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ARTIGO

JORNALÍSTICO

Universidade Federal de Mato Grosso


Cuiabá, 04 de julho de 2009

Jornalismo Online – 6º semestre


Aluna: Mariana Coelho Vianna Gomes
Professora: Janaína Capobianco
Tema: A construção do perfil dos jornalistas profissionais da web em
tempos de convergência das mídias.

Tópicos A bordados:

-Perfil profissional do Web jornalista


- O processo de produção da notícia na web
-Perfil do Jornalista Brasileiro
- A perspectiva profissional para o jornalista da Web e Multimídia.

O jornalista, a web e os meios de comunicação de massa, uma


relação de descoberta, receios e promessas.
Muito se ouve acerca do processo de convergência das mídias que,
impulsionado pelo aparato tecnológico, abre novos caminhos e
possibilidades aos Meios de Comunicação de Massa. Entretanto,
pouco se diz a respeito das transformações que esses ‘facilitadores do
fluxo de informação’ vão causar à sociedade como um todo. Pois, uma
vez aberta, essa vereda tende e necessita ser desbravada e
aprimorada por aqueles que fazem ou farão parte da sua estrutura.

E é justamente nesse contexto em que se insere o jornalista do século


XXI. Compridos dentro dos pequenos espaços das redações, a classe
jornalística vê neste terceiro milênio dois paradigmas. O primeiro se
constitui no enxugamento gradativo das redações e dos veículos de
comunicação, na redução dos cargos e salários e na instabilidade
constante do mercado informacional; O segundo mostra um universo
além do real -o virtual- aonde se descobre a cada instante, novas
dinâmicas de trabalho, novos públicos, novos mercados, novas
demandas e, conseqüentemente, a exigência de um novo perfil para
os profissionais da comunicação, em especial, do jornalismo.

Mas, o que se pede desse novo profissional?

De acordo com o Doutor em Sociologia pela Universidade de São


Paulo, Marcelo Coutinho, não existe mais o controle da informação.
Em outras palavras, o jornalista não pode mais se sentir ‘detentor da
informação’. E é essa a principal transformação trazida pela internet,
pelas comunidades virtuais e pelo mundo digital por inteiro à
comunicação. Pois, dentro do contexto virtual, elementos
fundamentais do jornalismo como a linearidade, a autoria da obra, o
engessamento da linguagem e a passividade do receptor deixam de
existir.

E no lugar deles surgem características jamais imaginadas nos


primórdios do jornalismo. São elas: a instantaneidade, a
interatividade, a multimidialidade, a personalização, a não-
linearidade, a hipertextualidade, a perenidade, o fim da autoria e o
surgimento de um leitor saltitante.

Essa é a realidade advinda da terceira Revolução da humanidade, a


Revolução da Informação. E conforme todas as Revoluções anteriores,
a sociedade, a economia e os profissionais terão de se adequar a ela.
E, mais uma vez, tendo como pilar principal a informação, o papel do
jornalista da web e do comunicador ganha importância central nesse
processo. E com ela novas responsabilidades.
Contudo não são apenas os jornalistas da Web que deverão reavaliar
o modo de fazer jornalístico. De fato, jornalistas de todas as mídias -
que se pretenderem bem remunerados e empregados - serão levados
a construir um perfil múltiplo, um perfil multifacetado. Conforme
Pollyana Ferrari dissera em seu livro Hipertexto, Hipermídia, o novo
perfil do jornalista é o ‘jornalista Macgayver’. Aquele profissional que
possui várias habilidades, que manipula bem grande parte das novas
tecnologias, que é capaz de noticiar um mesmo evento com
linguagens distintas, através do domínio das técnicas jornalísticas,
para mídias e veículos diferentes. E se não fosse o bastante, tudo isso
em um espaço mínimo de tempo.

E a não-linearidade existente nesse meio nos leva a um conceito


denominado ciberdemocracia, onde o usuário passa a ter autonomia
sobre o conteúdo que deseja acessar e na ordem que o desejar.
O jornalista Instantaneísta

Denominação criada pelo Francês Ignácio Ramonet, o jornalista


Instantaneísta (ou jornalista MacGayver) é aquele que tem como
prioridade publicar o fato antes da concorrência. Seja impulsionado
pela vaidade ou pressionado pelo editor, que é pressionado pela
diretoria, exige-se, constantemente, que o jornalista conquiste furos
para a empresa. No entanto, amiúde o furo jornalístico vem
acompanhado de informações equivocadas, de erros gramaticais, de
textos mal elaborados e, quando não apurado, de barrigadas. E
quando esses enganos ocorrem todos saem perdendo: o jornalista, o
editor e a empresa têm sua credibilidade abalada.

Inferência

Pode soar cômico, mas como tudo tem um porém, aqui não haveria
de ser diferente. Como toda Revolução, as conseqüências dessa não
tardariam a aparecer. Trata-se da interferência da velocidade na
qualidade do material jornalístico. Isso mesmo, as novas tecnologias
trouxeram, simultaneamente, possibilidades inovadoras aos
jornalistas e impaciência e competitividade avassaladorasaos editores
e chefes de redação. Resultado: Barrigadas, erros de informação,
equívocos gramaticais e acintes à credibilidade outorgada pela
sociedade aos profissionais do jornalismo estão sendo cometidos.
Segundo Manuel Castells em ‘A sociedade em rede‘(1999), essa nova dinâmica de
trabalho destaca o valor do capital humano em um universo estruturado em redes
telemáticas. Redes que permitem que o mercado financeiro funcione 24 horas por
dia, independentemente de uma estrutura física e levando em conta apenas a
velocidade em que as informações são propagadas.
O caso mais recente aconteceu no dia 20 de maio desse ano. A
Globonews, canal fechado de notícias da Rede Globo, informou que
um avião da companhia Pantanal havia caído em um prédio comercial
da zona sul de São Paulo. A emissora rapidamente entrou ao vivo com
imagens de um incêndio em São Paulo, informando que a causa era a
queda de um avião e narrando possíveis detalhes da queda.

Em questão de minutos, a notícia correu todo o planeta. E agências


como a Reuters e France Presse e os telejornais dos canais SkyNews e
CNN soltaram matérias "informando" o ocorrido. Em seguida, a
Companhia Aérea Pantanal e a ANAC (Agência Nacional de Aviação
Civil) divulgaram comunicados negando o fato. Entretanto, somente
após cerca de cinco minutos de transmissão ao vivo, a GloboNews
informou que o incêndio ocorrera em uma fábrica de colchões e que
não havia vítimas. A emissora não informou a origem do erro, mas se
justificou:

A respeito do incêndio ocorrido hoje à tarde em São Paulo, a


GloboNews, como um canal de noticias 24 horas, pôs no ar imagens
do fogo assim que as captou. Como é normal em canais de notícias,
apurou as informações simultaneamente à transmissão das imagens.
A primeira informação sobre a causa do incêndio recebida pela
GloboNews foi a de que um avião teria se chocado com um prédio na
região do Campo Belo, Zona Sul de São Paulo. Naquele momento
bombeiros e Infraero ainda não tinham informação sobre o ocorrido.
As equipes da própria GloboNews constataram que não havia
ocorrido queda de avião e desde então esclareceu que se tratava de
um incêndio em um prédio comercial. Poucos minutos depois o Corpo
de Bombeiros confirmou tratar-se de um incêndio em uma loja de
colchões. Central Globo de Comunicação. (Comunicado da
GloboNews)
E, finalmente, a notícia sobre o local do incêndio foi mais uma vez
reformulada, para a versão final de que se tratava, de fato, não de
uma loja de colchões, mas de tapetes.
Acontecimentos como este ilustram com propriedade o que foi
anteriormente. E mais: Revela a existência da ânsia inconseqüente
pelo furo que bota em cheque a ‘’Inabalável’’ credibilidade do
jornalismo.

O texto na web
Conforme foi dito, é sabido que as novas tecnologias da informação
alteraram, de uma forma ou de outra, o texto padrão até então
escrito pelos jornalistas. Mas, diferente do que foi
exemplificadaacima, essa alteração também agregou infindáveis
qualidades ao modo de fazer jornalístico e à linguagem inerente a ele.
Muitos profissionais se entusiasmaram logo com as novas
potencialidades que ‘o virtual’ deu ao jornalismo; Outros profetizaram
a sua chegada como o fim do jornalismo de boa qualidade.
Entretanto, o fato é que, um texto bem escrito continua sendo
fundamental para manter funcionando as engrenagens do jornalismo.
E quem tem bom texto para jornal impresso, rádio ou TV,
possivelmente terá bom texto para o Jornalismo Online.
O jornalista deve apenas observar que a maior diferença entre essas
mídias e o Online está no entendimento da leitura do internauta. Pois,
este apenas passa os olhos pelas telas à procura de palavras-chave.
Não tem tempo nem disposição para as grandes reflexões nem para
textos extensos e faz questão de ler o texto a sua maneira. Sem lhe
seja exigido um ordem ou um entendimento linear dos
acontecimentos.
E é por isso que, o jornalista online deve não apenas saber escrever,
como precisa saber como dispor o texto no suporte. Ou seja, esse
profissional tem de conhecer o mínimo dos tipos de letras, da
composição visual, do uso de cores, corte e edição de fotos, áudio e
vídeo utilizados no universo da web. Mas, por quê?Porque somente
dessa maneira, o jornalista vai ter noção dos instrumentos que
poderão ser utilizados por ele a fim de transmitir a informação da
forma mais clara, objetiva e fidedigna possível.
“Considero, então, que não há um ‘formato para a internet‘ ou ‘formato para a Web‘. Existem
diversas maneiras de se usar textos e outros conteúdos na mídia em rede. Cada uma tem
uma aplicação determinada, com vantagens e desvantagens”. (Nilson Lage)

Transposição pura
Maior disponibilidade do que o texto impresso, distribuição
instantânea, onipresença, rapidez e baixo custo de publicação,
facilidade de visualização, facilidade de impressão, são muitas as
facilidades trazidas pela web. Mas, ainda assim, muitos veículos não
enxergam na web um nicho de investimento e apenas transpõem o
texto do papel para a rede. A exemplo disso tem-se os três maiores
jornais impressos do Estado de Mato Grosso que, ainda que possuam
portais de notícias, nenhum tem um equipe responsável apenas pelo
portal. As notícias são completamente iguais às do jornal impresso.
E, logicamente, essa prática é condenável. Pois, assim como o texto
para o rádio, a TV e o jornal impresso têm a sua particularidade, o
texto para web também merece atenção especial. Porque, do
contrário, não se aproveita bem os recursos da mídia, como
hipertextos, fotografias, vídeos, áudios, entre outros.

O processo de produção da notícia na web

O advento do hipertexto reinventou a técnica de construção da


notícia. E por isso, na internet a notícia não é construída como nos
demais meios de comunicação. Em decorrência da instantaneidade
prometida por ela, desde as técnicas de apuração até a publicação da
notícia foram reestruturadas. E a velocidade tornou-se determinante
na dia-a-dia das redações de Web. A construção da notícia passou de
um processo imediato e linear, para uma edificação gradual e
contemplativa.

A instantaneidade e a interatividade prometida pela Web fazem com


que o repórter possa repassar através delas pequenas notícias – em
forma de estrofes ou pequenas frases – a cada minuto. E isso altera
por completo o processo de produção da notícia, pois o que antes era
escrito de uma vez só e demorava a ser consumido, agora é
construído, publicado e consumido no mesmo instante.
Isso se deu porque os jornalistas online brasileiros adaptaram a velha
técnica de construção da notícia à nova mídia, invés de reinventá-la,
ou, mesmo seguir o exemplo das grandes Agências de Notícia que já
lidavam muito bem com essa demanda. O resultado foi o
aparecimento de uma série de sites apresentando seqüências ilógicas
de fatos, notícias mal estruturadas, barrigadas, dados imprecisos e
erros crassos de português. Como foi expresso no exemplo da
GloboNews.

De acordo com Pollyana Ferari, surge nesse cenário a ótica


difusionista da informação. Ótica que privilegia a quantidade e não a
qualidade das informações e que tem sido fortemente perseguida
pelos veículos de comunicação. Primeiro em função da questão
econômica e depois devido à obsessão dos comunicadores em dar o
famoso furo jornalístico. Entretanto, essa prática é condenada pelo
público e por especialistas que questionam a credibilidade desses
veículos.
Assim como a ausência de um desenvolvimento eficaz do texto ou da
informação ao longo do dia interrompe o conceito de rizoma. Pois,
este ao fim do dia deve estar tão estruturado e aprofundado quanto
um texto de jornal impresso.

Dentre as infindáveis potencialidades do uso da Internet, um novo


questionamento vem à mente: A Web deve ser usada como
ferramenta ou meio no processo de produção jornalístico?

Hoje, utilizam-se sites de busca e relacionamento, como o Google, o


Yahoo, o MSN e o Orkut como fonte de informação e personagens
para a realização de matérias, ou mesmo, como meio de propagação
de eventos, promoções e informativos. Não há dúvidas que a internet
seja uma grande facilitadora para comunicadores e sociedade em
geral, todavia a gíria pejorativa ‘Jornalista de Gabinete‘ que - era dita
aqueles jornalistas resolviam tudo por telefone e não saiam da
redação - agora estendeu-se ao Google. Os ‘Jornalistas do Google‘ não
se dão o trabalho de ir a caca de pautas e fontes, pois se limitam a
copiar trechos de artigos e matérias para realizar os seus trabalhos.

E são justamente práticas como essa que são questionadas pela


comunidade jornalística: Até que ponto essa prática é benéfica para o
jornalismo? Segundo o estudioso do tema, Roger Chatier, esses sites
não podem ser utilizados como fontes de informação. Até porque
sendo estes sites privados, perpassam por eles interesses políticos e
econômicos, pois já se tornaram nichos mercadológicos.

‘A internet é o fim da profissão de jornalista. Ou pelo menos da dignidade dela. O mais digno,
barrigudo e pomposo jornalista corre o risco de ser xingado por um molequinho em Mogi das
Cruzes. Ou de ser contestado num detalhe qualquer por um sujeito vagamente
desequilibrado que mora entre pilhas de jornais velhos no Baixo Leblon. Não importa se o
texto estava liricamente, solenemente, melancolicamente, maravilhosamente escrito.‘
(Alexandre Soares Silva – Jornalista )
O mercado de trabalho
Dentro da era da ‘Sociedade da informação’, o mercado jornalístico,
em especial, o da web não poderia estar mais aquecido. Não é à toa
que jornal de papel, rádios e as próprias emissoras de TV estão
preocupadas com as proporções que esse nicho está tomando. Assim,
pelo menos uma vaga existe em toda a redação: a do jornalista que
coloca na Web matérias feitas para outras mídias. Mais empresas de
comunicação estão desenvolvendo redações especificamente para a
internet, e a disseminação de acesso por cabo de TV e por rádio
exigirá muitos profissionais multimídia.
Depois que do ‘boom’ da internet em 2000, o mercado para
profissionais da Web só fez crescer. Espaços nunca pensados para a
prática do jornalismo, como blogs, flogs, comunidades virtuais, entre
outros, já possuem credibilidade e acessibilidade igual ou maior do
que as demais mídias. Para se ter uma idéia, o blog jornalístico do
repórter Ricardo Noblat –mesmo com baixo investimento- possui mais
acessos hoje do que o jornal impresso da Folha do Estado.
Dados como este não deixam negar que está havendo sim uma
gigantesca reestruturação dentro da organização jornalística. Mas
apenas na Web, que é um mercado limitado, de qualquer forma. O
maior mercado para os conhecimentos de tecnologia online está nas
empresas e nas assessorias de imprensa empresariais, porque
empresas médias e grandes começam a desenvolver suas páginas
Web e suas intranets e já precisam de quem desenvolva conteúdo e
press kits para estes novos canais de informação.