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UMA ABORDAGEM SOBRE A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL, SEU

IMPACTO NA ECONOMIA GLOBAL E PROBLEMAS ÉTICOS

Victor Roberth Gomes Said1

Resumo

Essa pesquisa possui como objetivo apresentar uma visão geral sobre inteligência
artificial, sua origem e posteriormente suas aplicações em diversas áreas da sociedade.
Será abordado também o impacto da inteligência computacional na economia e
prestação de serviços nos países onde se aplica, embora existam diversas contradições
sobre o assunto em relação aos seus benefícios futuros. A elaboração da pesquisa
ocorreu por intermédio de levantamento teórico em livros e artigos científicos na área.
Foi possível identificar que existem diversas visões, muitas delas complementares,
porém outras com abordagens diferenciadas.

Palavras chave: inteligência artificial. Economia. Aplicações. Benefícios. Futuros.

Abstract

This scientific article aims to present an overview of artificial intelligence, its origin and
later its applications in several areas of society. The impact of computational
intelligence on the economy and the provision of services in the countries where it is
applied will also be addressed. Although there are several contradictions on the subject
regarding your future benefits. The elaboration of the research took place through a
theoretical survey of books and scientific articles in the area. It was possible to identify
that there are several visions, many of them complementary, but others with different
approaches.

Key words: artificial intelligence. Economics. Applications. Benefits. Future.

1-INTRODUÇÃO

1
Aluno do curso de graduação Sistemas de Informação do Instituto Federal do Maranhão-IFMA
Ao longo do tempo, a humanidade investiu tempo e esforço na criação e
desenvolvimento de ferramentas que facilitem sua vida. Essas ferramentas impulsionaram
nosso aperfeiçoamento e evolução, e modificaram as formas de convivência,
comunicação, hábitos, e até características de trabalho e consumo. O principal
instrumento dessa jornada é a tecnologia, que não apenas impacta a vida humana, mas
também reflete na maneira como as organizações têm buscado novas formas de
conquistar mercado, automatizar processos, alavancar eficiência, reduzir custos e
aprimorar a experiência dos usuários, enfim, se reinventar. A busca constante por
mudança e avanço tecnológico é, hoje em dia, impulsionada pela chamada Era Digital.
Nesse contexto, um dos meios encontrados para a mudança e adequação à nova
era foi o emprego de tecnologias inteligentes, conhecidas, pelo termo geral, como
“Computação Cognitiva”, que nada mais são que interação e resposta da tecnologia às
necessidades humanas.
E sob essa justificativa foi desenvolvida a inteligência computacional que pode
ser definida como uma ciência que busca imitar o conhecimento humano mas também
pode ir além como diz Ribeiro “A Inteligência Computacional vai além da perspectiva
de compreensão do pensamento humano, pois também procura construir entidades
artificiais inteligentes”. Os primeiros estudos sobre inteligência artificial surgiram na
década de 1940, marcada pela Segunda Guerra Mundial, onde houve a necessidade de
desenvolver métodos tecnológicos voltados para análise balística, quebra de códigos e
cálculos para projetos de arma nucleares.
A nova formulação do problema pode ser descrita em termos de um jogo a que
nós chamamos “jogo da imitação”. É realizado por três pessoas: um homem
(A), uma mulher (B) e um interrogador (C), que pode ser de qualquer um dos
sexos. O interrogador permanece num quarto, separado dos outros dois. O
objetivo do jogo, para o interrogador, é determinar qual é o homem e qual é a
mulher. (TURING, 1996, p. 21)

Um dos maiores e mais famosos cientistas, se não, o mais importante foi Alan
Turing que inclusive é considerado pai da computação que durante a segunda guerra
mundial desenvolveu um sistema chamado “bombe”, para traduzir os textos secretos dos
alemães. Seu maior feito para o avanço da inteligência artificial foi seu artigo feito em
1950 chamado o jogo da imitação que consistia em um computador no qual um humano
considerado o "interrogador", depois de colocar algumas questões digitadas, deveria
tentar identificar se as respostas estariam vindo de uma pessoa ou de um computador,
esse experimento só foi colocado em pratica em 1957 por John McCarthy no Dartmouth
College. Para Turing seu sistema consistia em:
“A nova formulação do problema pode ser descrita em termos de um jogo a
que nós chamamos “jogo da imitação”. É realizado por três pessoas: um
homem (A), uma mulher (B) e um interrogador (C), que pode ser de qualquer
um dos sexos. O interrogador permanece num quarto, separado dos outros dois.
O objetivo do jogo, para o interrogador, é determinar qual é o homem e qual é
a mulher. (TURING, 1996, p. 21)

Figura 1: Ilustração do jogo da imitação, primeira fase


Fonte: htttp://wikipedia.org/wiki/Turing_test

Assim, o que Turing dispõe é aquilo que hoje é uma função comum na comunicação
mediada-por-computador (CMC): a identidade real de um dos interlocutores é ocultada e só
pode ser acertada pelo modo como as mensagens são trocadas.

2- APLICAÇÕES DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

A inteligência artificial (AI) parece uma ideia de filmes de ficção científica.


Porém, o uso dos dispositivos inteligentes não é algo tão distante assim, ele já está
inserido no nosso dia a dia como em nossos smartphones, já que ele é capaz por meio do
reconhecimento de voz, pedir ao seu sistema que faça uma pesquisa ou até mesmo uma
ligação. Essas são as tarefas realizadas pelos assistentes virtuais como a Siri ou o Google
Voice, nos e-mails ele é capaz de reconhecer o que é spam e o enviar para o lixo, por
meio da análise de certas características como o uso de determinadas palavras nos
remetentes.
Existem empresas pensando em serviços do tipo, como a startup portuguesa ETER9
permite aos usuários criar um ser virtual, chamado de ‘contraparte’, capaz de aprender com
suas postagens e comentários e ganhar autonomia. A base desse ser é a inteligência artificial e,
segundo o site da empresa, o objetivo da rede é “permitir ao ser humano atingir a imortalidade
no ciberespaço”.
Por outro lado, algumas previsões da IA são mais fáceis de serem compreendidas.
Segundo o Relatório de Tendências de Tecnologia do Future Today Institute, 2018 marca o início
do fim do smartphone tradicional. A previsão é de que, na próxima década, as pessoas
começarão a migrar para uma nova era de computação e equipamentos conectados, usando
dispositivos vestíveis e interfaces invisíveis, como fones de ouvido com sensores biométricos,
anéis e pulseiras com sensor de movimento, e óculos que gravam e mostram informações.
Segundo Amy Webb, futurista e fundadora do Future Today, em 2021, 50% das pessoas em
países desenvolvidos vão interagir com as máquinas usando apenas suas vozes.
Fora do nosso cotidiano a inteligência artificial também esta presente nos bancos,
auxiliando na previsão de ações da bolsa de valores por exemplo já que essa é uma tarefa
de grande complexidade e pode ser atrapalhada por fatores humanos, pode estar presente
no transito através de câmeras de monitoramento do trafego informar onde há
engarrafamento na cidade, ate na agricultura com o uso de câmeras e drones estimar a
taxa de crescimento de plantações e detectar problemas a serem solucionados.
E isso traz também questões comportamentais, regulatórias e éticas que estão
começando a ser discutidas à medida em que a tecnologia evolui. É fato que para as empresas
manterem-se competitivas no mercado, independentemente do setor em que atuam, é
fundamental considerar a IA enxergando seu potencial além de meros robôs. O jeito é manter-
se atualizado, uma vez que a inteligência artificial excedeu até mesmo os limites da ficção.

3-O IMPACTO DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Como novo fator de produção, a IA pode acelerar o crescimento da economia de


alguns modos importantes:
 Automação Inteligente
A onda de automação inteligente alimentada pela IA está gerando crescimento por
meio de um conjunto de recursos diferentes das soluções tradicionais de automação. O
primeiro recurso é a capacidade de automatizar as mais variadas e complexas tarefas
físicas que exigem adaptabilidade, agilidade e aprendizagem. Enquanto a tecnologia de
automação tradicional é específica para uma determinada tarefa, o segundo recurso
distinto da automação inteligente alimentada pela IA é a sua capacidade de resolver
problemas em diferentes setores e funções. É o caso da adoção, nos serviços de
atendimento ao consumidor, de “chatbots”, assistentes virtuais que auxiliam as pessoas.

 Aumento da mão de obra e do capital

Uma parte significativa do crescimento econômico possibilitado pela IA resulta


não da substituição da mão de obra e capital existentes, mas de um aumento de sua
capacidade.
Além disso, a IA aumenta a capacidade da mão de obra por meio da
complementação das habilidades humanas, oferecendo às pessoas novas ferramentas para
melhorar a sua inteligência natural. Por exemplo, no Brasil diversas empresas estão se
preparando para incorporar sistemas de “inteligência híbrida” a seus serviços de suporte
pós-venda. Esse recurso envolve o uso de um robô para coletar informações do cliente a
partir de interações anteriores com a empresa, como a compra de produtos, comunicação
direta ou referências postadas nas mídias sociais. O robô, então, passa ao atendente
humano informações sobre o humor do cliente e quaisquer reclamações que ele tenha, e
pode até sugerir promoções potencialmente relevantes para cada cliente em particular.

 Difusão da Inovação

Um dos benefícios menos discutidos da inteligência artificial é a sua capacidade


de impulsionar inovações à medida que se difunde pela economia. Por exemplo, o caso
dos veículos autônomos, provavelmente o mais conhecido produto de IA em
desenvolvimento até o momento. Como cada inovação gera mais inovação, o impacto dos
veículos autônomos nas economias irá se estender muito além da indústria automotiva.
Segundo a PwC,
O PIB global deve crescer 14% até 2030, graças à inteligência artificial (IA).
Esse avanço representa uma injeção de US$ 15,7 trilhões na economia
global, mais do que o tamanho da China e da Índia combinadas.
(PwC,2017).
E na américa do sul segundo o instituto Accenture, em associação com a Frontier
Economics a inteligência artificial, modelou o impacto potencial da IA para cinco
economias que, juntas, geram cerca de 85 por cento da produção econômica, “Nossos
resultados revelam oportunidades notáveis para a criação de valor. Constatamos que a IA
pode agregar até 1,0 ponto percentual ao crescimento anual desses países—um poderoso
remédio para as baixas taxas dos últimos anos.”

Figura 2:valor bruto real (%, crescimento)


Fonte: Accenture e Frontier Economics

Figura 2: numero de anos para a economia dobrar de tamanho (um círculo completo representa 100 anos)
Fonte: Accenture e Frontier Economics

4- O FUTURO COM A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Em relação ao futuro com a inteligência artificial existem estimativas positivas e


negativas. Segundo o futurologista Ray Kurzweil ela pode nos ajudar a dar “grandes
passos para resolver os principais desafios do mundo”, entretanto o empreendedor Elon
Musk teme que ela se torne “a maior ameaça existencial” enfrentada pela humanidade. O
físico britânico Stephen Hawking considera que “o desenvolvimento da inteligência
artificial total poderia significar o fim da raça humana”. Mesmo se estas previsões
sombrias não se concretizarem, a IA pode levar a aumentos do desemprego e da
desigualdade.
Acredita-se, na verdade é que tudo depende de como vamos fazer a transição para
uma era de IA. Para concretizar a promessa da IA como novo fator de produção que pode
reacender o crescimento econômico, todas as partes interessadas devem estar
extremamente preparadas—intelectual, tecnológica, política, ética e socialmente—para
enfrentar os desafios que surgirão com a maior integração da inteligência artificial em
nossas vidas.
Além de preparar a próxima geração, a atual geração de trabalhadores sul-
americanos precisa se adaptar à economia da IA. Uma preocupação comum e legítima é
de que a IA eliminará empregos, agravará a desigualdade e corroerá os salários, este risco
deve ser levado muito a sério, e as sociedades precisaram se preparar para enfrentá-lo.
Mas existem fatores que atrapalham o desenvolvimento da inteligência artificial,
segundo o instituto accenture “Um assunto recorrente nas entrevistas que fizemos com
empresários e acadêmicos foi a escassez de talentos na região. Dados dos sistemas
nacionais de educação mostram que será crucial melhorar a sua qualidade, assim como
aumentar o acesso à educação terciária nos diferentes países” e seria necessário mudar o
rumo que atualmente a teclolofia está tomando. Representantes da Accenture afirmam
que,
“Atualmente, a educação tecnológica segue uma direção: as pessoas aprendem
como usar as máquinas. Isto mudará, pois cada vez mais máquinas aprenderão
com os humanos, e os humanos aprenderão com as máquinas. Por exemplo:
pessoas que trabalharem em atendimento a clientes no futuro terão que agir
como “modelos” para seus colegas digitais e, potencialmente, vice-versa”.
(Accenture,2017)

5- PROBLEMAS ÉTICOS COM O AVANÇO DA IA

Sistemas inteligentes estão rapidamente entrando em ambientes sociais que


anteriormente eram ocupados exclusivamente por humanos, isso gera questões éticas que
podem desacelerar a progresso da inteligência artificial, por exemplo: a maquina seria
capaz de aprender e reproduzir comportamentos que são inerentes do homem e
condenados pela ética tradicional? Como racismo, preconceito, corrupção. Será que
carros autônomos devem dar preferência à vida de seu condutor em detrimento da de
outros em caso de acidente? Ou quem deve ser salvo com mais urgência em um acidente
grave. Estas são questões que nem os seres humanos temos uma resposta certa, então
como podemos ensinar tais questões a uma máquina? Para isso, debates éticos precisam
ser complementados por padrões mais tangíveis e melhores práticas no desenvolvimento
de máquinas inteligentes.
Os problemas éticos de cunho social se desencadeiam uma vez que a relação
homem-máquina é estabelecida de uma forma quase visceral. Tal situação tem produzido
exclusões, como a digital, que segundo Floridi (2001) “pode gerar novas formas de
colonialismo e apartheid, que devem ser evitados, contrariados e, finalmente,
erradicados”. Colonialismo por parte dos detentores da informação e dos meios segundo
o acesso a ela é possível e apartheid entre os informatizados, inseridos em redes de
informações (insiders) e os desinformatizados excluídos (outsiders), sem acesso à
informação e ao direito de equidade informacional.
Por outro lado, o mau uso e má manipulação da informação, acarretando um tipo
de vandalismo informacional, é outra conseqüência ética da revolução tecnológica. Como
ressalta Floridi (2001):
Naturalmente, outras inovações tecnológicas tinham suas próprias
conseqüências éticas (como a impressão ou revoluções industriais, por
exemplo). [...], no entanto, o impacto ético das tecnologias passadas ocorreu
dentro de um contexto em que a natureza desempenhou o papel de rainha e nós
éramos seus trabalhadores.

Compreende-se que, uma nova ética (informacional) necessita ser inserida


segundo este atual contexto, no qual o artificial está presente. Tal ética seria pensada
segundo conceitos universais, mas sem excluir o lado singular de pontos de vista e dos
fatos históricos e geográficos, segundo Capurro,
[...] as questões éticas ainda poderiam ser interpretadas como mera atualização
de versões tecno-clássicas de velhos problemas. A revolução computacional
aumentou ainda mais a magnitude do impacto ético das inovações tecnológicas
e finalmente chegaram a um limiar critico de mudança. (CAPURRO, 2010).

A ética da informação, fornece subsídios para se pensar na possibilidade de


conciliar natureza e tecnologia e assim proporcionar uma interpretação filosófica da
infoesfera. Além de ser uma ferramenta poderosa na luta contra a destruição,
empobrecimento e vandalismo dos recursos naturais e dos recursos humanos (incluindo
a seu aspecto histórico e cultural). O desenvolvimento ético da informação e o
desenvolvimento sustentável de uma sociedade informacional eqüitativa, implica uma
infoesfera pública e segura para todos, na qual a comunicação pode fluir (FLORIDI,
2001). Nesta infoesfera seria promovido o desenvolvimento de normas éticas acerca do
acesso, compartilhamento e comunicação da informação.

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O artigo realizou um levantamento bibliográfico visando conceituar a inteligência


artificial, destacando exemplos de aplicação e seu impacto na sociedade, na economia e
problemáticas que podem vir a se tornar reais a medida que a inteligência artificial é
desenvolvida e implementada nos setores da sociedade, problemas estes que são difíceis
de solucionar pois envolvem questões morais e éticas que se diferenciam através das
classes sociais e paises. Houve uma grande diversidade em relação as definições de
inteligência artificial e acredita-se que essa diversidade de definições seja em razão do
fato da tecnologia se renovar a cada dia e a inteligência artificial ser um ramo de estudo
em evolução gerando discussões que abrangem vários ramos da esfera social.

REFERENCIAS

RIBEIRO, R. Uma Introdução à Inteligência Computacional: Fundamentos, Ferramentas


e Aplicações. Rio de Janeiro: IST-Rio, 2010.

Sizing the prize What’s the real value of AI for your business and how can you capitalise?-
PWC Bazil- https://www.pwc.com/gx/en/issues/analytics/assets/pwc-ai-analysis-sizing-
the-prize-report.pdf

O Globo, “Novo laboratório no Brasil usará inteligência artificial para fazer previsões em
saúde”, http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/novolaboratorio-no-brasil-usara-
inteligencia-artificial-parafazer-previsoes-em-saude.ghtml

TAURION, Cezar. A Inteligência Artificial já está batendo à porta. CIO from IDG
estratégia de negócios e TI para lideres corporativos.
PRAKASH, Ankur. Calma, a Computação Cognitiva não vai tirar o seu emprego. CIO
from IDG estratégia de negócios e TI para lideres corporativos.

FELIPE, A. EDUARDO, L. GONÇALVES, W. PINHEIRO, A. SAMPAIO, D.


INTELIGÊNCIA ARTIFICAL: Conceitos, Aplicações e Linguagens. Revista Conexão
Eletrônica

CLEAM, Wesley. Aplicações da inteligência artificial em nosso dia a dia. Transformação


Digital.

Ovanessoff, Armen, PLASTINO, Eduardo. Como a inteligência artificial pode acelerara


o crescimento da América do Sul. Accenture.2017

PAULA, Romulo. O que esperar para o futuro da inteligência artificial. IDGNOW.2018


http://idgnow.com.br/ti-pessoal/2018/04/25/o-que-esperar-para-o-futuro-da-inteligencia-
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