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Anais do IV Simpósio sobre Formação de Professores – SIMFOP Universidade do Sul de Santa

Anais do IV Simpósio sobre Formação de Professores – SIMFOP Universidade do Sul de Santa Catarina, Campus de Tubarão Tubarão, de 7 a 11 de maio de 2012

EAD: A FUNÇÃO DO TUTOR PRESENCIAL EM SUAS DIVERSAS DIMENSÕES 1

Cléder Schulter 2 Marlise de Medeiros Nunes de Pieri 3

RESUMO: Este trabalho tem o objetivo de refletir sobre a função do tutor presencial, partindo de dois questionamentos básicos: De que forma se estabelece a função do tutor no curso a distância? Que elementos são usados em suas diversas dimensões na formação de educadores? Por meio dessas questões, realiza-se uma análise da função da tutoria no polo de Braço do Norte/SC a partir de dois cursos de formação oferecidos aos tutores, no segundo semestre de 2011 pela UDESC/UFSC: o primeiro, realizado on-line por meio de uma discussão específica no fórum, ferramenta utilizada na EAD; e o segundo, realizado de forma presencial no CFM (Centro de Ciências Físicas e Matemáticas). Dessa forma, pretende-se apresentar um relato de experiências relacionadas aos cursos de licenciatura em Pedagogia e Física, uma vez que foram momentos de formação que possibilitaram repensar as práticas educativas e os elementos essenciais que configuram essa nova função do tutor dentro dessa modalidade de ensino que tem crescente ascensão dentro do contexto educativo.

PALAVRAS-CHAVE: Educação a distância. Tutor. Formação professores.

1. Introdução

Dentro deste trabalho nos propomos a realizar um relato da experiência a partir dos desafios encontrados nas atividades desenvolvidas como tutores nos cursos de Pedagogia – UDESC/UAB e Licenciatura em Física – UFSC/UAB, polos de Braço do Norte, região Sul de Santa Catarina, com base em reflexões realizadas a partir de cursos de formação continuada oferecidas pelas mesmas instituições. O trabalho tem o objetivo de refletir sobre a função do tutor presencial, partindo de dois questionamentos básicos: De que forma se estabelece a função do tutor no curso a distância? Que elementos são usados em suas diversas dimensões na formação de educadores? Deste modo, pretende-se refletir sobre a importância do tutor presencial em cursos de licenciatura oferecido na modalidade a distância. Destacaremos a Educação a Distância – doravante EAD –, sua evolução histórica e seus ajustes no contexto atual. Além do que foi apresentado, daremos maior ênfase para compreender qual é a função do tutor presencial em suas diversas dimensões enquanto profissional formador de educadores. Dessa forma, faz-se necessário esclarecer o conceito de educação a distância. Muitos autores usam o termo ensino a distância ao invés de educação a distância, o que, em nossa opinião, acaba limitando o seu conceito. A educação a distância não se limita ao ensino, mas ela engloba todo o processo de ensino-aprendizagem.

1 Texto apresentado no IV SIMFOP em forma de comunicação oral dia 09/05/2012. 2 Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade do Sul de Santa Catarina. Formado em Física pela Universidade Federal de Santa Catarina. Professor de Física da rede Estadual de Ensino no município de Braço do Norte e tutor presencial UFSC/UAB . E-mail.: clederbn@gmail.com. 3 Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade do Sul de Santa Catarina. Formada em Pedagogia, especialista em Psicopedagogia (UNISUL) e especialista em Gestão Escolar (UFSC). Professora de Educação Infantil da Rede Municipal de Ensino de Tubarão e tutora presencial do polo de Braço do Norte – UDESC/UAB. E-mail: marlise1110@gmail.com.

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Dessa forma, prefere-se o conceito de educação a distância, definição proposta por Chermann e Bonini (2000, p. 17), no qual ela é entendida como uma forma de ensino que “possibilita a auto-aprendizagem a partir da mediação de recursos didáticos sistematicamente organizados e apresentados em diferentes suportes de informação, utilizados isoladamente ou combinados e veiculados pelos diversos meios de comunicação existentes”. Complementando essa ideia, Holmberg (1977, apud BELLONI, 2006, p.25) define a EAD como:

O termo educação a distância cobre várias formas de estudo, em todos os níveis, que

não estão sob a supervisão contínua e imediata de tutores presentes com seus alunos em salas de aula ou nos mesmos lugares, mas que não obstante beneficiam-se do

planejamento, da orientação e do ensino oferecidos por uma organização tutorial.

Moore e Kearsley (2007, p.1), no que se refere ao conceito de EAD, dizem que:

A ideia básica de educação a distância é muito simples: alunos e professores estão

em locais diferentes durante todo ou grande parte do tempo em que aprendem e ensinam. Estando em locais distintos, eles dependem de algum tipo de tecnologia para transmitir informações e lhes proporcionar um meio para interagir.

Diante dos conceitos elencados sobre a EAD, percebem-se as dificuldades e facilidades encontradas nessa modalidade de ensino e aprendizagem. Fica visível, em ambos os conceitos, que esse tipo de educação é uma possibilidade de expandir o acesso, seja de nível superior ou básica, para grande parte da população que, até então, não tinha essa possibilidade devido à distância em que se encontram das universidades ou polos de ensino.

Nesse contexto educativo, algo que se mostra bastante evidente é a organização e o planejamento, seja da instituição ou do aluno. Acreditamos que somente por meio dessa organização será possível um ensino e uma aprendizagem de qualidade. Para que isso ocorra,

o acadêmico precisa desenvolver algumas habilidades específicas dentro das condições apontadas nessa modalidade de ensino.

2. EAD: contexto histórico

A EAD surgiu há muito tempo e avançou de modo lento e gradativo por longa data. Ela já vem sendo realizada desde as cartas de Platão e as epístolas de São Paulo. Teve grande impulso com a invenção da imprensa por Guttemberg. Durante a II Guerra Mundial, houve uma sistematização da educação a distância, quando foi utilizada na recuperação social dos que foram vencidos na guerra, e também na capacitação profissional das populações vindas

do meio rural (VOLPATO, SOPRANO, BOTTAN et all., 1996, NUNES). Porém, nos últimos

cinco anos com a evolução das TIC (Tecnologias de Informação e Comunicação) e o acesso à Internet cada vez mais presente e ao alcance da população das mais variadas classes sociais, houve um avanço considerado da EAD. Essa modalidade iniciou por meio de correspondência, depois via rádio e TV, até chegar à estrutura que atualmente temos, com suporte tecnológico como computadores em redes e softwares que alicerçam formas diversas

de comunicação por meio de plataformas como o moodle. Dessa forma, juntamente com a globalização desenvolveu-se a dita sociedade da

informação, na qual todas e quaisquer informações se encontram ao alcance de todos através

de redes que possibilitam a comunicação por meio de computadores. Diante de todo o avanço

tecnológico ocorrido nas últimas décadas, essa modalidade de ensino e aprendizagem teve um

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grande salto. Atualmente a educação a distância se encontra presente nos mais variados cursos, sejam eles técnicos, superiores, de especialização e, até mesmo, programas de pós- graduação. Para melhor entender a evolução da educação a distância com o passar do tempo, faz- se necessário demonstrar a sua evolução ao longo de cinco gerações, que estavam intimamente relacionadas com as tecnologias que eram empregadas para que a mesma pudesse ocorrer.

A primeira geração da educação a distância começa com os cursos de instrução que

eram entregues pelo correio. O estudo por correspondência, em casa e/ou independente, foi o responsável pelo desenvolvimento do fundamento de uma educação individualizada a distância. Nessa geração, o grande problema era a falta de diálogo entre o professor e o aluno. Pode-se dizer que nesse tipo de educação quem ensina é o material didático e, assim, o fracasso dos alunos está relacionado, basicamente, com suas dedicações aos estudos e o professor não tem muita culpa nisso.

A segunda geração, que se difere da primeira devido ao uso do rádio e da televisão no

processo de ensino-aprendizagem, não proporcionou quase nenhuma mudança com relação à

interação entre professores e alunos. Essa geração se caracteriza por não apresentar certas flexibilidades aos estudantes devido aos horários serem previamente estabelecidos, ou seja, o programa de rádio e de TV em que se veiculam os cursos já têm seus horários definidos e os alunos devem se adequar aos mesmos. No entanto, esse tipo de educação foi responsável por agregar as dimensões oral e visual à apresentação de informações aos alunos a distância. As universidades abertas, que caracterizam a terceira geração de educação a distância, tiveram origem de experiências norte-americanas em que eram integrados áudio/vídeo e correspondência com orientação face a face, onde o conhecimento era veiculado de uma forma sistematizada através de equipes responsáveis pela criação do curso.

A quarta geração passou a fazer o uso da teleconferência, por meio de áudio, vídeo e

computador. Assim, foi possível uma interação em tempo real, tanto entre professores e

alunos como entre os próprios alunos, fazendo com que eles já não se sentissem tão sozinhos nesse processo.

A quinta e última geração da educação a distância é a de classe virtual on-line e com

base na Internet. Essa é a geração que tem proporcionado um enorme interesse em educação a distância nos últimos anos. Nesse tipo de educação, torna-se possível a utilização de diversas ferramentas de comunicação. Nela, são colocadas a disposição dos alunos ferramentas como chats, web aula, web conferência, fóruns, etc. Dessa forma, a distância física existente entre os alunos e o professor fica menos evidente, pois ela acaba sendo suprida pelo constante contato que ambos estabelecem. Diante do exposto, fica claro que o diferencial da EAD, em relação a outras modalidades de ensino, não se encontra na falsa verdade, historicamente solidificada, que na

educação a distancia não há necessidade de estudo, dedicação e esforço. Mas, concretizou-se, especialmente nos últimos cinco anos, na autonomia e flexibilidade que ela proporciona, especialmente com relação ao local e horário em que realizamos as atividades. Nesse sentido, esquematizar uma agenda de estudos por meio de um registro escrito é uma das formas de organização eficaz na EAD. As tecnologias facilitam o processo de comunicação. Sendo a comunicação algo considerado como um dos fatores que “dificultaram”, ao longo da história, o avanço da educação a distância, o desenvolvimento tecnológico contribui consideravelmente para a evolução do processo de ensino-aprendizagem na EAD. Portanto, superando o passado, a evolução dos meios de comunicação, principalmente aquelas que ocorrem por meio das redes

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computacionais, que interligam as pessoas do mundo todo, atrelada a plataformas específicas pensadas e programadas para essa modalidade de ensino e aprendizagem, o acesso à educação se tornou muito mais acessível. O avanço da EAD vem possibilitando o acesso à escolarização e ao conhecimento por muitas pessoas. Nesse tipo de modalidade de ensino, EAD, o envolvimento dos acadêmicos com o moodle, que é o ambiente virtual de ensino e aprendizagem (AVEA), que apresenta diversas ferramentas que facilitam a comunicação, se mostra bastante importante. As ferramentas de comunicação mais utilizadas na educação a distancia são os chats, fóruns, e-mails, mensagens instantâneas, entre outras. Portanto, é fundamental incentivá-los a estar no polo semanalmente e acessar frequentemente o ambiente virtual, pois essa é uma necessidade que auxilia a comunicação entre os envolvidos na integração processual. Além do espaço virtual que disponibiliza também diversas fontes de pesquisa e demais recursos, existe o material impresso que pode ser usado em paralelo ao uso das demais ferramentas para que o acadêmico possa anotar dúvidas e esclarecê-las com os tutores ou professores da disciplina, sempre discutindo as questões com o grupo. Dessa forma, as dúvidas, na maioria das vezes, são sanadas por meio da comunicação escrita através dessas ferramentas. Assim, o domínio da leitura e da escrita é essencial para que os acadêmicos possam se comunicar com os professores e, até mesmo, entre si.

3. A função do tutor presencial na EAD

Neste item relata-se, especificamente, a função do tutor presencial na educação a distância, nos reportando, primeiramente, a sua função ao longo da história. No segundo momento, enfatiza-se a sua função na atualidade 4 . Com a evolução da EAD, o papel do tutor também se modificou de acordo com os interesses de cada período histórico. O tutor teve sua origem na universidade no século XV. A definição da palavra tutor era “guia, protetor, defensor de alguém.”. No século XX, o tutor assumiu o papel de aconselhador e orientador nos trabalhos acadêmicos. O tutor não tinha o compromisso de ensinar, apenas apoiava o acadêmico em sua aprendizagem. Nesse momento histórico acreditava-se que a aprendizagem se dava exclusivamente por meio de materiais didáticos. Atualmente, a função do tutor consiste em assegurar o cumprimento dos objetivos propostos pela instituição, humanizando o processo e servindo de apoio aos programas. Geralmente, na EAD, os materiais didáticos são distribuídos por meio das tecnologias e são produzidos para o grande público. Nesse sentido, a comunicação que ocorre entre tutores e alunos tem por objetivo auxiliar todo indivíduo a converter as informações comuns chegadas até eles em conhecimento relevante sob o aspecto pessoal (MOORE; KEARSLEY, 2007,

p.16).

Além de estar presente na função de aquisição de novos conhecimentos, o tutor interage constantemente com os acadêmicos encorajando-os, motivando-os e orientando-os em relação aos objetivos a serem alcançados, visualizando possibilidades, quando elas parecem não estar mais presentes. Neste sentido, é necessário que, entre tutores e acadêmicos, estabeleça-se uma relação de respeito, compreensão e valorização. Assim, criamos um elo

4 Vale lembrar que a função aqui descrita está relacionada com as experiências dos autores enquanto tutores presenciais de cursos na modalidade a distância (Pedagogia /UDESC e Física/UFSC). E, também, de cursos de formação continuada oferecida aos mesmos.

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afetivo com os alunos, o que aumenta ainda mais nossa responsabilidade enquanto tutores. O dia a dia dos alunos, a organização da agenda, as dúvidas, as tristezas, as incertezas, as conquistas, fazem-nos ir além das funções atribuídas a nós pela UAB e pela instituição que estamos representando. Além do laço de amizade que se estabelece, forma-se, também, uma parceria constante pela busca do conhecimento, na superação dos medos, especialmente com aqueles relacionados às novas tecnologias, pois, na EAD, muitos acadêmicos não possuem conhecimentos sobre as mesmas e, dessa forma, os tutores ajudam na busca de formas para que os medos relacionados a essas tecnologias sejam superados. O tutor é aquele que rompe com as amarras estabelecidas pela didática de cada disciplina e que possibilita ao acadêmico o desenvolvimento de sua própria autonomia e autoria no avanço relacionado às novas descobertas, estabelecendo relação entre o aprendizado trazido pela disciplina e a sua prática. Sabe-se que é no exercício dessa reflexão que se consegue avançar no processo de aquisição de novos conhecimentos, deslocando-se do senso comum para a estruturação do conhecimento científico. O tutor presencial é o elo entre o acadêmico, o professor e a instituição. Dessa forma, ele reúne em seu trabalho uma função tríplice: orientação, docência e avaliação. Ele está in loco e assume um papel fundamental no processo de ensino-aprendizagem na formação de professores. Ele orienta as atividades, organiza a formação e as ações dos grupos de estudos, aplica as atividades propostas, interage com os professores esclarecendo dúvidas e faz parte do processo de avaliação de forma ativa. Para exercer a função tríplice (orientação, docência e avaliação) de forma eficaz, o tutor presencial precisa ter claras algumas ações em prol da realização de um trabalho de qualidade. Dentre essas, destacamos as que consideramos mais importantes:

procurar conhecer a fundamentação pedagógica da EAD;

estabelecer relação entre os conteúdos e os cursistas;

buscar recursos didáticos (livros, vídeos, animações, etc.) para melhorar o processo de aprendizagem;

acompanhar a realização das atividades propostas, conforme o cronograma do curso;

estabelecer uma ação proativa na orientação, no acompanhamento e no incentivo aos acadêmicos à participação de trabalhos em grupos;

incentivar a formação de grupos de estudos, o que contribui para uma aprendizagem mais significativa;

manter regularidade de acesso ao AVEA e dar retorno às solicitações dos cursistas para que não se sintam sozinhos (idealmente 24 horas de limite máximo);

motivar e integrar os cursistas, construindo um vínculo de autodesenvolvimento;

contribuir na organização de uma agenda pessoal para que o acadêmico consiga desenvolver a autonomia quanto ao processo de aprendizagem;

contribuir com o professor da disciplina na elaboração das atividades docentes;

participar do processo de avaliação da disciplina sob orientação do professor responsável;

colaborar com a coordenação do curso na avaliação dos estudantes;

participar das atividades de capacitação e atualização promovidas pela Instituição de Ensino;

desenvolver relatórios semestrais para avaliação do curso.

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Portanto, o tutor presencial tem tarefa de dar suporte acadêmico, que corresponde às ações de apoio pedagógico desenvolvidas durante o estudo, através da interação que acontece entre o próprio tutor e os acadêmicos, entre os acadêmicos e, até, entre os acadêmicos e os professores. Assim, o tutor presencial desenvolve uma tarefa muito importante, pois auxilia em todo o processo de ensino-aprendizagem (LOYOLLA, 2009, p.150).

4. Dimensões da tutoria e seus elementos na formação de educadores

No exercício da tutoria, temos diversas dimensões que são concretizadas a partir do desenvolvimento de algumas competências que produzem elementos dentro desse contexto educativo. A função do tutor presencial foi estruturada em quatro dimensões específicas, que nos auxiliam a entender melhor como ele poderá desempenhar um bom papel, que consiste em auxiliar, da melhor forma possível, a aprendizagem dos acadêmicos. As dimensões aqui apresentadas são: pedagógica, didática, tecnológica e pessoal. Cada uma dessas dimensões nos remete a desenvolver competências para o exercício da mesma, com elementos específicos em cada uma delas. Ao elencarmos a primeira dimensão como pedagógica, entende-se que toda a ação pedagógica carrega em si uma concepção epistemológica que norteia a prática, configurando a função social deste sujeito 5 na formação de professores. Dentro da dimensão pedagógica se faz necessário o desenvolvimento de diversas competências no sentido de solidificar a execução dessa dimensão. Destacamos como competência na dimensão pedagógica a capacidade de interação entre os conteúdos e materiais didáticos, em que tutor, não como único responsável, tem o compromisso de orientar, acompanhar e avaliar a aprendizagem dos acadêmicos, com relação à comunicação oral e, especialmente, a escrita de forma clara e objetiva, sendo essa uma habilidade que deve ser aprimorada no decorrer do curso. Para desenvolver essa competência com desenvoltura, o tutor precisa ter clareza com relação aos objetivos das atividades propostas pelas atividades propostas pelo professor da disciplina. Para dar conta de todas as competências atribuídas a essa dimensão, elaboramos alguns elementos essenciais, tais como: conhecimentos específicos da disciplina dialogam entre acadêmicos e tutores, leitura e escrita, observação, tempo, organização e interação. Na dimensão didática, o tutor precisa desenvolver competências relacionadas ao conhecimento dos conteúdos a serem ministrados na disciplina para que possa auxiliar os acadêmicos em suas dúvidas e desenvolver a capacidade de realizar intervenções didáticas para maximizar o aprendizado dos acadêmicos. O tutor pode, também, propor atividades práticas que auxiliem na compreensão dos conhecimentos teóricos. Como elementos dessa dimensão didática se pode destacar as diversas teorias relacionadas à educação e uma interação entre teoria e prática. A dimensão tecnológica de informação e comunicação (TIC) abrange competências relacionadas ao tutor das quais o mesmo precisa possuir o domínio básico e mostrar disponibilidade para inovação educacional, em especial aquela que tem suporte nessas tecnologias. Nesse sentido, Moore e Kearsley (2007, p.77) afirmam que:

5 Quando nos referimos a sujeito, nesse caso, estamos nos reportando à pessoa do tutor presencial.

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Em virtude de a comunicação ser tão importante para a educação a distância, todo aluno e usuário precisa conhecer um pouco a respeito de cada tecnologia e também da mídia que a veicula. Definitivamente, não é necessário ter um conhecimento especializado a respeito de como as tecnologias operam nem ser capaz de remediá- las caso apresentem problemas. Como educadores a distância, dependemos de programadores especializados, operadores de câmera, engenheiros e produtores, a fim de assegurar que as tecnologias que transmitirão o ensino operem do modo que devem. Precisamos conhecer o suficiente a respeito delas para sermos capazes de formular perguntas inteligentes, fazer sugestões, saber quando algo não está operando como deveria e, acima de tudo, conhecer os limites e o potencial de cada uma das tecnologias.

Com relação aos elementos presentes na dimensão tecnologia se podem destacar as TIC com ênfase na informática e na Internet. O desenvolvimento desses elementos dá suporte a um trabalho cooperativo e consistente nessa modalidade de ensino no novo milênio. Na dimensão pessoal em que se entende e configuram-se os diversos setores em que se estrutura a EAD, com relação ao quesito humano. Dentre as competências a serem desenvolvidas pelo tutor, destaca-se a necessidade de resolver conflitos entre os grupos de forma coerente, promovendo uma maior interação entre os acadêmicos, além de encorajar e incentivar os mesmos para que possam vencer as dificuldades encontradas no percurso do curso, em que, dessa forma, ele desenvolverá certa autonomia. Desse modo, estaremos desenvolvendo não só de forma individual, mas também coletiva, habilidades para manter relações menos hierarquizadas. Os elementos dessa dimensão estão relacionados com a motivação, amizade, integração e percepção. Para elucidar as ideias apresentadas, elaborou-se um quadro-síntese, destacando as quatro dimensões da função do tutor presencial, apresentando suas competências e elementos.

Dimensão

 

Competências

 

Elementos

 

Capacidade de interação entre conteúdos e materiais didáticos;

conhecimento;

Possuir

uma

certa

astúcia

na

orientação,

diálogo;

acompanhamento

e

avaliação

da

aprendizagem dos

leitura;

Pedagógica

alunos;

escrita;

Demonstrar clareza na comunicação frente aos questionamentos dos alunos, seja oralmente ou através da escrita;

observação;

 

tempo;

organização;

Possuir

clareza

quanto

aos objetivos das atividades

interação.

propostas.

 

Possuir conhecimento dos conteúdos a serem ministrados no curso;

teorias da educação;

Didática

Capacidade de realizar intervenções didáticas;

 

teoria e prática.

Proposição e supervisão de atividades práticas, que completem os conhecimentos teóricos do curso.

 

Possuir domínio básico das TICs;

 

informática;

internet;

Tecnológica

Disposição para a inovação educacional, em especial aquela que tem suporte nas tecnologias de informação e comunicação.

TICs.

 

Estimular a autonomia dos alunos;

   

Pessoal

Promover a interação da turma;

Encorajar e incentivar os alunos;

Capacidade para solucionar possíveis conflitos;

Habilidade para manter relações menos hierarquizadas.

motivação;

amizade;

integração;

percepção.

Figura 1: Quadro-síntese das principais funções do tutor

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O não exercício de uma dessas dimensões causa lacunas consideráveis na EAD, podendo ocasionar evasão de acadêmicos ou causar deficiências na formação dos novos licenciados. Portanto, o tutor presencial é agente ativo do processo na formação de educadores.

Considerações Finais

Neste novo milênio pode-se destacar a EAD como uma das modalidades em ascensão

oportunizando acesso ao conhecimento da educação formal nas mais variadas classes sociais.

A mesma vem sofrendo modificações e adequações para obter êxito e qualidade no campo

educacional. Percebe-se o envolvimento de diversas pessoas em torno dessa modalidade de

ensino no sentido de pensar, elaborar e estruturar as diversas atividades que compõem o cronograma e o organograma que é disponibilizado aos alunos em um processo dinâmico e ativo quanto à ação e reflexão.

A EAD se configura com uma rede de pessoas que têm um objetivo comum. Cada um

dos envolvidos precisa desempenhar seu papel com excelência, pois um pequeno desajuste

gera uma grande problemática atingindo outros setores e profissionais e, especialmente, o acadêmico, que é o foco principal da mesma. Diante desse fato, faz-se necessário um engajamento nos diversos setores envolvidos no processo, sendo que as funções exercidas têm suas próprias especificidades. Destaca-se neste relato a função do tutor presencial e sua importância no processo educacional, que se configura como um dos agentes do processo, no qual estabelece contato direto com o acadêmico, facilitando o fortalecimento dos subgrupos de estudo dentro do grande grupo de estudantes. Os acadêmicos se fortalecem nesses grupos para enfrentar as dificuldades no decorrer do curso, integrando-se e interagindo entre si, favorecendo a aprendizagem. Esse processo de integração e interação é mediado pelo tutor presencial, como também o auxílio no uso das ferramentas tecnológicas. Portanto a função do tutor presencial se estabelece de forma fundamental no apoio à aprendizagem autônoma, fazendo a mediação, o acompanhamento e a orientação entre o aluno e os meios necessários, que se constituem por um sistema de comunicação e interação, ou seja, pelos diversos recursos a ele oferecidos com flexibilidade. Assim, é importante ressaltar a exigência de comprometimento de uma aprendizagem autodirigida dentro da individualidade, em um contexto cultural de experiências e aquisição de novos conhecimentos.

A EAD é, de certo modo, uma maneira de ampliar a oferta do ensino, universalizando

as oportunidades. Como nos diz Wedemeyer:

A ninguém deve ser negada a oportunidade de aprender, por ser pobre,

geograficamente isolado, socialmente marginalizado, doente, institucionalizado ou qualquer outra forma que impeça o seu acesso a uma instituição. Estes são os elementos que supõem o reconhecimento de uma liberdade para decidir se se quer

ou não estudar (apud ARETIO, 1986, p. 34).

Neste sentido, a EAD é a oportunidade de muitos ao acesso a conhecimentos científicos constituídos historicamente e à reelaboração de novos saberes em prol de uma sociedade mais equânime.

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Referências Anais do IV Simpósio sobre Formação de Professores – SIMFOP Universidade do Sul de

Referências

Anais do IV Simpósio sobre Formação de Professores – SIMFOP Universidade do Sul de Santa Catarina, Campus de Tubarão Tubarão, de 7 a 11 de maio de 2012

BELLONI, Maria Luisa. Educação a Distância. Campinas, Autores Associados, 2006.

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CHERMANN, Maurício; BONINI, Luci Mendes. Educação a distância: novas tecnologias em ambientes de aprendizagem pela Internet. Universidade Braz Cubas. 2000. FISCHER, Rosa Maria Bueno. Escrita acadêmica: arte de ensinar o que se lê. In: Caminhos Investigativos III: riscos e possibilidades de pesquisa nas fronteiras. COSTA, Marisa Vorraber; BUJES, Maria Isabel Edelwess (Org.) Rio de Janeiro: DP&A, 2005. GARCÍA ARETIO, Lorenzo. Educacion Superior a Distância: análisis de su eficacia. Merida (Espanha): UNED/Centro Regional de Extremadura, 1986. GOEDET, L.; SILVA, M.C. da R.F; ALMEIDA, M. Fundamentos da Educação a distância:

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