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Capitulo 02 O conceito de “esquema” para um novo olhar para a producao matematica na escola: as Contribuicdes da Teoria dos Campos Conceituais’. Cristiano Alberto Muniz Introdugao Necessitamas de um novo oar para a escola como espago de pfoducdo de conhesimento matematicn, concebendo cada aluno como sujeto enstémico dotado de esqueras de persamentoe signficagdes que permitem a possbilidade de civetsidade to desenvolvimento de conceit e procedimentos matcmatoos. Ted diversidade opde-se a ideia que muitos professores possuem da matemética como um corpus de conhecimentos inicos, inflexveis @ congelados no tempo, consttuindo assim_o ensino 1a trnsmiss0 fil de tal arcabouco tedrico jguagem forma, E nesta perspectva ue nao considerernos que hara maior nsposigao didaica la matemétca, quando o professor procura levar paraa sala de aula o conhecimento cientfico, sem qualquer adequacdo aos interesses, nevessidades e possiblidades dos seus alunos. Entretanto, a nossa compreensdo acerca do “olar" est attelade ao sistema conceitual do indviduo que o pernitecaptar, sigfcar e posicionarse dante do ‘uma dada realidade, E assim que conoebemos a ideia que o sistema conceitual & 3 preponderant na forma co pofessorposiconar-se quanto aos process ‘aprendizagem ede ensino realzados.na escola, Aluar sobre a mudargado ‘olhar sobre a base conoatual, ou seja trazendo novos conceios, evendo fesconstruindo-os, promovendo 0 desenvolvimento. conceitual, procedimental eprofssional, Pensamos que.a parti de novos conceitoso professor Poderd tom ar consciéncia que escola ndo deveria ser apenas consumidora de Conhecimento académico, mas pode e deve ser assumia como procuora critica € ofiaiva de saberes mateméten, gatando entéo ap: cada aluno com base essencial da eal es ESL OF ena Porn Naseer UNE, mm AO covbstinr uo ‘A Aprendizagem Matemética na Petspectva da Teoria dos Campos Conceiuais 9 Buscamos na Teoria dos Campos Concetual - TCC do pesquisador francés Gérard Vergnaud elementos conosiuis importantes pera a construgéo deste rovo olhar do professor para as pradugdes matemiticas dos alunos, em especial ‘as nogdes de esquema e invariantes operaconais propostas pela Teoria. Nossa ‘pedo neste capitio no é de apresentar desde o seu iniio a TCC, expondo fe discutindo seus conceites cenleis para entéo mostrar suas aplicagtes para « construgéo de novas oréxis pedagigica na aula de malematica. Em especial porque este & o cbjetivo desta obra como um toda, e nao cabendo fazéo em ‘apenas um capitulo, A nossa op¢do incaimente nos debrucar sobre algumas rodugdes reais de sala de aula deanosiniciais do ensino fundamental brasileiro cesenvolvendo relexdes de cunho teico © epistemolégico sobre as mesmas, levantando elementes de anélise que requerem ferramentas nem sempre faci- mente disponivels, nas que encontramas por meio de conceios que nos oferece TCC de Vergnaud. As ferramentas conceituais propostas por Vergnaud nao se Tinitam & contibuigéo a0 deservohimento da pesquisa cenifica, mas também & ‘onstrugao de um novo olhar sobre tis produgdes de nossos alunos, que deve implicar em novas possibilidades de prévis de nossos professores. Eduoagéo Matemdtca do Programa de Mestrado em Educagéo Matemética da UFMS , v.1, 12 de 2008, (MUNIZ, C.A, NEVES, R, S. P. e NASCIMENTO, AMP, 2008) focando a comoreens’o.da produgio matematica de ciangas consderadas, aprorsticamenta, como sujetos em stuagao de difculdade de aprendizagem. O ntes obtidas rum tenséo da Faculdade de EducacSo da Universidade do *(Re)Educagéo Matematica: uma invesigagdo sobre a pro- clugdo matematicana escola @ as mediaes pedagégicas’. 0 objetivo central deste projeto de pesquisa-ado tem sido compreender em «que sentido e medi os saberes matematoos dos alunos sto servindo de base para a mediagdo pecagdgica na aprenizager. Isso implcou a presenca da pes- guisa no contexto da praxis pedagégica, conjuntamente, criangas-proessores- Pesquisadores para que pudessem cir na escola um lias de discuss8o de or- ‘dom epistemologica centrado nas enéles do fazer matemdtica em sala de aula, ‘dentificando @ reffatindo sobre as dificudades de comprechsao deste fendmeno 30 Particioam dessa investigagéo, além do pesquisador-coordenador, doze pro- fessores de uma escola piblica de arcs iniciais do DF, todos com formagéo erm em pescuisa participant de resigficagdo curricular da Educagéo Matemética, Essa complesiade requer a concepeao de procedimento de pesqusaiquelmente ampla e complexa, que permis a inter-relagdo entre criangas-protessoret-gradi- andos-pesqusadores-famiia, Os instrumentos principais de investigacdo no contexto da elnograia ca sala de aula foram: observacio particinante das ativdades em sala de aula, ro leboratorio de aprencizagemt ofcinas e reunides da equipe pedagégica, relatcs dos grupes de ciscusséo (com foes caracteristcas do grupo focal) dicrios ce campo (produzidos pelos alunos da graduaso e do mestrado, sendo que 2 produgdes dos graduandos so analisadas e reelaboradas conjuntamente com cs em especial, a andlse de protocolos produzidos peas ciiances, reflexbes acerca da compreenséio do fazer matemitica na escok Portato, este capitulo sed foco de nossas discusses 2 andlise mirogensética {CELLERIER, 1992) dos protecolos’ das criancas, identificadas e anctadas pelo préprio professor, pelos graduandos ou mestrandos, em sala de aula ou en laboratério de aprendizagem. E a partir da apresentagao de algumas produgdes © suas andlises que poderemos levanlar questies tedricas que nos levam 4 ccompreensaa de conceitos fundamentals da Teoria de Veranaud, Criando novos esquemas para mu professor eslava muito salsieta com os resultados Caroler stas pperages de mutipcaeao com dois gles no muitisicadr (objeto de aprenizagom do? ane), Apesar dé suascficudades em cutos cortados mates" ela sempre dava a res- posta cela nessas operagées. Enelant, urna gradvanda observou que essa rian presenta um proedimento para a reaizagdo dessa operagdo que a groessora no peroebeu, um vez que estando o resultado corto, o prodimento pera cto fica ‘em segunch plano de importncia no processo pedaggico: ‘A -Aprenelzagem Matematica na Pespectva da Teoria dos Campos Conceiuais 41 en + Ta =48,ondo 04 6 una dezena 12 = 14, somado com 0s 4 = 18 dezenas, ess, 907 mero produto parcial = 188 par + De7=0.Dx2=0, segunéo produto parcial 00, posiio- 188, nando de forma a indicar que estas a ruliplcer oe ezeas ee + Si7= 6 ende 0 3 @ colons @ 0 6 6 unde do 24489 : Sano