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Metodologia Científica

Profº José Francisco Rodrigues

SIMULAÇÃO

1 O QUE É SIMULAR

Simular é submeter modelos a ensaios, sob diversas condições, para


observar como eles se comportam. Assim, avalia-se a resposta que deve ser
esperada do SFR.
A simulação pode envolver protótipos (primeiros exemplares de um produto
construídos para testes), ou modelos submetidos a ambientes físicos reais. No caso
particular de modelos matemáticos, eles são submetidos a distúrbios matemáticos
para avaliar a condição de serviço esperada.
Convém lembrar que para simular um SFR em operação, quer por
experimentação em laboratório ou em campo, quer através de formulações
matemáticas, é necessário que sejam adotadas hipóteses simplificativas desta
realidade física. A figura 1 representa uma simulação em laboratório.

Figura 1 – Simulação realizada em laboratório


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Com a simulação consegue-se a reprodução, em condições diferentes das


reais, do funcionamento de um determinado sistema. Isto permite a comparação de
diferentes soluções sem incorrer nas despesas, demoras e riscos, algumas vezes
proibitivos, em geral inevitáveis, nos ensaios em verdadeira grandeza, sob
condições reais.
Vários são os exemplos em que o recurso da simulação é altamente
desejado, podendo mencionar-se:
- desenvolvimento de um coração artificial;
- lançamento de um satélite;
- construção de uma grande barragem;
- projeto de um avião comercial.

2 TIPOS DE SIMULAÇÃO

Pode-se classificá-la como:


• icônica
• analógica
• matemática

2.1 Simulação Icônica

É aquela que assemelha-se à realidade. Acontece quando o sistema físico


real (SFR) é representado através de modelos físicos, geralmente com dimensões
diferentes das reais, com o propósito de verificar como ele funcionará.
Exemplos:
1- ensaios em túnel de vento para analisar a influência da forma de um
objeto no seu arraste aerodinâmico, muito usado no projeto de carros e
aviões.
2- Construção em escala reduzida de uma hidrelétrica para melhor definir
detalhes construtivos.

É uma solução que normalmente envolve testes com protótipos ou modelos


em condições controladas, geralmente em laboratórios e nestes ensaios as
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características relevantes são controladas com mais rigor, pois são elas que influirão
mais severamente nos resultados.
A figura 2, ilustra um caso de simulação icônica, onde trata-se da
experimentação de um rotor Savonius

Figura 2- Bancada de testes para análise de modelos de rotor Savonius e vista do


sistema de medição
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2.2 Simulação Analógica

Na simulação analógica realiza-se a comparação de algo não familiar, ou de


difícil manipulação, com outra familiar, ou de fácil manuseio. Ou seja, faz-se um
sistema comportar-se de modo análogo a outro.
Várias analogias são utilizadas na engenharia. Dentre as mais comuns está a
formulada entre os sistemas elétricos e outros fenômenos físicos.
A seguir, através da figuras 3 e 4, apresenta-se dois exemplos de simulação
analógica, onde no primeiro tem-se um amortecedor utilizado em sistemas de
suspensão de automóveis e no segundo um trocador de calor.

Figura 3 – Simulação analógica – sistema mecânico e elétrico

Figura 4 – Simulação analógica – sistema térmico e elétrico


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2.3 Simulação Matemática

A simulação do Sistema Físico Real (SFR) usando a modelagem matemática


é um instrumento de previsão muito útil, onde as características essenciais dos
elementos idealizados são descritas por símbolos matemáticos. Assim, distúrbios
nas variáveis envolvidas nas equações simulam o comportamento do sistema
representado. Pode classificar este tipo de simulação como sendo simbólica. Um
exemplo simples de engenharia é apresentado a seguir para ilustrar o ferramental
importante que a simulação matemática oferece.
A figura 5 está mostrando um reservatório com um fluido qualquer utilizado na
indústria.

Figura 5 – Modelo diagramático de um reservatório de líquido.

O problema consiste em se determinar a vazão Q pelo orifício do fundo, em


função da altura H do líquido no reservatório. Parte-se do pressuposto de que a
altura H deva ser mantida constante, o que é conseguido adequando a vazão de
entrada à de saída.
Analisando a questão, e considerando que H = constante, as energias nos
pontos 1 e 2 serão iguais, isto é, o que entra é igual ao que sai.
O modelo matemático que pode ser representado nesta igualdade, é a
equação de Bernoulli, assim descrita:

p1 V12 p2 V22
+ + g.z1 = + + g.z 2
ρ 2 ρ 2
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onde:
p → pressão
V → velocidade
g → aceleração da gravidade
ρ → massa específica do meio
z → posição do ponto

Analisando, mais uma vez o problema, verifica-se que:


a) V1 = 0 → pois o ponto 1 permanece constante na superfície com H
constante (está parada).
b) p1 ≅ p2 → admitindo-se que o bocal de saída é bastante curto, se não,
seria necessário considerar a pressão no ponto 2 igual a soma da pressão
atmosférica , que atua em 1, mais a pressão exercida pela coluna de líquido acima
desse ponto.
c) considerando ainda que as coordenadas dos pontos 1 e 2 são, z1 = H e
z2 = 0.
Substituindo-se na equação de Bernoulli, acima, resulta:

V2 = 2.g.H

Como a vazão do líquido pelo orifício é igual ao produto da área deste orifício
pela velocidade do líquido, isto é, Q = A V2, logo vem:
Q
V2 =
A
Q
ou ainda, que V2 = = 2.g.H
π.R 2

logo, Q = πR 2 . 2.g.H

3 O COMPUTADOR NA ENGENHARIA

Através de sua evolução , trata-se este de um importante instrumento de


simulação computacional.
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Atualmente, utilizam-se computadores como instrumentos de auxílio no


processo de projeto na engenharia e a grande vantagem do seu uso é a
possibilidade de modelagem de um SFR com poucas despesas e muita rapidez. Há
de se mencionar que com a avanço tecnológico utilizado neste equipamento, seu
valor de aquisição tornou-se relativamente acessível a maiores das pessoas.
O computador permite a simulação de vários casos com diferentes formas de
solicitação e geometria, com relativa simplicidade e maior flexibilidade, com
respostas rápidas às necessidades do consumidor e o consequente aumento da
produtividade por parte das empresas.
Em engenharia, o computador pode ser usado para várias atividades, tais
como:
- projeto de circuitos integrados;
- projeto de transformadores e motores elétricos;
- projeto de sistemas elétricos;
- projeto de produtos e componentes;
- desenho técnico;
- simulação de SFR;
- automação industrial;
- cálculos estruturais;
- mapeamento de minas;
- arquitetura e urbanismo, etc, etc,
De uma forma geral, o computador pode ser utilizado de três formas:
a- Para computar resultados → através de cálculos realizados
segundo regras estabelecidas, com equações que governam a operação do SFR;
b- Como banco de dados → pois a alta capacidade de armazená-
los e devolvê-los quando solicitados, torna-o mais eficiente do que qualquer outro
meio conhecido de guardar informações;
c- Como auxílio no desenho → por tornarem mais rápidas e
permitirem maior versatilidade na confecção de desenhos, os sistemas gráficos já
têm lugar garantido nesta fase do processo de projeto.

Em muitas situações a simulação envolve computadores para representar a


dinâmica da situação. Isto é assim feito porque o uso de computadores como
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ferramenta de trabalho em muito facilita os cálculos, que geralmente envolvem


centenas de tarefas de rotina e operações repetitivas.
Finalizando, a simulação envolve a modelagem de uma situação complexa,
de forma simples e apropriada, que pode ser estudada sem os efeitos
inconvenientes que usualmente acompanham um SFR. O propósito da simulação é
verificar os resultados que podem ser obtidos do SFR, ao se operar o modelo em
condições similares à realidade.

Figura 6 – Modelos concebidos para simular o comportamento de partes do corpo


humano