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Restrições ao direito de doar.

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Autoria:

Danilo Santana

Advogado, OAB 32.184 MG, graduado em Direito pela PUC-MG, membro efetivo do
Instituto dos Advogados. Especialização em Marketing Internacional e Pós-
Graduação em Direito Público. Professor de Direito Empresarial e autor literário.

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Texto enviado ao JurisWay em 11/07/2008.

Última edição/atualização em 07/11/2008.

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Saiba como...
Embora aparentemente possa parecer que o cidadão tem o direito de usar e dispor de
seus bens de forma incondicional em vida é importante observar que a lei civil
estabelece limite para tanto, principalmente quando se trata de doação.

Veja como dispõe o Código Civil:

Art. 548. É nula a doação de todos os bens sem reserva de parte, ou renda
suficiente para a subsistência do doador.

Art. 549. Nula é também a doação quanto à parte que exceder à de que o
doador, no momento da liberalidade, poderia dispor em testamento.

Doação para terceiros:

Conforme dispõe o Código Civil as doações em vida para terceiros estão subordinadas
às mesmas regras da disposição de bens pela via do testamento, ou seja, o doador que
tiver herdeiros necessários não poderá doar a terceiros mais que cinqüenta por cento dos
bens que possuir na data da doação.

O Código Civil define como herdeiros necessários os ascendentes, (pais, avós,


bisavós etc.) os descendentes (filhos, netos bisnetos etc.) e o cônjuge (marido ou
mulher).

Assim, só esta categoria de herdeiros é que goza do direito de reserva de bens em caso
de doação em vida ou de testamento que destine bens para terceiros. Neste caso
terceiros são todos os eventuais beneficiados que não os herdeiros necessários.

Doação para filhos e cônjuge:

É oportuno ressaltar, entretanto, que as doações para os filhos e cônjuge têm


características legais diferentes em relação aos demais interessados, ora chamados de
terceiros.

As doações para filhos e cônjuge são entendidas pela lei como uma antecipação da
herança. Sendo assim, quando do falecimento do doador, os bens que tiverem sido
doados aos filhos e ou ao cônjuge deverão ser arrolados no inventário como antecipação
da legítima e compensados nas suas respectivas quotas em relação aos demais
herdeiros.

A expressão jurídica antecipação da legítima quer dizer exatamente o caráter especial


que a lei confere à doação dos pais para os filhos herdeiros e à doação de um cônjuge
para outro.

O Código Civil estabelece:

Art. 544 - A doação de ascendentes a descendentes, ou de um cônjuge a


outro, importa adiantamento do que lhes cabe por herança.
Não se deve deixar de observar que se houver uma doação para apenas um dos filhos,
ou para o cônjuge, esta doação se transformará em adiantamento da herança. Portanto,
se não houver a reserva legal devida para os demais herdeiros necessários esta doação
poderá tornar-se nula quando o doador vier a falecer.

Reserva de bens para subsistência do doador:

Por outro lado, também há vedação para a doação total de bens quando o doador não
reserva bens e recursos capazes de manter a sua própria subsistência.

Assim, para se fazer uma doação de bens o doador deverá observar dois
aspectos: a) se o doador tiver herdeiros necessários (pais, avós, filhos ou
netos) somente poderá doar a metade dos bens, já que a outra metade deve ser
reservada para os herdeiros necessários; b) se o doador não tiver recursos capazes de
lhe garantir a subsistência, a doação de todos os seus bens será considerada nula.

O Código Civil dispõe:

Art. 548. É nula a doação de todos os bens sem reserva de parte, ou renda
suficiente para a subsistência do doador.

Em síntese, o direito de doar não é totalmente livre e ilimitado. A lei impõe condições e
limitações que devem ser observadas.

Entretanto, por oportuno, deve ser registrado que doar é diferente de vender ou gastar. O
cidadão apto para os atos da vida civil tem o direito de vender os seus bem e gastar a
sua fortuna na forma e nas condições que melhor lhe aprouver, sem depender de manter
reservas e sem depender da aprovação dos filhos ou de parentes.

É importante registrar, contudo, que até para vender e gastar sua fortuna o cidadão deve
se encontrar apto para os atos da vida civil. Isso quer dizer que o cidadão, para vender
bens e gastar (imoderadamente) os seus recursos financeiros, deverá estar gozando de
perfeita saúde mental, portanto em perfeitas condições de discernir sobre os reflexos
dos seus atos.

O Código Civil é claro:

Art. 1.767. Estão sujeitos a curatela:


I - aqueles que, por enfermidade ou deficiência mental, não tiverem o
necessário discernimento para os atos da vida civil;
II - aqueles que, por outra causa duradoura, não puderem exprimir a sua
vontade;
III - os deficientes mentais, os ébrios habituais e os viciados em tóxicos;
IV - os excepcionais sem completo desenvolvimento mental;
V - os pródigos.

Se o doador for considerado pródigo (aquele que esbanja, gasta ou doa com excesso) ou
sem discernimento para os atos da vida civil, os interessados, no caso os membros da
família, poderão requerer judicialmente sua interdição e, por conseqüência, ele se
tornará impedido de exercer esta faculdade.

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