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Taquilalia: a fala rápida é o único sintoma.

Falar rápido
não é problema desde que não afete a inteligibilidade da
mensagem, isto é, a compreensão da mensagem pelo
interlocutor. Quando a pessoa é freqüentemente solicitada
a repetir o que falou, porque os interlocutores não
compreenderam, é possível ser um caso de taquilalia.

Comorbidades (distúrbios que podem estar associados)

Gagueira: é o distúrbio mais comum de fluência. Ocorrem sintomas


como repetições (de “sons”, sílabas ou de palavras monossilábicas),
alongamentos e bloqueios de “sons”. Os sintomas ocorrem devido à
dificuldade para passar para o próximo segmento da fala. Pode ser
causada por herança genética ou por lesão cerebral. Ocorre quatro
vezes mais em homens do que em mulheres. A taquifemia geralmente
ocorre em conjunto com a gagueira. 35% das pessoas com gagueira
também apresentam taquifemia.

Tratamento fonoaudiológico

O tratamento para taquifemia na clínica da Linguagem Direta


geralmente apresenta as seguintes metas:

Melhora da percepção da própria fala: é de importância crucial para as


pessoas com taquifemia. Muitos pacientes não estão nem remotamente
conscientes de como é sua fala. Diversas estratégias podem ser
utilizadas: esclarecimentos sobre os sintomas da taquifemia, ouvir
gravações da própria fala, variar voluntariamente a “velocidade de fala”,
observar-se em situações específicas do dia-a-dia.

Diminuição da “velocidade de fala” e aumento de pausas


silenciosas: também é de importância crucial para as
pessoas com taquifemia. O paciente é instruído a
voluntariamente diminuir sua “velocidade de fala”,
articulando com clareza todas as sílabas das palavras.
Além disso, é instruído a fazer pausas silenciosas em
posições lingüisticamente relevantes. São utilizados diversos estímulos
na terapia, tais como: repetição de palavras longas, repetição de frases,
respostas a perguntas, leitura em voz alta, narrativa de cartoons,
relatos pessoais.

Melhora da articulação dos “sons de fala”: quando as alterações


articulatórias são estritamente devidas ao aumento da “velocidade de
fala”, melhoram automaticamente com a diminuição da “velocidade”.
Quando este não for o caso (por exemplo, quando ocorrem “trocas de
sons”), é necessário melhorar a percepção auditiva para os “sons
trocados”, aprimorar a consciência fonológica desses “sons” e, por
último, focar a produção dos “sons” propriamente ditos.

Aprimoramento do vocabulário: são utilizados jogos de campos


semânticos específicos para melhorar o vocabulário. A leitura de
materiais que envolvam tais campos semânticos também é
recomendada.

Encontrar palavras durante a fala (acesso lexical): a diminuição da


“velocidade de fala” e o aumento de pausas silenciosas geralmente
melhoram o acesso lexical durante a fala espontânea. Quando isso não é
suficiente, lançamos mão de estratégias para reforçar as conexões entre
palavras no “dicionário mental”. São realizadas atividades que eliciam
palavras do mesmo campo semântico, palavras com vários significados
(polissemia), sinônimos, antônimos.

Aprimoramento das habilidades textual-discursivas: são


utilizadas histórias em quadrinho sem texto (cartoons) para
aprimorar as habilidades de descrição, narrativa e
argumentação.

Hesitações/disfluências comuns e reformulações: a diminuição


da “velocidade de fala”, o aumento no número de pausas silenciosas e o
aprimoramento do vocabulário, do acesso lexical e das habilidades
discursivas promovem a diminuição no número de
hesitações/disfluências e de reformulações na fala espontânea.

Leitura: em diversos casos, a diminuição da “velocidade de fala” auxilia


na compreensão do texto lido. Entretanto, alguns pacientes apresentam
dificuldades intrínsecas de leitura. Se o comprometimento for na rota
lexical, haverá maior dificuldade para ler palavras irregulares. Se o
comprometimento for na rota fonológica, haverá maior dificuldade para
ler palavras novas ou não-palavras. Neste caso, o paciente será
encaminhado para fonoaudiólogo especializado em leitura e escrita.
Referências:

St. Louis, K. O. & Myers, F. L. (1997). Management of cluttering and related fluency disorders. In: Curlee, R. F. &
Siegel, G. M. (eds). Nature and Treatment of Stuttering: New Directions. 2nd ed. Boston: Allyn and Bacon. pp. 313-
332.

St. Louis, K. O.; Raphael, L. J.; Myers, F. L. & Bakker, K. (2003). Cluttering updated. The ASHA Leader, pp. 4-5.