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Republica velha

A República Velha também é conhecida como Primeira República e se estende de


1889 até 1930, quando Getúlio Vargas, através de um Golpe de Estado inicia um novo
período político.

A política de sucessão presidencial dará ainda outra denominação ao momento inicial


da República Brasileira, conhecida como política do café com leite. Nesse acordo,
centros econômicos do país ditavam a ocupação da presidência. Enquanto São Paulo e
sua agricultura cafeeira ocupava a presidência em um pleito, no próximo seria a vez de
Minas Gerais representada pela economia do gado leiteiro. Minas Gerais e São Paulo
por serem nesse momento os dois polos econômicos do Brasil forjavam as lideranças
nacionais, mantendo, porém, acordos com outros Estados para que essa dinâmica
política e econômica não fosse quebrada.

Esse grande acordo mantinha o controle político do Brasil nas mãos daqueles que
controlavam também a economia. Assim, os interesses das classes dominantes
estavam sempre em voga frente às classes menos abastadas. Essa dinâmica política
será rompida com a Revolução de 1930. Assumindo a presidência do Brasil no lugar de
Júlio Prestes, eleito com o apoio do então presidente Washington Luís, Getúlio Vargas
dá inicio ao período conhecido como Era Vargas.

Na Constituição de 1891 a República rompe de vez com a dinâmica de Estado Imperial.


Ao definir o Estado como laico, deu fim ao Padroado e à união de Estado e Igreja
Católica. A República garante em sua Carta Magna as diretrizes sociais que adota, no
entanto, apesar de prever a Liberdade de Religião, o Código Penal condena crenças
como o Espiritismo e as religiões afrodescendentes.Se a passagem do Império para a
República foi quase um passeio, os anos que se seguiram ao início da República foram
de grande agitação social. Movimentos insurgentes como a Revolução Federalistado Rio
Grande do Sul e Guerra de Canudos no Sertão da Bahia marcam o inicio da República
por sua violência no combate aos seus opositores.

O Presidente Marechal Deodoro da Fonseca renuncia em 1891 após a política econômica


de encilhamento dar errado. A proposta empreendida por Rui Barbosa, Ministro da
Fazenda do governo provisório permitia o aumento na emissão de papel moeda gerando
uma grave crise econômica.

Entre os 11 presidentes eleitos no período da Primeira República, um não chegou à


posse por ocasião de morte, Francisco de Paula Rodrigues Alves morreu de gripe
espanhola antes de sentar à cadeira de presidente e foi substituído por seu vice Delfim
Moreira da Costa Ribeiro. Já Afonso Augusto Moreira Pena morreu durante mandato e
foi substituído por Nilo Procópio Peçanha.
Republica da espada

República da Espada é o nome que se dá ao período inicial da República no Brasil (entre 1889 e 1894). Ganhou
este nome, pois o Brasil foi governado por dois militares neste período: Marechal Deodoro da Fonseca e Floriano
Peixoto.

Características gerais principais:

- Ações voltadas para a transição do regime monárquico para o republicano;

- Instalação e consolidação das instituições da República como, por exemplo, o sistema eleitoral;

- Adesão aos ideais do positivismo;

- Estabelecimento do Estado Laico (separação entre o Estado e a Igreja);

- Manutenção das oligarquias agrárias no poder, principalmente dos cafeicultores da região sudeste.
Foi estabelecido para garantir a transição da Monarquia para a República, formar um governo de transição e
resolver os problemas mais urgentes.

Principais medidas:

- Abolição das instituições da Monarquia;

- Anulação da Constituição de 1824;

- Convocação de eleições para uma Assembleia Constituinte.

Encilhamento

O encilhamento foi o nome que ganhou a política econômica do Ministro Rui Barbosa que visava o desenvolvimento
do Brasil, principalmente na área industrial. Esta política baseava-se na adoção de medidas protecionistas,
liberdade para a emissão de moeda por parte de bancos privados e facilidades para abertura de empresas de
capital aberto.

As medidas não deram certo e geraram uma grave crise econômica no país. O que se viu foi o aumento da
inflação, falências de empresas e o crescimento da especulação financeira.

A Constituição de 1891

A primeira constituição da República foi promulgada em 24 de fevereiro de 1891, ela apresentou as seguintes
características:

- Estabelecimento da República Federativa, composto por vinte estados (unidades da federação), possuidores de
certa autonomia;

- Divisão da República em três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário;

- Manutenção da propriedade particular;

- Liberdade de pensamento e de associação;


- Criação de sistema eleitoral com as seguintes características: era aberto (não secreto) e não tinham direito ao
voto as mulheres, menores de 21 anos, mendigos, analfabetos, soldados e padres.

Governo Constitucional de Deodoro da Fonseca (1891)

Após o fim do período provisório, Deodoro da Fonseca se manteve no poder com apoio dos militares, cafeicultores
e políticos que representavam as oligarquias agrárias do país. Porém, foi um período muito conturbado e de
grande pressão política. A crise econômica era grande e os militares deixaram de dar apoio ao governo após este
fechar o Congresso, desrespeitando a Constituição, e convocar novas eleições. Com pouco apoio político, Deodoro
renunciou em 23 de novembro de 1891.

Governo Floriano Peixoto (1891 a 1894)

De acordo com a Constituição, se um presidente não completasse dois anos de mandado, ao renunciar, deveriam
ser convocadas eleições presidenciais. Porém, o marechal Floriano Peixoto assumiu o poder e não convocou
eleições.

Seu governo foi marcado por:

- Enfrentamento de revoltas como, por exemplo, A revolta da Armada (1893) e a Revolução Federalista no Rio
Grande do Sul (1893);

- Adoção de medidas populares: redução dos valores dos aluguéis, redução de imposto sobre a carne, construção
de casas populares;

- Forma de governar marcada pelo nacionalismo;

- Medidas econômicas protecionistas, visando proteger a nascente indústria brasileira.

Os presidentes da República foram:

 1889-1891: Marechal Manuel Deodoro da Fonseca;


 1891-1894: Floriano Vieira Peixoto;
 1894-1898: Prudente José de Morais e Barros;
 1898-1902: Manuel Ferraz de Campos Sales;
 1902-1906: Francisco de Paula Rodrigues Alves;
 1906-1909: Afonso Augusto Moreira Pena (morreu durante o mandato)
 1909-1910: Nilo Procópio Peçanha (vice de Afonso Pena, assumiu em seu lugar);
 1910-1914: Marechal Hermes da Fonseca;
 1914-1918: Venceslau Brás Pereira Gomes;
 1918-1919: Francisco de Paula Rodrigues Alves (eleito, morreu de gripe
espanhola, sem ter assumido o cargo);
 1919: Delfim Moreira da Costa Ribeiro (vice de Rodrigues Alves, assumiu em seu
lugar);
 1919-1922: Epitácio da Silva Pessoa;
 1922-1926: Artur da Silva Bernardes;
 1926-1930: Washington Luís Pereira de Sousa (deposto pela Revolução de
1930);
 1930: Júlio Prestes de Albuquerque (eleito presidente em 1930, não tomou
posse, impedido pela Revolução de 1930);
 1930: Junta Militar Provisória: General Augusto Tasso Fragoso, General João de
Deus Mena Barreto, Almirante Isaías de Noronha.
A constituição de 1881

Em 1890, ainda durante o Governo Provisório, período entendido como aquele subsequente
a Proclamação da República em 15 de novembro de 1889, a República nascia como resultado de
um movimento de cúpula, isto é, sem participação popular. Uma espécie de “revolução feita
pelo alto” controlada desde os primeiros momentos pelos militares e pelas elites agrárias.

Dessa forma, o novo regime não se preocupou em promover mudanças, mesmo que superficiais,
na estrutura econômica do país. A grande propriedade rural monocultora e voltada para a
exportação foi mantida como base da economia e não foi feito nenhum esforço quanto a já
necessária reforma agrária.

Assim, ao mesmo tempo, conservou-se a estrutura política sustentada no período do


mandonismo dos coronéis do interior e das oligarquias agrárias. A exclusão social ainda estava
por toda a parte. Isto é, grande parte da população se sentia excluída da política e economia
nesta jovem República.

Importante também lembrarmos que durante a Primeira República, o voto não era secreto,
principalmente nas áreas rurais comandadas pelos coronéis. Entre a população votavam apenas
homens, maiores de 21 anos e alfabetizados que diziam seu voto em voz alta, dessa forma,
votando em quem preferia o coronel para não desagradá-lo, principalmente o povo mais pobre e
dependente do trabalho na terra dos seus mandantes. Enfim, as fraudes, tanto no campo como na
cidade, eram generalizadas.

Encilhamento
Entre 1890 e 1981, coma política econômica de Rui Barbosa, o aumento de dinheiro em
circulação provocação inflação e febre especulativa na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro. Essa
febre recebeu o nome de encilhamento, pois lembrava a jogatina das corridas de cavalo, que se
caracterizou por um surto inflacionário e aumentou o endividamento público.
Rebublica oligárquica

A República Oligárquica (1894-1930) se caracteriza pela alternância de poder entre as oligarquias


cafeeiras dos estados de Minas Gerais e de São Paulo.
Os presidentes desta época foram eleitos, na maioria das vezes, pelo Partido Republicano Paulista e o
Partido Republicano Mineiro.
A partir dos anos 30, alguns historiadores chamam esta fase de Primeira República, República dos Coronéis
ou República do Café com leite e ainda, República Velha.

Oligarquia
A palavra oligarquia vem do grego e significa “governo de poucos”. Assim, "oligarquia" designa um
governo que é dominado por um grupo de pessoas ou famílias que está unido pela mesma atividade
econômica ou partido político.
As oligarquias acabam formando grupos fechados rechaçam qualquer forma de pensamento diferente. Desta
forma, mesmo na democracia, é possível haver casos de governos oligárquicos.
Saiba mais sobre oligarquia.
República Oligárquica no Brasil
No Brasil, o período é identificado quando as oligarquias rurais dominavam o cenário político brasileiro.
Normalmente, os presidentes eleitos eram do Partido Republicano Paulista (PRP), do Partido Republicano
Mineiro (PRM). Esta prática era denominada política do café-com-leite em alusão as maiores riquezas
geradas por estes dois estados.
Também o Partido Republicano Rio-Grandense (PRR) teve importante papel nesta época. Este partido
buscava desequilibrar a balança entre esses dois estados, porém defendendo a oligarquia rural e as classes
urbanas gaúchas.
Importante ressaltar que, nesta época, não existiam partidos políticos nacionais como atualmente e sim,
partidos estaduais.
A exceção era o Partido Republicano Conservador (PRC) com partidários no Rio Grande do Sul e nos
estados do nordeste.
Apesar de não ter conseguido eleger nenhum presidente, este partido tinha no senador gaúcho Pinheiro
Machado seu grande representante na política brasileira.
O primeiro presidente civil eleito, após Marechal Floriano Peixoto, foi Prudente de Morais, apoiado pela
oligarquia cafeeira paulista.
Seu mandato durou de 1894 a 1898 quando foi substituído pelo também paulista Campos Salles, do Partido
Republicano Paulista.
Características da República Oligárquica

Os presidentes eleitos usavam sua influência política para beneficiar os cafeicultores e garantir sua
permanência no poder.
Deste modo era importante construir alianças estaduais como a Política dos Governadores e assegurar o
resultado eleitoral através da fraude. Esta prática ficou conhecida como Voto de Cabresto.
Os chefes locais que exerciam esta prática eram denominados coronéis, apesar de não estarem vinculados ao
Exército. Assim, esta política de conseguir votos pela força e troca de favores também é chamada de
coronelismo.

No entanto, a República Oligárquica não foi um período tranquilo na História do Brasil. Os grupos e
partidos que se encontravam fora do círculo do poder, como as classes urbanas, protestavam contra o
governo.
Podemos citar como exemplo a Revolta da Vacina, a Guerra do Contestado ou a Revolta do Forte de
Copacabana.
Igualmente, a crescente industrialização brasileira fazia com que empresários e operários passassem a
reivindicar mais direitos e espaço na vida política nacional.
Os trabalhadores lutavam pelos seus direitos através de greves e os donos de fábricas por meio de
associações empresariais.

Fim da República Oligárquica


O período da República Oligárquica se encerra quando Getúlio Vargas, candidato derrotado nas eleições de
1930, impede a posse de Júlio Prestes.
Com a Revolução de 1930 outros atores sociais entram no cenário político brasileiro modificando certas
formas de governar.
A politica do café com leite

Em 1889 o Brasil deixou de ser uma monarquia e a passou a ser uma República Federativa. Após
a proclamação da Repúblicaseguiram no poder dois presidentes militares, os marechais Deodoro da
Fonseca e Floriano Peixoto. Este breve período republicano ficou conhecido como República da Espada. Logo em
seguida foi eleito então o primeiro presidente civil da história republicana do Brasil, Prudente de Morais.

A história republicana brasileira começou marcada por acordos entre as elites das principais províncias do país,
Minas Gerais e São Paulo, naquela época as unidades da federação não eram chamadas de estados ainda. O fato
de o Brasil ter se tornado uma República Federativa permitiu que as províncias desfrutassem de maior poderio
político, sendo que este era diretamente representado pelo seu potencial econômico.
Na última década do século XIX, Minas Gerais e São Paulo eram as duas principais
províncias do país em termos econômicos. São Paulo já havia consolidado uma
situação independente do trabalho escravo de longa data, ainda em torno da metade
do reinado de Dom Pedro IIos cafeicultores da província já acreditavam que o uso de
mão-de-obra compulsória era algo ultrapassado e defendiam o trabalho
assalariado e também a utilização de imigrantes na fazenda para substituição dos
escravos. Essas características os tornavam contrários ao regime monárquico e
apoiadores do movimento republicano. Além disso, tais fatos tornaram a província de
São Paulo muito forte politicamente e também economicamente no início do período
republicano.

Minas Gerais, por outro lado, embora tenha demorado um pouco mais do que São
Paulo a acreditar que a mão-de-obra escrava não era mais vantajosa e
consecutivamente retardado a utilização da mão-de-obra assalariada de imigrantes,
era uma província de mesmo porte que São Paulo nas questões políticas e
econômicas. Além disso, ambas as províncias representavam os maiores currais
eleitorais da época, pois naquele momento o voto não era privilégio de todos,
somente dos alfabetizados, o que tornava mínimo o contingente da população
brasileira apta a votar.

Foi então que se estruturou oficialmente durante o governo do presidente Campos


Sales (1898-1902) a chamada Política do Café com Leite. De acordo com a
mesma, São Paulo, indicado como maior produtor de café do país, e Minas
Gerais, maior produtor de leite no país, uniriam suas forças políticas e econômicas
para controlar o cenário político brasileiro através de um revezamento de presidentes
no poder. Assim, ora seria um paulista e ora seria um mineiro. As pesquisas atuais
indicam que o motivo repetido por várias décadas como base para dar nome a tal
política não é bem fundamentado. Na verdade Minas Gerais também era um grande e
importante produtor de café e este superava inclusive a produção de leite.

Durante um longo período se revezaram na presidência políticos oriundos do Partido


Republicano Paulista ou do Partido Republicano Mineiro, ambos controlavam as
eleições, tinham o maior numero na bancada no Congresso Nacional e o maior curral
eleitoral. Suas articulações faziam com que contasse com o apoio de elites de outras
províncias do país. Para garantir o resultado das eleições da maneira desejada pelos
articuladores da Política do Café com Leite eram utilizadas ferramentas como
o coronelismo, o voto de cabresto e a política dos governadores. Naquela
época o voto não era secreto e os coronéis de cada região controlavam em quem as
pessoas iriam votar. Os coronéis davam seu apoio aos governadores, que apoiavam o
presidente e ambos permitiam a continuidade do poder dos coronéis. Assim se
formava um governo oligárquico, no qual só tinham acesso ao poder os que faziam
parte do grupo dominante.

A Política do Café com Leite chegou ao fim no governo do presidente Washington


Luís (1926-1930). Este era paulista e resolveu apoiar para a eleição seguinte outro
candidato paulista, Júlio Prestes, rompendo então com o pacto de revezamento entre
mineiros e paulistas. A medida causos descontentamento aos mineiros que se uniram
com os políticos do Rio Grande do Sul e lançaram outro candidato à presidência, mas
foram derrotados porque o grupo dos paulistas fraudou mais as eleições.
Rodrigues alves e campos sales

Campos sales Rodrigues alves

Francisco de Paula Rodrigues Alves foi o quinto presidente da República brasileira,


assumindo o mandato em 15 de novembro de 1902. Não foi um republicano histórico
como os antecessores civis da presidência da república, tendo atuado como conselheiro
do Império durante os anos finais desse regime. Rodrigues Alves foi convidado pelos
republicanos para compor a Assembleia Constituinte de 1890 e contribuir com a
experiência adquirida na atuação política durante o Império. Dessa forma, Rodrigues
Alves tornou-se um dos quadros da política republicana, atuou como Senador, Ministro
da Fazenda (1891-1892 e 1894), Ministro da Justiça (1891-1892) e presidente do
Estado de São Paulo, antes de assumir a presidência do país.

A candidatura de Rodrigues Alves à presidência da República foi apoiada pelo presidente


antecessor, Campos Sales, que buscava um sucessor continuador da política econômica
de austeridade fiscal. O Governo de Rodrigues Alves pretendia realizar a modernização
do país com a promoção de obras de saneamento, a reurbanização da capital federal,
o incentivo à imigração e fixação de estrangeiros no campo, e a expansão da malha
ferroviária nacional.

Rodrigues Alves, presidente do Brasil entre 1902 e 1906.

A reurbanização da cidade do Rio de Janeiro promovida durante o mandato de prefeito


de Francisco Pereira Passos (1902-1906) foi inspirada na cidade de Paris. Ruas foram
alargadas, o porto melhorado, os cortiços postos abaixo, a iluminação pública
expandida, o sistema de fornecimento de água e coleta de esgoto aprimorados, e os
morros do Senado e do Castelo demolidos. A questão da habitação na cidade tornou-
se ainda mais precária. A população trabalhadora e empobrecida do Centro da cidade
teve que migrar para os morros e subúrbios. Para realizar essas obras foram contraídos
empréstimos externos pelo governo federal.

Para completar o projeto de saneamento da cidade do Rio de Janeiro, que sofria com
constantes epidemias de varíola e febre amarela, foi instituída a obrigatoriedade da
vacinação em outubro de 1904. A campanha de vacinação realizada em novembro do
mesmo ano, sob o comando de Oswaldo Cruz, ocorreu de forma autoritária, sendo
permitido aos agentes de saúde a invasão de domicílios e a aplicação da vacina à força.
A população da cidade rebelou-se contra a imposição da vacinação e a crise de
habitação, quebrando bondes e atacando prédios públicos. Essa sublevação ficou
conhecida como Revolta da Vacina.

O incentivo à fixação de mão-de-obra estrangeira no campo contribuiu para a expansão


da produção cafeeira, que sofreu com crise de superprodução durante a segunda
metade do mandato de Rodrigues Alves. Para conter a redução do preço das safras de
café no comércio exterior, os cafeicultores dos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e
Minas Gerais reuniram-se e estabeleceram o Convênio de Taubaté. Nesse convênio foi
pautada a redução do valor da moeda nacional (o mil-réis) visando atrair o mercado
exterior para o café brasileiro. O presidente negou-se a aderir à proposição dos
cafeicultores, pois isso comprometeria o pagamento das dívidas nacionais.

Outro destaque do governo Rodrigues Alves foi a atuação do Barão do Rio Branco como
ministro do Exterior. À frente desse ministério, o barão Rio Branco empenhou-se,
sobretudo, na fixação dos limites território nacional por meio de ações diplomáticas
(com Peru, Colômbia, Uruguai e Bolívia). A disputa pela região do Acre com a Bolívia
gerou conflitos devido ao arrendamento da região ocupada por brasileiros à
empresa Bolivian Syndicate of New York. Os brasileiros decretaram a independência do
Acre em 6 de agosto de 1902, posteriormente a região foi comprada pelo Estado
brasileiro que se comprometeu a construir a ferrovia Madeira-Mamoré, possibilitando o
escoamento da produção de borracha.

Manuel Ferraz de Campos Sales, assim como o presidente antecessor (Prudente de


Morais), foi um republicano histórico. Participou da fundação do Partido Republicano
Paulista em 1872, e nas décadas de 1870 e 1880 elegeu-se diversas vezes como
vereador e deputado geral. Com a instauração da República tornou-se ministro da
Justiça, durante o mandato presidencial de marechal Deodoro da Fonseca. Como
ministro da Justiça, Campo Sales empenhou-se na laicização do Estado e na
reconfiguração das normas do Poder Judiciário brasileiro, adequando-o ao modelo
federalista adotado pela Primeira República. Além de ministro, Campos Sales foi
senador eleito pela Constituinte de 1890 e presidente do Estado de São Paulo entre os
anos de 1895 e 1897.

Nas eleições presidenciais de março de 1898, Campos Sales concorreu contra o


candidato florianista Lauro Sodré. Após a vitória com larga diferença no computo de
votos, Campos Sales dirigiu-se para a Europa junto ao ministro da fazenda Bernardino
Campos para renegociar as dívidas com o maior credor do Estado brasileiro, a Casa
Rothschild. Dessas negociações acordou-se um empréstimo de consolidação que ficou
conhecido como funding loan. Em troca do empréstimo de dez milhões de libras para o
país, foram entregues como garantia as rendas das alfandegas do Rio de Janeiro e o
comprometimento em reduzir a inflação da moeda brasileira

Campos Sales assumiu o governo em 15 de novembro de 1898, tornando-se o quarto presidente


da República. Esse mandato foi marcado pela austeridade fiscal.
Hermes da Fonseca

Hermes Rodrigues da Fonseca era oriundo de uma família de tradição militar, sendo
sobrinho do fundador da República marechal Deodoro da Fonseca. Hermes da Fonseca
cursou a Escola Militar do Brasil e foi aluno de Benjamin Constant que o iniciou nos
estudos sobre o positivismo. Na época da proclamação da República, Hermes da
Fonseca assumia o posto de capitão do Exército e auxiliava o marechal Deodoro nas
articulações políticas no meio militar para a instauração do regime republicano.
Durante o período republicano, Hermes da Fonseca ascendeu na carreira militar,
tornando-se marechal em 6 de novembro de 1906. No dia 15 do mesmo mês Afonso
Pena assumiu a presidência da República e designou Hermes da Fonseca ministro da
Guerra, função que cumpriu até 27 de maio de 1908. O governo de Afonso Pena foi
marcado pelo empenho em reformar as forças armadas, tarefa protagonizada pelo
então ministro da Guerra.

Marechal Hermes da Fonseca destacou-se no meio militar por conta da modernização


das forças armadas. Assim, tornou-se o candidato dos militares para a sucessão
presidencial da República. A candidatura militar aglutinou a maioria
das oligarquias estaduais e o governo federal. Em oposição, o jurista Rui Barbosa
lançou-se candidato e promoveu a “campanha civilista” divergindo da possibilidade de
ascensão de militares à presidência nacional. Hermes da Fonseca obteve maioria dos
votos. Ambos os candidatos acusaram o opositor de fraude no pleito eleitoral.

Em 15 de novembro de 1910, marechal Hermes da Fonseca assumiu a presidência do


país, sendo o oitavo presidente da República. Para assegurar a continuidade do
respaldo dos governos estaduais ao governo federal recorreu à “política das salvações”.
A alegação da implantação dessa política era a defesa da integridade das instituições
republicanas. Contudo, as “salvações” consistiam na deposição das oligarquias,
substituídas por interventores ligados ao presidente, muitos deles militares, com o
objetivo de açambarcar os governos estaduais para a base de apoio ao presidente.

O estado de sítio tornou-se constante para conter os distúrbios decorridos das


“salvações”. Apesar dessa política, as oligarquias mais influentes permaneceram no
poder, como foram os casos de São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. No Ceará,
desencadeou-se uma revolta na região do Cariri insuflada por Padre Cícero em 1913 na
defesa da área de influência do deputado Pinheiro Machado e da família Acioly, opondo-
se ao governo de Franco Rabelo.

A primeira semana de governo de Hermes da Fonseca foi marcada pela insurreição de


marinheiros, liderada por João Cândido Felisberto. A Revolta da Chibata, iniciada em
22 de novembro com o motim de marinheiros nos encouraçados Minas Gerais e São
Paulo, reivindicava o fim dos castigos físicos, melhorias nas condições de trabalho e o
acesso dos militares aos direitos dos cidadãos civis. Em 26 de novembro o presidente
aceitou as pautas dos marinheiros sublevados e concedeu anistia aos que se
entregaram. Porém, persistiram as perseguições àqueles que se amotinaram, muitos
sofrendo o banimento nos seringais no Norte do país.

Outro conflito desencadeado durante o mandato de Hermes da Fonseca, a Guerra do


Contestadotambém afetou a autoridade do presidente da República. Em 1911, houve
a expansão da linha férrea nos arredores curitibanos, resultando na expulsão dos
camponeses que ocupavam a região. Esses camponeses, liderados pelo beato José
Maria Agostinho, migraram para uma região disputada pelos Estados de Santa Catarina
e Paraná, agravando os dissídios gerados pela posse do território. Entre os anos de
1912 e 1916 foram enviados contingentes policiais estaduais e de soldados do Exército
para combater os camponeses que resistiram aguerridamente até o final da contenda.

Desde 1907 havia uma lei que previa a deportação de trabalhadores estrangeiros que
aderissem a greves. Em 1913, o Congresso modificou essa lei, excluindo o impedimento
de deportação de estrangeiros residentes há mais de dois anos e que tivessem
constituído família no Brasil.
Revoltas do campo

Por Tales Pinto

Durante o século XIV, a Europa ocidental vivenciou o período de crise do regime feudal,
resultando em novos problemas sociais para essa sociedade em profunda transformação.
Uma dessas crises sociais estava ligada às revoltas camponesas contra a nobreza,
consequência da intensificação da exploração a que estavam submetidos.

A intensificação das obrigações servis, ampliando a exploração dos camponeses, levou à eclosão das Revoltas Camponesas no séc. XIV

Já em fins do século XIII, os sinais de decadência econômica e demográfica tornavam-se


claros no Ocidente europeu. Fatores climáticos, como chuvas e esgotamento do solo, em
decorrência da utilização de técnicas que não repunham os nutrientes retirados pelas
culturas agrícolas, levaram à queda acentuada da produção.
Essa diminuição da produção fez com que os nobres intensificassem a exploração do
trabalho servil. Como essa exploração era realizada através do tempo de trabalho nas terras
dos senhores, a intensificação desse trabalho acarretava mais horas de trabalho nessas
terras e menos trabalho nas terras utilizadas pelos camponeses para produzir alimentos
para sua subsistência.

Somou-se a essa situação a ocorrência da peste negra nas décadas de 1340 e 1350, que
dizimou a população europeia ocidental. Estima-se que 2/3 dos habitantes das cidades
contraíram a doença e 70% destes morreram. No campo, a ocorrência foi menos intensa,
mas ela não deixou de existir.

Esses fatores geraram instabilidade social, que resultou em revoltas das classes exploradas
contra seus exploradores. Nas cidades, um exemplo pode ser encontrado na Revolta dos
Ciompi (trabalhadores assalariados do setor têxtil), que teve seu auge em Florença, em
1378, quando os trabalhadores chegaram a derrubar o poder dos industriais e banqueiros.
Mas foi no campo que as revoltas foram mais agudas. As jacqueries, revoltas conduzidas
pelos camponeses franceses, foram o caso mais notório. O termo é decorrente de uma
expressão francesa, Jacques Bonhomme, que significa Jacques, o simples, uma forma
pejorativa utilizada pelas classes exploradoras francesas para designar os camponeses, o
que no Brasil corresponderia ao João Ninguém.
Em 1358, os camponeses franceses se sublevaram com armas nas mãos contra os nobres
e o clero, em uma luta contra a intensificação da exploração. A ação dos camponeses contra
seus inimigos foi violenta, como também foi violenta a repressão das classes dominantes
contra a sublevação. Cerca de 20 mil camponeses morreram nas jacqueries.
Na Inglaterra, em 1381, os camponeses se revoltaram contra o aumento de impostos sobre
os servos, contra a fixação dos salários e contra a volta da obrigatoriedade da permanência
dos servos em uma dada propriedade. Grupos camponeses chegaram a marchar até
Londres, destruindo edifícios e clamando por reformas.

Apesar de essas revoltas terem sido derrotadas, elas indicaram o início do fim da servidão
na Europa Ocidental e a desintegração do mundo feudal, em decorrência das
transformações sociais que geraram. Seria o início da transformação desses camponeses
em futuros proletários, o que, conjugado com a centralização do Estado e a ampliação do
comércio com o exterior da Europa, possibilitaria a criação das condições necessárias ao
desenvolvimento do modo de produção capitalista.
Revoltas da cidade

A cidade do Rio de Janeiro sofria em 1904 com sérios problemas de saúde publica. Com
cerca de 800 mil habitantes, diversas doenças – como tuberculose, peste
bubônica, febre amarela, varíola, malária, tifo, cólera - assolavam a população e eram
objeto de preocupação dos governantes. O então presidente Rodrigues Alves com o
intuito de modernizar (e embelezar) a cidade e também controlar tais epidemias, iniciou
uma série de reformas urbanas que mudou a geografia da cidade e o cotidiano de sua
população.

A esta lei já impopular, juntou-se uma drástica regulamentação proposta por Oswal

do Cruz. Nela, exigia-se comprovantes de vacinação para realizar matrículas nas


escolas, assim como para obtenção de empregos, viagens, hospedagens e casamentos.
Previa-se também o pagamento de multas para quem resistisse à vacinação. Quando
esta proposta vazou para a imprensa, o povo indignado e contrariado deu início a maior
revolta urbana que já tinha sido vista na capital.

As mudanças arquitetônicas da cidade ficaram a cargo do engenheiro Pereira Passos.


Ruas foram alargadas, cortiços foram destruídos e a população pobre removida de suas
antigas moradias. Coube a Oswaldo Cruz, nomeado diretor geral de Saúde Pública em
1903, a missão de promover um saneamento na cidade e erradicar a febre amarela, a
peste bubônica e a varíola. Com este intuito, em junho de 1904 o governo fez uma
proposta de lei que tornava obrigatória a vacinação da população. Mesmo com 15 mil
assinaturas contrárias, a lei foi aprovada no dia 31 de outubro.

A revolta começou em tono da estátua de José Bonifácio no Largo de São Francisco e


rapidamente se espalhou por diversos lugares da cidade atingindo locais como
Laranjeiras, Botafogo, Tijuca, Rio Comprido, Engenho Novo, Copacabana, além dos
bairros da região central. Pedras, tiros, barricadas, fogueiras, depredações, eram
utilizadas pela população para mostrar sua insatisfação. A repressão policial foi severa,
sendo o saldo total desta revolta a prisão de 945 pessoas na Ilha de Cobras, 30 mortos,
110 feridos e 461 deportações para o Estado do Acre.

José Murilo de Carvalho aponta para o fato que tiveram várias revoltas dentro da
revolta, isto é, vários segmentos da população de diversas classes sociais e motivações
políticas estiveram a frente destas agitações. Segundo o autor, a motivação para o
povo se rebelar não era fundamentalmente econômica, e nem o deslocamento
populacional ocasionado pelas mudanças ocorridas na cidade (embora, muitos
estudiosos afirmem que a revolta ocorreu por uma soma de insatisfações com a política
realizada, inclusive a remoção das moradias). Para ele, a Revolta da Vacina se
distingue de protestos anteriores pela sua amplitude e intensidade baseada na
justificativa moral.

A forma como o processo foi conduzido por Oswaldo Cruz, apesar das boas intenções,
foi entendido como arbitrário e despótico, sendo suas medidas apontadas como
violação dos direitos civis e constitucionais. Além disso, havia um componente moral
muito grande, pois naquela época foi considerado um crime contra honra de um chefe
de família que seu lar, assim como os corpos de suas mulheres fossem invadidos por
um desconhecido.

Carvalho analisando a revolta, afirma que o povo: “Embora não se interessassem por
política, embora não votasse, ele tinha razão clara dos limites da ação do Estado. Seu
lar e sua honra não eram negociáveis, a revolta deixou entre os participantes um forte
sentimento de autoestima, indispensável para formar um cidadão”.
Charge: A Lei da Vacinação Obrigatória acende o pavio da revolução enquanto os políticos e Oswaldo Cruz (vestido de médico)
ficam apavorados

Charge do Jornal do Brasil. 11 de agosto de 1904, criticando aqueles que se aproveitaram para criar ratos apenas para receber
indenizações
A revolta do quebra-lampião (14/11/1904) ou Revolta da Vacina, teve um líder popular – Prata Preta -, apelido de Horácio
José da Silva, capoeirista e estivador que com mais de 2 mil pessoas levantou barricada contra o exército. Foi preso e
deportado para o Acre. A legenda diz: “Formidável reduto defendido com entrincheiramento de mulambos e carroças
quebradas medonhamente artilhado com canhões de canos de barro e lampiões quebrados pintados a pixe. O espantalho
do desordeiro Prata Preta era o Stoessel caricato daquela traquitana”.
Atualidade
Não se pode nem se deve voltar ao passado para perguntarmos se estaríamos melhor do que estamos
se o Império do Brasil não houvesse sido substituído pela República dos Estados Unidos do Brasil em
1889. Seria perda de tempo, pois os elementos modificadores, na história do século 20, foram tão
importantes que geraram a impossibilidade de imaginar os efeitos da vida reformulada nos setores
público e privado.

O marechal Deodoro da Fonseca, talvez não muito cônscio do que estava fazendo, foi levado a
proclamar a República. Isso significou que, afastada a monarquia, em cuja administração imperial
predominavam pessoas da mesma família, reservados, para elas, bons postos e (eventualmente) até
bons negócios, veio a República. Com "r" minúsculo, a palavra república tem uma série grande de
significados. No sentido que nos interessa, situa o Brasil de hoje como país cujo governo geral é
acessível a todos os cidadãos (com pouquíssimas e justificáveis exceções), respeitada a Constituição.

A república é, como a monarquia, apenas uma forma de governo. Há exemplos bem-sucedidos e


malsucedidos de ambas ao longo do tempo em várias partes do planeta. A Carta de 1824, a primeira
de nossa história, começava dizendo que o Império (assim mesmo, com maiúscula) do Brasil era a
associação política de todos os cidadãos brasileiros, muito embora não lhes dispensasse tratamento
absolutamente igualitário. Mais à frente, afirmava ter governo monárquico, hereditário, constitucional
e representativo. Sobreveio a república, nos moldes da Constituição dos Estados Unidos da América do
Norte. O Brasil republicano nasceu neste mesmo dia, há 114 anos. Aprovou sua Constituição em 1891,
para dizer: "A Nação Brasileira (assim, em maiúsculas) adota como forma de governo, sob regime
representativo, a República Federativa...". Os constituintes do século 19 tiveram a cautela pioneira de
mandar reservar 14,4 mil quilômetros quadrados "no planalto central da República, para nela
estabelecer-se a futura capital federal", cuja realização exigiu quase mais 70 anos. Eram movidos pelo
desejo de estender o domínio efetivo do território a toda a área do país, coisa impensável para quem
habitava o Rio de Janeiro do século 19. O povo vivia à moda dos mariscos, grudado na orla marítima.

O governo representativo, tomado em si mesmo, não é necessariamente prerrogativa da república. A


Arábia Saudita é monárquica e não tem governo eleito por seu povo. Quem manda é a família Saud, é
a elite. A Inglaterra é monárquica e tem governo eleito, despojada a rainha do poder de mando. Na
Carta de 1988, o nome de nosso país passou a ser República Federativa do Brasil, pois constitui
federação de Estados autônomos entre si e em face da União. O conceito de federação é relativamente
amplo, mas tem o sentido de associação indissolúvel entre Estados, municípios e Distrito Federal.

A avaliação crítica do cotejo entre o nome adotado e a realidade vigente mostra que a federação
brasileira precisa corrigir as distorções com as quais sua história vem sendo marcada. Apesar da falha,
o sistema republicano tem sido confirmado sucessivamente pelo povo, não parecendo possível
nenhuma mudança. A estrutura governativa, entretanto, tem mostrado deficiências graves, nas quais
predomina a crescente insegurança das pessoas ante o aumento da violência e o desrespeito à
propriedade, em particular na área rural. Os movimentos sociais são úteis, apesar dessa restrição, por
estimular reformas destinadas a aperfeiçoar o sistema de relações entre segmentos da sociedade.

(fonte: https://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u85634.shtml)
Trabalho de historia

Professora: Iva
Alunos: Carlos eduardo e mikaelle ferreira
9 ano (a)