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m

NEMUEL kessler

ÉTICA
PASTORAL
O comportamento
do pastor diante de Deus
e da sociedade

CM)
Todos os Direitos Reservados. Copyright © 1989 para a língua port-
guesa da Casa Publicadora das Assembleias de Deus.

241.641 Kessler, Nemuel, 1940-


KESe /
Ética pastoral. Rio de Janeiro, CPAD, 1988
/

1. Ética pastoral. 2. Teologia pastoral - Ética. 3. Lide


rança. 4. Moral e cívica. I. Título.

Casa Publicadora das Assembléias de Deus


Caixa Postal 331
20001, Rio de Janeiro, RJ, Brasil

15a Edição 2010


índice
a p re s e n ta ç ã o ..........................................................................................................11
P o rq u e Escrevi este Livro.......................................................................................13
I. QUALIFICAÇÕES DO PASTOR
1. Vocação Divina............................................................................................17
2. Conduta Pessoal...........................................................................................19
3. Desafios Modernos...................................................................................... 21
4. Recursos do Pastor...................................................................................... 22
II. O PASTOR E SUA VIDA PARTICULAR
l.AVida Espiritual...........................................................................................25
a) Santidade.....................................................................................................25
• Deus é Santo............................................................................... 25
• Somos templo do EspíritoSanto................................................ 26
• Deus exige santidade................................................................. 27
b) Pecados da Língua..................................................................................... 29
• Conversação torpe......................................................................29
• Crítica......................................................................................... 31
• Cólera/ira/ódio............................................................................33
• Irreverência ou profanação........................................................ 37
• Leviandade................................................................................. 39
• Mentira....................................................................................... 40
• Murmuração............................................................................... 42
c) Tentações do Pastor.................................................................................. 44
d) Perigos que Rondam a Vida do Pastor.................................................... 46
• Dinheiro..................................................................................... 46
• Egoísmo..................................................................................... 48
•Falsidade.............................................. .50
• Imoralidade.......................................... ..51
• •Inveja................................................... ..52
•Orgulho................................................. ..56
•Preguiça............................................... .61
1. Outros perigos............................. ..63
2. Alegria resultante do seu sucesso .63
3. Rotina natural.............................. 64
4. Zelo e esforço próprio................. .64
5. Comodismo issional.................... .65
2. A Vida Pessoal.............................................................. .65
a. O Corpo.............................................................. 66
• Cuidados com o corpo.................................. ..67
• Exercício físico.............................................
• O descanso................................................... ..68
• O so n o .......................................................... ..68
b. A Alimentação......................................................... ...70
c. A Vida Emocional.................................................... ..72
• I. Emoções primárias.................................... ..73
• II. Emoções ligadas à estimulação sensorial ...75
• III. Emoções ligadas à auto-estima.............. ..76
• IV. Emoções ligadas a outras pessoas......... ..76
• V. Reação às emoções.................................. ..77
1. Ansiedade............................................. ..77
2. Estresse.................................................. ..77
3. Fadiga.................................................... ..80
d. Meditação ..82
e. Velhice.... ..84
• Evitando a solidão.......... ..85
• Frutos da velhice............ ..86
• Prevenção para a velhice ..88
3. A Vida Familiar........................... ..89
a. O lar....................................... ..89
b. Aesposa................................. ..91
c. Os filhos................................. 101
III. O PASTOR E SEUS ESTUDOS
1. Remindo o Tempo................................. .111
2. Abiblioteca......................................... 114
IVO PASTOR E O REBANHO
1. No Púlpito................................................. .118
• Apostura no púlpito........................... .119
• A direção do culto............................. 120
2. Como Conselheiro................................. 122
3. Com a Mocidade..................................... .123
• A mocidade no contexto da Ig re ja . 123
• pastor no contexto da mocidade....... 124
• A mocidade no contexto pastoral...............................................................126
4. Ética Pastoral..................................................................................................... 128
• deveres pessoais...........................................................................................129
• deveres horizontais.......................................................................................133
• deveres verticais...........................................................................................136
5. Clínica Pastoral................................................................................................137
V. O PASTOR COMO ADMINISTRADOR
1. M udança de Pastorado................................................................................. 147
2. Ininada de Decisões......................................................................................149
3. Administrando o Tempo................................................................................ 150
VI. O PASTOR COMO LÍDER
1. O que é Liderança............................................................................................155
2. Conceitos Bíblicos Sobre a Liderança da Igreja.......................................... 156
3. Estilos de Liderança........................................................................................157
4. Diretrizes Para uma Excelente Liderança......................................................159
5. O Preço da Liderança.....................................................................................161
6. As Qualificações Necessárias de um Líder...................................................164
7. Aperfeiçoando o Líder.................................................................................... 165
V II. CÓDIGO DE ÉTICA PASTORAL
1. Princípios Básicos........................................................................................169
2. A ÉticadaVidadoPastor.............................................................................. 170
2.1. Pessoal................................................................................................. 170
2.2. Familiar................................................................................................ 171
3. AÉtica nas Relações Eclesiásticas............................................................. 171
3.1. Em Relação à Denominação................................................................. 171
3.2. Em Relação à Convenção..................................................................... 172
3.3. Em Relação à Igreja.............................................................................. 175
3.4. Em Relação ao seu Trabalho.................................................................176
4. A Ética nas Atividades Ministeriais.............................................................177
4.1. Em Relação ao Antecessor.................................................................... 177
4.2. Em Relação ao Sucessor........................................................................ 177
4.3. Em Relação aos Colegas....................................................................... 178
Bibliografia.............................................................................................................. 181
ín d ic e d a s a b r e v i a t u r a s
USADAS NESTE LIVRO
VELHO TESTAMENTO

Gn - Gênesis Pv - Provérbios
Ex - Êxodo Ec - Eclesiastes
Lv - Levítico Ct - Cantares
Nm - Números Is - Isaías
Dt - Deuteronômio Jr - Jeremias
Js - Josué Lm - Lamentações de Jeremias
Jz - Juízes Ez - Ezequiel
Rt - Rute Dn - Daniel
1 sm - 1 Samuel Os - Oseias
2 sm - 2 Samuel Jl - Joel
1 rs - 1 Reis Am - Amós
2 rs - 2 Reis Ob - Obadias
1 cr - Crônicas Jn - Jonas
2 cr - 2 crônicas Mq - Miquéias
Ed - Esdras Na - Naum
Ne - Neemias Hc - Habacuque
Et - Ester Ag - Ageu
Jó - Jó Zc - Zacarias
Sl - Salmos Ml - Malaquias

NOVO TESTAMENTO.
M t - M a te u s 1 T m - 1 T im ó te o
M c - M a rc o s 2 T m - 2 T im ó te o
L c - L ucas T t - T ito
Jo - Jo ã o F m - F ile m o n
A t - A to s H b - H e b re u s
R m - R om anos T g - T ia g o
1 C o - 1 C o rín tio s 1 P e - 1 P e d ro
2 C o - 2 C o rín tio s 2 P e - 2 P e d ro
G l - G á la ta s 1 Jo - 1 Jo ã o
E f - E fé s io s 2 Jo - 2 Jo ã o
F p - F ilip e n s e s 3 Jo - 3 Jo ã o
C l - C o lo s s e n s e s Ju - Judas
1 T s - 1 T e s s a lo n ic e n s e s A p - A p o c a lip s e
2 T s - 2 T e s s a lo n ic e n s e s
Apresentação

S into-m e h o n rad o p e la solicitação do ilu s tre p a s to r


N em u el K essler no sen tid o de escrev er alg u m as
p a la v ra s, à g u isa de a p resen tação , a fim de serem
in se rid a s n este novo ex em p lar de s u a la v ra , in titu la d o
Ética Pastoral.
Tive a o p o rtu n id ad e de co m p u lsar os o rig in ais, c a p í­
tu lo p o r cap ítu lo , e a conclusão que ten h o chegado é a de
que se tr a ta de u m a o b ra re a lm e n te a tu a liz a d a e
p ro fu n d am en te c a re n te em n o ssa b ib lio g rafia
p en teco stal, to rn á n d o se, p o r co n seg u in te, m u itíssim a
o p o rtu n a.
A su cessão de conceitos em itidos, de u m a form a
lógica e a té d id ática, nos lev a a a firm a r que e s ta o b ra
p re e n c h e rá um vácuo a lta m e n te e x iste n te no que tan g e
a livros d este jaez.
M uitos dos livros ed itad o s sobre e ste te m a não m ais
são en co n trad o s em n o ssas liv ra ria s, de so rte que e ste já
se faz a lta m e n te n ecessário .
M u itas n o rm as de p ro ced im en to ético são co m p leta­
m en te ig n o ra d as ou esq u ecid as, de m odo que, não ra ro , o
relacio n a m en to Pastor-Rebanho ten d e a se r deficiente
p o r a u sê n c ia de p a râ m e tro s claros, bíblicos e a tu a is.

11
A le itu ra d este livro c e rta m e n te a ju d a rá a m uitos
ob reiro s a alcan çarem u m a visão m ais p ro fu n d a da
d ig n id ad e do m in isté rio e p rin c ip a lm e n te dos deveres
que cad a um tem p a ra com D eus e p a ra com o reb an h o
que lh es foi confiado. Q uem sabe se o versícu lo v in te, do
cap ítu lo treze, do livro de Je re m ia s, não sig n ifica que
c h e g a rá o d ia quan d o o S en h o r e x ig irá de cad a p a s to r a
p re s ta r e s tr ita co n ta do reb a n h o que lhe foi e n tre g u e ?
P arece co n co rd ar com a recom endação do apóstolo P edro
n a su a p rim e ira c a rta , versícu lo dois a q u atro , do
cap ítu lo cinco.
O p a s to r N em uel com m u ita se g u ra n ç a faz citações
de bons livros, re v ista s e valorosos escrito res, q u alid ad e
de um e sc rito r a b so lu ta m e n te a fa sta d o de q u a lq u e r
se n tim e n to egocêntrico, não deixando de se r o seu livro
bem o rig in al. P o rta n to , nos sen tim o s h o n rad o s em o
a p re s e n ta r aos leito res em g e ra l e m u i esp ecialm en te
aos obreiros evangélicos e su a s esposas; os se m in a rista s
o devem le r com esm ero, m o rm en te aq u eles que sen te m
a ch a m a d a vocação d iv in a p a ra o m in isté rio da s a n ta
P a la v ra de D eus.
A le itu ra de bons livros não é a p e n a s "recreio". E a u ­
m ento de conhecim entos e p ro g resso de in telig ên cia.
Com a le itu ra da B íb lia e de livros sadios, alim en tam o s
a n o ssa alm a e desenvolvem os o nosso in telecto .

Pastos Francisco Assis Gomes


Jubilado pela Assembléia de Deus
Na Ilha do Governador,Rio de Janeiro, RJ.

12
Porque Escreví
este Lívro
Foí um esforço q u ase so b re-h u m an o co n cluir este
livro não porque o a ssu n to não fosse in te re s s a n te , de
form a alg u m a, m as p o r c a u sa dos tem pos difíceis e
tra b a lh o so s de que falou o apóstolo P au lo a Tim óteo,
m o rm en te quan d o e n c u rta m o longo p ercu rso d a v id a
m in iste ria l.
F o i esse cam inho, cheio de o p o rtu n id ad es aos que
d esejam firm ar-se como ú te is  quele que nos cham ou,
que, to rn o u p o ssív el d isc o rre r sobre as e ta p a s concluídas
d este g ran d e, porém condensado, assu n to .
C reio que s e ria in d isp en sáv el, n e ste livro, m u ita s das
observações p a sto ra is, se a ascen d ên cia m in iste ria l se se
p ro cessasse de form a bíblica, e se esp e lh a sse nos
d itam es de N osso S en h o r J e s u s C risto. M as não tem
sido assim , pois, de fo rm a p a te n te a d a , e s ta n e fa sta
reg ressão , p ro c ra s tin a d a p o r alg u n s, vem elim in an d o
g ran d e p a rte do e n tu s ia s ­

13
mo dos que d esejam h a u r ir d as ex p eriên cias d aq u eles
cujo cam inho d ev eria s e r exem plo.
A viv ên cia do m in istério , desde cedo n a m in h a
ch am ad a, fez-m e co m p reen d er que cad a p asso dado
n u n c a s e ria em lin h a re ta , se q u isesse ch eg ar ao fim .
N as p ró p ria s im perfeições, p u d e d e sc o rtin a r que o m ais
ex celen te s e ria p ro c u ra r a p re se n ta r-m e a D eus
"aprovado”, s e r sóbrio em tudo, co m b ater o bom
com bate, a c a b a r a c a rre ira e g u a rd a r a fé.
A ssim , escrev i e ste livro porque, n a lin h a do
tem po, os espaços que a in d a ocupo p a ra D eus re v e la ra m
que nem to d a p e d ra pode se r la p id a d a co m p letam en te, e
que as b a rre ira s d a n a tu re z a h u m a n a podem c o n trib u ir
in cisiv am en te p a ra o in su cesso de m u ito s m in istro s da
P a la v ra .
E screv i este livro porque as ric as fontes das
ep ísto la s p a u lin a s podem re u n ir p a ra os egresso s de
in s titu to s bíblicos, ou p a ra os que neles estão , as m ais
sé ria s a d v e rtê n c ia s c o n tra o d e sp rep aro m in iste ria l, ou
m esm o p a ra os que, longe dos g ran d es cen tro s, se
escu d am nos p rin cíp io s expostos n e s ta obra.
E screv i e ste livro tam b ém em b asad o n as
ex p eriên cias de renom ados hom ens de D eus, porq u e a
ch a m a d a tra n sc e n d e a form a p a ra d o x a l que se vê no
crescen te n ú m ero de neófitos m in iste ria is.
F in a lm e n te , escrev i p a ra que seja e ste livro u m a
v ív id a le m b ra n ç a do nosso com prom isso com D eus, com
a Ig re ja de N osso S en h o r J e s u s C risto, com a n o ssa
fam ília e conosco m esm o.

NEMUEL KESSLER

14
I
Qualidades do Pastor

A recom endação de J e s u s aos discípulos foi de que


o rassem ao sen h o r da s e a ra p a ra que en v iasse obreiros
(m t 9.38), e de modo alg u m a escolha do m in isté rio por
p a rte d aq u ele que o alm eja, ja m a is deve re s u lta r do
desejo de um ganho pesso al, ou de u m a d isp o n ib ilid ad e
m aio r de tem po p a ra gozo pesso al, ou m esm o a v aid ad e
de ex ercer um m aio r controle sobre as p esso as.
O p a s to r deve s e r convicto de que foi cham ado por
deus, como P aulo, p o r exem plo, que d eclaro u que a su a
esco lh a não fo ra re su lta d o de m otivação h u m a n a , "m as
p o r J e s u s C risto, e p o r D eus P ai, que o re ssu sc ito u dos
m ortos" (Gl 1.1). V eja A t 9.15.
“o te ste m u n h o das e s c ritu ra s e a recom endação dos
líd e re s cristão s, a tra v é s dos séculos concordam em que,
a m enos que aq u ele que a s p ira ao m in isté rio s in ta que é
um “enviado de D eus”, ele não deve p ro c u ra r o cargo.”(1)
D eus, q u an d o ch am a o hom em p a ra c u m p rir o seu
p ro pósito u n iv e rsa l, lhe confere q u alid ad es de dons e ta -

(1) Loyd M. P e rry


15
lentos que serão úteis ao seu ministério, a fim de produzir a
unidade, a m aturidade e a perfeição da Igreja. O próprio
Senhor Jesus Cristo determ ina providencialmente lugares de
serviço na igreja desses homens 'dotados' (At 11.22-26), ou
mesmo através do Espírito Santo (At 13.1,2 e 16.6,7).
Nada escapou ao cuidado de Deus para que a união de
Cristo com a sua igreja fosse consumada:
1° Cristo foi dado prim eiram ente à Igreja para ser a
sua cabeça (Ef 1.22,23);
2° depois, deu o Espírito Santo para que residisse na
Igreja, para executar a missão de Cristo (Ef 2.21,22;
2 Co 3.18; At 2.4);
3° através do Espírito Santo, Deus concede dons aos
homens (Rm 12; 1 Co 12-14);
4° finalmente, o Espírito Santo dá homens dotados à
igreja com o fim de vê-la crescer espiritualm ente e
atingir a plenitude de Cristo (Ef 1.23).
Assim, o ministro é qualificado para exercer sua função
espiritual, como vem acontecendo desde o passado:
• a sabedoria de Moisés foi insuficiente para libertar
Israel da escravidão, e se tornou em fracasso e fuga (Êx
2.11-14; At 7.22-29);
• após a morte do rei do Egito, teve Moisés um encontro
com Deus no Monte Horebe (Ex 3.1-6), e recebeu do
alto poder e autoridade para fazer m aravilhas com a
vara que trazia em sua mão (Ex 4.2);
• e Deus, com mão forte tirou o povo de Israel da terra do
Egito (Êx 12.37; 13.8; 14.8; 15.6);
• Elias, Eliseu, Davi e tantos outros foram usados de
m aneira poderosa e cheios do Espírito;
• o próprio Senhor Jesus Cristo foi ungido para libertar
os homens (Lc 3.22; At 10.38) porque Deus era com Ele.
Essa é a razão por que os milagres e m aravilhas
acom panharam o seu ministério (Mt 4.23-25; 11.4-6; Jo
5.36; 10.25,38; 14.10,11).
Tanto os discípulos quanto aqueles que são chamados
para o ministério são exortados a buscar o poder do Espírito
Santo (Lc 24.49; At 1.4,5,8), e os acompanharão grandes
sinais (Mc 16.17,18).
16
Neste nosso estudo vamos listar algumas características
exigidas do ministro e inerentes ao seu ministério, a fim de que possa
enfrentar os desafios que se apresentam diante dele como
representante do Evangelho de Jesus Cristo:
I. VOCAÇÃO DIVINA
"E ninguém toma para si esta honra, senão o que é chamado
por Deus, como Arão" (Hb 5.4).
"Ser ministro cristão é um a honra que Deus dá a um ser
humano e requer, por isto mesmo, da parte do candidato,
VOCAÇÃO e CHAMADA, ambas dependentes de Deus e
manifesta pelo Espírito Santo". (2) Assim, ser servo de Jesus, é estar
a serviço dos seus servos.
E necessário ao vocacionado que tenha a disposição de servir,
caso contrário lhe sobrevirá um sentimento de recalque oposto à sua
própria ocupação, e, no momento em que julgar oportuno, levantar-
se-á contra o seu Senhor, lançando de si o jugo da servidão, deixando
de cumprir com os seus deveres e de ser útil à causa do Mestre.
"Se materialmente assim ocorre, espiritualmente não se
pode fugir à mesma regra: para que alguém se torne servo e seja
reconhecido, e assim se faça participante dessa honra que Deus
confere a seus servos, é indispensável que antecipadamente se haja
provado vocacionado e por Deus chamado a seu serviço. Do
contrário, jamais será um verdadeiro e eficiente ministro de
Cristo".(3)
Os homens que exercem com dignidade o ministério são
desprendidos de sentimentos gananciosos; são sóbrios, temperantes,
sinceros, e acerca deles diz Paulo: "Que os homens nos considerem
como ministros de Deus" (1 Co 4.1).
O ministro vocacionado pelo Senhor coloca o ministério
acima de tudo e cuida ser a obra mais importante na face da terra
(At 13.2; Rm 1.1). Deve ter um a experiência pessoal de sua própria
redenção, pois é uma testemunha do poder e da graça de Deus, e não
pode se escusar de falar

(2) OB, p. 41
(3) Alcebíades P. Vasconcelos
17
das coisas que tem ouvido e que lhe tocam o coração. O pastor, além
de lembrar-se frequentemente de sua redenção pessoal, deve
esforçar-se também para enriquecer a sua vida cristã de novas
experiências da graça de Deus por todos os meios ao seu alcance. (4)
O apóstolo Paulo, mesmo na certeza de sua chamada, não
tomou por humilhação o ser escolhido para levar esmolas aos irmãos
pobres da Judéia, na liderança de Barnabé (At 11.29,30; 12.25).
O começo de nossos líderes de campos de extensões apostólicas
foi "vendo, ouvindo e obedecendo”.
Jesus Cristo, sendo Filho de Deus, demonstrou o seu amor para
as diversas classes sociais: "O Filho do homem também não veio
para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de
muitos" (Mt 20.28; Fp 2.7,8). Este amor para com a humanidade,
para com as pessoas, deve ser característico da chamada divina. E o
pastor se forma amando e ganhando as almas para Deus,
descobrindo o seu valor (calculado em lágrimas, sangue e suor) e,
assim como o céu deu tudo em troca de uma alma, deve o ministro,
se necessário for, oferecer a sua própria vida para levá-la a Deus.
Não é muito fácil para o ministro m anter acesa esta compaixão,
mesmo sendo o amor à humanidade o seu motivo primordial, pois a
tendência de sua auto-preservação pode transformá-lo num ser frio e
desconfiado, chegando a perder a simpatia dos colegas e a compaixão
pelos perdidos. Se o próprio Jesus Cristo lutava persistentemente
para afastar dos seus discípulos o espírito de ambição, inveja e o
desejo de ser servido, quanto mais o Espírito Santo luta conosco no
mesmo sentido.
A vocação divina inclui o profundo desejo de obedecer à voz do
Bom Pastor na sua consciência, com a exigência, muitas vezes, de
sacrifícios e sofrimentos. O apóstolo Paulo declara que "se anuncio o
Evangelho, não tenho de que me gloriar, pois me é imposta essa
obrigação" (1 Co 9.16). "Os verdadeiros pastores são o dom de Cristo."
É Ele

(4)AR.Crabtree,61

18
Q uem lhes d á o coração de pastor, a "entranhável afeição de
Jesu s Cristo Cristo"(Fp 1.8).

2. CONDUTA PESSOAL
O m aior pasto r que a Bíblia nos ap resen ta é Jesu s
Cristo. Ele é o modelo por excelência. E é dele que devemos
tira r as características p a ra o perfeito desem penho m inisterial.

Características do Pastor
1. T er cuidado de si m esm o e d a doutrina (1 Tm 4.16),
porque assim fazendo, salvará tan to a si m esm o quanto
aos que o ouvem. Se negligenciarm os este princípio,
sofrerem os as terríveis conseqüências, "pois a lei da
sem eadura é inexorável". Paulo é explícito em su a
exortação: "Se alguém ensina algum a doutrina, e não se
conform a com as sãs palavras de nosso Senhor Jesu s
Cristo, e com a doutrina que é segundo a piedade, é
soberbo, e n ad a sabe, m as delira acerca de questões e
contendas de palavras, das quais nascem invejas,
porfias, blasfêm ias, ru in s suspeitas. C ontendas de
hom ens corruptos de entendim ento, e privados da
verdade, cuidando que a piedade seja causa de ganho,
ap arta-te dos tais" (1 Tm 6.3-5). (Cf 2 Tm 3.10; 4.2; T t
1.9).
2. S er irrepreensível, vigilante, sóbrio, honesto, hospi­
taleiro, apto p a ra ensinar, não cobiçoso, de torpe ga­
nância, não avarento (1 Tm 3.2,3).
3. O bediente, hum ilde e sábio, como Epafrodito, com­
panheiro de Paulo (Fl 2.25), hom em com três quali­
dades essenciais p a ra o bom m inistro: fraternidade,
espírito de cooperação e de com panheirism o.
4. Q ue governe bem a su a própria casa, e te n h a os seus
filhos em sujeição, com toda a m odéstia (1 Tm 3.4).
5. Q ue ten h a bom testem unho dos que estão de fora.
O nésim o era "um irm ão fiel" (Cl 4.9) e EpafTas, "grande
cooperador de Paulo" de quem diz: "Saúda-vos E pafras,
que é dos vossos,... Pois eu lhe dou testem unho de quem
tem grande zelo por vós, e pelos que estão em Laodicéia,
e pelos que estão em H ierá-
19
polis” (Cl 4.12,13). (Cf Cl 1.7; F l 23; 2 T m 4.12; T t 3.12;
E f 6.21).
6. T er u m a grande capacidade de perdoar. O pastor co­
nhece as fraquezas de su as ovelhas e sabe perdoá-las
(Jo 4 e Jo 8). O perdão não se m ede e nem é barato:
custa um preço - custou u m a crucificação. ”Ao Senhor,
nosso Deus, pertence a m isericórdia e o perdão; pois nos
rebelam os contra ele” (Dn 9.9). H á dois tipos de perdão:
o vertical (Lc 18.10-12) e o horizontal (M t 5.44-48;
6.14,15; 1 Jo 4.20).
7. T er u m a grande capacidade de autodom ínio. No
exercício do seu m inistério, deve o pastor dom inar-se a
si m esm o p a ra m erecer grande confiança e ilim itado
respeito n a com unidade. ”Todos podem se ap ressar em
falar, m enos o pastor. Sabe perguntar, sabe identificar
o centro de u m a questão, sabe julgar com
discernim ento.”
8. T er u m a grande capacidade de form ar obreiros. (5) O
evangelista funda igrejas. O m estre edifica vidas
através do ensino. O pastor form a obreiros. N ão apenas
isto, m as tam bém isto. Jesu s preparou 12, depois
preparou m ais 70, depois continuou preparando. T a­
refa do pastor. N ão a descuidemos. O pastor deve
p rep arar os seus auxiliares, os seus cooperadores, o seu
substituto. O p astor deve olhar p a ra os jovens com
am or e visão espiritual (At 16.3a).
9. O bom m inistro :()
a. am a (2 Co 11.11)
b. tra b alh a (1 Co 9.16; 2 Tm 4.2)
c. dá a su a vida pela obra (2 Tm 4.6-8)
d. é cheio do E spírito Santo (At 4.31)
e. fala o que convém à sã doutrina (Tt 2.1)
£ am a a evangelização (Rm 1.16)
g. é sofredor (2 Tm 2.3; 3.11; A t 14.19)
h. visita o rebanho
10. T er capacidade p a ra dirigir sabiam ente a igreja (1 Co
14.40), com equilíbrio, graça e sabedoria e exerci-

(5) G. Gomes
(3) L ázaro B A lves
20
ta r o dom recebido de D eus e desenvolvê-lo (Rm 12.6­
8).
11. Deve, ainda, o m inistro, possuir as seguintes carac­
terísticas:
1. ser tolerante
2. intrépido
3. de conduta ilibada
4. hum ilde
5. te r boa apresentação e agradável
6. ser estudioso
7. ser sincero e bondoso
8. te r boas relações com D eus
9. en tu siasta
10. intensam ente hum ano
11. ser de oração
Enfim , como disse D onald Gee, "nem todo o brilhante
pregador ou m estre é bom pastor; e tam bém nem todo o
E vangelista poderá tornar-se pastor. H á diversidade de dons.
N ão é o caso de se m enosprezar um m inistério por causa de
outro, e sim o de se perceber que cada m inistério req u er o seu
próprio dom, que só D eus pode conceder. Felizes são as igrejas
que têm pastores fiéis a velar por suas aluías, ainda que lhes
falte notável brilho dos dons de retórica".
3. DESAFIOS MODERNOS
/

1. E xtrem a Corrupção nos Ú ltim os D ias "Sabe, porém , isto:


que nos últim os dias sobrevirão tem pos trabalhosos. Porque
h av erá hom ens am an tes de si m esm os, avarentos,
presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e
m ães, ingratos, profanos, sem afeto n atural, irreconciliáveis,
caluniadores, incontinentes, cruéis, sem am or p ara com os
bons,..." (2 T m 3.1-4).
E stes são alguns dos inim igos e obstáculos que o p re­
gador do Evangelho tem que enfren tar nos últim os dias.
Tem os a certeza de que se agora as coisas estão ru in s com as
heresias que se enfrentam , elas não se tornarão m ais fáceis
p ara os pastores segundo a lem brança de P aulo no texto
acim a.

21
"Os assaltos contra o C ristianism o neste século talvez
sejam os m ais poderosos e os m ais sutis de todas as épocas a
historia cristã. E nquanto não h aja ta n ta perseguição m io em
outros tem pos; e em m uitos lugares os pastores sejam
honrados e prestigiados, ao m esm o tem po os adversários se
m ultiplicam e operam poderosam ente."(7)
O m aterialism o vem destruindo tudo o que de verdadeiro
possui a religião C ristã e a fé em Cristo Jesus. P aralelam ente
ao m aterialism o, agiganta-se o secularism o, influenciando
inconscientem ente pastores descuidados da sutileza do
inimigo. "O pasto r inform ado bem sabe que a civilização não é
o cristianism o, m as o cristianism o é o sal que preserva os
m elhores elem entos da civilização. "(8)

4. RECURSOS DO PASTOR
O pregador m oderno dispõe das verdades do Evangelho
para proclam ar as insondáveis riquezas de Cristo, dom inado
pelo poder do E spírito S anto p a ra ser testem u n h a tan to em
Jerusalém , como em toda a Ju d éia e S am aria, e até aos
confins d a te rra (At 1.8). O pregador tem o m esm o Evangelho
dos apóstolos, m as, "paradoxalm ente, só tem as riquezas deste
Evangelho à m edida que as possui no seu espírito, à m edida
que as apropria pela fé, am ando o Senhor de todo o seu
coração, de toda a su a alm a, com todas as su as forças, e com
todo o seu entendim ento".(9)
E m avançada idade, Paulo escreve a Tim óteo (1 Tm 13):
"Persiste em ler, exortar e ensinar."

1. Persistir em Ler
A expressão correspondente a "persistir em", no original
grego, pode tam bém ser traduzida por "preocupa-te com,
"aplica-te a", ou "dedica-te a". Q ualquer destes sentidos
dem onstra que é dever do pastor dedicar-se ou plicar-se à
leitura. (APV).
A Bíblia é o grande recurso do pastor; ela não som ente
deve estar à su a m ão como, tam bém , em seu coração; deve te r
diligência ao estudá-la (2 T m 2.15), trazendo à memó-
(8)A.R.Crabtnee,AD.RdoMinistério,64
AR. Crabtree
22
ria as coisas estudadas, como para gozar de novo a sua, pois isto
enriquece a compreensão das lições (1 Tm 4.13,15). A Bíblia é o
m anual do pastor; ela descreve tudo quando lhe é indispensável para
servir bem a Deus, como também é de vital importância ao rebanho
sobre o qual Deus o constituiu bispo (At 20.28).
Secundariamente, os livros que versem sobre a Bíblia n igreja
ajudarão o pastor a se fundamentar ainda mais seus próprios
conhecimentos de doutrina cristã, e, através da comparação com
outros sistemas doutrinários, defender o rebanho das falsas seitas, e
convencer os condizentes” (Tt 1.9).
O pastor que não se atualiza de forma alguma poderá Tender
o seu rebanho contra os perniciosos ensinamentos heréticos que
surgem a todo momento. Quando, estudando pesquisando, seus
conhecimentos teológicos irão se firmando cada vez mais e lhe darão
segurança em suas afirmações.

2. P ersistir em Exortar
”O verbo exortar, na língua grega, deriva-se do substantivo
Paracleto, que é o título atribuído por Jesus ao Espírito Santo, e
significa, principalmente, o Consolador. Talvez este sentido pareça
estranho àqueles que consideram a exortação como compreensão ou
correção com palavras duras. Todavia, nada mais é do que persuadir
com a verdade, avisar quanto ao perigo iminente, e admoestar com a
sã doutrina.”

3. A plicar-se ao Ensino.
Como se pode ensinar sem que se haja aprendido? (Jo 14.26).
O ensino da doutrina é um a das responsabilidades mais
importantes do pastor, ”pois ela é o alimento de que se nutrem as
ovelhas” (SI 23.2,5).
Ensina-nos o pr. Alcebíades P. Vasconcelos que o mestre que se
preza é aquele que estuda minuciosamente a lição antes de aplicá-la
à sua classe, demonstrando amplo domínio sobre o assunto, como se
conhecesse o autor do livro texto. Tal aspecto, diz-nos, é evidente no
livro de Atos,

23
quando os m estres de Israel prenderam os apóstolos Pedro e
João, e após ouvirem su a defesa, ficaram m aravilhados, pois,
sendo indoutos, revelaram hav er estado com Jesu s e
aprendido dEle.
"O pastor deve receber a m ensagem diretam ente de
Deus, am assando o pão nos próprios joelhos e serví-lo quente à
igreja”, dizia S am uel N ystrón, dem onstrando que o m inistro,
ao preparar-se p a ra pregar ou doutrinar, deve estu d ar à base
de pesquisa cuidadosa e de oração perseverante (M t 13.52).
O u tra verdade que expressa é que m uitos pastores privam -se
deste benefício, pois atribuem ao E spírito S anto a m issão de
alim entar a preguiça pastoral, baseando-se n a prom essa de
M ateus 10.19,20, e aguardam a m ensagem n a hora exata em
que vão pregar, sem o devido preparo. Ao ensinar, deve o
p astor preocupar-se em falar o que Cristo falaria se estivesse
em seu lugar. E sta verdade está expressa em Atos 20.26,27:
"Portanto, no dia de hoje, vos protesto que estou lim po do
sangue de todos, porque nunca deixei de vos anunciar todo o
conselho de Deus."
P a ra enfren tar os desafios modernos, o pastor precisa
continuar voltado p a ra o estudo profundo das E scrituras
Sagradas, possuir u m a cultura adequada p a ra "entender com
sim patia a m entalidade do povo, e ap resen tar os ensinos da
Bíblia como orientação segura de vida".(io) O povo não se
satisfaz m ais com superficialidades; ele tem fome e profundas
necessidades espirituais e sede das verdades bíblicas, e cabe ao
pastor alim entá-los com as grandes verdades da revelação
divina apresentadas n a exposição das S agradas E scrituras.

(ío )A .R .C ra b tree
24
II
O Pastor
e sua Vida Particular

1. A VIDA ESPIRITUAL
Um famoso pregador disse em certa conferência que "Posso
pregar um evangelho poderoso, fundamental e produtivo, mas se a
m inha vida não estiver cheia do Espírito Santo, se não viver em
santidade, a mão de Deus se afastara de mim. O mesmo poderá
acontecer com você: cairá e naufragará."
Assim como nenhum crente deixa de ser alvo das tentações do
Diabo, o pastor muito mais não está isento da destruição do Inimigo,
pois ele sabe que, se derrubar o obreiro de Deus, terá, com isso,
manchado a sua obra.
Em sua vida, o pastor precisa conservar-se santificado para o
desempenho de seu papel aqui no mundo. Analisemos duas partes
importantes de sua vida:
a) Santidade
• D eus é Santo
Quando Deus relacionava a Moisés os animais puros e os
imundos, asseverou-lhe: "Porque eu sou o Senhor vosso

25
Deus; portanto vós vos santificáreis, e sereis santos, porque eu sou
santo." (Lv 11.44; 19.2; 20.7; 1 Pe 1.16). Na visão de João no
Apocalipse, "os quatro animais tinham, cada um de per si, seis asas,
e ao redor, e dentro, estavam cheios de olhos; e não descansam nem
de dia nem de noite, dizendo: Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus, o
Todo poderoso, que era, e que é, e que há de vir." (Ap 4.8). Essa é a
declaração incessante do céu a Deus, o nosso Deus.
E porque Ele é Santo, exige de seus seguidores a santidade,
como diz o apóstolo Pedro: "Mas, como é santo aquele que vos
chamou, sede vós também santos em toda a vossa m aneira de
viver." (1 Pe 1.15).

• Som os tem plo do E spírito Santo


Qualquer crente em que permanece o Espírito Santo de Deus
torna-se sua habitação (1 Co 3.16; Rm 8.9).
"O vocábulo grego por detrás desta tradução é 'naos', o recinto
sagrado, o lugar santíssimo, em contraste com o hieron’, o restante
do templo em seus diversos compartimentos. Entretanto, essas duas
palavras, no original grego, podiam ser usadas como sinônimos. Por
semelhante modo, o crente é o lugar santíssimo onde habita o
Espírito Santo de Deus.” 0
Desta forma, o pastor é chamado para um a santa vocação (2
Tm 1.9), isto é, ele é separado com um propósito santo. Deve ser
santo, vivendo em paz com os seus irmãos na fé (Hb 12.14).
"Porque sagrado é o santuário de Deus, que sois vós" (1 Co 3.17).
Os crentes de Corinto agiam como se não soubessem dessa verdade,
mas Paulo lembra-lhes da posição elevada que ocupavam aos olhos
de Deus. Assim, o pastor deve ser puro e limpo, tanto no coração
quanto no seu comportamento exterior, repugnando tudo o que
venha a contaminar o templo de Deus e macular o que lhe deve ser
mantido sagrado, porque "se alguém destruir o templo de Deus,
Deus o destruirá." (1 Co 3.17).

(1) O NTIW, v.4 p.51


26
• D eus exige santidade
Exigiu Deus, no princípio, de Abraão, mesmo com a idade de
noventa e nove anos (Gn 17.1); de Israel, quando fez o povo subir da
terra do Egito; foi um a exigência de Jesus Cristo (Mt 5.48); e o
apóstolo Pedro afirmou essa eximiria (lPe 1.15,16).
E, por estar a palavra "santificação" ligada às palavras "pureza",
"sem mancha", "irrepreensível", "sem ruga” é que o pastor precisa de
um a santificação geral:

1. Do corpo, da alma e do espírito (1 Ts 5.23).


2. Do coração (Mt 5.8; SI 24.4).
3. Do pensamento (Fl 4.8; Cl 3.1,2).
4. Dos lábios (Cl 3.8,9; SI 141.3; E f 5.4).
5. Dos olhos (1 Jo 2.15-17; M t 5.28).
6. Das mãos (SI 24.4; Hb 12.12; 1 Tm 2.8).
7. Dos pés (Ef6.15;Ec5.1).
8. Dos ouvidos (Dt 28.62; Pv 21.13; Is 50.4,5).
9. Outras referências SI 93.5; 2 Co 7.1; E f 1.4; 4.24; 1 Ts 3.13;
4.3,4; 1 Tm 2.5; Hb 12.14; 2 Ts 2.13; 1 Pe 1.15.

Sendo santificado, o pastor produzirá aqueles aspectos


transcendentais do fruto espiritual, nascido por atuação do princípio
divino, isto é, o fruto do Espírito: amor, , gozo, longanimidade,
benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança, humildade,
misericórdia, fidelidade, paciência, etc.
"Para que o homem de Deus seja perfeito..." (2 Tm .1 17). Para
servir no Evangelho com pureza espiritual, como os sacerdotes da
antiga aliança, o pastor não pode apresentar nenhum a nenhum a
deformidade como descrita em Levítico 21.18-20.
Estas imperfeições são caracterizadas espiiitualmente: (2)
1a) Cego
A cegueira diz respeito à falta de visão, e os que não podem ver
aquilo que é divino, não podem servir à obra (Ap3.18).

(2) João de Oliveira, Sê tu um a bênção

27
2a) Coxo
São os que não possuem andar firme e que por isso mesmo não
oferecem nenhum a firmeza, não se podendo confiar em tais pessoas
(Hb 12.12).

3 a) Nariz chato
Defeito dos mais visíveis, e certamente se refere aos que entram
em questões alheias (1 Pe 4.15).

4a) M em bros dem asiadam ente com pridos


Dando-se sentido espiritual aos que possuem essa deformidade
física, refere-se aos que crescem inconvenientemente fora da graça e
adquirem todas as deformidades (Tt 1.11; 2 Tm 4.14).

5a) Pé quebrado
Assim como aquele que tem o pé quebrado e está im­
possibilitado de andar, espiritualmente refere-se aos que não andam
dignamente na presença de Deus (Ef 4.1).

6a) M ão quebrada
Significa a inatividade de servir, de trabalhar. Espiritualmente,
é desolador ter as mãos quebradas para o serviço do Senhor e, em
especial, no servir a Deus com o dízimo (Ml 3.10).

7 a) Corcunda
Os que sofrem desse defeito não têm condições de olhar para
cima, mas somente para baixo, e no sentido espiritual são os que não
buscam as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à
destra de Deus (Cl 3.1), mas somente o que é desta vida (1 Tm
6.9,10; Lc 12.17-21). O ministério está cheio de corcundas!

8a) A não
São os que não crescem, e no campo espiritual simbolizam os
que não crescem convenientemente no conhecimento de Cristo (2 Pe
3.18; Hb 5.13,14).
28
9a) Belida no olho
A belida no olho é uma névoa ou mancha esbranquiçada na
córnea do olho, e que pouco a pouco vai enfraquecendo a visão. Os
que têm visão curta somente vêem as coisas Que estão de perto.
Assim é com os que só enxergam o que está ao seu redor, isto é, têm
visão curta da obra de Deus, e pastorado de sua igreja é um fracasso
(2 Pe 1.4-9; Ap ; 18).

10a) Sarna
A sarna é uma afecção cutânea contagiosa, parasitária e que
fala naturalmente dos que contaminam os outros (Tt. 1 0,15; Jd
17,19; Is 59.3).

11a) Im pigens
As impigens são um mal estático, imóvel, e represetam a
impureza de mente e de coração (Tt 1.15; Lc 11.39-41; SI 24.3,4; Ef
5.3,5).

12a) Quebradura
Fala dos defeitos ocultos na vida da criatura, são roturas e
quebraduras internas. Em tais pessoas não se pode Confiar, visto
que são prejudicadas da graça (Fp 3.17-19; Rm 16.17,18).

b) Pecados da Língua
Tiago, irmão de Jesus Cristo, dedicou quase que um Capítulo
inteiro de sua epístola (cap. 3) ao domínio da língua. Reconhece a
verdade de que “todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não
tropeça em palavra, o tal varão é perfeito, e poderoso para também
refrear todo o corpo” (Tg 3.2).
Vejamos alguns tropeços que o pastor pode incorrer ao longo de
seu ministério, utilizando-se da língua:

• Conversação torpe
/
E da abundância do coração que a boca fala (Lc 6.45; Ml,
15.18).

29
A fala é a faculdade que distingue os homens dos animais; é o
sinal de sua personalidade. O pensamento é impossível sem
palavras. "O pensamento antecede à ação, como o relâmpago
antecede ao trovão." J á dizia Heine, e o caráter de um a pessoa é
revelado pela própria maneira de falar e se expressar. Por isso é que
Paulo, ao usar o termo "...despojai-vos também de tudo:... das
palavras torpes da vossa boca" (Cl 3.8), estava se referindo à
linguagem obscena do falar, do "abuso de boca suja", pois o termo
grego "aischros" significa "feio", "vergonhoso", "vil", "aviltante", e
retém a idéia tanto de profanação como a de obscenidade,
juntamente com a idéia de abuso. Ele ainda condena
veementemente essa prática, que é oposta à santidade cristã,
dizendo que, a não ser a que for boa para promover a edificação,
nenhuma palavra deve sair de nossa boca; nem a prostituição
(profanação, aviltamento); impureza ou avareza (mesquinhez,
esganação); nem torpezas (procedimento ignóbil; impudicícia); nem
parvoíces (tolices); nem chocarrices (gracejo atrevido) mas antes
ações de graça (Ef 4.29 e 5.3,4). Isto quer dizer que deve o pastor
fazer uso da fala com ações de graças, apropriando-se dessa fa­
culdade, e bendizer e louvar a Deus, visando o real proveito em suas
conversas com o próximo, beneficiando-o com palavras dignas e
edificadoras, em contraste com a linguagem dos incrédulos.
Ao ministro não convém reunir-se com seus amigos e incorrer
no Salmo 1.1, estando certos de "que de toda a palavra ociosa que os
homens disserem, hão de dar contas no dia do juízo" (Mt 12.36); e o
uso frequente da palavra torpe, que também significa "podre",
"decadente", usada para indicar peixe, carne ou vida vegetal
estragados, ou seja, "mau", "corrupto", "imoral", acostumará o
ministro a não dar ouvidos a Deus "tal como os ímpios temem fazê-
lo".
Esse procedimento inadequado tem levado muitos ao descrédito
e ao arrefecimento espiritual, tornando suas palavras como o sino
que tine, e levadas pelo vento.
Assim "cada encontro de um homem com seu próximo lhe
apresenta um a ocasião de transm itir graça para aqueles que ouvem"
(Wedel). Essa deve ser a atitude do pastor sempre que entrar no
campo da conversação. 30

30
• C rítica
"Não julgueis, para que não sejais julgados. Porque com o juízo
com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes
medido vos hão de medir a vós" (Mt I 1,2).
As palavras do Senhor Jesus não se traduzem em tolerância
para o mal, mas que é nosso dever sondar sempre os erros de nossa
própria vida.
A crítica tem duas facetas:
1. faculdade de julgar com conhecimento; e
2. condenação ou censura desfavorável. Biblicamente, isto é
traduzido pelo apóstolo Paulo como "pecado da malícia" (1 Pe
2.1), e que denominamos suavemente "crítica".
Existe a crítica construtiva e a destrutiva, que esboçam grandes
diferenças entre si. Pastores há que usam a vara" para ajudar a
ovelha, sem machucá-la, sendo isto prova de cuidado, assim como o
pai, que com amor critica seu filho, sem que cesse sua afeição por ele.
Outros, porém, são tão críticos que deixam marcas profundas de
desgosto em suas ovelhas, e os pais em seus filhos, matando a afeição
que sentem.
"A falta de amor para com um irmão é a raiz de toda crítica
destrutiva e das divisões nas igrejas cristãs. Não criticamos as
pessoas que nos são caras, incluindo a nós mesmos, e não
permitimos que sejam criticadas. Criticamos os que significam
menos para nós. E, procedendo desta forma, demonstramos a nossa
falência no amor de Cristo” (3)
Quando o ministro deixa o espírito de crítica apossar-se de si, é
porque oculta-se em seu interior a "podridão dos ossos",
proverbialmente traduzida por "inveja" (Pv 14.30).
Segundo Finneu, essa raiz am arga do espírito de crítica há de
ser totalmente desarraigada se quisermos preparar o caminho do
Senhor. Deus sabe antecipadamente que nossa capacidade para
essa prática é infinitamente fra

©J.E. Orr

31
ca, falível e cega, e que não é trabalho apropriado ao nosso coração
vaidoso (Rm 14.4 - "Quem és tu que julgas o servo alheio?'). E a
crítica tem nutrido muitas outras coisas contrárias ao amor do
Evangelho de Jesus, e muitos pastores estão tão habituados com
esse espírito que não sabem como livrar-se dele. Acostumaram-se a
falar de quase tudo que vêem errado nos outros nos termos mais
ásperos e terríveis. E comum dizerem das opiniões, conduta ou con­
selho dos outros, ou da sua frieza, seu silêncio, sua cautela,
moderação, prudência e m uitas outras qualidades que manifestam,
que são do diabo ou do inferno; que tais pessoas estão servindo ao
diabo, de modo que os termos diabo e inferno estão quase
continuamente em seus lábios. E semelhante linguagem empregam
não só referindo-se a homens maus, mas também àqueles que eles
mesmos admitem ser verdadeiros filhos de Deus e mesmo a
ministros do Evangelho. E consideram virtude e grande vantagem
assim portar-se.
Porém, o cristão verdadeiro é humilde, revestido de submissão,
brandura, mansidão, docilidade de espírito e de procedimento. Não
enche a sua boca de linguagem im unda contra os filhos de Deus "sob
a capa de santidade", mas tem modo e comportamento terno e
afável, como recomenda Paulo: "Revesti-vos, pois, como eleitos de
Deus, santos e amados, de ternos afetos de misericórdia, de bondade,
de humildade, de mansidão, de longanimidade" (Cl 3.12).
Carlos R. Padilha(4) apresenta vinte princípios importantes
que, se aplicados adequadamente, ajudarão o pastor a controlar o
seu ímpeto crítico, tornando saudável suas observações:

1 . Críticas negativas, m as positivas:


a. orar
b. ser direto (Mt 18.15)
c. fazê-lo em particular (Mt 18.15,16)
d. verificar os motivos

(4) L. Cristão, dez/85

32
e. ser honesto
f. falar a verdade em amor
g. ganhar o direito de ser escutado
h. ser objetivo e específico
i. sugerir alternativas
j. orientar-seporperguntas positivas

2. Princípios para receber crítica negativa


a. orar
b. não ficar na defensiva
c. permitir que o outro complete sua crítica
d. pedir a evidência sobre qual se baseia a crítica
e. perguntar a si mesmo
£ decidir se o crítico está expressando alguma necessidade
pessoal através de sua crítica
g. decidir porque o crítico expressou sua crítica
h. decidir qual é o verdadeiro problema
i. decidir cuidadosamente como responder
j. falar acerca disso

• Cólera/ira/ódio
A cólera pode ser extravasada em toda sorte de palavras
ofensivas, e tem variedade de sentidos:
• indignação
• irritação
• impaciência
• vexação
• am argura
• exasperação
• ressentimento
• paixão
• m au gênio
• ira
• ódio
• raiva
• fúria
Quando Paulo diz "Irai-vos e não pequeis” (Ef 4.26), não está nos
autorizando a que nós nos iremos, e também não quis dizer que, se
nos irarmos, "de modo algum come­
33
teremos pecado, contanto que abafemos nossa ira antes do cair da
noite.”
A Bíblia está cheia de advertência contra a ira, e muitos
pastores têm atribuído o seu m au gênio aos nervos, transformando
com isso um a falta grave em simples enfermidade.
”E muito melhor admitir a falta, arrepender-se e confessá-la,
abandonando-a e pedindo humildemente perdão por ela. Deus pode
conceder-nos vitórias ao longo das linhas das nossas maiores
derrotas. Podemos transformar, pelo domínio próprio, o m au gênio;
torná-lo gênio bom não importa na ausência de têmpera. Uma
pessoa que saiba dominar o seu temperamento pode alcançar muito
mais do que um indivíduo sem qualquer reserva de espírito” (J. E.
Orr).
Vejamos como a Bíblia nos fala a esse respeito:
Pv 15.1 - ”A resposta branda desvia o furor, mas a palavra
dura suscita ira.”
SI 37.8 - "Deixa a ira, e abandona o furor; não te indignes
para fazer o mal.”
Pv 19.11 - "O entendimento do homem retém a sua ira, e sua
glória é passar sobre a transgressão.”
Pv 19.19a - ”Homem de grande ira tem de
sofrer o dano.”
Pv 21.19 - 'M elhor é morar num a terra deserta do que com a
mulher rixosa e iracunda.”
Pv 22.24 - ”Não acompanhes com o iracundo, nem andes
com o homem colérico.”
Pv 27.4 - ”Cruel é o furor e a ira é impetuosa.”
Outras referências: Lv 19.17,18; Pv 11.4; 14.17,29;
29.22; M t 5.22; Gl 5.20; E f 2.3; 4.26,31; 6.4; Cl 3.8; 1 Tm 2.8;
Tg 1.19,20.
E muitos são os provérbios sobre a ira:
”O homem encolerizado sempre crê poder fazer mais do
que em realidade pode” (Alberto de Brescia).

34
• "A ira é um a loucura de curta duração” (Horácio).
• "Em qualquer parte a ira encontra armas. Para mão ávida
de sangue, qualquer serve de lança" (Claudiano).
• "Tende cuidado, vossa violência vos tira o poder de defesa"
(Samuel Richardson).
• "A ira perturba a mente, mas deixa transparente o coração"
(Nicolau Tommaseo).
• "Cada golpe desferido pela ira virá cair, certamente sobre nós
mesmos" (William Penn).
Segundo o profeta Amos, ele foi inspirado a ordenar ao povo de
Israel a "Odiar o que é m au e am ar o que é bom" (Am 5.15). Então,
amor e ódio são qualidades opostas e que podem agradar a Deus,
apenas quando Ele nos separar da transgressão, como por exemplo
quando a esposa do senhor de José do Egito tentou, suplicou e até
mesmo agarrando-o para fins imorais, ele não precisou parar para
refletir o que devia fazer: simplesmente correu (Gn 39.12). O seu ódio
ao que era m au (SI 97.10; 139.22) protegeu sua consciência perante
Deus.
"O ódio piedoso nunca tem por alvo nossos irmãos cristãos, não
importa quão imperfeitos sejam; ele é intolerante para com o que é
mau, e caracteriza-se ainda mais pelo sentimento de desprezo para
com coisas tais como a mentira, o furto e a imoralidade."©
Se amarmos as coisas que Deus ama e odiarmos, sim, as
coisas que Deus odeia, isto nos protegerá contra as práticas iníquas
deste mundo. E há seis coisas que aborrecem o Senhor, e a sétima
a sua alma abom ina (Lv 21.18-24):
I. O que aborrece ao Senhor
1a) olhos altivos;
2a) língua mentirosa;
3a) mãos que derramam sangue inocente;
4a) coração que maquina pensamentos viciosos;
5a) pés que se apressam a correr para o mal;
6a) testem unha falsa que profere mentiras; e
II. O que abom ina ao Senhor
7a) o que semeia contendas entre irmãos.

(5)A Seara jan/75

35
Existem muitas maneiras diferentes de expressarmos
verbalmente a nossa ira como, por exemplo: (6)
a) pelo movimento das mãos;
b) levando o polegar à ponta do nariz do agredido;
c) gestos sexuais insultuosos;
d) jogar a cabeça para trás;
e) dar um piparote debaixo do queixo;
f) bater com o polegar nos dentes superiores;
g) as expressões faciais; etc.
"A medida que tomamos mais consciência de nossa própria
linguagem corporal e a da dos outros, começamos a ver mais
claramente nossa própria ira."
O quadro a seguir mostra como os médicos vêem o que acontece
ao corpo quando a pessoa fica irada:

As pupilas
U hipotálamo se dilatam
secreta

A glândula
pituitária A O nível de açúcar
secreta o sangue aumenta
A respiração U coraçao
se apressa, mais bate mais A pressão
oxigênio idepreaaa/ sanguínea
levado para 180-220 aumenta
os pulmões 130-220

Adrenalina /
corre “►--í

A digestão e
a eliminaçãr Os muscuios se
diminuem I 11 , ,* contraem e o Vv \ J

sangue coagula
' *\ r ( 1
mais depressa
ÍYIOIO n

Resultados
Físicos
da Ira

O Remédio para a Fraqueza de Temperamento


"Deus tem um plano emocionante para vencer todas as
fraquezas de temperamento - até mesmo a ira."
(6) Tim Lahaye e Bob Phillips

36
Em E f 5.18, Deus designa esse plano como sendo continuamente
cheios do Espírito. A plenitude do Espírito Santo produz três grandes
características emocionais:
1a um cântico no coração (Ef 5.19);
2a um a atitude mental de ação de graças (Ef 5.20);
3a um espírito submisso (Ef 5.21).
”E impossível ficar com raiva quando estas três emoções estão
presentes. A plenitude do espírito é, portanto, o remédio óbvio para a
emoção da ira.”
0 remédio para o ódio é apropriar-se das qualidades do amor,
delineadas pormenorizadamente pelo apóstolo sob a inspiração de
Deus, em 1 Co 13.4-8:
1. o amor é sofredor e benigno;
2. o amor não é invejoso;
3. o amor não trata com leviandade (julgamento precipitado);
4. o amor não se ensoberbece;
5. o amor não se porta com indecência;
6. o amor não busca os seus interesses;
7. o amor não se irrita;
8. o amor não suspeita mal;
9. o amor não folga com a injustiça;
10. o amor folga com a verdade;
11. o amor tudo sofre;
12. o amor tudo crê;
13. o amor tudo espera;
14. o amor tudo suporta;
15. o amor nunca falha.

• Irreverência ou profanação
Profanação é tudo aquilo que vem desvirtuar as coisas de Deus,
isto é, dar m á aplicação às coisas de Deus, tratar com irreverência o
que é de Deus, e violar a sua santidade, quer seja através de
palavras, quer seja através de ações.
Aquele que é profano não demonstra o mínimo de santidade e
nem os que apóiam a profanação.
Malaquias mostra como o altar do Senhor fora profanado, e
alguém contribuiu para isso, dizendo: ”Não faz mal” (M1 1.8). Em Lv
22.20-22, Deus avisa acerca das coisas sagradas não serem
profanadas.
37
A igreja de nossos dias tem saído da rotina, e alguém vem
contribuindo para isso: são os responsáveis pelo sono do comodismo e
da indolência (negligência, apatia). "A conivência e o destemor fazem
com que os líderes sejam bondosos para com os irmãos e, assim,
aquilo que é santo é profanado. "(7) Certas músicas e modas em todos
os sentidos vêm entrando na igreja com a anuência de líderes que já
perderam a autoridade de Deus para impedir tais abusos entre o
povo de Deus, e continuam usando a frase: "Não faz mal."

- Profanação do falar
/v

Em Exodo 20.7, o Senhor Deus adverte: "Não tomaras o nome


do Senhor teu Deus em vão..."
O homem espiritual, aquele que nasceu de novo, pode
perfeitamente eliminar de seu coração a linguagem pesada e
profana, evitando, assim, a aparência do mal. "Não saia da vossa
boca nenhum a palavra torpe, e, sim, unicamente a que for boa para
edificação, para que dê graça aos que a ouvem", Efésios 4.29, é a
generalização de Paulo para os santos do Senhor.
O pastor que se dá à vulgaridade, ao sacrilégio, à blasfêmia ou
ao juramento enganoso (Mt 5.34-37) estará revelando m au caráter, e
contaminando a atmosfera em que vive, causando desgosto profundo
às pessoas de bons sentimentos e ofendendo a Deus.
"Fere-nos os ouvidos ouvir cristãos professos (incluindo os
próprios líderes) usarem palavras que têm origem escusa, na
vulgaridade e na luxúria. Ouvem-se mesmo senhoras idosas e de
distinção usarem expressões que, em sua forma original, lhes
roubariam a voz, de estarrecimento"(J.E.Orr).
Quando o ministro não consegue dominar a sua própria língua
(Tg 3.8,10; 1.26), não conseguirá também dominar toda a sua
personalidade, e ela o fará imiscuir-se às rodas do escárnio, das
piadas blasfemas, do vocabulário tolo, dos trocadilhos dúbios ou
ambíguos. Isto lhe fará cair na linha do descrédito perante a igreja,
que colocará em

(7) M.F. Almeida

38
dúvida sua própria chamada.
Profanação da doutrina
A recomendação de Paulo a Timóteo para ter cuidado de si
mesmo e da doutrina (1 Tm 4.6) incluía, entre outras coisas,
condenar as coisas do mundo que estavam entrando na igreja, bem
como exercer autoridade e zelar pela doutrina, para que a sua m á
aplicação não viesse a se tornar um a profanação ao Senhor. Eis aí a
razão porque disse Tiago: "Meus irmãos, muitos de vós não sejam
mestres, sabendo que receberemos mais duro juízo" (Tg 3.1).
Muitos obreiros querem ensinar hoje em dia sem se
preocuparem em estudar sistematicamente a Palavra de Deus, quer
seja como autodidata ou em instituições de ensino teológico. O
desastre se faz sentir logo adiante: erros crassos de interpretação
doutrinária e que conduzem profanação da doutrina.
O que ensina, que exerça com dedicação e fidelidade esse
ministério (Rm 12.8).
Em um a de suas matérias, o pr. M. F. Almeida nos deixa: "O
obreiro precisa observar com muito cuidado o Que está ensinando, e
em se tratando de doutrina, com mais veracidade, veja o que diz
Paulo: "Tu, pois, que ensinas a outro, não te ensinas a ti mesmo?'
(Rm 2.21a).
Por falta de consonância na aplicação da doutrina é que têm
acontecido tantas divisões no evangelismo mundial. Professores ou
ensinadores são muitos, mas os observadores da palavra são
poucos. E muito mais fácil ensinar do que praticar, e, se ensinamos e
não praticamos aquilo que ensinamos, nos tornamos hipócritas e,
consequentemente, estamos profanando a doutrina.
Devemos, os ensinadores, tom ar muito cuidado com o ’deus"
deste mundo, que sorrateiramente grassa a sua falsa ciência e
doutrina na igreja para profanar as coisas sagradas, levando
incautos ao erro e, consequentemente, ao inferno (1 Tm 4.1-5).
• Leviandade
O leviano procede sem seriedade, irrefetidamente, com
precipitação e com imprudência.

39
Paulo traduz nas palavras de E f 5.4 a conversação torpe, as
chocarrices e palavras vãs como leviandade. O gracejo ou a
chocarrice sempre são inconvenientes, pois consistem num a troça à
custa de outrem. Nada disto constrói, mas avilta e desabona o
leviano, que deve repudiar esse procedimento em todas as
circunstâncias.
Não poucos têm caído neste pecado condenado pela Palavra de
Deus e, ao contrário do bom humor que "pode exercer um a
influência benéfica num a reunião cristã", a tolice põe um a reunião
em debandada.

• M entira
Jesus caracterizou o Diabo como mentiroso, porque "Quando
ele profere a mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e
pai da mentira" (Jo 8.44). A queda do homem foi conseqüência de
um a m entira bem formulada pela serpente.
Deus ordenou a Moisés e aos filhos de Israel direta-mente: "Não
mentireis nem usareis de falsidade cada um com o seu próximo" (Lv
19.11). Paulo, em Colossenses 3.9, reafirma este ensinamento: "Não
mintais uns aos outros..." e, "pelo que, deixai a mentira, e falai cada
um a verdade com o seu próximo" (Ef 4.25).
"O hábito da m entira pode contrair-se aos poucos; no princípio,
só se fala de um aspecto da questão; depois só do aspecto que nos
favorece; a seguir, tratamos de exagerá-lo; e terminamos não
sabendo quando estamos ou não falando a verdade" (E. P. Ellis) (Pv
20.17).
A mentira, pois, é um pecado muito sério e reprovada nos
Salmos e nos Provérbios; os profetas e os apóstolos fizeram sérias
advertências contra esse pecado (SI 5.6; Pv 15.5,9; 13.5; 1 Jo 2.21; 1
Tm 4.2; Ap 21.27).
Charles Finney dá o seu parecer a respeito da m entira no livro
"Finney Ainda Vive", pág. 140: "Compreenda agora o que é a
m entira (é qualquer espécie de engano propositado). Se o engano não
é intencional, não é mentira. Mas se há o propósito de dar impressão
contrária à verdade nua e crua, você está mentindo. Faça uma
relação de todos os fatos dos quais possa recordar-se e não lhes dê no-

40
m es agradáveis Deus lhes cham a m entiras, e culpa a você de
estar mentindo; será m elhor você culpar-se corretam ente”
A faculdade de m entir descaradam ente é própria dos filhos
das trevas, que não se condenam e nem se envergonham de suas
ofensas.
M uitas vezes o pastor é tentado, em situações embaraçosas,
a m entir para sair de um a dificuldade, considerando isto ser o
m enor m al do que as conseqüências da adm issão da verdade.
Luís Palau, considerando o dinheiro na área da alma, em um
artigo sobre santidade, diz: "O irm ão é honesto e lacero quanto ao
dinheiro? Talvez ninguém saiba, m as o Senhor sabe. O irm ão
retém dinheiro que não é seu? A um enta os vales de despesa?
"Todos necessitamos de dinheiro para a obra.
"Precisamos de dinheiro para cuidar de nossas esposas, de
nossos filhos, e isto é justo. M as a tentação de falsificar relatórios
tem destruído m uitos pregadores que hoje deveriam estar
servindo ao Senhor." Outros h á que, enganosamente, forjam
fotografias com o fim de subtraírem m ais verbas para o seu
ministério. A supressão de partes pertinentes à verdade pode
redundar em m entira, e lábios que proferem m entiras são
abominação ao Senhor, e a pior forma de m entira é a que envolve
as coisas espirituais ."
Talvez tenha chegado o momento de você confessar: Senhor,
tenho m anipulado m eus relatórios"!
Infeliz tam bém é o pastor que se apropria de testem unhos de
curas ou experiências cristãs falsos p ara enriquecer sua pregação
e arrebatar aplausos para si, especialmente quando isto possa lhe
render algum dinheiro a m ais p ara seus cofres.
Quando o m inistro se entrega à m entira, é prenúncio de que
parte de sua vida já pertence a Satanás, e torna-se seu aliado,
não sendo digno de crédito (Jo 8.44), e inimigo
/
de Deus, porque
Deus é verdade, e n ’Ele não h á m entira (1 10 2.21). (vAp 22.15).
"A m entira nos torna sem elhantes ao diabo, o pai da
m entira, sendo um a das características principais da im a­

41
gem do diabo em nossas almas" (Matthew Henry).
Eis algumas referências à m entira que podem ajudar a
repugná-las:©
1. A m entira é proibida (Lv 19.11; Cl 3.9);
2. E abominável a Deus e contra Deus (Pv 6.16-19; 12.22);
3. É um obstáculo à oração (Is 59.2,3);
4. E originada pelo diabo (Jo 8.44);
5. Os santos devem repelir a m entira (SI 119.29);
6. Devem evitar essa maldade (Is 63.8);
7. Devem orar para serem preservados da m entira (SI
119.29);
8. Os hipócritas são dados à m entira (Os 11.12);
9. Os hipócritas causam a m entira (Is 57.4);
10. Os ímpios m antêm desde a infância (SI 58.3);
11. Os ímpios am am a m entira (SI 52.3);
12. Os ímpios buscam a m entira (SI 4.2);
13. A m entira é um a das características dos apóstatas (2 Ts
2.9; 1 Tm 4.2);
14. A m entira é um vício que exclui dos céus o indivíduo (Ap
21.27; 22.15);
15. O diabo exemplifica a m entira (Gn 3.4).
• M urm uração
É um outro pecado da língua, e se constitui um hábito que trai
um a condição espiritual. Aos fiipenses, Paulo exortou: "Fazei todas
as coisas sem murmurações nem contendas" (Fp 2.14), e Pedro, em
sua primeira epístola, aconselha-nos a deixar toda a malícia, e todo o
engano, e fingimentos, e invejas, e todas as murmurações (1 Pe 2.1).
Moisés, quando conduziu o povo de Israel através do deserto,
sofreu muito por causa desse problema: "Tenho ouvido as
murmurações dos filhos de Israel", disse o Senhor (Nm 14.27).
A murmuração é falar mal de alguém ou alguma coisa: são as
queixas de pessoas descontentes, e, portanto, é pecado, e muitos
obreiros têm perdido a graça de Deus porque constantemente
ocupam o tempo precioso que dis-

(8)ONTIW;V5P.139

42
Põem para M ar m al dos ungidos do Senhor (Tg 4.11), às vozes
retendo pessoas ao telefone com palestras infindáveis, escrevendo
para outras de m uita ocupação, exigindo respostas, "ou fazendo
perguntas indiscretas que forçam confidências", em vez de se
ocuparem em cuidar do rebanho, como disse o sábio Salomão:
"Procura conhecer o estado das tuas ovelhas; põe o teu coração sobre
o gado" (Pv 17.23).
A recomendação é que devemos orar por aqueles de quem
falamos mal, pois são pessoas iguais às demais, e sujeitas às mesmas
ou piores tentações pelas quais passamos. Não toqueis nos meus
ungidos" (SI 105.15), diz o Senhor, e quando murmuramos contra
eles, fazemos a vontade do diabo; as conversas de ouvido em ouvido,
as histórias que serão contadas baixinho, não poucas vezes são
mentiras, boatos, difamações, calúnias, astúcias diabólicas para
promover dissensões e roubar a paz dos que estão na igreja e em paz
com Deus (v. Pv 21.23).
"Andar murmurando não conserta nada, antes põe muito acerto
a perder'' (Lv 19.16).
H á casas que são verdadeiros centros distribuidores de
perversidades. Visitadas constantemente por pessoas do pouca ou
nenhum a ocupação, é que aí são bem-vindas, justamente pelo novo
material que trazem; não cessam a diabólica indústria contra a
honra alheia. Tais casas não conhecem a paz nem prosperidade, por
causa do ambiente envenenado que seus habitantes suportam (9)
Se o hábito dos murmuradores, em vez de carrear o mal, quer
seja em palavras ou na preocupação de desferir al a quês, quer no
papel, na tribuna convencional, no púlpito no rádio ou contra o colega
(seu próximo - Lv 19.18) fosse aplicado em recomendações e
admoestações, muitos livros teríamos para a edificação da igreja de
Cristo enquanto milita na terra. Mas contas de telefones vão au­
mentando cada vez mais, as visitas para se levar "notícias" como
"sabe da última"?..., e deságua inflamação procedentes do inferno, de
um a língua "cheia de peçonha mortal" (Tg 3.8), grassando o mal que
sabe, o que viu e o

(9) E.P. Ellis


43
que não viu; o seu tempo para cuidar do rebanho fica mais curto, e o
seu círculo de amizades fica cada vez menor por se tornar
indesejável: 'Mandamo-vos, porém, irmãos, em nome de nosso
Senhor Jesus Cristo, que vos aparteis do todo o irmão que andar
desordenadamente...", e "...se alguém não obedecer à nossa palavra
por esta carta, notai o tal, e não vos m istureis com ele, para que se
envergonhe" (2 Ts 3.6,14). Este é o remédio do apóstolo Paulo para
com os que assim procedem, e o Senhor Deus abomina (detesta,
odeia, aborrece) o que semeia contendas entre irmãos (Pv 6.19b).
O pastor que vive murmurando dos membros de sua própria
igreja e de seus colegas está em rebelião contra Deus, e precisa
alcançar a cura através da oração e do louvor para que seu coração se
encha de amor, regozijo e paz.
c) T entações do Pastor
Poderia ter Jesus caído em tentação? Ele poderia pecar? Isto é um a
velha questão que sempre aparece, e temos que pensar que Jesus
também foi homem, e devemos nos lembrar de que, se a sua
tentação foi verdadeira, a sua vitória também a foi.
A ocasião da tentação de Jesus (Mt 4.1-10; Lc 4.1-12) precisa ser
bastante observada pelo caráter de seriedade que se reveste: não foi
simplesmente um a solicitação de Satanás para induzi-lo ao erro,
mas "as três tentações, juntamente, tinham por finalidade oferecer a
Jesus o cumprimento de sua missão messiânica, de forma imediata,
mas sob condições ditadas por ele, Satanás."(1)
O que é tentação?
Existem três conceitos que não são propriamente sinônimos(n)
1°) Prova
2°) Sedução
3°) Tentação
A prova tem mais sentido positivo, e está ligada à ideia de
purificação:

(10)JE Orr
(11) Pr.JairoGonçalves,TesesPastorais,1967
44
a) Deus prova o homem: SI 66.10; SI 7.9; Pv 17.3; Gn 22.1
(tentou Deus a Abraão no sentido de provar); Êx 16.4; Dt
4.34 (com provas); 1 Pd 1.7 (prova da fé), Hb 11.17
(provado).
b) O homem prova a Deus: Ml 3.10; Ex 17.2; SI 95.8; Rm 12.2
(Experimenteis); At 15.10.
c) O homem prova o homem: Gn 42.15; 1 Jo 10.1; 4.1; 1 Co
13.5 (examinai-vos).
A sedução tem sentido negativo e traz a idéia de ser i ai içada por
um inimigo e de arrastamento para o mal:
a) O Diabo seduz o homem. Gn 3.13 (enganou); Ap 2.10
(tentados); Ap 12.9 (engana).
b) O Diabo tentou seduzir Jesus: (Mt 4.3)
/V

c) O homem seduz o homem: Êx 22.16 (enganar); 2 Jo 7.


d) O homem tenta seduzir a Deus: At 15.10.
A ten tação representa a tensão espiritual provoca­
da em todo ser humano pelas provas e seduções, enquanto ole viver.
"Dois chamados contrários ressoam simultaneamente ni alma
do tentado e compelem-no a um a decisão num Hentido ou noutro."
Exemplo:
a) Eva e Adão entre o mandamento de Deus (Gn 2.16) e a
sedução do diabo (Gn 3.5);
b) Abraão entre a aliança (Gn 21.12) e a ordem divina para
o sacrifício de Isaque (Gn 22.1-11);
c) O cristão entre Deus e o maligno (Mt 6.13);
d) Jó entre o seu Deus (Jó 2.10) e Satanás, dissimulado na
sua mulher (Jó 2.9).
"Disso tudo concluímos que a tentação pode provir de Deus e de
Satanás, mas com intenções completamente opostas: Deus tenta,
prova, e seduz, tendo em vista o nosso bom ou um fim benéfico e
positivo. O diabo só tenta e seduz (mas nunca prova), visando ao
nosso m al ou a um fim maléfico e negativo.'^)

(2). T . Pastorais, VTI.47


45
d) P erigos que R ondam a V ida do P astor
• D inheiro
O pastor deve ser um ganhador de almas por excelência (Mt
4.19), mas, lidando com aquilo que é material, deve fazê-lo com
m uita prudência.
A Palavra de Deus diz que as riquezas vêm de Deus (1 Cr
29.12), e a Ele pertence o ouro e a prata e tudo quanto existe na terra
(Ag 2.8). Se o pastor é o mordomo do tesouro da casa do Senhor, ele
precisa saber manobrar com esses valores e não deixar-se enredar
por ele. "O servo do Senhor que lida com finanças deve ser o senhor
do dinheiro, e não escravo dele." (Ver 1 Tm 6.9,10 )
Se a vida do obreiro não for equilibrada, se não cuidar das
suas obrigações financeiras, sentir-se-á tentado a lançar mão de algo
que não lhe pertence. Cedo ou tarde a igreja tom ará conhecimento
através de seus próprios atos. E alguns têm sido enlaçados pelo diabo
com tentações, como:
• canalizar os recursos para construção de suntuosas
propriedades particulares, enquanto a própria igreja necessita
de reparos ou mesmo uma nova construção, de novas
congregações, e equipamentos;
• aquisição de carros do ano com o dinheiro do suor das ovelhas,
para sua comodidade e de sua família, enquanto os obreiros do
campo não dispõem de nenhuma bicicleta para atender à obra
do Senhor;
• aplicar o dinheiro da igreja e subtrair para si os dividendos que
renderam durante o tempo da aplicação, enquanto as ovelhas
passam fome e ficam sem a assistência que lhes garanta
sobrevivência;
• emprestar dinheiro a juros (condenado pela Bíblia) dos polpudos
dízimos dos mais abastados, a ponto de ser conhecido na cidade
como "agiota", enquanto os cofres da igreja permanecem vazios
para atender suas mínimas necessidades materiais;
• desviar dinheiro da igreja para suas necessidades pessoais e de
sua família;
• levantar fundos, em grandes campanhas, para a compra de
terreno para a construção de uma sede, e
46
desviar cs recursos para pagam entos outros que não o fim
proposto e sem o devido esclarecimento à igreja;
• endividar a igreja n a aquisição de m ateriais de cons­
trução ou equipamentos a ponto de estrangular as suas
finanças, obrigando-a a ônus de juros insuportáveis e,
consequentemente, ao sacrifício de seus membros. Por
esse erro, m uitos vêem suas obras paradas, tendo que
negociar o imóvel para saldar os compromissos assumidos
e não liquidados. Jesus ensinou sobre a construção e
quando e como se deve colocar as bases p ara construir (Lc
14.28-30).
Infelizmente, m uitos destes estão como os israelitas nos dias
de Ageu, "Habitando em casas entaboladas, m ontando usinas,
engenhos, situando fazendas, amontoando p rata e ouro,
enquanto a Casa do Senhor fica deserta" e “multidões perecem
sem um a centelha da luz que projeta raios da colina do Gólgota"
(A. T. Galvão). A m ensagem do Senhor a Ageu é preciso ser
lembrada: "Aplicai os vossos corações aos vossos caminhos.
Semeais m uito e recolheis pouco; comeis, porém não vos fartais;
bebeis, porém não vos saciais; vestis-vos, porém não esquentais; e
o que recebe salário o põe num saco furado. O lhastes p ara o
m uitos m as alcançastes pouco, e, quando o trouxestes à casa, eu
assoprei: Por que causa? Por causa da m inha casa, que está
deserta, e cada um de vós corre à sua própria casa." Ac 1.5,9) e
das palavras de Jesus: "Louco, nesta noite exigirão a tu a alma; e o
que ajuntaste para quem ficará?' (Lc 12. 20).
U m a das condições indispensáveis p ara se ser m inistro é
aborrecer a avareza (1 Tm 3.3; T t 1.7), e o avarento é colocado em
pé de igualdade com o idolatra, o roubador (1Co 6. 10). Ora, sendo
sem elhante à feitiçaria, claram ente se Infere que não há distinção
entre o avarento, o idolatra e o feiticeiro, e sua parte será no "lago
que arde com fogo e enxofre" (Ap21.8).
M as a tentação do m etal precioso tem levado outros a
viverem além de seus recursos m ateriais e a descuidarem das
obrigações financeiras, causando, com isso, grande prejuízo para
sua adm inistração pastoral. "Que o pastor

47
faça um orçamento de seu salário, aja com prudência e
equilibre seus gastos. Não lhe cairia bem ficar sob suspei-ta ante o
rebanho."( b) Deve ter boa reputação para com os que estão de fora e
um a vida ilibada.
"Além de tudo isso, o maior inconveniente de o pastor
negociar é que o comércio, via de regra, envolve a m entira e os
negócios ilícitos e, com isso, vêm os escândalos: N ada vale, nada vale,
dirá o comprador, mas, indo-se, então se gabará.’ (Pv 20.14). Creio
que pastores assim estão no mi-nistério como peças colocadas fora
do devido lugar. Melhor seria que renunciassem ao ministério e se
dedicassem à vida comercial, já que para isso se sentem atraídos.
Assim, talvez, sejam mais úteis à obra de Deus, contribuindo com os
dízimos e prestando outros serviços que não os do pastorado."(i4)
Paulo, em suas exortações e conselhos a Timóteo, diz: "Mas
os que querem ser ricos caem em tentação e em laço, em muitas
concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na
perdição e ruína. Mas tu, ó homem de Deus, foge destas coisas, e
segue a justiça, a piedade, a fé, a caridade, a paciência, a mansidão"
(1 Tm 6.9,11).
• Egoísmo /
O egoísmo é uma das doenças ligadas ao ego. E uma inclinação
humana que se tem feito sentir em todas as coisas e que domina o palco
das atividades hodiernas.
"Refere-se ao apego excessivo a si mesmo e ao que se faz em
detrimento dos interesses dos outros"© e nos incomoda quando a
posição que ocupamos é ameaçada pelo soerguimento de alguém que
procura ombrear-se conosco.
O perigo do egoísmo pode florescer bem cedo no coração do
pastor, pois, na luta pela sobrevivência e pelo desenvolvimento, sempre
são galardoados os mais esforçados e os mais capazes. Nessa autêntica
competição, entram em jogo a nossa inteligência, a nossa aptidão para o
trabalho, a nossa constância, o nosso espírito de realização.

(13) C.C.Andrade
(14) ElysyQueiroz
(15) Ultimatonov76

48
/
E comum o desejo de sucesso, o que não deixa de ser um a
espécie de egoísmo que se avulta. Por incrível que pareça, chega-se
ao ponto em que os interesses se chocam quando a ação de outro
perturba a nossa. "Passamos, então, a encarar egoisticamente o
egoísmo alheio." Justam ente nesse ponto é que a nossa atividade
deve ser limitada de maneira a não entrar em choque com o
interesse coletivo.
Se olharmos exclusivamente para o nosso interesse, sem
contudo procurarmos harmonizá-lo aos dos outros, criaremos por
certo um m alestar geral, um clima de discórdia e de contenda, e um a
completa anarquia.
Quando alguma coisa aparece para obrigar-nos a esta­
belecer um íieio em nosso desejo de expansão, que sempre é cada vez
maior, estamos sujeitos a deixar surgir então o tipo de egoísmo
reprovável, essa maligna inclinação, que, se não for evitada, trará à
tona a inveja e o ciúme, os quais, à semelhança dos mariscos, que
aderem aos cascos dos navios, servem somente para retardar o bom
andamento das realizações.
A solução para o pastor que se vê diante desse proble-nia é o
desenvolvimento do espírito de compreensão e solidariedade.
O certo seria verificar se o nosso bem-estar e o nosso êxito
estão construídos em detrimento de outros. Se isto está acontecendo,
devemos estabelecer um limite nas nossas atividades e explorar
outro setor de trabalho de maneira que não prejudique o nosso
semelhante. ( 16)
Talvez alguns, pelos anos de ministério que têm,
esesqueceram-se de que a humildade é um qualificativo daquele que
conseguiu galgar as escadas do sucesso, e hoje, infelizmente, estão
doentes com enfermidades ligadas ao ego, como:

a) Egocentrismo
E a tendência de fazer de si mesmo o centro da vida.

49
b) Egotism o
/
E a tendência a m onopolizar a atenção p a ra a su a própria
personalidade, desprezando as opiniões alheias. Só ele está
certo.
c) E golatria
E a adoração ao próprio eu, o culto do eu. E o clím ax de
todas as doenças. E o caso do hom em do pecado (2 Ts 2.4).
O grande rem édio p a ra essas enferm idades é o sangue de
Jesu s Cristo, e esta r crucificado com Ele, p a ra que Ele viva
em nós (Gl 2.19,20).

• Falsidade
"Abomino e aborreço a falsidade; m as am o a tu a lei" (SI
119.163).
O coração do hom em falso, diz o pastor M enezes, é um
a ltar onde é imolado constantem ente o sacrifício da m entira;
ele se levanta contra o inocente, defende-se com astúcia e
disfarça com um riso, fechando o olho p a ra alguém : abraça o
amigo, pisca com os olhos e lá fora diz aos am igos de arte: "Ele
m e prejudica, vam os jogá-lo daqui".
D eus exortou o povo de Israel, dizendo: "De palavras de
falsidade te afastarás,..." (Ex 23.7), porque quem u sa de
falsidade patrocina a injustiça, e nunca será justificado, porque
D eus o considera ímpio. Vez em quando alguém su ssu rra em
algum ouvido: "Fulano é u m a boa pessoa, até gosto dele". M as,
cuidado, porque ele é o verdadeiro tipo do hipócrita, já está
planejando ir à casa de outro, p a ra au m en tar a corrente de
traição contra você.
N ão creias que todos quantos te rodeiam e te abraçam
sejam am igos leais como se aparentam . A bsalão parecia ser
um bom filho pela aparência do seu rosto, m as tra iu seu p ai e
pagou caro tributo por esse ato de falsidade (2 Sm 15-18).
N ão te assentes, pastor, à m esa com o hom em falso,
porque, se ele "m aquina o m al n a su a cama" (SI 36.4) e
"m aquina o m al contra o justo" (SI 37.12), facilm ente "encherá
o te u p rato com hortaliça, a sobrem esa com doces, encherá a
tu a boca com saliva de elogios, m as, quando

50
Chegares em casa, as tuas orelhas estarão quentes”, porque a língua
falsa é forte e rápida como o deslizar de um a cachoeira para
derram ar ódio contra o próximo, difamando-o ocultamente.
Em nosso percorrer ministerial, temos observado que alguns
obreiros intitulam-se de ”bons servos”, mas o tempo faz com que
revelem suas máscaras, e deixem suas carteiras de identidade
transparecerem: ...HIPÓCRITAS. E a falsidade, ainda que seja
descoberta, é como ”um a árvore que, cortada, torna a brotar; demora
um pouco, mas, do aparece, tem mais varas e folhas, por onde oculta
insetos destruidores”.

• Im oralidade
Deve o pastor resguardar-se de cair na imoralidade, cujas
conseqüências são a vergonha para a sua família e a Igreja de nosso
Senhor Jesus Cristo.
O seu ”modus vivendi” irá definir o sucesso de seu ministério, e
assim como Cristo a si mesmo se entregou pela Igreja (Ef 5.25), o
despenseiro deverá achar-se fiel ao Senhor e à sua companheira, e
com ela conviver em harmonia, providenciando o seu bem-estar e
dignificando-a. A promessa de Deus ao homem que teme ao Senhor
é ser abençoado (SI 128), pois "comerá do trabalho de suas mãos, feliz
será e lhe irá bem”.
Mas como os demais crentes, o pastor precisa lembrar-se de
que tem suas próprias tentações e não estará livre delas a não ser
quando passar para a eternidade, salvo.
Amais poderosa arm a do inimigo é destruir, escandalizar e
envergonhar a autoridade dos filhos de Deus. E muitos obreiros
estão caindo no pecado da prostituição, seja ela mental (Mt 5.28),
carnal (Ex 20.14) ou espiritual (Tg 4.4), desonrando o nome de Jesus.
O serviço de visitas, por exemplo, é um a das partes do
ministério cristão que requer a graça de Deus, em virtude do perigo
a que se expõe. Satanás emprega todo o esforço para que o obreiro se
dedique nesse mister, de corpo e alma, e assim estará o homem de
Deus enfrentando o mais árduo de seus problemas (Pv 6.27), e não
poucos têm sido

(17) J. Gonçalves
51
levados à infelicidade e desgraça. A recomendação é que as visitas
devem ser feitas com m uita devoção e temor de Deus, sempre
pedindo ajuda ao Senhor para não cairmos nas teias do maligno.
Paulo recomenda não im itar certos obreiros que andavam de casa
em casa (2 Tm 3.5-7). Somos testem unha de casos de dirigentes que,
imprudentemente, conversam e oram, com esposas de maridos não-
crentes, exatamente no horário em que estes estão trabalhando. Isto
gera ameaças de morte aos neófitos por parte dos mais enciumados.
Não devemos usar de liberdade, porque somos ministros de
Deus; mas devemos ter cuidado especialmente ao conversar com as
irmãs.
Deve o ministro, diz Crabtree, ter muito cuidado no modo de
cumprimentar senhoras bonitas e atraentes, e especialmente no
modo de responder aos seus cumprimentos! Deve revelar nas suas
palavras, nos seus gestos, a pureza dos seus motivos no seu serviço
pastoral.
Os casos confidenciais de família, as confissões íntimas e
mesmo no modo de ensinar, devemos ter cuidado para não
colocarmos chamas inflamadas em nosso seio. Muitos filhos de Deus
têm virado ao avesso e perdido o seu santo ministério nas horas em
que conversam intimamente com alguém do sexo oposto. O espírito
está pronto, mas a carne é fraca (Mt 26.41), disse Jesus. O convívio
íntimo com a mulher é como o jogo de damas: em um a hora se perde
tudo o que ganhou!

• Inveja
”O coração com saúde é a vida da carne, mas a inveja é a
podridão dos ossos” (Pv 14.30).
Em um a alegoria, Edmundo Spencer pinta a figura montada
num lobo, na procissão dos pecados. Masca um sapo do qual
escorrem venenosos líquidos pela face abaixo. Usa desbotado manto
cheio de olhos. Enrosca-se-lhe ao peito um a serpente.
A descrição não é exagerada, quando pensamos na destruidora
obra da inveja. Quantos lares, casamentos e vidas destruídas por ela!

52
A pessoa invejosa não sabe amar. Sabe apenas dominar,
possuir.
A inveja fez com que "o sumo sacerdote e todos os que estavam
com ele” lançassem os apóstolos na prisão (At B 17). Também, "os
patriarcas, movidos de inveja, venderam a José para o Egito". Caim
assassinou seu irmão movido de inveja profunda, descaindo-lhe o
semblante (Gn 4.6).
"O coração alegre serve de remédio..." (Pv 17.22a), mas inveja,
pela depressão moral que determina, acarreta um a lenta
deterioração física.
Quando alguém se encoleriza, o sangue fica envenenado por
princípios tóxicos decorrentes de certos hormônios que se liberam. Ao
contrário, a alegria purifica o sangue e prolonga a vida. Amando, a
pessoa se dá sem forçar nem dominar. Amor verdadeiro é
companheirismo, nunca domínio (Vide 1 Co 13.4-8).
A inveja oculta-se, por vezes, atrás de um a tela de boa
Vontade. Reveste-se de palavras, como: "Sim, ele fez bem, mas..." e a
chama irrompe. "Não gosto de dizer isto dele, mas..." e nova chama
irada surge.
"A inveja é própria de imaturidade."(3) E maligna, diabólica e
destruidora. Procede do próprio Satanás, que no princípio foi
chamado de "Lúcifer" (flho da manhã). Ele é o nosso adversário, o
enganador, e devemos nos precaver contra as investidas que faz,
tentando corromper nossa moral e nosso caráter.
O ministro que deixa aninhar-se no coração a inveja, o ciúme, o
ódio, está cavando a própria sepultura. O sucesso ministerial do
colega pode levá-lo ao profundo da inveja, e está às acirradas críticas
destrutivas por sua própria incapacidade de se igualar ao irmão.
A falta de visão e a incompetência doem mais no invejoso do
que a própria dor física, quando o êxito dos outros pastores é patente
a todos. E corrói... e irrompe em crítica impiedosa.
Outros há que ocupam seu ministério em rebuscar
pormenores, por inveja, na vida de colegas com o fim de

(J.G o n ç a lv e s 53
derrubá-los de seus postos, ou para ocupar o lugar de algum ou
dar a um terceiro de sua proteção.
Também a tristeza causada pela inveja, quando prolongada,
cria no organismo elementos destrutivos, e Salomão, ao dizer que a
"inveja é a podridão dos ossos", não estava usando um a hipérbole,
mas confirmando um fato biológico.
O pecado se torna maior ainda quando a inveja é dos ímpios,
porque implica em falta de horror ao pecado que lhes proporciona
haveres, posições ou importância.
Muitos daqueles que se julgam humildes - procuram
simpatizar com os ignorantes e deseducados, "gostam de misturar-se
com eles, não por simplicidade do coração ou amor ao próximo, mas
porque, nesse meio inferior, evitam o contraste com as criaturas
elevadas. Detestam, por inveja, os que ocupam alta posição social.
Não podendo suportar a autoridade moral ou intelectual alheia,
atacam-na pelo ridículo".(4)'
A inveja é a mãe do diabo, e ninguém está livre de ser ferido
por suas terríveis garras. "A diferença entre ciúme e inveja é que o
primeiro nos faz ter medo de perder aquilo que possuímos, enquanto
que a inveja nos provoca tristeza pelo fato de os outros possuírem
aquilo que não temos."(5)

A inveja dos ím pios:


SI 37.1,2 - "Não te indignes por causa dos malfeitores, nem
tenhas inveja dos que obram a iniquidade. Por que
cedo serão ceifados como a erva, e murcharão como a
verdura.
" Pv 3.31,32 - "Não tenhas inveja do homem violento nem
escolhas nenhum de seus caminhos. Porque o
perverso é abominação para o Senhor, mas com os
sinceros está o seu segredo.
" Pv 23.17,18 - "Não tenha o teu coração inveja dos pecadores;
antes sê no temor do Se

( 18) E.P. ELLIS


/ \

/ 19\
( ) Ultimato, 3/78
54
nhor todo o dia. Porque deveras há um fim bom; não será malograda
a tua esperança.”
Pv 24.1,2 - ”Não tenhas inveja dos homens malignos, nem
desejes estar com eles; porque o seu coração
medita a rapina, os seus lábios falam
maliciosamente”
Pv 24.19,20 - ”Não te aflijas por causa dos malfeitores, nem
tenhas inveja dos ímpios; porque o maligno não
terá galardão algum, e a lâmpada dos ímpios se
apagará.”
O Salmista Asafe estava enquadrado dentro destes salmos,
pois ele mesmo declarou: ”Pois eu tinha inveja dos soberbos, ao ver a
prosperidade dos ímpios” (SI 73.3).
Mais adiante ele compreendeu, depois de muita perturbação, o
resultado do sucesso dos ímpios: ”Até que entrei no santuário de
Deus; então entendi eu o fim deles. Certamente Tu o puseste em
lugares escorregadios, Tu os lanças em destruição.” (SI 73.17,18).

A inveja religiosa:
Gn 4.3-5 - ”E aconteceu ao cabo de dias que Caim trouxe do
fruto da terra um a oferta ao Senhor. E Abel
também trouxe dos primogênitos das suas ovelhas,
e da sua gordura, e atentou o Senhor para Abel e
para a sua oferta. Mas para Caim e para a sua
oferta não atentou. E irou-se Caim fortemente, e
descaiu-lhe o seu semblante.”
SI 106.16 - ”E tiveram inveja de Moisés no acampamento, e de
Arão, o Santo do Senhor. (Ver Nm 16.1-50).
Mc 15.10 - "Porque ele bem sabia que por inveja os principais
dos sacerdotes o tinham entregado.”
At 5.17,18 - ”E levantando-se o sumo sacerdote, e todos os que
estavam com ele, enche-

55
ram-se de inveja, e lançaram mão dos apóstolos,
e os puseram na prisão pública."
At 13.45 - "Então os judeus, vendo a multidão, encheram-se
de inveja; e, blasfeman-do, contradiziam o que
Paulo dizia.
" At 17.5 - "Mas os judeus desobedientes, movidos de inveja,
tomaram consigo alguns homens perversos,
dentre os vadios e, ajuntando o povo,
alvoroçaram a cidade, e, assaltando a casa de
Jason, procuraram tirá-los para junto do povo."
"Verdade é que também alguns pregam a Cristo
por inveja e porfia mas outros de boa mente."
Que cada pastor procure im itar a Cristo, "deixando, pois,
toda a malícia, e todo o engano, e fingimentos, e invejas, e todas as
murmurações" (1 Pe 2.1), e assim nunca será atingido por esse
verme da inveja, e sua vida será um espelho para o rebanho do
Senhor.
• O rgulho
"A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito precede a
queda " (Pv 16.18).
O orgulho pode se manifestar na vida do obreiro de várias
formas, e, por ser "uma condenável exaltação do ego, o qual se delicia
com o pensamento de ser superior a todos os seus semelhantes (21)
torna-se "abominação ao Senhor'' (Pv 16.5).
As formas de orgulho são:
a) o espiritual;
b) o intelectual;
c) o material;
d) o social;
Todas essas formas de pecado têm procedência mundana, e
não do Pai (1 Jo 2.16).
A soberba ou orgulho busca apenas a glorificação própria, o
culto ao próprio "eu", que emana do coração onde

(20) O NTIVV,v.6p.243

56
Se fixa um a desvairada paixão egoísta de viver superior aos outros,
com lazer e conforto excessivos, como ostentar melhores
vestimentas, olhar altivo, vida social regalada ou "a vida de vangloria
- de presunção, de desejo pelo louvor e pela deferência, pelo deleite de
ser considerado importante, de exercer autoridade sobre outros, de
estar em primeiro plano; todas as vaidades vazias da moda e dos
costume, dos títulos e ofícios; de uniformes e posição, das pequenas
imposturas esnobes nas quais coisas os homens caem ... Não lhes
importa que... perante Deus, nada disso tenha qualquer valor".(6)
Infeliz; é o homem chamado por Deus, vocacionado, à (Venle de um
rebanho, e que se entrega ao:

- O rgulho espiritual
Foi por esse pecado que Lúcifer recebeu a sentença de Deus: "E
contudo levado serás ao inferno, ao mais profundo abismo" (Is 14.15),
e "Todos os que te conhecem entre os povos estão espantados de ti;
em grande espanto te tornaste, e nunca mais serás para sempre"
(Ez 28.19).
A sua soberba, a primeira espiritual do universo, teve Início na
sua "perfeição em formosura", estava "estabelecido" e "Perfeito era
nos seus caminhos desde o dia em que foi criado", "até que se achou
iniqüidade nele" (Ez 28.12-16) Foi o "eu" que o levou a confiar mais
em suas virtudes do que no próprio Criador que o estabeleceu (1 Co
7.20,24), como dizia em seu coração:
• "eu”subirei ao céu (Is 14.13);
• exaltarei o "meu" trono (Is 14.13);
• da congregação "me" assentarei (Is 14.13);
• "subirei" acima (Is 14.14);
• e "serei" semelhante ao Altíssimo (Is 14.14).
Nós, como este que se tornou o "Diabo", quando começamos a nos
sentir auto-suficientes, é hora de acordarmos e nos lembrarmos de
que o terreno que estamos pisando é movediço, e poderá nos tragar.
A sua ambição não lhe levou a ocupar a posição almejada,
antes caiu na profundeza do mundo subterrâneo, foi
(a)ONTIVV,v6p2 3
57
envergonhado e desonrado em sua morte. E muitos têm entrado por
esse mesmo caminho.
O orgulho pastoral tem levado muitos a entrarem em negociatas,
gastando o precioso tempo em reuniões de "conchavos" para
estabelecerem suas posições, e da história da humanidade extraímos
que não há nada que corrompa mais o homem que o poder sobre o seu
semelhante. Daí, advém as resoluções carnais, como: "E, eu poderia ter
resolvido diferente, mas já falei, e tem de ser assim mesmo". E muitas
almas estão excluídas, fora da igreja, e não poucas no abismo por causa
das resoluções carnais.
O orgulho leva o homem a desprezar o seu próximo, e ser
desprezível aos olhos deste. Ele diz, fazendo coro com o antigo e repulsivo
fariseu: "Graças te dou, ó Deus, porque não sou como os demais
homens..." (Lc 18.11). Só ele tem razão, e todas as suas medidas são
justas, e têm de ser aplicadas, ainda, que custem a perdição eterna do
seu "algoz". Só as suas orações são ouvidas, e os seus conselhos têm de
ser acatados. Mas Deus abomina esse tipo de orgulho espiritual "pelo
fato de pensar ele ser bom e justo a seus próprios olhos. E o caso daquele
que está vestido de trapos imundos a pensar que é o homem mais bem
vestido deste mundo " (B. Graham). (Ver Tg 4.6 )
Muitos daqueles que se intitulam líderes, "ao invés de serem os
pacificadores entre os irmãos, são geralmente os capitães dos partidos
que se entrechocam". Perguntamos, então, como pode o Espírito de Deus
operar diante dessa situação? Evidentemente que o Senhor Jesus Cristo
não compactua com desgraça como essa. "E qual é o resultado dessas
lutas frntricidas? A igreja local é debilitada e entra em opróbrio, ficando,
algumas vezes, completamente destroçada. E depois, quem chora?
Nenhum dos culpados, pois a auto-exaltação lhes parece muito mais
importante do que o progresso da igreja de Cristo, de acordo com as suas
mentes carnais."^)

- O rgulho in telectu al
"Ser sábio aos próprios olhos" (Rm 12.16) é a qualida-de de
orgulho que se manifesta em forma de arrogância pe­

(22) ONTIVV,V3P.821

58
rante as pessoas menos iletradas e dos oprimidos. Não foi assim com
Jesus Cristo, "que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação
ser igual a Deus" (Fp 2.6). Que sentimento! Antes, "aniquilou-se a si
mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos
homens " (v.7). Aquele que estava com o Arquiteto do universo,
quando te era projetado (Pv 8.22-31), não se jactava de seus feitos na
presença dos oprimidos (Mt 8.4), porque a soberba é inimiga do
Evangelho. Sua confiança estava em Deus (Jo 11.41).
O sábio intelectual estriba-se no seu próprio entendimento (Pv
3.5b), e o pastor que é "sábio aos seus próprios Olhos" esquece-se de
que sua capacidade de entendimento e saber vêm de Deus (1 Rs
3.12; Tg 1.5).
Quão difícil foi para Festo (At 26.28) sentir o toque do Espírito
Santo em seu coração para tornar-se um cristão e ter que disfarçar o
seu orgulho, por ser rei. Jam ais aceitaria Um Evangelho que foi dado
aos "pobres de espírito". Sua soberba lhe custou um a eternidade sem
Deus... E ra muito sábio... E o que dizer de Naamã? (2 Rs 5.1-14). O
preço da sua humilhação foi a cura da lepra do seu corpo, quiçá de
seu espírito. Através da humildade e da mansidão, podemos ser
"exaltados soberanamente" (Fp 2.9).
O apóstolo Paulo é o exemplo de sabedoria, e não se gloriava
nela (1 Co 1.17-19), "porque a loucura de Deus é mais sábia do que os
homens" (v.25). Antes, gloriava-se no Senhor (v.13).
Foi, sem dúvida alguma, das figuras de maior proenência da
história do cristianismo, não só pelo seu talento de erudição como
também pela sua eloqüência verdadeiramente surpreendente.
Surgiu no cenário quando nenhum dos primitivos apóstolos poderia
desempenhar bem o encargo de levar o Evangelho a outros mundos,
pois o cristianismo já tomava caráter universal.
A capacidade intelectual estava nesse homem, filho de pais
fariseus, grupo mais legalista e puritano da religião; rabino aplicado
à Lei. E Deus necessitava de um homem cujo desembaraço,
ilustração e entranhada dedicação ao bem geral o tornasse apto para
levar a esses lugares a mensagem do Evangelho - "um homem que
não somente

59
fosse um judeu para os judeus, mas um grego para os gregos, um
romano para os romanos, um bárbaro para os bárbaros, um homem
que pudesse discutir com os rabinos nas sinagogas, com os
magistrados nos tribunais e com os f ilósofos nos seus templos da
ciência".(z5 )
Entretanto, não se ufanou por isso, qualificando-se, antes, a si
mesmo, como "miserável homem que sou” (Rm 7.24).

- O rgulho m aterial
A soberba proveniente dos bens materiais pode levar o homem
a esquecer-se de Deus, à ruína e à perdição, como disse Paulo a
Timóteo: "Os que querem tornar-se ricos, caem em tentação e em
laço, e em muitos desejos insensatos e nocivos, os quais arrastam os
homens à ruína e à perdição "(lTm6.9).( )
Mas o perigo não está em ser rico neste mundo: Abraão, Jó,
Salomão e muitos outros o foram, mas em colocar o coração na
riqueza (Mt 6.21; Lc 12.20).
O verdadeiro sentimento de ser rico é "possuindo tudo, como
nada tendo", "como pobres, mas enriquecendo a muitos" (2 Co 6.10),
porque "na soberba trazida por bens materiais, entroniza-se o ego em
vez de Deus. As coisas secundárias são exaltadas a um lugar de
primeira importância, e a vida se desequilibra. Então, concentra-se
naquilo que tem e não naquilo que é, aos olhos de Deus.
"A soberba material tende a levar o homem para a cobiça. "(25)
Feliz é o pastor que, tendo acumulado riquezas neste mundo,
não esquece do seu dízimo integral (Ml 3.10); dos mais necessitados:
"Quem pois tiver bens do mundo, e, vendo o seu irmão necessitado,
lhe cerrar as entranhas, como estará nele o amor de Deus?' (1 Jo
3.17; At 4.34,35); das construções dos templos; das viúvas e dos
órfãos; dos missionários e dos grandes projetos que edificam o reino
de Deus.

(23) James Stalker


(24) Trad. Brasileira
(25) Billy Grahan

60
• P reguiça
“Nada fazer é o caminho certo para não ser ninguém”.
A recomendação do apóstolo Paulo ao jovem Timóteo foi para
que ele procurasse apresentar-se a Deus como "obreiro aprovado” (2
Tm 2.15) e aos romanos, que apresentassem seus corpos "em
sacrifício vivo" (Rm 12.1), pois a felicidade do ministério, em grande
parte, é determinada pelo que o pastor faz com o seu corpo e o seu
intelecto.
Mas, sendo o próprio pastor quem determina a sua cota
diária de trabalho, estará fadado a entregar-se de corpo e alma às
atividades pastorais com sucesso, ou a um a prestação de serviço
superficial, negligenciando seus hábitos diários. A formiga tem uma
vida exemplar pura a indolência: “Vai ter com a formiga, ó
preguiçoso, Olha para os seus caminhos, e sê sábio; a qual, não
tendo superior ou juiz, nem oficial, nem dominador, prepara no
verão o seu pão, na sega ajunta o seu mantimento. Oh!
preguiçoso, até quando ficarás deitado? quando te levantarás do
teu sono? Um pouco de sono, um pouco tosquenejando, um
pouco encruzando as mãos, para estar deitado;assim te sobrevirá
a tua pobreza como um ladrão, e a tua necessidade como um
homem armado” (Pv 6.6-11).
A preguiça, como um dos pecados capitais, destrói a
oportunidade e m ata a alma, pois significa "aversão ao trabalho,
indolência, vadiagem, negligência, ociosidade, descuido".
No campo espiritual, "traz consigo não só a idéia de
vagarosidade ou desinclinarão para as coisas espirituais, mas,
também, de apatia e inatividade na prática do cristianismo". (7) Ela é
o parâmetro entre aquilo que se é hoje o que se poderia ser amanhã.
A Bíblia nos revela as atividades materiais e espirituais
incessantes de homens que tiveram seus ânimos redobrados (Jr
20.9; Js 1.2,6,7,9; Hb 11.32-38; Is 40.29-31), e do próprio Jesus Cristo,
ainda que as Escrituras não esclareçam sua atividade material, é
fácil deduzir que

(26) BGrahan
61
sua gloriosa missão tríplice de pregar, curar e ensinar (Ml. 4.23), ele
era um homem ocupado no trabalho (Is 53.3; Ml. 13.55; Jo 5.17), e, se
ele trabalhou, foi para deixar o exemplo e não permitir a indolência
no caminho cristão. "Se alguém não quer trabalhar, também não
coma” (2 Ts 3.10).
Quando o pastor entrega-se à indolência, negligencia a leitura
da Bíblia, torna-se um preguiçoso mental e, consequentemente, suas
mensagens passam a não convencer; ele perde a visão, as convicções,
a energia e o poder, e, com isso, o seu trabalho não rende, não
podendo recolher os frutos de sua atividade precária.
Muito embora sendo "digno de seu salário" (1 Tm 5.18), passa
a entrar para a galeria dos necessitados e a sofrer os efeitos da fome,
visto que a pouca quantidade de membros de sua igreja não lhe pode
oferecer o suficiente para a sua sobrevivência. Com isso, arvora o
pretexto de estar passando "provação" de Deus.
E preciso que se note que há diferença entre a preguiça e a
situação de necessitado, porque "a preguiça faz cair em sono
profundo, e o ocioso vem a padecer fome" (Pv 19.15), e o necessitado,
que não tem de onde tirar, precisa ser ajudado (1 Jo 3.17). Não
estamos querendo dizer que Deus não possa provar o homem, pois,
em muitos casos, a necessidade tem origem num a prova que Deus
impõe, pois, do contrário, iríamos atribuir preguiça a todos os casos
de provações vindas do céu.

C onseqüências da preguiça
• O servo inútil deixou de negociar o talento recebido: "foi e
cavou na terra e escondeu o dinheiro do seu senhor" (Mt 25.18). O
seu pecado de nada fazer custou-lhe a sentença: "Mau e negligente
servo... Tirai-lhe pois o talento... Lançai o servo inútil nas trevas
exteriores" (Mt 25.26a, 28a, 30a).
• ‘E m verdade vos digo que vos não conheço” (Mt 25.12), foi a
sentença para as cinco virgens loucas que não levaram azeite
consigo, descuidaram de se preparar para esperar o noivo. (Ver E f
5.14)
• Um a vida fria, sem alegria, sem entusiasmo, especialmente
quando se negligencia a oração (1 Ts
62
5.17). "Pelo fato de sermos preguiçosos e indolentes,
negligenciamos a oração, e, assim, secam-se os nossos
mananciais espirituais " (B.G.).
• O constante "deixar para amanhã" vai acumulando seus
afazeres, chegando a um ponto tal, crítico, incapaz de ser
levado adiante. Diz Billy Graham( ) que "a palavra de ânimo
que devíamos levar a um amigo desencorajado, a ação
ajudadora que tornaria mais leve e mais suportável o fardo
de alguém, um pouco de dinheiro colocado amorosamente na
mão do necessitado - eis aí ações negligenciadas que nos
trazem remorso e privam outros da ajuda tão necessitada."
Não é só isso: muitos pastores negligenciam também (Rm 12.11):
• no seu modo de conversar;
• no modo de vestir;
• no pagar seus dízimos e ofertas (Ml 3.10);
• nos seus próprios hábitos;
• no asseio e na limpeza pessoal;
• no amor para com o próximo;
• no exame das Escrituras Sagradas (SI 1.2);
• na oração.
• O utros perigos
Além das tentações e dos perigos em que o pastor está sujeito a
cair, outros rondam a sua vida, e o irmão Emílio Conde expõe
alguns que podem servir de alerta aos que "não am aram as
suas vidas" (Ap 12.11):

1. A legria resultante do seu sucesso na Obra do Senhor

É comum ver alguém se regozijar num a vitória espiritual, mas


necessitamos medir o grau do nosso regozijo, porque às vezes a nossa
alegria não é do Senhor, mas carnal, e, sendo assim, estamos em
perigo de sermos presos nas teias de Satanás. Saul alegrou-se nas
vitórias que o Senhor lhe havia dado, mas o Senhor não se alegrou
com a sua (de Saul) alegria (1 Sm 15.13-26).

(27) Sete PecadosMortais, p.66

63
O apóstolo Paulo, certa vez se regozijou de seu trabalho, mas
voltou atrás, dizendo: "Não eu, mas a graça de Deus que está
comigo” (1 Co 15.10).
E bom que se diga de muitos ministros que têm tropeçado
nessa pedra, levando um a vida de satisfação própria; gozo em si
pelos trabalhos realizados; têm a satisfação de ver sua própria voz
gravada, seja no vídeo ou na TV; fazem questão que o coro e a banda
de "sua” igreja recebam o primeiro prémio e os principais elogios, e
daí por diante, as coisas passam para o plano, não de sacrifícios da
obra do Senhor, mas de exibicionismos.
Pelos nossos sucessos espirituais, seremos tentados a ser
arrebatados, como desejavam fazer com Jesus, para o fazerem rei (Jo
6.15).Como Ele, nossa atitude é de nos retirar, entrar num lugar a
sós, para estar com Ele e nos livrar de toda tentação.

2. R otina natural: pregar, orar e visitar

A vida do pastor é de constante sacrifício no altar,


especialmente no seu escritório. Onde ele estiver, deve ali ser um
santuário com a presença do Senhor.
Conta-se que certa feita D.L. Moody estava num barbeiro
fazendo a barba, todos conversavam. Chegando a sua vez, pôs-se a
falar do Senhor Jesus. Quando saiu, alguém perguntou quem era
aquele homem. Foi dito que era o Sr. Moody. Ah! disse o interlocutor:
"Por isso é que aqui parecia um santuário."
De fato, o obreiro do Senhor deve levar consigo o santuário
celestial, com a unção dos céus.
Então, todo o seu trabalho não é um a coisa simplesmente
rotineira, mas o estar na presença do Senhor.
3. Zelo e esforço próprio com o fim de alcançar um
certo objetivo, m as perder o prim eiro am or /
Esse foi o terrível erro dos que serviam em Efeso. Havia
muitas obras, trabalhos, perseverança e até zelo para não suportar
os maus; havia amor pelo nome do Senhor com sofrimento, etc.
Porém, tudo isso junto, pesando na balança, não dava o peso certo do
primeiro amor.
64
primeiro amor se resume nisso: "Eu sou todo dEle e Ele é todo meu”.
Mas, quando falta o primeiro amor, passa a ser "Ele é todo meu, mas
eu não sou todo dEle". Então ficamos pertencendo a mais alguém...
Aqui está o grande perigo: dividirmos o nosso amor, a nossa
dedicação e o nosso prazer com mais alguém, e até a nossa devoção.
O esforço para ganhar nome e posição no trabalho do Senhor é muito
perigoso, e isso já havia nos dias de Paulo (Fp 1.15-19).

3. C om odism o profissional

pastor realmente não é empregado da igreja e não tem um


cartão ou relógio de ponto para marcar seu horá; também não há
ninguém atrás dele para lhe expedir ordens de trabalho.

Quer isto dizer que pode ir aonde quiser e fazer o que ?


Obviamente que não, pois o pastor deve sempre ter no Senhor Jesus
a sua direção; mesmo quando temos a opurtunidade de estar à beira
de um rio, num a chácara ou num a estação balneária.

Por não ter hora de trabalho, muitas vezes às madrugadas é


chamado para atender a um aflito, o que deve ser feito com alegria e
temor no coração. Contudo, deve e precisa ter suas horas para o
descanso (Mc 6.31).

2. A VIDA PESSOAL
"E difícil exagerar o valor da saúde para o ministro do
Evangelho. Devemos nos lembrar, todavia, de que alguns pastores
de corpo fraco ou de saúde abalada tiveram recursos intelectuais e
espirituais para triunfar sobre as suas fraquezas físicas e exercer o
seu ministério com eficiência, prestígio e poder. Não devemos
enganar a nós mesmos quanto aos meios de conservar a saúde ou as
forças que ameaçam destruí-la. Alimentando adequadamente o
corpo,e observando períodos de recreação e descanso, bem como as
horas regulares de comer e dormir, o pastor pode trabalhar
ard u am en te, ficar interessado nos problemas e

65
responsabilidades pastorais, sem prejuízo para a saú-de(i)

a. O C orpo

"O corpo são é o agasalho da alma; o enfermo, sua pri-são©


O homem é constituído de um a trilogia, isto é, corpo, alma e
espírito. A ética nos ensina que o homem, para cumprir a sua missão
aqui na terra, precisa reconhecer os seus deveres tanto para com o
corpo como para com o espírito. Jam ais atingirá o seu alvo, o seu
desiderato, se desprezar os deveres relativos ao corpo; condenar-se-á
ao mais completo fracasso na vida se também desprezar os deveres
relacionados com o espírito. Desta forma, se constitui de corpo
espírito, logo tem o compromisso de conservar tanto os dons
corporais como os espirituais, a fim de cumprir com a gloriosa missão
moral dada por Deus.
Diferentemente do animal, cuja existência justifca-se pela lei
da preservação, o homem não apenas come e bebe para satisfazer o
seu apetite ou saciar a sua sede, mas come, bebe e vive para o
cumprimento de sua missão neste mundo.
E necessário, ainda, que o pastor tome o devido cuidado do
corpo, a fim de que tenha boas condições de saúde e,
consequentemente, a disposição espiritual no desempenho de sua
missão.
E mister que se diga que, por mais árduo que seja o trabalho
do pastor, não lhe é direito o sobrecarregar-se demasiadamente sem
medir bem as suas capacidades; isto lhe diminuiria o vigor do corpo
em detrimento de um melhor desempenho.
Temos, então, o corpo como o lar, a morada do espírito, e
qualquer coisa que venha lhe prejudicar a saúde, causando-lhe
distúrbios no organismo, é proibida pela ética. Desta forma, cumpre
ao homem resistir a tudo aquilo que tende a enfraquecer e a
inutilizar o corpo.
"O homem perfeito é aquele cujo corpo é são, e cuja

©ARCrabtree
(2) FrancisBacon
66
alma é pura". Ele merece o maior cuidado na sua preservação,
devendo ser mantido nas melhores condições possíveis para o
desempenho de sua missão, mesmo porque ele “é o tem plo do
E sp írito S anto”, que habita em nós, proveniente de Deus (1 Co
6.19).
• C uidados co m o corpo
O ar
A função do ar é queimar os resíduos que não podem ler
aproveitados pelo corpo, fornecendo-lhe a renovação do calor. Assim
como o corpo necessita de um a boa alimentação, também os pulmões
necessitam de ar, ar puro, e deve o liomem fornecê-lo ao seu
organismo. Ar impuro muitas vezes tem sido a causa de moléstias.

A lim peza

A pele exerce função de alta importância no corpo. O banho


diário é imprescindível, pois os poros precisam ficar ilrsimpedidos e
em bom funcionamento. A negligência a asse princípio, isto é, a falta
de higiene, pode acarretar o surgimento de algumas moléstias, e, por
isto mesmo, “insiste a ética no banho diário, essencial à limpeza e ao
bom funcionamento do corpo".

• E xercício físico

Sem o exercício físico, o corpo pode perder o calor e a


abundância de vida tão necessária ao homem no cumprimento do
seu dever.
"O corpo é um a máquina que se enferruja quando não v usada.
Enfraquecido por falta de exercício, ele se torna cada dia mais
susceptível de doenças e muitas vezes morre não tanto pela própria
moléstia, mas pela sua condição físca."
A impossibilidade do pastor na prática de exercícios diários,
face à sua condição física, ambiental ou mesmo funcional, deve levá-
lo a evitar a vida sedentária, e esforçar-se em caminhar o máximo
possível, a fim de m anter a forma e o equilíbrio orgânico, para que
possa cumprir sua missão.
67
• O descanso

O corpo tem certos limites que precisam ser respeitados. O


trabalho esgota-lhe as energias, e o repouso é o que faz com que os
danos causados pelas horas de trabalho sejam reparados. Um
automóvel nunca pode ser consertado quando em movimento: é
preciso que esteja parado. Os reparos no corpo são feitos quando este
está parado.
As férias são necessárias para o ministro, que, após um ano de
constante agitação, deve gozá-las.
O pastor que não se afasta da igreja com receio de que seus
auxiliares venham a ocupar o seu lugar não deve estar muito seguro
de que a posição que ocupa tem a aprovação divina. Feliz é o obreiro
que sabe preparar o seu substituto e desfruta da confiança de toda a
igreja. E sta reconhecerá o seu merecido descanso.

• O sono

O sono insuficiente é um dos fatores de perturbação da saúde.


As consequências da falta de sono nem sempre se fazem sentir
imediatamente, mas é certo que se sofrerá mais cedo ou mais tarde.
Uns têm necessidade de mais horas de sono que outros, e,
geralmente, oito horas são suficientes para os adultos.
P ara se ter um bom sono, as condições ambientais devem ser
bem agradáveis, como uma cama asseada e confortável, e ser
indispensável que o ar circule livremente, isto é, deve haver entrada
para o ar fresco e escoamento para o ar viciado. Um a fresta de janela
em cada um dos extremos do quarto é o quanto basta.
As constantes e exaustivas viagens empreendidas pelo pastor
no exercício do ministério, e as noites de vigílias, seja com o grupo de
oração ou na tentativa de sair incólume dos grandes problemas, que
lhe subtraem as horas de sono exigidas pelo seu corpo, devem ser
compensadas, a fim de que isto não contribua para o seu
desequilíbrio emocional com consequências para o rebanho que
cuida.

68
- A In sô n ia

As principais causas de ausência de sono são a instabilidade, a


insegurança, a tensão e a ansiedade no homem moderno. Essas
vítimas travam, durante a noite, verdadeira batalha na hora de
dormir.
"Existe a insônia ocasional, que ataca em épocas
particularmente difíceis, de excepcional tensão, como a preocupação
com dívidas a pagar, aborrecimentos e problemas ou dificuldades
sérias, viagens ou outras situações”© Isto é apenas um
acontecimento extra na vida da lossoa e, cessando o motivo de suas
preocupações, cessa a insônia, e ela volta a ter seu sono tranquilo.
J á a in sô n ia crônica, a que ataca sistematicamente o
Indivíduo, pode derivar-se de um grave problema emocionais ou
mesmo pode ter origem física (disfunção do sistema nervoso),
tornando-se um constante incômodo na vida da pessoa. O uso de
soníferos não deve ocorrer, de forma alguma, sem receita médica.

T ipos de in sô n ia
Segundo o Dr. D. Freind, h á quatro:
1. de ten são
O sujeito vira e revira antes de cair no sono pro—fundo;
2. de fadiga
O indivíduo adormece logo após a refeição, para acordar
pouco depois e passar o resto da noite em claro;
3. de aflição física
O sujeito não dorme devido a dores de cansaço;
4. flu tu an te
O sujeito dorme e acorda, flutuando entre os dois estados.

(3) T.MariusdeMoraes
69
b. A A lim entação

"Os médicos trabalham sem cessar para conservar I nossa


saúde, e os cozinheiros para destruí-la; os segundos estão certos do
seu êxito." (Diderotf)
Comprovadamente, os pastores são o tipo de grupo que não
firma, não bebe e não joga, e a variedade do seu serviço o expõe
menos às lutas mentais e físicas do que as pessoas de outras
profissões, e o coloca, ainda, em condi-ções superiores iTente às
doenças e perturbações e tristezas pela fé genuína em Cristo Jesus.
E se todos eles tivessem conhecimento das leis sanitárias, não
violariam as leis da saúde e lhes seria prolongada em muito a sua
vida.
Ordinariamente, aceita-se que as doenças resultam de
transgressões às leis físicas, e aqueles que as transgredirem por certo
hão de sofrer as consequências. "Grandes prejuí-zos e verdadeiros
fracassos têm causado a falta de saúde naquilo que o homem devia
realizar".(4)
Grandes homens de Deus, apesar do ardor que inundara suas
almas para a conquista de pecadores, encurtaram seus próprios dias de
vida tal fora a aplicação em jejum e oração noite e dia. Um desses
homens, por exemplo, Davi Brained, andava, às vezes, perdido à noite
no ermo, apanhando chuva e atravessando montanhas e pântanos.
Franzino de corpo, cansava-se nas viagens. Tinha que suportar o calor
de verão e o intenso fro do inverno. Dias a fio passava-os com fome.
Contudo, reconhecia que não podia viver, por causa da sua doença, mais
que um ou dois anos, e resolveu, então, "arder até o fim". Aos vinte e
nove anos findou sua carreira aqui no mundo, após viagens árduas no
ermo, de aflições incontáveis, com dores incessantes no corpo e
tuberculoso. Mas, apesar de toda a sua fraqueza física, fez mais do que a
maior parte dos homens faz em setenta anos. Esta verdade final foi
patente na vida de Jesus, declarada pelo apóstolo do amor: "Há, porém,
ainda muitas outras coisas que Jesus fez; e se cada uma das quais fosse
escrita, cuido que nem ainda o mundo todo poderia conter os livros que
se escrevessem" (Jo 21.25).

(4) L an g stro n
70
Poucos hoje, entretanto, podem legar este exemplo a uma nova geração
que surge. Os mais fortes, que conseguiram vencer etapas como essas,
têm o justo e merecido desuso e as regalias do conforto e bem-estar de
fim de carreira.
Embora o trabalho ministerial seja fatigante, não deve o ministro
deixar-se dominar pelo seu apetite, e tem que considerar a fome como
um meio e não como um fim.
"A falta de restrição do apetite produz dois vícios inteiramente
opostos:a) leva o homem a apetecer somente iguarias finas, muito
especiais;
b) leva-o a comer demais e de tudo.
"Um vício leva a pessoa a comer demais; o outro, a ser muito
exigente."(5)
Muitos pastores, também, correm contra o tempo para dividirem-
se em grandes banquetes, não observando as restrições dietéticas, muito
menos as recomendações éticas. As facilidades que têm de receber
convites para tais, sejam de membros da igreja ou de organizações,
põem-no em contato desregrado com guloseimas.
Mas uma das regras mais importantes para manter-se em forma
é não sobrecarregar o organismo, antes, deve-se comer com moderação,
regularmente, de modo que se antenha o peso normal, que deverá ser
controlado. Eis o peso ideal para a medida de cada homem:

a
:

40 a 44 anos

5
35 a 39 anos
25 a 29 an os

O
20 a 24 anos
15 a 19 anos

§
ã § cs
altura

»o ;
6 s to
« 00
"O
% 9 +

HOMEM Kg Kg Kg Kg Ke Kg Kg
Kg
52.5 56.7 59.4 60,8 62,2 63.6 61.7
150 cm 46.3
54.1 58.2 60.7 63.1 63.3 64.4 63,5
155 cm 48.5
55,8 59.8 62,6 63.9 65.3 65.7 64.4
160 cm 50.8
53.5 57.6 61.7 67.1 63,9 65.7 !
165 cm
59.8 63.1 65.7 69.5 71.2 73.1 74.8 73,9
170 cm
66.7 69,4 72.1 74.3 76.6 77.1 76,2
175 cm 64.4
68.5 71.2 73,9 77.1 78.9 79.4 78.5
178 cm 66.8
68,1 70.3 73.1 75.7 78.9 80.7 81,6 80.7
180 cm
70,8 72.5 75.3 78.2 81.3 83.9 84.1 83.1
183 cm
72.1 74.4 77.1 80.3 83.1 84.8 86,7 85.2
185 cm
74.4 76,3 78.9 82.5 85.3 87.1 88.2 87.5
188 cm
76.6 78.2 80.7 84.3 87,5 89,5 90,2 89.8
191 cm

(5) Langstron
71
O conselho mais importante que hoje se pode dar esposas
desgostosa por seus maridos estarem perdendo o vigor e a energia
da juventude é:
- evitar dar-lhes refeições demasiadas copiosas;
- vigiar para que o peso nunca exceda em mais de 1 ou 2 quilos
o peso normal controlado. Cada quilo acima do normal significa um
ano de vida a menos em relação à idade que o ser humano pode
atingir.
Não devemos esquecer que comer mal, comer pouco ou demais
são igualmente nocivos. Antes de mais nada, a refeição deve
representar sempre um a base de tranquilidade, porém é necessária
a opinião e a obra do médico para que as regras de comer bem se
transformem em normas individuais.
A bebida também influi sobre a saúde. O nosso corpo é
constituído de 60% de água, e, por isso, a água é por demais
necessária ao seu funcionamento.

c. A V ida E m ocional

A Psicologia define a emoção como um estado psíquico cuja


principal característica é o grau muito forte de sentimento a uma
atividade motora quase sempre intensa, e se constitui como um a das
experiências mais fundamentais do ser humano.
Apesar da Bíblia Sagrada não registrar especificamente esta
palavra, nós temos condições de observar expressões inteiramente
idênticas, que evidenciam o aparecimento de reações emocionais. Os
Evangelhos relatam experiências do Mestre que denotam fortes
emoções, como quando fala da sua partida deste mundo para a
pátria de onde veio, o Céu:"Ainda um pouco, e o mundo não me verá
mais, mas vós me vereis; porque eu vivo, e vós vivereis" (Jo 14.19).
Nosso Senhor vive a "antevisão de sua partida, determinada em
razão da sua paixão/compaixão. Na compaixão, a emoção é profunda
demais, pois envolve o doar-se pelos outros. Sair de si é um a emoção
ativa e altruísta, no sentido de aliviar a dor e a tristeza dos outros.
Jesus, no

72
seu caso, doa a libertação do pecado e, consequentemente, a redenção
da alma".©
A emoção é um caminho longo e de difícil acesso, que precisa
ser percorrido pelos que abraçaram o ministério, e iniciado já.
Mesmo o próprio psicólogo-mor, Jesus Cristo, não foi poupado dessa
percepção, quando expressou-se: "A minha alma está cheia de
tristeza até à morte" (Mt 26.38; Mc 14.34; Jo 12.37). (v. Lc 22.15; Jo
17.13, etc.)
O Dr. Crabtree recomenda O cuidado especial que o pastor
deve ter quanto à sua vida emocional, considerando ler um a tarefa
difícil para aqueles que se criaram em lares afetados por
desentendimento entre seus pais, bem como para os que herdaram
geneticamente fraquezas físicas que resultam certas doenças.
Contudo, isto não deve servir de motivo para desestimulo, antes,
deve ser capaz de estudar as fraquezas de sua própria natureza, e
exercer um esforço para se controlar.
O melhor remédio para o ministro que vive uma vida de intensas
emoções é identificar em que situações seus descontroles emocionais
ocorrem e, a partir desse ponto, executar um trabalho preventivo e de
reeducação de suas emoções. Esses fatores "psicológicos, orgânicos e
sociais" Que o envolvem é que precisam ser detectados, e não tem sido
tarefa fácil para a Psicologia classificar as emoções, Que, à vista disso, as
tem separado em grupos:

I. Emoções primárias
São as ligadas a atividades provocadas e dirigidas para um
objetivo, como:
a) o medo
E uma emoção de afastamento, e envolve uma fuga do perigo. Ele
pode estar relacionado à nossa imaginação (duvidas, suspeitas,
fantasias, etc), ou resultar de desvios de educação moral e
espiritual.
Quando os espias israelitas foram enviados a espiar terra de
Canaã, manifestaram medo no excesso da imaginação (transformaram
homens comuns em gigantes) Nm

(6) Juventude3T/85
73
13.16-33. Os discípulos de Jesus, assustaram-se quando O viram
caminhando sobre o mar (Mt 14.22-36; Mc 6.45,46; Jo 6.15-21), e
gritaram com medo: "E um fantasma". Isto foi um excesso da
imaginação, que gerou falta de fé, e a incredulidade transforma a
coragem em covardia e medo. "O medo é como areia na engrenagem. A
fé é como o óleo. As coisas andam melhor se forem movidas à base da fé."
Os desvios de educação muitas vezes iniciam no lar e na infância
com formas disciplinares inadequadas. E várias são as associações do
medo com relação à prática condenada sob todo ponto de vista moral,
que reflete no desvio espiritual. Mira y Lopes apresenta algumas
máscaras do medo, que por muitas vezes nos ludibriam:
• acanhamento e timidez (educação defeituosa. Crisálida).
• escrupulosidade (inquietação de consciência, remorso). Em
excesso, torna-se sintomático.
• pessimismo (excelente capa do medo).
• ceticismo (que duvida de tudo, descrença) tem fé na falta de fé;
constitui o cético a glorificação da anulação, o culto ao nada.
• mentira (mentir para deixar de ter medo e sentir medo por
haver mentido).
O medo deve ser evitado, pois traz o fracasso e perturbações à
personalidade do indivíduo.
Além do mais, o pastor inseguro está transmitindo o medo e a
insegurança ao rebanho do Senhor, contrariamente ao que a Bíblia
ensina através do próprio Cristo, seus apóstolos e tantos outros mártires
cheios de fé e confiança, que não amaram as suas vidas, antes as
"crucificaram com Cristo" (Gl 2.20).
O medo causa preocupação. A preocupação nos torna tensos e
nervosos, afetando o estômago e causando, verdadeiramente,
modificações nas secreções gástricas, que passam a ser anormais e
conduzem, muitas vezes, a úlceras de estômago "devido não ao que
comemos", mas "devido ao que nos está comendo". Platão disse que o
"maior erro que os médicos cometem é procurar curar o corpo sem tentar
curar o espírito; no entanto, a mente e o corpo são unos, e não devem ser
tratados separadamente".

74
Por que acomodar o medo às nossas reservas, quando nosso
coração pode ser cheio de ideais nobres, de justiça, quando "na
caridade não há temor, antes a perfeita caridade lança fora o temor,
porque o temor tem consigo a pena, e o que teme não é perfeito em
caridade?' (1 Jo 4.18).
Esse é o espírito que deve ser passado às ovelhas, e como
escreveu P. E. Holdcraft, o pastor deve ter as seguintes qualifcações:
"a força de um touro, a tenacidade de um buldog, a audácia de um
leão, a paciência de um jumento, a operacidade de um castor, a
versatilidade de um camaleão, a visão de um a águia, a brandura de
um cordeiro, a pele de um rinoceronte, a disposição de um anjo, a
resignação de um doente incurável, a lealdade de um apóstolo, o
heroísmo de um mártir, a fidelidade de um profeta, ternura de um
pastor de ovelhas, o fervor de um evangelista e a devoção de um a

b) a cólera

"Acontece quando surgem barreiras que se opõem à iralização


de objetivos, especialmente se essa realiZação lei continuamente
íiustrada." Pode ter início num leve eutimento de irritação.

c) a tristeza

E sta está ligada à perda de valores ou pessoas.

d) a alegria

N a alegria, o ponto convergente é a busca e a obtenção de um


objetivo, e o nível de tensão criado determina a intensidade da
emoção. "Quanto mais importante for o objetivo, maior será a tensão,
e muito maior será a alegria, quando esse objetivo é alcançado."

II. E m oções ligadas à estim u lação sen so rial

O sentimento emocional que resulta de um a estimula-ção


sensorial (sensação), tende a ser dirigido para o objetivo positivo ou
negativo.
a. a dor física
b. repugnância
75
c. a desprazeres
d. prazeres

III. E m oções ligadas a au to-estim a


Estão ligadas à percepção que a pessoa tem do seu
comportamento com relação a vários padrões de comportamento,
como:
a) êxito
b) fracasso
c) orgulho e vergonha
d) culpa e remorso

IV. E m oções ligadas a o u tra s pessoas


a) amor (desde um a suave emoção até um sentimento mais
profundo)
b) ciúme (às vezes de intensidade desproporcional à situação)
c) inveja (emoção negativa do eu; ver na posse de outro, o que
achamos que devia ser nosso)
d) ódio (o núcleo essencial da emoção de ódio é o desejo de
destruir o objeto odiado).
Paulo, na sua antevisão, deixou registrado o que sobreviría nos
últimos dias, isto é, tempos trabalhosos, homens amantes de si
mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes
a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, mais amigos dos
deleites do que amigos de Deus (2 Tm 3.1-4). Aliado a isso tudo,
temos a crise econômica, a instabilidade política, a mudança dos
padrões de vida, a confusão do quadro institucional instável, a
descrença no futuro, a apostasia, preocupações, ansiedade,
frustração, infelicidade e temor, que são formas comuns de distúrbios
emocionais despertados pelas dificuldades da vida moderna. Esse
quadro corrobora com o que disse Jesus em Mateus 24, mas
enfatiza:”... olhai não vos assusteis..., mas ainda não é o fim ” (v 6).
E o pastor que se apercebe desse famigerado espetáculo e não
exerce um esforço sobre-humano para se controlar, certamente
am argará suas tensões nervosas, que culminarão com o estresse.

76
V. Reação às emoções
Um a vida saudável e alicerçada na Palavra de Deus fará com
que o ministro saiba superar tempos em que se defronte com
situações semelhantes em sua igreja. Saiba, portanto, portar-se
emocionalmente diante de:

lA n sie d a d e
/

E um estado que desterra a alegria de viver e implanta tristeza


e a depressão, que consequentemente pode gerar Ira, o medo e a
revolta. E qualquer que se permitir viver a angústia ou na aflição
logo admitirá que isso é a vontade de Deus para a sua vida.
Não há problema tão grave que não mereça a complacência do
Senhor. O salmista exortou "Descansa no Senhor, e espera nele” (SI
37.7) e, se temos um advogado para com o Pai, as nossas causas
passam a ser dele; porém, quando nos expectamos pela falta de fé e
assumimos a defesa, retirando o "processo" de suas mãos, sentimos a
angústia habitual saturando a alma, o que passa para o físico,
produzindo estados emocionais desagradáveis. A ansiedade no corpo
produz dor de cabeça, dores abdominais e lamaçais, úlceras,
erupções na pele, alergia, males do coração, asma, vômitos, diarréia,
prisão de ventre, dispnéia, etc, o que pode deixar o angustiante
paralisado. E isto é tânico e não provém de Deus.
Também "gememos", como disse Paulo (Rm 8.23), fios de
preocupações e dificuldades. Mas será que a ansiedade constante em
nossa vida resolverá os nossos problemas? Claro que não! "Há
pastores que sofrem de angústia crônica, magoando diariamente o
coração com um problema que no momento não tem solução." O
remédio é confiar no Senhor (Si 40.4).
O grande sábio Salomão disse: "O coração alegre é bom
remédio, mas o espírito abatido faz secar os ossos" 17.22). O Senhor
tem cuidado de nós (1 Pe 5.7).

2.E stresse

Este tipo de tensão "indica sempre um a angústia e ansiedade


diante de um a ameaça. Fisicamente, essa situação provoca um a
liberação acima do normal de substância, como a adrenalina. Elas
aum entam os batimentos

77
cardíacos e a transpiração, preparando o corpo para en frentar um
perigo. Emocionalmente, a situação de ameaçi vem acompanhada
de irritação e um estado de desconloi tu intenso. A manutenção deste
estado de alerta por muitfl tempo leva ao "apagamento do doente".(7)
Assim, o estresse é tensão mental, física e emocional que,
perdurando, pode chegar ao esgotamento. E não são poucos os
pastores que evidenciam marcas de estresse em seu corpo, sem se
aperceberem disso. Alguns sinais, se sentidos, podem revelar que a
"máquina" precisa ser "reparada", ou seja: depressão; dor persistente;
fadiga; falta de habilidade para dizer "não" às pessoas mesmo
sabendo que cumprir o prometido é quase impossível; perda das
opções, isto é, não há alternativas para soluções de problemas.
Algumas desvantagens do trabalho pastoral foram anotadas
pelo Dr. Willian Bil ViserQ, e, se a tempo obser vadas, evitarão ao
máximo as frustrações de se sentirem inadequados pelo trabalho
que realizam.
a) O casamento deve ser modelo de perfeição.
b) Pressões de tempo e horários, devido ao trabalho excessivo.
c) Falta de privacidade (não há segredos).
d) Estresse financeiro, necessidade de a esposa trabalhar fora.
e) Cobrança aos filhos de atividades ou atitudes que
correspondam às expectativas da igreja.
i) Falta de relacionamento íntimo com os outros casais da
igreja.
g) O marido, ao servir aos outros, negligencia sua própria
família.
h) As expectativas da igreja não levam em conta o lado
humano do pastor e de sua esposa.
i) A igreja dita à esposa do pastor seus deveres e a­
titudes, de modo a produzir nela um sentido de
exploração.
j) Estresse emocional, causada por situação de crise.

(7) FannySygbrand
(8) VisãoMissionária4T/87

78
l ) C rítica in ju s ta p o r p a rte dos m em bros da ig reja,
m ) C onfusão sobre posição e p a p e l d a esp o sa do p a s ­
to r.
n) P a s to r à disposição dos o u tro s 24 h o ras por dia.
o) A fam ília p erte n c e à ig reja,
p) O p a s to r tra b a lh a quan d o o u tro s folgam ,
q) P re ssã o dos colegas, q u a n to à conform ação e à
com petição,
r) N inguém m in is tra à fam ília do p a sto r.
P a ra que esse m al seja san ad o , a p re se n ta m o s alg u n s
conselhos que a ju d a rã o o p a s to r a e v ita r ten sõ es
d e sn e c e ssa ria m e n te , p a ra o bom desem penho de seu
m in istério :
a) não faça tu d o no ú ltim o m in u to , ev itan d o se
a p re ss a r. O p la n e ja m e n to com an teced ên cia é um
ótim o rem édio c o n tra a ten são ;
b) não leve p a ra a m esa de refeições os seu s m ú lti­
plos pro b lem as; a te n h a -se a sa b o re a r o alim en to
que in g ere;
c) p lan eje su a s férias re g u la rm e n te e im p o n h a o seu
p ró p rio tem po, rep o u san d o o su ficien te física e
m en ta lm e n te ;
d) não faça tu d o ao m esm o tem po e esta b e le ç a p rio ­
rid a d e s, co n cen tran d o -se no que faz no m om ento;
e) esta b e le ç a u m a red e de apoio e não se im p acien te
dem ais e v erifiq u e se o objetivo pelo q u a l e s tá lu ­
ta n d o é re a lm e n te com pensador;
f) p re e n c h a m ais o seu tem po no la r com a fam ília,
d istra in d o -se m ais com seu s filhos, e acrescen te
coisas novas ao seu tra b a lh o : ja rd im , selos, sítio,
lim peza, fo to g rafias, etc. Se possível, afaste-se da
cidade.
g) "A ceite a re a lid a d e . M ude o que você pode m u d a r
e aceite o que você não pode m u d ar."
h) O riso/

E u m a facu ld ad e h u m a n a que p ro cessa no o r­


ganism o u m a espécie de m assag em m u sc u la r que
q u eim a ou d e sc a rre g a h u m o res. O riso estab elece
u m a h a rm o n ia e n tre o se r que vive e o m undo que
79
lhe fica ao redor; propicia um a atmosfera de bem-estar para
o seu corpo e para o seu espírito.
Desenvolva seu senso de humor.
Salvo quando estamos doentes, rir atenua o peso das
preocupações, adoça o sabor das responsabilidades e propicia
harmonia funcional do or ganismo.
i) não dispense, de forma alguma, os cuidados rnj dicos e
psicológicos necessários à sua saúde.
Dessa forma, se o estresse é um processo cumulativo, o que se
deve fazer é "manter baixo o nível através de alguma providência
cabível e frequente, como descansar com fTeqüência, m anter um a
atitude positiva acerca de nós mesmos e de outras pessoas, enfim,
mantermo-nos física e mentalmente sadios, através de um a
alimentação e um estilo de vida adequados ".(9)
O único que pode baixar o seu próprio potencial de estresse é
você mesmo, pastor.

4. F ad ig a

Segundo o Dr. H. J. Hoxie, não é o trabalho que causa a fadiga


de que sofrem muitas pessoas, mas a atitude mental para com os
problemas da vida. O sentimento de insegurança, inferioridade,
frustração, ansiedade e descontentamento é que tornam enfadonho
o trabalho. Um a atitude de indecisão, a sensação de monotonia, ou o
conflito entre o sentimento do dever e o desejo de fazer algo diferente,
produzem aversão ou aborrecimento. Perde-se o espírito de iniciativa
e diminui a eficiência no trabalho quando se nutrem sentimentos de
amargura, inveja, preocupação, ansiedade, egoísmo, ira ou
ressentimento.
O estado de fadiga tem um a consequência comum, ou seja,
um a diminuição da capacidade funcional. O ritmo humano, a
pressão subjetiva, a perseguição, a irritação, a pressa, o ruído, as
aglomerações e os hábitos sedentários da vida hum ana coadjuvam
com a aparição da fadiga, e esgotam a reserva de energia nervosa.

(9) L Cristã out/B3


80
A fadiga funcional torna-se crónica porque se baseia em
atitudes mentais de constante ansiedade. E sta destrói o interesse e o
entusiasmo, sem os quais existe pouca inclinação não para o
trabalho. E os "distúrbios de caráter também comum, isto é, a
monotonia, são bons indicadores da fadigo e, às vezes, são
acompanhados de distúrbios de memória e de atenção".
A irritabilidade, a agressividade, as crises nervosas e a
depressão nervosa geram a hipersensibilidade e a intolerância aos
ruídos.
Em definitivo, assim como a fadiga pode atingir na na
sociedade moderna o simples trabalhador e o executivo, muito mais
o que está operando o rebanho do Senhor Jesus Cristo.

Modeloteóricodaacãodoestresse sobrea fadigae sobreo acidente detrabalho. Representaas


estruturasnervosassunerioresuuedeterminamestaacão.

81
Ninguém pode ter abundante energia sem o rafrigério e o
amparo da força espiritual. Davi desejava ardentemente um
"refrigério para a sua alma” (SI 23.2), e o profeta Isaías assegura que
Deus "dá esforço ao cansado, e multiplica as forças ao que não tem
nenhum vigor..." porque "os que esperam no Senhor renovarão as
suas forças, subirão com asas como águias; correrão, e não se
cansarão; caminharão, e não se fatigarão " (Is 40.29,31).
O descanso é muito importante em nossa vida (Mc 6.31), e a fé
na misericórdia de Deus, e a certeza de que nossos pensamentos,
palavras e ações estão em harmonia com a sua vontade
proporcionam-nos descanso mental, porque o Senhor assume todas
as nossas tensões (Mt 20).

d. M editação
Se a vida do pastor é cheia de emoções, culminando muitas
vezes com um desgaste físico, estresse e até mesmo doenças, isto
significa uma forte razão para que, em sua vida ministerial, reserve
um tempo para a meditação profunda.
O pastor que, na sua agitação, não encontra reservas para
estar a sós com Deus, acabará por certo sendo dirigido pela razão e
por suas próprias conclusões, um a vez que o diálogo entre ele e Deus
deixará de existir.
Descansar, orar, meditar e também cultivar a presen-ça de
Deus são maneiras poderosas do ministro conservar-se forte para o
desempenho de sua missão.
Jesus compreendia a grandeza de sua responsabilidade
perante o mundo - um povo contra Ele e um mundo esperando por
Ele - e, mesmo no curto espaço de tempo de execução de seu
ministério na terra, sempre encontrou razões sobejas para estar a
sós com Deus, orando (Lc 9.18), mesmo em agonia (Lc 22.44), ou
meditando (Mt 14.23; Mc 6.46;v.Dn6.10,ll).
Mesmo que o ambiente esteja tenso ao nosso redor, Jesus é o
Príncipe da Paz que nos faz repousar em águas tranquilas, como o
fundo do m ar que não se apercebe de nenhum indício de tempestade
nas ondas violentas de um furacão do oceano, na superfície, de ondas
revoltas e espu-
82
ejantes. Isso pode significar ter paz com Deus - porque to é algo que
reside bem no fundo de nosso coração, e esmo a maior perturbação
ao nosso redor não pode destrí-la.
Feliz é o pastor que tem um recanto onde pode absorver de
Deus o máximo para a sua vida de observação, quer avando a terra,
plantando, cultivando ou na contemplação da natureza. Nesses
momentos, muitas respostas vêm os céus ao inquieto coração ávido
de resoluções na obra de eus.
Os discípulos observaram dia a dia o Mestre levantar-cedo de
manhã, muito antes da aurora romper, e dirigir-a um solitário lugar
para orar. Não era somente nos mo-entos de perigo que se limitava à
oração, exemplo que evemos seguir.
M uitas vezes fazemos da oração um a obrigação; oramos por
um senso de dever e bocejamos sonolentos (Mt 26.40-43), mesmo
quando a dor nos prende em suas garras. Mas a oração não é um
simples dever e, sim, um privilégio c oportunidade ímpar de
cultivarmos a amizade com Deus.
A meditação deve ser acompanhada do espírito de contrição e
reconhecimento da soberana vontade de Deus para a nossa vida e
nunca no transe de "nossos" sucessos espirituais, do que "fizemos" ou
do que "somos".
Muitos pastores preferem viver do passado, olhar para trás a
olhar para a frente, pelo simples fato de se lembrarem de onde já
estiveram, em vez de imaginarem o lugar onde Deus os deseja
colocar à frente.
Devemos nos lembrar de que o estar com Deus em oração ou
meditando favorece um a atmosfera apropriada para o contato com o
Céu, mesmo que seja no trabalho diário ou no burburinho de um a
rua movimentada; isto erguer-nos-á ao trono de Deus e será a
respiração de nossa alma.
O pastor também, vez por outra, poderá ser levado a
transformar suas meditações em am arga lástima ao Criador. Se
puder se lem brar nessas horas de que as pessoas diferem umas das
outras e que Deus "de um só fez todas as raças" (At 17.26), que as
flores também diferem um a das

83
outras, que o canto dos pássaros também é diferente, mas que
fazem parte da criação de Deus, estará certo de que também ele é
diferente das demais pessoas e que Deus o am a como é realmente.
Mas se os pensamentos humanos continuam a afadigar-nos
por causa de pequenos problemas ou complexos, isto não faz, na
verdade, diferença "à luz da eternidade". A nossa vida é como um
caminho: tem esquinas, montes, descidas, horizontes - lugares para
além dos quais só podemos ver pela fé. Isto quer dizer que não
adianta querer virar a esquina antes de nela chegar, ou subir a um
monte antes de o atingir.
Se em suas meditações, pastor, o senhor vier a sentir desânimo
ou desencantamento, deve lembrar-se de que Deus está sempre
mais perto quando estamos angustiados ou aflitos; de que a "lua não
pode brilhar tanto quanto o sol, mas tem trazido alegria a
incontáveis almas solitárias. O lugar a que você aspira na vida não
tem exigências tão grandes que você não possa cumprir, se porfar
com bastante ardor''. Portanto, deve se esforçar no lugar em que se
acha a ser a melhor criatura possível.

e. V elhice

A velhice é um processo f isiológico lento. Estudos têm


comprovado que o funcionamento ótimo dos órgãos do corpo é
alcançado entre os 20 e os 25 anos de idade sendo possível se
estabilizar nesse nível por longo tempo. Com o passar dos anos, esse
funcionamento começa a apresentar um acentuado declínio. Em
alguns casos, pessoas com 70 anos de idade ainda podem estar de
posse de suas faculdades e ter os órgãos funcionando como aos 30
anos, enquanto outros requerem cuidados especiais constantes
devido às doenças que atacam as pessoas idosas. Em muitos casos,
um regime alimentar inadequado e a falta de exercícios são causas
que fornecem as doenças associadas à velhice.
Certo é que a velhice sadia e tranquila começa a ser preparada
nos primeiros meses de vida, e já é lugar comum afirmar-se que "os
anos não representam sempre velhice".

84
• E v itan d o a solidão
Os seres humanos têm a tendência de tornarem-se irritadiços
com o decorrer dos anos. Essa irritação os torna ranzinzas mal-
humorados - a tal ponto que ninguém gosta de se aproximar deles. E
como a história do leão e do chimpanzé, que podem ser, na
juventude, bons amigos do homem. No entanto, ao envelhecerem,
ficam maus e selvagens, e mesmo tão perigosos que têm que ser
colocados num a jaula. Nem mesmo o seu domador se atreve mais a
se aproximar deles.
Por isso, à medida em que vamos ganhando idade, devemos
nos conservar sociáveis, bondosos e bem-humorados, a fim de que
não seja criada um a verdadeira barreira entre nós e os nossos
parentes, nossas ovelhas, e mesmo nossos amigos, especialmente os
jovens. Devemos permanecer bondosos e atenciosos para com os
nossos semelhantes.
O pastor, mesmo no exercício do seu ministério, será bem
sucedido se conseguir controlar seus nervos e consequentemente,
m anterá sua calma na maioria dos casos. E como diz J. W. Storerr (1)
"A nossa velhice deve ter a relação com a vida que o sol poente tem
ao firmamento. Somos peregrinos neste mundo, e todas as noites
estamos arrumando a tenda mais perto do nosso Eterno Lar'', e é
verdade o dito: "Logo que começamos a viver, começamos também a
morrer''.
Portanto, é mister que um a das coisas que devemos aprender
é dar atenção ao que dizem as outras pessoas. H á pastores que não
têm mais a paciência para ouvir os casos que lhe são trazidos pelos
membros de suas igrejas, e os dispensam ou designam sempre
outras pessoas para atenderem. Por outro lado, outros velhos se
tornam paulificantes e se isolam porque costumam falar sempre, e
não querem ouvir nunca o que os outros têm a dizer. E a história que
têm para contar é sempre a mesma, só se preocupando com o
passado.
Mas aquele pastor que planejou sabiamente a sua velhice será
muito mais feliz no outono da vida, e a sua vida

(i)ADout. Bíblica doMinistério,p. 78


85
intelectual e espiritual será mais rica e preciosa, especialmente quando
estiver examinando a sua Bíblia ou outros livros, o que em tempos
anteriores não pôde fazer.

• Frutos na velhice

A função principal da vara da videira é dar fruto, e não produzir


madeira. Jesus deixou bem claro isto: que ele é a videira verdadeira e
nós, as varas (Jo 15.5). Florescemos como a palmeira e crescemos como
cedro do Líbano.
A palmeira é a concretização da graciocidade ereta; o cedro, da
força e da majestade. Floresce o justo, não como o ímpio, que "brota como
a erva para ser destruído para sempre" (SI 92.7); mas para ocupar um
lugar de honra, estabilidade e dignidade nos "átrios do nosso Deus".
O dar fruto na velhice, ser viçoso e florescente, está na promessa
de Isaías 40.31: "Os que esperam no Senhor renovarão as suas forças...",
pois é através da vitalidade que se deve cantar louvores a Deus (SI 92.2)
com os lábios, e, também, no fim da vida, "ser para louvor da sua glória"
(EfL12).
De Moisés se disse: "Não se lhe escureceram os olhos, nem se lhe
abateu o vigor" (Dt 34.7). "Sua sabedoria era madura, e sua memória,
rica além de todo o cálculo."
Muitas vezes as doenças físicas e mentais podem limitar
severamente este quadro, mas, no caso de Moisés, oferece um padrão de
perseverança espiritual para o nosso encorajamento. Morreu com a
idade de 120 anos, e "nunca mais se levantou em Israel profeta algum
como Moisés, a quem o Senhor conhecera cara a cara; nem semelhante
em todos os sinais e maravilhas, que o Senhor o enviou para fazer na
terra do Egito, a Faraó, e a todos os seus servos, e a toda a sua terra; e
em toda a mão forte, e em todo o espanto grande, que obrou Moisés aos
olhos de todo o Israel" (Dt 34.10-12).
Mas, em se tratando do crente como ramo da videira, vamos
encontrar umas varas mais "novas", outras mais "velhas"; umas mais
"fracas", outras mais "fortes". Excluindo a metáfora, Paulo se achava no
contexto dos que precisavam de ajuda: era o "velho" (Fm 9), era vara
mais "fraca". 86

86
"No passado, os antigos tinham em grande conta e respeito as
pessoas idosas, como que possuíssem sabedoria especial, o que
exigia, de certa forma, respeito dos outros. Ao interceder por
Onésimo a Filemom, Paulo talvez quizesse dizer: "Agora sou velho
(ainda que não fosse considerado um ancião), tenho servido a Cristo
através desses anos e perdi minha juventude e saúde em todos os
meus sofrimentos (2 Co 11.23-29), porém não quero usar de minha
autoridade senão apelar para que Onésimo me assista em minhas
aflições, como um filho que possa trabalhar em linha companhia,
favor esse que bem podes, ó Filemom, outorgar-me!" ’
Foi nesse espírito de amor, e não através de um a ordem, que
compeliu a Filemom não só a lhe enviar Onésimo, como também o
conduziu no caminho do bem. Toda ação cristã deveria ser motivada
por esse espírito de amor de que era possuidor Paulo, cujos rigores de
sua vida não rrancaram de seu coração a bondade no tratam ento
com as almas preciosas.
As suas epístolas, de modo especial as pastorais, revelam
profundo entendimento acerca da ética em todos os seus níveis. Com
singular sabedoria pôde exortar, condenar, aconselhar, historiar,
comparar e convencer. Mesmo aos velhos, sabia exortar.
Escrevendo a Tito, diz: "Os velhos que sejam sóbrios, graves,
prudentes, sãos na fé, na caridade, e na paciência" ti 2.2). Embora
Paulo não estivesse especificamente se irigindo aos governantes
eclesiásticos, mas a vários grupos de idosos que naturalmente eram
considerados líderes naturais dos mais jovens, alertava-os sobre a
insensatez na velhice, que era considerada como alguma coisa
vergonhosa e fora de propósito.
Além disso, "a idade deveria aum entar a piedade, infámente
com a autoridade e o prestígio: e aquelas tentações que tão
facilmente atraem e derrotam os jovens - deveriam ter sido
conquistadas desde há muito pelos homens idosos. Todo homem de
idade avançada deveria ser dono de uma sabedoria sazonada, de
dignidade e de com­

87
postura espiritual que os jovens geralm ente não possuem".(2)
Portanto, aos velhos, especialmente aos investidos de
autoridade ministerial, requer-se o ser bem equilibrado;
respeitoso; nobre; digno; prudente; moderado; sadio com a
doutrina (1 Tm 1.10; 2 Tm 4.3; T t 1.9), com a m ente (2 Tm 1.7),
com palavras (2 Tm 1.13), com a linguagem (Tt 2.8); sadio na
m ais elevada de todas as virtudes - o am or (Gl 5.22) e tam bém
constante.
• Prevenção para a velhice
No estado atual dos nossos conhecimentos, a prevenção é o
único meio de retardar o envelhecimento biológico e as doenças
relacionadas com a terceira idade, e de assegurar um a velhice
ativa e produtiva. As possibilidades de ação preventiva são as
seguintes :(3)
a) diagnóstico precoce de doenças frequentes entre os
idosos e tratam ento eficaz e oportuno. Deste modo,
chega-se à velhice em boas condições físicas e
intelectuais;
b) preparação para a aposentadoria: visa a preservar o
bem -estar físico e intelectual e atenuar o choque
psicológico causado por essa retirada da vida ativa. E sta
preparação deveria começar por volta dos 50 anos, idade
em que a personalidade é ainda flexível e adaptável;
c) quanto às pessoas idosas, é im portante um modo de vida
saudável, exercícios físicos, alimentação equilibrada e
um ritm o de vida diário. N as atividades cotidianas,
deverá dedicar um tempo razoável ao descanso
adequado. E necessário aten tar para o fato de que os
idosos não tenham um desgaste físico excessivo,
favorecendo as atividades que não lhes causem fadiga.
Devemos, assim, estar preparados para a velhice, como
tam bém ser bastante realistas quanto ao fatídico inesperado,
sabendo que a qualquer momento o dono de
(2) ONnW,v.5p.426
(3) EditBeregi
88
nossas vidas pode nos tomar para si, como Enoque, que andou com
Deus, e "não se viu mais porquanto Deus para Si o tomou” (Gn 5.24).
E também, "se a nossa casa terrestre deste tabernáculo se desfizer,
temos da parte de Deus um idifício, casa não feita por mãos, eterna,
nos céus" (2 Co I D.
Quando Deus confia a homens a mordomia de Seus bens, Ele
não questiona a idade de cada um (Gn 21.2), mas | ue se ache fiel (1
Co 4.2), que faça tudo "conforme as suas forças, porque na sepultura
não há obra, nem indústria, nem ciência, nem sabedoria alguma"
(Ec 9.10).
Acabando a carreira, não há vanglória no dever cumprido, mas
a satisfação de perder a vida por amor a Cristo, Porque a nossa carne
é "como a erva, e toda a glória do homem como a flor da erva. Secou-
se a erva, e caiu a sua flor" (1 Pe 1.24). E o que é a nossa vida? E
como um a córrente dágua; como o sono (SI 90.5); como um vapor
que aparece por um pouco, e depois se desvanece (Tg 4.14); é como
nada diante do Senhor (SI 39.5); é como a nuvem que se desfaz e
passa (Jó 7.9); é como a sombra, que foge e nao permanece (Jó 14.2);
é mais veloz que um correio (Jó 9.25); é mais veloz que a lançadeira
do tecelão (Jó 7.6); é como o navio veleiro que passa e como a águia
que se lança à comida (Jó 9.26), enfim, o "homem, nascido de mulher,
é de bem poucos dias - e cheio de inquietação" (Jó 14.1).

3. A VIDA FAMILIAR
a. O L a r

O lar foi instituído por Deus: "Portanto deixará o homem o seu


pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos um a só
carne " (Gn 2.24). Desta forma, o casamento remonta ao Eden, e
/

Deus o instituiu como guardião do amor. E o casamento que protege


o amor, e não o imor que protege o casamento, dizia Bonhoeffer,
porque: esfriando o amor, o casal permanece casado, e a injunção de
Deus é que "reaprendam a amar".
Ao levar Eva a Adão, Deus mesmo lhe ensinou a significação
do casamento. Assim, o casamento vem a ser um ompromisso
definido de am ar a pessoa com quem casa­
89
mos. Esse primeiro casamento foi contraído por um casal perfeito.
Adão não tinha cometido pecado quando Deus lhe deu um a esposa.
"Na economia divina do casamento", um é pouco, "não é bom
que o homem esteja só...", dois é demais, "por isso serão os dois um a
só carne". No casamento não temos duas metades que fazem um
todo, mas um mais um que se tornam UM. No casamento, dois seres
diferentes e diferenciados se adaptam, se amoldam, se integram, se
unificam. H á o desenvolvimento dos indivíduos como indivíduos que
colimam ser pessoas integrais e integradas ao seu cônjuge,
complementando-se mutuamente". (1)
Assim, essa dependência um do outro, "não é bom que o
homem esteja só..." (Gn 2.18), indicava o cimento que haveria de unir
todos aqueles que constituíssem lares depois disso.
/

O Eden foi, então, um lar recém-saído das mãos de Deus. E o


centro de todo o tempo e "o símbolo da eternidade". Ele surgiu com o
próprio homem. "Tem o lar prioridade sobre o Estado, a escola, a
Igreja ou qualquer outra instituição. O lar tem tido, naturalmente, os
seus dias sombrios, os seus 'avessos'. Os séculos revelam mudanças
em suas atitudes e relação, mas tem sempre existido esta unidade-
família, este agrupamento fundamental para proteção, economia,
procriação, desenvolvimento e amor. E o plano de Deus para aqueles
que Ele criou. Participar na ereção de um lar cristão é estar em
sociedade com Deus, e ter um a oportunidade de colaboração com as
forças do seu universo. "(2)
E interessante frisar que a posse de um a casa não significa
absolutamente a existência de um lar. Muitos lares funcionam
satisfatoriamente sem o privilégio de um a casa estabelecida.
"Algumas famílias há que só estão reunidas quando em
viagem. Não lhes é possível ter um lugar fixo de residência. A família
pioneira, caminhando com toda a sua bagagem no dorso de um
cavalo nem por isso deixava de se constituir um lar. Outras causas
têm conservado a família

(1) SegisfredoS.Wanderley
(2) MarthaRLeaveU
90
sempre em mudanças: os negócios do pai, a saúde da progenitora,
vantagens para as crianças, e muitas outras circunstâncias exigiram
vida nómade. Em tais agrupamentos, os seus respectivos membros,
ligados por afeições e mútuo esforço, podem apenas dizer uns aos
outros: "Quando estou convosco, estou no lar."©
O próprio Jesus deixou o seu lar nos céus para regressar
algum tempo depois, e aqui, não tinha onde reclinar a abeça (Mt
8.20). "Havendo, pois, os elementos amor (ágape, a m o r puro,
sentimento recíproco) + dedicação (que a maior expressão do verbo
servir) + co m p reensão (que é entir o sentimento um do outro) +
paz haverá, conseqüentemente, um LAR; caso contrário, haverá
apenas um a casa, um ajuntamento de duas vidas."©
"De todas as influências que ajudem ou que prejudiquem a
vida profssional do pastor, talvez a do seu lar seja mais poderosa.
Certamente a influência da família é inseparável do seu serviço
pastoral. Se fracassar como marido ou como pai, é impossível que
seja eficiente como pastor, embora tenha os dons naturais e o melhor
treinamento para a sua profissão."©

b. A E sposa

Convém lembrar que, quando Deus criou o homem, Ele se


preocupou com a sua solidão no Jardim do Eden e go providenciou-
lhe um a companheira, criando-a com as uas próprias mãos divinas.
"Não é bom que o homem estejam só; far-lhe-ei um a adjutora que
esteja como diante de-"(Gn2.18).
Para o homem que Deus criou, não havia entre todos animais
um que lhe servisse de companhia. Por meio de processo que a
ciência chamaria "anestesia", e que a íblia chama "sono", pôde tirar
um a costela
/
do homem e formar Eva.
E bom notar que "o ato de Adão dar nome à sua mulher
implica na sua autoridade sobre ela". Esse é um ponto

©MarthaBLeaveU
(4) GustavoKessfer
(5) A.R.Crabtree
91
de vista essencialmente bíblico: "o marido é a cabeça da mulher'' (Ef
5.23). O varão é a cabeça da mulher. Em 1 Coríntios 11.3, existe
certa ordem decrescente de autoridade; cada ser tem o seu "cabeça".
O cabeça, como diretor do corpo, representa autoridade. Assim, de
todas as famílias do Céu e da Terra, Deus é a cabeça. O Filho
estabeleceu o exemplo: Ele declarou que o Pai é maior do que Ele
mesmo (Jo 14.28), e foi em obediência ao Pai que Ele cumpriu e está
cumprindo a sua missão. Embora haja igualdade entre as pessoas
da Trindade, o Filho dá honra ao Pai. Assim, apesar de serem o
homem e a mulher seres iguais deve a mulher obedecer ao marido,
deve dar-lhe honra, aceitando-o como cabeça nos moldes da Palavra
de Deus. O homem não é independente, porquanto nem ao menos é
o Senhor de seu próprio destino. A mulher não é espiritualmente
inferior ao homem, mas está subordinada a ele nesta esfera terrena.
Portanto, Paulo apelou para a ordem natural divina das coisas,
a fm de enfatizar a necessidade de submissão da mulher ao seu
marido. M uitas pessoas modernas consideram intolerável tal ensino,
porque, alegam, contradiz a chamada "Igualdade dos sexos". Porém,
na maravilhosa ordem da criação, cada parte tem seu próprio lugar e
função. Aspirar a "igualdade" com todos foi, segundo a Bíblia, o
"pecado de Adão", consubstanciado no orgulho. Nesta época em que
cada qual ambiciona a "igualdade", e ninguém está disposto a tomar
forma de servo, o ensino bíblico forçosamente tem que ser ofensivo;
mas devemos insistir em que não é de Deus o falso sentimento de
igualdade dos sexos. Isso não exalta a mulher, senão que a desonra, e
cria a anarquia (falta de governo) que conduz ao descontentamento e
à discórdia. A mulher tem a sua própria excelência, um a excelência
distinta da do homem.
As ideias exageradas de subordinação feminina levaram os
judeus a não permitirem que suas mulheres participassem das
formalidades religiosas de sua fé. "Melhor é queimar os livros da lei
do que permitir que um a mulher aprenda a lei", era o que pensavam
os extremados.
Os antigos criam na superioridade intelectual essencial dos
homens sobre as mulheres (o que está provado ser

92
Um mito), e ensinavam que os companheiros constantes da mulher
nas sociedades eram os escravos e as crianças, e nao os homens
livres. Além disso, muitas culturas antigas tinham a mulher em
pouca conta, sobretudo a cultura judaica.
Alguns rabinos chegavam mesmo a duvidar de que as
mulheres tivessem alma. Não era bom costume social um homem
conversar em público com um a mulher, a fim de nao cair sob
suspeita de intenções adúlteras. Por isso, alguns judeus negavam-se
a íalar em público com suas próprias esposas, para que outras
pessoas que não sabiam ser a esposa viessem a suspeitar deles.
/

E interessante que Jesus não aderiu à severidade judaica com


referência à subordinação da mulher. Seus discípulos ficaram
surpresos de que Ele "...estivesse falando com um a mulher..." (Jo
4.27), o que nos revela que eles compartilhavam do pensamento
judaico. Jesus, sabendo que a sam aritana estava sem instruções
religiosas, começou a examiná-la. A tradição rabínica degradava a
posição da mulher e nenhum rabino se teria rebaixado, como Jesus
supostamente o fazia, instruindo um a mulher sobre assuntos
religiosos. Considerava-se impossível que um a mulher absorvesse
qualquer verdade mais profunda e, assim seria, como diziam,
preferível queimar a lei a tentar instruir um a mulher. Outras
crenças não eram nem são muito diferentes disso. Maomé nada fez
para melhorar as condições da mulher, que é, evidentemente,
rebaixada, na religião que deixou, como um a criatura inferior.
Algumas mulheres ob-tiveram proeminência no mundo antigo, mas
isso foi mais um a questão individual do que direito de um a classe.
Com o advento do cristianismo, o casamento alcançou
santidade e significação tais como nunca se ouvira falar nos tempos
antigos. A dignidade da mulher, de há muito esquecida, foi como que
redescoberta, e seu valor reconhecido.
A mulher deve muito a Cristo e ao cristianismo.
Mas, quanto à mulher ser esposa do pastor, o Dr. Marion H.
Nelson diz que isto se "constitui um a das coisas mais problemáticas e
perigosas para qualquer mulher''. A

93
esposa do pastor pode ser a causa da sua vitória ou de sua derrota
como ministro do evangelho.
0 grande sábio Salomão disse que " o que acha um a mulher
acha um a coisa boa e alcançou a benevolência do Senhor''. (Pv 18.22).
Lutero, referindo-se à esposa que Deus lhe deu, disse: "Eu jamais
trocaria a minha pobreza com ela por toda a riqueza de Creso sem
ela". Referindo ao matrimônio, declarou: "O benefício maior que
Deus pode conceder a um homem é dar-lhe um a boa esposa,
piedosa, com quem possa ele viver em paz e tranquilidade, a quem
ele possa confiar todos os seus bens, mesmo a sua vida e o seu bem-
estar."
Aqueles que têm esposas que são verdadeiras bênçãos nas
mãos de Deus, e às quais devem grande parte do seu sucesso
pastoral, devem agradecer aos céus por as possuírem. Revendo,
entretanto, a história, encontramos desastres conjugais nas vidas de
certos heróis da fé, como Carey, cuja esposa era francamente inimiga
da obra do seu esposo e nada queria sobre ela. E também do famoso
Wesley, cuja esposa não era digna de atenção. "Ninguém, melhor do
que Deus, conhece as amarguras e as aflições que esses gigantes da
fé padeceram e quantas vezes se recordaram de Jó. Nós sabemos,
porém, pelo que se tem escrito, como eles as suportaram, com
heroísmo e paciência."
"Feliz é o pastor que encontra no seu lar um abrigo de paz,
força e alegria. Feliz é a igreja cujo pastor tem o apoio, a simpatia e a
plena cooperação de um a boa oompanhei-ra."©
Mesmo cabendo ao marido a responsabilidade de direção do
lar, há, entretanto, um a igualdade entre os dois perante Deus, como
vemos a seguir.

1. R esponsabilidades conjugais
• S ubm issão

A mulher foi dada ao homem por ajudadora. Ela só era inferior


a Adão em ser derivada dele; em tudo mais era-lhe igual. A mulher
nunca deve procurar ser a mentora do
(6)AR.CiabtiBe
94
homem. A verdadeira mulher não é a que governa o marido, mas a
que o ajuda. O verdadeiro marido não é o que tem um a esposa só
para a cozinha, mas para ser associada dele em todos os seus
negócios, prazeres, tristezas, vitórias derrotas.
Um velho pastor, já falecido, dizia: "A natureza vez m ulheres,
a eleição vos fez esposas, mas só a graça vos rá submissas." "A
sujeição pura e simples de um a mulher a um homem não implica
em submissão bíblica. Algumas vezes, tal situação é um aviltamento
da mulher, outras é um a forma de barganha. A submissão que a
Bíblia preconiza é o engajamento da mulher na missão do marido, é
a aceitação da liderança dele como cabeça do casal, obediência a
Deus, na certeza de que o Senhor sabe o que faz e de que, quando
atendemos à sua direção, Ele assume a responsabilidade integral
pelas consequências" (7) f5.22-25; lPe 3.1,5,6).
A Bíblia exige da mulher o respeito ao marido (Ef 5.33) e do
marido o amor à esposa, talvez por ser mais vital para a felicidade de
um homem do que ser amado. Maneiras de submissão.
• não ensinando o marido (1 Tm 2.12a)
• não tendo autoridade sobre o marido (1 Tm 2.12b)
• aprendendo em silêncio (1 Tm 2.12c)
• obedecendo a seu marido (Ef5.22,24; 1 Pe 3.1)
• não se separando do marido (1 Co 7.10,11,13)
• respeitando o marido (Ef 5.33)
• esperando em Deus (1 Pe 3.5)
• aprendendo (Tt 2.3-5)().

• A m or

Os laços de amor que unem o marido e a esposa são bolos da


união entre Cristo e a Igreja. Ao marido cabe amar, como Cristo,
"quer sua mulher a submissa ou não, e o melhor que ele pode fazer
para seduzí-la à submissão é amá-la intensamente. A mulher deve
submeter-se ao marido mesmo que ele não a ame

()ASeara;SSWanderley
(8)t.GamaLeiteFilho
95
como Cristo ordena, ainda que ele seja caprichoso e inconsequente.
Faça cada um o que Deus manda, somente; nao tente levar o outro,
por meios diretos, a fazer a parte dele Confie em Deus. O Senhor
honrará a sua fé! Que se díalo gue ao máximo: ouvir o outro é a mais
constante exigência do amor. Todavia, não se exacerbe nunca,
deixando a co municação pela imposição de idéias; convertendo o
inter esse de compreensão do outro em empenho verbal deliberado
de desmoralizar seu ponto de vista".©

• P e rd ã o

A am argura é um a das barreiras para a comunicação entre


um casal. E mister que, como pessoas, o pastor e sua esposa tenham
divergências em sua vida. Os génios de aio bos podem levá-los à
agressividade e consequentemente ao caos matrimonial.
Por temperamento, certos pastores não conseguem dominar-se
quando ficam irritados. Qualquer pequena coi sa os irrita, e
despejam sua ira com impropérios na esposa e filhos. A mulher
sábia, com brandura aguardará que a "tempestade passe", pois, se
reagir, o desrespeito vai se acentuando e as duras palavras
proferidas deixarão pro fundas cicatrizes no coração de ambos, que
não se apagarão no futuro.
Em outros casos há esposas de pastores muito briguentas, e,
mesmo que se esforcem, não conseguem disfarçar a zanga, que é
"uma fraqueza de caráter, é m á lapidação do temperamento, é falta
de maturidade espiritual, carnalidade e falta do controle do Espírito
Santo".
A mágoa também se apodera do marido quando a esposa não
confia em suas decisões; não o encoraja em suas falhas, quando torna
à lembrança os fracassos do passado; não atende às prioridades
estabelecidas; quando não o respeita na frente dos filhos ou intervém
na disciplina que lhes aplica ou o repreende publicamente.
Por outro lado, a esposa também magoa-se com o marido
quando este falha n a disciplina dos filhos, quando lhe aponta
defeitos, comparando-a com outras pessoas; quan-
(9) ASeara,SSWanderley
96
nao a ajuda em casa e negligencia a liderança do lar; quando lhe
lembra coisas do passado e não reconhece os as próprios erros;
quando não dá o marido importância suas opiniões ou quando ele
dedica maior tempo a outras atividades ou a outras pessoas. Isto
tudo gera ressentimento, e os dois precisam de coragem para
perdoarem-se o muamente, a fim de que se restaure a confiança, a
lealdade e a fidelidade do matrimónio.
"Perdoar significa que podemos ter o mesmo relacionamento
com a pessoa, mesmo depois que ela nos ofendeu. Quando a pessoa
ofendida perdoa o ofensor, não querendo desforrar-lhe e retribuir a
ofensa, a dor diminuirá à medida que a sua sensibilidade para com o
ofensor aumenta. A cura se dá quando a pessoa reconhece aquela
situação como um a experiência que Deus permitiu em sua vida para
crescer espiritualmente, vencendo alguma dificuldade íntim a que
possuía que pode ter sido o orgulho, a falta sensibilidade para com os
outros ou o julgamento precipitado” (10)
Se, porém, a "esposa não estiver em perfeita harmonia com o
marido no ministério, e não tiver disposição de trabalhar com ele; se
ficar aborrecida com a sua posição social na igreja; se tiver ciúme das
mulheres da igreja que tenham prazer em cooperar com os planos do
pastor, ela o pode deixar de revelar a sua insatisfação perante os
membros que lhe pagarão em dupla, mostrando profunda
cdecepção, para com ela. Ficando assim desambientada, não pode
deixar de culpar o marido, perturbar o seu espírito e prejudicar a
felicidade conjugal".(11)
Enfim, se se perdoarem mutuamente, essas crises serão
superadas e o respeito mútuo voltará a reinar no lar, e o amor cristão
fluirá em todas as relações sociais do casal.

2. Infidelidade conjugal

A infidelidade pode ser desastrosa para o futuro de alquer


casamento. Inevitavelmente ela causa sofrimento ao outro cônjuge.
A suspeita da existência de um a ter-
(i)TádtoG.Filho
(u)A.R.Cia]btiee
97
ceira pessoa tom ará infeliz um dos cônjuges. A infidelidade encobre o
verdadeiro problema e tende a destruir a per sonalidade, pois o
cônjuge infiel pensa que, mantendo seu casos secretos, estará
protegendo o outro e salvaguardando seu casamento. Ilude-se a si
mesmo.
O mentiroso pode ter ciência do preço que paga por m entir aos
outros. H á sentimentos de culpa atormentando sua consciência,
além do receio de ser desmascarado e hu milhado. Ainda há um
preço biológico exigido pela auto sugestão. Quando sentimos que
temos que mentir a al guém que confia em nós e de quem gostamos,
ficamos presos naquilo que os psicólogos chamam de "dilema duplo”
O mentiroso é presa de um a perturbação aguda, não só por se sentir
separado da pessoa que ama, mas também por so sentir separado de
si mesmo. Tendo mentido, não pode falar do fundo do seu coração.
Em vez disso, tem de censurar todos os seus pensamentos antes de
exprimí-los,
/
com receio de que um lapso de memória o desmascare.
"E difícil respeitar um marido infiel", disse Judith Kemp, e
Provérbios nos diz que "o que adultera com um a mulher é falto de
entendimento... Achará açoites e infâmia, e o seu opróbrio nunca se
apagará" (Pv 6.32,33). O capítulo sete nos dá um a severa
advertência contra a mulher m á e sem coração. São um aviso para
todos aqueles que se deixam levar pelo espírito de adultério.
O declínio dos padrões morais ao nosso redor tem uni núcleo
maligno, e ele reside em nossa obsessão pelo sexo e no seu uso
errado. Todos os qualificativos de malignidade estão descritos pelo
apóstolo Paulo. Sua visão dava-lhe condições de aconselhar aos
coríntios: "Mas por causa dl prostituição, cada um tenha a sua
própria mulher, e cada um tenha o seu próprio marido" (1 Co 7.2).
Apureza do ca samento deve ser conservada "enquanto ambos
viverem", e o "leito sem mácula". Porém "aos que se dão à prostitui
ção e aos adúlteros, Deus os julgará" (Hb 13.4).
A Palavra de Deus nos exorta: "Resisti ao diabo, e ele fugirá de
vós" (Tg 4.7). Esta palavra tanto é para o pastor e sua esposa como
para qualquer outra pessoa e, como diz

98
J.C. de Ferriere "você deve começar a resistir quando o iabo começa a
tentação. Não fique a princípio namorando o pecado - você só
descobrirá muito tarde que a sua reputação e o seu caráter
imaculado já desapareceram. O pecado é um a serpente que morde
quando a gente menos espera! Se, portanto, você, em qualquer
momento sentir que Istá sendo atraído ilicitamente por alguém, leve
imediatamente tais sentimentos ao Senhor Jesus em oração, e não
detenha até ter a certeza de que está perfeitamente li-herto da cilada
do diabo".
Mas a astúcia satânica cada vez se aprimora mais, e o
cuidado dos casais precisa ser redobrado, pois há alguns teólogos que
alegam que, "em determinadas situações, o adultério pode ser
justificado e até mesmo louvável". Se, por exemplo, o ato refletir um a
preocupação sincera e afetuosa pelas necessidades de outra pessoa,
então, dizem, a nfidelidade será coisa "certa e boa". Ilustres
pregadores lem caído nessa armadilha.
O Salmo 51 registra um dos casos mais graves de súplica de
perdão pelo pecado de adultério - o do rei Davi, Bue mandou m atar
Urias para ficar com sua esposa, Batseba(2Sm 11.1-27).
/
O reino de Deus é vedado aos adúlteros (1 Co 6.10; Tg 4.4).,
E hora de se conservar solidamente a família, pois o
matrimônio é o mais precioso bem e a mais compensadora do todas
as relações! E hora de reerguer o nosso altar destruído e honrar o
casamento quando os laços do mal vierem a nos induzir a cometer o
pecado que pode desgraçar a nossa vida conjugal. Lembremo-nos de
que o poder de restauração estará nas mãos de quem venceu a
morte e o inferno (Ap ll8).
E bom lembrar que as paredes do lar não se erguem Com
tijolos, organogramas e madeiramento, mas com amor e
fidelidade.

5. C ríticas à esposa do p a sto r

Certo artigo, de autor desconhecido, enumera algumas das


dificuldades pelas quais passa a esposa do pastor, alvo constante do
crivo de observação dos membros da
99
igreja, e que, justiça seja feita, se ela am a a Deus de todo o seu
coração, procurando ser inteiramente dedicada ao sen serviço, na
medida do possível, e sendo sinceramente dese josa de fazer sua
vontade, mesmo que não seja capaz do agradar a todos que a
conhecem como esposa do pastor, ela um dia ouvirá de seu Senhor o
seguinte: "Bem estás boa e fiel serva, entra no gozo do teu Senhor!”
• Se ela é um a mulher asseada e procura mostrar-se bem
apresentável, é ostentadora de vaidades.
• Se dá pouca atenção à sua aparência pessoal, é considerada
um prejuízo ao ministério de seu marido por não saber
apresentar-se.
• Se ela se veste bem e usa roupas bonitas, é extravagante,
vaidosa e dissipadora do dinheiro que Deus dá ao marido
para a subsistência familiar.
• Se assiste ao seu marido no ministério da pregação, é um a
usurpadora da sua autoridade e usa de um direito que não
possui.
• Se ela se escusa de cooperar na pregação, está eximindo-se
da chamada de Deus e falhando em sua responsabilidade de
tornar mais leve a carga de seu marido.
• Se toca piano ou órgão, ou canta solos nos cultos públicos,
está roubando a chance de outros membros da igreja que
desejam cooperar com seus talentos musicais.
• Se não procura usar seus talentos musicais ou ensinar na
Escola Dominical, está falhando muito em não cooperar
eficientemente como esposa do pastor.
• Se ela tem prazer em seu lar e é um a meticulosa dona de
casa, é acusada de idolatrar a família e de não dar lugar, em
primeiro plano, ao trabalho do Senhor em seu coração.
• Se gasta muito tempo em várias atividades da igreja, é um a
dona de casa relapsa, que vive só para o trabalho espiritual,
esquecida dos deveres domésticos.
• Se visita os membros da igreja em companhia do marido, é
ciumenta e não confia em seu caráter.

100
• Se não visita com o marido, é anti-social e indiferente aos
deveres que lhe impõem as atividades eclesiásticas.
• Se é assídua aos cultos e não dispõe de um a ajudante para
ocupar-se dos flhinhos menores e os leva à igreja,
assentando-se nos últimos bancos do templo para que
perturbem menos a assistência, ela é acusada de prejudicar
as crianças e os crentes. P ara tais pessoas seria melhor que a
esposa do pastor ficasse em casa com a prole.
• Se permanece em casa parte do tempo, não é um a mulher
espiritual, mas fiia na fé.
• Se ela saúda os visitantes, aconselha os que têm problemas e
ora pelos enfermos e fracos, é, obviamente, indiferente aos
deveres maternos e intrometida em assuntos que não lhe
dizem respeito.
• Se trabalha fora do lar, a fim de suplementar, com o salário
que recebe o pequeno "pro-labore" ganho pelo marido, que
não lhes é bastante à plena manutenção do lar, e, por isto,
não pode estar em todas as reuniões do Círculo de Oração, é
um a mulher gananciosa, incrédula, indiferente às coisas de
Deus e não sente gozo espiritual.

c. O s F ilhos

Certa vez ouvi dos lábios trémulos de emoção e de olhos


marejados de água de meu filho mais velho, com vinte anos de idade,
um a expressão que deixou marcas indeléveis no meu coração. Num
tenro abraço, sussurrava em meu ombro: "Papai, eu gosta tanto de
você! Os meus colegas não têm um pai como o meu! Você é tão
compreensivo... E u gosto tanto de você..."
Estas expressões foram repetidas mais de um a vez. Mas, por
que meu filho me ama, se nunca lhe tirei a mão de correção?
Provérbios nos ensina: "Castiga a teu filho enquanto há esperança..."
(Pv 19.18) e "o que retém a sua vara aborrece a seu filho, mas o que o
am a a seu tempo o castiga" (Pv 13.24).
A Palavra de Deus, então, continua verdadeira porque a vara
que castiga, ao mesmo tempo ama. "Porque o Se-
101
“Ojusto anda na sua sinceridade;bem-aventurados serão seus filhos depois dele”
(Pv20.7)
nhor corrige o que ama, e açoita a qualquer que recebe por filho" (Hb
12.6). Foi a correção com a vara que gerou um nmor de filho, refletido
no caminho dos que lhe trouxeram à vida.
Assim como os filhos insensatos desprezam seus pais (IV
15.20) e representam "grande miséria" para eles (Pv 19.13), muitos
pais podem vir a tornar-se os responsáveis pela insensatez dos filhos!
Um bom exemplo disso vemos na história do rapaz que foi
condenado por um juiz por crime de falsificação e roubo, filho de um
seu grande amigo, famoso jurisconsulto e autor do livro sobre “A Lei
dos dos Trusts”.
- Como você pôde descer a um nível tão baixo, indagou-lhe o
juiz!
Após um a pequena pausa, aquele homem ouviu a seguinte
resposta:
- Pois o culpado é meu pai mesmo. Sempre que eu queria
estar junto dele, conversando, perguntando as coitas, ele me
m andava embora, dizendo: Vá embora, menino, estou muito
ocupado. Não posso perder tempo, preciso term inar este livro. E u
não tinha companhia; procurei-a. E a que achei foi tão boa que me
trouxe até este tribunal!
Muitos ministros do Evangelho, ocupados demasiadamente
com seus negócios, com viagens, com a igreja e o complexo
eclesiástico, insensivelmente vão permitindo que seus filhos vão ao
cinema, a bailes, fumem e se enturniem com grupos jovens ou
mesmo m antenham um namorado impudico sem lhes cobrar
horário deixando-os entregues a tudo.
Que encontram esses filhos de seus pais para que o lar se torne
atrativo e lhes retenham em vínculo de amor?
Não raras vezes os filhos vão procurar na rua, entre amigos
ímpios, a conversa ou a distração que a casa paterna não lhes
proporciona. Não são poucos os casos de filhos expulsos de casa,
mesmo em lares crentes e de homens de ministério que, estribados
no excessivo zelo da obra, esqueceram-se de que "a glória dos filhos
são seus pais" (Pv 17.6). O preço a pagar no futuro é muito alto!

103
Os conselhos de "Provérbios" são de grande ajuda "quer para o
filho que não se julga feliz com seus pais, quoi para os pais que
arruinaram a vida dos filhos".
Não são as pancadas violentas de um pai, na repreesão a um
filho, que lhe farão obediente ou respeitoso. Se os pais não sabem ter
domínio próprio, como ensinarão aos filhos o temor do Senhor?
Aqueles que ralham continuamente com seus filhos, acabarão por
certo sentindo que lhes escapa a eficácia da autoridade, pois eles
acostumar-se-ão com as repetições e as considerarão um hábito
muito desagradável. A repreensão é um ponto que requer
observação: corrigir com brandura, porém com austeridade.
Voltando à Bíblia, encontramos um péssimo exemplo de pai.
Ló era o nome desse homem, e não se importou em associar-se a
outros lascivos e de vidas corruptas que até desejavam estuprar os
visitantes santos, mensageiros do Céu. Sua identificação com o
pecado não fez a diferença chamá-los de "irmãos". "Rogo-vos meus
irmãos, que não façais" (Gn 19.7). Ele perdeu a grande oportunidade
de ganhá-los; sacrificou sua família e perdeu tudo aquilo que tinha,
porque se comprometeu com o pecado.
Nenhum pai tomou decisão mais vergonhosa que a de Ló,
quando ofereceu suas filhas para acalmar e m anter a amizade com
os ímpios. Muitos, como Ló, vão vivendo em Sodoma, e "desejam a
aprovação dos sodomitas, vivendo em comunhão com eles".
Outros há que exageram a sujeição dos filhos, cobrando-lhes
"exigências descabidas, acima das suas possibilidades, que
expressam a sua autoridade sobre os filhos".
O apóstolo Paulo aborda um assunto de grande rele-vância,
ao citar: "Vós, pais, não provoqueis a ira a vossos filhos, mas criai-os
na doutrina e admoestação do Senhor'' (Ef6.4).
No grego existe um a única palavra, "parargidzo", que significa
"provocar a ira". Dentro desta palavra existe a raiz "orge", que se
traduz por "sentimento", "temperamento", que envolve um tipo
violento e iracundo. Não é de se estranhar que as pequenas
criaturas, as crianças, também sejam dotadas desse "sentimento", e
podemos levá-las a "alienação no lar". Neste caso, o "amor bate asas,

104
como tam bém o respeito dos filhos pelos pais desaparece”, a não
ser aquele gerado somente por razão do medo.
E m um de seus estudos, Tácito Filho apresenta algum as
m aneiras de provocar os filhos à ira:
1. o uso impróprio da autoridade;
2. disciplina sem amor;
3. disciplina ou castigo no momento da ira ou de raiva;
4 d isáp lin a ou castigo sem boa comunicação (deve o pai
identificar previam ente as ordens que dá; te r certeza de
te r comunicado o que deseja; explicar, no caso de
desobediência, que o castigo é devido àquela
desobediência);
5.incoerência na disciplina (castiga-se a criança, hoje, por
algo que cometeu, e am anhã não);
6. insistência n a palavra e no ato;
7. prom eter sem cumprir.
Assim, vemos que os filhos devem ser criados na disciplina do
Senhor, na admoestação diária segundo a Palavra do Deus. Essa
”disciplina” ou "educação” é do "Senhor, ou seja, tem natureza
espiritual, pois sua finalidade é beneficiar um a alma eterna”. O texto
de Efésios 6.4 ultrapassa em muito as "ações severíssimas de certos
pais para com filhos! Ira e restrição, como também ameaças e
castigos corporais por motivos banais não são ações apropriadas
progenitores. Pois há um elevadíssimo alvo que precisa ser obtido
através de meios espirituais ” (R. N. Champlin).
Outro exemplo bíblico bastante notável é o relacionamento
pessoal de Abraão com Deus. Mesmo sendo o "pai da fé”, cometeu
inúmeros erros em sua vida; mas isto não apagou na vida de Isaque
a prova que seu pai dera a Deus ao obedecer a sua voz em sacrificá-
lo. A obediência de Isaque foi dupla, obedecendo a Deus e ao seu pai.
”O filho sábio alegra a seu pai, mas o filho louco é a tristeza de sua
mãe” (Pv10.1). Isaque soube honrar o nome do Senhor, amando
Rebeca e, ao contrário de seu pai Abraão, só teve filhos com sua
esposa, não aceitando, como Abraão, o m au conselho de Sara para
ter filhos com sua serva.
10 5
“instruiaomeninonocaminhoemquedeveandar,eatéquandoenvelhecernãosedesviarádele"’
(Pv.22.6)
Feliz é o pastor que pode contar irrestritam ente com a
ajuda da esposa n a educação de seus filhos! "Toda m ulher libia
edifica a sua casa..." (Pv 14.1). "Mas a tola derruba com as suas
mãos", e Salomão acrescenta que " grande séria é para o pai o
filho insensato e num gotejar contí-uo as contenções da mulher"
(Pv 19.13).
Aquela que é sábia, n a ausência do esposo ocupado com a
obra de Deus, saberá suprir a educação disciplinar dos filhos que,
"com paciência e jeito, cria em casa um am biente que favorece o
bem e desanim a todo m al. A prim eira condição para criá-lo é ser
leal ao m arido e dedicada aos lhos".
Entretanto, a responsabilidade principal da educação os
filhos cabe ao pai de família, e Deus não terá por inocente o
hom em que despreza a liderança do lar. Aquele que e queixa do
seu próprio filho está confessando a própria culpa. "Desprezar a
m ulher, não proceder em casa como homem, isto é, como pessoa
correta e digna, agrava a sua responsabilidade. A tirania paterna
tem como resultado o afastam ento ou da m ulher ou dos filhos,
quase sem pre ambos" (E.P.Ellis).
N a adm inistração do lar, o m inistro deve procurar um
erfeito relacionamento com a esposa, pois o am or do casal
roporcionará a segurança de que tanto os filhos precisam. Além
disso, deve dedicar um tempo em companhia da família,
dem onstrar a confiança que tem nos filhos, interessando-se por
suas realizações, após lhe darem tarefas em casa ou mesmo em
seu próprio trabalho e igreja. A conversa franca e a expressão
livre do filho para com o pai tleve se constituir em clima de
amizade, descobrindo os intos positivos e cultivando-os,
encarando com sobriedade os pontos negativos. Enfim, prepará-
los para o futuro, rando e agradecendo o tesouro que o casal tem
em casa.

10 7
III
O Pastor
e seus Estudos

"Falar é a única habilidade do homem para a comunicação


porque as palavras expressam o pensamento." O pastor como líder,
mais do que ninguém, necessita aprender a se comunicar, não só
com os que estão ao seu redor, mas à igreja e às massas.
O sábio Salomão disse que "as palavras dos sábios são como
aguilhões, e como pregos bem fixados pelos mestres das
congregações, que nos foram dados pelo único Pastoi" (Ec 12.12). Ele
considerava a sabedoria acima de qualquer outra coisa, como "pregos
bem fixados".
A ferramenta do pastor é a Bíblia Sagrada, instrumento que
precisa ser bem manuseado. Mas muitos pastores têm fraquejado no
ministério da pregação bíblica por negligenciarem o estudo
sistemático da Palavra de Deus, estribando-se na falsa idéia de que a
sua inspiração os levará suficientemente à orientação do rebanho.
Triste engano! As profundas verdades incursas na Bíblia são
descobertas e entendidas quando os nossos conhecimentos
abrangem geografia, psicologia, história, sociologia, outras línguas e
mesmo os nossos anseios espiri­

109
tuais. Ademais, o Espírito Santo de Deus nos "faria lembrar...",
princípio que depreende de um a aprendiza gem anterior.
Observando-se que a capacidade hum ana pode representar
em conhecimento de todas as áreas, vemos que as bibliotecas não
mais comportam os volumes da "sabedoria das mentes". A maior
biblioteca do mundo, por exemplo, tem mais de 20 milhões de livros,
hoje. Em 1517, na Euro pa, ela tinha apenas mil livros. Na
atualidade, milhares de livros são impressos diariamente, e a forma
total de conhecimentos triplica a cada década. A velocidade de
mudança está acelerada, cem vezes maior que a precedente. E o que
temos feito para acompanhar essa aceleração? Quais são os nossos
conhecimentos do mundo atual? Nossas pregações são superficiais
como um rio em época de seca ou são cheias de riquezas como as
águas profundas dos mares? E o que dizer de muitos de nossos
pastores que estagnaram no tempo e no espaço?... Contentam-se
apenas com a simples leitura, sem reflexão, de alguns versículos
bíblicos (quando o tempo lhes permite), para extrair algum alimento
para o rebanho do Senhor!
Além das Escrituras Sagradas, nossa única regra de fé, sem
dúvida alguma outros livros deveriam ser lidos por mês. Ao final do
ano, nossa gama de conhecimentos seria recompensada com os
resultados de nossos ensinamentos.
Os chineses dizem que eles são "aqueles que conhecem a frente
das outras pessoas". A instrução nos torna sábios. E o sábio sabe
daquilo que o povo comum não sabe. Samuel tornou-se um profeta, e
profeta é aquele que sabe o que vai acontecer no futuro. O pastor está
à frente das outras pessoas e deve manter-se num processo rigoroso
de absorver conhecimento, aliado à oração e à meditação.
Reconhecemos, entretanto, que homens espirituais e iletrados,
porém consagrados e cheios do Espírito Santo, admiravelmente têm
sucesso na pregação do Evangelho de Jesus Cristo. O auxílio destes
vem quando há uma perfeita comunhão com Deus, e homens
simples fizeram parte do quadro de apóstolos de Jesus Cristo. Mas a
incapacidade intelectual destes não significa autoridade sobre o
nosso despreparo voluntário.

110
”0 pastor que tem o seu diploma do seminário certa m ente
está m ais bem preparado p ara continuar os seus estudos bíblicos
e teológicos. Se pensar que não precisa estudar mais, vai-se
esquecendo m uito do que já aprendeu, perdendo gradativam ente
um a parte do cabedal de sua cultura, enquanto o pastor que não
teve a vantagem de todos estes cursos vai comprando bons livros
e estudando assiduam ente, tornando-se finalm ente m ais
eficiente no ministério do que o colega diplomado.” (1)

1. Remindo o Tempo

E m considerações anteriores abordamos sobre o uso do


tem po de que dispõe o pastor p ara m inistrar a sua mordomia. A
falta de disciplina própria induz m uitos pastores ao pecado de
omissão, isto é, deixar de ”fazer”, ”dizer” ou "escrever”. E ssa
indisciplina é m anifestada na alegação da falta de tempo,
argum ento que tem justificado o insucesso de inúm eros deles.
O termo rem ir significa "pechinchar'', ou "aproveitar as
oportunidades”. Isto nos mostra que o tempo é muito precioso e
valioso e que não pode ser desperdiçado como alguma coisa sem
valor. Por ser o tempo irreversível, se o perdermos, o perdemos.
A "parousia” (volta de Jesus) era encarnada nos cristãos
primitivos como se ela pudesse ocorrer a qualquer momento, e isso
anulava a esperança de um a prolongada dispensação da graça.
Motivados por isso, cada momento lhes era precioso e precisava ser
apropriadamente empregado, ou seja, muito tinha a ser feito no
desenvolvimento espiritual do povo para aguardar o segundo
advento de Jesus Cristo. Os dias eram maus e, por isso, era preciso
”remir” o tempo.
Se há dois mil anos essa esperança ardia nos corações dos
cristãos primitivos, como em Jerusalém, cujos crentes
”perseveravam unânimes todos os dias no templo,...” (At 2.46), muito
mais as oportunidades do presente deveriam ser utilizadas de tal
m aneira que todo o nosso tempo em prol da obra fosse preenchido.
()AR.Crabtree
111
/

E bem verdade que a indolência espiritual tem caracterizado


muitos pastores no cumprimento de seu ministério, deixando-se
levar pela preguiça e sonolência espiritual. Este é o sono de que fala
Paulo aos romanos: "E isto digo, conhecendo o tempo, que é já hora
de despertarmos do sono;..."(Rm 13.11). Isto nos dá a entender um
estado de esturpor ou de indiferença para com as realidades
espirituais, "atitudes erróneas essas que caracterizam até mesmo
muitos crentes". Provérbios já nos adverte: "Um pouco de sono,
adormecendo um pouco, encruzando as mãos outro pouco, para
estar deitado;..." (Pv 24.33). Este é um perfeito processo de indolência,
lento e seguro, mas que traz como consequência a pobreza.
"Se reconhecermos que o nosso tempo, com tudo o que temos,
pertence ao Senhor, compreenderemos que lhe furtamos as horas
desperdiçadas" em coisas fúteis e não nas que permanecem
eternamente.
Devemos compreender que o "tempo" é a nossa principal
mercadoria, e é exatamente com ela que devemos negociar, comprá-
la toda e usar cada porção adequadamente. "O tempo é aquilo que
depende da eternidade; dentro do tempo é que nos convém obter
preparação para o reino de Deus. Se não obtivermos tal preparação
em tempo, a nossa ruína será inevitável." (Adam Clarke).
Reenfatizamos o que Paulo disse, que devemos conhecer o
"tempo". São as unidades que medem o tempo, isto é, os segundo, os
minutos, as horas, os dias, etc, e a essência do próprio tempo é a
divisão que Paulo nos quer ensinar, e vem a se tornar muito
importante. N a nossa vida, o tempo é representado pela duração de
um evento a outro, e como seres humanos estamos limitados ao
tempo: nascemos, vivemos e morremos dentro do tempo. Não
nascemos no Século XVIII e não viveremos no Século XXII ou XXHI.
Se estivermos num estado de sono, o tempo não existe. Se não
tivermos mente, não teremos tempo. Por outro lado, se estivermos
acordados, estaremos despertados.
E quanto ao passado, aquilo que deixamos de fazer? Agostinho
disse que eleja se foi e apenas se encontra em nossa memória, em
nossa lembrança. Se tivermos amnésia, o passado será apagado, não
haverá lembrança dele.
112
como o passado, disse Agostinho, o "futuro tam bém não iste",
porque se não veio, como existe? ele é o tempo que ainda não
chegou e existe somente n a nossa esperança e no nosso desejo.
P ara existir o futuro, temos que te r um planejamento,
planejam ento está no presente, isto é, nos acontecimentos que
estão se passando; devemos conhecer a im portância do tempo
físico e sentir a urgência da hora e do planejam ento de nossa vida,
usando "cada porção" adequadam ente.
Nosso Senhor Jesus Cristo, em três anos de tempo, fez a
vida m ais produtiva de todos os tempos. N a declaração de João, o
apóstolo do amor, vê-se essa verdade expressa: "...e se cada um a
das quais fosse escrita, cuido que nem m nda o m undo todo
poderia conter os livros que se escrevessem" (Jo 21.25). E se nos
conscientizarmos que a nossa vida é finita, certam ente
produziremos m uito mais.
M as que tipo de planos nós tem os ou quais têm sido nossos
objetivos nos dias de hoje? passam os o nosso tempo a nos lem brar
do que fizemos no passado e nos esquecemos que ainda por um
pouco de tempo temos que planejar para o futuro? Segundo
Paulo devemos estar despertados para o (empo e fazer algum a
coisa. Desperta, então, tu que dormes, do sono da negligência do
teu próprio preparo intelectual e espiritual, e acorda porque o
tempo, que já não é mais, passou!
Nós passamos, o tempo passa e torna a nos chegar. M as h á
algum a coisa no mundo que jam ais envelhece: a Palavra de
Deus. N enhum a concepção hum ana jam ais tornará velha a
Bíblia p ara aqueles que estão interessados n a cura das almas,
porque Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e eternam ente (Hb
13.8).
A Palavra de Deus nos serve de estímulo diariam ente, se a
conhecermos, porque aquele que através dela opera faz-se
presente sempre, e a expectação "breve" de sua volta nos leva a
um sentim ento de perm anecer puros (1 Jo 3.2,3), de rem ir o
tem po (Ef 5.16), de instar a tempo e fora de tempo (2 Tm 4.2) e
olhar para Jesus, autor e consumador da nossa fé (Hb 12.2).
11 3
Todo ministro devia dizer como George Matheson: "Jesus
Cristo, sempre que duvido da vida penso em ti... P ara mim, tu nunca
envelheces. O século passado é velho, o ano passado é velho, a
passada estação tem um aspecto obsoleto; porém, tu não és obsoleto.
Estás emparelhado com todos os séculos, ou antes, vais adiante
deles, como a estrela. E u nunca te alcancei, por moderno que seja".
Sendo, então, viva e eficaz, a Palavra de Deus (Hb 4.12) é nova
cada m anhã (Lm 3.23). Ela só poderia tornar-se velha se as
"experiências espirituais e as necessidades do género humano
mudassem tanto, que não mais se encontrassem refletidas no Livro
Sagrado, e nem fossem satisfeitas pelo Evangelho. E esse dia está a
muitas milhas de distância" (H. E. Fosdick).
Se a Bíblia é a nossa ferramenta; se é ela que deve ser bem
manejada (2 Tm 2.15b; 4.2); se devemos conhecer o tempo (Rm
13.11) e se os nossos tempos estão nas mãos de Deus (SI 31.15),
sentiremos, certamente, a urgência da hora e do planejamento de
nossa vida.
J á a nossa era é um a era de expectação, e as pessoas não estão
olhando introspectivamente, mas sempre ao redor, buscando receber
dos outros. Mas o pastor, que é líder, precisa ser dirigido para dentro
de si mesmo e produzir, dentro de si, algo novo. Só as Escrituras
Sagradas podem produzir esses padrões de "novidade de vida".
Conhecendo a Palavra de Deus, ele será um bom ministro e um
grande líder (Mc 10.43,44) não para dominar as pessoas, mas para
serví-las, e apontar ao povo a direção de Deus. E é o pastor quem
pode ensinar, redarguir, instruir as outras pessoas em toda a boa
obra.

2. A B iblioteca
/

E muito natural àquele que se dedica ao ministério ser amante


de livros. Aquele que soube, desde a sua chamada, formar um a
biblioteca, hoje, como a quem cabe a responsabilidade de dar
substância sólida ao rebanho do Senhor, estará em vantagem
infinitamente maior ao que negligenciou, ou voluntariamente ou por
falta de condições, a formação de material de estudo.
114
A biblioteca é um a bênção na vida do pastor, pois ela reflete a
personalidade daquele que a cria. "Uma biblioteca em desordem e
sem uso não tem valor. U m a biblioteca lesorganizada, quanto maior,
menos serviço prestará. Deve ser o local de ordem, pois, ali o pastor e
seus familiares e outras pessoas autorizadas passarão parte do seu
tempo em meditação e estudo. Se se trata de uma biblioteca de
predominância evangélica, então é também lugar de meditação e
comunhão com Deus e Sua Palavra, e com os santos de todos os
tempos que escreveram as obras que lá estão” (2)
Sempre tenho aconselhado aos meus alunos de seminários
evangélicos a iniciarem imediatamente a formação de sua biblioteca,
adquirindo obras que melhor possam atender ao seu próprio
trabalho na igreja. Muitos, de recursos limitados, esforçam-se em
economias para empregá-las, cuidadosamente, no custeio de obras
que lhe ajudem nas disciplinas do Seminário.
Por ser a Bíblia a Palavra de Deus dada aos homens de
m aneira impressa é que as suas várias versões não podem faltar na
mesa de estudo do pastor. Além destas, deverá contar com
dicionários bíblicos, enciclopédias, concordância da Bíblia,
comentários teológicos ou dos livros da Bíblia, livros devocionais,
didáticos e outros seculares.
Desde a minha conversão tive o cuidado de comprar e comprar
livros, fazer assinaturas diversas de periódicos, mesmo que isso
significasse a frustração de não lê-los integralmente. O hábito de
certificar-me de seu conteúdo, ainda que ligeiramente, durante mais
de vinte anos, foi fundamental para que esta e outras obras fossem
escritas ou estão em preparação para o prelo.
Mas um a biblioteca não se compõe unicamente de livros. Os
jornais e revistas evangélicas e seculares, mapas diversos, recortes,
artigos religiosos, científicos e seculares, discursos, filmes, slides, fitas,
estudos, sermões, desenhos, etc, também a enriquecem.
A classificação desse material, por assunto, e a sua disposição
em fichários e arquivos facilitará o pastor nas

(2) A.Gilberto
11 5
consultas im ediatas para suas pregações ou seus estudos.
O local da biblioteca que deverá ser um am biente m ais
agradável, silencioso e confortável possível, precin estar tam bém
devidamente equipado com todo o m aterial de escritório à mão, o
que lhe facilitará um m aior desempenho.
M uitos livros ensinam como organizar um a biblioteca,
assunto que não precisa ser discorrido neste capítulo, o que o
pastor poderá adquirir e executar a m ontagem de sua biblioteca
como m elhor lhe convier.
O livro Administração Eclesiástica, de nossa autoria,
contém um capítulo sobre o assunto.

11 6
TV
O P astor
e o Rebanho

Os pastores orientais andavam sempre arm ados com um


cajado chamado "Nabbutch" e com ele defendiam as ovelhas de
quaisquer ataques, quer fossem de anim ais ferozes ou de
salteadores; ou a si próprios (SI 23.4).
No Antigo Testamento, o cuidar das ovelhas era
considerado um a ocupação m uito servil, e, hoje, ser pastor é o
ofício do ministério cristão m ais conhecido entre nós. O pastor é o
guardador de ovelhas, é o apascentador, o guia, o protetor (Is
40.11).
Quando Jesus, o Sumo Pastor, disse a Pedro: "Apascenta as
m inhas ovelhas" (Jo 21.17), estava querendo lhe dizer que o Seu
rebanho deveria ser doutrinado e levado ao bom caminho através
de um bom "pasto", isto é, encontrar a erva verdejante e a água
nos tempos de seca.
E m seu ofício pastoral, m uitas são as atribuições do pastor,
especialmente a de lidar com alm as e, dentre elas, tem que se
apresentar como um homem que governa bem a Igreja de Deus.
Aqueles que guardavam o rebanho nos campos, como Amos
(cuidava de gado quando Deus o chamou, Am 7.14,15); como
A

Moisés (era pastor de ovelhas, Ex


11 7
3.1); como Davi (bem jovem, cuidava das ovelhas de SEU pai, 1
Sm 16.11-13) aprenderam grandes lições de sua vida diária, que lhes
serviram para o desempenho de seus ministérios, quer seja de profeta,
rei ou líder.
No estudo deste capítulo, veremos apenas o pastor ai desempenho
de algumas funções.

1. No Púlpito

No passado, quando Deus queria falar ao povo, usava os profetas


em algum lugar, e nem sempre isso era feito dentro do templo. Não
havia um púlpito, pois o serviço da Palavra não era incluído no culto
oficial.
Mais tarde, com a Reforma Protestante, encontramos o culto
"visivo" ser substituído pelo "auditivo", com o desaparecimento dos
altares, dando lugar ao púlpito de sentido atual, no lugar central, onde os
pastores cumprem o seu dever com dedicação e esforço.
E interessante notar que Jesus não teve um púlpito para pregar
suas mensagens de ensino, exortação e salvação. No seu primeiro
sermão, na sinagoga de Nazaré, "segundo o seu costume, levantou-se
para ler" (Lc 4.16), e "...assentou-se", depois de cerrar o livro (v. 20). Não
há menção da existência de um púlpito. O que se lê a respeito de suas
andanças é que usava um barco, assentado; aproveitava o cume de um
monte ou certos pontos estratégicos para atingir o público com sua
mensagem. Seu último púlpito aqui na terra foi a cruz do Calvário.
Mas o certo é que o púlpito não faz o bom pastor, por mais
artisticamente ornamentado que seja. Nem tampouco os majestosos
paramentos clássicos ou mesmo sua arte de retórica. "Há púlpitos que
consistem, nada mais, nada menos, em uma vulgar mesinha de tábuas
de pinho, dentro de um pequeno templo, modesto, oculto numa rua
lateral da cidade, onde o pastor em seu traje comum está pregando com
toda a simplicidade e sinceridade, mas com a autoridade divina, o
evangelho da salvação para a remissão dos pecadores, e assim
contribuindo para a edificação do reino de Deus e expansão de sua glória
(1)

0) Otto Grellart
118
• A postura no pulpito

O pastor não deve, de modo algum, abusar do púlpito, esteja ele


na igreja, num estúdio de rádio ou televisão; não é o púlpito lugar para
censurar os defeitos de teroeiros, defender-se de seus adversários, ou
mesmo contra-atacar Dom indiretas aqueles com quem mantém
diferença.
"Agraciar seus amigos ou salientar certos benfeitores seus ou da
igreja do púlpito, para incentivar outros, pode ler perigoso e até contra
producente. O púlpito também não é lugar para queixas contra a
carestia geral e contra a insuficiência de remuneração particular. Se os
membros da igreja - o que lastimavelmente ocorre com frequência se
dividirem em dois ou mais grupos ou partidos, o púlpito nunca deverá
ser usado para favorecer um e combater o nutro, mas só para uní-los a
todos.
"Em épocas de eleições, quando os ânimos do povo, e lambem
dos irmãos, estão bastante exaltados, o pastor deve ter todo o cuidado
para não manifestar no púlpito, proposital ou impensadamente, sua cor
partidária. Poderia perder a simpatia e a confiança de muitos irmãos
inútil mente.()
Além destas coisas, o pastor deve cultivar elegantemente a sua
postura no púlpito de uma igreja. Paulo recomendou a Timóteo: "Para
que saibas como convém andar na Casa de Deus" (1 Tm 3.15), e não se
pode "oferecer sobre o altar pão imundo" (Ml 6.7), como muitos fazem ao
proferir gracejos, anedotas e um vocabulário vulgar, procurando distrair
as pessoas em lugar de proclamar a verdadeira mensagem do
Evangelho de Jesus Cristo.
Cada vez que o ministro sobe ao púlpito, os olhares que se lhe
voltam passam em revista, não só as suas palavras, mas a sua voz, e sua
expressão, a sua movimentação, não ficando indiferente todo o seu modo
de vestir.
Sendo o pregador o próprio sermão, ele pode tornar ineficiente a
mensagem nele contida, se não observar algumas regras e atitudes
próprias que a ética nos ensina na conduta do mensageiro no púlpito,
como:

(2)AdmEdesV.7N3/15

119
a) pregar gritando o tempo todo, sem se apercehn que está diante
de um microfone;
b) bater o pé no chão com força repetidamente e dar murros no
púlpito com estardalhaço.
c) gesticular demasiadamente, insinuando às vezes gírias ou
imoralidade, e às vezes pular, sem se dai conta disso; o corpo
deve ser naturalmente dosado por gestos conforme a dinâmica
do sermão;
d) falar de olhos fechados ou arregalados, bem como olhar de modo
fixo para cima ou para o piso como se tivesse perdido algo, e com
medo de encarar o auditório. O certo é que os olhos devem
acompanhar o que se fala, pois às vezes falam mais claro que as
palavras, e ajudam o pregador a sentir o efeito da mensagem;
e) molhar o dedo na língua para virar as páginas da Bíblia, ou
soprá-las com a mesma finalidade;
í) coçar-se de modo inconveniente e limpar as narl nas, quando no
púlpito, ou mesmo fazer cacoetes ou tiques mímicos;
g) fazer a leitura bíblica que anunciou e não mais voltar a ela;
h) não conversar no púlpito, senão o estritamente necessário, e
não despachar o expediente no lio rário do culto;
i) o pastor deve chegar cedo à casa do Senhor Deus, porque,
assim fazendo, dará bom exemplo ao rebanho e não
contemplará o semblante do povo com sinais de impaciência e
cansaço.

• A direção do culto

A primeira coisa a ser feita, ao se iniciar o culto a Deus, é uma


breve oração, numa demonstração de que a direção deve ser do Senhor
sobre as vidas daqueles que compareceram à igreja. O cântico de hinos
congregacionais antecedem a leitura da Palavra de Deus. Devem ser
selecionados e nunca de improvisação, não sendo aconselhável pedir-se à
congregação que escolha os hinos.
Alguns pastores, quando não há convidados para pregar,
costumam fazer dessa leitura inicial da Palavra de

120
Deus o texto de sua mensagem, isto variando de igreja ara igreja.
A Bíblia de púlpito não deveria ser desprezada nesse ato
inicial, pois ela "é mais dona do púlpito do que o próprio pastor;
porém há aqueles que já se acostumaram com as anotações e o
manuseio constante de sua Bíblia, que se tornam inseparáveis dela”.
A leitura bíblica deve ser bem nspirada, baseando-se principalmente
nos Salmos ou nos vangelhos.
Se não há pequena exposição sobre o texto lido, segue-e a
oração interoessóiia, com assuntos bem definidos, orno pela igreja, os
problemas de seus membros, pela direção do culto, pela mensagem,
e demais necessidades.
As apresentações dos visitantes, bem como os anúncios é
natural que se laçam neste início de culto, seguindo-se o
levantamento das ofertas e dízimos, enquanto a congregação canta
um hino. E comum em nossas igrejas dar-se a palavra para um a
saudação a um dos visitantes, e o tempo restante ser ocupado com a
mensagem da Palavra e Deus. Essa mensagem não é propriamente
sua, mas de Deus. Falará daquilo que recebeu da parte do Senhor e
não externará a sua opinião sobre a Palavra, mas "demonstrará a
verdade certa de um texto certo para um a situação certa de um a
pessoa certa".
Após o apelo, sem que se oprima o pecador para aceitar a
Cristo como Salvador de sua alma, o pastor im petrará a bênção
apostólica para o encerramento do culto. Convém deixar registrado
que muitos companheiros ordenados ao Santo Ministério
desconhecem essa boa praxe de despedir o povo com um a bênção
divina.
A bênção que dava o sacerdote, de mãos estendidas, vinha de
Deus, e o mesmo se dá hoje em dia: é o Senhor quem abençoa, quem
guarda, quem tem misericórdia e quem dá paz (Nm 6.24-26). A
primeira bênção, araônica, foi ordenada por Deus, no Antigo
Testamento e, a segunda, no Novo Testamento, é usada ao final de
alguns escritos: "A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e
a comunhão do Espírito Santo seja com todos vós. Amém" (2 Co
13.13).

121
2. Com o C onselheiro

0 aconselhamento pastoral está entre as tarefas mais sensíveis


do ministro de Deus. Desenvolve seu trabalho essencialmente com
os membros da igreja, especialmente em se tratando de problemas
conjugais. As tensões interpessoais, aliadas aos problemas sexuais
dos jovens e casais da igreja, desemprego, finanças, pobreza,
educação e tantos outros são também parte de sua vida de
conselheiro e que dificilmente lhe será impossível evitar.
Indubitavelmenlte o seu serviço será ajudar as pessoas a crescerem
para realizarem suas possibilidades, levando-as a "diminuírem as
barreiras íntimas que as impedem de se relacionar com os outros".
Deve o pastor respeitar a integridade dos membros do sua
igreja, que em sua simplicidade buscam o socorro de seu orientador.
Nem todos, certamente, precisarão de aconselhamento pastoral
num a igreja, mas os que buscam, deverão ser animados e
fortalecidos em sua fé em Cristo Jesus.
A maturidade espiritual do pastor far-lhe-á escutar com
grande sensibilidade dos problemas dos aflitos, porque o seu papel é
o de ouvir, orientar, informar e transm itir ânimo ao aconselhado.
Deve dar condições para que a pessoa possa se expressar pois, deste
modo, perceberá o aconselhado que o ministro está interessado em
lhe ajudar "Ouvir mais e falar pouco não significa ficar impassível.
Deve-se, de vez em quando, fazer alguma pergunta, ou mesmo
oferecer alguma resposta que dê ao aconselhado a confiança do seu
conselheiro, o pastor."(3) A oração é essencial no aconselhamento.
O pastor espiritual aplicará sempre a Palavra de Deus em
seus diálogos, e se utilizará de outros recursos, com os quais deverá
estar afinado, a fim de poder ajudar aqueles que o procuram.
"Precisa-se entender a mentalidade das pessoas que carecem
de conselho. Se o pastor não puder determinar a causa e a natureza
do nervosismo, ele não pode dar a me

(3) E Cabral

122
Ihor orientação. Entendimento é essencial em todas as as relações
pastorais, especialmente em relações próximas com pessoas aflitas e
perturbadas. Conhecendo a sua Bíblia, pastor deve saber que nem
todas as pessoas são igualmente culpadas pelas suas fraquezas e
faltas. M uitas fraquezas pessoais têm a sua origem nas influências
do ambiente e da família e da sociedade que contribuem para a
formação da mentalidade. A graça de Deus pode operar um a grande
transformação na personalidade, e o ambiente da igreja pode
contribuir para o desenvolvimento do caráter cristão. Muitos
cristãos, porém, não se podem ambientar na vida da igreja sem o
auxílio do pastor. Até crentes fortes e bem ambientados, vitimados
por circunstâncias, podem fracassar se não receberem o socorro
oportuno."(4)

3. C om a M ocidade
A mocidade compõe-se de um a faixa de idade no seio da igreja
que deve merecer a atenção pastoral. Algumas importantes
atividades da igreja alcançam vários grupos existentes no seio da
comunidade. Temos a Escola Dominical, trabalhos infantis, corais e
conjuntos musicais, Círculo de Oração e tantos outros. Também as
atividades juvenis que contribuem eficazmente para o crescimento
da igreja. Portanto um a organização de jovens na igreja local não é
nenhum corpo estranho, nem uma sociedade separada da vida da
casa do Senhor.

• A m ocidade no contexto d a ig reja


A mocidade é a igreja viva, expressa no corpo de Cristo. O
corpo é um, mas tem muitos membros. Cada membro tem a sua
função distinta no corpo, e nem por isso se separa do corpo. E,
portanto, perfeitamente concebível um trabalho de jovens no seio da
igreja, desde que devidamente orientado pelo pastor. Não há
nenhuma justificativa teológica que condene uma organização de
mocidade, mas esta organização terá que obedecer aos princípios
administrativos da igreja, sob a liderança do pastor.

OARCrabtree
123
A mocidade é um a força vital, e a Bíblia confirma esse fato nas
palavras do apóstolo João: "Jovens, sois fortes” (I Jo 2.14). Essa força
vital deve ser aproveitada e canalizada para o crescimento da igreja
na obra da evangelização Lembremo-nos de que, na guerra, são os
jovens que vau para o "fiont" e se expõem aos perigos. Os mais
velhos ficam na retaguarda dirigindo, orientando e treinando os
mais jovens.

• O p a sto r no contexto d a m ocidade

A mocidade, já dissemos, é um a força poderosa na igreja, se


não for aproveitada, perder-se-á. O pastor devo ter ampla visão dos
valores, das necessidades e problemas da mocidade. As várias faixas
de idade têm suas características e problemas próprios. Entendemos
que o Evangelho é o mesmo para toda a igreja, porém, a sua
apresentação deve ser feita de acordo com a necessidade e a
capacidade de assimilação de cada grupo existente na igreja.
Portanto, o pastor local tem grande responsabilidade com cada
grupo. Algumas características essenciais devem nortear as
atividades pastorais de um ministro no seu relacionamento com os
vários grupos, especialmente a mocidade.

a. C onhecim ento

Não se trata de um conhecimento teórico, mas pessoal dos


membros da igreja. Jesus dá o exemplo pastoral quando diz: "Eu
conheço as minhas ovelhas, e delas sou conhecido" (Jo 10.14). Significa
que Ele conhece individualmente suas ovelhas. Esse conhecimento
implica comunicação e cuidado individual de cada ovelha. Há um
perfeito relacionamento entre ambos. Há um conhecimento mútuo
entre o pastor e as ovelhas. Esse conhecimento significa uma perfeita
afinidade espiritual entre os dois. O pastor deve se interessar e procurar
conhecer, mui especialmente, as ovelhas jovens que gostam de ver o
mundo fora do aprisco. Os jovens precisam da amizade, da compreensão
e da orientação do seu pastor. Eles precisam do cajado (a Palavra de
Deus) e da vara (correção) do pastor

124
b. Simpatia

Envolve um estado de espírito da parte do pastor para com os


problemas que os jovens enfrentam. Lamentavelmente, muitos jovens
se perdem e se afastam da igreja por falta de ajuda, de amor, de perdão.
Ter simpatia significa aqui demonstrar um profundo amor para com os
necessitados. As decepções, os traumas, as angústias interiores
provocam uma grande carência nos jovens. O pastor é o homem certo
para atender-lhes espiritualmente, demonstrando simpatia para com
seus problemas.

c. Simplicidade

O pastor é um conselheiro e, como tal, ele deve ter uma atitude


modesta no seu relacionamento com as pessoas. O fato de ser um pastor
não lhe dá o direito de colocar-se numa posição de soberba e ares de
superioridade. A simplicidade, como virtude do pastor, significa a sua
dependência na unção e na direção do Espírito Santo para ajudar
qualquer pessoa. Simplicidade não deve ser confundida com a perda da
dignidade de sua posição pastoral, nem com o ter excessiva
familiaridade com a vida particular das pessoas que o procuram. Ser
simples significa ser capaz de ouvir, de orientar espiritualmente a pessoa
necessitada. Em outras palavras, o pastor deve ajudar o jovem confiando
na ajuda do Espírito Santo. Ele carece de uma palavra amiga que lhe
direcione o caminho a seguir.

c. Tato

Cada pessoa tem o seu modo de ser. Cada qual o seu problema. O
pastor precisa usar de toda a habilidade no tratamento com os jovens. O
tato diz respeito à maneira hábil de fazer ou dizer o que é certo, sem
ofender a pessoa com quem está tratando. E aquela apreciação
v
intuitiva
que se tem quanto ao que é viável no momento certo. As vezes, a falta de
tato produz maiores danos à pessoa necessitada. O jovem é uma planta
nova, e por isso, sensível. E preciso cuidado no trato com ela.

125
e. Discrição

O relacionamento entre o pastor e um jovem deve ser de inteira


confiança. O pastor deve inspirar confiança aos jovens. Eles devem
sentir-se seguros quanto aos que confessam e segredam ao pastor.
Portanto, a discrição é uma atitude de importância vital nas relações
pessoais entre o pastor e o jovem que o procura para aconselhamento.

e. Imparcialidade

Paulo advertiu a Timóteo contra a parcialidade (1 Tm 5.21). A


igreja, como já disse, é uma comunidade de pessoas com os mais
diferentes problemas e os mais diferentes tipos. E um grupo realmente
heterogéneo que tem pessoas ricas, pobres, cultas, analfabetas,
delicadas, rudes, deprimentes, entusiastas, afáveis, descorteses, etc.
Portanto, o pastor tem que estar preparado para relacionar-se com todos
esses tipos. Normalmente muito sensível, o jovem não aceita a idéia de
favoritismo ou de desdém para com alguma pessoa.

• A mocidade no contexto pastoral


/
E imprescindível que o pastor local tenha um conhecimento
mínimo acerca do jovem, a começar pelo adolescente, a fim de que possa
ajudá-lo positivamente. E nesse período da vida do jovem adolescente
que a insegurança, a grande sensibilidade, o idealismo, e a vontade de
vencer o expõem a perigos. A vontade de ser, de fazer e de vencer
colocam-no diante de um mundo complicado, que desafia sua
capacidade de enfrentá-lo. Dada a grande sensibilidade que se
desenvolve dentro dele, sua mente se torna um campo aberto para a
experiência espiritual. E o período ideal para conduzir o jovem ao
encontro com Cristo. Os problemas de ordem moral afetam sua
consciência, porque despertam no adolescente sua energia sexual. A
falta de orientação nessa fase pode ser o caminho aberto para o
aconselhamento pastoral.
Passada a fase mais contundente da vida do jovem na
adolescência, os desafios passam a ser outros. O futuro desponta à sua
frente, e o seu idealismo o faz lutar. O futu­

126
ro o desafia com interrogações sem íim: Que profissão escolherei?
Com quem me casarei? E nessa fase que o jovem se conscientiza de
que sua vida futura depende de profundas e responsáveis decisões.
Como tomá-las implicam, às vezes, em conflitos sérios dentro de si.
Entretanto, o jovem crente pode ter a ajuda pastoral. O
relacionamento entre o pastor e o jovem deve se revestir de
características especiais que consolidem vidas para o cumprimento
dos propósitos divinos neste mundo. Assim.

a. O p a sto r p recisa te r u m a visão po sitiv a d a


m ocidade

Muitos descarregam seus sermões em cima da mocidade,


porque vêem apenas os aspectos negativos, sem avaliarem as
causas. Precisamos muito mais ver na mocidade o seu potencial. Não
pode haver bom relacionamento entre a mocidade e a igreja quando
se permite apenas acusá-la. Sempre houve choques de gerações,
porém, quando a igreja é conscientizada dos valores dos jovens, das
suas necessidades, esse choque é abrandado pela compreensão e
amor. Essa conscientização tem de partir do pastor. Ele precisa
entender, conhecer e ajudar os jovens que pastoreia. E preciso ver a
mocidade num a perspectiva positiva, ao invés de olhar apenas para
os seus defeitos. Quando o pastor tem um a visão positiva do
potencial da mocidade, sem dúvida ela será um a alavanca de força
para o crescimento da igreja.

b. O p a sto r deve racio n alizar su as a titu d e s p a ra com


a m ocidade

Para que haja perfeita harmonia nas relações da mocidade


com o pastor e com a igreja, é preciso um a boa dose de paciência. As
vezes, os jovens têm atitudes que irritam os adultos. São atitudes
causadas por problemas íntimos que extravasam negativamente. A
reação contra essas atitudes dos jovens, quando não é racionalizada,
surge na forma de humilhações com reprovações sarcásticas e atos
irôni­
127
cos. Ao invés de corrigir positivamente, fará aumentar, ainda mais, o
conflito interior no jovem. Portanto, a razão deve prevalecer sobre as
imposições.
Lamentavelmente não tem havido racionalidade nas
atitudes pastorais de muitos de nossos ministros. O pastor deve
prim ar pela compreensão, sem precisar comprometer o zelo e o
cuidado pela doutrina da Bíblia. Não é possível admitir-se que, por
caprichos próprios e sem apoio bíblico, um pastor abuse da
autoridade pastoral, impondo regras próprias que satisfazem apenas
o seu "ego". As atitudes devem ser racionalizadas dentro das
recomendações bíblicas. As imposições provocam dissabores e
rebeldia. Os conselhos sadios e os atos disciplinares feitos com amor e
respeito promovem o temor de Deus no coração do jovem.

c. O p a sto r deve se r u m o rie n ta d o r p a ra a s g ran d es


decisões dos jovens

O jovem deve ver no pastor a imagem de um pai, amigo e


conselheiro. Um bom relacionamento entre o pastor e a mocidade no
seio da igreja dá ao pastor o respeito devido a um líder espiritual, e
inspira nos jovens a confiança para procurá-lo nas grandes decisões
da vida.

6. É tic a P a sto ra l

Entendemos por ética, em sentido cristão, com aplicação à


vida e atividades pastorais, a ciência que nos ensina a descobrir,
classificar, explicar e aplicar as regras da pura moralidade cristã à
vida hum ana no presente; e, por este motivo, ela nos põe
diretamente em contato com os deveres e a missão do homem como
pastor de almas vivas, racionais, espirituais, cristãs.
Referindo-se ao sacerdócio da antiga aliança, seus deveres e
privilégios, a Epístola aos Hebreus 5.4, diz-nos: "Ninguém, pois, toma
esta honra para si mesmo, senão quando chamado por Deus, como
aconteceu com Arão"; e, referindo-se ao ministério cristão, o apóstolo
Paulo escre-
128
reu a Timóteo: "Participa comigo dos sofrimentos do Evangelho,
segundo o poder de Deus, que nos salvou e nos chamou com santa
vocação" (2 Tm 1.8,9).
Com base nestes ensinos apostólicos, sabemos e cremos que o
homem salvo, chamado e vocacionado por Deus ao exercício do
ministério cristão tem sobre si um conjunto de deveres expressos em
ordens PESSOAL, HORIZONTAL E VERTICAL a que se deve
dedicar com o máximo cuidado, porque do seu eficiente desempenho
advirá frutos preciosos a Deus, ao próximo e a si mesmo, no jresente
e no futuro.
Ao nos referirmos à ética pastoral, não é a um manual
jualquer escrito a seu respeito que nos devemos arrim ar a fim de
conhecer as suas regras, e sim, diretamente, à Palavra de Deus, que
é viva e eficaz e permanece para sempre. Tela, a saber, nos vultos
inconfundíveis cujos feitos estão nela descritos, é que devemos buscar
os modelos que, por nós imitados, nos farão também modelos a
serem imitados por outros.

• D everes pessoais

Entre os muito encontrados na Bíblia, tomemos como exemplo


a im itar aquele que nos repta veementemente, dizendo-nos: "Sede
meus imitadores como eu sou de Cristo" (1 Co 11.1). Como padrão de
ética pastoral, Paulo, na prática e no ensino, sobrepõe-se, de fato,
como modelo a nós jastores nos dias de hoje.
No cuidado pessoal, como indivíduo, quanto ao ensino e à
prática, o apóstolo nos diz, escrevendo a Timóteo: porém, tens
seguido de perto o meu ensino, procedimento, propósito, fé,
longanimidade, amor, perseverança, as minhas perseguições e os
meus sofrimentos, quais me iconteceram em Antioquia, Iônio e
Listra, - que variadas perseguições tenho suportado! De todas,
entretanto, me livrou o Senhor. Ora, todos quantos querem viver
piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos" (2 Tm 3.10-12).
Observe-se que Paulo se apresenta a seu discípulo como
modelo a ser imitado. Com sinceridade que ressalta . vista, ele
enum era num crescente admirável nada menos
129
do que oito características de sua personalidade marcante de pastor,
para findar acrescentando: "Tu, porém, permanece naquilo que
aprendeste, e de que foste inteirado, sa bendo de quem o aprendeste"
(2 Tm 3.14).
No cuidado do rebanho sobre o qual o Espirito Santo o
constituíra bispo, ele se dirige aos coríntios, dizendo-lhes: "Quisera eu
me suportásseis um pouco mais na minha loucura. Suportai-me,
pois, porque zelo por vós com zelo de Deus; visto que vos tenho
preparado para vos apresentar como virgem pura a um só marido,
que é Cristo. Mas receio que, assim como a serpente enganou a Eva,
com a sua astúcia, assim também sejam corrompidas as vossas
mentes, e se apartem da simplicidade e purezas devidas a Cristo. Se,
na verdade, vindo alguém pregar outro Jesus que não temos
pregado, ou se aceitais espírito diferente que não tendes recebido, ou
evangelho diferente que não tendes abraçado, a esses de boa mente o
tolerais. Porque suponho em nada ter sido inferior a esses tais
apóstolos. E, embora seja faltoso no falar, não o sou no conhecimento;
mas em tudo e por todos os modos vos tenho feito conhecer isto" (2 Co
11.1-6).
O zelo por ele evidenciado para com a igreja era tão extremado
que o levou a exclamar: "Além das coisas exteriores, há o que pesa
sobre mim diariamente, a preocupação com todas as igrejas. Quem
enfraquece, que também eu não enfraqueça? Quem se escandaliza,
que eu também não me inflame? (2 Co 11.28,29).
Resumindo seu trato pessoal como pastor, ele atinge a
extremos só ultrapassados por Cristo: "Porque, sendo livre de todos,
fiz-me escravo de todos, a fim de ganhar o maior número possível.
Procedi, para com os judeus, como judeu, a fim de ganhar os judeus;
para com os que vivem sob o regime da lei, como se eu mesmo assim
vivesse, para ganhar os que vivem debaixo da lei, embora não esteja
eu debaixo da lei. Aos sem lei, como se eu mesmo o fosse, não estando
sem lei para com Deus, mas debaixo da lei de Cristo, para ganhar os
que vivem fora do regime da lei. Fiz-me fraco para com os fracos, com
o fim de ganhar os fracos. Fiz-me tudo para com todos, com o fim de,
por todos os modos salvar alguns. Tudo faço por causa do evangelho,
com o fim
130
de me tornar cooperador com ele. Não sabeis vós que os que correm
no estádio, todos na verdade correm, mas um só leva o prêmio?
Correi de tal maneira que o alcanceis" (1 Co 9.19-24).
Sinceramente, convenhamos, Paulo, ao assim proceder,
atingia as raias do sobrenatural, isto é, chegava ao sublime, só
possível àqueles que se consagram a Cristo sem reservas! Que me
diz a consciência quanto a isto? Temos, como pastor que somos,
seguido sem vacilação os passos firmes do apóstolo?
Quando lemos sua enfática declaração: "Todo atleta em tudo se
domina; aqueles para alcançar um a coroa corruptível, nós, porém, a
incorruptível. Assim corro também eu, não sem meta; assim luto,
não como desferindo golpes no ar. Mas esmurro o meu corpo, e o
reduzo à escravidão para que, tendo pregado a outros, não venha eu
mesmo a ser desqualificado" (1 Co 9.25-27); quase sempre
estremecemos, porque, às vezes, o nosso eu, a nossa conveniência
pessoal, está se sobrepondo aos interesses do evangelho; e, "ai de
mim se não pregar o evangelho", como algo que está acima de toda
hum ana excogitação, (imaginação) de modo a poder agradar àquele
que me qualificou! (2 Tm 2.1-7)
No cuidado com a igreja, Paulo era, de fato, o pastor ideal que
dela cuidava e alimentava com desvelo: "De Mileto mandou chamar
os presbíteros da Igreja." E, quando se encontraram com ele, disse-
lhes: "Vós bem sabeis como foi que me conduzi entre vós em todo
/

tempo desde o pri-m eiro dia em que entrei na Asia, servindo ao


Senhor com toda a humildade, lágrimas e provações que, pelas
ciladas dos judeus, me sobrevieram; jamais deixando de vos
anunciar coisa alguma proveitosa, e de vô-la ensinar publicamente e
também de casa em casa, testificando tanto a judeus como a gregos o
arrependimento para com Deus e a fé em nosso Senhor Jesus Cristo.
E agora, constrangido em meu espírito, vou para Jerusalém, não
sabendo o que ali me acontecerá, senão que o Espírito Santo, de
cidade em cidade, me assegura que me esperam cadeias e
tribulações. Porém, em nada tenho a m inha vida por preciosa para
mim mesmo, contanto que complete a m inha carreira e o ministério
que recebi do Senhor Jesus para testem unhar o

131
evangelho da graça de Deus. Agora eu sei que todos vós, em
cujo meio passei pregando o reino, não vereis mais o meu rosto.
Portanto eu vos protesto no dia de hoje, que estou limpo do sangue
de todos” (At 20.17-27). Assim procedendo, ele podia afirmar sem
receio de ser contraditado: "Expondo estas coisas aos irmãos, serás
bom ministro de Cristo Jesus, alimentado com as palavras da fé e da
boa doutrina que tens seguido" (1 Tm 4.6), e concluir exortando-o:
"Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Continua nestes deveres,
porque, fazendo assim, sal varas tanto a ti mesmo como aos teus
ouvintes" (1 Tm 4.16).
No trato com os colegas de ministério, ele foi o maior exemplo
para nós, tanto para com seus auxiliares diretos, imediatos, aos
quais, às vezes, chamava de filhos, como para com todos com quem
privou no exercício do ministério pastoral. "Tu pois, filho meu,
fortifica-te na graça que está em Cristo Jesus. E o que de minha
parte ouviste, através de muitas testemunhas, isso transmite a
homens fiéis e também idôneos para instruir a outros. Participa dos
meus sofrimentos como bom soldado de Cristo Jesus" (2 Tm 2.1-3).
Com este sentimento, ele chegava às vezes a se impacientar, a se
perturbar com a ausência de alguns deles: "Ora, quando cheguei à
Trôade para pregar o evangelho de Cristo, e um a porta se me abriu
no Senhor, não tive contudo tranquilidade no meu espírito, porque
não encontrei o meu irmão Tito; por isso, despedindo-me deles, parti
para a Macedônia" (2 Co 2.12,13). Como andam as minhas relações
fraternais com meus auxiliares? Como anda o meu trato para com
eles? Estou
v
guiando-me pelo exemplo de Paulo?
As vezes, temos auxiliares remotos, algo indireto. Paulo os
tinha também, e no trato com eles, igualmente nos serve de exemplo:
"Encaminha com diligência a Zenas, o intérprete da lei, e a Apoio, a
fim de que não lhes falte coisa alguma" (Tt 3.13).
Há, porém, aqueles que nos são iguais em encargos
administrativos: à nossa semelhança, eles são pastores de igrejas
administrativamente autônomas, o que ocorreu também com Paulo;
e, portanto, dele podemos receber ensinamento precioso no trato com
os nossos iguais: "Catorze

132
anos depois, subi outra vez a Jerusalém com Barnabé, levando
também a Tito. Subi em obediência a um a revelação; e lhes expus o
evangelho que prego entre os gentios, mas em particular aos que
pareciam de maior influência, para de algum modo não correr, ou ter
corrido em vão... e, quando conheceram a graça que me foi dada,
Tiago, Cefas e João, que eram reputados colunas, me estenderam, a
mim e a Barnabé, a destra da comunhão, a fim de que nós fôssemos
para os gentios e eles para a circuncisão; recomendando-nos somente
que nos lembrássemos dos pobres, o que também me esforcei por
fazer'' (Gl 2.1,2,9,10). Sim, ele não era um autonomista
discriminativo, ao contrário, nem mesmo era um "primus inter
pares", e sim era um igual, conforme previa a profecia messiânica:
"Mas és tu, homem meu igual, meu companheiro, e meu íntimo
amigo" (SI 55.13). Não admira que de homem assim proviesse
vitória tão acentuada quanto aquela da igreja primitiva!

• D everes h o rizo n tais a. C om a sociedade

N a ética pastoral, queiramos ou não, há a parte social a que o


pastor deve dar a devida e cuidadosa atenção, a fim de evitar
claudicâncias que poderão ser-lhe fatais. Reconhecemos que o pastor,
embora seja um indivíduo, é, ao mesmo tempo, um ser associativo e
portador de um ministério de caráter social.
Deste modo, ele tem o dever de tratar, em seu pastorado, com
as autoridades do lugar em que está sediada a igreja a que serve.
Paulo ensina-nos o modo ideal para esse trato, quando diz: "Todo
homem esteja sujeito às autoridades superiores, porque não há
autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem
foram por Ele instituídas. De modo que aquele que se opõe à
autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão
sobre si mesmos condenação. Porque os magistrados não são para
temor quando se faz o bem, e, sim, quando se faz o mal. Queres tu
não temer a autoridade? Faze o bem, e terás louvor dela, visto que a
autoridade é ministro de Deus para teu bem. Entretanto, se fizeres
mal, teme; porque não

133
é sem motivo que ela traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador,
/

para castigar o que pratica o mal. E necessário que lhe estejais sujeitos,
não somente por causa do temor da punição, mas também por dever de
consciência, por este motivo também pagais tributos: porque são
ministros de Deus, atendendo constantemente a este serviço. Pagai a
todos os que lhes é devido: a quem tributo, tributo; a quem imposto,
imposto; a quem respeito, respeito; a quem honra, honra" (Rm 13.1-7).
Procedendo deste modo, cada um de nós será sempre e sempre honrado
pelas autoridades.

c. Com os idosos

Outra classe social que o pastor terá pela frente é a velhice dentro
e fora da igreja. Como tratá-la? Paulo o diz claramente ao recomendar-
nos: "Não repreendas ao homem idoso, antes exorta-o como a pai; aos
moços como a irmãos; às mulheres idosas como a mães; às moças como a
irmãs, COM TODA A PUREZA" (1 Tm 5.1,2). A pessoa idosa, em
qualquer lugar, merece um tratamento honroso. Sabemos que a Bíblia
recomenda isto tanto no Novo quanto no Antigo Testamento.

d. Com os jovens

Por outro lado, tem o pastor diante de si a juventude, que requer


muita compreensão, trato e oportunidade para poder ser útil na própria
esfera do seu labor diuturno! O jovem é uma rosa em botão, não pode ser
forçado a desabrochar antes do devido tempo, porque se o for, perecerá!
Neste caso, devemos compreendê-lo como jovem, imaturo, às vezes
impetuoso e barulhento em demasia. Porém, devidamente
encaminhado o seu potencial exuberante, ele poderá tornar-se um valor
maravilhoso à igreja, como o foram Timóteo e Tito. Diz-nos Paulo com
respeito ao nosso trato com o jovem: "Ninguém despreze a tua mocidade:
pelo contrário, torna-te padrão dos fiéis na palavra, no procedimento, no
amor, na fé, na pureza" (1 Tm 4.12). Como poderá o jovem exibir tais
virtudes quando é tratado como um objeto mais do que como um ser
humano? Como poderá ele exibir estas virtudes, repetimos, quando não
se lhe

134
dá oportunidades para provar de quanto é capaz? Daí ser necessário
ao pastor compreendê-lo como jovem, e dar-lhe as oportunidades
frequentes, a fim de que possa provar que aquilo que a igreja lhe
confiou será realizado segundo a vontade de Deus.

e. C om o sexo oposto

Nenhum pastor pode evitar, na vida cotidiana, o convívio com


as pessoas do sexo oposto, e, convenhamos, ele foi, é, e será sempre
em todos os lugares um a prova de fogo para o pastor.
No trato com o sexo oposto, Paulo nos diz algumas coisas
verdadeiramente úteis quanto às viúvas: "Honra as viúvas
verdadeiramente viúvas. Mas se alguma viúva tem filhos ou netos,
aprendam, primeiro a exercer piedade para com a sua própria casa,
e a recompensar a seus progenitores; pois isto é aceitável diante de
Deus. Aquela, porém, que é verdadeiramente viúva e não tem
amparo, espera em Deus e persevera em súplicas e orações, noite e
dia" (1 Tm 5.3-7). As viúvas constituem classe tão importante na
igreja que Tiago as relaciona diretamente com a prática da
verdadeira religião, dizendo: "A religião pura e sem mácula para com
o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas
tribulações, e a si mesmo guardar-se incontaminado do mundo" (Tg
1.27).
No seu trabalho, nas suas viagens ou em seu gabinete deve
m anter integridade moral, observando sempre que os deslizes
morais são protagonistas da desgraça de muitos lares, do escândalo
para o Evangelho de Jesus Cristo, cuja pregação passa pelo caminho
do descrédito e a própria igreja, que se vê privada de seu crescimento
quantitativo, e, consequentemente, privada do atendimento social
quando o desenvolve.
Reconhecemos que todo cuidado é pouco da parte do pastor no
trato com o sexo oposto, porque desde os primórdios da criação,
sempre o sexo foi um a atração natural ao homem e em muitas
oportunidades foi a sua desgraça!

135
D e v e r e s v e r tic a is

O terceiro aspecto da ética pastoral diz respeito aos deveres


verticais, à sua consagração a Deus e à sua comunhão com Ele;
convenhamos que, para o pastor como cristão, este é o aspecto
absolutamente indispensável da ética pastoral; porque ele poderá perder
o céu como pastor, porque podemos distinguir entre ser pastor e ser filho
de Deus.
E ainda neste terreno que Paulo nos serve de importante
exemplo: ele era um homem definido e decidido, com uma linha de
conduta irrepreensível a toda prova.
No que respeita ao seu compromisso espiritual para com Cristo,
ele nos afirma, interrogando: "Porventura procuro eu agora o favor dos
homens, ou de Deus? ou procuro agradar a homem? Se agradasse ainda
a homens, não seria servo de Cristo" (Gl 1.10). Nisto não vai qualquer
exaltarão pessoal nem orgulho humano divisionista, e sim um
comprometimento iniludível e firme, para consigo mesmo e para com
Deus, porque para ele o viver era viver para Cristo (Fp 1.21), e, portanto,
o "ser achado nele" (Fp 3.9) ira seu único objetivo pessoal; porque, por
Cristo, ele havia deixado tudo na vida presente (Fp 3.7,8), fazendo, por
iste motivo, do trabalho de Cristo, a sua única razão de existir no mundo:
"E agora, constrangido em meu espírito, rou para Jerusalém, não
sabendo o que ali me acontecerá, senão que o Espírito Santo, de cidade
em cidade, me assegura que me esperam cadeias e tribulações. Porém
em nada considero a vida preciosa para mim mesmo, contanto me
complete a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus
para testemunhar o evangelho da graça de Deus" (At 20.22-24).
Para Paulo, tudo o que interessava acima de todas as coisas era
manter a comunhão com Deus em Cristo meliante uma obediência sem
reservas à sua vontade. O caminho a seguir para atingir este alvo era
completamente ndiferente para ele; isto ele deixava inteiramente com o
Senhor Jesus, a quem queria satisfazer a todo custo!
Podemos afirmar sem reservas que a consagração de Paulo a
Deus era a razão de sua existência! Sem Cristo na ida, ele era
simplesmente nada! Reconhecemos, sem difi

136
culdades, haver sido Cristo a razão de seu grande êxito na ida espiritual
e no exercido do ministério pastoral.
Que diremos nós a nosso próprio respeito? Como anda
erticalmente a nossa ética pastoral? E Cristo a razão de ser de nossa
existência como pastores? Estaremos entregando-lhe sempre e sem
reservas espirito, alma e corpo? Cstamos nos deixando consumir de zelo
santo por Cristo? -"por que somos pastores? Por que estamos exercendo
o pastorado de uma igreja cristã? Oxalá possamos responder a cada
uma destas perguntas e a muitas outras que poderíamo os acrescentar a
esta lista de um modo convicto, positivo; o que será a nossa completa
felicidade e vitória.
Reconhecemos para concluir, que seguindo o sistema de ética
pastoral exemplificada por Paulo nenhum pastor falhará em seu
ministério pastoral, ao contrário, cada um laqueies que isto fizer, será
mais do que vencedor por iquele que o amou, vocacionou e chamou ao
seu serviço.

7. Clínica Pastoral

Clínica pastoral é um termo moderno, porém sua aplicação é tão


antiga quanto o próprio cristianismo, sendo Jesus o modelo por
excelência àqueles que queiram usá-la na prática com proveito positivo.
Jesus foi um pregador (Mc 1.14), um Mestre (Mt 4.23) 3 um
Terapeuta (Lc 4.18,19) e, para dar continuidade ao seu ministério aqui
na terra, chamou e vocacionou homens a quem deu o nome de apóstolos,
profetas, evangelistas, pastores e mestres (Ef 4.11; Jo 17.18; 20.21; Lc
9.1,2).
Não será diferente para o pastor hoje estar às voltas com as três
facetas do ministério de Jesus: pregar, ensinar e curar (Mt 4.23). Porém,
muitos ministros modernos seguem o estilo dos oradores retóricos dentre
os filósofos dos tempos passados, que se localizam na maioria dos casos
num lugar, entre quatro paredes, tendo um púlpito por local de suas
atividades e um discurso engatilhado para proferir a um auditório
comodamente sentado para ouvi-lo.
Jesus não era deste tipo de pregadores, ao contrário, era o tipo do
arauto, que corresponde melhor ao "kerigma" do Novo Testamento, isto
é daqueles que não tinham púl­
137
pitos nem templos que saíam proclamando as boas-novas a tempo e
fora de tempo pelas ruas, pelas praças, pelos mercados, à beira-mar,
onde quer que estivessem os ouvintes...
E, deste modo fazendo, eles tinham apenas um alvo: pregar a
Palavra, pregar o evangelho, pregar a Cristo, o Salvador, apresentar
o Mestre, o Médico por excelência aos seus ouvintes. Esquecidos de si
mesmos, eles só se preocupam com o ministério recebido de Cristo,
de dar testemunho de Cristo: "De testem unhar o evangelho da graça
de Deus". Não é para adm irar o êxito por eles obtido em seu tempo,
quando, em apenas seis meses de atividades, já haviam enchido
Jerusalém de sua doutrina! quando a Igreja crescia cotidianamente,
e mesmo através de perseguições cruéis, em apenas trinta anos
conforme o testemunho da Epístola aos Colossenses, eles já haviam
evangelizado todo o mundo então conhecido. E não era para menos,
porque eles não eram pregadores que ficavam esperando as portas
se abrirem, ao contrário, eles forçavam as portas, considerando que
elas foram abertas por Cristo e ninguém tinha força para fechá-las!
Quão diferentes deles somos nós da atualidade que, ao invés
de pregarmos a Palavra, com exclusividade, usamos pregar a nós
mesmos, as nossas vitórias, nossas virtudes, nossos feitos notáveis, e
dum modo muito enfático, a nossa vida passada de completa
desgraça espiritual, como exemplo ap modo miraculoso como fomos
salvos...
As vezes, estes relatos humanos são vazados em eloquência
que arrancam lágrimas àqueles que têm vocação para carpidores;
mas, jamais trazem almas e consciências cativas aos pés de Cristo
para salvação!...
Talvez o pastor pense que pregar não é exercer a clínica
pastoral! Sim, e é no verdadeiro estilo cristão! Quantos ébrios
inveterados têm sido libertados da embriaguez! quantos
toxicómanos têm sido transformados e plenamente libertados pelo
poder da pregação do evangelho! quantos corruptos, desajustados
socialmente e mesmo enfermos, sofrendo de doenças infecto-
contagiosas têm sido curados pelo simples contacto com o Salvador
mediante a pregação de sua palavra, que é espírito e vida!

138
Além de pregar, Jesus também ensinava como parte de sua
clínica pastoral. Quantas vezes um toxicômano se chega a nós
carente apenas de instrução diferente daquela a que têm estado
afeito, e, depois de conduzido a Cristo mediante o ensino verdadeiro
de sua Palavra, ele se une a Jesus, liberto completamente de suas
mazelas físicas e morais, e torna-se um ser sadio física, moral e
socialmente!
O pastor nunca deve se esquecer de que na clínica pastoral
existe o valor poderoso da Palavra de Deus e da oração. Nunca
esquecer de que é a verdade que liberta a pobre alma hum ana das
garras aduncas do mais que mentiroso!
Nessa prática, fatalmente encontraremos toda sorte de
enfermos, vítimas às vezes inconscientes da verdadeira chaga
satânica, na maioria dos casos, vítimas diretas do próprio Diabo!
Nem sempre a enfermidade física é o resultado de obsessão
satânica; isto cremos e ensinamos. Mas, se o pastor receber de Deus
o dom de discernir os espíritos, defnitivamente, vai encontrar mais
frequentemente do que espera, a operação direta do Diabo em
muitas enfermidades aparentemente físicas.
Quando falta discernimento no pastor, pode dar-se uma distorção
tão perigosa nos seus conhecimentos dos casos, que ele passa" a ver em
cada enfermidade um demônio operando, quando isto é absolutamente
falso! Haja vista, por exemplo, o paralítico de Cafarnaum, curado por
Jesus, conforme narrado nos evangelhos sinóticos: antes de curá-lo da
paralisia, Jesus perdoou os seus pecados. Por quê? Logicamente a
origem de sua enfermidade não estava no demônio e sim em sua
natureza pecaminosa, o que às vezes acontece em nosso ministério.
Cremos que a maioria das enfermidades sofridas pela
humanidade tem esta origem e não outra! Daí, a carência do
discernimento em cada pastor, e da ausência de julgamento precipitado
das origens das enfermidades, a fim de evitarmos escândalos e até
descrédito ao pastor e ao evangelho, e, o pior: impropério ao nome de
Cristo!
Na clínica pastoral, pode ocorrer com regularidade a aparição das
vítimas sociais, religiosas e até trabalhistas e não apenas
exclusivamente espirituais. E então, por não

139
sermos assistentes sociais ou profissionais diretamente afeitos a tais
problemas, vamos encaminhar aqueles que nos procuram aos
ímpios especializados nesses conhecimentos? Não! Absolutamente
não!!! E nosso dever lidar com eles do mesmo modo como lidaríamos
com problemas de ordem espiritual puramente dito. Do contrário,
como ficará a nossa consciência diante de Deus se enviarmos aqueles
que nos procuram de sua parte, porque somos pastores, àqueles que
os vão submeter a processos diferentes dos processos de Deus? Não
fujamos à nossa responsabilidade! Saibamos que Aquele que
encaminhou a nós casos como esses está conosco, e interessado na
solução dos problemas, do mesmo modo como na vigência da lei, o
leproso não era encaminhado ao médico e, sim, ao sacerdote.
Que diríamos de Jesus, se Ele houvesse mandado Zaqueu aos
fariseus e aos escribas judeus com os seus problemas? Teriam eles
resolvido o problema sócio-religioso-político do rico publicano de
Jericó? Ao contrário, eles o teriam agravado ainda mais! eles o
teriam repelido e o sepultado no ostracismo mediante o excesso de
extremismo farisaico de que viviam complexados!
Jesus convidou Zaqueu a descer do sicómoro, prontificou-se a
pousar em sua casa, e dignou-se a ouvir o rico publicano, e tudo isso
somado resultou em salvação daquele filho de Abraão.
Na clínica pastoral, jamais um pastor deverá rejeitar os casos
que lhe pareçam insolúveis: ao contrário, cada um de nós deve
sempre lembrar que não há impossíveis para Deus! As vezes nos
surge um complexo de suficiência religiosa, semelhante àquele que
foi levado a Jesus pelo "moço rico”, que noutro evangelho é
denominado de "príncipe". Aquele homem, com o propósito de
justificar-se a si mesmo, apresentou-se a Jesus declarando-se um
homem irrepreensível desde a sua mocidade, visto que sempre havia
observado todos os mandamentos e tudo o que lhe interessava era o
que lhe faltava para se constituir herdeiro da vida eterna. Porém, ao
ser-lhe dito por Jesus a única coisa que lhe faltava fazer, ele se
retirou triste porque não se sentia disposto a fazer por si mesmo
aquela coisa que ninguém poderia fazer por ele.

140
Observe-se que este é o único caso em que a clínica pastoral de
Jesus aparentemente falhou porque aquele homem retirou-se triste
de sua presença. Mas nunca devemos esquecer a lei que afirma
"ninguém pode ajudar a quem não quer ajudar-se a si mesmo". Foi o
que aconteceu. Mas isto não significa haver falhado a clínica pastoral
de Jesus, ao contrário, aquele incidente deu-lhe a oportunidade de
m inistrar profunda lição aos seus apóstolos, que ainda instrui a nós
na atualidade.
Ao contrário do caso daquele príncipe judeu, é aquele ocorrido
com os apóstolos de Jesus, que eram vítimas do falso ensino farisaico,
de que todas as enfermidades são congênitas, a saber, são herdadas
dos pais, em razão de seus pecados, ou como ensinavam, são
consequências de hipotéticos pecados praticados pelos seres
humanos antes de nascerem. Eivados deste falso ensino,
perguntaram os apóstolos a Jesus sobre o cego de nascença: "Senhor
quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?' ao que Jesus
lhes disse em resposta curativa: "Nem este pecou nem seus pais,
mas isto é para que se manifeste nele as obras de Deus." Com este
ensino verdadeiro e positivo, eles ficaram curados da distorção
farisaica causada pelo meio ambiente em que viviam e de que
estavam inteirados.
A clínica pastoral é para ser aplicada na prática onde quer que
esteja o pastor e surja um caso de consulta a ele. Mas, de certo modo
mais positivo, é interessante que se estabeleçam locais específicos a
seu exercício.
O gabinete pastoral, por exemplo, é o lugar ideal à sua ação. E
ali, à parte com o Senhor, num ambiente a sós, que o cliente e o
pastor se podem colocar nas mãos de Deus Todo-poderoso, e
buscarem juntos a solução para qualquer problema. Melhor será se o
gabinete for localizado longe da igreja a que serve o pastor, porque ali
outras pessoas, que não sendo membros da igreja, poderão desfrutar
dos conselhos pastorais e ter a sua oportunidade de encontrar, sem
complexos eclesiásticos, a ajuda de Deus na solução dos problemas
que as afligem e, quiçá, serem levadas a Cristo.

141
“Procura conhecer o estado das tuas ovelha; pôe oteu coraçãosobre ogado” (Pv
272)
Mas o templo da igreja local é outro lugar oportuno ao exercício
da clínica pastoral, mormente destinado aos membros de sua ou de
outra igreja que careçam da ajuda do pastor na solução de seus
problemas (At 3.1-6).
Também em suas próprias casas, os membros da igreja ou,
outros necessitados poderão recorrer aos serviços pastorais a
qualquer hora do dia, visto que o pastor é obreiro de tempo integral.
Seguindo o exemplo de Jesus no exercício da clínica pastoral,
nenhum de nós pastores, novos ou velhos, jamais teremos por que
recear fracasso! Jesus, nosso modelo, jamais fracassou, e jamais
fracassarão aqueles que o imitarem de boa fé no exercício do
ministério.

143
V
O Pastor
Como Administrador

v
As vezes perguntamos por que certas igrejas têm tantos
problemas inesperados e não poucas surpresas desagradáveis?
Como pastores que somos, por que nos apanham desprevenidos com
tanta frequência? Não seria muito difícil responder a estas
perguntas quando reconhecemos que isto acontece porque em nossa
avidez para iniciar um programa de trabalho n a igreja, não
preparamos adequadamente as pessoas que nos ajudam para
executarem as tarefas.
A experiência nos adverte que não basta ao pastor ser um
excelente pregador ou ensinador da Palavra, mas que seja apto para
administrar o rebanho do Senhor, porque aquele que não sabe
conduzir convenientemente o seu próprio lar (1 Tm 3.4,5) por
conseguinte não terá sucesso à frente da família espiritual da igreja.
O pastor como administrador deve lembrar-se de que as
tarefas de um a igreja não podem ser executadas unicamente por ele.
As pessoas constituem-se no maior trunfo daquele que administra, e
o seu sucesso será medido segundo sua habilidade em dirigir,
motivar e criar um meio
145
ambiente estimulante para os membros da igreja. E quando a igreja
estiver operando mal, o problema quase sempre pode ser atribuído à
m á orientação dos que administram.
A habilidade do pastor em adm inistrar implica em estabelecer
um a atmosfera na qual os membros da igreja serão entusiásticos e
atuarão com boa vontade no desenvolvimento da obra do Senhor.
P ara que esse espírito os domine, é necessário que os membros
confiem na habilidade do pastor, reconheçam e se convençam da
sinceridade de seus objetivos, e que é do interesse deles executar a
obra.
Administrar, portanto, não é executar um sem-fim de coisas,
não é realizar todas as tarefas, mas fazer com que todos participem
do trabalho. Nosso Senhor Jesus Cristo sempre se utilizou de
princípios fundamentais da administração, como podemos observar
nos exemplos vistos nos Evangelhos, quer seja na escolha dos doze
apóstolos para o ajudarem (Mt 10.1-4), ou no envio dos setenta (Lc
10.1), ou mesmo quando alimentou as cinco mil pessoas (Jo 6.1-14).
O pastor bem preparado observará algumas regras práticas de
administração, determinando os alvos a serem estabelecidos. Para
isso é preciso que planeje, estipulando os objetivos e as prioridades. O
planejamento o levará ao roteiro das atividades do seu agitado dia.
Além disso, deve:
1. desenvolver suas qualidades de liderança, conhecendo o seu
próprio trabalho e o daqueles que trabalham com ele;
2. tomar decisões rápidas, demonstrando integridade e justiça;
3. demonstrar entusiasmo e perseverança para observar os
horários, m anter o orçamento e alcançar outros objetivos;
4. através do planejamento, demonstrar que sabe aonde está
indo e que alcançará o alvo;
5. m anter um a atitude agradável e deixar que os irmãos
participem do planejamento e da tomada de decisões,
envolvendo-os;
6. delegar responsabilidades e dividir a responsabilidade pelos
erros. Ao desenvolver sua equipe, o pas

146
tor deve explicar com toda a clareza o trabalho a ser feito,
treinar o pessoal e supervisionar o trabalho. N a delegação,
deve ter consciência de que o irmão pode fazer melhor o
trabalho a executar, em menor tempo, com menos gasto e
que se constituirá em seu próprio desenvolvimento
espiritual;
7. fazer um a ação corretiva quando o planejamento se
descontrolar, reconhecendo, porém, as façanhas
publicamente dos que trabalham com ele, criticando-os
construtivamente em particular.
8. impor disciplina e ao mesmo tempo m ostrar um interesse
ativo pelos que o ajudam a alcançar os objetivos
estabelecidos;
9. coordenar as atividades para poder obter bons resultados,
deixando que as pessoas saibam das mudanças ou
desenvolvimentos que as afetará, antes que aconteçam;
10. ser um bom ouvinte, aceitando de bom grado as sugestões
para melhorias, avaliando honestamente cada sugestão;
11. receber as reclamações tratando-as de maneira positiva,
verificando se a reclamação é ou não um sintoma geral.
12. colocar pessoas capazes à sua volta, ajudando-as a evoluir, e
nunca se interpor no caminho daqueles que procuram
progredir em sua vida espiritual.

1. M u d an ça de P asto rad o

Aqueles que assumem o pastorado de um a igreja devem


lembrar-se de que um a mudança brusca nos planos e na
organização da igreja pode se tornar um a experiência traumática
para os membros conservadores. Aqueles que já se acostumaram
com os hábitos e costumes do antecessor levantarão dúvidas a
respeito das mudanças repentinas, suscitando discussões com o
grupo, e fatalmente resistirão às modificações "que consideram
desnecessárias e prejudiciais" para os melhores interesses da igreja.
"Se o pastor ficar sentido, pensando que estes membros não
querem cooperar com a igreja, e insistir na
147
necessidade imperiosa dos seus planos por causa das fraquezas da
igreja, as discussões podem resultar no desenvolvimento de um
plano que visa o afastamento do pastor. (1)
Diz-nos Crabtree que um sábio pastor, de muitos anos de
experiência, deu o seguinte conselho a um jovem pastor que acabara
de aceitar o pastorado de um a boa igreja: "Não faça mudanças nos
planos e na organização da igreja no primeiro ano do seu serviço
pastoral. Dedique-se à pregação e às atividades pastorais. Depois de
inflamar o espírito do seu povo com o fervor das suas exposições das
Escrituras, e quando a igreja chegar a conhecê-lo e confiar na sua
orientação, pode sugerir novos planos como meios de aum entar a
eficiência e o serviço da igreja." Completa, dizendo que embora seja
um bom princípio, não é aconselhável praticá-lo em todos os casos,
pois existem igrejas "instáveis e perturbadas que carecem de estudo
e modificação sem demora, para preservar e m anter a sua
integridade e melhorar o seu serviço".
Outros jovens pastores mais afoitos, egressos de um seminário,
ainda com a impetuosidade própria da juventude e daqueles que
desejam pôr em prática tudo o que aprenderam nos bancos do
seminário, ensaiam imediatamente uma demonstração de suas
qualificações superiores, e iniciam mudanças imediatas como se a
igreja tivesse sido mal orientada pelo seu antecessor.
A impaciência o torna ríspido e desagradável, e não faz questão
de ser simpático exalando ar de pedantismo espiritual. Os seus
pastores colegas o têm em grande conta com a sua linguagem eivada
de termos bem empregados. Cheios de normas, raram ente pede a
opinião de quem quer que seja para elaborá-las. Por se considerar o
dono da verdade, a sua palavra sempre é a última e a única capaz de
salvar a igreja de sua derrocada final. Engana-se, porque isto
significa falta de segurança gerada pela pouca vivência dos
problemas de administração, especialmente no trato com valores
espirituais.
Antes de operar qualquer modificação, deve estudar com
extremo cuidado as características e peculiaridades

()a.R. Crabtree
148
da igreja, considerando os hábitos e costumes tradicionais,
descobrindo as potencialidades dos membros da igreja, aplicando um
processo corretivo cauteloso, e difundindo o espírito de harmonia e o
amor fraternal no seio da congregação. Deve, ainda, integrar-se aos
movimentos internos e conhecer a formação histórica da igreja para
melhor orientar o rebanho em novos empreendimentos.

2. T o m ad a de D ecisões

Este é um ponto alto das tarefas do pastor na administração,


da igreja. Cabe a ele decidir o que deve ou não ser feito. E
exatamente em função das decisões tomadas que o pastor costuma
ser julgado, e são elas que irão influir, de modo marcante, em toda a
sua vida ministerial.
Embora a arte de tom ar decisões seja quase sempre um "dom
natural", deve-se levar em conta que existe um a série de fatores que
devem e podem ser aprendidos.
Também, aquele que administra os bens do seu Senhor não
pode conviver com a indecisão. Saber agir com precisão e rapidez é,
sem dúvida, muito importante no desempenho de seu trabalho; mas
muitos erros podem ser cometidos porque a pessoa não meditou
profundamente sobre o assunto, deixando-se influenciar pelo
impacto do momento.
"A lentidão em tomar decisões é muitas vezes uma qualidade
oculta, pois permite meditar bem sobre cada fator, o que proporciona
maior margem de segurança quanto ao sucesso da medida tomada."
Afim de não ser traído na decisão que tomar, estribado
unicamente no conhecimento dos fatos de uma questão, para ajudar o
pastor, apresentamos uma sequência lógica nos seguintes passos:(2)
1° defina claramente a situação que requer a decisão;
2° enuncie os objetivos;
3° reúna todos os dados que forem pertinentes;
4° estude todos os cursos possíveis para a ação;
5° considere todas as consequências negativas e positivas que
possam advir de sua decisão;

(2) Autordesconhecido
149
6° escolha o caminho onde esteja envolvido o menor número de
consequências negativas e que tenha condições de levar
mais perto da realização do objetivo;
7° tome a decisão e cuide para que seja executada.
Mas quando a ação se torna necessária, um a ausência de
decisão poderá se constituir num a jfrave omissão, pois ”o tempo não
irá resolver a situação. E preferível um a decisão errada do que
nenhuma”, porque já desencadeou um processo, o qual poderá ser
corrigido mais adiante.
M uitas decisões ainda são tomadas fora da ordem, pois não são
inteiramente independentes, exigindo que outras sub-decisões as
acompanhem. Dificilmente se oferecem de um a vez todos os
elementos necessários para se tom ar um a decisão, e as informações
adicionais são muito valiosas na maioria das vezes.
Por outro lado, um a tomada de decisões, um descuido com
relação a alguns fatores, poderá resultar num a decisão pouco firme.
As vezes, é melhor extinguir um cargo na igreja, com a demissão de
seu ocupante, do que preenchê-lo com outra pessoa. Deve o líder,
também, pedir a opinião de várias pessoas, num a tentativa de
dividir a responsabilidade das decisões, especialmente em reuniões,
seja com o seu pessoal ou colegas de ministério.
Assim, tom ar um a decisão não signifca term inar o trabalho,
mas desejar que se produzam os resultados esperados. E a
comunicação das decisões aos seus subordinados é muito
importante, para que não surjam malentendidos e se crie um
ambiente desagradável no próprio seio da igreja.

3. A d m in istran d o o T em po

O homem é um ser que se comunica com seus semelhantes,


mais do que qualquer outro animal: ele fala, lê, conversa, escreve,
gesticula e transmite ideias e, segundo especialistas mais de oitenta
por cento das atividades hum anas são formas de comunicação. E o
que abraça o ministério deverá saber conciliar essas formas com seu
próprio tempo.

150
O tempo do pastor nas atividades da igreja é precioso e será
m ais ampliado se souber administrá-lo. Moisés, no deserto,
estava desfalecendo (Ex 18.14) pela sobrecarga de trabalho sem
delegação de poderes e a falta de adm inistração de seu próprio
tempo.
Com a ajuda de boa organização o rendim ento do trabalho
do pastor será melhor. O segredo é dispender de seu expediente,
um mínimo de esforço, adotando algum as medidas como:(3)
1° atender as pessoas cujos problemas transcendam a
competência dos pastores auxiliares;
2° estabelecer horários de atendim ento pastoral e não
perm itir que ninguém entre n a sala sem ser anunciado;
3° contar com os auxiliares no encam inham ento das
pessoas às áreas competentes, evitando que o pastor
atue como elemento de triagem;
4° não perm itir ser interrompido na sala constantem ente
nos atendim entos às pessoas;
5° nos atendim entos telefônicos, dispor de um ram al restrito
para seu uso exclusivo e um irrestrito na m esa dos
assistentes. O ram al restrito deve ser para aquelas
pessoas que não podem ser enquadradas nos horários
estabelecidos;
6° evitar tratar, concomitantemente, m ais de um assunto;
7° program ar reuniões periódicas, com agenda divulgada
aos participantes, verificando se os assuntos a serem
discutidos realm ente devem ser objeto de discussão em
grupo;
8° não perm itir interrupções nas reuniões por cham adas
telefônicas, solicitando aos assistentes o uso do bilhete,
para que o pastor decida sobre o atendimento;
9° adotar o uso de agenda que facilita o estabelecimento de
prioridades e o planejam ento e controle dos trabalhos;

Io
151
10° instalar um interoomunicador para contatar seus
auxiliares, evitando deslocamentos desnecessários;
11° planejar a distribuição de seu tempo diário a seu arbítrio;
12°liberar-se para funções mais nobres, delegando as que o
sobrecarregam.

152
VI
O Pastor como
Líder

1. O que é L id erança?
Segundo os mais renomados didonários, "Liderança" é a forma
de denominação baseada no prestígio pessoal do líder e aceita pelos
liderados. Vem a ser a ascendência e autoridade de um indivíduo
sobre o grupo.
O surgimento de um líder é um fato natural, pois as pessoas
têm necessidade de ter alguém que as represente, e comumente ele é
apresentado como aquele que "conhece o caminho" "mostra o
caminho" ou "segue o caminho".
Liderança é, pois, um comportamento, e nunca um fato
isolado. Os líderes são aqueles que maximizam suas recônditas
potencialidades. William Jam es diz que "o indivíduo comum não
desenvolve nem 10% do seu potencial inato. Se puder um homem
maximizar o potencial de sua memória, poderá dominar quarenta
línguas diferentes".
O líder cristão é aquele que aceita suas responsabilidades,
mesmo que signifique um fardo demasiadamente pesado, mas está
disposto a servir à causa, sabendo que sua autoconfiança se origina
de um a fé profunda em Deus,
155
que o chamou para cumprir seu desígnio em sua igreja aqui na
terra.

2. C onceitos B ásicos S obre a L id eran ça d a Ig reja

Desde o princípio, foi impossível a um homem só carregar a


carga de todo o rebanho e alimentá-lo adequadamente (At 6.1), e
hoje, muito menos, poderá fazê-lo, pois ficará altamente
"desprotegido quanto aos ataques da soberba, da inflexibilidade do
coração e dos extremismos que perseguem o rebanho".
O pr. Renato Cobra, em um de seus trabalhos, descreve alguns
conceitos básicos sobre a liderança da igreja, excluindo as
conveniências e tradições religiosas, atendo-se unicamente à Bíblia
Sagrada, nossa única regra de fé.

2.1 A P lu ralid ad e d a L id eran ça


/ A

a. E ensinada em Exodo 18.13-26, quando Jetro instruiu seu


genro, Moisés; num dos exemplos mais notáveis do Antigo
Testamento. Em At 11.30; 15.4 e 20.17 vemos um ministério
colegiado.
b. Sendo a Igreja de Jesus Cristo, Ele exerce, como cabeça, o
governo através de homens que Ele mesmo capacita e que
são reconhecidos pela igreja como líderes espirituais e cheios
do Espírito Santo (At 20.28; 1 Pe 5.1-4).
c. A pluralidade é irrefutável no Novo Testamento. No Novo
Testamento encontramos vários exemplos de pluralidade na
liderança da igreja, pois ela é o princípio fundamental para
sustentar o equilíbrio, a harmonia e o crescimento da igreja
local:
aAntioquia (At 13.1,2; 14.21,23)
b. Creta (Tt 1.5)
c. Derbe (At 14.21,23)
d. Diáspora (1 Pe 1.1; 5.1)
e. Efeso(Ef4.11)
f. Filipos(FpLl)
156
g. Hebreus (Hb 13.7,17)
h. Icônio (At 14.21,23)
i. Jerusalém (At 11.30; 15.4,6,22)
j. Listra (At 14.21,23)

2.2 A Unanimidade da Liderança

Assim como a multiplicidade de membros de nosso corpo forma


uma unidade, o mesmo sucede com o corpo de Cristo: não há acepção de
pessoas. O Espírito Santo encaixou-se todos juntos num só corpo (1 Co
12.12-27). E como um corpo, embora de muitos membros, não podemos
agir com base em divisões entre maiorias e minorias.
O Novo Testamento descreve a Igreja como a "Assembléia de
Deus", convocada por Jesus Cristo, para cumprir seu propósito aqui na
terra e comprometida com um procedimento caracterizado pela:
a. unidade do Espírito (Ef 4.3);
b. mutualidade no serviço (um membro servir a outro usando os
dons do Espírito Santo (1 Co 12.24-27; lPe4.10);
c. unanimidade em:
• coração e alma (At 4.32)
• oração (At 1.14; 4.24)
• reuniões (At 2.46)
• sentir (Rm 15.5,6; 12.26)
• pensar (Fp 2.2; 4.2; 3.15; 1 Pe 4.1)
• falar (1 Co 1.10)
• decidir (At 1.26; Tt 1.5; At 13.1-3)

3. Estilos de Liderança

O termo liderança tornou-se tão desgastado e confuso que vem


sendo usado como qualquer tipo de influência de um indivíduo sobre
outro, podendo ir desde a persuasão lógica até a mais brutal dominação
física.
Atualmente, surge uma nova interpretação de liderança. Vários
autores procuram evidenciar o problema através de seus conceitos.
"Talvez, ansiosos por encontrarem uma definição para liderança,
os teóricos da administração tentem visualizá-la em termos de estilo. Ao
usarem uma expressão tão
157
ampla, com certeza buscam descrever a maneira como a pessoa opera, e não
o que ela é (1)
Não tem cabimento, então, falar-se de líder "nato" ou "qualidade de
líder", uma vez que tão somente a circunstância dirá que membro de grupo,
naquela ocasião, é o mais indicado para assumir a liderança. Estilo, assim,
vem a ser o "somatório do tipo de ação desenvolvida pelo líder no
cumprimento de sua liderança, e a maneira como o percebem os que ele
procura liderar, ou os que podem estar observando de fora".
Dentro da organização, podemos ter os seguintes estilos desenvolvidos
pelo líder:

a. Autocrático

Esse estilo desestimula inovações, pois o autocrático vê-se a si próprio


como indispensável e deixa que o grupo vá debilitando através de debates
sobre questões sem importância. Porém, as decisões importantes são
tomadas por ele.

b. Burocrático

Esse estilo pressupõe que qualquer difculdade pode ser afastada


quando todos acatam os regulamentos, e o líder é uma espécie de negociador
entre as partes e a tomada de decisão resulta de um critério parlamentar.

c. Democrático

Nesse tipo de ambiente o líder pede e leva em consideração as opiniões


do grupo antes de tomar decisões; a responsabilidade é compartida pelo
grupo. O líder dá explicações e aceita críticas. Os membros do grupo têm
liberdade para o trabalho e a escolha dos subgrupos e coordenadores
respectivos.

d. Laissez-faire

Não chega este a se constituir propriamente um estilo, pois a função


do líder restringe-se apenas na tarefa de ma-

(ÓLiderançaCristã,abril/32

158
nutenção. Por exemplo, um pastor estará sujeito a exeroer uma
autoridade apenas nominal à medida que a liderança mostrar-se
interessada somente em sua negação, enquanto que os pormenores de
que depende a organização são deixados para outros executarem.

e. Paternalista
/

Nesse estilo, o líder é cordial e amável. E muito adota-do nas


igrejas e, por isso mesmo, produz indivíduos imaturos depois de certo
tempo porque desenvolve o crescimento apenas dos líderes e não dos
elementos do grupo.

e. Participativo

Na estrutura participativa há um grau elevado de relações


interpessoais saudáveis, e os membros demonstram grande
identificação com o grupo. Há mais amizade, maior conhecimento dos
antecedentes, habilidades e interesses dos demais membros, motivação
mais intensa pelo trabalho e os subgrupos espontâneos são em maior
número. Aqui o problema é a demora da ação em tempos de crise.

3. Diretrizes Para uma Excelente Liderança

Se o líder não tem confiança em si mesmo, ninguém mais lhe


dedicará confiança. "A confiança tem de permear o grupo e tem de partir
primeiro dos líderes. Em todas as fases tem que haver uma segurança
bem sólida, uma convicção de competência baseada na preparação e
numa acumulação gradual de experiência e talento." E se o líder não se
sente pessoalmente capaz de superar um trabalho superior ao seu, não
conseguirá convencer os outros de sua habilidade.
Em sua vida ministerial, o pastor lidará exclusivamente com
problemas e pessoas, e, por isso mesmo, afio poderá deixar rastros
confusos ou enganadores, pois será interpretado em suas ações e caráter.
No caso, os membros da igreja sentir-se-ão seguros, quando o pastor
revelar coerência de motivos e apresentar caráter íntegro e impareis
lidade nos julgamentos.

159
4 .1 T r a ta n d o d a s C a u s a s P e s s o a is

a. O pastor deve ser acessível e estar sempre disponível para


atender os membros da igreja.
b. Mesmo que não esteja de acordo com o que ouve, mostre-se
simpático com a pessoa ouvida.
c. Não atue de modo precipitado enquanto não estiver de posse
de todos os fatos, para fazer um julgamento correto.
d. Deixe transparecer interesse e amor cristão, orando com as
pessoas com quem trabalha.
e. Esteja preparado para agir de m aneira corajosa.
f. O verdadeiro problema nem sempre está na primeira
queixa, sendo prudente isolar o problema, ao ouvi-lo.
g. Peça à pessoa interessada para lhe dizer o que ela pensa que
seja a resposta ou solução do problema.
h. Porque o nosso falar deve ser sim, sim; não, não, devemos
cumprir com a nossa palavra na solução de um problema
de um membro da igreja.

4.2 T ra ta n d o d a s C ausas C oletivas

a. M antenha sua igreja informada, para não o criticarem após


saberem do fato depois de consumado.
b. Deixe que o pessoal com quem trabalha perceba que você
sabe que haverá problemas - assim não se surpreenderão
quando surgirem.
c. Pesquise formas de antecipar e interceptar o curso dos
problemas.
d. Perm ita que as pessoas apresentem as suas ideias e
enfrentem coletivamente as áreas do problema.

Além disso, deve o pastor aprender a tirar vantagem dos


próprios erros; isto evitará que cometa o erro por duas vezes.
Entre outras coisas, deve o pastor:
a. ser humilde para admitir que está errado, e corri-gir-se;

160
b. falar bem das outras pessoas;
c. ficar calado quando não se pode dizer nada de bom de outrem;
d. não passar adiante os boatos, para não incriminar o inocente;
e. fazer uma apreciação honesta e sincera, dando o devido crédito a
quem merece;
f respeitar sempre o direito dos outros - o que sentem, o que pensam e
expressam;
g. ser um bom ouvinte;
h. procurar compreender e sentir o que a outra pessoa sente no
momento, e aceitá-la plenamente;
i nunca forçar uma relação, pois a condição de líder
pode deixar as pessoas pouco à vontade.

5. O Preço da Liderança

Toda liderança tem o seu preço, pois quanto maior for a conquista,
maior será o preço a pagar.
Belo exemplo vemos na história de Moisés, que, revoltado com a
brutalidade dos egípcios e a triste sorte de seu povo, compreendeu que algum
dia seria obrigado a defender a justiça a despeito de quaisquer sacrifícios
pessoais que isso envolvesse. Preferiu liderar um povo pelo deserto do que
ser chamado filho da filha de Faraó, porque tinha em vista a recompensa
(Hb 11.24-26).

Vejamos alguns aspectos considerados de custo elevado para os que


ostentam uma liderança, especialmente os que se dispõem ao exercício do
ministério:

a. Abuso do poder

Em qualquer organização, inclusive nos grupos cristãos,


quando uma pessoa recebe autoridade, é colocada numa
posição legítima para exercer controle e eficiência. Para muitas
pessoas, entretanto, isso é uma exaltação do ego e leva à
autocracia.
O pastor, na sua condição de líder, é um condutor de
almas, e não "dono" delas. Herodes, o Grande, subiu ao trono e
o conservou por meio de crímei brutais; matou a esposa e dois
filhos para não lhe

161
sucederem. Matou também os meninos de Belém.
Muitos, em posição de mando, estão a tratar as pessoas como
objetos que podem ser manipulados de um para outro lado, a fim de
satisfazer seus instintos de supremacia. Isto é um perigo, e há de se
pagar o preço para se evitar cair nessa insidiosa tentação.

b. Crítica

Se alguém não pode suportar a crítica, ainda está


emocionalmente imaturo. Esse defeito virá à tona mais cedo ou
mais tarde, e impedirá o progresso do líder e do grupo em direção ao
alvo comum.
O líder amadurecido é capaz de aceitar a crítica e fazer as
necessárias correções.

c. Competição

Há um preço a pagar quando o líder sofre de uma "ansiedade de


competição", que assume a forma de fracasso ou medo do êxito.

d. Fadiga

O cuidado adequado com a saúde, o descanso e o equilíbrio


ajudarão o líder a manter a sua capacidade de resistência. Deve o
líder buscar o equilíbrio a fim de reduzir o estresse em sua vida, tão
prejudicial à continuação de seu desígnio.

e. Identificação

Deve permanecer à frente do grupo e, ao mesmo tempo,


caminhar com o povo que lidera. A linha divisória e ténue. Deve
haver alguma distância entre o líder e seus seguidores. Isso significa
que ele deve desejar ser humano, aberto e honesto, e não ser visto
como um autómato, com receio de que o seu verdadeiro ego
apareça.
Precisa identificar-se com o povo, gastar tempo em conhecê-lo,
compartilhar suas emoções, vitórias e defeitos.

162
£ Orgulho e inveja

Estes são irmãos gêmeos. A popularidade pode afetar o


desempenho da liderança. Sentimento de infalibilidade pode
corroer sua eficiência. O orgulho se torna egoísmo quando
enaltecemos a nós mesmos. O líder orgulhoso aceita facilmente
a racionalização de que está menos sujeito a cometer erros do
que os outros.

g. Rejeição
/
E preciso ter uma forte personalidade para o líder ser capaz de
enfrentar a rejeição. Sempre há forte possibilidade de alguém
ser caluniado por sua fé. Também às vezes o pastor precisa ser
capaz de resistir ao louvor. As pessoas normais e ajustadas
querem ser amadas. Pode tornar-se um caminho difícil para
palmilhar se o pastor sente a indiferença dos membros de sua
igreja ou a falta de afeição. Muitas pessoas rejeitadas só têm o
reconhecimento de sua força depois que tenham deixado o cargo
ou morrido (Lc 4.16-29).

h. Solidão

O pastor deve ser capaz de aceitar amizades, mas deve ser


suficientemente amadurecido e ter bastante força interior para
estar só, mesmo em face a grande oposição (Mt 27.46).

i. Tempo para pensar

Muitos estão tão ocupados (Lc 10.41) que não têm tempo para
pensar. Um tempo deve ser dedicado à meditação e ao
pensamento criativo.

j. Tomar decisões desagradáveis

O líder cristão muitas vezes tem problemas nessa questão,


porque são naturalmente relutantes em ferir as pessoas.
Todos os líderes devem estar bem dispostos a pa-
163
gar este preço para o bem da igreja; mesmo frente ao
procedimento de disciplina do membro.

1. Utilização do tempo

Há preço a ser pago no uso de nosso tempo, porque parece que


nós, seres humanos, nascemos com preguiça congênita.
Administrar o nosso tempo significa administrarmo-nos a nós
mesmos. Deve incluir um tempo para estar a sós com Deus,
para orar, estudar a Palavra de Deus, examinar-se a si
mesmo, tomar decisões e reanimar-se.

6. As Qualificações Necessárias de um Líder

1. Fé (aceita os desafios do momento)


2. Coragem (não cede aos derrotistas)
3. Amor (deve ser imparcial para produzir confiança mútua em
seus seguidores)
4. Determinação (toma decisões quando outros vaci-lam)
5. Humildade (admite seus erros. "E uma virtude que resulta do
sentimento de nossa submissão")
6. Paciência (Lc 21.19; 2 Co 6.4; Hb 10.36)
7. Entusiasmo (inclui o otimismo e a esperança)
8. Benignidade (aplicação do amor fraternal)
9. Competência (exige de si elevados padrões de desempenho
pessoal)
10. Confiança (SI 40.4)
11. Disciplina (é capaz de dirigir outros porque disciplinou-se a si
mesmo)
12. Integridade (transparente em suas atitudes e relações)
13. Espírito de servo e capacidade administrativa
14. Persistência
15. Objetividade (não se interessa somente por atividades, mas
procura atingir os objetivos)
16. Treinamento (a Igreja de Jesus Cristo precisa de líderes sadios,
sábios e objetivos)
17. Persuasão (persuade seus liderados a se dedicarem)

164
18. Tolerância (o líder deve ter como meta mudar o quanto puder,
e tolerar os demais)
19. Lealdade (pode destruir a igreja)
20. Humor
21. Disciplina própria (Pv 16.32)
22. Prudência (evita os perigos)
23. Temperança (moderação, sobriedade, economia)
24. Justiça (dar a cada um o que lhe corresponde)
25. Reconhecimento (méritos de terceiros)
26. Controle emocional (não extravasa)

7Aperfeiçoando o Líder

Apresentamos alguns itens que devem ser desenvolvidos na vida


do líder, para tornar-se padrão de boas obras (Tt 2.7) e cumprir de forma
irrepreensível o seu ministério.
1. A vida e palavras do líder (o propósito deve ser servir, e não ser
servido).
2. Deve procurar sempre a glória de Deus e nunca a sua própria
(Jo 5.44).
3. Ter como base de relacionamento o amor.
4. Conhecer as maneiras de motivar o grupo, a fm de que este
possa desempenhar o seu papel no plano de Deus aqui na terra.
5. Cortesia, cuja finalidade é respeitar os direitos, opiniões e
sentimentos das outras pessoas.
6. Sinceridade (nada de oportunismo).
7. Apresentar um bom senso de humor, sorrir quando necessário
e expressar amor, confiança e compreensão no tom da voz e na
expressão facial.
8. Tratar os irmãos com candura, diplomacia e tato, não perdendo
o controle da voz ou falar fora de turno.
9. Ter controle emocional, revelado no fruto do espírito: não pode
transmitir medo, ódio, inveja, avareza, desconfiança, ira, etc.
10. Expressar-se afetivamente em público.
11. Ser hábil em incentivar e inspirar outros a executarem o seu
trabalho.
12. Tomar interesse sincero nos detalhes da vida de seus
superiores, pares e cooperadores.
165
VII
Código de Etica Pastoral

A Ética nos ensina que, "sendo a veracidade a base de todo o


bom intercurso entre os homens, a lei de conservação social exige de
todo homem obediência estrita a esta lei em todas as relações com os
seus semelhantes (1) O colega de ministério é nosso irmão e nosso
próximo também (Lv 19.18; Lc 10.29) e, como tal, devemos-lhe
respeito e dever de conservação de seu caráter e reputação, para
um a pura e tranquila consciência com Deus (Rm 13.7).
No trato com os colegas de ministério, as epístolas pastorais
/V

nos dariam um verdadeiro código de ética, justapondo-se Exodo 20.1­


17 e Mateus 5.7.
E como o pastor é um vocacionado por Deus, ele recebe dons
espirituais a fim de produzir a unidade, a maturidade e a perfeição
da igreja. O pastor é um presente de Deus à igreja, e a Sua vontade é
o "aperfeiçoamento dos santos para a obra do ministério, para
edificação do corpo de Cristo" (Ef 4.12).
Dessa forma, como aquele que é dotado de conhecimentos, com
a faculdade de consolação e entendido em governar, movido pelo
sentimento de compartir as alegrias

QLangston

167
ou tristezas de outrem e outras qualidades imanentes à sua
chamada, o pastor deve ficar no firme propósito de que tudo o que
fizer deve ser voltado para que a igreja possa crescer
espiritualmente, executando a missão de Jesus Cristo (Ef 2.21,22),
pois Deus a Ele constituiu, sobre todas as coisas, como cabeça da
Igreja (Ef 1.17-23).
A glória e a honra do sucesso ministerial são só do Senhor
Jesus, porque todas as coisas procedem dele (Rm 12.4-8; 11.35; Gl
2.6; 6.3; 2 Tm 6.17b), e "a Ele seja a glória e o poderio para todo o
sempre” (1 Pe 5.11; Ap 1.6), porque há de aniquilar a morte, o nosso
último inimigo, e se há de sujeitar Aquele que a Ele, sujeitou todas as
coisas (1 Co 15.26-28).
Sendo o ministro homem separado para cumprir o propósito
de Deus na Igreja, porém sujeito às paixões da carne (Rm 7.15-23),
deverá vigilantemente observar alguns princípios de ética,
condensados neste pequeno código, que lhe farão exemplo dos fiéis.

1. P rin cíp io s B ásicos

a. O pastor deve estar consciente de que seu ministério é um a


vocação divina, e que o alcançou não por seus próprios
méritos, mas através da convicção de sua chamada por Deus
(Ef 3.7; Hb 5.4; 2 Co 3.5,6; Gl 1.15,16; M t 4.21; 1 Tm 1.12).
b. O pastor, apesar da posição elevada que exerce, deve sempre
lembrar-se de que está na condição de servo do Senhor Jesus
Cristo (Tt 1.1; Fp 1.1; 2.7; Ap 22.3; At 9.15,16).
c. O pastor, como mordomo de seu tempo, deve administrá-lo
exercendo pleno domínio sobre o seu uso, e com denodada
sabedoria (Gn 24.2; 39.4-6; Lc 12.42-44; E f 5.15,17).
d. Como o único que pode manchar o seu próprio caráter, deve
o pastor "garantir, por sua conduta, a melhor reputação
possível do ministério pastoral" (Jo 1.47; 2 Pe 3.14; 1 Tm
3.2,7; Cl 1.22; Fp 2.15).
e. Por ser a atividade pastoral estritamente de cunho
espiritual, a sua mensuração deve ser quali­

169
tativa e serviçal, e nunca voltada para o lucro fi-nanceiro (Jo
4.34; 6.27; At 5.3,4; 8.20).

2. A É tica d a V ida do P a sto r


2.1 P essoal
a. O pastor deve conservar-se fisicamente saudável e viver no
equilíbrio do sentimento, porque o corpo é o templo do
Espírito Santo para que possa cumprir a gloriosa missão que
lhe foi confiada por Deus nesta vida (1 Co 6.19; 2 Cr 20.32; 2
Tm 4.7; Rml2.1).
b. O pastor deve cultivar seu crescimento espiritual diário,
orando, estudando, meditando e possuindo um coração cheio
do fruto e dons do Espírito Santo de Deus e consagrar toda a
sua vida ao trabalho do Evangelho (Jo 21.15-17; 2 Co 5.7; Hb
12.14; 1 Ts 5.14; Gl 5.22; 1 Co 12.1-11,30,31; 13.1-9).
c. O pastor deve abster-se dos costumes rudimentares
adquiridos que prejudicam a eficácia de seu ministério ou na
sua influência pessoal (Hb 5.12; 6.1; Gl 4.9).
d. O pastor deve esforçar-se para viver dentro dos limites de
seu orçamento e com honestidade saldar integralmente seus
compromissos financeiros (2 Co 8.20,21; 12.14; M t 22.21; Rm
13.8).
e. O pastor deve ter o coração cheio de confiança na providência
paterna de Deus, em todas as circunstâncias, sabendo que
esta é a vontade dEle para sua vida (1 Co 1.8-10; D n 3.17,18;
M t 6.30; 1 Ts5.18).
f. O pastor tem o dever fundamental de certificar-se de que
suas relações familiares são justas e que se constituem
exemplo de viver piedoso para toda a comunidade (1 Tm 3.4­
7; Lc 1.6; E f 5.28).
g. O pastor deve considerar a Bíblia como a Palavra de Deus, a
única regra de fé e prática e usá-la como a substância de seu
ministério docente e

170
profético, bem como zelar pelo Ministério da Palavra (2 Tm
2.15; 4.1-5; Rm 11.13; 1 Co 4.1).

2.2 F am iliar

a. O pastor deve buscar no matrimônio um a esposa apta para


auxiliá-lo no ministério, considerando a ação permanente de
Deus na vida do lar (1 Tm 3.1,2; Gn 24.1-4; E f5.23-28; 1 Tm
3.11).
b. O pastor deve agir honesta e corretamente com sua família,
dando-lhe o sustento adequado, o vestuário, a educação, a
assistência médica e espiritual, bem assim como o tempo que
esta merece (1 Tm 3.4,5; T t 1.6,7; Lc 11.11-13; 1 Pe 3.7; Cl
3.19).
c. O pastor deve abster-se de tratar dos problemas eclesiásticos
diante dos f ilhos, mormente os de menor idade e nunca citar
nomes de pessoas envolvidas (1 Tm 3.4; 1 Pe 5.7,8).
d. O pastor sempre deve usar um a linguagem sã para com os
seus, nunca xingar seus filhos ou discutir com a esposa
perante eles, principalmente no que diz respeito à sua
disciplina
/
(1 Tm 3.4; 2.11-15; 1 Pe 3.10; Tg 3.3; E f 6.4b).
3. A Etica nas Relações Eclesiásticas 3.1 Em Relação à
Denominação
a. Um a vez que tenha abraçado a denominação a que pertence,
deve o pastor manter-se leal a ela ou cortar relações se em
boa consciência nela não poder permanecer (Rm 14.22).
b. O pastor jamais deve criticar publicamente a sua
denominação, e, se assim desejar fazê-lo, use a tribuna
convencional e nunca ir a juízo contra qualquer irmão (1 Co
6.1-9).
c. O pastor deve esforçar-se por promover o desenvolvimento
de sua denominação, honrando-a com o seu próprio
testemunho e auxiliando-a nas grandes realizações (At 2.41­
47).

171
d. O pastor deve conhecer a História de sua denominação, não
só no Brasil como suas origens no exterior, manter-se
informado como funciona e extrair lições dos que fizeram a
história.
3.2 Em Relação à Convenção
a. O pastor deve ser filiado à Convenção do Estado onde reside,
de sua preferência, sujeitando-se às normas regimentais
estabelecidas, bem assim como conhecer a origem e a
história de sua Convenção.
b. O pastor deve estender as "tendas" de sua congregação, no
campo que trabalha, sem que isto signifique contenda entre
irmãos, mas dentro do espírito de entendimento cristão (Rm
15.20,21; Gn 13.6-12; 1 Pe 5.22,23).
c. O pastor deve, ao participar de assembleias convencionais,
usar a linguagem cristã ao referir-se aos demais
companheiros, respeitando sempre seus pontos de vista,
embora, aos seus olhos, limitados (Rm 15.1,2; E f 4.2; Cl 3.13).
d. O pastor deve confiar na soberana vontade de Deus na
indicação de seu nome para exercer um a função de comando
na Convenção, sem que isto represente manobras políticas e
sectaristas para obter posição ou manter-se no cargo
denomina-cionaldCo 10.23; 8.9).
e. Deve o pastor, ao apresentar um ou mais candidatos à
Convenção para serem ordenados ao Santo Ministério,
considerar os seguintes aspectos relevantes na escolha dos
futuros ministros:
1. que o candidato tenha tido conversão inequívoca e não seja
neófto (At 9.15-22; Jo 3.3,6; 1 Tm 3.6);
2. que o candidato seja batizado com o Espírito Santo (At 2.4;
4.8-13; M t 3.11; 1 Co 14.2);
3. que o candidato seja, preferentemente, casado, governe bem
a sua casa e tenha os filhos em sujeição, e tenha um a vida
irrepreensível no tra-

172
balho e na sociedade (1 Tm 3.2,4,7; Cl 4.5; 1 Ts 4.12);
4. que o candidato seja vocacionado para a obra do ministério,
porque a "função não habilita o homem, mas o homem é
quem deve ser habilitado para a função" (At 9.15; 2 Tm 2.9;
3.10,11,14);
5. que o candidato não pertença a nenhum a sociedade
secreta;
6. que o candidato, se necessário, esteja disposto a viver do
Evangelho (1 Co 9.13,14);
7. que não considere o ministério como algo hereditário, por
conveniência econômica, política ou oligárquica, muito
embora muitos filhos tenham condições de dar
continuidade ao ministério iniciado por seus pais (1 Rs
2.10-12);
8. nunca deve o pastor apresentar um candidato para
ordenação como recompensa, ou sob o aspecto
protecionista, ou pela aparência, ou pela riqueza, sem que
seja vocacionado para o exercício da função;
9. não deve, também, o pastor considerar que o ministério se
dá aos que galgaram um a escala hierárquica, iniciada
como diácono e terminada como pastor;
10. o pastor não deve, ainda tratar o ministério como um a
profissão, anulando os conceitos bíblicos da vocação e
indicar indivíduos apenas pelas mordomias que à igreja
possam oferecer, em detrimento dos realmente
vocacionados;
11. não deve o pastor indicar elementos imaturos,
desequilibrados mentais, aposentados, deficientes ou
reformados das Forças Armadas por motivos de
insanidade mental, o que seria antecipar sérios problemas
para dentro da igreja;
12. em resumo, deve o ordenado, tendo consciência da vocação
divina, na Convenção a que pertence, assinar, com a ajuda
de Deus, o seguinte:

173
TERM O D E COM PROM ISSO

1° Honrar em tudo, na minha vida pessoal, sob a direção do


Espírito_/ Santo os sagrados compromissos do
MINISTÉRIO que me foi concedido, tendo sempre
presente as minhas responsabilidades perante a Igreja e
perante o mundo.
2° Promover a paz e o desenvolvimento espiritual, moral e
patrimonial da Igreja a que sirvo, sendo o exemplo da
doutrina, fortalecendo o espírito e a prática da fraternidade
e cooperação das instituições, obreiros e membros que
estiverem sob minha direção, a boa ordem dos serviços
eclesiásticos e comunhão espiritual do povo de Deus.
3° Ser fiel no zelo e nas atribuições a mim conferidas pela
Igreja ou por delegação pastoral.
4° Ter em elevada conta o espírito e a prática da comunhão e
lealdade em relação aos meus companheiros de Ministério,
orando em seu favor, amando-os com o amor de Cristo,
aconselhando-os e sendo aconselhado, e zelando de todos os
modos, pela pureza do Ministério perante o mundo e a
Igreja.
5° Obedecer aos Estatutos e Regimento Interno, da Igreja e da
Convenção, bem como acatar com humildade as
observações e as restrições disciplinares da Igreja, do
Ministério Geral a que estou sujeito, e das Convenções
filiadas (Estadual e Geral).
6° Em caso de objeções de consciência, de divergências
doutrinárias ou por qualquer outro motivo que leve a
desligar-me ou ser desligado da Igreja, processar normal e
pacificamente esse desligamento, não provocando, sob
qualquer pretexto, perturbações, cismas no seio da igreja e
da entidade que esteja jurisdicionado ou dirigindo, não
levantar questões jurídicas contra a Igreja ou Convenção,
em qualquer circunstância, e
7° Honrar, com soluções honestas, os compromissos assumidos
para com a Igreja, a Convenção, a Sociedade e o indivíduo.
174
3 .3 E m R e la ç ã o à I g r e ja

a. Sendo a igreja o corpo de Cristo, do qual é a cabeça, e o


pastor um membro em particular e portador de um dom
especial, deve tratá-la com grande estima (Ef 5.23; 1 Co
12.27; 1 Pe 5.2; E f 4.8-11).
b. O pastor deve dedicar tempo integral à igreja, se por ela for
sustentado, e ter o seu consentimento se desejar aplicar-se
à outra atividade material (1 Co 9.14; 1 Tm 5.17,18; 6.9­
11).
c. O pastor deve, por princípio, ser absolutamente imparcial
no seu trabalho pastoral, não se deixando levar por
indivíduos ou facções, bem como não pretender levar a
igreja a fazer tão-somente a sua vontade (1 Pe 5.1-3).
d. O pastor deve ter prudência ao desejar acumular, a
convite, o pastorado de outra, a fim de que não venha
descumprir compromissos com a própria igreja e venham
a lhe exigir esforço além de seus limites; antes deve buscar
a direção de Deus (At 13.2).
e. E de bom alvitre ao pastor reconhecer o momento certo de
se afastar da igreja quando perceber que seu ministério
está findo e não insistir em permanecer retardando o
processo de crescimento da igreja. Deve, antes, solicitar a
sua honrosa jubila-ção (2 Tm 4.7).
£ ”O pastor não deve fazer ou aprovar qualquer manobra
política para manter-se em seu cargo ou para obter
qualquer posição denominacional; deve, antes, colocar-se
exclusivamente nas mãos de Deus para fazer o que a Ele
aprouver” (1 Co 10.23,31).
g. O pastor deve ser o primeiro a acatar as deliberações da
igreja, procurando sempre esclarecer ao rebanho do
Senhor as tomadas de decisões acertadas (1 Pe 5.2,3).
h. O pastor deve ser cuidadoso no modo de cumprimentar e
no relacionamento com as pessoas do

175
sexo feminino, e revelar nos seus gestos a pureza do seu
serviço ministerial (Ec 9.8; 1 Tm 4.12; 2 Co6.6;Ef5.3;Tg4.5).
i. O pastor deve m anter o respeito para com os membros de
sua igreja, e reservado quanto às confidencias dos que se
aconselham em aflições ou problemas pessoais (Tg 3.2,8).
j. O pastor deve ter o cuidado em suprir gastos de viagem de
seus pregadores convidados, da forma a mais discreta
possível (1 Co 9.14).
1. O pastor não deve assumir compromissos financeiros de
monta considerável sem o prévio consentimento da igreja,
nem usurpar o dinheiro da igreja para fins pessoais, mas,
antes, prestar-lhe contas de todos os seus gastos (Lc 16.10;
19.17; M t 25.21).

3.4 Em Relação ao seu Trabalho


a. O pastor, ao citar frases ou m aterial de fonte alheia, em
seus sermões ou em obras literárias, deverá citar a
origem e nunca plagiar (Fp 4.8; Rm 12.17; 2 Co 8.21;
Rm 13.7).
b. O pastor deve ser fiel a Deus em tudo e em todo o seu
trabalho, pois esta é a condição exigida do ministro,
porque a sublimidade do reino não comporta duas
escolhas (Ap 2.11; 1 Co 4.2; Lc 19.17; M t 6.24; 1 Jo 5.20;
1 Rs 18.21).
c. O pastor deve evitar, o quanto possível, entendim entos
frequentes com membros da igreja em seus locais de
trabalho, a fim de não trazer-lhes constrangimento
junto aos seus superiores (Ec 3.1)
d. O pastor, no ministério da visitação, deve portar-se com
discrição absoluta e dignidade cristã p ara com as
pessoas do lar visitado e nunca ficar a sós com o cônjuge
cujo esposo esteja ausente (1 Tm 5.1-15).
e. O pastor, em sua discrição, não deve com entar com
fam iliares e nem mesmo com a sua esposa,

17 6
assuntos confidenciais cuja divulgação seja maléfica para
a obra do Senhor (1 Tm 3.1-5).
f. O pastor deve zelar pelo decoro do púlpito e por seu
próprio preparo e fidelidade n a comunicação da
m ensagem divina ao rebanho do Senhor (2 Tm 2.15).
g. A hum ildade deve ser um a das características que
acom panha o pastor como líder, e estar pronto a acatar
de terceiros orientações e projetos para o bem da obra de
Deus (Tg 4.6).
*

4. A Etica nas Atividades M inisteriais


4.1 Em Relação ao Antecessor
a. O pastor que deixa o pastorado da igreja, por motivos
cristãos, deve ser alvo de honra e crédito de seu
sucessor.
b. O pastor que assum e o pastorado de um a igreja deve
ser prudente nas m udanças de estilo deixado pelo seu
antecessor.
c. Sem pre que possível, o sucessor de um pastorado da
igreja deve dar continuidade aos projetos iniciados pelo
seu antecessor.
d. O pastor que assum e o pastorado da igreja não deve
desprezar o seu antecessor, nem tampouco a sua
família, m orm ente se recebeu da igreja a sua jubilação.
e. O pastor que assum e o pastorado da igreja jam ais fará
comentários desairosos a respeito de seu antecessor e do
seu trabalho executado durante o período em que serviu
a igreja.
f. O sucessor no pastorado de um a igreja deverá am parar
a viúva de seu antecessor quando este, nenhum recurso
legou à sua com panheira (At 6.1; 1 Tm 5.3,5,16).
4.2 E m Relação ao Sucessor
a. O pastor deve cuidar p ara que a passagem do pastorado
da igreja, a seu sucessor, seja com inteira lisura e a m ais
transparente possível.
17 7
b. O pastor que deixa o pastorado deve entregar todos os bens da
igreja, através de relatório completo, ao seu sucessor, bem
como dar-lhe ciência do que existe em andamento (Mt
25.14,15).
c. O pastor que deixa o pastorado evidenciará sua humildade
em Cristo assistindo ao,culto de posse de seu sucessor, ocasião
em que receberá as justas homenagens. Excetuam-se os casos
em que o afastamento deveu-se por pecado.
d. O sucessor no pastorado de uma igreja jamais deverá se
portar enciumado com as visitas, espontâneas ou a convite de
seu antecessor.

4.3 Em Relação aos Colegas

a. Zelar pela reputação dos seus colegas quando ela se baseia


num caráter bom, por ser uma das coisas mais preciosas que
se possui, e não permitir comentários desabonadores a seu
respeito (Jo 15.17; lTs 4.9).
b. Falar a verdade com respeito ao caráter mau de um colega
que tem granjeado boa reputação junto à sociedade sem
calúnias, pois possui algo a que não tem direito (Mt 18.15-17).
c. Zelar pela natureza, pela moral, pela dignidade e pela
espiritualidade do Ministério Evangélico, tomando, para isso,
as providências que a ética cristã lhe indicar (1 Tm 5.19-21).
d. Na conversação, não suscitar dúvidas no coração de seus
colegas sobre conceito de coisas sérias e de importância que
delas fazem outros colegas (Ef 4.31; SI 10.7).
e. Ser o exemplo dos fiéis, na palavra, no trato, na caridade no
espírito, na fé, na pureza, porque o mau exemplo enfraquece o
poder de resistência de nosso colega (1 Tm 4.12).
£ Ficar à parte das questões que surjam nas igrejas de seus
colegas, e não aproveitar-se da ocasião para arrebanhar os
descontentes, salvo quando for convidado por aquele ou pela
Convenção a que estiver filiado (Pv 26.17; Mt 7.12).

178
g. Só aceitar convite para pregar em outra igreja quando
formulado pelo pastor ou seu substituto legal, respeitando os
princípios éticos e bíblicos.
h. Cultivar junto aos colegas o hábito da franqueza, da bondade,
da lealdade e da cooperação (Rm 12.9,17; 1 Co3.9; lTs4.12).
i. Não desmerecer o trabalho realizado por um colega, mui
especialmente quando o tenha sucedido no pastorado da
igreja (1 Ts 1.3).
j. Não interferir nos assuntos da igreja de um colega ou exeroer o
proselitismo entre seus membros e muito menos abrir
trabalhos nas áreas imediatas à sua igreja, lembrando-se de
que o campo é o mundo e não as igrejas dos outros (Rm 15.20).
l. Não aceitar membros disciplinados biblicamente por outras
igrejas, salvo na impossibilidade de prévia reabilitação pelo
desaparecimento da sua igreja de origem, ou quando
reconciliado pela igreja que o disciplinou,
m. Não aceitar convites para realizar casamento ou outra
cerimônia na igreja do colega, ou de membros de sua igreja,
sem seu prévio assentimento, ressalvados os casos especiais.
n. Em nenhuma hipótese subestimar seus colegas avocando
preconceito racial, porque Deus não faz acepção de pessoas (At
10.34).
o. Ter um alto sentimento de consideração, honra, estima e
respeito pelos colegas mais idosos ou jubilados, especialmente
para com os que fizeram e fazem a história da denominação
(Rm 12.10; 13.7; Fp 2.29; 1 Co 12.23; Fm 9).
p. Não prestar falso testemunho contra o companheiro, o que é
uma abominação ao Senhor e uma flagrante violação do
dever de conservação social (Pv 6.19; 19.5,9; 2 Co 11.26; Gl
2.4).
q. Ao deixar o pastorado de uma igreja, deve evitar, tanto quanto
possível, participar dos seus trabalhos, a fim de não
constranger o seu substituto e não impedi-lo de tomar as
providências indispensáveis ao desenvolvimento da obra (1 Co
3.6,7).

17 9
r. Não se prestar ao uso de expressões ambíguas, em
Assembleias ou em particular, com o fim de, no seu
equívoco intencional, enganar e iludir os companheiros,
antes, sua linguagem deve ser clara e inteligível.
s. Não te r inveja do colega que é reconhecidamente melhor
do que nós e de seu sucesso ministerial, antes, dedicar-
se a auxiliá-lo em oração p ara que cum pra até o fim com
fidelidade sua missão (Pv 14.30; Mc 15.10; A t 5.17,18; 1
Ts 5.12,13).
t. O m inistro não deve aceitar convites de interessados ou
se oferecer como candidato à vacância do pastorado de
um a igreja, por falecimento ou exclusão de seu titular,
m as esperar o convite de quem de direito (1 Co 7.20; 2
Pe 1.10; 1 Co 1.26).
u. Quando criticar, voltar-se sem pre para a ação do colega
criticado, sem ira, não em público, sem precipitação e
quando tiver pleno conhecimento da situação, que
geralm ente tem duas facetas.
v. Restituir, quando prejudicar o colega não somente os
bens m ateriais m as tam bém os m orais e os espirituais
como o bom nome que desfruta na sociedade e na sua
boa reputação no seio da igreja.
x. Perdoar ao colega ofensor, mesmo que lhe seja de direito
exigir justificação daquele que o ofende, eliminando o
ressentim ento resultante da ofensa e reatando as
relações fraternais que existiam antes do ato ofensivo
(Mt 6.12; E f 4.32; Mc 11.25,26; Cl 2.13; 3.13; Pv 18.19).
z. Não en trar em juízo contra um colega de ministério nem
contender com ele em Convenção, induzindo outros a
um a acirrada represália, quando o sentim ento da
própria dignidade foi atingido ou desejar evidenciar o
prazer da suprem acia (1 Co 6.1-5).

180
Bibliografia

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1980.

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presenteie um amigo com um exem plar
Este livro foi escrito com o objetivo de ajudar o
obreiro a alcançar uma visão mais profunda da
dignidade do ministério, principal mente dos deveres
para com Deus e o rebanho que lhe foi confiado.
A vida particular do pastor, suas qualificações e
estudos, bem como as relações com o rebanho são
temas tratados nesta obra. O autor descreve ainda o
pasto i como líder e como administrador. O Código
de Ética Pastoral, no final do livro, ajudará você a
orientar sua vida ministerial.

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N emuel K essler Ministro do Evangelho, jso

bacharel em Administração. 00
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Autor do livro Adm inistração :00
Eclesiástica. m