Você está na página 1de 8

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ

INSTITUTO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS


FACULDADE DE GEOGRAFIA E CARTOGRAFIA

RESENHA:
A partir das analises retiradas do Brasil Território e Sociedade no Século XXI.

BELÉM/PA
2013
DISCENTES

ALEX MARIANO - 11035000901


ELIVELTON SOUSA - 11035002101
EVALDO FERREIRA - 11035004201
JOELSON NASCIMENTO – 11035003101
MAYARA MARIANO – 11035001901
RODRIGO SARAIVA - 11035001501

RESENHA:
A partir das analises retiradas do Livro A Era dos Extremos de Erick Hobsbawn

Trabalho orientado pelo


Professor Msc. Jovenildo Cardoso
Rodrigues que constará como quesito
de avaliação parcial junto ao
Seminário da Disciplina Geografia
Regional do Brasil.

BELÉM/PA
2013
REFERÊNCIA

SANTOS, Milton. SILVEIRA, Maria Laura. O Brasil: território e sociedade no início do


século XXI. Ed: 16ª – Rio de Janeiro: Record, 2012.

SANTOS, Milton. Metamorfoses do Espaço Habitado: Fundamentos Teóricos e


Metodológicos da Geografia. 6. Ed. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2008.

SANTOS, Milton. A Natureza do Espaço. Técnica e Tempo. Razão e Emoção. São Paulo:
Hucitec, 1996, 308 p.

RESENHA

Hoje vivemos num mundo confuso e raramente percebido, de um lado é mostrado o


extraordinário progresso das ciências das técnicas, das quais um dos frutos são os novos
materiais artificiais que autorizam a precisão e a intencionalidade, de outro lado há também
referência obrigatória à aceleração contemporânea, a começar pala própria velocidade. São
dados físicos fabricados pela sociedade.

Com a globalização e por meio das experiências nas observações da


universalidade que ela possibilitou, estamos mais perto de construir uma filosofia das técnicas
e das ações correlatas, que seja também tomado como um todo e das particularidades dos
lugares, que incluem condições físicas, naturais, artificiais e condições políticas. As empresas
buscam esse lucro incansavelmente e de forma intensa. Não é qualquer lugar que interessa ao
capital, o conhecimento do planeta constitui um dado essencial à operação das empresas e à
produção do sistema histórico atual, ou seja, a materialidade do território é reordenada com
maior ou menor fluidez do capital, processo de hierarquização e seletividades dos lugares, é o
uso do território que nos interessa, para a análise da formação sócio espacial e toda da sua
complexidade, heterogeneidade e a sua dinâmica social, econômica, política, cultural. A luta
constante entre o espaço vivido, (identidade, lugar) e espaço da dominação da imposição do
capital, descolado dos interesses da população local, e apenas para usar o território, como
forma de obtenção de ganhos, lucros e rentabilidade.

Para definirmos qualquer pedaço do território, temos que levar em conta a


interdependência e a inseparabilidade entre a materialidade, que incluem a natureza, e o seu
uso, que inclui a ação humana, isto é, o trabalho e a política, ou seja, o território vivo,
vivendo, considerando sempre os fixos e os fluxos. O território revela também as ações
passadas e presentes, tal encontro modifica a ação e o objeto sobre o qual ela se exerce, sendo
entendidas de forma conjunta, as configurações territoriais é o conjunto dos sistemas naturais,
herdados por uma determinada sociedade, dos sistemas de engenharia e culturais
historicamente estabelecidos, são apenas condições, sendo assim o espaço é sempre histórica,
sua historicidade deriva da conjunção entre as características da materialidade territorial e
características das ações.

O período atual tem como base a união entre ciência e técnica, cujo uso é
condicionado pelo mercado, sendo seletivas. Dentro de cada país, sobretudo os mais pobres,
informação e dinheiro mundializados acabam por se impor como algo autônomo face à
sociedade e, mesmo à economia, tornando-se um elemento fundamental na produção, e as
mesmo tempo da geopolítica, isto é das relações entre países e dentro de cada nação. O
mundo se torna fluido, graças à informação, e ao dinheiro, todos os contextos se intrometem e
superpõem, corporificando o global, no qual as fronteiras se tornam porosas para o dinheiro e
a informação. A política agora é feita pelo mercado e no mercado, e não pelas questões
sociais da população do lugar. As áreas são subordinadas a lógicas distantes, externas e
definem as hierarquias dos espaços do mandar e do fazer, definindo como o território vai ser
usado ou como está sendo usado, este é o método de análise, sobre a formação sócia espacial
do Brasil que o autor Milton Santos propõe investigar.

O território é o chão e mais a população, isto é, uma identidade, o fato e o


sentimento de pertencer àquilo que nos pertence, sendo à base do trabalho, da residência, das
trocas materiais e espirituais e da vida, falar em território é está falando em território usado.

CAPÍTULO XI: O território brasileiro: do passado ao presente.

Primeiramente, o território foi sendo alvo do domínio de Portugal e logo em seguida já


nas mãos do povo brasileiro, nos primeiros quatros séculos desde a descoberta do Brasil
lembrando as constantes modelações que o território brasileiro foi sofrendo com as conquistas
das áreas. Apenas no século XX houve um período de estabilidade. Dá-se um destaque ao
Brasil como um território fisiografia é diferenciado, devido à variedade de sistemas naturais,
que condicionavam a vida. Aqui presentes no país, porém diferenciadas em relação às regiões.
Imbricando nos ciclos econômicos (que era o café no sudeste; cana de açúcar no nordeste, e a
borracha na Amazônia, o que vem a lembrar a Belle Époque). No entanto, o território foi
sendo conquistado e, consolidada a dominação na metade do século XX, contudo havendo
ainda algumas descontinuidades referentes a alguns lugares na Amazônia. Destaca-se também
a questão da herança, onde se tem como presença humana e econômica no passado, uma
influência no mosaico das regiões que hoje constitui a formação sócia territorial brasileira.

Pelo menos em três séculos, vem a acontecer um povoamento mais denso do território,
sem uma contribuição dos recursos das técnicas; Onde as condições naturais tinham que
fornecer as respostas ao homem para quase tudo, e com as facilidades vindas da natureza, o
homem acabou que consolidando algumas áreas de densidade e de rarefação (sendo já um
contraponto aos condicionamentos naturais). Lembrando sempre que já existiam aí as
técnicas, porém escassas, tanto no Brasil quanto no âmbito global, e quando vai se ter a
difusão, expansão das maquinas a partir da atividade canavieira, teremos a inauguração de um
novo período.

Referente à questão da indústria, para a sua introdução no Brasil foi necessário alguns
fatores, como a relação com áreas concentradas de população; Ela vai estar na Bahia (devido
ser o primeiro centro do poder politico do país, 1ºcapital); Pernambuco (onde se teve um
período econômico florescente com o ciclo da cana-de-açúcar) e Rio de Janeiro e São Paulo
com articulações e a economia vencedora do café. Assim, entra também a questão de uma
desconexão territorial, onde os transportes eram deficitários para a introdução da economia no
interior do país, implicando em um problema de conexão industrial entre as regiões e
futuramente no consumo. Isso vai fazer com que haja apenas uma conexão industrial
econômica na região sul-sudeste, dando destaque ao eixo Rio-São Paulo, onde se foi alvo de
infraestrutura (estradas, ferrovias), e foi sendo uma área de acumulação industrial e
desenvolvimento. Depois, São Paulo passa o Rio de Janeiro devido à maneira diferente como
se organiza a sua zona de influência, devido ter uma hinterlândia próspera e outros fatores
como o crescimento da população urbana e da cidade; Ficando claro que devido a maior
mobilidade neste eixo, vai se ter uma região concentrada, dificultando uma integração
econômica em um âmbito maior com o resto do país, devido a uma falta de maiores politicas
integracionistas. Ao que se pode perceber o Brasil passou por diversos processos de
transformação, claro há uma revolução dos processos das técnicas dinamizadas desde um
processo anterior do Brasil agro produtor/exportador, onde o uso da “técnica de produção” se
baseava em grande parte para exportação, que afetava diretamente o lucro caso algo saísse dos
seus conformes.
A partir do período entre Guerras, dando ênfase para a 2ª Guerra Mundial houve um
despertar de inovações não apenas tecnológicas, mas também na lógica de gestão e mediação
de funções no espaço, a questão do encurtamento das distâncias se torna foco central das
perspectivas do planejamento para uma unificação dos territórios, criou-se uma política de
desenvolvimento contundente e a criação de Brasília como eixo polarizador de todo poder que
emanava do território nacional, era uma mostra da capacidade de articulação espacial. Cria-se
um embate entre unificação do território e unificação do mercado, surge a mídia com papel
catalisador para criação de uma atmosfera agradável ao passo das intervenções que o governo
realizava em meio as dinâmicas de modificação do espaço, além disso, a mídia se mostrou
uma boa articuladora para assuntos políticos. Ao se falar em globalização pensa-se em algo
diferente, novo, espontâneo, porém este por vezes se apropria dos restos do passado,
modificado e acrescentando, caracterização um novo tempo. O que agrava também as
diferenças e disparidade, devidas em parte ao novo dinamismo e a outras formas de comando
e dominação. Que inicia nos anos 70 com a dispersão no território de industrias dinâmicas, de
uma agricultura moderna e dos setores de serviços. A Região concentrada, em especial
Sudeste e em São Paulo. Com a globalização são instalados numerosos nexos extravertidos,
na medida em que havia a política econômica deixando de privilegiar o mercado interno, a
necessidade de exportar conduz a uma lógica competitiva que vai privilegiar relações externas
comandadas pelas empresas globais responsáveis pela demanda. Na medida em que, como
mercado chamado global, cada empresa busca satisfazer-se nos lugares onde as respostas aos
seus reclamos são mais adequadas, tal demanda é erradica e o território passa a ter, nas áreas
atingidas por esse tipo de relações, uma dinâmica praticamente imprevisível no próprio lugar
em que se exerce e que é também. Já que precisa ter correspondência com os interesses da
sociedade local e nacional. Novas formas de compartimentação do território ganham relevo e
são capazes de impor distorções ao seu comportamento: são as novas caras da fragmentação
territorial.

CAPITULO XII:

As novas desigualdades territoriais na atualidade apresentam um maior número de


variáveis, e essa gama de situações são difíceis classificação. Deste modo é necessário fazer
um somatório, das características naturais herdadas, as modalidade da materialidade no meio
geográfico, as diferenças de densidades, as heranças e as formas de impacto do presente, antes
de construir uma ideia abrangente.
As características morfológicas acabam não abrangendo o dinamismo de cada parcela
do território. Deste modo é necessário buscar nas características, como zona densidade e de
rarefação, a fluidez e a viscosidade do território, os espaços de rapidez e de lentidão, bem
como os espaços luminosos e os opacos, antes de iniciar a discussão acerca dos espaços que
mandam e aqueles que obedecem e nesta linha buscando analisar as novas lógicas centro -
periferia.

Pensar o território é pensar as zonas de densidade e de rarefação. O território por


apresentar diferentes densidades quanto às coisas, aos objetos, aos homens, aos movimentos
das coisas, dos homens, das informações e do dinheiro e também das ações. Entretanto, as
densidades que se materializam encobrem processos históricos que explicam melhor do que
os algarismos. É necessário resgatar a história sobre a ótica do presente e considerando as
possibilidades futuras. Embora seja outra característica imprescindível, a circulação, maior
circulação dos homens, dos produtos, mercadorias, do dinheiro, da informação - daí a
necessidade de pensar em sistemas de engenharias que facilitem esses movimentos. Esse
movimento é interessante do ponto de vista da divisão do trabalho internacional, ou
continental. Há algumas ponderações a ser questionadas do ponto de vista de extensão
territorial e com os países com grandes disparidades regionais e de renda, nesse caso o
processo de criação de fluidez é seletivo e não igualitário. Além disso, somasse a esse debate
os espaços de rapidez e de lentidão, muitas das vezes confundida com a ideia dos espaços do
mandar e do fazer, do mandar e obedecer. Para além da materialidade implicada nos bens de
consumo e serviços, relações sociais – fruto das atividades econômicas e socioculturais, e da
divisão do trabalho – no que se refere a questão regional seja como for, a preocupação é saber
pra quem serve ser ‘rápido’ ou ‘lento’ e ao mesmo tempo identificando as consequências
econômicas sociais, políticas desses espaços. Contudo, é necessário reconhecer os processos
reguladores e suas espacializações geográficas ao longo do globo.

Os autores definem como espaços luminosos são os que mais acumulam densidades técnicas e
informacionais, atraindo, portanto, atividades de maior conteúdo de capital, tecnologia e
organizacional. Diferenciando-se dos espaços opacos os quais são isentos de tais
características São os espaços obedientes aos interesses das empresas território da rapidez
reflete o mandar e o da lentidão o fazer. O primeiro comanda o território como um todo. O
segundo obedece. A rapidez envolve mais veículos, transportes públicos e do ponto de vista
social intensifica a vida de relações econômica e sócio cultural.
São essas características do território que influenciam e geram o novo lógico centro-
periferia. Periodizando a historia do território no Brasil os autores os afirmam tendo como três
momentos; O primeiro com um Brasil centralizador e com fraca capacidade de controle do
território e com economia fragmentada. Num segundo momento com o Brasil unificado onde
a indústria é o fator dinâmico e a construção nacional é o objetivo. Já o terceiro momento é o
qual vivenciamos nos dias de hoje, mas que teve inicio com o processo de globalização.

A partir desse momento da história os autores então propõe uma divisão regional
baseada na difusão diferencial do meio técnico- cientifico -informacional e nas heranças do
passado reconhecendo assim a existência de quatro Brasis nas quais corresponde uma região
concentrada, representada agora pelo Sudeste e Sul do país, região com alta densidade técnica
e científica que tem em São Paulo seu maior polo; uma região que corresponde ao Nordeste
brasileiro, de povoamento antigo, mecanização pontual, com quadro sócio espacial engessado
como é o caso das áreas irrigadas do Vale do São Francisco, que podem possibilitar fraturas
na história social da região com mudanças profundas nos papeis econômicos e políticos de
grupos e pessoas e também de lugares. O Centro-Oeste, com ocupação periférica porem
criando um meio técnico, científico e informacional, Agricultura moderna que tem suas
necessidades pautadas na produção da soja e do milho e a Amazônia, sobre quem se tem um
conhecimento moderno contrastando com sua ocupação rarefeita. Nela vivem lado a lado o
sistema do movimento rápido/moderno e o sistema do movimento lento. Suas cidades,
especialmente Manaus, são lugares de confluência e o traço de união com o mundo. Elas
mantêm relações lentas, esgarçadas e tardias com o seu hinterland. O fenômeno da
urbanização se dá então de forma e níveis diferentes em todas as áreas do país devido às
diversas modalidades do impacto da modernização no território. Algumas regiões apresentam
maior receptividade aos novos fenômenos a urbanização é o caso do Centro-Oeste e mesmo a
região Amazônia mantendo uma alta taxa de urbanização. Já outras realidades como o
nordeste se mostram com maior resistência aos processos de inovação tecnológica. O Sudeste
é a região com os mais elevados níveis de urbanização e crescimento econômico. Já a região
Sul o desenvolvimento urbano se deu mais rápido por reunir condições favoráveis a sua
expansão.