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UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA

CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS E APLICADAS


DEPARTAMENTO DE ECONOMIA

MARLI CASTRO SILVA


NATÁLIA B. PIRES DE OLIVEIRA

GOVERNO VARGAS: INDUSTRIALIZAÇÃO NA DÉCADA DE 30

João Pessoa, 2017.


MARLI CASTRO SILVA
NATÁLIA B. PIRES DE OLIVEIRA

GOVERNO VARGAS: INDUSTRIALIZAÇÃO NA DÉCADA DE 30

Projeto de pesquisa apresentado à


disciplina Economia Brasileira I, do
curso de graduação em Ciências
Econômicas da UFPB, como requisito
parcial de avaliação no Período 2016.2.

Prof. (a): Márcia B. Fonseca


João Pessoa, 2017.

SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO 4
2 PROCESSO HISTÓRICO DA INDUSTRIA NO BRASIL 5
3 FATORES QUE FAVORECERAM A EXPANSÃO DA INDÚSTRIA NO
BRASIL 7
4 A RELAÇÃO DA ATIVIDADE CAFEEIRA COM A ATIVIDADE
INDUSTRIAL 8
5 A POLÍTICA ECONÔMICA ADOTADA NO PERÍODO E SUA RELAÇÃO
COM O PROCESSO INDUSTRIAL 11
6 METODOLOGIA 12
7 CONCLUSÕES
8 REFERÊNCIAS
1 INTRODUÇÃO
O governo Vargas se inicia em 3 de novembro de 1930 e se estende até 1954, com
sua morte. Os anos que o antecedem vivenciaram o auge da economia cafeeira
(1905 e 1929) e os que o sucedem foram de intensa industrialização, de modo que
seu governo marcou a transição de uma economia essencialmente agroexportadora
para um modelo com atividade industrial voltada para o consumo interno.

A crise de 1929, iniciada nos Estados Unidos, fez com que o café, principal produto
de exportação brasileira, tivesse redução na demanda. Além disso, os preços
elevados do produto, obtidos com desvalorizações cambiais e compra do excedente
da produção incentivaram outros países com excesso de mão de obra barata a
produzir o café em pequenas propriedades – o que conferia ao produto qualidade
superior – de forma que o país estava aos poucos perdendo sua posição de maior
produtor de café, quando no auge da produção era responsável por ¾ do café
consumido no exterior.

Em 1881 haviam cerca de 200 indústrias no país e com o decorrer dos anos se
intensificou, de modo que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e estatística
(IBGE), o senso industrial de 1920 – último que se tem registro antes de 1939 –
apontou 13.336 estabelecimentos industriais no país. Entretanto, o que se entende
por indústria atualmente difere do significado que a palavra tinha no período
estudado, de modo na época a produção industrial se misturava com manufaturas
produzidas em pequenas oficinas.

Contudo, esse avanço na quantidade de indústrias não se deu por acaso. Uma série
de fatores acumulados desde o período colonial fomentaram essa atividade. Isso
posto, surge a pergunta: que fatores favoreceram a mudança do eixo dinâmico da
economia? Qual a relação da atividade cafeeira com a atividade industrial? Qual a
política econômica adotada no período e qual sua relação com o processo
industrial?

Em linhas gerais este trabalho busca identificar os fatores que favoreceram a


transição da produção essencialmente agrícola de exportação para uma produção
industrial voltada para o mercado interno. De forma específica, pretende-se
identificar porque isso teve início apenas na década de 30 e qual a relação da crise
da economia cafeeira com o crescimento industrial no Brasil, que abriu caminho
para que a industrialização de fato ocorresse a partir da década de 50.

Para isso, será necessário retomar o processo histórico para compreender o que
retardou o processo industrial no país e de que forma os entraves foram retirados,
a seguir serão elencados os fatores que ao longo da história contribuíram para que,
embora tardiamente, surgisse uma atividade industrial mais robusta e por fim,
como isso favoreceu, juntamente com as medidas econômicas adotadas pelo
governo Vargas na década de 30, o crescimento da atividade industrial no país.

2 PROCESSO HISTÓRICO DA INDUSTRIA NO BRASIL


Em 1785 quando a Inglaterra estava em plena revolução industrial, a então rainha
de Portugal, D. Maria I assina um alvará que proibia a instalação de indústrias e a
atividade manufatureira na colônia, com exceção para a produção do tecido de
algodão grosseiro que era utilizado para vestimentas de escravos e confecção de
sacos para embalar a produção, para garantir que todos os esforços produtivos
estivessem voltados para a produção agrícola com foco no mercado externo e ao
mesmo tempo selando a dependência da nação a importação de manufaturados da
metrópole e de seu parceiro comercial na época, a Inglaterra.

Com a mudança da família real portuguesa para o Brasil, em 1808, o alvará de


1785 foi revogado. Além disso, segundo Hees (2011), o então príncipe regente não
apenas autorizou, como também passou a incentivar a instalação de fábricas no
Brasil, por meio de isenções de direitos de importação de matérias primas e de
estímulos – hoje denominados subsídios – para a construção das primeiras
manufaturas no Brasil.

Porém, a abertura dos Portos, de acordo com Caio Prado, permitiu que as
mercadorias estrangeiras – especialmente os ingleses – entrassem no país com
tarifas diferenciadas, tornando os produtos brasileiros pouco competitivos, dado
que as máquinas e equipamentos eram importadas e não havia mão de obra
qualificada para a produção, o que tornava a produção nacional pouco
competitiva. Além disso, não havia um mercado consumidor interno capaz e
absorver o que aqui fosse produzido, pois poucos eram trabalhadores assalariados,
dado que a mão de obra utilizada nas lavouras era essencialmente escrava.

A partir de 1822, com a independência, o Brasil necessitava que sua autonomia


fosse reconhecida internacionalmente, contudo, os acordos firmados com outros
países eram sempre desvantajosos, o que impossibilitava que sua política fiscal –
sua maior fonte de arrecadação – lhe permitisse obter recursos financeiros. O
período imperial foi marcado por uma série de desequilíbrios fiscais e para
equilibrar sua balança, o governo se valia de tarifas alfandegárias sobre produtos
importados. O objetivo principal era minimizar os déficits e como segundo efeito,
criava-se uma barreira para produtos vindos de fora, de modo que protegia a
indústria nacional.

Em 1880 foi criada a Associação industrial, com a finalidade de defender a


obtenção de incentivos industriais. Sobre o período que vai até 1889, Caio Prado
Junior, em história econômica do Brasil (1978) diz que

“Depois de seus modestos princípios, a indústria brasileira terá seu primeiro surto
apreciável no último decênio do império (1880-89) coincidindo com esta fase já
assinalada de geral recrudescimento das atividades dos país. O número de
estabelecimentos industriais, de pouco mais de 200 em 1881, ascende no último ano
da monarquia para mais de 600. O capital invertido sobe então a 400.000 (cerca de
25 milhões de libras), sendo 60% na indústria têxtil, 15% na de alimentação, 10%
na de produtos químicos e análogos, 4% na indústria de madeira, 3 ½ na de
vestuário e objetos de toucador e 3% na metalurgia. ” (PRADO, JÚNIOR, 1974,
p.197).

Após a proclamação da república, em 1889, identifica-se que

“Entre 1890 e 1895 serão fundadas 425 fábricas, com inversão de mais de 200.000
contos, isto e, 50% do total invertido no começo do período. Segue-se a fase de
grande crise financeira, em que o surto industrial é paralisado. (PRADO,
JÚNIOR, 1974, p.197)”

Esse aumento na atividade industrial se mantém, de modo que dados oficiais do


senso de 1907 apontam que no país existiam 3.258 estabelecimentos industriais,
número que subiu para 9.475 em 1912 e saltou para 13.336 em 1920 (IBGE). Os
sensos seguintes apontam que em 1907 haviam 3.258 estabelecimentos industriais,
esse número aumentou para 9.475 em 1912 e em 1920 era de 13.336. Contudo, o
IBGE ressalta que há problemas conceituais que dificultam a distinção de
indústria e pequenas oficinas.
A dificuldade de definir industrialização no período anterior a 1930 é identificada
por Hees (2011, p.102), onde o autor cita que há uma multiplicidade de acepções
acerca do conceito de indústria dificultando uma definição sobre o que é
industrialização, a qual na literatura acaba sendo confundida com crescimento
industrial.

Neste trabalho, foi adotado o conceito de industrialização como início das


atividades manufatureiras discutido por Suzigan:

“Se por industrialização entendemos simplesmente o início das


atividades manufatureiras no país, então, ela começou antes da
década de 30. Se pensarmos no desenvolvimento industrial como um
processo endógeno que torna o capital industrial predominante no
processo global de acumulação de capital, e por fim caracteriza a
economia como economia industrial, então foi somente na segunda
metade dos anos 50 que ele se iniciou, quando o Estado e as empresas
multinacionais desenvolveram a importante indústria de bens
intermediários pesados, a indústria de bens de capital e de bem de
consumo durável. Isto coincide com a implementação, pela primeira
vez, de uma política deliberada de desenvolvimento industrial”
(1984, p. 8).

Assim, ao longo do período republicano a indústria aumentou consideravelmente


sua relevância econômica e política, o qual irá se intensificar no período de 1930 à
1950, quando chega ao pais as indústrias bens intermediários pesados, a indústria
de bens de capital e de bens de consumo duráveis.

3 FATORES QUE FAVORECERAM A EXPANSÃO DA INDÚSTRIA


NO BRASIL

O maior empecilho para a industrialização no Brasil, segundo Caio Prado, era a


deficiência de mercados consumidores, baixa ocupação demográfica e padrão de
vida ínfimo espalhados ao longo de um litoral de 6.000 km de extensão em
pequenos núcleos populacionais, sem meios de comunicação e transporte. Furtado
cita ainda a ausência de demanda para os bens de capital, corroborando Caio
Prado, visto que a demanda para produtos nacionais não era suficiente não era
estimulada.
Contudo, o cenário acima vai se modificando aos poucos. Embora não seja possível
precisar o momento exato, há eventos de extrema importância que devem ser
listados como fatores que favoreceram a expansão da indústria no Brasil, sendo:

· A abolição da escravidão e o fluxo imigratório de europeus e asiáticos que


proporcionam abundância de mão de obra e ao mesmo tempo criam um
mercado consumidor de proporções crescentes;

· Alto custo das manufaturas importadas, devido às altas tarifas


alfandegárias, além disso, as desvalorizações no poder aquisitivo externo da
moeda reduziam o poder de compra dos consumidores nos produtos
importados, de modo que estes aumentam a demanda por produtos internos;

· Produção local de matéria prima, principalmente do algodão, o que explica


as primeiras manufaturas serem do setor têxtil;

· Os ganhos constantes auferidos pela política de valorização do café


favoreceu a formação e acumulação de capital;

· Segundo Milton Braga Furtado (1980) grande parte do capital cafeeiro


passou a ser reinvestido em outros setores de atividades, como companhias de
estradas de ferro, bancos, sociedades comerciais e estabelecimentos fabris,
cujos lucros foram reinvestidos na aquisição de máquinas e equipamentos que
permitiram transformar atividades artesanais em manufaturas e estas em
industriais.

· Em 1929, com a crise mundial, o café começa a perder a rentabilidade, e as


inversões do capital acumulado, que antes eram para ampliar as plantações,
tem parte investidas na indústria, transformando o capital agrário em capital
industrial.

Assim, embora o café continuasse sendo uma das principais receitas de


exportação (havia também o açúcar, couro, fumo e o algodão), a soma dos
fatores citados fazem com que o café aos poucos dê lugar à indústria,
deslocando o centro dinâmico da economia.

4 A RELAÇÃO DA ATIVIDADE CAFEEIRA COM A ATIVIDADE


INDUSTRIAL
Desde o início da colonização, a economia brasileira era caracterizada por ser uma
economia agroexportadora e esse perfil econômico depende de condições
favoráveis no mercado internacional para ter um bom desempenho. Sendo assim,
possui uma alta vulnerabilidade tanto do lado da oferta, a qual está sujeita a
condições naturais para ter uma boa produção, quanto da demanda que está
sujeita a crises, guerras, etc. Além disso, sendo a principal atividade do país, seu
desempenho influência diretamente em outros setores da economia que se
desenvolvem em função da agroexportação.

A crise de 1929 é identificada, também, como um cenário econômico de


superprodução estrutural, sabe-se que outros fatores influenciaram o desencadear
da crise, porém nesse trabalho será ressaltado o problema que houve no excedente
de oferta. Segundo a lei da oferta, quando há uma maior produção do que a
demanda consegue absorver, há uma queda no nível geral dos preços e uma
formação de excedente de produção. Foi esse quadro que se estabeleceu em 1929,
gerando uma queda brusca no preço do café internacional, o lucro dos produtores
nacional caiu assim como o nível de investimento e de empregos.

No Brasil, as práticas intervencionistas adotadas pelo governo Vargas, após a


revolução de 30 permitiram que o país pudesse se recuperar da crise rapidamente,
as principais políticas foram a manutenção da renda e o deslocamento da
demanda. A manutenção da renda acontecia devido a compra do excedente da
produção do café, que permitia a manutenção dos empregos diretamente e
indiretamente ligados a ela, isso garantia o nível da demanda agregada. Essa
política de compra e estocagem do café, segundo Furtado acontecia devido a
expansão do crédito, a qual foi financiada com crédito do Banco do Brasil (banco
oficial da época), emissão de moeda e imposto sobre exportação.

Ao mesmo tempo, acontecia o deslocamento da demanda devido à desvalorização e


restrição cambial que tornava os importados caros, estimulando os consumidores a
substituírem o produto importado pelo nacional o que possibilitava um aumento
da rentabilidade da indústria, atração de investimentos e consequentemente um
deslocamento do centro dinâmico da exportação para o investimento na atividade
industrial.
O conjunto dessas ações, direcionaram o consumo de produtos nacionais,
fomentando a demanda interna, e assim, a agroexportação deixou de ser o único
elemento decisivo no nível de produção da economia. Para Furtado (1963), isso
significou um “deslocamento do centro dinâmico”, ou seja, o eixo principal da
economia deixa de estar nas exportações e volta-se para o fomento do mercado
interno com investimento, a partir de 1933, na indústria de bens de capital:

“Contudo, o fator dinâmico principal, nos anos que se seguem à


crise, passa a ser, sem nenhuma dúvida, o mercado interno. A
produção industrial, que se destinava em sua totalidade ao mercado
interno, sofre durante a depressão uma queda de menos de 10 por
cento, e já em 1933 recupera o nível de 1929. A produção agrícola
para o mercado interno supera com igual rapidez os efeitos da crise.
É evidente que, mantendo-se elevado o nível da procura e
represando-se uma maior parte dessa procura dentro do país,
através do corte das importações, as atividades ligadas ao mercado
interno puderam manter, na maioria dos casos, e em alguns
aumentar, sua taxa de rentabilidade. Esse aumento da taxa de
rentabilidade se fazia concomitantemente com a queda dos lucros no
setor ligado ao mercado externo. Explica-se, portanto, a preocupação
de desviar capitais de um para outro setor. As atividades ligadas ao
mercado interno não somente cresciam impulsionadas por seus
maiores lucros, mas ainda recebiam novo impulso ao atrair capitais
que se formavam ou desinvertiam no setor de exportação. ”
(Furtado,2000, p. 210)

Pode-se visualizar, de forma mais didática esse “deslocamento do centro


dinâmico”, a partir da Equação Keynesiana:
Ø Deslocamento: Y(PIB) = C + I + G + X – M

Y(PIB) = C + I + G + X – M
A crise no Brasil foi rapidamente superada devido a essas ações heterodoxas de
Vargas baseadas na manutenção da renda e deslocamento da demanda, a partir
dessas políticas pode-se perceber a intensificação do processo industrial brasileiro.
Cabe aqui ressaltar que não há unanimidade na literatura quanto a orientação da
política empregada no governo Vargas, segundo Bastos:

“As opiniões sobre a política macroeconômica a qualificam entre os


pólos da ortodoxia (contração do crédito e do gasto público, defesa
do valor interno e externo da moeda) e da heterodoxia
(expansionismo e reflação de preços). Por sua vez, os motivos
mencionados para a adesão à ortodoxia ou à heterodoxia oscilam
entre o apego a orientações doutrinárias ou, ao contrário, a cálculos
pragmáticos. Os que opinam pela hipótese de conversão à
heterodoxia, por sua vez, a tomam entre os pólos da consciência
intencional e da inconsciência oportuna” (2010, p.3)

5 A POLÍTICA ECONÔMICA ADOTADA NO PERÍODO E SUA


RELAÇÃO COM O PROCESSO INDUSTRIAL

Até 1929, o país estava nas mãos de uma oligarquia rural, no que ficou
denominada política do café com leite, onde representantes dos estados de São
Paulo e Minas Gerais se revezavam no poder, garantindo a manutenção de
políticas que os beneficiasse. A única intervenção do estado na economia, nesta
época, era a manutenção das políticas de sustentação dos preços do café para
manter o centro dinâmico da economia funcionando.

Em 1930, uma revolução leva ao poder Getúlio Vargas, quebra o ciclo da política
adotada desde o início da república, polarizando o poder e tratando de assuntos
que atendessem os interesses gerais da nação. Segundo Suzigan, houve um
abandono do liberalismo econômico anterior e passa-se a adotar políticas de
proteção da indústria interna, o que favoreceu a classe industrial ascendente, bem
como a política de valorização do café, garantindo renda e emprego do setor
exportador e também da economia que se desenvolveu em função deste.
Após a revolução de 30 e com a crise iniciada nos Estados Unidos que se repercutiu
mundialmente, inicia-se um momento de mudança estrutural na economia
brasileira, como dito anteriormente, o modelo agroexportador é gradativamente
substituído e ocorre a industrialização. Nesse ponto da literatura encontra-se duas
principais vertentes teóricas que sobre o crescimento da indústria brasileira,
(embora para Wilson Suzigan existem quatro interpretações principais a respeito
do desenvolvimento industrial brasileiro, neste trabalho iremos destacar apenas
duas): A Teoria dos Choques Adversos e a Teoria da Industrialização Incipiente.

A Teoria dos Choques Adversos, entende que a industrialização surge


impulsionada por crises no setor exportador, causadas por guerras ou transtornos
econômicos internacionais, esses “choques adversos, afetam a economia nacional
impondo dificuldades à exportação. Para Celso Furtado, a crise do café e a Grande
Depressão dos anos 30 seriam fundamentais para o crescimento industrial a partir
do modelo de substituição de importação. Ou seja, a indústria nacional teria
surgido como resposta à crise na exportação do café, a qual levou o governo a
adotar medidas para desenvolver o mercado interno, benefício da indústria
nacional e deslocamento da demanda para os produtos nacionais produzidos à
época.

Ainda que o setor exportador tenha deixado de ser o eixo principal da economia e
o investimento na indústria tenha ganhado representatividade, nas palavras de
Wilson Suzigan, o setor industrial ainda dependeria da exportação para seu
desenvolvimento:

“Com a crise do setor exportador e a Grande Depressão da década


de 1930, a ligação entre a expansão do setor exportador e o
crescimento industrial foi rompida, embora o setor industrial
permanecesse dependente do setor exportador quanto à geração de
capacidade para importar as máquinas e equipamentos necessários
aos investimentos industriais e insumos para a produção industrial.
Iniciou-se, então, um processo de industrialização substitutiva de
importações, o qual acelerou a diversificação da estrutura
industrial” (Suzigan, 2000, p. 76).
A Teoria da Industrialização Incipiente ou Teoria da Industrialização promovida
pela expansão das exportações, surge como uma crítica a primeira. Essa teoria
defende que a industrialização surgiu induzida pelas exportações, ou seja, o bom
desempenho do setor exportador estimulou o mercado consumidor interno e
gerava divisas necessárias para importação de máquinas e equipamentos para o
investimento industrial. Para Peláez “a recuperação da economia brasileira
repousou sobre fatores externos, tanto diretos, mediante o balanço de pagamentos,
como indiretos, através do efeito que tiveram sobre o déficit orçamentário, em
virtude da queda das importações, sendo a importância
Deles, nesse período, tão grande quanto a que tiveram, em outros. ” (1968, p. 36)

Embora aparente oposição, pode-se notar uma complementação entre as duas


teorias, na explicação da industrialização no Brasil. A inversão do capital para o
setor industrial surgiu da poupança dos produtores cafeeiros, porém enquanto a
atividade cafeeira gerava uma renda, ainda que altamente concentrada para a elite
produtora, não havia incentivos para investimentos em outras atividades. Então
pode-se observar o conceito da teoria dos choques adversos, afinal quando a crise
no mercado internacional mostrou a vulnerabilidade da atividade cafeeira voltada
para o setor externo, os capitais se inverteram para outros setores, levando ao
aumento da capacidade produtiva já instalada.

Na visão de Furtado, esse aproveitamento mais intenso foi o fator mais importante
na fase da expansão produtiva, “bastaria citar como exemplo a indústria têxtil,
cuja produção aumentou substancialmente nos anos que se seguiram à crise sem
que sua capacidade produtiva tenha sido expandida. ” .(2000, p. 210)

6 METODOLOGIA

A metodologia presente nesta pesquisa divide-se em dois eixos, uma dimensão


histórica e uma dimensão econômica. A partir de pesquisas feitas através de
artigos científicos, livros e ensaios publicados em revistas, infere-se o contexto
histórico-econômico em que aconteceu a industrialização na era Vargas na década
de 30.
O desenvolvimento do trabalho percorre os principais ciclos econômicos até chegar
na mudança do eixo dinâmico econômico, onde deixa-se de ter uma economia
voltada para fora e passa-se ter uma economia voltada para o desenvolvimento do
mercado interno. Neste trabalho, examinou-se dados qualitativos sobre fatos
históricos e fatos econômicos encontrados na revisão da bibliografia, a qual tornou
possível um embasamento teórico afim de responder as perguntas levantadas.

7 CONCLUSÕES

8 REFERÊNCIAS

BASTOS, Pedro Paulo Zahluth. Ortodoxia e heterodoxia antes e durante a era


Vargas:contribuições para uma economia política da gestão macroeconômica nos
anos 1930. Texto para Discussão. IE/UNICAMP, Campinas, n. 179, junho 2010

SILVA, Raul Mendes et al. Getúlio Vargas e seu tempo. BNDES, 2004..

FURTADO, Celso; IGLÉSIAS, Francisco. Formação econômica do Brasil. Editora


Universidade de Brasília, 1963.

HEES, Felipe. A industrialização brasileira em perspectiva histórica (1808-1956).


Em tempo de histórias, n. 18, p. 100-132, 2011.

JÚNIOR, Caio Prado. História econômica do Brasil. Editora brasiliense, 1978.

IBGE
<http://seriesestatisticas.ibge.gov.br/series.aspx?no=8&op=0&vcodigo=IND03101
&t=estabelecimentos-industriais-datas-inqueritos-industriais-censo> acesso em 24
de maio de 2017

DE MELLO, João Manuel Cardoso. O capitalismo tardio. UNESP, 2009.

SUZIGAN, Wilson. Notas sobre o desenvolvimento industrial e política econômica


no Brasil na década de 30. Revista de economia política, v. 4, n. 1, p. 132-143, 1984.

Suzigan, Wilson. Indústria brasileira: origem e desenvolvimento. São Paulo:


Hucitec, 2000.

FURTADO, Milton Braga. Síntese da economia brasileira. Livros Técnicos e


Científicos Editora, 1980.

PELÁEZ, Carlos Manoel. A balança comercial, a grande depressão e a


industrialização brasileira. Revista Brasileira de Economia, v. 22, n. 1, p. 15-47,
1968.