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Como analisar poemas

O que eu pediria à escola, se não me faltassem luzes pedagógicas, era considerar a poesia
como primeira visão direta das coisas, e depois como veículo de informação prática e teórica,
preservando em cada aluno o fundo mágico, lúdico, intuitivo e criativo, que se identifica
basicamente com a sensibilidade poética.

Modalidades discursivas

 O discurso autoritário
 O discurso polêmico

 O discurso lúdico

 Adilson Citelli. Signo e persuasão.

 Ática, 2000

Trata-se de categorias de dominância e não de categorias autônomas

Adilson Citelli. Signo e persuasão.

Ática, 2000

Discurso autoritário

 Persuasivo por excelência (dominação pela palavra)


 Eu-tu-eu desaparece

 Não há possibilidade do receptor modificar ou interferir

 Exclusivista, não permite mediações ou ponderações

 Repete uma fala sacramentada em que o monólogo substitui o diálogo

Ex. família (pai que manda fingindo dar conselho); igreja (padre ameaçador em nome de
Deus); quartel (grito para preservar ordem e hierarquia; comunicação de massa
(publicitário)
Discurso polêmico

 Existe o desejo do emissor de dominar o referente


 O grau de persuasão é maior

 Há um embate/debate em que uma voz tenderá a derrotar a outra

 Grau de polissemia mais baixo

 É instigante, porque apresenta argumentos que podem ser contestados

 Emissor opera numa abertura sob controle (procura dominar o referente,


dando-lhe uma direção)

Ex: discussão, defesa de tese, editorial

Discurso lúdico

 Forma mais aberta e “democrática” de discurso


 Menor grau de persuasão

 Quase desaparecimento do imperativo e da verdade única e acabada

 Marcado pelo jogo de interlocução (eu-tu-eu convivem com signos mais


abertos, de forte polissemia.

Ex: produção literária

O gênero lírico

 Poesia lírica é aquela que essencialmente expressa sentimentos.

Introdução à poesia. Teoria e prática. Cândida Vilares Gancho. São Paulo: Atual, 1989
(Tópicos de linguagem)

A época e sua maneira de expressão literária

Amor é fogo que arde sem se ver;

É ferida que dói e não se sente;

É um contentamento descontente;

É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;

É solitário andar por entre a gente;

É nunca contentar-se de contente;


É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;

É servir a quem vence, o vencedor;

É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode se favor

Nos corações humanos amizade,

Se tão contrário a si é o mesmo amor?

Luís de Camões

Corridinho

O amor quer abraçar e não pode.

A multidão em volta,

com seus olhos cediços,

põe caco de vidro no muro

para o amor desistir.

O amor usa o correio,

o correio trapaceia,

a carta não chega,

o amor fica sem saber se é ou não é.

O amor pega o cavalo,

desembarca do trem,

chega na porta cansado

de tanto caminhar a pé.

Fala a palavra açucena,

pede água, bebe café,

dorme na sua presença,

chupa bala de hortelã.


Tudo manha, truque, engenho:

É descuidar, o amor te pega,

te come, te molha todo.

Mas água o amor não é. (Adélia Prado)

Terminologia

 Poesia – nome genérico que se dá ao gênero lírico. Pode ser usado também para
designar a produção poética inteira de um poeta.
 Poema – texto de poesia em particular.

 Verso – cada linha do poema.

 Estrofe – conjunto de versos de número variável.

 Métrica – técnica de compor versos segundo determinado metro ou tamanho; número


de sílabas de cada verso.

 Metro – medida de verso (de 2 a 12 sílabas poéticas)

 Rima – coincidência de sons.

Poesia, poema, ou texto poético?

 Poesia é a qualidade particular de tudo o que toca o espírito, provocando emoção e


prazer estético.
 A poesia está no mundo à espera de pessoas sensíveis que a descubram nas coisas
mais simples e cotidianas.

 Nem toda composição versificada contém poesia, e esta não precisa do verso para se
manifestar.

 Poesia é um elemento abstrato, enquanto poema (combinação de palavras, versos,


sons, ritmos...) é um elemento concreto.
Poeta ou “eu lírico”?

O poeta tem:

 Sensibilidade
 Imaginação

 Ingenuidade

 Desejo de atingir a perfeição, de escapar da mediocridade cotidiana

Caetano Veloso

Características da poesia

 Subjetividade
 Estrutura em versos

 Ritmo

 Gênero textual que se constrói com:

 Idéias e sentimentos
 Verso e recursos musicais

 Palavras com sentido figurado

Subjetividade

 Voltado sobretudo para o "eu poético" e não tanto para a realidade objetiva, exterior
ao "eu".
 Todo texto literário é subjetivo na medida em que expressa uma visão particular do
mundo. Na poesia, porém, a subjetividade se manifesta de modo mais direto, sem a
criação de personagens, ambientes, diálogos, etc.

 Para expressar suas emoções e seu ponto de vista particular, o autor recria também a
linguagem (conotativa, figurada)

Objetivo? Subjetivo?

Democracia urbana

"A nenhum urbanóide brasileiro passa despercebida a péssima qualidade de vida


existente nos médios e grandes centros urbanos: transporte coletivo precário, trânsito
insuportável, habitação cara e inacessível, ausência de espaços de lazer e de áreas verdes,
poluição atmosférica, sonora e visual. [...]"

(Fábio Feldman – Folha de São Paulo, 29-7-87)

Trastevere

A cidade é moderna