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O pastor e a Ovelha Perdida

Em Mateus 18:10 a 14 temos a parábola da ovelha perdida. Gostaria de tomar esta parábola para
demonstrar alguns princípios espirituais na vida do pastor, do líder de célula, do discipulador,
supervisor ou qualquer outra pessoa encarregada de apascentar ovelhas. Quero tomar o pastor
como o ponto central da parábola.

1. Controle
O primeiro princípio que vemos é controle. O pastor sabia que eram cem ovelhas. Ele tinha tido o
trabalho de contar. Havia um controle de quantidade. O pastor sabia quantas ovelhas ele possuía.
Mas havia também um controle de qualidade, o pastor sabia se uma ovelha estava perdida.
Muitos desejam trabalhar dentro da visão de células, mas não acreditam na importância do
controle. Esta palavra “controle” é muitas vezes tomada com o sentido de manipulação, mas ela
deveria ser entendida como acompanhamento e supervisão de todo o processo. Se não temos
controle não temos como tomar decisões, não sabemos o estado de nossas ovelhas e nem temos
e o pior, as ovelhas se perdem e nem percebemos. Precisamos estar constantemente atentos à
segurança de nossas ovelhas.
Controle é resultado de uma preocupação santa, um encargo, uma responsabilidade diante de
Deus. Paulo tinha preocupação pelas igrejas:
Além das coisas exteriores, há o que pesa sobre mim diariamente, a
preocupação com todas as igrejas. II Cor. 11:28 (At. 15:36)
Controle nada mais é que informação. É com base em informação que planejamos ações,
estabelecemos metas e corrigimos o curso errado. Paulo tinha informação a respeito do estado
das igrejas que ele havia fundado.
Pois a vosso respeito, meus irmãos, fui informado, pelos da casa de
Cléo, de que há contendas entre vós. 1 Cor. 1:11
Porque, antes de tudo, estou informado haver divisões entre vós
quando vos reunis na igreja; e eu, em parte, o creio. 1 Cor. 11:18
Você sabe quantas ovelhas estão no aprisco?
Possui um controle eficiente que possa detectar a ausência de uma no meio de cem?

2. Atitude
O segundo princípio que vemos na parábola é a necessidade de uma atitude correta se
desejamos apascentar com eficiência.
A primeira coisa que percebemos é o pastor não tinha uma atitude comercial. Para um
comerciante mercenário não é sensato deixar as 99 no aprisco e ir buscar apenas uma. A lógica
comercial diz que é melhor preservar as 99 pois uma perda de 1 por cento é aceitável e até
esperada. Mas o pastor não via as ovelhas como fonte de lucro.
Escrevendo aos tessalonicenses Paulo nos mostra o seu coração desapegado de interesses
financeiros:
 Não falamos para agradar a homens, pois não temos palavras de homens, mas de
Deus. I Ts. 2:4 e 13
 Não usamos de linguagem de bajulação, mas somos dóceis qual ama que acaricia os
filhos. 2:5 e 7
 Não usamos de intuitos gananciosos, mas labutamos noite e dia para ganharmos
nosso dinheiro. 2:5 e 9
 Não buscamos a glória de homens, mas vivemos na glória que vem de Deus.
2:6 e 12
De uma forma ou de outra os intuitos gananciosos são a causa de todos os outros.
Podemos ver ainda que o pastor não tinha uma atitude passiva.
Ele não ficou esperando a ovelha voltar por si mesma.
Talvez ele pudesse pensar: “quando ela tiver fome ela volta, ou quando escurecer ela aparece”,
mas ele não cedeu a tais pensamento, ele tomou a iniciativa e foi atrás da ovelha.
Podemos ver também que o pastor não tinha uma atitude de comodidade.
Só perdi 1%, isto não é nada mal, existem igrejas por ai que tem perdido muito mais, poderia
pensar ele. Não vou me desgastar saindo na voragem da noite, na chuva ou no sol escaldante,
afinal é apenas uma ovelha. O pastor não agiu assim, ele foi atrás de sua ovelha até encontrá-la,
mesmo que para isso tivesse que sacrificar o seu conforto pessoal.
Além de todas estas atitudes podemos destacar também que o pastor não tinha uma atitude
rancorosa. Talvez ele pudesse dizer: “esta ovelha que se foi não merece meu amor e cuidado, é
uma traidora.” As noventa e nove que estão comigo nunca reclamaram, mas esta ovelha é
ingrata, não merece que eu vá atrás dela.” Precisamos ter a honestidade de admitir que existem
muitos pastores ressentidos com ovelhas.
É interessante ver como Paulo lidou com esta questão do ressentimento ao tratar com João
Marcos. Em At. 15:37 ele e Barnabé tiveram uma séria discussão e chegaram ao extremos de se
separarem por causa de Marcos. Parece que a desistência de Marcos no meio de uma das
viagens deixara Paulo indignado.
Mas em m Cl. 4:10 vemos Paulo algum tempo depois recomendando a Marcos diante da igreja.
Ele diz que a igreja precisava honrar a homens do tipo de Marcos.
Depois disso em II Tm. 4:11 Paulo afirma de maneira clara que Marcos lhe é útil para o ministério.
Ele estava agora disposto a trabalhar junto com ele novamente. E por fim em Fl. 1:24 Paulo
chama Marcos de cooperador. O relacionamento com Marcos fora então inteiramente restaurado.

3. Planejamento e Estratégia
A parábola não diz que o pastor não apenas procurou a ovelha, mas ele buscou. Buscar é algo
que nos fala de projeto, estratégia e diligência.
Em primeiro “Buscar” nos fala de Projeto. O pastor planejou um meio de encontrá-la. Não
trabalhamos ao sabor das circunstâncias. Planejamos nosso curso de ação e nosso trabalho.
Em segundo lugar “buscar” implica numa Estratégia. O pastor sabia os possíveis locais onde a
ovelha poderia estar e até meios de atrai-la para si na noite escura. O pastor conhecia o hábito de
suas ovelhas, os gostos e as preferências e isto já era uma pista dos locais onde poderia
encontrá-la e da estratégia que deveria usar.
“Buscar”, acima de qualquer coisa, nos fala de Diligência. O pastor não desistiu, mas procurou até
encontrá-la. Ele revirou, vasculhou, investigou, fez tudo o que era possível até encontrá-la.

4. Abnegação
Não havia garantias de que o Pastor realmente encontraria a ovelha perdida, mas ainda assim ele
saiu à sua procura. Não investimos apenas em ovelhas que temos garantia de retorno, mas
reconhecemos que cada ovelha nossa é um presente de Deus e um depósito que precisamos
cuidar.
Paulo diz em I Ts 1 que ele cuidou de suas ovelhas qual ama que acaricia os filhos. Muitos
pastores gostam de se compararem a pais espirituais, e isto é uma verdade inquestionável,
todavia precisamos ter o cuidado de sermos pais saudáveis. Os pais saudáveis são aqueles que
abnegadamente cuidam de seus filhos. Existem pais que são neuróticos e prejudicam os filhos.
Um tipo de pais neuróticos são aqueles que nunca liberam os filhos. Eles querem que os filhos
fiquem para sempre ligados a eles. Pais saudáveis criam filhos para a vida, para conquistarem o
mundo. Não que os filhos devem abandonar os pais, mas os pais devem estimular os filhos a
irem buscarem os seus sonhos.
Há ainda aqueles pais que exigem uma gratidão eterna. “Depois de tudo o que eu fiz para criar
você é assim que você me retribui”. Estas são expressões de pais doentes. Não há meios de se
pagar os pais pelo que nos fazem. Mas existem pastores que esperam que as ovelhas lhe sejam
gratas ao ponto de nunca discordarem nunca pensarem diferente. O que fazem para os ovelhas
fazem com o intuito de as prender numa gratidão que cala toda voz de discordância. Já
observaram como todos discordância é vista como ingratidão por pastores enfermos?
Por fim existem aqueles pais que exigem o retorno do investimento feito nos filhos. Os pais
entesouram para os filhos e não o contrário. (II Cor. 12:14).
Nossos filhos são a nossa glória, mas é terrível quando os filhos se envergonham dos pais. Os
pais devem se preparar para que os filhos se orgulhem deles.

5. Celebração
Só há festa onde ovelhas tem sido encontradas. Nosso trabalho como pastores é encontrar
ovelhas perdidas neste mundo envolvido nas trevas do pecado.
Não se diz que o pastor exortou a ovelha ou lhe deu uma surra, mas simplesmente a colocou
sobre os ombros e a levou de volta para o aprisco.