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TEOLOGIA DA EUCARISTIA

1. Categorias religioso-culturais do AT que, de modo


geral, influenciaram o entendimento da Eucaristia.
Existiu ao longo dos séculos os vários modelos de
categorias religiosas-culturais, de modo geral, no Antigo
Testamento os quais foram fundamental para o entendiemto
da Eucaristia nos dias presente de hoje. De modo que o maná
no deserto é entendido como o pão de descido do céu para
alimentar o povo no deserto que passava fome. Era entendido
de forma que a ceia era uma refeição para matar a fome do
povo. Somente então com o tempo vai se entender por meio
da evolução histórica o sentido fundamental da teologia
eucaristica. No séc. IX-XI. Se trabalha a compreensão da
eucaristia que se manifesta na estreita relação entre rito e
memória. Eucaristia como uma nova páscoa nos relatos da
instituição no sentido mais âmplo.

Memorial: Recorda-se de modo mais geral um


acontecimento judaico cristã, evento salvífico de Deus que se
revela-se ao longo da história, atualizar-se memória ceia que
os antigos armazenavam guardando. Memória, olhar o
passado, para transformar o futuro. Que em outras palavras,
não é entendido como um fardo pesado, mas como alegria.
Lembra-se fazer algo; portanto, memória é ação. Por isso que
memória para os judeus é agir. Memória, se compreende
como: “Passado, Hoje e futuro”. A Eucaristia também é
memória parque relembra algo do passado na ceia pascal de
Cristo. Portanto fazemos memória do passado. A Eucaristia é
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o memorial da Paixão e da Ressurreição do Senhor porque


atualiza o único sacrifício de Cristo Salvador e inclui a oferenda
da Igreja.

Refeição: compreender refeição no sentido religioso no


universo judaico; isto é, entender que para o judeu a refeição
independentemente da páscoa, tinha um sentido religioso; de
modo significativo que é a comunhão, participação, vida,
partilha e fraternidade. Por isso se entende a última ceia de
Jesus diferente por que Ele estava num contexto de páscoa.
Mas, foi predominantemente judaico o acontecimento desta
última ceia de Jesus. (Ex 12, 1-14; 21-28 Ex, 6-8). A ceia
perpassa o AT. e alcança o Novo Testamento em que Jesus é
inculturado e, é a própria vítima imolada na nova compreensão
pascal.

Berakah: relembra a benção, a oração pronuciada


sobre a refeição. É também entendido como uma ação de
graças ou louvor eucharistia. Eucaristia, (Lc 22,19; 1Cor 11,
21; Mt 26-26). Louvor significa agradecer, lembra as bênçãos
que Deus derramou sobre seu povo judeu. Embora tenha o
povo recebido a benção de Deus, ele não pede para Deus
abençoar o alimento, mas agradece pelo alimento recebido.
Portanto, ceia do Senhor = Kyriakan. Também chamada mesa
do Senhor. Em outras palavras, berakah, é uma oração de
agradecimento à Deus. Agradece-lo pelos bens recebido de
sua providência terrena.

Aliança: A aliança se entende como um pacto de


fidelidade de Deus para com outra pessoa. Já a aliança com
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Deus e Israel vê sua religião e sua existência como povo,


derivada e caracterizada, desde sempre e para sempre, pela
aliança com Deus. No AT. há uma série de pactos com Deus,
e ao explicá-los, vê-se o contínuo esforço teológico de Israel
em torno deste conceito fundamental de sua fé. Moisés é o
mediador da aliança e fica claro o conteúdo da aliança, de sua
direção e proteção.

2. Origem da Ceia Pascal judaica e a origem da


Eucaristia.
A origem da Ceia Pascal judaica se encontra em duas
festas relacionadas a natureza que são, a do cordeiro e a dos
pães ázimos, sendo a primeira típica dos povos nômades e a
segunda dos sedentários. Pelo fato das duas coincidirem na
primavera, elas vieram a se unir em uma só. Ela também vai
adquirir um sentido libertador-soteriológico, porque justamente
o dia da libertação do povo do Egito era o dia da festa do
cordeiro, por isso se transformará em um memorial, que torna
presente os momentos da libertação do Egito e, celebra a
formação da identidade religiosa e comunitária do povo de
Israel, prenunciando o que seria a salvação plena no futuro.
A origem da eucaristia está na ressurreição de Jesus.
O imperativo da última ceia “fazei isto em memória de mim”,
adquire grande significado a partir deste maior evento, a
ressurreição. Na eucaristia celebramos o Cristo ressuscitado,
vivo e presente na comunidade. É justamente aqui que
coincidem e se diferem o significado da Ceia Pascal judaica e
da eucaristia, pois assim como na ceia judaica se torna
presente um acontecimento do passado e se celebra a
salvação, na eucaristia também, porém, na Páscoa judaica tal
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salvação não aconteceu de maneira plena ao passo que na


cristã já em Cristo Jesus.

3. Contexto em que se dá a narrativa da instituição da


Eucaristia nos Sinóticos e em São Paulo.
Trata-se de uma refeição de caráter pascal seja no AT
e no NT. É a última ceia de Jesus com seus discípulos. Jesus
histórico, última ceia antes da sua morte e a refeição com o
Senhor Ressuscitado, tem relação com a Cruz e os gestos de
Jesus com o cálice e o pão, todos os textos tem características
escatológicas, já segundo Paulo, a eucaristia total realidade de
Cristo para a salvação.

4. Sentido teológico de todos os textos que narram a


instituição da Eucaristia.

1. “Uma refeição em um contexto de caráter pascal”.


Para o judeu, ceia pascal era libertação, passagem da
escuridão para a claridade; nesse sentido também se
atribui a ceia do Senhor. A comunidade primitiva atribui o
caráter pascal à eucaristia, memorial da nova aliança, em
que o cordeiro se imola para a salvação de todos os
homens (cf. 1 Cor 5,7; Jn 19,36).

2. A ultima ceia é o anuncio da morte e chegada do


reino. Na última ceia Jesus interpreta sua morte como a
manifestação mais plena da chegada do Reino. Jesus não
só previu sua morte mas também a união com o anúncio
do Reino de Deus, com o juízo definitivo que sua chegada
implica. A ceia de Jesus com seus discípulos é, portanto,
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uma ceia de despedida na qual Jesus está consciente da


iminência do reino escatológico por sua morte. Será a
última antes da inauguração desse reino “Em verdade vos
digo, já não beberei do fruto da videira até aquele dia em
que beberei o vinho novo no Reino de Deus” (Mc 14,25; cf.
Mt 26,29; Lc 22,18. Não se trata apenas de uma
recordação do passado mas a vinda de uma vida nova.

3. Sentido sacrifical, expiatório da morte de Cristo.


Antes ninguém celebrava a missa para o perdão dos
pecados. Já no AT a morte era expiação dos próprios
pecados, perdão dos pecados. A morte dos santos é
expiação dos pecados dos outros. No NT, expiação é
perdão dos pecados e sobretudo dá um novo sentido ao
relacionamento com Deus, uma nova relação com Deus.
Jesus se entrega para a salvação de muitos ou de todos
ou de vós, dependendo do sentido literário. A entrega de
Cristo no pão e vinho é antecipação da sua entrega na
cruz. Por isso, eucaristia é memorial da paixão, morte e
ressurreição de Jesus. Assim, é atualização permanente
da sua entrega por amor.

5. A Eucaristia e João 6.
O texto do capítulo 6 de João deve ser visto como um
movimento interno de descendência, que une com a presença
Dele como luz, vida e pão, ou seja, Ele é enviado pelo Pai e se
encarna e, conseqüentemente, será a comida para os que
crêem. Isso se dá pela sua encarnação e logo depois o seu
ensinamento para quem todos creiam em suas palavras.
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a) Nos vv. 35-47, podemos destacar algumas


características da ação do Cristo encarnado, que é o tema
central desses versículos: Jesus que sacia a fome da
humanidade e em João crer Nele, será o núcleo da fé no
mesmo, por sua vez, Jesus afirma sua encarnação ao dar
resposta aos seus objetores (v.42), evidenciando sua
encarnação e também Redenção, Ressurreição e Ascensão.
Sobretudo o "ver" o Filho (v. 40b) que remete um
discernimento que Ele é o enviado pelo Pai.
b) Já os vv 48-59, o tema tratado é que "(Jesus) é o
pão vivo descido do céu" (v. 51), para chegar a essa conclusão
João faz um caminho no sentido espiritual-fiducial, ou seja,
espiritualidade e fé. João trabalha com bastante evidência os
verbos: comer-beber-carne-sangue-fome-sede, para destacar
que Jesus veio saciar a todos.
Essa afirmação de ser o "pão descido do céu" (v. 51),
remete um sinal permanente que dura para sempre, ligada a
isso a um caráter diretamente eucarístico, isto é, numa
perspectiva espiritual-fé (fiducial) a relação entre fé em Jesus
Cristo é participação sacramental eucarístico aspecto forte e
simultâneo.

6. Razões bíblico-teológicas que levam a doutrina


católica a afirmar que a santa missa é um sacrifício.
Conforme Tomás de Aquino, a Eucaristia só é
verdadeiramente sacrifício enquanto estiver em continuidade
com o mesmo sacrifício de Cristo na cruz. Portanto, a missa é
celebração e participação da Paixão de Cristo e sacrifício
memorativo e representativo da paixão do Senhor. Desta
forma as razões para ser afirmado que a missa é um sacrifício,
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se dá quando Jesus afirma na última ceia, quando lhe institui a


Eucaristia dizendo aos seus Apóstolos, “fazei isto em memória
de mim” (1 Cor 11, 24-25). Conforme o catecismo, cumprimos
esta ordem do Senhor celebrando o memorial de seu sacrifício.
Ao fazermos isto, oferecemos ao Pai o que ele mesmo nos
deu: os dons de sua criação, o pão e o vinho, que pelo poder
do Espírito Santo e pelas palavras de Cristo se tornaram o
corpo e o sangue de Cristo, o qual, assim, se torna real e
misteriosamente presente (CIC 1356). O caráter sacrifical da
Eucaristia é manifestado nas próprias palavras da instituição.
Na Eucaristia, Cristo dá este mesmo corpo que entregou por
nós na cruz, o próprio sangue que derramou por muitos para
remissão dos pecados.
Em relação à teologia protestante, não há dúvida que
o Cristo esteja presente nas espécies do pão e vinho, porém
não por parte qualquer e sim de Deus mesmo, que cumpre a
sua promessa e em cuja palavra devemos confiar. O que a
teologia protestante nega é a doutrina da transubstanciação.
Acredita-se que a presença real de Cristo está presente
somente durante a celebração, mas não permanece após, no
qual não se tem sentido a adoração eucarística como faz a
Igreja católica. Não há sentido consagrar e reservar num
sacrário; segundo a teologia protestante, vai contra o mandato
do Senhor. Lutero afirma que a Eucaristia como sacrifício é um
dom dado de Deus ao homem e não oferenda do homem a
Deus realizado por um ministro sacerdote. Lutero não entende
que a Eucaristia seja um sacrifício da Igreja. A Igreja só pode
receber a graça do sacrifício oferecido de uma vez por todas
por Cristo, mas não pode oferecer a Deus um sacrifício
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próprio, segundo a teologia protestante, é uma blasfêmia e


uma ofensa contra a unidade do sacrifício de Cristo.

7. Preparação para receber a Eucaristia.


Autojulgar-se na atitude e comportamento de amor,
justiça e comunhão com os irmãos.
Nos a todos em “crisis’ respeito à comunhão e ao amor
fraterno”;
É o amor de Cristo para os homens e o amor dos
cristãos para os irmãos o que constitui a fonte do sentido da
eucaristia. Praticar o mesmo amor com que cristo nos amou
para com os irmãos; Amor a sua Igreja.
Correção pessoal e comunitária antes de celebrar a
ceia do senhor: visando buscar a própria salvação e por sua
vez ser testemunho para o mundo;
A dimensão ética e fraterna da ceia do Senhor é
incompatível com qualquer tipo de discriminação e injustiça;
A relação da eucaristia com a edificação do corpo de
Cristo que é a Igreja.
Incompatibilidade da relação com o corpo e o sangue
de Cristo enquanto se esta em divisão com os irmãos.
Eucaristia na sua dimensão escatológica nos situa
entre o já e o ainda não da salvação que já participamos como
primícias do mundo futuro. Antecipa a definitiva salvação
escatológica. Participamos da mesma vida e amor de Cristo.
Nos comprometemos no amor aos irmãos e edificamos o
mesmo corpo de cristo que é Igreja.
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A recepção da Eucaristia por si mesma atua naqueles as que


a recebem, mas, melhor preparados as , os frutos da
comunhão são mais abundantes.

8. Matéria e forma do sacramento da Eucaristia.


A partir de S. Tomás de Aquino se fala em "matéria" e
"forma" na constituição do sinal sacramental. Assim, o pão e o
vinho enquanto matéria, unidos à forma ou palavras (epiclese
consecratória) constituem o sinal sacramental. Pela
consagração, pão e o vinho se tornam (transubstanciação)
corpo e sangue de Cristo.
Boróbio não fala em exceção, que só achei no Código
de Direito Canônico, que diz assim:
CC. 924§ 1: O sacrossanto Sacrifício eucarístico deve
ser oferecido com pão e vinho, e a este se deve misturar um
pouco de água.
A Congregação para a Doutrina da Fé concede indulto
para celebrar missa com mosto (suco de uvas sem fermentar),
por exemplo, para o caso de sacerdotes que não podem tomar
vinho, por alcoolismo ou outra doença.

9. Padres da Igreja e a Eucaristia.


Santo Agostinho: Na sua doutrina, Agostinho
considera a Eucaristia como Sacramento do Cristo total (totus
Christus, caput et corpus), como símbolo da unidade e de
comunhão eclesial. A Eucaristia é inseparavelmente símbolo
real de Cristo e símbolo real da Igreja. A Eucaristia é ao
mesmo tempo o Pão-corpo eucarístico e o pão-corpo da Igreja.
Para Santo Agostinho a Celebração da Eucaristia, que é
sacramento de piedade, sinal de unidade e vínculo de
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caridade, deve conduzir-nos a reconciliação e a unidade na


caridade entre todos os membros do corpo.
Santo Agostinho explica a Eucaristia como
memória do sacrifício de Cristo, e ao mesmo tempo como
sacrifício que a Igreja oferece. Eucaristia como renovação da
vida cristã pessoal e eclesial. Na dimensão escatológica: A
Eucaristia para ele é peregrinação desta vida, encerra em si a
tensão escatológica do Reino de Deus, que chegará a sua
culminação na Ressurreição.
Escola de Alexandia: A Eucaristia como
sacramentalização da palavra. Deus se fez homem para que o
homem se fizesse Deus. Essa divinização do homem se deu
pela encarnação, que vem a ser o acontecimento-chave de
sua teologia, e também sua compreensão da Eucaristia. Para
eles a Eucaristia é o meio preferido de comunhão com Cristo;
é o Corpo e o Sangue de Cristo, sua figura e manifestação
sacramental. A Eucaristia é o mistério central da Salvação.
Escola Antioquena: A Eucaristia como
sacramentalização do Mistério Pascal
Esta escola enfatiza o Jesus histórico, em sua
humanidade, em sua obra de salvação, realizada sobre todo o
Mistério Pascal. Esta mesma tendência se manifesta em sua
explicação da Eucaristia, que a consideram, sobretudo como
sacramento da humanidade de Jesus, como anámnesis que
realmente faz presente o sacrifício de Cristo, como presença
sacramental de sua obra salvífica.
Inácio de Antioquia: Considera a Eucaristia,
sobretudo no seu aspecto de acontecimento salvífico central
para a Igreja e sua edificação na unidade. Ele entende a
Eucaristia como ação de graças e memorial que representa o
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que Jesus fez na Última Ceia. Ele insiste na dimensão


eclesiológica e a importância da reunião, em que não só parte
o pão da unidade e se bebe do mesmo Cálice, mas também se
manifesta a unidade da Igreja, sobretudo quando é presidida
pelo bispo. Santo Inácio procura chegar por meio de cristo
encarnado a Eucaristia, e por meio da Eucaristia a Cristo
encarnado. A Eucaristia é para ele: Medicina de imortalidade e
antídoto contra a morte.

10. Significado da expressão “Eis o Mistério da fé”.


Ao participarmos de uma missa, podemos observar
que o sacerdote, após fazer a consagração do pão e vinho, diz
a seguintes palavras: “Eis o mistério da nossa fé”. Essa
expressão nos liga a história da nossa salvação, em outras
palavras, nos liga a paixão, morte e ressurreição de nosso
Senhor. A um momento trágico e magnífico que manifesta toda
a grandeza do amor de Deus. Cremos neste amor, porém se
torna um mistério, pois, não compreendemos a extensão dele,
pois o amor Deus é sempre infinito. Eis o mistério da nossa fé.

11. Concílio de Trento e Eucaristia.


As conseqüências positivas do Concílio de Trento para
a Teologia da Eucaristia e para fé do povo são:
• Clarificar a verdadeira e sã doutrina Católica quanto à
salvação, os sacramentos e o cânone bíblico, sobre os
erros adquiridos por influência protestante.
• Evidenciar o caráter sacramental da Eucaristia como
presença real do corpo e sangue de Cristo
(transubstanciação) e, não uma mera interpretação
simbólica ou figurada de cunho protestante.
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• Revelar o caráter sacrifical da celebração eucarística como


um memorial dos acontecimentos de Cristo, isto é, não faz
e nem repete um novo sacrifício, mas é o mesmo sacrifício
de Cristo na cruz que se celebra em memória.
As conseqüências negativas do Concílio de Trento
se resumem:
• Na forma de defender as verdades da fé de maneira
apologética, que conduziu a uma falta de diálogo entre
reformadores e católicos no que difere na doutrina.
• Na pratica celebrativa da eucaristia sem renovação, isto é,
unificou a celebração evitando arbitrariedades, mas
conduziu a celebração a um uniformismo impossibilitando
toda legítima criatividade e diversidade, em que permitiu
que o povo seguisse sem entender a missa e sem
participar dela.

12. Concílio Vaticano II e Eucaristia.


Como primeira característica destacamos a
centralidade do mistério pascal. A saber, a eucaristia era
entendida como celebração do mistério pascal, memorial da
morte e ressurreição do Senhor Jesus. Assim, o altar era o
ponto central, a referência de toda a celebração.
A presença real de Cristo era vivenciada (sentida) na
globalidade da celebração (na assembléia reunida, na Palavra
proclamada, na presidência da celebração e, sobretudo, nas
espécies de pão e vinho).
A Eucaristia como celebração memorial da Páscoa é
que constituía a principal fonte de espiritualidade cristã. O
“lugar” onde os cristãos encontravam força para levar adiante a
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missão de Jesus era precisamente a celebração da Eucaristia


como memorial pascal.
Outra característica: a centralidade da Palavra proclamada.
Esta, como presença viva do Senhor falando para o seu povo,
era levada a sério, com leitores qualificados, ambão,
lecionário, homilia.
Prevalecia a consciência de que a Liturgia da Palavra
(como momento do diálogo da Aliança) e a Liturgia eucarística
(como momento do selo da Aliança) constituíam um só ato de
culto e Deus na divina Liturgia (escuta da Palavra e
participação no Sacramento).
O mistério pascal celebrado é que constituída a
principal fonte de inspiração teológica. A saber, a teologia
eucarística era então elaborada principalmente a partir da
experiência do mistério da liturgia eucarística romana, no
primeiro milênio, tinha a característica de ser simples, prática,
literariamente elegante, com as orações dirigidas geralmente
ao Pai (por Cristo, no Espírito Santo).
Enfim, havia uma preocupação com a qualidade
(teológica, ritual, espiritual: pascal) da celebração eucarística,
procurando fazer ao mesmo tempo a ligação liturgia e vida.

“Enterrai este corpo onde quer que seja! Não tenhais


nenhuma preocupação por ele! Tudo que vos peço, é que
vos lembreis de mim no altar do Senhor onde quer que
estejais”. (Santa Mônica)