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Engenharia e sociedade

Introdução

Olhando à nossa volta, é fácil percebermos uma dependência cada vez maior da sociedade
moderna em relação aos produtos tecnológicos. Muito do que as evoluções da ciência e da
tecnologia têm proporcionado nos facilita a vida, economiza tempo e energia, protege
nossa saúde, enfim, nos transporta de uma natureza, digamos, "natural" para uma
"natureza artificial", controlada. Isso, em grande parte, é decorrência da evolução da
engenharia.

A Engenharia esteve e continua presente em praticamente todos os momentos dessa


trajetória, desenvolvendo - dentre tantas outras utilidades: • sistemas de transporte e de
comunicação; • sistemas de produção, processamento e estocagem de alimentos; •
sistemas de distribuição de água e energia; • equipamentos bélicos; • ferramentas; •
utensílios domésticos; • aparatos de lazer; • equipamentos médicos...etc.

Graves questões também surgem ou são majoradas em decorrência dos avanços científicos
e tecnológicos, como a desigualdade social, a crescente depredação da natureza ou a
dominação de povos pela força do poderio bélico.

Todas essas questões também são de responsabilidade da Engenharia, pois somos nós
engenheiros que ajudamos a criar as condições técnicas para que estes problemas
aconteçam.
Por isso devemos estar atentos - além das questões técnicas - também para as questões
sociais e pessoais decorrentes de nossas ações.
Uma característica importante do engenheiro é a sua visão sistêmica, que lhe confere um
bom domínio da realidade física e, por extensão, das atividades social e econômica.

Talvez exatamente por isso ele tem boas chances de sair-se bem em diversas atividades,
mesmo aquelas não ligadas diretamente à sua área de formação técnica específica, como
administração, vendas, análise de sistemas etc. Neste sentido, um diploma funciona hoje
cada vez menos como um passaporte para ter acesso a um ramo profissional
preestabelecido, e mais como um recurso para se ter mobilidade destacada num mercado
de trabalho competitivo. É como se fosse um "bilhete de ingresso" que permite atuar na
sociedade com competência e seriedade.

Outro aspecto que merece atenção destacada é a atuação do engenheiro na sociedade.


Para que o nosso trabalho contribua de forma significativa para o avanço da tecnologia e
para o bem-estar social, deve haver uma certa dose de ousadia nesse trabalho. Se todos os
engenheiros fossem excessivamente cautelosos, usando apenas materiais, processos e
sistemas já consagrados, a engenharia permaneceria estagnada, e todos continuariam a
fazer apenas o que outros já fizeram. Isso não significa, de forma alguma, menosprezar o
significado de realizações passadas, que sempre devem ficar como referência.

Mas devemos ter em mente que correr riscos faz parte da profissão, e que de novas
experiências podem surgir novas e revolucionárias soluções.

Com os pés no chão Dentro destas considerações, um alerta importante deve ser feito: não
devemos nos deixar levar por modismos na hora de tomar decisões quanto à nossa
formação. Análise criteriosa: • consultar especialistas; • ler publicações a respeito das áreas
que nos interessam; • participar de palestras a respeito das profissões que temos em
mente.

1.2.2 O Mercado de Trabalho do Engenheiro

Atribuição de um engenheiro, dentro de suas competências técnicas legais: Administrar


Analisar Assessorar Avaliar Construir Consultar Controlar Desenvolver Dirigir Emitir parecer
Ensinar Ensaiar Especificar Estudar Executar Experimentar Produzir Fiscalizar Gerenciar
Supervisionar Manter Operar Pesquisar Planejar Projetar Testar Vender Vistoriar

1.2.3 Ética no Mercado de Trabalho.

A Engenharia pode modificar o ambiente, os hábitos e a qualidade de vida das pessoas, a


sua forma de morar, de se locomover, enfim, de alterar inclusive substancialmente o
próprio comportamento da sociedade. O engenheiro deve ter uma postura profissional
coerente e racional, pautada sempre em preceitos éticos bem consistentes.

Ética é o conjunto de princípios, normas e regras


que devem ser seguidos para que se estabeleça
um comportamento moral exemplar.

Quais os deveres, os direitos, as atribuições técnicas e a remuneração a exigir pelos seus


serviços são questões que devem sempre estar presentes no cotidiano do engenheiro.
Da natureza da profissão: II - A profissão é bem cultural da humanidade construído
permanentemente pelos conhecimentos técnicos e científicos e pela criação artística,
manifestando-se pela prática tecnológica, colocado a serviço da melhoria da qualidade de
vida do homem; Da honradez da profissão: III - A profissão é alto título de honra e sua
prática exige conduta honesta, digna e cidadã;

Da eficácia profissional: IV - A profissão realiza-se pelo cumprimento responsável e


competente dos compromissos profissionais, munindo-se de técnicas adequadas,
assegurando os resultados propostos e a qualidade satisfatória nos serviços e produtos e
observando a segurança nos seus procedimentos; Do relacionamento profissional: V - A
profissão é praticada através do relacionamento honesto, justo e com espírito progressista
dos profissionais para com os gestores, ordenadores, destinatários, beneficiários e
colaboradores de seus serviços, com igualdade de tratamento entre os profissionais e com
lealdade na competição;

DOS DEVERES Art. 9º No exercício da profissão são deveres do profissional: I - ante o ser
humano e seus valores: a) oferecer seu saber para o bem da humanidade; b) harmonizar os
interesses pessoais aos coletivos; c) contribuir para a preservação da incolumidade pública;
d) divulgar os conhecimentos científicos, artísticos e tecnológicos inerentes à profissão; IV -
nas relações com os demais profissionais: a) atuar com lealdade no mercado de trabalho,
observando o princípio da igualdade de condições; b) manter-se informado sobre as
normas que regulamentam o exercício da profissão; c) preservar e defender os direitos
profissionais;

DAS CONDUTAS VEDADAS


Art. 10. No exercício da profissão, são condutas vedadas ao profissional:
I - ante ao ser humano e a seus valores:
a) descumprir voluntária e injustificadamente com os deveres do ofício;
b) usar de privilégio profissional ou faculdade decorrente de função de forma abusiva, para
fins discriminatórios ou para auferir vantagens pessoais.
c) prestar de má-fé orientação, proposta, prescrição técnica ou qualquer ato profissional
que possa resultar em dano às pessoas ou a seus bens patrimoniais.