Você está na página 1de 11

A porta dos fundos

Lições da Bíblia
“Você já notou como as pessoas lamentam o fato de que muitas vezes os membros da igreja saem ‘pela porta dos fundos’? Elas até
declaram firmemente que a porta dos fundos da igreja deve ser fechada, mas falham em nos mostrar como fechar essa porta ou até mesmo a
localização dela. Algumas igrejas em crescimento podem pensar que sua porta dos fundos está fechada, mas na realidade pode estar
acontecendo simplesmente que mais pessoas estão entrando pela porta da frente do que saindo pela porta dos fundos. Embora seja melhor que
mais pessoas estejam entrando pela porta da frente do que saindo pela porta dos fundos (o que ocorre em alguns lugares), ainda assim queremos
fazer o que for possível para conservar nossos membros.”
“Descobrir qual é a porta dos fundos e tentar fechá-la exigirá estratégias que são, de fato, evangelísticas, visto que nossa missão não
é simplesmente ganhar pessoas para Deus, mas também conservá-las.”
“5. Por que os cristãos devem se reunir regularmente? Quando nos reunimos para a comunhão, temos encorajado uns aos outros?
Como podemos intensificar esse princípio?” ”Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto
mais quanto vedes que o Dia se aproxima.” (Heb. 10:25). “Na congregação recebemos orientações e exortações que nos preparam para a volta
de Jesus, e encorajamos os irmãos.”
“A decisão de deixar a comunhão geralmente não é tomada subitamente. Em vez disso, a maioria das pessoas passa por um processo
de afastamento silencioso. Assim como, para elas, aproximar-se de Cristo e da igreja foi uma jornada, o processo de saída é outra jornada. Na
maioria das vezes, o afastamento não é uma estratégia conscientemente planejada. Pouco a pouco, as pessoas começam a ficar desligadas,
desencantadas e insatisfeitas com as coisas na igreja. Talvez, em alguns casos, com razão. Portanto, procuremos estar cientes da jornada dos
que nos rodeiam na igreja.”
“6. Que admoestações podem nos ajudar a manter fechada a porta dos fundos? O que você e sua igreja podem fazer para viver essas
importantes verdades?” “Não nos julguemos mais uns aos outros; pelo contrário, tomai o propósito de não pordes tropeço ou escândalo ao vosso
irmão.” (Rom. 14:13). “Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade; porém não useis da liberdade para dar ocasião à carne; sede, antes,
servos uns dos outros, pelo amor.” (Gál. 5:13). “Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros,
como também Deus, em Cristo, vos perdoou.” (Efés. 4:32). “Não julgar uns aos outros; não usar a liberdade para pecar; servir aos outros pelo
amor; bondade, compaixão e perdão.”
“Uma igreja carinhosa, que continua cuidando, é um lugar no qual todos estão concentrados em seu relacionamento pessoal com
Jesus. Eles têm um conceito claro do valor que Jesus dá a cada indivíduo. Fechar a porta dos fundos envolve se aproximar das pessoas,
descobrindo suas necessidades, na medida em que elas estejam dispostas a compartilhar, e atender a essas necessidades, quando for
apropriado. Isso é algo que nenhum programa da igreja pode proporcionar. Apenas pessoas amorosas e carinhosas conseguem fazer isso.”

Não basta ganhar almas. É preciso fechar a porta dos fundos


É considerável o número de convertidos nas Igrejas que se desviam, e a maioria, em tempo recorde, atraídos pelas banalidades e
tentações do mundo. Isso me faz lembrar da parábola do semeador na qual o Senhor Jesus descreve quatro tipos de solo representando o
coração humano, sendo que destes apenas um é frutífero e permanente na conservação do que foi plantado e sua consequente frutificação. A
boa notícia nisso é que dada a fertilidade do solo a produção será enorme e surpreendente. À luz desse texto apenas 25% dos que se aproximam
d'Ele e de sua Palavra permanecem em crescimento, frutificação e fidelidade contínuos.
Outro fato a ser observado é que o número de convertidos na Igreja Evangélica Brasileira vem caindo. Isso é um fato notório, a despeito
dos críticos dessa opinião. E isso se deve a algumas variantes que não podem ser desconsideradas.
A primeira delas é que muitos estão apenas aderindo, mudando de Igreja por modismo e não por experimentar uma profunda e real
mudança de vida, um novo nascimento verdadeiro em Cristo. E isso é reforçado por um discurso muitas vezes exageradamente apelativo,
fortemente carregado de emoção nas músicas e propostas de êxito que permeiam a maioria dos púlpitos.
A segunda causa disso é que as Igrejas, ainda que alguns se esforcem muito para diminuir isso, não estão consolidando bem o fruto
colhido. Isso significa dizer que há grande alegria na colheita e com o passar dos dias, semanas, meses e anos o amor em manter firme o que
foi conquistado vai arrefecendo ao ponto de ausências nem serem mais notadas ou sentidas.
Uma terceira coisa é o crescente "troca-troca" de Igrejas. Refiro-me às pessoas que não criam raízes em nenhuma Igreja por longos
períodos e vivem trocando de comunidade com uma rapidez surpreendente. Há um crescente proselitismo competitivo entre Igrejas, que agem
entre si como agem empresas concorrentes ou times adversários no cooptação, respectivamente, por clientes ou atletas. Alguns desses
expressam sinceridade na intenção de fé, mas também demonstram confusão na busca por um lugar onde se sintam felizes e realizados. Isso
parece sugerir que o bem-estar pessoal, o ego satisfeito, o ambiente, a equipe eclesiástica, a metodologia, a liturgia e a estrutura, prescindem a
graça de Cristo revelada em Sua Palavra e manifestada pelo agir silencioso e intrínseco do Espírito Santo.
Uma quarta razão vem a ser a APOSTASIA em cumprimento a uma profecia de Cristo: "E por aumentar a iniquidade (maldade no
mundo), o amor de muitos esfriará." Esse aumento da iniquidade se dá em dois níveis. Primeiro pela pessoa que pratica a iniquidade e acaba
esfriando na fé. Segundo por aqueles que observando o avanço da iniquidade no mundo perdem a esperança e se desviam da crença de que o
Evangelho possa mudar o mundo e a vida das pessoas. Em ambas situações a iniquidade se internalizou nessas pessoas.
Uma última razão, dentre inúmeras que eu poderia pontuar a seguir, é a realidade da frieza de alguns púlpitos. O conhecimento secular
invadiu muitas Igrejas e uma espécie de Humanismo Secular Cristão, tem tornado a mensagem cristã exageradamente relativista, mundanizada
em nome da contextualização e antropocêntrica ao extremo, tirando Cristo do centro para pôr o homem e suas necessidades prementes em
primeiro lugar, fazendo com que Cristo seja mero coadjuvante no teor das mensagens, malevolamente transformadas em discursos de natureza
filosófica-social e de transformação da realidade pelo mero agir do homem, com suas potencialidades, em detrimento do agir de Deus com Seu
amor e Graça.
Enfim, é preocupante e entristecedor perceber tal realidade. Porém, é também instigante e desafiador para os que querem realmente
fazer a diferença em sua geração. É tempo de AVIVAMENTO. De reacender a velha chama que se apagou. A chama do primeiro amor, da
paixão por Cristo e da busca por vidas. Do discipulado que transforma pelo Evangelho de Cristo e de um viver sob um constante derramar de
unção e agir sobrenatural de Deus em nós. Pensemos e oremos por isso. Shalom!

“ABRINDO E FECHANDO AS PORTAS DA IGREJA”


“Pastor, o que está acontecendo? Tem gente saindo da nossa Igreja. Você sabe por quê?” Estas e outras perguntas têm angustiado
pastores e líderes em todas as denominações cristãs. São perguntas que não têm uma única resposta. Normalmente é um conjunto de fatores
e razões que levam pessoas a deixar suas comunidades. De qualquer forma, identificar alguns fatores e razões e que passos estratégicos podem
ser dados, precisam mover os líderes eclesiásticos neste momento oportuno. Em outras palavras, o que podemos fazer para que “a porta da
frente” esteja sempre aberta e “a porta dos fundos” sempre bem fechada para que ninguém saia?
Há alguns trechos das Escrituras que podem ser lembrados por todos nós:
Jo 6.66-69 – Jesus sofre com as pessoas que lhe dão as costas e se alegra com a fidelidade dos discípulos,
Mt 16.18 – Jesus afirma que o diabo (inclusive com sua estratégia de desestabilização, divisão e contenda) não tem poder sobre a Sua
Igreja,
1 Co 12.12-31 – Paulo aponta para o esforço comum para viver a unidade orgânica da Igreja.
Queremos, através deste estudo, considerar alguns pontos de reflexão:
– O que move as pessoas para virem à nossa comunidade?
– O que leva as pessoas a saírem dela?
– O que podemos corrigir nesta caminhada e “fechar a porta dos fundos”?

1 – As saídas e suas justificativas


Pessoas deixam a igreja local pelos mais diversos motivos. Vamos arrolar alguns:
1.1 – “Esta igreja não satisfaz as minhas necessidades”.
Para muitas pessoas a igreja é um lugar de consumo imediato e instantâneo, um “Fastfood”espiritual, sem compromisso e envolvimento.
Referência bíblica: Jo 6
1.2 – “Eu não tenho lugar nesta igreja, eles não precisam de mim”.
Pessoas se sentem desprezadas e desvalorizadas. O acolhimento e a integração são superficiais. Se sentem inúteis e sem espaço
para exercer um ministério. Têm a impressão que estão num “grupo fechado”.
Referência bíblica: 1 Co 12
1.3 – “Tive alguns conflitos pessoais e decidi sair. Não tem mais clima”.
Soluções simples e fáceis nem sempre significam a “direção de Deus” para aquela determinada situação. São decisões normalmente
tomadas individual e egoisticamente. O corpo não é consultado. O conselho dos irmãos não é ouvido. Pode ser um problema com o líder de um
grupo, com um presbítero, como pastor, com outro membro da igreja. Ou ainda outra razão qualquer. A maneira de Deus lidar com isso sempre
passa pelo diálogo, pela confissão de pecados mútuos, perdão e restauração. Algumas pessoas não têm maturidade para dar este passo e
saem, trazendo tristeza e frustração para ambos.
Referência bíblica: Fp 2.1-4;4.2
1.4 – “Eu não concordo com os rumos que a igreja está tomando”.
Isso pode significar manter seu conservadorismo, adotar práticas liberais, ou ainda, enfatizar uma prática de fé firmada numa
espiritualidade bíblica, carismática e inovadora. Estas “posturas eclesiásticas” podem gerar descontentamento levando as pessoas a procurar
“um lugar de identificação”.
Referência bíblica: At 15
1.5 – “Estou saindo da cidade – bairro. Preciso de uma transferência”.
É o que chamamos de mudança convencional. Muitas vezes isso não significa compromisso, mas sim, cumprir meras formalidades.
Outras vezes, isso está atrelado a um chamado de Deus.
Referência bíblica: At 13.1-3
1.6 – “Esta igreja é muito superficial e carnal”.
Pessoas anseiam por mais “espiritualidade”. Isso pode significar que a igreja não desenvolve nenhum plano espiritual de crescimento
consistente para os seus membros ou estamos lidando com a “síndrome do descontentamento”. Outro aspecto que pode ser mencionado nesta
explicação é a constante estagnação dos membros no que diz respeito ao desenvolvimento do caráter de Cristo em suas vidas.
Referência bíblica: 1 Co 13.1-9
1.7 – “Eu não me submeto a esta liderança”
A menos que a liderança da igreja local esteja em pecado, vivendo fora dos alicerces das Escrituras, esta postura do membro sempre
significa rebeldia e insubmissão ao próprio Deus. Certamente terá problemas neste sentido em outros lugares.
Referência bíblica: At 4.19,20; 3 Jo
1.8 – “ Se não der mais, eu saio”.
Vivemos numa geração de curtos e leves compromissos. Além de superficiais. O “novo” sempre encanta. Mas logo deixa de ser “novo”
e não serve mais.
Referência bíblica: Jo 6
1.9 – “Eu não agüento ver isso!”
Intolerância com o tolerável. Muitas pessoas com espírito julgador não têm tido paciência e amor com os mais “fracos na fé” para ajudá-
los a crescer em Cristo. Querem que todos estejam vivendo a sua espiritualidade.
Referência bíblica: 1 Co 12
1.10 – “Aqui o Evangelho não é pregado”
Insatisfeitos com as aberrações que são ditas em púlpito e os enganos teológicos, muitas pessoas saem à procura por pastos “mais
verdejantes”.
Referência bíblica: 1 Tm 4

Todas estas e outras razões são explicáveis, mas nenhuma pode ser justificada pela “teologia da fuga”. As relações precisam ser
construídas a partir do alicerce de 1 Co 12.12-31. A menos que seja pregado “outro evangelho” que não seja o de Cristo e haja proibição da
vivência da fé, nada justifica “saídas”.
Além destas razões e justificativas, é necessário que observemos outros aspectos:
1 – Razões que justificam a permanência das pessoas na nossa comunidade.
2 – Qual é o nosso pacto de membresia que desenvolvemos em nossa igreja?
3 – Possíveis soluções a curto, médio e longo prazo.
4 – Como lidar com a transição e mudanças na igreja?

Ovelha sadia sempre dá muita cria


Quem é que dá o leite para aquele cordeirinho recém-nascido? É o pastor das ovelhas? Imagine o pastor das ovelhas com mil
mamadeirinhas tentando dar leite para todos os filhotes. Não é assim na criação natural. Quem é que sempre dá leite para as ovelhinhas? É a
ovelha-mãe, que as gerou. Então, ovelha sadia sempre deve dar cria. Uma ovelha sadia sempre providencia o leite para a cria que ela gerou
através do Espírito Santo.
Isto, que parece uma nova mentalidade, é a mentalidade bíblica correta. Ela é nova para aqueles que não a compreenderam durante
a sua formação cristã inicial, e nova também para quem foi ensinado de outra maneira. A posição bíblica é colocar o ministério nas mãos do
povo. A Bíblia diz que Deus quer que o Seu povo seja preparado para toda boa obra. Deus quer que você realmente saiba, pastor, equipar o seu
povo, para que o seu povo faça a obra do ministério.

Frutos que permanecem


Para mim é muito gratificante ver o ministério continuando lá em Santarém, estando eu presente lá, ou não. Eu chego lá e fico surpreso
ao ver mais e mais pessoas ganhando, ganhando almas. São as ovelhas sadias cumprindo o seu papel de cuidar bem das novas ovelhas. Elas
estão ganhando novas pessoas para Jesus, crescendo em conhecimento, graça e serviço, para a glória do Senhor Jesus.
Existe uma reclamação de Deus bem pungente, em Ezequiel 34.6, que diz assim: “As minhas ovelhas andam desgarradas por todos
os montes e por todo o elevado outeiro; sim, as minhas ovelhas andam espalhadas por toda a terra, sem haver quem as procure ou quem as
busque.” Podemos ver aqui o coração de Deus gemendo e chorando por causa de suas ovelhas. São pessoas desviadas, que saíram da igreja,
deixaram a comunhão do Corpo.
Alguns dizem que existem de 30 a 40 milhões de desviados no Brasil. Mas Deus não os descartou ainda, eu sei. Ele ainda os está
chamando de Suas ovelhas. Ele está dizendo que alguém tem que ir atrás delas!
Por que Ele usa as palavras monte e elevado outeiro? É porque era nos montes e nos elevados outeiros que eram construídas as
imagens de escultura, a idolatria da época. Por falta de cuidado pastoral as ovelhas ficavam desgarradas, longe do caminho e dos lugares
seguros, afastadas do seu redil. Hoje não é muito diferente: existem ovelhas que estão longe da igreja, estão desgarradas, mas se você perguntar
pela sua religião, elas dirão que são evangélicas.
Algumas nem dizem mais que são evangélicas, mas muitas outras continuam confessando a sua fé, mas não congregam mais, e dizem
que vão buscar a Deus sozinhas, em suas casas. Isto acontece por que ninguém cuidou, ninguém foi atrás delas.

É preciso fechar a porta dos fundos


O coração de Deus chora porque não tem ninguém que busque as ovelhas desgarradas, não tem ninguém tentando resgatá-las dos
precipícios. É muito triste quando somente o pastor ou a sua esposa têm de correr atrás dos perdidos e afastados.
Quando a igreja toda está equipada, treinada e motivada corretamente pelo pulsar do coração de Deus, ela vai correr atrás e resgatar
os desviados, vai treinar bem seus membros, e todos vão cuidar bem dos novos convertidos. Quando toda a igreja está equipada, treinada e
cumpre fielmente o seu papel, podemos dizer que fechamos a porta dos fundos.
Eu explico o que quero dizer com “porta dos fundos”. Existem muitas igrejas que ganham multidões e multidões, mas que também
estão perdendo outras multidões. Esse fenômeno pode ser chamado de “igreja rodoviária” ou “igreja aeroporto”: está sempre cheia, mas as
pessoas nunca são as mesmas. Existem aqueles fixos, que estão sempre lá: são os guardas, os funcionários das lojas de conveniência, os
atendentes de balcão, mas a grande maioria é de passageiros. Estão a toda hora chegando e partindo. Algumas estão lá apenas “levando
alguém”. Outros estão para “buscar alguém”.
Existem igrejas onde você vai e fica empolgado com o crescimento e a vibração, mas se voltar lá depois de dois anos, você percebe
que ela ainda está grande, mas são pessoas totalmente diferentes. É a igreja rodoviária. Mas Deus não quer isso para Seu corpo. Deus quer
que você possa fechar a porta dos fundos. Desta forma, você vai ficar ganhando e ganhando, cuidando bem, e crescendo, para a glória de Jesus.
Nós decidimos, muitos anos atrás, que íamos fechar a porta dos fundos. Mas a ideia não era somente fechar a porta dos fundos; nós
íamos soldar a porta dos fundos. Decidimos colocar cadeado e isolar totalmente aquela rota de saída, para não perder nenhum, em nome de
Jesus.

Manter o foco sempre


Eu sei que temos muito que aprender e crescer, mas não podemos baixar a guarda. O que Deus está fazendo é algo muito lindo, deixa-
nos emocionados, mas ainda há bastante a ser feito. Tudo que temos e vemos acontecer ainda é só o começo daquilo que o Espírito Santo vai
fazer em nossa vidas e ministérios. Nós vamos continuar a ganhar, vamos cuidar bem das pessoas, para a glória de Jesus.
É um desejo profundo do coração de Deus que ganhemos as multidões e que cuidemos bem delas, como é o desejo do Senhor Jesus,
claramente expresso na Palavra. Quando nós já provamos, pela graça e pela Palavra de Deus, que é um dever de todo cristão pastorear, não
podemos ficar de fora dessa tarefa. É verdade que nem todos têm um chamado para ser pastor com P maiúsculo, mas todos são chamados
para pastorear, com p minúsculo.
Aprofundando um pouco mais este tema, como deve agir mesmo esse coração do bom pastor? A grande verdade é que esse coração
deve bater no peito espiritual tanto daqueles que têm um chamado para pastorear com P maiúsculo, como daqueles que têm um chamado para
pastorear com p minúsculo.
Pastor com p minúsculo é aquela pessoa que tem um chamado ministerial preponderante, como adoração, ensino, ação social,
evangelismo, mas que ao mesmo tempo sabe que deve cuidar bem das ovelhas de Jesus. Em outras palavras, ele pode não ter sido chamado
para ser pastor (P) como vocação principal, mas ainda assim ele deve apascentar, cuidar de pessoas, garantir que ninguém fique descuidado.
Na nossa estrutura, o melhor lugar para fazer isto é na célula, no pequeno grupo.
O importante é entender que todos têm um chamado para apascentar as ovelhas de Jesus. Assim sendo, como podemos ter esse
coração de bom pastor? Não existe melhor modelo do que aquele dado pelo próprio Senhor Jesus.
Extraído do Livro “O coração do Bom Pastor: Lições para cuidar bem das ovelhas de Jesus” – Abe Huber, Editora Premius, 2012.

Consolidação
O segredo da multiplicação é fechar a porta do fundo da igreja. Cada líder deve entender que é difícil ganhar e não podemos deixar as
pessoas escaparem facilmente.
"Porta do fundo", como ouvi sobre isto no tempo da estrutura antiga, mas como fechar esta porta? Naquela estrutura era impossível
porque não tínhamos igreja. Era um amontoado de gente que não se importava com ninguém; por mais que falássemos sobre ganhar e cuidar
ninguém entendia o que falávamos, mas na Visão esta unção chegou e estamos lutando muito para que todos entendam que a consolidação é
a chave. Cada líder deve entender que o processo é duro mas é necessário. Consolidar é formar o novo, retê-lo para frutificar, se não retemos é
porque não estamos consolidando corretamente. A Visão no Governo dos 12 é fazer de cada discípulo um líder e de cada líder um discípulo.
O líder não pode aceitar que a pessoa fique na célula sem se envolver. Uma pessoa que não se envolve no discipulado, na escola de
líderes, na celebração etc., não trará frutos, por isso deve ser ensinada e confrontada. A Visão deve ser ensinada nos primeiros contatos da
consolidação, deve ser passada com entusiasmo, alegria e unção. Neste processo é importante olhar o que a pessoa pode ser no futuro e não
o que ela é no presente, é preciso crer que esta pessoa se tornará um grande líder. Jesus não recebeu discípulos prontos, ele teve que consolidar
e discipular cada um deles dando a eles o seu caráter. O líder precisa ter paciência e persistência para formar caráter.
Cada célula, cada ministério deve ter sua equipe de consolidação. O líder deve fazer avaliações constantes de sua liderança na área
da consolidação, da retenção dos frutos, se a célula não reter o que ganha nunca chegaremos à multiplicação. É bom lembrar que por trás do
trabalho existe sempre uma equipe de trabalho, alguns líderes querem consolidar sozinhos e isto não funciona. A Visão é feita por uma boa
equipe, cada líder deve lutar para levantar a melhor equipe. Quando a igreja primitiva ganhava vidas eles mandavam os melhores para consolidar,
os doze também estiveram consolidando até que a igreja fosse formada. Quem não consolida não cresce e a consolidação demanda trabalho e
toda igreja celular precisa assumir a consolidação.
Por que Deus não nos dá mais? Porque não consolidamos o que já temos. Como poderia ser grande nossa igreja, não paro de pensar
sobre isto, no entanto creio que vamos alcançar o impossível.
Cada líder e cada discípulo devem implantar a consolidação como um "estilo de vida". A consolidação não pode ser para a igreja celular
um movimento esporádico, uma campanha, mas sim um estilo de vida. Temos que lutar para retermos 70% dos frutos mês a mês, a consolidação
precisa ser parte da sua vida, as células precisam fazer visitações programadas pois é na visita que o líder sente o ambiente que o discípulo vive
e aprende como ajudar a pessoa de maneira mais efetiva. Não vamos conhecer o discípulo só na célula, no discipulado ou na igreja, precisamos
ir à casa dele. É preciso pagar o preço para reter os frutos. O verdadeiro líder de célula não é egoísta, mas tem o coração nos perdidos. Consolidar
é incrível, quando você começa não quer parar mais, uma boa consolidação traz resultados tremendos e é bom lembrar que se você não for, o
diabo manda os seus consolidadores. Todos nós devemos consolidar e levantar equipes comprometidas.
Oremos ainda mais para que Deus nos conduza em grande triunfo na consolidação para chegarmos à sonhada multiplicação de almas
e células.
Pr. Ari Bento, Missão Carismática templo dos Príncipes (Jundiaí - SP)

FECHANDO A PORTA DOS FUNDOS

Introdução.
É preocupação geral da igreja cristã o fato de que nem todos os seus adeptos são crentes sinceros e fiéis. Os que acabam negando
e, consequentemente deixando a fé são rotulados de apóstatas e assim são vistos por todos.
Assombrando a consciência do líder consciencioso, surge a perturbadora pergunta: “O que eu poderia ter feito para salvá-los”?
Aumenta ainda mais a sua perplexidade o fato de que o índice de apostasia não está diminuindo. Ao contrário, tem extrapolado em
muito as expectativas. Esse resultado ameaça a saúde da igreja como um todo.

Onde está o problema?


Dada a sua complexidade não dá para apontar somente uma única causa, como responsável, mas parte do problema reside no fato
de se fazer sempre às coisas do mesmo jeito.
Aonde é que está escrito não mudarás?
“Se eu fosse o diabo, faria as pessoas acreditarem que existe somente uma maneira de fazer as coisas, e que todos tem que fazê-las
da mesma maneira. A forma de culto por exemplo. ... Posso dormir durante a invocação do culto divino e acordar na bênção final, e ainda assim
dizer tudo o que aconteceu durante o mesmo” (George Knight - Conferência Geral do ano 2000 em Toronto - Canadá).
Não seja avesso a mudanças. Ouse mudar!
Que tal dedicar-se a transformar os cultos de oração, às quartas-feiras, em um programa extraordinariamente interessante?
Que tal transformar os cultos de domingo à noite em uma grande festa espiritual para fazer jus ao nome – culto evangelístico?
Reza um velho ditado popular: “A rotina mata”. Apresento-lhes o novo ditado religioso: “A rotina gera a apostasia”.
Não é por acaso que existe um clamor generalizado por músicas e sermões mais agradáveis, edificantes e restauradores!
O púlpito não é lugar para se tomar sempre “a mesma sopa” ou “o mesmo leite”requentados.
A pregação cheia do Espírito, que reveste as antigas verdades com uma nova roupagem, certamente lotará os templos novamente.
O vírus da conformidade ameaça nossa espiritualidade; a semente da vida está mirrando por causa da rotina. Crentes sufocados
imploram por um pouco de ar fresco; e nós que guardamos as saídas, devemos deixá-los viver.

A solução. Acabe com a rotina. O índice de apostasia na igreja não é algo que deve perdurar. A apostasia em grande escala não é
inevitável; porém, o número de crentes irregulares pode ser reduzido. Mas como?
A tarefa do evangelista. O evangelista deve integrar o pastor, os anciãos e a congregação local no programa evangelístico. Isso
tornará a transição mais fácil quando o evangelista partir. Há quase 2000 anos esse problema foi detectado na igreja. Diante do tempo decorrido
já podemos considerá-lo quase crônico (I Co 1:11-13).
A parte do pastor e dos anciãos. O pastor e os anciãos devem manter os novos membros integrados ao redil, com o mesmo zelo
como se eles mesmos os tivessem trazido para a igreja. O pastor, bem como toda a liderança deve sempre referir-se ao evangelista como alguém
que entregou aquela congregação com muito amor aos seus cuidados.
E os novos conversos? Novos conversos devem ser integrados com muito tato ao programa financeiro da igreja. Enquanto o dízimo
e as ofertas voluntárias oferecem oportunidade para o desenvolvimento da vida cristã, tempo e tato devem prover uma atmosfera para o
crescimento do crente em outras áreas. Só valorizamos aquilo que de fato, ajudamos a tornar-se realidade (Mt 6:21).
As visitas. As visitas devem ser feitas com o único propósito de manter um contato sistemático com os novos conversos. A maior
queixa entre novos conversos trata do abandono a que são expostos logo após o batismo. Sentem-se desanimados porque não mais recebem
as mesmas visitas de antes. A realidade é que eles precisam, agora, mais daquele contato pessoal do que antes. Este é o nosso calcanhar de
Aquiles e fechar essa fenda estancará o fluxo da apostasia. Só um conselho: não seja extremista (PV 25:17).
Atribuição de responsabilidade. Algum tipo de responsabilidade específica deve ser atribuída aos novos crentes logo depois do
batismo. Nada pode prender mais um novo converso do que um bom trabalho. Um leigo ativo tem pouquíssima probabilidade de se apostatar.
Sugestões. Que tal um ancião dirigir uma classe de estudos bíblicos na igreja às sextas-feiras à noite? Organizando um programa
atraente e bem variado, com testes do tipo verdadeiro ou falso, música especial, exercícios bíblicos, prêmios por presença e pontualidade e, a
cada noite, ensinar uma doutrina da igreja? Certamente isso não só firmará os novos conversos, como também atrairá muitos visitantes.
Sermão cristocêntrico. Finalmente, nada pode fechar a porta da apostasia, com mais eficácia, do que a pregação bíblica
cristocêntrica. Deve-se ter em mente que um sermão é sempre um caminho que conduz a Cristo. Todo sermão deve falar a respeito dEle.
Qualquer outra coisa é palestra. O pregador deveria estar mais preocupado em revelar Cristo às massas do que se fazer compreender pelo
povo.

Impedir a saída daqueles que estão prestes a pular no abismo por causa de suas fraquezas, temores ou desilusões, requer o melhor
de tudo que há em nós. Nada se lucra com lamentações, e nada se ganha em culpar os outros. Somente a ação resoluta e imediata trará
resultados.
Uma alma ganha e perdida é pior do que uma que nunca foi conquistada. Porém, a taxa de apostasia não deve diminuir o entusiasmo
daqueles que trabalham pelos perdidos e os conquistam para Cristo.
Definitivamente, este não é o tempo de parar de batizar porque alguns abandonam a igreja. Ao contrário, tal fato deve contribuir para
melhorar os resultados.
Tampouco devemos nos inscrever na seguinte filosofia negativista: “Se conservarmos o que temos, não será preciso evangelizar os
de fora, para crescermos em número”.

Conclusão.
Os tempos exigem que aumentemos o número de batismos.
Fechemos a porta dos fundos da igreja à apostasia e as “estrelas da alva cantarão juntas e todos os filhos de Deus se rejubilarão” (Jó
387).

FECHANDO AS PORTAS DO FUNDO


Efésios 4:1-13
"Como prisioneiro no Senhor, rogo-lhes que vivam de maneira digna da vocação que receberam. Sejam completamente humildes e
dóceis, e sejam pacientes, suportando uns aos outros com amor. Façam todo o esforço para conservar a unidade do Espírito pelo vínculo da
paz."
"E ele designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres, com o fim de
preparar os santos para a obra do ministério, para que o corpo de Cristo seja edificado, até que todos alcancemos a unidade da fé e do
conhecimento do Filho de Deus, e cheguemos à maturidade, atingindo a medida da plenitude de Cristo." (Ef. 4:11,12)
Durante um bom tempo nossas igrejas tinham uma convicção errônia a despeito de crescimento e preservação de resultados.
O fato é que foram desenvolvidos alguns paradigmas e até mitos sobre crescimento de igreja.
O paradigma era que igreja que tivesse crescimento rápido era sinal de coisa malfeita e descompromissada.
Interessante é que surge um novo paradigma que demonstra algo completamente diferente e bíblico, tendo em vista que a palavra de
Deus nos apresenta a igreja como organismo vivo e ativo.
Pensando em organismo vivo, como poderia um organismo vivo não crescer?
Como poderia o corpo de Cristo correr seu sangue nas veias e não ter suas funções normais?
Se a igreja não cresce e não mantêm resultados desse crescimento há coisas errada com ela.
1. A Bíblia diz que faltam obreiros (João 4.35).
2. Mas em segunda também pode esta faltando aperfeiçoamento aos santos( Ef 4.12).
3. Pode ser pessoas fora de lugar sem usar seu potencial (1 Co 12.11-12).
4. Quarto lugar dons e talentos desperdiçados (Mt 25.16-30).
Como fazer para fechar as porta do fundo da igreja?
Somente usando o sacerdócio dos cristãos. Ou seja, cada crente assumindo sua responsabilidade de cristão.
Sendo cristãos reprodutores de caráter de Cristo (1 Pd 2.21).

Pr. Gilmar Candido

Como evitar que as pessoas abandonem a igreja?


No que diz respeito a fazer crescer uma igreja saudável, o Pastor Larry Osborne não se foca na porta de entrada para ver como pode
atrair grandes multidões e arrebatá-las com um programa especial. Os seus olhos focam-se em grande parte na porta dos fundos.
Tantas igrejas têm estado a perder pessoas, e algumas, mesmo sem notarem.
“Desde que a porta de entrada seja maior que a nossa porta dos fundos ou mesmo igual, pensamos frequentemente que as coisas
estão bem. E se a porta de entrada é maior, ficamos entusiasmados por estarmos a crescer,” disse Osborne enquanto explicava que muitas
igrejas perdem quase tantas pessoas quanto ganham.
“Em vez de alcançar 100 pessoas, 20 das quais mantemos, eu preferiro alcançar 50 pessoas, 40 das quais mantemos,” disse ele ao
Christian Post.
Osborne é pastor sénior na Igreja North Coast em Vista, Califórnia. A Igreja North Coast, pioneira no movimento multi-site, é
amplamente reconhecida como uma das mais inovadoras igrejas dos Estados Unidos.
E apesar da inovação desempenhar um papel-chave no seu ministério para os mais de 7,000 espectadores em cada fim-de-semana,
Osborne não está concentrado na próxima grande novidade.
Em vez disso, o seu coração está interessado em conquistar as pessoas para um crescimento espiritual a longo prazo. Trata-se de
manter as pessoas fechando a porta dos fundos da igreja e desenvolvendo o que ele apelida de uma “igreja pegajosa.”
“Nós descobrimos muitas maneiras de alcançar as pessoas,” escreve Osborne no seu novo livro,Sticky Church. “Mas tornámo-nos
muitas vezes tão focados em alcançar as pessoas que nos esquecemos da importância de manter as pessoas.”
As igrejas têm frequentemente atraído números recordes de pessoas durante o Natal e a Páscoa quando normalmente organizam
cultos mais elaborados ou espectáculos especiais. Alguns têm levado o alcance de pessoas a novos níveis fazendo campanhas publicitárias de
eventos especiais, publicitando séries de sermões relevantes e criativas, ou utilizando tecnologia.
Mas depois das atraentes luzes, músicas e oradores convidados terem desaparecido, é provável que o recém-chegado se sinta
desiludido nas semanas seguintes e, eventualmente escorregue pela porta dos fundos.
E as igrejas maiores são mais susceptíveis de não se darem conta da sua porta dos fundos por causa das muitas pessoas que vêm
através de sua ampla porta da frente.
Um estudo de 2006 da LifeWay Research descobriu que entre os “antigos frequentadores de igreja,” 16 por cento saíram porque
ninguém os contactava e outros 16 por cento saíram porque ninguém se parecia importar com a sua saída.
“Quando mantemos as pessoas apenas por um curto espaço de tempo, o que fazemos é provavelmente vaciná-las contra o
Cristianismo em vez de ajudá-las a ultrapassar a verdadeira doença,” observou Osborne. “Quando alguém permanece na igreja por algum tempo,
ligado de alguma forma e depois se distancia progressivamente, é realmente difícil, à excepção de uma grave crise na sua vida, alcançá-la de
novo.”
Na verdade, escreve Osborne no seu livro, Jesus não pediu às igrejas para atraírem grandes multidões ou para apenas inscrever
pessoas. “Ele disse-nos para fazer discípulos,” diz Osborne.
Para ele, trata-se de cumprir a segunda parte da Grande Comissão, em vez de cumprir apenas a primeira parte.
Enquanto que a familiar primeira parte pede aos Cristãos para irem por todo o mundo e fazerem discípulos, a segunda parte vai mais
longe urgindo os crentes a ensinar os outros a praticar todas as coisas que Jesus lhes ensinou.
“Não se pode ensinar as pessoas a guardar todas as coisas que Jesus ensinou se elas apenas estiverem seis meses ou vierem durante
as três temporadas especiais do ano,” disse Osborne. “Como ouço em algumas igrejas, um terço ou mais [dos frequentadores] da igreja vem
[aos cultos] uma vez por mês. É difícil discipular pessoas e concluir o trabalho.”
O conceito igreja pegajosa é acerca de discipulado, realçou Osborne, e não crescimento da igreja.
Na Igreja North Coast, o discipulado é melhor desempenhado através de pequenos grupos. Osborne considera que os pequenos
grupos são actualmente a maneira mais eficiente para ser uma igreja pegajosa e ajudar as pessoas a crescer espiritualmente.
Desde 1985, pelo menos 80 por cento da assistência média de fim-de-semana da North Coast tem participado num pequeno grupo.
“O objectivo principal dos pequenos grupos baseados em estudos bíblicos é simplesmente velcrar as pessoas às duas coisas que mais
irão necessitar quando enfrentarem uma situação em que precisarão de saber e precisarão de crescer: a Bíblia e os outros Cristãos,” realça
Osborne no seu livro.
Durante cerca de três décadas, a North Coast tem-se dedicado a ajudar os Cristãos que já tem, a crescerem mais fortes em Cristo, o
que tem ajudado a fechar a porta dos fundos. Osborne pode testemunhar que historicamente a porta dos fundos da sua igreja tem sido tão
pequena que se alguém sair por razões que não tenham a ver com uma mudança de casa, isso irá normalmente estar na agenda numa das
reuniões do pessoal sénior, escreve ele.
Com uma pequena porta dos fundos, a North Coast tem crescido e tem agora 20 cultos ao fim-de-semana. Tudo isto sem ter gasto um
cêntimo sequer em publicidade ou marketing. A maior parte do crescimento tem sido alcançado através de comunicação oral.
“A ideia de cuidar tão bem das pessoas que você tem, que elas se tornam fãs entusiastas, faz com que elas tragam os seus amigos
não-Cristãos,” explicou Osborne.
E quando eles vêm, a North Coast torna difícil para eles escorregarem pela porta dos fundos.
Fonte; Christian Today Portugal

Os filhos pródigos da igreja


A presente reflexão diz respeito à porta dos fundos da igreja. Muitas pessoas entram na igreja e muitas pessoas também acabam
saindo. A maior parte dos pesquisadores do crescimento da igreja analisa as avenidas que dão acesso à igreja. Isso certamente é necessário
para se entender o que faz com que as pessoas busquem uma determinada igreja. Em contrapartida, é necessário haver um interesse e uma
preocupação por parte dos pastores e pesquisadores na área do crescimento em relação à porta dos fundos. Caso contrário, a busca pelo
crescimento pode ser interesseira, apenas numérica, tendo o membro como um número estatístico. Mais cedo ou mais tarde essa pessoa
perceberá que não passa de um número a mais ou menos em sua igreja. Como resultado, vai aos poucos se aproximando da porta dos fundos,
para então passar por ela e acabar saindo.
A presente reflexão focaliza as causas que levam as ovelhas a se perderem em função das decepções. Quais foram as dificuldades
por elas enfrentadas? Quais são os motivos de suas frustrações e desilusões? Por que as pessoas se decepcionam com suas igrejas? Quais os
principais motivos que levam as pessoas a abandoná-las? Essas são perguntas honestas que não deveríamos ter medo de procurar as respostas.
Hoje existe um grande número de pessoas espalhadas nas cidades brasileiras que se encontram decepcionadas, desiludidas, desapontadas e
desencantadas com a igreja.
PALAVRAS-CHAVES: Porta dos fundos, causas da decepcão, desilução, desapontamento e desencantamento com a igreja.

Introdução
A presente reflexão diz respeito à porta dos fundos da igreja. Muitas pessoas entram na igreja e muitas pessoas também acabam
saindo. Muito mais agradável é refletir sobre a porta de entrada do que a porta dos fundos. A maior parte dos pesquisadores do crescimento da
igreja analisa as avenidas que dão acesso à igreja. Isso certamente é necessário para se entender o que faz com que as pessoas busquem uma
determinada igreja. Em contrapartida, se não houver um interesse e uma preocupação por parte dos pastores e pesquisadores na área do
crescimento em relação à porta dos fundos, essa busca por crescimento pode ser interesseiro, apenas numérico, tendo o membro como um
número estatístico. Mais cedo ou mais tarde essa pessoa perceberá que não passa de um número a mais ou menos em sua igreja, e assim vai
aos poucos se aproximando da porta dos fundos, para então passar por ela e acabar saindo.

Um pastorado que não busca refletir e entender os motivos que as pessoas possuem para sair da igreja é um pastorado sem a
perspectiva do cuidado. Cuidar é se importar. Se o pastor se importa com as ovelhas, ele certamente proporcionará ambientes para que esse
cuidado pastoral possa existir em sua igreja. Muitos pastores não querem refletir sobre a porta dos fundos porque necessariamente terão que
enfrentar críticas, problemas e opiniões contrárias. Essas pessoas são tidas como anarquistas, desobedientes, insubmissas, não-espirituais e,
por vezes, perturbadoras do ambiente. Sempre temos a tendência de nos afastar das pessoas que são críticas, como de afastá-las do nosso
convívio. Para se estudar a porta dos fundos é necessário então honestidade e transparência. Muitas das críticas e dos motivos que essas
pessoas levantam acabam questionando a liderança pastoral, a estrutura da igreja, sua liderança, as situações conflitivas da igreja e também o
testemunho dos membros.
Esse tipo de reflexão traz um certo desconforto e possíveis irritações. Porém, a motivação aqui exposta não é fruto de amargura,
pessimismo, insucesso, ou coisas parecidas. O que motiva é o cuidado pastoral amoroso para com aquelas pessoas que Deus colocou em nossa
responsabilidade. Devemos ser motivados pelo caráter do Pai que “não quer que nenhum destes pequeninos se perca” (Mt 18:13). Um pastorado
que não se preocupa com a ovelha perdida é uma prova evidente que sua obsessão maior está nos números. Não podemos permitir que o
número das noventa e nove nos leve a ignorar aquela uma que se perdeu. Alguns pensam assim: “ainda me restam noventa e nove”! O que
deve nos motivar a refletir sobre este assunto é o exemplo de Jesus, que pergunta:
Qual de vocês que, possuindo cem ovelhas, e perdendo uma, não deixa as noventa e nove no campo e vai atrás da ovelha perdida,
até encontrá-la? E quando a encontra, coloca-a alegremente nos ombros e vai para casa. Ao chegar, reúne seus amigos e vizinhos e diz:
Alegrem-se comigo, pois encontrei minha ovelha perdida (Lc 15:4-6).
Possivelmente esse é um dos raros textos em que Jesus nos ensina a contar as ovelhas. Contar não no sentido de apresentar um
relatório no final do ano para as assembléias, comitês e concílios, demonstrando o sucesso pastoral e ministerial. Contar como prova do nosso
cuidado e preocupação para com as ovelhas que saíram do convívio das demais.
A presente reflexão focaliza as causas que levam as ovelhas a se perderem em função das decepções. Quais foram as dificuldades
por elas enfrentadas? Quais são os motivos de suas frustrações e desilusões? Por que as pessoas se decepcionam com suas igrejas? Quais os
principais motivos que levam as pessoas a abandoná-las? Essas são perguntas honestas que não deveríamos ter medo de procurar as respostas.
Hoje existe um grande número de pessoas espalhadas nas cidades brasileiras que se encontram decepcionadas, desiludidas, desapontadas e
desencantadas com a igreja.
A seguir são apresentadas algumas causas que levam as pessoas a ficarem decepcionadas com a igreja. Essas causas foram extraídas
de duas pesquisas.
A primeira, da LifeWay Resarch, que se encontra no site: www.lifewayresearch.com. Trata-se de uma pesquisa nos Estados Unidos
para descobrir porquê as pessoas estão abandonando as igrejas. Esse estudo revela certas tendências que poderão nos auxiliar em relação às
causas, como também em como recuperar as pessoas, na tentativa de reintegrá-las. Para efeito de citação dessa pesquisa, passamos a
denominá-la de LR (LifeWay Resarch).
A segunda trata-se de uma pesquisa que foi fruto de um projeto de pesquisa realizado em uma das disciplinas de Pós-Graduação da
Faculdade Teológica Sul Americana. As pessoas foram escolhidas criteriosamente, levando em conta que deveriam estar fora da igreja no
mínimo de dois (2) e no máximo de dez (10) anos. Exigiu-se também que as pessoas entrevistadas tivessem exercido algum tipo de liderança
em sua igreja. A entrevista consistia de várias perguntas e as mesmas foram gravadas e transcritas, nos dando permissão de citá-las, desde que
omitida as fontes. Para efeito de citação dessa pesquisa, passamos a denominá-la de PL (Pesquisa Londrina).
Dessa forma, as seis (6) causas descritas aqui, que levaram as pessoas a ficarem decepcionadas com suas igrejas, são reais e não
conjecturas; são dados concretos e verdadeiros de pessoas que expressaram seus sentimentos. Não se trata de abstração. É possível que o
grito dessas pessoas possa estar fazendo eco em nossas igrejas. Só quem tem sensibilidade e amor que cuida estará apto para ouvir. Ouvir não
apenas com os ouvidos, mas com o coração quebrantado. Quem tem ouvimos para ouvir, ouça o que essas pessoas estão dizendo da igreja.
Quem não quiser ouvir, o que segue não faz o mínimo sentido, ao contrário, causará desconforto.

1. Mudanças de situação de vida


De acordo com a pesquisa (LR), 59% das pessoas que deixaram a igreja o fizeram por causa das mudanças de situação de vida. Essa
causa pode ou não estar relacionada à igreja. Elas surgem na vida das pessoas, fazendo com que deixem a igreja. São pessoas que mudam de
cidade, são transferidas em seus trabalhos, e coisas do tipo. Porém, existem outros motivos relacionados às mudanças de situação de vida que
podem sim fazer com que as pessoas deixem a igreja por descuido. Alguns exemplos: divórcio, separação, nascimento de um filho(a), morte na
família, tipo de disciplina eclesiástica aplicada em decorrência de alguma situação experimentada, uma frustração de relacionamento com
algum(s) membro(s) da igreja, a má conduta de certas pessoas ou líderes, e coisas do tipo. Se essas coisas acontecem e as pessoas acabam
deixando a igreja revela que houve sim um descuido para com a porta do fundo. Esse descuido pode acontecer de forma intencional (sabe a
causa, mas ignora-se), como também de forma não-intencional (a pessoa sai sem que se perceba). Seja qual for o motivo, revela uma igreja que
ruma para a despersonificação.
A pesquisa (LR) revela que 19% das pessoas simplesmente estão muito ocupadas para participar da igreja e que 17% disseram que
as responsabilidades da casa e família influenciam no processo de abandono da igreja. Em ambos os casos, parece que a igreja não tem força
suficiente para que essas pessoas fiquem encorajadas, mesmo diante das situações enfrentadas, a continuarem firmes na mesma. A vida, com
suas situações inevitáveis, se traduz mais como uma ameaça do que uma oportunidade. Se a ameaça prevalece, então o abandono surge como
resposta. A igreja tem respondido às pressões e ameaças do mundo atual ou tem sido mais um fator de stress ou simplesmente nula?
Uma outra mudança de situação de vida é quando a pessoa muda de bairro. Cerca de 28% dessas pessoas reportaram que o fato de
terem mudado de localidade causou o abandono de sua igreja. Isso demonstra a grande necessidade que a igreja e liderança precisam ter em
relação às mudanças de vida das pessoas. Quando uma pessoa ou família move-se para uma nova localidade ou passa a freqüentar outra igreja,
resta saber se a igreja notou isso.

2. Desencantamento dos membros e pastores


Esse motivo é indicado nessa pesquisa (LR) por cerca de 37% dos entrevistados. O comportamento dos próprios membros é
responsável por 17%, registrando o lado hipócrita dos mesmos. Outros 12% revelam seu desencantamento porque encontram dificuldades de
envolvimento.
Sem dúvida que o fator primordial aqui se refere ao pastor. Muitos o percebem como aquele que julga, não-sincero e fraco nas
habilidades, como exemplo, na pregação.
A liderança pastoral foi a causa número um (1) que praticamente perpassou a todos entrevistados (PL). Uma das pessoas disse que
“o problema principal é não viver aquilo que se é pregado... arrumar um jeitinho, uma desculpa para contornar uma certa situação e acabar
deixando de fazer aquilo que é para ser feito”. Esse(a) entrevistado(a) revela sua desilusão em relação a integridade pastoral – ou seja – não
viver o que prega e não fazer o que é certo. Não há dúvida que os pastores estão constantemente nos olhares da comunidade.
Outra pessoa revela uma mágoa profunda em relação ao pastor. Ele relata uma circunstância e seu comentário final é esse: “eu tenho
mágoa do pastor e não vou suportar aquele cara, eu não aceito a atitude que ele fez”. Essa pessoa não só demonstra sua mágoa como também
sua desilusão pastoral, ao tratá-lo de cara. Esse deixou de ser pastor para ser um cara qualquer. Isso fica claro no final da entrevista, ao dizer
que ele é “um grande cara, mas como pastor para mim não serve” (PL). De acordo com o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, a palavra
cara, quando usada como substantivo masculino tem a ideia de indivíduo qualquer, sujeito ou pessoa. Passou de pastor para cara.
“Hoje em dia os pastores estão tão ocupados com outras coisas que acabam esquecendo-se dos próprios membros dentro da igreja.
Às vezes está preocupado com estudos... com uma leitura... acaba esquecendo que lá dentro da igreja dele há pessoas que devem estar se
afastando porque o pastor não está visitando, não está apoiando, não está indo na casa dela... não vai conhecer a casa dela... pra saber não só
como aquele irmão vive dentro da igreja, mas fora da igreja, quais as dificuldades que tem financeiramente, o que ele tem e o que ele não tem
na casa dele, o que faz falta para ele”. Esse foi o comentário desse entrevistado (PL), demonstrando sua insatisfação em relação ao pastor. Para
essa pessoa, esse pastor está mais preocupado com ele mesmo do que com os membros da sua igreja. Por detrás dos comentários dessa
pessoa, ouve-se um grito de necessidade da proximidade pastoral. Seu desejo é que seu pastor fosse mais humano, conhecedor da sua
realidade. Seu comentário final na entrevista foi: “há muitos membros de igreja hoje que não frequentam porque falta esse relacionamento pastor-
membro, membro-membro. Há muitas pessoas afastadas por esse motivo e quando se afasta, ninguém vai atrás”. Isso revela o desejo e a
necessidade que as pessoas têm de serem cuidadas. Por mais que a sociedade pregue o individualismo, o ser humano é carente de cuidado e
de relacionamentos.

3. Igreja como mercado e consumo


“A igreja hoje é um comércio”, disse um dos entrevistados (PL). Outro afirma, “as pessoas são muito descartáveis e além das pessoas
serem muito descartáveis, vale mais o que elas têm para oferecer do que elas realmente são”. Note a indignação dessa pessoa sobre sua ex-
igreja, ao responder a pergunta: “Quais os problemas mais graves que você tem visto na igreja ultimamente?” Ela assim diz: “Você vai lá [na
igreja] para conseguir o que você quer. Eles fazem muito marketing. Acho que a igreja hoje virou marketing puro. Não tem outra coisa que define
a igreja para mim a não ser marketing”. Ao ler essas frases você pode pensar que essas pessoas frequentaram uma igreja neopentecostal.
Atenção: todos os pesquisados foram membros de igrejas históricas. Foram igrejas que possivelmente em sua caminhada passaram a ter
diferentes posturas diante das exigências mercadológicas, quem sabe usando a lógica do mercado e consumo. Certamente o consumo é ilusório
e acaba cansando as pessoas. Os produtos são descartáveis. As promoções são intermináveis. A lógica da igreja é outra. Essas pessoas estão
sendo ensinadas a serem servidas nas prateleiras da fé. Nossa identidade passa essencialmente pelo serviço ao outro. Cansada dessa lógica,
essa pessoa disse: “vem [à igreja] e consiga isso, e consiga aquilo. Você terá isso e terá aquilo. A igreja não é desse jeito”.
Com muita propriedade, Wander de Lara Proença, um pesquisador sobre essas tendências do campo religioso brasileiro, afirma que:
Vivemos numa sociedade capitalista em que, sob muitos aspectos, cifras são vistas como sinônimo de sucesso. Assim, algumas
práticas evangélicas atuais se expõem ao risco de se tornarem tão-somente uma oferta de produtos religiosos no já competitivo mercado de
bens simbólicos submetidos à lógica do crescimento numérico de suas igrejas, ainda que para isso tenham de baratear a mensagem do
evangelho ou, fazendo uma paráfrase bíblica, trocar o 'direito de primogenitura' por 'pratos de lentilhas' (...) Tem-se pregado um evangelho sem
cruz, que não requer renúncia ao pecado e nem exige compromisso (Gn 25:33-34) (2004, p. 49).
Ao agir assim muitas igrejas oferecem justamente o que as pessoas buscam: soluções imediatas. Mas isso tem um preço, como o
mercado também tem. Ao passarem por esse processo a conclusão óbvia que muitas pessoas chegam é que estavam sendo usadas e depois
descartadas. Não é exatamente isso que acontece com muitos produtos do mercado de consumo? São colocados nas prateleiras e vitrines e
depois de um tempo, o modismo passa, e o produto é descartado. Esses sentimentos de serem usadas e serem descartáveis surgirão. “Às vezes
o interesse da igreja vem em primeiro lugar”, relata uma pessoa (PL). Não só o interesse da igreja às vezes em primeiro lugar, como também o
interesse pastoral. Santos e Andrade afirmam:
Ele [pastor] é capaz de fazer tudo de acordo com os modelos que lhe são colocados. No entanto, corre o risco de perder a sua própria
humanidade, e sua vocação de ser gente. Além do mais, sua prática aproxima-se de uma ação desumanizadora para ele mesmo e para as
ovelhas de quem deveria cuidar. Tão somente cuidar! Ao invés de ovelhas a serem cuidadas, as pessoas tornam-se consumidoras de seu próprio
produto religioso revestido de força carismática. Nesse ponto, as ovelhas tornam-se agente passivos de “seu” ministério, prontas e dispostas a
colaborarem com “seu” percurso profissional-ministerial. O papel das ovelhas é o de serem coadjuvantes do ator principal do cenário eclesiástico,
por meio de quem e para quem devem convergir todas as coisas (2006, p. 107).
“Como membro que estava na organização da igreja eu me sentia usada. E foi nessa hora que eu sai... Quando eu vi que eu seria
usada por esse sistema, eu procurei sair. E isso me levou a um choque grande, uma tristeza profunda, enfim...” (PL).
Quando se chega a conclusão por parte dos membros que “a igreja hoje é um comércio” e que “as pessoas são muito descartáveis”, a
decepção é inevitável e acabam se perdendo.
4. A drácma se perde dentro da própria casa
Quando se fala de pessoas decepcionadas, desiludidas, desapontadas e desencantadas pode se ter a tendência de pensar nas causas
externas que provocam tais sentimentos. Certamente isso é parte da verdade. A outra parte da verdade é a que se refere às causas internas,
produzidas dentro da própria igreja, provocando o abandono das pessoas. A igreja está perdendo para ela mesma!
Na parábola da Drácma Perdida Jesus nos ensina que a mulher perdeu sua drácma dentro de casa:
Ou qual é a mulher que, tendo dez drácmas e perdendo uma drácma, não acende a candeia, e não varre a casa, buscando com
diligência até encontrá-la? E achando-a, reúne as amigas e vizinhas, dizendo: Alegrai-vos comigo, porque achei a drácma que eu havia perdido
(Lc 15-9-8).
Uma igreja e pastorado que expressa cuidado fará como a mulher fez: varre a casa, e busca com diligência até encontrá-la. Ela varre
sua própria casa; ela busca dentro de sua própria casa. Estava perdida dentro de casa. Mesmo sendo de forma metafórica, ilustra bem o fato de
que também estamos perdendo nossas drácmas dentro da própria igreja. Normalmente esse processo de se perder dentro da própria casa não
é do dia para a noite; é por vezes lento, mas contínuo. Na pesquisa (PL) havia a seguinte pergunta: “Que fatores foram determinantes na sua
decisão de deixar a igreja? Fatores externos contribuíram no processo do seu afastamento da igreja?” Uma pessoa respondeu assim: “Não foi
nada de fora que me buscou para fora. Mas o que foi de dentro que me puxou para fora”. Outra pessoa disse: “fui devagar... eu sai muito
devagarzinho... foi bem devagar mesmo”. Nesse mesmo ritmo de saída, devagar, outra pessoa afirma: “Eu não deixei a igreja da noite para o
dia. Foi gradualmente. Foi um processo demorado e muito doloroso”. E outra confirma: “eu fui parando aos poucos”.
O medo de tratar as coisas, de honestamente saber o que as pessoas estão pensando e sentindo, de se humilhar, de querer varrer a
casa, faz com que não exista na comunidade ambientes que possam proporcionar diálogo, reflexões, autocrítica. As pessoas acabam ficando
no seu próprio mundo e ao poucos, “devagarzinho”, como disse alguém, a drácma se perde. Um pastorado que não aceita críticas está à beira
do precipício. Se as pessoas não tiverem um foro dentro da igreja para tratar das questões, certamente elas o encontrarão fora da igreja. “Fui
me afastando e quando foi dada conta, já estava fora”, conclui essa pessoa.
A conversão não seguida de um discipulado que leva o membro à maturidade cristã propicia a evasão do membro da igreja. Ouçamos
Campos, um missiólogo peruano:
Abundam os cristãos que pertencem a uma estrutura eclesial, “em plena comunhão”, porém que carece da identidade integral do
discipulado cristológico. Eles vivem uma religiosidade que consiste em assistir aos cultos, cantar louvores, dançar ou remexer, bater palmas, ler
as Escrituras, orar, ofertar, dizimar, confraternizar com os irmãos e regressar a casa. Todos se sentiram “nascidos de novo”! E muitos deles,
carismáticos no espírito, não demonstram por seus frutos haver respondido ao discipulado integral e cristológico (2001, p. 53).
A maioria dos pastores afirma não ter tempo para o discipulado. As muitas atividades pastorais, especialmente administrativas e
burocráticas, acabam deslocando uns dos principais eixos da ação pastoral: o discipulado.
A verdade que precisamos afirmar é que o ministério do discipulado é uma das tarefas mais difíceis dentre as muitas atividades
pastorais. Talvez a razão principal dessa dificuldade seja que esse ministério toma muito tempo e energia do pastor (Barro, 2006, p. 107).
Jesus devotou tempo aos seus discípulos. Lucas registra na Narrativa da Viagem (de 9:51 a 19:27), o maior bloco textual, como Jesus
discipulou seus seguidores. Foi certamente um discipulado missionário.

5. Manipulação, abuso de poder e institucionalização


John Stott faz uma afirmação muito forte acerca do mau uso do poder na liderança pastoral. Diz ele:
Estou firmemente convicto que existe muita autocracia nos líderes da comunidade cristã, em oposição ao ensino de Jesus, em vez de
amor e bondade. Muitos se comportam como se acreditassem, não no sacerdócio de todos os crentes, mas no papado de todos os pastores.
Nosso modelo de liderança é freqüentemente modelado mais pela cultura do que por Cristo (2007).
A palavra autocracia (gr autokráteia) significa:
1. Governo exercido por um só, com poderes absolutos e ilimitados. 2. Dominação política discricionária, exercida por uma pessoa ou
um pequeno grupo de pessoas; pode assumir as formas de despotismo, tirania, ditadura e oligarquia, autarquia (Dicionário Houaiss da Língua
Portuguesa).
Infelizmente é necessário concordar com John Stott. “Nosso modelo de liderança é freqüentemente modelado mais pela cultura do que
por Cristo”. Júlio Zabatiero, em seu artigo, “Até quando Senhor? Aspectos da cultura brasileira que influenciam a atividade pastoral”, relata um
tipo de personalidade marcado na cultura brasileira que, de certa forma, modelou os pastores: o coronelismo. Para ele,
O “coronel” é a imagem típica do senhor autoritário. Dono de grande latifúndio, geralmente às custas de vários enterrros, o coronel
manda e desmanda em suas terras, sua gente, seus capangas. O “coroné” é uma figura em extinção, mas não o coronelismo. O autoritarismo,
representado pelo coronel, é característica onipresente da cultura brasileira (1984: p. 2).
Esse modelo cultural, travestido de uma autoridade espiritual que não se pode questionar, se traduz em abuso de poder. Poder aqui é
para mandar e dominar. Não é poder para servir. Esses são os autocratas da fé, os donos do rebanho. Zabatiero ainda afirma que:
Há muitos coronéis no pastorado. Quer seu autoritarismo seja consente ou inconsciente, o fato é que eles abundam pelas igrejas. Em
sua metodologia de trabalho eles tentam controlar tudo que se passa na igreja. Querem saber de tudo o que acontece, quem faz o quê, quem
não faz nada, quais crianças fazem bagunça, quem está contra ele, etc (1984: p. 2).
Uma liderança assim esmaga as pessoas. Esses certamente confundem autoridade com poder. Autoridade se estabelece na base da
conquista e confiança; poder na base da força. Muito da decepção nas igrejas está ao redor desse estilo de líderes. “Eu acredito que como
pessoa eu fui manipulada, fui usada”, relata um entrevistado (PL). Outra diz que o estilo do seu pastor de liderar era “reprimindo e manipulando”.
Segunda essa pessoa, “criando um monte de robozinho igual, pensando igual, querendo igual. Para mim, isso eu acho errado”. O líder autoritário
acha que tudo pode e que as pessoas irão se subordinar sem nada fazer. Engano! Não foi o caso dessa pessoa:
A minha saída da igreja se deu a partir do momento que percebi que quem manda é uma determinada pessoa. Tudo acontece conforme
a vontade dele. Eu respeito, mas não sou condizente com o que ele pensa. Esse foi um conflito muito grande. E eu só vi uma saída. O que mais
eu poderia dizer? É uma questão de manipulação. Quando o poder se concentra na mão de dois, três, quatro homens, eles começam a ser
ditadores (PL).
Uma liderança pastoral autocrática, “do sacerdócio do papado de todos os pastores” (Stott), certamente será seduzida pelo poder
institucional, passando por cima das pessoas, manipulando e usando-as. Nesse sentido a pessoa passa a ser um instrumento para se obter
sucesso. Barreto diz,
O principal objetivo da ação pastoral é a redenção humana em sua totalidade... não se pode colocar, como muitos se tem feito, a
instituição, estruturas e leis acima das pessoa humana. Jesus, constantemente, condenou os publicanos e fariseus por colocarem a Lei e as
tradições acima da pessoa humana (1999, p. 56-57).
Santos e Andrade, refletindo sobre o poder da instituição, de maneira clara e objetiva, afirmam que:
A prática pastoral, por sua vez, foi formatada de acordo com essas mudanças que centralizam na instituição o poder de determinação
do vir a ser das comunidades. Ela tende a reproduzir o modelo institucionalizado e conformador de padrões. A pessoa do pastor passou a ser
vigiada pela instituição que procurava cadê vez mais aprimorar os mecanismos de controle sobre o indivíduo. O líder passou a submeter-se ao
tipo de controle muitas vezes arbitrário do órgão a que estava ligado ou aderir ao jogo de poder que a intuição lhe propõe, tornando-se um
elemento orgânico na engrenagem institucional. E, como tal, reproduzir a visão hierarquizada da relação pastor-ovelha (2006, p. 59).

6. Membros invisíveis
O desprezo dói muito. “A única expectativa que eu tinha era no mínimo que o pastor da igreja viesse falar comigo, coisa que nunca
aconteceu”, relata essa pessoa (PL). Quem já experimentou o desprezo sabe que é pior do que uma agressão externa. A dor interior é muito
profunda, pois ser desprezado pode implicar também em ser ignorado. Essas pessoas existem, mas se tornam invisíveis. Na pesquisa (LR)
revelou que 16% das pessoas que deixaram a igreja disseram que ninguém entrou em contato com elas depois que saíram e outras 16%
relataram que ninguém parecia se importar com o fato de terem saído.
A porta dos fundos representa um grande desafio para a igreja. Uma grande porcentagem das igrejas possui um comitê de recepção
dos visitantes. Raras são as igrejas que possuem um comitê de integração (medida preventiva de saída) e re-integração dos membros.
Normalmente essa invisibilidade está em torno dos relacionamentos. Isso é expresso no sentimento desse entrevistado: “... eles [pastores]
deveriam repensar a maneira como eles estão vivendo e como a sua igreja está vivendo, de como seus membros estão se relacionando... há
muitos membros de igrejas hoje que não freqüentam porque falta esse relacionamento pastor-membro, membro-membro. Há muitas pessoas
afastadas por esse motivo e quando se afasta ninguém vai atrás”, conclui (PL).
É necessário ouvir as palavras de Lesslie Newbigin, ao comentar João 10, sobre o Bom Pastor, quando Ele chama as suas ovelhas
pelo nome:
Ele chama as suas próprias ovelhas pelo nome. Eu esqueço os nomes das pessoas, e eu sei o que esse esquecimento realmente
significa. Significa que no fundo do meu coração eu estou mais interessado nos programas que estou tentando fazer as pessoas se envolverem
mais do que com as próprias pessoas. Quando você chama uma pessoa pelo nome, isso significa que você se preocupa com a pessoa como
uma pessoa. E nada, além disso, é uma verdadeira reflexão do modo como Deus olha seu povo (1997, p. 14).
Umas da perguntas da pesquisa (PL) foi: “Em relação a sua saída, que expectativas você aguardou da igreja?” Uma pessoa menciona
que quando existe uma ovelhinha que precisa de cuidado, é necessário deixar as outras (noventa e nove) para cuidar dela. Contudo, em relação
a sua igreja, sua expectativa quando se afastou, essa pessoa diz: “... nunca esperei isso da minha igreja porque eu a conhecia. Não, não, em
nenhuma hipótese”. Essa pessoa já sabia de antemão qual iria ser a postura da igreja em relação a sua saída. Seria pelo fato de esse ser o
padrão estabelecido em relação às outras pessoas que também já tinham saído? Ao responder essa mesma pergunta, um outro entrevistado
disse assim: “Nenhuma, nenhuma, eu os conhecia muito bem para esperar alguma coisa deles. O que eu esperava foi o que aconteceu,
falatórios”.
Parece que a pior desgraça é deixar as pessoas no esquecimento, fingir que elas não existem, torná-las invisíveis.

Conclusão
A última pergunta feita aos entrevistados (PL) estava relacionada com um possível retorno dessas pessoas para a igreja. “O que
precisaria acontecer para você voltar ao convívio de sua igreja?” Veja algumas das respostas: “Da igreja que eu fui? Isso eu acho que seria
impossível. Eu não quero. Eu não sinto necessidade... Não tenho interesse que as coisas voltem do jeito que era antes. Aquela lá, não mais”.
Uma outra pessoa disse: “Não tenho vontade de retornar à igreja nem de fazer parte de qualquer igreja”. Na mesma tônica, encontramos outra
pessoa afirmando que “eu não sinto vontade nenhuma... hoje estou muito bem, voltar eu não volto mais... não é uma coisa que me agrada”.
Finalmente, essa pessoa diz que o que precisa acontecer para ela voltar é, em suas palavras, “eu querer”. Mas ela quer? Conclui então, “ai não
vai ser na igreja que eu estava”.
É muito triste entrevistar pessoas que participaram ativamente nas igrejas, professaram sua fé em Cristo, exerceram cargos de
liderança, e que hoje estão fora não só da igreja que freqüentavam, como fora totalmente de qualquer outra. É duro ouvir frases como essas
(extraídas dos entrevistados da PL):
“Não tenho vontade de retornar à igreja nem de fazer parte de qualquer igreja”
“A igreja não me faz falta nenhum um pouco à minha fé”
“Preferi me afastar”
“Como pastor para mim não serve”
“Eu me senti usada”
“Quando se afasta ninguém vai atrás”
“Eu hoje estou muito bem. Voltar eu não volto mais”.
Quais pistas poderíamos destacar nessa reflexão para que se pudesse olhar com mais cuidado a questão dos decepcionados com a
igreja?
1. A fragmentação do campo religioso corrói a noção e conceito de lealdade institucional e denominacional.
2. A cidade, com seu estilo de vida urbano, e especialmente a sociedade secularizada, influencia na evasão do membro da igreja.
3. A perda da legitimidade das denominações, instituições e da própria liderança pastoral contribuem para a evasão dos membros.
4. A conversão não seguida de um discipulado que leve o membro à maturidade cristã propicia a evasão do membro da igreja.
5. A institucionalização despersonalizou o ser humano na medida em que os cânones e regras foram mais enfatizados em detrimento
dos relacionamentos interpessoais. O membro é visto mais como número, especialmente por aqueles que têm no crescimento da igreja sua
obsessão, e não como uma pessoa que tem nome e identidade própria.
6. A disciplina exercida pela igreja quase sempre conduz o membro para fora, em vez de restaurá-lo.
Definitivamente deveríamos nos preocupar mais com o tema dos decepcionados com a igreja, pois muito provavelmente essa é a maior
igreja em quase todas as cidades brasileiras. É a igreja dos que estão fora da igreja. Constituída de pessoas que, passo-a-passo se aproximaram
da porta dos fundos. Ficaram circulando por ali, e sem serem notadas, passaram pela porta, atravessaram a rua, dobraram a esquina e sumiram.
É necessário também reconhecer que para o ser humano, seja ele religioso ou a-religioso, se decepciona muito facilmente. Não é
necessário nenhum grande esforço para que as pessoas fiquem decepcionadas. O melindre infelizmente faz parte da vida. Basta uma palavra
infeliz, um comentário fora de tempo, uma visita não feita, uma data esquecida e coisas do tipo, o ser humano já fica decepcionado e, a partir de
sua decepção, acaba generalizando a sua experiência afirmando que toda igreja é assim, que todo pastor é assim, que todos os evangélicos
são assim. De fato, muitos decepcionados procuram se esconder atrás de alguém, expiando nessas pessoas as suas mazelas. Isso merece uma
pesquisa de campo também.
Essa reflexão nos desafia a olharmos mais cuidadosamente a porta dos fundos da igreja. Cuidar é amar. O amor gera atitude. Os
líderes da igreja são chamados para cuidar do “rebanho sobre o qual o Espírito Santo os colocou como bispos, para pastorearem a igreja de
Deus, que ele comprou com o seu próprio sangue” (At 20:28). Cuidar é fechar a porta dos fundos! Caso contrário, o número dos filhos pródigos
da igreja irá aumentar mais e mais.

Bibliografia
BARRETO, Jonas Mendes. A revitalização da igreja. Belo Horizonte: Ephata, 1999.
BARRO, Antonio Carlos. "O papel do pastor na transformação da sociedade”. In: BARRO, Antonio Carlos e Manfred Waldemar KOHL
(Orgs.). Ministério pastoral transformador. Londrina: Editora Descoberta, 2006.
CAMPOS, Juan Yalico. El discipulado integral desde uma perspectiva cristológica y missionera. Lima: Ediciones Beit Shalom, 2001.
HARRE, Allan F. Feche a porta dos fundos. Editora Concórdia, 2001.
NEWBIGIN, Lesslie. The Good Shepherd: Meditations on Christian ministry in today’s world. Illinois: Willian B. Eerdmans Publishing
Company, 1977.
PROENÇA, Wander de Lara. "Pérgamo: uma igreja sem o propósito da maturidade na Palavra". In: BARRO, Jorge Henrique (Org.).
Uma igreja sem propósitos. Os pecados da igreja que resistiram ao tempo. São Paulo: Mundo Cristão, 2004.
STOTT, John. Extraído de <http://lci.typepad.com/leaders_resourcing_leader/2007/08/john-stott-on-m.html>. Acessado em 09/07/2007,
14h30.
SANTOS, Lyndon de Araújo e Alek Sandro Silva de ANDRADWE. "O cuidador e o fenômeno: perspectivas da prática pastoral hoje”.
In: BARRO, Antonio Carlos e Manfred Waldemar KOHL (Orgs.). Ministério pastoral transformador. Londrina: Editora Descoberta, 2006.
ZABATIERO, Júlio Paulo Tavares. “Até quando Senhor? Aspectos da cultura brasileira que influenciam a atividade pastoral”. Boletim
Teológico nº 03. São Paulo: Sociedade dos Estudantes de Teologia Evangélica, 1984.

Esse artigo é de autoria de Jorge Henrique Barro. Você tem permissão para usar, desde que citada a fonte.