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CURSOS PROFISSIONAIS

GUIA DE ESTUDO

FÍSICA E QUÍMICA

MÓDULO F4- CIRCUITOS ELÉTRICOS

Ano letivo 2012/2013

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1. A corrente eléctrica como forma de transferência de energia
1.1 Geradores de corrente eléctrica
Um gerador de corrente eléctrica é um dispositivo em que uma determinada forma de energia é
convertida em energia eléctrica.
Exemplos:

(energia química transformada em energia eléctrica)

(energia luminosa transformada em energia eléctrica)

1.2 Força eléctrica e potencial eléctrico


Entre cargas eléctricas existem forças eléctricas mútuas.
A força eléctrica entre duas cargas eléctricas do mesmo sinal é repulsiva, enquanto a força eléctrica
entre duas cargas eléctricas de sinal contrário é atractiva.

O campo eléctrico é um campo criado por uma carga eléctrica, ou por um conjunto de cargas eléctricas.
Quando uma carga de prova (q) entra numa zona de acção de um campo eléctrico, fica sujeita a uma
força elétrica ( Fel ), cuja intensidade é proporcional à intensidade do campo eléctrico.
O campo eléctrico é uma grandeza física vectorial, que pode ser determinada pela seguinte expressão:

Fel
E
q

E - campo elétrico cuja unidade SI é V/m (Volt por metro).
q - carga eléctrica de prova cuja unidade SI é C (Coulomb).
Fel -força elétrica cuja unidade SI é o N (Newton).

O campo eléctrico é tanto mais intenso quanto maior for a força que actua sobre uma partícula
carregada.

O campo eléctrico criado por uma carga:


 É tanto maior quanto maior a carga.
 É tanto menor quanto maior for a distância à carga.

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 Aponta para a carga se esta for positiva, mas em sentido contrário se for negativa.

O campo eléctrico criado por uma carga pontual pode ser visualizado através das linhas de campo.

No campo eléctrico as linhas de campo começam nas cargas positivas e terminam nas cargas negativas.

Ao conjunto de duas cargas contrárias chama-se dipolo elétrico.

A intensidade do campo eléctrico é proporcional ao número de linhas por unidade de área de uma
superfície perpendicular às linhas.

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Um campo eléctrico criado entre duas placas paralelas e condutoras com cargas de sinais opostos é um
campo eléctrico uniforme.
O vector campo eléctrico é constante e as linhas de campo são paralelas entre si, estão dirigidas da placa
positiva para a negativa.
O campo eléctrico uniforme pode ser representado através das suas linhas de campo.

Para afastar duas cargas eléctricas de sinais contrários numa região onde existe um campo eléctrico é
necessário realizar trabalho.
O trabalho realizado pela força eléctrica é simétrico à variação de energia potencial eléctrica.
WAB ( Fel )  Ep

WAB ( Fel )  ( Ep(B)-Ep(A))


A energia potencial eléctrica está associada à energia “armazenada” num sistema constituído por duas
ou mais partículas carregadas, entre as quais se exercem forças mútuas de atracção ou repulsão.

O campo eléctrico que existe numa certa região pode ser descrito por uma grandeza escalar denominada
potencial eléctrico (V).
O potencial eléctrico num ponto é definido como sendo a razão entre a energia potencial eléctrica nesse
ponto e uma carga eléctrica aí colocada.
Ep(el)
V (1)
q
O volt é a unidade SI de potencial eléctrico.

Atendendo à relação entre a energia potencial e o trabalho:


WAB ( Fel )  ( Ep(B)-Ep(A))

Recorrendo à definição de potencial eléctrico representado em (1) obtém-se


WAB ( Fel )  (qVB-qVA) ,

que é equivalente a:

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WAB ( Fel )
VB-VA  
q
A diferença de potencial eléctrico corresponde ao simétrico do trabalho por unidade de carga que um
agente exterior deverá efectuar para afastar duas cargas eléctricas de sinais contrários.
É necessário realizar trabalho sobre uma carga eléctrica positiva para a deslocar de um ponto A para
outro ponto B, quando a diferença de potencial, VB-VA, é positiva.
É fornecida energia ao exterior quando uma carga eléctrica positiva se desloca de um ponto A para outro
ponto B, quando a diferença de potencial, VB-VA, é negativa.

Corrente eléctrica é o deslocamento de cargas dentro de um condutor quando existe uma diferença de
potencial entre as extremidades desse condutor eléctrico. Quando dois pontos com potenciais eléctricos
diferentes são ligados por um condutor efectua-se uma transferência de cargas eléctricas (corrente eléctrica)
entre eles. Como consequência dessa transferência de cargas os potenciais eléctricos nesses pontos tornam-se
iguais. É necessário manter a diferença de potencial entre dois pontos para que se mantenha a corrente eléctrica
entre eles.

Um gerador é um dispositivo destinado a manter a diferença de potencial entre os dois pontos aos quais
estão ligados, têm como função básica aumentar a energia potencial das cargas que os atravessam. Exemplos:
baterias e pilhas.
O eléctrodo da pilha onde o potencial é maior é indicado com um sinal positivo, e o eléctrodo onde o
potencial é menor é indicado com um sinal negativo. O eléctrodo positivo será o metal que tiver uma maior
tendência a atrair iões positivos do electrólito. Quando se liga um fio condutor entre os eléctrodos da pilha, a
corrente flui no condutor do eléctrodo positivo para o negativo.
O gerador ideal (com resistência interna nula) é caracterizado pela sua força electromotriz. A força
electromotriz de um gerador, ε, é a energia fornecida pelo gerador para transferir no seu interior uma unidade
de carga eléctrica entre os seus terminais. É o quociente entre a energia transferida pelo gerador às cargas
eléctricas e a carga eléctrica transportada, ou seja, é a energia transferida para o circuito por unidade de carga
transportada.
E
ε
q
A unidade da f.e.m. é igual à da d.d.p. e, assim, a unidade SI de f.e.m. é o volt.
A força electromotriz de um gerador corresponde à diferença de potencial nos seus terminais em circuito
aberto. Dizer-se que a f.e.m. de um gerador é de 6 V significa que esse gerador transfere, para as cargas
eléctricas, a energia de 6 J por cada coulomb de carga transportada no circuito.

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1.3 Circuitos Eléctricos

Intensidade da Corrente Eléctrica, I

A intensidade da corrente eléctrica é a quantidade de carga eléctrica que atravessa a secção recta de um
condutor numa unidade de tempo.
Q
I Legenda:
t
I – Intensidade da corrente eléctrica (A)
- Quantidade de carga elétrica (C)
- Intervalo de tempo (s)

Intensidade - Unidade S.I.: A (Ampére)


A intensidade da corrente eléctrica mede-se com o amperímetro (que tem de ser instalado em série).

Intensidade da corrente em circuitos com receptores em série

IL1 = IL2
Nos circuitos com receptores em série, a intensidade da corrente eléctrica tem o mesmo valor em
qualquer ponto do circuito.
Intensidade da Corrente em circuitos com receptores em paralelo

IRamo principal = IL1+IL2

Nos circuitos com receptores em paralelo, a intensidade da corrente no ramo principal é igual à soma
das intensidades da corrente nas várias ramificações.

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Resistência Eléctrica, R

A resistência eléctrica de um condutor é a oposição que esse condutor oferece à passagem da corrente
eléctrica.

Resistência – Unidade S.I: Ω (Ohm)

A resistência eléctrica mede-se directamente com o ohmímetro.

A resistência pode medir-se indirectamente usando:

- Um voltímetro para medir a d.d.p.


- Um amperímetro para medir a intensidade da corrente eléctrica.
U
R
I Legenda:
R – Resistência eléctrica (Ω)
U – d.d.p. (V)
I – Intensidade da corrente eléctrica (A)

Considere como condutor um fio de constantan à temperatura ambiente.

Condutor Intensidade da corrente d.d.p (Ω)


(à temperatura I/A U/V
ambiente)
0,30 1,7 5,7
constantan 0,50 2,8 5,6
0,70 3,9 5,6

Verifica-se que o quociente é constante.

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Gráfico da d.d.p. em função da intensidade da corrente para este condutor.

O gráfico é uma linha recta que passa pela origem.

O condutor (fio de constantan) é óhmico porque:


- O quociente entre a d.d.p. nos seus terminais e da d.d.p. que a percorre é constante, logo R é constante.
- A d.d.p. e a Intensidade são grandezas directamente proporcionais.

Limites da aplicabilidade da Lei de Ohm:

- os condutores não podem aquecer durante a passagem da corrente eléctrica;


- só se aplica a condutores metálicos que sejam homogéneos com o aspecto de fios.

Associação de resistências em série

No caso de resistências, R1, R2, R3..., ligadas em série, a resistência equivalente desta associação é
calculada pela expressão:

Req = R1 + R2 + R3 + ...

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Associação de resistências em paralelo

No caso de resistências, R1, R2, R3..., ligadas em paralelo, a resistência equivalente desta associação é
calculada pela expressão:

1.4- Lei de Joule


Lei de Joule
A maioria dos electrodomésticos que usamos em nossas casas possui motores eléctricos na sua
constituição.

Estes motores recebem a energia eléctrica e transformam-na em energia mecânica, no entanto, há uma
parcela de energia que é dissipada sob a forma de energia térmica. Este efeito é conhecido como efeito de Joule.

1)
Legenda:
E – energia dissipada
R- resistência eléctrica
Energia: Unidade S.I.- J (Joule) I- intensidade da corrente que percorre o receptor
t - intervalo de tempo

Esta energia, E, é a energia dissipada por efeito de Joule, isto é, corresponde à energia que foi
transformada pelo receptor em energia térmica.

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Potência eléctrica
Nem todos os aparelhos eléctricos que usamos diariamente em casa consomem a mesma quantidade de
energia eléctrica. Uns consomem mais energia do que outros.
Torna-se importante medir o consumo de energia eléctrica, para termos ideia dos custos e os tentarmos
reduzir.
Regra geral, os aparelhos eléctricos trazem indicadas algumas características como mostra a figura.

O valor de 230 V diz respeito à d.d.p. que os vários electrodomésticos necessitam para trabalhar.
E os valores de 150 W, 350 W, 700 W, a que dizem respeito?
Estes são os valores da potência de cada um dos aparelhos.
A potência eléctrica, P, de um aparelho está relacionada com a quantidade de energia eléctrica que este
consome num dado intervalo de tempo.

Legenda:
E – energia eléctrica consumida
P- potência eléctrica do receptor
t – intervalo de tempo
Potência: Unidade S.I: W (Watt)
De acordo com a expressão anterior, a energia eléctrica é dada por:

2)

Então, quanto maior for a potência de um aparelho, maior será a quantidade de energia eléctrica que
consome, num determinado intervalo de tempo.

Como já foi referido em relação à energia, também o mesmo se verifica para a potência. A potência tem
duas componentes: a potência útil, Pu, que se manifesta em energia mecânica e a potência dissipada, Pd, que
corresponde ao aquecimento do motor por efeito de Joule.

Potência Potência útil


fornecida

Potência
dissipada

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Substituindo 2) na expressão 1) vem,
Legenda:
Então, P- potência eléctrica dissipada pelo
receptor
R – resistência eléctrica do receptor
I – intensidade da corrente eléctrica

kWh- Unidade da energia

Há uma unidade prática de energia que, embora não seja uma unidade do S.I., é usada para exprimir o
consumo de energia eléctrica em nossas casas – quilowatt-hora – kWh.

1 quilowatt-hora é a quantidade de energia eléctrica consumida por um aparelho cuja potência é um


quilowatt, durante uma hora. 1 kWh = 3,6 x 106 J
Recibo da electricidade
Nas nossas casas, usam-se vários electrodomésticos. A potência contratada à EDP está relacionada com
os electrodomésticos que são simultaneamente utilizados. A potência total consumida é igual à soma das
potências respectivas de todos os electrodomésticos em funcionamento.

Legenda:
P- potência total consumida
P1, P2 – potência consumida por
cada um dos electrodomésticos
Analise o seguinte recibo de electricidade.

Como se pode ver, o recibo mensal traz discriminado o consumo de electricidade, a potência contratada (em kV
A, sendo 1 kV A = 1 kW), a taxa de exploração e o IVA.

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2. Indução eletromagnética
2.1 Força magnética
Os ímanes são materiais que exercem entre si forças de atracão e de repulsão e atraírem pequenos
objetos com ferro na sua constituição.
Os ímanes têm dois polos. O pólo norte (N) e o pólo Sul (S). Quando se aproximam dois ímanes, estes
exercem forças um sobre o outro:
 Se os polos forem opostos, atraem-se; logo a força é atrativa.
 Se os polos próximos forem iguais, repelem-se; logo a força é repulsiva.

2.2 Campo magnético


O campo magnético é uma região do espaço onde se manifestam as ações de um íman ou de uma
corrente elétrica. Isto é, um campo magnético pode ser criado quer por ímanes quer por correntes elétricas.
O vetor campo magnético, B , é uma grandeza que caracteriza, em cada ponto, o campo magnético.
A unidade SI do campo magnético é o tesla (T).
O campo magnético num dado ponto é tanto maior quanto maior for a força que atua sobre um íman ai
colocado.

As linhas de campo são linhas imaginárias que caracterizam o campo magnético. As linhas de campo
magnético são em cada ponto tangentes ao vetor campo magnético e têm o sentido deste. Como consequência
apresentam as seguintes propriedades:
- Fecham-se sobre si mesmas;
- Nunca se cruzam;
- São mais densas nas regiões onde o campo magnético é mais intenso;
- Saem do pólo norte e entram no pólo sul.

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Linhas de campo magnético criado por um íman permanente

Linhas de campo magnético da Terra:


A Terra devido a correntes elétricas no interior do seu núcleo, comporta-se como um íman gigantesco e,
como tal, tem dois polos magnéticos. Estes polos não coincidem com o Norte e o Sul geográficos, que estão
sobre o eixo de rotação, pois além de estarem invertidos, ocorre uma declinação magnética de cerca de 8º entre
o pólo norte magnético e o pólo sul. Uma vez que os polos magnéticos diferentes se atraem, o pólo Norte da
agulha magnética de uma bússola aponta para o pólo sul do campo magnético terrestre, ou seja, sensivelmente o
Pólo Norte geográfico com um erro igual à declinação referida.

A densidade de linhas de campo é o número de linhas que atravessa uma área unitária perpendicular às
próprias linhas.
A densidade das linhas de campo magnético depende da intensidade do campo, isto é, quanto mais
intenso for o campo magnético, maior densidade terão as linhas do campo.

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Campo magnético criado por um íman.

No campo magnético uniforme, o vetor campo magnético, é constante e as linhas de campo são
paralelas entre si.
O campo magnético criado entre os ramos paralelos de um íman em U ou no interior de um solenoide,
uma bobina, percorrido por uma corrente estacionária, é um campo magnético uniforme.

Campo magnético criado por um solenoide percorrido por uma corrente elétrica

Experiência de Oersted
Uma corrente elétrica, tal como um íman, cria um campo magnético à sua volta. Quando se coloca uma
agulha magnética próxima de um circuito simples constituído apenas por um fio condutor e por um
galvanómetro que mede a intensidade da corrente, verifica-se que:
 Se não houver movimento da agulha magnética nem do circuito, o galvanómetro não indica passagem
da corrente
 Se a agulha magnética se movimentar em relação ao circuito, ou se este estiver em movimento
relativamente à agulha magnética, origina-se uma corrente elétrica no circuito que é indicada no
galvanómetro.

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O sentido da passagem da corrente elétrica determina o sentido do campo magnético que é produzido.
Quanto maior for a intensidade da corrente que passa num condutor, mais forte será o campo magnético por ela
produzido.

2.3 Fluxo do campo magnético


O fluxo magnético é uma grandeza física que esta relacionada com o
número de linhas de campo que atravessa uma determinada área e que, por
definição, é o produto da intensidade do campo magnético, pelo valor da área e
pelo cosseno do ângulo entre as linhas de campo e a superfície:

  B A cos  

Legenda:

B - o módulo do campo magnético (T)
A - área da superfície por onde passam as linhas de campo magnético (m 2).
- ângulo entre as linhas de campo e a reta perpendicular à superfície (º).

A unidade SI de fluxo magnético é o weber (Wb).

O fluxo magnético que atravessa uma espira pode variar se se alterar:


 A intensidade do campo magnético;
 A área atravessada pelo campo magnético;
 O ângulo que o campo magnético faz com a espira.

O fluxo magnético que atravessa uma espira de área A, que se encontra num campo magnético de

intensidade B , pode ser positivo ou negativo, dependendo do sentido arbitrado para a direção da normal à

superfície (cos θ varia entre +1 e -1). Contudo, é:


 Máximo quando a espira está perpendicularmente ao vetor campo magnético, pois θ=0º e cos 0º=1;
 Nulo quando a espira está colocada com a mesma direção do vetor magnético, isto é, θ=90º e cos 90º=0.

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Para calcular o fluxo para uma bobina de n (número de espiras) espiras calcula-se o fluxo para uma
espira e, posteriormente, multiplica-se pelo número de espiras.

 m bobina  n m espira 

2.4- Corrente elétrica induzida

Experiência de Faraday
Michael Faraday, em 1831, descobriu que se pode produzir corrente elétrica através do movimento de
íman no interior de uma bobina.

O movimento do íman provoca uma variação do campo magnético na zona do circuito, isto é:
 se aproximarmos o íman a intensidade do campo magnético num dado ponto aumenta;
 se afastarmos o íman a intensidade do campo magnético num dado ponto diminui.

De facto, quando há movimento do íman em relação à bobina ou da bobina em relação ao íman, sem que
esse movimento seja paralelo ao plano que contém o circuito, regista-se um determinado valor de intensidade
de corrente. Esta corrente chama-se corrente induzida e o fenómeno do seu aparecimento chama-se indução
eletromagnética.

 A corrente de indução tem um sentido quando se introduz um dos polos do íman na bobina, mas o
sentido inverte-se quando é introduzido o outro pólo.
 Quanto maior é a rapidez do movimento do íman em relação à bobina ou da bobina em relação ao íman,
maior é a intensidade da corrente induzida.

Com base nas suas experiências, Faraday concluiu que a força eletromotriz induzida está relacionada com a
rapidez com que o fluxo varia.

A lei de Faraday estabelece que a força eletromotriz induzida num circuito fechado é determinada pela
taxa de variação do fluxo magnético que atravessa o circuito.
Esta lei é representada matematicamente por:
Legenda:
εi – força eletromotriz induzida
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ΔΦ – variação do fluxo magnético
Após a descoberta da corrente induzida por Faraday, a corrente elétrica começou a ser produzida em
larga escala em geradores eletromagnéticos.

Galvanómetro
Os galvanómetros são aparelhos que servem para detetar a corrente
elétrica. São constituídos por um enrolamento de fio revestido por um verniz
isolador, no interior do qual há um íman solidário com um ponteiro.
Quando a corrente elétrica passa no fio do enrolamento, cria um campo
magnético que faz deslocar o íman e o ponteiro desloca-se em frente da
escala.

Geradores eletromagnéticos
Para produzir corrente elétrica, há diversos tipos de geradores, tais como:
 Pilhas
 Baterias
 Dínamos
 Alternadores

As pilhas e baterias produzem corrente elétrica com base em reações químicas. Denominam-se geradores
eletroquímicos.
Mas, os geradores mais importantes são aqueles que produzem energia elétrica em larga escala (como a
energia usada em nossas casas) são os que utilizam a indução eletromagnética. Chamam-se os geradores
eletromagnéticos que são os dínamos e os alternadores.
Os geradores convertem a energia eletromagnética em energia elétrica, enquanto os motores transformam a
energia elétrica em energia mecânica.

Dínamo de bicicleta

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As bicicletas usam um dínamo para produzir corrente elétrica destinada ao funcionamento de uma
pequena lâmpada.

A lâmpada de incandescência acende utilizando a energia elétrica obtida por transformação da energia
mecânica em energia elétrica no dínamo.
O movimento da roda (energia mecânica) da bicicleta faz rodar um íman que gira no interior de uma
bobina. Este movimento gera uma corrente induzida, que serve para acender a lâmpada.

Funcionamento de centrais hidrelétricas e térmicas


A energia elétrica utilizada no nosso país é, fundamentalmente, produzida em centrais hidrelétricas e
termoelétricas.

Central termoelétrica Central hidroelétrica

O esquema de produção de corrente elétrica quer nas centrais hidrelétricas, quer nas centrais termoelétricas
é basicamente o seguinte:
 a água (ou o vapor de água no caso das centrais termoelétricas) circula a alta velocidade e faz rodar as
pás de uma turbina;
 a turbina, por sua vez, tem um veio central que está ligado ao íman, obrigando-o a rodar;
 o movimento dos ímanes no interior da bobina gera correntes induzidas.

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2.5- Corrente elétrica alternada
Numa pilha que fornece energia a um circuito a
corrente de eletrões gerada tem sempre o mesmo sentido, do
pólo negativo para o pólo positivo da pilha Diz-se, por isso,
que uma pilha gera uma corrente contínua (cuja abreviatura é
c.c. ou, em inglês, DC - "direct current").
Um osciloscópio é um aparelho que deteta o tipo de
corrente elétrica quando devidamente intercalado no circuito.
Na figura observa-se uma linha reta no monitor do
osciloscópio, confirmando que se trata de corrente contínua:
não há mudança do sentido da corrente elétrica.

Se se analisar a corrente elétrica disponível nas tomadas das nossas casas: aqui a corrente alterna num e
noutro sentido (os eletrões mudam constantemente o sentido do movimento.).

Não se trata de uma corrente contínua, mas sim de uma corrente alternada (abreviatura c.a. ou, em
inglês, AC - "alternating current"), que se pode confirmar pela onda (~) que aparece no monitor do
osciloscópio.

Frequência da corrente alternada, f

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A corrente elétrica usada em toda a Europa é corrente alternada de 50 hertz (pode ver-se esta referência
na maioria dos aparelhos elétricos). Este valor indica a frequência de corrente e quer dizer "50 ciclos por
segundo": em cada segundo, o sentido da corrente inverte-se cinquenta vezes. Não nos apercebemos das
oscilações de brilho de uma lâmpada doméstica pelo facto desta frequência ser tão elevada.

Frequência: unidade S.I: hertz (símbolo Hz)

Na próxima figura constata-se a existência de duas ondas com diferentes frequências. A onda com o
maior número de repetições por unidade de tempo possui a maior frequência.

Amplitude da corrente alternada


É o máximo valor absoluto de uma crista ou um vale em relação à linha paralela em que a onda se move.

Y- amplitude da onda

Gerador de corrente alternada

O gerador de corrente alternada é uma aplicação da indução


eletromagnética. Por meio desse dispositivo, consegue-se converter
energia mecânica em energia elétrica.

Um gerador de corrente alternada é constituído basicamente por uma espira (ou um conjunto de espiras)
que gira numa região onde existe um campo magnético. Enquanto a espira gira, pode-se perceber que há uma
variação do fluxo magnético através dela. Isto ocorre porque a inclinação da espira, em relação ao campo

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magnético, está continuamente a variar. Então é induzida uma força eletromotriz na espira, gerando uma
corrente. Durante uma meia-volta da espira, o fluxo magnético através dela está a aumentar e, ao efetuar a
meia-volta seguinte, o fluxo diminui. Por este motivo, a corrente induzida aparecerá, no circuito, ora num
sentido, ora em sentido contrário. Por outras palavras, a espira ao girar dentro de um campo magnético gera
uma corrente alternada.

A grande vantagem técnica da corrente alternada em relação à corrente contínua assenta na possibilidade
de se obter, a partir da primeira, qualquer tensão elétrica desejada, quase sem perdas, por meio dos
transformadores.

Transformadores
As centrais elétricas encontram-se, normalmente, a grandes distâncias dos centros populacionais. Por isso,
é necessário transportar a energia através de cabos condutores. O transporte da energia elétrica desde o local
onde é produzida até ao destino final, deve ser efetuado sob tensões muito altas (220000 V ou mesmo 380000
V), de forma a evitar as perdas de energia por efeito de Joule.
Torna-se, por isso, necessário elevar a tensão à saída da central (elevadores de tensão) e depois baixar a
tensão (abaixador de tensão) junto das localidades, para ser utilizada no uso doméstico.

Os elevadores e os abaixadores de tensão denominam-se transformadores.

O transformador é constituído por duas bobinas de fio condutor em torno de um núcleo de ferro macio.
Quando a corrente alternada passa numa das bobinas, magnetiza o núcleo de ferro. O núcleo de ferro
magnetizado cria um campo magnético variável que produz corrente elétrica induzida na outra bobina. A
bobina ligada à corrente de entrada chama-se primário. A bobina que está ligada à corrente de saída chama-se
secundário.

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Esquema de um transformador

Quanto maior for o número de espiras de uma bobina, maior é a diferença de potencial nos seus terminais.
Por isso:
 se o nº de espiras do primário for maior do que o nº de espiras do secundário, a d.d.p. à entrada é maior
do que à saída: o transformador funciona como abaixador de tensão;
 se o nº de espiras do primário for menor do que o nº de espiras do secundário, a d.d.p. à entrada é menor
do que à saída: o transformador funciona como elevador de tensão.

Transformador abaixador de tensão Transformador elevador de tensão

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