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30/08/2018 26 anos depois, patinhos de plástico ainda boiam no mar e valem muito - Histórias do Mar - UOL

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HISTÓRIAS DO MAR
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26 anos depois, patinhos de plástico ainda boiam no


mar e valem muito
Jorge de Souza
29/08/2018 12h19


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Em janeiro de 1992, um navio deixou cair no meio do Pacífico alguns


contêineres que transportava. Com o impacto na água, um deles se abriu e
espalhou no mar a sua exótica carga: mais de 28 000 bichinhos de plástico, a
maioria simpáticos patinhos desses usados para divertir as crianças nas
banheiras.

Teria sido apenas mais incidente deste tipo, tão comum nos mares do planeta,
não fosse por um detalhe: como se tratavam de brinquedos feitos justamente
para flutuar, meses depois alguns daqueles bichinhos de plástico começaram a
chegar em certas praias da costa do Alasca, a mais de 3 000 quilômetros de
distância.

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E, nos anos seguintes, continuaram a pipocar em partes bem mais distantes do


globo terrestre, como a Austrália e a Escócia, depois de migrarem de um oceano
para outro, através das correntes marítimas.

O curioso fato chamou a atenção de alguns cientistas, que passaram a tentar


rastrear os avanços dos patinhos pelos mares do planeta, a fim de entender
melhor a correntezas e, também, os pontos de acúmulo de lixo plástico nos
oceanos. Além disso, despertou o interesse de colecionadores de bugigangas
trazidas pelo mar, ainda mais em se tratando de simpáticos patinhos
amarelinhos.

Nascia assim a "Caça aos Patinhos Navegantes", uma brincadeira repleta de


aspectos científicos que, durante muitos anos, arregimentou pessoas em
diferentes partes do planeta, transformando aqueles simples brinquedos em
objetos quase cult para colecionadores e bem valiosos para os estudiosos.

Mesmo hoje, 26 anos depois (e mais de 10 após a última "aparição" de um


daqueles patinhos flutuantes, numa praia de Massachusetts, na costa leste 
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americana) alguns pesquisadores oceânicos acreditam que uma parte daqueles


bichinhos de plástico ainda estejam vagando pelos mares, sobretudo no próprio
oceano onde foram lançados, dando voltas sem parar.

"Eles foram feitos para não afundar e com um tipo de plástico que pode durar
500 anos para se deteriorar no mar", diz o inglês Curtis Ebbesmeyer, um dos
pesquisadores que se interessou pelo caso desde que aqueles patinhos foram
parar acidentalmente no mar.
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E ele não foi o único. O jornalista também inglês Donovan Hohn chegou a
escrever um livro, intitulado Moby Duck (um bem-humorado trocadilho com o
clássico Moby Dick), mostrando que alguns daqueles bichinhos haviam
"navegado" mais de 80 000 quilômetros, antes de dar em alguma praia.

Isso aconteceu porque aquele contêiner caiu num ponto específico do Pacífico
onde duas correntes marítimas se encontram e cada uma prescreve um círculo
completo, envolvendo diferentes continentes.

Uma delas, chamada Giro Subártico, faz uma volta completa – e permanente –

entre a América e a Ásia, além de unir-se a outra corrente que atravessa o TOPO

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Estreito de Behring, até o Atlântico, o que explica o surgimento de patinhos


também na Europa e na costa leste americana.

Até então, a ciência não sabia exatamente quanto tempo um objeto levaria para
completar o Giro Subártico. Hoje, graças em parte aos patinhos, sabe-se que é
algo em torno dos três anos.

Mas, como as correntes marítimas são circulares e sempre retornam ao mesmo


ponto,
Ouvir é bem provável que, mesmo hoje, mais de quarto de século depois, alguns
daqueles bravos bichinhos de plástico ainda estejam boiando, em alguma parte
do Pacífico. E ninguém sabe dizer até quando ficarão fazendo isso.

Na época do incidente, alguns cientistas logo perceberam que aquela inusitada


tropa de patinhos era uma maneira eficaz de estudar as correntes marítimas e
passaram a pedir que, quem os encontrasse, fizesse contato.

Ao mesmo tempo, ao notar que algumas pessoas estavam de fato empenhadas


em coletar os bichinhos daquela inusitada carga que fossem dar nas praias, a
empresa dona da mercadoria perdida, a The First Years, uma rede americana de
lojas de artigos infantis, farejou uma oportunidade de ganhar publicidade e
passou a oferecer uma recompensa de 100 dólares para cada brinquedo
devolvido, o que aumentou ainda mais a busca.

Por outro lado, para os colecionadores, quanto mais deteriorados estivessem os


patinhos, mais eles valiam, porque isso significava que haviam ido mais longe ou
sofrido mais que os outros.


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Recentemente, o tema voltou à tona graças a um polêmico programa da série


Planeta Azul, da televisão inglesa BBC, apresentada pelo mais respeitado
naturalista da Inglaterra, David Attenborough, de 92 anos.

Para mostrar a nefasta questão dos plásticos nos oceanos, Attenborough decidiu
recriar parte da saga daqueles patinhos soltando 250 deles no litoral da Costa
Rica, a fim de acompanhar o seu movimento nas correntes marítimas.

A experiência rendeu protestos de ambientalistas, que acusaram Attenborough


de estar lançando ainda mais lixo nos oceanos. Mas a equipe logo se apressou
em explicar que, após a experiência, que durou apenas alguns dias, todos os 250
patinhos foram recolhidos.

"Só deixamos um ou outro como lembrança para as crianças das praias da Costa
Rica", brincou o respeitado naturalista, que já foi até agraciado pela Rainha da
Inglaterra com o título de "Sir" pelos trabalhos realizados em favor do meio
ambiente. 
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O fato é que, desde aquele incidente, 26 anos atrás, os patinhos flutuantes do


Pacífico viraram uma espécie de emblema da questão do lixo plástico nos
oceanos e um tipo de versão moderna das velhas mensagens dentro de garrafas
que vão dar nas praias, que, no entanto, sempre foram bem mais românticas e
que, surpreendentemente, resistem até hoje – tal qual alguns patinhos. Como
pode ser conferido clicando aqui.

Fotos: Blue Planet BBC


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