Você está na página 1de 4

Aluna: Míriam Scavone (1311902)

Curso: Filosofia (noturno)


Disciplina: PLEA

FICHAMENTO EXPANDIDO
A e e dotados de DE TEMPO DA MODERNIDADE E SUA NECESSIDADE
DE AUTOCERTIFICAÇÃO
Jurgen Habermas

Bloco 1 : As duas versões da teoria da pós modernidade


§§ 1 a 5
O autor inicia o texto apresentando o que chama de um quadro geral da
modernidade tal qual traçado pelos clássicos da teoria social (§ 1e 2). Coloca, no caso,
o pensamento de Max Weber, e sua tese de haver uma relação interna, e não apenas
contingente, entre modernidade e o que foi designado como racionalismo ocidental.
Para ele (Weber), a sociedade moderna advém com o processo de profanação da
cultura na Europa, após um desencantamento, levando à formatação de áreas do
conhecimento e da práxis humana dotadas de autonomia e com lógicas internas de
funcionamento. Ocorre a modernização do que Habbermas chama de modo de vida, o
cotidiano das pessoas, dentro de um quadro geral de institucionalização de uma ação
econômica e administrativa voltada para fins. Também desaparece a espontaneidade
natural no mundo da vida, com generalização de valores, condutas, e a tendência a
identidades abstratas do eu.
Habermas passa então a olhar o tema sob a ótica contemporânea (§ 3 e 4),
trazendo o conceito de modernização, que se tornou termo técnico nos anos 50 e
passou a caracterizar uma abordagem teórica que retoma o tema de Weber com
instrumentos do funcionalismo sociológico (nota minha: modelo teórico que enfatiza a
contribuição positiva da pela arquitetura social das instituições, valores culturais, normas
ou ritos, na reprodução da sociedade e seus respectivos padrões culturais). O conceito
de modernização esta ligado à ideia de um esforço mútuo no sentido da(o): a) formação
de capital e mobilização de recursos; b) desenvolvimento de forças produtivas e
aumento da produtividade do trabalho; c) estabelecimento do poder político
centralizado e a formação de identidades nacionais; d) expansão dos direitos de
participação politica, das formas urbanas de vida e da formação escolar formal e)
secularização de valores e normas, etc. Surge uma teoria da modernização que separa
o termo de suas origens (a Europa dos tempos modernos) e coloca o conceito de forma
neutra, como um processo geral de desenvolvimento social, quebrando as ligações
entre a modernidade e o conceito histórico do racionalismo ocidental. Modernidade se
torna uma espécie de estado final, sobre o qual não se discute mais nada, e seguem-
se novos ‘desenvolvimentos”. Dessa forma, os cientistas sociais puderam passar a
desconsiderar o racionalismo ocidental e as premissas do esclarecimento que esteva
na origem do surgimento da modernidade. Uma modernização social auto-suficiente
destaca-se dos impulsos de uma modernidade cultural ultrapassada. Opera com as leis
funcionais da economia e do Estado, da técnica e da ciência fundidas em um sistema
imune a influencias. Ocorre uma cristalização da cultura (conceito de Arnold Gehlen).
“Conte com o que possui”(Gottfried Benn). Habbermas chama de uma “despedida
neoconservadora.” . Habbermas apresenta, então, uma outra corrente de teóricos que
não consideram o desacoplamento entre modernidade e racionalidade (§ 5). Para eles,
a pós-modernidade assume a forma política do anarquismo. Eles também reclamam o
fim do esclarecimento, assumem a pós-história, mas despedem-se da modernidade
como um todo, ao constatarem uma razão desmascarada que mostra sua faceta
subjugadora e subjugada, instrumento de dominação. Por essa perspectiva, a
modernização social não poderá sobreviver ao fim da modernidade cultural da qual
derivou. As duas teorias da pós-modernidade, ainda que diversas, apartam-se do
horizonte da modernidade europeia e abandonam o conceito de Hegel de modernidade,
que perdurou até Weber. Habbermas se propõe, então, a reexaminar o conceito
hegeliano de modernidade para julgar se procede o olhar para o conceito sobre outras
premissas (§ 6).

Bloco 2 : O conceito hegeliano de modernidade (§§ 7 a 10)


Habermas inicia a analise do conceito de modernidade elaborado por Hegel. Pontua
que antes de tudo, ele o empregou como conceito de época (“novos tempos = tempos
modernos), delimitado a partir do Renascimento/Reforma/descoberta do Novo Mundo.
O sentido cronológico deu lugar a ideia de uma época enfaticamente nova. Conceito
profano que trouxe a convicção que que se trata de uma época orientada para o futuro
(§7). O novo passa a ter sua origem então no passado, na época moderna. O mundo
moderno, segundo Habbermas, se distingue do velho pelo fato de se abrir para o futuro,
e assim uma época histórica repete-se, reproduz-se a cada momento do presente, e
gera o novo através de si. Por isso, a consciência histórica da modernidade faz uma
divisão entre o tempo mais recente e a época moderna (§8).Hegel entende o nosso
tempo como o tempo mais recente de um período, que é o ultimo estágio da história. A
modernidade não toma dos modelos de outra época seus critérios de orientação, “ela
extrai de si mesma sua normatividade”, e sempre tenta afirmar-se em si mesma. Como
se ela tivesse iniciado um novo processo histórico, sem ligações com os anteriores. (§9
e 10). Isso gera um esforço no sentido de buscar incessantemente afirmar-se a partir
de suas próprias logicas, processo nunca finalizado.

Bloco 3: A Modernidade na crítica estética (§§ 11 a 13).


O autor demonstra nos parágrafos seguintes que a consciência do problema da
fundamentação da modernidade a partir de si mesma surge pela primeira vez na crítica
estética ((§ 11). Para isso, refaz o caminho da história conceitual do termo “moderno”.
Nas artes, os modernos apresentam argumentos históricos para questionar o sentido
de imitação dos modelos antigos. Ressaltam os critérios de belo relativo ou
condicionados temporalmente ao de beleza absoluta supratemporal. Articulando com
isso a autocompreensão do Iluminismo francês como de um novo começo de época.
Outra prova da ligação do desenvolvimento do termo com as belas-artes é o fato de ele
só ter sido substantivado no século XIX, nesse domínio. Baudelaire, como critico de
arte, acentuou o caráter transitório e efêmero da modernidade, como o espirito de seu
tempo. A experiência estética confundia-se com a experiência histórica do conceito de
modernidade. “A atualidade só pode se constituir como o ponto de intersecção entre o
tempo e a eternidade”. A modernidade liga-se ao efêmero, nisso estado em grande
afinidade com a moda, por exemplo. Toda obra autentica esta radicalmente presa ao
instante de seu surgimento e se consome na atualidade. (§13).

Bloco 4: A orientação do tempo-presente- Benjamin e Koselleck (§§ 14 a 18)


Essa característica da obra de arte encontrar-se sob o signo do autentico com o efêmero
será tratada com a expressão “imagem dialética” por Benjamin, que buscará “retraduzir
a experiência estética fundamental em uma relação histórica. (§§ 14). Ele se rebela
tanto contra a normatividade que estabelece a imitação de modelos do passado para
compreensão da história quanto contra as duas concepções, dentro do terreno da
compreensão moderna da história, que barram o novo e inesperado: contra a ideia de
um tempo homogêneo e vazio, preenchido apenas pela fé no progresso, e também da
neutralização de todos os critérios que o historicismo opera quando coloca a historia em
um museu. (§§ 15).
Habbermas aprofunda-se na visão benjaminiana, abordando a consciência do tempo
expressa nas teses de Benjamim de filosofia da história. A orientação do “tempo-
presente” na teoria desse filosofo é, de forma inversa, orientado para o passado de
forma radical, e não para o futuro. O novo no futuro sé se apresenta na perspectiva de
reminiscência de um passado oprimido. (§ 16). É uma oportunidade revolucionária.
Já R. Koselleck (nota minha: historiador alemão do pós-guerra, um dos fundadores e
principal teórico da história dos conceitos) caracteriza a consciência moderna do tempo
mediante a diferença crescente entre o “campo da experiência” e o “horizonte de
expetativa”, onde as expectativas se distanciam cada vez mais do campo das e
experiências passadas, como, por exemplo, a vida rural e artesanal se tornando algo
obsoleto e o advento de uma ideia de sociedade voltada obsessivamente para o
progresso. Habbermas pontua que o conceito de progresso, no entanto, não apenas
serviu para aberturas utópicas de expectativas quanto obstruiu o futuro visto como fonte
de inquietude (§18)?