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O MARACATU RURAL CAMBINDA BRASILEIRA DE NAZARÉ DA MATA COMO

REPRESENTAÇÃO DA CULTURA AFRO-BRASILEIRA

(Arleide Vicente da Silva –UEPB /Especializanda/ arleide.vicente@yahoo.com.br)


(Patrícia Cristina de Aragão Araújo - UEPB/ Doutora/patríciacaa@yahoo.com)

Este trabalho busca refletir sobre o grupo de maracatu de baque solto Cambinada Brasileira
como representação da memória e cultura afro-brasileira no contexto social de Nazaré da Mata,
enfatizado a sua importância na construção e no processo de afirmação identitária que se dá através das
práticas desenvolvidas ao longo de sua história. Com isso, procuramos discutir a cerca da representação
das práticas culturais mostrando como através das atividades que desenvolvem durante a sua existência
histórica são percebidas as dimensões valorativas que os tornam bens culturais a ser resguardado e
mostrando que nessa expressão da cultura afro-brasileira coexistem elementos que tecem os signos e
fios da urdidura desta manifestação cuja importância histórica, coloca-o como artífice dos bens
culturais que se notabiliza através dos mais de 90 anos de atividades ininterruptas e se faz presente
durante as apresentações que fazem nas festas carnavalescas e em outras ocasiões, demonstra a sua
importância enquanto patrimônio imaterial de Pernambuco.
Palavras Chave: Cultura Afro-Brasileira. História, Maracatu de Baque Solto; Patrimônio Imaterial.

1. INTRODUÇÃO
Tendo se originado na região na zona da mata norte ou zona canavieira de Pernambuco, o
maracatu rural está intrinsecamente relacionado com o mundo rural. Trata-se de manifestação popular
que surgiu dos embates culturais gerados pelo desenvolvimento das atividades da produção açucareira,
está sendo considerado símbolo da identidade cultural do Estado onde é conhecido como “terra do
maracatu de Baque solto”, por concentrar maior número de maracatus existentes no Estado e onde são
desenvolvidas atividades culturais ligadas às manifestações populares na região, pois mostram como
tradições que são mantidas pela maioria dos grupos compõem os maracatus de baque solto, de
orquestra ou rural como é conhecido. O maracatu faz parte do saber histórico transmitido por seus
integrantes, serve como garantia, sobrevivência e manutenção dos costumes e práticas herdados dos
descendentes de escravos e da influência dos descendentes indígenas que compunham a maioria da

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população da referida região. Tais manifestações são realizadas, em sua maioria, por de trabalhadores
que suas atividades voltadas para o campo, principalmente, principalmente, no plantio, colheita e
produção da cana de açúcar que, mesmo morando na zona urbana ou rural daquele município, fazem do
maracatu uma atividade diária de quem os vivenciam.
Assim, o Maracatu Rural Cambinda Brasileira de Nazaré da Mata, município pernambucano
localizado a 65 km da capital Recife, é considerado uma referência no que diz respeito à manutenção
de uma das manifestações mais antiga da cultura popular. Conhecida como terra do maracatu de baque
solto, a cidade possui 21 grupos em atividades que promovem encontros de maracatu, que por sua vez,
faz parte do calendário festivo da cidade, como também, servem de atrativo turístico e formento para da
economia local, pois contribuem para que possamos perceber que o espaço reflete as experiências
diárias dos indivíduos que as vivenciam e os colocam frente às riquezas extraídas dos aspectos ligados
manifestações populares de cultura como se constitui como mecanismos culturais capaz de determinar
as características de formação dos grupos sociais. Por essas vias, podemos entender as referências que
podem ser feitas sobre os núcleos rurais, como sendo perceptíveis das tranformações históricas e que
podem guardar traços de uma estrutura social marcada por questões sociais que os referenciam, como
atenta Caurl O. acerca da a estratégia da possibilidade de transformação de um recorte geográfico em
espaço cultural, diz:

Poucas paisagens culturais atuais são inteiramente produtos do trabalho de comunidades


contemporâneas. A evolução de uma paisagem é um processo gradual e cumulativo – tem uma
história. Os estágios nessa história têm significados para a paisagem atual, assim como para as
do passado [...] refletem não apenas evoluções locais, mas também grande numero de
influências devido a migrações locais, difusão, comercio e trocas” (SAUER, 2003, p.39).

Conforme o exposto, podemos perceber o meio social como local em estão inseridos em que
estão inseridos indivíduos socialmente localizados que são capazes de perceberem-se como sujeitos
sociais constituídos de seus valores e que podem ser colocados no âmbito das discussões que se quer
levantar acerca tudo sobre o Maracatu Cambinda Brasileira de Nazaré da Mata, se sobressai como
reveladora dos modos de vida coletiva dos afro-descendentes brasileiros e o lugar presente na memória
e, de onde são feitas a construção histórica e identitária dos envolvidos. Nessa perspectiva iremos
abordar alguns aspectos que envolvem as práticas culturaisl do maracatu Cambinda Brasileira enquanto
fator de resistência da população na manutenção de antigas tradições, dessa forma, podemos perceber

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rural fazer parte da existência do maracatu de baque solto e a coloca como símbolo da região. Sem
perder seu significado comum, neles são encontrados ícones de vários folguedos populares, como
pastoril, bumba meu boi, folias de rei, entre outros, em alusão aos folguedos existentes no Nordeste e
em outras regiões brasileiras. Retratam as tradições das culturas africanas e tambem das indígenas,
demonstram um dos exemplos significativos da dinâmica da cultura popular brasileiras.
Sua relação com o meio rural está ligado ao cotidiano de seus integrantes e na representação de
seus personagens, entre os quais: as baianas (damas de buquê), dama da boneca, caboclo de pena,
mateus, catirina, burra, babau, caçador, porta bandeira, mestre de toada, contra mestre, rei e rainha,
valete, dama e o caboclo de lança, esse último considerado símbolo , tido como guerreiro e defensor
do grupo. O maracatu é considerado uma manifestação cultural afro-indígena que se expressa através
de linguagens teatrais, da dança, crenças dentre os quais, personagens como o caboclo de lança
considerado símbolo da cultura pernambucana. Além do ritmo rápido produzido pelos chocalhos,
surdo, cuíca e instrumentos de sopro constituem as brincadeiras de homens, mulheres e criançasEstá
ligado aos embates culturais gerados pelo processo de colonização a exemplo da dominação religiosa e
outras formas de opressão e de crimes praticados pelo sistema escravista.
Como forma de resistência, o maracatu rural, segue retratando os costumes da terra, a
religiosidade, representada através de práticas comuns ao grupo e cercadas por mistérios, praticados
pela maioria de seus integrantes, principalmente os caboclos de lança e de pena. Envolvem vários
aspectos místicos com forte presença do catimbo, da jurema e da macumba, influências das crenças
afro-indígenas, comum na região nordestina, na época.
Um dos componentes importante desse ritual, diz respeito ao azogue, consiste num ritual que
acreditam ter poder de purificação da alma e dos espíritos. São realizados de forma diferente nos dias
que antecedem o carnaval. Segundo Siba e Astier: “é parte importante na construção da identidade do
maracatu [...] consagração de alguma parte da fantazia a entidade religiosa da umbanda, o „calço‟;
banhos; defumações, rezas de proteção e o preparo do „zogue‟ ” (SIBA e ASTIER. 2008, p. 47). Entre
outros, rituais ou segredos, servem como suporte ou instrumento de materialização desse folguedo
popular.
Durante sua trajetória histórica, o maracatu rural vem atuando como símbolo de resistência da
cultura local e componente de fator identitário para região. Surgiu entre o final dos séculos XIX e início
do de XX, período bastante conflitante e conturbado para a população afro-descendente que saiam do

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pó-abolição. Perceptíveis a mudanças, os negros/as tiveram que se adaptar a realidade imposta pelo
sistema escravista e estabeleceram novas formas de sociabilidades.
Mesmo sendo proibidos, puderam cantar e dançar aos sons dos tambores africanos. Nesse
processo, a presença dos elementos indígenas é significativa, pois, constituíam parte dos excluídos e
que tiveram sua identidade cultural negada, alem de serem perseguidos expulso de suas terras, todavia,
conseguiram reunirem valores étnicos e culturais juntamente com os afro-descendentes, como mostra
Hélio “[...] as leis dos colonizadores permitiam que os negros escravizados, trazidos da África
pudessem continuar realizando as suas práticas culturais expressas nos costumes e valores herdados de
seus ancestrais, dentre outros, os batuques, as danças e a música.
Conforme as normas regulamentadoras dos padrões sociais vigentes naquele periodo, não eram
permitidos os costumes e as danças indígenas” (SILVA, 2005). Sendo assim, podemos pensar como se
deu a organização dos grupos de maracatus formulados por indivíduos em um dado momento marcado
pela exclusão social e conseguiram criar formas de sociabilidades. Para o historiador Roger considera
essas atribuições, pois, segundo ele: “Centra a atenção sobre as estratégias simbólicas que determinam
posições e relações que constroem, para cada classe, grupo, ou meio, um ser percebido constitutivo de
sua identidade” (CHARTIER, 1991). Essa acepção torna concebível a forma pela qual se constrói o
conhecimento histórico e tratar as relações sociais organizadas em torno de objetos comuns ao grupo.
Durante sua trajetória foi ganhando importância histórica para a cultura brasileira. Conforme o
pensamento de José Ramos ao falar das experiências culturais africanas segundo o autor é: “[...] através
da incorporação da rítmica africana na progressiva criação de formas de canto e dança de combate ao
mesmo tempo original, local e nacional” (TINHORÃO, 2004, p. 23). Todavia, a ideia de José Ramos
expressa um momento histórico marcado pela escravidão, dominação religiosa e de conflitos sociais
existentes. Assim, podemos entender o maracatu rural por meio da função e importância que exerce na
cultura pernambucana, pelos aspectos históricos que apresentam cada grupo existente, como se
apresentavam, bem como as características que os diferenciavam, remetem aos locais que se
constituem espaços de sociabilidade e de afirmação das identidades dos afro-descendentes no Brasil.
Consideradas como medidas que pode impulsionar o conhecimento da diversidade histórico e
cultural do maracatu Cambinda Brasileira, considerado uma manifestação afro-brasileira típica de
Pernambuco, que se expressa através de linguagens teatrais, da música e da dança as tradições da
cultura popular brasileiras, envolvem elementos que os constituem compreendem os significados a eles

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atribuídos, bem como a apreensão dos valores construídos, permitem sua atualização junto à sociedade,
são amplos conceitos e imagens criadas a esse respeito, como mostra os estudos de Siba Veloso:
Embora não dando conta de explicar ou descrever o caminho que percorreram as diversas
matrizes que compuseram os folguedos, essa relação simbólica diz muito do quanto ele, em
suas origens, está profundamente ligado ao embate cultural gerado pelo processo de
colonização no Brasil, marcado pela escravidão, dominação religiosa e confronto. (BASILIO,
2008, p. 46)

Em conformidade com o autor supracitado, as formas de expressão cultural presente no


maracatu pode ser pensado em seus sentidos amplos e complexos que se abrem aos debates e
discussões de forma que ajudem em novas compreensões. De forma a serem apreendidos de acorde
com os processos históricos em que estão inseridos em contexto de mudança. Perceber a sua
importância pode nos ajudar na compreensão dos saberes atribuído a homens e mulheres que
percorreram um longo caminho para o seu reconhecimento e aceitação da sociedade, conforme Ivaldo
Marciano (2009, p. 74) isto é: “festejado e proclamados símbolos máximo da identidade
pernambucana”. Essa referência sugere indagar sobre como ao logo da história os maracatuzeiros se
apropriaram dos recursos que lhes eram apropriados no contexto histórico em que estavam inseridos,
conseguiram tornar parte da dinâmica que diz respeito às tradições da cultura local. Assim, o maracatu
rural é considerado uma reprodução simbólica das formas de organização social, política e cultural
onde podem ser conferidas misturas e interações entre indivíduos que se reproduzem através dos
tempos e que se sobressaem enquanto impulsionadora das tradições popular dos Pernambucanos. Como
explica Sandra C. A. (2007, p. 5) diz ser: “atribuição de valores que simbolizam a bens culturais
imateriais considerados de valor histórico, sentidos e vivências subjetivas, determinadas pela relação
que esses objetos estabelecem com os sujeitos ou grupos sociais” e cambindas contribuíram para a
afirmação identitátria dos grupos envolvidos nesse processo, podem contribuir para o processo de
transmissão de conhecimentos de seus antepassados e com as relações mantidas entre grupos no
contexto social escravista de Pernambuco, podemos perceber a diversidade das práticas sociais
desenvolvidas pelos grupos marginalizados. Compreende os sentidos e significados as práticas nos
maracatus nos processo históricos, a saber, as comunidades que os compõem; suas relações com o meio
em que estão inseridos os maracatus conferem os conceitos sobre noções de práticas e representação
formuladas pelo historiador francês Roger, ajuda na compreensão das formas de organização social e as
construções coletivas, onde as práticas, segundo ele:

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[...] visam a fazer reconhecer uma identidade cultural, a exibir uma maneira própria de ser no
mundo, a significar simbolicamente um estatuto e uma posição; enfim as formas
institucionalizadas e objetivas em virtudes da quais “representante” (instâncias coletivas ou
indivíduos singulares) marcam de modo visível e perpétuo a existência do grupo, da
comunidade ou da classe. (CHARTIER, 1991 p. 183).

Isso explica como indivíduos constroem, através de suas imagens, formas representativas noss
na sociedade, indivíduos interagem e criam formas de sociabilidades que garante a permanência
individual do grupo. Essa interpretação confere as reinvenções das práticas que sugiram, o Cambinda
Brasileira está entre os instrumentos de valor histórico, artístico e cultural de Nazaré da Mata. Como
representação da cultura afro-brasileira confere a lista os bens material e imaterial que englobam
patrimônio a serem protegidos, através de medidas políticas que visa à preservação, restauração,
recuperação e valorização dessa manifestação cultural que pode tornar-se, patrimônio cultural e
imaterial brasileiro. Dada a importância do maracatu rural e outras manifestações em manter a unidade
cultural, conforme Inácio Marciano “não se trata só de brincadeira [...] nem só de herança africana, os
maracatus na verdade são bens brasileiros compostos de saberes e modos de fazer os mais variados”
(LIMA, 2009, p. 71).
Isso torna mais expressiva as manifestações representativas da cultura popular
pernambucana e ênfase quanto à participação da sociedade na busca pelo reconhecimento do maracatu
ser preservado. Isso reforça o reconhecimento e atesta os aspectos culturais atribuídos a saber, a
dinâmica dos grupos sociais que atuam nos maracatus de baque solto. Sendo assim, buscam através das
suas práticas nos grupos de maracatus rurais, conhecimentos sobre seu passado, bem com, os diversos
aspectos que envolvem a diversidade étnica dos indivíduos e grupos como atores sociais como
representantes da trama nos processos históricos.
Dessa forma, podemos conferir alguns questionamentos sobre as atividades desenvolvidas nos
maracatus rurais e conferir como elas compreendem as práticas, os saberes, entre outros, os costumes
herdados dos ancestrais africanos ao longo dos anos e continua sendo incorporados e são consumidos
por homens e mulheres que atuam direta e indiretamente nos maracatus. A compreensão sobre essa
manifestação sob a perspectiva da cultura, podem ser interpretada em conformidade com conceitos de
Sandra Jatahy, segundo ela:
A cultura é uma forma de expressão e tradução da realidade que se faz de forma simbólica, ou
seja, admite-se que os sentidos conferidos ás palavras, às coisas, às ações e aos atores sociais se
apresentam de forma cifrada, portanto já um significado e uma precisão valorativa
(PESAVENTO, 2004, p. 15)

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Conforme o exposto, podemos perceber que o grupo Cambinda Brasileira permite perceber a
importância dos valores culturais transmitidos por meio das tradições de grupos sociais organizados.
Perceber essas atribuições como atribuições que se deu através das práticas desenvolvidas que ainda
mantidas no meio natural, como sujeitos sociais perceptível de mudanças. São reflexos das crises na
economia açucareira que acompanha a trajetória histórica da região, expulsa trabalhares históricas do
campo para cidade. Manoel Correia aponta uma das conseqüências causada pela migração desse
processo sobre a cultura ser um processo dialético em que o migrante, segundo o autor: “[...] conserva
certos hábitos que, costumes ou crenças , mas, ao mesmo tempo, recebe a influência que modificam
estes valores e, ao regressar ao lar, traz a marca destas transformações, provocando uma aproximação
cada vez maior entre o rural e o urbano (ANDRADE, 2004, p. 74). É nesse contexto, iniciado
principalmente em meados dos anos 30 e 60 do século XX. Passaram a integrar mulheres, elementos de
brinquedos passaram a compor o maracatu rural (baianas, reis e rainhas), dentre outro componentes.
Passou por transformações que os ressignificaram e vem recebendo novos valores culturais.
Isso vem contribuindo para o fortalecimento e difusão dessa manifestação. Atualmente o maracatu é
usado para indicar um folguedo pernambucano que se apresenta de duas formas: o maracatu Nação ou
de Baque Virado e Maracatu de Baque Solto, Maracatu Rural ou de Maracatu de Orquestra. Um dos
principais aspectos representativo do grupo diz respeito a idéia de formas coletivas presente na
evolução movimentos e organização e estratégia de pensar o grupo definindo papeis sociais. Conforme
essa forma de organização, Ana Valéria ressalta que:
Composta pelo desfile de uma corte real, baianas e arreia-más ou tuxaus (caboclo com um cocar
de penas de pavão), rodeados pelos caboclos de lança e complementados por personagens como
o mateus, a catarina e a burra. Estes personagens dançam ao som de uma orquestra de
percussão e metais (cuíca, caixa, surdo, gonguê, e trombone) que toca entre os desafios de
versos improvisados pelo mestre do grupo (VICENTE, 2005, p. 27).

Dessa forma, o maracatu enquanto maracatu rural importância enquanto patrimônio imaterial de
Nazaré numa discussão desse estudo se justifica no contexto dos estudos rurais, porque evidencia
valores, estilos e modos de vida que expressam a cultura afro-brasileira a partir do olhar do campo e
das pessoas que os vivenciam, que no seu cotidiano, constroem suas histórias e ressignicam a sua arte
através do maracatu rural.
O presente estudo faz parte de uma pesquisa em andamento em que apresentamos o maracatu

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Assim, o maracatu Rural pelas misturas que apresentam, qual seja, vários elementos que
compõem as várias manifestações da cultura popular existentes no interior do Estado pernambucano e
no Nordeste podem, entre outros, ser associado às tradições da cultura afro-brasileiras. As violências
que sofriam e consequentemente as resistências ainda presente nos momentos de descontração dos
grupos que vivenciaram momento história, atualmente são colocados como uma das principais
manifestações da cultura popular brasileira.
Seja pelos aspectos históricos e cultural presentes na cidade de Nazaré da Mata, se destaca
como das principais cidades por ter o maior e mais antigo dos maracatus rurais em atividade no Estado.
Todavia, o Cambinha de Araçoiaba fundado no dia 10 de dezembro de 1914, no engenho Olho D‟Água
e por ter o Cambinda Brasileira fundado no Engenho Cumbe no dia 1ª de janeiro de 1918, como o mais
antigo em atividade torna essa manifestação referência local e nacionalmente conhecida, por sobressair
valores étnicos e culturais de grande relevância para a cidade onde está inserido.
Atualmente possuem cerca 180 integrantes, o grupo funciona como ponto de cultura no Estado,
faz parte de um projeto implementado por lei, através da Fundação de Apoio ao Patrimônio Artístico e
Cultural de Pernambuco, (FUNDARPE), busca incentivar a cultura e melhorar a qualidade de vida dos
maracatuzeiros e a população em geral, garantindo a resistência e fortalecimento da cultura na região,
permitido assim, o desenvolvimento das manifestações populares, reciclagem dos grupos, entre outros,
a divulgação da cultura local e contribui para que o referido grupo torne-se atuante no processo de
valorização das tradições da cultura afro-brasileira, cujo princípio e valores possam, através do
maracatu, continuareem presente na memória coletiva de seus integrantes os costumes e saberes da
cultura de matriz africana, conforme Sandra Jatahy (2004, p. 39) “[...] São matrizes geradoras de
condutas e práticas sociais, dotadas de força integradora e coesiva, bem como explicativa do real”.
Assim, esse grupo vem atuando e se destacando por meio das atividades que desenvolvem junto às
comunidades de origem e busca manter e preservar através das apresentações durante e após o carnal,
todavia, se configura em novos contextos, em que estão inseridos perspectivas e possibilidades de
reelaboração de novos elementos culturais. É nesse processo que os maracatus têm acompanhando a
dinâmica social, tornando ainda mais instigante a sua representação em relação a cultua local. Segundo
os conceitos de Sandra Jatahy sobre o significado da respectiva atividade diz ser:
As representações são tambem portadora do simbólico, ou seja, dizem mais do que aquilo que
mostram ou enunciam, carregam sentidos ocultos, que, construídos social e historicamente, se

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internalizam no inconsciente coletivo e se apresentam como naturais, dispensando reflexão.
(PESAVENTO, 2004, p. 41):

Isso confere ao Cambinda Brasileira atribuições que os tornam fator de importância relevante
para a história de Nazaré da Mata, pois atribuem sentidos amplos sobre os costumes, crenças, dentre
outros, a compreensão dos valores, que pode se dá através dos sentidos que podem ser interpretados por
meio objetos que pode representado por meio de atribuições que se queira dá sobre ele, José
D‟Assunção ao indagar sobre o que está sendo colocada as formas pelas quais os indivíduos indivíduos
interagem com o meio e constroem os modos de fazer e pensar cultura, xplica:
[...] através delas podemos examinar tanto os objetos culturais produzidos , os sujeitos
produtores e receptores de cultura, os processos que envolvem a produção e difusão cultural, os
sistemas que dão suportes a estes processos e sujeitos, e por fim as normas a que se conformam
as sociedades inclusive através da consolidação de seus costumes (BARROS, 2004, p. 82).

Assim, podemos inserir o maracatu no âmbito nas discussões sobre a compreensão da


diversidade cultural afro-brasileira, ressaltando a importância Cambinda Brasileira e sua representação
frente cujo conhecimento a ser concebido reflita sobre os modos de fazer enraizado ainda presente no
cotidiano das comunidades localizadas seja nas áreas urbanas ou nas rurais, continuem, através dos
exemplos mostrados apresentados nesse texto, seja divulgado como garantia de respeito à diversidade e
pluralidade de culturas na sociedade brasileira, para que sejam possíveis essas atribuições Sandra A. ao
dizer que:
“[...] os objetos ou as coisas, mas suas representações imagéticas e simbólicas circulam nas
entranhas das memórias dos sujeitos sociais, em meio a sentimentos e vivências que resistem ao
acaso e se mantém devotadas a sustentar vínculos com os seus lugares de pertencimento,
historicamente construídos (PEREGRINI, 2005, p. 5).

Em conformidade com a autora, podemos atribuir como parte das tradições das matrizes
africanas pudessem ser ressignificadas no maracatu Cambinda Brasileira; aspectos histórico que os
orientam através dos festejos populares que se realizados durante o ano, podem ser colocados em
articulação com os modos de vida diária das pessoas para que continuem sendo preservadas através dos
processos históricos e, dessa forma, contribuir para a transmissão de seus valores da cultura afro-
brasileiras.
O conhecimento faz parte dos modos de fazer pensar através dos tempos e, através deles,
tornam-se perceptíveis no cotidiano dos grupos sociais, colocam em evidência os aspectos da dimensão
cultural, que segundo as medidas referentes à valorização patrimônio Nacional, abre espaço para as
discussões que viabiliza o conhecimento para as gerações futuras sobre as manifestações das culturas
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de tradição e afro-brasileiras. Entender os elementos que se configuram bem como os aspectos que
configuram em termo de cultura. Assim, o Maracatu Cambinda Brasileira, apresentam aspectos que
condizem com sua realidade histórica e cultural e social em que estão ligados formas de expressões
representadas através do fazeres e saberes transmitidos coletivamente, segundo acevera João Batista
Lanari:
A totalidade das criações de base tradicional de uma comunidade cultural, expressadas por um
grupo ou por indivíduos e reconhecidas como um reflexo das expectativas de uma comunidade
na medida em que refletem sua identidade cultural e social; seus padrões e valores são
transmitidos oralmente, por imitação ou por outros meios. Suas formas são , entre outras, ,
língua, literaturas, , musica, dança, , jogos mitologia, rituais, hábitos, artesanato, arquitetura e
outras artes [...] serão levadas em conta também, as formas tradicionais de comunicação e
informação (BO, 2003, p. 73).

Conforme o autor supracitado, podemos pensar a forma pela qual as práticas são construídas e
como elas permeiam os modos de vida que determinado grupo ou indivíduo escolhe para si. Segundo
os integrantes do Cambinda Brasileira. Sendo assim, podemos perceber o maracatu como ações
capazes de exercer funções sociais que os colocam como expressão de cultura no quadro manifestações
da cultura afro-brasileira, que se materializa através da música, dança, fantasia, bem como os rituais
que apresentam, os fazem reconhecer valores culturais presentes na diversidade da cultura popular
brasileira, o maracatu Cambinda Brasileira confere a construção dos valores étnicos e culturais
representados por seus integrantes chamados de maracatuzeiros contribuem, dessa forma, para
divulgação dessa expressão de cultura, bem como, categoria a ser colocado no quadro das discussões
que trata patrimônio cultural imaterial, coma de apreensão dos valores étnico e cultural das tradições
da matriz africana no Brasil.
Tais reflexões conferem ao maracatu a importância e o significado dessa expressão para a
cultura popular brasileira e, dessa forma, possam entender o processo histórico ao qual se deu a
afirmação do maracatu rural Cambinda Brasileira na zona da mata norte pernambucana como sendo
parte das práticas, experiências e conhecimentos que carregam contribuem para o processo de formação
identitário para os indivíduos que permeia a referida região.

A forma pela qual o maracatu Rural Cambinda Brasileira tem se afirmado mediante os
processos históricos tem contribuído para a afirmação e atuação dos indivíduos que atuam o referido
grupo. A idéia a ser transmitida é de que os maracatuseiros estão imersos fazem partes conhecimentos

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construídos e de indivíduos que, de alguma forma, buscam através dos sentidos que lhes são atribuídos.
Dessa forma, busca-se mostrar as táticas e estratégias desenvolvidas pelos maracatuseiros/ as, entre os
quais vivenciam como sendo criações suas, e tornam-se redes de sociabilidades assim como um dos
principais atributos de uma das expressões da cultural afro-brasileira, que se introduziu historicamente
e que predomina como tradição no contexto regional da zona da mata pernambucana.
Conhecida como terra do maracatu, o município de Nazaré da Mata vem ganhando destaque na
preservação dessas manifestações culturais consideradas uma das mais ricas expressões de cultura no
do Estado pernambucano. Conta com vinte e um grupos de maracatus, dentre eles, destaca-se o
Cambinda Brasileira, considerado o maracatu rural mais antigo em atividade, foi fundado no dia 05 de
janeiro de 1918, no Engenho Cumbe localizado a aproximadamente 6km da urbana da cidade.
Atualmente o grupo funciona como ponto de cultura, regularmente registrado e tem recebido apoio de
instituições públicas e privadas, que buscam a preservação do maracatu rural na região da zona da
mata. Podemos destacar também a iniciativa da Fundação de Apoio a arte e cultura patrimonial de
Pernambuco (FUNDARPE), que por sua vez, tem trabalhado com o propósito de elevar as tradições
culturais na região da zona da mata norte, querendo com isso, implementar ainda mais as atividades e o
intercambio de conhecimentos entre os maracatus e outras manifestações da cultura local.
No tocante aos estudos históricos sobre a cultura afro-brasileira, permitem compreender como
se afirmam as tradições e identidade do grupo, a saber, os fatores correspondentes aos valores étnicos e
culturais da cultura afro-brasileira que estão presentes no maracatu Cambinda Brasileira e como ela se
relaciona com seus integrantes compreende a construção de interesses de homens e mulheres inseridos
num grupo, na qual buscam uma referencial que os afirmem como sujeitos a sua maneira. Assim, os
símbolos africanos, entre outros, os personagens que encontramos nos maracatus, constitui-se em
elementos que se desenvolveram e se transformaram em práticas que vem sendo, ao longo dos anos,
ressignificadas e ganharam novos valores no contexto social de Nazaré da Mata. Fazendo de sua
localidade o lugar de memórias e de afirmação da identidade étnica e cultural dos grupos que os
constituem.

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