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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR DESEMBARGADOR DA ___ CÂMARA

CRIMINAL DO EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE PERNAMBUCO

[ PEDIDO DE APRECIAÇÃO URGENTE - RÉU PRESO ]

Impetrante: Marcela Pably Batista Arraes

Paciente: Jose Jeifferson Pereira da Silva

Autoridade Coatora: MM Juiz de Direito da 1ª Vara Criminal de Araripina/PE

Ref. Proc. 1176-20.2017.8.17.1020

MARCELA BATISTA PABLY ARRAES, brasileira, solteira, advogada, inscrita na


OAB/PE sob o n.º 41.941, com escritório profissional na Rua Joaquim Alexandre
Arraes, 43, centro, Araripina-PE, onde recebe intimações, vem respeitosamente
perante esse Egrégio Tribunal, com fulcro no art. 5º, inciso LXVIII, da Constituição
Federal de 1988 e artigos 647 e 648, I, III e V ambos do Código de Processo Penal,
impetrar o presente;

HABEAS CORPUS LIBERATÓRIO COM PEDIDO DE CONCESSÃO DE LIMINAR

Em favor de JOSÉ JEIFFERSON PEREIRA DA SILVA, brasileiro, solteiro, profissional


autônomo, possuidor do RG. nº 06588719994, inscrito no CPF sob o nº 115.245.804-
30, residente e domiciliado na Rua José Batista de Araújo nº 63, Conjunto Asa Branca,
Alto da Boa Vista, Araripina-PE, CEP 56280-000, atualmente detido Cautelarmente na
Cadeia Municipal de Araripina, o qual se encontra sofrendo constrangimento ilegal por
conta do excesso de prazo, estando preso a mais tempo do que se determina a lei, por
ato do eminente Juiz de Direito da 1º Vara Criminal da Comarca de Araripina/PE, o qual,
negou a concessão da liberdade provisória, mantendo o réu sob prisão preventiva, como
se verá na exposição fática e de direito a seguir delineadas:

1. DA BREVE SÍNTESE DOS FATOS

Conforme consta nos autos na data de 5 de abril de 2017, José Jeifferson Pereira da
Silva foi acusado de tentativa de homicídio contra a vítima Vagner Manuel de Sousa
Reis mediante disparo de arma de fogo.

No dia 6 de abril de 2017 a autoridade policial representou pela custódia preventiva do


acusado, sendo a mesma deferida em decisão fundamentada no dia 11 de abril de
2017.

José Jeifferson Pereira da Silva nunca se excusou de comparecer aos atos


processuais, ocorre que no final de Abril foi convidado para trabalhar na empresa Terral
Agricultura e Pecuária S/A, localizada no município de Matão-SP exercendo função de
colhedor. Em junho de 2017 foi contatado pela junta de serviço militar para comparecer
ao 3º Batalhão de Engenharia de Construção de Picos-PI. É importante salientar que o
acusado nunca soube sobre o mandado de prisão preventiva em seu desfavor.

No dia 04 de agosto de 2017, foi cumprido mandado de prisão preventiva em desfavor


de José Jeifferson Pereira da Silva, imputando-lhe o descumprimento do art 121 §2º
Inc. IV c/c Art. 14 Inc. II, ambos do Código Penal Brasileiro, preso há 194 dias na
Cadeia Pública de Araripina.

Art. 312. A prisão preventiva poderá ser decretada como garantia


da ordem pública, da ordem econômica, por conveniência da
instrução criminal, ou para assegurar a aplicação da lei penal,
quando houver prova da existência do crime e indício suficiente
de autoria.

Já existindo a renovação do pedido de liberdade provisória, o Ministério Público apesar


de ter tido vistas ao processo, se faz inerte, por quase ___ mês.

Ocasião esta, que faz necessária a impetração do remédio heroico.

2. DA FALTA DE JUSTA CAUSA - DA AUSÊNCIA DOS REQUISITOS PARA A


MANTENÇA DA PREVENTIVA

Segundo Fernando Capez, a hipótese trata da falta de justa causa para a prisão, para o
inquérito e para o justa causa é existência de fundamento jurídico e suporte fático
autorizadores do constrangimento a liberdade ambulatória processo. (Pag.822, Curso
de Processo Penal, 2015).

Primeiro, insta salientar que o decreto de prisão preventiva foi autorizado,


fundamentando-se na suposta prova da existência de crime e dos indícios da autoria,
bem como da necessidade de se garantir a ordem pública.

A garantia da ordem pública NÃO pode ser aqui a justificativa para se manter a
preventiva, ademais, o paciente não preenche os requisitos que justificam garantir a
ordem pública, como a periculosidade do imputado ou envolvimento com organização
criminosa; além de apenas haver cometido o ato sob influência da ira que lhe
acometeu, retirando-lhe a faculdade da razão e lógica após tomar ciência dos mau
tratos, traumas e danos físicos extremos que o seu filho recém nascido sofria nas mãos
da vítima, circunstância que demonstra relevante valor moral envolvido. O que importa
é que existam elementos concretos, não meramente abstratos, como se faz a
fundamentação da autoridade coatora.
Saliente-se que o Paciente é tecnicamente primário, possuía ocupação lícita na data do
recolhimento (trabalhando no cultivo de laranjas e indo ingressar no serviço militar no 3º
B.E.C de Picos-PI) e um grau de instrução adequado ao seu desenvolvimento
profissional, além de residência fixa, obrigações financeiras familiares (pois contribuía
para a renda familiar), demonstrado assim sua adequação à vida em sociedade. Nesse
importe, afastam-se quaisquer dos parâmetros da segregação cautelar prevista no art.
312 da Legislação Adjetiva Penal, o que se observa dos documentos ora colacionados.
(fls. 133-135).

STJ- DIREITO PENAL. HABEAS CORPUS. ROUBO


CIRCUNSTANCIADO. DECRETO DE PRISÃO FUNDADO NA
GRAVIDADE ABSTRATA DO DELITO. GARANTIA DA ORDEM
PÚBLICA E CONVENIÊNCIA DA INSTRUÇÃO CRIMINAL.
MOTIVAÇÃO INIDÔNEA. CONSTRANGIMENTO ILEGAL
CONFIGURADO. PROCESSO CONCLUSO PARA SENTENÇA.
ORDEM CONCEDIDA.

1. A prisão cautelar é medida de caráter excepcional devendo


ser decretada e mantida apenas quando preenchidos os
requisitos previstos no artigo 312 do Código de Processo
Penal, exigindo-se, para tanto, sólida fundamentação.

2. A gravidade abstrata do delito, sob a pretensa garantia da


ordem pública, não serve de fundamento ao decreto de prisão
preventiva, se ausentes circunstâncias concretas que
recomendem a segregação cautelar do acusado.

(HC 204809 / MG – Rel. Min. Vasco Della Giustina. 6ª Turma.


DJ 05.09.2011).

Com isto fica mais evidente que a coação em questão é ilegal de falta de plena justa
causa conforme o Art. 648, I do CPP.
Art. 648. A coação considerar-se-á ilegal:

I - quando não houver justa causa;

3. DO PEDIDO LIMINAR

Diante da flagrante ilegalidade na situação na qual se encontra o paciente, não pairam


dúvidas para que, num gesto de estrita justiça, seja concedida liminarmente o direito à
liberdade ao mesmo, pelo excesso de prazo que atualmente constrange o imputado ao
cárcere.

Nas hipóteses mencionadas a doutrina é clara em afirmar que o remédio jurídico do


Habeas Corpus assume a verdadeira Ação Penal Cautelar. (Capez, Fernando, pg. 820,
Curso de Processo Penal, 2015)

A leitura, por si só, da decisão que manteve a prisão preventiva do Paciente, demonstra a
singeleza de sua redação a sua fragilidade legal e factual.

A ilegalidade da prisão se patenteia pela ausência de algum dos requisitos da prisão


preventiva. Igualmente não há óbice à concessão da liberdade provisória e, além disso,
evidencia-se ausência de fundamentação concreta da decisão que negou o intento
formulado nos autos em favor do ora Paciente.

O endereço do Paciente é certo e conhecido, mencionado no caput, desta impetração,


não havendo nada a indicar se furtar ela à aplicação da lei penal.

A liminar buscada tem apoio no texto de inúmeras regras, inclusive do texto


constitucional, quando revela, sobretudo, a possibilidade da arbitração de fiança diante
do caso concreto.

Por tais fundamentos, requer-se a Vossa Excelência, em razão do alegado no corpo


deste petitório, presentes a fumaça do bom direito e o perigo na demora, seja
LIMINARMENTE garantido ao Paciente a sua liberdade de locomoção, maiormente
porque tamanha e patente, como ainda clara, a inexistência de elementos a justificar a
manutenção do encarceramento.

A fumaça do bom direito está consubstanciada nas provas juntas aos autos, na doutrina,
na jurisprudência, na argumentação e no reflexo de tudo nos dogmas da Carta da
República.

O perigo na demora é irretorquível e estreme de dúvidas, facilmente perceptível, não só


pela ilegalidade da prisão. Assim, dentro dos requisitos da liminar, sem dúvida o perigo
na demora e a fumaça do bom direito está amplamente justificado, verificando-se o
alicerce para a concessão da medida liminar, com expedição incontinenti de alvará de
soltura, ou sucessivamente, seja ao Paciente concedido o direito à liberdade
provisória, com ou sem fiança.

4. DOS PEDIDOS

Diante do exposto, resta induvidoso que o paciente sofreu constrangimento ilegal por
ato da autoridade coatora, o Excelentíssimo Senhor Juiz de Direito da 1ª Vara Criminal
da Comarca de Araripina/PE, circunstância “contra legem” que deve ser remediada por
esse Colendo Tribunal. Isto posto, com base no artigo 5º, LXVIII, da CF, c/c
artigos 647 e 648, I, III e V ambos do Código de Processo Penal, requer;

a) A oitiva da Douta Procuradoria de Justiça na condição e "custos legis", para que


apresente parecer;

b) A requisição de informações ao Meritíssimo Juiz da 1ª Vara Criminal da Comarca


de Outubro/PE, ora apontado como autoridade coatora;

A confirmação no mérito da liminar pleiteada para que se consolide, em favor do


paciente José Jeifferson Pereira da Silva, a competente ordem de “habeas corpus”,
para fazer impedir o constrangimento ilegal que o mesmo vem sofrendo, como medida
da mais inteira Justiça, expedindo-se, imediatamente, o competente ALVARÁ DE
SOLTURA, a fim de que seja o paciente posto em liberdade; sucessivamente, seja ao
Paciente concedido o direito à liberdade provisória.

Nesses termos, pede e aguarda deferimento.

Araripina/PE, 19 de Fevereiro de 2018