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UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEARÁ

Centro de educação - CED


Curso de Pedagogia – COPED
Professor: Iara Lacerda
CORPOREIDADE E PSICOMOT. NA EDUCACAO.

JOAO MATEUS SANTOS CHAVES

RESUMO DO TEXTO:
OLIVEIRA, Gislene C. Psicomotricidade. 2° ed. Petrópolis, Vozes, 1997.
Estruturação Espacial.

CORPOREIDADE E PSICOMOT. NA EDUCACAO

FORTALEZA 2018
4. ESTRUTURAÇÃO ESPACIAL
A estruturação espacial é essencial para que vivamos em sociedade. É através do
espaço e das relações espaciais que nos situamos no meio em que vivemos, em
que estabelecemos relações entre as coisas, em que fazemos observações,
comparando-as, combinando-as, vendo as semelhanças e diferenças entre elas.
Através de um verdadeiro trabalho mental, selecionamos, comparamos os diferentes
objetos, extraímos, agrupamos, classificamos seus fatores comuns e chegamos aos
conceitos destes objetos e às categorizações. É esta formação de categorias que leva
à generalização e à abstração, como diz Kephart, 1986.
Muitas das atividades realizadas em sala de aula, como a escrita, dependem da
manipulação das relações espaciais entre objetos. As relações espaciais, por sua vez,
são mantidas por meio do desenvolvimento de uma estrutura de espaço. Sem esta
estruturação nós nos perdemos ou distorcemos muitas destas relações e nosso
comportamento sofre por receber informações inadequadas.
A importância da estruturação espacial na escrita é abordada de forma bem cara por
Ajuriaguerrra (1988), diz que a escrita é uma atividade motora que obedece as
exigências muito precisas de estruturação espacial, que a criança deve compor sinais
orientados e reunidos de acordo com leis, deve em seguida, respeitar as leis de
sucessão que fazem destes sinais palavras e frases. A escrita é, pois, uma atividade
espaço temporal muito complexa. De Meur e Staes (1984) definem a estruturação
espacial como uma tomada de consciência da situação de seu próprio corpo em um
meio ambiente; a tomada de consciência da situação das coisas entre si; a
possibilidade, do sujeito, de organizar-se perante o que lhe cerca, organizar as coisas
entre si, coloca-las num lugar, movimentá-las. Em primeiro lugar, a criança percebe a
posição de seu próprio corpo no espaço. Depois, a posição dos objetos em relação a
si mesma e, por fim, aprende a perceber as relações das posições dos objetos entre
si.
Craik (KEPHART, p.124) analisa o espaço como um conceito que se desenvolve
principalmente no cérebro, pois construímos, nosso mundo espacial por meio da
interpretação de grande número de dados sensoriais que não possuem relação direta
com o espaço, temos então, que interpretar essas informações sensoriais, ao mesmo
tempo em que construímos os conceitos espaciais. Estes dados, sensoriais a que
Craik se refere dizem respeito principalmente a visão e sensações cenestésicas de
movimento, podemos acrescentar também o tato e a audição. A visão, para ele, é
mais eficiente nesta avaliação, pois permite, de acordo com a nossa própria
experiência, realizarmos cálculos de espaço mais rápidos e mais precisos do que o
movimento, além de nos fornecer inúmeras outras estimativas.
A percepção auditiva é representada pela associação do símbolo verbal a outras
sensações do corpo próprio. Ela está mais ligada à orientação temporal, embora o
espaço faça uso dela frequentemente. Pelo tato, percebemos as manifestações
afetivas como carícia, afagos, e também as agressivas, se houver manifestação física.
Todas essas percepções sensoriais nos levam, portanto, às propriedades dos
diversos objetos e nos permitiriam uma catalogação, uma classificação, um
agrupamento destes no sentido de uma maior organização do espaço.
A estruturação espacial não nasce com o indivíduo. Ela é uma elaboração e uma
construção mental que se opera através de seus movimentos em relação aos objetos
que estão em seu meio. Fonseca (1988) vê o espaço bucal como o primeiro com que
a criança se defronta, a boca é o espaço mais próximo dos braços e é, portanto, o
primeiro objeto de exploração, pois a sensação e movimento nesta fase estão
intimamente ligados. Bucher (1978) dá muita importância às ligações afetivas que a
mãe desenvolve com o filho na fase inicial de sua vida. Suas sensações de bem ou
mal-estar procedentes de carícias, movimentos e mudanças de postura são
carregadas de afetividade. Na medida em que vai havendo a maturação do seu
sistema nervoso, ela vai se tomando capaz de perceber e coordenar estas múltiplas
sensações visuais, táteis, auditivas e cenestésicas. Bucher ainda afirma que os
mundos interno e externo são indistintos para o recém-nascido. Sua imagem de corpo
começa a se elaborar mais ou menos aos três meses, e entre o sexto e o nono mês
se percebe uma primeira separação entre seu corpo e o meio ambiente.
Aos três anos a criança já tem uma vivência corporal, para ela, a exploração do espaço
inicia-se, como declara Le Boulch (1984a), desde o momento em que ela fixa o olhar
em um determinado objeto e tenta agarrá-lo. a verbalização que auxiliará na
designação dos objetos constitui um fator muito importante para a organização da
vivencia do espaço e, também, para um melhor conhecimento das diferentes partes
do corpo e de suas posições, , a primeira orientação da criança é em relação à posição
dos objetos familiares descobertos através da experiência vivida. Ao assimilá-los
estará preparada para perceber, comparar e assimilar os conceitos relacionados com
outras posições como à frente, atrás, acima, abaixo. Neste momento, a verbalização
é fundamental para vivenciar melhor o domínio das noções de orientação. Ela
apreende também as noções de situações, de tamanho, de posição, de movimento,
de formas, de qualidade, de superfícies e volume.
Depois desta fase em que o indivíduo aprende a orientar os objetos ele passa a
organizá-los, a combinar as diversas orientações, isto significa que ele não mais toma
seu próprio corpo como ponto de referência, mas escolhe ele mesmo outros pontos,
e os colocará segundo diversas orientações. Ele desenvolve também a memória
espacial, o que lhe possibilita descobrir os objetos que estão faltando em determinado
lugar e reproduzir um desenho previamente observado. Para Piaget, esta organização
aparece mais ou menos com 8 ou 9 anos, época em que ela é capaz de situar direita
e esquerda sobre os objetos em relação a um ponto de vista exterior. A orientação e
a estruturação espaciais são importantes porque possibilitam à criança organizar-se
perante o mundo que a cerca, prevendo e antecipando situações em seu meio
espacial.
Muitas dificuldades podem advir de uma má integração da orientação espacial, são
diversos os motivos que impedem ou retardam o pleno desenvolvimento. Uma criança
que inicia o processo da alfabetização sem possuir as noções de posição e orientação
espacial, pode apresentar problemas em sua aprendizagem, como confundir letras
que diferem quanto à orientação espacial (b/d, q/p); ter dificuldade em respeitar a
ordem das letras na palavra e das palavras na frase (brasa/barsa); ser incapaz de
locomover os olhos no sentido esquerdo-direito (pula uma ou mais linhas durante a
leitura); na escrita, não respeitar a direção horizontal do traçado; não respeitar os
limites da folha; dificuldades para se organizar com seu material escolar; esbarrar em
objetos e pessoas. Deduz-se que o movimento humano, as noções de corpo, espaço
e tempo têm que estar intimamente relacionada, o corpo coordena-se, movimenta-se
continuamente dentro de um espaço determinado, em função do tempo, em relação a
um sistema de referência.