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Tchê, me fornece dez cacetinhos, por favor.

Quando me referi a índio, me referi ao povo mapuches, da região dos pampas


da América do Sul. Uma boa parte do território que pertencia aos mapuches,
hoje é a metade para mais do Rio Grande do Sul. Mas vocês querem saber o
porquê o pão no Rio Grande do Sul e na Bahia, se chama cassette? O termo
cacetinho só se aplica ao pão de cada dia nos Estados do Rio Grande do Sul
e Bahia. Se ainda fossem estados vizinhos, tudo bem, seria coisa típica de
processos culturais regionais são óbvios. Mas tem muito chão entre os pagos
gaúchos e as plagas baianas. Nesse intervalo, há uma multidão disposta a tirar
sarro a cada vez que um gaúcho ou um baiano pede cacetinho na padaria. De
quebra, descobri com o tempo que o pão francês, como é chamado o cacetinho
em muitos lugares, não tem nada de francês. É uma invenção brasileira para
imitar o aspecto externo do baguete francês, com outro sabor. Ou seja, chamar
o cacetinho de pão francês é tão sem sentido quanto fazer gozação do termo
cacetinho. Vai que eu descubra que foi Bento Gonçalves, quando fugiu da
prisão em Salvador para comandar a Revolução Farroupilha, quem trouxe no
alforje uns pãezinhos chamados pelos amigos baianos de cacetinhos. Ou, na
rota contrária, teria sido Jorge Amado, ao visitar o amigo Erico Verissimo, na
década de 1940, quem levou para a Bahia uns cacetinhos de Porto Alegre e
os divulgou como iguarias de Dona Flor. Pão francês, pão de sal ou pão careca
são alguns nomes dos pães pequenos, produzidos no Brasil para serem
consumidos em refeições como o café da manhã e o lanche da tarde. Segundo
os dados da Pesquisa de Orçamento Familiar do Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística o consumo per capita do pão de sal foi de 53g/dia. Em Portugal, os
pãezinhos equivalentes são conhecidos como papossecos ou carcaças. O
hábito de consumir pães pequenos parece ser relativamente recente. No norte
de Portugal, os papossecos são vulgarmente chamados moletes, o que pode
estar relacionado com as invasões francesas, em 1809: a segunda invasão foi
comandada pelo General Moulet que, vendo a escassez de cereais, ordenou
que fizessem pães pequenos para os seus soldados; o pão do General Moulet
tornou-se popular e passou a ser conhecido pela forma referida. No Brasil, o pão
francês parece ter surgido no início do século XX, quando os burgueses da
Primeira República adotaram a cultura francesa da Belle Époque como padrão,
não apenas na gastronomia, mas também na moda, nas artes e nos
hábitossociais. Mas a verdade é
que, o pão cassete e não cacete,
cassetinho e não cacetinho, tem
este nome em referência a Rue
Cassette que fica em Paris, pois era
famosa no século 19 por ser a rua
das Boulangerie (padarias). Então,
referir-se a rua na época, era o
mesmo que dizer pão da Rue
Cassette. Forte São João tornou-
se um símbolo para Bertioga e um
marco para a história do país. Foi nele que, em 1563, os jesuítas Manoel da
Nóbrega e José de Anchieta se hospedaram, por cinco dias, antes de irem para
Ubatuba apaziguar os índios revoltados na Confederação dos Tamoios. Foi
também de Bertioga que Estácio de Sá e sua esquadra partiram, em 1565, para
dar combate aos franceses e fundar a cidade do Rio de Janeiro. Os poucos
franceses que sobreviveram à está guerra foram para Bahia ou para o Rio
Grande do Sul. Assim estes dois Estados passaram a absorver por meio das
colônias francesas os costumes, assim com enriquecer seus vocabulários com
nomes franceses. Então recebemos de presente dos franceses o nome do pão
em homenagem a Rue Casette da França!
Viu nada de sacanagem!
História, é o que te faz conhecer quem somos e para onde vamos!
Bibliografia:
http://www.bertioga.sp.gov.br/servicos-online/servicos-para-o-cidadao/historia/
http://www.conservadorismodobrasil.com.br/2017/05/confederacao-dos-
tamoios.html
https://www.slideshare.net/ascarirafael/histria-do-brasil-invases-holandesas-e-
francesa