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POR UM ENSINO QUE REFORMEi:

Um estudo sobre a necessidade de políticas educacionais voltadas para a


educação patrimonial na cidade de Natal-RN

RESUMO

No Brasil do século XXI é perceptível que a questão do Patrimônio ainda precisa ser encarada
como uma política pública, devido mormente ao descaso, às demolições e ao abandono de
prédios detentores de valor simbólico. Esses fatores influenciaram na inserção desta questão
na educação nacional, através de políticas públicas voltadas para a Educação Patrimonial,
entende-se que só através da educação se dará a conscientização da sociedade com relação à
valorização dos seus bens culturais. Objetiva-se, aqui, alertar para a necessidade urgente de
implantação dessas políticas educacionais na cidade de Natal – RN. Para tanto, abordou-se o
conceito de Patrimônio através das percepções Poulot e Meneguello, bem como a relação
existente entre cidade edificada e o seu valor simbólico atribuído pela sociedade, tendo como
base o pensamento semiológico de Barthes e Lefebvre. Buscou-se relacionar a implantação
dos documentos normativos da educação nacional (LDB e PCNs) ao surgimento e ao
desenvolvimento da Educação Patrimonial defendida pelo IPHAN. Por conseguinte, esta
pesquisa se propõe a estudar episódios recentes de descaso com o Patrimônio na cidade de
Natal – RN, com o intuito de analisar os discursos difundidos pela imprensa local que revelam
a relação da sociedade com o Patrimônio da cidade, tendo como base o pensamento de
Foucault. Por fim, após a percepção da falta de consciência patrimonial, por meio do estudo
dos casos do bairro da Ribeira, do Casarão de Petrópolis e do Hotel Reis Magos, sendo
ressaltada a necessidade urgente de implantação de políticas públicas referentes à Educação
Patrimonial.

PALAVRAS-CHAVE: Educação Patrimonial; Políticas Educacionais; Cidade de Natal.

INTRODUÇÃO

Na conjuntura atual, muitas são as transformações vivenciadas pela sociedade e pelas


suas instituições. A concepção de Patrimônio, no Brasil, adquire novas nuances desde a
primeira metade do século XX, onde passa a ser defendida a conservação e a preservação dos
edifícios de valor histórico através de políticas públicas que lentamente se consolidam no
país. As políticas públicas preservacionistas, no final do século XX e início do século XXI,
adotam uma política de Educação Patrimonial como um dos seus suportes para a
conscientização social do valor dos bens culturais. No entanto, conforme será observado a
partir da análise de três exemplos da falta de consciência social com relação ao seu
Patrimônio, estudados na cidade de Natal-RN no tempo presente, objetiva-se alertar para a
necessidade urgente de implantação dessas políticas na cidade, a fim de reverter os casos de
demolição, degradação e abandono dos prédios de valor patrimonial.
Nesta perspectiva, a preservação do legado urbano faz-se relevante para a manutenção
da identidade e da memória das cidades, mas, mediante os casos de abandono, nesta pesquisa
acredita-se que apenas com a implantação eficaz de políticas públicas que propõem a
Educação Patrimonial se poderá almejar a conservação sustentável destes bens. Assim, o
presente trabalho justifica-se pela necessidade de colocar esta temática em pauta nas
discussões educacionais, a fim de buscar o amplo reconhecimento da sua importância e
transcender os atuais limites impostos pelo contexto contemporâneo. Neste caso, buscar-se-á
responder as seguintes questões: Como se consolidaram as políticas públicas voltadas para a
Educação Patrimonial? A sociedade natalense possui consciência patrimonial? O fomento da
Educação Patrimonial é necessário na cidade de Natal-RN?

Primeiramente, abordar-se-á o conceito de Patrimônio através das percepções Poulot e


Meneguello, bem como a relação existente entre cidade edificada e o seu valor simbólico
atribuído pela sociedade, tendo como base o pensamento semiológico de Barthes e Lefebvre.
E ainda tratar-se-á do processo de proteção patrimonial no Brasil, no Rio Grande do Norte e
na cidade de Natal.

No segundo tópico, serão analisados os documentos da educação nacional, ora


representados pelas Leis de Diretrizes e Bases e pelos Parâmetros Curriculares Nacionais,
com o intuito de verificar a influência destes na consolidação de políticas públicas voltadas
para a Educação Patrimonial. Evidenciar-se-á ainda a regulamentação e o desenvolvimento da
referida política pública no âmbito nacional, com base nos documentos do IPHAN.

Na terceira e última parte compreende a exposição de exemplos da falta de


conscientização patrimonial vivenciada na cidade de Natal-RN, a partir da análise do discurso
produzido pela impressa local entre os anos de 2011 e 2015, sobre algumas implicações
referentes ao Patrimônio da cidade. Este estudo foi elaborado tendo como base metodológica
a análise do discurso proposta por Foucault, onde o discurso é abordado pelo caráter de
verdade que o atravessa, dando conta das práticas concretas vivenciadas na relação existente
entre a sociedade, a cidade e seu Patrimônio edificado. Para o autor o discurso sempre é
atravessado pela razão social das relações de poder.

O PATRIMÔNIO HISTÓRICO NO SÉCULO XXI

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No século XXI, com a emergência do processo de globalização, os espaços passam a
absorver, cada vez mais, informações e culturas de todo o mundo. A abstração das fronteiras
acabou acarretando uma busca atroz pela identidade e pela conservação da memória coletiva
das cidades. Seguindo esse pressuposto, as edificações remanescentes do passado, que
sobreviveram à ação do tempo e da modernização do meio, vêm a se tornar ícones que nos
remetem a outras épocas, participando de uma construção imagético-discursiva do espaço.
Este Patrimônio passa a existir como símbolo de uma ação histórica continuada da sociedade,
representando um objeto visual e palpável que nos transporta a materialidade das práticas
sociais do passado. Portanto, preservar o patrimônio é uma forma de fortalecer a interação do
espaço com seus habitantes e visitantes.

A eminente preocupação com a manutenção da memória e da identidade busca na


história a sua base, de acordo com François Dosse “Uma Civilização é, na base, um espaço
trabalhado pelos homens e pela história” (2004: p. 128). Sendo assim, torna-se imperativo
perceber que o Patrimônio não é apenas um simples fator ambiental ou estético, mas sim,
perceber que a história e a cidade participam de um mesmo tempo, contínuo, onde poderosas
forças atuam através das dinâmicas sociais que transmutam as nossas cidades em
palimpsestos.

Por ser resultante das práticas humanas, a cidade é imbuída de signos, para Barthes é
“uma inscrição do homem no espaço” (1985, p. 182). Ao praticar esses espaços, a sociedade
se apropria de um sistema topográfico e do mesmo modo o realiza, fazendo com que a cidade
metaforicamente fale através das ruas, edifícios, monumentos e estabelecimentos. De modo
que, nesta pesquisa, entende-se que o Patrimônio, portanto, não participa apenas do passado,
“já que sua finalidade consiste em certificar a identidade e em afirmar valores, além da
celebração de sentimentos, se necessário, contra a verdade histórica” (POULOT, 2009: 12).

Dominique Poulot ainda acrescenta que “O Patrimônio deve ser entendido como uma
forma da reorganização racional dos recursos para a nova coletividade, ao contrário dos usos
que esta ou aquela herança poderia ter imposto, anteriormente, a determinada comunidade”
(POULOT, 2009: 99). Mediante esta abordagem é essencial perceber que as atitudes humanas
ante os bens da cultura material, sejam elas no sentido de preservação ou abandono da
herança recebida pelos antepassados, fornece aqui uma percepção dos múltiplos sentidos
simbólicos do Patrimônio. O que confere uma complexidade ampla, principalmente com
relação ao envolvimento social com a cultura material. Para a historiadora Cristina
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Meneguello, o Patrimônio “É compreendido como monumento e como ressignificação, ou
seja, como cristalização de imagens do passado e como um jogo de apropriação e perda”
(MENENGUELLO, 2000, p. 19).

No entanto, conservação e a reabilitação do Patrimônio histórico vêm a ser um elo


entre o cidadão contemporâneo e os seus ancestrais. De acordo com Lefebvre “A estrutura
social está presente na cidade, é aí que ela se torna sensível, é ai que significa uma ordem.
Inversamente, a cidade é um pedaço do conjunto social; revela porque as contém e as
incorpora na matéria sensível, as instituições, as ideologias” (LEFEBVRE, 2001, p. 60). De
modo que nas relações multifacetadas presentes no urbano, os fatores social e ideológico são
construtores do todo, sendo incorporados nas práticas estruturantes da forma e da função.

O processo de proteção do patrimônio cultural é, geralmente, regulamentado por leis e


conduzido por intelectuais e profissionais que detém um grau de especialização em
determinadas áreas do conhecimento. Em nível de Brasil, o Patrimônio adquire caráter
preservacionista, principalmente, a partir da criação do SPHAN (atual IPHAN) em 30 de
novembro de1937. No Rio Grande do Norte, a proteção do Patrimônio Artístico e Histórico é
regulada através do Decreto de Lei nº. 8.111, de 21 de março de 1981, que regulamentou a
Lei nº. 4.775, de 03 de outubro de 1978, que dispõe sobre a proteção do Patrimônio Histórico
e Artístico do Estado, e dá outras providências. Já na Lei nº. 5.191, de 16 de maio de 2000
que dispõe sobre a preservação e tombamento do patrimônio histórico, cultural e natural do
Município do Natal, dentre outras leis.

Contudo, apesar da tomada de consciência do valor simbólico, presente nos elementos


que compõe a cidade em suas várias temporalidades, muitos desses elementos têm sido
tratados com descaso e com abandono. Na cidade de Natal/RN, objeto desta pesquisa, muitos
são os exemplos da falta de consciência com relação à conservação do Patrimônio Histórico
edificado, conforme será visto adiante.

OS DOCUMENTOS DA EDUCAÇÃO NACIONAL E A EDUCAÇÃO


PATRIMONIAL

Ao entender a própria educação como política pública, buscou-se empreender uma


pesquisa pautada na sua relação com as políticas públicas voltadas para a preservação do

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Patrimônio Histórico. Para tanto, serão analisados os documentos referentes à educação
brasileira no tocante ao Patrimônio. Conforme a Lei 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que
institui as Diretrizes e Bases da educação nacional, a educação é abordada como um
importante investimento e propõe a promoção de uma atitude proativa dos educandos com
relação ao reconhecimento da realidade. Deste modo, a educação passa a ser um instrumento
de compreensão da própria vida, pautando-se no ideal de formação cidadã.

Assim, ser cidadão é ser capaz de viver o exercício pleno dos direitos sociais, políticos
e culturais. O cidadão é abordado na Lei como sujeito histórico e, portanto, responsável pela
história que o envolve. Segundo normatiza a LDB: “A educação abrange os processos
formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas
instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e
nas manifestações culturais” (BRASIL, LDB, 1996, p. 1). Nesse caso, o Patrimônio figura
tanto na questão de organização da sociedade, por participar do processo construtivo, quanto
nas manifestações culturais, uma vez que a consolidação do espaço se deu historicamente e
compreende a materialização da cultura de uma determinada época.

A LDB ainda cita: “liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o


pensamento, a arte e o saber”. (BRASIL, LDB, 1996, p.1) A partir desta abordagem entende-
se que o cidadão, enquanto pesquisador e divulgador, esteja alinhado com o valor dos bens
artísticos e culturais do espaço aonde vive, nos âmbitos nacional e regional. De maneira que a
cidadania vincula-se ao conhecimento, reconhecimento e divulgação da história enquanto
princípio da educação.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais indicam, como um dos objetivos do ensino


fundamental, que os alunos sejam capazes de: “Conhecer características fundamentais do
Brasil nas dimensões sociais, materiais e culturais como meio para construir progressivamente
a noção de identidade nacional e pessoal e o sentimento de pertencimento ao país” (BRASIL,
PCN – História e Geografia, 1997, p. 05). Nesse trecho, entende-se que a identidade e o
pertencimento nacional estão intimamente ligados a noção de Patrimônio, uma vez que este
participa da construção simbólica do Estado. Por conseguinte, faz-se necessário que os alunos
do ensino fundamental aprendam:

[...] as origens das cidades, suas organizações e crescimento urbanístico, seu


papel administrativo como capital, as relações entre as capitais brasileiras e
Lisboa (num contexto de relações entre metrópole e colônia), as questões
políticas nacionais quando eram capitais, sua população em diferentes
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épocas, as suas relações com outras localidades nacionais e internacionais, as
mudanças em suas funções urbanas, seu crescimento ou estagnação, suas
funções na atualidade, o que preservam como patrimônio histórico
(BRASIL, PCN – Ensino Fundamental, História e Geografia, 1997, p. 50).

Destarte, a questão do Patrimônio consolida-se no contexto educacional,


principalmente, nos anos que se seguiram à homologação destes documentos, de modo que,
através do IPHAN, foram fomentadas diversas políticas públicas voltadas para a Educação
Patrimonial. No ano de 1999 é publicado o Guia Básico de Educação Patrimonial, para as
autoras a Educação Patrimonial “Trata-se de um processo permanente e sistemático do
trabalho educacional centrado no Patrimônio Cultural como fonte primária de conhecimento e
enriquecimento individual e coletivo” (HORTA; GRUNBERG; MONTEIRO, 1999, p. 6).
Assim, a experiência e o contato direto com as manifestações ditas culturais em seus vários
sentidos, materiais e simbólicos, contribuem significativamente para o efetivo “conhecimento,
apropriação e valorização” do legado cultural ao qual pertencem os educandos, estes três
fatores contribuem diretamente no processo de preservação sustentável do Patrimônio,
consolidado no imaginário social os sentimentos de identidade e cidadania já explícitos na
legislação educacional do Brasil. Resulta ainda na aquisição de conceitos e habilidades
primordiais para o desenvolvimento intelectual e cultural.

O referido manual ainda aborda as questões metodológicas referentes ao processo de


ensino aprendizagem voltado para a Educação Patrimonial, esta metodologia leva em conta a
percepção, a análise e a interpretação dos bens culturais. Sendo essencial, primeiramente,
definir e delimitar os objetivos de cada atividade, a definição dos aspectos que serão
estudados a partir do tipo de abordagem, seja ela artística, simbólica, arquitetônica ou
histórica. De acordo com Horta, Gunberg e Monteiro (1999), após a delimitação do tema, a
ação educativa será ocorrerá ao longo de quatro etapas, que são: observação, registro,
exploração e apropriação. Em suma, esta publicação foi lançada com o objetivo de orientar a
Educação Patrimonial e fazer dela uma realidade nas escolas de todo país, de acordo com a
corrente de pensamento que alerta para a necessidade atual de preservação patrimonial para o
exercício da cidadania. A proteção do Patrimônio deve ser uma política pública que não se
restringe apenas aos órgãos especializados como o IPHAN, por exemplo, para seja uma
política realmente efetiva, ela precisa ser difundida também na sociedade, para que essa possa
ajudar na preservação da sua própria história, já que o Patrimônio é uma construção social.

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Outros eventos também merecem destaque, tais como: Criação da Gerência de
Educação Patrimonial e Projetos – GEDUC. Primeira instância da área central do IPHAN
voltada para a Educação Patrimonial. Para consolidá-la, foi realizada a I Reunião Técnica, em
Pirenópolis (GO) (2004); Encontro Nacional de Educação Patrimonial (I ENEP). Reunião
para discussão e proposição de parâmetros nacionais para ações de Educação Patrimonial do
IPHAN nas escolas, nos museus e noutros espaços sociais (2005); Realização da Oficina de
Capacitação em Educação Patrimonial e Fomento a Projetos Culturais nas Casas do
Patrimônio, quando, pela primeira vez, as diretrizes gerais das Casas do Patrimônio foram
debatidas e consolidadas em âmbito coletivo (2008); Realização do I Seminário de Avaliação
e Planejamento das Casas do Patrimônio, em Nova Olinda (CE). Organização de mesas-
redondas sobre Educação Patrimonial no I Fórum Nacional do Patrimônio Cultural (2009); II
Encontro Nacional de Educação Patrimonial (II ENEP). Reunião para pactuar as diretrizes no
campo de Educação Patrimonial e fortalecer a rede de instituições e de profissionais atuantes
na área educacional. Parceria entre MEC e IPHAN para que o tema Educação Patrimonial
integrasse o macrocampo Cultura e Artes do Programa Mais Educação, de Educação Integral
(2011); Realização do Encontro ProExt – Extensão Universitária na Preservação do
Patrimônio Cultural – Práticas e Reflexões, em Ouro Preto (MG - 2014) (DAF - CEDUC,
2014). Todas estas iniciativas voltadas à Educação Patrimonial são posteriores à
implementação da Lei 9.394/96 em 1996 e dos Parâmetros Curriculares Nacionais em 1997, o
que leva a crer na influência desses documentos para a constituição de políticas públicas
voltadas para a preservação patrimonial.

Deste modo, é importante perceber que as políticas públicas de educação patrimonial


pretendem assumir a função de mediadora do conhecimento, precisam ir além da
determinação dos valores de um dado Patrimônio através do tombamento, devendo criar
espaços de aprendizagem e interação que fomentem de forma eficiente a mobilização social
em prol da preservação dos próprios bens culturais. Para a efetivação de uma conscientização
social através de práticas educativas voltadas para a preservação e valorização do Patrimônio
Histórico, faz necessário:

[...]o estabelecimento de vínculos das políticas públicas de patrimônio às de


cultura, turismo, meio ambiente, educação, saúde, desenvolvimento urbano e
outras áreas correlatas, favorecendo o intercâmbio de ferramentas educativas
para enriquecer o processo pedagógico a elas inerente. Dessa forma, são
possíveis a otimização de recursos na efetivação das políticas públicas e a
prática de abordagens mais abrangentes e intersetoriais, compreendendo a

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realidade como lugar de múltiplas dimensões da vida (DAF – CEDUC,
2014, p. 25).

A interação entre as várias políticas públicas é uma ferramenta essencial para o


desenvolvimento da Educação Patrimonial no Brasil, vindo a ser decisiva no processo de
apropriação social do valor simbólico da cultura no país. Contudo, muitas são as dificuldades
para a consolidação desta política pública, já que, mesmo com a preocupação atual em
preservar o Patrimônio, esta iniciativa apresenta-se falha, como será visto no exemplo da
cidade de Natal.

A CIDADE DE NATAL, O DESCASO COM O PATRIMÔNIO E A


NECESSIDADE DA IMPLEMENTAÇÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS VOLTADAS
PARA A EDUCAÇÃO PATRIMONIAL

Para a interpretação da situação do Patrimônio histórico na cidade do Natal serão


analisados os discursos que o atravessam nos momentos específicos em que a questão do
Patrimônio surge na imprensa local. Na concepção de Foucault, todo discurso reflete uma
prática e é permeado pelas relações de poder e da razão da época que foi produzido. Nas
palavras do autor “[...]gostaria de mostrar, por meio de exemplos precisos, que, analisando os
próprios discursos, vemos se desfazerem os laços aparentemente tão fortes entre as palavras e
as coisas, e destacar-se um conjunto de regras, próprias da prática discursiva” (FOUCAULT,
1986, p.56). Na perspectiva de Foucault, o discurso não é tão separado das coisas que aborda
e atua igualmente na compreensão simbólica dos fatos e práticas reais. Deste modo, a partir da
análise do discurso reproduzido na imprensa local, entre os anos de 2011 e 2015, buscar-se-á
perceber a ausência da consciência patrimonial, onde pequenos grupos reagem à situação
vivenciada pelos bens culturais natalenses.

O primeiro exemplo, que aqui será exposto, de descaso com o Patrimônio natalense é
referente ao bairro histórico da Ribeira. O bairro da Ribeira passou por diversas rupturas, e,
em decorrência destas, as funções deste espaço sofreram drásticas transformações, fazendo
com que ele deixasse de existir como prestigiado centro urbano do início do século XX.
Devido a sua longa trajetória, o bairro da Ribeira possui edificações de vários estilos
arquitetônicos, que remontam épocas distintas, contendo exemplares coloniais, ecléticos e
protomodernistas. Estas construções hoje atuam como “marcos urbanos” por apresentarem
características físicas marcantes da história potiguar, bem como pelos importantes usos que
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lhes foram atribuídos outrora. Por sua história, apesar do estado de ruínas em que se encontra,
o bairro participa do conjunto de representações que formam a imagem de cidade do Natal.

Em pesquisa anterior (CORDEIRO, 2012), desenvolvi uma discussão acerca das


dinâmicas urbanas que culminaram na “decadência” do bairro da Ribeira. Conclui-se que foi a
partir das várias dinâmicas urbanas processadas na cidade do Natal, que o bairro da Ribeira
perdeu suas funções sociais e econômicas, o que culminou nos processos de segregação social
e degradação do ambiente construído. A alteração das práticas contribuiu para que o bairro
deixa-se de figurar como o centro urbano que fora um dia. Este processo se deu, de acordo
com Barthes, devido à existência de “um conflito permanente entre as necessidades funcionais
exigidas pela vida moderna, a ocupação obsoleta dos espaços e a carga semântica que lhe é
comunicada pela história” (1985, p. 183). Desta forma, tem início a crise espacial entre as
esferas do significante e da razão.

Destarte, o bairro da Ribeira continua a existir e a ter significativa importância no


contexto urbano, histórico e imagético da Cidade do Natal na atualidade. Os centros urbanos
são ícones que contam a história das cidades, por esse motivo, além do seu valor econômico,
enquanto solo urbano, eles também são detentores de um caráter simbólico. Então, a
conservação desses espaços é de suma importância para a manutenção da memória das
cidades.

A requalificação do bairro da Ribeira foi no transcorrer de mais de cinquenta anos, um


dos objetivos da administração pública municipal. Todavia, nenhuma das iniciativas
apresentou um resultado positivo ou duradouro, o que deixa aos natalenses uma herança de
ruínas. O tombamento do bairro da Ribeira foi definido provisoriamente por uma notificação
divulgada no Diário Oficial nº 17 de 23 de julho de 2010. Somente em 18 de agosto de 2014
foi publicada, no Diário Oficial da União (DOU), a homologação da Portaria nº 72,
finalizando o processo. Contudo, nem mesmo com o reconhecimento do valor histórico do
bairro, a situação pouco se modificou. Atualmente, pode ser observado que no bairro da
Ribeira ainda persistem os problemas comuns a áreas centrais degradadas, como: insegurança;
perda da função residencial; subutilização da infraestrutura construída; deterioração de
edifícios de valor histórico; dentre outros.

"Ribeira viva, nossa Ribeira!", dizia o jingle publicitário da prefeitura do


Natal em 2008. Era o anúncio da reforma da Praça Augusto Severo, coração
cultural da capital. Três anos (e uma nova gestão) depois, a Ribeira parece
estar morrendo. Não a força de suas manifestações culturais, mas sim no
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quesito cuidado com o patrimônio público e visual. Sobram vírgulas para
descrever a quantidade de problemas que a reportagem do Diário de Natal
encontrou ao dar uma volta no local (SANTOS, DIÁRIO DE NATAL, 14 de
outubro de 2011).

Neste trecho, evidenciam-se os problemas do espaço, bem como a descontinuidade das


políticas públicas voltadas para a conservação do bairro. Neste artigo, cuja denominação “A
velha Ribeira a Deus dará” demonstra o conteúdo pessimista em relação ao bairro. A análise
deste trechos incita uma reflexão sobre a fragilidade da conscientização social e as
dificuldades referentes à conservação do Patrimônio Histórico natalense.

Mas, o problema da falta de consciência histórica não se restringe apenas ao bairro da


Ribeira. Recentemente, no dia vinte e dois de agosto de 2015, a cidade perdeu mais um
edifício histórico, numa das áreas mais nobres da capital potiguar, o bairro de Petrópolis. O
edifício possuía elementos dos estilos barroco, colonial e neoclássico, localizava-se na
Avenida Nilo Peçanha e ali estava desde a década de 20 do século passado.

Ao ser questionado pelo jornal Tribuna do Norte sobre a demolição, o secretário


Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (SEMURB), Marcelo Rosado, afirmou que
“Deram entrada na solicitação no final do expediente de sexta-feira (21), demoliram no
sábado (22), antes mesmo do processo chegar às mãos do setor responsável por esse tipo de
avaliação” (TRIBUNA DO NORTE, 24 de agosto de 2015). O secretário ainda observa que o
processo de demolição de um edifício sem valor patrimonial dura em média dez dias,
enquanto, quando este possui valor histórico, segundo Marcelo Rosado, “[...] consultamos o
IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico – RN) e patrimônios do Estado e do
Município antes de emitir o parecer” (Tribuna do Norte, 24 de agosto de 2015). Na
reportagem fica claro que os agentes responsáveis pela demolição serão autuados e será
estipulada uma multa.

A demolição do edifício ganhou notoriedade e gerou a indignação entre os arquitetos e


urbanistas da cidade que decidiram protestar vestidos de preto e levando flores ao local, esse
protesto denominou-se “Saudosa Maloca”. De acordo com o integrante das instituições que
promoveram a manifestação (Conselho dos Arquitetos e Urbanistas - CAU-RN; Instituto dos
Arquitetos do Brasil – IAB; Sindicato dos Arquitetos – SINARQ), Rodrigo Gurgel, “O
manifesto é para evitar que mais uma pá de cal seja jogada sobre os poucos exemplares que
restam em Natal e que lutam ferrenhamente para não serem apagados da memória potiguar”

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(Tribuna do Norte, 24 de agosto de 2015). Assim, os manifestantes buscaram chamar a
atenção da opinião pública, com o intuito de conscientizar a sociedade.

Outro ponto nevrálgico que concernente às discussões sobre a preservação do


Patrimônio Histórico potiguar, diz respeito ao Hotel Internacional Reis Magos. Sua
construção foi financiada, segundo o historiador Itamar de Souza, através dos recursos
advindos da “Aliança para o Progresso, do Banco Internacional de Desenvolvimento (BID),
do Governo Federal, via SUDENE, e do próprio tesouro nacional” (SOUZA, 2008, p. 356 –
357). O Hotel Internacional Reis Magos foi o primeiro grande empreendimento turístico de
alto padrão do estado do Rio Grande do Norte, sendo assim, considerado como um símbolo
do turismo potiguar. Sobre sua inauguração, ainda conforme Itamar de Souza:

Foi inaugurado festivamente no dia 07 de setembro de 1965, ao som da


Orquestra de Frevos de Nelson Ferreira, animador dos carnavais
pernambucanos. Naquela noite jubilosa, o governador Aluízio Alves, à
semelhança de Santo Antônio de Pádua, pronunciou um belíssimo discurso
dirigido aos peixes, sob o aplauso delirante da população ali presente. Para o
povo brincar o carnaval da inauguração desta obra, a COSERN iluminou
feericamente a Avenida Hermes da Fonseca, desde a Avenida Bernardo
Vieira até as praias do Meio, Areia Preta e do Forte. (SOUZA, 2008, p. 356)

No texto, fica clara a importância do empreendimento no momento em questão. A


obra, de caráter modernista, foi pensada pelos Arquitetos Waldecy Pinto, Antônio Didier e
Renato Torres. Inicialmente, o luxuoso hotel foi administrado pelo governo do Estado através
da Emproturn, sendo posteriormente arrendado para a rede Tropical hotéis, pertencente então
a extinta Varig. O empreendimento fechou no ano de 1995 e foi comprado pela Hotéis
Pernambuco S.A., é após a venda que inicia-se a odisseia.

A Pernambuco S.A. entrou com uma ação na prefeitura de Natal para demolir o
edifício com o objetivo construir um Shopping em seu lugar, o caso vem se arrastando na
justiça há vários anos. O IPHAN e a Fundação José Augusto iniciaram o processo de
tombamento do Hotel Reis Magos, no momento em que tomaram conhecimento dos objetivos
do proprietário. No decurso do processo, um grupo de pesquisadores da Universidade Federal
do Rio Grande do Norte entregou ao Ministério Público do Estado um estudo sobre a
edificação, que contemplava o valor histórico, arquitetônico e simbólico do prédio para a
cidade (TRIBUNA DO NORTE, 25 de março de 2014). Também ocorreram alguns
movimentos, em prol da conservação do velho hotel.

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Entre liminares e recursos, a decisão da Justiça Federal foi favorável à preservação da
estrutura original do Hotel Reis Magos, a decisão foi tomada no dia 28 de janeiro de 2016,
após anos de disputa judicial. Entretanto, a questão da conscientização patrimonial da
população, como um todo, é algo à parte.

No trâmite do processo é perceptível o descaso com o Patrimônio, dentre outros


exemplos, no parecer favorável a sua demolição, em março de 2015, o procurador da
República Kleber Martins de Araújo, mesmo ciente dos processos de tombamento e dos
estudos realizados, acrescentou que: “nunca houve qualquer interesse coletivo de manter a
estrutura do que foi o primeiro hotel de luxo da capital potiguar em bom estado. O relatório da
procuradoria federal considerou o prédio inútil e sem serventia” (TRIBUNA DO NORTE, 30
de maio de 2015). Em outra ocasião, o Juiz Ailton Pinheiro, além de não reconhecer o edifício
como um bem de valor arquitetônico e simbólico, fez severas críticas com relação ao estado
de conservação do prédio, afirmou que: “O cadáver estrutural do antigo Hotel Reis Magos,
em verdade, apresenta-se como símbolo do abandono daquela região da cidade” (TRIBUNA
DO NORTE, 30 de maio de 2015), deixando claro que a demolição e a conseguinte
construção do shopping seria o início da revitalização deste trecho da cidade.

Os depoimentos expostos denotam a falta de consciência patrimonial dos referidos


profissionais, dado que ambos são cidadãos devidamente instruídos, o que deixa claro que é
preciso investir em uma política pública educacional voltada para a conscientização
patrimonial. Deste modo, Vinícius Galindo destaca que “O mais recente episódio acerca do
Hotel Reis Magos, em Natal (RN), reacende mais uma vez o debate sobre Patrimônio Cultural
na sociedade potiguar” (GALINDO, 2015, s/p).

A percepção do Patrimônio histórico deveria ser algo inerente à formação do cidadão,


contudo, na cidade do Natal, tem-se observado a fragilidade das políticas públicas com
relação à preservação do Patrimônio e à valorização deste por parte da sociedade. À época da
demolição do casarão de Petrópolis, lia-se na Carta Potiguar que “As pessoas aprendem a
respeitar e a valorizar os prédios históricos, a partir dos mais diversos processos formativos”
(FREIRE, CARTA POTIGUAR, 28 de agosto de 2015). Estes processos formativos ainda não
se consolidaram na cidade de Natal. Afinal, a capital potiguar é uma cidade com mais de 400
anos, mas, em seu espaço, poucos são os remanescentes construídos que remontam ao seu
passado.

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Já em 1949, Câmara Cascudo, ao escrever a crônica “Natal, cidade sempre nova”
constatara que a cidade não tinha compromisso com a conservação da sua história e do seu
Patrimônio edificado. Deste modo, Cascudo ressalta que “Cada século fazia uma cidade nova.
Atualmente não existe em toda a cidade uma só casa que date do século XVIII. Todas são
posteriores a 1800. Excetuam-se as Igrejas, naturalmente…” (CASCUDO, Câmara. Diário de
Natal, 10 de junho de 1949). No continuum do desenvolvimento de Natal, as rupturas
relacionadas à forma urbana foram uma constante, como analisado pelo historiador oficial da
cidade.

O mesmo exalta a consequência deste processo afirmando que: “A curiosidade maior é


que a cidade sem problemas grandes foi alijando também suas belezas, afastando-as dos olhos
dos natalenses atuais” (Idem). Neste ambiente predisposto historicamente as rupturas
espaciais, o Patrimônio natalense sofreu e tem sofrido as consequências deste modo de
construir e desconstruir a cidade. Negando, às futuras gerações, o que Lefebvre (2001)
chamará de “direito à cidade”. Conforme a historiadora Cristina Meneguello “Apenas o
exercício do passado reconhecido como construção pode, efetivamente, levar a uma definição
complexa de patrimônio e devolver à história e ao trabalho com o passado a força motriz que
ele não deixou de ter” (MENEGUELLO, 2000, p. 341). Nesse sentido, o Patrimônio não deve
ser tratado como um dado meramente físico, sua importância simbólica para a cidade
transcende a própria materialidade e historicidade, o importante é atribuir ao Patrimônio e ao
seu passado o caráter de verdade, de continuidade histórica e de resignificação que as
edificações não deixam de possuir no tempo presente.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Conforme foi exposto, a Educação Patrimonial no Brasil desenvolveu-se, enquanto


política pública, a partir da implantação da Lei de Diretrizes e Bases e dos Parâmetros
Curriculares Nacionais, estes indicam que o conhecimento e a valorização das manifestações
culturais são essenciais para o exercício da cidadania. Os referidos documentos forneceram os
subsídios necessários para a inserção da temática na educação nacional, como forma de
fortalecer a identidade e a sensação de pertencimento do cidadão. O IPHAN foi o órgão
responsável pela normatização e pela organização do ensino voltado para a conscientização da
importância dos bens culturais.

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A exposição da situação de descaso e abandono vivenciada pelo Patrimônio Material
natelense, exemplificada aqui a partir da análise dos casos do bairro da Ribeira, do Casarão de
Petrópolis e do Hotel Reis Magos, serviu para exemplificar a falta de consciência patrimonial
presente na sociedade natalense. Esta falta de consciência já foi citada em 1946, por Câmara
Cascudo, na crônica “Natal: a cidade sempre nova”.

Por fim, conclui-se que é necessária, como também urgente, a implantação de políticas
públicas voltadas para a Educação Patrimonial na cidade de Natal-RN, esta é reivindicada nos
relatos citados como único meio de conscientizar a população do valor simbólico presente nos
vários edifícios que compõe a cidade em suas várias temporalidades. Para que o Patrimônio
seja devidamente conservado, faz-se imprescindível perceber que é preciso ir além dos
instrumentos e mecanismos voltados para a sua proteção, como o tombamento e as
revitalizações, faz-se necessário que os bens culturais passem um processo de apropriação
social. Por isso é imperativo que a sociedade adquira a capacidade de valorizar seus bens
culturais e que desenvolva um sentimento de pertencimento, uma relação afetiva com os
símbolos do passado. Para Eliane Castro “O caminho para o envolvimento e apropriação
desses bens pela comunidade perpassa, necessariamente, pela educação” (CASTRO, 2011, p.
11). Sendo assim, entende-se que a consolidação desta política pública é de suma importância
para que se alcance o real sentido de Patrimônio na cidade de Natal. Contudo, é importante
lembrar que existem muitas dificuldades no que diz respeito a implantação eficaz de políticas
públicas neste país.

REFERÊNCIAS

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na pós-modernidade. Disponível em: http://www.cnslpb.com.br/arquivosdoc/MATPROF.pdf.
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14
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patrimonial: orientações ao professor (Caderno temático ; 1). João Pessoa: Superintendência
do Iphan na Paraíba, 2011.

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patrimônio cultural. Revista Vitrúvius - Minha Cidade, ano 15, Natal: 2015. Disponível em:
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Dr. Edgar Salvadori De Decca. Universidade Estadual de Campinas. Instituto de Filosofia e
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15
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TRIBUNA DO NORTE, 25 de março de 2014.

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TRIBUNA DO NORTE, 24 de agosto de 2015.

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O título dado a este artigo é análogo ao texto “Por um ensino que deforme: o docente na pós-modernidade” do
Prof. Dr. Durval Muniz de Albuquerque Júnior (2016). Nele, o autor trata da crise vivida na escola da pós-
modernidade, principalmente, por esta ser caracterizada como uma política pública moderna. E, segue
questionando o ensino ofertado e seus resultados, buscado enfatizar a necessidade de deformá-lo para torná-lo
mais crítico e condizente com a sua época.

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