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Superior Tribunal de Justiça

AgInt no RECURSO ESPECIAL Nº 1.663.221 - TO (2017/0066316-9)

RELATOR : MINISTRO RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA


R.P/ACÓRDÃO : MINISTRA NANCY ANDRIGHI
AGRAVANTE : MARIA HELENA MORBACH VIEIRA
ADVOGADOS : LEONARDO FERNANDES RANNA - DF024811
AUGUSTO MORBACH DE DEUS VIEIRA E OUTRO(S) -
PA013911
AGRAVADO : ROSIVANE PEREIRA DOS SANTOS
AGRAVADO : APARECIDO LUCIANETTI
ADVOGADO : ROGER SOUSA KUHN - TO005232A
INTERES. : LÁZARO DE DEUS VIEIRA NETO
EMENTA
AGRAVO INTERNO. RECURSO ESPECIAL. TEMPESTIVIDADE. FERIADO
LOCAL. COMPROVAÇÃO A POSTERIORI. MATÉRIA EM DISCUSSÃO NA
CORTE ESPECIAL. INFORMAÇÕES PROCESSUAIS. SITE DO TRIBUNAL
DE ORIGEM. MANUTENÇÃO DA LINHA DE ENTENDIMENTO ADOTADA
EM DECISÃO ANTERIOR.
1- Questão relativa à possibilidade de comprovação de feriado local posteriormente à
interposição do recurso especial ainda não pacificada pela Corte Especial.
2- No curso da presente ação, esta Turma flexibilizou o entendimento jurisprudencial
então vigente, no sentido de que as informações divulgadas pelos sites dos Tribunais
não possuíam caráter oficial, o que, à época, beneficiou os agravados em detrimento
dos interesses da agravante.
3- Especificidade da hipótese concreta que autoriza o reconhecimento da
tempestividade do recurso especial, a fim de evitar que sejam adotados
entendimentos contraditórios no curso da mesma ação.
4- Agravo interno provido.
ACÓRDÃO
Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da Terceira
Turma do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas
constantes dos autos, prosseguindo no julgamento, após o voto-vista da Sra. Ministra Nancy
Andrighi, divergindo do voto do Sr. Ministro Relator, por maioria, dar provimento ao agravo
interno, nos termos do voto da Sra. Ministra Nancy Andrighi, que lavrará o acórdão. Vencido o
Sr. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva. Votaram com a Sra. Ministra Nancy Andrighi os Srs.
Ministros Marco Aurélio Bellizze, Moura Ribeiro e Paulo de Tarso Sanseverino.

Brasília (DF), 08 de agosto de 2017(Data do Julgamento)

MINISTRO MARCO AURÉLIO BELLIZZE, Presidente

MINISTRA NANCY ANDRIGHI, Relatora

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AgInt no RECURSO ESPECIAL Nº 1.663.221 - TO (2017/0066316-9)

RELATÓRIO

O EXMO. SR. MINISTRO RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA: Trata-se de agravo


interno interposto por MARIA HELENA MORBACH VIEIRA contra decisão da Presidência do
Superior Tribunal de Justiça que não conheceu do recurso especial porque intempestivo (e-STJ
fls. 1.298/1.299).
Sustenta a ora agravante que o apelo nobre protocolizado em 14/6/2016 seria
tempestivo, tendo em vista o Decreto Judiciário nº 117, de 11 de maio de 2016, expedido pelo
Presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Tocantins, por meio do qual decretou ponto
facultativo no âmbito do Poder Judiciário do Estado do Tocantins nos dias 26 e 27 de maio de
2016, conforme cópia do Diário Oficial de Justiça que traz aos autos somente agora, junto com
as razões do presente agravo interno.
Defende a possibilidade de juntada tardia do referido documento sob a afirmação
de que essa seria admitida consoante a orientação jurisprudencial do Superior Tribunal de
Justiça firmada no julgamento de recursos interpostos sob a égide do Código de Processo Civil
de 1973. Nesse ponto, cita precedentes oriundos da Corte Especial (AgRg no AREsp nº
137.141/SE, DJe de 15/10/2012) e da Terceira e da Quarta Turma (AgInt no REsp nº
1.455.824/RS, DJe de 21/3/2017, e AgInt no AREsp nº 1.014.761/SP, Dje de 21/3/2017).
Afirma também que, por ter sido o acórdão objeto de impugnação do especial
publicado já na vigência do Código de Processo Civil de 2015, teria incidência, na espécie, o
disposto no parágrafo 3º do art. 1.029 desse diploma legal, que autorizaria esta Corte Superior
a "desconsiderar vício formal de recurso tempestivo ou determinar sua correção, desde que não
o repute grave".
Por fim, aduz que

"(...) ainda que não se considere possível realizar a juntada de


documento idôneo em sede de agravo interno a fim de comprovar a
tempestividade do recurso especial, deve se levar em consideração que já há nos
autos certidão emitida pelo Secretário de Recursos Constitucionais do eg.
TJTO dando plena validade ao andamento processual juntado às fls. 1/10
e-STJ, onde consta como termo final para a interposição do recurso a data
de 14/06/2016, em razão do feriado local ocorrido em 26 e 27 de maio de 2016,
considerando ainda a previsão de contagem do prazo processual apenas em dias
úteis no CPC/2015.
Sendo assim, havendo certidão oficial emitida pelo Tribunal a
quo juntada aos autos (e-STJ fl. 1295 c/c fls. 1/10), há de ser reconhecida a
tempestividade do recurso especial interposto, levando em consideração a

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interrupção dos serviços forenses nos dias 26 e 27 de maio de 2016.
Outrossim, o andamento processual extraído do site do TJTO em
anexo (EVENTO 135) também ratifica a certidão retro mencionada (e-STJ fl.
1295 c/c fls. 1/10) ao mencionar como prazo inicial para interposição do
Recurso Especial como sendo dia 23/05/2016 e o prazo final como 14/06/2016.
Assim, considerando que as informações extraídas do site
confirmam o prazo final com sendo dia 14/06/2016, é possível o reconhecimento
da tempestividade do recurso, pois, com o advento da Lei 11.419/2006, a tese de
que as informações processuais fornecidas pelos sites oficiais dos Tribunais,
somente possuem cunho informativo perdeu sua força, na medida em que, agora
está vigente a legislação necessária para que todas as informações veiculadas
pelo sistema sejam consideradas oficiais" (e-STJ fls. 1.307/1.308 - grifou-se).

Requer, assim, a reconsideração da decisão agravada ou, alternativamente, que


o feito seja submetido ao crivo do órgão julgador colegiado competente.
É o relatório.

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VOTO-VENCIDO

O EXMO. SR. MINISTRO RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA: A irresignação não


merece prosperar.
De início, conforme mencionado na decisão ora atacada, "(...) de acordo com os
Enunciados Administrativos do STJ nº 02 e 03, os requisitos de admissibilidade a serem
observados são os previstos no Código de Processo Civil de 1973, se a decisão impugnada tiver
sido publicada até 17 de março de 2016, ou, se publicada após 18 de março de 2016, os
preconizados no Código de Processo Civil de 2015" (e-STJ fl. 1.298).
No caso em apreço, no tocante aos pressupostos de admissibilidade recursal, tem
aplicação as regras estabelecidas pelo CPC/2015, pois quando da publicação do acórdão
recorrido objeto do recurso especial em apreço (20/5/2016) já estava em vigor o referido
diploma processual.
Assim, nos termos do art. 219, caput, do CPC/2015, na contagem dos prazos
processuais são levados em consideração somente os dias úteis e, nos termos do art. 1.003, §
5º, do CPC/2015, todos os recursos, à exceção dos embargos de declaração, devem ser
interpostos no prazo de 15 (quinze) dias.
No caso concreto, verifica-se que a ora agravante foi intimada eletronicamente
em 20/5/2016 do acórdão resultante do julgamento dos últimos aclaratórios opostos ao aresto
recorrido (e-STJ fls. 1.225/1.233). O prazo de 15 (quinze) dias úteis para a interposição do
apelo nobre teve início, portanto, em 23/5/2016 (segunda-feira), expirando, assim, em
13/6/2016 (segunda-feira), mesmo se considerado o ponto facultativo de Corpus Christi (que,
em 2016, ocorreu no dia 26 de maio). Contudo, o recurso foi protocolizado apenas em
14/6/2016, encontrando-se, portanto, intempestivo.
Importante ressaltar que a Corte Especial, ainda sob a ótica do regramento
processual previsto no CPC/1973, consolidou o entendimento jurisprudencial no sentido de
admitir a comprovação posterior da tempestividade do recurso, em agravo interno, na hipótese
de ocorrência de feriado local ou suspensão do expediente forense no Tribunal de origem,
como pretende a agravante.
A propósito, confira-se o precedente que, à época, sedimentou tal orientação:

"PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO


ESPECIAL. TEMPESTIVIDADE. FERIADO LOCAL. COMPROVAÇÃO
POSTERIOR. POSSIBILIDADE. MUDANÇA DE ENTENDIMENTO.

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1. A comprovação da tempestividade do recurso especial, em decorrência de
feriado local ou de suspensão de expediente forense no Tribunal de origem
que implique prorrogação do termo final para sua interposição, pode ocorrer
posteriormente, em sede de agravo regimental. Precedentes do STF e do STJ.
2. Agravo regimental provido, para afastar a intempestividade do recurso
especial."
(AgRg no AREsp nº 137.141/SE, Rel. Ministro ANTONIO CARLOS FERREIRA,
CORTE ESPECIAL, julgado em 19/9/2012, DJe de 15/10/2012 - grifou-se)

Todavia, esse entendimento não mais se sustenta, sendo manifestamente


descabido na hipótese vertente, haja vista a inclusão de norma imperativa expressa no
CPC/2015, inexistente na norma processual de regência revogada, atribuindo à parte
recorrente o ônus de comprovar, já no ato de interposição de seu recurso, a eventual
ocorrência de feriado local que, de alguma maneira, pudesse interferir na adequada aferição da
tempestividade recursal.
Com efeito, o parágrafo 6º do art. 1.003 do CPC/2015 dispõe que "o
recorrente comprovará a ocorrência de feriado local no ato de interposição do recurso",
circunstância que conduz à revisão da atual jurisprudência desta Corte para reconhecer a
impossibilidade de comprovação posterior da tempestividade do recurso.
A partir da redação do referido dispositivo legal, portanto, conclui-se que eventual
documento idôneo apto a comprovar a ocorrência de feriado local, para fins de aferição da
tempestividade do recurso, deve ser inarredavelmente colacionado aos autos no momento de
sua interposição.
Impende ressaltar, de outro lado, que as disposições previstas nos art. 932,
parágrafo único, e 1.029, § 3º, do CPC/2015 não se aplicam à hipótese em tela, de
comprovação posterior da tempestividade do recurso. Eis a dicção dos referidos dispositivos
legais:

"Art. 932. Incumbe ao relator:


(...)
Parágrafo único. Antes de considerar inadmissível o recurso, o
relator concederá o prazo de 5 (cinco) dias ao recorrente para que seja sanado
vício ou complementada a documentação exigível.

Art. 1.029. O recurso extraordinário e o recurso especial, nos casos


previstos na Constituição Federal, serão interpostos perante o presidente ou
vice-presidente do tribunal recorrido, em petições distintas que conterão:
(...)
§ 3º O Supremo Tribunal Federal ou o Superior Tribunal de Justiça
poderá desconsiderar vício formal de recurso tempestivo ou determinar sua
correção, desde que não o repute grave."

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Como visto, o CPC/2015, diferentemente do CPC/1973, exige que a
comprovação da ocorrência de feriado local seja efetivada no ato de interposição do
recurso (art. 1.003, § 6º). Tal inovação normativa revela por si só a indubitável intenção do
legislador de não mais possibilitar que seja sanado ou desconsiderado o vício de
intempestividade do recurso em momento posterior, não sendo razoável admitir que a norma
cogente ceda em observância aos comandos dos arts. 932, parágrafo único, e 1.029, § 3º, do
CPC/2015.
Isso porque a interpretação literal da norma expressa no parágrafo 6º do art.
1.003 do CPC/2015, de caráter especial, sobrepõe-se a qualquer interpretação mais ampla que
se possa conferir às disposições de âmbito geral insertas nos arts. 932, parágrafo único, e
1.029, § 3º, do citado diploma legal.
Afinal, permitir ao recorrente a juntada extemporânea de documento que, por
disposição expressa do art. 1003, §6º, do CPC/2015, deveria ser trazido aos autos no ato de
interposição do recurso seria o mesmo que tornar letra morta o referido dispositivo legal.
Nesse sentido, transcreve-se trecho do voto proferido pela Ministra Assusete
Magalhães no julgamento do AgInt no AResp nº 932.258/DF, que assim dispôs acerca da
questão ora analisada:

" (...) Além disso, pacificou-se a jurisprudência da Corte Especial do


STJ também no sentido de que 'a comprovação da tempestividade do recurso, em
decorrência de feriado local ou suspensão de expediente forense no Tribunal de
origem que implique prorrogação do termo final pode ocorrer posteriormente, em
sede de Agravo Regimental' (STJ, AgRg no AREsp 137.141/SE, Rel. Ministro
ANTONIO CARLOS FERREIRA, CORTE ESPECIAL, DJe de 15/10/2012).
Nesse ponto – e a título ilustrativo –, registra-se que esse
posicionamento tende a sofrer revisão, nesta Corte, porquanto o novo Código de
Processo Civil não possibilita tal mitigação ao conhecimento do recurso
intempestivo. De fato, ainda que a decisão agravada tivesse sido publicada – o
que não é o caso, assevere-se – já na vigência do novo CPC, descaberia a
aplicação da regra do art. 932, parágrafo único, do CPC/2015, que permitiria a
correção do vício, com a comprovação da tempestividade do recurso,
posteriormente.
Isso porque o CPC/2015 acabou por excluí-la (intempestividade) do
rol dos vícios sanáveis, conforme se extrai do art. 1.003, § 6º ( 'o recorrente
comprovará a ocorrência de feriado local no ato de interposição do recurso'),
e do art. 1.029, § 3º ('o Supremo Tribunal Federal ou o Superior Tribunal de
Justiça poderá desconsiderar vício formal de recurso tempestivo ou
determinar sua correção, desde que não o repute grave')" (grifou-se).

Na mesma esteira, oportuno trazer à colação os seguintes precedentes desta


Corte Superior a respeito do tema:

"PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO


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ESPECIAL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL INTERPOSTO NA VIGÊNCIA DO
CPC/2015. INTEMPESTIVIDADE. FERIADO LOCAL NÃO COMPROVADO, NO
ATO DA INTERPOSIÇÃO DO RECURSO. IMPOSSIBILIDADE DE
COMPROVAÇÃO POSTERIOR. ARTS. 1.003, § 6º, E 1.029, § 3º, DO CPC/2015.
AGRAVO INTERNO IMPROVIDO.
I. Agravo interno aviado contra decisão publicada em 20/10/2016, que, por sua
vez, julgara recurso interposto contra decisum publicado na vigência do
CPC/2015.
II. Na forma da jurisprudência - firmada sob a égide do CPC/73 -, 'a comprovação
da tempestividade do recurso, em decorrência de feriado local ou suspensão de
expediente forense no Tribunal de origem que implique prorrogação do termo
final pode ocorrer posteriormente, em sede de Agravo Regimental' (STJ, AgRg no
AREsp 137.141/SE, Rel. Ministro ANTONIO CARLOS FERREIRA, CORTE
ESPECIAL, DJe de 15/10/2012).
III. O CPC/2015 não possibilita a mitigação ao conhecimento de recurso
intempestivo. De fato, nos casos em que a decisão agravada tenha sido
publicada já na vigência do novo CPC, descabe a aplicação da regra do art.
932, parágrafo único, do CPC/2015, para permitir a correção do vício, com a
comprovação posterior da tempestividade do recurso. Isso porque o
CPC/2015 acabou por excluí-la (a intempestividade) do rol dos vícios
sanáveis, conforme se extrai do seu art. 1.003, § 6º ('o recorrente
comprovará a ocorrência de feriado local no ato de interposição do recurso'),
e do seu art. 1.029, § 3º ('o Supremo Tribunal Federal ou o Superior Tribunal
de Justiça poderá desconsiderar vício formal de recurso tempestivo ou
determinar sua correção, desde que não o repute grave'). Nesse sentido: STJ,
AgInt no REsp 1.626.179/MT, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA,
TERCEIRA TURMA, DJe de 23/03/2017; AgInt no REsp 1.638.816/PE, Rel.
Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, SEGUNDA TURMA, DJe de 06/04/2017.
IV. No caso, a decisão que inadmitiu o Recurso Especial foi disponibilizada em
16/05/2016, segunda-feira, considerando-se publicada em 17/05/2016, terça-feira
- na vigência do CPC/2015 -, sendo o Agravo em Recurso Especial interposto
somente em 09/06/2016, quinta-feira, após o transcurso do prazo recursal de 15
dias úteis, ocorrido em 08/06/2016, quarta-feira.
V. A partir da vigência do CPC/2015, a comprovação da ocorrência de feriado
local, para fins de aferição da tempestividade do recurso, deve ser realizada
no momento de sua interposição, não se admitindo a comprovação posterior,
como pretende a parte agravante.
VI. Agravo interno improvido."
(AgInt no AREsp nº 990.221/MT, Rel. Ministra ASSUSETE MAGALHÃES,
SEGUNDA TURMA, julgado em 4/5/2017, DJe de 10/5/2017 - grifou-se).

"PROCESSO CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL.


INTEMPESTIVIDADE. FERIADO LOCAL. COMPROVAÇÃO POSTERIOR.
IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DO CPC/2015.
1. O art. 1.003, § 6º, do CPC/2015, estabelece que o recorrente comprovará a
ocorrência de feriado local no ato de interposição do recurso, o que
impossibilita a regularização posterior.
2. Considerando que o agravo em recurso especial foi interposto sob a égide
do CPC/2015 e que não houve a comprovação do feriado local, quando de
sua interposição, não há como ser afastada a intempestividade.
3. Agravo interno não provido."
(AgInt no AREsp nº 1.017.097/MG, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA
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TURMA, julgado em 27/4/2017, Dje de 9/5/2017 - grifou-se)

"AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. SUSPENSÃO DO


EXPEDIENTE (PONTO FACULTATIVO) NO TRIBUNAL DE ORIGEM.
PRORROGAÇÃO DOS PRAZOS PROCESSUAIS. TEMPESTIVIDADE NÃO
DEMONSTRADA.
1. Conforme o § 6º do artigo 1.003 do CPC, o recorrente comprovará a
ocorrência de feriado local no ato de interposição do recurso, o que não
ocorreu no presente caso.
2. Agravo interno a que se nega provimento."
(AgInt no AREsp nº 975.392/MT, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI,
QUARTA TURMA, julgado em 27/4/2017, DJe de 5/5/2017 - grifou-se)

"AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. FERIADO LOCAL


E PONTO FACULTATIVO. COMPROVAÇÃO POSTERIOR. PRINCÍPIO DA
PRIMAZIA DO MÉRITO. ART. 932, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC/15.
INTIMAÇÃO DO RECORRENTE. INAPLICABILIDADE. REGRA ESPECIAL.
COMPROVAÇÃO NO ATO DE INTERPOSIÇÃO. OBRIGATORIEDADE. ART.
1.006, § 3º, DO CPC/15. DECISÃO MANTIDA.
1. Na sistemática do CPC/73, era possível a demonstração da tempestividade em
virtude de feriado local ou suspensão do expediente, nos termos do entendimento
do STF (RE 626.358 AgR, Rel. Ministro Cezar Peluso, Plenário) e do STJ (AgRg
no AREsp 137.141/SE, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, Corte Especial).
2. No contexto do CPC/15, em face da mudança de paradigmas decorrente dessa
nova lei, o princípio da primazia do mérito impõe ao julgador, antes de considerar
inadmissível o recurso, a intimação do recorrente para que seja sanado o vício ou
complementada a documentação exigível - art. 932, parágrafo único.
3. Por sua vez, o art. 1.003, § 6º, do CPC/15 impõe ao recorrente o ônus de
comprovar a ocorrência de feriado local ou de suspensão do expediente no ato
de interposição do recurso.
4. Não obstante o princípio da primazia do mérito, o próprio Código de
Processo Civil de 2015 estabeleceu expressa obrigatoriedade de
comprovação de feriado local ou suspensão do expediente, regra específica
que prevalece sobre a regra geral (ex specialis derrogat lex generalis).
5. Não comprovada a existência de feriado local ou suspensão do expediente
no ato da interposição do recurso, nos termos do § 6º do art. 1.003 do
CPC/15, deve o relator considerar inadmissível o recurso, independente de
intimação, não se aplicando o art. 932, parágrafo único.
6. Agravo interno não provido."
(AgInt no AREsp nº 991.944/GO, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA
TURMA, julgado em 20/04/2017, DJe de 5/5/2017 - grifou-se)

"AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL.


INTEMPESTIVIDADE. FERIADO LOCAL. COMPROVAÇÃO POSTERIOR.
IMPOSSIBILIDADE. ART. 1.003, § 6º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE
2015. NOVO REGRAMENTO PROCESSUAL EXPRESSO.
1. É intempestivo o recurso especial interposto após o prazo de 15 (quinze) dias
previsto nos artigos 219 e 1.003, § 5º, do Código de Processo Civil de 2015.
2. Nos termos do parágrafo 6º do art. 1.003 do CPC/2015, para fins de aferição
de tempestividade, a ocorrência de feriado local deverá ser comprovada,
mediante documento idôneo, no ato da interposição do recurso.
3. A interpretação literal da norma expressa no § 6º do art. 1.003 do
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CPC/2015, de caráter especial, sobrepõe-se a qualquer interpretação mais
ampla que se possa conferir às disposições de âmbito geral insertas nos arts.
932, parágrafo único e 1.029, § 3º, do citado diploma legal.
4. Agravo interno não provido."
(AgInt no REsp nº 1.626.179/MT, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA,
TERCEIRA TURMA, julgado em 7/3/2017, DJe de 23/3/2017 - grifou-se)

Por fim, cumpre rechaçar a alegação da recorrente de que a cópia do andamento


processual acostada às fls. 1/10 (e-STJ) seria documento idôneo para demonstrar a ocorrência,
no presente caso, de feriado local nos dias 26 e 27 de maio de 2016, pelo fato de ali haver
referência expressa de que o prazo recursal ora em debate teria início à zero hora do dia
23/5/2016 e término às 23h59min59 do dia 14/6/2016, o que revelaria, inclusive, a
tempestividade do apelo nobre.
A referida assertiva não procede.
De fato, não há na referida cópia do andamento processual, além da presunção
da própria recorrente, a informação inequívoca de não ocorrência de expediente forense na
Corte de origem nos dias 26 e 27 de maio.
Além disso, a anotação a respeito do supostos termos inicial e final do lapso
recursal, constantes do mencionado documento, não retiram do Superior Tribunal de Justiça o
poder dever de aferir a tempestividade de recurso dirigido a esta Corte, tarefa que, como
consabido, é judicial, não podendo jamais ser suprimida por ato de serventuário da corte
estadual, consistente na inserção de informações no sistema informatizado daquele Tribunal.
Impõe-se anotar também até para que não se repute existente nenhuma omissão
no presente julgado, que mesmo o eventual equívoco na indicação das datas consignadas no
andamento processual em questão não dispensa o patrono da recorrente de observar o prazo
processual aplicável à hipótese vertente e, mais ainda, de promover, no ato da interposição de
seu recurso, a juntada aos autos do comprovante dos alegados feriados locais.
Afinal, como consabido, os prazos recursais são peremptórios não podendo, por
isso, ser suprimidos ou dilatados.
Assim, considerando-se a disposição expressa do art. 1.003, § 6º, do Código de
Processo Civil de 2015 acerca da comprovação da ocorrência de feriado local para fins de
aferição da tempestividade do recurso, conclui-se pela intempestividade do apelo
especial ora em exame, mantendo-se, portanto, incólume a decisão agravada, exarada pela
Presidência do Superior Tribunal de Justiça.

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Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno.
É o voto.

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CERTIDÃO DE JULGAMENTO
TERCEIRA TURMA

AgInt no
Número Registro: 2017/0066316-9 PROCESSO ELETRÔNICO REsp 1.663.221 / TO

Números Origem: 00004577120158272720 00079909320158270000 203305 20332005 4577120158272720


50000547320088270000 596013705915 79909320158270000

PAUTA: 03/08/2017 JULGADO: 03/08/2017

Relator
Exmo. Sr. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA
Presidente da Sessão
Exmo. Sr. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE
Subprocurador-Geral da República
Exmo. Sr. Dr. MÁRIO PIMENTEL ALBUQUERQUE
Secretária
Bela. MARIA AUXILIADORA RAMALHO DA ROCHA

AUTUAÇÃO
RECORRENTE : MARIA HELENA MORBACH VIEIRA
ADVOGADOS : LEONARDO FERNANDES RANNA - DF024811
AUGUSTO MORBACH DE DEUS VIEIRA E OUTRO(S) - PA013911
RECORRIDO : ROSIVANE PEREIRA DOS SANTOS
RECORRIDO : APARECIDO LUCIANETTI
ADVOGADO : ROGER SOUSA KUHN - TO005232A
INTERES. : LÁZARO DE DEUS VIEIRA NETO

ASSUNTO: DIREITO CIVIL - Coisas - Promessa de Compra e Venda

AGRAVO INTERNO
AGRAVANTE : MARIA HELENA MORBACH VIEIRA
ADVOGADOS : LEONARDO FERNANDES RANNA - DF024811
AUGUSTO MORBACH DE DEUS VIEIRA E OUTRO(S) - PA013911
AGRAVADO : ROSIVANE PEREIRA DOS SANTOS
AGRAVADO : APARECIDO LUCIANETTI
ADVOGADO : ROGER SOUSA KUHN - TO005232A
INTERES. : LÁZARO DE DEUS VIEIRA NETO

CERTIDÃO
Certifico que a egrégia TERCEIRA TURMA, ao apreciar o processo em epígrafe na
sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão:
Após o voto do Sr. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, negando provimento ao agravo
interno, pediu vista, antecipadamente, a Sra. Ministra Nancy Andrighi. Aguardam os Srs. Ministros
Marco Aurélio Bellizze (Presidente), Moura Ribeiro e Paulo de Tarso Sanseverino.

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Superior Tribunal de Justiça
AgInt no RECURSO ESPECIAL Nº 1.663.221 - TO (2017/0066316-9)

RELATOR : MINISTRO RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA


AGRAVANTE : MARIA HELENA MORBACH VIEIRA
ADVOGADOS : LEONARDO FERNANDES RANNA - DF024811
AUGUSTO MORBACH DE DEUS VIEIRA E OUTRO(S) -
PA013911
AGRAVADO : ROSIVANE PEREIRA DOS SANTOS
AGRAVADO : APARECIDO LUCIANETTI
ADVOGADO : ROGER SOUSA KUHN - TO005232A
INTERES. : LÁZARO DE DEUS VIEIRA NETO

VOTO-VISTA

A EXMA. SRA. MINISTRA NANCY ANDRIGHI:

Cuida-se de agravo interposto por MARIA HELENA MORBACH


VIEIRA contra decisão da Presidência do STJ que não conheceu do recurso
especial que interpusera em razão de sua intempestividade.
Voto do Relator, Min. Ricardo Villas Bôas Cueva: negou
provimento à irresignação, pois não foi comprovada pela agravante a ocorrência
de feriado local.
Revisados os fatos, decide-se.

Por um lado, muito embora esta Turma venha adotando o


entendimento de que a comprovação da ocorrência de feriado local para fins de
aferição da tempestividade do recurso tenha de ser feita no ato de sua
interposição, ao contrário da posição adotada pela Corte anteriormente à vigência
do novo CPC, é certo que essa questão está sob discussão no âmbito da Corte
Especial (AREsp 957.821/MS, que aguarda prosseguimento do julgamento após
pedido de vista formulado pelo Min. Herman Benjamin).
Por outro lado, verifica-se que no curso da presente ação, por
ocasião do julgamento dos EDcl no AgRg no Ag 1.237.445/TO, esta Turma
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decidiu que, “com o advento da Lei nº 11.419/2006, [...] a tese de que as
informações processuais fornecidas pelos sites oficiais dos Tribunais de Justiça
e/ou Tribunais Regionais Federais, somente possuem cunho informativo perdeu
sua força, na medida em que, agora está vigente a legislação necessária para que
todas as informações veiculadas pelo sistema sejam consideradas oficiais” (e-STJ
Fl.794).
Como resultado desse julgamento, flexibilizou-se o entendimento
jurisprudencial então vigente, no sentido de que as informações divulgadas pelos
sites dos Tribunais não possuíam caráter oficial, o que, à época, beneficiou os
agravados em detrimento dos interesses da agravante.
Nesse contexto, considerando-se que a questão referente à
possibilidade de comprovação a posteriori da ocorrência de feriado local ainda se
encontra sub judice neste Tribunal Superior, bem como a fim de evitar que sejam
adotados entendimentos contraditórios no curso da mesma ação
(independentemente de comprometer-me com a tese precitada), e, ainda, para
garantir a paridade de armas a ambos os polos da relação processual, reputo
adequado reconhecer a tempestividade do presente recurso especial, pois as
informações constantes das fls. 1/10 (e-STJ) permitem concluir que a irresignação
foi protocolada dentro do prazo legal (e-STJ Fl.3, eventos 140 e 135).

Forte nessas razões, rogando a mais respeitosa vênia ao e. Relator,


DOU PROVIMENTO ao agravo interno para reconhecer a tempestividade do
recurso especial e determinar o prosseguimento de seu julgamento.

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Superior Tribunal de Justiça

CERTIDÃO DE JULGAMENTO
TERCEIRA TURMA

AgInt no
Número Registro: 2017/0066316-9 PROCESSO ELETRÔNICO REsp 1.663.221 / TO

Números Origem: 00004577120158272720 00079909320158270000 203305 20332005 4577120158272720


50000547320088270000 596013705915 79909320158270000

PAUTA: 03/08/2017 JULGADO: 08/08/2017

Relator
Exmo. Sr. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA

Relatora para Acórdão


Exma. Sra. Ministra NANCY ANDRIGHI

Presidente da Sessão
Exmo. Sr. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE
Subprocurador-Geral da República
Exmo. Sr. Dr. ROGÉRIO DE PAIVA NAVARRO
Secretária
Bela. MARIA AUXILIADORA RAMALHO DA ROCHA

AUTUAÇÃO
RECORRENTE : MARIA HELENA MORBACH VIEIRA
ADVOGADOS : LEONARDO FERNANDES RANNA - DF024811
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RECORRIDO : ROSIVANE PEREIRA DOS SANTOS
RECORRIDO : APARECIDO LUCIANETTI
ADVOGADO : ROGER SOUSA KUHN - TO005232A
INTERES. : LÁZARO DE DEUS VIEIRA NETO

ASSUNTO: DIREITO CIVIL - Coisas - Promessa de Compra e Venda

AGRAVO INTERNO
AGRAVANTE : MARIA HELENA MORBACH VIEIRA
ADVOGADOS : LEONARDO FERNANDES RANNA - DF024811
AUGUSTO MORBACH DE DEUS VIEIRA E OUTRO(S) - PA013911
AGRAVADO : ROSIVANE PEREIRA DOS SANTOS
AGRAVADO : APARECIDO LUCIANETTI
ADVOGADO : ROGER SOUSA KUHN - TO005232A
INTERES. : LÁZARO DE DEUS VIEIRA NETO

CERTIDÃO
Certifico que a egrégia TERCEIRA TURMA, ao apreciar o processo em epígrafe na
sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão:
Prosseguindo no julgamento, após o voto-vista da Sra. Ministra Nancy Andrighi,
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divergindo do voto do Sr. Ministro Relator, a Terceira Turma, por maioria, deu provimento ao
agravo interno, nos termos do voto da Sra. Ministra Nancy Andrighi, que lavrará o acórdão.
Vencido o Sr. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva. Votaram com a Sra. Ministra Nancy Andrighi
os Srs. Ministros Marco Aurélio Bellizze (Presidente), Moura Ribeiro e Paulo de Tarso
Sanseverino.

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