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Comunidades Imaginadas

Pioneiros criolos

Os novos estados americanos não são possíveis de se explicar a partir de dois moldes europeus
de nacionalismo; (1) a língua não era um elemento que os distinguisse da metrópole e (2) o perfil
nacionalista colonial não era, como na Europa no geral, de cunho populista – pelo contrário,
muitas das vezes o medo das classes mais baixas, negros e índios, desencadeou a movimentação
política. O que resultava no afastamento político dessas classes mais baixas da população,
inclusive no que tange ao respaldo militar. Eis o questionamento: por que foram as comunidades
crioulas que desenvolveram uma consciência tão precoce de sua condição nacional? Por que
essa comunidade que estava unida por uma elite que não falava a língua das classes mais baixas
construiu uma identidade tão forte contra um inimigo (a metrópole)?

Os dois fatores comumente apresentados são o aumento do controle de Madri e as ideias


liberalizantes do Iluminismo. Anderson aponta que é inegável a influência desses fatores,
contudo, eles por si só não explicam todo o cenário desenvolvido. Não era apenas por noções
de privilégios com o rompimento que a coroa que houve a movimentação pela independência,
muitos indivíduos possuíam privilégios com a relação com Madri, muitos vieram a falência após
o rompimento com a mesma. Anderson afirma que uma das respostas iniciais é a de que muitas
dessas comunidades eram autônomas desde o inicio do século XVI até o XVIII, por consequência
de diversos fatores da colonização e das características geográficas o caráter dessas colônias
acabou existindo em uma espécie de autossuficiência. Somado a isso, a política econômica de
Madri fez com que as unidades administrativas se transformassem em zonas econômicas
distintas.

Para entender esse processo de construção de identidade, Anderson utiliza de ideias da


antropologia para elucidar como essa “jornada” entre tempos, lugares e condições possibilitou
tal fator. A primeira jornada é a literal, da peregrinação, uma peregrinação “centralizada”, ou
seja, com um cenário encenado e vivido – performado. A peregrinação religiosa é uma das
jornadas mais fortes, possuem, é claro, jornadas seculares equivalentes também; no que tange
a América, o que temos é uma peregrinação fruto das monarquias absolutantes que existiram
durante o período de colonização. A criação de um aparato estatal unificado, leal e controlado
diretamente pelo governante, e essa unificação significava a intercambialidade de homens e
documentos. Os funcionários espanhóis tinham uma mobilidade transatlântica, enquanto os
crioulos possuíam apenas uma servidão no território – sua mobilidade horizontal era tão
limitada quando sua mobilidade vertical. No entanto, nessa peregrinação limitada ele
encontrava companheiros e construía uma “sociabilidade” com estes, vendo-os como
semelhantes, de certa forma, presos no fatalismo de terem nascido desse lado do Atlântico. Se
nascido nas Américas, o indivíduo era inevitavelmente e irrevogavelmente crioulo, condenado
a nunca ser verdadeiramente um espanhol. Por consequência disso, existia um tenso equilíbrio
entre o funcionário peninsular e o magnata crioulo. Além disso, com o passar do tempo
começaram a surgir a mestiçagem entre europeus e americanos e esse pensamento permitiu o
surgimento do que entendemos como racismo moderno.

Surge a figura do editor-jornalista e seu objetivo de atingir o leitor, por isso, desenvolveu-se uma
aliança com o agente postal que algumas das vezes ambas as partes até trocavam de posição. A
oficina-tipográfica então surge como um elemento fundamental da constituição da
comunicação e vida intelectual na América. Um traço dessa tipografia era a pluralidade de
impressões e periódicos existentes no cenário, além de público, pois esses jornais, aponta
Anderson, eram escritos com plena consciência da existência de comunidades semelhantes as
suas vivendo paralelamente.

Capítulo 4

Novas classes médias, expansão lexicográficas,

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