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Anais do XVIII Encontro de Iniciação Científica – ISSN 1982-0178

Anais do III Encontro de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação – ISSN 2237-0420


24 e 25 de setembro de 2013

Revisão de literatura sobre métodos de cálculo da aderência


entre concreto e aço
Lia Lorena Pimentel
Gabriela Vieira Cavalcanti Carvalho Professora Doutora, Fac. Engenharia Civil –PUC-
Engenharia Civil
Campinas CEATEC
CEATEC
lialp@puc-campinas.edu.br
gabriela.vcc@puc-campinas.edu.br
1. INTRODUÇÃO
Resumo: O conhecimento do comportamento da
aderência entre a barra da armadura e o concreto 1.1. A importância da aderência aço-concreto
circunvizinho a ela é fundamental para o
Segundo CLIMACO (2005) apud SILVA [1], a
dimensionamento de estruturas de concreto armado
associação aço-concreto tem como objetivo superar a
(CA), visto que através desse estudo avalia-se a
deficiência das estruturas de concreto simples nas
capacidade de carga dessas estruturas e essa é a
regiões de tração, já que ele é um material frágil, ou
condição básica para o controle da fissuração e da
seja, ele não se deforma antes de se romper,
definição das regras de projeto de ancoragens e das
enquanto o aço é um material dúctil (possui um
emendas por traspasse nas estruturas de concreto.
escoamento antes de sofrer a ruptura). Mas também
Contudo há diversos fatores que influenciam o seu
com um concreto de boa qualidade e com espessura
comportamento, como o cobrimento e espaçamento
adequada da camada de cobrimento essa associação
da armadura, tensão de escoamento do aço,
fornece um meio alcalino que protege o aço da
característica do concreto, diâmetro da armadura, tipo
corrosão, garantindo a durabilidade da estrutura.
e geometria da nervura, posição da barra durante a
Então, no concreto armado, esses dois materiais
concretagem, entre outros. Torna-se de fundamental
passam a constituir um sólido único, do ponto de vista
importância o entendimento dos conceitos teóricos
mecânico, quando submetido às ações externas. E
que envolvem a determinação dessa grandeza, pois
isso só é possível graças à aderência, que permite a
ela irá permitir a transferência de esforços e a
transferência dos esforços e a compatibilidade das
compatibilidade das deformações entre os dois
deformações.
materiais. Neste trabalho foram estudados os
Dessa forma, a aderência impede o deslocamento
métodos de ensaio de arrancamento direto (POT)
relativo entre o aço e o concreto, por isso alguns
segundo a RILEM CR6 e o APULOT, para a medição
autores ([2] e [1]) a descrevem como a relação da
da tensão de aderência, e também o método de
tensão de cisalhamento entre a superfície de uma
cálculo teórico da tensão de aderência. Os resultados
barra de aço e o concreto que a envolve e o
de tensão de aderência obtidos pelo ensaio APULOT
deslizamento relativo entre eles.
e POT são comparados com a tensão calculada
E através do conhecimento do comportamento da
conforme a especificação da NBR 6118:2007 para
aderência, pode-se avaliar a capacidade de carga das
analisar a viabilidade do uso do método APULOT que
estruturas de concreto armado, sendo a condição
tem como objetivo o controle de qualidade de
básica para o controle da fissuração e das emendas
concreto armado no próprio canteiro. Contudo a
por traspasse [1], [2] e [3].
análise dos resultados deve considerar que existe
uma diferença significativa entre o volume de 1.2. Mecanismos de aderência
confinamento da barra de aço entre os ensaios, já que
Para o estudo da aderência há uma divisão
o volume de concreto utilizado no ensaio POT é
esquemática em três parcelas: a aderência por
aproximadamente 4,5 vezes maior que no ensaio
adesão, por atrito e a mecânica, segundo Fernandes
APULOT. Tanto que o ensaio de arrancamento direto
[3], contudo, essa separação é meramente didática,
(POT) apresentou resistência de aderência em 28
pois não é possível determinar cada uma delas
dias superior à calculada pela norma, mas o mesmo
separadamente, são elas:
não foi observado para o método APULOT.
 Aderência por adesão: ocorre em função das
Palavras-chave: aderência, aço, concreto.
ligações físico-químicas entre aço e concreto durante
Área do Conhecimento: Engenharia Civil – a reação de pega do cimento. Ela depende da
Construção civil - FAPIC. limpeza da superfície e da rugosidade das barras, o
que não é suficiente para uma boa aderência, pois é
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destruída no caso de pequenos deslocamentos da


barra.
 Aderência por atrito: surge quando um material
tende a se deslocar em relação ao outro, existindo
pressões transversais às armaduras. Esse tipo
depende do coeficiente de atrito entre o aço e o
concreto.
 Aderência mecânica: ela está associada a forças
de compressão que surgem perpendiculares as
nervuras quando a barra é tracionada.
Entretanto há vários fatores que podem modificar o
comportamento da aderência, alguns são: cobrimento
e espaçamento da armadura, tensão de escoamento Figura 1. Curva Tensão de aderênciaXDeslizamento
do aço, característica do concreto, diâmetro da (TASSIOS, 1979 apud FERNANDES,[3])
armadura, comprimento de ancoragem, tipo e
geometria da nervura, posição da barra durante a 2. ENSAIOS PARA A DETERMINAÇÃO DA
concretagem, entre outros. TENSÃO DE ADERÊNCIA
A ruptura da aderência pode ser de dois tipos Segundo Tavares, [5] existem vários ensaios que
principalmente, por arrancamento direto da barra ou determinam os valores da tensão de aderência entre
por fendilhamento do concreto. A primeira ocorre a armadura de aço e o concreto, por exemplo:
quando a espessura da camada de cobrimento é  Ensaio de Arrancamento Direto: “pull-out test (POT)”
suficiente para resistir às tensões radiais, ou então - RILEM RC6 [6] e ASTM C-234 [7];
quando a armadura transversal consegue impedir ou  Ensaio de Arrancamento excêntrico: “cantil ever
retardar a propagação das fissuras de fendilhamento, Bond test - ASTM D 3433 [8]
permitindo assim o deslizamento da barra (ruptura  Ensaios de Flexão – “beam end test ”ASTM A 944
dúctil). Já a segunda forma de ruptura se deve ao fato [9];
das tensões superarem a capacidade resistente da
 Ensaio APULOT conforme LORRAIN e BARBOSA,
peça o que ocasiona fissurações transversais e
[10].
longitudinais e, dessa forma, há o rompimento do
concreto adjacente à barra. Mas também, caso a 2.1. Ensaio PULL-OUT TEST (RILEM/CEB RC6)
tensão na barra de aço atingir a sua tensão de
Segundo a norma, o corpo de prova cúbico deve ter
escoamento antes que ocorra alguma das formas
aresta de 10ø (sendo ø o diâmetro da barra) com uma
descritas, há a ruptura do aço.
aresta mínima de 20 cm, o comprimento de
Segundo Ducatti [2], para explicar os diversos
ancoragem deverá medir 5ø, de modo que a outra
estágios do desenvolvimento de tensões de acordo
parte do corpo de prova não deve estar aderida, para
com os deslocamentos, o pesquisador Tassios (1979)
diminuir a influência do confinamento causado pela
propôs um modelo para o comportamento da
placa de apoio no bloco, como mostra a Figura 2. O
aderência que é mostrado na Figura 1.
carregamento será aplicado na extremidade mais
1.3. Desenvolvimento do Trabalho longa da barra e na outra será medido o
deslocamento.
A primeira etapa deste trabalho consistiu em uma
É determinada a composição do concreto, para 1m3
revisão bibliográfica sobre os mecanismos de
serão necessários 1300 kg de cascalho natural, 600kg
aderência os fatores que a influenciam, na sequência,
de areia natural, 250kg de cimento e 165kg de água,
foi realizado um estudo sobre os métodos de ensaio
mas caso for preciso, poderá adicionar água para que
para a obtenção da tensão de aderência, com
o concreto atinja um slump de 5±1cm. Os
enfoque no pull-out test e APULOT, por fim os dados
componentes devem ser misturados mecanicamente
de tensão de aderência obtidos por Silva [1] em
e de preferência em um misturador de eixo vertical,
ensaios pull-out test e APULOT, foi comparado com a
por 3 minutos para os constituintes secos e mais 3
tensão de aderência calculada segundo a NBR
minutos depois que a água for adicionada. Para a
6118:2007 [4], para os resultados obtidos pelo
colocação do concreto fresco no molde a barra deve
pesquisador, para o mesmo concreto usado na
ser mantida no seu eixo horizontal.
preparação dos corpos de prova dos ensaios práticos.
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𝐹
𝜏𝑢 = 𝜋∗∅∗𝐿 (2)

4∗𝐹
𝐹𝑦 = (3)
𝜋∗∅2

𝑦𝐹 ∗∅
𝐿 = 4∗𝜏 (4)
𝑢
onde:
𝜏𝑢 = tensão última de aderência (MPa)
F = força de arrancamento (N)
Figura 2. CP do ensaio PULL-OUT [1] Ø = diâmetro da barra (mm)
L = comprimento de ancoragem (mm)
O corpo de prova deverá ser colocado verticalmente Fy = tensão de escoamento do aço (MPa)
na chapa de apoio (com cavidade central de 2ø). Na O cálculo da aderência entre a armadura e o concreto
extremidade inferior será aplicada uma carga também pode ser feito de forma teórica seguindo as
progressiva e constante até que haja a ruptura da recomendações da Norma Brasileira NBR 6118:2007
ligação ou a divisão do bloco. e também através da análise numérica.
Os resultados das forças de tensão encontradas nos
testes serão transformados pela fórmula de tensão de
aderência e convertidas linearmente para o valor
médio do intervalo de resistência à compressão do
concreto (fcm):
𝐹 𝑓𝑐𝑚
𝜏𝑑𝑚 = × (1)
5𝜋ø2 𝑓𝑐
onde:
2
fcm= 30 N/mm (para cubos de 150mm ou 200mm) ou
2 Figura 3. Modelo ensaio APULOT [1]
25,5N/mm (para cilindros 150 x 300mm);
fc= média dos exemplares testados.
Assim, a curva media 𝜏𝑑𝑚 = 𝑓(∆0 ), onde Δ0=
deslizamento sob a força de tensão F, servirá de base
para julgamento da ligação.
2.2. Ensaio de APULOT
De acordo com Silva [1], a modificação do ensaio
POT foi sugerida por Lorrain e Barbosa [10] com o
propósito de facilitar o ensaio de arrancamento direto
e torná-lo realizável no próprio canteiro de obra, pois
dessa forma esse método poderia ser usado como
ensaio de controle de qualidade do concreto usando a Figura 4. Esquema ensaio APULOT [1]
lei de correlação entre a tensão última de aderência e
a resistência à compressão. 3. DETERMINAÇÃO TEÓRICA DA TENSÃO DE
O método é baseado no mesmo princípio do POT ADERÊNCIA
(arrancamento de uma barra de aço inserida num Nesse item será explicado o procedimento para
corpo de prova de concreto), no entanto usa como determinação teórica da tensão de aderência em
molde garrafas PET, com o formato mais homogêneo função das características do aço e do concreto
possível no comprimento de ancoragem, e um segundo a NBR 6118 [4].
macaco hidráulico, que é um equipamento facilmente De acordo com a NBR 6118 [4], item 9.3.2.1, o cálculo
encontrado nos canteiros. As figuras 3 e 4 da resistência de aderência (𝑓𝑏𝑑 ) é dado pela
apresentam o esquema do ensaio APULOT. expressão abaixo, sendo:
Para obter o comprimento de ancoragem (Equação
4), são utilizadas as fórmulas da tensão última de 𝑓𝑏𝑑 = ɳ1 ∗ ɳ2 ∗ ɳ3 ∗ 𝑓𝑐𝑡𝑑 (5)
aderência (Equação 2) e a tensão de escoamento do
aço (Equação 3):
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1,0 para barras lisas dissertação de Silva [1],”Investigação do potencial dos


ɳ1 = 1,4 para barras entalhadas ensaios APULOT e pull-out para estimativa da
2,25 para barras nervuradas resistência à compressão do concreto”, entretanto, é
necessário primeiramente converter os valores de
1,0 para situações de boa aderência
2  0,7 para situações de má aderência
resistência do ensaio em resistência característica, e
depois para resistência de cálculo. Para isso a NBR
1,0 para Ф < 32 mm 12655 [11] descreve no item 5 a equação 8:
𝜂3 = (132 – Ф)/100 para Ф>32 mm
fcj = fck + 1,65 ∗ Sd (8)

São considerados em boa situação de aderência os onde:𝑓𝐶𝑘 é a resistência característica do concreto à


trechos das barras que estejam em uma das posições compressão;
seguintes: 𝑓𝑐𝑗 é a resistência média do concreto à compressão,
a) Com inclinação maior que 45º sobre a horizontal; prevista para a idade de j dias;
b) Horizontais ou com inclinação menor que 45º 𝑆𝑑 é o desvio-padrão da dosagem.
sobre a horizontal, desde que:
Adaptando-a para a tensão de aderência, pode-se
 Para elementos estruturais com h  60 cm, reescrever a Equação 8 da seguinte forma:
localizados no máximo 30cm acima da face inferior do
elemento ou da junta de concretagem próxima; fbm = fbk + 1,65 ∗ Sd , ou ainda,
 Para elementos estruturais com h  60 cm,
fbk = fbm − 1,65 ∗ Sd (9)
localizados no mínimo 30cm abaixo da face superior
do elemento ou da junta de concretagem mais onde:𝑓𝑏𝑘 é a tensão característica de aderência do
próxima. concreto;
Os trechos das barras em outras posições devem ser 𝑓𝑏𝑚 é a resistência média de aderência do concreto;
considerados em má situação de aderência. 𝑆𝑑 é o desvio-padrão = 4,0MPa já que o concreto foi
O valor de fctd (resistência à tração do concreto) é preparado de acordo com a condição A do item
dado pela equação 6: 5.6.3.1.
𝑓 𝑐𝑡𝑘 ,𝑖𝑛𝑓 Contudo, a resistência de cálculo para a idade de 28
𝑓𝑐𝑡𝑑 = 𝛾𝑐
(6) dias ou superior é dada pela expressão apresentada
na NBR 6118 [4] no seu item 12:
Sendo: fctk ,inf = 0,7 ∗ fctm e fctm = 0,3 fck 2 3
fk fk
0,21 fd = = (10)
Portanto: fctd = ∗ fck 2 3 𝛾𝑐 1,4
γc
Onde:fctk ,inf = valor mínimo da resistência E quando a verificação é feita para idades inferiores a
característica a tração do concreto; 28 dias, o cálculo é dado pela seguinte expressão:
fctm = resistência média a tração do concreto
Já o comprimento de ancoragem básico é dado pela f kj fk
𝑓𝑑 = ≅ 𝛽1 ∗ (11)
equação 7: 𝛾𝑐 1,4
ø f yd
lb = ∗ (7) Sendo𝛽1 a relação de 𝑓𝑘 𝛾𝑐 dada pela equação 12:
4 f bd
Onde:fyd = valor da resistência da resistência de 1 2
escoamento do aço. 𝛽1 = 𝑒𝑥𝑝 𝑠 1 − (28 𝑡) (12)
O comprimento de ancoragem é definido como o
comprimento reto de uma barra de armadura passiva onde:s= 0,38 para concreto de cimento CPII e IV;
de aço necessário para ancorar a força limite: As s= 0,25 para concreto de cimento CPI e II;
(área da seção transversal da armadura) ∗ fyd nessa s= 0,20 para concreto de cimento CPV-ARI;
barra, admitindo, ao longo desse comprimento, t= é a idade efetiva do concreto, em dias.
resistência de aderência uniforme e igual a fbd . E como foi descrito anteriormente, segundo a NBR
6118 [4], o cálculo teórico da tensão de aderência é
4. METODOLOGIA obtido a partir da resistência característica do
concreto à compressão:
Para fazer a comparação entre a tensão de aderência
f 𝑐𝑡𝑚
obtida por ensaio e a calculada conforme especifica a fctm = 0,3 fck 2 3 (13) fctd = 1,4
(14)
NBR 6118 [4], foram utilizados os resultados da
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𝑓𝑏𝑑 = ɳ1 ∗ ɳ2 ∗ ɳ3 ∗ 𝑓𝑐𝑡𝑑 (15) Tabela 2 – Resultados ensaio APULOT


Idade τm fbk fbd
β1
1 ,  2
Ruptura (dias) (MPa) (MPa) (MPa)

e 3 foram considerados iguais a 2,25, 1,0 e 8,14 1,54 0,73
1,0, respectivamente, pois foram utilizadas barras 3 9,31 2,71 0,66298024 1,28
8,40 1,80 0,85
nervuradas, em situações de boa aderência e com 8,97 2,37 1,39
diâmetros menores que 32mm. 7 10,38 3,78 0,81873075 2,21
8,95 2,35 1,37
4.1. Ensaio APULOT realizado por Silva,[1] 11,26 4,66 3,33
Para realizar o ensaio, SILVA [1] moldou os CP’s 28 11,98 5,38 - 3,84
9,39 2,79 1,99
usando barras de aço de 8,0mm, 10,0mm e 12,5mm 14,30 7,70 3,65
de diâmetro e dois traços de concreto, T1 (1:2,93:3,0 3 16,06 9,46 0,66298024 4,48
a/c=0,63) e T2 (1:1,55:1,94 a/c=0,38), traços em 12,84 6,24 2,95
massa (cimento:areia:brita). Foram moldados 8 16,33 9,73 5,69
corpos-de-prova para cada diâmetro de barra, ou 7 16,70 10,10 0,81873075 5,91
16,00 9,40 5,50
seja, um total de 144 CP’s, sendo o comprimento de
18,06 11,46 8,19
ancoragem de 10*ϕ. 28 18,64 12,04 - 8,60
Dessa forma, SILVA [1] obteve os resultados 18,29 11,69 8,35
apresentados na Tabela 1.
Assim utilizando a Equação 9, foi convertida a tensão 4.2. Ensaio POT realizado por Silva [1]
média de aderência (𝜏𝑚 ) encontrada no ensaio em Silva [1] moldou 108 de corpos-de-prova POT (sendo
tensão de aderência característica (𝑓𝑏𝑘 ) e 6CP’s para cada diâmetro de barra) e com o mesmo
posteriormente, através da Equações 10 e 11, 𝑓𝑏𝑘 foi critério utilizado para o ensaio APULOT, contudo,
convertido para resistência de aderência, valor de para este ensaio, o comprimento de ancoragem é de
cálculo 𝑓𝑏𝑑 . Os valores obtidos são apresentados na 5 vezes o diâmetro da barra. Os resultados do ensaio
tabela 2. são apresentados na Tabela 3.
Tabela 1.Resultados ensaio APULOT (Silva, [1]) Tabela 3 – Resultados ensaio POT (SILVA, 2010)
Idade Ruptura Diâmetro τm Idade
(dias)
Traço fc (MPa)
Nominal (mm) (MPa) fc Diâmetro τm
Ruptura Traço
(MPa) Nominal (mm) (MPa)
(dias)
8,0 8,14
8,0 6,6
3 16,7 10,0 9,31
3 16,7 10,0 9,2
12,5 8,40
12,5 11,4
8,0 8,97 8,0 8,3
7 T1 21,1 10,0 10,38 7 21,1 10,0 12,2
T1
12,5 8,95 12,5 13,6
8,0 11,26 8,0 9,5
28 28,0 10,0 11,98 28 28,0 10,0 13,9
12,5 9,39 12,5 16,7
8,0 14,30 8,0 11,4
3 33,1 10,0 16,06 3 33,1 10,0 16,1
12,5 12,84 12,5 18,7
8,0 16,33 8,0 16,9
7 T2 40,5 10,0 16,70 7 T2 40,5 10,0 20,4
12,5 16,00 12,5 22,7
8,0 18,06 8,0 18,0
28 49,9 10,0 18,64 28 49,9 10,0 21,7
12,5 18,29 12,5 22,9
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Na Tabela 4 são apresentados os valores calculados para os dois traços de concreto. Os graficos 2 e 3
das tensões de aderência característica e valor de apresentam os resultados obtidos para as barras de
cálculo, obtidos pelas equações 10 a 15. 10 mm e 12,5 mm respectivamente.

Tabela 4 – Resultados ensaio POT


Idade
τm fbk fbd
Traço Ruptura β1
(MPa) (MPa) (MPa)
(dias)
6,6 0,03 0,01
3 9,2 2,56 0,663 1,21
11,4 4,75 2,25
8,3 1,72 1,01
T1 7 12,2 5,56 0,819 3,25
13,6 7,03 4,11
9,5 2,91 2,08
28 13,9 7,32 5,23
16,7 10,06 7,19 Gráfico 1 – Tensão de Aderência paraϕ=8,0 mm
11,4 4,84 2,29
3 16,1 9,46 0,663 4,48
18,7 12,05 5,71
16,9 10,29 6,02
T2 7 20,4 13,83 0,819 8,09
22,7 16,14 9,44
18,0 11,42 8,16
28 21,7 15,12 10,80
22,9 16,26 11,61

4.3. Tensão de aderência calculada pela NBR 6118


[4] Gráfico 2 – Tensão de Aderência para ϕ=10,0 mm
A partir das resistências à compressão axial obtidas
por SILVA (2010), foram calculadas as respectivas
tensões de aderência de acordo com a NBR
6118:2007, utilizando as Equações 13, 14 e 15. A
tabela 5 apresenta os resultados médios de
resistência a compressão obtidos bem como os
resultados do calculo segundo a NBR 6118.

Tabela 5 – Resultados obtidos conforme NBR 6118


Idade
fc fctm fctd fbd
Traço Ruptura
(MPa) (MPa) (MPa) (MPa) Gráfico 3 – Tensão de Aderência para ϕ=12,5 mm
(dias)
3 16,7 1,96 1,40 3,15
T1 7 21,1 2,29 1,64 3,68 4.5. Comparação entre as tensões de aderência
28 28,0 2,77 1,98 4,45 obtidas POT/NBR 6118
3 33,1 3,09 2,21 4,97
T2 7 40,5 3,54 2,53 5,69 Os Graficos 4 a 6 apresentam a comparação entre a
28 49,9 4,07 2,90 6,53 tensão de aderencia calculada segundo a NBR 6118
e a tensão de aderencia obtida pelo ensaio POT
quando da utilização da barra de 8 mm 10 mm e 12,5
4.4. Comparação entre as tensões de aderência mm de diametro, respectivamente e para os dois
obtidas NBR 6118/APULOT traços de concreto.
O Gráfico1 apresenta a comparação entre a tensão
de aderencia calculada segundo a NBR 6118 e a
tensão de aderência obtida pelo ensaio APULOT
quando da utilização da barra de 8 mm de diametro e
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mais variedades de dados, para atestar ou não essa


disparidade. E também considerar que para o ensaio
POT foram utilizados aproximadamente 8 l de
concreto para cada corpo-de-prova, enquanto para o
ensaio APULOT, foram utilizados aproximadamente
1,8 l variando consideravelmente o confinamento da
barra.

AGRADECIMENTOS
Agradeço primeiramente à minha orientadora, a Profª.
Drª. Lia Lorena Pimentel, e também à Profª. Ana
Elisabete P. G. A. Jachinto pelo apoio, incentivo e
Gráfico 4 – Tensão de Aderência para ϕ=8,0 mm conhecimento proporcionado.
À Pro-Reitoria de Pesquisa e Extensão da PUC-
Campinas pela bolsa FAPIC e a oportunidade de
desenvolver esse trabalho.

REFERÊNCIAS
[1] SILVA, B. V. Investigação do Potencial dos
Ensaios APULOT e PULL-OUT para Estimativa
da Resistência a Compressão do Concreto.
2010. 180f. Dissertação (Mestrado em
Engenharia Mecânica) – Universidade Estadual
Gráfico 5 – Tensão de Aderência para ϕ=10,0 mm Paulista, Ilha Solteira – SP, 2010.
[2] DUCATTI, V. A. Concreto de Elevado
Desempenho: Estudo da Aderência com a
Armadura. 1993. 273f. Dissertação (Doutorado
em Engenharia de Construção Civil),
Universidade de São Paulo, São Paulo – SP,
1993.
[3] FERNANDES, R. M. A Influência das Ações
Repetidas na Aderência Aço-Concreto. 2000.
172f. Dissertação (Mestrado em Engenharia de
Estruturas), Universidade de São Paulo, São
Carlos – SP, 2000.
Gráfico 6 – Tensão de Aderência para ϕ=12,5 mm
[4] ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS
TÉCNICAS (2007). NBR 6118 – Projeto de
5. CONCLUSÃO
estruturas de concreto - Procedimento. Rio de
No ensaio APULOT apenas o concreto de maior Janeiro – RJ. 221p
resistência à compressão (T2) obteve uma tensão de [5] TAVARES, A. J. Aderência Aço-Concreto: Análise
aderência superior à recomendada pela NBR Numérica dos Ensaios PULL-OUT e APULOT.
6118:2007 aos 28 dias. Enquanto no ensaio POT, 2012. 143f. Dissertação (Mestrado em
ambos os traços de concreto atingiram uma tensão de Engenharia Mecânica) – Programa de Pós-
aderência superior à calculada pela norma aos 28 Graduação em Engenharia Mecânica,
dias, sendo que o traço T1 apenas para aço de 10 Universidade Estadual Paulista, Ilha Solteira –
mm e 12,5mm de diâmetro, mas também aos 7 dias já SP, 2012.
foi possível observar essa superioridade dos [6] COMITE EURO-INTERNATIONAL DU BETON
resultados obtidos nos ensaios. (1983) RILEM/CEB/FIP Recommendations on
Dessa forma pode-se concluir que a adaptação do reinforcement steel for reinforced concrete - CEB
ensaio de arrancamento direto ainda precisa de RC 6 – Bond test for reinforcement steel: 2. Pull-
melhorias, para que seus resultados possam ser out-test, Paris: CEB, 1983. 3 p.
utilizados de forma segura e estejam em [7] ASTM C 234 91a (1996) – Standard test method
concordância com a NBR 6118:2007. Contudo é for comparing concretes on the basis of the bond
necessário ainda fazer um estudo mais amplo, com developed with reinforcing steel.
Anais do XVIII Encontro de Iniciação Científica – ISSN 1982-0178
Anais do III Encontro de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação – ISSN 2237-0420
24 e 25 de setembro de 2013

[8] ASTM D 3433-93, “Standard Method for Fracture


Strength in Cleavage of Adhesives in Bonded
Metal Joints”, American Society for Testing and
Materials, 100 Barr Harbor Dr., West
Conshohocken, PA 19428-2959.
[9] ASTM A944, 2005, “Standard Test Method for
Comparing Bond Strength of Steel Reinforcing
Bars to Concrete Using Beam-End Specimens,”
(ASTM A944 – 05), ASTM International, West
Conshohocken, PA.
[10] LORRAIN, L; BARBOSA, M.P. Controle de
qualidade dos concretos estruturais: ensaio de
aderência aço-concreto. Revista Concreto&
Construções, São Paulo, v. 36, n. 51, p. 52-57,
2008.
[11] ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS
TÉCNICAS (2006). NBR 12655 – Concreto de
cimento Portland – Preparo, controle e
recebimento - Procedimento. Rio de Janeiro –
RJ. 22p