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UNIVERSIDADE ESTADUAL DO OESTE DO PARANÁ – UNIOESTE

CENTRO DE ENGENHARIAS E CIÊNCIAS EXATAS


CAMPUS DE FOZ DO IGUAÇU
CURSO DE ENGENHARIA ELÉTRICA

ESTUDO DE VIABILIDADE DA UTILIZAÇÃO DA ENERGIA SOLAR

FOTOVOLTAICA NO CAMPUS DA UNIOESTE FOZ DO IGUAÇU

GEAN VITOR GONÇALVES PINTO

FOZ DO IGUAÇU - PR

2012
GEAN VITOR GONÇALVES PINTO

ESTUDO DE VIABILIDADE DA UTILIZAÇÃO DA ENERGIA SOLAR

FOTOVOLTAICA NO CAMPUS DA UNIOESTE FOZ DO IGUAÇU

Relatório de trabalho de
conclusão de curso apresentado ao Curso
de Engenharia Elétrica da Universidade
Estadual do Oeste do Paraná, como parte
dos requisitos para obtenção do título de
Engenheiro Eletricista.

Orientador: Prof. Msc. Waldimir

Batista Machado

FOZ DO IGUAÇU

2012

2
012
3

GEAN VITOR GONÇALVES PINTO

ESTUDO DE VIABILIDADE DA UTILIZAÇÃO DA ENERGIA SOLAR

FOTOVOLTAICA NO CAMPUS DA UNIOESTE FOZ DO IGUAÇU

Relatório de trabalho de conclusão de curso apresentado ao Curso de Engenharia


Elétrica da Universidade Estadual do Oeste do Paraná, aprovado pela comissão
julgadora:

___________________________________________________________
Orientador de TCC: Prof. Msc. Waldimir Batista Machado
Professor da UNIOESTE – Campus de Foz do Iguaçu

_____________________________________________________
Prof. Msc. Sandro Battistella
Professor da UNIOESTE – Campus de Foz do Iguaçu

_______________________________________________
Prof. Msc. José Guilherme Rodrigues Filho
Professor da UNIOESTE – Campus de Foz do Iguaçu

_________________________________________________
Prof. Dr. Carlos Henrique Zanelato Pantaleão
Coord. de TCC Curso de Eng. Elétrica
UNIOESTE – Campus de Foz do Iguaçu

Foz do Iguaçu, 03 de Dezembro de 2012.


4

"A mente que se abre a uma nova ideia jamais

voltará ao seu tamanho original.”

Albert Einstein (1879-1955)


5

DEDICATÓRIA

Dedico este trabalho aos meus pais, Angela e Ogenilson, que sempre me
apoiaram e me deram forças para que eu pudesse realizar meus objetivos.
6

AGRADECIMENTOS

Gostaria de agradecer primeiramente à DEUS que nos deu o dom da vida.


Agradecer aos meus pais que sempre deram todo o apoio e suporte para que eu pudesse
chegar até aqui.
Agradecer ao Prof. Waldimir que me orientou no desenvolvimento do trabalho e
à todos os demais docentes da UNIOESTE que de alguma forma contribuíram com
minha formação.
Agradeço aos amigos de faculdade Henrique Matsuda, Rodolfo Gonçalves,
Matheus Thomé, João Paulo, Marcio Wathier pelos anos de companheirsmo e pelos
momentos de descontração.
Agradeço também à minha irmã Mariana Panaro e aos demais familiares que
sempre acreditaram em mim.
Agradeço à Bruna Roman pela atenção e pelo companheirismo, e por me
mostrar que com esforço e fé atingimos nossos objetivos.
E á todos que de alguma forma contribuíram com a formação deste trabalho
7

RESUMO

PINTO, GEAN V G. (2012). Estudo de viabilidade da utilização da energia


solar fotovoltaica no campus da UNIOESTE Foz do Iguaçu . Monografia de Trabalho
de Conclusão de Curso (Graduação) – Curso de Engenharia Elétrica, Universidade
Estadual do Oeste do Paraná – UNIOESTE, Foz do Iguaçu, 2012.

O constante crescimento da demanda de energia elétrica faz com que novas


técnicas de geração sejam desenvolvidas. Questões ambientais reforçam cada vez mais
o conceito de desenvolvimento sustentável e a geração fotovoltaica de energia elétrica
se encaixa perfeitamente nesse contexto.
O presente trabalho tem foco na verificação da viabilidade de um sistema de
geração fotovoltaica, visando suprir a demanda de energia elétrica durante parte do dia,
ou até mesmo tornar o campus da UNIOESTE Foz do Iguaçu autossuficiente em
produção de energia elétrica, limitando assim os gastos em contratos de demanda com a
concessionária de energia local.
O município de Foz do Iguaçu recebe um alto índice de insolação devido a sua
localização geográfica, esse fator juntamente com a grande área livre disponível no
8

campus, oferecem boas condições para que o sistema seja implantado e atenda as
expectativas de suprimento de energia.
Foram levadas em consideração hipóteses como a interligação com a rede da
concessionária local e a utilização de baterias para o armazenamento da energia,
analisando a maneira mais eficiente para a instalação do sistema.

Palavras-chave: Energia Solar, Geração Fotovoltaica, Energias renováveis.

ABSTRACT

PINTO, GEAN V G. (2012). Estudo de viabilidade da utilização da energia


solar fotovoltaica no campus da UNIOESTE Foz do Iguaçu. Monografia de Trabalho de
Conclusão de Curso (Graduação) – Curso de Engenharia Elétrica, Western Paraná State
University (UNIOESTE), Foz do Iguaçu, 2012.

The constant growth of electricity demand makes that new generation techniques
are developed. Environmental issues increasingly reinforce the concept of sustainable
development, and photovoltaic electricity generation fits perfectly in this context.
This research is focused on verifying viability of a photovoltaic generation
system, in order to supply the demand during part of the day, or even becomes the
campus of UNIOESTE Foz do Iguaçu self-sufficient in electricity production, so
limiting spending on demand contracts with the local power utility.
The the city of Foz do Iguaçu receives a high level of solar radiation due to its
geographical location, along with the large open area available on campus, provide good
conditions for the system to be implemented and meets the expectations of power
9

supply.
Hypotheses were considered as interconnection with the local utility grid and
use batteries for energy storage, analyzing the most efficient way to install the system.

Key-words: Solar Energy, Photovoltaic Generation, Renewable Energy.

LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 1 - Sistema de geração fotovoltaica .................................................................... 15


Figura 2 - Espectro da Radiação Solar [Robinson,1996] ............................................... 21
Figura 3 - Órbita da Terra em torno do Sol, com seu eixo N-S inclinado [CEPEL,2004]
........................................................................................................................................ 23
Figura 4 - Fração da radiação solar que incide na superfície terrestre [COMETTA,
1978]. .............................................................................................................................. 24
Figura 5 - Variação da absorção dos raios solares pela atmosfera, com a variação do sol
sobre o horizonte [CEPEL,2004].................................................................................... 25
Figura 6 – (a) Heliógrafo de Campbell-Stokes e (b) de segunda classe (5% de precisão)
[CRESESB,2006] ........................................................................................................... 28
Figura 7 - Configuração básica de um sistema fotovoltaico (VERA,2004). .................. 30
Figura 8 - Conexão das células em paralelo (CRESESB, 2006). ................................... 31
Figura 9 - Conexão das células em série [CRESESB, 2006]. ........................................ 32
Figura 10 - Possível ligação para um diodo bypass entre células (VERA, 2004). ......... 33
Figura 11 - Estrutura básica de uma célula de silício convencional (OLIVEIRA, 1997).
........................................................................................................................................ 34
10

Figura 12 - a) Célula de silício monocristalino, (b) Célula de silício policristalino


(CRESESB,2006). .......................................................................................................... 36
Figura 13 - Curva característica de IxV , mostrando a corrente Isc e a tensão Voc
(CRESESB,2006) ........................................................................................................... 37
Figura 14 - Parâmetros de potência máxima (CRESESB, 2006). .................................. 38
Figura 15 - Definição de fator de forma (CESESB, 2006). ............................................ 39
Figura 16 - Efeito causado pela variação da intensidade luminosa (CRESESB, 2006). 40
Figura 17 - Efeito causado pela temperatura da célula na curva IxV (para 1000 W/m²)
em um módulo fotovoltaico de silício monocristalino (CRESESB,2006) ..................... 40
Figura 18 - Esquema de uma célula eletroquímica (VERA, 2004). ............................... 42
Figura 19 - Autodescarga das baterias (Pb-ácido) em função do tempo inoperante
(VERA, 2004)................................................................................................................. 43
Figura 20 - Variação da capacidade da bateria com a corrente de descarga (a), e com
variação de temperatura (b), (OLIVEIRA, 1997)........................................................... 44
Figura 21 – Diagrama esquemático de um regulador tipo paralelo (VERA, 2004). ...... 47
Figura 22 - Diagrama esquemático de um regulador tipo série (VERA, 2004). ............ 48
Figura 23- Circuito básico de um inversor (SERRÃO, 2010). ....................................... 49
Figura 24 – Formas de onda típicas dos inversores monofásicos (CEPEL, 1999). ........ 51
Figura 25 - Forma de onda típica de um inversor tipo PWM (CEPEL,1999). ............... 51
Figura 26 - Eficiência típica dos inversores (CEPEL, 1999). ........................................ 52
Figura 27 - Sistema fotovoltaico isolado, em função da carga utilizada (CRESESB,
2006). .............................................................................................................................. 54
Figura 28 - Sistema fotovoltaico híbrido, integrando geração fotovoltaica, eólica e a
diesel (VERA, 2004). ..................................................................................................... 55
Figura 29 - Esquema de um sistema fotovoltaico conectado à rede (VERA, 2004). ..... 55
Figura 30 - Radiação Solar Incidente em Foz do Iguaçu. (Sundata/CRESESB, 2012). 58
Figura 31 - Consumo de energia elétrica do campus da UNIOESTE Foz do
Iguaçu(COPEL,2010) ..................................................................................................... 58
Figura 32 - Vista superior do Campus da UNIOESTE (Google Maps) ......................... 60
11

LISTA DE TABELAS

Tabela 1 – Dados relativos ao Sol .................................................................................. 18


Tabela 2 - Faixa visível da luz ........................................................................................ 22
Tabela 3 - Valores médios anuais de radiação solar incidente sobre a terra, fora da
atmosfera e sobre a superfície, com atmosfera clara em kWh/m².dia ............................ 26
Tabela 4 - Características do módulo Yingli Solar – YL140P-17b ................................ 61
12

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica


COPEL – Companhia Paranaense de Energia Elétrica
CEPEL – Centro de Pesquisas de Energia Elétrica
CRESESB – Centro de Referência para Energia Solar Sérgio de Salvo Brito
MPPT – Maximum Power Point Tracking
OMM – Organização Mundial de Meteorologia
UNIOESTE – Universidade Estadual do Oeste do Paraná
WMO - World Meteorological Organization
13

Conteúdo
1 INTRODUÇÃO ........................................................................................... 15

1.1 Descrição do Problema ......................................................................... 15

1.2 Justificativas.......................................................................................... 16

1.3 Objetivos ............................................................................................... 17

2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ..................................................................... 18

2.1 O Sol ..................................................................................................... 18

2.2 Características da radiação solar ........................................................... 19

2.2.1 Distribuição espectral da radiação solar ......................................... 20

2.2.2 Constante solar ................................................................................ 22

2.2.3 Incidência da radiação solar no planeta Terra................................. 23

2.3 Instrumentos de medição ...................................................................... 26

2.3.1 Heliógrafo ....................................................................................... 27

2.3.2 Piranômetros ................................................................................... 27

2.3.3 Pireliômetro .................................................................................... 28

2.4 Energia solar fotovoltaica ..................................................................... 28

2.4.1 Efeito fotovoltaico .......................................................................... 29

3 COMPONENTES BÁSICOS DOS SISTEMAS FOTOVOLTAICOS ....... 30

3.1 Módulo fotovoltaico ............................................................................. 31

3.1.1 Célula fotovoltaica .......................................................................... 33

3.1.2 Características elétricas dos módulos fotovoltaicos ....................... 36

3.2 Baterias ou acumuladores ..................................................................... 41

3.2.1 Características dos acumuladores ................................................... 43

3.3 Controladores de carga ......................................................................... 45

3.3.1 Controladores de carga em paralelo ................................................ 47

3.3.2 Controladores de carga em série ..................................................... 48

3.4 Inversores ou conversores CC/CA ........................................................ 48


14

3.4.1 Características dos inversores ......................................................... 50

3.5 Configurações básicas dos sistemas fotovoltaicos................................ 53

3.5.1 Sistemas isolados ............................................................................ 53

3.5.2 Sistemas híbridos ............................................................................ 54

3.5.3 Sistemas conectados à rede ............................................................. 55

4 DIMENSIONAMENTO DO SISTEMA FOTOVOLTAICO DO CAMPUS


DA UNIOESTE-FOZ .................................................................................. 57

4.1 Levantamento dos dados meteorológicos e curva de carga .................. 57

4.2 Dimensionamento do sistema de geração fotovoltaica ......................... 59

4.3 Verificação da viabilidade do sistema .................................................. 62

5 CONCLUSÃO ............................................................................................. 63

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................... 65


15

1 INTRODUÇÃO

1.1 Descrição do Problema

A crescente demanda de energia no mundo faz com que uma grande importância
seja dada à exploração de fontes limpas e renováveis.
Fontes como carvão, petróleo, gás, além de finitas, são altamente nocivas ao
meio ambiente. Cada vez mais debate-se sobre como manter o desenvolvimento de uma
maneira sustentável, para que haja um equilíbrio entre crescimento da economia e
preservação dos recursos naturais.
A tecnologia na área de exploração de fontes alternativas de energia tem
evoluído de maneira significativa nos últimos anos, possibilitando um aproveitamento
em larga escala desses recursos.
A energia solar é uma alternativa bastante viável para suprir esta demanda de
energia limpa, devido ao fato de estar disponível em todo o planeta e de forma
inesgotável. Uma forma de aproveitamento dessa energia é a captação através de painéis
fotovoltaicos, dispositivos que convertem a energia dos raios emitidos pelo Sol em
energia elétrica.

Figura 1 - Sistema de geração fotovoltaica


16

Países em desenvolvimento possuem uma necessidade social de técnicas que


permitam a produção descentralizada em comunidades e áreas remotas e através do
aproveitamento da energia solar é possível atender essa demanda.

No Brasil, por exemplo, 15% da população não possui acesso à


energia elétrica. Coincidentemente, esta parcela da população vive em
regiões onde o atendimento por meio da expansão do sistema elétrico
convencional é economicamente inviável. Trata-se de núcleos populacionais
esparsos e pouco densos, típicos das regiões Centro-Oeste, Nordeste e Norte.
(CRESESB, 2004, p.20).

Com base nesta perspectiva fez-se um estudo de viabilidade de utilização da


energia solar, enfatizando o caso particular do Campus da UNIOESTE Foz do Iguaçu.
Uma peculiaridade no consumo do Campus está no fato de que a maior parte da
demanda de energia está em um período em que não há radiação solar, mais
precisamente das 19h às 22h, o que obriga o projeto a conter um sistema de
armazenamento de energia, ou a conexão à rede da concessionária local através de um
inversor grid-tie, o que possibilita a venda da geração fotovoltaica excedente durante o
dia, e o suprimento da demanda noturna por parte da concessionária.
A localização geográfica da cidade de Foz do Iguaçu é um fator que beneficia a
implementação desse tipo de projeto devido à alta incidência de radiação solar durante o
ano.
A área disponível para a instalação de painéis fotovoltaicos no campus da
UNIOESTE Foz do Iguaçu é bastante ampla permitindo um bom aproveitamento da
radiação solar incidente, são aproximadamente 6500m² de telhados onde podem ser
instalados os painéis fotovoltaicos, sem afetar o aspecto arquitetônico do Campus.

1.2 Justificativas

A constatação das preocupações com os aspectos de carência de energia


elétrica, do impacto ambiental de novos empreendimentos para geração de energia
elétrica e do desperdício verificado no consumo de energia elétrica intensifica a
importância da realização de um estudo de viabilidade para uma possível implantação
17

de um sistema de geração fotovoltaica no campus da UNIOESTE Foz do Iguaçu.


A energia solar fotovoltaica é uma energia limpa. Os painéis possuem pouca ou
nenhuma necessidade de manutenção, sua produção é de forma silenciosa e a emissão
de é praticamente zero. Tais vantagens tornam a utilização da energia solar cada
vez mais atraente.
Uma das metas do estudo deste trabalho é a redução dos custos mensais do
campus da UNIOESTE com energia elétrica, podendo destinar esses recursos a outros
setores.
O projeto é inovador no âmbito regional e incentiva o desenvolvimento do
know-how local devido a particularidades do local onde será realizado, como o perfil de
consumo e a insolação média da região.
A realização de um estudo de viabilidade e uma possível instalação de um
sistema de geração de energia fotovoltaica em uma instituição de ensino destaca a
importância da utilização de energias renováveis e serve de modelo para novos projetos.
O estudo auxilia no desenvolvimento da tecnologia de geração distribuída e
enfatiza suas vantagens perante as grandes centrais de geração. Redução de perdas na
transmissão e redução dos impactos ambientais causados por grandes centrais de
geração são exemplos dessas vantagens.

1.3 Objetivos
O objetivo desse projeto é realizar um estudo de viabilidade da implantação de
um sistema de geração de energia fotovoltaica no campus da UNIOESTE – Foz do
Iguaçu.
O foco principal é transformar o campus da UNIOESTE – Foz do Iguaçu em
uma instituição autossustentável em geração e consumo de energia elétrica através da
energia solar fotovoltaica, ainda que este seja um ideal, ao menos se almeja uma
redução significativa dos gastos com energia elétrica.

1.3.1 Objetivos específicos

 Realizar um estudo sobre as características da radiação solar.


 Identificar os componentes de um sistema de geração fotovoltaico
 Realizar o estudo das características dos inversores CC/CA
18

 Realizar o dimensionamento do sistema fotovoltaico


 Verificar a viabilidade do sistema de geração proposto
.

2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

2.1 O Sol

O sol é considerado uma estrela de tamanho médio, sua massa representa


aproximadamente 98% da massa do sistema solar. O diâmetro solar é de 1.390.000 km,
108 vezes maior que o da Terra (12.756 km). Em relação ao volume, o Sol é 1.300.000
mais volumoso que a Terra. A grandeza denominada de unidade astronômica,
ua=1,496x km é definida como sendo a distância média entre a Terra e o Sol. Sua
composição química básica é de 85% hidrogênio, 14,8% de Hélio e 0,2% de outros
elementos (OLIVEIRA, 1997).
A camada externa visível do sol é chamada fotosfera, esta apresenta uma
temperatura de 6.000ºC. O sol emite energia em forma de radiação eletromagnética que
se propaga no espaço numa velocidade de 299.300 km/s , percorrendo a distância até a
Terra em aproximadamente 9 minutos (AYOADE,1996).
A Tabela 1 apresenta os principais dados relativos ao sol.

Tabela 1 – Dados relativos ao Sol


Distancia média da terra km
Raio km
Massa g
Densidade média
Energia total média produzida erg/s MW
Fluxo de energia na superfície erg/cm².s
Temperatura na Superfície
Fonte: (COMETTA, EMILIO, 1978).

A energia do Sol provém da fusão de núcleos atômicos. O processo mais


frequente é a transformação de quatro núcleos do isótopo de hidrogênio (H¹) em um
19

núcleo do isótopo mais comum do hélio ( ) (partícula alfa), usando o carbono e o


nitrogênio como elementos intermediários e que são restaurados no final da reação (à
semelhança de catalisadores). Por isso, a quantidade de carbono e nitrogênio existente
no Sol não deve se alterar com o tempo (em decorrência do processo de gênese da
energia) (OLIVEIRA, 1997).

Na formação de uma partícula alfa (massa de 6,644 x 10-24 g) pela união de


quatro prótons (massa de 4 x 1,672 x 10-24 g), verifica-se uma redução de massa de
0,044 x 10-24 g, a qual foi transformada em energia. Assim, a energia liberada (E) no
processo de formação de uma partícula alfa pode ser calculada, empregando-se a
conhecida equação de Einstein:

E = m c2 (2.1)

Onde m designa a massa e c a velocidade de propagação da luz no vácuo.

Vê-se que é produzida energia equivalente a 3,96 x 10-5 ergs por cada núcleo de
hélio formado.

Admitindo que apenas 10% do hidrogênio localizado nas regiões


mais centrais do sol possa ser utilizado na geração de energia, resulta que a
energia disponível é da ordem de erg. Como a luminosidade do Sol é de
erg/s, conclui-se que, neste ritmo e por este processo, o Sol poderá
ainda gerar energia por aproximadamente anos (OLIVEIRA, 1997,
p.51).

2.2 Características da radiação solar

A radiação solar é a maior fonte de energia para o planeta Terra, sendo um fator
determinante do tempo e do clima. Cerca de 99,97% da energia utilizada no sistema
Terra-Atmosfera é emitida pelo sol, influenciando diretamente diversos processos no
planeta, como aquecimento, evaporação e a fotossíntese.(AYOADE, 1996)
Uma forma abundante de energia disponível no planeta terra é proveniente do
sol. Segundo CRESESB (2006) anualmente chega à atmosfera terrestre cerca de
20

kWh de energia solar, o que corresponde a 10.000 vezes o consumo mundial


de energia neste período. Apenas uma pequena parte desta energia provém do
aproveitamento direto da energia solar. Entre as principais formas podemos citar os
coletores solares que usam a radiação solar para o aquecimento direto da água para
aproveitamento em residências, hotéis, etc.
Com a grande disponibilidade de energia solar, questiona-se porque ela ainda
não foi amplamente utilizada. O motivo pela qual não ser mais empregada consiste no
fato de que a energia apresenta-se de forma espalhada (não concentrada), e sua captação
e conversão requerem investimentos em instalações complexas e caras. A energia solar
no local da instalação está disponível de maneira descontínua, sujeita a alterações
periódicas (dia-noite, verão-inverno) e casuais (céu claro-nebuloso), fatores esses que
obrigam a instalação de sistemas de armazenamento de energia elevando os custos de
instalação (COMETTA, 1978).
Entretanto uma característica favorável à utilização da energia solar é o fato de
ser uma forma de energia absolutamente pura, que não dá origem à fumaça, nem
escórias de espécie alguma. Deste ponto de vista sua utilização constitui a solução ideal
para a produção de energia sem prejudicar o meio ambiente (COMETTA, 1978).

2.2.1 Distribuição espectral da radiação solar

O sol emite radiação como um corpo negro. A lei de Stefan-Boltzman mostra


que o fluxo de radiação de um corpo negro é diretamente proporcional à quarta potencia
de sua temperatura absoluta (AYOADE, 1996).

(2.2)

Onde F é o fluxo de radiação, T é a temperatura absoluta do corpo e σ é a


constante de Stefan-Boltman.
“A uma dada temperatura a emissão em cada comprimento de onda de um corpo
negro é a máxima possível” (AYOADE, 1996, p.25).
A lei do deslocamento de Wien destaca que o comprimento de onda de máxima
intensidade de um corpo negro é inversamente proporcional à temperatura do corpo,
dado por:
21

a (2.3)

No caso do sol, o comprimento de onda de maior emissão é aproximadamente


0,5 mícron (0,5 ), comprimento de onda que corresponde à luz verde. O espectro solar
é predominantemente térmico, tendo cerca de 99% dos comprimentos de onda da
radiação solar situado entre 0,15 a 4,0 , região denominada de radiação de ondas
curtas.
Segundo Sellers apud Ayoade(1996, p.25) uma classificação da composição
espectral da radiação solar indica que 9% é ultravioleta ( , 45% está na faixa
visível (0,4 ), enquanto que os 46% restantes são infravermelhos
( . Entretanto em nível de superfície ocorrem variações desses valores
percentuais.
A estrutura do espectro solar completo é atualmente conhecida com precisão,
obtidos através de medidas especiais realizadas a várias altitudes acima do nível do ar,
incluindo medidas extra-atmosfera realizadas por foguetes. A Figura 2 ilustra a curva
padrão da radiação solar extraterrestre, a magnitude da radiação está expressa em
kWh/m².

Figura 2 - Espectro da Radiação Solar [Robinson,1996]


22

Apenas as radiações de comprimentos de onda compreendidos entre 0,36 e 0,74


μm podem ser detectadas pelo olho humano, constituindo a faixa visível do espectro
eletromagnético, ou luz visível. Esses intervalos são arbitrários e aproximados, pois não
há limites nítidos entre as cores. A transição entre cores vizinhas se dá de maneira
gradual, como se pode verificar em um arco-íris.

Tabela 2 - Faixa visível da luz


Cores Faixa espectral
Violeta 0,36 μm a 0,42 μm
Azul 0,42 μm a 0,49 μm
Verde 0,49 μm a 0,54 μm
Amarelo 0,54 μm a 0,59 μm
Laranja 0,59 μm a 0,65 μm
Vermelho 0,65 μm a 0,74 μm

2.2.2 Constante solar

A constante solar consiste na taxa de energia solar recebida por unidade de área,
no limite exterior da atmosfera terrestre em um plano perpendicular aos raios solares,
quando o sol está em sua distância média da Terra.
Segundo CRESESB (2006) dados recentes da WMO (World Meteorological
Organization) indicam um valor médio de 1.367 W/m² para a constante solar
extraterrestre. Este valor varia entre periodicamente devido a orbita elíptica da
Terra, que no afélio encontra-se a uma distância de 1.521 x 105 km do Sol, e no periélio
a 1.471 x 105 km.
23

2.2.3 Incidência da radiação solar no planeta Terra

O planeta Terra em seu movimento de translação descreve em trajetória elíptica


um plano inclinado em aproximadamente 23,5º com relação ao plano equatorial. Esta
inclinação é responsável pela variação da elevação do Sol no horizonte em relação à
mesma hora, ao longo dos dias, dando origem às estações do ano. (CRESESB, 2006).
“A posição angular do Sol, ao meio dia solar, em relação ao plano do Equador
(Norte positivo) é chamada de Declinação Solar (δ)” (CRESESB, 2006, p.06). Este
ângulo, que pode ser visto na Figura 3, varia, de acordo com o dia do ano, dentro dos
seguintes limites:

-23,45° ≤ δ ≤ 23,45° (2.4)

Essa declinação faz com que em determinada época do ano a luz solar incida
com maior intensidade sobre o hemisfério norte e, na outra parte do ano, incida com
maior intensidade sobre o hemisfério sul, caracterizando o chamado solstício. O
solstício é o período em que o dia tem maior duração no ano. Do mesmo modo ocorre
em determinada época que a luz solar incidente é igual para os dois hemisférios,
caracterizando o equinócio. O equinócio é a ocasião onde o dia e a noite possuem
mesma duração.

Figura 3 - Órbita da Terra em torno do Sol, com seu eixo N-S inclinado [CEPEL,2004]
24

“Nem toda radiação solar que chega às camadas superiores da atmosfera,


atingem a superfície terrestre devido à reflexão e absorção dos raios solares pela
atmosfera” (CRESESB, 2006).
Grande parte da energia solar que incide sobre a superfície terrestre é
armazenada na forma de calor, cerca de 47% desta é absorvida pelos oceanos e
continentes, sendo 38% com os primeiros e 9% com os últimos.

Figura 4 - Fração da radiação solar que incide na superfície terrestre [COMETTA, 1978].

A disponibilidade de radiação solar sobre a superfície terrestre depende da


latitude local, da posição no tempo (hora do dia e dia do ano) e de condições
atmosféricas (nebulosidade, umidade relativa do ar etc.). Tal disponibilidade é devido à
inclinação do eixo imaginário em torno do qual a Terra gira diariamente (movimento de
rotação) e à trajetória elíptica que a Terra descreve ao redor do sol (ANEEL, 2002).
Um dos principais fatores que determina a energia solar recebida é a altitude do
sol que corresponde ao ângulo entre os raios solares e uma tangente à superfície no
ponto de observação. Segundo COMETTA (1978) à medida que os raios forem mais
perpendiculares, mais intensos eles se apresentam. Quanto maior a altitude do Sol,
maior será a incidência de radiação solar por unidade de área, e menor será a reflexão
pela superfície (AYOADE, 1996).
A altitude do Sol é determinada pela latitude do local, pelo período do dia e pela
estação do ano. A altitude geralmente diminui com a elevação da latitude, é elevada pela
tarde e baixa pela manhã e ao entardecer. Também é mais elevada no verão do que no
inverno (AYOADE, 1996).
25

“A espessura de atmosfera atravessada pelos raios solares varia entre um


mínimo de 100 km com o Sol alto, no zênite, a cerca de 1130 km, com o Sol sobre o
horizonte” (COMETTA, 1978, p.23).

Quanto maior a latitude mais distante do zênite o sol permanece, ou seja, da


vertical do local de observação, e a espessura da atmosfera que os raios solares terão
que atravessar será maior. Isso significa que a temperatura da Terra diminui do Equador
para os polos.
Antes de atingir o solo, as características da radiação solar (intensidade,
distribuição espectral e angular) são afetadas por interações com a atmosfera devido aos
efeitos de absorção e espalhamento. Estas modificações são dependentes da espessura
da camada atmosférica, também identificada por um coeficiente denominado “Massa de
Ar” (AM), e, portanto, do ângulo Zenital do Sol, da distância Terra-Sol e das condições
atmosféricas e meteorológicas.

Figura 5 - Variação da absorção dos raios solares pela atmosfera, com a variação do sol
sobre o horizonte [CEPEL,2004].

Seria suficiente para cálculos técnicos, citar o valor de 1000 W/m² para a
potência radiante que atinge uma superfície normal à direção dos raios solares com céu
claro ao meio dia.
A potência solar emitida também se altera de acordo com as atividades solares,
26

pois as manchas solares possuem uma temperatura média de 4000K, enquanto a


fotosfera possui uma temperatura média de 6000K, fazendo com que a potência emitida
varie de acordo com o ciclo das manchas solares, que duram cerca de 11 anos. Todavia
essas variações são inferiores aos erros de medição da potência emitida, então na prática
considera-se a potência emitida constante (COMETTA, 1978).
A Tabela 3 indica os valores médios da radiação total incidente nas várias
latitudes fora da atmosfera e sobre a superfície terrestre com atmosfera clara.

Tabela 3 - Valores médios anuais de radiação solar incidente sobre a terra, fora da
atmosfera e sobre a superfície, com atmosfera clara em kWh/m².dia
Latitude 0” 10” 20” 30” 40” 50” 60” 70” 80” 90”
Fora da atmosfera 10,20 10,06 9,61 8,92 8,02 6,91 5,63 4,87 4,43 4,24
Sobre a superfície 6,63 6,57 6,42 6,10 5,49 4,69 3,76 3,22 2,84 2,64
FONTE: (COMETTA,1978)

2.3 Instrumentos de medição

A partir de medições da radiação solar, tanto a componente direta quanto a


componente difusa, tem-se dados relevantes para a viabilização de instalações de
sistemas térmicos e fotovoltaicos em uma determinada região garantindo o máximo de
eficiência ao longo do ano onde as variações de intensidade da radiação solar sofrem
significativas alterações.
De acordo com as normas preestabelecidas pela OMM (Organização Mundial de
Meteorologia) são determinados limites de precisão para quatro tipos de instrumentos:
de referência ou padrão, instrumentos de primeira, segunda e terceira classe. As
medições padrões são radiação global e difusa no plano horizontal e radiação direta
normal.
A seguir serão apresentados alguns instrumentos de medição da radiação solar.
27

2.3.1 Heliógrafo

O instrumento que mede registra a duração do brilho solar chama-se heliógrafo,


este instrumento é sensível à radiação direta.
O heliógrafo registra a radiação acima de um limiar de iluminação de 210 W/m²
que, se levando em conta a discrepância entre os instrumentos e as condições de
medição, esse limiar pode variar entre 70 e 280 W/m² (PALZ, 1981).
O heliógrafo de Campbell-Stokes é um exemplo deste instrumento.
“A radiação solar é focalizada por uma esfera de cristal de 10 cm de diâmetro
sobre uma fita que, pela ação da radiação é enegrecida. O cumprimento desta fita
exposta a radiação solar mede o número de horas de insolação” (CRESESB, 2006,
p.11).

2.3.2 Piranômetros

O instrumento que mede a radiação solar global é denominado piranômetro. O


piranômetro recebe a energia solar de horizonte a horizonte em todas as direções. A
faixa de comprimento de onda medida por este instrumento é de (PALZ,
1981).
Este instrumento caracteriza-se pelo uso de uma termopilha que mede a
diferença de temperatura entre duas superfícies, uma pintada de preto e outra pintada de
branco igualmente iluminada. A expansão sofrida pelas superfícies provoca um
diferencial de potencial que, ao ser medida, mostra o valor instantâneo da energia solar.

Um outro modelo bem interessante de piranômetro é aquele que


utiliza uma célula fotovoltaica de silício monocristalino para coletar
medidas solarimétricas. Estes piranômetro é largamente utilizados pois
apresentam custos bem menores do que os equipamentos tradicionais. Pelas
características da célula fotovoltaica, este aparelho apresenta limitações
quando apresenta sensibilidade em apenas 60% da radiação solar incidente
(CRESESB, 2006, p10).

A Figura 6 (a) ilustra o Heliógrafo de Campbell-Stokes e (b) mostra um exemplo


de um Piranômetro de segunda classe (5% de precisão).
28

Figura 6 – (a) Heliógrafo de Campbell-Stokes e (b) de segunda classe (5% de precisão)


[CRESESB,2006]

2.3.3 Pireliômetro

Instrumento utilizado para medir a irradiância solar direta em incidência normal.


“Ele se caracteriza por apresentar uma pequena abertura de forma a ‘visualizar’ apenas
o disco solar e a região vizinha denominada circunsolar. O instrumento segue o
movimento solar onde é constantemente ajustado para focalizar melhor a região do
sensor” (CRESESB, 2006).

2.4 Energia solar fotovoltaica

Energia Solar Fotovoltaica é uma fonte de energia renovável obtida pela


conversão direta da luz solar em energia elétrica através do efeito fotovoltaico. Para esta
conversão é utilizada a célula fotovoltaica que é um dispositivo semicondutor que se
utiliza do efeito fotovoltaico para a produção de eletricidade em corrente contínua.
Essa conversão foi constatada pela primeira vez em 1839, pelo físico Francês
Edmond Becquerel, que verificou uma diferença de potencial nos extremos de uma
estrutura de material semicondutor quando exposto a luz (CRESESB, 2006).
A energia solar fotovoltaica passou a receber destaque na década de 60, durante
a guerra fria, onde apesar de seu custo elevado se mostrou apropriada para suprir a
29

demanda em missões espaciais bem como para manutenção de satélites. (SERRÃO,


2010).
Atualmente, os sistemas fotovoltaicos vêm sendo utilizados em instalações
remotas possibilitando vários projetos sociais, agropastoris, de irrigação e
comunicações. As facilidades de sistemas fotovoltaico, tais como: modularidade, baixos
custos de manutenção e vida útil longa, fazem com que sejam de grande importância
para instalações em lugares desprovidos da rede elétrica.
A utilização da energia solar fotovoltaica em larga escala não era viável devido o
alto custo de produção das células solares. As primeiras células foram produzidas com
o custo de US$600/W, porém com o surgimento de várias empresas voltadas para a
produção de células o preço tem se reduzido ao longo dos anos podendo ser encontrado
hoje, para grandes escalas ao custo médio de US$ 8,00/W (CRESESB, 2006).

2.4.1 Efeito fotovoltaico

O efeito fotovoltaico constatado por Edmond Becquerel em 1839 é o


aparecimento de uma diferença de potencial nos extremos de uma estrutura de um
material semicondutor, produzida pela absorção da luz incidente.
Embora o efeito fotovoltaico esteja diretamente relacionado com o efeito
fotoelétrico, trata-se de processos diferentes. No efeito fotoelétrico, os elétrons são
ejetados da superfície de um material após exposição à radiação com energia suficiente.
O efeito fotovoltaico é diferente pois os elétrons gerados são transferidos entre bandas
diferentes (das bandas de valência para bandas de condução) dentro do próprio material,
resultando no desenvolvimento de tensão elétrica entre dois eletrodos.1
Nas aplicações fotovoltaicas a radiação é a luz solar, e por esta razão os aparatos
são conhecidos como células solares. No caso de uma célula solar de junção PN, a
iluminação do material cria uma corrente elétrica à medida que os elétrons excitados e
os buracos remanescentes são arrastados em direções diferentes pelo campo elétrico da
região de depleção.2

1
http://photovoltaics.sandia.gov/docs/PVFEffIntroduction.htm (acessado em 08/09/2012).
2
http://www.scienzagiovane.unibo.it/english/solar-energy/3-photovoltaic-effect.html (acessado
em 08/09/2012).
30

3 COMPONENTES BÁSICOS DOS SISTEMAS FOTOVOLTAICOS

O sistema fotovoltaico é composto basicamente por um conjunto de módulos


fotovoltaicos e outros equipamentos relativamente convencionais, que transformam ou
armazenam a energia elétrica para que esta seja facilmente utilizada em suas aplicações
finais (CEPEL, 1999).

Um sistema fotovoltaico é composto por três partes básicas:

 O arranjo dos módulos.


 Subsistema de condicionamento de potência, o qual converte a saída do
arranjo dos módulos em potência útil.
 As baterias, que armazenam a energia elétrica gerada.

Figura 7 - Configuração básica de um sistema fotovoltaico (VERA,2004).

O arranjo dos módulos é composto por células fotovoltaicas responsáveis pela


conversão de energia solar em energia elétrica.
O controlador de carga, o inversor, conversor e seguidor do ponto de máxima
potência (MPPT) constituem o subsistema de condicionamento de potência, o qual é
encarregado de controlar a energia enviada ao sistema de armazenamento, composto por
baterias e aos pontos de consumo (VERA, 2004).
31

3.1 Módulo fotovoltaico

O módulo fotovoltaico é a unidade básica de todo o sistema. O módulo é


composto por células conectadas em arranjos produzindo tensão e corrente suficientes
para a utilização da energia. É indispensável o agrupamento em módulos já que uma
célula fornece pouca energia elétrica, em uma tensão em torno de 0,4 Volts no ponto de
máxima potência. A densidade de corrente é da ordem de 30 mA/cm². Adicionalmente a
célula apresenta espessura muito reduzida, necessitando de proteção contra esforços
mecânicos e fatores ambientais.
O número de células conectadas em um módulo e seu arranjo, que pode ser série
e/ou paralelo, depende da tensão de utilização e da corrente elétrica desejada.
As conexões em paralelo compreendem ligações de terminais positivos entre si e
terminais negativos entre si. Essa conexão produz a soma das correntes gerada por cada
módulo, e a tensão do módulo é exatamente a tensão da célula.

Figura 8 - Conexão das células em paralelo (CRESESB, 2006).

(3.1)

(3.2)

Este arranjo não é muito utilizado, a não ser em ocasiões especiais, pois a tensão
gerada pelo módulo é da magnitude de 0,4 V não podendo carregar as baterias que são
usualmente de 12 V.
32

A conexão mais comum de células fotovoltaicas em módulos é o arranjo em


série, pois este soma a tensão de cada célula até chegar a um valor final de 12 V
possibilitando a carga de baterias que funcionam nessa faixa de tensão.
A conexão é realizada unindo o terminal positivo de um módulo ao terminal
negativo de outro e assim sucessivamente.

Figura 9 - Conexão das células em série [CRESESB, 2006].

(3.3)

(3.4)

Deve ser dada cuidadosa atenção às células a serem reunidas, devido às suas
características elétricas.
A incompatibilidade destas características leva a módulos “ruins”, porque as
células de maior fotocorrente e fotovoltagem dissipam seu excesso de potência nas
células de desempenho inferior. Em consequência, a eficiência global do módulo
fotovoltaico é reduzida.
Se por acaso algumas das células estiver encoberta, devido à ligação em série a
potência de saída do módulo se reduzirá drasticamente. Para que toda a corrente do
módulo não seja limitada somente por uma célula de pior desempenho, conecta-se um
diodo de passo ou de bypass, a fim de gerar um caminho alternativo para a corrente
limitando a dissipação de calor na célula defeituosa. (CRESESB, 2006)
Geralmente o diodo de passo é utilizado em um agrupamento de células, visando
o menor custo, como indicado na Figura 10.
33

Figura 10 - Possível ligação para um diodo bypass entre células (VERA, 2004).

Para carregar baterias de 12 V, os módulos fotovoltaicos devem produzir uma


tensão de pelo menos 16 V, a fim de compensar o efeito da temperatura e as perdas que
ocorrem nos cabos e diodos de bloqueio. Assim, usualmente os módulos possuem entre
30 e 36 células de silício (VERA, 2004).

3.1.1 Célula fotovoltaica

As células fotovoltaicas são os elementos responsáveis pela conversão da


energia solar em energia elétrica, estas utilizam as propriedades dos materiais
semicondutores, na maioria das vezes o silício (Si).

Estes, quando devidamente dopados com elementos químicos como


boro e o fósforo, formam a chamada junção pn, num lado se concentram as
cargas positivas, e no outro as cargas negativas, criando um campo elétrico
permanente que dificulta a passagem de elétrons de um lado para outro.
Caso um fóton incida com energia suficiente para excitar um elétron, haverá
a circulação de corrente elétrica, gerando em energia em corrente contínua.
(SERRÃO, 2006, p.08)

Uma celular solar é, portanto um dispositivo semicondutor dotado de uma


junção pn em seu interior e de contatos metálicos em sua superfície, a Figura 11 mostra
de forma esquemática a estrutura básica de uma célula fotovoltaica de Silício (Si).
34

Figura 11 - Estrutura básica de uma célula de silício convencional (OLIVEIRA, 1997).

Atualmente no mercado diversos tipos de células fotovoltaicas são fabricadas,


sendo que as principais serão apresentadas a seguir:

 Silício Monocristalino

As células solares de silício monocristalino são constituídas por um único


grande cristal crescido e fatiado. A maior pureza da matéria garante a confiabilidade e a
eficiência das células. O limite de conversão da luz solar em energia elétrica é de 29%,
porém em produtos comerciais são encontrados valores menores, na faixa de 12 a 16%
(VERA, 2004).
As células de silício monocristalino são historicamente as mais usadas e
comercializadas como conversor direto de energia solar em eletricidade e a tecnologia
para sua fabricação é um processo básico muito bem constituído.
A fabricação da célula de silício começa com a extração do cristal de dióxido de
silício. Este material é desoxidado em grandes fornos, purificado e solidificado. Este
processo atinge um grau de pureza em 98% e 99% o que é razoavelmente eficiente sob
o ponto de vista energético e custo. Este silício para funcionar como células
fotovoltaicas necessidade outros dispositivos semicondutores e de um grau de pureza
maior devendo chegar na faixa de 99,9999%.
“Devido às quantidades de material utilizado e à energia envolvida na sua
35

fabricação, esta tecnologia apresenta sérias barreiras para redução de custos, mesmo em
grandes escalas de produção.” (CEPEL, 1999, p.44).

 Silício Policristalino

As células de silício policristalino, também conhecidas como silício


multicristalino, são fabricadas a partir do mesmo material, porém ao invés de formar um
único grande cristal, é solidificado em forma de um bloco composto de muitos
pequenos cristais. A partir desse bloco são obtidas fatias e fabricadas as células.
“O fato de existir interfaces entre os cristais reduz levemente a eficiência do
material e na prática os produtos disponíveis alcançam eficiências próximas às das
células monocristalinas” (VERA, 2004, p.44).
Segundo Cresesb (2006) ao longo dos anos têm-se alcançado eficiência máxima
de 12,5% em escalas industriais.
As células de silício policristalino são mais baratas que as de silício
monocristalino, pois exigem um processo de preparação das células menos rigoroso
(CRESESB, 2006).

 Silício amorfo

São as que apresentam o custo mais reduzido, contudo seu rendimento também é
inferior em relação aos outros tipos de células. Estas células são obtidas por meio da
deposição de camadas muito finas de silício ou outros materiais semicondutores sobre
superfícies de vidro ou metal.
Ainda não se sabe qual tecnologia em estudo terá mais sucesso futuramente, o
que se pode dizer é que todas têm potencialidade de gerar produtos de baixo custo se
produzidos em grande escala (CEPEL, 1999).
Uma das desvantagens do uso desse tipo de célula é a baixa eficiência em
relação às células mono e policristalinas de silício, em segundo essas células sofrem um
processo de degradação logo nos primeiros meses de operação, reduzindo assim a
eficiência ao longo da vida útil.
O processo de fabricação simples e barato, a possibilidade de fabricação de
células com grandes áreas e o baixo consumo de energia na produção são itens que
compensam essas deficiências.
36

Figura 12 - a) Célula de silício monocristalino, (b) Célula de silício policristalino


(CRESESB,2006).

3.1.2 Características elétricas dos módulos fotovoltaicos

A potência dos módulos solares é geralmente dada pela potência de pico


expressa em (Wp).
Para caracterizar o funcionamento dos módulos, é imprescindível o
conhecimento das seguintes características elétricas:

 Tensão de circuito aberto (Voc)


 Corrente de curto circuito (Isc)
 Potência máxima (Pm)
 Tensão de potência máxima (Vmp)
 Corrente de potência máxima (Imp)

Se um módulo está posicionado em direção ao sol, porém sem nenhuma carga


conectada, a corrente não flui, e uma tensão pode ser medida entre seus terminais. Esta
tensão é denominada tensão de circuito aberto (Voc).
Ainda sem a conexão de qualquer equipamento, se os terminais de um módulo
forem ligados diretamente, haverá uma corrente fluindo, essa corrente é chamada
corrente de curto-circuito (Isc), neste caso a tensão é zero. (CEPEL, 1999).
37

“A condição padrão para se obter as curvas características dos módulos é


definida para radiação de 1000W/m2 (radiação recebida na superfície da Terra em dia
claro, ao meio dia), e temperatura de 25ºC na célula” (CRESESB, 2006, p.19).

Figura 13 - Curva característica de IxV , mostrando a corrente Isc e a tensão Voc


(CRESESB,2006)
Na curva IxV, cada ponto representa a potência gerada para aquela condição de
operação. Na Figura 14 percebe-se que para uma célula fotovoltaica e
consequentemente para um módulo, há somente uma tensão e consequentemente
corrente para qual se pode obter a potência máxima.
O ponto de potência máxima (Pm) corresponde então ao produto da tensão de
potência máxima (Vmp) e corrente de potência máxima (Imp).
38

Figura 14 - Parâmetros de potência máxima (CRESESB, 2006).

Tendo conhecimento sobre a curva característica IxV , se pode calcular então os


seguintes parâmetros:

 Potência máxima Pm = Imp x Vmp (3.5)

 Eficiência η = (Imp x Vmp) / (A x Ic) (3.6)

 Fator de Forma FF = (Imp x Vmp) / (Isc x Voc) (3.7)

Onde: Ic = luz incidente - Potência luminosa incidente (W/m²)


A = área útil do módulo (m²)
“O fator de forma (FF) é uma grandeza que expressa quanto a curva
característica se aproxima de um retângulo no diagrama IxV. Quanto melhor a
qualidade das células no módulo mais próxima da forma retangular será sua curva IxV”
(CEPEL,1999,p.47).
39

Figura 15 - Definição de fator de forma (CESESB, 2006).

Existem fatores que afetam as características elétricas dos módulos solares. Os


principais fatores que alteram essas características são a intensidade luminosa e a
temperatura das células.
A Figura 16 ilustra a relação entre intensidade luminosa e geração de corrente
pelo módulo. Observa-se um aumento da Isc proporcional à intensidade da radiação
solar incidente. A Voc aumenta em forma logarítmica quando a radiação aumenta.
Por outro lado, o aumento da temperatura faz com que a eficiência do módulo
caia, abaixando assim os pontos de operação para potência máxima gerada, a Figura 17
representa as curvas características de um módulo sob intensidade de radiação constante
e com variação de Isc e Voc devido à temperatura.
40

Figura 16 - Efeito causado pela variação da intensidade luminosa (CRESESB, 2006).

Figura 17 - Efeito causado pela temperatura da célula na curva IxV (para 1000 W/m²) em
um módulo fotovoltaico de silício monocristalino (CRESESB,2006)

A variação de Voc com a temperatura é mais acentuada de que a de Isc. Isto


provoca uma nítida perda de potência, que aumenta com a temperatura. Valores típicos
para as variações de Isc e Voc para uma célula de Si cristalino são da ordem de:
41

(3.8)

(3.9)

Onde:

β: variação da tensão de circuito aberto com a temperatura.


Α: variação específica da corrente de curto circuito com a temperatura

“Para captar maior intensidade luminosa é preciso seguir o movimento aparente


do Sol no céu segundo a hora e a época do ano. Para os módulos fixos, o recomendado é
determinar a melhor inclinação em cada região dependendo da latitude e do período de
demanda de carga” (VERA, 2004, p.43).

3.2 Baterias ou acumuladores

Nos sistemas fotovoltaicos as baterias tem a função de armazenar a energia


gerada pelos módulos e entregá-la à carga em momentos de geração nula como é o caso
do período noturno, ou em ocasiões onde a geração é insuficiente como em períodos de
baixa irradiância e de fornecer correntes mais elevadas à carga que a corrente máxima
produzida pelos módulos fotovoltaicos.
Dessa maneira, as células solares e as baterias trabalham em conjunto para
fornecer energia à carga de forma mais constante ou também mais intensa do que a que
poderia ser gerada exclusivamente pelo painel fotovoltaico.
As baterias podem estar formadas por uma única célula ou vaso, ou por grupo
delas, conectados em série ou paralelo, constituindo um sistema de armazenamento
(VERA, 2004).
A célula eletroquímica é a unidade responsável pelo processo de
acumulação de energia propriamente dito das baterias. São formadas
basicamente por dois eletrodos isolados de diferentes polaridades (positivo e
negativo) imersos num meio eletrolítico. No processo de descarga, o material
ativo dos eletrodos reage quimicamente com o eletrólito liberando energia
elétrica. Durante processo de carga é aplicada uma tensão superior à dos
eletrodos, assim os elétrons fluirão na direção contrária e a reação química
inversa ocorrerá, consumindo energia. Como as células possuem uma tensão
42

nominal baixa para a maioria das aplicações, na maioria dos casos uma
bateria é constituída por diversas células associadas em série ou paralelo,
formando níveis de tensão e capacidade adequados (SERRÃO, 2012, p.14).

Figura 18 - Esquema de uma célula eletroquímica (VERA, 2004).

As baterias utilizadas em sistemas fotovoltaicos são projetadas para ciclos


diários com taxas de descarga reduzidas e que devem suportar descargas profundas
esporádicas devido a uma possível falta de geração. Elas podem ser:

 Abertas: precisam de uma verificação periódica do nível do eletrólito. O


eletrólito é liquido e não está encerrado no separador, motivo pelo qual
devem ficar em posição vertical.

 Seladas: eletrólito está confinado no separador ou tem consistência de


gel. Também são chamadas de “sem manutenção”, pois não precisam da
adição de água.

As baterias de chumbo-ácido são as mais utilizadas em sistemas fotovoltaicos


devido seu baixo custo e disponibilidade no mercado.
43

3.2.1 Características dos acumuladores

As principais características das baterias em geral, são expressas por uma série
de termos relacionados a seguir.

A Autodescarga define o processo no qual as baterias descarregam gradual e


espontaneamente, quando não estão em uso. As baterias de chumbo-ácido têm como
característica uma alta taxa mensal de autodescarga, elas podem perder de 5 a 30 % de
sua capacidade, dependendo da temperatura e composição química da célula. Assim
procura-se evitar que as baterias fiquem em estado ocioso por muito tempo.

Figura 19 - Autodescarga das baterias (Pb-ácido) em função do tempo inoperante (VERA,


2004).

A Capacidade de uma bateria é normalmente definida como a quantidade de


Ampères-horas (Ah) que pode ser retirada quando esta apresenta carga plena. Também
pode ser expressa em termos de energia (Wh ou kWh).
A capacidade é influenciada pela velocidade de carga e descarga e pela
temperatura de operação da bateria. Quanto maior a intensidade de corrente de descarga,
menor é o valor da capacidade da bateria e com menores intensidades de descarga
aumenta a capacidade.
As baixas temperaturas reduzem a capacidade de armazenamento, e o aumento
44

da temperatura acarreta em um incremento da capacidade, todavia com este incremento


ocorre também uma perda de água e uma consequente diminuição da vida útil.

Figura 20 - Variação da capacidade da bateria com a corrente de descarga (a), e com


variação de temperatura (b), (OLIVEIRA, 1997).

Capacidade nominal é valor da capacidade em Ah, dado pelo fabricante em


condições de operação especificadas.

A Eficiência é a relação entre a saída útil e a entrada. Existem três formas de se


expressar a eficiência de uma bateria:

Eficiência Coulômbica ou de Ampère-hora (Ah) - relação entre a quantidade de


Ah retirada de uma célula durante a descarga e a quantidade necessária para restaurar o
estado de carga inicial. É calculada através da razão entre a integral da corrente ao longo
do tempo de descarga e carga.
Eficiência de Tensão - relação entre a tensão média durante a descarga de uma
célula ou bateria e da tensão média durante a carga necessária para restaurar a
capacidade inicial.
Eficiência de Energia ou de Watt-hora (Wh) - relação entre a energia retirada da
bateria durante o processo de descarga e a energia necessária para restaurar o estado de
carga inicial (CEPEL, 1999).

Define-se como Estado de Carga (EC) a capacidade disponível de carga na


45

bateria sendo apresentado como uma porcentagem da capacidade nominal.

O regime de carga e descarga (Cn) representa a corrente fornecida à bateria


para restabelecer a capacidade máxima em um determinado tempo, ou extraída da
mesma a partir da plena carga para esgotar a capacidade em um determinado tempo.
Sua expressão é dada pela relação entra a Capacidade Nominal e o Tempo de
Descarga.
Descarga é o processo de extrair a corrente de uma bateria através da conversão
de energia eletroquímica em energia elétrica.
Carga é a conversão de energia elétrica em potencial eletroquímico na célula.
Entende-se por Profundidade de descarga a porcentagem da capacidade
nominal da bateria que foi retirada a partir do estado de plena carga. É o calor que
compensa o estado de carga.
A Tensão de corte corresponde ao valor de tensão no qual a descarga da bateria
é interrompida. Pode ser um valor estipulado pelo fabricante como tensão final de
descarga, que indica o momento no qual danos irreversíveis podem ser causados à
bateria.
A vida útil de uma bateria é o período de tempo em esta opera normalmente sob
determinadas condições, mantendo a capacidade e o rendimento (VERA, 2004). Pode
ser expressa pelo número de ciclos ou período de tempo dependendo do serviço para
qual foi especificada.
“Nas baterias de chumbo-ácido, o “fim de vida” é geralmente tomado como o
instante em que a célula, estando totalmente carregada, pode fornecer apenas 80% da
sua capacidade nominal.” (CEPEL, 1999, p.58).
A perda da capacidade possui relação com a idade e com os ciclos de carga e
descarga da bateria (VERA, 2004).

3.3 Controladores de carga

Os controladores de carga são inseridos nos sistemas fotovoltaicos com a


finalidade de proteger a bateria contra cargas e descargas excessivas, aumentando assim
sua vida útil. São chamados também de Reguladores de Carga ou Reguladores de
Tensão (VERA, 2004).
46

Segundo Serrão (2010) para se carregar um banco de baterias é necessário que a


tensão de carga seja sempre maior que a tensão da bateria, senão as baterias enviarão
energia para o sistema. Essa tensão não deve ultrapassar um determinado limite uma vez
que cargas muito rápidas diminuem a vida útil das baterias, havendo um ponto ótimo de
funcionamento. É importante o monitoramento para que descargas muito profundas não
ocorram, pois dependendo da intensidade, podem causar danos irreversíveis às baterias.
Os controladores de carga devem ser projetados considerando-se as
características específicas dos diversos tipos de bateria, sendo que um controlador
projetado para uma bateria chumbo-cálcio selada pode não carregar eficientemente uma
bateria chumbo-antimônio não selada, da mesma forma, controladores projetados para
baterias chumbo-ácido podem não ser adequados para as níquel-cádmio, e assim por
diante.
Alguns pequenos sistemas que possuem cargas estáveis e continuas podem ser
projetados para operarem sem o uso de um controlador de carga, desde que a tensão
fornecida pelos módulos seja compatível com a tensão da bateria. Porém na maioria dos
sistemas seu uso é praticamente indispensável, pois sua utilização permite uma
otimização no dimensionamento do banco de baterias e um maior nível de proteção
contra um aumento excessivo de consumo ou uma possível intervenção do usuário
(CEPEL, 1999).

Os controladores devem desconectar o arranjo fotovoltaico quando


a bateria atinge carga plena e interromper o fornecimento de energia
quando o estado de carga da bateria atinge um nível mínimo de segurança.
Alguns controladores também monitoram o desempenho do SF (tal como
corrente e tensão de carregamento da bateria ou da carga) e acionam
alarmes, quando ocorre algum problema. Para melhorar o desempenho do
controlador de carga, pode-se ainda acoplar a ele um sensor de temperatura
de forma a compensar o efeito da variação da temperatura nos parâmetros
das baterias (CEPEL, 1999, p.69).

No momento de se especificar um controlador de carga, primeiro é importante


saber o tipo de bateria a ser utilizada e o regime de operação do sistema.
A seguir, determina-se tensão e corrente de operação do sistema. Para valores
elevados de corrente de operação, o custo do controlador aumentará significativamente
e a disponibilidade no mercado reduzirá. É importante selecionar um controlador com
47

as mínimas características necessárias. Características desnecessárias adicionam


complexidade ao sistema, aumentam o custo e diminuem a confiabilidade.
Os controladores de carga classificam-se em dois tipos fundamentais, em
paralelo ou série.

3.3.1 Controladores de carga em paralelo


.
Os reguladores tipo paralelo (Figura 21) mantém constante a tensão da bateria
no estado final da carga. Estes reguladores consistem em um dispositivo eletrônico ou
relé eletromecânico que desliga ou reduz o fluxo de corrente para a bateria quando está
totalmente carregada, com o qual uma fração da corrente gerada pelo arranjo é desviada
através de um dispositivo conectado em paralelo com a bateria, e assim só uma pequena
parte desta corrente continua carregando a bateria.

Figura 21 – Diagrama esquemático de um regulador tipo paralelo (VERA, 2004).

A quantidade de corrente a ser desviada dependerá da tensão da bateria. O


regulador shunt ótimo se comporta como uma carga variável de forma que a tensão na
saída do arranjo é mantida constante e igual ao valor limite (CEPEL, 1999).
Um componente necessário no regulador shunt é um diodo de bloqueio, que
deve ser ligado em série entre o elemento de chaveamento e a bateria, a fim de mantê-la
protegida de curto-circuito quando a corrente do arranjo é desviada. Os controladores
tipo shunt geralmente são projetados para aplicações onde a corrente é menor que 20
Ampères.
“Esse método consome menos energia e é mais eficiente com as baterias, sendo
48

o mais comumente utilizado” (SERRÃO, 2010, p.16).

3.3.2 Controladores de carga em série

Os controladores tipo série (Figura 22) funcionam como um elemento de


controle que desconecta o arranjo fotovoltaico quando a bateria está completamente
carregada, quando a carga da bateria diminui, o regulador detecta e volta ao estado ativo
(VERA, 2004).

Figura 22 - Diagrama esquemático de um regulador tipo série (VERA, 2004).

Um bom regulador série não necessita de diodos de bloqueio, pois o interruptor


série pode ser deixado aberto durante a noite, evitando as perdas da bateria durante a
noite. Estes controladores produzem uma queda de tensão da ordem de 0,3 volts.

3.4 Inversores ou conversores CC/CA

Os inversores são os dispositivos responsáveis pela conversão da corrente


contínua (CC) gerada pelos módulos fotovoltaicos em corrente alternada (CA), também
são conhecidos com PCU – Power Conditioning Unit (Unidade Condicionadora de
Potência).
O inversor deve dissipar o mínimo de potência, evitando as perdas e deve
produzir uma tensão com baixo teor de harmônicos, e em sincronismo com a rede
elétrica, se o sistema fotovoltaico for interligado à rede. Muitas vezes filtros são
utilizados para a redução de harmônicos (CEPEL, 1999).
49

Os inversores operam comumente com tensões de entrada de 12, 24, 48 e 120


volts em CC, entregando na saída tensões da ordem de 120 ou 240 volts em CA.
Nos sistemas de potência elevada, que cobrem uma extensa área, a vantagem de
usar um inversor está no fato de que a dimensão (seção) dos cabos para interligação
entre longas distâncias pode ser reduzida. Isto acontece uma vez que, nos circuitos CA,
as tensões de operação são mais elevadas e, consequentemente, as correntes são
pequenas. Neste caso, a redução de custo, pelo uso de cabos de menor bitola, é bastante
considerável. Também é mais fácil elevar ou reduzir a tensão através de
transformadores.
Comumente existem dois tipos de inversores: os estáticos (estado sólido) e os
eletromecânicos (rotativos). Apenas o primeiro é habitualmente chamado de inversor. O
conversor rotativo consiste de um motor de corrente contínua diretamente acoplado a
um gerador CA (alternador). Conversores rotativos são menos eficientes do que os
inversores eletrônicos para a mesma potência de saída, e as partes moveis necessitam de
manutenção periódica.
Os inversores estáticos (eletrônicos) utilizam dispositivos semicondutores que
comutam a entrada CC, produzindo uma saída CA de frequência determinada. Indica-se
o uso de inversores monofásicos para aplicações em baixa potência (até 5 kW). Acima
disso os inversores trifásicos são mais usuais.
O circuito básico de um inversor monofásico é apresentado na Figura 23 onde
através de chaveamentos alterna-se a tensão de entrada

Figura 23- Circuito básico de um inversor (SERRÃO, 2010).

Deve-se levar em conta que a escolha de um inversor interfere diretamente no


50

desempenho, confiabilidade e custo de um sistema fotovoltaico. Os inversores


acrescentam complexidade ao sistema, contudo facilitam a instalação elétrica e
permitem o funcionamento da maior parte dos aparelhos elétricos convencionais.

3.4.1 Características dos inversores

Para especificar um inversor, é necessário considerar tanto a tensão de entrada


CC quanto a tensão de saída CA; deve-se levar em consideração as exigências da carga
em relação ao inversor, como variação de tensão, frequência, forma de onda e potência.
Esses equipamentos são dimensionados levando-se em consideração
basicamente a potência elétrica que deverá alimentar em operação normal, por
determinado período de tempo e a potência de pico necessária para partida de motores e
outras cargas que requerem potências de duas a sete vezes a nominal para entrarem em
funcionamento (CEPEL, 1999).
A seguir são relacionadas algumas características que devem ser consideradas
para a especificação de um inversor.

Formas de onda, os inversores usualmente são classificados de acordo com a


forma de onda da tensão CA que produz. As formas de ondas mais comuns são a
quadrada, a quadrada modificada ou retangular e a senoidal.
Para reproduzir uma onda mais próxima possível da senoidal, utiliza-se a
tecnologia PWM (Pulse-Width-Modulated) que utiliza de dispositivos eletrônicos que
modulam a largura de pulsos de uma onda quadrada obtendo assim uma sequência que
reproduz o perfil de tensões de uma onda senoidal com pequena distorção.
“A forma de onda geralmente é uma indicação de qualidade e custo do inversor.
Ela depende do método de conversão e filtragem utilizado para eliminar os harmônicos
indesejáveis resultantes da conversão” (VERA, 2004, p.55).
Em geral todo inversor deve ser dimensionado com uma folga de potência de 10
a 20% a fim de aumentar sua confiabilidade e maximizar a vida útil.
51

Figura 24 – Formas de onda típicas dos inversores monofásicos (CEPEL, 1999).

Figura 25 - Forma de onda típica de um inversor tipo PWM (CEPEL,1999).

Eficiência é a relação entre a potência de saída e a potência de entrada do


inversor. A eficiência de inversores varia com o tipo de carga.
Em cada situação deve-se verificar o equipamento adequado para realizar a
medição, pois a forma de onda pode induzir a erros de avaliação. Deve-se sempre
utilizar equipamentos True-RMS (RMS verdadeiro).
A eficiência dos inversores varia, normalmente na faixa de 50 a 90%. Os valores
especificados nos catálogos dos fabricantes são os máximos que podem ser obtidos.
Porém quando operando alguns motores, a eficiência real pode ser inferior a 50%.
52

A eficiência dos inversores tende a ser mais baixa quando estes operam abaixo
de sua potencia nominal (CEPEL, 1999).

Figura 26 - Eficiência típica dos inversores (CEPEL, 1999).

A potência nominal de saída é a potência que o inversor pode fornecer


continuamente à carga. O inversor deve ser especificado com uma potência nominal de
saída superior à máxima potencia da carga, de forma a considerar algum aumento da
demanda. Entretanto para uma melhor eficiência de operação é recomendável escolher
uma potência nominal próxima à potência total necessária para alimentar as cargas.

A Taxa de utilização é o número de horas que o inversor poderá fornecer


energia operando em sua potência de máxima. Se este valor for excedido, poderá causar
falhas no equipamento.

Tensão de entrada é função da potência total fornecida pelo inversor às cargas


CA. Normalmente, a tensão nominal de entrada do inversor aumenta com o aumento da
demanda de carga, o que mantém a corrente em níveis adequados.
A tensão de entrada CC pode ser fornecida por baterias, devendo ser compatível
53

com os requisitos de entrada do inversor. Se a bateria descarrega e a tensão diminui


abaixo da tensão mínima especificada, a maioria dos inversores desliga-se
automaticamente.

Tensão de saída é regulada na maioria dos inversores, e sua escolha depende da


tensão de funcionamento das cargas.

Regulação de tensão indica a variação de amplitude permitida na tensão de


saída. Os melhores inversores produzirão uma tensão de saída aproximadamente
constante para uma extensa faixa de cargas.

Frequência do sinal de saída: os inversores são fabricados para operar em uma


determinada frequência, que geralmente é 50 ou 60 Hz.

3.5 Configurações básicas dos sistemas fotovoltaicos

Os sistemas fotovoltaicos podem ser classificados em dois tipos quanto a sua


ligação com o sistema de distribuição de energia elétrica.
São classificados como independentes (isolados) e sistemas conectados à rede. O
sistema isolado não possui nenhum tipo de conexão com a rede, e o sistema conectado é
efetivamente ligado à rede de distribuição.
Os sistemas isolados ainda podem ser classificados como autônomos, que
utilizam apenas energia gerada por dispositivos fotovoltaicos, ou híbridos, que utilizam
fontes complementares à geração fotovoltaica.

3.5.1 Sistemas isolados

Os sistemas isolados são aqueles que não possuem conexão alguma com a rede
de distribuição elétrica. Em geral esses sistemas utilizam baterias para o armazenamento
de energia. Alguns sistemas isolados não necessitam de armazenamento, onde a energia
elétrica é consumida no momento da geração por cargas CC.
Em sistemas que necessitam de armazenamento de energia em baterias, usa-se
54

um dispositivo para controlar a carga e a descarga na bateria. O “controlador de carga”


tem como principal função não deixar que haja danos na bateria por sobrecarga ou
descarga profunda. O controlador de carga é usado em sistemas pequenos onde os
aparelhos utilizados são de baixa tensão e corrente contínua (CC).
Para alimentação de equipamentos de corrente alternada (CA) é necessário um
inversor. Este dispositivo geralmente incorpora um seguidor de ponto de máxima
potência necessário para otimização da potência final produzida. Este sistema é usado
quando se deseja mais conforto na utilização de eletrodomésticos convencionais
(CRESESB, 2006).

Figura 27 - Sistema fotovoltaico isolado, em função da carga utilizada (CRESESB, 2006).

3.5.2 Sistemas híbridos

Os sistemas híbridos são desconectados da rede elétrica e possuem fontes de


geração complementares aos dispositivos fotovoltaicos. Essas fontes complementares
podem ser geradores diesel, turbinas eólicas ou qualquer outra fonte disponível.
“A utilização de várias formas de geração de energia elétrica torna-se complexo
na necessidade de otimização do uso das energias. É necessário um controle de todas as
fontes para que haja máxima eficiência na entrega da energia para o usuário”
(CRESESB, 2006, p.22).
Quando o sistema híbrido utiliza um gerador diesel que geralmente trabalham
em corrente alternada, necessita-se do uso de um carregador de baterias e uma chave de
55

transferência como mostrado na Figura 28.

Figura 28 - Sistema fotovoltaico híbrido, integrando geração fotovoltaica, eólica e a diesel


(VERA, 2004).

3.5.3 Sistemas conectados à rede

São sistemas que utilizam de grande quantidade de painéis fotovoltaicos e não


utilizam armazenamento de energia, pois toda geração é entregue à rede de distribuição
da concessionária local.
Todo o arranjo é conectado em inversores e logo em seguida guiados
diretamente na rede. Estes inversores devem satisfazer as exigências de qualidade e
segurança para que a rede não seja afetada (CRESESB, 2006).

Figura 29 - Esquema de um sistema fotovoltaico conectado à rede (VERA, 2004).


56

Nesse tipo de sistema quando a geração é superior ao consumo, a energia é


entregue à rede elétrica. Já quando a geração é insuficiente para suprir o consumo
(períodos de baixa incidência solar, ou à noite), a energia complementar é extraída da
rede.
Para fins de tarifação é necessária a instalação de um ou mais medidores de
energia dependendo de como a concessionária remunera a geração e de como ela tarifa
o consumo (VERA, 2004).
57

4 DIMENSIONAMENTO DO SISTEMA FOTOVOLTAICO DO CAMPUS DA


UNIOESTE-FOZ

O projeto de um Sistema Fotovoltaico é o “casamento” entre a energia fornecida


pelo sol ao sistema e a demanda de energia pela carga. O critério para o
dimensionamento pode ser: custo da energia gerada, confiabilidade, eficiência ou uma
combinação destes fatores.
Partindo dos dados meteorológicos e da estimativa da curva de carga do Campus
da UNIOESTE, é possível realizar o dimensionamento de um sistema de geração
fotovoltaico autônomo isolado, utilizando um banco de baterias para o armazenamento
da energia.
Essa configuração do sistema foi escolhida devido a uma particularidade no
perfil de consumo, onde a maior parte da energia consumida encontra-se no período
noturno, onde não há geração pelos módulos solares, necessitando de um sistema de
armazenamento.

Um sistema fotovoltaico é dividido em três blocos básicos, geração (fotovoltaica


e outras fontes), armazenamento de energia e unidade de controle e condicionamento de
potencia. Os quais serão dimensionados nas seções a seguir.

4.1 Levantamento dos dados meteorológicos e curva de carga

Esta etapa do projeto visa quantificar a radiação solar global incidente sobre os
módulos fotovoltaicos, de forma que possa ser calculada a energia gerada.
A partir do software Google Earth, obtivemos a latitude aproximada de
25,547777° Sul e uma longitude de 54,588055° Oeste para o Campus da UNIOESTE-
FOZ.
Foi dada entrada desses dados no sistema Sundata (www.cresesb.cepel.br) que
gerou o gráfico da Figura 30, que expressa a radiação solar incidente no município de
Foz do Iguaçu para um ângulo de inclinação igual à latitude do local durante os meses
do ano.
58

Figura 30 - Radiação Solar Incidente em Foz do Iguaçu. (Sundata/CRESESB, 2012).

Foram disponibilizados os dados das faturas de energia elétrica do campus, entre


os meses de setembro de 2009 e agosto de 2010, possibilitando a construção do gráfico
do consumo nesse período expresso na Figura 31.

Consumo [kWh]
60.000

50.000

40.000

30.000

20.000 Consumo [kWh]

10.000

0
jun/10
jan/10
out/09

dez/09

abr/10

jul/10
ago/10
nov/09

mar/10

mai/10
set/09

fev/10

Figura 31 - Consumo de energia elétrica do campus da UNIOESTE Foz do


Iguaçu(COPEL,2010)
59

4.2 Dimensionamento do sistema de geração fotovoltaica

Para o dimensionamento dos painéis, considerou-se o mês de menor incidência


de radiação solar, garantindo assim o funcionamento pleno do sistema durante todos os
meses do ano.
De acordo com os dados do gráfico da Figura 30, junho é o mês de menor

incidência de radiação solar com 3,81 .

Outro fator relevante para o dimensionamento é o número de horas de sol pleno,


que no Brasil considera-se um valor médio de 5 horas diárias.
O cálculo é realizado visando suprir o máximo consumo registrado no período
entre setembro de 2009 e agosto de 2010, que é de cerca de 55.000 kWh.

a a (4.0)

Onde: A = área ocupada pelos módulos fotovoltaicos [m²].


R = Radiação solar incidente [kWh/m².dia].
η = eficiência dos módulos.

Portanto:

Área total a ser utilizada pelos módulos:

A= 3437,07 m²

Este valor pode ser arredondado para 3500 m².

O painel utilizado possui dimensões: 1470 x 680 x 35 (mm) . Que resulta em


uma área de:
60

A: área do painel fotovoltaico


h: altura do painel
l: largura do painel

Considerando que cada painel possua 1m² de área, serão necessários 3.500
painéis para fornecer a energia demandada pela carga.
Os painéis seriam dispostos nos telhados dos blocos de sala de aula e coberturas
das passarelas já existentes, assim a estética do edifício não é afetada e nenhuma área
útil é ocupada.
O Campus de Foz do Iguaçu é composto por 11 blocos de aulas, cada um
medindo 35m x 10m, quatro corredores de 100m x 4m e o bloco da administração, que
mede 45m x 15m. O edifício da biblioteca foi desconsiderado por ter o telhado muito
irregular, dificultando a colocação dos painéis.

Figura 32 - Vista superior do Campus da UNIOESTE (Google Maps)


61

Realizando os cálculos, obtém-se:

Área Total = 35x10x11 + 100x4x4 + 45x15x1 = 6125m²

A área total disponível para instalação dos módulos é 6125m², mas somente a
área da cobertura dos blocos de salas de aula já seria suficiente para suprir toda a
geração, sendo a área total dos blocos 3.850m² e a área necessária para atender a
demanda de 3500m².

O painel fotovoltaico utilizado será o Yingli Solar – YL140P-17b, suas


características técnicas estão dispostas na tabela a seguir.

Tabela 4 - Características do módulo Yingli Solar – YL140P-17b


Potência máxima (Pmax) 140W
Tensão de máxima potência (Vm) 18V
Corrente da máxima potência (Im) 7,77A
Tensão de circuito aberto (Voc) 22,5V
Corrente do curto-circuito (Isc) 8,40A
Tipo de células Silício Policristalino
Eficiência do módulo 14%
Tolerância de potência 3%
Dimensões (mm) 1470 x 680 x 35 (mm)
Peso (kg) 11,8

Todos os parâmetros das características elétricas são testados nas condições


STC: 1000W/m², AM1.5, 25ºC.
62

4.3 Verificação da viabilidade do sistema

Para verificação da viabilidade do sistema, foi considerado o painel fotovoltaico


Yingli Solar–YL140P-17b3, pelo valor de R$835,00.
Na seção anterior foi demonstrado, que seriam necessários 3.500 módulos iguais
a esse para atender a demanda da carga.
3.500 módulos a um valor de R$835,004 acarretam em um custo de implantação
de R$2.922.500,00.
Esse valor inclui apenas a aquisição dos módulos solares, para fins de avaliação
da viabilidade já é suficiente.
O valor de um sistema completo, considerando todos os componentes e custos
de instalação podem ser bem maiores.
Considerando um consumo médio de 40.000 kWh/mês para o campus,
enquadrando na classe A4 (fornecimento entre 2,3kV e 25kV) a COPEL tarifa a energia
em 0,266 R$/kWh.5 Para este consumo temos um gasto mensal médio de:

= 10.640 R$/mês

Levando em conta somente o custo dos módulos, seria suficiente para pagar a
conta de energia elétrica durante 25 anos, inviabilizando a instalação do sistema.

3
Produto disponível no endereço (http://minhacasasolar.lojavirtualfc.com.br) acessado em
08/10/2012.
4
Valor em moeda local Brasileira, obtido no endereço
(http://minhacasasolar.lojavirtualfc.com.br) acessado em 08/10/2012, sujeito a variações.
5
Tarifa estabelecida pela COPEL – Companhia Paranaense de Energia Elétrica, disponível em
http://www.copel.com/hpcopel/root/nivel2.jsp?endereco=%2Fhpcopel%2Ftarifas%2Fpagcopel2.nsf%2Fv
erdocatual%2F23BF37E67261209C03257488005939EB
63

5 CONCLUSÃO

O presente trabalho teve como intuito apresentar os sistemas fotovoltaicos de


uma forma geral destacando seus principais componentes e características, e realizar um
estudo específico sobre a implantação de um sistema autônomo de geração no campus
da Unioeste-Foz.
São indiscutíveis as inúmeras vantagens de um sistema de geração como esse,
dentre as quais se podem citar:

 Pouca necessidade de manutenção;


 Produz energia de forma silenciosa;
 Durante o processo de geração não polui o meio ambiente;
 Pode ser instalado em lugares remotos

Verificou-se que a instalação de um sistema de geração fotovoltaico requer um


alto investimento inicial, muitas vezes o tornando economicamente inviável
principalmente em lugares onde a rede elétrica convencional é acessível.
Um sistema de geração fotovoltaico se mostra viável em situações onde não há
rede de distribuição, como em comunidades remotas, grandes embarcações, aplicações
em satélites entre outros.
Para o caso do campus da UNIOESTE o custo de um sistema para suprir
integralmente a carga só iria ser compensado pela sua geração após um prazo que
excede a vida útil desse sistema.
A instabilidade desse sistema devido a variações climáticas nos obriga a
dimensioná-lo para a pior situação possível (período de menor incidência de radiação
solar) tornando esses sistemas maiores e mais caros.
Portanto constata-se que através da geração fotovoltaica ainda não é possível
substituir totalmente outros métodos de geração convencionais, porém ela se mostra
uma alternativa interessante em termos de sustentabilidade.
Um sistema de menor porte conectado a rede seria uma aplicação mais viável ao
campus, pois não haveria gastos com bancos de baterias que possuem vida útil
relativamente pequena. Outra vantagem seria a venda da geração excedente à
concessionária local durante o dia, pois a maior parte do consumo concentra-se no
64

período noturno, mais especificamente das 19 as 23 que é o período de aulas, e nesse


período onde não há geração por parte dos painéis a carga é alimentada pela rede
convencional de distribuição.
65

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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de Janeiro: Bertrand Brasil,1996.

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Hemus livraria editora limitada, Brasil, 1978

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Sistemas Fotovoltaicos. Progensa. Madrid 1994.

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5. GRUPO DE TRABALHO DE ENERGIA SOLAR. Manual de


engenharia para sistemas fotovoltaicos. Rio de Janeiro, RJ:
CRESESB-CEPEL, 1999. 204 p.

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Estudo de caso – 3kWp instalados no estacionamento do IEE-
USP. 2005. 80p. Dissertação (Mestrado em energia) – Universidade
de São Paulo (USP), São Paulo, 2005

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autônomos: Ênfase na eletrificação de residências de baixo
consumo. SãoPaulo, 1997. 120f. Dissertação ( Mestrado em
Energia – Energia Solar Fotovoltaica) – Programa Interunidades de
Pós-Graduação em Energia, USP,
1997.

8. PALZ, Wolfgang. Energia Solar e Fontes Alternativas. Editora Hemus,


São Paulo, 1981.
66

9. SERRÃO, M. A. dos S. Dimensionamento de um sistema fotovoltaico


para uma casa de veraneio e pouso do cajaíba – Paraty. 2010. 89p.
Monografia ( Graduação em engenharia elétrica) – Universidade Federal
do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2010.

10. SUNDATA – Base de dados sobre radiação solar no Brasil do CRESESB


– www.cresesb.cepel.br

11. Tiba, C. Atlas Solarimétrico do Brasil – banco de dados terrestres.


Recife: Editora Universitária da UFPE, 2000.

12. VERA, L.H. Programa computacional para dimensionamento e


simulação de sistemas fotovoltaicos autônomos. 2004. 165p.
Dissertação (Mestrado em engenharia mecânica) – Universidade Federal
do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2004.