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25-O MISTÉRIO DO DESTINO-03/Dezembro/2004

Os adeptos do destino asseguram que é a fatalidade que rege as suas vidas. Por sinal a palavra
“fatal” é derivativa do latim “fatum”, que significa “destino”, “sina” (“fate”, em inglês).
Na verdade, muitos acreditam que a vida tem um fim já pré-determinado. A observação é
sempre a mesma: “Isto tinha de acontecer”. O filme “Efeito Borboleta” atesta este princípio,
ou seja, não adianta querer mudar o passado, pois o futuro já está escrito. Paira o mistério:
somos realmente pessoas predestinadas? Em contraposição a essa teoria determinista, o
psicanalista Carl Gustav Jung observou que “quando não estamos sintonizados com a nossa
vida interior, as coisas que nos acontecem são vistas como Destino.”, o que significa que, por
não estarmos em harmonia com nosso íntimo, tendemos a nos isentar de responsabilidade
pelos nossos atos. Em síntese, para os que acreditam em destino, fatos e acontecimentos são
imutáveis, ou o caos reinaria. Por outro lado, o que pensam os apologistas do livre-arbítrio?
Para estes, o homem é livre para a prática do bem e do mal, devendo arcar, todavia, com as
conseqüências de seus atos. O fato é que essas duas vertentes acabam se tornando posturas
tipicamente de cunho religioso. Em qualquer dessas situações, o homem acaba ficando
escravizado, ora pensando que age tal e qual uma marionete, ora se preocupando com suas
ações, temendo o troco pelo que fez de certo ou de errado. Nessa hora, aparecem os
oportunistas que se intitulam, “senhores do destino”: astrólogos, videntes, quiromantes,
cartomantes, fanáticos religiosos, etc. Eles “adivinham” o porvir e se tornam uma espécie de
“muleta”. Se acertam, tornam-se deuses e o círculo vicioso está montado.
Como se não bastasse, ou para contrabalançar essa “insustentável leveza do ser”, existe uma
terceira ala que pensa diferente. São os chamados “cartesianos”, pragmáticos partidários do
pensamento de Descartes que afirmou não existir nenhum conhecimento mais seguro no
mundo do que a própria existência, isto é, o “eu”. Nada mais, nada menos. E completou:
“Penso, longo existo”. Sua justificativa é fundada na tese de que o homem não pode duvidar
de sua existência, pois se assim o for, estará questionando o próprio “eu”. No final de toda
essa celeuma filosófica sobre o seu futuro, o ser humano deve é se preocupar, sobretudo, com
suas ações no presente. Agindo em concordância com as leis da natureza, certamente, a vida
fluirá tal e qual um rio que desliza leito abaixo. Não importa o quão caudaloso seja, o quão
revolto esteja. O certo é que o rio chegará ao seu destino.
Enfim, deve-se respeitar a verdade íntima de cada um. Não se discute este mérito. O
importante é o objetivo e a metas a atingir. Devemos perseguí-los independentemente da
filosofia que seguimos. E que seja de forma natural. A vida tem que ter seus percalços.
Derrotas e vitórias fazem parte do crescimento de todos. Responsabilidades idem. A física
relativista de Einstein, a quântica de Max Planck, e a teoria das incertezas de Heisenberg, por
exemplo, apregoam que há um certo indeterminismo ou determinismo relativo nos fenômenos
físicos. Dessa maneira de pensar, surgiu uma espécie de casamento entre a física moderna
ocidental e a metafísica das religiões orientais, o que pode ser corroborado na obra de Lao-
Tsé, “O Tao”. Outros cientistas renomados de diversos pensamentos, como o citado Jung (que
asseverou sobre o sincronismo, assunto já abordado nesta coluna) e Stanlislav Groff (autor de
"A Mente Holotrópica"), defendem, igualmente, essa fusão que visa desmistificar certas
crenças ou princípios. O sábio Gandhi define bem o que seja “destino”:
“Mantenha seus pensamentos positivos, porque dos seus pensamentos advêm suas palavras:
mantenha suas palavras positivas, porque de suas palavras advêm seu comportamento;
mantenha seu comportamento positivo, porque de seu comportamento advêm seus hábitos;
mantenha seus hábitos positivos, porque de seus hábitos advêm seus valores e mantenha seus
valores positivos, porque de seus valores advêm seu destino.”
Assim, é a consciência que deve conduzir os atos do indivíduo. Estando ela em harmonia
com seu “hospedeiro”, certamente resultará no seu bem-estar, na sua felicidade.
Eis o melhor método para controlar o nosso destino ou nosso livre-arbítrio.