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APRESENTAÇÃO

O presente trabalho busca explicar e compreender o processo histórico


que culminou com a criação do município de Caroebe/Roraima. A ocupação da
Amazônia faz parte do contexto da doutrina de "segurança nacional"
confirmada com a presença militar e com os migrantes que povoariam toda a
área amazônica. Roraima, como última fronteira a ser confirmada, foi alvo de
uma colonização planejada pelos governos militares e incentivada quando
passou a ser Território Federal de Rio Branco depois mudado para Território
Federal de Roraima, pelos governadores indicados pelo Governo Federal para
organizarem as instituições e povoarem toda região. A colonização ocorreu
com promessas de terras férteis e incentivos financeiros, principalmente para
nordestinos que trouxessem sua força para fazer Roraima crescer. Assim, tanto
nordestinos como sulistas deixaram suas terras natal para se fixarem em
Roraima e iniciar uma nova vida.

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1- A COLONIZAÇÃO DA REGIÃO
No entanto, historicamente, a Amazônia sempre foi geograficamente à
parcela territorial mais difícil de colonizar, considerando sua baixa densidade
demográfica e sua imensidão de floresta. Outro fator que deve ser lembrado é
a população silvícola formada pelos indígenas de etnias variadas. Implica dizer,
que o processo de colonização do Norte passa impreterivelmente pela
submissão dos povos indígenas. Seja pela força bélica, seja pelo poder da
igreja, pois, catequizar silvícolas tornava-os civilizados e cristãos.
Dessa forma, convém ressaltar que a ocupação da Amazônia é um
processo antigo. Quando os europeus chegaram, no século XVI, a região já era
habitada por um conjunto de sociedades hierarquizadas, os povos indígenas.
Para os portugueses, o problema de seu domínio geopolítico sempre foi
destaque. Por ser um grande território, as políticas de sua ocupação sempre
procuraram combinar as estratégias geopolíticas com a exploração econômica.
Nesse contexto, a ocupação da região amazônica pelos portugueses
durante o século XVI teve um marco geopolítico inicial que foi a fundação do
Forte do Presépio de Santa Maria de Belém em 1616. Este forte marca a
presença de Portugal no Amazônia e inicia um núcleo urbano que seria a
cidade de Santa Maria de Belém, que não se limitava apenas a espalhar
feitorias e missões, mas também estabelecer luta para expulsar os invasores
(ingleses, irlandeses, franceses e holandeses), a fim de garantir a posse do
território.
Um fato importante no processo de colonização da Amazônia foi o
acordo que originou o Tratado de Madri, em 1750, que dava a Portugal uma
ampliação de seus limites geográficos ao Norte e ao Sul da América. Com essa
alteração foi possível tomar posse das áreas ocupadas.
Não podemos deixar de mencionar a importância do ciclo da borracha.
Tivemos nesse ciclo dois período muito importante, que foi o final do século
XIX e início de século XX, o segundo foi a metade do século XX. Nesses
períodos tivemos uma grande onda migratória para a Amazônia, pessoas que
vinham em busca de melhores condições de vida, crescimento social e político.

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A extração da borracha foi o grande motor para o crescimento regional,
gerando ondas demográficas nas áreas de confluência comercial da atividade
gumífera.
No século XX, durante a era Vargas, um projeto de ocupação da
Amazônia intensificou a busca por desenvolver a região. O objetivo era
explorar as riquezas existentes na região, e, em contrapartida, realizar obras
como o saneamento básico (até os dias atuais continua sendo uma
necessidade), o incentivo por meio de crédito para as pessoas que aderissem
ao apelo da colonização, malha viária e organização do trabalho. A
preocupação com o desbravamento das regiões desertas do país,
principalmente com o Norte, ficou latente por ocasião do discurso do Rio
Amazonas:
No discurso do presidente do estado novo feito em 10 de outubro de
1940, discurso conhecido como “Rio Amazonas”, Vargas afirmou que faria
dessa região um poderoso e formidável centro de engrandecimento nacional e
que a chave dessa ação estava no binômio: povoamento e fixação do homem a
terra, considerada, por ele, como deserta, desconhecida e isolada. Em 1941, o
presidente estabeleceu a “marcha para o oeste”, um poderoso estímulo a
política de interiorização. Foi Vargas que primeiro definiu e implantou uma
política efetiva de ocupação e valorização da Amazônia.
Durante o governo Vargas (1930-1945 e 1951-1954), a Amazônia passou
a ter uma importância crucial para o desenvolvimento da região do plano de
conquista do Norte, visto que toda política de expansão comercial e industrial
estava localizada no eixo sul/sudeste, sendo assim necessário que algo
diferente ocorresse para se alcançar e conquistar todo território nacional.
O desejo de ocupação da Amazônia toma força na década de 1960,
momento em que o Governo Federal passa a formular estratégias de
povoamento do norte do Brasil e programas de expansão através de rodovias
que facilitariam o acesso a região amazônica, implantação de
telecomunicações e incentivos tanto à permanência do homem na terra como à
migração para o norte por parte de famílias que receberiam das autoridades
terras para produzirem seu sustento e insumos para a produção agrícola e
pecuária. O controle governamental visava levar aos assentados não apenas
estradas, mas, toda infraestrutura necessária ao bem estar dos colonos que

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incluía a construção de uma Hidrelétrica que traria ao homem do campo luz
para melhorar a qualidade de vida.
Os projetos do Governo Federal, nesse período que coincide com o
golpe militar de 1964, não foram vistos pelos indígenas e colonos da região
como um avanço da nação brasileira, antes, todo processo era observado com
desconfiança. Os planos “Política de Integração Nacional (PIN)” e “Plano
Nacional de Desenvolvimento (PND’s)” que eram fundamentados na doutrina
de Segurança Nacional. Os objetivos eram: a) resguardar a soberania nacional;
b) fiscalizar as fronteiras; e, c) impedir as ações exteriores, as incursões de
traficantes e invasores das terras brasileiras.
Dessa maneira, tanto indígenas como colonos já instados na região
protestaram com a chegada das estradas da maneira que o governo propunha.

As redes de telecomunicações, a instalação de hidrelétricas alterava toda


a vida cotidiana dos que ali residiam, sendo os protestos eram constantes. A
chegada de novos colonos significava a desapropriação dos antigos, dentro do
projeto de expansão do governo não estava incluso a proteção a terras
indígenas nem a propriedade dos camponeses. A pecuária necessitava de
grandes áreas de terra, então conflitos foram sendo travados e com isso tribos
indígenas foram dizimados e camponeses massacrados, para que o progresso
vindo do capitalismo se instalasse e promovesse a ocupação.
O grande capital penetrou nas áreas indígenas, cortou as reservas,
lavrou o subsolo, alagou aldeias; a cultura tradicional dos índios foi ferida, a
sua liberdade ancestral ameaçada. O latifúndio engole as roças, mas o
camponês resiste à expulsão, recusa a proletarização, luta contra o cativeiro e
defende sua autonomia.
A resistência dos colonos e dos indígenas foi o primeiro freio à ação de
conquista da Amazônia. Há de se convir que antes de qualquer plano de
conquista, as variáveis devem ser levadas em consideração, principalmente em
se tratando de nativos. Mas, a motivação para a ocupação da Amazônia
brasileira, é justamente a diversidade biológica, tanto fauna quanto flora, que
desperta paixões e faz nascer povoados e lugarejos, que a princípio são locais
de estudos e logo se tornam habitações.

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A Amazônia sempre atraiu com força de verdadeiro imã a curiosidade
científica universal. Inúmeros cientistas, particularmente naturalistas, botânicos,
geógrafos e historiadores da Europa e dos Estados Unidos, visitaram a região
nos séculos XVIII e XIX.
1.1 Roraima e seus processos de colonização
Roraima é o ponto mais setentrional do Brasil, faz fronteira política com
dois países, a República Cooperativista da Guiana e a República Bolivariana
da Venezuela, e com dois estados federados brasileiros, o Amazonas e o Pará.
Possui área de 224.298 km2 e uma população estimada em 469.524, segundo
os dados do IBGE 2013.
1.2 Evolução Político-Administrativa
A evolução da divisão político-administrativa de Roraima teve início com
a criação da Freguesia Nossa Senhora do Carmo, por meio da Lei Provincial
de 09 de novembro de 1858. A referida Freguesia localizava-se acima da
cachoeira do Bem-Querer, no lugar denominado Boa Vista, onde desde 1830
estava instalada a fazenda de criação de gado Capitão Inácio Lopes de
Magalhães.
Nesse quadro, segundo Souza (1976), o Decreto-Estado nº 49, de 09 de
julho de 1890, criou o município de Boa Vista do Rio Branco, com terras
desmembradas do município de Moura do Estado do Amazonas. Em 1943, no
Governo de Getúlio Vargas, foi criado o Território Federal do Rio Branco,
juntamente com os territórios do Amapá, Rondônia, Ponta-Porã e Iguaçu, por
meio do Decreto-lei nº 5.812, de 13 de setembro. Embora criado em 1943, a
instalação do Território do Rio Branco somente foi efetivada em 20 de junho de
1944. A criação dos territórios recém-resolvidos, o advento da Segunda Guerra
Mundial e a necessidade de povoar estes referidos territórios.
O Estado de Roraima nasceu após a promulgação da Constituição
Federal de 1988. Deixava de ser Território Federal para compor o quadro de
Estados da Federação. Com essa mudança, foi necessário criar toda uma
estrutura organizacional para o funcionamento estatal.
Inicialmente, a solução encontrada para a ocupação da região e para o
abastecimento do mercado da capital de produtos agrícolas e
hortifrutigranjeiros foi a colonização dirigida. As primeiras colônias foram
localizadas nas cercanias da cidade de Boa Vista, ponto de maior

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concentração populacional e, consequentemente, de maior demanda por
alimentos.

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De início, três colônias agrícolas foram planejadas e implantadas:
Fernando Costa, localizada à margem direita do Rio Mucajaí, foi a primeira
colônia a ser criada, em 1944, estando a 54 km ao sul de Boa Vista (atual
município de Mucajaí). Vieram 150 famílias rio-grandenses, cearenses e, a
maior parte de maranhenses. A colônia desenvolveu uma agricultura de
subsistência com a comercialização do excedente.
A partir de 1974, existe a colonização por meio dos projetos de
assentamentos dirigidos do Incra, por sua vez, melhor explanado no segundo
capítulo, onde trabalhamos os assentamento e a migração, para, no terceiro e
último capítulo abordarmos sobre a formação do município de Caroebe.

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1.3 A migração em Roraima

A migração em Roraima ocorreu basicamente em dois grandes períodos,


um primeiro quando ainda era município do Amazonas até a criação do
Território Federal do Rio Branco, que obedeceu às seguintes etapas: a) o Ciclo
da Borracha de 1850-1911, ocasião em que no seu auge (em 1900) a
população roraimense chegou a 10 mil residentes, incluindo imigrantes e
missionários estrangeiros; b) a descoberta de minas de ouro e diamante da
década de 1930-1940, que incrementara mais 4.000 imigrantes; e, c) a criação
do Território Federal de Roraima e execução da política de ocupação proposta
por Getúlio Vargas na segunda metade da década de 1940, alcançando Boa
Vista no início dos anos de 1950 o número de 18.116 e em 1960 o total de
28.304 indivíduos.
Historicamente, a colonização do vale do Rio Branco contou de início com
a iniciativa privada através da instalação de fazendas de gado, com os
migrantes nordestinos associada ao processo independência e
consecutivamente a República do Brasil forma-se o município o vale, o Boa
Vista.
Em 1889, com a instalação da República no Brasil, a Freguesia de N. Sa.
do Carmo pertencente à Província do Amazonas passa a ser Município de Boa
Vista, pertencente ao Estado do Amazonas (1890). Em 1917, Boa Vista e suas
cercanias mais próximas teriam 5.000 habitantes, e mais três ou quatro mil
pessoas dispersos pelas fazendas e postos de coletas ao longo do rio Branco.
Boa Vista, agora município do Amazonas, crescia por causa da pecuária,
no entanto, a pecuária deixava de ser importante para o desenvolvimento da
cidade e inicia um declínio, enquanto que a garimpagem começa uma
ascensão por volta de 1917, com a crise da borracha que desarticula a
economia da Amazônia em 1920 afetando a pecuária do alto rio Branco e faz
da mineração a primeira expansão econômica de Roraima.
Nesse contexto, a mineração na Amazônia Setentrional, particularmente
em Roraima, foi à motivação para uma grande migração.

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Pessoas desmobilizadas da coleta da borracha, gente sem alternativas
de ganho, foram atraídas pela possibilidade de mineração do ouro e diamante
nas aeras montanhas de fronteiras entre Brasil (Roraima) e a Venezuela, e nas
fronteiras entre Roraima e a Guyana. É na década de 1930 que a mineração se
expande. Comerciante e investidores começaram a chegar, e fazendeiros
trataram de investir na mineração. A mineração atraiu populações para as
áreas ao norte de Boa Vista, e como antes, era o rio Branco a base da
comunicação.
A mineração fez surgir garimpeiros vindos de toda parte do Brasil, o que
aumentou o fluxo de pessoas na cidade de Boa Vista. Diante da necessidade
de ter um ponto fixo para a administração das situações tanto de mineração
que implicava na migração, principalmente de pessoas sem qualificação que
vinham em busca do trabalho braçal do garimpo, como da pecuária como da
exploração dos seringais. Com disposição para solucionar a problemática é
fundado o Território Federal do Rio Branco, desconectado do Estado do
Amazonas. Boa Vista passa a ser a capital do então território do Rio Branco.
O objetivo principal do governo federal ao criar os territórios federais, e
disso o território do Rio Branco não foge à regra, era a ocupação das áreas.
Havia muitos “espaços vazios” e necessitavam serem preenchidos e a partir
daí passarem a produzir. Para tanto, colônias agrícolas foram criadas para com
a produção de hortaliças de forma artesanal e posteriormente em maior escala,
suprir as necessidades da capital. Fazia parte do programa de soberania
nacional e proteção das terras não ocupadas e improdutivas.
No contexto explicitamente geopolítico das políticas territoriais para a
Amazônia, nota-se que o Território Federal do Rio Branco não fugiu a regra dos
programas implementados pelo Governo Federal para ocupar a área. Após a
criação do Território, foram implementadas colônias agrícolas a fim de
abastecer Boa Vista de produtos hortifrutigranjeiros e de aumentar o
contingente populacional.
A ocupação não indígena em Roraima ocorria por conta da pecuária e
em outro momento motivada pela agricultura. A partir da década de 1950, o
governo Federal passou a colonizar o Território de Rio Branco - depois
renomeado de Roraima - com a criação de colônias agrícolas, fomentadas
pelos Governos Federal e local, foram implantados os primeiros assentamentos

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agrícolas em Roraima já mencionados. Quatro colônias foram criadas em
Roraima:
Nesse contexto, a partir de 1950, o governo federal criou os quatro
primeiros assentamentos rurais em Roraima - Mucajaí, Cantá, Taiano e Santa
Maria do Boiaçu - mas somente os três primeiros obtiveram o êxito esperado.
Êxito esse fruto da abertura das estradas principais e vicinais, loteamentos das
áreas a serem ocupadas (em média 50 hectares), fornecimentos de insumos,
equipamentos agrícolas e incentivos financeiro.

No final da década de 1970 e início da década de 1980, durante o


governo biônico de Ottomar de Sousa Pinto - governador indicado pelo
Governo Federal para manter os interesses da União - aconteceu uma grande
migração incentivada pelo mesmo que pedia às famílias vindas do Nordeste e
do Centro-Sul que trouxessem junto consigo sua força de trabalho para
contribuir e fortalecer a economia local. Essa forma de incentivo e a doação de
terras fez com que Ottomar se fortalecesse politicamente e após a
promulgação da Constituição Federal de 1988, com Roraima agora passando a
ser estado da Federação, Ottomar é eleito pelo voto como o primeiro
governador.
Entre os anos de 1988 e 1990, Roraima cresceu assustadoramente, por conta
da prática do garimpo. Um grande fluxo de pessoas vindas de toda parte do
Brasil, principalmente do Estado do Maranhão, em busca de melhores
condições de vida, de emprego e de ouro, pois, os boatos em todo território
nacional dizia que em Roraima o diamante brotava de olhos d'água nos
quintais e o ouro era de fácil aquisição. Percebe-se, então, que a busca pelo
metal precioso contribuiu para a formação da população roraimense, mas,
contribuiu também para a formação do município de Caroebe?

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A forma de ocupação territorial de Roraima através de assentamentos foi
um aparelho utilizado de forma a beneficiar os assentados, quando propõe um
incentiva através de financiamento para benfeitorias, a distribuição sem ônus
de insumos e equipamentos agrícolas para manter o homem no campo
desafogando assim o inchamento dos centros urbanos, visto que há uma
inversão no êxodo que deixa de ser campo-cidade para ser cidade-campo.
Uma das evidencias dos resultados negativos da transferência de
população refere-se ao elevado ritmo do aumento demográfico,
desproporcional ao que os governos implantam em infraestrutura, acarretando
problemas já conhecidos pelas comunidades dos grandes centros urbanos.
Os problemas que um crescimento demográfico desordenado causa, não
são solúveis em curto prazo, e, portanto, apenas com um planejamento
estratégico se poderia atenuar os efeitos nocivos da migração, pois os
migrantes em sua grande maioria eram famílias sem estrutura financeira, de
baixo conhecimento intelectual e com uma quantidade de pessoas elevados,
de sorte que caso não fossem capazes de enriquecer na garimpagem,
trabalhariam nas fazendas como vaqueiros ou em subempregos na capital Boa
Vista. Assim, sem ordem e sem qualificação, Roraima cresceu
demograficamente, de acordo com o Jornal Folha de Boa Vista, de 07 de julho
de 2014.
Até os anos 2000, a migração não trouxe grandes colaborações para o
desenvolvimento do Estado. Primeiramente porque boa parte dessa demanda
girava em torno de garimpo e segundo porque a maioria das famílias que
migrava para Roraima nesta época, vinha por promessas eleitoreiras de
emprego fácil. Ambas as situações deixaram como saldo uma população
desassistida pelo poder público e sem perspectivas de auxílio no
desenvolvimento do Estado, uma vez que os migrantes eram de famílias
numerosas de baixa qualificação.
Há ainda o aspecto positivo da migração que na Amazônia se sobrepõe
aos problemas estruturais. Os migrantes quando se fixam promovem
desenvolvimento econômico para a região. Exigem qualidade nos serviços
prestados, investem no comércio, contribuem para a elevação da renda local,
pois, o ato de fixar-se ao território, mostra que já passaram por outras
localidades e tendem a permanecer onde produzem bens, serviços, e riquezas:

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Um número crescente de estudos vem demonstrando que os migrantes
não somente são sensíveis a incentivos econômicos, mas que também tendem
a elevar suas rendas e a apresentar padrões de rendimentos e de exigências
de consumo. No caso aqui tratado, nordestinos têm encontrado meios para se
inserir nesse quadro de aceleração econômica, depois de tentativas frustradas
em plena Amazônia […] o emigrante tenderia, no seu destino final, depois de
um determinado tempo de residência aumentar a sua capacidade de
integração no lugar de destino, melhorando o seu nível de educação e
ocupação e, consequentemente sua renda.

A fixação dos migrantes à terra. O desejo de constituir família e trabalhar


a agricultura, fez com que povoamentos fossem surgindo ao longo das
rodovias que cortavam o território. A garimpagem trouxe pessoas de várias
partes do Brasil que quando não conseguia enriquecer na mineração de ouro
e/ou diamante, tentavam outra opção de trabalho, cuidar da terra e passar a
ser agricultor. De forma espontânea os novos colonos ocupavam a terra e
produziam o básico da agricultura familiar. Não havia incentivo por parte dos
governos, nem dos órgãos competentes para auxiliar os agricultores. Os
posseiros que produziam os gêneros básicos da agricultura familiar sequer
eram reconhecidos pela sociedade Roraimense que insistia em não se
preocupar com os assentados nem com suas necessidades. Mas, os agentes
da Superintendência de Campanha de Saúde (SUCAM) buscam cadastrar os
moradores da colônia e desta forma, então no final da década de 1980, dois
assentamentos se estabelecem pelo INCRA em Roraima.
Tais fatores demonstram que a política de Colonização e Assentamento
surtiu o efeito esperado, pois, a partir de 1987, foram formadas duas colônias
agrícolas espontâneas, posteriormente elevadas a qualidade de Projeto de
Assentamento do INCRA: Vila Nova e Samaúma. Este último, chamado
inicialmente de colônia agrícola Nova Esperança.
O trabalho do INCRA em Roraima fez com que surgissem vários
povoamentos em pontos distintos do Estado. Famílias inteiras ao terem
notícias de que terras estavam sendo loteadas se dirigiam para o local a ser
distribuídas as terras e dessa forma iniciava a colonização e a produção
agrícola que garantia a subsistência familiar e a comercialização do excedente

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para Boa Vista. Sem a participação do Governo os assentados produziam
inicialmente com os próprios recursos e posteriormente com os incentivos
oriundos de programas de assentamento implementado pelo INCRA, que com
sua política chegou a 50 o número de PAs em Roraima (ibid.).
A migração trouxe para Roraima não apenas nordestinos, mas, pessoas
de outras nacionalidades que se instalaram no estado e passaram a produzir e
fazer parte do contexto comercial. O Estado se coloca numa posição de
incentivador da migração, para tanto precisa, através de planejamento e
políticas públicas suprir as necessidades básicas das pessoas oriundas de
todas as partes. Dessa forma assentamentos são criados para contemplar os
que chegam e passam a residir.

A necessidade de crescimento econômico faz com que as fronteiras


fossem abertas para trocas de experiências e integrações políticas. Por estar
localizado na Amazônia Ocidental, Roraima como parte da Amazônia faz
fronteira com Colômbia, Peru e Bolívia. Essas fronteiras não trazem benefícios
para a região, pois são consideradas vulneráveis por conta do narcotráfico,
lavagem de dinheiro que acontecem nesses países. No entanto, com relação a
Roraima, particularmente, uma terceira fronteira já não se caracterizava como
vulnerável, pois a relação existente não estava - nem está até os dias atuais -
sujeita a ações de traficantes. Trata-se da relação de integração
Brasil/Venezuela nos limites de Pacaraima, última cidade brasileira e Santa
Elena de Uairén, cidade fronteiriça da Venezuela:
(à porção do estado de Roraima beneficiada pela rodovia que estabeleceu a
ligação coma Venezuela e pela energia produzida pela hidrelétrica de Guri
naquele país (na prática, essas obras caracterizam projetos de integração
continental). Difere, portanto, das demais fronteiras políticas da região, mais
vulneráveis a interesses conflitantes quanto à soberania)
A integração Brasil/Venezuela deu a possibilidade de Roraima ter um
avanço na questão econômica, pois, a energia antes era termoelétrica gerada
dentro dos limites de Roraima, passando a ser após o convenio, gerada na
Venezuela pela hidrelétrica de Guri. Essa integração faz com que Roraima
receba venezuelanos para se mesclarem aos brasileiros e comporem a
população roraimense.

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Há autores que ainda preveem para Roraima e exclusivamente para Boa
Vista, tempos de grande desenvolvimento econômico e social. Baseado nas
fronteiras amigáveis com a Venezuela e com a Guiana Inglesa:
Boa Vista surge como uma estrela de primeira grandeza conectando-se
com Manaus por via terrestre e por via mista rio-estrada, ligando-se com as
localidades de Lethen, na República da Guiana e Santa Elena, da Venezuela.
Esse triângulo Boa Vista-Lethen-Santa Elena deverá ser seu progresso
incentivado pelos três países, transformando-se numa área fronteiriça de
intercambio, pólo de dimensões internacionais (MATTOS, 1980, p. 155).
A migração para Roraima, e o desenvolvimento promovido para a região pelo
poder público, faz com que o ciclo continue e novos surtos de migração
ocorram em Roraima, de maneira que novos Projetos de Assentamentos sejam
criados para motivar a produção de hortifrutigranjeiros e assim abastecer o
comercio de Boa Vista e das cidades fronteiriças.

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1.4 sul de Roraima: BR 174 e BR 210 (perimetral norte)
O Brasil está dividido em micro e mesorregiões. As características típicas
da localidade que formam uma mesorregião são definidas de acordo com o
conceito exposto por Clemente:
Entende-se por mesorregião uma área individualizada, numa
determinada unidade da Federação, que apresenta formas de organização do
espaço geográfico definidas pelas dimensões: o processo social como
determinante; o quadro natural, como condicionante e a rede de comunicação
e de lugares, como elemento de articulação espacial. Estas três dimensões
possibilitam que o espaço delimitado como mesorregião tenha uma identidade
regional.
Pode-se concordar com a conceituação acima, pois, Roraima está
dividido em duas Mesorregiões: Mesorregião do Norte de Roraima e
Mesorregião do Sul de Roraima. A Mesorregião do Sul de Roraima é formada
por Caracaraí e toda região sudeste do Estado. Em termos atuais, esta
mesorregião engloba sete municípios: Rorainópolis, Caracaraí, Mucajaí,
Iracema, Caroebe, São João da Baliza e São Luis.
O extrativismo vegetal na Mesorregião do Sul de Roraima já ocorria no
século XIX com a coleta das chamadas “Drogas do Sertão” cujo produto mais
conhecido era o cacau. Produzido para atender o mercado internacional, e em
seguida a castanha. Mas durante as décadas de 1960 e 1970, a madeira ficou
sendo a maior riqueza dessa região:
Pode-se afirma que a economia foi marcada, sobretudo pelas políticas
do Governo Federal. Nesse período, os interesses das grandes empresas de
voltaram para a mineração, para a extração e para o beneficiamento dos
diversos tipos de madeira, mas também a pecuária de corte, dentre outras
fontes de menor importância.
Nesta região ainda se pode encontrar na atualidade outras produções
como a banana no município de Caroebe. Dentro do fator do extrativismo
vegetal, o beneficiamento da madeira já não é a maior fonte de
desenvolvimento.
Pode-se dizer que cada município que forma a Mesorregião do Sul de
Roraima tem uma situação em comum. A colonização espontânea. Mucajaí um

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dos mais antigos municípios, cuja pecuária é a principal atividade econômica,
teve parte de suas terras ocupadas na década de 1980:
Nessa conjuntura o município de Mucajaí localizado na parte centro leste do
Estado de Roraima e um dos mais antigos núcleos populacionais nos quais
predominam o relevo e o clima típico do lavrado, médias e grandes
propriedades rurais e a pecuária seja a principal atividade rural praticada em
toda sua extensão territorial, as paras terras desocupadas passou a ser alvo
dessa colonização espontânea a partir da segunda metade da década de 1980.

Mucajaí como parte da mesorregião, na década de 1980, já não tinha


como sua maior preocupação o extrativismo vegetal. A pecuária era mais
lucrativa, visto que o beneficiamento da material prima não supria a
necessidade da localidade e com a migração passava a se preocupara com a
agricultura familiar e menos com a extração de madeira.
A discussão quanto à mesorregião do sul de Roraima ainda será
novamente abordada, pois o município de Caroebe está incrustado nessa
localidade e uma análise voltada para o desenvolvimento econômico, social e
populacional se faz necessária para compreender o nascimento desse
município.
As migrações, portanto, desempenham papel fundamental na
constituição socioeconômica de Roraima. O movimento de entrada de
migrantes é constante, variando para mais nos momentos de surto econômico,
como, por exemplo, o do garimpo de ouro mencionado acima. Além disso, as
práticas políticas de caráter assistencialista e clientelístico difundiram a idéia
enganosa de que as coisas em Roraima estão mais disponíveis e podem ser
mais fáceis.
Acreditar que os assentamentos rurais são a solução para a
problemática da moradia e da distribuição de terra para fixar o homem no
campo é um engano insolúvel. Enquanto as políticas públicas beneficiarem
apenas uma pequena parcela da população, enquanto Roraima mantiver a
política paternalista de bolsas famílias, auxilio gás de cozinha, e outros tantos
programas de doação de renda, os assentamentos continuarão sendo um
depósito de pessoas e posteriormente se tornarão municípios sem estruturas
para se manter, alimentando políticos que se proclamam donos do bem

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público, enquanto o povo continua procurando esperança onde não há. Fé
onde só há corrupção, apoio político onde só há legisladores da própria causa.

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1.5 A formação do município de Caroebe, Roraima
A geopolítica foi fundamental para o povoamento da Amazônia, fato visto
desde o tempo colonial, quando Portugal se remete a colonizar a Amazônia
sem recursos econômicos suficiente e populacional dentro de um território tão
extenso. Entretanto, a geopolítica foi o principal fator que garantiu a soberania
da Amazônia, seja ela pela presença de opressão das formas mais brandas
seja pelas guerras e conquistas de território. Adentramos a seguir na
abordagem sobre a geopolítica da Amazônia e de Roraima.
O desenvolvimento nacional exigia uma política de interiorização e de
valorização da enorme massa continental. o General Golbery do Couto e Silva
formulou propostas geopolíticas que visavam à integração definitiva e ao
desenvolvimento de todo o espaço territorial brasileiro. Mereceram particular
atenção a Amazônia e o Centro-Oeste, carentes de infraestrutura, de
transportes, de comunicações e de povoamento. A atenção maior foi dada para
a imensa área do interior e, nesta, mais especificamente à Amazônia.
No tocante à estratégia para acelerar o desenvolvimento econômico e
social da Amazônia, vê-se uma ação combinada partindo das três frentes: da
foz do rio para o interior, descendo pelas vias do Planalto Central e declinando
das escarpas andinas e do sistema guiano. Um esforço conjunto internacional,
cada qual levando povoamento e progresso econômico e social. Na extensa
fronteira Norte, nas regiões de povoações vizinhas, de nacionalidades
diferentes, sugeriu-se a criação de "áreas interiores de intercâmbio fronteiriço",
onde seria incentivada pelos governos lindeiros uma política de livre
cooperação econômica e social, seguindo o modelo das cidades germinadas
na fronteira Sul.

A Amazônia possui uma área de grande extensão territorial e de difícil


acesso, que o governo Federal e local passa a se preocupar com o que pode
entrar e sair de seus limites geográficos. Por fazer fronteira com países cujas
divisões são imperceptíveis, e por não haver possibilidade de guarnecer todos
os pontos de acesso, que coíbam entrada de qualquer nocividade, ocupar
essas áreas seria o melhor a fazer. Na colonização e ocupação da região
amazônica a problemática da geopolítica necessitava de um programa de
incentivo a ocupação e de uma maneira de diminuir a pobreza no nordeste do

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Brasil. A solução: promover a migração para o Norte de país: a região
amazônica.
Esta época foi também marcada pela criação de incentivos à ocupação
do território para solucionar dois problemas crônicos. O primeiro, de cunho
geopolítico, era o de ocupar os espaços vazios do território, tendo em vista a
antiga preocupação dos governos centrais em defender as fronteiras
internacionais do país. O segundo residia na questão regional nordestina. A
proposta era criar colônias agrícolas para transferir a população de regiões
empobrecidas e castigadas pela seca para regiões mais úmidas e
supostamente agricultáveis.
Acordos são firmados entre colonos e governos que a princípio parecem
comuns, mas, dentro desses acordos estão políticas desenvolvimentistas para
a região. Os incentivos propostos pelo poder público mantêm o agricultor, o
colono na terra para fazê-la produzir. A Amazônia é de extrema importância
para a política governamental de ocupação. Os lugarejos nascidos ao longo da
BR 174 são parte desse propósito, pois, a BR 174 liga Brasil e Venezuela,
assim como outras rodovias são pontos de integração e influem na economia e
na política local. Comenta que é necessária a integração a fim de promover a
complementaridade econômica, como é o caso da energia, e também "alargar
o espaço econômico nacional, bem como para ganhar força política", citando
como exemplo a "produção hidrelétrica de Guri, na Venezuela: acordos
comerciais firmados entre países vizinhos e os estados do Amazonas,
Roraima, Rondônia e Mato Grosso.”.
Cumpre-se, então parte dos planos governamentais, pois, um dos
interesses era a integração entre os países fronteiriços. Na década de 1970 já
se desejava integrar a Amazônia por uma questão de soberania nacional, por
uma questão de fortalecimento da unidade nacional. O primeiro plano era
estabelecer as fronteiras e proteger o patrimônio verde e território brasileiro.
A grande maioria dos migrantes que vieram em busca da realização de
um sonho encontrou dificuldades de obter o apoio necessário do poder público.
Mas, por terem a bisão de crescimento adaptaram-se rápido a situação, a falta
de recursos financeiros a exclusão social servirão de impulso para o trabalho
de territorialização. Os vilarejos cresceram sem a ajuda das autoridades, os
moradores ajudavam-se uns aos outros não esperavam o auxilio que viria da

22
parte do governo, por isso muitos assentamentos surgiram sem o aval das
autoridades competentes.
Para esses trabalhadores as políticas sociais não têm alcance, pois,
trabalham em grupo, produzem e trazem benefícios para a comunidade e
dividendos para o Estado. A geopolítica os localiza nas regiões de produção
agrícola como produtores independentes. Mesmo estando localizado dentro da
área do projeto de desenvolvimento indispensável à segurança nacional
denominado II Plano Nacional de Desenvolvimento.
1.6 O PAD-Anauá
No início do ano de 1982, o governo através do INCRA deu continuidade ao
seu plano de ocupação de Roraima. Foi ampliado o Projeto de Assentamento
Dirigido Anauá - PAD. A proposta do PAD era dar o apoio necessário as
famílias que chegassem no local de implantação de forma imediata, pois, sem
a presença do poder público as ocupações aconteciam de forma desordenada
e as consequências geradas poderiam culminar em violência na pior das
hipóteses. Então alguns aspectos fundamentavam o PAD-ANAUÁ (1982, p. 1):


Absorver e orientar o fluxo migratório de agricultores, propiciando o imediato
acesso a terra, evitando ocupações desordenadas e tensão social na região.
Promover os benefícios da Colonização Oficial, permitindo a transformação
da economia de subsistência em economia de escala.
Realizar o melhor aproveitamento dos recursos naturais, implantando
culturas adaptadas às condições regionais.
Manter intactas as áreas de preservação permanente.
Atender a demanda de colonos advindo de várias regiões do País.
Promover a integração política-sócio-econômica dos centros regionais e sub-
regiões próximas da área do Projeto, neste caso: Vila do INCRA e as Cidades
de São Luiz e São João da Baliza.
Introduzir técnicas e culturas, bem como aumentar os níveis de produção e
produtividade.

A instalação do PAD-ANAUÁ, anunciava ainda nos anos 80 que aquela


localidade por força de questões nacionais, se tornaria uma município, visto
que utilizava uma quantidade elevada de terras. Os relatórios descritos no
projeto mostra a intensificação do trabalho para a expansão do PAD. Uma
estrutura administrativa montada para o crescimento da ação governamental,
23
em uma área física que continha parte dos municípios de São Luiz e São João
da Baliza, certamente era o prenuncio do nascimento de uma cidade, pois a
localização do PAD-ANAUÁ é onde hoje está o Município de Caroebe:
Após as análises dos aspectos técnicos do Projeto de Expansão do
PAD-ANAUÁ, os técnicos desta Divisão, concluem pela viabilidade de sua
operacionalização, uma vez que a área de expansão, conta hoje com uma rede
de estadas coletoras que partem da BR-210, rumo ao centro da Área do
Projeto no sentido Oeste/Leste, bem como de estradas coletoras que partem
da BR-174 no sentido Leste/Oeste, de modo que em determinados trechos
faltam apenas 7 km para essas estradas se cruzarem diminuindo com isto, as
distancias entre a sede do PAD-ANAUÁ com as sedes dos \municípios de São
Luiz e São João da Baliza, e como também a sede do Projeto de
Assentamento JATAPÚ, que neste caso poderia colaborar com o seu pessoal,
na implantação da expansão do Projeto em referencia (PAD-ANAUÁ, 1982, p.
3).
Ainda que o PAD-ANAUÁ fosse uma anunciação da criação de futuros
municípios, havia uma dificuldade enfrentada pelos colonos embutida nos
requisitos do PAD. O colono que chegasse ao projeto adquirisse terras sem a
intermediação da administração, dificilmente teria direito a financiamentos para
iniciar seu trabalho, pois, não era considerada uma colonização oficial, então,
para receber os incentivos. Muitos colonos não se encaixavam nos requisitos
propostos pelo PAD (PAD-ANAUÁ, 1982). Como essa situação era recorrente
nesse período, o governador Ottomar Pinto, em 1980 em seu Programa Anual
de Governo (1980), expõe para o extinto Ministério do interior, baseado no
crescimento explosivo da população o seguinte:
A resultante disso é o assentamento desorganizado das famílias e a
elevação dos índices de mortalidade provocada por doenças endêmicas,
inevitáveis ante a escassez absoluta de recursos. O próprio assentamento
desordenado dos colonos, exercer um efeito multiplicador sobre o crescimento
normal dos gastos, decorrentes do aumento populacional […] A agricultura de
Roraima é fundamentalmente baseada nas pequenas e médias propriedades.

Com reduzido excedente acumulável apelo ao crédito bancário é


imprescindível para a expansão e melhora da produtividade. As normas de

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crédito rural exigem garantia hipotecária para o financiamento a investimentos
fixos ou semifixos. Ocorre, porém que a grande maioria dos estabelecimentos
rurais no Território é ocupado a título precário, o que inibe o acesso ao
precitado crédito.
A ocupação de Roraima através de assentamentos planejados. A
aplicação de planos para distribuição de terras e posterior financiamento para
investimento dos colonos, sempre foi uma problemática, pois, colonos vinham
de todos os lugares e se instalavam sem que a administração local fosse
comunicada. Era a desordem no processo de colonização. O resultado desse
tumulto era a dificuldade de conseguir os recursos para trabalhar na terra.
Assim, muitos deixavam seus lotes porque não conseguiam o financiamento. A
geografia do Estado seguiu o plano já estipulado pelo poder público que era a
ocupação das áreas não povoadas do Estado.
1.7 O MUNICÍPIO DE CAROEBE
O Território Federal de Roraima, até o final de década de 1970, contava
apenas com dois municípios, Caracaraí e Boa Vista. A migração que
equacionava a população para mais habitantes a cada contagem, influenciava
na alteração da configuração levando a divisão do território em mais
municípios. Na década de 1980, o poder público contrariando a Lei 6.448/10,
de 1977, que determina os requisitos para a criação de municípios, define que
o então Território Federal de Roraima tenha em seus limites territoriais outros
municípios, conforme Lei 7009/07, de 1982, sancionada pelo então Presidente
João Baptista Figueiredo.
Por força de interesses políticos que buscaram atrair e fixar os
migrantes, em especial os nordestinos, que de dois municípios existentes no
início dos anos 80, o Território Federal de Roraima passou a ter mais de seis, a
saber: Mucajaí, Alto Alegre, São João da Baliza, Bonfim, Normandia e São Luiz
do Anauá. Os mesmos foram criados através da Lei nº 7009, de 1º de julho de
1982, sancionada pelo na época presidente da República João Figueiredo.
A legislação para a criação de municípios não deixava espaço para que
Roraima tivesse outros seis, além de Boa Vista e Caracaraí. A Constituição
Federal Brasileira, promulgada em 1988, em seu art. 96, modifica essa
situação quando insere na sua redação a Emenda Constitucional nº. 57,
dizendo que: “Ficam convalidados os atos de criação, fusão, incorporação, e

25
desmembramento de Municípios, cuja lei tenha sido publicada até 31 de
dezembro de 2006, atendidos os requisitos estabelecidos na legislação do
respectivo Estado à época de sua criação” (ANGHER, 2013, p. 91).
No entanto, os municípios de Roraima foram criados antes de 2006, seja
enquanto Território, seja enquanto Estado, implicando dizer que todos eles
foram criados dentro de uma lei (7009/82) que não revogava a anterior
(6448/77), que explicitava o seguinte, em seu art. 3º:
Mantidos os atuais Municípios, são requisitos mínimos para a criação de novos:
I - população estimada superior a 10.000 (dez mil) habitantes;
II - eleitorado não inferior a 10% (dez por cento) da população;
III - centro urbano com número de residências superior a 500 (quinhentas);
IV - receita tributária anual não inferior às menor quota do Fundo de
Participação dos Municípios, distribuídas, no exercício anterior, a qualquer
outro Município do País.
Observando a argumentação de Diniz e Silva (2008), que constataram de
acordo com o Censo do IBGE de 1980, a população total de Roraima era de
79.159 pessoas, numa divisão racional entre os oito municípios roraimenses,
cada um deles teria menos de 10.000 habitantes, portanto, não deveriam ser
elevados a categoria de município. No ano 2000, a população de Roraima, já
com 15 municípios era de 324.397 habitantes (IBGE - Censo Demográfico de
2000)

A quantidade de habitantes já seria um entrave pra a homologação


desses municípios, porém, o desejo político e a necessidade de reorganizar
geograficamente alteraram a configuração geopolítica de Roraima.
A ocupação de Roraima a partir da elevação à categoria de Estado passa
a ter um cunho eleitoreiro com propagandas de incentivo à migração para o
então Território Federal de Roraima, terra promissora, onde a ocupação
territorial não poderia ser espontânea e sim programada. Mas, segundo Silva
(2011), toda ação motivacional tinha o claro desejo de formar bases eleitorais
que manteriam grupos de políticos no poder. Dessa forma, com o objetivo de
prioritário de segurança nacional, mas, com planejamentos políticos futuros é
criado o assentamento de Jatapú:

26
A criação do assentamento de Jatapú está intrinsecamente ligada à
abertura das rodovias 174 e 210. Esta medida se deu através da aprovação da
resolução do INCRA de nº 200, em 26 de setembro de 1983, no então governo
de Ottomar Pinto. Segundo este documento, o assentamento foi formado pelas
glebas Branquinho com 685.475 ha, Gleba BR 201 - 1, com 44.525 há, parte
da Baliza com 271.524 há. Localizado às margens da BR 210, destinando-se à
1465 famílias do nordeste e centro sul.
Jatapú, nascido a margem da BR 210, fazia parte dos Projetos de
Assentamentos Rápidos (PAR). Era a forma de o governo manter o controle da
região e ampliar sua influência. Assim, ao manter o aglomerado populacional
facilitava o controle e o plano de ampliação para a criação, a partir do PAR
Jatapú, do município de Caroebe.

O município de Caroebe nasceu dos assentamentos rurais do Incra e da


migração espontânea que surgiram nas imediações do BR 210 (perimetral
norte) e da usina hidrelétrica que fornece energia para a região sul de Roraima,
distanciando-se 354 km da capital Boa Vista, quando migrantes vindos em sua
maioria do Nordeste se fixaram na terra espontaneamente, mesmo sem o
apoio governamental, originando dois vilarejos que se tornaram vilas nomeadas
de Entre Rios e Jatapú, na década de 1970 acrescentando que "com o
desmembramento das terras do município de São João da Baliza, em
novembro de 1994 pela Lei Estadual nº 82, esse aglomerado urbano foi
transformado no município Caroebe."
O município possui 12.098,5 km2, porém, mais da metade de suas terras
pertencem à reserva indígena do povo Wai-Wai, que totaliza 6.376, 32km2. Em
2001 sua população era de 5.692 habitantes (IBGE, 2002) e em 2010 é de
8.114 habitantes e de 8.997 a população estimada para 2014.

Jatapú é considerada um avanço no processo econômico estadual,


colocando Caroebe no caminho do desenvolvimento, pois, dá ao estado a
esperança de desativação das termoelétricas. O impacto na economia é
positivo, principalmente pela abertura direta de mais de 100 postos de trabalho,
produzindo aproximadamente 5000 kW de energia para abastecer Caroebe e
São João da Baliza.

27
Durante o governo de José de Anchieta, a usina hidrelétrica de Jatapú,
sofreu obras de revitalização e modernização, passando a funcionar com duas
novas turbinas, tendo sua capacidade de energia dobrada de cinco para dez
megawatts de potência, atendendo em adição ao município de São Luiz do
Anauá. A obra é fruto de recursos próprios do estado. Nessa nova fase recebe
o nome de Complexo Energético Ottomar de Souza Pinto.

28
2- A EDUCAÇÃO DESDE A COLONIZAÇÃO

A primeira pessoa a dar uma aula em Caroebe foi uma mulher,


não era professora oficialmente e a data não fora especificada. O nome
dela era Luciene e sabia apenas ler e escrever, mas tinha uma grande
vontade de ensinar.
As aulas eram ministradas em uma sala improvisada pelos pais
dos alunos e eram precárias as situações.

Em 2015, os alunos dos anos inicias da rede pública da cidade


tiveram nota média de 4 no IDEB. Para os alunos dos anos finais, essa
nota foi de 3.3. Na comparação com cidades do mesmo estado, a nota
dos alunos dos anos iniciais colocava esta cidade na posição 10 de 15.
Considerando a nota dos alunos dos anos finais, a posição passava a 9
de 15. A taxa de escolarização (para pessoas de 6 a 14 anos) foi de 97.1
em 2010. Isso posicionava o município na posição 1 de 15 dentre as
cidades do estado e na posição 3514 de 5570 dentre as cidades do
Brasil.

29
3 – A SAÚDE DESDE A COLONIZAÇÃO

Os primeiros habitantes a ocuparem Caroebe tiveram sérios


problemas na saúde, já que não tinha um posto de saúde e tampouco
um hospital.

As pessoas cuidavam da saúde de maneira caseira, tomando


chás, remédios caseiros fornecidos pela natureza e a aprendizagem
nessa área era adquirida nas conversas e dicas de pessoas mais velhas
que sabiam.

A taxa de mortalidade infantil média na cidade é de 12.99 para


1.000 nascidos vivos. As internações devido a diarreias são de 1.4 para
cada 1.000 habitantes. Comparado com todos os municípios do estado,
fica nas posições 15 de 15 e 11 de 15, respectivamente. Quando
comparado a cidades do Brasil todo, essas posições são de 2492 de
5570 e 1967 de 5570, respectivamente.
E existem 3 postos de saúde na região.

30
4 – A ECONOMIA DESDE A COLONIZAÇÃO

O município desde sua colonização tem vocação para o meio agrícola.


Logo, a produção está direcionada para as culturas
do arroz, mandioca, banana, milho e laranja. No entanto, a variedade de
produtos com perspectivas de cultivo é bastante vasta. Pode-se citar como
exemplo o cacau, o café, a cana-de-açúcar, o urucu, o coco e a pupunha. Um
dos principais produtos agrícolas do município de Caroebe, a banana, é
comercializada nos mercados de Boa Vista e Manaus. Em relação à pecuária,
o potencial do município está voltado para o gado de leite e corte. Já o
extrativismo vegetal está representado na região pela extração da castanha,
do louro, do angelim, do roxinho, da maçaranduba e da cupiúba.

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5 – A SEGURANÇA DESDE A COLONIZAÇÃO

Durante o inicio da colonização, houve muitas confusões na cidade, pois


era comuns brigas de bar envolvendo garimpeiros por causa do dinheiro,
bandidos roubando casas e estupradores sendo linchados pela população
local. Muitas das vezes os infratores eram mortos ou expulsos da cidade.

O tipo de policia que atua na região é a civil e militar.

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6 – AS COMUNIDADES INDÍGENAS EXISTENTES NA REGIÃO

A comunidade uaiuai é maioria na região de Caoebe. Veja algumas


informações dessa comunidade.

Os uaiuais (Waiwai, Hixkaryana, Mawayana ou Karapayana) são um grupo


indígena que habita o sudeste do estado brasileiro de Roraima, na fronteira
com a Guiana (na Área Indígena Wai-wai), o nordeste do Amazonas e o
noroeste do Pará(na Terra Indígena Trombetas-Mapuera e Área Indígena
Nhamundá-Mapuera).

Os meios de acesso mais viáveis são por via terrestre, no município


de São João da Baliza-RR ou São Luiz do Anauá-RR, via vicinais (vicinal 29,
SJB, ou vicinal 21, SLA). Essa comunidade vive principalmente às margens
do rio Anauá.

Em sua maioria é uma comunidade evangélica, evangelizada inicialmente


por dois missionários da Igreja Cristã Evangélica. Este trabalho foi continuado
por missionários da Igreja Presbiteriana do Brasil. Possui a Bíblia em sua
língua nativa, o uaiuai.

Os uaiuais têm como atividade econômica a extração da Castanha do


Pará, a qual é exportada para outros estados brasileiros por meio de
empresários e outros compradores deste produto. Outro meio é a produção da
cultura da banana, exportada para Manaus-AM, mas essa cultura é pouco
utilizada por esses indigenas.

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6.1 Religião

A tribo converteu-se ao cristianismo por meio de dois missionários da


Igreja Cristã Evangélica no ano de 1950, sendo esse processo finalizado por
missionários da Igreja Presbiteriana do Brasil. É de suma importância ressaltar
que foram os próprios indígenas da tribo waiwai que permitiram a instalação
UFM UFM (Unenvangelized Field Mission) e da MEVA (Missão Evangélica da
Amazônia).

6.2 Rituais e Transformações


Antes da chegada dos missionários os Waiwais praticavam dois grandes
eventos: o shodewika (a qual uma aldeia ia visitar a outra) e o
ritual yamo (quando espíritos da fertilidade, invocados por dançarinos com
máscaras, moravam na aldeia por vários meses). Nas festas sempre havia
muitas bebidas fermentadas, brincadeiras e danças. Após a chegada dos
missionários, as bebidas fermentadas foram trocadas por bebidas de buriti. Nos
dias de hoje os Waiwais comemoram a Festa de Natal ou o Kresmus (sendo
uma pronúncia da palavra Christmas) e a Festa de Páscoa, sendo que a Festa
de Natal cai na época de seca e a Festa de Páscoa no fim da mesma.

Visto que o shodewika não é mais realizado por visitas de uma aldeia à outra,
os caçadores Waiwai fazem a encenação quando voltam de uma caça
(provedora da comida para a festa). Este retorno é marcado ritualmente por
duas chegadas/entradas: na primeira, os caçadores aparecem como
“visitantes” com penas de gavião grande e pequeno (yaimo e wikoko) e ao
redor de seus corpos carregam a carne fresca da caça para a grande casa
cerimonial, conhecida como umana. Quando estão localizados na umana,
atiram flechas em animais (principalmente aves) feitas de madeira e
penduradas no alto da mesma para este objetivo. Retornando para suas
canoas, os caçadores/visitantes encenam a segunda chegada/entrada
na umana tocando flautas e levando agora a carne moqueada em
grandes awci (mochila confeccionado com folhas de bananeira). Na umana, as
anfitriãs, neste momento são chamadas de donas do suco (yîmîtîn), oferecem
aos caçadores/visitantes suco de buriti (you yukun) e beiju, recebendo em troca
as carnes frescas e moqueadas que serão servidas para a tribo.

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Durante todos os dias de festa as refeições são coletivas e vários cultos são
organizados com uma série de canções, muitas delas compostas
especialmente para a festa, acompanhadas por danças e por um grande
número de jogos e brincadeiras, entre as quais têm referências indígenas mais
antigas (as danças dos animais), como também novidades advindas do contato
com não-índios (o futebol).

Essas danças, jogos e brincadeiras caracterizam rituais pelos quais os Waiwai


explicam forças e recursos exteriores, como por exemplo: sua relação com os
animais e seus poderes (diferentes posições cosmológicas) através das danças
dos animais; forças celestes através da arte plumária; potências espirituais
(indígenas e cristãs) através de músicas e invocações; e, entre outras, também
sua relação com outros índios e não-índios através do ritual dos visitantes
conhecido por pawana.

Atualmente os Waiwais não se declaram mais xamãs, porém continuam tendo


pensamentos e ações xamãnicos. Por exemplo, a morte para eles não é vista
como um acontecimento natural, mas um acontecimento de outra ordem.

6.3 Parentesco e Organização Política


Em relação à vida de um indivíduo adulto, são as seguintes
distinções: epeka komo (vizinhanças constituídas pelos irmãos e suas
famílias), woxin komo (as famílias da parentela do esposo/a que constituem os
afins) e tooto makî (pessoas com as quais o sujeito não cultiva relações).

Os jovens se casam geralmente entre 16 e 24 anos, sendo a aliança


ideal aquela que envolve primos atuais e classificatórios. O genro tem diversos
deveres com seu sogro como morar próximo a família, sendo que o genro
ganha mais independência com seus deveres quando também vira um sogro.
Por conta da influência dos missionários, certos pontos foram instituídos:
celibato pré-casamento, monogamia duradoura e ausência de divórcio.

O líder, o kayaritomo ou tuxawa, tem um grande poder de persuasão que


possibilita mobilizar os Waiwais a construir casas, preparar a roça entre outros.
Nunca é feito o uso de agressão para o controle social e sim por meio da
persuasão e da pressão da opinião pública.

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6.4 Meios de Acesso
Existem dois meios para se chegar nos locais onde os Waiwais habitam:
via terreste, por meio dos municípios de São João da Baliza e São Luis do
Anauá (ambos em Roraima) e via vicinal, sendo a vicinal 29 (SJB) e vicinal 21
(SLA) as duas.

6.5 Linguagem
As tribos Waiwais, em sua maioria, são falantes da família
linguística karib. Antes do início dos anos 2000 havia muitas outras línguas,
que foram implantas por conta da convivência com outros indivíduos, que eram
faladas nas comunidades, tais como línguas da família linguística de Arawk
(Mawayana, Wapixana), da própria família lingúistica de Karib (Katuena,
Hixkaryana, Xerew, Karapayana), língua quase esquecidas (Parukoto, Taruma,
Cikyana) e outras como Makuxi, Tiriyó e Atroari. Por conta da falta de recursos,
muitos povos voltaram para suas áreas maternas proporcionando a
descentralização das comunidades dos Waiwais, casos como os povos
Hixkaryana, Karapayana, Katuena e Xerew.

6.6 Missão e Escrita

Por meio do desenvolvimento de uma ortografia os missionários ligados à


UFM ensinaram os povos da tribo a ler e a escrever. Por meio de
ensinamentos dos missionários, alunos mais interessados tornaram-se
monitores o que possibilitou que os mesmos pudessem ensinar a escrita (dos
Waiwais e a portuguesa) para as suas próprias comunidades.

6.7 Economia e Práticas Sociais


São conhecidos pelo fornecimento de sofisticados raladores de mandioca,
papagaios falantes e cães de caça mas principais fontes econômicas da tribo
são:

 Extração da castanha do Pará [voltada para exportação];


 Cultura de banana [voltada para exportação, sendo Manaus(AM) o
destinatário].

O sistema de plantio funciona da seguinte forma:

36
 Entre Agosto e Setembro, os Waiwais preparam as roças (abrindo espaço
na roça);
 Entre Janeiro e Março, o plantio é feito de maneira comunitária;
 As principais plantações são: algodão, abacaxi, banana (diversas
espécies), cana-de-açúcar, mamão, tubérculos como cará e batatas
(diferentes tipos) e, sobretudo, a mandioca brava, da qual fazem, após
extrair a toxina, o beiju, farinha e bebidas de tapioca (goma).

A atividade de subsistência baseia-se na caça (desde macaco até araras), na


pesca (desde trairão até piranha) e na coleta de produtos silvestres (desde caju
até nozes).

A produção de artesanato apresenta uma divisão sexual do trabalho:

 As mulheres fazem cerâmica, raladores de mandioca, tangas e colares de


sementes, entre outros;
 Os homens fazem cestos, pentes, adornos de plumária, arcos e flechas etc.

6.8 Contato com os Não-Índios

 Os Waiwais expandem seu contato com o ser humano em geral graças a


criação da escrita, que possibilita uma interação por meio de um formato
acessível;

 Em Roraima, os Waiwais têm parcerias com o CIR (Conselho Indígena de


Roraima), OPIR (Organização de Professores Indígenas de Roraima) e
com a OMIR (Organização das Mulheres Indígenas de Roraima);

 No estado de Roraima o CIR atua conjuntamente com a Funasa na área de


saúde, possibilitando também cursos e especializações para capacitar
agentes de saúde Waiwai.

6.9 Algumas Histórias/Curiosidades

 Um relato encontrado no site (www.clebersa.com.br) no qual o autor ao


passar 15 dias numa aldeia no meio da floresta amazônica da tribo dos wai-
wais, narra que conheceu frutas exóticas, fez amizade com muitos
indígenas, costumava ler e praticar o arco e flecha. Um fato que o marcou

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foi ter conhecido um garoto de 9 anos, chamado Guilherme. Cleber estava
praticando o arco e flecha e o garoto indicou para que mirasse alguns
centímetros acima da fruta. Respondendo a tal dica, o escritor ficou
maravilhado com o êxito da ação. Após 7 acertos de Cleber, Guilherme
pegou o arco e flecha e acerto o alvo também. Esperando que o garoto
contabilizasse UM acerto, Cleber ficou extasiado com o espírito de
companheirismo do menino quando o mesmo gritou "OITO!" com muito
orgulho.

 São conhecidos por suas famosas expedições em busca de novos povos,


povos que ainda não foram vistos ("povos não vistos"), permitindo uma
importante troca com outros povos.

 A palavra "Waiwai" pode remeter tanto a própria tribo (referir-se ao coletivo


como um todo) quanto à língua karib que é falada.

38
7 – ENTREVISTA

- Entrevistador: como chegaram a Roraima e em Caroebe?


- Entrevistado: Sou de Vitorino Freire, Maranhão. A gente chegou em Roraima
através, acompanhado com um padrinho meu juntamente com os familiares
deles e mais amigos. Mais famílias que inclusive em 1976 eram famílias
moravam em Goiás, que migraram nessa época. Inclusive eu a procura de
terra espaço mais abundante para produzir. Eu tinha 15 para 16 anos e vim
com eles. Na responsabilidade de meu padrinho. O primeiro passo era em
busca de terra procriar a vida no Ex-Território, na época era Território. O
primeiro lugar quando a gente destinou do nordeste pra cá, que paramos
realmente pra morar, criar, foi Baliza. Na época Baliza não existia e era só
selva. A única abertura que havia era só a BR e as cascaeiras onde a
Paranapanema tirava os materiais para a construção de estradas e mais
ninguém. Figura humana na época só índio que a gente se encontrava.

-Entrevistador: a segurança em Caroebe é eficiente?


-Entrevistado: Aqui tem muita gente que já matou, já roubou e ninguém pode
dizer nada. A polícia sabe, mas também tem medo. Quantas vezes, foragidos
não foram achados por aqui? Então. Além de não ter ajuda do governo, nós
não tem segurança. De que adiante delegacia se o delegado nunca ta lá? De
que adianta posto da policia militar se eles não defende nós? Se tiver uma
festa aqui os caras ficam andando armado mostrando revolver, faca na cintura,
jovens bebendo e fazendo arruaça. Daqui na televisão só se fala de bananas,
mas esquece que quem produz banana é gente e precisa de segurança. Se
você plantar e der uma saída, quando voltar está tudo arrancado. Se quiser
colher tem que ficar no lote. Não pode sair de lá pra nada. Assim não dá. Meu
carvão não pode ficar sozinho lá, porque some. Difícil.

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8 – CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os fatores que determinaram a criação do município de Caroebe são os
mesmos que circundam o nascimento de outros municípios na mesorregião sul
de Roraima. A vontade política dos governantes é maior que as condições para
a criação dos municípios, pois, ao serem criados necessariamente será preciso
uma estrutura política e física.
Na estrutura política, os vereadores elaboram as leis para o
desenvolvimento municipal e contratação de funcionários, e a legalização das
secretarias a serem criadas. Cada secretaria tem um quadro de funcionários
que pouco a pouco vão onerando o erário público. Se há um município, há um
prefeito e toda sua equipe de trabalho. Tudo que é preciso para fazer funcionar
um município deve ser criado. A pergunta é: quem paga a essa conta? Será
que os recursos oriundos do FPM (Fundo de Participação dos Municípios) que
é enviado pelo Governo Federal são suficientes para pagar essa conta
mensal?
Na estrutura física, existe a necessidade de prédios para o
funcionamento das instituições como prefeitura, câmara de vereadores, escolas
municipais, postos de saúde, entre outros. Repetimos então a pergunta: quem
pagará essa conta? O que vemos são municípios desestruturados a espera de
recursos federais ou estaduais, pois, em seus limites não há arrecadação
suficiente para o funcionamento da estrutura governamental. Dessa forma, a
inviabilidade torna Caroebe refém dos desejos dos políticos que por lá buscam
formar seus grupos políticos, massa de manobra eleitoral.

Os municípios de Roraima e em especial os municípios da região sul que


se instalaram ao longo da BR-210 e estão fadados ao pouco desenvolvimento,
considerando que não há como escoar sua produção agrícola em direção ao
Estado do Pará, por exemplo, pois a perimetral norte não sai de Roraima.
Observamos que para obterem desenvolvimento, os municípios do sul do
estado, São Luiz do Anauá, São João da Baliza e Caroebe, são induzidos a
desembarcar seus produtos em Boa vista ou levarem apenas até Manaus,
capital do Estado do Amazonas, sem perspectiva para avanço da escoação da
produção para outras regiões.

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9 – REFERÊNCIAS

https://www.google.com.br/search?q=caoebe+ibge&oq=caoebe+ibge&aqs=chr
ome.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Caroebe

https://viagemturismoaventura.blogspot.com/2017/11/caroebe-roraima-eh-uma-
cidade

http://roraimadefato.com/main/caroebe/

https://www.visiteobrasil.com.br/norte/roraima/regiao-linha-do-
equador/historia/caroebe

https://www.roraimabrasil.com.br/caroebe/

https://br-roraima.blogspot.com/2017/09/caroebe-roraima-eh-uma-cidade.html

https://eguias.net/empresas/RR/caroebe/incra-instituto-nacional-colonizacao-e-
reforma-agraria-

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10 – ANEXO

Figura 1 - Hidrelétrica de Jatapú em Caroebe

Fonte: Wikipedia6

Figura 2 - Caminhão em direção ao Amazonas carregado de bananas

Fonte: Wikipedia5

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Figura 3 - Mapa da Região Sul de Roraima

Fonte: Sistemas de Coordenadas Geográficas - INPA/Manaus

Figura 4 - Mapa de Roraima com destaque para Caroebe (em vermelho)

Fonte: Wikipedia3

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Entrevista

1: Qual foi a primeira família a ocupar a região?

R= A família bezerra do maranhão.

2: Quem foi o primeiro professor ( a ) a dar aula na região?

R= Foi uma mulher que só que não era professora, ela só sabia ler e escrever,
e o nome dela era Luciene.

3: Onde as aulas eram ministradas?

R= Em uma sala improvisada pelos pais dos alunos.

4: Que tipo de Policia existe na região?

R= militar e civil

5: Quantos postos de saúde existe na região?

R= três

6: A economia é baseada em que?

R= Plantação de macaxeira, banana e outros tipos de plantação agrícola.

7: Como era punido os criminosos antes de existir cadeia?

R= Muitas das vezes eles eram mortos ou expulsos da cidade.

8: Que tipo de produto é produzido na região?

R= Produtos agrícolas de todos os tipos.

Entrevistado: Eunice França Alencar

Entrevistador: Rodrigo França

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11 – APÊNDICE

A entrevista contendo as seguintes perguntas: a segurança é efetiva em


Caroebe? E Como chegaram a Roraima e em Caroebe?.

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