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A Lagrangiana de Proca e uma Aplicação na Teoria da Supercondutividade -

trabalho para o curso de eletromagnetismo da pós-graduação

Rodrigo M. Pereira∗
Instituto de Fı́sica, Universidade Federal do Rio de Janeiro.
(Data: 12 de dezembro de 2008)

Desenvolvemos detalhadamente as seções 12.8 e 12.9 do livro Classical Electrodynamics de J.D.


Jackson [1]. Inicialmente discutimos os possı́veis efeitos de uma teoria massiva para o fóton, des-
crita pelo langrangiano de Proca. Em seguida aplicamos algumas dessas idéias no fênomeno da
supercondutividade, introduzindo uma teoria efetiva de fóton massivo capaz de explicar o efeito
Meissner.

I. A LAGRANGIANA DE PROCA E EFEITOS ele dá origem à massa na equação de Klein-Gordon e


DE FÓTON MASSIVO por conseguinte na relação (1). Se m = 0 a lagrangiana
de Klein-Gordon descreve um campo cuja relação entre
As equações de Maxwell não fazem qualquer referência energia e momento é E 2 = p2 , justamente a relação para
a uma massa para o campo eletromagnético, e uma vez partı́culas de massa zero.
que descrevem precisamente os fenômenos que observa- A lagrangiana do eletromagnetismo, ou lagrangiana
mos na escala clássica é razoável imaginar que mesmo de Maxwell, cujas equações de movimento geram as
em uma teoria quantizada não deve surgir uma massa equações de Maxwell é
associada ao quantum do campo. Isso fica explı́cito na 1 1
LMax = − Fµν F µν − Jµ Aµ (4)
formulação lagrangiana da teoria em consequência da 16π c
ausência do chamado “termo de massa”. Para entender µ
ou, somente em função do campo A ,
a natureza desse termo vamos analisar a teoria de Klein- 1 1
LMax = − (∂µ Aν − ∂ν Aµ )(∂ µ Aν − ∂ ν Aµ ) − Jµ Aµ .
Gordon, a primeira tentativa de descrever uma partı́cula 16π c
(5)
de caráter quântico e relativı́stico. A relação entre ener-
Vemos portanto que ela não possui um termo quadrático
gia e momento da relatividade é
no campo, i.e. um termo de massa, o que em uma teo-
E 2 = p2 c2 + m2 c4 . (1) ria quantizada equivale a dizer que o fóton possui massa
zero. Nos anos 30, o fı́sico romeno Alexandru Proca in-
No âmbito da mecânica quântica, p e E são levados nos
troduziu a idéia de adicionar um termo de massa a (4)
operadores p → −i~∇ e E → i~∂/∂t e aplicados a um
para entender o que aconteceria caso o fóton tivesse uma
campo φ, resultando na equação de Klein-Gordon:
massa muito pequena mas não nula [2]. Assim, em ana-
m2 c2 logia à teoria de Klein-Gordon, seu ponto de partida foi
( + )φ = 0, (2)
~2 a lagrangiana
2
onde  ≡ c12 ∂t∂
2 − ∇
2
= ∂ µ ∂µ . Ondas planas que obe- 1 µ2 1
LProca = − Fµν F µν + Aµ Aµ − Jµ Aµ , (6)
decem à relação (1) são soluções dessa equação. A la- 16π 8π c
grangiana cuja equação de Euler-Lagrange equivale a (2) onde µ = mγ c/~, sendo mγ a suposta massa do fóton. O
é dada por fator extra 1/4π no termo de massa aparece por razões de
1 µ 2 1 2 2 conveniência. Calculemos então a equação de movimento
LKG = (∂ φ) − µ φ , (3)
2 2 associada:
 2 
com µ ≡ m2 c2 /~2 . Fica então claro por que o segundo ∂L ∂ µ ν µ 1 µ
= gµν A A − Jµ A
termo, proporcional a φ2 , é chamado de termo de massa: ∂Aα ∂Aα 8π c
µ2 1
= gµν (δαν Aµ + Aν δαµ ) − Jµ δαµ
8π c
1 2 1
∗ Endereço eletrônico: rodrigomp@if.ufrj.br = µ Aα − Jα , (7)
4π c
2

ou explicitando as componentes
∂L ∂ −gµρ gνσ ρ σ 1 ∂Φ
= (∂ A − ∂ σAρ )(∂ µAν − ∂ νAµ ) −∇·A ~ = 0, (12)
∂(∂ βAα ) ∂(∂ βAα ) 16π c ∂t
−gµρ gνσ h
= (δβρ δασ − δβσ δαρ )(∂ µAν − ∂ νAµ ) + a condição do calibre de Lorenz. Escrevendo Fβα em
16π
função de A temos
i
+ (∂ ρAσ − ∂ σAρ )(δβµ δαν − δβν δαµ )
−1 ∂ β Fβα = ∂ β (∂β Aα − ∂α Aβ ), (13)
= [(gµβ gνα − gµα gνβ )(∂ µAν − ∂ νAµ ) +
16π
+ (∂ ρAσ − ∂ σAρ )(gβρ gασ − gαρ gβσ )] mas no calibre de Lorenz o último termo se anula e
1
= − (∂βAα − ∂αAβ )
4π ∂ β Fβα = ∂ β ∂β Aα ≡ Aα . (14)
1
= − Fβα ,
4π Com isso a equação de Proca fica
de modo que 4π
Aα + µ2 Aα = Jα . (15)
β ∂L 1 c
∂ β α
= − ∂ β Fβα . (8)
∂(∂ A ) 4π
É interessante notar que na ausência de fontes esta é a
Igualando (7) e (8) temos a equação de Euler-Lagrange equação de Klein-Gordon, descrevendo um bóson massivo
4π livre. Para uma configuração estática ∂Aα /∂t = 0, e (15)
∂ β Fβα + µ2 Aα = Jα , (9)
c dá
conhecida como equação de Proca. Vemos que as 4π
∇2 Aα − µ2 Aα = − Jα , (16)
equações de Maxwell não homogêneas c
1 β 1 No caso de uma carga pontual q em repouso na origem
∂ Fβα = Jα
4π c
são alteradas pela adição de um termo dependente da J = (cq δ(~x), 0, 0, 0),
massa. E como ele contém explicitamente o campo A,
a única componente não nula de A é A0 = Φ e de (16)
os potenciais passam a ter um significado fı́sico real (o
que não ocorre no eletromagnetismo clássico), e isso já é ∇2 Φ − µ2 Φ = −4πq δ(~x). (17)
um problema para teoria pois ela deixa de ser invariante
É simples verificar que a solução dessa equação é o po-
de calibre – simetria considerada fundamental nas teorias
tencial de Yukawa
que descrevem as partı́culas elementares conhecidas. As
equações de Maxwell homogêneas por outro lado não se e−µr
Φ(~x) = q , (18)
alteram: o tensor dual F µν é definido da mesma maneira, r
suas propriedades de simetria são as mesmas e portanto sendo r a distância de ~x à origem. De fato:
a demonstração de que ∂µ F µν = 0 é idêntica à na teoria e−µr (∇2 e−µr )

1

1
de Maxwell usual. ∇2 = + 2(∇e−µr ) · ∇ + e−µr ∇2
r r r r
Contraindo (9) com ∂ α resulta
4π α
∂ α ∂ β Fβα + µ2 ∂ α Aα = ∂ Jα . (10) mas
c
2µe−µr
 
2 −µr 1 ∂ 2 ∂ −µr
O primeiro termo é zero pois possui o operador diferencial ∇ e = 2 r e = µ2 e−µr − ,
r ∂r ∂r r
∂ α ∂ β , simétrico em relação à troca α ↔ β, contraı́do com
F αβ , anti-simétrico, de modo que a soma nos ı́ndices se
µe−µr
 
1
anula. O lado direito da equação também deve ser zero (∇e−µr ) · ∇ = ,
r r2
para que haja conservação da corrente. Dessa forma nos
resta apenas e
1
∂ α Aα = 0, (11) ∇2 = −4πδ(~x),
r
3

assim conforme (1). Consideremos agora um sistema resso-


nante, tal como um circuito LC, cuja freqüência de res-
e−µr e−µr 
2µe−µr 
µe−µr
∇2 = µ2 − 2 + 2  2 − e−µr 4πδ(~x), sonância seja ω0 se µ = 0 e ω se µ 6= 0. A partir de (19)
r r r  r
Franken e Ampulski escreveram a relação
rearrumando
ω 2 = ω02 + µ2 c2 , (20)
e−µr
2 e−µr
∇ − µ2 = −e−µr 4πδ(~x).
r r que sugeriu um experimento. Medindo as frequëncias de
Podemos retirar a exponencial do lado direito já que em ressonância de circuitos cujas razões entre os ω02 são co-
r = 0 ela vale 1 e para r 6= 0 a função delta se anula. Mul- nhecidas, seria possı́vel detectar evidências de um µ 6= 0
tiplicando então por q e usando (18) chegamos em (17). caso as proporções não se mantivessem iguais. Quanto
A conclusão é que, se o fóton for massivo, o potencial menores as freqüências analisadas maior seria o desvio
eletromagnético não é o de Coulomb, mas o de Yukawa, percentualmente. Eles compararam um circuito de in-
com uma exponencial que decai com um comprimento dutância L e capacitância C (e portanto ω02 = 1/LC) com
tı́pico da ordem de 1/µ. Para µr muito pequeno ele é um de mesma indutância porém duas capacitâncias C em
aproximado por paralelo (capacitância equivalente 2C). As freqüências
medidas ficaram, dentro dos erros experimntais, na razão
q
Φ≈ − qµ + O(µ2 r), de 2:1 como esperado e foi possı́vel impor um limite supe-
r
rior à massa do fóton. Os autores observaram ainda que,
mostrando que a primeira correção ao potencial de Cou-
em princı́pio, uma melhora de várias ordens de grandeza
lomb é da ordem de µ e por isso, em princı́pio, pode-
poderia ser obtida caso a idéia não contivesse falhas. Mas
ria não ter sido experimentalmente verificada para uma
continha.
massa muito pequena. Por outro lado, medidas muito
Não há razões para esperar que a freqüência de res-
precisas podem colocar limites bastante baixos nesses
sonância em um circuito LC se modifique fundamental-
valores. Uma vez que µ = mγ c/~ ∼ mγ 1042 em uni-
mente em conseqüência de µ 6= 0. A voltagem no circuito
dades do SI, então para que µ seja pequeno o suficiente a
é dada pela equação V + LCd2 V /dt2 = 0 e portanto a
ponto de não detectarmos o decaimento exponencial de √
freqüência de ressonância é simplesmente ω0 = 1/ LC,
Φ a massa do fóton mγ deve ser incrivelmente pequena.
nenhuma referência a µ. Quaisquer desvios só poderiam
Experiências realizadas nesse sentido comparam o campo
surgir de uma mudança em L e C. Essa mudança de
de dipolo magnético decorrente da teoria de Proca com
fato ocorre, porém a pergunta importante é: elas pode-
medidas do campo terrestre, e os limites impostos che-
riam impor um limite à massa do fóton em um expe-
gam a mγ < 10−48 g [4], cerca de 1020 vezes menos que
rimento envolvendo peças de circuitos elétricos usuais?
a massa de um elétron. Em 1971, Franken e Ampulski
Em primeiro lugar, os valores de L e C são determina-
sugeriram que experimentos mais simples, realizáveis em
dos experimentalmente e por isso já incluem quaisquer
laboratórios com circuitos LC, poderiam melhorar ainda
correções em virtude da massa do fóton, i.e., com essas
mais esses limites [5] mas a idéia acabou por estar equivo-
medidas os desvios nunca seriam observados [6]. Ainda
cada. Entretanto, frente ao grande número de sutilezas
assim, mesmo pressupondo valores teóricos, a idéia apre-
envolvidas é interessante discutir essa proposta.
senta problemas. Usando (20) ingenuamente, a diferença
O ponto de partida é a equação (15) na ausência de
relativa esperada seria
fontes. Supondo variação harmônica temporal e espacial, p
i.e., Aµ ∼ eik xµ com k = (ω/c, ~k), temos a relação entre
µ
∆ω (ω − ω0 ) ω0 1 + µ2 c2 /ω02 − ω0 µ2 c2
= = ≈ .
freqüência e número de onda ω0 ω0 ω0 2ω02
(21)
ω 2 = c2 k 2 + µ2 c2 , (19) Agora suponhamos uma esfera condutora de raio a, loca-
lizada no centro de uma casca esférica de raio b mantida
que multiplicada por ~2 representa o quadrado da energia aterrada [7]. O sistema possui uma capacitância e ar-
de uma partı́cula de momento p = ~k e massa m = µ~/c, mazena uma carga Q. A equação de Proca (9) escrita
4

explicitamente para o campo elétrico é explicar o efeito Meissner (1933), a expulsão do campo
eletromagnético do interior de um material supercon-
~ = −4πρ − µ2 Φ,
∇·E (22)
dutor quando ele realiza a transição do estado normal
corrigindo a lei de Gauss. Considerando como primeira (T > Tc ) para o estado supercondutor (t < Tc ). Se o
aproximação o potencial constante Φ = V0 e integrando campo é aplicado no estado supercondutor ele penetra
no espaço temos uma distância muito curta denominada profundidade de
penetração de London λL (tipicamente algumas dezenas
4 Q µ2 V0 r
E · 4πr2 = 4πQ − µ2 V0 πr3 ⇒ E = 2 + . (23) de nanômetros). Nesse efeito, que exploraremos a seguir,
3 r 3
tudo se passa como se os fótons adquirissem massa de
A menos de constantes, o potencial que daria origem a
acordo com a teoria de Proca.
esse campo seria
Iniciamos com uma discussão fenomenológica, im-
Q µ2 V0 r2 pondo que o fluxo de corrente no interior do supercondu-
Φ= − , (24)
r 6 tor é causado pelo movimento não-relativı́stico de porta-
garantindo E ~ = −∇Φ. Essa seria a primeira apro- dores de carga Q, com massa efetiva mQ e densidade nQ .
ximação auto-consistente para Φ. A diferença de poten- Se a média local de velocidades desses portadores é ~v , a
cial entre as esferas fica densidade de corrente é
µ2 V0 2
 
1 1 J~ = Q nQ ~v . (27)
Φab = Q − − (a − b2 ). (25)
a b 6
Dividindo Φab por Q obtemos a capacitância do sistema. O momento canônico conjugado à variável posição na
O primeiro termo corresponde ao valor usual dado pela teoria de Maxwell é dado por
teoria de Maxwell, enquanto o segundo seria justamente e~
P~ = p~ + A
a primeira correção proveniente de efeitos da massa do c
fóton. Concluı́mos que essa correção é da ordem de µ2 d2 , onde p~ = γm~v é o momento ordinário. Para o caso não-
onde d é uma distância tı́pica do sistema, nesse caso d = relativı́stico γ ≈ 1 e substituindo ~v em (27)
(a2 + b2 )1/2 .
Q Q2
Como no circuito sugerido ω02 = (LC)−1 , a verdadeira J~ = nQ P~ − ~
nQ A. (28)
mQ mQ c
diferença relativa entre as freqüências deve ser da mesma
ordem da diferença entre as capacitâncias, i.e., em vez Um teorema não publicado atribuı́do a Felix Bloch [8, 9]
de (21) vale e estendido ao caso com interações por David Bohm [10]
mostra que na ausência de campo externo o estado fun-
∆ω
∝ O(µ2 d2 ). (26) damental possui momento canônico com valor esperado
ω0
nulo. Os irmãos Fritz e Heinz London haviam simples-
Vemos que o fator c2 , que sugeria uma grande ampli- mente admitido essa condição [11] e pouco depois Leon
ficação do desvio, foi substituı́do por d2 . As correções Brillouin [12] fizera a conexão com a discussão de Bloch.
por conseguinte só poderiam ser observadas em peças de A idéia é que mesmo após a aplicação do campo o estado
dimensões muito grandes, não compatı́veis com um cir- supercondutor comporte-se coerentemente mantendo a
cuito usual de laboratório. condição de momento zero, de forma que (28) se trans-
forma na equação de London:
II. MASSA EFETIVA DO “FÓTON” NA Q2
SUPERCONDUTIVIDADE E PROFUNDIDADE J~ = − ~
nQ A. (29)
mQ c
DE PENETRAÇÃO DE LONDON
~ no gauge de Lorenz
A equação de ondas obedecida por A
Uma aplicação da eletrodinâmica de Proca se encon- é
tra na teoria de London para o comportamento eletro- ~
~− 1 ∂2A 4π
magnético de supercondutores. Ela foi formulada para ∇2 A 2 2
= − J~
c ∂t c
5

e substituindo J~ de (29) elétron r0 = e2 /me c2 pode ser escrita para os pares de


Cooper como µ2 = 8πr0 nQ . Sendo r0 = 2.818−15 m e
~ − ∂02 A
∇2 A ~ − µ2 A
~ = 0, (30) usando nQ = O(1022 cm−3 ) encontramos
com µ2 = 4πQ2 nQ /mQ c2 . Obtemos assim a equação λL = µ−1 = O(4 × 10−6 cm). (32)
de Proca (15) na ausência de fontes. No limite estático
~ ∝ e±µx , dando
teremos soluções similares a (18), i.e. A A teoria BCS mostra que a temperatura zero, nQ =
a profundidade de penetração de London λL = µ−1 nef /2 = 2EF N (0)/3, onde EF é a energia de Fermi
s da banda de valência e N (0) é a densidade de estados
mQ c2 (número de estados por unidade de energia de um es-
λL = . (31)
4πQ2 nQ tado de spin eletrônico) na superfı́cie de Fermi. Em um
A interpretação de uma teoria efetiva fica clara: fótons gás de Fermi degenerado, nef é igual à densidade total
de Proca decaem exponencialmente e portanto o efeito de elétrons, mas em um supercondutor a densidade de
Meissner é como se os fótons no interior do supercondu- estados é modificada pelas interações e pelo gap de ener-
tor adquirissem massa causando decaimento exponencial gia resultante. Usando metade do total de elétrons de
m c
do campo. Vimos que µ = ~γ , o que nos dá uma massa valência por unidade de volume para nQ em (31), ob-
fotônica efetiva (mγ )ef = ~/λL c. Uma vez que os porta- temos apenas uma estimativa de ordem de magnitude
dores de carga certamente estão relacionados a elétrons para λL . Vale notar também que em supercondutores
no material, expressaremos suas carga Q e massa mQ em de alta temperatura as profundidades de penetração são
unidades de carga e massa do elétron, e e me respectiva- tipicamente uma ordem de grandeza menores que as de
mente, e ainda escreveremos a densidade de portadores supercondutores convencionais.
em unidades do inverso do raio de Bohr a0 ao cubo (uma Medidas de λL e de sua dependência com a tempera-
estimativa aproximada do volume atômico). Com isso a tura podem ser feitas incorporando o material supercon-
energia de repouso efetiva do fóton pode ser escrita por dutor a um circuito ressonante e estudando a mudança
s na freqüência de ressonância com o aumento da tempera-
2 ~c 4πQ2 nQ tura. Se λL for pequeno comparado com o comprimento
(mγ )ef c = =~
λL mQ de onda associado ao circuito e ao tamanho da amostra,
s

Q ~e 4πnQ a30 podemos mostrar que está relacionado à impedância re-
= p 3 ativa superficial, quantidade mensurável em um circuito
e a0 me mQ /me
" s # real. Suponha um caso simples em que o potencial ve-
Q 4πnQ a30 e2
= tor é tangencial com dependência harmônica temporal no
e mQ /me a0
exterior de um supercondutor ocupando a região x > 0,
onde usamos a0 = ~2 /(me e2 ) na última linha. Como dado por
a quantidade adimensional entre colchetes é presumivel-
Ay = (aeikx + be−ikx )e−iωt . (33)
mente da ordem de algumas unidades, a energia de re-
pouso do fóton é da ordem da energia de Rydberg e2 /a0 , ~ obedece à equação de Proca,
No interior do material A
i.e. alguns eletron-volts. que para o caso de dependência temporal harmônica fica
De acordo com a teoria BCS [13] e com experimen-
~ = 0.
[∇2 + (ω 2 /c2 − µ2 )]A (34)
tos que a comprovam, os portadores de carga em super-
condutores de baixa temperatura são pares de elétrons De acordo com o que já discutimos, a solução é da forma
(chamados pares de Cooper) levemente ligados por uma
A ~ 0 ei(~k·~x−ωt) ,
~=A (35)
interação de segunda ordem mediada por fônons na rede.
Assim, temos Q = −2e, mQ = 2me , e nQ = nef /2,
com |~k| = ω 2 /c2 − µ2 . Nossa hipótese é λL ≪ λ, i.e.,
p
onde nef é a densidade efetiva de elétrons responsáveis
1/µ ≪ c/ω ou µ ≫ ω/c, de modo que
pelo fluxo de corrente. Ao escrevermos (30) definimos
|~k| = i µ2 − ω 2 /c2 .
p
µ2 = 4πQ2 nQ /mQ c2 , que usando o raio clássico do (36)
6

Como a incidência é normal a onda depende somente de A impedância superficial, dada pela razão entre os cam-
x, e no interior do material então teremos pos transversos na superfı́cie, é
√ 2 2 2 √ 2 2 2
Ay = (αe− µ −ω /c x + βe µ −ω /c x )e−iωt . (37) 4π Ey 4πiω
Zs = =− p . (41)
c Bz c2 µ2 − ω 2 /c2
Tomamos β = 0 para evitar um crescimento exponencial,
e em x = 0 (37) deve se igualar a (33), o que nos dá
Substituindo µ = 1/µL e ω = 2πc/λ chegamos na dese-
α = a + b. A solução final no interior do supercondutor
jada relação entre impedância e profundidade de pene-
é portanto
tração
√ 2 2 2
Ay = (a + b)e− µ −ω /c x e−iωt . (38)
8π 2 λL 1
Zs = −i p , (42)
Os campos na interface interior são c λ 1 − (2πλL /λ)2

1 ∂ ~
A iω
~ =0 )=−
E(x +
= (a + b)e−iωt ŷ (39) que no limite λL ≪ λ nos dá simplesmente
c ∂t + c

x=0

8π 2 λL
Zs = −i . (43)
~ = 0+ ) = ∇ × A
~ c λ
p
B(x = − µ2 − ω 2 /c2 (a+b)e−iωt ẑ.
x=0+
(40)

[1] J. D. Jackson, Classical Electrodynamics (John Wiley [8] F. London, Superfluids vol. 1 (Wiley New York, 1950)
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[2] A. Proca, J. Phys. Radium 7, 347 (1936) 1996) 2ed
[3] D. N. Poenaru, arXiv: physics/0508195 [10] D. Bohm, Phys. Rev. 72, 502 (1949)
[4] E. Fischbach, H. Kloor, R. A. Langel, A. T. Y. Lui e M. [11] F. London e H. London, Proc. Roy. Soc. London A149
Peredo, Phys. Rev. Lett. 73, 514 - 517 (1994) (1935)
[5] P. A. Franken e G. W. Ampulski, Phys. Rev. Lett. 26, [12] L. Brillouin, Proc. Roy. Soc. London A152, 19 (1935)
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[6] D. G. Boulware, Phys. Rev. Lett. 27, 55 - 58 (1971) 108, 1175 (1957)
[7] E. R. Williams, J. E. Faller e H. A. Hill, Phys. Rev. Lett
26, 721 (1971)