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Drogas, Políticas Públicas e Consumidores

Beatriz Caiuby Labate, Frederico Policarpo, Sandra Lucia Goulart e Pablo O. Rosa
(organizadores)

Editora: Mercado de Letras e Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos


(NEIP)

Resumo: Este livro visa refletir sobre as representações acerca do consumo de


substâncias psicoativas e discutir instrumentos teóricos e metodológicos que
permitam compreender os padrões de consumo, seus efeitos e os controles que os
cercam. Contempla a multiplicidade de discursos e práticas que coexiste em torno das
“drogas”. Tanto as estratégias de controle sobre as experiências de consumo, como
aquelas mobilizadas para garantir esse consumo são consideradas em suas
singularidades, isto é, a partir de sua própria constituição. Nenhum discurso serve
como referencial externo para a interpretação de outros: o que dizem e fazem os
agentes da lei e da saúde são tão legítimos quanto o que dizem e fazem os que
consumem ayahuasca, álcool, crack ou ritalina. Nesse sentido, propõe-se
problematizar o paradigma “médico-legal”. Ao mesmo tempo, busca-se superar a
dicotomia “efeitos farmacológicos” versus “aspectos culturais”, promovendo o
diálogo entre diferentes campos de conhecimentos, de modo a se pensar o tema a
partir de uma perspectiva mais integrada. Para tanto, o livro comporta: 1) Etnografias
sobre as práticas de consumo de “drogas”, “plantas” e/ou “remédios”; 2)
Regulamentações e controles sobre as “drogas”: Legislativo, Tribunais de Justiça e
Delegacias; e 3) Análises dos serviços de saúde, atendimento e tratamento de pessoas
que fazem uso de substâncias psicoativas.

Índice:

Prefácio
Michel Misse

Discursos e Práticas sobre Usos de Drogas: Perspectivas em Ciências Humanas


Beatriz Caiuby Labate, Frederico Policarpo, Sandra Lucia Goulart, Pablo Ornelas
Rosa

Parte I: Drogas e Cultura

1. Psicoativos, cultura e controles: contribuições da antropologia ao debate


público no Brasil

Taniele Rui e Beatriz Caiuby Labate

Este artigo parte de autores clássicos das ciências sociais para apresentar a
constituição da abordagem analítica dos efeitos das drogas como fenômenos culturais
e sociais. Se atualmente esta ideia é quase senso comum, a atualização radical deste
princípio entra em conflito com os paradigmas médicos e legais ainda dominantes.
Mais do que demonstrar como o contexto modula as experiências, investigamos como
os controles culturais e informais regulam o consumo de drogas. Exploramos uma
série de exemplos empíricos de como o uso de drogas é ‘controlado’ pela cultura, seja
em contextos tradicionais indígenas (ie peyote, ayahuasca), rituais contemporâneos
não indígenas (ie Santo Daime), recreativos (ie MDMA em raves, uso social do
álcool) ou abusivos (ie, crack nas ruas, ou drogas em prisões). Sugerimos que o uso de
drogas pode ocorrer de maneira não-problemática não apenas em contextos
tradicionais, mas também em sociedades contemporâneas, observando ainda que o
uso de drogas é sempre de alguma maneira regulado, mesmo em contextos
potencialmente abusivos. Argumentamos que mais do que ir além de um modelo
criminalização para reivindicar um de saúde/ redução de danos, é necessário
reconhecer a legitimidade e positividade cultural do uso de drogas, entendendo-a a
partir de uma perspectiva de direitos humanos.

2. Criatividade e Dinâmica do Mercado das Drogas: as Smart Shops em Lisboa


Antonio Rafael Barbosa
Neste capítulo abordo um assunto cujo interesse vem crescendo nas últimas décadas:
trata-se da contínua invenção de novas drogas sintéticas e dos mercados criados
através da circulação de tais substâncias. Tomo como estudo de caso o funcionamento
das chamadas smart shops em Lisboa, buscando desenvolver minhas reflexões em
torno de dois temas: a dinâmica dos “ilegalismos” presente em tais mercados e as
relações entre natureza e artificialidade que conformam as valorações sobre os
produtos comercializados.

3. Psicofármaco e smart drugs: metilfenidato e performance

Eleonora Bachi Coelho

O cloridrato de metilfenidato é um fármaco com ação psicoestimulante amplamente


conhecido por um de seus nomes comerciais: Ritalina®. Considerando os dados que
apontam a crescente realidade de consumo deste psicofármaco, bem como a presença
constante de polêmicas acerca de seus usos, o presente trabalho tem como objetivo
confrontar as fronteiras entre uso médico e não médico, medicamento e droga,
mediante a análise dos significados e das questões morais levantadas por usuários do
cloridrato de metilfenidato. Assim, utiliza-se o metilfenidato como um fio condutor
para acessar as narrativas em torno de seu uso e os significados sociais nele
implicados. Este trabalho faz parte de uma pesquisa de mestrado em antropologia
social em desenvolvimento e busca evidenciar a realidade do uso do metilfenidato
para aprimoramento e a tênue fronteira com seu uso terapêutico. A partir da análise do
material coletado em entrevistas com consumidores do medicamento, serão abordados
três tópicos: um caso de uso-médico; casos divergentes e sentimentos de ambiguidade
com relação ao medicamento. Por fim, constata-se que o medicamento assume
significado de força e sucesso para a maioria dos entrevistados, sem necessariamente
estar relacionado com demandas de saúde e qualidade de vida.
4. Ayahuasca e políticas públicas culturais: estratégias de reconhecimento
público das religiões ayahuasqueiras

Sandra Lucia Goulart

Este capítulo realiza uma análise sobre a demanda de reconhecimento do uso ritual da
bebida psicoativa ayahuasca como patrimônio imaterial da cultura brasileira,
apresentada por alguns grupos religiosos que fazem do consumo desta bebida o centro
de suas cerimônias. O objetivo é apontar para as estratégias e argumentações que são
privilegiadas por esses grupos na sua mobilização pelo registro do uso da ayahuasca
como patrimônio cultural nacional. Trabalho com a hipótese de que esta mobilização
implica numa transformação dos modos de relacionamento destes grupos religiosos
com outras esferas da sociedade e com o Estado. Há uma alteração na forma de
apresentação pública destas religiões: da associação ao debate sobre drogas passa-se à
definição da religião como cultura. Comparo esse processo vivido por grupos
religiosos ayahuasqueiros com o caso de outras religiões brasileiras. A analogia visa
apontar como diferentes definições de religião são construídas no processo de
legitimação social de cultos brasileiros. Aponto, especialmente, para as articulações
entre as definições de religião e de cultura nesse processo.

Parte II: Políticas Públicas, Legislação, Aplicação da Lei

5. Pesquisando com usuários de crack: reflexões metodológicas sobre a


experiência com o mapeamento do perfil de usuários no Nordeste do Brasil

Tatiane Vieira Barros e Jaína Linhares Alcantara

O trabalho proposto visa apresentar uma reflexão crítica sobre os percursos


metodológicos do mapeamento do perfil de usuários de crack e similares no Nordeste
do Brasil. Para isso, será tomada como base a experiência de antropólogas que
atuaram na pesquisa desenvolvida por uma fundação de estudos sociais em saúde nas
cidades de Natal (RN) e Fortaleza (CE). O objetivo desse trabalho é evidenciar como
os usuários de crack no país têm sido percebidos numa esfera social que contempla
tanto o cidadão comum quanto os pesquisadores, e quais as limitações das pesquisas
realizadas para entender essa questão e as problemáticas que a permeiam. Para tanto é
necessário compreender que pesquisas com usuários de substâncias psicoativas devem
levar em consideração o papel do sujeito, suas formas de uso e suas questões sociais.
Neste contexto, o estigma e a manipulação de informações podem ser trabalhados
como algo que envolve o universo daqueles que usam drogas, percebendo, através das
técnicas do corpo, espécies de padrões que são apreendidos e que de certa forma
aproximam os estereótipos — ou pelo menos está no imaginário do pesquisador.
Assim, o lugar metodológico da Antropologia nas pesquisas com usuários de crack
será levantado e discutido aqui.
6. A pacificação dos usos públicos do crack e a repressão ao usuário: notas a
partir de etnografia na região central de São Paulo

Rubens de Camargo Ferreira Adorno

Pretende-se nesse capítulo revisitar, a partir de etnografias realizadas desde os finais


da década de 1990, cenas de uso, que foram registradas no circuito de rua na cidade
de São Paulo. Parte-se do pressuposto de que o consumo de drogas relaciona-se com o
contexto de construção de subjetividade, corporalidades, moralidades, identidades e
práticas de vida. Essa é uma perspectiva dentro de etnografias contemporâneas,
desenvolvidas sobretudo como apreensões críticas do próprio processo
contemporâneo dos aparatos técno científicos que comandam os serviços de saúde. A
ideia de “pacificação de uso” remete por sua vez às estratégias de controle que foram
sendo desenvolvidas a partir do próprio uso, da ação e reação à política repressiva e
normatizadora do discurso sanitário, e também com a participação das ciências
humanas e da perspectiva do direito ao uso de drogas.

7. Liberação ou proibição? Um estudo sobre discursos e representações acerca da


política de drogas nos projetos de lei no Congresso Nacional (2010-2014)

Nalayne Mendonça Pinto e Alessandra Fontana Oberling

O presente trabalho tem por objeto analisar os discursos e as representações sociais


acerca dos projetos de lei em tramitação no Congresso Nacional sobre política de
drogas. Nos últimos quatro anos o debate sobre a reforma da política de drogas
ganhou projeção nacional em vista das mudanças legislativas e ampliação do debate
no cenário internacional. Seguindo assim uma tendência liberal de flexibilizar a
permissão para o uso recreativo e outros fins de determinadas substâncias ilícitas,
principalmente a “maconha”. Em outro sentido, propostas de recrudescimento penal
foram apresentadas no Congresso Nacional em resposta a uma suposta epidêmica do
crack no país. Com a finalidade de aumentar as penas para o crime de tráfico, entre
outros, mantendo a proibição do uso e estabelecendo políticas de saúde que visam a
abstinência total e as internações compulsórias como solução para a dependência
química. Nesse sentido, este trabalho pretende identificar e compreender os discursos
que embasam a elaboração dos projetos de lei que tramitam atualmente no parlamento
brasileiro, quais sejam: o PLC 37/2013, antigo PL 7663/2010 em tramitação no
Senado Federal; o PL 7187/2014 e o PL 7270/2014 em tramitação na Câmara dos
Deputados, além da Sugestão Número 8 - Proposta de ideia legislativa de iniciativa
popular do portal e-cidadania do Senado Federal. Por conseguinte, o que este estudo
pretender apontar são os embates discursivos, que nem sempre se fundamentam em
controvérsias de natureza conceitual, mas que compõem o cenário político e
mobilizam e inspiram os atores nas disputas de poder para fazer valer suas verdades.

8. A Política Nacional de Drogas e a Prática Judicial

Artur Dalla Cypreste e Bernardo Berbert Molina

Desde que entrou em vigor a atual lei de drogas em 2006, o número de pessoas presas
por tráfico de drogas passou a aumentar consideravelmente, ao passo que casos por
uso de drogas registram proporcional queda. O objetivo deste capítulo é analisar como
as representações sociais sobre o tráfico e as drogas incidem na prática judicial e
como símbolos são mobilizados e expressados nos discursos de magistrados,
promotores, advogados de defesa e depoentes em julgamentos de pessoas acusadas
por tráficos de drogas na cidade do Rio de Janeiro. Procuramos identificar de que
forma variáveis como origem e status social dos acusados são mobilizados para
classificar os réus como traficantes ou não, e no caso dos incriminados, como
interferem nas sentenças.

9. Notas sobre os processos de incriminação de consumidores e cultivadores


caseiros de maconha no Brasil

Marcos Alexandre Veríssimo da Silva

O objetivo desta proposta é apresentar algumas considerações baseadas em pesquisa


de pós-doutorado que venho desenvolvendo, sob o título de “O Aprendizado das
Práticas Jurídicas” (PNPD-CAPES), através do qual procuro aprofundar questões
colocadas na tese. Nesta, destaquei a prática da jardinagem como forma auto-
abastecimento realizada por parte de consumidores de maconha (Cannabis sativa L.),
planta cujo consumo e plantio é criminalizado pelo ordenamento jurídico brasileiro. A
partir da leitura de peças processuais onde pessoas aparecem interpeladas nos
tribunais por possuírem plantas de maconha, procurei apreender as representações e
moralidades estruturantes em tais processos de incriminação aos quais réus e
defensores tentam se opor, quase sempre através da construção de identidades
alternativas que ativam também as suas representações e moralidades estruturantes.
Embora, por conta da clandestinidade de tais jardins, não se possa estimar o número
de pessoas que a esta pratica aderem no Rio de Janeiro, minha etnografia junto a
grupos de cultivadores cariocas permite inferir que este número cresceu muito nos
últimos anos. Porém, pessoas são acusadas como traficantes por tal modalidade de
jardinagem. Desse modo, minha proposta é tentar compreender os processos de
incriminação e identificação aí envolvidos a partir do confronto do que “dizem” os
processos com o que a etnografia sugere.

Parte III: Saúde, Atendimento e Tratamento em Perspectiva

10. O local onde os múltiplos discursos sobre o consumo de drogas se encontram:


fazendo pesquisa num Centro de Atenção Psicossocial de Álcool e outras Drogas
(Caps/ad) no Rio de Janeiro

Frederico Policarpo

Neste trabalho discutirei o atendimento de saúde oferecido aos consumidores de


drogas na cidade do Rio de Janeiro, baseado em minha pesquisa de doutorado, quando
frequentei por um ano um Centro de Atenção Psicossocial de Álcool e outras Drogas
(Caps/ad) na zona norte da cidade. Pretendo discutir o encontro dos múltiplos
discursos acerca do consumo de drogas que se atualizam nesse espaço. O Caps/ad é
um serviço público de atendimento ambulatorial que funciona das oito da manhã às
cinco da tarde, oferece lanches, matinais e vespertinos, e almoço, além de atividades,
como oficinas e sessões de grupo e individuais. Além de participar das reuniões de
equipe que eram restritas aos profissionais, concentrei meu trabalho de campo no
pátio, onde conversava livremente com os pacientes. Se, por um lado, a frequência no
pátio me fez notar a multiplicidade de discursos acerca do consumo de drogas que
circula entre os pacientes, por outro, minha participação na reunião da equipe me fez
perceber as negociações e discussões entre os profissionais técnicos para objetivar as
práticas e discursos dos pacientes em sintomas. Esse encontro entre esses dois modos
discursivos acerca das drogas – que sugiro sintetizar em discursos a partir da
experiência e sobre a experiência de consumo de drogas – é o ponto que discuto neste
artigo.

11. A dependência química e seus cuidados: um olhar antropológico sobre os


desdobramentos de intervenções terapêuticas a partir das histórias de vida de
pacientes

Jardel Fischer Loeck

O presente capítulo tem o objetivo apresentar algumas reflexões sobre a rede de


atenção em saúde para usuários de substâncias psicoativas a partir das vivências de
pacientes/clientes dessa rede. Trata-se de um recorte de pesquisa realizada para a
elaboração de tese de doutorado em antropologia social. O trabalho de campo foi
desenvolvido em quatro diferentes contextos terapêuticos para dependentes químicos
na cidade de Porto Alegre (RS) – grupo de Narcóticos Anônimos, dois serviços de
atendimento ambulatorial (um filantrópico, outro dentro do modelo SUS) e uma
Comunidade Terapêutica de cunho religioso. Além do trabalho de observação
participante realizado nesses diferentes espaços, foram realizadas entrevistas em
profundidade com pacientes/clientes de cada um deles. Neste capítulo o objeto de
análise são passagens das trajetórias de vida de dois desses indivíduos. Pensa-se tanto
na dependência química como um processo muitas vezes colocado em prática através
de múltiplos contatos institucionais que se desenrolam no tempo e no espaço, quanto
na heterogeneidade dos atores sociais que, em contato com esses indivíduos, tornam a
dependência química e seus cuidados um fenômeno concreto. Mais do que abordar os
contatos terapêuticos em termos de eficácia ou sucesso, pensa-se aqui em seus
desdobramentos práticos. Parte-se do pressuposto de que as intervenções terapêuticas
para dependência química – principalmente de substâncias ilícitas – baseadas na
abstinência, não apresentam necessariamente desdobramentos previsíveis.

12. Eventos de coletas de dados: drogas, entrevistadores e participantes de pesquisa em


um empreendimento de pesquisa médico-científico

Eduardo Zanella

O presente trabalho descreve as coletas de dados de uma pesquisa médico-científica,


realizada com pacientes usuários de drogas. A partir do conceito de evento, objetiva-se
analisar os procedimentos necessários para a sua realização, com atenção para os
imponderáveis e transformações que ocorrem neste momento da atividade científica.
Argumento que o processo de fabricação dos participantes de pesquisa envolve a contínua
busca por atenuar e diminuir os efeitos do uso de drogas sobre estes sujeitos, com a
finalidade de garantir o registro de dados “íntegros” e “verídicos”. Deste modo, este
processo posiciona os pacientes usuários de drogas na qualidade de objetos da atividade
científica, no sentido de matéria-prima a partir da qual este empreendimento avança no
conhecimento das drogas. Por fim, o texto faz referência a situações nas quais os pacientes
não se comportam enquanto participantes de pesquisa, mas enquanto pesquisadores eles
próprios, sujeitos de conhecimento nas sessões de coletas de dados. Estas situações revelam
que as relações de poder sujeito/objeto no interior do empreendimento científico são
definidas a partir da maior ou menor aproximação de seus agentes com relação às drogas.

13. Redução de danos e empreendedorismo de si: a política de drogas no


contexto mundial contemporâneo

Pablo Ornelas Rosa

As primeiras experiências com políticas de Redução de Danos ocorreram na Inglaterra na


primeira metade do século XX, quando o Ministro Rolleston passou a prescrever metadona
para o tratamento da dependência da heroína. No Brasil, essas experiências começaram
institucionalmente em 1989, na cidade de Santos/SP, com a distribuição de preservativos e
seringas destinadas à usuários de cocaína injetável, que tinha como principal objetivo
reduzir os índices de contaminação de HIV/Aids. Como a grande parte daqueles que
reivindicavam por essas políticas de Redução de Danos era composta por usuários ou ex-
usuários de drogas, foi possível constatar a emergência de movimentos sociais organizados
por esses sujeitos que passaram a se profissionalizarem na condição de (agentes) redutores
de danos, divulgando suas ideias que consistiam em assumir o controle de si e dos outros no
que se refere ao consumo de drogas. Esse capítulo parte de reflexões, experiências e debates
extraídos de pesquisas de mestrado e doutorado que, ao se amparar na analítica genealógica
foucaultiana, mostram como ocorreu certa profissionalização de indivíduos incumbidos de
ensinarem técnicas bastante próximos daquilo que Michel Foucault chamou de poder
pastoral, também caracterizadas pelo controle das condutas através do policiamento do
outro.