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História do Direito – Direito

Inglês
Prof. Ms. Adriano Larangeira
Direito Inglês – Formação Histórica
• Até o século V: a ocupação romana não gerou uma apropriação, ou
imposição vitoriosa, no tocante a cultura do invasor.
• Direito romano, portanto, teve pouca influência no direito dos povos
da Bretanha.
• Ocupação germânica: anglos e saxões
• Formação de reinos frágeis e sem unidade;
• Direito anglo saxão: regulamenta poucos aspectos:
• “O princípio de personalidade das leis dá lugar (...) a uma lei
territorial, mas, embora o país esteja submetido a um único
soberano, o direito em vigor mantém-se um direito estritamente local
(...)” (DAVID, 1996, p. 284)
Direito Inglês – Formação Histórica
• Ocupação Normanda:
• 1066: Guilherme, o Conquistador:
• Introdução do feudalismo: as relações feudo-vassalicas foram ampliadas;
• Divisão da Inglaterra em condados, cujos condes estavam sob o comando real;
• Xerife: funcionário do rei que administrava cada feudo, com autoridade sobre os
senhores, os comerciantes e os camponeses;
• Henrique II (1154 – 1189):
• Unificação da Inglaterra;
• Leis comuns a todo o reino;
• Nomeação de juízes para os tribunais locais;
• Submissão dos clérigos aos tribunais comuns.
Direito Inglês – Formação Histórica
• João Sem Terra (1199 – 1216):
• Enquanto príncipe regente de Ricardo I, Coração de Leão: forte oposição aos
nobres;
• Enquanto rei inglês (1199):
• Perda de feudos na França (Normandia);
• Disputas com a Igreja;
• Aumento de impostos.
• Magna Carta (1215): Magna Charta Libertatum
• Salvaguarda dos direitos dos senhores feudais;
• Enfraquece a fragmentação do feudalismo na Inglaterra:
Direito Inglês – Magna Carta
• “Haverá em todo o Reino uma mesma medida para o vinho e a cerveja, assim como
para os cereais (grãos). (...). Todos os panos se ajustarão a uma mesma medida em
largura, que será de duas varas. Os pesos serão, também, os mesmos para todo o
Reino” (Magna carta, artigo 43).
• Limita o poder dos funcionários reais e, ao mesmo tempo, do rei:
• “Ficará proibido ao ‘sheriff’ oprimir e vexar a quem quer que seja, contentando-se
com os direitos que os ‘sheriffs’ costumavam exercer em tempo de nosso
ascendente o Rei Henrique” (Magna Carta, artigo 62).
• Estabelece o princípio de ir e vir:
• “Para o futuro poderão todos entrar e sair do Reino com toda a garantia, salvante a
fidelidade devida, exceto todavia, em tempo de guerra, e quanto seja estritamente
necessário para o bem comum do nosso Reino (...)” (Magna Carta, artigo 52).
Direito Inglês – Magna Carta
• Estabelece uma proteção jurídica: o princípio da ideia de habeas
corpus:
• “Ninguém poderá ser detido, preso ou despojado de seus bens, costumes e
liberdades, senão em virtude de julgamento de seus Pares segundo as leis do
país” (Magna Carta, artigo 48).
• Estabelece a proporcionalidade entre delito e pena: preocupação em
evitar a falência do apenado:
• “Um possuidor de bens livres não poderá ser condenado a penas pecuniárias
por faltas leves, mas pelas graves, e, não obstante isso, a multa guardará
proporção com o delito, sem que, em nenhum caso, o prive dos meios de
subsistência” (Magna Carta, artigo 25).
Direito Inglês – Magna Carta
• “Do mesmo modo um aldeão ou qualquer vassalo nosso não poderá ser
condenado à pena pecuniária senão debaixo de idênticas condições, quer
dizer, que se lhe não poderá privar dos instrumentos necessários a seu
trabalho. Não se imporá nenhuma multa se o delito não estiver comprovado
com prévio juramento de doze vizinhos honrados e cuja boa reputação seja
notória” (Magna Carta, artigo 26).
• Atribui poderes ao Grande Conselho (Parlamento em 1265):
• “Não se estabelecerá em nosso Reino auxílio nem contribuição alguma,
contra os posseiros de terras enfeudadas, sem o consentimento do nosso
comum Conselho do Reino, a não ser que se destinem ao resgate de nossa
pessoa, ou para armar cavaleiros a nosso filho primogênito, consignação para
casar uma só vez a nossa filha primogênita; e, mesmo nestes casos, o imposto
ou auxílio terá de ser modesto” (Magna Carta, artigo 14).
Direito Inglês – Dinastia Tudor
• Dinastia Tudor: concentração do poder real:
• Henrique VII: fundador da Igreja Anglicana;
• Elizabeth I: auge do absolutismo inglês – política mercantilista de
sucesso – convocação periódica do Parlamento;
• Jaime I: conflitos com o Parlamento, tentativa de implementar o
absolutismo “francês”;
• Carlos I: radicalização do conflito:
• Petição de Direitos: resumo das leis inglesas para lembrar o monarca;
• Tentativa de intervir na Igreja Presbiteriana da Escócia;
Direito Inglês – Revolução Puritana e
consequências
• Revolução Puritana: resulta no fortalecimento do Parlamento como
principal fator do sistema de governo e o enfraquecimento do poder da
monarquia;
• 1679 – Habeas Corpus Act: proteção real
• “Vinculado à ‘prerrogativa real’, o procedimento de habeas corpus não poderia
jamais ser instaurado contra medidas de detenção decretadas em nome do rei, por
mais arbitrárias que essas medidas pudessem ser” (DAVID, 1996, p. 78)
• 1689 – Bill of Rights: consolidação do poder do Parlamento e do
enfraquecimento real;
• “Que é ilegal a faculdade que se atribui à autoridade real para suspender as leis ou
seu cumprimento” (Declaração de Direitos, artigo 1°).
• “Que, do mesmo modo, é ilegal a faculdade que se atribui à autoridade real para
dispensar as leis ou o seu cumprimento, como anteriormente se tem verificado, por
meio de uma usurpação notória” (Declaração de Direitos, artigo 2°).
Direito Inglês – Commom Law
• Commom Law: lei comum a todos, em oposição aos direitos locais
feudais.
• Surgimento no século XIII;
• “o criaram de precedente em precedente, buscando em cada caso a
solução que era ‘razoável’ consagrar” (DAVID, 1996, p. 12).
• Problemas:
• Obedecido: o direito não evoluía;
• Não obedecido: a legislação tornar-se-ia um caos;
Direito Inglês – Commom Law
• Valor da jurisprudência inglesa: se transforma em direito normativo;
• “(...). Mas ser-lhe-á possível, com frequência, considerando as
circunstâncias dos diversos casos, descobrir, na lide que lhe foi
submetida, um elemento particular que não existia, ou que não foi
considerado nos casos precedentes e que, se não lhe permite
descartar a regra precedente estabelecida, pelo menos lhe possibilita
precisa-la, completa-la, reformulá-la, de maneira que dê ao litígio a
solução ‘razoável’ que ele quer.” (DAVID, 1996, p. 14).
Direito Inglês – Commom Law
• “É lícito afirmar, em consequência, que a commom law, formalmente,
se apresenta como um direito jurisprudencial, mas substancialmente
e por sua origem corresponde a um direito costumeiro, consagrado e
perpetuado pela jurisprudência” (RAO, 1999, p. 134).
Direito Inglês – Equity
• Equity: nasce da necessidade criada pela limitação da Commom Law,
quando está se estagnou a ponto de não atingir a razoabilidade,
elemento importante para a Justiça inglesa.
• “A equity caracterizou-se, de início, não só como um meio de atenuar
as regras do direito comum e do direito estatutário, senão, também,
como modo de evitar a sua imobilidade, tendendo, pois, a facultar a
evolução do direito” (RAO, 1999, p. 134).