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A transição é a vida inteira

A forma como percebemos as idades, dependendo de nossa condição etária e do


contexto que vivemos; os eventos.

Mais que etapas estanques, falamos da vida como uma transição, um processo
(FEATHERSTONE, 1994) de autoconstrução, aprendizado, micromudanças (RAMOS, 2006) e
acúmulo de experiências.

A forma de perceber a vida adulta? O que é a vida adulta, o que é ser adulto

Quando se fala em transição, se pensa estar falando em que?

- passagem de um estágio, de um status, de um papel social a outro. Pertinente tanto em


estudos sobre rituais, como em estudos sobre fases da vida.

O modo como vemos o curso da vida.

A adultez não era estudada, os estudos se voltavam muito à juventude e velhice. A


adultez não é pensada enquanto objeto de estudo porque não é considerada um
problema. É vista como uma idade banal, uma idade "sem problemas". Passa então a ser
vista como tal, uma fase da vida, como outras, que tem seus problemas e ambigüidades.
É também vista como sem um referencial biológico que a defina como a primeira
menstruação, por exemplo.

Mas esses limites, esses referenciais mudaram bastante e a prova disso é a existência de
novas categorias como a pré adolescência, quando o indivíduo não se identifica mais
como criança.

Também diferente da juventude, os adultos não são vistos como formando um grupo.
Algo que foi importante para que a juventude fosse reconhecida como fenômeno social.

O fato de jovens se reunirem com objetivos comuns, criarem redes de solidariedade


entre si, é um exemplo da formação de grupos. Elaine cita Berguer quando ele traz que a
reunião de jovens em escolas e de velhos em casas geracionais pode favorecer uma
comunicação e interação densa entre eles .

Outra questão é não se estudar os limites da adultez. A adultez tem sido percebida em
relação a outras fases da vida. Seus limites, por exemplo, foram precisados, quando
surgiu a necessidade de se estudar o que seria a velhice.

Como surge então os estudos sobre adultez?

Na década de 80 percebe-se que os jovens passam mais tempo na casa dos pais, adiando
a sua independência familiar até alcançar a sua independência financeira, o que
começava a ocorrer também mais tardiamente.

Há um prolongamento da juventude nas sociedades contemporâneas. As pessoas estão


morando na casa dos pais, conquistando a estabilidade profissional e financeira mais
tardiamente e também se casando e tendo filhos mais tarde. Na pesquisa de Elaine, ela
cita duas causas principais desse fenômeno: a precariedade do mundo do trabalho e a
maior autonomia sexual dos jovens no exercício de sua sexualidade.

Da sala, quem mora com os pais e se acha mais jovem por isso? O que é próprio da
juventude e próprio da adultez? Qual o papel de outras categorias como sexo/gênero,
raça/etnia, classe social implicadas na juventude e adultez de uma pessoa?

Pode-se perceber que o momento em que se passa de uma fase jovem à adulta é mais
claro para quem está atravessando atualmente. Na pesquisa de Elaine, os pais, mesmo
que consigam ou não identificar esse momento em suas vidas, parecem não ter um
discurso sobre a transição nos mesmos moldes que seus filhos.

O que isso mostra: que a transição a vida adulta enquanto um problema de pesquisa é
um fenômeno mais ou menos recente, com marcas de tempo, lugar e cultura.

Sobre o que contribui para considerar essa transição como um fenômeno:

- o mercado de trabalho se torna mais instável, a transição ao mercado de trabalho exige


mais qualificação e em alguns casos o diploma superior deixa de ser uma garantia ou
passaporte para entrada na vida profissional.

- a família como instituição sofre mudanças e uma delas foi o papel do casamento, que
antes era visto mais como fundamental para se ter uma independência afetiva-sexual.
Uma interlocutora de Elaine cita que mais do que obrigação de gerações mais velhas de
se casarem, eles tinham que se manterem casados. A popularização do divórcio então
pode ser encarada como uma transição para uma mudança de sentido sobre casamento.
(Hoje, se valoriza muito um sentimento, que o casamento seja mantido enquanto houver
sentimento, afeto, amor, lealdade, etc.) que seja compartilhado entre o casal.

- as relações entre as pessoas também mudaram e os espaços destinados aos gêneros de


modificam. O papel da mulher na sociedade é um exemplo disso. Antes bastante
limitado ao ambiente doméstico, o papel da mulher se dinamizou bastante.

- outra questão é a desvalorização de certos rituais que eram marcadores de passagem de


uma fase da vida a outra. A formatura de faculdade não tem mais o mesmo sentido que
antigamente, pois não engendra uma nova condição ao formado. Assim como o
casamento religioso ou civil não tem a mesma importância quando os casais já dividem
a casa. E também o primeiro emprego não parece ter feito os jovens perceberem uma
mudança de fase da vida quando chegam nesse momento. Até porque geralmente a
experiência do primeiro emprego são em locais precários, ou são estágios, etc.

O termo jovem adulto, o que vocês acham dele?

Cada jovem adulto interpreta esses momentos de uma forma e o momento em que cada
um ocorre é impreciso.
Será que é mais difícil indicar o momento de início e fim de cada nova fase da vida?

ELAINE: Mais que etapas estanques, falamos da vida como uma transição, um processo
(FEATHERSTONE, 1994) de autoconstrução, aprendizado, micromudanças (RAMOS, 2006) e
acúmulo de experiências.

A idade então se mostra uma categoria mais complexa do que aparenta ser. Nos trabalhos
sobre o que é juventude e adultez, a idade aparece enquanto uma categoria cronológica,
biológica e social. Nos discursos dos interlocutores, essa categoria ganha uma alargamento,
onde seu significado pode ter relação com qualidade de vida, dilatação do período
reprodutivo, responsabilidade, autonomia, independência e a impossibilidade de se separar o
"natural" do "cultural" do que se refere ao curso da vida e suas idades.

A noção de transição também faz parte de uma área antiga da Antropologia, os rituais. Mas a
esse conceito pode ser contestado em sua aplicabilidade nos estudos sobre as fases da vida.

Pensar juventude, por exemplo, como uma fase em transição, poderia esvaziar os sentidos
dados pelos jovens a essa fase da vida, ao pensá-los como adultos que ainda não são ou
crianças que deixaram de ser. É mais do que isso, não apenas isso.