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Aula 05 – ÉTICA CRISTÃ, PENA DE MORTE E

EUTANÁSIA

Texto Base: Romanos 13:3-5; 1Samuel 2:6,7; João 8:3-5,7,10,11; Rm.13:3-5

"O SENHOR é o que tira a vido e a dá; faz descer


à sepultura e faz tomar a subir dela" (1Sm.2:6).

INTRODUÇÃO

Dando continuidade ao estudo sobre Ética Cristã e as questões morais de nosso tempo,
trataremos nesta Aula sobre “Pena de Morte e Eutanásia”. Este é um dos mais polêmicos temas
dentre os da Ética Cristã. Os dois possuem um só objetivo: a supressão ou interrupção de uma
vida, ou seja, tirá-la deste mundo, sem que, pelo processo normal, se tenha chegado o tempo
de Deus nos termos descritos por Salomão: ”Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo
para todo o propósito debaixo do céu. Há tempo de nascer e tempo de morrer...”(Ec.3:1,2).
Contudo, o Pós-Modernismo ignora o que diz a Palavra de Deus e defende, em todo o mundo, a
legalização da intervenção do homem, determinando quem deve morrer. A vida é um dom de
Deus; só a Ele cabe concedê-la ou suprimi-la, direta ou indiretamente (1Sm.2:6) - “O SENHOR
é o que tira a vida e a dá; faz descer à sepultura e faz tornar a subir dela”.

I. A PENA DE MORTE NAS ESCRITURAS SAGRADAS

A questão da pena de morte, chamada também de pena capital, está sendo mais amplamente
discutida em nossos dias devido ao surgimento do terrorismo internacional organizado e da
crescente criminalidade em todo o mundo. Quase não se passa uma semana sem que os meios
de comunicação internacional nos informem sobre sequestros e assassinatos de pessoas
inocentes com a finalidade de apresentar ideias ou reivindicações terroristas. Alguns
argumentam que a pena capital é divinamente instituída e socialmente necessária, outros a
consideram bárbara e anticristã. Tanto os que defendem quanto os que condenam a pena de
morte apresentam argumentos e contra-argumentos teológicos e filosóficos para justificar sua
posição.

O que diz as Escrituras Sagradas – Antigo e Novo Testamento - a respeito da pena de morte?
Respondemos esta questão a seguir, com base no argumento do Ev. Dr. Caramuru Afonso
Francisco, que analisa com muita clareza e de forma assaz convincente este assunto.

1. No Antigo Testamento. A morte surge na Bíblia Sagrada como consequência do pecado.


Deus já havia dito ao homem que, se ele pecasse, certamente morreria (Gn.2:17). Sabemos
que a morte aí referida era a morte espiritual, ou seja, a separação de Deus. No entanto, o
pecado também trouxe ao homem, como consequência, a morte física (Gn.3:19). Podemos,
pois, observar, desde o início, que a morte física é consequência do pecado e quem a
determinou foi o próprio Deus, que é o único dono da vida (1Sm.2:6).

- Civilização antediluviana. Deus aplicou a pena de morte a todos os homens da civilização


antediluviana, salvo Noé e sua família (Gn.6:5-8). Mais uma vez verificamos que a deliberação
para a morte do ser humano pela sua maldade e pecados proveio diretamente de Deus que,
aliás, não havia sentenciado à morte o primeiro homicida (Gn.4:10-15), mas, antes, aplicou-lhe
pena severa, porém, com oportunidade para que ele viesse a se arrepender e alcançar a
salvação de sua alma.
- Civilização Pós Diluviana. Após o Dilúvio, Deus faz um pacto com Noé, prometendo não
mais destruir o mundo com as águas do dilúvio, ocasião em que estabeleceu que o sangue do
ser humano seria requerido de quem o derramasse (Gn.9:5,6).

“E certamente requererei o vosso sangue, o sangue da vossa vida; da mão de todo animal o
requererei, como também da mão do homem e da mão do irmão de cada um requererei a vida
do homem. Quem derramar o sangue do homem, pelo homem o seu sangue será derramado;
porque Deus fez o homem conforme a sua imagem”.

Muitos interpretam este texto como uma autorização de Deus para o homem aplicar a pena
capital. Mas, não é isto que o texto diz. Deus não afirma, em momento algum, que o homem
está autorizado a matar seu semelhante por ser ele um criminoso. Muito pelo contrário, o texto
nos diz que o próprio Deus requererá do assassino o sangue injustamente derramado. Em
Gênesis 9:5 está escrito: “E certamente requererei o vosso sangue, o sangue de vossas
vidas…como também da mão do homem e da mão do irmão de cada um requererei a vida do
homem”; ou seja, é Deus quem se encarrega de punir com a morte aquele que matar a seu
semelhante. Isto tem se cumprido literalmente durante os séculos. Qualquer censo
penitenciário mostra que a idade dos criminosos encarcerados é sempre baixa e, raramente,
um criminoso desde a juventude chega aos 40 anos de idade nesta vida criminosa. Por quê?
Porque Deus, o único dono da vida, requer dele as maldades cometidas. Está escrito: “ O
homem carregado do sangue de qualquer pessoa fugirá até à cova; ninguém o detenha”
(cf.Pv.28:17).

- Lei Mosaica. Na lei de Moisés vemos que a pena de morte foi instituída para a punição de
delitos mais graves, como o homicídio, o adultério, a idolatria, o sequestro, o homossexualismo
e as aberrações sexuais, a profanação do dia do descanso e a desobediência contumaz aos
pais. Durante a marcha no deserto e na conquista da Terra Prometida, houve episódios em que
se aplicaram estas normas, como nos casos do homem apanhado profanando o sábado
(Nm.15:32-36), dos cabeças do povo que serviram a Baal-Peor(Nm.25:4,5) e de Acã (Js.7:19-
26). Não devemos nos esquecer de que a lei de Moisés se encontrava debaixo da regra de
talião, ou seja, olho por olho, dente por dente, bem como que muitas de suas disposições
refletiam a dureza dos corações dos homens. Não nos esqueçamos, também, que a geração do
deserto era uma geração de dura cerviz e incrédula, que acabou ela própria sendo condenada
por Deus à morte no deserto por causa de sua incredulidade (Hb.3:17-19).

Apesar destas disposições da lei de Moisés, encontramos, durante toda a história dos hebreus,
constantes abrandamentos destas leis, a ponto de, nos tempos de Jesus, terem os próprios
membros do Sinédrio, o maior tribunal judaico, mesmo em relação a Jesus, a quem acusavam
impiedosamente, terem dito que não lhes era lícito matar homem algum (João 18:31).

- O rei Davi não foi apenado com a morte (2Sm.12:13). O homicídio e o adultério eram
apenados com a morte, mas a Bíblia nos mostra que Deus, ao revelar o duplo pecado de Davi,
não lhe aplicou a pena de morte prevista na lei, mas, expressamente, através do profeta,
afirma que a morte não lhe seria aplicada (2Sm.12:13). Por que isto aconteceu? A resposta está
em Êxodo 33:19 – “...terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia e me compadecerei de
quem me compadecer”. É Deus quem decide. É Deus quem determina quem e quando uma
pessoa deve morrer. Neste caso, Deus tratou pessoalmente do pecado de Davi (2Sm.12:10-12).

- Outros episódios registrados no Antigo Testamento, que não foi aplicado a pena
capital, apesar das disposições da lei de Moisés. Apesar de a idolatria ser apenada com
a morte, o povo, impunemente, sacrificava a deuses estranhos, mesmo durante reinados de
homens fiéis a Deus, sem que a morte fosse aplicada (1Rs.15:13; 1Rs.22:42,43), nem fosse
determinada por Deus, o que também se dava diante da prática do homossexualismo, que
eram desterrados, mas não mortos(1Rs.15:12; 22:47). De igual modo, os que profanaram o
sábado foram punidos, mas não mortos (Ne.13:15-21).

Verificamos, portanto, que, apesar das disposições da lei de Moisés, servos fiéis e sinceros de
Deus, ao longo da história de Israel, jamais aplicaram tais disposições, numa clara
demonstração que elas eram fruto da permissão divina e não da Sua vontade operativa.
Algumas penas de morte ocorridas no Antigo Testamento, que estão ali registradas, foram por
expressa determinação divina; isto prova que o próprio Deus, e não o homem, é quem pode
condenar à morte. É o que verificamos no caso do homem que profanou o sábado, no caso de
Acã, no caso de Agague, rei dos amalequitas (1Sm.15:1-3,32,33) e no caso dos parentes de
Saul (2Sm.21:1-9).

O Antigo Testamento prescreve a pena de morte, todavia os ensinamentos de Cristo são no


sentido de que todo homem tem o direito à salvação.

2. No Novo Testamento. Como já dissemos, nos tempos de Jesus, apesar das disposições da
lei de Moisés, era ponto pacífico entre os príncipes dos judeus que não se devia aplicar a pena
de morte, tanto que o Sinédrio não ousou aplicá-la nem mesmo a Jesus (João 18:31),
preferindo entregá-lo aos romanos para que a sentença partisse deles, tanto que Jesus foi
crucificado, pena aplicada pelos romanos aos rebeldes que não fossem cidadãos romanos (os
cidadãos romanos eram decapitados, como foi Paulo).

Jesus, ao discorrer sobre sua doutrina no sermão do monte, em momento algum Ele abonou a
pena de morte, tendo demonstrado que, aos olhos de Deus, era tão culpado o homicida (que
poderia ser apenado com a morte segundo a lei de Moisés), quanto o que tivesse raiva do seu
irmão (Mt.5:21,22), reafirmando que a pena imposta por Deus ao pecador é a morte espiritual,
a separação eterna de Deus, a verdadeira morte; daí porque ter dito que os pecadores são
“réus do fogo do inferno”. Aliás, Jesus foi bem claro em afirmar que não devemos temer quem
tenha o poder de matar o nosso corpo, mas, sim, aquele que pode nos lançar no fogo do
inferno (Mt.10:28).

Em momento algum vemos Jesus defendendo a pena de morte ou dela fazendo apologia no
Seu ministério. Ao contrário, Jesus afirmou que Ele é a vida (João 14:6), que Ele veio ao mundo
para que tenhamos vida com abundância (João 10:10), pois nele estava a vida (João 1:4), e é
através dEle que passamos da morte para a vida(João 5:24).

- A morte de Jesus. Muitos afirmam que Jesus não era contrário à pena de morte, tanto que
Se submeteu à esta condenação ao aceitar ir ao Calvário. Entretanto, devemos observar que a
morte de Jesus era necessária e tinha um propósito divino para a redenção da humanidade. A
aceitação da morte por parte de Jesus não insinuou a aceitação da pena de morte nem mesmo
da soberania romana para condená-lo à morte, mas significou tão somente a aceitação da
vontade de Deus. No Getsêmane, ficou bem claro que Jesus, como homem sem pecado, não
poderia aceitar a morte física como algo natural e instintivo, mas sacrificou a Sua vontade por
causa da vontade de Deus e não por qualquer outro motivo. Entregou-se à morte para agradar
a Deus (Mt.26:38,39; Mc.14:34-36; Lc.22:41-44; Is.53:10). Se Jesus não tivesse subido ao
calvário para morrer por nós, certamente, desceríamos ao inferno.

- Ananias e Safira (Atos 5:1-11). Aqueles que defendem a pena de morte costumam citar o
episódio ocorrido com Ananias e Safira como uma realidade no Novo Testamento. O caso da
morte desse casal não é uma aprovação da pena de morte no Novo Testamento. Em primeiro
lugar, a penalidade aplicada a esse casal não veio da parte de Pedro, mas foi algo advindo
diretamente do Espírito Santo, que tudo revelou a Pedro, o qual foi mero instrumento do
anúncio da penalidade. Com efeito, se bem observarmos a passagem, veremos que Pedro se
dirigiu a Ananias e lhe anuncia que seu coração estava cheio de mentira, havia sido enganado
por Satanás. Ora, um homem comum não tem acesso a esta circunstância, que foi fruto da
própria revelação do Espírito Santo a Pedro. Pedro foi apenas o porta-voz da sentença exarada
pelo Espírito Santo, contra quem Ananias se dirigiu, de modo que aqui, uma vez mais, está
demonstrado que só Deus (e o Espírito Santo é Deus) pode tirar a vida de alguém. Desta
forma, este texto, antes de indicar a possibilidade da pena de morte, mesmo como exceção,
reafirma que o único que pode aplicar esta pena é Deus, ninguém mais.

- Saulo de Tarso. A Bíblia afirma que Saulo tinha tanto ódio para com os cristãos que chegava
a respirar ameaças e mortes contra os discípulos do Senhor (At.9:1), tendo, antes, consentido
na morte de Estevão (At.8:1). Todavia, como bem sabemos, este comportamento foi reprovado
por Jesus quando se apresentou a Saulo no caminho de Damasco (At.9:5), sendo certo que o já
transformado Paulo sempre se refere com tristeza e arrependimento dos tempos em que era
um fiel executor da pena de morte (Gl.1:13-15; 1Co.15:9) – “Porque eu sou o menor dos
apóstolos, que não sou digno de ser chamado apóstolo, pois que persegui a igreja de Deus”
(1Co.15:9).

- O poder dado às autoridades constituídas (Rm.13:1-4). Também, há quem busque


defender a pena de morte, ou nela encontrar algum respaldo bíblico, invocando os textos pelos
quais devemos nos submeter às autoridades. O referido texto de Romanos não está
concedendo poder às autoridades para aplicar a pena de morte, mas para castigar os maus. O
trecho afirma que as autoridades que existem foram constituídas por Deus, ou seja, ali estão
por vontade operativa ou permissiva de Deus, podendo, pois, exercer legitimamente o poder
que lhes foi atribuído, inclusive o poder de castigar os maus. Isto, em absoluto, confere às
autoridades o poder de matar o semelhante, pois este poder, que é somente de Deus
(Dt.32:39; 1Sm.2:6), não lhe foi, em momento algum, concedido.

O fato de que existem autoridades que condenem à morte não significa que isto tenha sido
concedido por Deus e seja do Seu agrado. Se assim fosse, teríamos de concordar que o rei
Nabucodonosor estava legitimamente constituído para impor a adoração da sua estátua
(Dn.3:1-6) ou que o rei Dario também poderia ter proibido a adoração a Deus como fez no seu
decreto(Dn.6:7-9), ou, ainda, que o Sinédrio poderia proibir a pregação do evangelho pelos
apóstolos (At.4:16-18). Tais atitudes, conquanto tenham decorrido da circunstância política e
sejam válidas perante a lei dos homens, são usurpações indevidas do poder divino e, por isso,
são atitudes pecaminosas. O mesmo se dá com relação à pena de morte, existente em muitos
ordenamentos jurídicos, mas, nem por isso, podemos afirmar que as autoridades que a aplicam
estejam agindo debaixo da vontade de Deus. O trabalho de matar, roubar e destruir não vem
da parte de Deus, mas é obra típica do adversário de nossas almas (João 8:44, 10:10).

Sabemos que o tema é polêmico, mas temos a convicção de que a Bíblia Sagrada, em momento
algum, dá a qualquer autoridade o poder de tirar a vida do semelhante, ainda que este seja
mau e transgressor da lei. O fato de a pena de morte ter sido, inclusive, incluída na lei de
Moisés (embora nunca tenha sido rigorosamente aplicada), não invalida este nosso
entendimento, pois é bíblico que muito do que se constou na lei mosaica decorreu da dureza
dos corações dos homens e não da vontade operativa de Deus (ou seja, que Deus tivesse
querido isto, tendo apenas permitido).

A defesa da pena de morte é a própria anulação da mensagem do evangelho, que é baseada


na crença de que o homem pode se arrepender e, em se arrependendo, obter o perdão de
todos os seus pecados. A Bíblia toda ensina que cabe a Deus, o único dono da vida, a aplicação
de eventual pena de morte, pena esta que é definitiva, pois não atinge apenas a morte física,
mas também a morte espiritual.

II - EUTANÁSIA: CONCEITOS E IMPLICAÇÕES

Após termos abordado a questão da pena de morte, analisaremos desta vez outra questão ética
que diz respeito ao dom divino da vida: a Eutanásia, também chamada de “homicídio piedoso”,
uma prática que tem sido estimulada e incentivada na atualidade, mas que se constitui em
grave transgressão aos preceitos da Palavra de Deus.

1. O conceito de Eutanásia. Etimologicamente, a palavra “eutanásia” é um composto de


duas palavras gregas: “eu”, que quer dizer bom e “tanatos”, que quer dizer morte. “Eutanásia”
é, portanto, “boa morte”, também conhecida como "morte misericordiosa. No sentido técnico, a
“eutanásia” significa a interrupção da vida por motivos piedosos, ou seja, a determinação da
morte de alguém por estar ela sofrendo, sem que haja condições naturais de cura, de
restabelecimento da saúde do doente.
Como se percebe, na Eutanásia há um julgamento feito por alguém no sentido de que “a morte
é irreversível para aquela pessoa que não tem mais condições de viver, passando a sua vida a
ser apenas um sofrimento e um padecimento sem razão, visto que a morte é inevitável e, deste
modo, melhor será pôr fim a esta vida, visto que não há mais solução para o caso, não sendo
razoável que a pessoa fique sofrendo ou vegetando por um prazo indeterminado”. Este é um
raciocínio perfeitamente lógico, e que demonstra uma aparente solidariedade e caridade para
com o próximo; já que a pessoa vai morrer mesmo, por que deixá-la sofrendo, por que não lhe
dar uma morte mais digna e menos dolorosa? Todavia, temos, dentro deste raciocínio, um
sofisma, um grande engodo do adversário de nossas almas; temos uma comprovação do que
diz a Escritura de que “há caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os
caminhos da morte”(Pv.14:12). Todo o belo e tocante raciocínio da Eutanásia parte de uma
premissa falsa, qual seja, a de que o homem é senhor de sua vida, o que não é verdade.

Existem três tipos de Eutanásia: Ativa, Passiva e Eugênica. Os três são condenadas pela Bíblia
Sagrada.

 Eutanásia Ativa. É aquela em que o médico, a pedido do paciente, providencia a sua morte.

 Eutanásia Passiva. É a que se dá mediante o desligamento de aparelhos que farão com que a
vida se extinga. Tanto a Ativa quanto a Passiva são condenadas pela Bíblia Sagrada. Há uma
tendência de considerar que a questão da eutanásia seja reduzida a uma questão técnica
médica, como se o médico não fosse um ser humano como qualquer outro, que não pode se
constituir em senhor da sua própria vida, que dirá da vida de seu paciente.

 Eutanásia Eugênica. Eugênia é a ciência que se preocupa com as condições de melhoria da


raça humana. Assim, pela eutanásia eugênica procura-se evitar o nascimento de deficientes
físicos e mentais, ou eliminar os já nascidos. Aconteceu na Alemanha de Hitler. Em nome da
Eugênia genética, Hitler mandou sacrificar nas câmaras de gás, cerca de seis milhões de
Judeus; ordenou, ainda, a morte de todos os velhos, deficientes físicos e mentais internados
nos hospitais e manicômios, afim de que esses locais fossem utilizados como alojamentos para
os soldados feridos.

Deus condena tudo isto. Diz a Bíblia que a vida de cada homem pertence a Deus (1Sm.2:6), até
porque foi Ele quem criou o homem (Gn.1:26,27), sendo, pois, o Senhor da vida de todos os
homens (Sl.24:1; João 10:17,18). O homem é um simples mordomo dos dons divinos, entre os
quais, o dom da vida, devendo administrá-la e, depois, prestar contas do que recebeu do
Senhor (Hb.9:27). Assim, se o homem não é senhor da sua vida, não pode determinar quando
e como deve ela findar. Vemos, pois, que, diante desta verdade bíblica, o raciocínio da
Eutanásia não faz sentido algum, pois não temos direito algum de pôr fim a nossa vida ou de
qualquer semelhante, por motivos de “piedade”, “misericórdia” ou qualquer outra razão
aparentemente benemérita.

2. As implicações da Eutanásia. Dentro da “cultura de morte” que se estabeleceu no mundo


de hoje, cada vez mais vozes se levantam a favor da Eutanásia, que já está legalizada, com
certas restrições, em alguns países como a Holanda, a Austrália, dentre outros. A prática da
eutanásia tem implicações de ordem legal, moral e ética.

 Nos aspectos legais, a Constituição Brasileira assegura a "inviolabilidade do direito à


vida" (Art.5°). Assim, a "eutanásia" é tipificada como crime no Código Penal Brasileiro (Art.122).
No entanto, tramita no Senado Federal o Projeto de Lei n° 236/12 (Novo Código Penal) onde o
juiz poderá deixar de aplicar punição para quem cometer a eutanásia seja ela passiva ou ativa.
 Nas questões de ordem moral nos deparamos com a violação do Sexto
Mandamento: "Não matarás" (Êx.20:13). E quando a Eutanásia é consentida pelo paciente,
surge o problema do suicídio, que é auto-homicídio, que é pecado.

Percebe-se que por detrás da ideia de que se pode abreviar a morte de alguém por “motivos
piedosos”, está a velha artimanha satânica de indução do homem a ser deus. É a mesma
história contada a Eva no jardim, segundo a qual o homem poderia ser igual a Deus,
conhecendo o bem e o mal (Gn.3:5). A defesa da Eutanásia esconde um desejo do homem de
ser senhor de sua vida, como se isto fosse possível dentro da ordem estabelecida pelo
verdadeiro Senhor dos senhores, o único e Soberano Deus.

Portanto, todo e qualquer cristão verdadeiro, cumpridor da Palavra de Deus, abominará a


Eutanásia, reconhecendo nela mais uma manifestação de rebeldia contra Deus.

III. A VIDA HUMANA PERTENCE A DEUS

Conforme a Bíblia Sagrada, a vida é um bem inalienável, pertence exclusivamente a Deus. Está
escrito: “O Senhor é o que tira a vida e a dá...”(1Sm.2:6); diz mais: “...eu mato e eu faço viver;
eu firo e eu saro; e ninguém há que escape da minha mão”(Dt.32:39). A vida pertence a Deus
por direito de criação – “E criou Deus o homem à sua imagem...e soprou em suas narinas o
fôlego de vida...”(Gn.1:27; 2:7).

1. A Fonte originária da vida. A Bíblia nos informa que a fonte originária da vida é o próprio
Deus, o Criador de todas as coisas. Deus não criou somente a matéria, mas criou também toda
a espécie de seres vivos, bem como o ser humano (Gn.1:21-27; João 1:3; Cl.1:16). Diz o
Gênesis: “E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra e soprou em seus narizes o fôlego
da vida; e o homem foi feito alma vivente” (Gn.2:7). Depois que o homem estava formado,
pelo processo especial da combinação das substâncias que há na terra, o Criador lhe soprou o
fôlego da vida, dando início, assim, a vida humana.

O homem foi criado a partir do pó da terra para demonstrar que é parte da natureza. Ele é a
síntese da criação terrena. Recebeu o fôlego de vida diretamente de Deus. O homem interior
(alma e espírito), considerada a parte imaterial do homem é sinal da sua relação especial e
peculiar para com o seu Criador. A alma é considerada a sede dos sentimentos, do
entendimento e vontade – é a marca da individualidade de cada ser humano; já o espírito é a
sede da consciência da existência de uma relação de dependência do homem em relação a
Deus, é a ligação do homem com o seu Criador.

Deus criou o homem com o propósito de torná-lo a criatura mais feliz da Terra. A felicidade do
homem depende da sua comunhão com Deus. Ele deseja que o homem seja feliz e, por isso,
elaborou o plano da salvação.

O ser humano é a coroa da criação. Esta condição do homem, de ser a “coroa da criação
terrena”, é a principal razão de ser dotado de uma dignidade ímpar, que deve ser reconhecida
por todos os seres humanos e cujo ataque é o principal objetivo do inimigo de nossas almas.
Portanto, o Deus vivo é a fonte originária da vida e só Ele tem autoridade exclusiva para
concedê-la ou tirá-la (1Sm.2:6).

2. O Caráter sagrado da vida. A vida humana é sagrada e inviolável em cada momento da


sua existência porque a sua origem é divina. Desde o seio materno, o homem pertence a Deus
que tudo perscruta e conhece, que o vê quando ainda é um pequeno embrião informe, e que
nele entrevê o adulto de amanhã.

O que a Bíblia ensina sobre a vida?

 Que o homem foi criado por Deus. Embora a ciência e a filosofia procurem a origem da
vida em fontes obscuras e complexas, a verdade bíblica é uma só: Deus criou o homem – “E
formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego da vida e o
homem foi feito alma vivente”(Gn.2:7). Esta é a única verdade, quer a ciência e a filosofia
queira ou não.
 Que a vida humana é sagrada. O sopro que conferiu vida ao homem saiu de dentro de
Deus. Tudo o que sai de Deus, sai santificado, porque Deus é Santo. Assim, apenas a vida
humana foi santificada.

 Que a vida do homem é um bem inalienável. A vida pertence a Deus – “Do Senhor é a
terra e a sua plenitude; o mundo e aqueles que nele habitam”(Sl.24:1); “...pois ele mesmo é
quem dá a todos a vida, e a respiração, e todas as coisas”(Atos 17:25). Desta feita, ninguém
pode dizer que a “vida é minha, eu faço dela o que quero”. Biblicamente, a vida pertence a
Deus. Deus criou, santificou e abençoou a vida humana. Ele é, pois, o Criador, o Doador e o
Senhor da vida. Só Ele pode tirá-la (1Sm.2:6). Ao homem Ele ordenou: “Não Matarás”.

O Pós-Modernismo ignora o que diz a Palavra de Deus, defendendo, em todo o mundo, a


legalização da intervenção do homem, quer para selecionar quem pode nascer, quer para
determinar quem deve morrer. Entretanto, exterminar a vida, em qualquer circunstância, é uma
afronta ao Príncipe da Vida (At.3:15).

A vida é sagrada desde a concepção até o seu derradeiro dia. No caso de alguma enfermidade,
o ser humano tem o direito de receber tratamento adequado tanto na busca da cura como no
alívio de suas dores. Buscar a morte como alívio para o sofrimento é decisão condenada nas
Escrituras. Jó, por exemplo, embora sofrendo dores terríveis, reconheceu o caráter sagrado da
vida e não aceitou a sugestão de sua esposa em amaldiçoar a Deus e morrer (Jó 2:9). Ninguém
pode dizer: “a vida é minha; eu faço dela o que eu quiser”. Não! Não pode! A vida pertence a
Deus por direito de criação – “E criou Deus o homem à sua imagem... e soprou em seus narizes
o fôlego de vida...” (Gn.1:27; 2:7).

Desta forma, a vida que pensamos ser nossa, na verdade ela é apenas uma concessão; a
propriedade é de Deus. Portanto, mesmo que uma pessoa seja portadora de uma doença
incurável e esteja em estado terminal, enquanto nela houver vida, ela está sob o domínio de
Deus, pois, segundo a Bíblia, Deus é quem controla o tempo, conforme está escrito: “Tudo tem
o seu tempo determinado [...] há tempo de nascer e tempo de morrer...” (Ec.3:1,2). É, pois,
Deus quem determina o tempo de morrer - “O Senhor é o que tira a vida...” (1Sm.2:6). Esta é
a verdade bíblica, e ninguém pode desativá-la.

CONCLUSÃO

A vida humana tem sua origem em Deus, logo é sagrada durante toda a sua existência. A Pena
de Morte existe como um castigo divino aos maus, mas cabe à Igreja divulgar a vida e defendê-
la a todo custo. Que as nossas palavras sejam iguais às de Cristo, a quem devemos imitar:
palavras de vida eterna (João 6:68). A Eutanásia é conhecida como homicídio piedoso, porém a
Bíblia não faz diferença entre homicídio piedoso e homicídio maldoso. O que ela diz é: “Não
matarás” (Êx.20:13). Quanto ao homicida, a Bíblia diz: “...quanto aos tímidos...e aos
homicidas...a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre; o que é a segunda morte”
(Ap.21:8). Portanto, o homem, constituído ou não de autoridade, não pode tirar a vida de
ninguém. O poder absoluto sobre a vida e a morte pertence a Deus.

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