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O Conselho Internacional da Monumentos e
Sítios (Icomos) redigiu, em 1986, na cidade de
Washington (EUA), a Carta Internacional para
a Salvaguarda das Cidades Históricas, ± ou 
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Carta de Washington. Neste documento, o

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Icomos traz definições muito importantes para
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compreender a questão do patrimônio cultural
em uma sociedade.

"Resultantes de um desenvolvimento mais ou menos espontâneo ou de um projeto deliberado,


todas as cidades do mundo são expressões materiais da diversidade das sociedades através
da história e são todas, por essa razão, históricas", registra. Isso significa que não tem mais
sentido dizer que apenas este ou aquele município é considerado "cidade histórica", pois todas
as cidades são históricas, na medida em que todas se desenvolveram a partir da ação humana
e todas deixaram um legado para a posteridade.

A idéia da cidade como documento histórico é uma decorrência desta noção. Cada edificação
exprime os valores de determinada época. É possível "ler" na arquitetura das casas
informações capazes de decifrar o estado de espírito do tempo em que foram construídas.
Portanto, essas edificações na paisagem da cidade são como páginas em um livro aberto, cuja
função é, entre outras, fazer com que os habitantes percebam, em seu cotidiano, que são
sujeitos históricos.
A carta registra ainda que, atualmente, muitas dessas casas/documentos históricos "estão
sendo ameaçadas de degradação, de deterioração e até mesmo de destruição sob o efeito de
um tipo de urbanização nascido na era industrial e que hoje atinge universalmente todas as
sociedades". O texto define princípios e métodos de ação para garantir a qualidade das
cidades históricas e perpetuar o conjunto de bens que, "mesmo modestos, constituem a
memória da humanidade".


     
A carta recomenda que a salvaguarda das cidades e bairros histó-ricos deve ser parte essen-
cial de uma "política coerente de desenvol-vimento econômico e social", capaz de promo-ver a
adaptação harmo-niosa desses conjuntos de edificações históricas à vida contemporânea. As
ameaças que possam comprometer a autenticidade do caráter histórico da cidade devem ser
combatidas. "A participação e o comprometimento dos habitantes da cidade são indispensáveis
ao êxito da salvaguarda e devem ser estimulados". A carta assinala que não se deve esquecer
que a preservação do patrimônio cultural "diz respeito primeiramente a seus habitantes".

Para assegurar a participação e o envolvimento dos habitantes, a carta recomenda que sejam
efetuados programas de informação e educação ainda nos primeiros anos escolares. Para o
Icomos, é fundamental o estímulo às pesquisas urbanas e incentivo à divulgação do resultados
para um melhor conhecimento do passado das cidades.

O Icomos esclarece que um dos objetivos fundamentais da salvaguarda é a melhoria do habitat


humano. Escreve que as novas construções e acréscimos devem respeitar a organização
espacial existente na cidade. "A introdução de elementos de caráter contemporâneo, desde
que não perturbe a harmonia do conjunto, pode contribuir para o seu enriquecimento".

Este documento também orienta que "a circulação de veículos deve ser estritamente
regulamentada" e as áreas de estacionamento devem ser "planejadas de maneira que não
degradem seu aspecto nem o do seu entorno". Além disso, diz que o poder público deve
favorecer a ação de associações de preservação e tomar "medidas de caráter financeiro para
assegurar a conservação e a restauração das edificações existentes".|

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