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Bíblia
IBADEP Instituto Bíblico da Assembléia de Deus -
Ensino e pesquisa

IBADEP - Instituto Bíblico da Assembléia de Deus -


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Os E vangelhos e Atos

P e s q u is a d o e adapt ad o pela Eq uip e


Redato ri al para C urso e xc lu s iv o do IB A D E P - Ins tituto
Bíblico das Igrejas E v a ng é lic as A sse mb lé ias de Deus
do Esta do do Paraná

C o m auxílio de ad aptação e esboço de vários


ensina dor es

3a E diç ã o - Ju lh o/2 004

T od os os direitos re ser va dos ao IB A D E P


ín d ice

Liçã o 1 - 0 E v a n g e lh o de M a t e u s .................................. 15

Liçã o 2 - 0 Ev a n g e lh o de M a r c o s .................................... 39

Liçã o 3 - 0 Ev a n g e lh o de L u c a s .......................................63

Liçã o 4 - 0 Ev a n g e lh o de J o ã o ........................................ 87

Liçã o 5 - 0 Livro de Atos dos A p ó s t o l o s ................... 111

Re fe rê nc ia s B i b l i o g r á f i c a s ................................................ 137
Lição 1
O Evangelho de M ateus

Autor: Mateu s
Data: Cerca de 60 d.C.
Tema: Jesus, o M e s s i a s 1 e Rei
Pa la v ra s- C h a v e : Cu mp rir , O R ei no dos
M ateus c é u s , Fil ho do H om e m , Filho de Deus,
Igreja
Ve rsí cu lo s- c hav e : Mt 23.31-39

É m u ito a pro pri ad o que dentre os E va nge lh os


este seja o pri m eir o, ser vin do ass im de int ro duç ã o ao
No vo T e s ta m e n to e a “ Cristo, o Filho do D e us v i v o ”
(Mt 16.16).
E n q u a n to que o E v a n g e lh o segun do M arcos
foi escrito para os ro m a nos (ver a in tr oduç ã o a
M ar co s ), e o E v a n g e lh o segu ndo Lucas, para T e ófi lo e
dem ais cren tes gentios (ver int ro du çã o a Lu cas), o'
E v a n g e lh o s eg undo M at e us foi escrito para os crentes
ju d a ic o s. A or ig e m ju d a i c a deste E v a nge lh o se
sobressai de muita s man ei ras , por exemplo:
1. Ele a pó ia -s e na reve laçã o, p ro m e s sa s e p ro feci as do
A nti go Te s ta m e n to , para c o m p r o v a r que Jesus era o
M e s si a s de há mu ito esperado;

1 Pes soa na qual se concret iza as aspi rações de sal vação ou


redenção.

15
2. Faz a lin ha ge m de Jesus re tr o c e d er até Abraão (Mt
1.1-17);
3. D e cl a ra repe tidas vezes que Jesus é o “Filho de
D a v i ” (Mt 1.1; 9.27; 12.23; 15.22; 20.30,31;
21. 9,15; 22.41-45);
4. Usa p r e fe re nc ia lm e nt e a te rm in olo gia ju da ic a, com o
“reino dos c é u s ” (um s inô nim o de “reino de D e u s ” ),
por causa da reve rente relutâ nci a dos ju d e u s quanto
a pro nu nc ia re m lit e ra lm e nt e o nome de Deus;
5. Faz referê ncia a co st um es j u d a ic o s sem maiores
ex pl ic aç õe s (pr ática essa dif erente nos dem ai s
Evang elh os) .
Este Ev a n g e lh o , porém, não é
e xc lu s iv a m e n te ju d a ic o . Assim com o a m e n sa g e m do
pr ópr io Jesus, o Ev a n g e lh o segu ndo Mate us visava, em
últ im a análise, à igreja inteira, reve lan do fi el me nte o
e s c o p o 1 universal do Ev a n g e lh o (Mt 2.1-12; 8.11,12;
13.38; 21.43; 28.18-20).
O Se nho r Jesus Cristo é o tema deste livro,
desde o Prim ei ro versí cu lo até ao último. Jesus Cristo
foi tudo para Mateus. Não sabemos se ele vira o Senhor
antes de ser c ha m a do do seu posto de trab al ho ou não.
É Pr ov áv e l que sim, por que com o hom em de neg ócios
esta ria aco st um ad o a fa z er bons cálculos e a to m a r as
suas decisões, base ad o na cert eza das coisas. O Mes tre
o ch am ou , e, sem diz er uma só Palavra, Mate us de ixo u
tudo e O seguiu. Este Ev a n g e lh o foi escrito por um
h o m e m convicto da verda de a respeito de Jesus Cristo,
sem lugar para q u a is q u e r dúvidas. Seu pro pósi to ao
es c re ve r foi c o n v e n c e r os seus patrícios, os ju d e u s , de
que Jesus de Na za ré é o Messias, o Rei prom et ido , o
R e d e n to r do mu ndo e a Ún ic a esp e ra nç a dos ju de us.
N e st e E va ngel ho há mais referências ao Antigo

1 Alvo, mira, intuito; intenção.

16
T e s ta m e n to do que em todos os outr os três E va nge lh os
ju n to s ; e o pr o p ó s it o de tais c it açõ es é a c u m u l a r as
provas de que Jesus Cristo é o M e s si a s dos hebreus.

A utor

E m b o r a o autor não a par eça ide ntif ic ad o por


nome no texto bíblico, o te s t e m u n h o unâ nim e de todos
os antigos pais da igreja (a parti r de cer ca de 130 d.C.)
é que este E v a n g e lh o foi escrito po r Mateu s (tamb ém
c ha m a do Levi), um dos doze dis cí pulo s de Jesus.
O au tor é, sem dúvida, um j u d e u cristão (Mt
9.9 e 10.3). Mate us , que q ue r diz er “ dá di va de D e u s ” ,
era c o b r a d o r de impos tos para os ro ma nos , em
Caf arnau m.
M at e us , “o p u b l i c a n o ” (Mt 10.3), é quem
escreveu este pr im ei ro Eva nge lh o. Não só a tradi ção e
os escritos dos “ P a i s ” , mas ta m b é m a e vid ên ci a interna
do pr ópri o livro afir ma m que M at e us, que ta m b é m se
c h a m a v a Levi, é seu autor. D e ste ú lti m o ponto temos
um claro ex em p l o , c om p a r a n d o a na rr a ti va da vocação
de M at e us , s eg undo cada um dos Ev a n g e lh o s sinóticos.
Em M ar co s 2.1 3-1 7 lê-se com o J esu s c ham ou a Levi, o
qual se pôs em pé e O seguiu. O ve rs íc ulo p r óx im o diz:
“A c h a n d o -s e Jesus à m esa na ca s a de L e v i. ..” e
c on tin ua c o n ta n d o a resp eito dos pub lic a nos que se
re un ira m c om eles. E m Lucas 5.27- 32 vemos que
Cristo c h a m o u a Levi, que de ix o u tudô e O seguiu.
Dep ois acrescenta: “Ent ão lhe ofereceu Levi um grande
ba nqu ete em sua casa; e nu m e ro s o s pu blic a no s e outros
est a va m c o m eles à m e s a .. .” N est es dois Eva nge lh os
c la r a m e n te se diz que, depois de sua c ham ad a, Levi deu
uma ceia ao Se nhor, em sua pró p r ia casa, e co nv id o u a
mui tos dos seus c o m p a n h e ir o s de serviço, os
pub lic an os.

17
P a s sa n d o a gora ao m e sm o E v a n g e lh o
s eg und o Mat eu s, le mo s que passou por ali o M est re, e
que viu um h o m e m c h a m a d o Mate us e o cham ou. E,
le van ta nd o- se , O seguiu. Depois, no vers ícu lo dez,
lemos: “E sucede u que, e st an do ele em casa, à mesa,
m ui to s pu bli ca nos e pe ca dor e s vieram e to m a ra m
lugares co m Jesus e seus d is c í p u lo s ” . O nde os
e va nge lis ta s d iz e m “ casa d e s te ” e “em sua próp ri a
c a s a ” , com o era de e sp e ra r-s e falando de um a casa
alheia, Mat eu s, co m o toda a na tu ra lid a de, diz
s im pl esm en te : “ s en ta do à m esa em c a s a ” . Com toda a
cer te z a estava fala ndo de sua próp ri a casa, sem dar-se
c on ta de que se id e n ti fi c a v a co mo o autor da história.
Tal ev idência, im p r e m e d it a d a , é de grande valor.
O te s t e m u n h o universal da Igreja P r im it iv a a
favo r de Mate us não te m outra e xpli caç ão a não ser a
de que Mateu s v e rd a d e ir a m e n te escreveu o prim ei ro
E van ge lho . M at e us não teve suficiente pre e m in ê n c ia
entre os apó stol os pa ra que lhe a tri buí s s em tal honra
com o fim de dar mais peso ou aut ori da de à obra. C om
tudo isso, Mate us teve toda s as qualida des n e ces sár ia s
para escrevê-lo.
De vi do ao e m p re g o que ocu pav a no gove rno,
é raz oáv el supor-se que teve uma boa e duc a ç ã o ou
cultura; portanto, dev ia c onhe ce r bem a língua
hebraica, tanto co mo o grego, com o re quis ito para
oc upa r seu cargo na co le t o ri a de Caf arnau m. E s ta ria
hab ili ta do a escrever, q ue r em hebraico, que r em grego,
po rqu e não há c er te z a se este Ev a nge lh o ap areceu
pr im ei ro em he bra ico ou prim eiro em grego. Os anos
que passou co m o Se nhor, com o um dos apó sto lo s,
c ap a c ita ra m -n o, co m re fe rê nci a ao material, a fim de
ser o hi s to ri a do r de sta m a ra v il h o s a vida. Ele foi um
dos que se a cha va m no cen á c ulo em Je ru sa lé m , depois
da asc ensão do Se nhor, e no dia de P e nte co s te Mate us

18
rec eb e u o Es p ír i to Santo. Teve, pois, tudo o que era
n e ce s sá ri o para poder e sc re v e r um E v a nge lh o
inspirado.
Um e xa m e do home m, sua c ondi çã o antes e
depois de ser dis cípulo, a ju d ar -n o s -á na c o m pre en s ã o
do seu E va nge lh o. Mate us foi c o b r a d o r de im pos to s em
C a f a r n a u m e, portanto, um publ ic a no. De fato, era
d e s p r e z a d o pelos seus pa trícios p orq ue se o c upav a em
c o b r a r deles os im pos tos que e ra m pagos ao Império
R o m a n o , seus co n q u is t ad o re s e o presso res. É provável
que fos se do parti do dos h e ro dia nos e se for certa esta
su po siç ão , te mo s o caso de um j u d e u que c o nh ec ia bem
as prof eci as do Antigo T e s t a m e n t o a resp eito do
M es si as , que havia de vir, da tribo de Judá, p o ré m que
as a plic av a e rr o n e a m e n te ao Rei H erodes. A m ai ori a
dos he ro di a no s havia p e rd id o a e sp e ra n ç a em um
M es si as que cu m p ri ri a todas as coisa s preditas pelos
prof eta s, e pu nha sua c onf ia nça em H erodes, o idumeu,
cren do que al gum dia o lib e rta ria de Roma. Quer
M a te u s p e rt e nc e s se a esse parti do q ue r não, sabemos
que ser via a H erod es e que era p ro f undo co n h ec e d o r
das Esc ritur as .
Q u a n d o Jesus Cristo o c h am ou, Levi pôs-se
de pé im e d ia ta m e n te e, sem dizer um a palavra, deixou
tudo e O seguiu. O que antes serv ira a Her odes, o
m e ssi as falso, pass a agora a servir a Jesus Cristo, o
M es si as verdadeiro. O que antes fazia de seus
p a t r í c i o s 1 um negócio, obr ig a n d o -o s a pag ar impos tos
ao opresso r, agora vai a eles com a divi na m en sag em
de Deus. O que antes c o nhe c ia as pro feci as, poré m as
in te rp re ta v a mal, ou não as cria, agora as conh ece , crê
nelas, in te rp reta -as c or re ta m en te e as e n si n a aos outros.
N ão há dú vid a de que M at e us se r e goz ij av a em ter

1 Con ter râ neo , compatriota.

19
en co n tr ad o o ve rd a de ir o Mes si as, o Rei dos ju de us. E m
todo s os E va nge lh os não se en co nt ra va uma só p a la vr a
dita por Mate us du ra nt e o mi nistério do Se nh or Jesus
na carne, porém, de po is da ressur reiç ão , foi ele o
prim eir o a e sc rever o seu Evang el ho. Alguns dos
“P a i s ” diz em que e sc re ve u prim eiro em hebra ico e é
muito possível que ass im fosse porqu e ele q ue ri a
e nt re ga r a mensagem aos ju de us. O lugar
tr a di c io na lm en t e aceito em que escreveu é Je ru sa lé m .
Mas, logo se sentiu a ne ce s si da de de uma versão no
id iom a grego, e o m e sm o autor a faria, porqu e não
apre sen ta os ca ra c te rís tic os de uma obra tradu zi da,
mas, sim, a de um tr a ba lh o original. Pelo fato de Papia s
dizer que Mate us e sc re v e u p ri m ei r am e n te seu “ L ogia ”
ou “P a l a v r a s ” de Jes us em hebraico, muitos crêem que
Mateus escreveu um livro dos discursos do Se nhor em
hebraico, e depois e sc re veu o Ev a nge lh o co m p le to em
grego.

Data

A data e o local onde este E v a nge lh o foi


escrito são incertos. Há, no entanto, bons motiv os para
crer que Mate us esc re veu antes de 70 d.C., e st an do na
Pal est ina ou em A n ti o q u ia da Síria. Certos eruditos
bíb licos crêem que M at e us foi o prim eir o dos qua tro
E va ng e lh os a ser escrito; outros at rib ue m essa pri m a z ia
ao E va nge lho segu ndo Marcos.
É muito difícil dar com cert eza a data em
que apareceu cada E v a ng e lh o escrito. O que eles
con têm foi ensinado, oralm en te , desde o Penteco ste ;
muitas almas se co n v er te r am , várias igrejas foram
e sta be lec ida s em div e rs os países, e a lg um as das
E pí sto la s foram escri ta s pelos apóstolos, antes de
ap arecer o prim eir o E v a n g e lh o escrito.

20
N a pr ov id ê n c ia de D eus, o E v a n g e lh o chegou
pr im ei r o aos ju d e u s , e é m u ito lógico s upor que a
p r im e ir a narrativa, po r escrito, da v id a de Jesus Cristo,
que é d ir ig id a p r in c ip a lm e nte aos ju d e u s , fosse
p ro d u z id a ou escrit a primeiro. É ta m b é m natural que
Mat eu s, h o m e m for ma do qua nd o Cristo o c h am ou, e
que an dou c om Ele durante todo Seu min istério, por
sua m e s m a idade e exper iênc ia, fos se usado co mo o
in s tr u m e n to do Espírito Santo pa ra es c re ver o prim eiro
Ev a n g e lh o , antes do j o v e m M ar co s ou do c o m pan he ir o
de Paulo, o méd ic o Lucas.
Le v a n d o -s e em con ta as co nd iç õe s ex istentes
em J er usa lé m , depois da re ssu rr eiç ão , e as persegu içõ es
que tão de p re s s a dis per sar am os crentes, en quan to os
a pós tol os fi ca ram na cidade, p o d e m o s ver as coisas que
c o n tr ib u ír a m para a n e ce s si d a d e de um E van ge lho
escrito para os jud eu s. É pos sív e l que Mateus
es c re ve s s e o seu E va ngel ho lá pelo ano 45, depois de
Cristo, ou talvez mais tarde. A tr ad iç ão afirma que,
depois de q u in z e anos de m in is té rio em J erusa lé m, Levi
saiu dali para prega r nas na çõe s estr ang ei ras, e que
de ixo u atrás de si seu Ev a n g e lh o em he braico, como
uma c o m p e n s a ç ã o de sua ausência. C o m toda a certeza
o E v a n g e lh o , segundo Mat eu s, em grego, foi escrito
antes da que da de J er usa lé m (Mt 24) e a data provável
pode c on si d e ra r- s e com o o ano 50 depois de Cristo.

Chave de C om preensão

Cristo é Rei.
Foi rejeitado, cruc ifi cad o, re ssu sci tad o, mas
ainda é um Rei, e algum dia p ro va rá isto.

Mate us é fácil de ler.


Seu material é vivo e descritivo. N ote as

21
palavras que se refe re m à m e di da cronológ ic a. Ligue
Mateus, tam bé m, co m os a co nt e c im e nto s futuros.

P ropósito

M ate us e sc re veu este Evangelho:


• Para p ro v e r seus le itores de um relato da vida de
Jesus, por uma t e s t e m u n h a ocular;
• Para a sse gu rar aos seus leitores que Jesus é o Filho
de Deus e o M es si as , espera do desde o r e m o t o 1
passado, predito pe los profetas do An tigo
Te st am ent o;
• Para de m o n st ra r que o reino de Deus se m a nif e st ou
em Jesus de ma ne ir a inco mpa rável.

M at e us dei xa claro para seus leitores:


• Que Israel, na sua maioria , rejeitou a Jesus e ao seu
reino e se recu sou a crer nEle por ter Ele vindo
com o um Mes si as esp iritu al, e não político;
• Que s om ent e no fim da pre sen te é que Jesus virá em
glória, com o Rei dos reis para ju lg a r e g o ve rn a r as
nações.
O intuito de M at e us é ap resen ta r Jesus, não
som ent e co mo o M es si as , mas com o Filho de Da vi, e
el abo rar esta ve rdade de u m a m an ei ra que ajud ass e os
cristãos em suas co nt ro vé rs ia s com os ju d e u s. Ele
mos tra co mo Jesus c um pr iu a prof eci a do A nti go
Te s ta m en to , co mo a lei gan hou um novo si gni fic ad o e
foi c o m p le ta d a na pessoa, palavr as e obra de Cristo.
Mateus ta m b é m sal ienta com o a rejeição de Cristo por
Israel está de acordo co m a profecia, e co mo essa
rejeição c au so u a tr a ns fe rê nc ia dos privi légios divino s

1 Que sucedeu há muito tempo; antigo, longínquo. Muito


afastado no espaço; distante, distanciado.

22
das p e ss o a s esc olh id a s pe los ju d e u s para a c o m u n id a d e
cristã. “ O Rein o de De us vos será tirado e será dado a
uma na ção que dê os seus fr u to s ” (Mt 21.43).

V isão Panorâm ica

M at e us a pr ese nta Jesus com o o c u m p r im e n to da


e sp e ra n ç a pro fé tic a de Israel.
Ele c um pre as prof ecia s do Antigo
Te s ta m e n to , a saber, o mod o co mo Jes us nasceu (Mt
1.22,23), o lugar do seu n a s c im e nto (Mt 2.5,6), o seu
re gre sso do Egito (Mt 2.15), sua re s id ê n c ia em Na zar é
(Mt 2.23); com o aquele, para o qual e sta va predito um
pr e c u rs o r me ss iâ ni c o (Mt 3.1-3); o territ ório principal
do seu m ini st ério públi co (Mt 4.1 4-1 6), o seu
m in is té ri o de cura (Mt 8.17), a sua m is são com o servo
de De us (Mt 12.17-21), os seus e nsin os por parábolas
(Mt 13.34,35), a sua e ntra da triunfal em J erusa lé m (Mt
21.4,5), a sua prisão (Mt 26.50, 56).
Os capít ulos 5 - 2 5 de M at e us re gis tra m cinco
pr inc ipa is sermões e cinco pri nc ipa is na rrativas de
Jes us, em torno dos seus atos po d e ro s o s co mo o
Mes si as.
Os cinco princi pa is ser mões são:
1. O S e rm ã o da M o n ta n h a (Mt 5 - 7 ) ;
2. In st ru çõ es para os p ro c la m a d o r e s i t i n e r a n t e s 1 do
reino de Deus (Mt 10);
3. As p aráb ol as a respeito do reino (Mt 13);
4. O c ar át e r dos verda deiro s dis cí pul os do Se nh or (Mt
18);
5. O s ermã o do M onte das O liveiras, a respeito do fim
dos te m po s (Mt 24-25).

1 Que viaja, que p er corre itinerários.

23
As cinco princ ipa is narra tiv as deste
E v a n g e lh o são:
1. Jesus efetua obras pode ro s as em te s t e m u n h o da
rea lid ade do seu reino (Mt 8,9);
2. Jesus d e m o n s t ra mais pro f u n d a m e n te a pre s en ç a do
reino (Mt 11,12);
3. A p r oc la m aç ã o do reino prov oc a opos içã o dive rs a
(Mt 14-17)
4. A viagem de Jesus a J e r u s a lé m e sua última se m a na
ali (Mt 21.1 -26.4 6);
5. A prisão, cruc ifi c aç ã o e ressu rr eiç ão de Jesus dentre
os mort os (Mt 26.47 -2 8. 20) . Os três últi mo s
versículos deste E v a n g e lh o regis tra m a Gra nde
C om is sã o de Jesus a seus discípulos.

As C aracterísticas do Livro

M ate us cita ou faz re ferênci a ao Antigo


Te s ta m e n to umas seten ta e cinco vezes, us and o o
Antigo Te s ta m e n to he bra ico tanto como a versão dos
L X X em grego. Estas prof eci as for mam a base de suas
a s s e r ç õ e s 1 e seu c u m p r im e n to é o fim ou pro p ó s it o dos
a co nt e c im e nt os relatados. Jes us Cristo é a presen ta do
como o Rei que veio para ofe recer o reino de Deus aos
homens. É c ha m a do o “Fi lh o de D a v i ” nove vezes, e
“O r e i n o ” é m e n c i o n a d o trinta e sete vezes. O termo
“e n tã o ” ocorre no ve nta vezes. É o único E v a n g e lh o em
que se en co n tr a a pal avr a “Ig re ja ” , que é e m p re g a d a
três vezes. f
Es te E v a ng e lh o de Mateus e nco nt r a- se em
prim eiro lugar no No vo Te s ta m e n to porqu e serve de
elo entre os dois T e s ta m en to s . Pr ova que o N ovo
Te s ta m e n to não co ntra diz o Antigo, mas antes o

1 Afirmação, Alegaçao, argumento.

24
c u m p re , a p re se nt a ndo farta e vid ê n c ia a favor de Jesus
de N aza ré, que por Sua gen eal ogia , na sci me nto ,
m in is té ri o, morte e re ssu rr eiç ão , pro v o u ser o Mes sias
pr om e tid o. Sem dúvida, estas prova s a ju da r am a muitos
ju d e u s a crer em Jesus Cristo, e c o n f ir m a r a m a fé dos
que j á era m crentes, da ndo a eles os meios para
re s p o n d e r aos adver sár ios do E va ngel ho.

M at e us co n té m seis grandes dis cur sos do Senhor:


Cap ítulos 5 a 7; 10; 13; 18; 23; e 24 a 25.
R e l a ta qu inz e pa rábolas e vinte mi la gre s dos quais dez
p a rá bo la s e três mi lagres e n c o n tr a m - s e só neste
Ev a n g e lh o . T a m b é m é o único que con ta à visão de
José (Mt 1.20-24); a visita dos ma gos (Mt 2.1-13); a
fug a para o Egito (Mt 2.12-15); a m a ta nça dos
in oc en te s (Mt 2.16); os det al hes da c onfis sã o de Pedro
(Mt 15.13-20); o “ a r r e p e n d i m e n t o ” de Judas (Mt 27.5-
10) o sonh o da m u lh e r de Pilatos (Mt 27.19); a
e x p re s s ã o dos jud eu s: “Caia o seu sangu e sobre nós e
sobre nos sos f il h o s ” (Mt 27.25); a ressu rr ei ç ã o de
alguns santos (Mt 27.52); o selo pos to sobre o túm ulo ,
e o sub orn o da guarda dos sold ado s ro m a nos (Mt
27.6 2- 66 ; 28.11-15); e a grande co m is sã o de
e va nge liz ar , batizar e e n si n a r (Mt 28.18-20).

C ar act erís tic as especiais:


São treze as c ar ac te rís tic as principais.
1. E o mais j u d a ic o dos qua tro Ev a ng e lh os;
2. C o n t é m a ex posiç ã o mais si ste m á tic a dos en sin os de
J esu s e do seu m in is té rio de cura e libertação. Isto
levou a igreja, no século II, a usá-lo in te n s am e n te na
in s tr uç ão dos novos co nvertid os;
3. Os cinco sermões pri nc ipa is j á m e nc i onad os co ntê m
os textos mais ex ten so s dos E va ng e lh os sobre o
en sin o de Jesus:

25
a) dura nte seu m in is té rio na Galiléia;
b) qua nto à e sc a to lo g ia (as últimas coisas a
acontecer).
4. Este Ev a nge lh o, de modo especí fic o, ide ntific a
e ve nto s da vida de Jesus com o sendo cu m p ri m e n to
do Antigo T e s ta m en to , com mais frequ ên ci a do que
qu a lq u e r outro livro do Novo Te st am en to ;
5. M e n c io n a o Rein o dos Céus (Reino de Deus) duas
vezes mais do que qu a lq u e r outro Evang el ho;
6. M ate us destaca:
a) os padrõe s de retidão do reino de D eu s (Mt 5 - 7 ) ;
b) o p o d e r divino ora em operaçã o no reino, sobre o
pe cado, a doença, os de mô nio s e a morte;
c) o triu nfo futuro do reino, na vitória final de Cristo,
nos fins dos tempos.
7. Mate us é o único E v a n g e lh o que m e n c i o n a a igreja
com o e n tid a de futur a pe rte nce nte a Jesus (Mt 16.18;
18.17);
8. Mate us é a “porta de v a i - v e m ” ou livro de transição
entre o Velho e o N ovo Te st am ent o;
9. Há mais de 60 referências ao Velho T e s ta m en to , e
cerca de 40 citações literárias do Ve lho Te s ta m e n to
em Mate us ;
10. U ma frase car act erís tic a é “ para que se c u m p r i s s e ” .
>11. Mate us apre sen ta um a árvore ge nea ló gic a que traça
J a li n h a g e m m e ssi ân ic a até o Rei Davi;
12. Dois dos mais im por ta nte s discursos de Jes us são
e n co nt r ad os aqui: o Serm ão da M o n ta n h a (Mt
cap ít ulo s 5,6 e 7); e o discurso no M onte das
Olive ira s (Mateus capít ulos 24 e 25);
13. Um qu ad ro in c o m u m dos a co nte c im e nto s da era
pres ente é visto p ro f et ic a m en te no cap ítulo 13, onde
sete pa rá bo la s fo r m am um quadro. 1

1 P as sagem de um lugar, de um assunto, de um tom, de um


t ratamento, etc., para outro.

26
C risto R evelado

Este E v a nge lh o a presen ta Jesus c o m o o


c u m p r im e n to de todas as e xpe c ta tiv a s e es pe ra nça s
m e ss iâ ni cas . Mate us e str utu ra c u id a d o s a m e n t e suas
na rra tiv as para re ve la r Jesus c o m o c u m p r i d o r de
prof eci as esp ecificas. Por tan to , ele im p r e g n a seu
E v a n g e lh o tanto com citações quan to com alusõe s ao
A nti go Te s ta m en to , in tr o d u zi n d o muita s delas c om a
fó r m u la “ para que se c u m p r i s s e ” .
No Ev a nge lh o, Jesus n o rm a lm e n te faz alusão
a si m e sm o co mo o Fil ho do H o m e m , uma refe rê nci a
v e la da ao seu caráter m e ss iâ nic o (ver Dn 7.13-14). O
te rm o não somen te permi tiu a Jes us ev ita r m a l ­
e nt en did os co mun s ori gi na do s de títulos m e ss iâ nic os
mais popula res, co mo pos si b il it o u -l h e in te rp re ta r tanto
sua m is são de re den ção (Mt 17.12,22; 20.28; 26.24),
qu a nt o seu retorno na glória (Mt 13.41; 16.27; 19.28;
24.30,44; 26.64).
O uso do título “Filho de D e u s ” por M ate us
su bl in ha cl aram en te a div in dad e de Jes us (ver Mt 1.23;
2.15; 3.17; 16.16). C om o o Filho, Jesus te m um
re la ci o n a m e n to direto e sem m e dia çõ es c om o Pai
(11.27).
Mate us a presen ta Jes us com o o S e n h o r e
M est re da Igreja, a no v a co m u n id a d e, que é c h a m a d a a
viver nova ética do R ei no dos céus. Jesus de cl a ra “ a
Igr eja ” com o seu in st ru me nt o, s el ec ion ado para
c u m p ri r os obje tivos de Deus na Terra (Mt 16.18;
18.15-20). O Ev a nge lh o de M at e us pode ter servido
como, manual de en sin o para a Igreja antiga, in cl uin do
a s ur pr e en de nte G rand e C o m is sã o da pr e s en ç a viva de
Jesus.

27
Q uestionário

• A ss in a le com “X ” as alternativas co rretas

1. O E v a n g e lh o s eg undo Mateus foi escrito mais para


a ) |_j Os roman os
b ) G Para Teó filo e demais crentes gentios
c ) ® O s crentes j u d a ic o s
d ) |_] Os gregos

2. Fun ç ã o que Mate us ex ercia antes de ser dis cí pulo de


Jesus
a ) |_j Pe s ca dor
b ) |_I M éd ic o
c ) D C arpin te iro
d ) [X] C ob ra d o r de impos tos

3. Qua nto às carac terís ticas especiais do Ev a nge lh o


segun do M at e us é errado afirm ar que
a ) E3 A pr e se nt a uma árvore g en eal ógi ca que traça a
lin ha ge m m e ss iâ ni c a até Adão
b ) l_1Identif ic a e vent os da vida de Jesus co mo sendo
c u m p ri m e n to do Antigo T e s ta m en to
c ) D É o mais j u d a i c o dos quatro Ev a n g e lh o s
d O É o único E v a ng e lh o que m e n c i o n a a igreja
co mo en tid ad e futura pe rt en cen te a Jesus

• M ar q u e “ C ” para Certo e “E ” para Er rado

4 . [D Mat eu s, porém, não é e x c lu s iv a m e n te jud a ic o.


Ass im co mo a me nsa ge m do próp rio J esu s visava em
última análise, à igreja inteira
5. [Al Mate us apre sen ta Jesus com o o Se n h o r e Mestre
dos ju d e u s , a nova co mu nid a de , que é c h a m a d a a
viver no va ética do Rein o dos céus

28
A dvento do Rei
(M t 1.1-2.23)

O pr o p ó s it o prin ci pa l do Espírito, ne ste


livro, é m os tr a r que J esu s de Na za ré é o M e s si a s
pre di to por M oisés e pelos profetas.
Não temos que im a g in a r uma história. T e m o s
no m e s e datas. O E v a n g e lh o não se inicia c om a
exp ressã o: “Er a u m a v e z ...” C o m e ç a fala ndo em
“B e l é m da J u d é i a ” . A c id ad e está lá e p o d e m o s
c o n h e c e r o próprio local on de Jes us nasceu. A é poca é
definida: “ nos dias do rei H e r o d e s ” .
Muitos, c o m e ç a n d o a ler Mate us e Lucas,
e st r a n h a m as longas g e n e a l o g i a s 1 por eles regis tra das .
D e v e m o s , porém, ter em m e nte que foram inc luí da s nas
E sc rit ur a s co m algu m pro pósito.
Mate us traça a linha a n c e s tr a l12 de J esu s até
Abrã o e Davi para m o s tr a r que ele era j u d e u
(d e s ce nd en te de Davi). L uc as traça a l i n h a g e m 3 até
A dã o para m os tra r que ele p e rt e nci a à raça humana.
Só Mate us rela ta a visita dos m a g o s 4. A lé m
de se re m magos persas, eram ta m b é m in te le ct ua is e
e s tu d a v a m os astros. V ie ra m adorar e honrar a um Rei.
Es ses sábios não c he g a ra m ind agando: “Onde está
A qu e le que é na sci do S a lv a d o r do m u n d o ? ” mas:
“On de está o re c é m - n a s c i d o Rei dos j u d e u s ? ”
O n a s c im e nto de Cristo foi seguido po r doze
anos de silêncio até sua visita aos doutores da lei em
Je ru sa lé m . Dep ois foi e n v o lv id o nova m en te po r um

1 É o est udo da ori gem das pessoas e das famílias.


2 Rel at ivo ou p er tencent e a ant ec es sore s, a antepassados.
3 Ge neal ogi a, geração, estirpe, família.
4 Antigo sacerdot e zor oás tri co , entre os medos e persas.
Ast ról ogo; adivinho.

29
silêncio que durou 18 anos. S o m e n te a palav ra
“ c a r p i n t e i r o ” esc larece o que ele est ev e fazendo. Jesus
se pre pa ro u durante trinta anos para três anos de
ministério.
Que grande lição para nós! M uit os de nós
nos im p a c ie n ta m o s co m a ne c e s si d a d e de estudar.
P a re c em o s não c om p re en d e r o valor que Deus dá ao
preparo do homem. A Bíblia nos m o s tr a que os guias
do povo tiveram de s ubme te r- se a um pe río do de
preparo antes de re a liz a re m a m is são de que foram
encarr eg ad os. V e ja m Abrão, José, Josué, E s te r e
outros.

Proclam ação do R eino


(Mt 3.1-16.20)

Em M at e us ouvi mo s a “ V o z ” : “ Arrep en dei -


vos, po rqu e está pró xi m o o reino dos céus. Po rq ue este
é o referido por inte rmé dio do pro fe ta Isaías: Voz do
que c lam a no deserto: Preparai o c am in ho do Senhor,
endireitai as suas v e r e d a s ” (Mt 3.2,3).
O Rei deve ser an unciado. Er a de ver o
a r a u t o 1 p re c ed e r o Rei, com o fazia um oficial ao seu
c o m an da nte , e ord en ar que fo s se m co nse rta dos os
ca m in ho s po r onde viajaria seu senhor. Foi o que fez
João Batista. M ostr ou que os ca m in hos esp irituais da
vida dos home ns e das nações pre c is a v a m ser
reco n st r u íd o s e endireitados.
Ve mo s o Rei deix ar sua vida p a rt ic ula r para
in gre ssa r no m ini st ério público (Mt 4). Dep ois en frenta
uma crise. Satanás ofere ceu -lh e um atalho que o levaria
ra p id a m e n t e àquele reino univ ersal que ele viera
ganhar. Jes us, porém, foi vitorioso. C on ti n u o u para

1 Emi ssári o, mensageiro; pregoei ro; núncio.

30
ve nce r todas as tentaçõ es, até sua vitória final e
asc en são ao céu, co mo S e n h o r de todos (Ve ja IC o
10.13).
Todo reino tem suas leis e padrõe s para
co ntro le de seus s ú d i t o s 1. O reino dos céus não faz
exceção. Jesus de cla rou ter vindo, não para r e v o g a r “,
mas para c u m p ri r a lei.
Do alto p ú lp ito de um monte, Jesus p re gou o
serm ão que co nt ém as leis do seu reino (Mt 5,6 e 7).
Se a s oci e da de h u m a n a adotasse os seus
padrões, o mund o a ndaria em ordem. Um dia de acordo
com seus ensinos seria um pe d a c in h o do céu. E m vez
de anarquia, reina ria o amor. Cristo mos tra que o
pe cad o consiste não só em al gu ém c om et er o ato, mas
ta m b é m no mot ivo que o r ig in ou o ato (V ej a Mt
5.21,22,2 7,28 ). O S e rm ã o da M o n t a n h a e sta b e le c e a
co ns ti tu iç ã o do reino.
Jesus não s o m en t e pregou, co mo ta m b é m
re uni ram outros a seu redor. Era ne ces sár io org a n iz a r
seu reino e e st a be le c ê -l o em bases- mais a mp la s e
perma nen te s. Jesus tem ainda uma grande m e n s a g e m
para o mu ndo e prec isa de nós para proc la má -l a. As
idéias espirituais têm que se vestir de pessoas hu m a nas
e inst itu iç õe s para lhes s ervi rem de coração e cérebro,
mãos e pés, com o meios de div ulgação.
Onde Jesus foi en co ntr ar Seus
c ol ab ora do re s ? Não no te m plo entre os dou tores da lei
e os sacerdotes; tão pouc o os bu sc ou nas ac a de m ia s de
Jer usalém. A c hou -os à b e ir a -m a r co ns e rta nd o suas
redes. Jesus não c h a m o u nobres e poderos os,
esc ol he ndo antes “ as cousa s loucas do m u ndo para
e n v er go nh ar os s á b i o s ” ( I C o 1.27).

1Que está submetido à vont ade de out rem; sujeito.


Tornar nulo, sem efeito; fazer que deixe de vigorar; anular,
invalidar, revocar.

31
N ote algu ma s das a d ver tê nc ia s e instruções
de Jes us aos dis cí pulos , de claradas em M at e us 10.
Quais for am ? Se esses requisitos são ain da exigidos
hoje, você pode diz er que é dis cíp ulo de J es u s?
A p a la v r a “r e i n o ” aparece mais de 45 vezes
em M at e us, pois este é o E v a n g e lh o do Rei. A
e x p re ss ã o “reino dos c é u s ” , mais de 25 vezes, e não
figura mais e m n e n h u m dos outros E v a nge lh os. Das
quinz e pa rá bo la s registradas por M at e us , um bom
n úm e ro delas diz: “ O reino dos céus é s e m e lh a n te .. .”
Jesus c o m p a r o u o reino de Deus (Mt 13): ao semeador,
ao jo io , à se m e nte de mostarda, ao f e rm e n to na massa,
ao te sou ro e sc ond id o, à pérola de gra nde va lor e à rede
de pescador.
Es sas parábolas, c h am ad as de “ misté rio s do
reino dos c é u s ” (Mt 13.11) de s c re v e m qual será o
resu ltad o da pre s en ç a do E v a n g e lh o de Cristo no
mun do, na é po ca presente, até a Sua volta, quando
então se re a liz a rá a ceifa (Mt 13.40-43).

Rejeição do Rei
(Mt 16.21-20.34)

C au s a trist ez a ler que Cristo “ veio para o que


era seu, e os seus não o r e c e b e r a m ” (Jo 1.11). Primeiro,
o reino foi a pre se nta do aos herdeiros legítimos.
Os filhos de Israel (judeus), porém,
re c us a ra m a oferta, reje ita ram o Rei e, fin al me nte o
crucificaram.
Po r que os ju d e u s re c us a ra m o reino? O
m un d o de hoje aspira a um século de ouro. Deseja,
porém, a seu m odo e de acordo com as suas condições.
Não al me ja um milênio esta be lec id o pela volta do
Se nh or Jesus Cristo. Era o que acon tec ia co m os jud eu s
nos dias de Jo ão Batista.

32
Som en te o E v a n g e lh o de Mate us m e n c i o n a a
pa lav ra “ ig re ja ” (Mt 16.18). A palav ra ve m de
“ Eclésia ” (no grego) que si gnifica “ os c h a m a d o s para
fo r a ” . Visto que nem todos c re ria m nele, Cris to disse
que “c h a m a r ia ” qu a lq u e r um, ju d e u ou gentio, para
pe rte nce r à Sua igreja, que é Seu corpo. C o m e ç o u a
e st ab el ece r planos para a ed ifi c aç ã o de um novo
edifício, um novo corpo de pess oa s que incluís se tanto
ju d e u s com o gentios (Ef 2.14-18).
Q ua ndo se a ch a ra m longe da agitação em que
viviam, Jesus fez a seguinte pe rg un ta aos dis cípulos:
“Qu e m dizeis que eu s o u ? ”
Pe rgu nta im p o r ta n te hoje em dia! Feita
prim eiro por um obs cur o galileu na quele lugar dis tante,
vem ecoa ndo através dos séculos para se to r n a r a
pergunta suprema. Que p e nsa m vocês de C ris to ?
Aquilo que os homens p e n s a m de te rm in a o que são e o
que fazem. As idéias que s ust en ta m a re s pei to da
indústria, riqueza, governo, moral e religião, m o ld a m a
so ciedade e m od if ic a m vidas.
Os discí pulos t r a n s m it ir a m a Jesus re sp osta s
dadas pelos home ns, e era m tão variadas co mo são as
de hoje. Todas c o n c o r d a v a m que Jesus era uma pe sso a
ext raord iná ria , no m ín im o um profeta ou al guém
dot ad o de dons so brenaturais.
A seguir tra n s fo rm o u Jesus a pe rg unta do seu
aspecto geral para o particular: “Po rém vós, quem
dizeis que eu s o u ? ” Faça a si m esm o esta pe rgunta. Po r
muito im po rt an te que seja no seu sentido geral, é muito
mais im po rt an te para ca da um de nós, esta p e rg unta
pessoal. N in g u é m pode fu gir dela. U ma re sp osta neu tra
é impossível.
“Tu és o Cristo, Fi lh o do Deus v i v o ! ” -
e xcl a m ou o im pu ls iv o e ard oro so Pedro. Es ta c onfis sã o
é grande porqu e ex alta a Cristo co mo Filho de D eus, e

33
re c on hec e a Sua divindade. Jesus disse a Pe dro e aos
dem ai s dis cípulos: “ Sobre esta rocha edific arei a minha
ig re ja ” . Era o que Ele ia fazer - co ns tr uir um a igreja da
qual Ele m e s m o seria a pe dra de esquina.
Pela primeira vez a sombra da cruz projetou-
se no c a m i n h o dos discípulos. A parti r dess e tempo,
Jesus c o m e ç o u a levantar o pano que en co b r ia o futuro
e a m o s tr a r aos dis cípulos o que iria a co n te c er (Veja
Mt 16.21).

V itória do Rei
(Mt 21.1-28.20)

Na manhã de dom ing o de ramos uma


mu lti dã o se a glo me rava ao longo da estr ada que
c on d u z ia a Jer usa lém. E que naquele dia Jesus iria
en tra r na cidade. Esse peq uen o desfile não se pode
c o m p a r a r em pomp a, aos que são re al iza dos na
coroaçã o de um rei ou na posse de um presidente.
Teve, porém, muito m ai or significado para o mundo.
Pela p ri m ei r a vez Jesus pe rm iti a que os seus direitos,
na qu a li d a d e de Messias Rei, fo sse m pu b li c a m en te
re c o n h e c id o s e celebrados. A p ro x im a v a -s e o fim com
terrível ra pid ez e ele devia ofere cer -s e a Si mesm o
co mo M es si as m esm o que fosse para ser rejeitado.
Cris to primeiro tem que ser o S a lv a d o r para
então vir outra vez com o Rei dos reis e Se nh or dos
senhores.
A aut ori da de de Cristo é p ro va da qua ndo Ele
entra no te mp lo e e xpuls a os mercad or es, de rru ba ndo
as mesas e a cus an do-os de tra ns fo rm a r a casa de Deus
em covil de ladrões. Segue-se uma dura controvérsia:
“Então, re tir a nd o-s e os fariseus, c o n su lt a v a m entre si
com o o su rp re en de ri a m em al gu ma p a l a v r a ” (Mt
22.15).

34
Jes us p r o n u n c i a 1 o c h a m a d o do M o n t e das
Oliveiras. Pred iz a c o n d iç ã o do mu ndo após Sua
asc ensão e até sua volta em glória, para j u l g a r as
nações pelo tra ta m e nto que d is p e n s a ra m a Seus irm ãos,
os j u d e u s (Mt 25).
Te m os fo c a li za d o alguns dos ponto s
c u lm in a nte s da vida de Jesus. Ao e ntra rm os no
Getsê ma ni agora, c o m e ç a m o s a pe ne tr ar nas so mbras.
Vemos o Fil ho de A bra ão, o Sacrifício, mo rr en do pa ra
que todas as nações da terra sej am ab enç oa das por ele.
Jesus foi mort o po rqu e a fi rm o u ser Rei de Israel.
R es s ur giu dos mortos p orq ue era Rei (At 2.30-36).
A pe sa r de gra nde n úm e ro de dis cí pulo s
a cred ita r em Jesus e segui-Lo, a opos içã o dos ju d e u s
era cruel e de lib e ra r am matá-lo.
Mate us não é o único que registra as te rríveis
c ir cu ns tâ nc ias da pa ix ão do Salva dor; ele, porém, nos
faz sentir que as e x p re ss õ es de zom bar ia, a c oro a de
espin hos , o cetro, a ins cr iç ã o na cruz - todo aq uele
e sp et ácu lo de escá rnio enfim, p ro v a m Sua c on diç ã o de
Rei.
D e po is de p e r m a n e c e r seis horas p e n d u ra d o 1
no mad eiro, Jesus ex piro u, não apenas por c au sa dos
sofrim en tos físicos co mo ta m b é m de um coraçã o
partido, por levar sobre Si os pecados do mun do.
O uvi m os o seu grito de triunfo: “Tudo está
c o n s u m a d o ” . Ele a ca ba va de resg ata r a dívi da do
pecado e Se torna o R e d e n t o r do mundo.
Isto, porém, não é tudo o que e n cer ra a
história da redenção. Jesus foi c olo cad o no tú m ulo de
José de A ri m a té ia e ao terc eiro dia ressurgiu, co n fo rm e
anunciara. Era a s upr e m a pro va da Sua realeza. Os
home ns p e nsa ra m que Ele tivesse mo rr id o e o Seu reino

1 De cl ara r com aut ori dade; decretar, publicar, proferir.

35
fracas sad o. Pe la Sua ressurreição Cristo as s e gu ro u aos
dis cí pu lo s que o Rei vivia e que um dia re to rn a ria para
e st a b e le c e r Seu reinado na terra.
Jes us an uncio u o seu p r o g r a m a e uma hora
de crise atingiu a his tória do C ris tia nism o. O clímax
e n c o n tr a - se na grande comissão: “To da a a uto rid ad e me
foi dada no céu e na terra. Ide, po rta nto , fazei
dis cí pu lo s de todas as nações, b a ti z a n d o -o s em nome
do Pai, do Fi lh o e do Espírito Santo; e n s in a n d o -o s a
gu a rd a r toda s as cousas que vos tenho ord en ad o. E eis
que estou c onvo sc o todos os dias até à c o n s u m a ç ã o dos
s é c u lo s ” (Mt 28.18-20).
F o r a m env iados com que in c u m b ê n c i a ? A de
inv a di r o m u n d o co m exércitos e pela e s p a d a su bm et er
aos h o m e n s ? Não, mas “fazer dis cí pulo s de todas as
nações”.
Do monte da Sua ascensão os discípulos
pa rti ra m em diversas direções e, pro s se gu in do, j á tem
a lc an çad o os confins da terra. O C ri s ti a n is m o não é
religio so na cional ou racial. Não c o n h ec e limites de
m o n ta n h a s nem mar, porém, en volve todo o mundo.
Q ua nd o falamos de servo não querem os
ne c e s sa ri a m e n te dizer que se trata de al guém que faça
traba lho s servis. Servo é aquele que prest a serviços.
Cristo disse: “Mas o ma ior dentre vós será o vosso
s e r v o ” . Nest e sentido o presid ente da re p ú b li c a é o
servo do seu país. E o ma ior dos cidad ão s porqu e serve
ao m a io r n úm e ro de pessoas. Disse Jesus: “Eu vim não
para ser servido, mas para servir e dar a m in h a vida em
resgate por m u i t o s ” .

36
Q uestionário

• Assina le com “X ” as al te rnativas corretas

6. C om o arauto a n u n c ia n d o o Rei, m ost ro u que os


ca mi nho s espir itu ai s da vida dos home ns e das
nações pr e c is a v a m ser reco n st r u íd o s e en dire ita dos
aJlS Mateus
b ) |Z Ap ós to lo João
c ) g João B atista
d ) | João M arcos

7. Não se inclui nas c o m p ar aç õ e s que Jesus fez ao


reino de Deus
a ) |_J A rede de p e sc a do r
b ) l I Ao j o io
c ) |_J A sem en te de m os ta rd a
d ) [iÇ| Ao grão de areia

8. Não é re lig ios o na ci on a l ou racial. Não co nhec e


limites de m ont a nha s n e m mar, porém, en volv e todo
o mund o
a ) |_J O J uda ís m o
b ) 0 O C ri s tia ni sm o
c ) |_] O C a to lic is m o
d) IZI
O So c ia lis m o

M ar q u e “C ” para Certo e “E ” para Errado

9.[éJ Jesus se pre pa ro u dura nte vinte e sete anos para


seis anos de m ini st ério
1 0 . 0 Dep ois de p e rm a n e c e r seis horas pe n d u ra d o no
mad eiro, Jesus e xpiro u

37
Lição 2
O Evangelho de M arcos

Autor: João M arcos


Data: 55-65 d.C.
Tema: Jesus, o Filho de Deus
M arcos P a la vra s- Ch av e: A uto ri da de , Fil ho do
H o m e m , Filho de D eus, so fri me nto , fé,
dis ciplina, Ev angelho.
V e rs íc ulo s- ch ave : Mc 10.45

D e n tr e os quatro Ev a n g e lh o s, M ar co s é o
relato mais c o n c i s o 1 do “prin c íp io do E v a n g e lh o de
Jesus Cristo, Fil ho de D e u s ” (Mc 1.1). E m b o r a o autor
não se id en ti fi q u e pelo nom e no livro (o m e sm o ocorre
nos dem ai s Ev a ng e lh os ), o te s t e m u n h o pr im it iv o e
un â n im e da igreja é que João M a r c o s foi quem o
escreveu. Ele foi criado em J e r u s a lé m e pe rte nce u à
pri m ei r a geração de cristãos (At 12.12). Teve a
opo rt u n i d ad e im pa r de co lab orar no m in is té ri o de três
apóstolos: Pa ul o (At 13.1-13; Cl 4.10; Fm 24), B a r n a b é
(At 15.39) e Pe dro ( I P e 5.13). S e gu ndo Papias (c. de
130 d.C.) e outros pais e cl e s iá s tic os do século II,
M ar co s obt e ve o c ont eúd o do seu E v a n g e lh o através da
sua ass oc ia ç ã o co m Pedro, e sc re ve u- o em R o m a e
d e st in ou -o aos crentes de Roma.

1 Sucinto, resumi do. Breve, lacônico. P rec is o, exato.

39
A utor

O escritor é Jo ão Marcos (Marcos é n o m e


roma no), filho de uma das Marias do Novo T e s ta m e n to
(At 12.12), e sobrinho de Barn abé (Cl 4.10). M ar co s é
co ns id e ra do co m p an h e iro í n ti mo de Pedro, que o
c ham a seu filho ( I P e 5.13). P os s iv el m en te este
E van ge lho , em bora escrito por Marcos, é, em grande
parte, da autoria de Pedro. Tam bé m, M ar co s foi
c o m pan he ir o de Pa ulo e ( B ar nab é em sua p ri m ei r a
via gem missionária. M ai s tarde ele foi re je ita do (At
15.37-39), mas no fim da vida de Paulo, foi muito
deseja do (2T m 4.11).

D ata

E m b o ra seja incer ta a data e sp e c íf ic a da


escrita do Evang el ho s eg und o Marcos, a m a io ri a dos
estudi oso s o coloca nos fins da década de 50 d.C., ou
na dé cada de 60 d.C.; é possível que seja o p rim ei ro
dos quatro E va ngel hos a ser escrito.

Propósito

Na década 60- 70 d.C., os crentes de R o m a


eram tratados c ru e lm en te pelo povo e muitos foram
tor turados e mortos pelo im pe ra do r rom an o, Nero.
Seg und o a tradição, entre os mártires cristãos de Ro ma ,
ness a década, estão os apóstolos Pedro e Paulo. C o m o
um dos líderes ecles iástic os em Roma, João M a r c o s foi
insp irado pelo E sp íri to Santo a es c re ver este
Evan ge lho , como uma a n t e v i s ã o 1 prof étic a desse

1 Ato de antever; visão ant ecipada; previsão.

40
p e río do da p erseg ui çã o, ou c o m o uma resposin |m iimiil
à pe rs eg ui ç ã o. Sua intenção era fo r ta le c er os iilu e n i-»
da fé dos crentes ro ma nos e, se n e ce s sá ri o I o h m \
in s pi rá -lo s a sofrer fielm en te em prol do Evan ge lho ,
ofe re c e n d o -l h e s com o m ode lo à vida, o sof rim en to, n
morte e a re ssu rr eiç ão de Jesus seu Senhor.

Visão P anorâm ica

N u m a na rrativa de cenas rápida s, M ar co s


a pre se nta J esu s com o o Fil ho de D eu s e o Mes si as, o
Servo Sof redor. O m om e nt o c u l m i n a n t e 1 do livro é o
e pi só dio de Ces aréi a de Filipo, seg uid o da
tr a n s fi g u ra ç ão (Mc 8.27-9.10), onde tan to a ide ntid a de
de J esu s qua nto a sua do lo ro s a m is são p le n am en te
r e ve la da aos seus doze dis cípulos. A p ri m e ir a me tade
do E v a n g e l h o segundo M ar co s f o c a li za em pri m eir o
plano os e s tu p e n d o s 21 milag res de Jesus e a sua
a ut or id a de sobre doenças e dem ô n io s , co mo sinais de
que o reino de Deus está pró xi m o. E m Ces aréi a de
Filipo, no entanto, Jesus de cla ra a b e r ta m e n te aos seus
dis cí pul os que “ im por ta va que o Fil ho do H o m e m
p a dec e ss e muito , e que fosse re je ita do pelos anciãos, e
prí nc ipe s dos sacerdotes, e pelos escri ba s, e que fosse
morto, mas que, depois de três dias, r e s s u s c i t a r i a ” (Mc
8.31). H á nu m e ro s as referências em todo o livro de
M ar co s ao s of rim en to com o o preço do dis ci pul ado
(Mc 3. 21,22 ,30; 8.34-38; 10.30,3 3,34, 45; 13.8,11-13).
A p e sa r disso, a vin di c a çã o da parte de Deus
vem após o sof rim en to, por a m or à ju s ti ç a , co n fo rm e
d e m o n s t ro u a ressurr eiçã o de Jesus.

1Que é o mais el evado, o mais alto.


2 Admi rável , maravi lhoso. Esp an to so , monst ruoso. Fora do
comum; extraordi nári o.

41
C aracterísticas E speciais

Quatro car act erís tic as dis ti ng ue m o


E v a n g e lh o segundo M arcos:
1. Sendo um E v a n g e lh o de ação, ele en fatiza mais
aquilo que Jesus fez, do que suas palavras. M arcos
registra dezoito m ila gre s de Jesus, mas s om ent e
quatro das suas parábolas.
2. C om o um Ev a ng e lh o aos roma nos, ele e xplic a os
co st um es ju da ic os, omit e todas as geneal ogia s
ju d a ic as , a na rrativa do nasc im en to de Jesus, traduz
as palav ras aramaicas e e m pre ga termos latinos.
3. M arcos inicia seu E v a n g e lh o de mod o repe nti no, e
descreve os evento s da vida de Jes us de m od o
sucinto e rápido, in tr o d u zi n d o os e pis ódi os m e dia nte
o advérbio grego que co rr e sp o n d e a “i m e d i a t a m e n t e ”
(42 vezes no original).
4. C om o um Ev a nge lh o vigoroso, M arcos descreve os
eventos da vida de Jes us, de mod o sucinto e vívido,
co m a perícia pito resca de um gênio literário.

O Servo Preparado
(Mc 1.1-13)

A P r epa ração de Jesus


Por João, o Pr ecu rs or M arcos 1.1-8
Pelo Bat ism o M arcos 1.9
Pelo R ec e b im e n to do Espíri to Santo M arcos 1.10
Pela V oc ação Divina M arcos 1.11
Pela Pr ovo caç ão M arcos 1.13

Em toda a pro v ín c ia da Ju déi a (Mc 1.5),


durante o minist ério de João Batista, houve um
d e sp e rt a m e nto espiritual geral. C om o resultado disso, o

42
cl im a esp ir itu a l do povo de Israel m ud o u , c o n tr ib uin do
para a p re g a çã o do ca m i n h o da ple na r e ve la ç ã o de Deus
por seu Fi lh o e nc arna do, Jesus Cristo.
J o ã o B at is ta foi o prim eir o a pregar as boas-
nova s a re s pe ito de Jesus; sua pre g a ç ã o é c on d en s a d a
por M a r c o s em um único tema: a p ro c la m a ç ã o de Jesus
Cristo que viria, a fim de ba tiz ar seus seguid ores no
E sp íri to Santo. Todo s aqueles que a ce ita re m Cristo
co mo S e n h o r e S a lv a do r de vem p r o c la m a r que Jesus
co n ti n u a sendo o que batiza no Es p ír i to Santo: “Ele...
vos b a ti z a rá com o Espíri to S a n to ” (Mc 1.8; At 1.5,8;
2.4; 38,39; M t 3.11).
J esu s foi ba tizado co m o bat is mo de João em
o b e d iê n c ia a um preceito da lei. “P or que assim nos
c o n v é m c u m p r i r toda a j u s t i ç a ” (Mt 3.15). “Logo ao
sair da água, viu os céus ra s gar e m -s e e o Espírito
d e sc e n d o co m o p o m b a sobre e le ” (Mc 1.10).
M a r c o s diz: “E logo o Es píri to o impe liu
para o d e s e r t o ” , o que revela a ra pid ez com que se
mo ve o E sp íri to (Mc 1.12) “E ” ind ic a co ntin uid ad e,
m o s tr a n d o que a tentação, tanto qua nto o ba tismo , faz
parte da pre pa raç ã o do Servo para Sua obra.

O Servo T rabalhando
(Mc 1.14-8.30)

A pr oc la m a ç ã o e a c o n cr et iz a çã o do reino de
Deus foi o p ro pós ito da obra de Cristo. Foi o te ma de
sua m e n s a g e m na terra (Mt 4.17). Qu a nt o à fo r m a de
m a n if e s t a ç ã o do reino, existem:
O reino de D eu s em Israel.
No An tigo T e s ta m en to , o reino visava
pr e p a ra r o c am i n h o da salvação da hum an ida de. De vi do
à reje içã o de Jesus, o Mes si as de Israel, o reino foi
tirado dest a nação (Mt 21.43).

43
O reino de Deus em Cristo.
O reino esteve presente na pe sso a e na obra
de Jesus, o Rei (Lc 11.20).

O reino de Deus na igreja.


Tr ata-se da m a ni fe st aç ão atual do reino de
Deus nos corações e nas vidas de todos aq ueles que se
arre pen de m e crêem no Ev a n g e lh o (Jo 3.3,5; Rm 14.17;
Cl 1.13). Sua presença m a nife st a-s e co m gra nde pode r
contra o império de Satanás. Não se trata de um reino
político, material, mas de uma po d e ro s a e eficaz
pres enç a e operação de Deus entre o seu povo.

O reino de Deus na c on su m a ç ã o da História.


Tr ata-se do R ei no Messi âni co , p r e d i t o 1 pelos
profetas (SI 89.36,37; Is 11.1-9; Dn 7.13,14). Cristo
reinará na terra durante mil anos (Ap 20.4-6). A igreja
reinará ju n t a m e n t e com Ele, sobre as naçõ es (2Tm
2.12; I C o 6.2,3; Ap 2.26,27; 20.4).

O reino de Deus na eternidade.


O reino me ss iâ nic o durará mil anos, dando
lugar ao reino eterno de Deus, que será e st a be le c id o na
nova terra (Ap 21.1-4). O centro da no va terra é a
Cidade Santa, a N ova Je ru sa lé m (Ap 21.9-11). Os
habitantes são os redim id os do Antigo Te s ta m e n to (Ap
21.12) e do N ovo Te s ta m e n to (Ap 21.14). Sua m ai or
bênção é “ verão o seu r o s t o ” (Ap 22.4) O uçam o que
diz Jesus: “Vind e após m i m ” (Mc 1.17).
Que direito tinha um nazar en o c o m u m de
parar e m a n d a r que esses pesc ad ores bem su ced id os na
vida, d e ix as s em suas redes, viessem sentar- se a Seus
pés e se to rn as sem não apenas Seus discí pul os, mas

1 Dito ou ci tado anteriormente.

44
t a m b é m Seus servos? P o d e ri a alguém senão um rei ou
im p e r a d o r e xi gi r tal co isa? E v i d e n te m e n te em sua voz
o u v ir a m a voz de Deus.
É int eress an te not a r que Jesus não e sc olh e u
n e n h u m ocioso. C h a m o u para segui-lo ho m e n s
o c up ad os e be m sucedidos. Todo s p o d e m t ra n s fo rm a r
suas oc up aç õe s em ins tru m e nto s a serviço de Cristo.
C om o foi re ceb ido o seu c ha m a d o ? “E nt ão eles
de ix a r a m im e d ia ta m en te as redes, e o s e g u ir a m ” (Mc
1.18).

U m sábado do Servo Perfeito.


“ C om o devo eu guardar o dia do S e n h o r ? ”
J esu s pr e c ed e u assim:
• Foi à igreja (Mc 1.21);
• P a rt ic ip ou do culto religi os o sem pr e que foi
po ssí ve l (Mc 1.21);
• P a s so u algu m te mp o em casa de Seu amigo (Pedro)
(Mc 1.29-31);
• P r at ic ou o bem - atos de m is e ri c órd ia e a mo r (Mc
1.32-34).
Na m a n h ã que se seguiu ao grande sábado,
o c u pad o em pregaçã o e curas, Jesus lev ant ou-se ,
de ix o u a ci dade e pro c uro u um lugar calm o para orar
(Mc 1.35). Seu tra balho se des e n v o lv ia ra p id a m en t e e
J esu s sentia ne ce s si da de da c o m unhã o celestial.

“Dias depois... e logo s oube r am que ele e sta va em


c a s a ” (Mc 2.1).
É notável co mo as notícias do Oriente se
e s p a lh a v a m rap id a m en te , sem jo rn a is , telefone e rádio.
N o u tr a parte da ci dad e certo pa ralítico tinha ouvido
falar desse Pro feta e do Seu m ini st ério de cura. Qua tro
amigos o tr a ns po rt a ra m e, pelo telhado, ba ix ar am o
leito até Jesus. V e m o s ne sta cura a pro va do po d e r de

45
Jesus não só como m é d ic o do corpo, co mo ta m bé m da
alma. “ Q ue m pode p e r d o a r pecados, senão um, que é
D e u s ? ” (Mc 2.7). To do pe c a d o é c om et ido contra Deus,
e s om ent e Ele pode perdoar. “Ora, para que saibas que
o Filho do h o m e m tem sobre a terra aut ori da de para
perdoa r pecados... Eu te mando: Le vanta-te, toma o teu
leito, e vai para tua c a s a ” (Mc 2.9-12).
En c o n tr a m o s em M arcos 3.13-21 a narrativ a
da esc olh a dos doze. N o te m o versículo 14, onde
e n co nt r am os porque J esu s escolhe u esses home ns -
“para esta rem com E l e ” .

“Po de r de... e x p u l s a r os d e m ô n i o s ” (Mc 3.15).


O pro pó si to de Jesus ao vir à terra foi
de struir as obras do diabo (Mc 1.27; l J o 3.8) e libertar
os op rim ido s por Satan ás e pelo pecado (Lc 4.18).
Parte inerente a esse pro pósi to foi o pode r e a
au toridade que Ele deu aos seus seguidores para
c on ti nu a re m a sua bat al ha contra as forças das trevas.

Jesus e ns in a va fr e q u e n te m e n te por parábo las (Mc 4.2).


Pa rá bo la é uma ilustra ção da vida cotidiana,
reve lan do ve rdades aos que estão co m o coração
disposto a ouvir, e, ao mesm o tempo, ocu lta ndo estas
mesmas verdades àqueles cujo coração não está
preparado (Is 6.9,10; Mt 13.3).

“ Saiu o s e m e a d o r a s e m e a r ” (Mc 4.3).


Es ta paráb ola con ta com o o Ev a nge lh o será
receb ido no mundo. Três verdades p o d e m ser
ap rendidas nest a parábola:
1. A c on v e r sã o e a fruti fic açã o espiritual de pen de m de
como a p e ss oa se porta ante a Pa la vra de Deus (Mc
4.14; cf. Jo 15.1-10).

46
2. H a v e r á difere nte s rea çõe s ante o Evan ge lho , da parte
do mun do. Uns ouvirão, mas não e nte nderão (Mc
4.15; Mt 13.19). Uns crerão, mas depois se desvia rão
(Mc 4.16-19). Uns pe rs ev e ra rã o e fruti fic arão em
di ferente s pr op or çõe s (Mc 4.20).
S.^Os i n i m i g os da Pa la vr a de Deus são: Satanás, os
c u id ad os deste mu ndo , as ri que zas e os prazer es
pe c a m in o s o s desta vida (Mc 4.15,19; Lc 8.14).

“Tira a p a l a v r a ” (Mc 4.15).


Cristo fala aqui a resp eito da c onve r sã o
in c o m p le ta , em que o ind iv íd uo bus ca o perdão dos
seus pe cados, mas não c heg a ao a rre pen dim en to pelo
E sp íri to Santo. O tal não recebe a salvação, pois não
na sce u de novo, e nun ca entra em c om unh ão co m os
crentes; ou, se re al me nt e torna-se m e m br o de uma
igreja, não de m on st ra u m a ge nuína entrega a Cristo,
nem sep aração do mundo. C onv er sõ e s inc om pl e ta s
re s u lt am destas causas:

• A igreja trata ra p id a m e n t e c om o inter ess ad o sem


lhe c om u n ic a r a c o m p re e n s ã o co rreta do E v a nge lh o
e das suas exigências.
• A igreja deixa de lidar c om a pos ses sã o d e m o n ía ca
do in te ressa do qua nd o for o caso (Mc 16.15-17; Mt
10.1,8; 12.22-29).
• O in te ressa do crê em Cristo com a mente apenas, e
não de todo o coração, isto é, o mais íntimo do seu
ser, a totali da de de sua pe rs on al id a de (cf. At 2.37;
2Co 4.6).
• O inter ess ad o não se arrepen de com gen uín a
sincer ida de , ne m se afasta do pe cad o (cf. Mt 3.2; At
8.18-23).
• O in te ressa do que r aceita r Cristo com o Salvador,
mas não com o Se n h o r (Mt 13.20,21).

47
• A fé do inter ess ad o baseia -s e no po de r de pe rs uas ão
das pa la vr as hu m a na s mais do que na d e m onst ra ç ã o
do Es pír i to e do pod e r de Deus ( I C o 2.4,5).

“Até o que te m lhe será t i r a d o ” (Mc 4.25).


Jesus de clara aqui um princ ípio do seu reino.
C re sc im e nto na graça ou declínio espiritual pode ser
quase im pe rc ep tí vel na vida de muitas pessoas. Daí, o
cristão que não cresce, degene ra-s e (2Pe 3.17,18). O
perigo de aban do no total da fé aum ent a na prop or ção
direta do declí nio esp iritual da pe sso a (Hb 3.12-15;
4.11; 6.11,12; 10.23-39; 12.15)

O milag re regis trado em M arcos 5 põe à


prova o c ar át e r dos homens. Ap an ho u-o s de surpresa e
reve lou-lh es Sua verdadeirq natureza. O b se rv e m o
contraste na m a nei ra com o os homens r e c eb e m a obra
de Cristo (Mc 5.15,17).
A ss im com o a falta de fé im pe di a a operação
de milag res na ci dade onde Jesus morava, assim
tam bé m a inc re dulid a de dentro da igreja co nti nua
estorv and o a operaçã o do seu poder. A falta de fé nas
verdades bíblica s, a ne gação da po ssi bil id ad e dos dons
do Espí ri to para hoje, ou a rejeição dos padrões retos
de Deus, im pe di rã o nos so Se nho r de m a n if e st ar o poder
do seu reino entre o seu povo. Os crentes de vem
c on tin ua r tendo fome pela Palavra, e orar: “ Senhor:
A c res c en ta -n os a fé ” (Lc 17.5).

“Ungiam... com ó l e o ” (Mc 6.13).


A cura re la cio na da à unção com óleo é
m e n ci on ad a s om ent e aqui e em Ti ago 5.14. O óleo
p ro va ve lm en te era usado com o sím bolo da p resen ça e
do po de r do Espí ri to Santo (Zc 4.3-6) e com o p o n t o de
contato para e nco ra ja r a fé do doente.

48
“C o m p a i x ã o ” (Mc 6.34).
O termo original é splagchnizomai, o qual
d esc reve u m a em oçã o que c o m o v e a pe sso a até o
íntimo do seu ser. Fa la da tr is te za que al guém sente
pelo so fri me nt o e i n f o r t ú n i o 1 do pró xim o, j u n t a m e n t e
c om o desejo de ajudá-lo. É uma c ar ac te rís tic a de Deus
(Dt 30.3; 2Rs 13.23; SI 78.38; 111.4) e do seu Fil ho
Jesus Cristo (Mc 1.41; 6.34; 8.2; Mt 9.36; 14.14;
15.32; Lc 7.13).
Os fariseus e os escribas co m et ia m o pe c a d o
do legalismo. O le gal ist a substitui co m pa la vr as e
práticas exter nas as atitudes internas re que rid as por
D eus, ori undas do nov o na sc im e nto , operado por D eu s
e pelo Espíri to (Mt 5.20; 5.27,28; 6.1-7; Jo 1.13; 3.3-6;
Is 1.11; A m 4.4,5). Tais pess oa s h onra m a D eu s c om
seus lábios, en qu an to de coração estão longe dEle;
e x te r n a m e n te pa re ce m ju s to s, mas no seu íntimo não o
a m a m de verdade.
• L e ga lis m o não é s im p le s m e n te a ex ist ên c ia de leis,
r e gul a m en to s, ou regras na co m u n id a d e cristã. Pelo
contrá rio , legal ism o tem a ver co m os motiv os pelos
quais o cristão c o n si d e ra a vontade de Deus à luz da
sua Palavra. Q u a lq u e r m otiv o para se c u m p r i r
m a n d a m e n to s e regras que não parta de uma fé viva
em Cristo, do p o d e r r e g e n e ra d o r do Es pírito Sa nt o e
do desejo sincero do crente de obe dec e r e de
ag radar a Deus, é le ga li sm o (Mt 6.1-7; Jo 14.21).
• O cristão, neste te m po da graça, co nti nua su jeito à
instruç ão, à d is ci plin a e ao de ver da obe diê nc ia à lei
de Cristo e à sua Palavra. O No vo T e s ta m en to fala
da “lei perfeita da li b e r d a d e ” (Tg 1.25), da “ lei
r e a l ” (Tg 2.8), da “ lei de C r i s t o ” (G1 6.2) e da “ lei
do E s p í r i t o ” (Rm 8.2).

1 Inf el ici dade, desventura, desdita, desgraça, infortuna.

49
Os fariseus e os escribas p e ca v a m por
c ol oca r a tradiç ão h um a na acima da rev e la ç ã o divina
(Mc 7.8). Aqui, Jesus não está c o n d e n a n d o toda e
q ua lq ue r tradição, mas as que entram em conflit o com
a Pala vra de Deus. Tr adi çã o ou regra deve ter base nas
verdades corre latas das Escrituras (cf. 2Ts 2.15). As
Es crituras Sagradas são a únic a regra infalível de fé e
conduta; j a m a is ela deve ser anu lad a por idéias
hu ma nas (Mc 7.13, Mt 15.6).
“Do coraçã o dos h o m e n s ” (Mc 7.21).
Nest e trecho, “c o n t a m i n a ” (Mc 7.20)
significa esta r separado da vida, salvaç ão e c o m unhão
de Cristo por causa dos pecad os que p ro vê m do
coração. Nas Esc ritur as , “c o r a ç ã o ” é a to ta lid ad e do
intelecto, da e mo ção , do desejo e da v o l i ç ã o 1 do ser
humano. O co ração im puro c o rr o m p e nossos
pe n sa m e n to s, sen timen tos , palavras e ações (Pv 4.23;
Mt 12.34; 15.19). O que n e ce s si ta m os é um novo
coração, tra ns fo rm a do, feito segundo a ima ge m de
Cristo (Lc 6.45).
Os “ fe r m e n to s ” dos fariseus são as suas
tradições religiosas pelas quais de sc a rt a m os
m a n d a m e n to s e a j u s ti ç a de Deus (Mc 7.5-8).

1. Os “f e r m e n t o s ” dos fariseus são as suas tradições


religiosas pelas quais descartam os m a n d a m e n to s e
a ju s t i ç a de Deus (Mc 7.5-8).
2. O “ f e r m e n t o ” de Herodes é idêntico ao dos
saduceus; é o espírito de s ecu la ris mo e de
m u n d a n is m o (Mt 3.7). Os seguidor es de Cristo
de ve m sem pr e se gua rdar c ontra os e nsi na me nto s
dos que pre ga m idéias humanas, tradições sem base

1 Ato pelo qual a vontade se det ermina a alguma coisa

50
bí b li c a ou um E v a n g e l h o secula r e hu m a nis ta .
A c e it a r o “ ferme nto de H e r o d e s ” levaria a igreja a
vo lta r-s e contra Cristo e a sua Palavra.
A c on fis são de fé de Pedro deve ser be m
e n te n d i d a por todos (Mc 8.29). Jesus não diz aos Seus
dis cí pu lo s qu em ele é. E s p e r a que eles o digam. Ao
pe rguntar: “Mas vós que m dizeis que eu s o u ? ” atingiu
o c l í m a x 1 do seu mi nistério.
E s ta va pon d o à pro va o pro pósi to do
tr e in a m e n to a que su bm et eu os doze escolhido s. A
re s p o s ta de Pedro deu -lh e a c er te z a de que Seu alvo
hav ia sido alcançado.

Q u estio n ário

• A ss in a le com “X ” as a lte rnati vas corretas

1. Jo ão M arcos c ria do em J erusa lé m teve a


op o rt u n i d ad e im pa r de c ola b o r a r no m ini st ério de
três apóstolos
a ) D João, Tiago e Paulo
b ) H _ P a u l o , B arnab é e Pe dro
c ) |_| Pedr o, Tiago e João
d ) | I Bar nab é, Paul o e Ti ago

2. É errado afirm ar que o es c ri to r João Marcos


a ) |_| Seu nome é de ori ge m roma no
b ) 0 É co ns id e ra do c o m p a n h e i r o íntimo do apóst ol o
João, que o c h a m a seu filho
c ) |_| Filho de uma das M arias do N ovo T e s ta m en to
d ) |_1É sobrinho de B arnab é

1 O pont o culminante.

51
3. N u m a na rr a ti v a de cenas rápidas, M a r c o s apresenta
J esu s co mo
a ) 0 O Fi l h o de D e us e o Mes sias, o Se rvo Sofr ed or
b ) l I O Fi l h o de D eu s e o M essias, o Rei dos ju d e u s
c ) |_j O Fil ho de D eu s e o Mes sias, o S ac erdote
d ) |_| O Fi lh o de D eu s e o Rei, o Servo So f re dor

M ar q u e “ C ” para Certo e “E ” para E r ra d o

4 . 0 Os in im ig os da P a la v ra de De us são: Satanás, os
cu id ad os deste mu ndo , as riquez as e os prazeres
p e c a m in o s o s desta vida
5 . 0 L e ga lis m o é s im ple sm e nte a e x is t ê n c ia de leis,
re g u la m en t o s, ou regras na c o m u n id a d e cristã, não
tem ligaç ão co m os motivos pelos quai s o cristão
c o n si d e ra a vont ad e de Deus à luz da sua Pa la vra

52
O Servo R ejeitado
(Mc 8.31-15.47)

“To m e a sua cruz, e s i g a - m e ” (Mc 8.34).


A cruz de Cristo é sím bo lo de s of rim e nto
( I P e 2.21; 4.13), morte (At 10.39), ve rgo nha (Hb 12.2),
zo m b ar ia (Mt 27.39), reje iç ã o ( I P e 2.4) e re n ú n c ia
pess oa l (Mt 16.24).

“ Se e nv e r g o n h a r de mim e das minh as p a l a v r a s ” (Mc


8.38).
Jesus co ns id e ra o m un d o e a s ocie da de em
que vi vem os com o “ ge ração adú ltera e p e c a d o r a ” .
To dos os que pro c ur a m p o p u la ri d a d e ou boa aceitação
ne sta ge ração má, ao invés de seg uir em a Cristo e seus
pa drõ es de ju s tiç a, serão reje ita dos por Ele na sua
vi nda (cf. Mt 7.23; 25.41- 46; Lc 9.26; 13.27).

“Tu do é possível ao que c r ê ” (Mc 9.23).


Esta decla ração de Jesus não deve ser
e n te n d i d a com o p ro m e s s a inc ond ic ion al:
• “T u d o ” não se refere a tudo o que po s sa m os
imaginar. A oração da fé dev e basear-se na vontade
de Deus. Tal oração n u nc a ped irá algo que seja
ins ens at o ou errado (Tg 4.3).
• A fé, aqui em apreço, o bté m -s e como um d o m de
Deus. Ele a põe no c o ra çã o de q u e m o busca
sin ce ra m e nte e ta m b é m vive fielmente c o n f o r m e a
sua vontade (Mt 17.20).

“ Oraçã o e j e j u m ” (Mc 9.29).


Jesus não está diz e n d o aqui que, pa ra a
e x pu ls ã o de certo tipo de espírito im un do, era
ne ce s sá rio um pe río do de oraç ão e jejum . O prin cí pio

53
aqui é outro: on de há pouc a fé, há p o u c a oração e
j e j u m (Mt 17.19,20,21). Onde há muit a ora ç ão e je ju m
res ult ant e da de di ca ç ão gen uín a a Deus e à sua Palavra,
há a bu n d â n c ia de fé. Se os discípulos ti v e s se m uma
vida de oração e j e j u m como Jesus, p ode ri a m ter
re so lv id o esse caso.
Jesus en sin a aqui que quem se divo rcia por
razões não bíblicas e se casa de novo, peca contra
Deus, c o m e t e n d o ad ultério (Mc 10.11 Ml 2.14; Mt
19.9; I C o 7.5).
N out ra s palavras, Deus não te m obrig a ç ão de
c on si de ra r um divó rcio correto ou legítimo,
s im p le s m e n te p orq ue o estado (ou q u a lq u e r outra
ins tituiçã o hum an a) o legaliza.

“ C om o uma c r ia n ç a ” (Mc 10.15).


R e c e b e r o reino de Deus co mo criança
sig nif ic a re ceb ê-lo de maneira tão singela, humilde,
co nf ia nte e sincera, que nos voltamos c ontra o pecado e
ace ita m os Cristo co mo nosso Senhor e Salvador, e
Deus co mo no s so Pai celestial (Mt 18.3).
Cristo se interessa p r o f u n d a m e n te pela
salvaç ão das cria nça s e pelo seu cre sc im e nt o espiritual.
Os pais cristãos de ve m e m pre ga r todos os meios da
graça ao seu alcance para levar seus fil hos a Cristo,
po rqu e Ele an seia recebê-los, amá-los e abençoá-los.

“R ec e b a cem vezes ta n t o ” (Mc 10.30).


As r e c om pen s a s pro me tid as neste versículo
não de ve m ser e nte ndi das literalmente. Pelo contrário,
as bênçã os e a alegria i n e r e n t e s 1 nos r e la ci on a m e nto s
citados aqui serão e x per im en ta da s pelo discípulo
genuíno, que se neg a a si m esm o por am or a Cristo.

1 Que está por natureza i ns epar avel ment e ligado a alguma coisa
ou pessoa.

54
Jesus declarou que o reino era Seu,
a pr e se nt a nd o- se He rdeiro de Da vi, em J erusa lé m,
c on fo rm e a profecia de Zac arias 9.9 (Mc 11.1-11).
A esta altura, no E v a n g e lh o segundo M arcos ,
c o m e ç a m os eventos da s e m a n a da paixão de Cristo
(Mc 11-15), seguidos por sua ressu rr ei ç ã o (Mc 16).

“B en dit o o que v e m ” (Mc 11.9).


A mul tid ão presumia que o M e s s i a s
re st aur ari a Israel como na ção e governa ria
p o lit ic a m e nt e as n a ções. Eles não c o m p re e n d ia m o
p ro pós ito express o por Jesus c o nce rn e nt e à sua vinda
ao mundo. P o s te rio rm en te , a m e s m a multidã o gritou:
“C r u c i f i c a - o ” , ao p e rc eb e r que Ele não era o M ess ia s
do tipo que eles e sp e ra v am (Mc 15.13).
Jesus dei xa claro que a casa de Deus exist ia
para ser “casa de o r a ç ã o ” (Mc 11.17), um lugar onde o
povo de Deus pud ess e ter um encon tr o com Ele na
de vo ção espiritual, na oraç ão e na adoração (Lc 19.46).
Por tan to , ela não deve ser p r of an a da como me io de
a u to pro m oç ão social, lucro finan cei ro , dive rs ão ou
show artístico. S em pr e que a casa de Deus é assim
usad a por pessoas de m e n ta li d a d e mund an a, ela torna-
se um “covil de la d r õ e s ” .

“ A pa rábola dos la vradores m a l v a d o s ” (Mc 12.1).


Esta pa rá bo la re fe re -s e à culpa da nação
ju da ic a. Os ju d e u s ha via m t ra ns fo rm a do o reino de
De us em pro pr ied ad e pa rticula r, de m ons t ra r am
de sp re z o por sua Pa la vra e se rec usa ra m a o b e d ec e r ao
seu Fil ho Jesus Cristo.

“C a b e ç a da e s q u i n a ” (Mc 12.10).
Cristo é a ped ra “ r e je it a d a ” , r e pudia da por
Israel, mas prestes a torna r- se a pedra an gular do novo

55
povo de D eu s, a igreja (At 4.11,12; ver SI 118.22). É a
pe dra ma is im po rt an te dess a nova e st ru tu ra que Deus
está ed ifi c an do.

“ N em c a s a r ã o ” (Mc 12.25).
Es te ensino de Jesus não sign ifi ca que o
es po s o ou a e sp os a perde rá sua id en tid ad e específica,
de m od o a não se rec on hec er em . Pelo contrário, o
r e l a c io n a m e n to com nos so cô njuge será ma is profundo
e e sp ir itu a l, porém não regido pelos laços conjugais
co mo a co nt e c e na terra.

“D e v o r a m as casas das v i ú v a s ” (Mc 12.40).


Alguns dos líderes religios os ju da ic os
tir av a m pr ovei to das viúvas ingê nuas e solitárias.
Pe di a m e rec eb ia m delas ofertas exo rbitan tes,
e x p lo ra n d o a boa vontade dessas viúvas que queriam
ajud ar a esses tais, que elas criam serem ho m e ns de
Deus. Po r meio de l o g r o s 1 e fraudes, pe rs u a d ia m as
viúvas a ofertarem além das suas condições
fin anceiras. Assim, esses líderes viviam no luxo com
essas ofertas fr au d u lo s a m e n te obtidas.
O sermão de Jesus, no monte das Oliveiras,
co nt ém re pe tid as ad vertências indi ca ndo que à med ida
que o fim se aproxima , seu povo prec isa estar alerta
ante o perigo do engano na esfera religiosa. Jesus
ad moesta: “O l h a i ” (Mc 13.5), “olhai por vós m e s m o s ”
(Mc 13.9), “ mas vós v e d e ” (Mc 13.23), “ olhai, vigiai e
o ra i” (Mc 13.33), “ Vigiai, p o i s ” (Mc 13.35), e “ V ig ia i”
(Mc 13.37). Es sas ad vertências in dic am que será muito
di fu nd id o o en sino an tibíblic o nas igrejas.
N o ss a pe rse ve ra nça na fé e na lealdade a
Cristo é uma c ond içã o bíblica para a salvação final (cf.

1 En gan o p rop os it ad o contra alguém; artifício ou manobra


ardilosa para iludir.

56
Hb 3.14; 6.11,12; 10.36). A glóri a da salvação final é
descrita em A p o c a li p s e 2.7, 17, 26- 28; 3.5,12,20,2 1; 7.9-
17; 14.13; 21.1-7.

“A b o m i n a ç ã o do a j s o l a m e n t o ” (Mc 13.14). /
Trat a-se da a bo m in a ç ã o que c onta m in a ou
polui aquilo que é santo (Dn 9.25-27).
• A de cla ração de Cristo pode referir-se
p ro f et ic a m en te tanto à in va são de J er usa lé m pelos
roma nos , qua ndo, então, o te mp lo foi destr uído (70
d.C.), be m co mo à c o lo ca ç ão da im a g e m do
Anticristo em Je ru sa lé m , logo antes de Cristo volt ar
para j u l g a r os ímp ios (2Ts 2.2,3; Ap 13.14,15;
19.11-21).
• Isso é, às vezes, c h a m a d o de “prefig ur ação
pr o f é ti c a ” , e xp re ss ão esta e m p re g a d a para de sig na r
dois ou mais e ve nto s vistos co mo se fos sem um só.
Ex e m p lo s disso é a ass oc ia ç ã o entre a prim eir a
vinda de Cristo para pre ga r E va ngel ho; e sua
seg unda vi nda para trazer j u l g a m e n to ; am bos
prefig ur ado s em Isaías 11.1-4; 61.1,2: Zac arias
9.9,10 (Mt 24.44). Da m e sm a maneira, o
d e rr a m a m en to do E sp íri to e “ o grande e terrível dia
do S e n h o r ” estão a sso ci ado s entre si e referidos
com o um só even to em Joel 2.28-31 e Atos 2.16-20;
Marcos 13.19-22.

“ Se à tarde, se à m ei a-noite , se ao cant ar o galo, se pela


m a n h ã ” (Mc 13.35).
Cristo afirma que a sua volta para bus ca r os
seus santos pode oc orr er em quatro oc asiões possíveis.
Isso mos tra que sua volta para os salvos pode se dar a
qu a lq u e r m o m e nt o. A ênfase aqui está na ocasião
repe nt in a e secreta da p ri m ei r a fase da vinda de Cristo,
i.e., o a r re ba ta m e nt o dos fiéis, que os tirará da terra.

57
Sua vinda será ine sp e ra da e im in e n te '. Por isso, todos
os salvos de v e m semp re v ig ia r e ser fiéis (Mt 24.42;
24.44; Lc 12.35,36, 38-40, 46; 21.34-36).
E v a ng e lh o (gr. evaggelion) sig nif ic a “boas
n o v a s ” . São as boas nova s de que Deus pro ve u à
salvaç ão dos perdidos, e isto através da e nca rn a çã o,
morte e ressu rr ei ç ã o de J esu s Cristo (Jo 3.16; Lc 4.18-
21; 7.22). S em pre que as boa s novas são pro c la m ad a s
no poder do Espíri to ( I C o 2.4; G1 1.11), elas:
• Têm au to rid ad e de Cristo (Mt 28.18-20);
• R ev e la m a ju s t i ç a de Deus (Rm 1.16,17);
• D e m a n d a m a r r e p e n d i m e n to (Mt 3.2; 4.17);
• C o n v e n c e m do pe cado, da j u s ti ç a e do ju í z o (Jo
16.8; cf. At 24.25);
• O ri gi na m fé (Fp 1.27; R m 10.17);
• T r a z e m salvaç ão, vida e o dom do E sp íri to Santo
(Rm 1.16; IC o 15.22; I P e 1.23; At 2.33,38,39);
• Li be rt am do d o m ín io do pe cad o e de Satanás (Mt
12.28; At 26.18; Rm 6);
• T raze m e sp e ra nç a (Cl 1.5,23), paz (Ef 2.17; 6.15) e
im or ta li da de (2Tm 1.10);
• A dv e rte m sobre o j u í z o (Rm 2.16);
• T r az e m co n d en a ç ão e morte eterna qua ndo
rejeitadas (Jo 3.18).

“ Sang ue do No vo T e s t a m e n t o ” (Mc 14.24).


Cristo derramo u o seu sangue em nosso favor
para pr ove r o perdão dos nos sos pecados e a salvação.
A sua morte na cruz es ta be le c e u um novo c oncer to
entre Deus Pai e todos qu an to s recebem a seu Filho
Jesus Cristo com o Se n h o r e Sa lv a do r (Jr 31.31-34).
A queles que se ar re p en d e m dos seus pecad os e se 1

1 Que ameaça acontecer breve; que está s obranceiro; que está em


via de efet ivação imediata; i mpendente.

58
volt am para D eu s m e di a nte a fé em Cristo serão
pe rd oa dos , libertos do p o d e r de Satanás, re c eb e rã o
nova vida e spiritua l, serão feitos filhos de Deus, serão
ba tiz ado s no E sp íri to Santo, e terão acesso a D e us em
todos os m o m e n to s , para re ceb erem m is eric órd ia ,
graça, força e ajuda (Mt 26.28; Hb 4.16; 7.25).

“ Vigiar uma h or a ” (Mc 14.37).


P ed ro e os dem ai s apóstolos ne g li g e n c ia ra m
a única coisa que po d e ri a livrá-los do fracasso na hora
da pro va ção (Mc 14.50): vigilâ nc ia c onst an te e oração.
N oss a vida cris tã fr ac as sa rá co m cert eza se não
orarmos (At 10.9).

“D e ix an do - o, todos f u g i r a m ” (Mc 14.50).


N u n c a de ve m os c om pa r ar o frac ass o de
P ed ro e dos outros dis cí pulo s quan do Jesus foi preso
co m os fracas so s esp ir itu ai s e morais de past or es ou
líderes depois da morte e ressu rr eiç ão de Cristo. Isto se
base ia nas segu intes razões:
1. P e d r o e os d i s c í p u l o s, na oc asião do seu fracasso*
ainda não pe rt e n ci a m ao N ovo C o n c e r t o , que só
entrou em vig or q u a nd o Cristo de rra m ou o seu
sangu e na cruz (Hb 9.15-20).
2. Pedro e os dis cí pul os ainda não ti nha m
e x p e r im e n t a d o o novo na sci me nto , a rege ne ra ç ão no
Espí ri to Santo no sentido ple no do No vo
T es tam ent o. O Es píri to Santo lhes foi c o n c e d id o
co m sua pr e s e n ç a s an ti fic ado ra hab ita ndo neles a
partir do dia da ressu rr ei ç ã o de Cristo, quan do,
então, Ele “ a sso pro u sobre eles e disse-lhes: Re c e bei
o Espí ri to S a n t o ” (Jo 20.22). O fr acasso dos
di scí pul os foi mais um ato de f r aq u e za do que de
iniquidade.

59
3. Q u a n d o Pe dro e os outros dis cí pul os a b a n d o n a r a m a
Cris to, não tinham a v a n ta g e m de qu e m está
c o n s c ie n te do si gnificado moral da morte e x pi at óri a
de C ris to na cruz (Rm 6), ne m ti nham o sup orte da
fé i n s p ir a d a pela sua r e s su rr ei ç ã o dentre os mortos.
N ou tra s palavras, esse tr ec ho bíblico não deve ser
us ado c o m o ju s ti fi c a ti v a pa ra re st au rar ao minis té rio
um lí d e r que, por causa dos seus próp rios pecad os e
re l a x a m e n t o moral, d e l ib e ra d a m e n te re pudio u, na
sua vida pa rticular e espi ri tua l, as qual ifi ca çõe s
ne ce s sá ria s para o m in is té ri o pastoral.

C om o re c e b e ra m este Rei.
A princípio de ra m -l h e as boa s- vin das porqu e
e s p e r a v a m que os libertas se do j u g o de R o m a e os
liv rasse da pobreza. Q ua ndo, porém, entro u i o templo
e m o s tr o u -l h e s que sua m is s ã o era espiritual, pa sso u a
ser od ia do pelos guias re lig io so s c om ódio satânico,
disso r e s ult an do a trama para m at á-lo (Mc 14.1).
A trama dos pri nc ipa is sacerdotes para O
a p a n h a re m por astúcia e o le var em à morte, e o ato de
“ung ir o Seu corpo para a s e p u l t u r a ” , que Seus amigos
r e a li z a ra m - são os temas que abrem o capít ulo 14 de
Marcos.
D epois, vem a his tó ria sempr e triste da
traição po r um dis cípulo Seu (Mc 14.10,11), a
c e le br a ç ão da Pásco a e a ins tit ui ç ã o da Ceia do Senhor
c o m p r i m e m - s e em vinte e cinco curtos versículos.
A c re s c e n ta n d o insulto à inj úria, lemos sobre a ne gação
de Pe dro ao seu Senhor (Mc 14.26-31, 66-71).
A grande m e n s a g e m de Isaías é que o Filho
de De us Se tornaria o Servo de D eu s a fim de mo rr er
para a re de nç ã o do mundo. M a r c o s registra “c o m o ” o
so fr im e n to de Cristo no G e ts ê m a ni e no C alvário
c um pr iu as prof ecias de Isaías (Is 53). “Pois o próprio

60
Filho do h o m e m não veio para ser servido, mas para
servir e dar a sua vida em resgate po r m u i t o s ” (Mc
10.45).

O Servo E xaltado
(Mc 16.1-20)

Dep ois que o Servo deu a vida em resgate


por muitos, r e s su s ci to u dos mortos. Lem os outra vez a
grande c o m is s ã o (Mc 16.15), ta m b é m re gis tra da em
Mateus 28.19,20. C o m p a re as duas. Não o u v im o s em
M arcos um Rei dizer: “To do pod e r me é dado no céu e
na te rra ” co mo em Mat eu s, mas, vemos em M arcos ,
pelas palavr as de Jesus, que os dis cí pulos de ver ão
tom ar o Seu lug ar e Ele servirá neles e através deles.
Ele é ainda o obre iro, e m b o ra ressu rr eto (Mc 16.20).
Pe ga r em serpen tes (Mc 16.18) ou b e b er
veneno não deve se tr a n s fo rm a r em ritual de o r d á l i o 1, a
fim de c o m p r o v a r n os sa espi ri tua lid ade . São pro m e s sa s
para crentes que e nf re n ta m s em el ha nte s perigo s a
serviço de Cristo. É pecado “te s t a r ” a D eus,
arri sc and o-s e sem n e ces sid ad e, e x p o n d o -s e a perigo s e
pers egu iç õe s (Mt 4.5-7; 10.23; 24.16-18).
F i n a lm e n te Ele foi recebid o no céu para
sentar-se à de stra de D eu s (Mc 16.19). A que le que
ass um iu a fo rm a de Servo é agora e xa lt ad o (Fp 2.7-9)
Ele está em lugar de glória in te rc ed e nd o sem pr e por
nós. É o nos so ad vogado.

Q uestionário

• Ass ina le c om “ X ” as alternativas co rretas

1 Prova j udi ci al para se decidi r se um acusado é c ul pado ou


inocente.

61
6. A m u lt id ã o presu mia que o M es si as re st aur ari a Israel
c o m o na ção e gove rna ria
a) O C u lt u ra lm e n te as nações
b) n Es p ir i tu al m en te as nações
c) O M in is t e r ia lm e n te as nações
d) P o li tic a m e nte as nações

7. Os ju d e u s hav iam tr a n s fo rm a d o o reino de Deus em


p ro p r ie d a d e particular, d e m o n s t r a r a m de sprezo por
sua P a la v ra e se re c u sa ra m a obe d e c e r ao seu Filho
J esu s Cristo. Ref ere-s e à
a ) |_] “ P a rá bo la do s e m e a d o r ”
b ) |x] “P a rá bol a dos la vra dor es m a l v a d o s ”
c ) |_j “P a rá bol a da c a n d e i a ”
d ) l I “ P a rá bol a do grão de m o s t a r d a ”

8. “Pois o próprio Filho do h o m e m não veio para ser


servido, mas para ser vir e dar a sua vida em resgate
po r m u i t o s ” (Mc 10.45), é cu m p ri m e n to das
pr of ec ia s de
a ) tXl Isaías
b ) |_| Eze quie l
c ) |_| Je r em ia s
d ) | I Dan iel

M a r q u e “ C ” para Certo e “E ” para Errado

9.ÍC1 “ A b o m in a ç ã o do a s s o l a m e n t o ” (Mc 13.14). Trata-


se da a b o m in a çã o que c o n ta m in a ou polui aquilo que
é santo
10 . __
& P e dr o e os dis cí pu lo s, na ocasião do seu
fr acas so , j á p erte nc ia m ao No vo Concerto, que
e nt ro u em vigor quan do Cris to se fez carne

62
Lição 3
O Evangelho de Lucas

Autor: Lucas
Data: 60-63 d.C.
Tema: Jesus, o S a lv a do r D i v i n o - H u m a n o
P a la vra s- C ha ve : Oração, ação de graças,
ucas alegria, salvar, Reino, Es p ír i to Santo,
a rre pen dim en to .
V e rs íc ulo - ch a ve : Lc 19.10

S e gu nd o parece, Lucas era um gentio


conv ertid o, sendo o único autor hum a n o n ã o -j u d e u de
um livro da Bíblia. O Espíri to Santo o m o v e u a
e sc reve r a T e óf il o (cujo nom e si gnifica “ a quele que
ama a D e u s ” ) a fim de suprir uma ne c e s si d a d e da igreja
gentia, de um rela to c om ple to do c o m e ç o do
cris tia nis mo . A ob ra tem duas partes:
• O n a sc im e nto , vida e min istério, morte, re s su rr ei ç ã o
e ascen são de Jesus (Lucas),
• O d e r r a m a m e n to do Espírito em J e r u s a l é m e o
d e s e n v o lv im e n to su bseq üe nte da igreja p ri m iti va
(Atos).
Ess es dois livros pe rf a ze m mais de uma
qua rta parte do No vo Tes tam ent o.
pP e l a s ep ís to la s de Paulo s abe mo s que Lucas
èra um “ m é d ic o a m a d o ” (Cl 4.14) e um leal c o o p e r a d o r
do apóst ol o (2 T m 4.11; Fm 24; cf. os tre ch os em Atos

63
na pr im e ir a pesso a do plural; ver a in tr oduçã o a Atos).
Pelo s escritos de Lucas, v e m os que ele era um escrit or
cu lto e hábil, um his to ria do r atento e te ólo go inspirado.
S e g u n d o parece, quan do Luca s esc re veu o seu
E v a n g e lh o , a igreja gentia não tinha n e n h u m desses
livros co m p le to ou bem c o n he c id o, a respeito de Jesus.
P r i m e i r a m e n t e Mateus e sc re ve u um Ev a n g e lh o para os
ju d e u s , e Marcos esc reveu um Ev a n g e lh o c o n c i s o 1 para
a igreja em Roma. O m u ndo gentio de língua grega
d is p u n h a de relatos orais de Jesus, dados por
te st em u n h a s oculares, b e m co mo breves tratados
escritos , mas nenhum E v a n g e lh o co m p le to com os fatos
na de vid a ord em (Lc 1.1-4). Daí, Luca s se pro pôs a
i n v e s t ig a r tudo c u id a d o s a m e n t e “ desde o p r in c íp io ” (Lc
1.3), e, pr ov av el me nt e, fez pesq uis as na Pale st ina
e n q u a n to Paulo esteve na prisão em Ce s a ré ia (At 21.17;
2 3 .2 3- 26 .3 2) e terminou o seu E v a n g e lh o perto do fim
da qu el e período, ou pouc o de pois de chega r a R o m a
c om Paulo (At 28.16).

A utor

O Evang el ho s eg undo Lucas é o prim eiro dos


dois livros ender eçad os a um certo Teó filo (Lc 1.3; At
1.1). E m b o r a o autor não se id e ntif iq ue pelo nome em
n e n h u m dos dois livros, o te s t e m u n h o unâ nim e do
c ri s ti a n is m o primitivo e as e vid ên c ia s internas in di ca m
a au tor ia de Lucas nos dois casos. O autor deste
te rceiro E va nge lho foi o Dr. Lucas, c o m pan he ir o de
Pa ul o (At 16.10-24; 2Tm 4.11; Cl 4.14 o situa entre
outros cristãos gentios). Send o co rreta esta suposição,
ele foi o único escritor ge ntio dos livros do N ovo
T es tam ent o.

1 Sucinto, resumido.

64
Propósito

Luca s e sc re v e u este E v a ng e lh o aos gen tio s


para p r o p o r c io n a r- l h e s um registro co m p le to e e x a to de
“tudo que Jes us c o m e ç o u , não só a fazer, mas a
ensinar, até ao dia que foi re ceb ido em c i m a ” (At 1.1b,
2a). E s c re v e n d o sob a in sp ira ção do E sp íri to Santo , sua
inte nç ão foi tr a n s m it ir a T eó fil o e outros c o n v e r t i d o s e
inte re ss a do s gentios, co m certeza, a ple na ve rda de
sobre o que j á ti nh a m sido ora lm en te in te ira dos (Lc
1.3,4). Luca s no seu E v a n g e l h o dei xa clar o cjue e]£
e screveu para os g e n t i o s. Po r e xem pl o, ele a p re s e n ta a
ge nea lo gi a hu m a n a de Jesus, re c uan do -a até A dã o (Lc
3.23-38) e não até Ab raão, co n fo rm e fez M at e us (cf.
Mt 1.1-17). Em Luc as, Jesus é visto c la r a m e n te c o m o o
S a lv a dor d i v i n o - h u m a n o , que veio co mo a pro v is ã o
divina da s al va ção para todos os de sc e nd en te s de Adão.

V isão P anorâm ica

O E v a n g e lh o segundo Lucas c o m e ç a c om as
narra tiv as mais c o m p le ta s da infânc ia de Jesus (Lc 1.5-
2.40), b e m c o m o a presen ta o único v i s l u m b r e 1, nos
Ev a n g e lh o s, da j u v e n t u d e de Jes us (Lc 2.41-52).
D e po is de d e s c r e v e r o m ini st ério de João B a t is ta e
a p resen ta r a g e n e a lo g ia de Jesus, Lucas divi de o
m in is té rio de Jesus em três seções principais:
• Seu m in is té ri o na Gal ilé ia e arredores (Lc 4.14-
9.50);
• Seu m in is té rio du ra nte a viagem final a J e r u s a lé m
(Lc 9.51 -1 9. 27 );
• Sua últ im a se m a n a em J er usa lé m (Lc 19.28-24.43).
E m b o r a os mi la gr e s ocu pem lugar de de st a q u e no

1 Ap arên ci a vaga.

65
re g is tr o de Lucas sobre o m in is té rio de Jesus na
G a lil é ia , o e n f o q u e 1 pri nc ip a l deste Evang el ho
c o n si s te nos en sinos e pa rá b o la s de Jes us durante
seu e xt en s o m ini st ério a c a m i n h o de J er usa lé m (Lc
9. 51- 19.27 ).

C aracterísticas E speciais

São oito as c ar ac te rís tic as pri ncipais do


E v a n g e lh o segundo Lucas:
1. Seu amp lo alcance no regis tro dos e ven tos na vida
de Jes us, desde a an un ci a ç ão do seu na sc im e nto até a
sua ascensão.
2. A qu a lid a de e x ce pc io nal do seu estilo literário,
e m p r e g a n d o um voc ab ulá rio rico e escrito com um
d o m ín io excel en te da lí ngua grega.
3. O alcance universal do E v a n g e lh o - que Jesus veio
para s alv ar a todos: ju d e u s e gen tio s igualmente.
4. Ele s a li e n ta 21 a s o l i c i t u d e 3 de Jes us para com os
ne ce ssi ta dos, inclusiv e mu lh e re s, crian ças, os pobres
e os s oc ia lm en te ma rg in a liz ad os.
5. Sua ênfa se na vida de ora ç ão de Jesus e nos seus
e ns in os a respeito da oração.
6. O notável título de Jesus neste Ev a n g e lh o , a saber:
“Fi lh o do H o m e m ” .
7. Seu en fo qu e sobre a alegria que c aract eriz a .aqueles
que acei ta m a Jesus e a sua me ns a ge m.
\!8>i Sua ênfa se na i m p o r tâ n c ia e pro e m in ê n c i a do
/ E sp íri to Santo na vida de J esu s e do seu povo (Lc
1.15,41,67; 2.25-27; 4 .1,1 4,1 8; 10.21; 12.12; 24.49).

Man ei ra de enfocar ou focalizar um assunto, uma questão.


1
Torna r-s e saliente ou notável; evi denc iar-s e, sobressair.
2
3 De se jo de atender a alguma s ol ici tação da melhor forma
possível; boa vontade. Zelo em prestar qual quer espécie de
assi st ênci a; desvelo, dedicação.

66
A P reparação do Filho do H om em
(Lc 1.1-4.13)

N o te o r e s ulta do da vida e do m in is té r io de
João, na p le ni tu de do Espíri to Santo (Lc 1.15).
M ed ia nt e o Es p ír i to Santo, João:
• Pela pr eg açã o c on ven c e o povo dos seus p e ca dos e
os le vam ao ar re p en d i m en to e à c o n v er sã o a Deus
(Lc 1.15-17; ver Jo 16.8);
Pr eg a no e sp ír ito e po de r de Elias (Lc 1.17; ver At
1 . 8 );
• R ec o n c il ia as famílias, e co nduz muitos a u m a vida
de retidão (Lc 1.17).
Jo ão será s em el ha nt e em muitos a sp e c to s ao
d e st e m id o p ro f et a Elias (Lc 1.17; ver Ml 4.5). P o r ser
cheio do Es pír i to Santo (Lc 1.15), será um p r e g a d o r da
retidão moral (Lc 3.7-14; Mt 3.1-10). D e m o n s t r a r á o
m ini st ério do Es pír i to Santo e pregará sobre o peca do,
a ju s t i ç a e o j u í z o (ver Jo 16.8). C o n v e r te r á os
rebeldes, à pr u d ê n c ia dos ju s to s (Lc 1.17; Mt 11.7-15).
Não t r a n s i g i r á 1 c om a sua consciê nci a, n e m p e rv e rt e rá
pri nc ípi os bíb lic os , para c ons e gu ir pos içã o social ou
proteç ão (Lc 3.19 ,20; Mt 14.1-11). Seu pro p ó s it o será
obe dec e r a D eu s e p e rm a n e c e r leal a toda a verdade.
E m suma: Jo ão será um h om e m de Deus.
Deus c u m p re o que os prof etas ha via m
predito. M iq u éi as diz que B el ém seria o lug ar onde
Jesus havia de n a sc e r (Mq 5.2-5), visto ser ele da
Fa mí lia de Davi. Mar ia, porém, m o ra v a em N a za ré , que
fica va a 160 q u il ô m e tr o s de distância. Mas Deus
pr o v id e n c io u para que Ro m a ba ixa ss e um decreto
obrig an do José e M a r ia ir a Bel ém, e x a ta m e n te q u a ndo

1 Chegar a acordo; ceder, conde scende r, cont empor izar.

67
a cria nça e sta va para nascer. Não é m ar a v il h o s o com o
D eu s usa um decreto de um m ona rc a pagão, César
Au gus to , pa ra fazer c u m p r ir Suas prof eci as? Deus
ainda m o v e a mão dos diri gen te s para re a liz a r os Seus
propós ito s.

O Sal vador... Cristo, o Se n h o r (Lc 2.11).


Na ocasião do seu nascime nto , Jesus é
c h a m a d o Salvador.
• C o m o Salvador, veio nos libertar do pe cado, do
d o m ín io de Satanás, do m u n d o ímpio, do medo, da
mor te e da co nd en aç ão pelas nossas tran sg ressõ es
(Mt 1.21).
• O Sa lv a do r ta mbém é Cristo, o Senhor. Foi ungido
co mo o Mes si as de D eus, e o Se nhor que reina sobre
o seu povo. N in gu é m pode ter Cristo com o
Salva dor, enqu anto o re c u sa r com o Senhor.

“ C re sc ia o m e n in o ” e “ a graça de Deus e sta va sobre


e l e ” (Lc 2.40).
Aos doze anos subiu com os pais a
J er u sa lé m , para a festa da Páscoa. Foi en co ntr ad o “no
me io dos mestres, o uvin do -o s e i n t e r ro g a n d o -o s ” (Lc
2.46). E n c on tr a m os aqui as prim eira s palavr as de
Jesus: “Não sabíeis que me c u m p ri a estar na cása de
me u P a i ? ” (Lc 2.49). É o pri m ei r o a uto -t e st em unh o de
Sua di vi ndad e e do seu pa re nte sc o co m o Pai. “ Não
c o m p re e n d e ra m , porém, as palavr as que lhes d is s e r a ” .
Lemos nova men te : “E desceu com eles para
Na zar é; e era-lhes s u b m i s s o ” (aos pais) (Lc 2.51). “E
c resci a Jesus em sabedoria, est a tu ra e graça, diante de
D eu s e dos h o m e n s ” (Veja Lc 2.42-52). Tudo isso se
referia a J es us- hom e m , e só Luca s registra.
É interessa nte nota r que Lucas ap re se nta va a
ge ne a lo gi a de Jesus na é poca de seu batismo, e não do

68
na sc im e n to (Lc 3.23). Há dif eren ças notá vei s en tre as
geneal ogi as de Lucas e M ateus. T e m os em M at e us a
ge neal ogi a do Rei - Fil ho de Davi - através de José.
Lucas nos dá a Sua ge ne al ogia pa rticula r, pelo lado de
Maria.
“Jes us, ch eio do Es píri to Santo, vo lto u do
Jordão, e foi guiado pelo m e sm o Espírito , no deserto,
dur an te qu a re n ta dias, sendo tenta do pelo d i a b o ” (Lc
4.1,2).

Este vos ba tiz ará com o Espíri to Santo (Lc 3.16).


O ba ti s m o co m o E sp íri to Santo (cf. Mt
3.11), que Cris to o uto rg a aos seus s eg uid or es, é o novo
sinal de id e nt if ic a çã o do povo de Deus.
Foi p r o m e ti d o em Joel 2.28 e r e a fi rm a d o por
Cristo de poi s da sua ressu rr ei ç ã o em Luca s 24.49; Atos
1.4-8. E s s a pr ed iç ão teve seu c u m p r im e n to inicial no
dia do P e n te c o s te (At 2.4).
O pr o p ó s it o da tentaçã o não foi d e s c o b ri r se
Jesus c ed e ri a ou não a Satanás e sim m o s tr a r que Ele
não p o d ia ceder; ta m b é m serviu para re ve la r que nada
hav ia nele para o que Satanás pu de ss e apelar. Cristo
podi a ser te nta do ou provado.

69
Q uestionário ~

• A ss in a le com “X ” as alternat iva s corretas

1. Luc as, o único autor hum a no nã o-j ude u de um livro


da Bíblia, foi m ovid o pelo Espí ri to Santo para
e sc re v e r a
a ) | I Tércio
b ) 0 Teófilo
c ) | I Teo dé lio
d ) |_] Ti m ót eo

2. Po r ap resen ta r a ge ne a lo gi a hu m a n a de Jesus,
re c uan do -a até Adão, Luca s no seu E v a nge lh o deixa
claro que ele escreveu para os
a ) [xl Gentios
b ) |_j R oma nos
c ) |_] Judeus
d ) | | Egíp cio s

3. É uma das car acterísticas principais do Ev a nge lh o


segu ndo Lucas
a ) | I Em seu estilo literário, e m p re g a um vocab ulá rio
não muito rico mas, escrito com um d o m ín io da
língua hebraica
b ) |_] O alcance principal do Ev a nge lh o - que Jesus
veio para salvar os gentios
c ) | | O notável título de Jesus neste Ev a nge lh o, a
saber: “Filho dos P r o f e ta s ”
d ) R S ua ênfase na im po r tâ nc ia e pro e m in ê n c i a do
Espí ri to Santo na vida de Jesus e do seu povo

70
M ar q u e “ C ” para Certo e “E ” para Errado

4.[fc Pelas e pís to las de Paulo s abe mo s que Lucas era


um “ a dv o g a d o a m a d o ” e um leal c o o p e r a d o r do
apóst ol o
5.1cl M e d i a n t e o E sp íri to Santo, João prega no espírito
e po d e r de Elias

71
O M in istério do Filho H om em
(Lc 4.14-19.48)

D e pois da tentaçã o, Jesus “ Indo para Nazaré,


onde fora criado, entrou num dia de sábado, seg undo o
seu c os tu m e, na s i nag og a e levan to u-s e para l e r ” (Lc
4.16). Ve mo s que Jes us e sta va a co s tu m a d o ir à igreja
aos sábados. Cresc eu n u m lar piedoso.
Aqui, Jesus ex pl ic a o pro p ó s it o do seu
m in is té rio ungido pelo E sp íri to Santo (Lc 4.18,19).
• É para pre ga r o E v a ng e lh o aos pobres, aos
ne ce ssi ta dos , aos aflitos, aos humild es , aos ab atidos
de esp írito, aos q u e br a nta dos de co ra çã o e aos que
te m e m a sua P a la v ra (cf. Is 61.1-3; 66.2).
• É para curar os aflitos e opri m ido s. Es sa cura
e nvo lve a p e ss oa inteira, tanto físic a qua nto
espiritual.
• É abrir os olhos espir itu ai s dos que fo ram ceg ad os
pelo mu ndo e por Satanás, para agora vere m a
verdade das boas novas de Deus (cf. Jo 9.39).
• É para pr o c la m a r o tempo da verda dei ra lib erda de e
salvação do d o m ín io de Satanás, do pe cado, do
me do e da c ulp a (cf. Jo 8.36; At 26.18).
Cedo, no m ini st ério de Jesus, vem os os da
Sua pró pr ia c ida de te nt a rem matá-lo (Lc 4.28-30 ).
T e m o s aqui o prim eiro sinal da sua futur a rejeição. Ele
p ro c la m ar a ser o M ess ia s (Lc 4.21). Fica ram chei os de
ira ao ouvi-lo dizer que o Mes sias j u d e u viria ta m b é m
para os gentios (Veja Lc 4.24-30). A c re d i ta v a m que a
graça de Deus est av a c i r c u n s c r i t a 1 aos ju d e u s , e por
isso d is p u se ra m -s e a matá-lo. Ele rec uso u- S e a re a li za r
mi lagres em favor deles por causa da sua

1 Restringido, restrito, limitado.

72
in cred ul id ad e. T e n ta ra m pre ci ptá -l o de um
de sp e n h a d e ir o , porém, ele esc ap ou e foi para
C af ar n au m (Lc 4.29-31).
Ele retira va -s e para os de sertos e ali orava
(Lc 5.16):
• Lucas re ssa lta mais do que os outros E v a n g e lh o s a
práti ca da oração na vida e na obra de Jesus.
Q u a n d o o Espí ri to Santo desceu sobre Jes us no
Jor dã o, Ele est av a ora ndo (Lc 3.21); em certas
oc asiões, afasta va -se das mu lti dõ es para orar (Lc
5.16), e pa ss ou a noite em oração antes de e sco lhe r
os doze apósto los (Lc 6.12). Fico u orando em
p a rt ic ul a r antes de fazer uma pe rg un ta im por ta nte
aos seus di scí pulos (Lc 9.18); por ocasião da sua
tra ns fig ura ç ão , Ele subiu ao m onte a orar (Lc 9.28);
sua tr a ns fi gu ra ç ão oco rreu e st an do Ele orando (Lc
9.29); e e st a va ele a orar antes de e n si n a r aos
dis cí pu lo s a c h a m a d a O ração do Se n h o r (Lc 11.1).
No G e ts ê m a n i, Ele orava mais in te ns am e nte (Lc
22.44); na cruz, orou pelos outros (Lc 23.34); e suas
última s pa lav ras antes de m o rr e r fo ram uma oração
(Lc 23.46). Está regis tra do que Ele ta m b é m orou
depois da sua ressu rr eiç ão (Lc 24.30).
• Ao o b s er v ar m o s a vida de Jes us nos outros
Ev a n g e lh o s, nota -se que Ele orou antes do convite,
Vinde a mim , todos os que estais can s a dos e
op ri m id o s (Mt 11.25-28); Ele orou j u n t o ao túmulo
de L áz aro (Jo 11.41,42) e dura nte a ins tit uiç ão da
Ceia do S e n h o r (Jo 17).
Os ju d e u s odi av am os gentios devido ao
tra ta m e nt o que deles r e c eb e ra m qua nd o no cati veiro da
Babi lôn ia. O lh a v a m - n o s co m despr ezo . C onsi de ra va m -
nos im u n d o s e inimi gos de Deus. Lucas descreve Jesus
d e rr uba nd o as barreiras que se le v an t av a m entre ju d e u s
e gentios, fa z en do do a rr e p en d i m en to e da fé as únicas

73
co nd iç õe s de a dm is são no reino. “E que e m seu nome
se pregasse ar re p en d i m en to de J e r u s a l é m ” (Lc 24.47).

A ss im fazi am os seus pais (Lc 6.23).


No Antigo Te s ta m en to , Israel muitas vezes
reje ito u a m e nsa ge m dos profetas de D eu s ( I R s 19.10;
Mt 5.12; 23.31,37; At 7.51,52). As igrejas de vem saber
que D eu s lhes envia pro feta s (Ef 4.11; IC o 12.28) com
o prop ós ito de c o n c la m a r tanto os líderes, com o o
povo, a uma vida de retid ão e de fide lid a de a toda
E s c ri tu ra e à sep aração do mund o (Ap 2; 3).
A c o m pai xão que Jesus sentiu po r essa viúva
(Lc 7.13) revela o seu a m o r e cuidad o especial pelas
viúvas e qu a lq u e r outra pesso a que fica s ozin ha no
mundo. O marido desta viúva mo rrera prim ei ro e,
agora, o seu filho único (Lc 7.12). Que situação! No
toc ant e a essa c o m p a i x ã o de Deus, as Escritu ras
e ns ina m o seguinte:
1. Deus é pai dos órfãos e defen sor das viúvas (SI
68.5). Estã o sob seu cuidado e proteç ão especiais
(Êx 22.22,23; Dt 10.18; SI 146.9; Pv 15.25);
2. M ed ia nt e o dízimo e a ab und ân c ia do seu povo, Deus
supre as ne ce ssi da de s deles (Dt 14.28,29; 24.19-21;
26.12,13);
3. Ele ab ençoa aqueles que os ajudam e os honr am
(Is 1.17,19; Jr 7.6,7; 22.3,4);
4. Ele está co ntra aqueles que tiram prov ei to deles ou
os l e s a m 1 (Êx 22.22,24; Dt 24.17; 27.19; Jó 24.3; SI
94.6,16; Zc 7.10);
5. São be nef icia dos pelo terno amor e c o m p a i x ã o de
Deus (Lc 7.11-17; 18.2-8; 21.2-4; Mc 12.42,43);
6. A igreja prim iti va fez do cuidad o deles uma
pri oridade (At 6.1-6);

1 Ofender o crédito ou a r epu ta ção de. Violar o direito de.

74
7. T ia go de c la ra que um dos a sp ec to s da ve rd a de ir a fé
em C ris to é cu id ar dos órfãos e das viúvas nas suas
aflições (Tg 1.27; cf l T m 5.3-8).
N a int erpre ta ção da p a rá b o la do sem e a do r
(Lc 8.13) por Cristo, Ele m os tra com c la reza que
al gué m po de crer e iniciar uma since ra vida de fé, mas
de svi ar-s e dep ois, por não re si sti r à tentação. Por outro
lado, há os que, ouvind o a Pala vra , a c o n se rv a m num
coraçã o ho n e st o e bom e dão fruto com pe rs ev e ra nça
(Lc 8.15). J esu s ensin a que é es s e nci a l que aqueles que
r e c eb e m a P a la v ra a c o n se rv e m ou gua rd e m (Lc 11.28;
Jo 8.51; I C o 15.1,2; Cl 1.21-23; l T m 4.1,16; 2Tm
3.1 3-15; l J o 2.24,25).
Q u a n d o os doze são e nc a rr e ga dos de pregar
(Lucas 9) r e c eb e m uma gra nde tarefa. Em Mateus
ouvi m os o Se nho r dizer: “ Não tomeis rumo aos
gentios... mas, de prefe rênci a, procurai as ovelhas
perdida s da casa de Is ra el ” . Luca s não regis tra isto, e
diz: “T a m b é m os enviou a p r e g a r ” e “então, saindo,
p erco rri am ... a nu nci a ndo o E va nge lh o... por toda p a r t e ”
(Lc 9.2,6).

Pr eg a r o reino... curar os e nfe rm os (Lc 9.2).


• Es ta foi a p rim eir a oc asião em que Jesus en vio u os
doz e dis cí pu lo s para re p re se n tá -l o por palav ras e
atos. A ins tru ção dada aos doze, c onf orm e o trecho
p aral elo em Mate us , foi ir às ovelh as perdida s da
casa de Israel (Mt 10.6). D ep oi s da sua ressurreição,
no en tan to , Jesus am pli ou o alcance, para abran ger
todas as nações, nu m a c o m is s ã o que deve co ntin uar
até à c o n s u m a ç ã o dos séculos e o fim do mund o (Mt
28. 18 -2 0; Mc 16.15-20).
• Os e sc rit ores dos Ev a n g e lh o s de ix am claro que a
o rd e m de Jesus para pre ga r o reino de Deus, raras
vezes, foi dada à parte da o r d e m para cu rar os

75
e n f e r m o s e ex pu lsa r de m ôn io s (Mt 9.3 5-3 8; 10.7,8;
Mc 3.1 4, 15 ; 6.7-13; 16.15,17; Lc 9.2,6; 10.1,9; cf.
4 .1 7- 19 ) . É à vontade de Deus que a pregação do
E v a n g e l h o , hoje, seja a c o m p a n h a d a pela me sm a
d e m o n s t r a ç ã o do Espírito e de p o d e r (Mt 10.1; Mc
16. 15-18; At 1.8; Rm 15.18,19; I C o 2.4,5; 4.20) a
fim de e nf re nt a r o desafio de Satanás nest es últimos
dias ( l T m 4.1; 2Tm 3.1-5).
» As igrejas de hoje não devem se c o m p a r a r umas
c o m as outras, mas com esta m e n s a g e m e padrão do
No vo Te s ta m en to . E s ta m os vendo e e x p e r im e n t a n d o
o reino de Deus da m e sm a m a ne ir a que os cristãos
pr im iti vos .
A paráb ola do Bom S a m a ri ta n o (Lc 10.30)
d e st a c a a verdade de que c o m p a i x ã o e c uida do são
coi sas i n t r í n s e c a s 1 à fé sal va dor a e à obe di ên c ia a
Cristo. A m a r a Deus deve ser ta m b é m amar ao
pró xi m o.
• A vida e a graça que Cristo tr a ns m it e aos que o
ace ita m pro duz e m amor, m is e ri c ó rd ia e c o m pa i xã o
pe los ne ce s sit a do s e aflitos. Esse am or é um dom da
graça de Deus através de Cristo. O crente tem a
re s p o n s a b il id a d e de viver à altura do amor do
Es p ír i to Santo, tendo um coraçã o não end urecido .
• Q ue m afirma ser cristão, mas tem o coração
in se ns ív e l diante do s ofr im e nt o e da n e ces sid ad e
dos outros, de m ons tr a c ab a lm e n te que não tem em si
a vida eter na (Lc 10.25-28 ,31-3 7; cf. Mt 25.41-46;
l J o 3.16-20).
O crente deve a pr e nder a orar por seu
sust en to (Lc 11.3; cf. Mt 6.11), tendo por base quatro
p r in c íp io s bíblicos. Sua pe tição deve ser:

1 Que está i nsepar avel ment e ligado a uma pessoa ou coisa;


inerente; peculiar.

76
• De c o n f o r m i d a d e c om a vo nta de de De us e para sua
glóri a (Mt 6.10,33; I C o 10.31; l J o 5.14,15);
• De m o d o que, por ela, De us d e m o n st re seu amor
p at erna l ao crente (Mt 6.9, 25-34);
• Pa ra s upr ir suas n e ce s si da de s básicas e dar-lhe
c o n d iç õ e s de pr at ic ar os dever es cristãos (2Co 9.8;
l T m 6.8; Hb 13.5);
• P a ra pe di r coisas para si so m e n t e depois de dar
f ie lm e n te a Deus e ao p r óxi m o (2Co 9.6).
O trecho de Lucas 11.20-26 revela três
coisas:
1. O s uces so do reino de D eu s na terra está em
p r o p o r ç ã o direta à de str uiç ã o do p o d e r de Satanás e
à li be rta ção do ho m e m p e rd id o da e scr av idã o do
pe ca do e do d e m o n is m o (Lc 11.20);
2. Sa ta nás lutará co ntra o e s ta b e le c im e n to do reino de
Cris to na terra (Lc 11.24-26; M t 13.18-30; Ap
12 . 12 ) ;
3. Jesus de m o n st ra o seu p o d e r e auto rid ad e divina
sob re Sata nás , ao de rrotá-lo , de sa rm á -l o e despojá-
l o 1 de seu po d e r (Lc 11.20-22; Cl 2.15).
Jesus de clara que é im po s sí vel p e rm a nec e r
neutro no co nf lit o espiritual entre o seu reino e o poder
do mal (Lc 11.23).
• A que le que não se une a Cris to na oposi ção a
Sa ta nás e à in iq uid ad e deste m un d o , posiciona-se,
na rea lid ade , co ntra Jesus Cristo. C ada um, ou está
luta ndo por Cristo e pela j u s ti ç a , ou por Satanás e
pela im pi ed ad e;
• As pa lav ras de Jesus c o n d e n a m q u a lq u e r intento de
p os iç ã o ne utr a ante a in iq üid a de , bem com o
o b e d iê n c ia parcial.

1 Pri var da posse; espoliar, desapossar, despir.

77
Sete espír itos piores... e... hab ita m ali (Lc 11.26).
O assunto aqui fica claro, ante o trecho
paralelo de Mateus 12.43-45 nota, que fala da casa
de socupada.
• A p ass ag em re ssa lta o fato de que na sua c o n v er sã o
(Jo 3.3) o crente deve, não somen te ser liberto do
pe cado, mas ta m b é m , a partir daí, d e dica r- se
to ta lm e nt e a Cristo, à oração, à retidão, à P a la v ra e
ao rec eb im e nto da ple n it u d e do Espíri to Santo;
• Satanás não de ix a de atacar o crente após a sua
conv ersão . Seu p o d e r é uma am eaça c o n tí n u a e
inc es sa nt e (Lc 22.31; ver Mt 6.13). A nos sa
proteç ão contra o p e ca d o e Satanás vem pela nos sa
plena c on sag ração a Cristo e o em pre go de todos os
meios de graça que nos são dispo níve is através de
Cristo (ver E f 6.11).
Jesus c o n d e n a a hipocrisia (Lc 12.1) dos
fariseus e adverte seus discí pulos a se p r e c a v e r e m 1
c ont ra esse pecado na sua própria vida e ministério.

Figueira... m an dar ás c o rt a r (Lc 13.6-9).


A pa rá bol a da figueira refe re-s e
p ri m ei r am e n te a Israel (Lc 3.9; Os 9.10; J1 1.7). Sua
verdade, no entanto, aplica- se a todas as pe ss oa s que
pr of es sa m crer em Jes us, mas não a b a n d o n a m o
pecado. E m b o r a Deus dê a todos ampla o p o rt u n i d a d e
de se arre pen de rem, Ele não tolerará para s em pr e o
pecado. O tempo virá q u a nd o a graça e a m is e ri c ó rd ia
de Deus serão r e m ov id a s e os impe nitente s c ast iga dos
sem m is e ri c ór di a (Lc 20.16; 21.20-24).
Jes us mo stra, aqui em Lucas 13.11, que
certas en fe rm id a de s são efeito direto da ação ou
opressão de demônios.

1 Acaut el ar com ant eci pação; prevenir, precatar.

78
O s of rim en to desta m u l h e r alei jada pro ce dia
de um espír ito , i.e., um e m i s s á r i o 1 de Satan ás (Lc
13.11,16; cf. Mt 9.32,33; 12.22; Mc 5.1-5; 9.17,18; At
10.38).

A p a r á b o la da grande ceia (Lc 14.15-24).


E m b o r a esta pa rá b o la ori g i n al m e n te se
a pli que a Israel e à sua reje içã o ao E v a n g e lh o , ta m b é m
se aplica, hoje, às igrejas e a c ad a cre nte professo.
• O ass unt o desta pa rá bo la é o dia da ressu rr ei ç ã o em
sua glória celestial futur a (Lc 14.14,15; cf. 22.18),
i.e., a volta de Cristo para levar os seus para o reino
celestial.
• A q u e le s que, ini ci al me nte , a ce it a ra m o convite, mas
não c o m p a r e c e ra m , re p re se n ta m os que aceit aram
(ou a p a r e n te m e n te aceit aram ) o c onvite de Jes us à
s alv aç ão , mas seu amor a C ris to e ao seu reino
celes tia l esfriou (Lc 14.17-20).
• Tais pe sso as de ixa ram de ter co mo obje tiv o as
coisa s celestiais (Lc 14.18-20). R ej ei ta ra m a
a d m o e s ta ç ã o bíblica de b u s c a r e m as coisas que são
de cima , e não as que são da terra, en quan to
e s p e r a m o ap ar ec im e nt o de C ris to (Cl 3.1-4). Sua
e s p e ra n ç a e sua vida se c e n tr a li z a m nas coisas deste
m u n d o , e j á não de sej am u m a pá tria melhor, isto é,
a celes tia l (Hb 11.16).
• O ve rs íc ul o 22 indi ca que t a m b é m ha ver á aqueles,
cujo co ração está ligado co m Cristo no céu, e não
nas va nta ge ns desta vida. O ra m ju n t a m e n t e c om o
Es p ír i to e a noiva: Ora, vem, Se n h o r Jesus (Ap
2 2 . 2 0 ).
As três parábo las de Luca s 15: A O ve lha
P erdid a, A D ra c m a P e rd id a e O Fi lh o Pr ódi go revel am

1 Aque le que é envi ado em missão; mensagei ro.

79
que Deus é aquele que, no seu amor, bu s c a a pe sso a
pe rd id a para salvá-la. N e la s a pre nde mo s que:
• É de m á x im a im p o r t â n c i a para o coraçã o de Deus a
no ssa bu sc a dos per d id o s (Lc 15.4,8,20^24);
• T an to De us qua nto o céu se re goz ija m , m e sm o
qua nd o um só p e c a d o r se arrepende (Lc 15.7,10);
• N e nh um labor ou s ofri me nto nosso é d e m as ia do
grande na busca dos pe rdi dos para le vá-los a Cristo
(Lc 15.4,8).

O rico e Láz aro (Lc 16.19-31).


O rico levou uma vida e g o c ê n t r i c a 1.
Esc ol he u mal e sofreu e te rn am e nte (Lc 16.22,23).
Lázaro viveu a to ta lid ad e da sua vida na pobreza, mas
seu co ração era reto para com Deus. Seu nome
significa De us é meu socorro, e ele nunc a abdico u da
sua fé em Deus. M orre u e foi im e di a ta m en te levad o ao
Paraíso, para estar co m Abra ão (Lc 16.22; 23.43; At
7.59; 2Co 5.8; Fp 1.23). Os destinos desses dois
hom en s for am irrev ersív eis a partir da sua mor te (Lc
16.24-26).
No tocante à de cla ração de Jes us a resp eito
do perdão ao p ró xi m o (Lc 17.3,4), obs er vem os o que se
segue:
• Jesus de seja que o cre nte queira sempr e pe rd o a r e
ajud ar os que o ofe nde m , em vez de abrig ar um
espírito de vingança e ódio;
• O perdã o e a re c onc ili aç ã o não pode m ocorrer
v erda de ir am en te , até que o tra ns gr e sso r re c onhe ç a
sua ação errada e se arrepen da si nceramente. Além
disso, Jes us não se referia ao mesm o delito repet ido
co nst a nte m e nte ;

1 Diz-se daq ue le que refere tudo ao próprio eu, t omado como


centro de todo o interesse; personalista.

80
• O o fe n d id o deve estar dis po st o a co n ti n u a r
p e rd o a n d o , se o c ulpa do se a rr e pe nd e r sin ce ra m e nte
(Lc 17.4). Qu a nt o a p e rd o a r sete ve zes no dia, Jes us
não está ju s t i f i c a n d o a práti ca do pecado habitual.
N e m e stá Ele di zen do que o cre nte deve p e rm iti r
que al gu ém o ma ltrate ou abuse dele
in de fi n id a m e n te . Seu e nsi no é que dev em os estar
s em pr e di sp os to s a ajud ar e pe rd oa r o ofensor.

O F aris eu e o Pu bl ic a no (Lc 18.9-14).


O fariseu era ju s t o aos seus próp rios olhos.
A p e ss oa que pen sa ser j u s t a por c aus a dos seus
próp ri os esforços, não tem c o n sc iê n ci a da sua próp ri a
n a tu re za pe ca m in os a, da sua in d ig nid a de e da sua
p e rm a n e n te ne ce s si da de da ajuda, m is e ri c órd ia e graça
de Deus. Po r causa dos seus d est ac ad os atos de
c o m p a i x ã o e da sua b o nd a de ex terior, tal pesso a acha
que não pre c isa da graça de Deus.
O pub lic an o, por outro lado, e sta va
p r o f u n d a m e n t e c on sci en te do seu pe cad o e cu lp a e,
ve rd a d e ir a m e n te a rre pen di do, volto u- se do pe cad o para
Deu s, s up lic an do pe rdã o e m is eric órd ia . Ti p if ic a o
verda dei ro filho de Deus.
Ao ent rar em J e r u sa lé m mo nt ad o nu m
j u m e n t o (Lc 19.28-40), Jesus testi fic a p u b li c a m en te
que é o p r e d i t o 1 Rei e M es si as de Israel.
• E s s a e nt rada em J e r u sa lé m foi predit a pelo profeta
Zac arias (Zc 9.9);
• A e ntra da hu m ild e de Jes us é uma ação si m bólic a
de st in ad a a d e m o n s t ra r que o seu reino não é deste
m u n d o e que Ele não veio para gov e rn a r o mu nd o
pe la força ou violência.

1 Dito ou citado anteriormente.

81
O S ofrim ento do F ilho do H om em
(Lc 20.1 -2 3 .5 6 )

Os ju d e u s i m a g in a v a m que o M e s si a s seria
um de sc e nd en te de Davi e, portanto, s om en te um mero
gove rna nte huma no. Jesus de m o n st ra que a declar aç ão
de Davi em Salmos 110.1, onde c h a m a seu filho Senhor
(Lc 20.44), indica que o Mes si as é mais que um rei
hum an o; Ele é, ta m bé m , o divino Filho de D eu s (ver SI
110.1,7).

A oferta da viúva (Lc 21.1-4).


Tem os aqui um a lição de Jesus a respeito de
como Deus vê nossas co nt rib uiç õe s e donativos.
Jesus está sentad o co m os dis cí pulos ao
redor da mesa, c e le bra ndo a festa da Pás coa . Ness a
ocasião Ele ins tituiu o que c h a m a m o s “ Ceia do
S e n h o r ” . Ou ç a Suas palavras: “Meu corpo oferecido
por vós... meu sangue, de rra m a do em favor de v ó s ” (Lc
22.19,20). Isso é dif erente de Mate us e Marcos. D iz e m
eles: “Meu sangue de rra m a do em favor de m u i t o s ” . E m
Lucas, seu a mo r é ex pr ess o de m an ei ra m u ito pessoal.
A c res cen ta o evangelista: “Fazei isto em m e m ó ri a de
m i m ” . Jesus estaria na me nte e no co ração dos
discípulos.
No Jar dim do G etsêmani. Ali está Jesus
orando, e de Sua fronte sagrada esc or ri am “co m o que
grandes gotas de s a n g u e ” . Lucas nos fala de um anjo
desce ndo para servir o Filho do homem. “Na fr aqu eza
da v a r on ili da de perfeita, Ele s o fr e ” . Mate us e M arcos
não m e n c i o n a m o anjo. Sob as somb ras do ja rd im ,
a p ro x im a m -s e soldados co nd uzi dos por Judas. D iz ia m
as Es c rit ur a s que Jesus seria traído por um amigo e
vendido por trinta m oed as de prata (Lc 22.47-62; SI
41.9).

82
Pi or ainda, os Seus amigos O a ban d o n a ra m .
P e dr o ne gou -o e todos o d e ix a r a m e fugiram, e xce to
João, o discí pulo amado. Só Luca s nos con ta que Jesus
olho u para Pedro que a ca ba va de ne gá-lo e, c o m um
olh ar de amor, derrete u o co ração do discípulo.
Jesus diante do p r e t ó r i o 1 de Pilatos; depois
pe rante H e rod es (Lc 23. 1-1 2) , Este é o m e sm o H e ro de s
que ma nd ou d e ca pi ta r Jo ão Batista. D e v id o à tão
grande durez a do coraçã o de Her ode s, Jesus se r e c u sa a
dirigi r-l he uma única palavra. Irado, H erodes,
j u n t a m e n t e com seus sol dad os , z o m b a da reiv in d ic a çã o
de Jesus, afirm a nd o ser o rei dos ju deu s.
Da Via D o l o r o s a até a Cruz (Lc 23.27-3 8) .
Só Lucas m e n c i o n a a pa la vr a Calvário, que é o nome
ge ntio de Gólgota. Luca s de ix a de fora muit a c ois a que
M at e u s e M ar co s re gis tra m, porém, som ent e nele se
e n c o n tr a a oração de Jesus: “Pai, pe rd oa -lh e s, porqu e
não sab em o que f a z e m ” , e a Sua últi ma palavra: “Pai,
nas tuas mãos en tre go o meu e s p ír it o ” (Lc 23.13-46).
Três cruz es se er g u ia m no alto do Calvário.
N u m a delas e sta va um malfeito r, que m orr ia po r seus
crimes. Lucas ta m b é m c ont a esse fato (Lc 23.39-45).
Ele creu no C ord e iro de Deus.
A cena do c al vá rio te rm ina co m o Fi lh o do
h o m e m c la m an do em alta voz: “Pai, nas tuas mã os
ent rego o meu e s p í r i t o ” . De acordo c o m este
Ev a ng e lh o, o c en tu r iã o assim testifica:
“ V e rd a d e ir a m e n te este h o m e m era j u s t o ” .
A c ru c if ic aç ã o e a morte de Jesus são a
es s ê nc ia e o fu n d a m e n to do plano divino da re de nçã o
( I C o 1.23,24). Jesus, que nun ca pecou, m or r eu em
luga r da h u m a n id a d e pecadora. M ed ia n te sua
cruc ifi caç ão , foi pag a a pe n al i d ad e dos nosso s pe cados,

1 Na Roma antiga, tribunal do pretor.

83
e a o br a de Satanás foi desfeita. Agora, todos podem
vo lta r-s e pa ra Deus, co m a rr e p e n d i m e n to e fé em
Cristo, e re ceb er o pe rdão, a salvaç ão do pecado e a
vida eterna.

A V itória do F ilh o do H om em
(Lc 24.1-53)

Jesus mostra a esses dis cí pulos que o Senhor


re ssu rr eto é o m esm o amigo c o m p re e n s iv o e amável de
antes da Sua morte. D e po is de c a m i n h a r e co nversar
com eles, ou vim os os dis cí pul os rogar-l he que entre e
passe a noite em c o m p a n h i a deles. R ev e lo u quem era,
ao le va nta r aquelas mãos tra ns pas sa da s na cruz, para
partir o pão. Então, o re c onh ec er am , porém, ele
desaparec eu . R e to rn an do a J er usa lé m, lá e nco ntr aram
muitas pr ova s da ressurreição. Ele pro vou ser um
h o m e m real, de carne e osso. To d o s esse porm en ore s
p e rt e n ce m ao E van ge lho de Lucas.
Três vezes, depois de ressurreto, Seus
discí pulos toc ar am nele (Mt 28.9; Lc 24.39; Jo 20.27).
L e va nta nd o Cristo as mãos para abençoar,
“ foi ele va do ao c é u ” (Lc 24.51). O fato de ter sido
“e l e v a d o ” revela, outra vez a Sua n a tu re za humana. Ele
não é mais um Cristo local, c ir c unsc ri to a Jeru sal ém ,
mas um Cris to universal.

Q u estio n ário

• A ssi na le com “X ” as alternat iva s corretas

6. Lucas re ssa lta mais do que os outros Eva nge lh os a


prática da
a ) | I Fé na vida e na obra de Jesus
b ) |_j C o m u n h ã o na vida e na obra dos discípulos

84
c ) [>1 Oraçã o na vida e na obra de Jesus
d ) |_! C ar id ad e na vida e na obra dos discípulos

7. Sua verdade, no e n ta nt o, ap lica-se a todas as pess oa s


que pr of es sa m crer em Jesus, mas não a b a n d o n a m o
pecado. R ef er e-se à
a ) |_J Pa rá bol a do bom sam a rit an o
b ) 0 Pa rá b o la da fig uei ra
c ) |_J P a rá bo la do s e m e a d o r
d ) |_| P a rá bo la da gr a nde ceia

8. Ao entrar em J e r u sa lé m m o nta do num j u m e n to , Jes us


testifica p u b l i c a m e n t e que é Rei e Mes sias de Israel
que fora predito pelo pro fe ta
a ) | | Isaías
b ) |_I M iqu éi as
c ) |_| Daniel
d ) F1 Zacarias

• M arque “ C ” para Certo e “E ” para Errado

9." As igrejas de hoje não de vem se c o m p a r a r umas


co m as outras, mas seg uir o padrão do A nti go
Te st am en to
1 0 . 0 Os amigos de Jesus O ab and onaram . Pe dro
neg ou- o e todos o d e ix a r a m e fugiram, e xce to T o m é,
o dis cíp ulo am ado

85
86
Lição 4
O Evangelho de João

Autor: João
Data: 80-95 d.C.
João Tema: Jesus, o Filho de Deus
Pa la vra s- C ha ve : Crer, test em unha r, vida
V e rs íc ulo s -c ha ve : 3.16; 20.30-31

O E v a ng e lh o s eg undo João é ím pa r entre os


qua tro E va nge lho s. R el at a mui tos fatos do m in is té rio
de Jes us na Ju dé ia e em J e r u sa lé m que não se a ch am
nos Sin ót ico s, e revel a mais a fundo o mis tério da sua
pessoa.
S egundo te s t e m u n h o s antigos, os presb íter os
da igreja da Asia M e n o r p e d ir a m ao venerável ancião e
a pós to lo João, re si den te em Efeso, que e sc reves se este
“E v a n g e lh o e s p ir it u a l” para c ont es ta r e re fut ar u m a
pe ri g o s a heresia c onc e rn e n te à natureza, pe sso a e
de id ad e de Jesus, p ro p a g a d a por um certo ju d e u de
n o m e Cerinto.
E talvez a pe ça literária de mais a m pl a
c ir c ul aç ã o em todo o mu ndo , devido à práti ca de
im p r i m i r e di st rib uir o E v a n g e lh o de João em s e p a r a t a 1.

1 P ubl ic açã o, em volume ou opúscul o, de artigo ou de outro


t raba lh o saído ern j o rn al ou em revista, empre gand o-s e a mesma
c o m po s iç ã o tipográfica.

87
A utor

O autor id en tif ic a-se in dir et a m e nte co mo o


discípulo “ a q u e m Jes us a m a v a ” (Jo 13.23; 19.26; 20.2;
21.7,20). O te st em unho dos prim órd ios do crist ia nis mo ,
bem co mo a e v id ên c ia interna deste E van ge lho ,
ev id en c ia João, irmão de Tiago, filho de Ze bed eu , ex-
pe sc a do r c o m o o autor. João foi um dos doze apóstolos
originais de Cristo, e ta mbém um dos três mais
chegad os a Ele (Pedro, Tiago e João). Foi escrit or de
outros 4 livros do N ovo Tes tam ent o.

Tem a

D e u s v o c a c io nou João para a p resen ta r o


rgtrato e s p i r i t u al de Cristo. Jesus Cristo é o v erdadeiro
Filho de D e u s, vindo por d e te r m in a d o tempo para ser
revestido de carne h umana. NãcTõbstante, é a segunda
Pessoa da bendita Tri nda de , pré -e xis te nte e eterna. Em
n e nh um a out ra peça literária, a divi nda de de Cristo é
mais pe rs ist e nt e afirmada, ou d e f in id a m e nte provada.
To do s os e lem en to s de João - o prólogo, os
milagres, os discursos, as en uncia çõ es prof ética s, a
morte, ressu rr ei ç ã o e ascensão sem paralelo s - tudo se
resume em uma grande declaração: Cristo é Deus.
O Ev a nge lh o segundo João c ontin ua sendo
para a igreja uma gra ndi os a e x pos iç ã o teo lógic a da
“V e r d a d e ” , co mo a temos p e rs on al iz a do em Jesus
Cristo.

D ata

A é poc a em que foi escrito é bem posterior,


cerca de 80-95 d.C. João, por essa época, ta m b é m tinha
cerca de 95 anos.

88
A m e sm a tr a diç ão que localiza João em
E f e s o sugere que ele e sc re v e u seu Ev a ng e lh o na últ im a
parte do século I.
Na falta de prova s substa nc iais do contrá rio ,
a m a io ri a dos eruditos aceita essa tradição.

P ro p ó sito

João dei xa claro o propós ito do seu


E v a n g e lh o , em João 20.31, a saber: “para que creiais
que Jesus é o Cristo, o Fi lh o de Deus, e para que,
crendo, tenhais vida em seu n o m e ” . A lgu ns
m a n u sc ri t o s gregos deste E v a n g e lh o apresentam, nest a
p a ss a ge m , formas verbais distintas para “c re r” . Uns
c o n tê m o a o r i s t o 1 s ubj unt iv o ( “para que c o m e c e m a
c r e r ” ); outros co ntê m o pre s en te do subjuntivo ( “para
que c o n ti n u e m c r e n d o ” ).
No prim eiro caso, João teria escrito para
c o n v e n c e r os incré dulo s a c re r em Jesus Cristo e ser em
salvos. No segun do caso, João teria escrito para
c o n s o li d a r os f u nd a m e nto s da fé de modo que os
cren tes c on ti nu a ss em firmes, apesar dos falsos ensi nos
de en tão, e assim tere m ple n a c om u n h ã o com o Pai e o
Fi lh o (cf. Jo 17.3).
Estes dois p r opó s ito s são vistos no
E v a n g e lh o segundo João. C ontu do, o peso do
E v a n g e lh o no seu todo fa vorece o segundo caso c o m o
s end o o propó si to p re dom in a nte .

1 [Do gr. a ó r i s t o s , “i n d ef i ni d o ” , pelo lat. tard. a o r i s t u . ]


Na lg um as línguas, como no grego e no sânscrito, forma que o
verbo toma para i ndicar que uma ação passada é vista
i nde pe nd en te me nt e de noções as pectuais, como, p. ex., ter sido
co mp l et ad a ou não, estar r epet ida ou não, ser duradoura ou não,
etc.

89
V isão P anorâm ica

Jo ão apre sen ta ev idências cu id ad os a m en te


s ele ci on ad as no sentido de Jesus ser o Messias de
Israel e o Fi lh o e nca rna do (não ad otado) de Deus.
As evid ênc ia s c o m p r o b a t ó r i a s 1 incluem:
1. Sete sinais (Jo 2.1-11; 4.46-54; 5.2-18; 6.1-15; 6.16-
21; 9.1-4 1; 11.1-46) e sete ser mões (Jo 3.1-21; 4.4-
42; 5.19-47; 6.22-59; 7.37-44; 8.12-30; 10.1-21),
pelos quais Jesus revel ou cl aram en te sua verdadeira
identi da de;
2. Sete de cla raçõ es “Eu s o u ” (Jo 6.35; 8.12; 10.7;
10.11; 11.25; 14.6; 15.1) me di a nte as quais Jesus
reve lo u f ig ur ad a m e nt e aquilo que Ele é como
re d e n to r da raça humana;
3. A ressu rr ei ç ã o c o r p ó r e a 21 de Jesus co mo o sinal
s up remo é a prova m á x i m a de que Ele é o “Cristo, o
Filho de D e u s ” (Jo 20.31).
Jo ão co nt ém duas divisões principais:
1. Os ca pí tu lo s 1-12 tratam da en ca rn a çã o e do
m in is té rio públic o de Jesus. A pe sa r dos sete sinais
c on v in c e n te s de Jesus, dos seus sete grandiosos
ser mões e das suas sete maje sto sa s declara çõ es “Eu
s o u ” , os ju d e u s o re je ita ram co mo seu Messias;
2. U ma vez reje itado pelo Israel do antigo pacto, Jesus
passou (Jo 1 3 - 2 1 ) a co ns id e ra r seus discí pulos como
o nú c leo do novo concerto (i.e., a igreja que Ele
fundou). Estes capítulos in cl uem a últ im a ceia de
Jesus (Jo 13), seus últimos ser mões (Jo 1 4 - 1 6 ) e sua
oração final co m seus dis cípulos (Jo 17). O novo
c on cer to se iniciou e se e st ab el ece u pela sua morte
(Jo 18,19) e ressurreição (Jo 20,21).

1 Que cont ém prova ou provas do que se diz; que serve para


comprovar; comp ro ba tiv o, comprovativo.
2 Corporal. Rel at ivo a corpo; material.

90
C a ra cte rístic as E speciais

Oito ca ra c te rís tic as ou ênfases princi pa is


de sta cam o E v a n g e lh o s eg und o João.
1. Jesus co mo “ o Fil ho de D e u s ” . Do pról ogo do
Eva ng el ho , com sua s ublim e declaração: “ vim os a
sua gl ó ri a ” (Jo 1.14), até à sua c onclu sã o na
confissã o de Tomé: “ S e n h o r meu, e Deus m e u ! ” (Jo
20.28), Jes us é Deu s, o Filho encarnado;
2. A pa lav ra “ c re r” oco rre 98 vezes, e quiv al en te a
re ceb er a Cristo (Jo 1.12). Ao m esm o tempo, esse
“c r e r ” requer do crente u m a total de dicação a Ele, e
não apenas uma atitude mental;
3. “V ida e t e r n a ” em Jo ão é um co nce ito -c ha ve,
referin do-s e não tanto a uma ex ist ên c ia sem fim, mas
à nova qu al ida de de vida que pro vém da nos sa união
com Cristo, a qual re s ulta tanto na lib ertação da
e scr av idã o do pe cad o e dos dem ôni os , co mo em
nosso c r e sc im e nt o c o ntín uo no c o nhec im e nt o de
Deus e na c o m u n h ã o co m Ele;
4. E nc on tr o de pe sso as co m Jesus. Há neste E v a n g e lh o
27 desses en co nt ro s in d iv id u a is assinalados.
5. O minis té rio do Es pír i to Santo, pelo qual Ele
capac ita o crente, c o m u n ic a n d o - l h e c o n ti n u a m e n te a
vida e o po de r de Jesus após sua mo rt e e
ressurreição;
6. A “ v e rd a d e ” . Jesus é a verdade; o Espírito Santo é o
Espí ri to da verdade, e a P a la v ra de Deus é a verdade.
A verdade liberta (Jo 8.32); purifica (Jo 15.3). E la é
a a n t í t e s e 1 da na tu re z a e ativida de de Satanás (Jo
8.44-47,51);

1 Figura pela qual se sal ient a a o pos ição entre duas pal avras ou
idéias; enantiose.

91
7. A im p o r tâ n c ia do n ú m e ro sete neste Ev a nge lh o: sete
sinais, sete ser mões e sete de clarações “Eu s o u ” dão
te s t e m u n h o de quem J esu s é (cf. a proeminência* do
nú me ro “ s e t e ” no livro de Apocalipse, do mesm o
autor);
8. O e m p r e g o doutras palavr as de dest aq ue como:
“ luz ” , “ p a l a v r a ” , “c a r n e ” , “ a m or” , “ t e s t e m u n h o ” ,
“c o n h e c e r ” , “ t re v a s ” e “ m u n d o ” .

C om entário

Jo ão não c o m e ç a na m a nje doura de Belém,


mas antes que o mu ndo fosse formado: “No p r i n c í p i o ” .
Jesus era o Filho de D eu s antes de Se “ to rn ar car ne e
ha bitar entre n ó s ” “No prin cí pio era o V e r b o ” . C o m o é
s em e lh a nt e a G ên esi s o início deste livro!

O verbo (Jo 1.1).


Jo ão c o m e ç a seu E va ngel ho d e n o m in a n d o
Jesus de “o V e r b o ” (gr. Logos). Med ia nte este título de
Cristo, João o a pre se nta com o a Pala vra de Deus
pe rs o n if ic ad a e de cla ra que nestes últimos dias Deus
nos falou através do seu Filho (cf. Hb 1.1-2). As
Esc rit ura s de cl a ra m que Jesus Cristo é a s ab e dori a
m ul tif or m e de De us ( I C o 1.30; Ef 3.10,11; Cl 2.2,3) e
a pe rfeita rev e la ç ã o da nat ure za e da pe sso a de Deus
(Jo 1.3-5,14,18; Cl 2.9).
A ss im co mo as palavras de um ho m e m
revel am o seu co ra çã o e mente, assim tam bé m Cristo,
co mo “ o V e r b o ” revela o coração e a mente de Deus
(Jo 14.9). João nos apre sen ta três c ar ac te rís tic as
princi pa is de Jesus Cristo com o “ o V e r b o ” .

' S up eri ori dade , preemi nênci a.

92
1. O re la c io n a m e n to entre o Verb o e o Pai.
a) Cristo pr e e x is ti a “ c om D e u s ” antes da criação do
mu nd o (Cl 1.15,19). Ele era uma pe sso a ex ist en te
desde a et ernid ad e, distinto de Deus Pai, mas em
eterna c o m u n h ã o c om Ele.
b) Cristo era divin o ( “o Verb o era D e u s ” ), e tinha a
m e sm a n a tu re za do Pai (Cl 2.9; Mc 1.11).
2. O re la c io n a m e n to entre o Verbo e o mundo. Foi po r
in te rm éd io de Cristo que Deus Pai criou o mu nd o e o
sustenta (Jo 1.3; Cl 1.17; Hb 1.2; I C o 8.6).
3. O re la ci o n a m e n to entre o Verb o e a hum an ida de. “E
o Verbo se fez c a r n e ” (Jo 1.14). Em Jesus, D eu s
tornou -s e um ser h u m a n o c om a me sm a n a tu re za do
hom em , mas sem pe cado. Este é o pos tulad o básico
da encarn açã o: Cristo de ixo u o céu e e x p e r im e n t o u a
c on diç ão da vida e do am bi e nt e huma no ao ent rar no
mu nd o pela por ta do n a s c im e n to hum a n o (Mt 1.23)
Cristo se to rno u o que ele não era
an te ri or m e nt e - ho me m. Não cessou, porém, de ser
Deus. Era D e u s -h o m e m . D ura nte 33 anos viveu ne ste
mu ndo num ta be r nác ul o de carne. Enc a rn a çã o vem de
duas palavras latinas: “in” si gnifi ca ndo “e m ” e “ caro ” ,
“c a r n e ” . Cristo, pois, foi Deus na carne.
C om o foi re c eb id o Cristo, o V erbo ? Ler Jo ão
1.11. Veio para os Seus (judeus) e eles não O
recebe ram. A p re s e n to u -s e ao seu povo co mo Rei,
porém, foi rejeitado.

Q u estio n ário

• Ass ina le co m “X ” as alternat iva s corretas

1. Qua nto a João, é erra do dizer


a)|_| Irmão de Tiago , filho de Zebedeu
b>)0 E s c ri to r de 3 livros do Nov o T e s ta m en to

93
c ) |_J E x - p e s c a d o r
d ) |_| U m dos doze ap ó st o l o s originais de Cristo

2. Q u a n to às c ar ac te rís tic as ou ênfases principais


de sta c ad a s no E v a n g e lh o segundo João é incorreto
diz er que
a ) |_| “V ida e te r n a ” em Jo ão é um c on ce ito -c ha ve
b ) | ! Jesus é tratado co m o “ o Filho de D e u s ”
c ) | | Jes us é a verdade; o Espíri to Santo é o Espírito
da verdade, e a P a la v ra de Deus é a verdade
d ) [X] O núme ro cinco nest e Ev a n g e lh o tem certa
impor tância: cinco sinais, cinco sermões e cinco
de cla raçõ es “Eu s o u ”

3. João c om eç a seu E v a n g e lh o de n o m in a n d o Jesus de


a) D “O R ei”
b ) D “ O S a lv a d o r ”
c ) 0 “O V e r b o ”
d ) D “O M e s s i a s ”

• M ar q u e “C ” para Certo e “E ” para Errado

4 . [Z1 Seg und o te s te m unho s antigos, os pre sbíteros da


igreja da Ásia M e n o r pe d ir a m ao apóstolo João que
e sc reve ss e este E v a n g e lh o para c onte s ta r uma
he re sia pr op ag ad a po r Cerinto
5 . [Z~1 Deus voc aci ono u João para aprese nta r o retrato
espiritual de Cristo, Fil ho de Deus, vindo por
d e te r m in a do tempo para ser revestido de carne
hu m a na

94
M in is t é r io P ú b li c o
(Jo 1.19-12.50)

João Bat ist a foi a p rim eir a das sete grandes


te st em un ha s da d iv in da de de Cristo (que Cristo era
Deus). “Eis o C ord e iro de D e u s ! ” Q uando J esu s foi
bat iz ado João viu o Es pír i to descer sobre Ele e pousar:
“Eu de fato vi, e tenho test ificado que ele é o Fi lh o de
D e u s ” (Jo 1.34). E te rm in a o seu testemu nho: “Es te é o
Filho de D e u s ” (Jo 1.34).
No co m eç o Cristo re ve lou -s e Filho de D eu s
pelas Suas palavras e atos. O prim eiro sinal da Sua
div in da de foi tr a n s f o r m a r água em vinho (Jo 2.1-11).
S im p le s m e n te falou e foi obedecido. Este mi la gre
co n v en c e u os di sc íp ulo s de que Ele era o Messias.
Q ua ndo os dirig ent es p e d i r a n r u m “ s i n a l ” que
pr ova sse a Sua a uto rid a de em purif ica r o te mp lo e dele
e x p u ls a r os c a m b i s t a s 1, replicou: “D e s tr u í este
santuário, e em três dias o re c o n st r u ir e i” . Os ju d e u s
fica ram e sc a n d al iz a d o s, pois o santuário tin ha sido
c ons tr uíd o em 46 anos. “Ele, porém, se refe ria ao
san tuário do seu c o r p o ” , ex pl ic a João 2.19-22. A
su pr e m a pr ov a da div in d a d e de Cristo é a r e s su rr ei ç ã o
(Rm 10.9,10).
Jesus tr a n s m it iu a N ic o d e m o s os
ma ra vi lh os os en sin os sobre a vida eterna, Seu a m or (Jo
3.16), e o novo n a s c im e n to (Jo 3.6). N ic o d e m o s era um
h om e m reto, de alto pa drã o moral. Cristo, c o n tu d o lhe

1 Indi ví duo que troca, permuta. Quando se fazia o r e c ens eament o


do povo, todo o i sraelita rico ou pobre que havia ch egado a
i dade de vinte anos, devi a cont ri bui r com meio siclo par a o
tesouro do Senhor, como resgat e de si próprio (Êx 30. 12-16).
Tant o oferta do meio siclo como todas as cont ri bui ções devi am
ser feitas em moeda do país. O câmbi o foi necessário mas não
dentro do Templo.

95
disse: “Im po r ta - vos nasc er de n o v o ” . Se J esu s houvesse
dito isso à mu lh e r sam aritana, N i c o d e m o s teria
c on c o r d a d o . Po r causa do seu na sc im e nt o, não era jud ia
e c o m o s am arit an a na da podia esperar. N ic ode mo s,
porém, era ju d e u de na sc im e nto e tin ha direito de
e sp e ra r al g u m a coisa. Foi j u s t a m e n t e a ele que Jesus
disse: “Im po rt a- vos nasc er do alto” .
João 3.16 revela o co ração e o pro pósi to de
Deus para com a humanidade:
1. O a m o r de Deus é s u fi c ie n t em e n te imens o para
a br a ng er todos, i.e., “o m u n d o ” ( l T m 2.4).
2. De us “ d e u ” seu Filho co mo oferenda na cruz por
no sso s pecados. A ex pia ç ã o pro c e de do coração
a m oro s o de Deus. Não foi algo que Ele foi obrigado
a fa z er ( l J o 4.10; Rm 8.32).
3. Crer (gr. pisteuo) inclui três e le m en to s principais:
a) P le na con vic çã o de que Cristo é o Filho de Deus e
o único Salva dor do pe rdi do pecad or;
b) C o m u n h ã o com Cristo pela n os sa auto -s ubmi ssã o,
de di caç ão e obe diê nc ia a Ele (Jo 15.1-10; 14.21);
c) P le na confia nça em Cristo de que Ele é capaz e
ta m b é m quer c on duz ir o crente à salvação final e
à c om u n h ã o com Deus no céu.
4. “P e r e c e r ” é a quase semp re e sq u e c id a palavra em
João 3.16. Ela não se refere à mor te física, mas à
p a v o ro s a realidade do castigo eterno no inferno (Mt
10.28).
5. “ V ida e te r n a ” é a dádiv a que D eu s outorga ao
h om e m qua ndo este nasce de novo. “E t e r n a ”
e x p re ss a não somente a pe rp e tu id a d e da nova vida,
mas tam bé m a qua lid ad e desta vida, como a de
Deus; uma vida que liberta o h o m e m do poder do
pecado e de Satanás, e que o afasta daquilo que é
p ur a m e nte terreno para que ele c o n h eç a a Deus (Jo
8.34-36; 17.3).

96
C o m o os ju d e u s do seu te mp o, N ic o d e m o s
c o n h e c ia a lei de Deus, porém, nad a sabia do Seu amor.
Era h o m e m de e le va da c on d u ta moral. R e c o n h e c ia
Jes us c o m o M es tr e e não co mo Salva dor. É e xa ta m e n te
o que a co nt ec e hoje.
Jesus revelou a uma só m u l h e r a ve rdade da
sua obr a m ess iâ nic a. A presen te hist óri a de m o n st ra o
valor que Ele dá a uma só alma. Fac e a face co m esta
m u lh e r de vida irregular, m o s tr o u -l h e a vida que ela
e st a va levan do. O mo do leviano co m que essa pe ca dora
e n c a r a v a o c a s a m en to não é dif e re nt e da atitude com
que m uit as pe ssoas o e n ca ra m hoje. Cristo não a
c o n d e n o u , mas r e ve lo u-l he que só Ele pode ria ir ao
e n c o n tr o dos seus anseios espir itu ai s, que Ele é a água
da vida. Só ele po de matar a sede. As fontes do m u ndo
não sati sfa zem . Os homens tê m e x p e r im e n t a d o tudo,
mas c o n t i n u a m de sco nte nte s e intr anq üil os . Po r v en tu r a
creu a m u l h e r em Cristo? C om o agiu? Suas ações fala m
mais alto que suas palavras. R et ir ou -s e e pelo seu
si m pl e s te st em u n h o , levou aos pés de Cristo, uma
c id ad e int e ira (Jo 4.1-42).
Ad ora rão... em espír ito e em verdade (Jo
4.23). J esu s en si na várias coisas neste versículo.
• “Em e s p í r i t o ” indica o nível em que ocorre a
a do ra çã o verdadeira. D e v e m o s c o m p a r e c e r diante de
De us co m total sin ce rid a de e num espírito (ou
d is p o s iç ã o de ânimo) diri gido pela vida e ativid ad e
do Es p ír i to Santo.
• “ V e r d a d e ” (gr. aleíheia ) é uma car act erís tic a de
De us (SI 31.5; Rm 1.25; 3.7; 15.8), e ncar nad a em
Cris to (Jo 14.6; 2Co 11.10; E f 4.21), i n t r í n s e c a 1 no
Es pí ri to Santo (Jo 14.17; 15.26; 16.13). Por isso, a

1 Que está dent ro de uma coisa ou pessoa e lhe é próprio;


interior, íntimo.

97
a do ra çã o deve ser pre s ta da de c o n fo rm id a d e co m a
ve rd a de do Pai que se revel a no Filho e se recebe
m e d ia n te o Espírito. A qu e le s que p ro p õ e m um tipo
de a do ração que ign ora a ve rdade e as doutrinas da
P a la v ra de Deus de s p r e z a m no seu todo o único
alic erc e da verdadeira adoração.
Ve mos na cura do filho do oficial do rei o
segu ndo sinal da d iv in da de de Cristo. Du ra nte Sua
e nt re vi st a com o centur ião, Jesus leva esse h o m e m a
c o n fe ss a r aber tam en te Cristo co mo Se nh or - sim, e
co m ele todos os seus familiare s (Jo 4.46-54).
F a z en do - se igual a Deus (Jo 5.18-24). Jesus
faz várias de clarações e sp a nto sa s aqui:
1. Deus é seu Pai de um m odo único e exclusivo;
2. Ele m a n té m unidade, c om u n h ã o e au toridade com
Deus (Jo 5.19,20);
3. Ele tem o poder de dar a vida e de re ssu sci tar os
m ort os (Jo 5.21);
4. Ele te m o direito de j u l g a r a todos (Jo 5.22);
5. Ele tem o direito às honras divinas (Jo 5.23);
6. Ele te m o poder de dar a vida eter na (Jo 5.24).
“E grande mu lti dã o o seguia, porqu e via os
sinais que ope rava sobre os e n f e r m o s ” (Jo 6.2):
1. M ila gr es (neste versículo c h am a d o s sinais), são:
a) O pe raç õe s de orig e m e car áte r so brenaturais
(gr. dunam is ; At 8.13; 19.11);
b) P o d e m ser um sinal distintiv o ou marca (gr.
semeion ) da auto rid ad e divina (Lc 23.8; At
4.16,30,33).
2. Os propó sito s dos milag res no reino de Deus são
pelo menos três:
a) Da r te st em un ho de Jesus Cristo, autent ica ndo a
ve racidade da sua m e n s a g e m e c om pro va ndo a
sua iden tidade com o o Cristo de Deus (Jo 2.23;
5.1-21; 10.25; 11.42);

98
b) E x p r e s s a r o amor c o m p a s s iv o de Cristo
(At 10.38; Mc 8.2; Lc 7.12-15);
c) E v i d e n c i a r a era da salvaç ão (Mt 11.2ss.), a vinda
do reino de Deu s, e a in va são do d o m ín io de
Satan ás por Deus.
3. As E s c ri tu ra s af ir m a m que os milag res vão co n ti n u a r
dura nte to da a é poca da igreja.
a) Jesus en vi ou seus discí pulos para pregar a Pa la vra
e o p e ra r mi la gre s (Mt 10.7,8; Mc 3.14,15; Lc
9.2);
b) Jesus de cla rou que todos aqueles que nEle
c re s s e m m e dia nt e a pregaçã o do Ev a n g e lh o
re a li za ri a m as obras que Ele re al iza va e obras
ainda ma ior es do que aquelas (Jo 14.12; Mc
16.15-20);
c) O livro de Atos fala, repetidas vezes, da operaçã o
de mil ag res na vida dos crentes (At 3.1ss.; 5.12;
6.8; 8.6ss.; 9.32ss.; 15.12; 20.7ss.). Esses seriam
os “ s in a i s ” que segu ir iam e que c o n fi rm a ri a m a
pre ga ção do Ev a nge lh o (At 4.29,30; 14.3; R m
15.18,19; 2Co 12.12; Hb 2.3,4; I C o 2.4,5);
d) Os dons de cura e o p o d e r para operar milag res
fa zem parte dos dons que o Espíri to quer
c on c e d e r à igreja no decurso desta pre sen te era
( I C o 12.8ss.28; Tg 5.14,15).
Jesus c ita va a E s c rit ura (Jo 7.38) para
r a t i f i c a r 1 o que dizia, por que a Sa grada Es c ri tu ra é a
próp ri a P a la v ra do seu Pai e, porta nto , a au to rid ad e
su pr e m a da sua vida. A E s c rit ura é, tam bé m, a única
au toridade s upr e m a do cristão. So me nte Deus tem o
direito de d e te r m in a r a regra de fé do h o m e m e seus
padrões de con duta, e quis e xercer essa aut ori da de
revel an do ao h o m e m sua ve rdade n u m livro c h am a do

1 Con fi rmar aut ent icament e, validar (o que foi feito ou


promet ido).

99
Bíblia. A Bíblia, por ser a Pa la vra e a m e n s a g e m de
Deu s, e xe r ce a m e s m a a uto rid ad e que o próp rio Deus
e xe r c e ri a se fosse fala r-n os diretamente.
A Es critu ra div in a m e n te in s pir a da é a
a ut or id a de final do crente. Idéias huma nas , tradições
e cl es iás tic as ou huma nas , profecias na igreja e supostas
novas revel açõ es ou dout ri nas , tudo deve ser testado
pelo pa drã o das Sagradas Escrituras. Tudo isso ja m a is
terá auto rid ad e em si, a cim a das Esc rit ura s ou
c oe xi s te nt e com elas (cf. Mc 7.13; Cl 2.8; I P e 1.18,19;
Is 8.20).
Pr ofe ss ar le al dad e igual ou m a io r a qu al qu er
a ut ori da de além de Deus (como re ve lad o em Cristo) e
da sua Pala vra in sp ira da é afastar-se da fé cristã e do
senhorio de Cristo. A fi r m a r que q u a lq u e r pessoa,
ins tituição, credo ou igreja possui auto rid ad e relig ios a
igual à reve laç ão in s pi ra da de Deus, ou m a io r do que
ela, equivale à idolatria. Se, portanto, alguém não
s ub m et e suas crenças e sua doutr in a à auto rid ad e da
reve laç ão apost ól ica do No vo Te s ta m en to , colo ca- se
fora do cris tia nis mo bíblico e da salvação em Cristo.

Ve rd ad e ira m e nte , sereis livres (Jo 8.36).


O nã o-s alv o é e sc ravo do peca do (Jo 8.34;
Rm 6.17-20). Es c ra v iz a d o pelo pecado e por Satanás, é
força do a viver segu ndo as co nc upis c ên c ia s da carne e
os desejos de Satanás (Ef 2.1-3).
O verdad eiro crente, salvo em Cristo com a
graça a co m pa nha nt e do E sp íri to Santo que nele habita,
é liberto do poder do pe ca do (Rm 6.17-22; 8.1-17).
Q ua ndo tentado a pecar, ele ag ora tem o pode r de agir
de c o nfo rm id a de com a vont ad e de Deus. Está livre
para tornar-se servo de Deus e da j u s ti ç a (Rm 6.18-22).
A lib ertação da esc ra vid ã o do pecado é um
critério seguro para o cre nte prof esso test ar e

100
c o m p r o v a r se a vida eterna hab ita nele com a sua graça
re g e n er a d o ra e santificadora. Q ue m vive c o m o escra vo
do pe cado, ou nu nc a e x p e r im e n t o u o r e n a s c im e n to
espiritual pelo Es pír i to Santo, ou e x p e r im e n t o u a
re ge neraç ão e spiritua l, mas c ede u ao pecado e voltou à
morte e spiritua l, a qual leva à esc ra vid ã o do peca do
(Rm 6. 16, 21, 23; 8.12,13; ver l i o 3.15).
Não se quer dizer co m isso que os crentes
estão livres da guerra esp iritual c ontra o pecado.
Dura nte nossa vida inteira, teremos de lutar
c on st a n te m e n te c ont ra as pressões do mun do, da carne
e do diabo (ver G1 5.17; Ef 6.11,12). A plena liberda de
da tenta ção e a atração do pecado terão lugar s om ent e
com a re de nç ã o co mp le ta, quan do da nos sa mort e, ou
na volta de Cristo para bus car os seus fiéis. O que
Cristo nos ofere ce agora é o po d e r s a nti fi c ad or da sua
vida, m e d ia n te o qual aqueles que s eg uem o Espíri to
são libertos dos desejos e pa ixõ es da carne (G1 5.16-
24) e c a pa c ita do s a vive rem co mo santos e inc ulp á ve is
diante dEle, em a m or (Ef 1.4).
U m a das melhores coisas que a co nte ceu ao
cego de na sc e nça foi a sua e xcl us ã o de sua religião
anterior (Jo 9.34). Se lhe fosse p e rm it id o p e rm a n e c e r
na sinagoga, teria corrido o perigo de volta r aos
cam in hos tra di ci onai s do j u d a í s m o e, aos poucos,
alienar-se de Cristo e do Ev angelho.
Hoje, a m e s m a coisa po de ac onte c er aos que
são salvos em Cristo, mas que p e r te n c e m às igrejas
morn as ou às o rg an iz açõ es religi os as sem f unda m e nto
bíblico. Se p e rm a n ec e re m num a tal igreja, ou sistema,
poderão pe rd e r o interesse pelo ve rd a de ir o cris tia nis m o
bíblico e voltar aos maus c a m in hos da sua vida
anterior. O m e lh o r é largarmos o que não é de Deus,
para que Cristo se ap ro xi m e de nós ple n a m e n te (Jo
9.35-38).

101
Jesus de clara que Ele é o bo m P a s to r
pr o m e ti d o nas profecias (Jo 10.11 ver SI 23.1; Is 40.11;
Ez 34.23; 37.24).
1. E s ta me tá fo ra de Jesus co m o o Bom Pa s to r ilustra o
c uid ado terno e de vot ad o que Ele tem por seu povo.
É com o se Ele dissesse: “Eu sou, para com todos
aqueles que crêem em m im , o que um bom pa st or é
para as suas ovelhas: cuidadoso, vigilante e
amoroso” ;
2. A caracte rís tic a de Cristo com o o B om P a s to r é que
Ele morreu por suas ovelhas. E isso que, de mod o
ímpar, ressalta a Cristo co mo Pastor. E a mor te de
Cris to na cruz que salva suas ovelhas (Is 53.12; Mt
20.28; Mc 10.45). Cristo é aqui c h am a do o “Bom
P a s t o r ” ; em Hebr eus 13.20 é ch ama do o “ grande
P a s t o r ” ; e em I P e d r o 5.4, o “ Sumo P a s t o r ” ;
3. O min istro do E v a n g e lh o que ocupa esta posiçã o
apenas com o meio de vida, ou de obter honrarias, é o
“ m e r c e n á r i o 1” referido em João 10.12,13. O
verdadeiro past or c uid a de suas ovelhas. O falso
pa st or pensa em pri m eir o lugar em si m e sm o e na
sua posição diante dos homens.
A re ssu rr eiç ão de Lázaro é o “ s in al ” do
E va nge lho de João. Os outr os Ev an ge lho s registram a
ressurr eiçã o da filha de Jairo e do filho da viúva de
Naim. Mas no caso presente, Lázaro estava mort o havia
quatro dias. Na real idade, teria sido mais difícil para
Deus ressuscitar um do que o outro? Todavia, o efeito
pr od uz ido nos líderes foi pro fu ndo (Jo 11.47,48). A
de claração que Jesus fez de si mesm o à Marta, acha-se
aqui registrada: “Eu sou a ressu rr eiç ão e a vida. Q ue m
cré em mim, não morrerá, eter nam en te. Crês i s t o ? ” (Jo
11.25,26).

1 Que trabalha sem outro i nteresse que não a paga; i nteresseiro,


venal.

102
N e ste pe que no versí cul o (Jo 11.35) da
Bíblia, está r e v e la d o o pro fu ndo pe sa r de Deus pelas
tristezas do seu povo. O verbo “c h o r o u ” (gr. dakr uo ),
indic a que, a princí pio , Jesus d e rr a m o u lág rimas e a
segu ir pr a n te o u em silêncio. Que esse fato seja um
co nso lo para todos aqueles que sofrem. Cristo sente por
você o m e s m o p esa r que Ele senti u pelos pa rente s de
Lázaro. Ele ama você de igual modo. E note-se que
este ve rs ícu lo faz parte do livro da B íb lia que mais
res salta a d iv in da de de Jesus. Aqui vem os Jesus, o
Deus feito h o m e m , i.e., o pró pr io Deu s, cho rando.
Deus re a lm e n t e tem amor p ro f u n d o , e m ot iv o e
c o m p a s s iv o por você e pelos outros (Lc 19.41).
A e nt ra da triunfal de J esu s em Jer usa lém.
Seu m in is té rio púb lic o ch ega ra ao fim. Diz o registro
que m ui to s dos princ ipa is guias do povo crer am nele,
sem, todavia, terem feito pública confis são .
Q ue m, neste mundo, a bor re ce a sua vida (Jo
12.25). A b o rr e c e r a pró pr ia vida, aqui, si gnifica a
atitude de va lo riz ar os interesses cel es tia is e esp irituais
muito acim a dos desta terra. Os se gu id or es de Cristo
dão pou c a im p o r tâ n c ia aos pra zer es , filosofias,
suces sos , valores, alvos ou mé to do s do mundo. Os tais
obte rão a “ vida e te r n a ” , pois não e xist e nada tão
preci oso neste m u n d o que eles não d e ix e m por a m o r ao
Se n h o r (Mt 16.24,25; Mc 8.34,35).

M in istério P articu lar


(Jo 13-17)

Os ju d e u s haviam re je ita do Jesus


co m p le ta m e n te . En tã o ele reuniu os Seus e revel ou- lhe s
muit a co isa secreta, antes de os deixar. Queria
co nf or tá -lo s pois sabia como ia ser difícil qua ndo
tivesse partido. Seri am com o ovelhas sem pastor.

103
É m ar a v il h o s o que Jesus tivesse esc olh id o e
am ad o hom en s com o esses. Com exce ção de Pe dro e
João, os restantes p a r e c ia m mais uma coleçã o de
“N i n g u é n s ” . Eram, porém, “ Os S e u s ” e ele os amava.
U m a das e sp ec iali da de s de Jesus é tr a n s fo rm a r
“n i n g u é m ” em “a l g u é m ” . Foi o que realizou com o seu
pri m eir o grupo de seg uidores. É o que vem re a liz a ndo
através dos séculos.
Depois de a n u n c ia r Sua partida, o Se n h o r dá
aos discí pulo s “ um novo m a n d a m e n t o ” , a saber, “que
se a m as s em uns aos o u t r o s ” . “Nisto c onhec erão todos
que sois meus d is c í p u lo s ” . A prov a do dis ci pul ado não
está no credo que re c ita m os, ne m nos hinos que
cant am os , nem no ritual que praticam os mas, no fato de
am armos uns aos outros. A pro porção em que os
cristãos se amam uns aos outros é a m e sm a em que o
mu nd o crê neles ou em seu Cristo. É a prov a final do
dis cipulado. Jesus de novo m e n ci o n a esse m a n d a m e n to
em João 15.12.
O amor (gr. ágape) deve ser a m a rc a
dis tintiva dos seguidor es de Cristo ( l J o 3.23; 4.7-21).
Este amor é, em suma, um amor a b n e g a d o 1 e
sacrificial, que visa ao be m do pró xim o ( l J o 4.9,10).
Por isso, o r e la ci ona m e nt o entre os crentes deve ser
car act eriz ado por uma so lic itu de dedicad a e firme, que
vise al tru ís tic am ent e a p r o m o v e r o sumo bem uns dos
outros. Os cristãos de ve m ajud ar uns aos outros nas
provações, evitar ferir os sen ti me nto s e a reputa ção uns
dos outros e ne gar-se a si me sm os para p r o m o v e r o
mútuo be m -e st a r (cf l J o 3.23; I C o 13; l T s 4.9; I P e
1.22; 2Ts 1.3; G1 6.2; 2Pe 1.7). 21

1 Sacrificar-se, mortificar-se, em benefício de Deus, do próxi mo,


de si mesmo.
2 Altruísmo. Amor ao próxi mo; filantropia; de spr endi me nt o,
abnegação.

104
A que le que te m os meus m a n d a m e n to s (Jo 14.21).
G u a r d a r os m a n d a m e n to s de Cristo não é
u m a qu e st ã o de opção para q u e m q ue r ter a vida eter na
(Jo 3.36; 14.21,23; 15.8-10,14; Lc 6.46 -49 ; Tg 1.22;
2Pe 1.5-11; l J o 2.3-5).
1. A n os sa ob e d iê n c ia a Cristo, e m b o ra n u n c a perfeita,
deve por é m ser real. Ela é um aspecto esse ncia l da fé
salví fic a que brota do nosso a m o r a Ele. O am or a
Cristo é o alicerce da v erda de ir a o b e d iê n c ia (Jo
14.15,21 ,23 ,24 ). Sem amor a Cristo, o esforço
h u m a n o de gua rdar seus m a n d a m e n t o s torna-se
legalismo.
2. A pe sso a que ama a Cristo e se esf orça por gua rdar
de mod o corre to os seus m a n d a m e n to s , Ele pro me te
amor, graça, bênçãos especiais e sua real pre sen ça
no seu in te rio r (cf. Jo 14.23).
N e st a pa rá bol a ou a leg or ia de João 15.1,
Jesus se d esc reve como “ a videira v e r d a d e i r a ” e
aqueles que se to rna ram seus dis cí pu lo s, co mo “ os
r a m o s ” . Ao p e rm a n e c e re m ligados nEle co mo a fonte
da vida, fr utificam. Deus é o la v ra d o r que cui da dos
ramos, para que dêem fruto (Jo 15.2,8).
Jes us falara de Seu Pai. Agora, porém, Ele
fala de outra Pe sso a da D iv in d a d e - o Es pír i to Santo.
Se ele, Cristo, tem de partir, m a n d a r á o C o n s o la d o r
para h a bita r com eles. Que m a ra v il h o s a p r o m e s s a para
os filhos de Deus! Jesus repe te-a em João 15.26, e
nova m en te , no cap ítulo 16. Le ia m- nos. Po uc os sabem
dessa pr e s en ç a em suas vidas. E pelo Seu po de r que
vivemos. O Espí ri to Santo não é uma influência. É uma
Pessoa. É uma das três Pessoas da Divi nd a de.
Em João 15, Jesus revela aos discí pulos o
segr edo real da vida cristã. P e r m a n e c e r em Cristo. Ele
é a fonte da vida. P e r m a n e c e r em Cristo, com o os
ra m os da videira. Os ramos não p o d e m separa r-s e do

105
tronco, à vo nta de é t o rn a r a unir-se a ele. P r e c is a m
pe rm a n e c e r para dar fruto. É esta uma figura de nossa
vida em Cristo.

Ele vos guia rá em toda a ve rd a de (Jo 16.13).


A obra do Es píri to Santo quanto a c o n v e n c e r
do pe cad o não c onc e rn e somente ao in créd ulo (Jo
16.7,8), mas tam bé m ao cre nte e à igreja, en sin an do,
co rrigindo e guiando na verda de (Mt 18.15; I T m 5.20;
Ap 3.19).
1. O Espíri to Santo falará ao crente co nc e rn e nte ao
pecado, a ju s ti ç a de Cristo e ao j u lg a m e n to da
m al da de c om vistas a:
a) C on fo rm a r o crente a Cristo e aos seus pad rõ es de
ju s t i ç a (cf. 2Co 3.18);
b) Guiá-lo em toda verda de (Jo 16.13);
c) Glori fi car a Cristo (Jo 16.14). Deste modo, o
Espíri to Santo opera no crente para re p ro d u z ir no
seu viver a vida santa de Cristo.
2. Se o crente cheio do Espíri to Santo rejeita a sua
direção e sua operação de c o nve nc e r do pecado, e se
o crente não m ort ifi ca as obras da carne m e dia nte o
Espírito Santo, mor rerá esp ir itu a lm en te (Rm 8.13a).
Som en te os que r e c eb e m a verdade e são “ guiados
pelo Espí ri to de D e u s ” são filhos de Deus (Rm
8.14), e assim pod e m c on tin ua r na ple nit ude do
Espírito Santo (ver E f 5.18). O pecado arruina a vida
espiritual e igu a lm e nt e a ple nit ude do Es pírito Santo
no crente (Rm 6.23; 8.13; G1 5.17; cf. E f 5.18; l T s
5.19).
Dep ois de te rm in a r Sua preleção aos onze
discípulos, Jesus falou ao Pai. Os dis cípulos ouvir am
Suas palavras solenes e carinhosas. Que em oçã o
de via m ter sentido ao o u vi re m -n o con tar ao Pai quan to
Ele os amava e quanto cu id av a deles!

106
O capít ulo 17 c o n té m a oração final de J esu s
por seus dis cípulos. Este te xto reve la os desejos e
anseios mais prof undos de nosso Se n h o r por seus
segui dor es, tanto na que la ocasião co mo agora. A lé m
disso, esta oração é um e xem plo in sp ira do pelo Es pí ri to
de co mo todo pa st or deve orar por seu povo e co mo
todo pai deve orar por seus filhos. Ao orarmos pelos
que estão sob nossos cuid ado s, nosso s pro pós ito s
pr inc ipa is de vem ser:

1. Par a que c on heça m in ti m a m e n te a Jesus Cristo e à


sua P a la v ra (Jo 17.2,3,17,19);
2. Pa ra que Deus os preser ve do mu ndo , da apostasia,
de Satanás, do mal e das falsas doutrin as (Jo
17.6,11,14-17);
3. Par a que te nh am c o n ti n u a m e n te a alegria de Cristo
(Jo 17.13);
4. Para que sejam santos em p e nsa m e nto , ações e
car áte r (Jo 17.17);
5. Par a que sejam um (Jo 17.11,21,22);
6. Par a que levem outros a Cristo (Jo 17.21,23);
7. Pa ra que pe rs ev e re m na fé e, final me nte , hab ite m
com Cristo no céu (Jo 17.24);
8. P a ra que pe rm a n e ç a m c ons ta n te m e n te no a mo r e na
pr e s en ç a de Deus (Jo 17.26).

Sofrimento e Morte
(Jo 18-19)

“A h or a ” havia chegado! A obra m á x im a de


Cristo est av a ainda por ser feita. Teria de mo rr er para
glor if ic ar o Pai e salvar um mu ndo peca mi noso . Ele
veio para dar a vida em resgate por muitos. Cristo
entrou no mu ndo por uma m a nj e do ura e dele saiu pela
porta da cruz.

107
T odos os discípulos, e xce to João,
a b a n d o n a ra m Cristo na hora em que ele mais pre c is a va
deles. D e nt re esses nove desertores está Tiago, um dos
que faziam parte do “círcu lo ín ti m o ” ; N a ta na e l, aquele
em q u e m não havia dolo, e André, o co la b o r ad o r
pessoal.
Na cruz temos o registro da ex pre ssã o
m á x im a do ódio e da ex pr e ssã o m á x im a do amor. De
tal ma ne ir a o home m odiou que cruci fic ou a Cristo. De
tal m an ei ra Deus amou que deu ao h o m e m Vida.
No sso Sa lv a do r realizou na cruz uma obra
ex pi at ór ia completa. Levou sobre Si os nossos pecados,
e ao expirar, declarou: “Está c o n s u m a d o ! ” Era um
brado de vitória. Ele c om pl e ta va a re den ção da
huma nid ad e. Nada ficara para o ho m e m fazer, senão
crer. E ss a ob ra já foi rea liz a da em seu coração?
A salvação tem alto preço. “ Cristo morr eu
pelos nossos p e c a d o s ” ( I C o 15.3).

Vitória Sobre a Morte


(Jo 20-21)

Te mo s um S a lv a do r que venceu a morte. Ele


“ vive para s e m p r e ” . No terceiro dia o túmulo estava
vazio. Jesus tinha re s sus ci tad o dos mortos, poré m de
modo diferente. Quan do Lázaro saiu do túmu lo tinha os
memb ros env olv id os em faixas. R es s usc ita ra no seu
corpo natural. Jesus, porém, quando saiu, o seu corpo
deixou os panos que o en volvi am , como um a bo rb ol et a
deixa o c a s u l o 1. Leia o que diz João em 20.6-8.
As dez aparições de Jesus, após a
ressurreição, c ont rib uír am para que Seus discípulos

1 Invólucro fi lamentoso, const ruí do pela larva do bicho-da-seda


ou por outras.

108
c re s s e m nele com o Deus. Lei a a c onf is sã o da séti ma
t e st em un ha , Tomé, o d u vi dos o (Jo 20.28). Jesus queria
r e m o v e r tod a dúvida de cada um dos dis cípulos.
D e v ia m c u m p ri r a gra nde m is sã o e p r o c la m a r o
E v a n g e lh o ao mund o inte iro (Jo 20.21).

Q uestionário

• A ss in a le co m “X ” as a lte rnati vas corretas

6. No c o m eç o Cristo r e ve lo u-s e Filho de Deus pelas


Suas palavras e atos. O pri m ei r o sinal da Sua
di v in d a d e foi
a ) [_j M u lt ip li c a r os pães
b ) M T r a n s fo rm a r água em vinho
c ) PH P u ri fic ar o templo
d ) |_| A n d a r sobre o mar

7. Qu a nt o á N ic od em os po d e m o s a fi rm ar que
a) Não c onh eci a a lei de D eus, mas porém, sabia
do Seu amor
b ) |_J Era um ho me m de ba ix a co n d u ta moral
c ) I_| R e c o n h e c ia Jes us co mo Sa lv a do r e não co mo
Mes tre
dllxl Através de Jesus c on hec e u os ma ra vilh os os
e ns in os sobre a vida eterna, Seu amor, e o novo
na sc im e nto

D e poi s de a nun cia r Sua partida, o Sen hor dá aos


di scí pul os “ um nov o m a n d a m e n t o ” . A p ro v a do
di s ci pu la do está
a ) @ No fato de a m ar m os uns aos outros
b ) |_| Nos hinos que c an ta mo s
c ) _No ritual que pra tic am os
d)|__J No credo que re c ita m os

109
M a r q u e “ C ” p a ra C e r to e “E ” p a ra E r r a d o

9 . [cl A ressu rr eiç ão da filha de Jairo é o “ m i l a g r e ” do


E v a n g e lh o de João. Os outros re gis tr a m a
ressu rr ei ç ã o de Lázaro e do filho da viúva de Naim
1 0 . 0 A bo rr e c e r a própr ia vida, aqui, significa a
atitude de va lorizar os interesses celes tiais e
esp irituais muito acima dos desta terra

110
Lição 5
O Livro de Atos dos A póstolos

Autor: Lucas
Data: C erca de 63 d.C.
Tema: A P r op ag a ç ão triunfal do
E va ngel ho pelo po d e r do Espírito Santo
^o s Pa la vra s- Ch a ve : Jesus, Espír it o,
ressu rreição, apó sto lo , Igreja
Versícu lo- cha ve: Atos 1.8

Atos abrange, de m odo seletivo, os prim eir os


trinta anos da his tória da igreja. C om o his to ri a dor
eclesiástico,8L u c as descreve, em Atos, a pr opa ga çã o do
Ev a ng e lh o, partindo de J e r u s a l é m até Roma. Ele
m e n c i o n a nada me nos que 32 p a í s e s , 54 c i d a d e s . 9
i lhas do M e d it e r r â n e o, 95 d i f e r e n t e s p essoas e. uma
varie dad e de m e mb ros e f un c io ná ri os do governo com
seus títulos precisos. A arque ol og ia co n ti n u a a
c o n fi rm a r a ad mirável e xa ti dão de Lucas em todos os
seus porm en ore s. C om o te ólogo, Lucas descreve com
hab ili da de a re le vân ci a de várias ex pe ri ên c ia s e
evento s dos prim eiros anos da igreja.
Na sua fase inicial, as Escrituras do No vo
T e s ta m e n to c o nsi s tia m em duas coletâneas: (1) Os
quatro E va nge lho s; e (2) As E pí st ol a s de Paulo.
Atos d e se m p e n h o u um papel sub stan cial
co mo elo de ligação entre as duas coletâneas, e faz ju s
à po si ção que ocup a no cânon. Nos capítulos 13-28,

111
temos o acervo his tór ic o ne ces sár io para bem
c o m p re e n d e rm o s o m in is té ri o e as cartas de Paulo. O
pr o n o m e “n ó s ” , e m p re g a d o por Lucas através de Atos
16.10-17; 20.5- 21.18; 27.1-28.16 ap onta- o como
estand o pr es ent e nas viagen s de Paulo.

Autor

O livro de Atos, e de igual mod o o


Ev a ng e lh o segundo Lucas, é en dereçado a um hom em
ch am a do “T e ó f i l o ” (At 1.1). E m bo ra n e n h u m dos dois
livros id en tif iqu e n o m in a lm e n te o autor, o te st em unho
unân ime do c r is tia nis m o prim itivo e a e v id ê n c ia interna
c on fi rm a tó ri a dos dois livros den otam que am bos foram
escritos por Lucas, “o mé di c o a m a d o ” (Cl 4.14).
O E sp íri to Santo inspirou Lucas a e sc re ver a
Teófilo a fim de suprir na igreja a ne c e s si d a d e de um
relato co m pl e to dos p ri m órd io s do cris tianis mo.
• “O pri m eir o tr a ta d o ” foi seu Ev a n g e lh o a respeito
da vida de Jesus;
• O segu ndo foi seu relato, em Atos, sobre o
d e rr a m a m e n to do Espíri to em J e r u sa lé m e sobre o
cre sc im e nt o da igreja primitiva. T or na- se claro que
Lucas era um escrit or habilidoso, um his to ria dor
c on sci en te e um teólogo inspirado.

Tema

E n q u a n to em seu E va ngel ho Lucas fala do


que Jesus “ c o m e ç o u ” a fazer, no livro de Atos, fala do
que Jesus “c o n t i n u a ” a fazer sob a direção do Espírito
Santo, através da ins tru m e nt a lid a de de dic a da de
homens e mu lh e re s consagrados.
O te ma central é ainda “C r i s t o ” , mas agora é
o Cristo re s sus ci tad o, vivo, que dá poder, e que desafia

112
os seus seguidores a “irem p o r todo o m u n d o ” c o m a
i nc om pa rá ve l história do a mo r de Deus.

Propósito

Lucas tem pelo m e nos dois p ro pós it os ao


na rrar o co me ço da igreja.
• D e m o n s tr a que o E v a n g e lh o avanç ou tr iu nfalm en te
das fronteiras estreitas do j u d a í s m o para o m un d o
gentio, apesar da opos içã o e perseguição;
• R e v e la a missã o do Es p ír i to Santo na vida e no
papel da igreja e e nfa tiz a o ba tis mo no E sp íri to
Santo como a prov is ão de D eu s para c a p a c it a r a
igreja a p ro c la m ar o E v a n g e lh o e a dar c onti n u id a d e
ao ministé rio de Jesus.
Lucas registra três vezes, e xpre ss a m e n te , o
fato de o bat is mo no E sp íri to Santo ser a c o m pa nha do
de en un ci a ç ão em outras lín guas (At 2.1-4; 10.44-47;
19.1-6). O c ont ext o destas pa ss a gen s mos tra que isto
era norm al no princ ípio da igreja, e que é o padrão
p e rm a ne nte de Deus para ela.

Visão Panorâm ica

E n qu a nt o o E v a n g e lh o segundo Lucas relata


“ tudo que Jesus co me ç ou , não só a fazer, mas a
e n s i n a r ” (At 1.1), Atos d esc reve o que Jesus c o nt in uo u
a faz er e a en sinar depois de sua ascensão, m e dia nte o
po de r do Espíri to Santo, ope ra n d o em e através dos
seus dis cípulos e da igreja pri mitiva. Ao asc e nd er ao
céu (At 1.9-11), a últ im a ord e m de Jesus aos dis cí pulos
foi para que p e r m a n e c e s s e m em Je ru sa lé m até que
fo s se m batiz ado s no E sp íri to Santo (At 1.4,5). O
ve rs íc ul o-c ha ve de Atos (At 1.8) co nt ém um re su mo
te oló gic o e geo gráfico do livro: Jesus pro m e te aos

113
dis cí pu lo s que receb erão po de r quando o Es p ír i to Santo
vier sobre eles; poder para serem suas test em unha s:
• E m J e r u s a lé m (At 1-7);
• E m toda a Jud éia e Sama ria (At 8-12);
• Até aos con fins da terra (At 13-28).
Nos capít ulos 1-12, o c ent ro principal
irr a d ia d o r da igreja é Jerusalém. Aqui, Pe dro é o mais
de sta c ad o in st ru me nto usado por Deus pa ra pregar o
Eva ng el ho .
Nos capítulos 13-28, o centr o principal de
irradia ção pa ss ou a ser A nti oqu ia da Síria, onde o
in s tr u m e n to de ma ior realce nas mãos de Deus foi
Paulo para levar o Ev a n g e lh o aos gentios.
O livro de Atos termin a de m o d o repentino
com Paul o em R o m a aguar dan do ju l g a m e n t o perante
César.
Mesmo com o resultado do referido
j u l g a m e n t o ainda pe ndente, o livro te rm in a de modo
triunfante, estand o Paulo prisioneiro, p o ré m cheio de
ânimo e sem im pe dim e nto para pregar e e nsi na r acerca
do reino de Deus e do Senho r Jesus (At 28.31).

Características Especiais

1. A igreja.
Atos revela a origem do po de r da igreja e a
v erda de ir a n at ur eza da sua missão, j u n t a m e n t e com os
princ ípios que de vem norte á-la em todas as gerações;
2. O E sp íri to Santo.
A terceira pesso a da Trin dad e é m e nci ona da
c in qüe nta v e z e s; o batismo no Espírito Santo e o seu
minis té rio ou to rg a m poder (At 1.8), o u s a d i a 1 (At 4.31),
santo t e m o r a Deus (At 5.3,5,11), sab ed ori a (At

1 Quali dade de ousado; coragem, destemor, arrojo, galhardia.

114
6.3,10), direção (At 16.6-10), e dons esp irituais (At
19.6);

3. M en s a gen s da igreja primitiva.


Lucas relata c om ha bi lid a de os ensi nos
ins pir ad os de Pedro, Es tê vão , Paulo, Tiago, e outros,
a pr ese nta ndo assim um qua dro da igreja p ri m iti va não
en co ntr ad o noutro lugar do No vo Tes tame nto;

4. Oração.
Os cristãos p ri m iti vo s de di ca va m -s e à oração
com re gul arida de e fervor, às vezes, oravam a noite
inteira, p r o du z in do resu ltados ma ravil hoso s;

5. Sinais, ma ravil ha s e milagres.


Estas m a ni fe st aç ões acompanhavam a
pro c la m aç ã o do Ev a nge lh o no pod e r do Espírito Santo;

6. Perseguição.
A pro c la m aç ã o do E v a ng e lh o co m po de r
dava origem à opo sição reli gio sa e/ou secular.

7. A ord em ju dai ca/ ge nt ia .


Do co me ço ao fim de Atos, o Ev a n g e lh o
al cança prim eiro os ju d e u s e, depois, os gentios;

8. As mulheres.
Há me nçã o especi al às mul he res de dicadas à
obra c ont ínu a da igreja;

9. Triunfo.
Bar reira alg uma naci onal , religiosa, cultural,
ou racial, nem opos içã o ou perseg uiç ão p u d e ra m
im p e d ir o avanço do Ev angelho.

115
Princípio Hermenêutico

H á quem co ns id e re o co nte údo do livro de


Atos c o m o se pertencesse a uma outra era bíb li c a e não
com o o pa drã o divino para a igreja e seu te st em unho
dura nte todo o período que o Novo T e s ta m e n to chama
de “ úl tim os dia s” (At 2.17). O livro de Atos não é
s im p le s m e n te um c o m p ê n d i o de his tória da igreja
prim itiva; é o padrão perene para a vida cris tã e para
q ua lq ue r c on gre gaç ão cheia do Espírito Santo.
Os crentes de ve m desejar, bus car e esperar,
com o n o rm a para a igreja atual, todos os fatos vistos no
minis té rio e na e xpe ri ên c ia da igreja do Novo
T e s ta m en to (exceto a redação de novos livros para o
Novo Test am ent o) .
Esses fatos são ev identes qua ndo a igreja
vive na ple ni tu de do poder do Espírito Santo. Nada, em
Atos e no restante do Novo Te s ta m en to , indic a que os
sinais, mara vil ha s, milagres, dons espir itu ai s ou o
padrão ap ostól ico para a vida e o minist ério da igreja
ce ss aria m repe nti na ou de uma vez, no fim da era
apostólica.

Poder para Testemunhar


(At 1,2)

Após a ressurreição, nosso Se nhor passou


quare nta dias ma ravilhosos com os discípulos. Depois
de falar Suas últimas palavras (At 1.8) foi el evado às
alturas e “ uma nuvem o encob ri u dos seus o l h o s ” .
“Esse Jesus... assim virá do mo do co mo o
vistes s u b ir ” (At 1.11). Sendo assim, devem os
e xa m in ar com o Ele foi, a fim de po de rm os saber como
voltará. Sua volta será:

116
P e s s o a l ...................................................I T e s s a l o n i c e n s e s 4 .1 6
Visível .............................................. Ap oc alip se 1.7
Corporal ............................................Mateu s 24.30
L o c a l ....................................................Lucas 24.50

Dep ois da vinda de Jesus Cristo á terra, o


a c o nte c im e nt o de mais im po r tâ nc ia é a vinda do
Espíri to Santo. A Igreja na sce u no dia de Pente cos te .
O m a ra vi lh os o do Pent e co st e não foi o
“ vento v e e m e n t e 1 e i m p e t u o s o 2”
1 , nem as “ línguas com o
de f o g o ” , mas o fato de os discípulos terem sido chei os
do Espíri to Santo para que p ude ss e m te s t e m u n h a r aos
homens. Se não sent im os o desejo de falar aos outros
de Cristo, é evid ent e que não c on h e c e m o s a in da a
ple nit ude do Espí ri to Santo.

O Batismo no Espírito Santo

“Po rq ue, na verdade, João batiz ou com água,


mas vós sereis ba tiz ado s com o E sp íri to Santo, não
muito depois destes d i a s ” (At 1.5).
U m a das doutr in as principais das Escritu ras
é o ba tismo no Es píri to Santo. A respeito d o ' b a t i s m o
no Espíri to Santo, a P a la v ra de Deus ensin a o seguinte:
1. O batismo no E sp íri to é para todos que pro f es sa m
sua fé em Cristo; que na sc e ram de novo, e, assim,
rec ebe ram o Es píri to Santo para neles habitar.

2. U m dos alvos princi pa is de Cristo na sua m is são


terrena foi ba tiz ar seu povo no Espíri to (Mt 3.11; Mc
1.8; Lc 3.16; Jo 1.33). Ele ordenou aos dis cí pulos

1 Enérgico, forte, vigoroso. Ent usi ást ico, fervoroso, caloroso.


Vivo, intenso, forte.
2 Que se move com ímpeto. Arr ebat ado, veemente, fogoso.

117
não c o m eç a re m a te st e m u n h a r até que fossem
b a ti z ad o s no Espírito Sa nto e revestidos do poder do
alto (Lc 24.49; At 1.4,5,8).

3. O b a ti s m o no Espírito Santo é uma obra distinta e à


parte da regeneração, tam bé m por Ele efetuada.
A s s im com o a obra santi fic ado ra do Espírito é
dis tin ta e comp le tiv a em relação à obra re ge nerad ora
do m e s m o Espírito, ass im tam bé m o ba tismo no
E sp íri to c o m pl e m en ta a obra rege nera dora e
s a nti fi c ad or a do Espírito. No m esm o dia em que
Jesus ressus citou, Ele assoprou sobre seus discípulos
e disse: “ Recebei o Espíri to S a n t o ” (Jo 20.22),
in d ic a n d o que a re gen era ção e a no va vida estavam-
lhes sendo concedidas. D epois, Ele lhes disse que
ta m b é m deviam ser “reve sti dos de p o d e r ” pelo
E sp íri to Santo (Lc 24.49; cf. At 1.5,8). Portanto,
este ba tis mo é uma e xpe ri ên c ia sub seq üe nte à
regenera ção .

4. Ser bat iz ado no Espíri to significa e xpe r im e n t a r a


ple ni tu de do Espírito (cf. At 1.5; 2.4). Este batismo
teria lugar somente a partir do dia de Pentecoste.
Qu a nt o aos que foram cheios do Espírito Santo antes
do dia de Pente cos te (Lc 1.15,67), Lucas não
e m p re g a a ex pressão “ batizad os no Espírito S a n to ” .
Este evento só ocorreria depois da ascensão de
Cristo (At 1.2-5; Lc 24.49 -51 , Jo 16.7-14).

5. O livro de Atos descreve o falar noutras línguas


co mo o sinal inicial do ba tismo no Espírito Santo
(At 2.4; 10.45,46; 19.6). 6

6. O ba tismo no Espírito Santo outorgará ao crente


ou sad ia e poder celestial para este realizar grandes

118
obras em n o m e de Cristo e ter e fi các ia no seu
te st em u n h o e pr e ga ção (cf. At 1.8; 2.14-41; 4.31;
6.8; R m 15.18,19; I C o 2.4). Esse po de r não se trata
de uma for ça impe sso al, mas de um a m a n if e s t a ç ã o
do E sp íri to Santo, na qual a presenç a, a glória e a
operaçã o de Jes us estão presentes co m seu povo (Jo
14.16-18; 16.14; I C o 12.7).

7. Outros re s ul ta do s do genuíno ba tis mo no E sp íri to


Santo são:
a) M en s a g e n s prof éticas e lou vores (At 2.4,17;
10.46; I C o 14.2,15);
b) M a io r s e n s ib ili da de c ontra o pecado que e n tri st ece
o Es pí ri to Santo, uma m a io r bu sc a da re tid ã o e
uma p e rc ep ç ão mais pro f u n d a do j u í z o divin o
c ont ra a im p ie d a d e (ver Jo 16.8);
c) U m a vida que glorifica a Jesus Cristo (Jo
16.13,14; At 4.33);
d) Visões da parte do Espíri to (At 2.17);
e) M a n if e s ta ç ã o dos vários dons do Es p ír i to Santo
( I C o 12.4-10);
f) M ai or desejo de orar e int e rc ed e r (At 2.41,42; 3.1;
4. 23- 31; 6.4; 10.9; Rm 8.26);
g) M a io r a mo r à Pa la vra de Deus e m e lh o r
c o m p re e n s ã o dela (Jo 16.13; At 2.42);
h) U ma c on vic ç ã o cada vez ma ior de D eu s co mo
nosso Pai (At 1.4; Rm 8.15; G1 4.6).

8. A Pa la vr a de De us cita várias c ondi çõe s prévias para


o batismo no E sp íri to Santo:
a) D e v e m o s aceitar pela fé a Jesus Cris to co mo
Se nho r e S a lv a d o r e apartar-nos do pe c a d o e do
mu nd o (At 2.38-40; 8.12-17). Isto im p o r ta em
s ubm et er a Deus a nos sa vontade - “ aq ueles que
lhe o b e d e c e m ” (At 5.32). D e v e m o s a b a n d o n a r

119
tudo o que ofende a D e u s, para então p ode rm os
ser “ vaso para honra, s an ti fic ad o e idôneo para o
uso do Se n h o r” (2Tm 2.21);
b) É pr e c is o querer o ba tismo . O crente deve ter
gra nde fome e sede pelo ba tismo no Espírito
Sant o (Jo 7.37-39; cf. Is 44.3; Mt 5.6; 6.33);
c) M u it o s recebem o ba ti s m o com o re sp osta à oração
nest e sentido (Lc 11.13; At 1.14; 2.1-4; 4.31;
8.15,17);
d) D e v e m o s esperar co nv ict os que Deus nos batizará
no Espí ri to Santo (Mc 11.24; At 1.4,5).

9. O b a ti s m o no Espírito Santo p e rm an ece na vida do


crente med ia nte a oração (At 4.31), o te st em unho
(At 4.3 1, 33), a adoração no Espírito (Ef 5.18,19) e
um a vida santificada. Po r mais pode ros a que seja a
e xp e r iê n c ia inicial do ba tis m o no Espírito Santo
sobre o crente, se ela não for ex pr e ss a numa vida de
oração, de te st em un ho e de santidade, logo se
torna rá n u m a glória d e s v a n e c e n t e 1;

10. O ba tis m o no Espírito Santo ocorre uma só vez na


vida do crente e move -o à consagra ção à obra de
Deus, para, assim, t e s t e m u n h a r com poder e retidão.
A B íb lia fala de re nov açõ es post eriores ao ba tismo
inicial do Espírito Santo (cf. At 2.4; 4.8,31; 13.9; Ef
5.18). O batismo no Espír it o, portanto, co nduz o
crente a um re la ci on a m e nto com o Espírito, que deve
ser re nov a do (At 4.31) e co ns e rv a do (Ef 5.18).
O tema do prim eir o serm ão de Pedro foi:
Jesus era o Messias, fato co nfir ma do pela Sua
ressur reiç ão . O verdadeiro pod e r do Espírito Santo foi
re ve la do qua ndo esse hum il d e pe sc a dor se levantou

1 F azer pas sa r ou desaparecer; dissipar, extinguir, expungir.

120
para fa la r e 3.000 almas foram salvas. C om o
po d e rí a m o s e x p li c a r a c ora ge m do e x - c o v a r d e Pedro,
em se le v a n t a r para prega r a uma m ult id ã o nas ruas de
J er us a lé m ? Qual era o segredo do m in is té rio de P ed ro?
Esta é uma pe rg unt a fr eq ue nte m en te feita aos homens.
Só hav ia uma ex plicação. Pedro e st a va cheio do
Espíri to Santo.
A p ri m ei r a igreja de J er usa lé m foi
e xt ra ord in á ria - org a ni z ad a no dia de Pe nte co s te , com
3.000 me mbr os ! Que glori osos dias se seg uir am , de
“ d o u t r i n a ç ã o ” , “c o m u n h ã o ” , “ sinais e p r o d í g i o s 1” ,
sobre tudo , salvação! “En qua nt o isso, a cr es ce nta va -l he s
o Senhor, dia a dia, os que iam sendo s a l v o s ” (At 2.47).
E este o ve rd a de ir o objetivo da Igreja.

Questionário

• A ss in a le com “X ” as alternativas corretas

1. C om o h is to ri a d o r eclesiástico, descrev e, em Atos, a


pr o p a g a çã o do Ev a n g e lh o , partindo de J e r u sa lé m até
Ro m a
a ) |_| Paulo
b ) H Lucas
c ) | T Te ófilo
d ) | | Pedro

2. Local onde Pe dro é o mais de sta cad o in st ru me nto


us ado por D eu s em prega r o Ev a ng e lh o
a) r~ÍJerusalém
b ) |_J R om a
c ) |_| Grécia
d ) |_| A n ti o q u ia da Síria

1 Coisa s obrenat ural .

121
3. Quanto aos en si na m e nto s da Palavra de Deus a
respeito do batismo no Es píri to Santo é incorreto
diz er que
a ) |_] P e rm a ne ce na vida do crente med ia nte a oração,
o te st em unh o, a adoraçã o no Espírito
b ) D É para todos que pro fe ssa m sua fé em Cristo;
que na sceram de novo
c ) R Ocor re várias vezes na vida do crente e move-o
à c on sag ração à obra de Deus
d ) |_J O ut or ga rá ao crente ous adi a e poder celestial
para realizar grandes obras em nome de Cristo e
ter eficácia na pregação

• Marque “ C ” para Certo e “E ” para Errado

4 . [_‘] En qu a nt o em seu Ev a ng e lh o Lucas fala do que


Jesus “c o m e ç o u ” a fazer, no livro de Atos, fala do
que Jesus “c o n ti n u a ” a fazer sob a direção do
Espírito Santo
5 . [Ç~! Do co m eç o ao fim de Atos, o Ev a nge lh o alcança
primeiro os gentios e, depois, os judeus.

122
O Falar em Línguas

“E todos fo ra m cheios do Espíri to Santo e


c o m eç a ra m a falar em outras línguas, co nfo rm e o
Espí ri to Santo lhes c o nce dia que fa la sse m (At 2.4 )” .
O falar noutras línguas, ou a g l o s s o l a l i a 1 (gr.
glossais lalo ), era entre os crentes do No vo I
T e s ta m en to , um sinal da parte de Deus para ev id en c ia r
o ba tismo no Espíri to Santo (At 2.4; 10.45-47; 19.6).
Esse pa dr ã o bíblico para o viver na ple nit ude do
Espí ri to co n ti n u a o m e sm o para os dias de hoje. O
verda dei ro falar em línguas:
1. As línguas como ma nife st aç ão do Espírito.
Fal ar noutras línguas é uma man ife st ação
sob renatura l do Espíri to Santo, i.e., uma ex pre ssã o
vocal in sp ira da pelo Espírito , med ia nte a qual o crente
fala n u m a língua (gr. glossa) que nunc a aprendeu (At
2.4; I C o 14.14,15). Estas línguas p o d e m ser humanas,
1. e., a tu al m en te faladas (At 2.6), ou d esc onh eci das na
terra (cf. I C o 13.1). Não é “fala e x t á t ic a 2” 1 , com o
algumas tradu ções afirmam, pois a Bíblia nunca se
refere à “ex pr ess ão vocal e x t á t ic a ” para referir-se ao
falar noutra s línguas pelo Espírito.

2. Líng uas com o sinal ext erno inicial do bat is mo no


E sp íri to Santo.
Fala r noutras línguas é uma ex pre ssã o verbal
inspirada, me dia nte a qual o espírito do crente e o
Espí ri to Santo se unem no lou vor e/ou profecia. D esde
o início, Deus vinculou o falar noutras línguas ao
ba tis m o no Espíri to Santo (At 2.4), de modo que os

1 Dom s obrenat ural con cedi do pelo Espí ri to Santo, que capacita
o crente a fazer enunciados prof ét icos em línguas que lhe são
desconheci das.
2 Pos to em êxtase; absorto, enlevado.

123
prim eiros 120 crentes no dia do Pe nte cos te , e os
demais ba tiz ad os a parti r de então, ti v e s se m uma
c on fir m a ç ão física de que realmente re c e b e ra m o
batismo no Espíri to Santo (cf. At 10.45,46). Desse
modo, essa ex p er iê n c ia p odia ser c o m p r o v a d a quan to a
tempo e local de re ceb im en to. No decu rs o da história
da igreja, s em pre que as línguas co mo sinal foram
rejeitadas, ou ignoradas, a verdade e a e xp e r iê n c ia do
Pente cos te foram distorcidas, ou total me nte
suprimidas.

3. As línguas com o dom.


F a la r noutras línguas ta m b é m é descrito
como um dos dons c onc e did os ao crente pelo Espírito
Santo ( I C o 12.4-10). Este dom tem dois propós ito s
principais:
• O falar noutras línguas seguido de interpretação,
ta m b é m pelo Espírito , em culto público, como
m e n s a g e m verbal à congreg ação para sua edificação
espiritual ( I C o 14.5,6,13-17).
• O falar noutra s línguas pelo crente para dirigir-se a
Deus nas suas devoçõ es particulares e, deste modo,
edific ar sua vida espiritual ( I C o 14.4). Significa
falar ao nível do espírito (At 14.2,14), com o
propó si to de orar (At 14.2,14,15,28), dar graças (At
14.16,17) ou can ta r (At 14.15).

Outras Línguas, Porém Falsas

O simples fato de alguém falar “noutras


lín gu a s ” , ou e xe rcita r outra man ife st ação sobrenatural
não é ev id ên c ia i r r e f u t á v e l 1 da obra e da pre sen ça do
Espírito Santo. O ser huma no pode imita r as línguas

1 Que não se pode refutar; evidente, irrecusável, incontestável.

124
est ranha s com o o fazem os de mô nio s. A B íb li a nos
adv erte a não crermos em todo espírito, e av er ig ua rm os
se nos sas ex periências e spi ri tua is pro ce dem re a lm e n t e
de De us (ver IJ o 4.1).
1. Som e nte de vem os a cei ta r as línguas se elas
p r o c e d e r e m do Espíri to Santo, como em Atos 2.4.
Es se fenôme no, segundo o livro de Atos, deve ser
e sp on tâ ne o e res ult ado do d e rr a m a m en to inicial do
Es pí ri to Santo. Não é algo apre ndi do, nem e nsi na do,
co mo por e xem pl o ins tru ir crentes a p ro n u n c ia r
sílabas sem nexo.
2. O Espí ri to Santo nos a dver te cl aram en te que nestes
últi mo s dias surgirá a pos ta s ia dentro da igreja ( l T m
4.1,2); sinais e m arav ilh as ope rados por Satanás (Mt
7.22,23; cf. 2Ts 2.9) e obre iro s fraudu le nto s que
fin ge m ser servos de De us (2Pe 2.1,2).
3. Se al gué m afirma que fala noutras línguas, mas não
é de di cad o a Jesus Cristo, n e m aceita a a uto rid ad e
das Escrituras, ne m o b e d ec e à Pala vra de D eu s,
q u a lq u e r ma ni fe st aç ão so bre nat ur al que nele oco rra
não pr ové m do Espíri to Santo ( I J o 3.6-10; 4.1-3; Mt
24.11- 24; Jo 8.31).

Testemunho em Jerusalém
(At 3.1-8.3)

A prim eir a op osi çã o à igreja surgiu por


c aus a do milagre ope rado por Pe dro na cura do co xo, à
e nt ra da da Porta F o r m o s a do Te mp lo. Pedro ap ro ve ito u
a o p o rt un id ad e para pre ga r o seu segundo sermão. Os
líderes se irritaram por que ele e ns in a va que esse Jes us
a qu e m eles, ju de us, ha via m cruc ifi cad o, era o Mes si as,
há mu ito prometido.
As palavras de Pe dro e João se revest ir am de
tão grande pode r que 5.000 almas se en tregara a Cristo

125
(At 4.4). As au toridades orde na ram aos ap óst olo s que
não p r e g a s s e m a Cristo, mas essa oposição só fez a
igreja p r o s p e ra r (At 4.18,31).
“ Pois ne nhum neces sit ad o havia entre eles,
por quan to os que pos suí am terras ou casas, venden do-
as, traz iam os valores c orr esp onde nte s, e de posit av a m
aos pés dos apóstolos; então se distribuía a qua lqu er
um à m e d id a que alguém tinha n e c e s s i d a d e ” (At
4.34,35).
A igreja prim iti va ensin av a o c o m u n i s m o 1?
Nunca. N in g u é m era obrigado a desf azer -s e do que
possuía. Não se esperava isso de ne nhum convertido.
Q ua ndo al gu ém trazia o que tinha, era ato esp ontâ ne o
seu. A igreja torna ra-se tão de spr end ida das coisas do
mun do, que muitos ve ndi am todos os seus bens e
d e p o si t a v a m os valores aos pés dos apóstolos para
serem d is tr ib uí dos “ à med ida que al guém tinha
n e c e s s id a d e ” .
Na vida dos apóstolos, o poder e sta va no fato
de suas vidas se ajust are m à do Cristo ressurreto. Hoje
a atitude do m u ndo é de ver para acreditar. Aqueles
cristãos pr im it iv o s m os tra ram ao mu ndo o que eram.
Sua vida e co n d u ta pro vam que você é crente?

A Doutrina do Espírito Santo

“Disse, então, Pedro: Ananias, por que


encheu Satan ás o teu coração, para que mentisses ao
Espí ri to Santo e retivesses parte do preço da h e rd a d e 2?
G ua rd an do -a , não ficava para ti? E, vendida, não estava

1 Sistema social, político e econômi co desenvolvi do t eoricamente


por Karl Marx, e propost o pelos partidos comuni st as como etapa
post eri or ao socialismo.
J Herança.

126
em teu po de r? Por que fo rm ast e este d e s í g n i o 1 em teu
coração? Não mentis te aos hom en s, mas a D e u s ” (At
5.3,4).
E essencial que os crentes re c o n h e ç a m a
im por tân ci a do Espíri to Santo no plano divi no da
redenção. Se m a pres enç a do Espíri to Santo nest e
mundo, não hav eria a criação, o universo, nem a raça
hu m a na (Gn 1.2; Jó 26.13; 33.4; SI 104.30). Se m o
Espíri to Santo, não te ríamos a B íblia (2Pe 1.21), n e m o
N ovo Te s ta m e n to (Jo 14.26, I C o 2.10) e ne nhum po d e r
para pr o c la m a r o Ev a n g e lh o (At 1.8). Sem o E sp íri to
Santo, não haveria fé, n e m nov o nascime nto , n e m
santidade e ne n h u m cristão ne ste mundo. Este e stu do
e x am in a alguns dos e n s in a m e n to s básicos a resp eito do
Espíri to Santo.

A pe sso a do Espí ri to Santo.


Através da Bíblia, o Es pírito Santo é
reve lado com o Pessoa, c om sua próp ri a ind iv id ual id ad e
(2Co 3.17,18; Hb 9.14; I P e 1.2). Ele é uma P e s s o a
divina co mo o Pai e o Filho (At 5.3,4). O E sp íri to
Santo não é mera in fl uên c ia ou poder. Ele tem atributos
pessoais, a saber: Ele pe ns a (Rm 8.27), sente (Rm
15.30), de te rm in a ( I C o 12.11) e tem a facu lda de de
am ar e de d e le i ta r - s e “ na co mu nhã o. Foi enviad o pelo
Pai para levar os crentes à ínt im a pres enç a e c o m u n h ã o
com Jesus (Jo 14.16-18,26).
À luz destas verdades, dev em os tratá-lo
co mo pessoa, que é, e c on si de rá -lo Deus vivo e inf inito
em nos so coração, digno da nos sa adoração, am or e
dedica ção (Mc 1.11). 21

1 Intento, intenção, plano, proj et o, propósito.


2 Sentir ou r eceber grande prazer; deliciar-se.

127
A Obra do Espírito Santo

A rev e la ç ã o do Espírito Santo no Novo


T es tam ent o.
1. O Es pír i to Santo é o agente da salvação.
N is to Ele co n v en c e -n o s do pe c a d o (Jo
16.7,8), r e ve la - no s a verdade a respeito de Jesus (Jo
14.16,26), r e a liz a o novo na sc im e nto (Jo 3.3-6), e faz-
nos m e m b ro s do corpo de Cristo ( I C o 12.13). Na
co nve rs ão , nós, crendo em Cristo, receb em os o Espírito
Santo (Jo 3.3-6; 20.22) e nos tornamos co -p a rti c ip an te s
da n a tu re z a d iv in a (2Pe 1.4).

2. O Es p ír i to Santo é o agente da nossa santificação.


Na co nve rs ã o, o Espírito passa a ha bitar no
crente, que c o m e ç a a viver sob sua inf lu ênc ia
sa nt if ic ad or a (Rm 8.9; I C o 6.19). Note algu ma s das
coisas que o E sp íri to Santo faz, ao habitar em nós. Ele
nos santi fic a, i.e., purifica, dirige e leva-nos a uma
vida santa, li be rta ndo -n os da escravidão do pecado
(Rm 8.2-4; G1 5.16,17; 2Ts 2.13).
Ele te stifica que somos filhos de Deus (Rm
8.16), aj u d a- n o s na ad oração a Deus (At 10.45,46; Rm
8.26,27) e na nos sa vida de oração, e inte rcede por nós
qua ndo c la m a m o s a Deus (Rm 8.26,27). Ele produz em
nós as qu a li d a d e s do car áte r de Cristo, que O
glori fic am (G1 5.22,23; IP e 1.2). Ele é o nos so mestre
divino, que nos guia em toda a verdade (Jo 16.13;
14.26; I C o 2.10-16 ) e ta m b é m nos revela Jesus e nos
guia em e str ei ta c om u n h ã o e união com Ele (Jo 14.16-
18; 16.14).
C o n t in u a m e n t e , Ele nos c om unic a o amor de
Deus (Rm 5.5) e nos alegra, c ons ol a e ajuda (Jo 14.16;
l T s 1.6).

128
3. O Es píri to Santo é o agente div in o para o serviço do
Se nhor, re ve st in do os crentes de po d e r para re a liz a r
a obra do Se nho r e dar te st em un ho dEle.
Es ta obra do Espírito Santo re la cio na -s e co m
0 ba ti s m o ou co m a ple nit ude do Espírito. Q ua ndo
somos ba tiz ado s no Espírito, r e c eb e m os po de r para
te s t e m u n h a r de Cristo e tra ba lh ar de mo do eficaz na
igreja e diante do mu ndo (At 1.8). R e c e b em o s a m e sm a
unção di vin a que desceu sobre Cristo (Jo 1.32,33) e
sobre os discí pulo s (At 2.4; ver 1.5), e que nos capac ita
a p r o c la m a r a Pal av ra de Deus (At 1.8; 4.31) e a operar
milagres (At 2.43; 3.2-8; 5.15; 6.8; 10.38). O plano de
Deus é que todos os cristãos atuais r e c eb a m o ba tismo
no E sp íri to Santo (At 2.38,39). P a ra rea liza r o traba lho
do Senhor, o Espírito Santo o u t o r g a 1 dons esp irituais
aos fiéis da igreja para ed ifi caç ão e for ta le c im e nto do
corpo de Cristo ( I C o 12-14). Estes dons são uma
m a ni fe st a ç ã o do Espí ri to através dos santos, vis ando ao
be m de todos ( I C o 12.7-11).

4. O E sp íri to Santo é o agente divi no que ba tiza ou


im p la n ta os crentes no corpo único de Cristo, que é
sua igreja ( I C o 12.13) e que p e rm a n ec e nela ( I C o
3.16), e di fi c an do- a (Ef 2.22), e nela ins pirando a
adoraçã o a Deus (Fp 3.3), dir ig ind o a sua missão (At
13.2,4), esc olh en do seus obreiros (At 20.28) e
c o n c e d e n d o -l h e dons ( I C o 12.4-11), esc olh en do seus
pr e ga do re s (At 2.4; IC o 2.4), res gu arda ndo o
E v a n g e lh o co ntra os erros (2Tm 1.14) e efetuan do a
sua retidão (Jo 16.8; IC o 3.16; I P e 1.2).
As diversas ope raçõe s do Espírito são
c o m p le m e n ta re s entre si, e não co ntr aditórias. Ao
m e s m o tempo, essas at ividades do Espírito Santo

1 Ato ou efeito de outorgar; c ons enti ment o, concessão,


apr ov açã o, beneplácito.

129
fo r m am um todo, não h a v e n d o plena separação entre
elas. A lg u é m não pode ter:
1. A nova vida total em Cristo;
2. Um santo viver;
3. O po de r pa ra te st em u n h a r do Senhor ou
4. A c o m u n h ã o no seu corpo, sem exercitar estas quatro
coisas. Po r exemplo: um a pe sso a não pode co nse rv a r
o ba tis mo no Espírito Sa nto se não vive u m a vida de
retidão, p r od uz id a pelo m e sm o Espírito, que ta m b é m
quer c o n d u z i r esta m e s m a pessoa no co n h ec im e n to
das ve rdades bíblicas e sua obe diê nc ia às mesmas.
Os discípulos pe rs ist ir am em pregar a
Pala vra (At 5.12-42).
Os saduceu s que não criam na ressur reiç ão ,
senti am-s e n o va m en te ag itados porque os discí pulos
c o nt in ua va m a pregar a ressu rr eiç ão de Jesus. A pe sa r
de terem la nçado os a póst ol os no cárcere, Deus abriu
as portas da prisão e os fez sair (At 5.19).
A opo sição c e nt r al iz ou- s e em Estevão. Ler
as e xp eriên ci as regis tra das em Atos 6 e 7. Es te vão era
leigo e um dos prim eir os diáconos. É descrito com o
“ ho m e m cheio de fé e de p o d e r ” (At 6.8). Te mo s
registro de um dia apenas da sua vida - o último.

Testemunho na Judéia e Samaria


(At 8.4-12.25)

Os discípulos ti nh a m dado te st em unho em


Jer usa lém, porém, Jesus ins istia que fossem à Ju déi a e
Samaria.
H av ia em J e r u sa lé m ali guias religiosos que
pe nsa va m fazer a vontade de Deus ao tentar acabar com
o c ristianism o, matan do os cristãos. D isse Paulo: “Na
verdade, a mim me pareci a que muitas cousas devia eu
praticar co ntra o nome de Jesus, o N a z a r e n o ” (At 26.9).

130
Paulo, sem o saber, na rea lid ade c o m e ç o u
na que la oc asi ão sua obra de e sp a lh a r o Ev angelho. Ler
Atos 8.3. A pe rs egu iç ão faz o c ri st ia nis mo avançar,
com o o vento esp al ha o fogo.
Fil ipe e st ab el ece u-s e em Samaria. Jesus
dissera: “ Ser -me-eis te st em un ha s em... S a m a r i a ” . Fil ipe
prega va Cristo e estava sendo mu ito bem sucedido (At
8.6-8). Deus, porém, tinha outra mis são para ele.
M an d o u - o de ix ar a obra que se e xpa ndia e ir “para a
ba nda do sul, no c am in ho que desce de J er usa lé m a
Gaza” .
O e t í o p e 1 co nv er tid o pelo traba lho de Filipe
levou, sem dúvida, o Ev a ng e lh o ao grande c ontin en te
da África. O Ev a ng e lh o estava a c am in ho dos confins
da terra.
A pr im eir a me nçã o que temos de Saulo foi
por ocasião do ap ed re ja me nt o de Estevão. O martírio
deste pa rece ter in fl am ad o o p e rs eg uid or da igreja.
Saulo e sta va em luta c om uma c on sc iê nci a que tinha
sido de spertada. Foi por isso que Jesus lhe falou na
o
visão, dizendo: “D ura co us a é re c a l c i t r a r e s ' c ontra os
a g u i l h õ e s ” (At 26.14).
Saulo causou grande mal à igreja! Qua nto
mais idô ne a e inte ligente for à pessoa, tanto mais dano
pode causar, qua ndo do m in a d a por Satanás.

Testemunhando Até os Confins da Terra


(At 13-28)

A morte de E s te vã o foi apenas o co me ço de


grande perseg uiç ão m o v id a co ntra os cristãos. C om o 21

1 De, ou pertencent e ou relativo à Et iópia (África).


2 Resistir, deso be dece nd o; não ceder; teimar; replicar; obstinar-
se. Insurgir-se, revoltar-se; rebelar-se. Dar coices (o animal).

131
c on seg uir am chegar a Antio quia ? (At 11.19-21)
Alguém de cl a ro u que o c ris tia nis mo dos prim eir os dias
é “ U m C o n to de Duas C id a d e s ” - Je ru sa lé m e
Antioquia.
Até o capítulo 12 de Atos vimos o início da
igreja em J erusa lé m, tendo Pedro por líder. De Atos 13
a 28 iremos ver Paulo e a Igreja de Antioquia. Esta
cidade pass a a ser a nova base de operações. To rn ou-s e
o novo c ent ro da igreja para levar a mis são de Jesus
“até os con fins da te rr a ” . E m A nti oquia for am eles
cham ad os cristãos pela p rim eir a vez (At 11.26).
A p rim eir a via gem mi s si onár ia c om eç ou em
Antioquia, partind o Paulo e Barn abé em direção ao
ocidente (At 13.2,3). O m a io r e m p re e n d im e n to do
mundo são as missões, e temos aqui o início dessa
grande obra. C om e ço u ju s t a m e n t e com o devia, numa
reunião de oração.
E n qu a nt o Paulo e B arnab é prega vam o
E van ge lho sob persegu içõ es e privações, os oficiais da
igreja em J er us a lé m pro c ur a vam a re sp osta para uma
das pe rgu nta s mais perturbad oras: “D eve um gentio
tornar-se ju d e u e aceitar as suas leis e ritos, antes de
pode r ser c r i s t ã o ? ” (At 15.1) Paulo e Barnabé nada
haviam dito a respeito da lei de Moisés. Decl arav am
apenas: “ Crê no Senho r Jesus e serás s a lv o ” .
M uitas pessoas, hoje em dia, não têm uma
noção muito clara do que pre ci sam faz er para serem
salvas. Ja m a is al cançaremos a salvação por nosso
próprio mérito, e ne nhu m esforço de nos sa parte no-la
dará, pois “pela graça sois salvos... e não de obra s” (Ef
2.4-9). A lei a nin guém salva. M ost r a apenas como
somos pecadores.
C heg a ra m a uma im por tan te decisão naquela
reunião. D e sc o b ri ra m que Deus ia agora “ constituir
dentre eles um povo para o Seu n o m e ” (At 15.14). Iria

132
fo rm ar a Sua Igreja c om aqueles a que m c h am a s se .
Paulo e B ar nab é p a rt ir a m pa ra a sua seg unda via gem
m is si oná ri a a fim de visitar as igrejas que ti nha m
estabe lecid o e os novos crentes. Depois de um
d e s e nte nd im e nt o en tre ele e Barnabé, Paulo to m ou
Silas, seu novo amigo, e co m ele atravessou a Sír ia e a
Cilicia. Em Listra e n co ntr ou Ti mó teo , a quem hav ia
treinado para ser p r e ga do r deste precioso E v a n g e lh o
(At 16.1).

O Es pírito Santo era o G ui a co ns ta nte de Paulo.


Foi em T r ô ad e que, num a visão, Ele dirigiu o
apóstolo a levar à E u r o p a o Ev a ng e lh o pela p ri m e ir a
vez (At 16.8-11). O ponto de partida foi Fi li pos, na
Maced ônia. O navio que tr a ns po rta va Paulo da Ásia
para a E ur opa le vav a a sem ente de uma no va
civili zaç ão e vida - o E v a n g e lh o de nosso Se nhor J esu s
Cristo.
P a rt in do do porto de Éfeso, Paulo se desp ed e
dos amigos pela últ im a vez. Segue para J e r u sa lé m e, de
agora em diante, Ele é visto com o o “pri si onei ro do
S e n h o r ” . Visita J e r u s a lé m pela última vez, onde uma
mul tid ão investe c ontr a ele e o agarra, ac us a ndo-o de
en sin ar os ju d e u s a d e sp r e z a r a Moisés. D e s c o b ri n d o
que Paulo era ci d ad ã o romano, o c o m a n d a n te
p ro m e te u-lh e um j u l g a m e n t o jus to . O apóstolo fez sua
defesa em Cesa réia, peran te Félix, o go v e rn a d o r
romano.
Após dois anos de prisão foi j u l g a d o pela
s egu nda vez pera nte Festo, o novo g o ve rn a do r e a este
apelou para o pr ópr io C és a r im pe ra do r de R o m a (At
21.27-26.32).
Depois de uma a cid en ta da viagem dura nte a
qual o navio na ufr ag ou, Paulo chego u a Roma. Aqui
ficou preso por dois anos na residência que alugara.

133
M e s m o na pris ão o grande pre ga dor e ev angelista
c o n d u z i r a m a Cristo os servos do próprio palácio de
Nero (At 27. 1-28.24).
D u ra n te a prisão Pa ulo escreveu mu ita das
suas epíst ola s. Foi num a c ad e ia em Roma, en quant o
e sp e ra va ser exec uta do a q u a l q u e r mo m e nt o, que ele
e sc re ve u 2T im óte o, dizendo: “ Qua nto a mim, estou
sendo j á ofere cid o por libação, e o tempo da minha
pa rti da é chegado. Com ba ti o b o m co mb at e, completei
a carreira, guardei a f é ” (2T m 4.6, 7).
Fi n a lm e n te o am ado apóst ol o foi co ndena do
e d e c a p i t a d o 1. Sua alma he ró ic a foi libertada e o seu
corpo frágil sepultado.
Pa ulo tr a ns fo rm ou o c ris tia nis mo dos seus
limites est reitos em uma in fl u ê n c ia mundial. Luto u por
de rr ub a r as barreiras que e x is t ia m entre j ud e u e gentio,
entre servo e livre.
Atos é o único livro ina cab ad o da Bíblia.
O bs erve a ma nei ra b r u s c a 21 c om que termina. De que
outro m odo pode ria term ina r? C o m o po de ria hav er uma
n arrativ a c o m ple ta da obra e da vida de uma pesso a que
ainda vive? No sso Senhor, que re ssu sci tou e ascendeu
ao céu, ainda vive. Do centro - Cristo, pro jeta-se às
linhas em todas as direções, mas “ os confins da te rra ” ,
ainda não foram alcançados. O livro marca apenas o
começ o. O Ev a nge lh o de Cristo prossegue! Estamos
ain da vive ndo Atos.

1 Cort ar a cabeça de; degolar.


2 Repen ti no , imprevisto, inesperado, súbito.

134
Questionário

• A ssinale com “X ” as alternativas corretas

6. Prega va Cristo em Sama ria e estava sendo mu ito


bem sucedido, porém, Deus ma nd ou-o ir para a
banda do sul
a) [7] Filipe
b ) D Es tê vão
c ) | I Silas
d ) l 1 Ti m ót eo

7. C o m e ço u em A nti oqu ia , partin do Paulo e Barnabé


em direção ao ocidente
a ) LJ A últ im a via gem m is si oná ri a
b ) |_I A pr im ei r a via gem m is si oná ri a
c ) Q A terceira via gem m is si oná ri a
d ) [/ l A s egu nda via gem m is si oná ri a 0198

8. Atos é o únic o livro da Bíblia c onsi de rado


a) |______ | Inteligível
b) |______ J In co m p re e n sí v e l
c) |______ J A c aba do
d) [~71 Inacab ad o

M ar q u e “C ” para Certo e “E ” para Errado

9. [tTI O falar em outras línguas era entre os crentes do


No vo T e s ta m en to , um sinal da parte de Deus para
e vid en c ia r o ba tis m o no Espírito Santo
10. [ 2 Através da Bíblia, o Espírito Santo é reve lado
co mo Pes soa, c om sua próp ri a indi vid ua lid a de . Ele é
um a P e s so a divina com o o Pai e o Filho

135
Os Evangelhos e Atos___________
R eferências B ibliográficas

FE R R E IR A , Au rélio B ua r que de Holanda. Novo


Aurélio Século X X L 3a Ed. Rio de Janeiro: E d i to r a
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137
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Av. Brasil, S/N° - Cx.Postal 248 - Fone: (44) 642-2581
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