tabela do
tribunal respec vo ou, em caso de sua omissão, do Conselho Nacional de Jus ça.
o
§ 4 Na hipótese do § 3o, o juiz, após o trânsito em julgado da decisão final, oficiará a Fazenda
Pública para que promova, contra quem ver sido condenado ao pagamento das despesas
processuais, a execução dos valores gastos com a perícia par cular ou com a u lização de
servidor público ou da estrutura de órgão público, observando-se, caso o responsável pelo
pagamento das despesas seja beneficiário de gratuidade da jus ça, o disposto no art. 98, § 2o.
o
§ 5 Para fins de aplicação do § 3o, é vedada a u lização de recursos do fundo de custeio da
Defensoria Pública.
Art. 96. O valor das sanções impostas ao li gante de má-fé reverterá em bene cio da parte
contrária, e o valor das sanções impostas aos serventuários pertencerá ao Estado ou à União.
Art. 97. A União e os Estados podem criar fundos de modernização do Poder Judiciário, aos
quais serão rever dos os valores das sanções pecuniárias processuais des nadas à União e aos
Estados, e outras verbas previstas em lei.
Seção IV
Da Gratuidade da Jus ça

Art. 98. A pessoa natural ou jurídica, brasileira ou estrangeira, com insuficiência de recursos
para pagar as custas, as despesas processuais e os honorários advoca cios tem direito à
gratuidade da jus ça, na forma da lei.
o
§ 1 A gratuidade da jus ça compreende:
I - as taxas ou as custas judiciais;
II - os selos postais;
III - as despesas com publicação na imprensa oficial, dispensando-se a publicação em outros
meios;
IV - a indenização devida à testemunha que, quando empregada, receberá do empregador
salário integral, como se em serviço es vesse;
V - as despesas com a realização de exame de código gené co - DNA e de outros exames
considerados essenciais;
VI - os honorários do advogado e do perito e a remuneração do intérprete ou do tradutor
129
nomeado para apresentação de versão em português de documento redigido em língua
estrangeira;
VII - o custo com a elaboração de memória de cálculo, quando exigida para instauração da
execução;
VIII - os depósitos previstos em lei para interposição de recurso, para propositura de ação e para
a prá ca de outros atos processuais inerentes ao exercício da ampla defesa e do contraditório;
IX - os emolumentos devidos a notários ou registradores em decorrência da prá ca de registro,
averbação ou qualquer outro ato notarial necessário à efe vação de decisão judicial ou à
con nuidade de processo judicial no qual o bene cio tenha sido concedido.
o
§ 2 A concessão de gratuidade não afasta a responsabilidade do beneficiário pelas despesas
processuais e pelos honorários advoca cios decorrentes de sua sucumbência.
§ 3o Vencido o beneficiário, as obrigações decorrentes de sua sucumbência ficarão sob
condição suspensiva de exigibilidade e somente poderão ser executadas se, nos 5 (cinco) anos
subsequentes ao trânsito em julgado da decisão que as cer ficou, o credor demonstrar que
deixou de exis r a situação de insuficiência de recursos que jus ficou a concessão de
gratuidade, ex nguindo-se, passado esse prazo, tais obrigações do beneficiário.
§ 4o A concessão de gratuidade não afasta o dever de o beneficiário pagar, ao final, as multas
processuais que lhe sejam impostas.
§ 5o A gratuidade poderá ser concedida em relação a algum ou a todos os atos processuais, ou
consis r na redução percentual de despesas processuais que o beneficiário ver de adiantar no
curso do procedimento.
§ 6o Conforme o caso, o juiz poderá conceder direito ao parcelamento de despesas processuais
que o beneficiário ver de adiantar no curso do procedimento.
o o
§ 7 Aplica-se o disposto no art. 95, §§ 3o a 5o, ao custeio dos emolumentos previstos no § 1 ,
inciso IX, do presente ar go, observada a tabela e as condições da lei estadual ou distrital
respec va.
§ 8o Na hipótese do § 1o, inciso IX, havendo dúvida fundada quanto ao preenchimento atual dos
pressupostos para a concessão de gratuidade, o notário ou registrador, após pra car o ato, pode
requerer, ao juízo competente para decidir questões notariais ou registrais, a revogação total ou
parcial do bene cio ou a sua subs tuição pelo parcelamento de que trata o § 6o deste ar go, caso em
que o beneficiário será citado para, em 15 (quinze) dias, manifestar-se sobre esse requerimento.
Art. 99. O pedido de gratuidade da jus ça pode ser formulado na pe ção inicial, na
contestação, na pe ção para ingresso de terceiro no processo ou em recurso.
o
§ 1 Se superveniente à primeira manifestação da parte na instância, o pedido poderá ser
formulado por pe ção simples, nos autos do próprio processo, e não suspenderá seu curso. 130
o
§ 2 O juiz somente poderá indeferir o pedido se houver nos autos elementos que evidenciem a
falta dos pressupostos legais para a concessão de gratuidade, devendo, antes de indeferir o
pedido, determinar à parte a comprovação do preenchimento dos referidos pressupostos.
§ 3o Presume-se verdadeira a alegação de insuficiência deduzida exclusivamente por pessoa
natural.
o
§ 4 A assistência do requerente por advogado par cular não impede a concessão de
gratuidade da jus ça.
o
§ 5 Na hipótese do § 4o, o recurso que verse exclusivamente sobre valor de honorários de
sucumbência fixados em favor do advogado de beneficiário estará sujeito a preparo, salvo se o
próprio advogado demonstrar que tem direito à gratuidade.
o
§ 6 O direito à gratuidade da jus ça é pessoal, não se estendendo a li sconsorte ou a sucessor
do beneficiário, salvo requerimento e deferimento expressos.
§ 7o Requerida a concessão de gratuidade da jus ça em recurso, o recorrente estará
dispensado de comprovar o recolhimento do preparo, incumbindo ao relator, neste caso,
apreciar o requerimento e, se indeferi-lo, fixar prazo para realização do recolhimento.
Art. 100. Deferido o pedido, a parte contrária poderá oferecer impugnação na contestação, na
réplica, nas contrarrazões de recurso ou, nos casos de pedido superveniente ou formulado por
terceiro, por meio de pe ção simples, a ser apresentada no prazo de 15 (quinze) dias, nos autos
do próprio processo, sem suspensão de seu curso.
Parágrafo único. Revogado o bene cio, a parte arcará com as despesas processuais que ver
deixado de adiantar e pagará, em caso de má-fé, até o décuplo de seu valor a tulo de multa,
que será rever da em bene cio da Fazenda Pública estadual ou federal e poderá ser inscrita em
dívida a va.
Art. 101. Contra a decisão que indeferir a gratuidade ou a que acolher pedido de sua revogação
caberá agravo de instrumento, exceto quando a questão for resolvida na sentença, contra a
qual caberá apelação.
o
§ 1 O recorrente estará dispensado do recolhimento de custas até decisão do relator sobre a
questão, preliminarmente ao julgamento do recurso.
§ 2o Confirmada a denegação ou a revogação da gratuidade, o relator ou o órgão colegiado
determinará ao recorrente o recolhimento das custas processuais, no prazo de 5 (cinco) dias,
sob pena de não conhecimento do recurso.
Art. 102. Sobrevindo o trânsito em julgado de decisão que revoga a gratuidade, a parte deverá
efetuar o recolhimento de todas as despesas de cujo adiantamento foi dispensada, inclusive as
rela vas ao recurso interposto, se houver, no prazo fixado pelo juiz, sem prejuízo de aplicação
das sanções previstas em lei.
Parágrafo único. Não efetuado o recolhimento, o processo será ex nto sem resolução de 131
mérito, tratando-se do autor, e, nos demais casos, não poderá ser deferida a realização de
nenhum ato ou diligência requerida pela parte enquanto não efetuado o depósito.

CAPÍTULO III
DOS PROCURADORES

Art. 103. A parte será representada em juízo por advogado regularmente inscrito na Ordem dos
Advogados do Brasil.
Parágrafo único. É lícito à parte postular em causa própria quando ver habilitação legal.
Art. 104. O advogado não será admi do a postular em juízo sem procuração, salvo para evitar
preclusão, decadência ou prescrição, ou para pra car ato considerado urgente.
o
§ 1 Nas hipóteses previstas no caput, o advogado deverá, independentemente de caução, exibir a
procuração no prazo de 15 (quinze) dias, prorrogável por igual período por despacho do juiz.
§ 2o O ato não ra ficado será considerado ineficaz rela vamente àquele em cujo nome foi
pra cado, respondendo o advogado pelas despesas e por perdas e danos.
Art. 105. A procuração geral para o foro, outorgada por instrumento público ou par cular
assinado pela parte, habilita o advogado a pra car todos os atos do processo, EXCETO receber
citação, confessar, reconhecer a procedência do pedido, transigir, desis r, renunciar ao direito
sobre o qual se funda a ação, receber, dar quitação, firmar compromisso e assinar declaração
de hipossuficiência econômica, que devem constar de cláusula específica.
§ 1o A procuração pode ser assinada digitalmente, na forma da lei.
§ 2o A procuração deverá conter o nome do advogado, seu número de inscrição na Ordem dos
Advogados do Brasil e endereço completo.
§ 3o Se o outorgado integrar sociedade de advogados, a procuração também deverá conter o
nome dessa, seu número de registro na Ordem dos Advogados do Brasil e endereço completo.
o
§ 4 Salvo disposição expressa em sen do contrário constante do próprio instrumento, a
procuração outorgada na fase de conhecimento é eficaz para todas as fases do processo,
inclusive para o cumprimento de sentença.
Art. 106. Quando postular em causa própria, incumbe ao advogado:
I - declarar, na pe ção inicial ou na contestação, o endereço, seu número de inscrição na Ordem
dos Advogados do Brasil e o nome da sociedade de advogados da qual par cipa, para o
recebimento de in mações;
II - comunicar ao juízo qualquer mudança de endereço.
§ 1o Se o advogado descumprir o disposto no inciso I, o juiz ordenará que se supra a omissão, no
prazo de 5 (cinco) dias, antes de determinar a citação do réu, sob pena de indeferimento da
pe ção.
132
§ 2o Se o advogado infringir o previsto no inciso II, serão consideradas válidas as in mações
enviadas por carta registrada ou meio eletrônico ao endereço constante dos autos.
Art. 107. O advogado tem direito a:
I - examinar, em cartório de fórum e secretaria de tribunal, mesmo sem procuração, autos de
qualquer processo, independentemente da fase de tramitação, assegurados a obtenção de
cópias e o registro de anotações, salvo na hipótese de segredo de jus ça, nas quais apenas o
advogado cons tuído terá acesso aos autos;
II - requerer, como procurador, vista dos autos de qualquer processo, pelo prazo de 5 (cinco) dias;
III - re rar os autos do cartório ou da secretaria, pelo prazo legal, sempre que neles lhe couber
falar por determinação do juiz, nos casos previstos em lei.
§ 1o Ao receber os autos, o advogado assinará carga em livro ou documento próprio.
§ 2o Sendo o prazo comum às partes, os procuradores poderão re rar os autos somente em
conjunto ou mediante prévio ajuste, por pe ção nos autos.
§ 3o Na hipótese do § 2o, é lícito ao procurador re rar os autos para obtenção de cópias, pelo prazo de
2 (duas) a 6 (seis) horas, independentemente de ajuste e sem prejuízo da con nuidade do prazo.
o
§ 4 O procurador perderá no mesmo processo o direito a que se refere o § 3o se não devolver os
autos tempes vamente, salvo se o prazo for prorrogado pelo juiz.
CAPÍTULO IV
DA SUCESSÃO DAS PARTES E DOS PROCURADORES

Art. 108. No curso do processo, somente é lícita a sucessão voluntária das partes nos casos
expressos em lei.
Art. 109. A alienação da coisa ou do direito li gioso por ato entre vivos, a tulo par cular, não
altera a legi midade das partes.
o
§ 1 O adquirente ou cessionário não poderá ingressar em juízo, sucedendo o alienante ou
cedente, sem que o consinta a parte contrária.
§ 2o O adquirente ou cessionário poderá intervir no processo como assistente li sconsorcial do
alienante ou cedente.
o
§ 3 Estendem-se os efeitos da sentença proferida entre as partes originárias ao adquirente ou
cessionário.
Art. 110. Ocorrendo a morte de qualquer das partes, dar-se-á a sucessão pelo seu espólio ou
pelos seus sucessores, observado o disposto no art. 313, §§ 1o e 2o.
Art. 111. A parte que revogar o mandato outorgado a seu advogado cons tuirá, no mesmo ato,
outro que assuma o patrocínio da causa. 133
Parágrafo único. Não sendo cons tuído novo procurador no prazo de 15 (quinze) dias,
observar-se-á o disposto no art. 76.
Art. 112. O advogado poderá renunciar ao mandato a qualquer tempo, provando, na forma
prevista neste Código, que comunicou a renúncia ao mandante, a fim de que este nomeie
sucessor.
o
§ 1 Durante os 10 (dez) dias seguintes, o advogado con nuará a representar o mandante, desde
que necessário para lhe evitar prejuízo
§ 2o Dispensa-se a comunicação referida no caput quando a procuração ver sido outorgada a
vários advogados e a parte con nuar representada por outro, apesar da renúncia.

TÍTULO IV
DO JUIZ E DOS AUXILIARES DA JUSTIÇA

CAPÍTULO I
DOS PODERES, DOS DEVERES E DA RESPONSABILIDADE DO JUIZ

Art. 139. O juiz dirigirá o processo conforme as disposições deste Código, incumbindo-lhe:
I - assegurar às partes igualdade de tratamento;
II - velar pela duração razoável do processo;
III - prevenir ou reprimir qualquer ato contrário à dignidade da jus ça e indeferir postulações
meramente protelatórias;
IV - determinar todas as medidas indu vas, coerci vas, mandamentais ou sub-rogatórias
necessárias para assegurar o cumprimento de ordem judicial, inclusive nas ações que tenham
por objeto prestação pecuniária;
V - promover, a qualquer tempo, a autocomposição, preferencialmente com auxílio de
conciliadores e mediadores judiciais;
VI - dilatar os prazos processuais e alterar a ordem de produção dos meios de prova, adequando-os
às necessidades do conflito de modo a conferir maior efe vidade à tutela do direito;
VII - exercer o poder de polícia, requisitando, quando necessário, força policial, além da segurança
interna dos fóruns e tribunais;
VIII - determinar, a qualquer tempo, o comparecimento pessoal das partes, para inquiri-las sobre os
fatos da causa, hipótese em que não incidirá a pena de confesso;
IX - determinar o suprimento de pressupostos processuais e o saneamento de outros vícios
processuais;
X - quando se deparar com diversas demandas individuais repe vas, oficiar o Ministério Público, a
Defensoria Pública e, na medida do possível, outros legi mados a que se referem o art. 5o da Lei no 134
7.347, de 24 de julho de 1985, e o art. 82 da Lei no 8.078, de 11 de setembro de 1990, para, se for
o caso, promover a propositura da ação cole va respec va.
Parágrafo único. A dilação de prazos prevista no inciso VI somente pode ser determinada antes
de encerrado o prazo regular.
Art. 140. O juiz não se exime de decidir sob a alegação de lacuna ou obscuridade do ordenamento
jurídico.
Parágrafo único. O juiz só decidirá por equidade nos casos previstos em lei.
Art. 141. O juiz decidirá o mérito nos limites propostos pelas partes, sendo-lhe vedado conhecer
de questões não suscitadas a cujo respeito a lei exige inicia va da parte.
Art. 142. Convencendo-se, pelas circunstâncias, de que autor e réu se serviram do processo para
pra car ato simulado ou conseguir fim vedado por lei, o juiz proferirá decisão que impeça os
obje vos das partes, aplicando, de o cio, as penalidades da li gância de má-fé.
Art. 143. O juiz responderá, civil e regressivamente, por perdas e danos quando:
I - no exercício de suas funções, proceder com dolo ou fraude;
II - recusar, omi r ou retardar, sem justo mo vo, providência que deva ordenar de o cio ou a
requerimento da parte.
Parágrafo único. As hipóteses previstas no inciso II somente serão verificadas depois que a parte requerer
ao juiz que determine a providência e o requerimento não for apreciado no prazo de 10 (dez) dias.
CAPÍTULO II
DOS IMPEDIMENTOS E DA SUSPEIÇÃO

Art. 144. Há impedimento do juiz, sendo-lhe vedado exercer suas funções no processo:
I - em que interveio como mandatário da parte, oficiou como perito, funcionou como membro
do Ministério Público ou prestou depoimento como testemunha;
II - de que conheceu em outro grau de jurisdição, tendo proferido decisão;
III - quando nele es ver postulando, como defensor público, advogado ou membro do
Ministério Público, seu cônjuge ou companheiro, ou qualquer parente, consanguíneo ou afim,
em linha reta ou colateral, até o terceiro grau, inclusive;
IV - quando for parte no processo ele próprio, seu cônjuge ou companheiro, ou parente,
consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral, até o terceiro grau, inclusive;
V - quando for sócio ou membro de direção ou de administração de pessoa jurídica parte no
processo;
VI - quando for herdeiro presun vo, donatário ou empregador de qualquer das partes;
VII - em que figure como parte ins tuição de ensino com a qual tenha relação de emprego ou
decorrente de contrato de prestação de serviços;
135
VIII - em que figure como parte cliente do escritório de advocacia de seu cônjuge, companheiro
ou parente, consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral, até o terceiro grau, inclusive,
mesmo que patrocinado por advogado de outro escritório;
IX - quando promover ação contra a parte ou seu advogado.
o
§ 1 Na hipótese do inciso III, o impedimento só se verifica quando o defensor público, o
advogado ou o membro do Ministério Público já integrava o processo antes do início da
a vidade judicante do juiz.
o
§ 2 É vedada a criação de fato superveniente a fim de caracterizar impedimento do juiz.
o
§ 3 O impedimento previsto no inciso III também se verifica no caso de mandato conferido a
membro de escritório de advocacia que tenha em seus quadros advogado que
individualmente ostente a condição nele prevista, mesmo que não intervenha diretamente
no processo.
Art. 145. Há suspeição do juiz:
I - amigo ín mo ou inimigo de qualquer das partes ou de seus advogados;
II - que receber presentes de pessoas que verem interesse na causa antes ou depois de iniciado
o processo, que aconselhar alguma das partes acerca do objeto da causa ou que subministrar
meios para atender às despesas do li gio;
III - quando qualquer das partes for sua credora ou devedora, de seu cônjuge ou companheiro
ou de parentes destes, em linha reta até o terceiro grau, inclusive;
IV - interessado no julgamento do processo em favor de qualquer das partes.
§ 1o Poderá o juiz declarar-se suspeito por mo vo de foro ín mo, sem necessidade de declarar
suas razões.
o
§ 2 Será ilegí ma a alegação de suspeição quando:
I - houver sido provocada por quem a alega;
II - a parte que a alega houver pra cado ato que signifique manifesta aceitação do arguido.
Art. 146. No prazo de 15 (quinze) dias, a contar do conhecimento do fato, a parte alegará o
impedimento ou a suspeição, em pe ção específica dirigida ao juiz do processo, na qual indicará
o fundamento da recusa, podendo instruí-la com documentos em que se fundar a alegação e
com rol de testemunhas.
o
§ 1 Se reconhecer o impedimento ou a suspeição ao receber a pe ção, o juiz ordenará
imediatamente a remessa dos autos a seu subs tuto legal, caso contrário, determinará a
autuação em apartado da pe ção e, no prazo de 15 (quinze) dias, apresentará suas razões,
acompanhadas de documentos e de rol de testemunhas, se houver, ordenando a remessa do
incidente ao tribunal.
136
o
§ 2 Distribuído o incidente, o relator deverá declarar os seus efeitos, sendo que, se o incidente
for recebido:
I - sem efeito suspensivo, o processo voltará a correr;
II - com efeito suspensivo, o processo permanecerá suspenso até o julgamento do incidente.
o
§ 3 Enquanto não for declarado o efeito em que é recebido o incidente ou quando este for
recebido com efeito suspensivo, a tutela de urgência será requerida ao subs tuto legal.
§ 4o Verificando que a alegação de impedimento ou de suspeição é improcedente, o tribunal
rejeitá-la-á.
o
§ 5 Acolhida a alegação, tratando-se de impedimento ou de manifesta suspeição, o tribunal
condenará o juiz nas custas e remeterá os autos ao seu subs tuto legal, podendo o juiz recorrer
da decisão.
o
§ 6 Reconhecido o impedimento ou a suspeição, o tribunal fixará o momento a par r do qual o
juiz não poderia ter atuado.
o
§ 7 O tribunal decretará a nulidade dos atos do juiz, se pra cados quando já presente o mo vo
de impedimento ou de suspeição.
Art. 147. Quando 2 (dois) ou mais juízes forem parentes, consanguíneos ou afins, em linha reta ou
colateral, até o terceiro grau, inclusive, o primeiro que conhecer do processo impede que o outro
nele atue, caso em que o segundo se escusará, remetendo os autos ao seu subs tuto legal.
Art. 148. Aplicam-se os mo vos de impedimento e de suspeição:
I - ao membro do Ministério Público;
II - aos auxiliares da jus ça;
III - aos demais sujeitos imparciais do processo.
§ 1o A parte interessada deverá arguir o impedimento ou a suspeição, em pe ção fundamentada
e devidamente instruída, na primeira oportunidade em que lhe couber falar nos autos.
o
§ 2 O juiz mandará processar o incidente em separado e sem suspensão do processo, ouvindo o
arguido no prazo de 15 (quinze) dias e facultando a produção de prova, quando necessária.
§ 3o Nos tribunais, a arguição a que se refere o § 1o será disciplinada pelo regimento interno.
§ 4o O disposto nos §§ 1o e 2o não se aplica à arguição de impedimento ou de suspeição de
testemunha.

TÍTULO V
DO MINISTÉRIO PÚBLICO
137
Art. 176. O Ministério Público atuará na defesa da ordem jurídica, do regime democrá co e dos
interesses e direitos sociais e individuais indisponíveis.
Art. 177. O Ministério Público exercerá o direito de ação em conformidade com suas atribuições
cons tucionais.
Art. 178. O Ministério Público será in mado para, no prazo de 30 (trinta) dias, intervir como
fiscal da ordem jurídica nas hipóteses previstas em lei ou na Cons tuição Federal e nos
processos que envolvam:
I - interesse público ou social;
II - interesse de incapaz;
III - li gios cole vos pela posse de terra rural ou urbana.
Parágrafo único. A par cipação da Fazenda Pública não configura, por si só, hipótese de
intervenção do Ministério Público.
Art. 179. Nos casos de intervenção como fiscal da ordem jurídica, o Ministério Público:
I - terá vista dos autos depois das partes, sendo in mado de todos os atos do processo;
II - poderá produzir provas, requerer as medidas processuais per nentes e recorrer.
Art. 180. O Ministério Público gozará de prazo em dobro para manifestar-se nos autos, que terá
início a par r de sua in mação pessoal, nos termos do art. 183, § 1o.
§ 1o Findo o prazo para manifestação do Ministério Público sem o oferecimento de parecer, o juiz
requisitará os autos e dará andamento ao processo.
o
§ 2 Não se aplica o bene cio da contagem em dobro quando a lei estabelecer, de forma
expressa, prazo próprio para o Ministério Público.
Art. 181. O membro do Ministério Público será civil e regressivamente responsável quando agir
com dolo ou fraude no exercício de suas funções.

TÍTULO VI
DA ADVOCACIA PÚBLICA?

TÍTULO VII
DA DEFENSORIA PÚBLICA

Art. 185. A Defensoria Pública exercerá a orientação jurídica, a promoção dos direitos humanos
e a defesa dos direitos individuais e cole vos dos necessitados, em todos os graus, de forma
integral e gratuita.
Art. 186. A Defensoria Pública gozará de prazo em dobro para todas as suas manifestações
processuais. 138
o
§ 1 O prazo tem início com a in mação pessoal do defensor público, nos termos do art. 183, § 1o.
o
§ 2 A requerimento da Defensoria Pública, o juiz determinará a in mação pessoal da parte
patrocinada quando o ato processual depender de providência ou informação que somente
por ela possa ser realizada ou prestada.
§ 3o O disposto no caput aplica-se aos escritórios de prá ca jurídica das faculdades de Direito
reconhecidas na forma da lei e às en dades que prestam assistência jurídica gratuita em razão
de convênios firmados com a Defensoria Pública.
§ 4o Não se aplica o bene cio da contagem em dobro quando a lei estabelecer, de forma
expressa, prazo próprio para a Defensoria Pública.
Art. 187. O membro da Defensoria Pública será civil e regressivamente responsável quando agir
com dolo ou fraude no exercício de suas funções.
3.3. JURISPRUDÊNCIA

PRINCIPAIS SÚMULAS DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL SOBRE O TEMA

Súmula Vinculante 47 – Os honorários advoca cios incluídos na condenação ou destacados do


montante principal devido ao credor consubstanciam verba de natureza alimentar cuja
sa sfação ocorrerá com a expedição de precatório ou requisição de pequeno valor, observada
ordem especial restrita aos créditos dessa natureza.
Súmula 616 do STF - É permi da a cumulação da multa contratual com os honorários de
advogado, após o advento do Código de Processo Civil vigente.
OBS: Ressalte-se que o Código a que se refere a súmula é o CPC 1973. Na vigência do CPC 2015,
contudo, o entendimento exposto persiste.
Súmula 450 do STF - São devidos honorários de advogado sempre que vencedor o beneficiário
de jus ça gratuita.
Súmula 257 do STF - São cabíveis honorários de advogado na ação regressiva do segurador
contra o causador do dano.
Súmula 72 do STF - No julgamento de questão cons tucional, vinculada a decisão do Tribunal 139
Superior Eleitoral, não estão impedidos os ministros do Supremo Tribunal Federal que ali
tenham funcionado no mesmo processo, ou no processo originário.

PRINCIPAIS SÚMULAS DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA SOBRE O TEMA

Súmula 519 do STJ - Na hipótese de rejeição da impugnação ao cumprimento de sentença, não


são cabíveis honorários advoca cios.
Súmula 517 do STJ - São devidos honorários advoca cios no cumprimento de sentença, haja ou
não impugnação, depois de escoado o prazo para pagamento voluntário, que se inicia após a
in mação do advogado da parte executada.
Súmula 483 do STJ - O INSS não está obrigado a efetuar depósito prévio do preparo por gozar das
prerroga vas e privilégios da Fazenda Pública.
Súmula 481 do STJ - Faz jus ao bene cio da jus ça gratuita a pessoa jurídica com ou sem fins
lucra vos que demonstrar sua impossibilidade de arcar com os encargos processuais.
Súmula 421 do STJ - Os honorários advoca cios não são devidos à Defensoria Pública quando
ela atua contra a pessoa jurídica de direito público à qual pertença.
Súmula 345 do STJ - São devidos honorários advoca cios pela Fazenda Pública nas execuções
individuais de sentença proferida em ações cole vas, ainda que não embargadas.
Súmula 201 do STJ - Os honorários advoca cios não podem ser fixados em salários-mínimos.
Súmula 196 do STJ - Ao executado que, citado por edital ou por hora certa, permanecer revel,
será nomeado curador especial, com legi midade para apresentação de embargos.
Súmula 153 do STJ – A desistência da execução fiscal, após o oferecimento dos embargos, não
exime o exequente dos encargos da sucumbência.
Súmula 105 do STJ - Na ação de mandado de segurança não se admite condenação em
honorários advoca cios.
Súmula 14 do STJ - Arbitrados os honorários advoca cios em percentual sobre o valor da causa,
a correção monetária incide a par r do respec vo ajuizamento.

PRINCIPAIS JULGADOS DOS TRIBUNAIS SUPERIORES A PARTIR DE 2015

HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. Advogado deve receber seus honorários calculados sobre o


total do precatório, antes de ser realizada eventual compensação de crédito. O advogado deve
receber os honorários contratuais calculados sobre o valor global do precatório decorrente da
condenação da União ao pagamento a Município da complementação de repasses ao Fundo de
Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério 140
(FUNDEF), e não sobre o montante que venha a sobrar após eventual compensação de crédito
de que seja tular o Fisco federal. (REsp 1.516.636/PE, Primeira Turma, Rel. Ministro Napoleão
Nunes Maia Filho, DJe 13/02/2017. Informa vo 597-STJ.2017).
PRIMEIRA TURMA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO E CONDENAÇÃO EM HONORÁRIOS
ADVOCATÍCIOS. Após 18 de março de 2016, data do início da vigência do Novo Código de
Processo Civil, é possível condenar a parte sucumbente em honorários advoca cios na
hipótese de o recurso de embargos de declaração não atender os requisitos previstos no art.
1.022 do referido diploma e tampouco se enquadrar em situações excepcionais que
autorizem a concessão de efeitos infringentes, tendo em vista o disposto no ar go 85, §§11 do
NCPC. Veja que o referido disposi vo legal não faz qualquer dis nção à espécie entre a espécie
de recurso, permi ndo, portanto, a majoração dos honorários fixados em sede de Embargos de
Declaração no Tribunal (o que não acontece em primeiro grau de jurisdição) (RE 929925 AgR-
ED/RS, rel. Min. Luiz Fux, 7.6.2016. Informa vo 829).
PRIMEIRA TURMA. NOVO CPC E AÇÃO ORIGINÁRIA SEM PREVISÃO DE HONORÁRIOS.
Descabe a fixação de honorários recursais, preconizados no art. 85, § 11, do CPC/2015 (“Art.
85. A sentença condenará o vencido a pagar honorários ao advogado do vencedor. ... § 11. O
tribunal, ao julgar recurso, majorará os honorários fixados anteriormente levando em conta o
trabalho adicional realizado em grau recursal, observando, conforme o caso, o disposto nos
§§ 2º a 6º, sendo vedado ao tribunal, no cômputo geral da fixação de honorários devidos ao
advogado do vencedor, ultrapassar os respec vos limites estabelecidos nos §§ 2º e 3º para a
fase de conhecimento”), na hipótese de recurso extraordinário formalizado no curso de
processo cujo rito os exclua. Ou seja, se a ação originária não ver previsão de condenação em
honorários advoca cios (mandado de segurança, por exemplo [art. 25 da Lei nº 12.016/2009]), os
recursos subsequentes também não o terão (STF. 1ª Turma. ARE 948578 AgR/RS, ARE 951589
AgR/PR e ARE 952384 AgR/MS, Rel. Min. Marco Aurélio, julgados em 21/6/2016. Informa vo 831).
PLENÁRIO. HONORÁRIOS RECURSAIS E NÃO APRESENTAÇÃO DE CONTRARRAZÕES OU
CONTRAMINUTA. É cabível a fixação de honorários recursais, prevista no art. 85, § 11, do novo
Código de Processo Civil, mesmo quando não apresentadas contrarrazões ou contraminuta
pelo advogado (“Art. 85. A sentença condenará o vencido a pagar honorários ao advogado do
vencedor. (...) § 11. O tribunal, ao julgar recurso, majorará os honorários fixados
anteriormente levando em conta o trabalho adicional realizado em grau recursal,
observando, conforme o caso, o disposto nos §§ 2o a 6o, sendo vedado ao tribunal, no
cômputo geral da fixação de honorários devidos ao advogado do vencedor, ultrapassar os
respec vos limites estabelecidos nos §§ 2o e 3o para a fase de conhecimento”) (STF. Plenário.
AO 2063 AgR/CE , rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Luiz Fux, julgado em
18/5/2017. Informa vo 865).
QUARTA TURMA. DIREITO PROCESSUAL CIVIL. ATUAÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO COMO
DEFENSOR DO INTERDITANDO. Nas ações de interdição não ajuizadas pelo MP, a função de 141
defensor do interditando deverá ser exercida pelo próprio órgão ministerial, não sendo
necessária, portanto, nomeação de curador à lide (STJ. 4ª Turma. REsp 1.099.458-PR, Rel. Min.
Maria Isabel Gallo , julgado em 2/12/2014. Informa vo 553).
SEGUNDA SEÇÃO. DIREITO PROCESSUAL CIVIL. ALCANCE DA REGRA DE ISENÇÃO DE CUSTAS
PROCESSUAIS DA LACP E DO CDC. Não é possível estender a regra de isenção prevista no art. 18
da Lei 7.347/1985 (LACP) e no art. 87 da Lei 8.078/1990 (CDC) à propositura de ações ou
incidentes processuais que não estão previstos nos referidos ar gos. Isso porque a regra con da
nos referidos disposi vos legais - que isenta o autor de ações civis públicas e de ações cole vas do
adiantamento de custas, emolumentos, honorários periciais e quaisquer outras despesas -, por ser
regra de isenção tributária, deve ser interpretada restri vamente (art. 111 do CTN) (STJ. 2ª Seção.
PET 9.892-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 11/2/2015 (Info 556)).
CORTE ESPECIAL. DIREITO PROCESSUAL CIVIL. EFICÁCIA DA CONCESSÃO DE ASSISTÊNCIA
JUDICIÁRIA GRATUITA. Quando a assistência judiciária gratuita for deferida, a eficácia da
concessão do bene cio prevalecerá, independentemente de renovação de seu pedido, em
todas as instâncias e para todos os atos do processo - alcançando, inclusive, as ações
incidentais ao processo de conhecimento, os recursos, as rescisórias, assim como o
subsequente processo de execução e eventuais embargos à execução -, somente perdendo
sua eficácia por expressa revogação pelo Juiz ou Tribunal, tendo em vista a ausência de
qualquer exigência legal neste sen do (AgRg nos EAREsp 86.915-SP, Rel. Min. Raul Araújo,
julgado em 26/2/2015, DJe 4/3/2015. Informa vo 557).
CORTE ESPECIAL. DIREITO PROCESSUAL CIVIL. LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ E DESNECESSIDADE DE
PROVA DE PREJUÍZO. É desnecessária a comprovação de prejuízo para que haja condenação ao
pagamento de indenização por li gância de má-fé (art. 18, caput e § 2º, do CPC – art. 81 e §3º do
NCPC), eis que a lei só exige que haja um prejuízo, potencial ou presumido. Observa-se que a
exigência de comprovação do prejuízo pra camente impossibilitaria a aplicação do comando
norma vo em análise, comprometendo a sua eficácia, por se tratar de prova extremamente di cil
de ser produzida pela parte que se sen r a ngida pelo dano processual (STJ. Corte Especial. EREsp
1.133.262-ES, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 3/6/2015 (Info 565)).
TERCEIRA TURMA. DIREITO PROCESSUAL CIVIL. IMPOSSIBILIDADE DE CONDENAÇÃO IMPLÍCITA
EM HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. Não cabe a execução de honorários advoca cios com base na
expressão "inver dos os ônus da sucumbência" empregada por acórdão que, anulando
sentença de mérito que fixara a verba honorária em percentual sobre o valor da condenação,
ex nguiu o processo sem resolução de mérito. Todavia, nada impede que o advogado pleiteie o
recebimento dos honorários em ação autônoma, na forma do ar go 85, §18, do NCPC (STJ. 3ª
Turma. REsp 1.285.074-SP, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 23/6/2015 (Info 565)).
PRIMEIRA TURMA. DIREITO PROCESSUAL CIVIL. DESERÇÃO E ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA. Não
se aplica a pena de deserção a recurso interposto contra julgado que indeferiu o pedido de
jus ça gratuita. Se a controvérsia posta sob análise judicial diz respeito justamente à alegação 142
do recorrente de que ele não dispõe de condições econômico-financeiras para arcar com os
custos da demanda, não faz sen do considerar deserto o recurso, uma vez que ainda está sob
análise o pedido de assistência judiciária e, caso seja deferido, neste momento, o efeito da
decisão retroagirá até o período da interposição do recurso e suprirá a ausência do
recolhimento e, caso seja indeferido, deve ser dada oportunidade de regularização do preparo
(STJ. Corte Especial. AgRg nos EREsp 1.222.355-MG, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em
4/11/2015 (Info 574)). OBS: Atualmente, a questão é regulamentada pelo ar go 101, §§1º e 2º
do NCPC (Art. 101. Contra a decisão que indeferir a gratuidade ou a que acolher pedido de sua
revogação caberá agravo de instrumento, exceto quando a questão for resolvida na sentença,
contra a qual caberá apelação. § 1o O recorrente estará dispensado do recolhimento de custas
até decisão do relator sobre a questão, preliminarmente ao julgamento do recurso. § 2o
Confirmada a denegação ou a revogação da gratuidade, o relator ou o órgão colegiado
determinará ao recorrente o recolhimento das custas processuais, no prazo de 5 (cinco) dias,
sob pena de não conhecimento do recurso.
CORTE ESPECIAL. DIREITO PROCESSUAL CIVIL. PEDIDO DE ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA GRATUITA EM
SEDE RECURSAL. É possível a formulação de pedido de assistência judiciária gratuita na própria
pe ção recursal, dispensando-se a exigência de pe ção avulsa, quando não houver prejuízo ao
trâmite normal do processo (AgRg nos EREsp 1.222.355-MG, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em
4/11/2015, DJe 25/11/2015. Informa vo 574). OBS: Atualmente, o próprio ar go 99 do NCPC traz
esta possibilidade (Art. 99. O pedido de gratuidade da jus ça pode ser formulado na pe ção inicial,
na contestação, na pe ção para ingresso de terceiro no processo ou em recurso).
PRIMEIRA SEÇÃO. DIREITO PROCESSUAL CIVIL. SUSPEIÇÃO POR MOTIVO SUPERVENIENTE. A
autodeclaração de suspeição realizada por magistrado em virtude de mo vo superveniente
não importa em nulidade dos atos processuais pra cados em momento anterior ao fato
ensejador da suspeição. Isso porque essa declaração não gera efeitos retroa vos (STJ. 1ª
Seção. PET no REsp 1.339.313-RJ, Rel. Min. Sérgio Kukina, Rel. para acórdão Min. Assusete
Magalhães, julgado em 13/4/2016 (Info 587)).
SEGUNDA TURMA. DIREITO PROCESSUAL CIVIL. POSSIBILIDADE DE CONCESSÃO DE
ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA GRATUITA AO CONTRATANTE DE SERVIÇOS ADVOCATÍCIOS AD
EXITUM. É possível o deferimento de assistência judiciária gratuita a jurisdicionado que tenha
firmado com seu advogado contrato de honorários com cláusula ad exitum, tendo em vista
que esta exigência de declaração de patrocínio gratuito incondicional não encontra assento em
qualquer disposi vo legal, afrontando o princípio plasmado no art. 5º, II, da CRFB (STJ. 2ª Turma.
REsp 1.504.432-RJ, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 13/9/2016 (Info 590)).
DIREITO PROCESSUAL CIVIL. MANDADO DE SEGURANÇA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS
RECURSAIS. NÃO CABIMENTO. O art. 25 da Lei n. 12.016/2009, que estabelece regra de
descabimento de condenação em honorários advoca cios "NO PROCESSO MANDAMENTAL",
afasta a incidência do regime do art. 85, § 11, do CPC/2015 (STJ. 2ª Turma. RMS 52.024-RJ, Rel.
Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 6/10/2016 (Info 592)). 143
TERCEIRA TURMA. DIREITO PROCESSUAL CIVIL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA.
CONDENAÇÃO AO PAGAMENTO DE CUSTAS PROCESSUAIS. HONORÁRIOS PERICIAIS.
INCLUSÃO. ART. 20, § 2º, DO CPC/73 (arts. 82, §2º e 84, do NCPC). É adequada a inclusão dos
honorários periciais em conta de liquidação mesmo quando o disposi vo de sentença com
trânsito em julgado condena o vencido, genericamente, ao pagamento de custas processuais.
Sabe-se que que as custas são espécies do gênero "despesas", sendo essas mais amplas
(abrangendo, v.g., honorários de advogado) e aquelas mais restritas à retribuição aos
serventuários ou aos demais auxiliares da jus ça”. Contudo, a interpretação do art. 20, § 2º, do
CPC/73 (arts. 82, §2º e 84, do NCPC) deve ser realizada de maneira sistemá ca com a própria
lógica processual civil moderna, de modo a superar o destemperado apego formalista, em
pres gio da solução justa da crise de direito material levada ao Judiciário. Nessa ordem de
ideias, “o processo deve dar a quem tem direito tudo aquilo e precisamente aquilo a que tem
direito” (REsp 1.558.185-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, por unanimidade, julgado em 2/2/2017,
DJe 16/2/2017. Informa vo 598).
TERCEIRA TURMA. DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO DE USUCAPIÃO ESPECIAL
URBANA. BENEFÍCIOS DA JUSTIÇA E DA ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA GRATUITA. PRESUNÇÃO
RELATIVA DE HIPOSSUFICIÊNCIA. É rela va a presunção de hipossuficiência do autor em ação
de usucapião especial urbana e, por isso, é ilidida a par r da comprovação inequívoca de que
o autor não pode ser considerado "necessitado", sendo certo que o art. 12, § 2º, da Lei nº
10.257/2001 não criou uma hipótese de concessão de bene cios da jus ça gratuita
completamente dissociada das normas processuais que regem o tema. O referido disposi vo
legal, portanto, deve ser interpretado em conjunto e em harmonia com as disposições dos arts.
art. 98 a 102 do CPC/2015 (STJ. 3ª Turma. REsp 1.517.822-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva,
julgado em 21/2/2017 (Info 599)).
TERCEIRA TURMA. DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO DE COBRANÇA. PAGAMENTO DO
DÉBITO POR TERCEIRO. EXTINÇÃO DO PROCESSO, SEM RESOLUÇÃO DO MÉRITO, POR PERDA
SUPERVENIENTE DE INTERESSE PROCESSUAL. CONDENAÇÃO AO PAGAMENTO DOS ÔNUS DA
SUCUMBÊNCIA. RATEIO ENTRE AS PARTES. Nas hipóteses de ex nção do processo sem
resolução de mérito provocada pela perda do objeto da ação em razão de ato de terceiro e
sem que exista a possibilidade de se saber qual dos li gantes seria sucumbente se o mérito da
ação fosse julgado, o pagamento das custas e dos honorários advoca cios deve ser rateado
entre as partes (STJ. 3ª Turma. REsp 1.641.160-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em
16/3/2017 (Info 600)).
TERCEIRA TURMA. DIREITO PROCESSUAL CIVIL. LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ. DANO PROCESSUAL.
DESNECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO PARA APLICAÇÃO DA MULTA A QUE ALUDE O ART. 18
DO CPC/1973. O dano processual não é pressuposto para a aplicação da multa por li gância
de má-fé a que alude o art. 18 do CPC/1973. A multa aplicada reflete mera sanção processual,
que não tem o obje vo de indenizar a parte adversa e, por esse mo vo, não exige, para sua 144
aplicação, a comprovação inequívoca da ocorrência de dano processual (STJ. 3ª Turma. REsp
1.628.065-MG, Rel. Min. Nancy Andrighi, Rel. p/acórdão Min. Paulo de Tarso Sanseverino,
julgado em 21/2/2017 (Info 601)).
QUARTA TURMA. DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO DE ARBITRAMENTO DE HONORÁRIOS
ADVOCATÍCIOS. EXISTÊNCIA E PREVISÃO EXPRESSA DE REMUNERAÇÃO AD EXITUM.
CAUSÍDICO QUE RENUNCIOU AOS PODERES ANTES DO ENCERRAMENTO DAS DEMANDAS
RELACIONADAS AOS SERVIÇOS CONTRATADOS. Nos contratos em que es pulado o êxito
como condição remuneratória dos serviços advoca cios prestados, a renúncia do patrono
originário, antes do julgamento defini vo da causa, não lhe confere o direito imediato ao
arbitramento de verba honorária proporcional ao trabalho realizado, revelando-se
necessário aguardar o desfecho processual posi vo para a apuração da quan a devida, uma
vez que a vitória processual cons tui condição suspensiva, cujo implemento é obrigatório para
que o advogado faça jus à devida remuneração. Em outras palavras, o direito aos honorários
somente é adquirido com a ocorrência de um evento futuro e incerto (o sucesso na demanda),
nos termos dos ar gos 121 e 125 do Código Civil (STJ. 4ª Turma. REsp 1.337.749-MS, Rel. Min.
Luis Felipe Salomão, julgado em 14/2/2017 (Info 601)).
SEGUNDA TURMA. DIREITO PROCESSUAL CIVIL. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. NATUREZA
JURÍDICA. LEI NOVA. MARCO TEMPORAL PARA A APLICAÇÃO DO CPC/2015. PROLAÇÃO DA
SENTENÇA. Os honorários advoca cios nascem contemporaneamente à sentença e não
preexistem à propositura da demanda, devendo observar as normas do CPC/2015 nos casos
de decisões proferidas a par r de 18/3/2016, uma vez que a sucumbência é regida pela lei
vigente na data da sentença, sendo certo que os honorários nascem contemporaneamente à
sentença e não preexistem à propositura da demanda. Assim sendo, aplicar-se-ão as normas do
CPC/2015 nos casos de sentença proferida a par r de sua vigência (18/3/2016) (STJ. 2ª Turma.
REsp 1.636.124-AL, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 6/12/2016 (Info 602)).

145
4
DIREITO CIVIL 146
(conteúdo atualizado em 09-09-2017)

Das pessoas naturais. Da personalidade.


Da capacidade. Dos direitos da personalidade.
Da ausência. Das pessoas jurid ́ icas.
Da desconsideraçaõ da personalidade jurid ́ ica.
Do domiciĺ io. (Item 2)
Apresentação

Caros(as) alunos(as),
Nesta rodada, abordaremos o início do Livro I da Parte Geral de Direito Civil, com foco
nos arts. 1º a 69 do Código Civil de 2002, que versam sobre pessoas naturais e pessoas jurídicas.
Conforme análise dos úl mos editais e provas de magistratura estadual, essas
matérias têm BAIXA RELEVÂNCIA, devendo o estudo priorizar a legislação e a doutrina. Na prova
do TJ-SC 2017 – FCC, 1 (uma) questão envolveu pessoa natural, versando sobre NOME
ENQUANTO DIREITO DA PERSONALIDADE. Na prova do TJ-SP 2017 – VUNESP, igualmente 1
(uma) questão tratou de pessoa natural, ar culando com direito sucessório, ao abordar
COMORIÊNCIA e LEGITIMIDADE SUCESSÓRIA.
Vamos aos estudos?

Saudações civilistas,
Professora Camila Gonçalves 147
@profacamilagoncalves
4.1 DOUTRINA (RESUMO)

4.1.1 DAS PESSOAS NATURAIS

4.1.1.1 INTRODUÇÃO

O Código Civil de 2002, logo em seu art. 1º, conceitua pessoa como quem tem
capacidade para ser sujeito de direitos e de deveres na ordem civil. Para ser pessoa, no entanto,
é necessário ter personalidade jurídica, que seria justamente essa ap dão genérica de orbitar
nas relações jurídicas.

OBSERVAÇÃO!
O ordenamento jurídico brasileiro confere personalidade apenas às pessoas sicas e jurídicas.
No Brasil, os animais ainda são considerados coisas. Está em trâmite, no entanto, o Projeto de
Lei 3670/15, do Senado, que estabelece que animais não sejam considerados coisas, mas bens
móveis (vide art. 1.313, CC/2002). A proposta, do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), altera
o Código Civil ao prever uma nova natureza jurídica dos animais. Parece ser esse mais um passo
para um tratamento diferenciado dos animais.

148
Para compreensão de personalidade jurídica, inicialmente, abordaremos as questões
rela vas à pessoa natural, sica ou humana, devendo os termos serem dos por sinônimos.

4.1.1.2 MOMENTO DA AQUISIÇÃO DA PERSONALIDADE DA PESSOA NATURAL E A QUESTÃO


DO NASCITURO

No ordenamento jurídico brasileiro, conforme art. 2º, “a personalidade civil da pessoa


começa do nascimento com vida; mas a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro”.

OBSERVAÇÃO!

Não confundir pessoa sica com ente biologicamente criado, eis que sua disciplina, ainda
lacunar devido a não previsão expressa, demanda esforço dos estudiosos do biodireito.
Estamos a falar aqui das técnicas de reprodução assis da, por exemplo, que viabilizam a
manipulação de material gené co, como na fer lização in vitro. Sobre esses casos, daremos
maior enfoque quando do estudo de Direito de Família e Direito Sucessório.

Por nascimento com vida deve-se compreender o instante em que principia o


funcionamento do aparelho cardiorrespitatório, uma vez que o art. 2º do CC/2002 se alinhou à
teoria natalista.

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ATENÇÃO!

A situação do nascituro é complexa, havendo divergência sobre a sua categorização jurídica. Na


tenta va de jus ficar sua peculiar situação, três correntes se desenvolveram:
TEORIA NATALISTA OU NEGATIVISTA Para esta teoria, o nascituro não poderia ser considerado
pessoa, pois o CC/2002, para outorgar personalidade, exige o nascimento com vida.
CRÍTICA À TEORIA: essa teoria não qualifica juridicamente o nascituro.
TEORIA DA PERSONALIDADE CONDICIONAL OU CONDICIONALISTA Para esta teoria, a
personalidade do nascituro começa com o nascimento com vida, mas seus direitos estão
sujeitos a uma condição suspensiva, ou seja, são direitos eventuais.
CRÍTICA À TEORIA: essa teoria dedica-se a questões e direitos patrimoniais, descurando dos
direitos existenciais e da personalidade. Há quem defenda que a presente teoria é, na verdade,
essencialmente natalista, não sendo uma espécie de teoria mista, como alguns autores defendem.
TEORIA CONCEPCIONISTA Para esta teoria, o nascituro é pessoa humana, tendo direitos
resguardados por lei. Sobre o assunto, veja o Enunciado 1 das Jornadas de Direito Civil: “A
proteção que o Código defere ao nascituro alcança o na morto no que concerne aos direitos da
personalidade, tais como: nome, imagem e sepultura”.
Maria Helena Diniz ensina que a personalidade jurídica do nascituro pode ser formal 149
(relacionada aos direitos da personalidade, desde a concepção) ou material (relacionada aos
direitos patrimoniais, que só são adquiridos com o nascimento com vida). Sobre o assunto, vide
Info 547 do STJ, bem como ADIn 3.510 do STF que julgou cons tucional a Lei de Biossegurança,
no sen do de viabilizar a pesquisa em células-tronco.

Apesar da adoção pelo CC/2002 da teoria natalista, é possível antever na legislação em


vigor, tutelas específicas em prol do nascituro. Vejamos algumas hipóteses:

1º) tular de direitos personalíssimos (vida, integridade sica, proteção à fase pré-
natal...) – ex. vedação de aborto (arts. 121 a 128 do CP), com as exceções de aborto
necessário/terapêu co, sen mental/humanitário, de feto anencéfalo;
2º) receber doação (art. 542, CC/2002);
3º) pode ser beneficiado por legado ou herança (art. 1.798, CC/2002);
4º) pode ser-lhe nomeado curador para a defesa dos seus interesses;
5º) tem direito à realização de exame de DNA para efeito de aferição de sua
paternidade;
6º) alimentos gravídicos (Lei 11.804/2008);
7º) direito a danos morais;
8º) tutelar os alimentos do nascituro, via estabilidade da gestante (Súmula 244 do TST);
9º) Morte de nascituro gera o pagamento de DPVAT.
ATENÇÃO!

ATENÇÃO! Em 2016, a Primeira Turma do STF, no julgamento do HC nº 124.306, por meio do


voto vista do Min. Luís Roberto Barroso, entendeu que a interrupção gestacional até o 3º mês de
gravidez não poderá ser equiparada ao crime de aborto.

4.1.1.3. DO REGISTRO DE NASCIMENTO (LEI DE REGISTROS PÚBLICOS – 6.015/1973)

Após o nascimento com vida, conforme a Lei de Registros Públicos (LRP), deve ser
realizado o registro da pessoa natural. O art. 50 da LRP prescreve que todo nascimento que
ocorrer no território nacional deverá ser dado a registro, no lugar em que ver ocorrido o parto
ou no lugar da residência dos pais, dentro do prazo de quinze dias, que será ampliado em até
três meses para os lugares distantes mais de trinta quilômetros da sede do cartório.

ATENÇÃO!

ATENÇÃO! Os índios, enquanto não integrados, não estão obrigados a inscrição do nascimento.
Este poderá ser feito em livro próprio do órgão federal de assistência aos índios (art. 50, §2º, LRP).

O registro deve conter os requisitos do art. 54 da LRP, a saber: 150

1°) o dia, mês, ano e lugar do nascimento e a hora certa, sendo possível determiná-la,
ou aproximada;
2º) o sexo do registrando; (Redação dada pela Lei nº 6.216, de 1975).
3º) o fato de ser gêmeo, quando assim ver acontecido;
4º) o nome e o prenome, que forem postos à criança;
5º) a declaração de que nasceu morta, ou morreu no ato ou logo depois do parto;
6º) a ordem de filiação de outros irmãos do mesmo prenome que exis rem ou
verem exis do;
7º) os nomes e prenomes, a naturalidade, a profissão dos pais, o lugar e cartório onde
se casaram, a idade da genitora, do registrando em anos completos, na ocasião do
parto, e o domicílio ou a residência do casal. (Redação dada pela Lei nº 6.140, de 1974)
8º) os nomes e prenomes dos avós paternos e maternos;
9º) os nomes e prenomes, a profissão e a residência das duas testemunhas do
assento, quando se tratar de parto ocorrido sem assistência médica em residência
ou fora de unidade hospitalar ou casa de saúde; (Redação dada pela Medida
Provisória nº 776, de 2017)
10º) número de iden ficação da Declaração de Nascido Vivo, com controle do dígito
verificador, exceto na hipótese de registro tardio previsto no art. 46 desta Lei; e
(Redação dada pela Medida Provisória nº 776, de 2017)
11º) a naturalidade do registrando.

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São legi madas para proceder ao registro as pessoas elencadas no art. 52 da LRP, a
saber:

1º) o pai ou a mãe, isoladamente ou em conjunto, observado o disposto no §2º do art. 54;
(Redação dada pela Lei nº 13.112, de 2015)
2º) no caso de falta ou de impedimento de um dos indicados no item 1º, outro indicado, que
terá o prazo para declaração prorrogado por 45 (quarenta e cinco) dias; (Redação dada
pela Lei nº 13.112, de 2015)
3º) no impedimento de ambos, o parente mais próximo, sendo maior achando-se
presente;
4º) em falta ou impedimento do parente referido no número anterior, os administradores
de hospitais ou os médicos e parteiras, que verem assis do o parto;
5º) pessoa idônea da casa em que ocorrer, sendo fora da residência da mãe;
6º) finalmente, as pessoas (VETADO) encarregadas da guarda do menor.(Redação dada
pela Lei nº 6.216, de 1975).

ATENÇÃO!

O Provimento 52 do Conselho Nacional de Jus ça (CNJ) firma a possibilidade do registro direto


de nascimento nas hipóteses de técnica de reprodução assis da, independentemente de
151
prévia decisão judicial.

Para fins de diferenciação da pessoa sica e da pessoa jurídica, o registro de


nascimento daquela é ato meramente declaratório, uma vez que a personalidade em si fora
adquirida com o nascimento com vida. Já o registro da pessoa jurídica, que será doravante
estudado, possui natureza cons tu va da personalidade desta, conforme art. 45 do CC/2002.
Por fim, importante destacar que a Cons tuição Federal de 1988 garante a gratuidade
do registro de nascimento e da cer dão de óbito (art. 5º, LXXVI, e Lei 9.534/97) para os
reconhecidamente pobres na forma da lei.

4.1.1.4. CAPACIDADE

A capacidade é a medida da personalidade jurídica, dividindo-se em capacidade de


direito ou gozo e capacidade de fato, a vidade ou exercício. A cumulação da capacidade de
direito ou gozo com a capacidade de fato, a vidade ou exercício perfaz na pessoa a capacidade
civil plena, estando plenamente habilitada para todos os atos da vida civil.

CAPACIDADE CAPACIDADE CAPACIDADE


+ =
DE DIREITO DE FATO CIVIL PLENA
4.1.1.4.1. Capacidade de direito

É a capacidade genérica, adquirida juntamente com a personalidade. Trata-se de


atributo inerente à condição humana, podendo ser compreendida como a ap dão para
contrair direitos e deveres na ordem jurídica, na qualidade de sujeito.

4.1.1.4.2. Capacidade de fato

Como esclarecido, a capacidade de direito está presente em todos os seres humanos.


Contudo, nem todos possuem a capacidade de fato, que se traduz na possibilidade de,
pessoalmente, pra car e exercer os atos da vida civil.
Para atribuir capacidade de fato ao indivíduo, o Código Civil exige autodeterminação e
discernimento do sujeito, de modo que este tenha condições sicas e psíquicas de
compreender as consequências de seus atos.
Aqueles a quem não é deferida a capacidade de fato são chamados de incapazes.

ATENÇÃO!

Em situações específicas, mesmo detendo capacidade civil plena, a legislação exige da pessoa 152
sica autorização para prá ca de determinados atos. Nessas hipóteses, fala-se em legi mação,
capacidade específica, negocial ou privada (ex. vênia conjugal – art. 1.647, CC/2002). Também
não se deve confundir com a legi midade, que é uma das condições da ação no âmbito do
processo civil. Em suma, temos:
Capacidade civil plena Legi mação Legi midade

4.1.1.4.3. Teoria das incapacidades

Conforme exposto, são considerados incapazes aqueles que não detêm capacidade de fato.
Todavia, essa carência não a nge a capacidade de direito ou mesmo os direitos da personalidade.
Na atual codificação civil, a incapacidade pode decorrer de um critério obje vo
(cronológico) ou de um critério subje vo (psicológico).
Se o primeiro critério se afere facilmente com a verificação da idade via documentos
oficiais, por exemplo, o segundo critério demanda um processo de interdição, chamado de
curatela extraordinária (art. 84 do Estatuto da Pessoa com Deficiência [EPD] – Lei 13.146/2015).

4.1.1.4.4. Incapacidade absoluta

Com o advento do Estatuto da Pessoa com Deficiência – Lei 13.146/2015, agora é


considerado absolutamente incapaz apenas aquele menor de 16 anos (menores impúberes).

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Embora a codificação considere, para estabelecer a incapacidade, um critério etário
que leva em conta a presumida falta de maturidade desses jovens, o Enunciado 138 das
Jornadas de Direito Civil prescreve que “a vontade dos absolutamente incapazes, na hipótese
do inc. I do art. 3º, é juridicamente relevante na concre zação de situações existenciais a eles
concernentes, desde que demonstrem discernimento bastante para tanto”. Um exemplo
prá co do previsto no Enunciado é o que dispõe o art. 28, §2º, do ECA, que, em se tratando de
maior de 12 (doze) anos de idade, será necessário seu consen mento, colhido em audiência,
para a colocação em família subs tuta (adoção).
Em suma, os absolutamente incapazes, diante da ausência de capacidade de fato,
deverão ser representados, sob pena de nulidade dos atos pra cados, conforme preceitua o
art. 166, CC/2002.

ATENÇÃO!

Enquanto os absolutamente incapazes devem ser representados, os rela vamente incapazes


devem ser assis dos. Para não esquecer dessas regras, grave o seguinte anagrama:
A.I.R.à Absolutamente Incapazes são Representados
R.I.A.à Rela vamente Incapazes são Assis dos
153
Por fim, importante destacar os seguintes aspectos:

· O condenado criminalmente não perde sua capacidade civil;

· A senilidade com a condição de idoso não importa na incapacidade;

· O falido não perde sua capacidade civil.

4.1.1.4.5. Incapacidade rela va

Por força do Estatuto da Pessoa com Deficiência – Lei 13.146/2015, o art. 4º do CC foi
sensivelmente alterado. Veja-se a atual redação:

Art. 4o São incapazes, rela vamente a certos atos ou à maneira de os exercer:


I - os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos;
II - os ébrios habituais e os viciados em tóxico;
III - aqueles que, por causa transitória ou permanente, não puderem exprimir sua
vontade;
IV - os pródigos.
Parágrafo único. A capacidade dos indígenas será regulada por legislação especial.

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Em análise de da de cada um dos incisos previstos no ar go mencionado, temos 4
hipóteses de incapacidade rela va.

a) Maiores de 16 e menores de 18 anos


- Critério etário que pondera ainda a questão do discernimento, demandando que
sejam assis dos esses menores púberes para a prá ca de atos da vida civil.
b) Ébrios habituais e viciados em tóxico
- Ébrios habituais são os embriagados. Cuidado! A embriaguez e o vício em tóxico são
considerados causas de incapacidade rela va quando reduzem o discernimento.
c) Aqueles que, por causa transitória ou permanente, não puderem exprimir sua
vontade
- Com a mudança operada pelo EPD, enquadram-se nessa hipótese, por exemplo, o
surdo-mudo que não puder se expressar, o idoso com Alzheimer e a pessoa em coma.
d) Pródigos
- A prodigalidade é um desvio comportamental por meio do qual o indivíduo
desordenadamente dilapida o seu patrimônio, devendo ser-lhe nomeado curador.

ATENÇÃO!
154
Em relação aos silvícolas (índios), cabe à legislação especial disciplinar sua capacidade, não mais
os considerando a codificação civil como incapazes. O Estatuto do Índio (Lei 6.001/1973) prescreve
o seguinte:
Art. 7º Os índios e as comunidades indígenas ainda não integrados à comunhão nacional ficam
sujeito ao regime tutelar estabelecido nesta Lei.
§ 1º Ao regime tutelar estabelecido nesta Lei aplicam-se no que couber, os princípios e normas da
tutela de direito comum, independendo, todavia, o exercício da tutela da especialização de bens
imóveis em hipoteca legal, bem como da prestação de caução real ou fidejussória.
§ 2º Incumbe a tutela à União, que a exercerá através do competente órgão federal de assistência
aos silvícolas.
Art. 8º São nulos os atos pra cados entre o índio não integrado e qualquer pessoa estranha à
comunidade indígena quando não tenha havido assistência do órgão tutelar competente.
Parágrafo único. Não se aplica a regra deste ar go no caso em que o índio revele consciência e
conhecimento do ato pra cado, desde que não lhe seja prejudicial, e da extensão dos seus efeitos.
Art. 9º Qualquer índio poderá requerer ao Juiz competente a sua liberação do regime tutelar
previsto nesta Lei, inves ndo-se na plenitude da capacidade civil, desde que preencha os
requisitos seguintes:
I - idade mínima de 21 anos;

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II - conhecimento da língua portuguesa;
III - habilitação para o exercício de a vidade ú l, na comunhão nacional;
IV - razoável compreensão dos usos e costumes da comunhão nacional.
Parágrafo único. O Juiz decidirá após instrução sumária, ouvidos o órgão de assistência ao índio
e o Ministério Público, transcrita a sentença concessiva no registro civil.

4.1.1.4.6. Emancipação

Entende-se por emancipação o ato jurídico que antecipa os efeitos da aquisição da


maioridade e da consequente capacidade civil plena, para data anterior àquela em que o
menor a nge a idade de 18 anos para fins civis.

ATENÇÃO!

Veja o que diz o Enunciado 530 das Jornadas de Direito Civil: “A emancipação, por si só, não
elide a incidência do Estatuto da Criança e do Adolescente”. Sendo assim, a tulo de exemplo,
menor emancipado não pode dirigir, beber ou ingressar em estabelecimentos proibidos para
crianças e adolescentes. 155
A emancipação, regra geral, é defini va, irretratável e irrevogável. Também é, de rigor,
formal e solene, dependendo de instrumento público. O art. 5º, parágrafo único, do CC
prescreve as hipóteses específicas de emancipação, que devem ser interpretadas
restri vamente – rol taxa vo/numerus clausus.

CLASSIFICAÇÃO REQUISITOS

-Concessão de ambos os pais ou um deles na falta


do outro
-Desnecessidade de homologação judicial
Emancipação voluntária parental -Necessidade de instrumento público
-Precisa de registro no Cartório de Registro Civil de
Pessoas
-Idade mínima: 16 anos
-Por sentença
-Desnecessidade de instrumento público
Emancipação judicial
-Precisa de registro no Cartório de Registro Civil
de Pessoas (art. 107, §1º, LRP)

-Casamento do menor
Emancipação legal matrimonial -Observar requisitos para a capacidade para o
casamento (arts. 1.517 a 1.520, CC/2002)

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-Necessidade de nomeação de forma defini va
Emancipação legal por exercício de emprego
público efe vo -Não se aplica às hipóteses de serviços
temporários ou cargos comissionados

Emancipação legal por colação de grau em


-Curso superior reconhecido
curso de ensino superior reconhecido

Emancipação legal por estabelecimento civil ou -Idade mínima: 16 anos


comercial ou pela existência de relação de
-Receber salário
emprego, obtendo o menor as suas economias
próprias, visando a sua subsistência -Aplicação da teoria do diálogo das fontes

-Idade mínima: 17 anos


Emancipação legal do menor militar -Prestação de serviço militar
-Base legal: art. 73, Lei 4.375/1964 c/c art. 239,
Decreto 57.654/1966

4.1.1.5. EXTINÇÃO DA PESSOA FÍSICA

4.1.1.5.1. Morte Real

O fim da personalidade da pessoa natural dá-se pela morte, conforme preceitua a


regra do art. 6º do CC/2002: “A existência da pessoa natural termina com a morte; presume-se 156
esta, quanto aos ausentes, nos casos em que a lei autoriza a abertura de sucessão defini va”.

ATENÇÃO!

Apesar de a morte encerrar a personalidade da pessoa, alguns direitos do morto permanecem,


diante da possibilidade de os lesados indiretos pleitearem indenização por lesão à honra ou
imagem do de cujus, direitos da personalidade que serão oportunamente estudados (arts. 12 e
20 do CC/2002).

Veja-se que o art. 6º faz menção à morte real e à morte presumida. Passemos ao
estudo da morte real para depois desenvolver estudo sobre a morte presumida.
Em atenção à Lei 9.434/1997 (Lei de Transplantes), exige-se a morte cerebral para fins
de declaração de morte real, sendo necessária sua declaração inclusive para doação de órgãos.
É necessário laudo médico para a confecção do atestado de óbito, a ser registrado no Cartório
de Registro Civil das Pessoas Naturais. A LRP, no art. 77, fixa os parâmetros para a elaboração de
tal documento, trazendo o art. 79 o rol de pessoas obrigadas a fazer a declaração.
Segundo o art. 80 da LRP, o atestado de óbito deve conter:

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Art. 80. O assento de óbito deverá conter:
1º) a hora, se possível, dia, mês e ano do falecimento;
2º) o lugar do falecimento, com indicação precisa;
3º) o prenome, nome, sexo, idade, cor, estado, profissão, naturalidade, domicílio e
residência do morto;
4º) se era casado, o nome do cônjuge sobrevivente, mesmo quando desquitado; se
viúvo, o do cônjuge pré-defunto; e o cartório de casamento em ambos os casos;
5º) os nomes, prenomes, profissão, naturalidade e residência dos pais;
6º) se faleceu com testamento conhecido;
7º) se deixou filhos, nome e idade de cada um;
8°) se a morte foi natural ou violenta e a causa conhecida, com o nome dos atestantes;
9°) lugar do sepultamento;
10º) se deixou bens e herdeiros menores ou interditos;
11°) se era eleitor.
12º) pelo menos uma das informações a seguir arroladas: número de inscrição do
PIS/PASEP; número de inscrição no Ins tuto Nacional do Seguro Social - INSS, se
contribuinte individual; número de bene cio previdenciário - NB, se a pessoa falecida
for tular de qualquer bene cio pago pelo INSS; número do CPF; número de registro
da Carteira de Iden dade e respec vo órgão emissor; número do tulo de eleitor; 157
número do registro de nascimento, com informação do livro, da folha e do termo;
número e série da Carteira de Trabalho.
Parágrafo único. O oficial de registro civil comunicará o óbito à Receita Federal e à
Secretaria de Segurança Pública da unidade da Federação que tenha emi do a cédula
de iden dade, exceto se, em razão da idade do falecido, essa informação for
manifestamente desnecessária.

4.1.1.5.2. Morte Presumida

A. Sem declaração de ausência

A morte presumida pode se dar com ou sem declaração de ausência. O art. 7º do


Código Civil estabelece o seguinte regramento:

HIPÓTESES DE MORTE PRESUMIDA SEM DECLARAÇÃO DE AUSÊNCIA


Desaparecimento do corpo da pessoa, sendo extremamente provável a morte de quem estava em
perigo de vida.

Desaparecimento da pessoa envolvida em campanha militar ou feito prisioneiro, não sendo


encontrado até dois anos após o término da guerra.

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A primeira situação aplica-se aos casos envolvendo desastres, acidentes, catástrofes
naturais, sendo certo que o parágrafo único do art. 7º somente autoriza a declaração de morte
estando esgotados todos os meios de buscas e averiguações, devendo constar na sentença a
data provável do óbito. Já a segunda hipótese tem cabimento adequado nos casos de guerra.
Essas hipóteses guardam simetria com o processo de jus ficação já constante no art. 88 da LRP:

Art. 88. Poderão os Juízes togados admi r jus ficação para o assento de óbito de
pessoas desaparecidas em naufrágio, inundação, incêndio, terremoto ou qualquer
outra catástrofe, quando es ver provada a sua presença no local do desastre e não for
possível encontrar-se o cadáver para exame.
Parágrafo único. Será também admi da a jus ficação no caso de desaparecimento
em campanha, provados a impossibilidade de ter sido feito o registro nos termos do
ar go 85 e os fatos que convençam da ocorrência do óbito.

Nessas hipóteses, há uma verdadeira presunção da existência de morte, não sendo


necessário o aguardo de longo prazo como nas situações que precisam da declaração de
ausência. Assim, uma vez preenchidos os requisitos, expede-se, de logo, a cer dão de óbito.

ATENÇÃO!
158
A Lei 9.140/1995 estabelece uma outra hipótese de morte presumida, a saber, das pessoas que
tenham par cipado, ou tenham sido acusadas de par cipação, em a vidades polí cas, no período
de 2 de setembro de 1961 a 5 de outubro de 1988, e que, por este mo vo, tenham sido de das por
agentes públicos, achando se, desde então, desaparecidas, sem que delas haja no cias.

B. Com declaração de ausência


A ausência é outra hipótese de morte presumida, decorrente do desaparecimento da
pessoa natural, sem deixar corpo presente - morte real. Ocorrerá a aplicabilidade dessa situação
quando a pessoa se encontrar em LOCAL INCERTO E NÃO SABIDO (LINS). Três são as fases
judiciais rela vas à declaração de morte presumida:

FASES PARA A DECLARAÇÃO DE MORTE PRESUMIDA

Da curadoria dos bens do ausente (arts. 22 a 25 do CC/2002)

Da sucessão provisória (arts. 26 a 36 do CC/2002)

Da sucessão defini va (arts. 37 a 39 do CC/2002)

1ª fase: Da curadoria dos bens do ausente (arts. 22 a 25 do CC/2002)


Nesta fase, com o desaparecimento da pessoa, é nomeado curador para guardar os
bens do ausente, sendo a ação proposta pelo MP ou por qualquer interessado, incluindo-se
nesse rol os herdeiros (art. 22, CC/2002 c/c art. 744, CPC/2015).

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Conforme preleciona o art. 25 do CC/2002, o cônjuge do ausente, sempre que não
esteja separado judicialmente, ou de fato por mais de dois anos antes da declaração da
ausência, será o seu legí mo curador. Em falta do cônjuge, a curadoria dos bens do ausente
incumbe aos pais ou aos descendentes, nesta ordem, não havendo impedimento que os iniba
de exercer o cargo. Entre os descendentes, os mais próximos precedem os mais remotos. Na
falta das pessoas mencionadas, compete ao juiz a escolha do curador.

ATENÇÃO!

Sugere-se a leitura atenta dos ar gos dessa parte da matéria, por se tratar de rito que segue a
disciplina legal. Veja a legislação grifada no tópico próprio.

2ª fase: Da sucessão provisória (arts. 26 a 36 do CC/2002)


Já nesta etapa, após 1 ano da arrecadação dos bens e nomeação de curador, poderá
ser aberta a sucessão provisória. Deixando representante o ausente, nos termos do art. 26, o
prazo dilarga para 3 anos.
Findo o referido prazo, o MP ou interessados podem requerer a abertura da sucessão
provisória. Por força do art. 27 do CC/2002, são considerados interessados para requerer a
sucessão provisória: 159

Art. 27. Para o efeito previsto no ar go anterior, somente se consideram interessados:


I - o cônjuge não separado judicialmente;
II - os herdeiros presumidos, legí mos ou testamentários;
III - os que verem sobre os bens do ausente direito dependente de sua morte;
IV - os credores de obrigações vencidas e não pagas.

ATENÇÃO!

Entende-se que o companheiro deve ser incluso no rol dos legi mados. Essa tese ganha força
com o julgamento dos Recursos Extraordinários de repercussão geral 646.721 e 878.694, que
igualou, em termos sucessórios, as situações do cônjuge e do companheiro supérs te, sendo
vedada a adoção de regime sucessório diferente para o casamento e a união estável.

Prescreve o art. 28 que a sentença que determinar a abertura da sucessão provisória


só produzirá efeito cento e oitenta dias depois de publicada pela imprensa; mas, logo que
passe em julgado, proceder-se-á à abertura do testamento, se houver, e ao inventário e par lha
dos bens, como se o ausente fosse falecido.
Conforme art. 29, antes da par lha, o juiz, quando julgar conveniente, ordenará a
conversão dos bens móveis, sujeitos a deterioração ou a extravio, em imóveis ou em tulos
garan dos pela União.

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O Código Civil atual con nua a exigir que os herdeiros deem garan as para serem
imi dos na posse dos bens do ausente, mediante penhor ou hipoteca, em equivalência com os
respec vos quinhões (art. 30, caput, CC/2002). Há exceção constante no §2º do mesmo ar go, no
sen do de que os ascendentes, os descendentes e o cônjuge, uma vez provada a sua qualidade de
herdeiros, poderão, independentemente de garan a, entrar na posse dos bens do ausente.
Em relação os bens imóveis do ausente, conforme dicção ao art. 31, só poderão ser
alienados, não sendo por desapropriação, ou hipotecados, quando o ordene o juiz, para lhes
evitar a ruína.
Uma vez empossados nos bens, os sucessores provisórios ficarão representando a va
e passivamente o ausente, de modo que contra eles correrão as ações pendentes e as que de
futuro àquele forem movidas (art. 32).
No tocante aos frutos, conforme art. 33, o descendente, ascendente ou cônjuge que
for sucessor provisório do ausente fará jus a todos os frutos e rendimentos dos bens que a este
couberem; os outros sucessores, porém, deverão capitalizar metade desses frutos e
rendimentos, segundo o disposto no art. 29, de acordo com o representante do Ministério
Público, e prestar anualmente contas ao juiz competente. No entanto, se o ausente aparecer, e
ficar provado que a ausência foi voluntária e injus ficada, perderá ele, em favor do sucessor, sua
parte nos frutos e rendimentos. 160
O excluído, segundo o art. 30, da posse provisória poderá, jus ficando falta de meios,
requerer lhe seja entregue metade dos rendimentos do quinhão que lhe tocaria (art. 34).
Se durante a posse provisória se provar a época exata do falecimento do ausente,
considerar-se-á, nessa data, aberta a sucessão em favor dos herdeiros, que o eram àquele
tempo (art. 35).
Por fim, se o ausente aparecer, ou se lhe provar a existência, depois de estabelecida a
posse provisória, cessarão para logo as vantagens dos sucessores nela imi dos, ficando,
todavia, obrigados a tomar as medidas assecuratórias precisas, até a entrega dos bens a seu
dono (art. 36).

ATENÇÃO!

Sugere-se a leitura atenta dos ar gos dessa parte da matéria, por se tratar de rito que segue a
disciplina legal.

3ª fase: Da sucessão defini va (arts. 37 a 39 do CC/2002)


Por fim, tratando da sucessão defini va, o CC/2002 reduziu pela metade o prazo para
conversão que antes era de 20 anos, passando agora a ser 10 anos, conforme art. 37, sendo de 5
anos se o ausente contar com mais de oitenta anos.

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ATENÇÃO!

Sugere-se a leitura atenta dos ar gos dessa parte da matéria, por se tratar de rito que segue a
disciplina legal.

Sobre o regresso do ausente, veja a exata dicção do art. 39:

Art. 39. Regressando o ausente nos dez anos seguintes à abertura da sucessão
defini va, ou algum de seus descendentes ou ascendentes, aquele ou estes haverão
só os bens existentes no estado em que se acharem, os sub-rogados em seu lugar, ou
o preço que os herdeiros e demais interessados houverem recebido pelos bens
alienados depois daquele tempo.
Parágrafo único. Se, nos dez anos a que se refere este ar go, o ausente não regressar,
e nenhum interessado promover a sucessão defini va, os bens arrecadados
passarão ao domínio do Município ou do Distrito Federal, se localizados nas
respec vas circunscrições, incorporando-se ao domínio da União, quando situados
em território federal.

4.1.1.5.3. Comoriência
161
Segundo art. 8º do CC/2002, se dois ou mais indivíduos falecerem na mesma ocasião,
não podendo se averiguar se algum dos comorientes precedeu ao outro, presumir-se-ão
simultaneamente mortos. Este seria o fenômeno da comoriência. Trata-se de caso de outra
presunção legal e rela va de morte.
Importância prá ca no âmbito do direito sucessório, uma vez que será aberta a
sucessão de cadeias sucessórias autônomas e dis ntas. A tulo exemplifica vo, vejamos
julgado do TJSP:

INVENTÁRIO. COMORIÊNCIA. Falecimento no mesmo acidente, do segurado e das


beneficiárias (filha e esposa). Determinação de apresentação de novo plano de
par lha. Insurgência dos filhos do primeiro casamento do segurado, com pedido de
par lha por igual do valor do pecúlio entre os filhos. Presunção legal de morte
simultânea. Ausência de prova de premoriência. Inexistência de transmissão do valor
do pecúlio para as beneficiárias. Inadmissibilidade de pagamento do valor do seguro
aos sucessores da beneficiária. Transmissão do pecúlio apenas aos herdeiros do
segurado Inteligência do art. 792 do CC. Filhos que devem receber por cabeça, em
igualdade de condições aos demais irmãos. Decisão reformada. Agravo provido. (TJ-SP
- AI: 2523059420118260000 SP 0252305-94.2011.8.26.0000, Relator: João Carlos
Sale , Data de Julgamento: 03/07/2012, 10ª Câmara de Direito Privado, Data de
Publicação: 05/07/2012).

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4.1.1.6. DOS DIREITOS DA PERSONALIDADE

O Código Civil dedicou um capítulo específico aos direitos de personalidade, pois,


segundo Miguel Reale, “tratando-se de matéria de per si complexa e de significação é ca
essencial, foi preferido o enunciado de poucas normas dotadas de rigor e clareza, cujos
obje vos permi rão os naturais desenvolvimentos da doutrina e da jurisprudência”.
Assim, os direitos da personalidade são direitos subje vos que possuem como objeto
os bens e valores essenciais da pessoa humana, em seu aspecto sico, moral e intelectual. São
direitos inalienáveis, que se encontram fora do comércio e que merecem, sobremaneira, a
proteção legal.
O Código Civil disciplina os direitos da personalidade como os atos de disposição do
próprio corpo (arts. 13 e 14), o direito à não-submissão a tratamento médico de risco (art. 15), o
direito ao nome e ao pseudônimo (arts. 16 a 19), a proteção à palavra e à imagem (art. 20) e a
proteção à in midade (art. 21). No art. 52, preceitua que “aplica-se às pessoas jurídicas, no que
couber, a proteção dos direitos da personalidade”.

ATENÇÃO!

Sobre os arts. 20 e 21, importante observar a ADIN 4815, que tratou de biografias não-
162
autorizadas – Vide tópicos de julgados ao final deste material.

4.1.1.6.1 Conceito

O conceito de direitos da personalidade, para fins de concurso público, representa uma


verdadeira ar culação entre os direitos e garan as fundamentais com a dignidade da pessoa
humana para a proteção da pessoa humana.

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A base legal dos direitos da personalidade são os arts. 11 a 21 do CC/2002. No entanto,
no bojo do texto cons tucional, é possível verificar a correlação direta do direito cons tucional
com o direito privado, na medida em que o art. 5º, incisos V, X, XI e XII, faz menção ao direito à
imagem e à privacidade. Essa correlação entre o direito público e o direito privado é um dos
desdobramentos da metodologia cunhada de Direito Civil Cons tucional que realiza uma
exegese do Direito Civil a par r dos vetores hermenêu cos que emergem da Cons tuição.
Por isso, conforme já abordamos, o Direito Civil deve ser mais humanizado e focado na
pessoa humana, devendo servir os ins tutos eminentemente patrimoniais, como contratos e
posse, também para a promoção do sujeito. De modo prá co, isso pode ser percebido pela
função social dos contratos, da propriedade e até mesmo da posse.

4.1.1.6.2. Caracterís cas

Mesmo pela peculiaridade do objeto sobre o qual versam – a própria pessoa humana –,
os direitos da personalidade têm caracteres especiais que demandam a devida atenção.
Segundo o art. 11 do Código Civil, “os direitos da personalidade são intransmissíveis e
irrenunciáveis, não podendo o seu exercício sofrer limitação voluntária”. Podemos destacar as 163
seguintes caracterís cas:

a) Intransmissibilidade e irrenunciabilidade – não podem seus tulares dispor dos


direitos da personalidade, transferindo-os a terceiros, renunciando o seu uso ou
simplesmente os abandonando, pois nascem e se ex nguem com a própria pessoa. Por
óbvio que ninguém pode desfrutar em nome de outrem de bens como a vida, a honra, a
liberdade, etc.
Alguns atributos da personalidade admitem a cessão de seu uso, como por exemplo, a
imagem que pode ser explorada comercialmente, mediante retribuição. Permite-se
também a cessão gratuita de órgãos do corpo humano para fins terapêu cos. Assim, a
indisponibilidade dos direitos da personalidade é da como rela va.
b) Absolu smo – o caráter absoluto do direito da personalidade deve-se ao fato de o
mesmo ser oponível erga omnes.
c) Não-limitação – o rol dos direitos da personalidade existente no Código Civil é
meramente exemplifica vo (numerus apertus), pois é impossível imaginar-se um rol
exaus vo dos direitos da personalidade. Desta forma, são direitos da personalidade o
direito a alimentos, ao meio ambiente saudável, à velhice digna, ao culto religioso, à
liberdade de pensamento etc.
d) Imprescri bilidade – os direitos da personalidade não se ex nguem pelo decurso do
tempo. Malgrado o dano moral consista na lesão a um interesse que visa a sa sfação de
um bem jurídico extrapatrimonial con do nos direitos da personalidade, a pretensão à
reparação civil está sujeita aos prazos prescricionais, por ter caráter patrimonial.

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e) Impenhorabilidade – se os direitos da personalidade são indisponíveis,
logicamente tornam-se impenhoráveis. Frise-se que os reflexos patrimoniais dos
direitos da personalidade podem ser penhorados.
f) Vitaliciedade – os direitos da personalidade são inatos, ou seja, são adquiridos no
momento da concepção e acompanham a pessoa por toda a sua vida até sua morte.
Aliás, mesmo após a morte de uma pessoa alguns direitos são resguardados, como o
respeito ao morto, sua honra ou memória etc.

ATENÇÃO!

O próprio legislador já rela vizou algumas caracterís cas desses direitos, pelo que se deve
consignar que não são absolutos (no sen do de admi r exceções, e não no da oponibilidade
erga omnes acima explicada). Nesse sen do, merecem destaque os seguintes Enunciados das
Jornadas de Direito Civil:
Enunciado 4 JDC. O exercício dos direitos da personalidade pode sofrer limitação voluntária,
desde que não seja permanente nem geral.
Enunciado 139 JDC. Os direitos da personalidade podem sofrer limitações, ainda que não
especificamente previstas em lei, não podendo ser exercidos com abuso de direito de seu
tular, contrariamente à boa-fé obje va e aos bons costumes.
164
Enunciado 274 JDC. Os direitos da personalidade, regulados de maneira não exaus va pelo CC,
são expressões da cláusula geral de tutela da pessoa humana, con da no art. 1º, III, da CF
(princípio da dignidade da pessoa humana). Em caso de colisão entre eles, como nenhum pode
sobrelevar os demais, deve-se aplicar a técnica da ponderação.

4.1.1.6.3. Proteção dos direitos da personalidade

O art. 12 do CC/2002 versa sobre a proteção a ser dedicada a tais direitos, afirmando
que se pode exigir que se cesse ameaça (tutela inibitória ou preven va) ou lesão (tutela
repressiva por ação indenizatória) a direito da personalidade, bem como consigna a
possibilidade de se reclamar perdas e danos, sem prejuízo de outras sanções previstas em lei
(vide Enunciado 140 da JDC).

ATENÇÃO!

No que se refere às ações envolvendo direitos da personalidade, deve-se separar o direito da


personalidade da pretensão indenizatória por sua violação. O direito da personalidade é
imprescri vel, já a pretensão indenizatória prescreve em 3 anos (art. 205, §3º, V).

No que tange à tutela processual dos direitos da personalidade, merece destaque que
a legi midade para propor a ação é, de regra, do ofendido. No entanto, se morto, terá

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legi midade para requerer a medida prevista o cônjuge sobrevivente, ou qualquer parente em
linha reta, ou colateral até 4º (quarto) grau (art. 12, parágrafo único, do CC).

ATENÇÃO!

Sobre o assunto, os seguintes enunciados são per nentes:


Enunciado 275 JDC. O rol dos legi mados de que tratam os arts. 12, parágrafo único, e 20,
parágrafo único, do Código Civil também compreende o companheiro.
Enunciado 398 JDC. As medidas previstas no art. 12, parágrafo único, do Código Civil podem ser
invocadas por qualquer uma das pessoas ali mencionadas de forma concorrente e autônoma.
Enunciado 399 JDC. Os poderes conferidos aos legi mados para a tutela post mortem dos direitos
da personalidade, nos termos dos arts. 12, parágrafo único, e 20, parágrafo único, do CC, não
compreendem a faculdade de limitação voluntária.
Enunciado 400 JDC. Os parágrafos únicos dos arts. 12 e 20 asseguram legi midade, por direito
próprio, aos parentes, cônjuge ou companheiro para a tutela contra lesão perpetrada post mortem.

Em arremate, veja como funciona a ofensa ao de cujus:

Ofensa ao de cujus enquanto vivo. Este já nha 165


ingressado com a ação e faleceu antes do trânsito O espólio deve prosseguir!
em julgado.

Ofensa ao de cujus enquanto vivo. Não nha


O espólio pode propor!
ingressado com a ação.

Ofensa à memória. Os herdeiros são os legi mados!

Dor e sofrimento causado pela morte. Os herdeiros são os legi mados!

Também é importante compreender o art. 12 em compasso com o art. 20:

Art. 12, parágrafo único, do CC Art. 20, parágrafo único, do CC

Lesão aos direitos da personalidade do morto. Lesão à imagem do morto.

Legi mados pela norma: Legi mados pela norma:


ascendentes, descendentes, cônjuge e colaterais. ascendentes, descendentes e cônjuge.

1.1.1.6.4. Classificação dos direitos da personalidade

Segundo o CC/2002, considerando apenas o que se extrai dos arts. 11 a 21, os direitos
da personalidade estão categorizados em cinco:

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PILARES DOS DIREITOS DA PERSONALIDADE

1. Corpo:
- Tutela do corpo vivo (art.13);
PILAR DA INTEGRIDADE FÍSICA
- Tutela do corpo morto (art.14);
- Autonomia do paciente (art.15).

2. Imagem (art. 20);


PILAR DA INTEGRIDADE PSÍQUICA OU 3. Privacidade (art. 21);
MORAL 4. Honra (art. 20);
5. Nome (art. 16 a 19).

ATENÇÃO!

É cediço na doutrina e na jurisprudência que os direitos da personalidade não se encerram nas


hipóteses previstas nos arts. 11 ao 21. Desse modo, o rol constante no CC/2002 é meramente
exemplifica vo (numerus apertus). Como exemplo de outros direitos da personalidade que
exsurgem da chamada cláusula geral de tutela de pessoa humana – idealizada no Brasil por
Gustavo Tepedino e Maria Celina Bodin de Moraes –, que se lastreia nos direitos fundamentais e
princípios cons tucionais, temos o direito à honra, à vida sexual e afe va, o direito à 166
autodeterminação familiar, o direito à liberdade religiosa, o direito à livre expressão, o direito à
diferença, etc.

4.1.1.6.5. Direito ao corpo

a) Tutela do corpo vivo


Merece nota o art. 13 para iniciar a discussão:

Art. 13. Salvo por exigência médica, é defeso o ato de disposição do próprio corpo,
quando importar diminuição permanente da integridade sica, ou contrariar os bons
costumes.
Parágrafo único. O ato previsto neste ar go será admi do para fins de transplante, na
forma estabelecida em lei especial.

Verifica-se que a regra geral exposta no CC/2002 é a impossibilidade de disposição do


corpo, tendo a lei autorizado-a em duas hipóteses: por necessidade médica e para fins de
transplante.
Além disso, o Código, lançando mão de verdadeira cláusula geral, afirma ser possível a
disposição permanente desde que não desrespeite os bons costumes.

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ATENÇÃO!

Sobre o tema, veja o que dizem os Enunciados das Jornadas de Direito Civil:
Enunciado 6 JDC. A expressão “exigência médica” con da no art. 13 refere-se tanto ao bem-
estar sico quanto ao bem-estar psíquico do disponente.
Enunciado 401 JDC. Não contraria os bons costumes a cessão gratuita de direitos de uso de
material biológico para fins de pesquisa cien fica, desde que a manifestação de vontade tenha
sido livre, esclarecida e puder ser revogada a qualquer tempo, conforme as normas é cas que
regem a pesquisa cien fica e o respeito aos direitos fundamentais.
Enunciado 532 JDC. É permi da a disposição gratuita do próprio corpo com obje vos
exclusivamente cien ficos, nos termos dos arts. 11 e 13 do Código Civil.

Sobre a cirurgia de transgenitalização (adequação sexual), anteriormente era proibida


dada a vedação da disposição de partes do corpo. Atualmente, essa cirurgia está autorizada e o
SUS a faz gratuitamente, dada a devida autorização médica.
Para a aprovação dessa cirurgia, o indivíduo passa por uma junta médica que o analisa
por 2 (dois) anos para determinar, por meio de laudo, a necessidade de tal procedimento. 167
ATENÇÃO!

Sobre o tema, veja o que diz o Enunciado das Jornadas de Direito Civil:
Enunciado 276 JDC. O art. 13 do Código Civil, ao permi r a disposição do próprio corpo por
exigência médica, autoriza as cirurgias de transgenitalização, em conformidade com os
procedimentos estabelecidos pelo Conselho Federal de Medicina, e a consequente alteração
do prenome e do sexo no Registro Civil.

Acerca da autorização para transplante, conforme art. 13, parágrafo único, o ato
previsto neste ar go (disposição de partes do corpo) será admi do para fins de transplante, na
forma estabelecida em lei especial (Lei 9.434/97), devendo a doação ser:

a) de forma gratuita;
b) ela va a órgãos dúplices ou regeneráveis (renováveis);
c) que o beneficiário, preferencialmente, seja parente do doador, sendo possível a
escolha do receptor.

b) Tutela do corpo morto


Em atenção ao disposto no art. 14 do CC, é válida, com obje vo cien fico ou altruís co,
a disposição gratuita do próprio corpo, no todo ou em parte, para depois da morte.

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Para tal autorização, a disposição deve ser gratuita e com fins cien ficos ou altruís cos.
O ato de disposição pode ser livremente revogado a qualquer tempo.

ATENÇÃO!

Sobre o tema, veja o que dizem os Enunciados das Jornadas de Direito Civil:
Enunciado 277 JDC. O art. 14 do Código Civil, ao afirmar a validade da disposição gratuita do
próprio corpo, com obje vo cien fico ou altruís co, para depois da morte, determinou que a
manifestação expressa do doador de órgãos em vida prevalece sobre a vontade dos familiares,
portanto, a aplicação do art. 4o da Lei n. 9.434/97 ficou restrita à hipótese de silêncio do
potencial doador.
Enunciado 402 JDC. O art. 14, parágrafo único, do CC, fundado no consen mento informado,
não dispensa o consen mento dos adolescentes para a doação de medula óssea prevista no art.
o o o
9 , § 6 , da Lei n. 9.434/1997 por aplicação analógica dos arts. 28, § 2 (alterado pela Lei n.
12.010/2009), e 45, § 2º, do ECA.

Importante destacar que é necessária permissão para autorização de doação de


órgãos. Primeiramente, deve-se obedecer ao consenso afirma vo (Lei 10.211/2001). Este é a
determinação em vida da pessoa sobre a vontade ou não de doar órgãos. Em caso de
168
inexistência do consenso afirma vo, quem decide é a família.

c) Tutela da autonomia do paciente


Preleciona o art. 15 do CC:

Art. 15. Ninguém pode ser constrangido a submeter-se, com risco de vida, a
tratamento médico ou a intervenção cirúrgica.

Esse ar go consagra a autodeterminação do sujeito-paciente, na medida em que lhe


assegura o direito de realizar suas escolhas, inclusive as mais ín mas, graves, relevantes,
mormente as relacionadas às formas de tratamentos médicos.

ATENÇÃO!

Sobre o tema, veja o que dizem os Enunciados das Jornadas de Direito Civil:
Enunciado 403 JDC. O Direito à inviolabilidade de consciência e de crença, previsto no art. 5o,
VI, da Cons tuição Federal, aplica-se também à pessoa que se nega a tratamento médico,
inclusive transfusão de sangue, com ou sem risco de morte, em razão do tratamento ou da
falta dele, desde que observados os seguintes critérios: a) capacidade civil plena, excluído o
suprimento pelo representante ou assistente; b) manifestação de vontade livre, consciente e

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informada; c) oposição que diga respeito exclusivamente à própria pessoa do declarante. 

Enunciado 533 JDC. O paciente plenamente capaz poderá deliberar sobre todos os aspectos
concernentes a tratamento médico que possa lhe causar risco de vida, seja imediato ou
mediato, salvo as situações de emergência ou no curso de procedimentos médicos cirúrgicos
que não possam ser interrompidos. 


4.1.1.6.6. Direito à imagem

De acordo com o art. 20, salvo se autorizadas ou se necessárias à administração da


jus ça ou à manutenção da ordem pública, a divulgação de escritos, a transmissão da palavra,
ou a publicação, a exposição ou a u lização da imagem de uma pessoa poderão ser proibidas, a
seu requerimento e sem prejuízo da indenização que couber, se lhe a ngirem a honra, a boa
fama ou a respeitabilidade, ou se des narem a fins comerciais.
No caso de morto ou ausente, são partes legí mas para requerer essa proteção o
cônjuge, os ascendentes ou os descendentes. O Enunciado 275 da JDC estendeu ao
companheiro esse direito.

ATENÇÃO!
169
ATENÇÃO! Notas importantes sobre o direito à imagem:
- Consiste em direito personalíssimo.
- O direito à imagem detém proteção cons tucional (art. 5º, V e X, CF/88).
- Somente será possível sua u lização por terceiro quando:

▪ expressamente autorizado pelo tular (nos limites da finalidade e das condições contratadas); ou

▪ se for necessária à administração da jus ça ou à manutenção da ordem pública.
- Súmula 403 do STJ: Independe de prova do prejuízo a indenização pela publicação não
autorizada da imagem de pessoa com fins econômicos ou comerciais.
- Direito a Imagem Vs. Direito de Informação - Enunciado 279, JDC - A proteção à imagem deve
ser ponderada com outros interesses cons tucionalmente tutelados, especialmente em face do
direito de amplo acesso à informação e da liberdade de imprensa. Em caso de colisão, levar-se- á
em conta a notoriedade do retratado e dos fatos abordados, bem como a veracidade destes e,
ainda, as caracterís cas de sua u lização (comercial, informa va, biográfica), privilegiando-se
medidas que não restrinjam a divulgação de informações.
- Existem dois pos de imagem:
▪ Retrato - Esta se refere à fisionomia da pessoa natural.

▪ Atributo - Esta faz referência ao que a pessoa significa para a sociedade.

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4.1.1.6.7. Direito à privacidade

A vida privada da pessoa natural é inviolável, e o juiz, a requerimento do interessado,


adotará as providências necessárias para impedir ou fazer cessar ato contrário a esta norma.
De qualquer forma, este direito não é absoluto, devendo ser ponderado com outros
valores, sobretudo cons tucionais. Em havendo lesão, caberá medida judicial, para se impedir
ou fazer cessar o ato atentatório.

ATENÇÃO!

Sobre o tema, veja o que dizem os Enunciados das Jornadas de Direito Civil:
Enunciado 404 JDC. A tutela da privacidade da pessoa humana compreende os controles
espacial, contextual e temporal dos próprios dados, sendo necessário seu expresso
consen mento para tratamento de informações que versem especialmente o estado de saúde,
a condição sexual, a origem racial ou étnica, as convicções religiosas, filosóficas e polí cas.
Enunciado 405 JDC. As informações gené cas são parte da vida privada e não podem ser
u lizadas para fins diversos daqueles que mo varam seu armazenamento, registro ou uso,
salvo com autorização do tular. 170

4.1.1.6.8. Direito à honra

Está prevista na CF/88, no art. 5º, inciso X, sem correspondência expressa no


CC/2002. No entanto, tendo em vista o rol meramente exemplifica vo dos direitos da
personalidade, a honra entre nessa categoria.
A honra pode ser:

· obje va: o que a sociedade pensa sobre sua reputação social;

· subje va: o que você pensa sobre si.

4.1.1.6.9. Direito ao nome

Toda pessoa tem direito ao nome, nele compreendidos o prenome e o sobrenome. 



Em termos conceituais, nome é um sinal (elemento de iden ficação) que individualiza
a pessoa. O direito ao nome também é protegido em diplomas internacionais: Convenção
Americana de Direitos Humanos (art. 18) e Convenção dos Direitos da Criança (art. 7º). 


ELEMENTOS DO NOME

Prenome + sobrenome (patronímico) {+ agnome (ex. filho, neto)}

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· Agnome: É aquele u lizado para diferenciar pessoas com nomes iguais (ex.: júnior,
filho, segundo).

· Títulos nobiliários, eclesiás cos e honoríficos: São qualificações de nobreza e


religiosas. Ex: Príncipe, Cardeal, Dom etc.

· Pseudônimo: É o nome fic cio. Goza de proteção legal quando adotado para


a vidades lícitas.

· Hipocorís co, epíteto e cognome: sinônimo de pseudônimo.

· Heteronímia: É a u lização de diferentes nomes, assim como fez Fernando Pessoa.


Sua proteção é abrangida pela norma que protege o pseudônimo.

Em regra, o nome é imutável. Entretanto, pode ser modificado em hipóteses


excepcionais previstas na lei. Exceções legais ao Princípio da Imutabilidade do nome civil:

ALTERAÇÃO DE PRENOME

· Modificação do prenome quando este expuser a pessoa ao ridículo, violando sua


dignidade;

· Erro gráfico;

· Em caso de adoção, os adotantes podem alterar o prenome do adotado, cf. art. 47,
§5º, do ECA; 171
· Apelidos públicos notórios, cf. art. 58 da LRP;

· Homonímia deprecia va;

· Tradução de nome estrangeiro;

· Para proteção de ví ma ou testemunha de crime, cf. Lei 9.807/1999;

· Alteração imo vada, cf. art. 56 da LRP.


ALTERAÇÃO DE SOBRENOME

· Em caso de adoção, os adotantes devem alterar o sobrenome do adotado, cf. art.


47 do ECA;

· Para proteção de ví ma ou testemunha de crime, cf. Lei 9.807/1999;

· Casamento, cf. art. 1565 do CC/2002;

· Divórcio, anulação do casamento, cf. art. 1578 do CC/2002;

· Socioafe vidade, cf. art. 57, §8º, da LRP.

Cabe ainda destacarmos as teorias que explicam a natureza jurídica do nome:

· Teoria da propriedade: Segundo esta concepção, o nome integra o patrimônio da


pessoa. Essa teoria é aplicada no caso dos nomes empresariais. No que tange à pessoa
natural, o nome é mais do que o mero aspecto patrimonial, consis ndo, na verdade,
em direito da personalidade.

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· Teoria nega vista: Afirma que o nome não é um direito, mas apenas uma forma de
designação das pessoas.

· Teoria do estado: Sustenta que o nome é um elemento do estado da pessoa natural.

· Teoria do direito da personalidade: O nome é um direito da personalidade. É a teoria


adotada pelo CC (art. 16). 


Importante ainda destacar a vedação ao uso do nome em publicação ou


representação que o exponham ao desprezo público, conforme dicção do art. 17, ainda
quando não haja intenção difamatória.
Também é defeso o uso do nome da pessoa, sem autorização, em propaganda
comercial, conforme art. 18.

ATENÇÃO!

Sobre o tema, veja o que diz o Enunciado das Jornadas de Direito Civil:
Enunciado 278 JDC. A publicidade que divulgar, sem autorização, qualidades inerentes a
determinada pessoa, ainda que sem mencionar seu nome, mas sendo capaz de iden ficá-la,
cons tui violação a direito da personalidade.
172
Por fim, o Código, em seu art. 19, protege o pseudônimo. A doutrina entende que se deve incluir
nesta proteção também o cognome ou alcunha, nome ar s co u lizado por alguém, mesmo
não constando esse no registro da pessoa.

4.1.2 DAS PESSOAS JURÍDICAS

A pessoa jurídica (arts. 40 ao 69), por sua vez, consiste num conjunto de pessoas ou
bens, dotado de personalidade jurídica própria e cons tuído na forma da lei, para a consecução
de fins comuns. A sua principal caracterís ca é a de que atuam na vida jurídica com
personalidade diversa da dos indivíduos que a compõem.
A formação da pessoa jurídica exige uma pluralidade de pessoas ou de bens e uma
finalidade específica (elementos de ordem material), bem como um ato cons tu vo e
respec vo registro no órgão competente (elemento formal), ou Registro Civil das Pessoas
Jurídicas (sociedade simples) ou na Junta Comercial (sociedade empresária).

ATENÇÃO!

No tocante à sua natureza jurídica, atualmente, as seguintes teorias explicam a existência da


pessoa jurídica:       

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TEORIA DA FICÇÃO LEGAL (Savigny) Afirma que a pessoa jurídica é uma ficção legal, ou seja,
uma criação ar ficial da lei para exercer direitos patrimoniais e facilitar a função de certas
a vidades. Assim, seria pura abstração, carecendo de vontade própria, consciência e finalidade.
Somente os sujeitos dotados de vontade poderiam, por si mesmos, tularizar direitos
subje vos.
CRÍTICA À TEORIA: O Estado é pessoa jurídica, se a pessoa jurídica é ficção a norma que vem
deste também seria uma ficção. Ademais, se a pessoa jurídica é uma criação da lei, mera
abstração, quem haveria criado o Estado, pessoa jurídica de direito público por excelência?
TEORIA DA REALIDADE OBJETIVA OU ORGÂNICA (Gierk e Zitelmann) Diferentemente da
teoria da ficção, a pessoa jurídica teria sim existência própria, real, social, como os indivíduos.
Afirma que a pessoa jurídica é organismo social que tem existência e vontade própria dis nta de
seus membros.
CRÍTICA À TEORIA: Alguns autores afirmam que pessoa jurídica não tem vontade própria.
TEORIA DA REALIDADE TÉCNICA (teoria, em regra, adotada pelo CC brasileiro) Essa teoria
admite um pouco de verdade nas anteriores (Savigny e Gierk), pois entende que a
personalidade jurídica é realmente criada por uma ficção legal, mas, mesmo diante dessa
criação legal, não se pode esquecer que a pessoa jurídica tem iden dade organizacional
própria, iden dade essa que deve ser preservada.
173
TEORIA DA REALIDADE DAS INSTITUIÇÕES JURÍDICAS (Haouriu) Alguns autores entendem a
teoria acima como a teoria da realidade das ins tuições jurídicas, afirmando que a personalidade
jurídica é um atributo que a ordem jurídica estatal outorga a entes que o merecem.

São espécies de pessoa jurídica:

1. Pessoa jurídica de direito público


A. Externo (art. 42)
a) Países estrangeiros
b) Organismos internacionais
B. Interno (art. 41)
a) União
b) Estados
c) Municípios
d) Distrito Federal
e) Territórios

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f) Autarquias, inclusive as associações públicas
g) Demais en dades de caráter público criadas por lei
2. Pessoa jurídica de direito privado
a) Associações
b) Sociedades
c) Fundações
d) Organizações religiosas
e) Par dos polí cos
f) Empresas individuais de responsabilidade limitada

Neste ponto, faz-se mister os seguintes conceitos:
Associações – são pessoas jurídicas de direito privado cons tuídas de pessoas que
reúnem os seus esforços para a realização de fins não econômicos. Nesse sen do, reza o art. 53 que
“Cons tuem-se as associações pela união de pessoas que se organizem para fins não econômicos”.
Assim o traço caracterís co das associações está no fato de elas não visarem ao lucro.
174
Sociedades – Celebram contratos de sociedade as pessoas que reciprocamente se
obrigam a contribuir, com bens ou serviços, para o exercício de a vidade econômica e a par lha,
entre si, dos resultados. As sociedades podem ser simples ou empresárias; as primeiras são
cons tuídas, em geral, por profissionais que atuam em uma mesma área ou por prestadores de
serviços técnicos (clínicas médicas, escritórios de advocacia, etc.), possuindo fins econômicos;
as segundas, por sua vez, possuem em seu objeto o exercício de a vidade própria de
empresário.
Fundações – cons tuem um acervo de bens que recebe personalidade jurídica para a
realização de fins determinados, de interesse público, de modo permanente e estável. Nos
dizeres de Clóvis Beviláqua “consistem em complexos de bens (universitates bonorum)
dedicados à consecução de certos fins e, para esse efeito, dotados de personalidade”. Sua
existência decorre da vontade de uma pessoa, o ins tuidor, e seus fins, de natureza moral,
religiosa, cultural ou assistencial, são imutáveis.


4.1.2.1 DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA

O ordenamento jurídico confere às pessoas jurídicas personalidade dis nta da de seus


membros. Eis a razão de ser da pessoa jurídica. Porém, o que fazer quando a existência da
pessoa moral serve como instrumento para a prá ca de fraudes e abusos de direitos contra
credores, acarretando-lhes prejuízos?

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A reação a esses abusos ocorreu em diversos países, dando origem, através dos
estudos do Prof. Rubens Requião em nosso país, à teoria da desconsideração da personalidade
jurídica (disregard doctrine).
Assim, permite-se ao juiz que, em casos de fraude e de má-fé, desconsidere o princípio
de que as pessoas jurídicas possuem existência dis nta de seus sócios, para a ngir e vincular os
bens par culares dos sócios à sa sfação das dívidas da sociedade, erguendo-se o véu da
personalidade jurídica.
Atenção: trata-se, apenas e rigorosamente, de suspensão episódica da personalidade
da pessoa jurídica, não desfazendo seu ato cons tu vo nem invalidando a sua existência,
apenas possibilitando que certas e determinadas relações obrigacionais possam ser estendidas
aos bens par culares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica.
Desta forma, em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de
finalidade ou pela confusão patrimonial, será possível, em tese, desconsiderar a personalidade
jurídica.
O art. 50 do Código Civil estabelece como requisito para a aplicação da
desconsideração o abuso da personalidade jurídica, seja por meio de confusão patrimonial ou
havendo caracterização de desvio de finalidade. A doutrina afirma, seguida pela jurisprudência,
que o CC/2002 adotou a Teoria Maior da Desconsideração da Personalidade Jurídica (maior =
175
mais requisitos), em contraposição à Teoria Menor, adotada por outros diplomas pátrios (CDC,
Lei n. 9.605/98, que trata das infrações administra vas e dos crimes ambientais).

ATENÇÃO!

A Teoria Maior da Desconsideração da Personalidade Jurídica exige, como requisitos para sua
aplicação:
- Abuso da personalidade jurídica (ou confusão patrimonial ou desvio de finalidade)
+
- Prejuízo ao credor.

OBS: Na grade de Direito do Consumidor, a Teoria Menor da Desconsideração da


Personalidade Jurídica será estudada com maior profundidade.
Impossibilidade de desconsideração de o cio pelo juiz – sob o regime do CC/2002, a
desconsideração depende de requerimento da parte ou do Ministério Público, conforme
previsão expressa do art. 50. O NCPC, ao prever a regulamentação do incidente de
desconsideração da personalidade jurídica, reforçou a necessidade de requerimento.
Desconsideração x Despersonificação - Na primeira, a pessoa jurídica é
desconsiderada a fim de que os efeitos de certas e determinadas relações obrigacionais sejam

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estendidos aos bens par culares de seus sócios ou administradores, tendo em vista a prá ca de
atos abusivos por parte dos mesmos, seja pelo desvio de finalidade, seja pela confusão
patrimonial (art. 50 do CC). Portanto, não importa dissolução, trata-se de um ato de efeito
provisório decretado para determinado caso concreto e obje vo. Já na despersonificação a
pessoa jurídica é dissolvida, nos termos do art. 51 do CC.
Desconsideração Inversa – Atualmente, a doutrina, a jurisprudência e a lei (NCPC – art.
133, §2º) também admitem a desconsideração inversa.
Caracteriza-se pelo afastamento da autonomia patrimonial da sociedade, para,
contrariamente do que ocorre na desconsideração da personalidade propriamente dita, a ngir
o ente cole vo e seu patrimônio social. A desconsideração inversa tem sido usada com
frequência pelo direito de família, quando um dos cônjuges, pretendendo se separar do outro,
transfere os bens pessoais para uma sociedade, com o obje vo de livrá-los da par lha.
Desconsideração Indireta – Ocorre nos casos de sociedades controladas, controladoras e
coligadas em que uma delas se vale da condição de dominante para fraudar seus credores. A
desconsideração se aplica a toda e qualquer das sociedades que se encontrem inseridas no grupo
econômico, a fim de alcançar a efe va fraudadora que está encoberta pelas coligadas.
Desconsideração expansiva – tem por finalidade responsabilizar o sócio oculto de
determinada sociedade que se acoberta através do chamado “laranja”. Segundo essa teoria, é
176
possível a ngir o patrimônio do sócio que se u liza de uma sociedade que está em nome de
terceiro, mas que ele, sócio oculto, detém o controle. Nessa modalidade, o sócio oculto se
esconde atrás de um terceiro para não ser responsabilizado por eventual inadimplemento da
sociedade, preservando seu patrimônio.

ATENÇÃO!

Sobre o tema Desconsideração, veja o que dizem os Enunciados das Jornadas de Direito Civil:
Enunciado 281 JDC. A aplicação da teoria da desconsideração, descrita no art. 50 do Código
Civil, prescinde da demonstração de insolvência da pessoa jurídica.
Enunciado 282 JDC. O encerramento irregular das a vidades da pessoa jurídica, por si só, não
basta para caracterizar abuso da personalidade jurídica.
Enunciado 283 JDC. É cabível a desconsideração da personalidade jurídica denominada
“inversa” para alcançar bens de sócio que se valeu da pessoa jurídica para ocultar ou desviar
bens pessoais, com prejuízo a terceiros.
Enunciado 284 JDC. As pessoas jurídicas de direito privado sem fins lucra vos ou de fins não-
econômicos estão abrangidas no conceito de abuso da personalidade jurídica.
Enunciado 285 JDC. A teoria da desconsideração, prevista no art. 50 do Código Civil, pode ser
invocada pela pessoa jurídica, em seu favor.

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Por fim, importante transcrever os disposi vos do Código de Processo Civil que
regulam o incidente de desconsideração, haja vista que o novo diploma legal posi vou diversos
entendimentos doutrinários e jurisprudenciais consolidados sobre o assunto:

Art. 133. O incidente de desconsideração da personalidade jurídica será instaurado a


pedido da parte ou do Ministério Público, quando lhe couber intervir no processo.
§ 1o O pedido de desconsideração da personalidade jurídica observará os pressupostos
previstos em lei.
§ 2o Aplica-se o disposto neste Capítulo à hipótese de desconsideração inversa da
personalidade jurídica.
Art. 134. O incidente de desconsideração é cabível em todas as fases do processo de
conhecimento, no cumprimento de sentença e na execução fundada em tulo
execu vo extrajudicial.
§ 1o A instauração do incidente será imediatamente comunicada ao distribuidor para as
anotações devidas.
§ 2o Dispensa-se a instauração do incidente se a desconsideração da personalidade jurídica
for requerida na pe ção inicial, hipótese em que será citado o sócio ou a pessoa jurídica.
§ 3o A instauração do incidente suspenderá o processo, salvo na hipótese do § 2o.
§ 4o O requerimento deve demonstrar o preenchimento dos pressupostos legais 177
específicos para desconsideração da personalidade jurídica.
Art. 135. Instaurado o incidente, o sócio ou a pessoa jurídica será citado para manifestar-
se e requerer as provas cabíveis no prazo de 15 (quinze) dias.
Art. 136. Concluída a instrução, se necessária, o incidente será resolvido por decisão
interlocutória.
Parágrafo único. Se a decisão for proferida pelo relator, cabe agravo interno.
Art. 137. Acolhido o pedido de desconsideração, a alienação ou a oneração de bens,
havida em fraude de execução, será ineficaz em relação ao requerente.

4.1.3 DO DOMICÍLIO

O Código Civil disciplina, do art. 70 ao 78, as regras rela vas ao domicílio. As questões
cobradas em provas limitam-se, em sua quase totalidade, à cobrança da “letra de lei”, razão pela
qual se recomenda a atenta leitura dos disposi vos grifados no tópico da legislação.
O domicílio da pessoa natural foi definido pelo Código como sendo o lugar onde ela, de
modo defini vo, estabelece a sua residência, o centro principal de sua a vidade. Do conceito
supra, subsume-se duas ideias: a de morada e o centro de a vidade; a primeira, per nente à
família, ao lar, ao ponto onde o homem se recolhe para a sua vida ín ma; a segunda, rela va à vida
externa, às relações sociais.

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O domicílio pode ser ainda voluntário ou necessário ou legal. Este úl mo tem como
exemplos o incapaz, o servidor público, o militar, o marí mo e o preso.
Já a pessoa jurídica de direito privado não possui residência, mas sede ou
estabelecimento. Trata-se de um domicílio especial que pode ser livremente escolhido no seu
estatuto ou atos cons tu vos.

178

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4.2 LEGISLAÇÃO

PARTE GERAL
LIVRO I
DAS PESSOAS
TÍTULO I
DAS PESSOAS NATURAIS
CAPÍTULO I
DA PERSONALIDADE E DA CAPACIDADE

o
Art. 1 Toda pessoa é capaz de direitos e deveres na ordem civil.
Art. 2o A personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida; mas a lei põe a salvo,
desde a concepção, os direitos do nascituro.
o
Art. 3 São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil:
I - os menores de dezesseis anos;
179
II - os que, por enfermidade ou deficiência mental, não verem o necessário discernimento para
a prá ca desses atos;
III - os que, mesmo por causa transitória, não puderem exprimir sua vontade.
o
Art. 3 São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil os menores
de 16 (dezesseis) anos.(Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência)
I - (Revogado); (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência)
II - (Revogado); (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência)
III - (Revogado); (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência)
o
Art. 4 São incapazes, rela vamente a certos atos, ou à maneira de os exercer:
Art. 4o São incapazes, rela vamente a certos atos ou à maneira de os exercer: (Revogado);
(Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência)
I - os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos;
II - os ébrios habituais, os viciados em tóxicos, e os que, por deficiência mental, tenham o
discernimento reduzido;
III - os excepcionais, sem desenvolvimento mental completo;
II - os ébrios habituais e os viciados em tóxico; (Revogado); (Redação dada pela Lei nº 13.146,
de 2015) Vigência)

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III - aqueles que, por causa transitória ou permanente, não puderem exprimir sua vontade;
(Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência)
IV - os pródigos.
Parágrafo único. A capacidade dos índios será regulada por legislação especial.
Parágrafo único. A capacidade dos indígenas será regulada por legislação especial.
(Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência)
o
Art. 5 A menoridade cessa aos dezoito anos completos, quando a pessoa fica habilitada à
prá ca de todos os atos da vida civil.
Parágrafo único. Cessará, para os menores, a incapacidade:
I - pela concessão dos pais, ou de um deles na falta do outro, mediante instrumento público,
independentemente de homologação judicial, ou por sentença do juiz, ouvido o tutor, se o
menor ver dezesseis anos completos;
II - pelo casamento;
III - pelo exercício de emprego público efe vo;
IV - pela colação de grau em curso de ensino superior;
V - pelo estabelecimento civil ou comercial, ou pela existência de relação de emprego, desde
180
que, em função deles, o menor com dezesseis anos completos tenha economia própria.
o
Art. 6 A existência da pessoa natural termina com a morte; presume-se esta, quanto aos
ausentes, nos casos em que a lei autoriza a abertura de sucessão defini va.
Art. 7o Pode ser declarada a morte presumida, sem decretação de ausência:
I - se for extremamente provável a morte de quem estava em perigo de vida;
II - se alguém, desaparecido em campanha ou feito prisioneiro, não for encontrado até dois
anos após o término da guerra.
Parágrafo único. A declaração da morte presumida, nesses casos, somente poderá ser
requerida depois de esgotadas as buscas e averiguações, devendo a sentença fixar a data
provável do falecimento.
Art. 8o Se dois ou mais indivíduos falecerem na mesma ocasião, não se podendo averiguar se
algum dos comorientes precedeu aos outros, presumir-se-ão simultaneamente mortos.
Art. 9o Serão registrados em registro público:
I - os nascimentos, casamentos e óbitos;
II - a emancipação por outorga dos pais ou por sentença do juiz;
III - a interdição por incapacidade absoluta ou rela va;

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IV - a sentença declaratória de ausência e de morte presumida.
Art. 10. Far-se-á averbação em registro público:
I - das sentenças que decretarem a nulidade ou anulação do casamento, o divórcio, a separação
judicial e o restabelecimento da sociedade conjugal;
II - dos atos judiciais ou extrajudiciais que declararem ou reconhecerem a filiação;
III - dos atos judiciais ou extrajudiciais de adoção. (Revogado pela Lei nº 12.010, de 2009)

CAPÍTULO II
DOS DIREITOS DA PERSONALIDADE

Art. 11. Com exceção dos casos previstos em lei, os direitos da personalidade são
intransmissíveis e irrenunciáveis, não podendo o seu exercício sofrer limitação voluntária.
Art. 12. Pode-se exigir que cesse a ameaça, ou a lesão, a direito da personalidade, e reclamar
perdas e danos, sem prejuízo de outras sanções previstas em lei.
Parágrafo único. Em se tratando de morto, terá legi mação para requerer a medida prevista
neste ar go o cônjuge sobrevivente, ou qualquer parente em linha reta, ou colateral até o 181
quarto grau.
Art. 13. Salvo por exigência médica, é defeso o ato de disposição do próprio corpo, quando
importar diminuição permanente da integridade sica, ou contrariar os bons costumes.
Parágrafo único. O ato previsto neste ar go será admi do para fins de transplante, na forma
estabelecida em lei especial.
Art. 14. É válida, com obje vo cien fico, ou altruís co, a disposição gratuita do próprio corpo,
no todo ou em parte, para depois da morte.
Parágrafo único. O ato de disposição pode ser livremente revogado a qualquer tempo.
Art. 15. Ninguém pode ser constrangido a submeter-se, com risco de vida, a tratamento médico
ou a intervenção cirúrgica.
Art. 16. Toda pessoa tem direito ao nome, nele compreendidos o prenome e o sobrenome.
Art. 17. O nome da pessoa não pode ser empregado por outrem em publicações ou representações
que a exponham ao desprezo público, ainda quando não haja intenção difamatória.
Art. 18. Sem autorização, não se pode usar o nome alheio em propaganda comercial.
Art. 19. O pseudônimo adotado para a vidades lícitas goza da proteção que se dá ao nome.
Art. 20. Salvo se autorizadas, ou se necessárias à administração da jus ça ou à manutenção da
ordem pública, a divulgação de escritos, a transmissão da palavra, ou a publicação, a exposição

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ou a u lização da imagem de uma pessoa poderão ser proibidas, a seu requerimento e sem
prejuízo da indenização que couber, se lhe a ngirem a honra, a boa fama ou a respeitabilidade,
ou se se des narem a fins comerciais. (Vide ADIN 4815)
Parágrafo único. Em se tratando de morto ou de ausente, são partes legí mas para requerer
essa proteção o cônjuge, os ascendentes ou os descendentes.
Art. 21. A vida privada da pessoa natural é inviolável, e o juiz, a requerimento do interessado,
adotará as providências necessárias para impedir ou fazer cessar ato contrário a esta norma.
(Vide ADIN 4815)

CAPÍTULO III
DA AUSÊNCIA
Seção I
Da Curadoria dos Bens do Ausente

Art. 22. Desaparecendo uma pessoa do seu domicílio sem dela haver no cia, se não houver
deixado representante ou procurador a quem caiba administrar-lhe os bens, o juiz, a
requerimento de qualquer interessado ou do Ministério Público, declarará a ausência, e
nomear-lhe-á curador.
182
Art. 23. Também se declarará a ausência, e se nomeará curador, quando o ausente deixar
mandatário que não queira ou não possa exercer ou con nuar o mandato, ou se os seus poderes
forem insuficientes.
Art. 24. O juiz, que nomear o curador, fixar-lhe-á os poderes e obrigações, conforme as
circunstâncias, observando, no que for aplicável, o disposto a respeito dos tutores e curadores.
Art. 25. O cônjuge do ausente, sempre que não esteja separado judicialmente, ou de fato por
mais de dois anos antes da declaração da ausência, será o seu legí mo curador.
§ 1o Em falta do cônjuge, a curadoria dos bens do ausente incumbe aos pais ou aos
descendentes, nesta ordem, não havendo impedimento que os iniba de exercer o cargo.
o
§ 2 Entre os descendentes, os mais próximos precedem os mais remotos.
o
§ 3 Na falta das pessoas mencionadas, compete ao juiz a escolha do curador.

Seção II
Da Sucessão Provisória

Art. 26. Decorrido um ano da arrecadação dos bens do ausente, ou, se ele deixou
representante ou procurador, em se passando três anos, poderão os interessados requerer
que se declare a ausência e se abra provisoriamente a sucessão.

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Art. 27. Para o efeito previsto no ar go anterior, somente se consideram interessados:
I - o cônjuge não separado judicialmente;
II - os herdeiros presumidos, legí mos ou testamentários;
III - os que verem sobre os bens do ausente direito dependente de sua morte;
IV - os credores de obrigações vencidas e não pagas.
Art. 28. A sentença que determinar a abertura da sucessão provisória só produzirá efeito cento
e oitenta dias depois de publicada pela imprensa; mas, logo que passe em julgado, proceder-
se-á à abertura do testamento, se houver, e ao inventário e par lha dos bens, como se o ausente
fosse falecido.
o
§ 1 Findo o prazo a que se refere o art. 26, e não havendo interessados na sucessão provisória,
cumpre ao Ministério Público requerê-la ao juízo competente.
§ 2o Não comparecendo herdeiro ou interessado para requerer o inventário até trinta dias
depois de passar em julgado a sentença que mandar abrir a sucessão provisória, proceder-se-
á à arrecadação dos bens do ausente pela forma estabelecida nos arts. 1.819 a 1.823.
Art. 29. Antes da par lha, o juiz, quando julgar conveniente, ordenará a conversão dos bens
móveis, sujeitos a deterioração ou a extravio, em imóveis ou em tulos garan dos pela União. 183
Art. 30. Os herdeiros, para se imi rem na posse dos bens do ausente, darão garan as da
res tuição deles, mediante penhores ou hipotecas equivalentes aos quinhões respec vos.
o
§ 1 Aquele que ver direito à posse provisória, mas não puder prestar a garan a exigida neste
ar go, será excluído, mantendo-se os bens que lhe deviam caber sob a administração do
curador, ou de outro herdeiro designado pelo juiz, e que preste essa garan a.
o
§ 2 Os ascendentes, os descendentes e o cônjuge, uma vez provada a sua qualidade de
herdeiros, poderão, independentemente de garan a, entrar na posse dos bens do ausente.
Art. 31. Os imóveis do ausente só se poderão alienar, não sendo por desapropriação, ou
hipotecar, quando o ordene o juiz, para lhes evitar a ruína.
Art. 32. Empossados nos bens, os sucessores provisórios ficarão representando a va e
passivamente o ausente, de modo que contra eles correrão as ações pendentes e as que de
futuro àquele forem movidas.
Art. 33. O descendente, ascendente ou cônjuge que for sucessor provisório do ausente, fará
seus todos os frutos e rendimentos dos bens que a este couberem; os outros sucessores, porém,
deverão capitalizar metade desses frutos e rendimentos, segundo o disposto no art. 29, de
acordo com o representante do Ministério Público, e prestar anualmente contas ao juiz
competente.
Parágrafo único. Se o ausente aparecer, e ficar provado que a ausência foi voluntária e
injus ficada, perderá ele, em favor do sucessor, sua parte nos frutos e rendimentos.

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Art. 34. O excluído, segundo o art. 30, da posse provisória poderá, jus ficando falta de meios,
requerer lhe seja entregue metade dos rendimentos do quinhão que lhe tocaria.
Art. 35. Se durante a posse provisória se provar a época exata do falecimento do ausente,
considerar-se-á, nessa data, aberta a sucessão em favor dos herdeiros, que o eram àquele tempo.
Art. 36. Se o ausente aparecer, ou se lhe provar a existência, depois de estabelecida a posse
provisória, cessarão para logo as vantagens dos sucessores nela imi dos, ficando, todavia,
obrigados a tomar as medidas assecuratórias precisas, até a entrega dos bens a seu dono.

Seção III
Da Sucessão Defini va

Art. 37. Dez anos depois de passada em julgado a sentença que concede a abertura da
sucessão provisória, poderão os interessados requerer a sucessão defini va e o levantamento
das cauções prestadas.
Art. 38. Pode-se requerer a sucessão defini va, também, provando-se que o ausente conta
oitenta anos de idade, e que de cinco datam as úl mas no cias dele.
Art. 39. Regressando o ausente nos dez anos seguintes à abertura da sucessão defini va, ou
algum de seus descendentes ou ascendentes, aquele ou estes haverão só os bens existentes 184
no estado em que se acharem, os sub-rogados em seu lugar, ou o preço que os herdeiros e
demais interessados houverem recebido pelos bens alienados depois daquele tempo.
Parágrafo único. Se, nos dez anos a que se refere este ar go, o ausente não regressar, e nenhum
interessado promover a sucessão defini va, os bens arrecadados passarão ao domínio do
Município ou do Distrito Federal, se localizados nas respec vas circunscrições, incorporando-se
ao domínio da União, quando situados em território federal.

TÍTULO II
DAS PESSOAS JURÍDICAS
CAPÍTULO I
DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 40. As pessoas jurídicas são de direito público, interno ou externo, e de direito privado.
Art. 41. São pessoas jurídicas de direito público interno:
I - a União;
II - os Estados, o Distrito Federal e os Territórios;
III - os Municípios;
IV - as autarquias;

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IV - as autarquias, inclusive as associações públicas; (Redação dada pela Lei nº 11.107, de 2005)
V - as demais en dades de caráter público criadas por lei.
Parágrafo único. Salvo disposição em contrário, as pessoas jurídicas de direito público, a que se
tenha dado estrutura de direito privado, regem-se, no que couber, quanto ao seu
funcionamento, pelas normas deste Código.
Art. 42. São pessoas jurídicas de direito público externo os Estados estrangeiros e todas as
pessoas que forem regidas pelo direito internacional público.
Art. 43. As pessoas jurídicas de direito público interno são civilmente responsáveis por atos dos
seus agentes que nessa qualidade causem danos a terceiros, ressalvado direito regressivo
contra os causadores do dano, se houver, por parte destes, culpa ou dolo.
Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado:
I - as associações;
II - as sociedades;
III - as fundações.
IV - as organizações religiosas; (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003)
V - os par dos polí cos. (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003)
185
VI - as empresas individuais de responsabilidade limitada. (Incluído pela Lei nº 12.441, de 2011)
(Vigência)
§ 1o São livres a criação, a organização, a estruturação interna e o funcionamento das organizações
religiosas, sendo vedado ao poder público negar-lhes reconhecimento ou registro dos atos
cons tu vos e necessários ao seu funcionamento. (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003)
§ 2o As disposições concernentes às associações aplicam-se subsidiariamente às sociedades que
são objeto do Livro II da Parte Especial deste Código. (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003)
§ 3o Os par dos polí cos serão organizados e funcionarão conforme o disposto em lei
específica. (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003)
Art. 45. Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a inscrição do ato
cons tu vo no respec vo registro, precedida, quando necessário, de autorização ou aprovação
do Poder Execu vo, averbando-se no registro todas as alterações por que passar o ato
cons tu vo.
Parágrafo único. Decai em três anos o direito de anular a cons tuição das pessoas jurídicas de direito
privado, por defeito do ato respec vo, contado o prazo da publicação de sua inscrição no registro.
Art. 46. O registro declarará:I - a denominação, os fins, a sede, o tempo de duração e o fundo
social, quando houver;
II - o nome e a individualização dos fundadores ou ins tuidores, e dos diretores;

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III - o modo por que se administra e representa, a va e passivamente, judicial e
extrajudicialmente;
IV - se o ato cons tu vo é reformável no tocante à administração, e de que modo;
V - se os membros respondem, ou não, subsidiariamente, pelas obrigações sociais;
VI - as condições de ex nção da pessoa jurídica e o des no do seu patrimônio, nesse caso.
Art. 47. Obrigam a pessoa jurídica os atos dos administradores, exercidos nos limites de seus
poderes definidos no ato cons tu vo.
Art. 48. Se a pessoa jurídica ver administração cole va, as decisões se tomarão pela maioria de
votos dos presentes, salvo se o ato cons tu vo dispuser de modo diverso.
Parágrafo único. Decai em três anos o direito de anular as decisões a que se refere este ar go,
quando violarem a lei ou estatuto, ou forem eivadas de erro, dolo, simulação ou fraude.
Art. 49. Se a administração da pessoa jurídica vier a faltar, o juiz, a requerimento de qualquer
interessado, nomear-lhe-á administrador provisório.
Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou
pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério
Público quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas 186
relações de obrigações sejam estendidos aos bens par culares dos administradores ou sócios
da pessoa jurídica.
Art. 51. Nos casos de dissolução da pessoa jurídica ou cassada a autorização para seu
funcionamento, ela subsis rá para os fins de liquidação, até que esta se conclua.
§ 1o Far-se-á, no registro onde a pessoa jurídica es ver inscrita, a averbação de sua dissolução.
o
§ 2 As disposições para a liquidação das sociedades aplicam-se, no que couber, às demais pessoas
jurídicas de direito privado.
§ 3o Encerrada a liquidação, promover-se-á o cancelamento da inscrição da pessoa jurídica.
Art. 52. Aplica-se às pessoas jurídicas, no que couber, a proteção dos direitos da personalidade.

CAPÍTULO II
DAS ASSOCIAÇÕES

Art. 53. Cons tuem-se as associações pela união de pessoas que se organizem para fins não
econômicos.
Parágrafo único. Não há, entre os associados, direitos e obrigações recíprocos.
Art. 54. Sob pena de nulidade, o estatuto das associações conterá:
I - a denominação, os fins e a sede da associação;

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II - os requisitos para a admissão, demissão e exclusão dos associados;
III - os direitos e deveres dos associados;
IV - as fontes de recursos para sua manutenção;
V - o modo de cons tuição e funcionamento dos órgãos delibera vos e administra vos;
V – o modo de cons tuição e de funcionamento dos órgãos delibera vos; (Redação dada
pela Lei nº 11.127, de 2005)
VI - as condições para a alteração das disposições estatutárias e para a dissolução.
VII – a forma de gestão administra va e de aprovação das respec vas contas. (Incluído
pela Lei nº 11.127, de 2005)
Art. 55. Os associados devem ter iguais direitos, mas o estatuto poderá ins tuir categorias com
vantagens especiais.
Art. 56. A qualidade de associado é intransmissível, se o estatuto não dispuser o contrário.
Parágrafo único. Se o associado for tular de quota ou fração ideal do patrimônio da associação,
a transferência daquela não importará, de per si, na atribuição da qualidade de associado ao
adquirente ou ao herdeiro, salvo disposição diversa do estatuto.
Art. 57. A exclusão do associado só é admissível havendo justa causa, obedecido o disposto no
187
estatuto; sendo este omisso, poderá também ocorrer se for reconhecida a existência de
mo vos graves, em deliberação fundamentada, pela maioria absoluta dos presentes à
assembléia geral especialmente convocada para esse fim.
Parágrafo único. Da decisão do órgão que, de conformidade com o estatuto, decretar a
exclusão, caberá sempre recurso à assembléia geral (Revogado pela Lei nº 11.127, de 2005)
Art. 57. A exclusão do associado só é admissível havendo justa causa, assim reconhecida em
procedimento que assegure direito de defesa e de recurso, nos termos previstos no estatuto.
(Revogado pela Lei nº 11.127, de 2005)
Art. 58. Nenhum associado poderá ser impedido de exercer direito ou função que lhe tenha sido
legi mamente conferido, a não ser nos casos e pela forma previstos na lei ou no estatuto.
Art. 59. Compete priva vamente à assembléia geral:
I - eleger os administradores;
II - des tuir os administradores;
III - aprovar as contas;
IV - alterar o estatuto
Parágrafo único. Para as deliberações a que se referem os incisos II e IV é exigido o voto concorde
de dois terços dos presentes à assembléia especialmente convocada para esse fim, não

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podendo ela deliberar, em primeira convocação, sem a maioria absoluta dos associados, ou com
menos de um terço nas convocações seguintes.
Art. 59. Compete priva vamente à assembléia geral: (Redação dada pela Lei nº 11.127, de 2005)
I – des tuir os administradores; (Redação dada pela Lei nº 11.127, de 2005)
II – alterar o estatuto. (Redação dada pela Lei nº 11.127, de 2005)
Parágrafo único. Para as deliberações a que se referem os incisos I e II deste ar go é exigido
deliberação da assembléia especialmente convocada para esse fim, cujo quorum será o
estabelecido no estatuto, bem como os critérios de eleição dos administradores.
(Redação dada pela Lei nº 11.127, de 2005)
Art. 60. A convocação da assembléia geral far-se-á na forma do estatuto, garan do a um
quinto dos associados o direito de promovê-la.
Art. 60. A convocação dos órgãos delibera vos far-se-á na forma do estatuto, garan do a 1/5
(um quinto) dos associados o direito de promovê-la. (Redação dada pela Lei nº 11.127, de
2005)
Art. 61. Dissolvida a associação, o remanescente do seu patrimônio líquido, depois de
deduzidas, se for o caso, as quotas ou frações ideais referidas no parágrafo único do art. 56, será
des nado à en dade de fins não econômicos designada no estatuto, ou, omisso este, por
188
deliberação dos associados, à ins tuição municipal, estadual ou federal, de fins idên cos ou
semelhantes.
o
§ 1 Por cláusula do estatuto ou, no seu silêncio, por deliberação dos associados, podem estes,
antes da des nação do remanescente referida neste ar go, receber em res tuição, atualizado o
respec vo valor, as contribuições que verem prestado ao patrimônio da associação.
o
§ 2 Não exis ndo no Município, no Estado, no Distrito Federal ou no Território, em que a
associação ver sede, ins tuição nas condições indicadas neste ar go, o que remanescer do seu
patrimônio se devolverá à Fazenda do Estado, do Distrito Federal ou da União.

CAPÍTULO III
DAS FUNDAÇÕES

Art. 62. Para criar uma fundação, o seu ins tuidor fará, por escritura pública ou testamento,
dotação especial de bens livres, especificando o fim a que se des na, e declarando, se quiser, a
maneira de administrá-la.
Parágrafo único. A fundação somente poderá cons tuir-se para fins religiosos, morais, culturais
ou de assistência.
Parágrafo único. A fundação somente poderá cons tuir-s e para fins de: (Redação dada pela Lei
nº 13.151, de 2015)

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I – assistência social; (Incluído pela Lei nº 13.151, de 2015)
II – cultura, defesa e conservação do patrimônio histórico e ar s co; (Incluído pela Lei nº
13.151, de 2015)
III – educação; (Incluído pela Lei nº 13.151, de 2015)
IV – saúde; (Incluído pela Lei nº 13.151, de 2015)
V – segurança alimentar e nutricional; (Incluído pela Lei nº 13.151, de 2015)
VI – defesa, preservação e conservação do meio ambiente e promoção do desenvolvimento
sustentável; (Incluído pela Lei nº 13.151, de 2015)
VII – pesquisa cien fica, desenvolvimento de tecnologias alterna vas, modernização de
sistemas de gestão, produção e divulgação de informações e conhecimentos técnicos e
cien ficos; (Incluído pela Lei nº 13.151, de 2015)
VIII – promoção da é ca, da cidadania, da democracia e dos direitos humanos; (Incluído
pela Lei nº 13.151, de 2015)
IX – a vidades religiosas; e (Incluído pela Lei nº 13.151, de 2015)
X – (VETADO). (Incluído pela Lei nº 13.151, de 2015)
Art. 63. Quando insuficientes para cons tuir a fundação, os bens a ela des nados serão, se
189
de outro modo não dispuser o ins tuidor, incorporados em outra fundação que se proponha
a fim igual ou semelhante.
Art. 64. Cons tuída a fundação por negócio jurídico entre vivos, o ins tuidor é obrigado a
transferir-lhe a propriedade, ou outro direito real, sobre os bens dotados, e, se não o fizer,
serão registrados, em nome dela, por mandado judicial.
Art. 65. Aqueles a quem o ins tuidor cometer a aplicação do patrimônio, em tendo ciência
do encargo, formularão logo, de acordo com as suas bases (art. 62), o estatuto da fundação
projetada, submetendo-o, em seguida, à aprovação da autoridade competente, com recurso
ao juiz.
Parágrafo único. Se o estatuto não for elaborado no prazo assinado pelo ins tuidor, ou, não
havendo prazo, em cento e oitenta dias, a incumbência caberá ao Ministério Público.
Art. 66. Velará pelas fundações o Ministério Público do Estado onde situadas.
o
§ 1 Se funcionarem no Distrito Federal, ou em Território, caberá o encargo ao Ministério Público
Federal. (Vide ADIN nº 2.794-8)
§ 1º Se funcionarem no Distrito Federal ou em Território, caberá o encargo ao Ministério Público
do Distrito Federal e Territórios. (Redação dada pela Lei nº 13.151, de 2015)
o
§ 2 Se estenderem a a vidade por mais de um Estado, caberá o encargo, em cada um deles, ao
respec vo Ministério Público.

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Art. 67. Para que se possa alterar o estatuto da fundação é mister que a reforma:
I - seja deliberada por dois terços dos competentes para gerir e representar a fundação;
II - não contrarie ou desvirtue o fim desta;
III - seja aprovada pelo órgão do Ministério Público, e, caso este a denegue, poderá o juiz supri-
la, a requerimento do interessado.
III – seja aprovada pelo órgão do Ministério Público no prazo máximo de 45 (quarenta e cinco)
dias, findo o qual ou no caso de o Ministério Público a denegar, poderá o juiz supri-la, a
requerimento do interessado. (Redação dada pela Lei nº 13.151, de 2015)
Art. 68. Quando a alteração não houver sido aprovada por votação unânime, os
administradores da fundação, ao submeterem o estatuto ao órgão do Ministério Público,
requererão que se dê ciência à minoria vencida para impugná-la, se quiser, em dez dias.
Art. 69. Tornando-se ilícita, impossível ou inú l a finalidade a que visa a fundação, ou vencido
o prazo de sua existência, o órgão do Ministério Público, ou qualquer interessado, lhe
promoverá a ex nção, incorporando-se o seu patrimônio, salvo disposição em contrário no
ato cons tu vo, ou no estatuto, em outra fundação, designada pelo juiz, que se proponha a fim
igual ou semelhante.
190
TÍTULO III
DO DOMICÍLIO

Art. 70. O domicílio da pessoa natural é o lugar onde ela estabelece a sua residência com ânimo
defini vo.
Art. 71. Se, porém, a pessoa natural ver diversas residências, onde, alternadamente, viva,
considerar-se-á domicílio seu qualquer delas.
Art. 72. É também domicílio da pessoa natural, quanto às relações concernentes à profissão, o
lugar onde esta é exercida.
Parágrafo único. Se a pessoa exercitar profissão em lugares diversos, cada um deles cons tuirá
domicílio para as relações que lhe corresponderem.
Art. 73. Ter-se-á por domicílio da pessoa natural, que não tenha residência habitual, o lugar
onde for encontrada.
Art. 74. Muda-se o domicílio, transferindo a residência, com a intenção manifesta de o mudar.
Parágrafo único. A prova da intenção resultará do que declarar a pessoa às municipalidades dos
lugares, que deixa, e para onde vai, ou, se tais declarações não fizer, da própria mudança, com as
circunstâncias que a acompanharem.
Art. 75. Quanto às pessoas jurídicas, o domicílio é:

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I - da União, o Distrito Federal;
II - dos Estados e Territórios, as respec vas capitais;
III - do Município, o lugar onde funcione a administração municipal;
IV - das demais pessoas jurídicas, o lugar onde funcionarem as respec vas diretorias e
administrações, ou onde elegerem domicílio especial no seu estatuto ou atos cons tu vos.
§ 1o Tendo a pessoa jurídica diversos estabelecimentos em lugares diferentes, cada um deles
será considerado domicílio para os atos nele pra cados.
o
§ 2 Se a administração, ou diretoria, ver a sede no estrangeiro, haver-se-á por domicílio da
pessoa jurídica, no tocante às obrigações contraídas por cada uma das suas agências, o lugar do
estabelecimento, sito no Brasil, a que ela corresponder.
Art. 76. Têm domicílio necessário o incapaz, o servidor público, o militar, o marí mo e o preso.
Parágrafo único. O domicílio do incapaz é o do seu representante ou assistente; o do servidor
público, o lugar em que exercer permanentemente suas funções; o do militar, onde servir, e,
sendo da Marinha ou da Aeronáu ca, a sede do comando a que se encontrar imediatamente
subordinado; o do marí mo, onde o navio es ver matriculado; e o do preso, o lugar em que
cumprir a sentença.
191
Art. 77. O agente diplomá co do Brasil, que, citado no estrangeiro, alegar extraterritorialidade
sem designar onde tem, no país, o seu domicílio, poderá ser demandado no Distrito Federal ou
no úl mo ponto do território brasileiro onde o teve.
Art. 78. Nos contratos escritos, poderão os contratantes especificar domicílio onde se exercitem
e cumpram os direitos e obrigações deles resultantes.

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4.3 JURISPRUDÊNCIA

SÚMULAS
Súmula 403 do STJ: Independe de prova do prejuízo a indenização pela publicação não
autorizada de imagem de pessoa com fins econômicos ou comerciais.

JULGADOS
STF
AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. ARTS. 20 E 21 DA LEI N. 10.406/2002 (CÓDIGO CIVIL).
PRELIMINAR DE ILEGITIMIDADE ATIVA REJEITADA. REQUISITOS LEGAIS OBSERVADOS. MÉRITO:
APARENTE CONFLITO ENTRE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS: LIBERDADE DE EXPRESSÃO, DE
INFORMAÇÃO, ARTÍSTICA E CULTURAL, INDEPENDENTE DE CENSURA OU AUTORIZAÇÃO PRÉVIA
(ART. 5º INCS. IV, IX, XIV; 220, §§ 1º E 2º) E INVIOLABILIDADE DA INTIMIDADE, VIDA PRIVADA,
HONRA E IMAGEM DAS PESSOAS (ART. 5º, INC. X). ADOÇÃO DE CRITÉRIO DA PONDERAÇÃO PARA
INTERPRETAÇÃO DE PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL. PROIBIÇÃO DE CENSURA (ESTATAL OU
PARTICULAR). GARANTIA CONSTITUCIONAL DE INDENIZAÇÃO E DE DIREITO DE RESPOSTA. AÇÃO
DIRETA JULGADA PROCEDENTE PARA DAR INTERPRETAÇÃO CONFORME À CONSTITUIÇÃO AOS 192
ARTS. 20 E 21 DO CÓDIGO CIVIL, SEM REDUÇÃO DE TEXTO. 1. A Associação Nacional dos Editores de
Livros - Anel congrega a classe dos editores, considerados, para fins estatutários, a pessoa natural ou
jurídica à qual se atribui o direito de reprodução de obra literária, ar s ca ou cien fica, podendo
publicá-la e divulgá-la. A correlação entre o conteúdo da norma impugnada e os obje vos da Autora
preenche o requisito de per nência temá ca e a presença de seus associados em nove Estados da
Federação comprova sua representação nacional, nos termos da jurisprudência deste Supremo
Tribunal. Preliminar de ilegi midade a va rejeitada. 2. O objeto da presente ação restringe-se à
interpretação dos arts. 20 e 21 do Código Civil rela vas à divulgação de escritos, à transmissão da
palavra, à produção, publicação, exposição ou u lização da imagem de pessoa biografada. 3. A
Cons tuição do Brasil proíbe qualquer censura. O exercício do direito à liberdade de expressão não
pode ser cerceada pelo Estado ou por par cular. 4. O direito de informação, cons tucionalmente
garan do, contém a liberdade de informar, de se informar e de ser informado. O primeiro refere-se à
formação da opinião pública, considerado cada qual dos cidadãos que pode receber livremente
dados sobre assuntos de interesse da cole vidade e sobre as pessoas cujas ações, público-estatais ou
público-sociais, interferem em sua esfera do acervo do direito de saber, de aprender sobre temas
relacionados a suas legí mas cogitações. 5. Biografia é história. A vida não se desenvolve apenas a
par r da soleira da porta de casa. 6. Autorização prévia para biografia cons tui censura prévia
par cular. O recolhimento de obras é censura judicial, a subs tuir a administra va. O risco é próprio
do viver. Erros corrigem-se segundo o direito, não se coartando liberdades conquistadas. A reparação
de danos e o direito de resposta devem ser exercidos nos termos da lei. 7. A liberdade é
cons tucionalmente garan da, não se podendo anular por outra norma cons tucional (inc. IV do art.
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60), menos ainda por norma de hierarquia inferior (lei civil), ainda que sob o argumento de se estar a
resguardar e proteger outro direito cons tucionalmente assegurado, qual seja, o da inviolabilidade do
direito à in midade, à privacidade, à honra e à imagem. 8. Para a coexistência das normas cons tucionais
dos incs. IV, IX e X do art. 5º, há de se acolher o balanceamento de direitos, conjugando-se o direito às
liberdades com a inviolabilidade da in midade, da privacidade, da honra e da imagem da pessoa
biografada e daqueles que pretendem elaborar as biografias. 9. Ação direta julgada procedente para dar
interpretação conforme à Cons tuição aos arts. 20 e 21 do Código Civil, sem redução de texto, para, em
consonância com os direitos fundamentais à liberdade de pensamento e de sua expressão, de criação
ar s ca, produção cien fica, declarar inexigível autorização de pessoa biografada rela vamente a obras
biográficas literárias ou audiovisuais, sendo também desnecessária autorização de pessoas retratadas
como coadjuvantes (ou de seus familiares, em caso de pessoas falecidas ou ausentes). (ADI 4815,
Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 10/06/2015, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-018
DIVULG 29-01-2016 PUBLIC 01-02-2016) (Info 789)
São cons tucionais o art. 28, § 1º e o art. 30 da Lei no 13.146/2015, que determinam que as
escolas privadas ofereçam atendimento educacional adequado e inclusivo às pessoas com
deficiência sem que possam cobrar valores adicionais de qualquer natureza em suas
mensalidades, anuidades e matrículas para cumprimento dessa obrigação. STF. Plenário. ADI
5357 MC-Referendo/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 9/6/2016 (Info 829).
193
STJ
REGISTRO PÚBLICO. RETIFICAÇÃO. ERRO DE GRAFIA. OBTENÇÃO. CIDADANIA ITALIANA.
Trata-se de REsp em que a discussão cinge-se à apuração da necessidade da presença de todos
os integrantes da família em juízo, para que se proceda à re ficação do patronímico por erro de
grafia. Os recorridos ajuizaram ação para obtenção de re ficação de suas cer dões de
nascimento e casamento, bem como a de seus ascendentes, em relação aos quais se inclui a
cer dão de óbito, em virtude de erro de grafia nos patronímicos, o que, segundo afirmam,
cons tui um óbice à solicitação da cidadania italiana. Sobreveio sentença de procedência do
pedido, promovendo as requeridas alterações. O MP interpôs recurso especial por entender
que a mudança poderia causar desagregação nas anotações registrais uma vez que a decisão
extrapola a esfera de interesse dos recorridos, alcançando os demais, os quais devem
comparecer em juízo para assen r com a referida solicitação, sob pena de ruptura da cadeia
familiar. A Turma entendeu que o justo mo vo revela-se presente na necessidade de
suprimento de incorreções na grafia do patronímico para a obtenção da cidadania italiana,
sendo certo que o direito à dupla cidadania pelo jus sanguinis tem sede cons tucional. A regra
da inalterabilidade rela va do nome civil preconiza que o nome (prenome e sobrenome)
estabelecido por ocasião do nascimento reveste-se de defini vidade, admi ndo-se sua
modificação, excepcionalmente, nas hipóteses previstas em lei ou reconhecidas como
excepcionais por decisão judicial, exigindo-se, para tanto, justo mo vo e ausência de prejuízo a
terceiros. Na hipótese, a ausência de prejuízo a terceiros advém do provimento do pedido dos

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recorridos - tanto pelo magistrado singular quanto pelo tribunal estadual -, sem que fosse feita
menção à existência de qualquer restrição. Daí, desnecessária a inclusão de todos os
componentes do tronco familiar no polo a vo da ação, uma vez que, sendo, via de regra, um
procedimento de jurisdição voluntária, no qual não há lide nem partes, mas tão somente
interessados, incabível falar em li sconsórcio necessário, máxime no polo a vo, em que
sabidamente o li sconsórcio sempre se dá na forma faculta va. REsp 1.138.103-PR, Rel. Min.
Luis Felipe Salomão, julgado em 6/9/2011. (Info 482)

DIREITO CIVIL. REGISTRO CIVIL. RETIFICAÇÃO PARA O NOME DE SOLTERIA DA GENITORA. É


possível a alteração no registro de nascimento para dele constar o nome de solteira da genitora,
excluindo o patronímico do ex-padrasto. REsp 1.072.402-MG, Rel. Min. Luis Felipe Salomão,
julgado em 4/12/2012. (Info 512)

DIREITO CIVIL. EXCLUSÃO DOS SOBRENOMES PATERNOS EM RAZÃO DO ABANDONO PELO


GENITOR. Pode ser deferido pedido formulado por filho que, no primeiro ano após a ngir a
maioridade, pretende excluir completamente de seu nome civil os sobrenomes de seu pai, que
o abandonou em tenra idade. REsp 1.304.718-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado
em 18/12/2014, DJe 5/2/2015. (Info 555)
194
ACRÉSCIMO DE SOBRENOME DO CÔNJUGE APÓS A CELEBRAÇÃO DO CASAMENTO. Aos
cônjuges é permi do incluir ao seu nome o sobrenome do outro, ainda que após a data da
celebração do casamento, porém deverá ser por meio de ação judicial. O registro de nascimento
da pessoa natural, com a iden ficação do nome civil, em regra é imutável. Contudo, a lei
permite, em determinas ocasiões, sua alteração. Ao oficial de cartório somente é permi do
alterar um nome, independente de ação judicial, nos casos previstos em lei, como é a hipótese
do art. 1565, § 1º do CC, o qual possibilita a inclusão do sobrenome de um dos nubentes no do
outro, durante o processo de habilitação do casamento. A Turma entendeu que essa
possibilidade deve-se estender ao período de convivência do casal, enquanto perdurar o
vínculo conjugal. Porém, nesta hipótese, o nome deve ser acrescido por intermédio da ação de
re ficação de registros públicos, nos termos dos arts. 57 e 109 da Lei de Registros Públicos (Lei n.
6.015/1973). REsp 910.094-SC, Rel. Raul Araújo, julgado em 4/9/2012. (Info 503)

DIREITO CIVIL. RETIFICAÇÃO DO SOBRENOME DOS FILHOS EM RAZÃO DE DIVÓRCIO. É


admissível a averbação, no registro de nascimento do filho, da alteração do sobrenome de um
dos genitores que, em decorrência do divórcio, optou por u lizar novamente o nome de
solteiro, contanto que ausentes quaisquer prejuízos a terceiros. REsp 1.279.952-MG, Rel. Min.
Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 3/2/2015, DJe 12/2/2015. (Info 555)

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DIREITO CIVIL. ALTERAÇÃO DE REGISTRO CIVIL APÓS AQUISIÇÃO DE DUPLA CIDADANIA. O
brasileiro que adquiriu dupla cidadania pode ter seu nome re ficado no registro civil do Brasil,
desde que isso não cause prejuízo a terceiros, quando vier a sofrer transtornos no exercício da
cidadania por força da apresentação de documentos estrangeiros com sobrenome imposto por
lei estrangeira e diferente do que consta em seus documentos brasileiros. REsp 1.310.088-MG,
Rel. Min. João Otávio de Noronha, Rel. para acórdão Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado
em 17/5/2016, DJe 19/8/2016. (Info 588)

DIREITO CIVIL. DANO MORAL DECORRENTE DE DIVULGAÇÃO DE IMAGEM EM PROPAGANDA


POLÍTICA. Configura dano moral indenizável a divulgação não autorizada da imagem de alguém em
material impresso de propaganda polí co-eleitoral, independentemente da comprovação de
prejuízo. REsp 1.217.422-MG, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 23/9/2014. (Info 549)

DANO MORAL. DIREITO DE INFORMAR E DIREITO À IMAGEM. O direito de informar deve ser
analisado com a proteção dada ao direito de imagem. O Min. Relator, com base na doutrina,
consignou que, para verificação da gravidade do dano sofrido pela pessoa cuja imagem é
u lizada sem autorização prévia, devem ser analisados: (i) o grau de consciência do retratado
em relação à possibilidade de captação da sua imagem no contexto da imagem do qual foi
extraída; (ii) o grau de iden ficação do retratado na imagem veiculada; (iii) a amplitude da
195
exposição do retratado; e (iv) a natureza e o grau de repercussão do meio pelo qual se dá a
divulgação. De outra parte, o direito de informar deve ser garan do, observando os seguintes
parâmetros: (i) o grau de u lidade para o público do fato informado por meio da imagem; (ii) o
grau de atualidade da imagem; (iii) o grau de necessidade da veiculação da imagem para
informar o fato; e (iv) o grau de preservação do contexto originário do qual a imagem foi colhida.
No caso analisado, emissora de TV captou imagens, sem autorização, de funcionário de
empresa de assistência técnica durante visita para realização de orçamento para conserto de
uma televisão que, segundo a emissora de TV, estava apenas com um fusível queimado. O
orçamento realizado englobou outros serviços, além da troca do fusível. A imagem do
funcionário foi bem focalizada, permi ndo sua individualização, bem como da empresa em que
trabalhava. Não houve oportunidade de contraditório para que o envolvido pudesse provar que
o aparelho nha outros defeitos, além daquele informado pela rede de TV. Assim, restou
configurado dano moral por u lização indevida da imagem do funcionário. Noutro aspecto
analisado, o Min. Relator destacou a pacífica jurisprudência do STJ que possibilita a revisão do
montante devido a tulo de dano moral, quando o valor for exorbitante ou irrisório, observados
os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. Nesse contexto, a Turma entendeu
desproporcional a fixação da verba indenizatória em R$ 100 mil, reduzindo-a a R$ 30 mil.
Precedentes citados: REsp 267.529-RJ, DJ de 18/12/2000; REsp 1.219.197-RS, DJe de
17/10/2011; REsp 1.005.278-SE, DJe de 11/11/2010; REsp 569.812-SC, DJ de 1º/8/2005. REsp
794.586-RJ, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em 15/3/2012. (Info 493)

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INDENIZAÇÃO. MATÉRIA JORNALÍSTICA. DIREITO DE INFORMAR. LIBERDADE DE IMPRENSA. A
Turma deu provimento ao recurso para afastar a responsabilização da empresa jornalís ca, ora
recorrente, pelo pagamento de indenização ao recorrido (magistrado), sob o entendimento de
que, no caso, não exis ria ilícito civil, pois a recorrente teria atuado nos limites do exercício de
informar e do princípio da liberdade da imprensa. O Min. Relator observou que a análise rela va
à ocorrência de abuso no exercício da liberdade de expressão jornalís ca a ensejar reparação
civil por dano moral a direitos da personalidade fica a depender do exame de cada caso
concreto; pois, em tese, sopesados os valores em conflito, máxime quando a ngida pessoa
inves da de autoridade pública, mostra-se recomendável que se dê prevalência à liberdade de
informação e de crí ca. Na hipótese dos autos, tem-se que a matéria jornalís ca relacionou-se a
fatos de interesse da cole vidade, os quais dizem respeito diretamente aos atos e
comportamentos do recorrido na condição de autoridade. Tratou a recorrente, na reportagem,
em abordagem não apenas no ciosa, mas sobretudo de ácida crí ca que a ngiu o ora
recorrido, numa zona fronteiriça, de marcos imprecisos, entre o limite da liberdade de
expressão e o limiar do abuso do direito ao exercício dessa liberdade. Esses extremos podem ser
iden ficados no tulo e noutras passagens sarcás cas da no cia veiculada de forma crí ca.
Essas, porém, estão inseridas na matéria jornalís ca de cunho informa vo, baseada em
levantamentos de fatos de interesse público, que não extrapola claramente o direito de crí ca,
principalmente porque exercida em relação a casos que ostentam gravidade e ampla 196
repercussão social. O relatório final da "CPI do Judiciário" fora divulgado no mesmo mês da
publicação da matéria jornalís ca, em dezembro de 1999; elaborada, portanto, sob o impacto e
a influência daquele documento público relevante para a vida nacional. E como fatos graves
foram imputados ao ora recorrido naquele relatório, é natural que revista de circulação nacional
tenha dado destaque à no cia e emi do cáus ca opinião, entendendo-se amparada no teor
daquele documento público. Portanto, essa contemporaneidade entre os eventos da
divulgação do relatório final da CPI e da publicação da no cia eivada de ácida crí ca ao
magistrado é levada em conta para descaracterizar o abuso no exercício da liberdade de
imprensa. Desse modo, embora não se possa duvidar do sofrimento experimentado pelo
recorrido, a revelar a presença de dano moral, este não se mostra indenizável, dadas as
circunstâncias do caso, por força daquela "imperiosa cláusula de modicidade" subjacente a que
alude a Suprema Corte no julgamento da ADPF 130-DF. Precedentes citados do STF: ADPF 130-
DF, DJe de 5/11/2009; do STJ: REsp 828.107-SP, DJ 25/9/2006. REsp 801.109-DF, Rel. Min. Raul
Araújo, julgado em 12/6/2012. (Info 499)

DIREITO CIVIL. DANOS MORAIS PELO USO NÃO AUTORIZADO DA IMAGEM EM EVENTO SEM
FINALIDADE LUCRATIVA. O uso não autorizado da imagem de atleta em cartaz de propaganda
de evento espor vo, ainda que sem finalidade lucra va ou comercial, enseja reparação por
danos morais, independentemente da comprovação de prejuízo. REsp 299.832-RJ, Rel. Min.
Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 21/2/2013. (Info 516)

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DIREITO CIVIL. INDENIZAÇÃO REFERENTE AO SEGURO DPVAT EM DECORRÊNCIA DE MORTE
DE NASCITURO. A beneficiária legal de seguro DPVAT que teve a sua gestação interrompida em
razão de acidente de trânsito tem direito ao recebimento da indenização prevista no art. 3º, I, da
Lei 6.194/1974, devida no caso de morte. REsp 1.415.727-SC, Rel. Min. Luis Felipe Salomão,
julgado em 4/9/2014. (Info 547)

DIREITO CIVIL. DANO MORAL DECORRENTE DA UTILIZAÇÃO NÃO AUTORIZADA DE IMAGEM


EM CAMPANHA PUBLICITÁRIA. Configura dano moral a divulgação não autorizada de foto de
pessoa sica em campanha publicitária promovida por sociedade empresária com o fim de,
mediante incen vo à manutenção da limpeza urbana, incrementar a sua imagem empresarial
perante a população, ainda que a fotografia tenha sido capturada em local público e sem
nenhuma conotação ofensiva ou vexaminosa. REsp 1.307.366-RJ, Rel. Min. Raul Araújo, julgado
em 3/6/2014. (Info 546)

DIREITO CIVIL. DIREITOS DA PERSONALIDADE. UTILIZAÇÃO DE IMAGEM DE PESSOA PÚBLICA


SEM AUTORIZAÇÃO. FINALIDADE EXCLUSIVAMENTE ECONÔMICA. EXISTÊNCIA DE DANO
MORAL. Ainda que se trate de pessoa pública, o uso não autorizado da sua imagem, com fins
exclusivamente econômicos e publicitários, gera danos morais. REsp 1.102.756-SP, Rel. Min.
Nancy Andrighi, julgado em 20/11/2012. (Info 509)
197

DIREITO CIVIL. INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS A PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO.
A pessoa jurídica de direito público não tem direito à indenização por danos morais
relacionados à violação da honra ou da imagem. REsp 1.258.389-PB, Rel. Min. Luis Felipe
Salomão, julgado em 17/12/2013. (Info 534)

DIREITO CIVIL. DIREITO AO ESQUECIMENTO. A exibição não autorizada de uma única imagem
da ví ma de crime amplamente no ciado à época dos fatos não gera, por si só, direito de
compensação por danos morais aos seus familiares. REsp 1.335.153-RJ, Rel. Min. Luis Felipe
Salomão, julgado em 28/5/2013. (Info 527)

DIREITO CIVIL. LIMITES À APLICABILIDADE DO ART. 50 DO CC. O encerramento das a vidades


da sociedade ou sua dissolução, ainda que irregulares, não são causas, por si sós, para a
desconsideração da personalidade jurídica a que se refere o art. 50 do CC. EREsp 1.306.553-SC,
Rel. Min. Maria Isabel Gallo , julgado em 10/12/2014, DJe 12/12/2014. (Info 554)

DIREITO CIVIL. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA DE SOCIEDADE LIMITADA.


Na hipótese em que tenha sido determinada a desconsideração da personalidade jurídica de
sociedade limitada modesta na qual as únicas sócias sejam mãe e filha, cada uma com metade

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das quotas sociais, é possível responsabilizar pelas dívidas dessa sociedade a sócia que, de
acordo com o contrato social, não exerça funções de gerência ou administração. REsp
1.315.110-SE, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 28/5/2013. (Info 524)

DIREITO PROCESSUAL CIVIL. DESNECESSIDADE DE AÇÃO AUTÔNOMA PARA A


DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA DE SOCIEDADE. O juiz pode determinar, de
forma incidental, na execução singular ou cole va, a desconsideração da personalidade jurídica
de sociedade. De fato, segundo a jurisprudência do STJ, preenchidos os requisitos legais, não se
exige, para a adoção da medida, a propositura de ação autônoma. Precedentes citados: REsp
1.096.604-DF, Quarta Turma, DJe 16/10/2012; e REsp 920.602-DF, Terceira Turma, DJe
23/6/2008. REsp 1.326.201-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 7/5/2013. (Info 524)

DIREITO CIVIL. LEGITIMIDADE ATIVA PARA REQUERER DESCONSIDERAÇÃO. INVERSA DE


PERSONALIDADE JURÍDICA. Se o sócio controlador de sociedade empresária transferir parte de
seus bens à pessoa jurídica controlada com o intuito de fraudar par lha em dissolução de união
estável, a companheira prejudicada, ainda que integre a sociedade empresária na condição de
sócia minoritária, terá legi midade para requerer a desconsideração inversa da personalidade
jurídica de modo a resguardar sua meação. REsp 1.236.916-RS, Rel. Min. Nancy Andrighi,
julgado em 22/10/2013. (Info 533)
198

DIREITO PROCESSUAL CIVIL. LEGITIMIDADE DE PESSOA JURÍDICA PARA IMPUGNAR DECISÃO


QUE DESCONSIDERE A SUA PERSONALIDADE. A pessoa jurídica tem legi midade para
impugnar decisão interlocutória que desconsidera sua personalidade para alcançar o
patrimônio de seus sócios ou administradores, desde que o faça com o intuito de defender a sua
regular administração e autonomia - isto é, a proteção da sua personalidade -, sem se imiscuir
indevidamente na esfera de direitos dos sócios ou administradores incluídos no polo passivo
por força da desconsideração. REsp 1.421.464-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em
24/4/2014. (Info 544)

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5
DIREITO DA CRIANÇA 199

E DO ADOLESCENTE
(conteúdo atualizado em 09-09-2017)

Parte 1

Do direito à convivência familiar e comunitária.


Da família natural. (Item 2)
Apresentação

Nesta rodada, trataremos do tema “Do direito à convivência familiar e comunitária.


Da família natural”. Trata-se de tema curto, porém relacionado e introdutório ao tema tratado
no ponto 03 do edital (Da família subs tuta. Da guarda. Da tutela e da adoção.), de extrema
importância, e que será tratado em tópico dis nto.
Considerando que as questões elaboradas pelas bancas têm foco basicamente na
legislação vigente (ainda que cobrada através de casos hipoté cos), a análise doutrinária, em
regra, foi feita juntamente com a apresentação da legislação, com a finalidade de facilitar a
compreensão.

Bons estudos!
Edison Ponte Burlamaqui

200

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5.1 DOUTRINA (RESUMO) e LEGISLAÇÃO

5.1.1. Direito à Convivência Familiar e Comunitária

5.1.1.1. Disposições Gerais

O Direito à Convivência Familiar e Comunitária abrange direitos e deveres relacionados


à família natural e à família subs tuta, em suas três modalidades – guarda, tutela e adoção
(tema abordado no ponto 03).
As crianças e os adolescentes têm o direito de ser criados por uma família, sendo esta
fundamental para a construção da sociedade. É através da família que o indivíduo se
desenvolve. Dessa forma, a família cons tui um verdadeiro direito natural, decorrente da
própria condição humana.
Destaca-se que, preferencialmente, deve-se prezar pela criação da criança e do
adolescente em sua família natural, sendo situação excepcional a colocação em família
subs tuta.

Art. 19 do ECA - É direito da criança e do adolescente ser criado e educado no seio de 201
sua família e, EXCEPCIONALMENTE, EM FAMÍLIA SUBSTITUTA, assegurada a
convivência familiar e comunitária, em ambiente que garanta seu desenvolvimento
integral. (Redação dada pela Lei nº 13.257, de 2016)

Já os parágrafos do art. 19 do ECA tratam da regulamentação da permanência de


crianças e adolescentes fora do convívio de sua família, ou seja, em programa de acolhimento,
ins tucional ou familiar.

§ 1o Toda criança ou adolescente que es ver inserido em programa de acolhimento


familiar ou ins tucional terá sua situação reavaliada, no máximo, A CADA 6 (SEIS)
MESES, devendo a autoridade judiciária competente, com base em relatório
elaborado por equipe interprofissional ou mul disciplinar, decidir de forma
fundamentada pela possibilidade de reintegração familiar ou colocação em família
subs tuta, em quaisquer das modalidades previstas no art. 28 desta Lei.
§ 2o A permanência da criança e do adolescente em programa de acolhimento
ins tucional NÃO SE PROLONGARÁ POR MAIS DE 2 (DOIS) ANOS, salvo comprovada
necessidade que atenda ao seu superior interesse, devidamente fundamentada pela
autoridade judiciária.
§ 3o A manutenção ou a reintegração de criança ou adolescente à sua família terá
preferência em relação a qualquer outra providência, caso em que será esta incluída
em serviços e programas de proteção, apoio e promoção, nos termos do § 1o do art. 23,
dos incisos I e IV do caput do art. 101 e dos incisos I a IV do caput do art. 129 desta Lei.
(Redação dada pela Lei nº 13.257, de 2016)

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§ 4o Será garan da a convivência da criança e do adolescente com a mãe ou o pai
privado de liberdade, por meio de visitas periódicas promovidas pelo responsável ou,
nas hipóteses de acolhimento ins tucional, pela en dade responsável,
independentemente de autorização judicial.

O art. 20 do ECA trata da igualdade de direitos entre os filhos. Atualmente, tanto o ECA
quanto a CF (art. 227, § 6º) proíbem qualquer po de dis nção ou tratamento discriminatório
entre os filhos.

Art. 20 do ECA - Os filhos, havidos ou não da relação do casamento, ou por adoção,


terão os mesmos direitos e qualificações, proibidas quaisquer designações
discriminatórias rela vas à filiação.

5.1.1.2. Poder Familiar

Os arts. 21 e seguintes do Estatuto da Criança e do Adolescente apresentam regras


referentes ao Poder Familiar. An gamente, o termo jurídico u lizado era “pátrio poder”.
Entretanto, o termo “poder familiar” deixa claro que a criação e a educação dos filhos
competem ao pai e à mãe, evidenciando a responsabilidade recíproca de ambos.
202
Definição - Nos dizeres de Carlos Roberto Gonçalves, "Poder familiar é o conjunto de
direitos e deveres atribuídos aos pais, no tocante à pessoa e aos bens dos filhos menores".
Natureza Jurídica do Poder Familiar - O poder familiar é um MUNUS (encargo de
natureza jurídica) dos pais.
Caracterís cas do Poder Familiar:

- Irrenunciabilidade - Indica a impossibilidade de que, por ato unilateral dos pais,


ocorra a abdicação dos deveres que a lei impõe.
- Exercício Conjunto - Esse poder é exercido de forma igual pelo pai e pela mãe.
Entretanto, não havendo consenso, o caso deve ser levado ao Poder Judiciário (art.
1.631, parágrafo único, do CC).
- Indelegabilidade - Esse poder deve ser exercido somente pelos pais. Dessa forma,
não se pode delegar tal poder a terceiros.
- Imprescri bilidade - Determina que, mesmo não havendo o exercício desse poder,
não ocorrerá sua ex nção. Dessa forma, para que se “perca” tal poder, é necessária
uma des tuição formal através de ação própria.

Poder Familiar, Divórcio e Separação - art. 1.632 do CC - O divórcio ou a separação NÃO


IMPEDEM O EXERCÍCIO CONJUNTO DO PODER FAMILIAR. Dessa forma, aquele que não detém a
guarda dos filhos ainda permanece com o poder familiar ( tularidade).

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Ressalta-se que a preferência do legislador é pela guarda compar lhada, pois nesse
caso existe maior equilíbrio quanto ao exercício do poder familiar.
Consequências do Poder Familiar (Prerroga vas e Deveres) - art. 1.634 do CC (Redação
dada pela Lei nº 13.058, de 2014) - Compete a AMBOS OS PAIS, QUALQUER QUE SEJA A SUA
SITUAÇÃO CONJUGAL, o pleno exercício do poder familiar, que consiste em, quanto aos filhos:

I - dirigir-lhes a criação e a educação;


II - exercer a guarda unilateral ou compar lhada nos termos do art. 1.584;
III - conceder-lhes ou negar-lhes consen mento para casarem;
IV - conceder-lhes ou negar-lhes consen mento para viajarem ao exterior;
V - conceder-lhes ou negar-lhes consen mento para mudarem sua residência
permanente para outro Município;
VI - nomear-lhes tutor por testamento ou documento autên co, se o outro dos pais
não lhe sobreviver, ou o sobrevivo não puder exercer o poder familiar;
VII - representá-los judicial e extrajudicialmente até os 16 (dezesseis) anos, nos atos da
vida civil, e assis -los, após essa idade, nos atos em que forem partes, suprindo-lhes o
consen mento;
VIII - reclamá-los de quem ilegalmente os detenha; 203
IX - exigir que lhes prestem obediência, respeito e os serviços próprios de sua idade e
condição.

Efeitos Patrimoniais do Poder Familiar - arts. 1.689 e 1.690 do CC - O poder familiar dá


aos pais a prerroga va de serem usufrutuários do patrimônio dos filhos e, portanto,
beneficiários dessa prerroga va patrimonial relevante, sem prejuízo dos deveres de
administração do patrimônio dos filhos com zelo e proficiência. Ressalta-se que isto não outorga
aos pais liberdade plena de disposição sobre o patrimônio dos filhos, vinculando-os à
necessidade de autorização judicial em determinadas situações.

Art. 1.689 do CC - O pai e a mãe, enquanto no exercício do poder familiar:


I - são usufrutuários dos bens dos filhos;
II - têm a administração dos bens dos filhos menores sob sua autoridade.
Art. 1.690 do CC - Compete aos pais, e na falta de um deles ao outro, com
exclusividade, representar os filhos menores de dezesseis anos, bem como assis -los
até completarem a maioridade ou serem emancipados.
Parágrafo único. Os pais devem decidir em comum as questões rela vas aos filhos e a
seus bens; havendo divergência, poderá qualquer deles recorrer ao juiz para a solução
necessária.
Limitações na Administração do Bens dos Filhos - art. 1.691 do CC - Não podem os

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pais alienar ou gravar de ônus real os imóveis dos filhos, nem contrair, em nome deles,
obrigações que ultrapassem os limites da simples administração, salvo por
necessidade ou evidente interesse da prole, mediante prévia autorização do juiz.
Legi midade para Pedir a Declaração de Nulidade dos Atos Extravagantes -
parágrafo único - Podem pleitear a declaração de nulidade dos atos previstos neste
ar go (art. 1.691):
I - os filhos;
II - os herdeiros; e
III - o representante legal.
Designação de Curador Especial em Caso de Colisão de Interesses - art. 1.692 do CC -
Sempre que no exercício do poder familiar colidir o interesse dos pais com o do filho, a
requerimento deste ou do Ministério Público o juiz lhe dará curador especial.

Da mesma forma que o Código Civil, o ECA reforça o ideal de paridade no exercício dos
deveres inerentes ao poder familiar ao estabelecer o compar lhamento de responsabilidades
por pai e mãe ou eventual responsável.

Art. 21 do ECA - O poder familiar será exercido, em igualdade de condições, pelo pai e
pela mãe, na forma do que dispuser a legislação civil, assegurado a qualquer deles o
204
direito de, em caso de discordância, recorrer à autoridade judiciária competente para
a solução da divergência.
Art. 22 do ECA - Aos pais incumbe o dever de sustento, guarda e educação dos filhos
menores, cabendo-lhes ainda, no interesse destes, a obrigação de cumprir e fazer
cumprir as determinações judiciais.
Parágrafo único. A mãe e o pai, ou os responsáveis, têm direitos iguais e deveres e
responsabilidades compar lhados no cuidado e na educação da criança, DEVENDO
SER RESGUARDADO O DIREITO DE TRANSMISSÃO FAMILIAR DE SUAS CRENÇAS E
CULTURAS, assegurados os direitos da criança estabelecidos nesta Lei. (Incluído pela
Lei nº 13.257, de 2016)

Atualmente, diferente da legislação anterior, a falta ou a carência de recursos materiais


não cons tui mo vo suficiente para a perda ou a suspensão do poder familiar.

Art. 23 do ECA - A FALTA OU A CARÊNCIA DE RECURSOS MATERIAIS NÃO CONSTITUI


MOTIVO SUFICIENTE PARA A PERDA OU A SUSPENSÃO DO PODER FAMILIAR.
§ 1o Não exis ndo outro mo vo que por si só autorize a decretação da medida, a
criança ou o adolescente será man do em sua família de origem, a qual deverá
obrigatoriamente ser incluída em serviços e programas oficiais de proteção, apoio e
promoção. (Redação dada pela Lei nº 13.257, de 2016)

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Ressalta-se que, visando garan r a convivência familiar, o direito de visitação de filhos
aos pais privados de liberdade independe de autorização judicial. Adicionalmente, o ECA prevê
que a perda do poder familiar não é decorrência automá ca da condenação criminal.

§ 2o A condenação criminal do pai ou da mãe não implicará a des tuição do poder


familiar, exceto na hipótese de condenação por crime doloso, sujeito à pena de
reclusão, contra o próprio filho ou filha.

5.1.1.2.1 Perda (Des tuição) e Suspensão do Poder Familiar

Determina o ECA que a perda e a suspensão do poder familiar serão decretadas


judicialmente, em procedimento com o devido contraditório (a análise do procedimento
específico será feita em outro ponto).

Art. 24 do ECA - A perda e a suspensão do poder familiar serão decretadas


judicialmente, em procedimento contraditório, nos casos previstos na legislação
civil, bem como na hipótese de descumprimento injus ficado dos deveres e
205
obrigações a que alude o art. 22.

Hipóteses de Ex nção do Poder Familiar Previstas no CC - Art. 1.635 do CC - Ex ngue-


se o poder familiar:

I - pela morte dos pais ou do filho;


II - pela emancipação, nos termos do art. 5o, parágrafo único;
III - pela maioridade;
IV - pela adoção;
V - por decisão judicial, na forma do ar go 1.638.

Suspensão do Poder Familiar - Trata-se de penalidade civil, aplicável aos pais que
venham a descumprir os deveres inerentes ao poder familiar, interditando seu exercício
enquanto perdure a causa que a determinou.

Art. 1.637 do CC - Se o pai, ou a mãe, abusar de sua autoridade, faltando aos deveres a eles
inerentes ou arruinando os bens dos filhos, cabe ao juiz, requerendo algum parente, ou o
Ministério Público, adotar a medida que lhe pareça reclamada pela segurança do menor e
seus haveres, até suspendendo o poder familiar, quando convenha.

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Caracterís cas da Suspensão do Poder Familiar:

i) Faculta vidade - Conforme previsto em lei, o juiz pode se sa sfazer com outra
providência aplicável ao caso, não sendo obrigado a aplicar diretamente a suspensão.
ii) Reversibilidade - Quando provada que a causa que deu ensejo à suspensão não
subsiste, a medida (suspensão) deve cessar.
iii) Individualidade em Relação a Cada Filho - A suspensão a nge apenas o filho que
sofreu abuso ou omissão. Assim, em regra, não afeta o filho que não teve seus direitos
violados.
Entretanto, em alguns casos, mesmo que um dos filhos não tenha sofrido diretamente
qualquer violação de seus direitos, este pode ter sofrido indiretamente através da
violação que incidiu sobre o outro. Dessa forma, pode-se determinar a suspensão do
poder familiar em virtude da violação indireta dos direitos da criança ou adolescente.

Hipóteses de Suspensão do Poder Familiar:

i) Violação aos deveres inerentes ao Poder Familiar (não sendo hipótese de


des tuição/perda);
ii) Ruína dos bens dos filhos;
206
iii) Suspensão por condenação irrecorrível - art. 1.637, parágrafo único do CC -
Suspende-se igualmente o exercício do poder familiar ao pai ou à mãe condenados por
sentença irrecorrível, em virtude de crime cuja pena exceda a dois (2) anos de prisão.
Ressalta-se que esta, diferentemente das anteriores, é uma causa obrigatória de
suspensão do poder familiar.

Des tuição/Perda do Poder Familiar - É penalidade civil em função da qual se interdita


DE MANEIRA DEFINITIVA o exercício do Poder Familiar de pais que tenham agido de modo a
violar gravemente os interesses e direitos dos filhos. Entretanto, importante ressaltar que a
des tuição não rompe o vínculo de parentesco entre pais e filhos.

Hipóteses Legais de Perda (Des tuição) - art. 1.638 do CC – Perderá, por ato judicial, o
poder familiar o pai ou a mãe que:

I - cas gar imoderadamente o filho;


II - deixar o filho em abandono;
III - pra car atos contrários à moral e aos bons costumes;
IV - incidir, reiteradamente, nas faltas previstas no ar go antecedente (hipóteses de
suspensão).

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Caracterís cas da Des tuição/Perda do Poder Familiar:

i) Sanção de caráter civil;


ii) Peremptória (irreversível); e
iii) A nge a situação dos pais em relação a todos os filhos.

Infração Administra va por Descumprimento de Deveres Inerentes ao Poder


Familiar - art. 249 do ECA - Descumprir, dolosa ou culposamente, os deveres inerentes ao poder
familiar ou decorrente de tutela ou guarda, bem assim determinação da autoridade judiciária
ou Conselho Tutelar: Pena - multa de três a vinte salários de referência, aplicando-se o dobro em
caso de reincidência.

5.1.2. Família Natural

Conceito de Família Natural - art. 25 do ECA - Entende-se por família natural a


COMUNIDADE FORMADA PELOS PAIS OU QUALQUER DELES E SEUS DESCENDENTES.
Importante observar que o disposi vo não faz qualquer menção ao casamento, mas 207
apenas à existência de uma comunidade formada por pais. Dessa forma, a previsão legal
comporta perfeitamente a família monoparental (formada por apenas um dos pais e seus
descendentes).
Conceito de Família Extensa ou Ampliada - art. 25, parágrafo único, do ECA - Entende-
se por família extensa ou ampliada aquela que se ESTENDE PARA ALÉM DA UNIDADE DE PAIS E
FILHOS OU DA UNIDADE DO CASAL, FORMADA POR PARENTES PRÓXIMOS COM OS QUAIS A
CRIANÇA OU ADOLESCENTE CONVIVE E MANTÉM VÍNCULOS DE AFINIDADE E AFETIVIDADE.

Família Recomposta - Resultado da união de pessoas vindas de relacionamentos


anteriores, com a presença de filhos unilaterais de um dos pares ou de ambos, que resolveram
refazer suas vidas.

Reconhecimento de Filho e Estado de Filiação:

Art. 26 do ECA - Os filhos havidos fora do casamento poderão ser reconhecidos pelos
pais, conjunta ou separadamente, no próprio termo de nascimento, por testamento,
mediante escritura ou outro documento público, qualquer que seja a origem da
filiação.
Parágrafo único. O reconhecimento pode preceder o nascimento do filho ou suceder-
lhe ao falecimento, se deixar descendentes.

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Ressalta-se que o reconhecimento de filho tem natureza de ATO JURÍDICO EM
SENTIDO ESTRITO. Dessa forma, não pode sofrer modulação, sendo irrevogável, garan ndo ao
filho reconhecido os mesmos direitos dos demais.

Art. 27 do ECA - O reconhecimento do estado de filiação é DIREITO PERSONALÍSSIMO,


INDISPONÍVEL E IMPRESCRITÍVEL, podendo ser exercitado contra os pais ou seus
herdeiros, sem qualquer restrição, observado o segredo de Jus ça.

Dessa forma, o reconhecimento de filho é PERSONALÍSSIMO, pois não pode ser


exercitado por outrem; INDISPONÍVEL, pois não admite negociação ou transação; e
IMPRESCRITÍVEL, pois, enquanto vivo, garante-se ao filho o direito de ser reconhecido.

Súmula 149 do STF - É imprescri vel a ação de inves gação de paternidade, mas não o
é a de pe ção de herança.

Por fim, destaca-se que o STJ entendeu que também é imprescri vel o direito do
homem de discu r sua condição de pai por meio de ação negatória de paternidade.

CIVIL. NEGATÓRIA DE PATERNIDADE. AÇÃO DE ESTADO. IMPRESCRITIBILIDADE. ECA, 208


ART. 27. APLICAÇÃO. I. Firmou-se no Superior Tribunal de Jus ça o entendimento de
que, por se cuidar de ação de estado, é imprescri vel a demanda negatória de
paternidade, consoante a extensão, por simetria, do princípio con do no art. 27 da Lei
n. 8.069/1990, não mais prevalecendo o lapso previsto no art. 178, parágrafo 2º, do
an go Código Civil, também agora superado pelo art. 1.061 na novel lei substan va
civil. II. Recurso especial não conhecido.
(STJ - REsp: 576185 SP 2003/0139336-1, Relator: Ministro ALDIR PASSARINHO JUNIOR,
Data de Julgamento: 07/05/2009, T4 - QUARTA TURMA, Data de Publicação:
20090608 --> DJe 08/06/2009).

Diferente é a situação abaixo, em que sucessor (filho) pretendia o reconhecimento da


paternidade socioafe va da mãe com os pretensos avós:

O filho, em nome próprio, não tem legi midade para deduzir em juízo pretensão
declaratória de filiação socioafe va entre sua mãe - que era maior, capaz e, ao tempo
do ajuizamento da ação, pré-morta (já falecida) - e os supostos pais socioafe vos dela.
OBS: o filho teria legi midade para propor ação pedindo o reconhecimento de sua
relação de parentesco
socioafe vo com os pretensos avós. Aí, contudo, seria outra ação, na qual se buscaria
um direito próprio (e não de sua mãe). STJ. 3ª Turma. REsp 1.492.861-RS, Rel. Min.
Marco Aurélio Bellizze, julgado em 2/8/2016 (Info 588).

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5.2 JURISPRUDÊNCIA

Os julgados que abordaram os temas aqui tratados apenas como fundamentação


(obiter dictum) serão apresentados nos respec vos pontos do edital que tratam do tema objeto
do processo (ex.: internação e adoção).

209

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6
DIREITO DA CRIANÇA 210

E DO ADOLESCENTE
(conteúdo atualizado em 09-09-2017)

Parte 2

Da família substituta. Da guarda.


Da tutela e da adoção. (Item 3)
Apresentação

Nesta rodada, trataremos do tema “Da família subs tuta. Da guarda. Da tutela e da
adoção”. Trata-se de tema de extrema importância, sendo um dos mais cobrados em provas da
magistratura. Adicionalmente, determinados pontos específicos do tema (ex.: adoção) são
muito deba dos, sendo objeto de diversos julgados. Dessa forma, uma leitura atenta é
imprescindível.
Ressalta-se que, considerando que as questões elaboradas pelas bancas têm foco
basicamente na legislação vigente (ainda que cobrada através de casos hipoté cos), a análise
doutrinária, em regra, foi feita juntamente com a apresentação da legislação, com a finalidade
de facilitar a compreensão.
Bons estudos!
Edison Ponte Burlamaqui

211
6.1 DOUTRINA (RESUMO) e LEGISLAÇÃO

6.1.1. FAMÍLIA SUBSTITUTA

Como já exposto anteriormente, o ECA determina que as crianças e os adolescentes


devem ser criados preferencialmente em sua família natural. Entretanto, sendo inevitável,
busca-se a colocação do menor em família subs tuta.
Formas de Colocação em Família Subs tuta - O Estatuto da Criança e do Adolescente
apresenta três formas de colocação em família subs tua: I) GUARDA; II) TUTELA; E III) ADOÇÃO.

Art. 28 do ECA - A colocação em família subs tuta far-se-á mediante guarda, tutela ou
adoção, independentemente da situação jurídica da criança ou adolescente, nos
termos desta Lei.

6.1.1.1. REGRAS GERAIS SOBRE A COLOCAÇÃO EM FAMÍLIA SUBSTITUTA

Oi va do Menor:

212
Art. 28, § 1º SEMPRE QUE POSSÍVEL, a criança ou o adolescente será
previamente ouvido por equipe interprofissional, respeitado seu
estágio de desenvolvimento e grau de compreensão sobre as
implicações da medida, e terá sua opinião devidamente considerada.

Obrigatoriedade do Consen mento do Menor Adolescente:

Art. 28, § 2º Tratando-se de MAIOR DE 12 (DOZE) ANOS (ADOLESCENTE) DE IDADE,


será necessário seu consen mento, colhido em audiência.

Consideração do Grau de Parentesco, Afinidade ou Afe vidade:

Art. 28, § 3º Na apreciação do pedido levar-se-á em conta o grau de parentesco e a


relação de afinidade ou de afe vidade, a fim de evitar ou minorar as consequências
decorrentes da medida.

Preferência pela Colocação Conjunta de Irmãos:

Art. 28, § 4º Os grupos de irmãos serão colocados sob adoção, tutela ou guarda da mesma
família subs tuta, ressalvada a comprovada existência de risco de abuso ou outra situação
que jus fique plenamente a excepcionalidade de solução diversa, procurando-se, em
qualquer caso, evitar o rompimento defini vo dos vínculos fraternais.
Preparação e Acompanhamento:

Art. 28, § 5º A colocação da criança ou adolescente em família subs tuta será


precedida de sua preparação grada va e acompanhamento posterior, realizados pela
equipe interprofissional a serviço da Jus ça da Infância e da Juventude,
preferencialmente com o apoio dos técnicos responsáveis pela execução da polí ca
municipal de garan a do direito à convivência familiar.

Criança ou Adolescente Indígena ou Quilombola:

Art. 28, § 6º Em se tratando de criança ou adolescente indígena ou proveniente de


comunidade remanescente de quilombo, é ainda OBRIGATÓRIO:
I - que sejam consideradas e respeitadas sua iden dade social e cultural, os seus
costumes e tradições, bem como suas ins tuições, desde que não sejam incompa veis
com os direitos fundamentais reconhecidos por esta Lei e pela Cons tuição Federal;
II - que a colocação familiar ocorra prioritariamente no seio de sua comunidade ou
junto a membros da mesma etnia; e
III - a intervenção e oi va de representantes do órgão federal responsável pela polí ca
indigenista, no caso de crianças e adolescentes indígenas, e de antropólogos, perante
a equipe interprofissional ou mul disciplinar que irá acompanhar o caso. 213

Modelos de Colocação em Família Subs tuta:

- Guarda - É o modelo de acolhimento transitório (emergencial). Esta


modalidade é, em regra, acessória a um modelo jurídico principal.
- Tutela - É um modelo de inclusão familiar sem parentalidade. Este
modelo não importa em vínculo de parentesco.
- Adoção - Modelo de inclusão familiar com formação de parentalidade.
Este modelo importa em criação de vínculo de parentesco.

Incompa bilidade e Ambiente Inadequado:

Art. 29 do ECA - Não se deferirá colocação em família subs tuta a pessoa que revele,
por qualquer modo, incompa bilidade com a natureza da medida ou não ofereça
ambiente familiar adequado.

Impossibilidade de Transferência da Criança:

Art. 30 do ECA - A colocação em família subs tuta não admi rá transferência da


criança ou adolescente a terceiros ou a en dades governamentais ou não-
governamentais, sem autorização judicial.
Colocação em Família Subs tuta Estrangeira:

Art. 31 do ECA - A colocação em família subs tuta estrangeira cons tui medida
excepcional, SOMENTE ADMISSÍVEL NA MODALIDADE DE ADOÇÃO.

6.1.2. GUARDA

Conceito - Conforme a doutrina, a guarda é a “posse” com responsabilidade pela


assistência material, moral e educacional da criança ou adolescente em risco.
Ressalta-se que a guarda a que se refere o Estatuto da Criança e do Adolescente não é a
mesma do Direito de Família, prevista no CC (art. 1.583 e ss.), que decorre de eventual separação
ou divórcio. A guarda a que se refere o ECA é concedida a terceiro, como uma das modalidades de
colocação em família subs tuta, podendo este inclusive opor-se à vontade dos pais.

Caracterís cas da Guarda:

- Munus (Encargo) - Aquele que é guardião fica incumbido de oferecer assistência


material e moral. 214
- Autonomia - Apesar de acessória, a guarda ocorre independente da tutela e da
adoção.
- Posse Efe va e Dependência Econômica - A guarda compreende posse efe va e
dependência econômica do pupilo.
- Revogável - A qualquer tempo, o juiz, ouvido o MP, poderá revogar a guarda quando
ela já não mais cumprir seu papel.
- Transitória e Emergencial - A guarda não basta para uma regulamentação plena da
família subs tuta. Dessa forma, tende a ser subs tuída por uma situação defini va.
- Formal e Judicial - A guarda sempre depende de uma decisão judicial. Entretanto,
existe a chamada “guarda de fato” (posse de fato), porém esta não confere ao
responsável os poderes/deveres/direitos da guarda judicial.

Efeitos da Guarda:

- Em Relação ao Guardião - art. 33 do ECA - A guarda obriga a prestação de assistência


material, moral e educacional à criança ou adolescente, conferindo a seu detentor o
direito de opor-se a terceiros, inclusive aos pais.
- Visitação dos Pais e Dever de Alimentos - A guarda, em regra, permite a visita dos
pais e não os libera do dever de prestar alimentos em situações excepcionais.
- Em Relação ao Pupilo - Este é dependente e tem direito a assistência. Da mesma
forma, deve respeito ao seu guardião enquanto a guarda durar.
Termo de Guarda ou Tutela - Este é o documento que permite ao responsável tomar
providências em relação ao menor, bem como comprovar a situação existente.

Art. 32 do ECA - Ao assumir a guarda ou a tutela, o responsável prestará compromisso


de bem e fielmente desempenhar o encargo, mediante termo nos autos.

Obje vo da Guarda:

Art. 33, § 1º do ECA - A guarda des na-se a regularizar a posse de fato, podendo ser
deferida, liminar ou incidentalmente, nos procedimentos de tutela e adoção, exceto
no de adoção por estrangeiros.

Poder de Representação - A guarda não contempla obrigatoriamente os poderes de


o
representação. Entretanto, conforme estabelece o art. 33, § 2 , o poder de representação pode
ser deferido pelo juiz.

Art. 33, § 2º do ECA - Excepcionalmente, deferir-se-á a guarda, fora dos casos de tutela 215
e adoção, para atender a situações peculiares ou suprir a falta eventual dos pais ou
responsável, podendo ser deferido o direito de representação para a prá ca de atos
determinados.

Condição de Dependente:

Art. 33, § 3º do ECA - A guarda confere à criança ou adolescente a condição de


dependente, para todos os fins e efeitos de direito, inclusive previdenciários.

Guarda e Bene cios Previdenciários - Importante ressaltar que há um conflito entre o art.
33, § 3 do ECA e o art. 16, § 2o da Lei 8.213/91, pois este úl mo não inclui os direitos previdenciários.
o

Entretanto, prevalece o entendimento de que deve ser aplicada a regra mais benéfica para a criança
ou adolescente. Ressalta-se que se deve ficar atento para a cobrança da letra fria da lei.

Entendeu o STJ que se um segurado de regime previdenciário for detentor da guarda


judicial de uma criança ou adolescente que dele dependa economicamente, caso esse
segurado morra, esse menor terá direito à pensão por morte, mesmo que a lei que
regulamente o regime previdenciário não preveja a criança ou adolescente sob
guarda no rol de dependentes. Isso porque o ECA já determina que a guarda confere à
criança ou adolescente a condição de dependente, para todos os fins e efeitos de
direito, inclusive previdenciários (§ 3º do art. 33). Logo, havendo previsão expressa
no ECA pouco importa que a lei previdenciária tenha ou não disposição semelhante.
Vale ressaltar que o ECA prevalece mesmo que seja mais an go que a lei
previdenciária porque é considerado lei específica de proteção às crianças e
adolescentes. STJ. 1ª Seção. RMS 36.034-MT, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado
em 26/2/2014 (Info 546).
Ao menor sob guarda deve ser assegurado o direito ao bene cio da pensão por morte
mesmo se o falecimento se deu após a modificação legisla va promovida pela Lei nº
9.528/97 na Lei nº 8.213/91. O art. 33, § 3º do ECA deve prevalecer sobre a
modificação legisla va promovida na lei geral da Previdência Social, em homenagem
ao princípio da proteção integral e preferência da criança e do adolescente (art. 227 da
CF/88). STJ. Corte Especial. EREsp 1141788-RS, Rel. Min. João Otávio de Noronha,
julgado em 07/12/2016 (Info 595).

Exercício do Direito de Visitas pelos Pais e Dever de Alimentos:

Art. 33, § 4º do ECA - Salvo expressa e fundamentada determinação em contrário, da


autoridade judiciária competente, ou quando a medida for aplicada em preparação
para adoção, o deferimento da guarda de criança ou adolescente a terceiros não
impede o exercício do direito de visitas pelos pais, assim como o dever de prestar
alimentos, que serão objeto de regulamentação específica, a pedido do interessado
ou do Ministério Público.
216

Preferência pelo Acolhimento Familiar em Relação ao Acolhimento Ins tucional:

Art. 34 § 1o do ECA - A inclusão da criança ou adolescente em programas de


acolhimento familiar terá preferência a seu acolhimento ins tucional, observado, em
qualquer caso, o caráter temporário e excepcional da medida, nos termos desta Lei.

Revogação da Guarda:

Art. 35 da Lei - A guarda poderá ser revogada a qualquer tempo, mediante ato judicial
fundamentado, ouvido o Ministério Público.

Ex nção da Guarda - Esta se ex ngue tão logo se torne desnecessária a assistência do


guardião. Assim, são hipóteses (exemplifica vo):

i) Maioridade do pupilo;
ii) Emancipação do pupilo (emancipação judicial);
iii) Adoção do pupilo seja pelo guardião ou por terceiro; e
iv) Reconhecimento de paternidade do pupilo feita por terceiro.
Guarda Derivada - É aquela deferida por ocasião da concessão do pedido de tutela, nos
termos do art. 36, parágrafo único, do ECA.

6.1.3. TUTELA

Aravés da tutela, uma pessoa maior assume o dever de prestar assistência material,
moral e educacional a criança ou adolescente que não esteja sob poder familiar, bem de lhe
administrar os bens.
Obje vo - A tutela tem como obje vo possibilitar que a criança ou o adolescente seja
assis do ou representado.
Cabimento - art. 36 do ECA - A tutela será deferida, nos termos da lei civil, a pessoa de
até 18 (dezoito) anos incompletos.
A tutela é cabível quando ambos os pais falecem ou são declarados ausentes ou, ainda,
se forem des tuídos do Poder Familiar.
O Código Civil disciplina de forma extensa a tutela em seus ar gos 1.728 a 1.766 (tema
de Direito de Família).

Perda do Poder Familiar e Dever de Guarda: 217

Art. 36, parágrafo único do ECA - O deferimento da tutela PRESSUPÕE A PRÉVIA


DECRETAÇÃO DA PERDA OU SUSPENSÃO DO PODER FAMILIAR E IMPLICA
NECESSARIAMENTE O DEVER DE GUARDA.

utor Nomeado por Testamento ou Documento Autên co:

Art. 37 do ECA - O tutor nomeado por testamento ou qualquer documento autên co,
conforme previsto no parágrafo único do art. 1.729 do CC, deverá, no prazo de 30
(trinta) dias após a abertura da sucessão, ingressar com pedido des nado ao controle
judicial do ato, observando o procedimento previsto nos arts. 165 a 170 desta Lei.
Parágrafo único - Na apreciação do pedido, serão observados os requisitos previstos
nos arts. 28 e 29 desta Lei, somente sendo deferida a tutela à pessoa indicada na
disposição de úl ma vontade, se restar comprovado que a medida é vantajosa ao
tutelando e que não existe outra pessoa em melhores condições de assumi-la.

Cessação da Tutela - A tutela cessa quando o adolescente alcança a maioridade, se


concedido o poder familiar ou com o fim da suspensão do poder familiar.
Tutela e Direitos Previdenciários - Através da tutela, quando comprovada a
dependência econômica, a criança ou adolescente obtém direitos previdenciários ligados a seu
tutor, conforme expressamente prevê o art. 16, § 2o, da Lei 8.213/91.
Contraditório na Des tuição da Tutela - art. 38 do ECA - Aplica-se à des tuição da
tutela o disposto no art. 24.

Art. 24 do ECA - A perda e a suspensão do poder familiar serão decretadas


judicialmente, em procedimento contraditório, nos casos previstos na legislação civil,
bem como na hipótese de descumprimento injus ficado dos deveres e obrigações a
que alude o art. 22.

6.1.4. ADOÇÃO

Conceito - A adoção é o ins tuto que permite alguém atribuir a um terceiro a condição
de filho.
Excepcionalidade e Irrevogabilidade da Adoção:

Art. 39, § 1º, do ECA - A adoção é medida excepcional e irrevogável, à qual se deve
recorrer apenas quando esgotados os recursos de manutenção da criança ou
adolescente na família natural ou extensa, na forma do parágrafo único do art. 25 desta Lei.

Natureza Jurídica da Adoção - “Adoção é o ato jurídico (em sen do estrito) solene pelo 218
qual, observados os requisitos legais, alguém estabelece, independentemente de qualquer
relação de parentesco consanguíneo ou afim, um vínculo fic cio de filiação, trazendo para sua
família, na condição de filho, pessoa que, geralmente, lhe é estranha” (Maria Helena Diniz).
Ressalta-se que o fato do vínculo jurídico ser cons tuído através de sentença (art. 47
do ECA) não desvirtua tal natureza jurídica, posto que a sentença tem apenas a finalidade de
garan r a fiscalização do Estado sobre estas relações. Tal entendimento é corroborado pelo fato
do processo de adoção ser de jurisdição voluntária.

Modelos de Adoção:

i) Adoção Simples - É a adoção com a possibilidade de restrições a direitos e


prerroga vas próprias dessa condição (ex.: relação de parentes apenas entre o
adotante e o adotado). Atualmente, não se aplica esta modalidade no Brasil.
ii) Adoção Plena - É aquela que atribui ao adotado a plenitude da condição jurídica de
filho. Esta é a modalidade atualmente aplicada no Brasil.

Ressalta-se que, como dito anteriormente, a Cons tuição e o Estatuto da Criança e do


Adolescente não permitem qualquer dis nção entre filhos em razão da origem.
Limite de Idade do Adotando:

Art. 40 do ECA - O adotando deve contar com, NO MÁXIMO, DEZOITO (18) ANOS À
DATA DO PEDIDO, salvo se já es ver sob a guarda ou tutela dos adotantes.

Adoção do Maior - Segundo o Código Civil (art. 1.618 e 1.619), a adoção do maior de 18
anos deve passar pelo crivo do Judiciário. A principal dis nção entre a adoção de criança ou
adolescente e a adoção de maior é que a úl ma se processa perante o juízo de família, sendo
possível a aplicação do ECA no que couber.

Art. 1.619 do CC - A adoção de maiores de 18 (dezoito) anos dependerá da assistência


efe va do poder público e de sentença cons tu va, aplicando-se, no que couber, as
regras gerais do ECA.

Ressalta-se que o art. 40 do ECA atrai a competência da jus ça infanto-juvenil na


hipótese de adoção de pessoa maior, porém sob guarda ou a tutela dos adotantes.
Dispensa de Consen mento dos Pais Desconhecidos ou Sem Poder Familiar - Conforme
o art. 45, § 1º, do ECA, o consen mento será dispensado em relação à criança ou adolescente cujos
pais sejam DESCONHECIDOS OU TENHAM SIDO DESTITUÍDOS DO PODER FAMILIAR. 219
Dessa forma, pode-se concluir que é dispensável a autorização dos pais biológicos para
a adoção dos filhos quando maiores de idade, posto que não mais possuem o poder familiar
(arts. 1.630 e 1.635, III do CC).

Estabelecida uma relação jurídica paterno-filial (vínculo afe vo) entre o adotante e o
adotando, a adoção de pessoa maior não pode ser refutada pelo pai biológico que
abandonou o filho, a menos que ele apresente uma justa causa. A adoção de pessoas
maiores de 18 anos é regida pelo ECA. No entanto, no caso, não se aplica a exigência
do caput do art. 45 do ECA porque o § 1º do mesmo ar go afirma que esse
consen mento do pai é dispensado caso ele tenha sido des tuído do poder familiar.
O poder familiar termina quando o filho a nge a maioridade. Logo, sendo André
maior que 18 anos, João não mais tem poder familiar sobre ele, não sendo necessário
seu consen mento para a adoção. STJ. 3ª Turma. REsp 1.444.747-DF, Rel. Min. Ricardo
Villas Bôas Cueva, julgado em 17/3/2015 (Info 558).

Ressalta-se que, havendo apenas a suspensão do poder familiar, será obrigatória a


manifestação dos pais do adotando.
Condição de Filho ao Adotado, Igualdade e Vínculos Decorrentes:

Art. 41 do ECA - A adoção atribui a condição de filho ao adotado, com os mesmos


direitos e deveres, inclusive sucessórios, desligando-o de qualquer vínculo com pais e
parentes, salvo os impedimentos matrimoniais.
Adoção pelo Cônjuge ou Concubino (Adoção Unilateral):

Art. 41, § 1º, do ECA - Se um dos cônjuges ou concubinos adota o filho do outro,
mantêm-se os vínculos de filiação entre o adotado e o cônjuge ou concubino do
adotante e os respec vos parentes.

Direito Sucessório Recíproco entre Adotado e Adotando:

Art. 41, § 2º, do ECA - É recíproco o direito sucessório entre o adotado, seus
descendentes, o adotante, seus ascendentes, descendentes e colaterais até o 4º grau,
observada a ordem de vocação hereditária.

Impossibilidade de Descons tuição do Vínculo de Adoção:

Art. 49 do ECA - A morte dos adotantes não restabelece o poder familiar dos pais
naturais.

Requisitos Específicos da Adoção:


220
i) Idade - art. 42 do ECA - O adotante deve ter idade mínima de 18 anos para poder
adotar. Entretanto, para a adoção, o adotante há de ser, pelo menos, 16 anos mais velho do
o
que o adotando (art. 42, § 3 , do ECA).
Atualmente, não é possível a flexibilização do requisito etário. Assim, se a adoção for
conjunta, ambos deverão respeitar esses critérios.
ii) Consenso - art. 45 do ECA - Para haver adoção, é necessário o consen mento dos
pais do adotando, do representante legal do adotando ou do próprio adotando (quando este
puder dar).
Em se tratando do maior de 12 anos, conforme já visto, será necessário o seu
consen mento.
iii) Estágio de Convivência - É o período prévio de convivência informal, antes da
cons tuição do vínculo, a fim de se averiguar a possibilidade de sua adaptação à nova família
(art. 46 do ECA).
O estágio de convivência é obrigatório. Entretanto, a lei permite a dispensa quando já
houver tutela ou guarda legal (formal) prévia suficiente para a avaliação necessária.
Ressalta-se que a simples guarda de fato (não concedida através do Judiciário) não
enseja, por si só, a dispensa do estágio de convivência.
Prazo do Estágio de Convivência:

- Para a Adoção Comum/Nacional (no Brasil) - Não existe prazo determinado. O juiz
determinará o fim do estágio de convivência quando a equipe técnica assim se
pronunciar.
- Para Adoção Internacional - Nesse caso, exige-se o prazo MÍNIMO DE 30 DIAS (art.
46, § 3o, do ECA). Entretanto, o estágio de convivência deve ser cumprido no Brasil.

Acompanhamento do Estágio de Convivência - O estágio de convivência será


acompanhado pela equipe interprofissional a serviço da Jus ça da Infância e da Juventude,
preferencialmente com apoio dos técnicos responsáveis pela execução da polí ca de garan a
do direito à convivência familiar, que apresentarão relatório minucioso acerca da conveniência
do deferimento da medida.
Impedimentos para a Adoção:
o
i) Impedimento Formal - art. 39, § 2 , do ECA - É vedada a adoção por procuração.
ii) Impedimento Material Superável - art. 44 do ECA - Enquanto não der conta de sua
administração e saldar o seu alcance, não pode o tutor ou o curador adotar o pupilo ou o
curatelado. 221
Entretanto, prestadas as contas o curador ou tutor poderá adotar o pupilo ou
curatelado.
o
iii) Impedimento Material “Insuperável” - art. 42, § 1 , do ECA - Não podem adotar os
ascendentes e os irmãos do adotando.
Ressalta-se que o STJ tem rela vizado tal impedimento em determinados casos com
base no princípio do melhor interesse da criança e do adolescente quando comprovada a
filiação socioafe va.

O STJ, excepcionalmente, admi u a adoção de netos por avós com base no princípio
do melhor interesse da criança, considerando que no caso concreto estava
comprovada a filiação socioafe va. STJ. 3ª Turma. REsp 1.448.969-SC, Rel. Min. Moura
Ribeiro, julgado em 21/10/2014 (Informa vo 551 do STJ).

Efeitos da Adoção (art. 41 e 42 do ECA):

i) Ruptura do parentesco natural entre o adotando e sua família de origem - Não há


ruptura do parentesco natural para fins de impedimento de casamento (incesto) do
adotando.
ii) Integração do adotando a nova família com novas e amplas relações de
parentesco.
iii) Ex nção do poder familiar dos pais naturais e sua transferência para os pais
ado vos (art. 1.635, IV do CC).
iv) Criação de direitos sucessórios recíprocos entre adotante e adotando.
v) Irrevogabilidade - A adoção é irrevogável, porém esta pode ser subs tuída por
outra, iniciando-se um novo processo.

Espécies de Adoção Plena Especial:


a) Adoção Unilateral (por cônjuge ou concubino) - art. 41, § 2o, do ECA - É aquela adoção
realizada por um dos cônjuges ou companheiros em relação aos filhos do outro. Esta não se
confunde com a adoção monoparental que se refere à adoção realizada por uma única pessoa.
Finalidade - Tem a finalidade de permi r a recons tuição da família, na medida em que
ela garante a possibilidade de perfilhação por um dos cônjuges em relação aos filhos do outro.
Manutenção Parcial do Parentesco Natural - Nessa adoção, não se ex nguirão os
vínculos de parentesco natural entre o adotando e o cônjuge ou companheiro de quem o adota.
Requisitos - São os mesmos da adoção comum. Assim, eventualmente, se exigirá a
concordância do adotando (se ver 12 anos ou mais); ou a concordância da figura materna ou
paterna a ser subs tuída, ou ainda a prévia des tuição do poder familiar quando for o caso.
o
b) Adoção Póstuma - art. 42, § 6 , do ECA - É aquela que se cons tui apesar da morte do
222
adotante durante o procedimento de adoção e antes da sentença.
Finalidade - Tem a finalidade de permi r ao adotando a par cipação na sucessão do
adotante falecido.
Singularidade desta Adoção - É a cons tuição de um vínculo em que um dos sujeitos já
é falecido.
Início dos Efeitos da Sentença de Adoção Póstuma - art. 47, § 7º, do ECA:

A adoção produz seus efeitos a par r do trânsito em julgado da sentença


cons tu va, exceto na hipótese prevista no § 6º do art. 42 desta Lei, caso em que terá
força retroa va à data do óbito.

Requisitos da Adoção Póstuma:

i) Declaração de vontade por parte do adotante de modo inques onável; e


ii) A existência de um procedimento formal tendente à adoção.

Ressalta-se que o STJ já decidiu que é possível a adoção póstuma quando houver prova
efe va da forte e pública relação socioafe va do falecido, mesmo que ainda não haja
procedimento formal de adoção. Alguns denominam esta adoção como Nuncupa va. A
Ministra Nancy Andrighi entendeu que a ausência de pedido judicial de adoção, anterior à
morte do adotante, “não impede o reconhecimento, no plano substancial, do desejo de adotar,
mas apenas remete para uma perquirição quanto à efe va intenção do possível adotante em
relação ao adotado”.
o
c) Adoção Conjunta por Divorciados ou Separados - art. 42, § 4 , do ECA - Os
divorciados, os judicialmente separados e os ex-companheiros podem adotar conjuntamente,
contanto que acordem sobre a guarda e o regime de visitas e desde que o estágio de convivência
tenha sido iniciado na constância do período de convivência e que seja comprovada a existência
de vínculos de afinidade e afe vidade com aquele não detentor da guarda, que jus fiquem a
excepcionalidade da concessão.
Finalidade - É a de manter intacta a relação afe va já existente entre o adotando e os
futuros pais ado vos.
Requisitos:

i) Composição e acordo das partes em relação à guarda e ao regime de visitas;


ii) Estágio de convivência iniciado quando o casal ainda man nha a sociedade conjugal
ou a convivência; e
iii) Comprovação da existência de vínculo de afinidade e afe vidade.
223
Preferência pela Guarda Compar lhada – Preferencialmente, deverá ser estabelecida
a guarda compar lhada na adoção conjunta.
d) Adoção Intuito Personae - Adoção intuito personae é aquela que ocorre quando os
próprios pais biológicos escolhem a pessoa que irá adotar seu filho. Tal modalidade de adoção
não é expressamente autorizada no atual ordenamento jurídico. Em que pese a inexistência de
previsão legal para esta modalidade de adoção, há quem sustente que ela é possível, uma vez
que também não é vedada (Maria Berenice Dias).
e) Adoção Internacional - art. 52 e ss. do ECA - Há adoção internacional sempre que
uma criança brasileira venha a ser adotada por estrangeiros ou brasileiros aqui não residentes
ou domiciliados.
Pressuposto - A adoção internacional só pode ocorrer nas hipóteses em que não seja
possível de modo algum a sua manutenção junto à família residente ou domiciliada no Brasil
(art. 31 do ECA).
Diretrizes Legais - Aplicam-se o ECA, a LINDB e também a convenção de HAIA.
f) Adoção à Brasileira - Trata-se da situação em que uma pessoa registra filho alheio como
próprio. Do ponto de vista jurídico, esta não é uma modalidade legí ma de adoção. Na realidade,
tal ato pifica o crime previsto no art. 242 do CP. Entretanto, em determinados julgados, tem-se
man do o registro em virtude dos laços criados decorrentes da paternidade socioafe va.
g) Adoção por Casal Homossexual - Resta consolidado pela jurisprudência superior,
com fundamento no princípio do melhor interesse da criança e do adolescente, a possibilidade
de adoção por casal homossexual. Pela mesma lógica, também é perfeitamente possível a
adoção por uma única pessoa homossexual (REsp. 1540814/PR, Rel. Ministro RICARDO VILLAS
BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA, julgado em 18/08/2015, DJe 25/08/2015).

Em julgado recente, o STJ entendeu que é possível a inscrição de pessoa homoafe va


no registro de pessoas interessadas na adoção (art. 50 do ECA), independentemente
da idade da criança a ser adotada. STJ. 3ª Turma. REsp 1.540.814-PR, Rel. Min. Ricardo
Villas Bôas Cueva, julgado em 18/8/2015 (Info 567).
Ressalta-se que o STJ já consolidou o entendimento de que o registro de nascimento
do menor pode ser elaborado com o nome de ambos, se essa for a vontade do casal
(REsp. 1333086/RO, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA,
julgado em 06/10/2015, DJe 15/10/2015).

h) Adoção Conjunta por Irmãos - O STJ entendeu que as hipóteses de adoção conjunta,
previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente, não são as únicas que atendem ao obje vo
essencial da lei, que é a inserção do adotado em família estável. Dessa forma, a STJ, concedendo
interpretação a par r da proteção a incapazes e da ideia de solidariedade e socioafe vidade,
simplesmente afasta a vedação legal de adoção conjunta por irmãos (pelo ECA só podem adotar 224
conjuntamente quem seja casado ou viva em união estável), entendendo tal adoção ser possível
quando verificados laços de afinidade entre os adotantes e o adotado.

Pelo texto do ECA, a adoção conjunta somente pode ocorrer caso os adotantes sejam
casados ou vivam em união estável. No entanto, a 3ª Turma do STJ rela vizou essa regra
do ECA e permi u a adoção por parte de duas pessoas que não eram casadas nem viviam
em união estável. Na verdade, eram dois irmãos (um homem e uma mulher) que criavam
um menor há alguns anos e, com ele desenvolveram relações de afeto. STJ. 3ª Turma.
REsp 1217415-RS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 19/6/2012.

Aspectos Formais e Prá cos da Adoção Plena


Cons tuição do Vínculo - art. 47 do ECA - O vínculo da adoção cons tui-se por
sentença judicial (de natureza cons tu va), que será inscrita no registro civil mediante
mandado do qual não se fornecerá cer dão.
Inscrição - § 1º - A inscrição consignará o nome dos adotantes como pais, bem como o
nome de seus ascendentes.
Cancelamento do Registro Original - § 2º - O mandado judicial, que será arquivado,
cancelará o registro original do adotado.
Local de Registro - § 3º - A pedido do adotante, o novo registro poderá ser lavrado no
Cartório do Registro Civil do Município de sua residência.
Inexistência de Informações sobre a Origem nos Registros - § 4º - Nenhuma
observação sobre a origem do ato poderá constar nas cer dões do registro.
Modificações no Nome - § 5º - A sentença conferirá ao adotado o nome do adotante
(nome de família) e, a pedido de qualquer deles, poderá determinar a modificação do prenome
(nome de ba smo, nome próprio).
Oi va do Adotando na Modificação do Prenome - § 6º - Caso a modificação de
prenome seja requerida pelo adotante, é obrigatória a oi va do adotando, observado o
disposto nos §§ 1º e 2º do art. 28 desta Lei.
Efeitos da Decisão - § 7º - A adoção produz seus efeitos a par r do trânsito em julgado
da sentença cons tu va (ex nunc), exceto na hipótese prevista no § 6º do art. 42 desta Lei
(adoção póstuma), caso em que terá força retroa va à data do óbito (ex tunc).
A determinação de retroa vidade dos efeitos da adoção à data do óbito é de extrema
importância do ponto de vista sucessório. Como a herança é transmi da no momento da
abertura da sucessão (saisine), sendo os efeitos da sentença de adoção ex nunc, poder-se-ia
alegar que o adotado não teria direito à herança, por lhe faltar status jurídico de filho no
momento da abertura da sucessão. Diante da previsão expressa da retroa vidade da sentença,
afasta-se qualquer possibilidade de discussão acerca dos direitos sucessórios do adotado.
225
Publicidade e Arquivamento do Processo - § 8º - O processo rela vo à adoção assim
como outros a ele relacionados serão man dos em arquivo, admi ndo-se seu armazenamento em
microfilme ou por outros meios, garan da a sua conservação para consulta a qualquer tempo.
Prioridade de Tramitação do Processo com Adotando Deficiente ou Doente Crônico -
§ 9º - Terão prioridade de tramitação os processos de adoção em que o adotando for criança ou
adolescente com deficiência ou com doença crônica.
Direito de Conhecimento da Origem Biológica e do Processo de Adoção - art. 48 do ECA -
O adotado tem direito de conhecer sua origem biológica, bem como de obter acesso irrestrito ao
processo no qual a medida foi aplicada e seus eventuais incidentes, após completar 18 (dezoito) anos.
Acesso pelo Menor de 18 anos - art. 48, parágrafo único, do ECA - O acesso ao processo
de adoção poderá ser também deferido ao adotado menor de 18 (dezoito) anos, a seu pedido,
assegurada orientação e assistência jurídica e psicológica.
Reconhecimento da Origem Biológica e Pedido de Alimentos - A regra é que não é
possível tal pedido. Entretanto, excepcionalmente, é possível o adotado pleitear alimentos aos
seus pais biológicos. O STJ já concedeu tais alimentos em raras hipóteses.

Cadastro para Adoção


Trata-se de um banco de dados que armazena as informações indispensáveis sobre as
crianças a serem adotadas e as pessoas ou casais considerados aptos para a adoção.
Art. 50 do ECA - A autoridade judiciária manterá, em cada comarca ou foro regional,
um registro de crianças e adolescentes em condições de serem adotados e outro de
pessoas interessadas na adoção.

Deferimento da Inscrição - § 1º - O deferimento da inscrição dar-se-á após prévia


consulta aos órgãos técnicos do Juizado, ouvido o Ministério Público.
Indeferimento da Inscrição - § 2º - Não será deferida a inscrição se o interessado não
sa sfazer os requisitos legais, ou verificada qualquer das hipóteses previstas no art. 29
(incompa bilidade com a medida ou não oferecimento de ambiente familiar adequado).
Período de Preparação dos Postulantes à Adoção - § 3º - A inscrição de postulantes à
adoção será precedida de um período de preparação psicossocial e jurídica, orientado pela
equipe técnica da Jus ça da Infância e da Juventude, preferencialmente com apoio dos técnicos
responsáveis pela execução da polí ca municipal de garan a do direito à convivência familiar.
Contato com Crianças e Adolescente em Acolhimento Familiar ou Ins tucional - § 4º -
Sempre que possível e recomendável, a preparação referida no § 3º deste ar go incluirá o
contato com crianças e adolescentes em acolhimento familiar ou ins tucional em condições de
serem adotados, a ser realizado sob a orientação, supervisão e avaliação da equipe técnica da
Jus ça da Infância e da Juventude, com apoio dos técnicos responsáveis pelo programa de 226
acolhimento e pela execução da polí ca municipal de garan a do direito à convivência familiar.
Cadastros Estaduais e Nacionais - § 5º - Serão criados e implementados cadastros
estaduais e nacional de crianças e adolescentes em condições de serem adotados e de pessoas
ou casais habilitados à adoção.

A observância do cadastro de adotantes, ou seja, a preferência das pessoas


cronologicamente cadastradas para adotar determinada criança, não é absoluta. A
regra comporta exceções determinadas pelo princípio do melhor interesse da criança,
base de todo o sistema de proteção. Tal hipótese configura-se, por exemplo, quando já
formado forte vínculo afe vo entre a criança e o pretendente à adoção, ainda que no
decorrer do processo judicial. STJ. 3ª Turma. REsp 1347228-SC, Rel. Min. Sidnei Bene ,
julgado em 6/11/2012.

Cadastro Dis nto para Residentes Fora do País - § 6º - Haverá cadastros dis ntos para
pessoas ou casais residentes fora do País, que somente serão consultados na inexistência de
postulantes nacionais habilitados nos cadastros mencionados no § 5º deste ar go.
Acesso das Autoridades - § 7º - As autoridades estaduais e federais em matéria de
adoção terão acesso integral aos cadastros, incumbindo-lhes a troca de informações e a
cooperação mútua, para melhoria do sistema.
Prazo para Inscrição - § 8º - A autoridade judiciária providenciará, no prazo de 48
(quarenta e oito) horas, a inscrição das crianças e dos adolescentes em condições de serem
adotados que não veram colocação familiar na comarca de origem, e das pessoas ou casais que
veram deferida sua habilitação à adoção nos cadastros estadual e nacional referidos no § 5º
deste ar go, sob pena de responsabilidade.
Competência para Zelar pela Alimentação dos Cadastros - § 9º - Compete à
Autoridade Central Estadual zelar pela manutenção e correta alimentação dos cadastros, com
posterior comunicação à Autoridade Central Federal Brasileira.
Adoção Internacional - § 10 - A adoção internacional somente será deferida se, após
consulta ao cadastro de pessoas ou casais habilitados à adoção, man do pela Jus ça da Infância
e da Juventude na comarca, bem como aos cadastros estadual e nacional referidos no § 5º deste
ar go, não for encontrado interessado com residência permanente no Brasil.
Guarda Temporária em Família Cadastrada em Programa de Acolhimento Familiar - §
11 - Enquanto não localizada pessoa ou casal interessado em sua adoção, a criança ou o
adolescente, sempre que possível e recomendável, será colocado sob guarda de família
cadastrada em programa de acolhimento familiar.
Fiscalização pelo MP - § 12 - A alimentação do cadastro e a convocação criteriosa dos
postulantes à adoção serão fiscalizadas pelo Ministério Público.
227
Adoção por Não Cadastrado - § 13 - Somente poderá ser deferida adoção em favor de
candidato domiciliado no Brasil não cadastrado previamente nos termos desta Lei quando:

I - se tratar de pedido de adoção unilateral (por cônjuge ou companheiro);


II - for formulada por parente com o qual a criança ou adolescente mantenha vínculos
de afinidade e afe vidade (criança já convive com membros de sua família natural);
III - oriundo o pedido de quem detém a tutela ou guarda legal de criança maior de 3
(três) anos ou adolescente, desde que o lapso de tempo de convivência comprove a
fixação de laços de afinidade e afe vidade, e não seja constatada a ocorrência de má-
fé ou qualquer das situações previstas nos arts. 237 ou 238 desta Lei.

Ônus da Prova dos Requisitos para Adoção por Não Cadastrado - § 14 - Nas hipóteses
previstas no § 13 deste ar go, o candidato deverá comprovar, no curso do procedimento, que
preenche os requisitos necessários à adoção, conforme previsto nesta Lei.
Adoção Internacional
Definição - art. 51 do ECA - Considera-se adoção internacional aquela na qual A
PESSOA OU CASAL POSTULANTE É RESIDENTE OU DOMICILIADO FORA DO BRASIL, conforme
previsto no Ar go 2 da Convenção de Haia, de 29 de maio de 1993, Rela va à Proteção das
Crianças e à Cooperação em Matéria de Adoção Internacional, aprovada pelo Decreto
Legisla vo 01/99, e promulgada pelo Decreto 3.087/99.
Requisitos para Adoção Internacional - art. 51, § 1o, do ECA - A adoção internacional de
criança ou adolescente brasileiro ou domiciliado no Brasil somente terá lugar quando restar
comprovado:

I - que a colocação em família subs tuta é a solução adequada ao caso concreto;


II - que foram esgotadas todas as possibilidades de colocação da criança ou
adolescente em família subs tuta brasileira (caráter subsidiário), após consulta aos
cadastros mencionados no art. 50 desta Lei;
III - que, em se tratando de adoção de adolescente, este foi consultado, por meios
adequados ao seu estágio de desenvolvimento, e que se encontra preparado para a
medida, mediante parecer elaborado por equipe interprofissional, observado o
disposto nos §§ 1o e 2o do art. 28 (oi va do menor, se possível, e consen mento do
maior de 12 anos) desta Lei.

Preferência por Brasileiros Residentes no Exterior - art. 51, § 2o, do ECA - Os brasileiros
residentes no exterior terão preferência aos estrangeiros, nos casos de adoção internacional de
criança ou adolescente brasileiro.
Intervenção das Autoridades Centrais Estaduais e Federal - art. 51, § 3o, da Lei - A
adoção internacional pressupõe a intervenção das Autoridades Centrais Estaduais e Federal em 228
matéria de adoção internacional.
Procedimento de Adoção (Habilitação Internacional) - art. 52 do ECA - A adoção
internacional observará o procedimento previsto nos arts. 165 a 170 desta Lei (será analisado
em ponto específico), com as seguintes adaptações:

I - a pessoa ou casal estrangeiro, interessado em adotar criança ou adolescente


brasileiro, deverá formular pedido de habilitação à adoção perante a Autoridade
Central em matéria de adoção internacional no país de acolhida, assim entendido
aquele onde está situada sua residência habitual;
II - se a Autoridade Central do país de acolhida considerar que os solicitantes estão
habilitados e aptos para adotar, emi rá um relatório que contenha informações sobre
a iden dade, a capacidade jurídica e adequação dos solicitantes para adotar, sua
situação pessoal, familiar e médica, seu meio social, os mo vos que os animam e sua
ap dão para assumir uma adoção internacional;
III - a Autoridade Central do país de acolhida enviará o relatório à Autoridade Central
Estadual, com cópia para a Autoridade Central Federal Brasileira;
IV - o relatório será instruído com toda a documentação necessária, incluindo estudo
psicossocial elaborado por equipe interprofissional habilitada e cópia auten cada da
legislação per nente, acompanhada da respec va prova de vigência;
V - os documentos em língua estrangeira serão devidamente auten cados pela
autoridade consular, observados os tratados e convenções internacionais, e
acompanhados da respec va tradução, por tradutor público juramentado;
VI - a Autoridade Central Estadual poderá fazer exigências e solicitar complementação
sobre o estudo psicossocial do postulante estrangeiro à adoção, já realizado no país de
acolhida;
VII - verificada, após estudo realizado pela Autoridade Central Estadual, a
compa bilidade da legislação estrangeira com a nacional, além do preenchimento
por parte dos postulantes à medida dos requisitos obje vos e subje vos necessários
ao seu deferimento, tanto à luz do que dispõe esta Lei como da legislação do país de
acolhida, será expedido laudo de habilitação à adoção internacional, que terá
validade por, no máximo, 1 (um) ano;
VIII - de posse do laudo de habilitação, o interessado será autorizado a formalizar
pedido de adoção perante o Juízo da Infância e da Juventude do local em que se
encontra a criança ou adolescente, conforme indicação efetuada pela Autoridade
Central Estadual.

Intermediação do Processo de Habilitação Internacional por Organismos


o
Credenciados - art. 52, § 1 , do ECA - Se a legislação do país de acolhida assim o autorizar,
admite-se que os pedidos de habilitação à adoção internacional sejam intermediados por
organismos credenciados.
o
Competência para Credenciamento de Organismos Nacionais e Estrangeiros - § 2 -
Incumbe à Autoridade Central Federal Brasileira o credenciamento de organismos nacionais e 229
estrangeiros encarregados de intermediar pedidos de habilitação à adoção internacional, com
posterior comunicação às Autoridades Centrais Estaduais e publicação nos órgãos oficiais de
imprensa e em sí o próprio da internet.
O credenciamento não é ato vinculado, mas sim discricionário, a ser concedido
mediante requisitos de conveniência e oportunidade da administração pública.
Requisitos de Credenciamento - § 3º - Somente será admissível o credenciamento de
organismos que:

I - sejam oriundos de países que ra ficaram a Convenção de Haia e estejam


devidamente credenciados pela Autoridade Central do país onde es verem sediados
e no país de acolhida do adotando para atuar em adoção internacional no Brasil;
II - sa sfizerem as condições de integridade moral, competência profissional,
experiência e responsabilidade exigidas pelos países respec vos e pela Autoridade
Central Federal Brasileira;
III - forem qualificados por seus padrões é cos e sua formação e experiência para
atuar na área de adoção internacional;
IV - cumprirem os requisitos exigidos pelo ordenamento jurídico brasileiro e pelas
normas estabelecidas pela Autoridade Central Federal Brasileira.
Requisitos Adicionais - § 4o - Os organismos credenciados deverão ainda:

I - perseguir unicamente fins não lucra vos, nas condições e dentro dos limites
fixados pelas autoridades competentes do país onde es verem sediados, do país de
acolhida e pela Autoridade Central Federal Brasileira;
II - ser dirigidos e administrados por pessoas qualificadas e de reconhecida idoneidade
moral, com comprovada formação ou experiência para atuar na área de adoção
internacional, cadastradas pelo Departamento de Polícia Federal e aprovadas pela
Autoridade Central Federal Brasileira, mediante publicação de portaria do órgão
federal competente;
III - estar subme dos à supervisão das autoridades competentes do país onde
es verem sediados e no país de acolhida, inclusive quanto à sua composição,
funcionamento e situação financeira;
IV - apresentar à Autoridade Central Federal Brasileira, a cada ano, relatório geral das
a vidades desenvolvidas, bem como relatório de acompanhamento das adoções
internacionais efetuadas no período, cuja cópia será encaminhada ao Departamento
de Polícia Federal;
V - enviar relatório pós-ado vo semestral para a Autoridade Central Estadual, com
cópia para a Autoridade Central Federal Brasileira, pelo período mínimo de 2 (dois)
anos. O envio do relatório será man do até a juntada de cópia auten cada do registro 230
civil, estabelecendo a cidadania do país de acolhida para o adotado;
VI - tomar as medidas necessárias para garan r que os adotantes encaminhem à
Autoridade Central Federal Brasileira cópia da cer dão de registro de nascimento
estrangeira e do cer ficado de nacionalidade tão logo lhes sejam concedidos.

o
Consequência da Não Apresentação dos Relatórios - § 5 - A não apresentação dos
relatórios referidos no § 4 deste ar go pelo organismo credenciado poderá acarretar a
suspensão de seu credenciamento.
o
Validade do Credenciamento - § 6 - O credenciamento de organismo nacional ou
estrangeiro encarregado de intermediar pedidos de adoção internacional terá validade de 2
(dois) anos.
o
Renovação do Credenciamento - § 7 - A renovação do credenciamento poderá ser
concedida mediante requerimento protocolado na Autoridade Central Federal Brasileira nos 60
(sessenta) dias anteriores ao término do respec vo prazo de validade.
Obrigatoriedade de Trânsito em Julgado da Decisão de Adoção Internacional para a
o
Saída do Menor do País - art. 52, § 8 , do ECA - Antes de transitada em julgado a decisão que
concedeu a adoção internacional, não será permi da a saída do adotando do território
nacional.
§ 9o Transitada em julgado a decisão, a autoridade judiciária determinará a expedição
de alvará com autorização de viagem, bem como para obtenção de passaporte,
constando, obrigatoriamente, as caracterís cas da criança ou adolescente adotado,
como idade, cor, sexo, eventuais sinais ou traços peculiares, assim como foto recente e
a aposição da impressão digital do seu polegar direito, instruindo o documento com
cópia auten cada da decisão e cer dão de trânsito em julgado.

Solicitação de Informações pelas Autoridades - § 10 - A Autoridade Central Federal


Brasileira poderá, a qualquer momento, solicitar informações sobre a situação das crianças e
adolescentes adotados.
Descredenciamento por Cobrança de Valores Abusivos - § 11 - A cobrança de valores
por parte dos organismos credenciados, que sejam considerados abusivos pela Autoridade
Central Federal Brasileira e que não estejam devidamente comprovados, é causa de seu
descredenciamento.
Impossibilidade de representação de uma mesma pessoa ou cônjuge por duas
en dades credenciadas - § 12 - Uma mesma pessoa ou seu cônjuge não podem ser
representados por mais de uma en dade credenciada para atuar na cooperação em adoção
internacional.
231
Validade da Habilitação - § 13 - A habilitação de postulante estrangeiro ou domiciliado
fora do Brasil terá VALIDADE MÁXIMA DE 1 (UM) ANO, podendo ser renovada.
Vedação do Contato Direto dos Representantes dos Organismos com Dirigentes dos
Programas de Acolhimento e com Crianças e Adolescente em Condições de Adoção - § 14 - É
vedado o contato direto de representantes de organismos de adoção, nacionais ou estrangeiros,
com dirigentes de programas de acolhimento ins tucional ou familiar, assim como com crianças e
adolescentes em condições de serem adotados, sem a devida autorização judicial.
Suspensão e Limitação de Credenciamentos - § 15 - A Autoridade Central Federal
Brasileira poderá limitar ou suspender a concessão de novos credenciamentos sempre que
julgar necessário, mediante ato administra vo fundamentado.
Vedação de Repasse de Recursos pelos Organismos Intermediadores a Organismos
Nacionais ou Pessoas Físicas - art. 52-A do ECA - É vedado, sob pena de responsabilidade e
descredenciamento, o repasse de recursos provenientes de organismos estrangeiros
encarregados de intermediar pedidos de adoção internacional a organismos nacionais ou a
pessoas sicas.
Repasses Permi dos - parágrafo único - Eventuais repasses somente poderão ser
efetuados via Fundo dos Direitos da Criança e do Adolescente e estarão sujeitos às deliberações
do respec vo Conselho de Direitos da Criança e do Adolescente.
Validade no Brasil da Adoção no Exterior por Brasileiro - art. 52-B do ECA - A adoção por
brasileiro residente no exterior em país ra ficante da Convenção de Haia, cujo processo de adoção
tenha sido processado em conformidade com a legislação vigente no país de residência e atendido
o disposto na Alínea “c” do Ar go 17 da referida Convenção (acordo das autoridades de ambos os
países sobre a adoção), será automa camente recepcionada com o reingresso no Brasil.
Necessidade de Homologação pelo STJ - § 1o - Caso não tenha sido atendido o dispost
na Alínea “c” do Ar go 17 da Convenção de Haia (acordo das autoridades de ambos os países
sobre a adoção), deverá a sentença ser homologada pelo Superior Tribunal de Jus ça.

§ 2o O pretendente brasileiro residente no exterior em país não ra ficante da


Convenção de Haia, uma vez reingressado no Brasil, deverá requerer a homologação
da sentença estrangeira pelo Superior Tribunal de Jus ça.

Brasil como País de Acolhida (caso de brasileiro residente no Brasil que pretende adotar
criança do exterior) - art. 52-C do ECA - Nas adoções internacionais, quando o Brasil for o país de
acolhida, a decisão da autoridade competente do país de origem da criança ou do adolescente
será conhecida pela Autoridade Central Estadual que ver processado o pedido de habilitação dos
pais ado vos, que comunicará o fato à Autoridade Central Federal e determinará as providências 232
necessárias à expedição do Cer ficado de Naturalização Provisório.

Não Reconhecimento da Adoção pela Autoridade Central Estadual - § 1o - A


Autoridade Central Estadual, ouvido o Ministério Público, somente deixará de reconhecer os
efeitos daquela decisão se restar demonstrado que a adoção é manifestamente contrária à
ordem pública ou não atende ao interesse superior da criança ou do adolescente.

§ 2o Na hipótese de não reconhecimento da adoção, prevista no


§ 1o deste ar go, o Ministério Público deverá imediatamente requerer o que for de
direito para resguardar os interesses da criança ou do adolescente, comunicando-se
as providências à Autoridade Central Estadual, que fará a comunicação à Autoridade
Central Federal Brasileira e à Autoridade Central do país de origem.

Aplicação do Procedimento de Adoção Nacional - art. 52-D do ECA - Nas adoções


internacionais, quando o Brasil for o país de acolhida e a adoção não tenha sido deferida no país
de origem porque a sua legislação a delega ao país de acolhida, ou, ainda, na hipótese de,
mesmo com decisão, a criança ou o adolescente ser oriundo de país que não tenha aderido à
Convenção referida, o processo de adoção seguirá as regras da adoção nacional.
6.2 JURISPRUDÊNCIA

INFORMATIVO 558 - A adoção de pessoa maior de idade não precisa do consen mento de
seu pai biológico

Estabelecida uma relação jurídica paterno-filial (vínculo afe vo) entre o adotante e o adotando, a
adoção de pessoa maior não pode ser refutada pelo pai biológico que abandonou o filho, a menos
que ele apresente uma justa causa. A adoção de pessoas maiores de 18 anos é regida pelo ECA. No
entanto, no caso da adoção de maiores, não se aplica a exigência do caput do art. 45 do ECA porque o §
1º do mesmo ar go afirma que o consen mento do pai é dispensado caso ele tenha sido des tuído
do poder familiar. O poder familiar termina quando o filho a nge a maioridade. STJ. 3ª Turma. REsp
1.444.747-DF, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 17/3/2015 (Info 558).

INFORMATIVO 567 - Adoção de criança por pessoa homoafe va

É possível a inscrição de pessoa homoafe va no registro de pessoas interessadas na adoção (art.


50 do ECA), independentemente da idade da criança a ser adotada. STJ. 3ª Turma. REsp
1.540.814-PR, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 18/8/2015 (Info 567).
233
Informa vo 588 - Não é possível que a adoção conjunta seja transformada em unilateral
post mortem caso um dos autores desista e o outro morra sem ter manifestado intenção
de adotar unilateralmente.

Se, no curso da ação de adoção conjunta, um dos cônjuges desis r do pedido e outro vier a falecer
sem ter manifestado inequívoca intenção de adotar unilateralmente, não poderá ser deferido ao
interessado falecido o pedido de adoção unilateral post mortem. Por se tratar de adoção em conjunto,
um cônjuge não pode adotar sem o consen mento do outro. Dessa forma, se proposta adoção em
conjunto e um dos autores (candidatos a pai/mãe) desiste da ação, a adoção deve ser indeferida,
especialmente se o outro vem a morrer antes de manifestar-se sobre a desistência. STJ. 3ª Turma.
REsp 1.421.409-DF, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 18/8/2016 (Info 588).

Informa vo 595 - Menor sob guarda é dependente para fins previdenciários

Ao menor sob guarda deve ser assegurado o direito ao bene cio da pensão por morte mesmo se
o falecimento se deu após a modificação legisla va promovida pela Lei nº 9.528/97 na Lei nº
8.213/91. O art. 33, § 3º do ECA deve prevalecer sobre a modificação legisla va promovida na lei
geral da Previdência Social, em homenagem ao princípio da proteção integral e preferência da
criança e do adolescente (art. 227 da CF/88). STJ. Corte Especial. EREsp 1.141.788-RS, Rel. Min.
João Otávio de Noronha, julgado em 7/12/2016 (Info 595).
TURMA EXTENSIVA

1ª FASE
PARA MAGISTRATURA
ESTADUAL

CADERNO DE
QUESTÕES

RODADA 04

#MegeExtensivo

@ concursos@mege.com.br /cursomege @cursomege 99.98262-2200


Sumário

1. QUESTÕES PARA REVISÃO .........................................................................................3


1.1 DIREITO DO CONSUMIDOR.................................................................................3
1.1.1 COMENTÁRIOS .................................................................................................6
1.2 PROCESSO CIVIL (Parte 1)....................................................................................8
1.2.1 COMENTÁRIOS ...............................................................................................10
1.3 PROCESSO CIVIL (Parte 2) ..................................................................................12
1.3.1 COMENTÁRIOS ...............................................................................................14
1.4 DIREITO CIVIL .....................................................................................................16
1.4.1 COMENTÁRIOS ...............................................................................................19
1.5 CRIANÇA E ADOLESCENTE (Parte 1) .................................................................22
1.5.1 COMENTÁRIOS ...............................................................................................24
1.6 CRIANÇA E ADOLESCENTE (Parte 2) .................................................................25
1.6.1 COMENTÁRIOS ...............................................................................................27

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1. QUESTÕES PARA REVISÃO
OBSERVAÇÕES: Ler os comentários somente após a tenta va de resolução das questões sem
consulta.

1.1. DIREITO DO CONSUMIDOR Pleiteia a declaração de inexistência de


relação jurídica e o recebimento de
1. (TJSC – Juiz Subs tuto – 2017 - FCC) Quanto indenização por danos morais. A pe ção
à responsabilidade pelo fato do produto e inicial é instruída com documento
do serviço, é correto afirmar: comprobatório da inclusão feita a
a) O produto colocado no mercado torna-se requerimento do réu. Em contestação, o
defeituoso se outro de melhor qualidade b a n co a l e ga q u e to m o u to d a s a s
vier a subs tui-lo para a mesma finalidade. providências que estavam ao seu alcance
no momento da contratação e que não
b) O prazo para ajuizamento de ação pode ser responsabilizado por fraude
indenizatória pelo consumidor lesado é pra cada por terceiro. Por sua vez, Arlindo
decadencial. informa que não tem provas a produzir,
c) A responsabilidade pessoal dos profissionais além dos documentos que já apresentou.
liberais será examinada, se a relação for De acordo com a orientação sumulada do
consumerista, de acordo com as regras da Superior Tribunal de Jus ça, assinale a
responsabilidade obje va, na modalidade de alterna va correta.
risco a vidade, que admite excludentes.
a) Os pedidos devem ser julgados 3
d) O serviço, que é defeituoso quando não procedentes, pois a ins tuição financeira
fornece a segurança que o consumidor dele responde obje vamente pelos danos
pode esperar, não é assim considerado pela gerados por fortuito interno rela vo a
adoção de novas técnicas. fraudes pra cadas por terceiros, estando
e) Se o comerciante fornecer o produto sem demonstrada a inexistência de relação
iden ficação clara de seu fabricante, jurídica entre as partes; a simples inscrição
produtor, construtor ou importador, sua indevida do nome do consumidor em órgão
responsabilidade será apurada mediante de proteção ao crédito é suficiente para a
verificação de culpa, isto é, de acordo com caracterização do dano moral, reconhecido
as normas da responsabilidade subje va. na jurisprudência como in re ipsa.
b) O pedido de indenização deve ser julgado
2. (TJSP – Juiz Subs tuto – 2017 - Vunesp)
improcedente, pois o banco agiu no exercício
Após ter os documentos pessoais furtados,
regular de direito, o que exclui a ilicitude de
Arlindo é surpreendido com a inclusão de
sua conduta, cabendo a Arlindo se voltar
seus dados pessoais em órgão de proteção
contra o terceiro que u lizou seus dados para
ao crédito, em razão do inadimplemento
celebrar o contrato; o pedido declaratório
de contrato bancário de financiamento de
deve ser julgado procedente, considerando
automóvel celebrado por terceiro em seu
que Arlindo não deu causa ao fato.
nome. Ostentando prévia e legí ma
nega vação anterior à acima referida, c) O pedido declaratório deve ser acolhido,
Arlindo propõe ação contra a ins tuição pois a ins tuição financeira responde
financeira com a qual foi celebrado o obje vamente pelos danos gerados por
contrato de financiamento de automóvel. fortuito interno rela vo a fraudes

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p ra ca d a s p o r te rc e i ro s , e sta n d o e) Não caracteriza prá ca abusiva a dis nção
demonstrada a inexistência de relação no pagamento em dinheiro, cheque ou
jurídica entre as partes; o pedido de cartão de crédito, pois esta úl ma
indenização por danos morais deve ser modalidade envolve, além do consumidor e
julgado improcedente em razão da prévia do fornecedor, a administradora do cartão.
existência de legí ma inscrição do nome de
Arlindo em órgão de proteção ao crédito. 4. (TJPI – Juiz Subs tuto – 2015 - FCC) Karina
adquiriu no supermercado Golf lac cínio
d) Os pedidos devem ser julgados procedentes,
produzido pela empresa Lima e acabou
pois, embora a ins tuição financeira
por passar mal porque o produto estava
responda subje vamente, foi comprovada
estragado, tanto em razão de falha na
sua culpa pela ineficiência na verificação da
fabricação como no armazenamento. Se o
documentação apresentada por terceiro,
juiz se convencer de que Karina sofreu
estando demonstrada a inexistência de
danos morais, deverá condenar
relação jurídica entre as partes; a simples
inscrição indevida do nome do consumidor em a) Golf e Lima, independentemente de
órgão de proteção ao crédito é suficiente para comprovação de culpa, porque o fabricante
a caracterização do dano moral, reconhecido é subje vamente responsável pelo fato do
na jurisprudência como in re ipsa. produto mas o comerciante responde
igualmente em caso de conservação
3. (TJAM – Juiz Subs tuto – 2016 - CESPE) inadequada de produtos perecíveis.
Acerca das prá cas comerciais previstas 4
no CDC, assinale a opção correta à luz da b) Lima, independentemente de
jurisprudência do STJ. co m p ro va çã o d e c u l p a , p o rq u e o
fabricante é obje vamente responsável
a) A cobrança de tarifa de água pela pelo fato do produto, bem como Golf, em
concessionária pode ocorrer por es ma va
caso de comprovação de culpa, porque o
na hipótese comprovada de falta do
comerciante responde apenas subsidiária
hidrômetro ou de seu mau funcionamento.
e subje vamente pela conservação
b) Haverá responsabilidade solidária entre a inadequada de produtos perecíveis.
concessionária de veículos seminovos e a
c) apenas Golf, independentemente de
fabricante da marca no caso de oferta
c o m p ro va ç ã o d e c u l p a , p o rq u e a
veiculada por aquela que ateste, com a
responsabilidade pelo fato do produto,
anuência desta, a qualidade de veículo usado,
e m b o ra s u b j e v a , é e xc l u s i v a d o
caso esse bem venha a apresentar vício.
comerciante.
c) A ciência do consumidor é necessária para
d) apenas Lima, porque a responsabilidade
que ocorra a reprodução obje va e
pelo fato do produto, embora obje va, é
atualizada pelos órgãos de proteção ao
crédito dos registros existentes nos exclusiva do fabricante.
cartórios de protesto. e) Golf e Lima, independentemente de
d) O denominado escore de crédito, que comprovação de culpa, porque o fabricante
decorre do cadastro posi vo, é uma é obje vamente responsável pelo fato do
espécie de banco de dados e necessita do produto mas o comerciante responde
consen mento do consumidor para igualmente em caso de conservação
u lização pelos fornecedores. inadequada de produtos perecíveis.
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(TJPI – Juiz Subs tuto – 2015 - FCC).
5. Antonio é médico e realizou cirurgia, no
hospital Papa, a cujos quadros pertence,
que resultou na amputação de uma das
pernas de Tania. A amputação ocorreu
porque Antonio entendeu que o
procedimento era necessário à salvação da
vida de Tania, que sofria de graves
problemas circulatórios. Tania ajuizou ação
contra Antonio e Papa afirmando que
ambos teriam responsabilidade obje va
pelo fato, devendo por isto indenizá-la.
Para que haja a responsabilização, é
necessário que se demonstre, além da
ocorrência de dano, a existência
a) apenas do nexo de causalidade entre o
dano e o ato de Antonio, caso em que tanto
Antonio como Papa responderão subje va
e solidariamente pelo dano. 5
b) de culpa de Antonio, caso em que Papa
responderá obje vamente pelo dano,
solidariamente com Antonio.
c) apenas do nexo de causalidade entre o
dano e o ato de Antonio, caso em que tanto
Antonio como Papa responderão obje va
e solidariamente pelo dano.
d) de culpa de Antonio, caso em que Papa
também responderá subje vamente pelo
dano, por culpa in eligendo, porém
subsidiariamente.
e) apenas do nexo de causalidade entre o
dano e o ato de Antonio, caso em que tanto
A n t o n i o c o m o Pa p a r e s p o n d e rã o
obje vamente pelo dano, porém Papa em
caráter subsidiário.

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1.1.1 COMENTÁRIOS 3. B
Responde solidariamente por vício de
1. D
qualidade do automóvel adquirido o fabricante
ALTERNATIVA A: INCORRETA de veículos automotores que par cipa de
A alterna va traz o contrário do previsto no propaganda publicitária garan ndo com sua
o
art. 12, par. 2 , do CDC. marca a excelência dos produtos ofertados por
revendendor de veículos usados (REsp
ALTERNATIVA B: INCORRETA 1.365.609, T4, Rel. Ministro Luis Felipe Salomão,
A p re te n s ã o d e i n g re s s o c o m a ç ã o DJe 28/04/2015).
indenizatória submete-se a prazo
prescricional, e não decadencial, conforme Com relação à alterna va E, esta foi considerada
art. 27 do CDC. incorreta à época da prova. Isso porque se
tratava do entendimento jurisprudencial do STJ
ALTERNATIVA C: INCORRETA
(“a diferenciação entre o pagamento em
A responsabilidade pessoal dos profissionais dinheiro, cheque ou cartão de crédito
liberais depende de apuração de culpa, caracteriza prá ca abusiva no mercado de
o
sendo, pois, subje va (art. 14, par. 4 , CDC). consumo, nociva ao equilíbrio contratual” –
ALTERNATIVA D: CORRETA REsp 1.479.039/MG, T2, Rel. Ministro
Humberto Mar ns, j. em 06/10/2015).
Trata-se da previsão do art. 14, par. 2o, do
CDC. Todavia, entrou em vigor a Lei n. 13.455, 6
datada de 26 de junho de 2017, que passou a
ALTERNATIVA E: INCORRETA autorizar a diferenciação de preços de bens e
Como visto no resumo desta rodada, nos serviços oferecidos ao público em função do
casos de responsabilização do comerciante prazo ou do instrumento u lizado. Sob a
pelo fato do produto (art. 13 do CDC), a nova disciplina legal, portanto, a alterna va
responsabilidade será obje va e subsidiária. passaria a ser considerada correta.

2. C 4. E
Para a resolução da questão, é preciso A responsabilidade subsidiária do
conhecer o teor de dois enunciados de comerciante não afasta a responsabilidade
Súmulas do STJ: obje va do fabricante, produtor, construtor
(o art. 13, caput, dispõe que o “comerciante é
- Súmula 479. As ins tuições financeiras
igualmente responsável”), inclusive no caso
respondem obje vamente pelos danos
do inciso III.
gerados por fortuito interno rela vo a
fraudes e delitos pra cados por terceiros no Há entendimento forte no sen do de que,
âmbito de operações bancárias. ainda que não haja conservação adequada
de produtos perecíveis pelo comerciante, o
- Súmula 385. Da anotação irregular em
fabricante ou produtor são igualmente
cadastro de proteção ao crédito, não cabe
responsáveis. Posteriormente, há
indenização por dano moral, quando
possibilidade de exercício de direito de
preexistente legí ma inscrição, ressalvado o
regresso contra o comerciante.
direito ao cancelamento.

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5. B
A re s p o n s a b i l i d a d e d a s s o c i e d a d e s
empresárias hospitalares por dano causado ao
paciente-consumidor pode ser assim
sinte zada:
(i) as obrigações assumidas diretamente pelo
complexo hospitalar limitam-se ao
fornecimento de recursos materiais e
humanos auxiliares adequados à
prestação dos serviços médicos e à
supervisão do paciente, hipótese em que a
responsabilidade obje va da ins tuição
(por ato próprio) exsurge somente em
decorrência de defeito no serviço prestado
(art. 14, caput, do CDC);
(ii) os atos técnicos pra cados pelos médicos
sem vínculo de emprego ou subordinação
com o hospital são imputados ao
profissional pessoalmente, eximindo-se a
en dade hospitalar de qualquer
7
responsabilidade (art. 14, § 4, do CDC), se
não concorreu para a ocorrência do dano;
(iii) quanto aos atos técnicos pra cados de
forma defeituosa pelos profissionais da
saúde vinculados de alguma forma ao
hospital, respondem solidariamente a
ins tuição hospitalar e o profissional
responsável, apurada a sua culpa
profissional. Nesse caso, o hospital é
responsabilizado indiretamente por ato
d e te rc e i ro, c u j a c u l p a d eve s e r
comprovada pela ví ma de modo a fazer
emergir o dever de indenizar da
ins tuição, de natureza absoluta (arts.
932 e 933 do CC), sendo cabível ao juiz,
demonstrada a hipossuficiência do
paciente, determinar a inversão do ônus
da prova (art. 6º, VIII, do CDC). (REsp
1.145.728, Rel. Ministro luis Felipe
Salomão, DJe 08/09/2011).

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1.2 PROCESSO CIVIL (Parte 1) a) A nova sistemá ca de cooperação jurídica
internacional prevista no atual CPC dispensa
1. (TJ-PR – 2017, Cespe) Ao receber a pe ção a atuação de autoridade central para a
inicial de processo eletrônico que tramita recepção e transmissão dos pedidos de
pelo procedimento comum, o magistrado, cooperação.
postergando o contraditório, deferiu
b) A competência do foro da situação do imóvel
liminarmente a tutela provisória de evidência
objeto de uma ação possessória pode ser
requerida e in mou o réu para cumprimento
modificada para o julgamento conjunto com
no prazo de cinco dias. Considerou o juiz que
outro processo, caso haja risco de prolação
as alegações do autor foram comprovadas
de decisões conflitantes ou contraditórias.
documentalmente e que havia tese firmada
em julgamento de casos repe vos que c) A jus ça estadual possui competência para
amparava a medida liminar. Posteriormente, julgar mandado de segurança impetrado
o réu apresentou manifestação alegando a contra ato de conselho seccional da OAB.
incompetência absoluta do juízo e equívoco d) Conforme o CPC, permite-se a exclusão de
do magistrado na concessão da tutela competência da jus ça brasileira, quando
provisória. Acerca dessa situação hipoté ca, esta for concorrente, em razão de cláusula
assinale a opção correta. contratual de eleição de foro exclusivo
a) O magistrado cometeu error in procedendo, e st ra n ge i ro p re v i sto e m co nt rato
internacional, desde que haja arguição pelo
porque viola a ampla defesa a concessão de
réu em constatação.
8
tutela da evidência antes da manifestação do
réu.
3. (TJ-SP – 2017, Vunesp) Em matéria de
b) Ainda que venha a ser reconhecida a competência, assinale a alterna va
incompetência absoluta do juízo, os efeitos correta.
da decisão serão conservados até que outra
a) No caso de con nência, as demandas
seja proferida pelo órgão jurisdicional
devem ser reunidas para julgamento
competente.
conjunto, salvo se a ação con nente
c) O magistrado agiu de forma equivocada, preceder a propositura da ação con da,
porque o CPC não autoriza a concessão de caso em que essa úl ma terá seu processo
tutela provisória da evidência pelos ex nto sem resolução do mérito.
mo vos indicados pelo juiz.
b) Compete à autoridade judiciária brasileira
d) Se reconhecer sua incompetência julgar as ações em que as partes se
absoluta, o juiz deverá ex nguir o processo submetam à jurisdição nacional, desde
sem resolução do mérito, jus ficando a que o façam expressamente.
medida na impossibilidade técnica em
c) A competência determinada por critério
remeter os autos eletrônicos para o juízo
territorial é sempre rela va.
competente.
d) A prevenção é efeito da citação válida.
2. (TJ-PR – 2017, Cespe) Assinale a opção
correta de acordo com as regras a respeito
de jurisdição e de competência previstas
no CPC.

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4. (TJ-SC – 2015, FCC) Analise os enunciados b) a incompetência rela va se verifica
seguintes, rela vos à competência quando há violação de critérios territoriais,
interna: de valor da causa, ou funcionais.
I. A ação fundada em direito pessoal e a ação c) na ação em que o réu for incapaz e ver
fundada em direito real sobre bens móveis domicílio dis nto do de seu representante,
serão propostas, em regra, no foro do prevalecerá o foro do domicílio do incapaz.
domicílio do autor. d) sendo o autor da ação domiciliado no
II. Quando o réu não ver domicílio nem Brasil e o réu domiciliado e residente
residência no Brasil, a ação será proposta exclusivamente no exterior, poderá ela ser
no foro do domicílio do autor; se este ajuizada em qualquer foro.
também residir fora do Brasil, a ação será
proposta em qualquer foro.
III. Nas ações fundadas em direito real sobre
imóveis é competente o foro da situação
da coisa. Pode o autor, entretanto, optar
pelo foro do domicílio ou de eleição, não
recaindo o li gio sobre direito de
propriedade, vizinhança, servidão, posse,
divisão e demarcação de terras e
nunciação de obra nova.
9
IV. O foro do domicílio do autor da herança, no
Brasil, é o competente para o inventário, a
par lha, a arrecadação, o cumprimento de
disposições de úl ma vontade e todas as
ações em que o espólio for réu, salvo se o
óbito houver ocorrido no estrangeiro.
É correto o que se afirma APENAS em
a) I, II e IV.
b) I, III e IV.
c) II e III.
d) II, III e IV.
e) I e III.

5. (TJ-SP – 2013, Vunesp) Em matéria de


competência, é correto afirmar que
a) ainda que se verifique a iden dade de
partes, causa de pedir e pedidos, não haverá
li spendência entre a ação intentada
perante tribunal estrangeiro e aquela
subme da à autoridade judiciária brasileira.
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1.2.1 COMENTÁRIOS C – INCORRETA: “Compete à Jus ça Federal
processar e julgar mandado de segurança
1. B impetrado contra presidente de subseção
da OAB (AgRg no REsp 1.255.052-AP, Rel.
A – INCORRETA: art. 311, II, e Parágrafo único,
Min. Humberto Mar ns, julgado em
do NCPC – “Art. 311. A tutela da evidência
6/11/2012.)”.
será concedida, independentemente da
demonstração de perigo de dano ou de D – CORRETA: art. 25 do NCPC – “Art. 25. Não
risco ao resultado ú l do processo, quando: compete à autoridade judiciária brasileira
II - as alegações de fato puderem ser o processamento e o julgamento da ação
comprovadas apenas documentalmente e quando houver cláusula de eleição de foro
houver tese firmada em julgamento de exclusivo estrangeiro em contrato
casos repe vos ou em súmula vinculante. internacional, arguida pelo réu na
Parágrafo único. Nas hipóteses dos incisos II contestação. § 1º Não se aplica o disposto no
e III, o juiz poderá decidir liminarmente. caput às hipóteses de competência
internacional exclusiva previstas neste
B – CORRETA: art. 64, §4º, do NCPC – “Art. 64. Capítulo”.
A incompetência, absoluta ou rela va,
será alegada como questão preliminar de 3. A
contestação. § 4º Salvo decisão judicial em
A – CORRETA: Nos termos do ar go 57 do
sen do contrário, conservar-se-ão os
NCPC, “no caso de con nência, as
efeitos de decisão proferida pelo juízo
demandas devem ser reunidas para
10
incompetente até que outra seja
julgamento conjunto, salvo se a ação
proferida, se for o caso, pelo juízo con nente preceder a propositura da ação
competente.” con da, caso em que essa úl ma terá seu
C – INCORRETA: Idem asser va “A”. processo ex nto sem resolução do mérito”.
D – INCORRETA: 64, §3º, do NCPC – “Art. 64, § B – INCORRETA: Nos termos do ar go 22, III, do
3º Caso a alegação de incompetência seja NCPC, “Compete, ainda, à autoridade judiciária
acolhida, os autos serão reme dos ao brasileira processar e julgar as ações em que as
juízo competente”. partes, EXPRESSA OU TACITAMENTE, se
submeterem à jurisdição nacional”.
2. RESPOSTA: D
C – INCORRETA: A regra é que a competência
A – INCORRETA: art. 26, IV, do NCPC – “Art. territorial seja rela va. No entanto, o
26. A cooperação jurídica internacional próprio Código de Processo Civil estabelece
será regida por tratado de que o Brasil faz algumas hipóteses em que a competência
parte e observará: IV - a existência de territorial será absoluta, tais como a
autoridade central para recepção e competência para as ações fundadas em
transmissão dos pedidos de cooperação; direito real sobre bem imóvel (art. 47 do
NCPC e art. 95 do CPC/73), sendo,
B – INCORRETA: art. 47, §2º, do NCPC – “Art.
portanTo, inderrogável, de modo a incidir o
47, § 2º A ação possessória imobiliária será
princípio do forum rei sitae, tornando-se
proposta no foro de situação da coisa, cujo
inaplicável o princípio da perpetua o
juízo tem competência absoluta”. jurisdic onis (CC 111.572-SC, Rel. Min.
Nancy Andrighi, julgado em 9/4/2014.).

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D – INCORRETA: Ao contrário do ar go 219 a autoridade judiciária brasileira conheça
do CPC/73, que estabelecia que a citação da mesma causa e das que lhe são
válida tornava o juízo prevento, o ar go 59 do conexas, ressalvadas as disposições em
NCPC dispõe que “O REGISTRO OU A contrário de tratados internacionais e
DISTRIBUIÇÃO da pe ção inicial torna acordos bilaterais em vigor no Brasil.
prevento o juízo”. Parágrafo único. A pendência de causa
perante a jurisdição brasileira não
4. RESPOSTA: C impede a homologação de sentença
I – INCORRETA: art. 46 do NCPC – “Art. 46. A judicial estrangeira quando exigida para
ação fundada em direito pessoal ou em produzir efeitos no Brasil”.
direito real sobre bens móveis será B – INCORRETA: arts. 54, 62 e 63, todos do
proposta, em regra, no foro de domicílio do NCPC – “Art. 54. A competência rela va
réu”. poderá modificar-se pela conexão ou pela
II – CORRETA: art. 46, §3º do NCPC – “Art. 46, con nência, observado o disposto nesta
§ 3o Quando o réu não ver domicílio ou Seção. Art. 62. A competência
residência no Brasil, a ação será proposta determinada em razão da matéria, da
no foro de domicílio do autor, e, se este pessoa ou da função é inderrogável por
também residir fora do Brasil, a ação será convenção das partes. Art. 63. As partes
proposta em qualquer foro”. podem modificar a competência em razão

III – CORRETA: art. 47 e §1º do NCPC – “Art.


do valor e do território, elegendo foro 11
onde será proposta ação oriunda de
47. Para as ações fundadas em direito
direitos e obrigações”.
real sobre imóveis é competente o foro
de situação da coisa. § 1º O autor pode C – INCORRETA: art. 50 do NCPC – “Art. 50. A
optar pelo foro de domicílio do réu ou ação em que o incapaz for réu será
pelo foro de eleição se o li gio não recair proposta no foro de domicílio de seu
sobre direito de propriedade, vizinhança, representante ou assistente”.
servidão, divisão e demarcação de terras D – INCORRETA: art. 46, §3º, do NCPC – “§ 3º
e de nunciação de obra nova”. Quando o réu não ver domicílio ou
IV – INCORRETA: art. 48 do NCPC – “Art. 48. O residência no Brasil, a ação será proposta
foro de domicílio do autor da herança, no no foro de domicílio do autor, e, se este
Brasil, é o competente para o inventário, também residir fora do Brasil, a ação será
a par lha, a arrecadação, o cumprimento proposta em qualquer foro”.
de disposições de úl ma vontade, a
impugnação ou anulação de par lha
extrajudicial e para todas as ações em
que o espólio for réu, ainda que o óbito
tenha ocorrido no estrangeiro”.

5. A
A – CORRETA: art. 24 do NCPC – “Art. 24. A
ação proposta perante tribunal estrangeiro
não induz li spendência e não obsta a que

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1.3 PROCESSO CIVIL (Parte 2) c) a condição de pobre é presumida para todo
aquele que a afirma, não podendo o juiz,
1. (TJ-PR – 2017, Cespe) Em cada uma das portanto, indeferir a assistência judiciária
próximas opções, é apresentada uma sem que haja a impugnação da outra parte.
situação hipoté ca, seguida de uma d) nas causas em que uma das partes for
asser va a ser julgada. Assinale a opção beneficiária da assistência judiciária, não
q u e , d e a co rd o co m a l e g i s l a çã o haverá condenação em honorários
processual, apresenta a asser va correta. advoca cios, independentemente de
a) Foi distribuída para determinado juiz ação quem seja vencedor.
em que é parte ins tuição de ensino na
qual ele leciona. Nessa situação, o 3. (TJ-SP – 2015, Vunesp - ADAPTADA) Com
magistrado tem de se declarar suspeito, relação a honorários advoca cios, assinale
haja vista que a suspeição independe de a alterna va correta.
arguição do interessado. a) os honorários sucumbenciais, quando
b) Em determinada ação de cobrança, o omi dos em decisão transitada em julgado,
magistrado julgou parcialmente não podem ser cobrados em ação própria.
procedente o pedido autoral, condenando b) os honorários advoca cios devem ser
o réu a pagar metade do valor pleiteado. compensados quando houver sucumbência
Nessa situação, os honorários advoca cios recíproca, assegurado o direito autônomo
deverão ser compensados em razão da do advogado à execução do saldo sem
sucumbência recíproca. exclusão da legi midade da própria parte. 12
c) O MP deixou de apresentar parecer após o c) arbitrados os honorários advoca cios em
prazo legal que possuía para se manifestar percentual sobre o valor da causa, a correção
como fiscal da ordem jurídica. Nessa monetária incide a par r da sentença.
situação, o juiz deverá requisitar os autos e
dar andamento ao processo mesmo sem a d) são devidos honorários advoca cios pela
referida manifestação. Fazenda Pública nas execuções individuais
de sentença proferida em ações cole vas,
d) Pedro ajuizou demanda contra Roberto e, ainda que não embargadas.
na pe ção inicial, requereu a concessão de
gratuidade de jus ça. Nessa situação, 4. (TJ-PE – 2015, FCC - ADAPTADA) Quanto à
caberá agravo de instrumento contra a a vidade processual do juiz, é correto
decisão que denegar ou conceder o pedido afirmar que
de gratuidade.
a) o princípio da iden dade sica do juiz
2. (TJ-SP – 2013, Vunesp - ADAPTADA) Sobre encontra-se previsto, expressamente, no
a assistência judiciária, é acertado afirmar Código de Processo Civil.
que: b) o poder instrutório do juiz pode ser
a) não pode beneficiar estrangeiros, ainda realizado de o cio, decidindo o processo
que residentes no Brasil. co m b a s e n o s p r i n c í p i o s d o l i v re
convencimento e da persuasão racional.
b) a impugnação do direito à assistência
judiciária pode ser feita na própria c) deve ele decidir por meio de critérios de
contestação ou na réplica, sem suspensão conveniência e oportunidade, como regra
do curso do processo. geral.
d) é defeso a ele impedir que as partes se

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sirvam do processo para pra car ato
simulado.
E) o juiz apreciará a prova de acordo com o
sistema hierarquizado previsto na lei
processual civil.

5. (TJ-GO – 2015, FCC) De acordo com o


Código de Processo Civil, o juiz
a) poderá atuar como intérprete, quando
dominar idioma estrangeiro, vertendo-o
para o português por ocasião da sentença
b) determinará, inclusive de o cio, a
produção das provas necessárias à
instrução do processo.
c) decidirá, em regra, por equidade.
d) apreciará a prova observando,
estritamente, apenas as circunstâncias
alegadas pelas partes.
e) decidirá a lide sempre com vistas ao bem
comum, se necessário extrapolando os
13
limites em que foi proposta, ainda que a
questão demande inicia va da parte.

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1.3.1 COMENTÁRIOS processuais e os honorários advoca cios
tem direito à gratuidade da jus ça, na
1. C forma da lei”.

A – INCORRETA: Trata-se de hipótese de B – CORRETA: art. 100 do NCPC – “Art. 100.


impedimento, na forma do ar go 144, VII, do Deferido o pedido, a parte contrária poderá
NCPC - Art. 144. Há impedimento do juiz, oferecer impugnação na contestação, na
sendo-lhe vedado exercer suas funções no réplica, nas contrarrazões de recurso ou, nos
processo: VII - em que figure como parte casos de pedido superveniente ou
ins tuição de ensino com a qual tenha formulado por terceiro, por meio de
relação de emprego ou decorrente de pe ção simples, a ser apresentada no
contrato de prestação de serviços;”. prazo de 15 (quinze) dias, nos autos do
próprio processo, sem suspensão de seu
B – INCORRETA: art. 85, §14, do NCPC – “art. curso”.
85, § 14. Os honorários cons tuem direito
do advogado e têm natureza alimentar, C – INCORRETA: art. 99, §2º, do NCPC – “art. 99,
com os mesmos privilégios dos créditos § 2º O juiz somente poderá indeferir o
oriundos da legislação do trabalho, sendo pedido se houver nos autos elementos que
vedada a compensação em caso de evidenciem a falta dos pressupostos legais
sucumbência parcial”. para a concessão de gratuidade, devendo,
antes de indeferir o pedido, determinar à
C – CORRETA: art. 180, §1º, do NCPC – “Art. parte a comprovação do preenchimento
180. O Ministério Público gozará de prazo dos referidos pressupostos”.
em dobro para manifestar-se nos autos, 14
que terá início a par r de sua in mação D – INCORRETA: art. 98, §§2º e 3º do Novo CPC –
pessoal, nos termos do art. 183, § 1º. § 1º “art. 98, § 2º A concessão de gratuidade não
Findo o prazo para manifestação do afasta a responsabilidade do beneficiário
Ministério Público sem o oferecimento de pelas despesas processuais e pelos
parecer, o juiz requisitará os autos e dará honorários advoca cios decorrentes de sua
andamento ao processo”. sucumbência. § 3º Vencido o beneficiário,
as obrigações decorrentes de sua
D – INCORRETA: arts. 101 e 1.015, V, ambos do sucumbência ficarão sob condição
NCPC – “Art. 101. Contra a decisão que suspensiva de exigibilidade e somente
indeferir a gratuidade ou a que acolher pedido poderão ser executadas se, nos 5 (cinco)
de sua revogação caberá agravo de anos subsequentes ao trânsito em julgado
instrumento, exceto quando a questão for da decisão que as cer ficou, o credor
resolvida na sentença, contra a qual caberá demonstrar que deixou de exis r a situação
apelação. / Art. 1.015. Cabe agravo de de insuficiência de recursos que jus ficou a
instrumento contra as decisões concessão de gratuidade, ex nguindo-se,
interlocutórias que versarem sobre: V - passado esse prazo, tais obrigações do
rejeição do pedido de gratuidade da jus ça beneficiário”.
ou acolhimento do pedido de sua
revogação”. 3. D

2. B A – INCORRETA: A Súmula 453 do STJ afirma


que “os honorários sucumbenciais,
A – INCORRETA: art. 98, caput, do NCPC – “Art. quando omi dos em decisão transitada
98. A pessoa natural ou jurídica, brasileira em julgado, não podem ser cobrados em
ou estrangeira, com insuficiência de execução ou em ação própria”. No entanto,
recursos para pagar as custas, as despesas o ar go 85, §18 do NCPC passou a prever
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que, “caso a decisão transitada em julgado D - INCORRETA: art. 142 do NCPC – “Art. 142.
seja omissa quanto ao direito aos Convencendo-se, pelas circunstâncias, de
honorários ou ao seu valor, é cabível ação que autor e réu se serviram do processo para
autônoma para sua definição e cobrança”. pra car ato simulado ou conseguir fim
vedado por lei, o juiz proferirá decisão que
B – INCORRETA: A súmula 306 do STJ afirma
impeça os obje vos das partes, aplicando, de
que “os honorários advoca cios devem ser
o cio, as penalidades da li gância de má-fé”.
compensados quando houver
sucumbência recíproca, assegurado o E – INCORRETA: art. 371 do NCPC – “Art. 371. O
direito autônomo do advogado à execução juiz apreciará a prova constante dos autos,
do saldo sem excluir a legi midade da independentemente do sujeito que a ver
própria parte”. Ocorre que o ar go 85, promovido, e indicará na decisão as razões
§14, do NCPC passou a prever que “os da formação de seu convencimento”.
honorários cons tuem direito do
advogado e têm natureza alimentar, com 5. B
os mesmos privilégios dos créditos
A – INCORRETA: art. 162, I e II, do NCPC – “Art.
oriundos da legislação do trabalho, sendo
162. O juiz nomeará intérprete ou tradutor
vedada a compensação em caso de
quando necessário para: I - traduzir
sucumbência parcial”.
documento redigido em língua estrangeira;
C – INCORRETA: Súmula 14 do STJ (Arbitrados II - verter para o português as declarações
os honorários advoca cios em percentual das partes e das testemunhas que não
sobre o valor da causa, a correção conhecerem o idioma nacional”.
monetária incide a par r do respec vo
15
B – CORRETA: art. 370 do NCPC - “Art. 370.
ajuizamento)
Caberá ao juiz, de o cio ou a requerimento
D – CORRETA: Súmula 345 do STJ (São devidos da parte, determinar as provas
honorários advoca cios pela Fazenda necessárias ao julgamento do mérito.
Pública nas execuções individuais de Parágrafo único. O juiz indeferirá, em
sentença proferida em ações cole vas, decisão fundamentada, as diligências
ainda que não embargadas.). inúteis ou meramente protelatórias”.
C – INCORRETA: art. 140, Parágrafo único do
4. B
NCPC – “Art. 140. O juiz não se exime de
A – INCORRETA: O NCPC não repe u a decidir sob a alegação de lacuna ou
previsão do ar go 132 do CPC/73. obscuridade do ordenamento jurídico.
Parágrafo único. O juiz só decidirá por
B – CORRETA: art. 370 do NCPC - “Art. 370.
equidade nos casos previstos em lei”.
Caberá ao juiz, de o cio ou a requerimento
da parte, determinar as provas necessárias D – INCORRETA: art. 371 do NCPC – “Art. 371.
ao julgamento do mérito. Parágrafo único. O juiz apreciará a prova constante dos
O juiz indeferirá, em decisão autos, independentemente do sujeito
fundamentada, as diligências inúteis ou que a ver promovido, e indicará na
meramente protelatórias”. decisão as razões da formação de seu
convencimento”.
C – INCORRETA: art. 140, Parágrafo único do
NCPC – “Art. 140. O juiz não se exime de E – INCORRETA: art. 141 do NCPC – “Art. 141.
decidir sob a alegação de lacuna ou O juiz decidirá o mérito nos limites
obscuridade do ordenamento jurídico. propostos pelas partes, sendo-lhe vedado
Parágrafo único. O juiz só decidirá por conhecer de questões não suscitadas a
equidade nos casos previstos em lei”. cujo respeito a lei exige inicia va da parte”.
1.4 DIREITO CIVIL (R. Limongi França. Do Nome Civil das
Pessoas Naturais. p. 542. 3. ed. São Paulo.
1. (VUNESP – TJ-SP – Juiz Subs tuto – 2017) Revista dos Tribunais, 1975).
Arlindo casa-se com Joana pelo regime da
Essa afirmação é
comunhão universal de bens e com ela tem
dois filhos, Bruno e Lucas, ambos solteiros a) compa vel com o direito brasileiro, em
e sem conviventes em união estável. virtude de omissão da lei a respeito da
Arlindo e Lucas morrem em um mesmo p ro te çã o d e p s e u d ô n i m o, a p e n a s
acidente de trânsito, tendo Lucas deixado aplicando-se analogicamente a regra
um filho menor. Dos atestados de óbito, per nente aos apelidos públicos notórios.
consta que o falecimento de Arlindo b) parcialmente compa vel com o direito
ocorreu cinco minutos antes do de Lucas. brasileiro, que confere proteção ao
Assinale a alterna va correta pseudônimo, em qualquer a vidade.

a) Os bens deixados por Arlindo serão c) incompa vel com o direito brasileiro, que
transmi dos a Joana, Bruno e ao filho de só confere proteção ao pseudônimo em
Lucas. a vidades ar s cas ou intelectuais.

b) Em razão dos falecimentos no mesmo d) compa vel com o direito brasileiro, porque
acidente, a presunção é a de que a morte o pseudônimo adotado para a vidades
do mais velho precede a do mais jovem, o lícitas goza da proteção que se dá ao nome.
que faz com que a herança do filho de
16
e) parcialmente compa vel com o direito
Lucas fique restrita à parte em que seu pai brasileiro, que não dis ngue a proteção do
sucederia, se vivo fosse. nome da proteção do pseudônimo.
c) Os bens deixados por Arlindo serão
3. (CESPE – TJ-AM – Juiz Subs tuto – 2016)
transmi dos a Bruno e a Lucas, observada
Assinale a opção correta a respeito da
a meação de Joana.
pessoa natural e da pessoa jurídica.
d) Em razão dos falecimentos no mesmo
a) Será do como inexistente o ato pra cado
acidente e da comoriência, a presunção é a
por pessoa absolutamente incapaz sem a
de que Arlindo e Lucas morreram
devida representação legal.
s i m u l ta n e a m e n t e , o q u e exc l u i a
transmissão de bens entre eles. b) Pelo critério da idade, crianças são
consideradas absolutamente incapazes e
2. (FCC – TJ-SC – Juiz Subs tuto – 2017) De adolescentes, rela vamente incapazes.
nossa parte, lembramos ainda a já
c) As fundações são en dades de direito
afirmada função iden ficadora do
privado e se caracterizam pela união de
pseudônimo, rela vamente à esfera de
pessoas com o escopo de alcançarem fins
ação em que é usado, o que, sem dúvida, é
não econômicos.
um traço dis n vo do falso nome, que,
evidentemente, embora, em certas d) Para se adquirir a capacidade civil plena, é
circunstâncias, possa vir também a exercer necessário alcançar a maioridade civil, mas
papel semelhante, não é usado com essa é possível que, ainda que maior de dezoito
finalidade, senão com a de frustrar anos, a pessoa natural seja incapaz de
qualquer possibilidade de iden ficação. exercer pessoalmente os atos da vida civil.

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e) O reconhecimento da morte presumida, desaparecido pelas autoridades policiais.
quando for extremamente provável a morte Pedro e José possuíam bens, e Joana,
de quem estava com a vida sob risco, pretendendo arrecadá-los, administrá-los
independe da declaração da ausência. e neles suceder, poderá
a) requerer a declaração de morte presumida
4. (CESPE – TJ-AM – Juiz Subs tuto – 2016) A
de Pedro ao juiz, que fixará a data provável
propósito dos bens e do domicílio,
do falecimento, sendo a meação atribuída
assinale a opção correta com fundamento
a ela e a herança a José, em processo de
nos disposi vos legais, na doutrina e no
inventário, bem como, pedir a declaração
entendimento jurisprudencial pátrio.
de ausência de José, cuja sucessão
a) Possuem domicílio necessário ou legal o provisória se abrirá decorrido um ano da
militar, o incapaz, o servidor público, a arrecadação de seus bens, mas a sucessão
pessoa jurídica de direito privado e o preso. defini va se abrirá dez anos depois de
b) Pelo princípio da gravitação jurídica, a passada em julgado a sentença que
propriedade dos bens acessórios segue a conceder a sucessão provisória.
sorte do bem principal, podendo, b) requerer a declaração de morte presumida
entretanto, haver disposição em contrário de Pedro e de José ao juiz, que fixará as
pela vontade da lei ou das partes. datas prováveis dos falecimentos, sendo a
c) O atributo da fungibilidade de um bem meação decorrente da morte do cônjuge e
decorre exclusivamente de sua natureza. a herança, pela morte do filho, atribuídas a 17
ela em processo de inventário.
d) Os rendimentos são considerados produto da
coisa, já que sua extração e sua u lização não c) apenas requerer a arrecadação dos bens de
diminuem a substância do bem principal. José e de Pedro, sendo nomeada curadora,
até que se abra a sucessão defini va deles,
e) Ao possuidor de boa-fé faculta-se o exercício
dez anos depois de passada em julgado a
do direito de retenção para ver-se indenizado
sentença que conceder a sucessão
das benfeitorias úteis e voluptuárias, quando
provisória, ou quando completarem oitenta
estas não puderem ser levantadas sem
anos e fizer cinco anos das úl mas no cias
prejuízo ao bem principal.
de cada um deles, quando, então, todos os
5. (FCC- TJ-RR – Juiz Subs tuto – 2015) Joana bens serão atribuídos a Joana, em processo
e Pedro, casados sob o regime da de inventário.
comunhão universal de bens, veram d) somente requerer a arrecadação dos bens
apenas um filho, José. Pedro embarcou de José e de Pedro, sendo nomeada
em uma aeronave que desapareceu, curadora, até que, decorridos dois anos do
havendo prova de que se acidentara, mas desparecimento da aeronave em que
a aeronave não foi encontrada, dando as Pedro se encontrava e dez anos do
autoridades por cessadas as buscas. desaparecimento de José, seja possível
Alguns meses depois, José, com trinta requerer ao juiz a abertura da sucessão
anos, solteiro e sem descendente, saiu em defini va de ambos, quando, então, seus
viagem, da qual voltaria em trinta dias, bens serão atribuídos a Joana,
não deixando procurador; entretanto, independentemente da realização de
não retornou, sendo considerado inventário, suprido pela arrecadação.

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e) somente pedir ao juiz um alvará para
administrar, como curadora, os bens de
ambos e, se necessária a venda, requerer
alienação judicial, porque o ausente se
considera absolutamente incapaz, até que
o juiz declare a morte presumida de
ambos, decorridos dez anos de seus
desaparecimentos, e possam abrir-se os
respec vos inventários, nos quais todos os
bens remanescentes serão atribuídos a
Joana

18

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1.4.1 COMENTÁRIOS uma diferença de 5 minutos, não havendo
que se falar em comoriência.
1. C
2. D
ALTERNATIVA A: INCORRETA
ALTERNATIVA A: INCORRETA
Como Arlindo e Joana eram casados no regime
de comunhão universal de bens, deverá ser feita A Lei Civil brasileira não é omissa em relação a
a meação. A parte de Arlindo será transmi da, proteção do pseudônimo. Assim, nos casos
dessa forma, aos seus herdeiros seguindo a em que este for usado para a vidades lícitas,
ordem de vocação hereditária constante no conforme ar go 19 da legislação em
ar go 1.829 do Código Civil. Nesse sen do, a comento, há proteção específica, gozando
herança de Arlindo será transmi da a Bruno e este da proteção que se dá ao nome.
Lucas (descendentes) e Joana não será ALTERNATIVA B: INCORRETA
considerada herdeira, por ter sido meeira da
A proteção conferida ao pseudônimo não é
mesma massa patrimonial em razão do seu
em qualquer a vidade, devendo ser
regime de bens.
observada a licitude da mesma. Em sendo
ALTERNATIVA B: INCORRETA lícita, há proteção específica.
Do falecimento na mesma ocasião, somente ALTERNATIVA C: INCORRETA
há presunção de comoriência quando não se
A p ro t e ç ã o a o p s e u d ô n i m o g u a rd a
puder averiguar se uma morte precedeu a
compa bilidade com o direito brasileiro na
19
outra, conforme ar go 8º do Código Civil. No
medida em que há proteção em todas as
caso em comento, houve uma premoriência
a vidades lícitas, não havendo restrição para
real, e não presumida, tendo em vista que foi
a vidades ar s cas ou intelectuais.
possível averiguar o momento certo do óbito.
Ainda, não há direito de representação do ALTERNATIVA D: CORRETA
filho de Lucas, pois este não era pré-morto Alterna va correta, em razão expressa
quando da morte de Arlindo, conforme ar go previsão no ar go 19 do Código Civil.
1.851 do Código Civil.
ALTERNATIVA E: INCORRETA
ALTERNATIVA C: CORRETA
A afirmação é compa vel com o direito
Alterna va em consonância com a explicação brasileiro, na medida em que este prescreve
do item “A”. Como Lucas morreu depois de uma especial proteção a este ins tuto que é a
Arlindo, sendo vivo a época da abertura da mesma conferida ao nome no caso de ser
sucessão, recebe os bens transmi dos por seu adotado para a vidades lícitas.
pai em concorrência com Bruno. Joana só teria
direito à meação, considerando que era casada 3. E
no regime de comunhão universal de bens.
ALTERNATIVA A: INCORRETA
ALTERNATIVA D: INCORRETA
O ato pra cado pelos absolutamente
Do falecimento na mesma ocasião, somente incapazes (ar go 3º do Código Civil) sem a
há presunção de comoriência quando não se devida representação, conforme ar go 166, I
puder averiguar se uma morte precedeu a do Código Civil, será considerado nulo e não
outra, conforme ar go 8º do Código Civil. No inexistente.
caso em análise, a Cer dão de Óbito consta
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ALTERNATIVA B: INCORRETA principal, conforme ar go 92 do código Civil.
Observando o que prediz o Estatuto da No entanto, pode haver disposição especial
Criança e do Adolescente (Lei 8.069/90), em diverso sen do apesar de não haver
criança é considerada a pessoa até doze anos expressa previsão legisla va.
de idade incompletos e adolescente aquele ALTERNATIVA C: INCORRETA
entre 12 e 18 anos. Assim, alguns A fungibilidade ocorre quando bem pode ser
adolescentes ainda estariam abarcados pela subs tuído por outro de mesma espécie,
categoria de absolutamente incapazes, em quan dade e qualidade, conforme ar go 85
razão de a legislação civil prever que esta é do Código Civil. No entanto, essa
para aqueles menores 16 anos. fungibilidade não decorre exclusivamente da
ALTERNATIVA C: INCORRETA natureza do bem, pode decorrer da vontade
As fundações, em realidade, não se das partes em razão de valor subje vo do
cons tuem por uma união de pessoas, mas bem, por exemplo.
de bens. Apesar de serem consideradas ALTERNATIVA D: INCORRETA
en dades de direito privado, a questão Os rendimentos não são considerados
trouxe o conceito de associações, conforme o produtos da coisa, são decorrentes de frutos
ar go 53 do Código Civil. civis. Quando se está diante de produto da
ALTERNATIVA D: INCORRETA coisa, sua percepção diminui a substância, os
Não é necessário que se a nja a maioridade frutos civis, por outro lado são produzidos 20
civil para adquirir a capacidade civil plena. A periodicamente e não diminuem a
regra geral é que, de fato, se a nja aos 18 substância.
anos (ar go 5º, caput, Código Civil), mas é ALTERNATIVA E: INCORRETA
possível que essa capacidade plena seja O possuidor de boa-fé pode exercer o direito
a ngida de outras formas, como prescreve o de retenção sobre os bens para ser
parágrafo único do ar go referido. indenizado em caso de benfeitorias
ALTERNATIVA E: CORRETA necessárias ou úteis a fim de garan r que seja
Alterna va em acordo ao que prediz o ar go indenizado por elas, conforme ar go 1.219
7, I do código Civil. do Código Civil.

4. B 5. A

ALTERNATIVA A: INCORRETA ALTERNATIVA A: CORRETA

O Código Civil, em seu ar go 76 estabelece Como Pedro havia se acidentado na aeronave


domicílio necessário para o incapaz, o que desapareceu, poderá ser declarada a sua
servidor público, o militar, o marí mo e o morte presumida sem decretação de
preso. Não havendo previsão em relação à ausência, conforme ar go 7, I do Código Civil.
pessoa jurídica de direito privado. Como eram casados no regime de comunhão
universal de bens, esta não terá direito a
ALTERNATIVA B: CORRETA herança, mas será meeira dos bens. Ainda,
Em relação aos bens, principal é aquele que Joana poderá pedir a declaração de ausência
existe independentemente de qualquer de José, conforme ar go 22 do Código Civil e,
outro e acessório aquele que depende de um no que tange a sucessão de seus bens,
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conforme resta estabelecido nos ar gos 26 e
37 da legislação civilista, a sucessão
provisória será aberta depois de um ano da
arrecadação de bens e a defini va dez anos
depois de passada em julgado a sentença de
abertura da sucessão provisória.
ALTERNATIVA B: INCORRETA
Conforme comentários da alterna va “A”.
ALTERNATIVA C: INCORRETA
Conforme comentários da alterna va “A”.
ALTERNATIVA D: INCORRETA
Conforme comentários da alterna va “A”.
ALTERNATIVA E: INCORRETA
Conforme comentários da alterna va “A”.

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1.5 CRIANÇA E ADOLESCENTE (Parte 1) d) implica sempre a suspensão e a posterior
des tuição do poder familiar
1. (TJ-SP – 2015 - VUNESP) O Estatuto da independentemente do crime come do.
Criança e do Adolescente, acrescido pela
Lei nº 12.010, de 2009, menciona que toda 3. (TJ-SP – 2017 – VUNESP) Assinale a opção
criança que es ver inserida em programa que não cons tui causa para possível
de acolhimento familiar ou ins tucional perda do poder familiar.
terá sua situação reavaliada por equipe a) A entrega informal do recém-nascido a quem
interprofissional ou mul profissional, no se comprometa a dele cuidar e educar.
máximo, a cada
b) A doutrinação da criança ou adolescente
a) 4 (quatro) meses, e a permanência não se segundo a crença religiosa e os valores
prolongará por mais de 1 (um) ano, salvo morais dos genitores.
comprovado abandono afe vo.
c) A condenação do pai ou da mãe por
b) 12 (doze) meses, e a permanência não se sentença penal transitada em julgado, por
prolongará por mais de 6 (seis) meses, crime doloso contra o próprio filho, sujeito
salvo comprovada incapacidade sica ou a pena de reclusão.
mental da criança.
d) Gravar com caução, reiteradas vezes, os
c) 2 (dois) meses, e a permanência não se imóveis de propriedade do filho menor,
prolongará por mais de 3 (três) anos, salvo sem prévia autorização judicial.
determinação do Ministério Público. 22
d) 6 (seis) meses, e a permanência não se 4. (MPE-SC – 2016) A prá ca de atos contrários
prolongará por mais de 2 (dois) anos, salvo à moral e aos bons costumes é causa de
comprovada necessidade que atenda ao perda do poder familiar, nos termos do
seu superior interesse. regramento trazido com o Código Civil.
Certo ou Errado?
2. (TJ-SP – 2015 – VUNESP) A condenação
criminal de um pai ou de uma mãe, para 5. (MP-RO – 2010) Com base no disposto no
efeitos rela vos aos cuidados e guarda da ECA, assinale a opção correta.
criança ou adolescente, a) Com o advento do novo Código Civil, que
a) obriga o Estado a garan r as visitas da prevê que a capacidade plena é adquirida
criança em local monitorado por equipe aos dezoito anos de idade, não é mais
interdisciplinar das Varas da Infância e possível a aplicação do ECA às pessoas
Juventude ou da Família. entre dezoito e vinte e um anos.
b) não implica a des tuição do poder familiar, b) A família ampliada é aquela formada por
exceto na hipótese de condenação por um dos pais e seus filhos.
crime doloso, sujeito à pena de reclusão, c) A permanência da criança e do adolescente
contra o próprio filho ou filha. em programa de acolhimento ins tucional
c) impõe a imediata des tuição do poder pode ser superior a três anos quando
familiar e o encaminhamento do filho ou verificada a sua necessidade, desde que
da filha para família subs tuta ou haja decisão judicial nesse sen do, sendo
acolhimento ins tucional. desnecessária fundamentação.

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d) Criança ou adolescente não precisa ser
ouvido antes de ser colocado em família
subs tuta, sendo desnecessário seu
consen mento.
e) Falta ou carência de recursos materiais não
cons tui mo vo suficiente para a perda ou
suspensão do poder familiar.

23

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1.5.1 COMENTÁRIOS Dessa forma, a alterna va A se encaixa no inciso II
do art. 1.638 do CC (abandono do filho).
1. D Art. 22. Aos pais incumbe o dever de sustento,
Art. 19 do ECA - É direito da criança e do guarda e educação dos filhos menores,
adolescente ser criado e educado no seio de sua cabendo-lhes ainda, no interesse destes, a
família e, excepcionalmente, em família obrigação de cumprir e fazer cumprir as
subs tuta, assegurada a convivência familiar e determinações judiciais.
comunitária, em ambiente que garanta seu Parágrafo único. A mãe e o pai, ou os
desenvolvimento integral. (Redação dada pela responsáveis, têm direitos iguais e deveres e
Lei nº 13.257, de 2016) responsabilidades compar lhados no cuidado e
o
§ 1 Toda criança ou adolescente que es ver na educação da criança, devendo ser
inserido em programa de acolhimento familiar resguardado o direito de transmissão familiar de
ou ins tucional terá sua situação reavaliada, no suas crenças e culturas, assegurados os direitos
máximo, a cada 6 (seis) meses, devendo a da criança estabelecidos nesta Lei.
autoridade judiciária competente, com base em Art. 23, § 2o A condenação criminal do pai ou da
relatório elaborado por equipe interprofissional mãe não implicará a des tuição do poder
o u m u l d i s c i p l i n a r, d e c i d i r d e fo r m a familiar, exceto na hipótese de condenação por
f u n d a m e n ta d a p e l a p o s s i b i l i d a d e d e crime doloso, sujeito à pena de reclusão, contra
reintegração familiar ou colocação em família o próprio filho ou filha.
subs tuta, em quaisquer das modalidades
previstas no art. 28 desta Lei. Art. 1.637 do CC - Se o pai, ou a mãe, abusar de
sua autoridade, faltando aos deveres a eles 24
§ 2o A permanência da criança e do adolescente inerentes ou arruinando os bens dos filhos, cabe
em programa de acolhimento ins tucional não ao juiz, requerendo algum parente, ou o
se prolongará por mais de 2 (dois) anos, salvo Ministério Público, adotar a medida que lhe
comprovada necessidade que atenda ao seu pareça reclamada pela segurança do menor e
superior interesse, devidamente fundamentada seus haveres, até suspendendo o poder familiar,
pela autoridade judiciária. quando convenha.

2. B 4. CERTO
Art. 23, § 2º do ECA - A condenação criminal Art. 1.638 do CC - Perderá por ato judicial o
do pai ou da mãe não implicará a des tuição do poder familiar o pai ou a mãe que:
poder familiar, exceto na hipótese de
condenação por crime doloso, sujeito à pena de I - cas gar imoderadamente o filho;
reclusão, contra o próprio filho ou filha. II - deixar o filho em abandono;

3. B III - pra car atos contrários à moral e aos bons


costumes;
Art. 1.638 do CC - Perderá por ato judicial o
poder familiar o pai ou a mãe que: IV - incidir, reiteradamente, nas faltas previstas
no ar go antecedente.
I - cas gar imoderadamente o filho;
II - deixar o filho em abandono; 5. E

III - pra car atos contrários à moral e aos Art. 23 do ECA - A falta ou a carência de recursos
bons costumes; materiais não cons tui mo vo suficiente para a
perda ou a suspensão do poder familiar.
IV - incidir, reiteradamente, nas faltas previstas
no ar go antecedente.
1.6 CRIANÇA E ADOLESCENTE (Parte 2) e) a preferência dos pais ou responsável por
algum dos eventuais pretendentes à
1. (TJ-SP – 2017 – VUNESP) No curso de guarda, tutela ou adoção.
processo de adoção de criança ou
adolescente, o casal adotante se divorcia. 3. (TJ-AM – 2016 – CESPE) Com referência
Nesse caso, é correto afirmar que a aos ins tutos da família natural e da
adoção família subs tuta, da guarda, da tutela e
da adoção, assinale a opção correta.
a) poderá ser deferida, autorizando-se a guarda
compar lhada, desde que demonstrado a) O conceito de família natural abrange o de
efe vo bene cio ao adotando. família extensa, como aquela formada
pelos pais ou qualquer deles e seus
b) não poderá ser deferida, exceto se o
d e s c e n d e nte s , i n c l u s i ve p a re nte s
estágio de convivência se realizar com um
próximos e vizinhos com os quais a criança
dos cônjuges, após pareceres favoráveis
ou adolescente conviva e mantenha
das equipes técnicas da área de psicologia
vínculos de afinidade e afe vidade.
e de assistência social.
b) A colocação em família subs tuta far-se-á
c) não poderá ser deferida, caso em que fica
mediante guarda, tutela ou adoção, após
assegurada ao adotando a imediata
definida a situação jurídica da criança ou
colocação em programas de acolhimento
adolescente por meio de suspensão ou
familiar, bem como em cadastros estaduais
e nacional de crianças e adolescentes em
des tuição do poder familiar, salvo quando 25
ambos os genitores forem falecidos.
condições de serem adotados.
c) Os grupos de irmãos colocados sob adoção,
d) poderá ser deferida, dispensando-se o
tutela ou guarda terão de permanecer com a
estágio de convivência a par r da
mesma família subs tuta, ressalvada a
homologação do divórcio, da separação
suspeita da existência de risco de abuso ou
judicial ou da união estável.
outra situação que jus fique razoavelmente o
2. (TJ-SC – 2017 – FCC) Segundo o Estatuto da rompimento defini vo dos vínculos fraternais.
Criança e do Adolescente, são regras que d) O deferimento da guarda de criança ou
devem ser observadas para a concessão adolescente em preparação para adoção
da guarda, tutela ou adoção, não impede o exercício do direito de visitas
a) o consen mento do adolescente, colhido pelos pais, assim como o dever de prestar
em audiência, exceto para a guarda. alimentos, que serão objeto de
regulamentação específica, a pedido do
b) a opinião da criança que, sempre que interessado ou do MP.
possível, deve ser colhida por equipe
interprofissional e considerada pela e) Entre outras exigências legais, criança ou
autoridade judiciária competente. adolescente indígenas ou provenientes de
comunidade remanescente de quilombo
c) a prevalência das melhores condições encaminhados para adoção, tutela ou
financeiras para os cuidados com a criança ou guarda devem prioritariamente ser
adolescente. colocados em família subs tuta de sua
d) a prioridade da tutela em favor de família comunidade ou junto a membros da
extensa quando ainda coexis r o poder familiar. mesma etnia.
4. (MPE-SC – 2016) Há entendimento do
Superior Tribunal de Jus ça de que o
enquadramento de uma situação fá ca
como filiação socioafe va serve para
mi gar a proibição da adoção avoenga.
Certo ou Errado?

5. (TJ-S_TTJ-SP - 2015 - VUNESP) Tendo como


b a s e o E stat u to d a C r i a n ç a e d o
Adolescente, assinale a alterna va
correta sobre as medidas da Adoção e do
Estágio de Convivência.
a) O adolescente pode ser ouvido
judicialmente apenas para a apuração de
seu interesse em cumprir o estágio de
convivência.
b) A simples guarda de fato não autoriza, por
si só, a dispensa da realização do estágio de
convivência.
26
c) O estágio de convivência nunca poderá ser
dispensado ainda que o adotando já esteja
sob a tutela ou guarda legal do adotante.
d) Nos casos envolvendo adoção por pessoa
ou casal domiciliado fora do País, o estágio
de convivência deverá ser cumprido por no
mínimo 90 dias.
1.6.1 COMENTÁRIOS 3. E
Art. 28, § 6o do ECA - Em se tratando de
1. A criança ou adolescente indígena ou
o
Art. 42, § 4 do ECA - Os divorciados, os proveniente de comunidade remanescente
judicialmente separados e os ex-companheiros de quilombo, é ainda obrigatório:
podem adotar conjuntamente, contanto que I - que sejam consideradas e respeitadas sua
acordem sobre a guarda e o regime de visitas e iden dade social e cultural, os seus costumes
desde que o estágio de convivência tenha e tradições, bem como suas ins tuições,
sido iniciado na constância do período de desde que não sejam incompa veis com os
convivência e que seja comprovada a existência direitos fundamentais reconhecidos por esta
de vínculos de afinidade e afe vidade com Lei e pela Cons tuição Federal;
aquele não detentor da guarda, que jus fiquem
a excepcionalidade da concessão. II - que a colocação familiar ocorra
prioritariamente no seio de sua comunidade
Art. 42, § 5o do ECA - Nos casos do § 4º deste ou junto a membros da mesma etnia;
ar go, desde que demonstrado efe vo
bene cio ao adotando, será assegurada a III - a intervenção e oi va de representantes
guarda compar lhada, conforme previsto do órgão federal responsável pela polí ca
no art. 1.584 da Lei 10.406, de 10 de janeiro indigenista, no caso de crianças e
de 2002 - Código Civil. adolescentes indígenas, e de antropólogos,
perante a equipe interprofissional ou
2. B mul disciplinar que irá acompanhar o caso. 27
Art. 28 do ECA - A colocação em família 4. CERTO
subs tuta far-se-á mediante guarda, tutela
ou adoção, independentemente da situação INFORMATIVO 551 do STJ - Admi u-se,
jurídica da criança ou adolescente, nos excepcionalmente, a adoção de neto por avós,
termos desta Lei. tendo em vista as seguintes par cularidades do
o
caso analisado: os avós haviam adotado a mãe
§ 1 Sempre que possível, a criança ou o biológica de seu neto aos oito anos de idade, a
adolescente será previamente ouvido por qual já estava grávida do adotado em razão de
equipe interprofissional, respeitado seu abuso sexual; os avós já exerciam, com
estágio de desenvolvimento e grau de exclusividade, as funções de pai e mãe do neto
compreensão sobre as implicações da desde o seu nascimento; havia filiação
medida, e terá sua opinião devidamente socioafe va entre neto e avós; o adotado,
considerada. mesmo sabendo de sua origem biológica,
o
§ 2 Tratando-se de maior de 12 (doze) anos de reconhece os adotantes como pais e trata a sua
idade, será necessário seu consen mento, mãe biológica como irmã mais velha; tanto
colhido em audiência. adotado quanto sua mãe biológica concordaram
expressamente com a adoção; não há perigo de
§ 3o Na apreciação do pedido levar-se-á em
confusão mental e emocional a ser gerada no
conta o grau de parentesco e a relação de
adotando; e não havia predominância de
afinidade ou de afe vidade, a fim de evitar
interesse econômico na pretensão de adoção.
ou minorar as consequências decorrentes
da medida. 5. B
Art. 46, § 2º do ECA - A simples guarda de fato
não autoriza, por si só, a dispensa da
realização do estágio de convivência.