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Lucas Silva Souza RA: 21001912

Resenha: “O território e o arranjo federativo para o desenvolvimento


brasileiro: O caso do Nordeste”

No artigo “O território e o arranjo federativo para o desenvolvimento brasileiro: O


caso do Nordeste” o autor Constantino Cronemberg Mendes se propõe a apresentar um
modelo de planejamento que poderia ser implantado para desenvolver o Nordeste
brasileiro e dessa forma diminuir as desigualdades existentes tanto no âmbito interno,
quanto no regional, a partir de arranjos federativos no território.
O autor inicia o texto descrevendo o marco legal que regulamenta o ordenamento
político-administrativo do Brasil, citando artigos dos princípios fundamentais da
Constituição brasileira de 1988. O autor ressalta os trechos que discorrem sobre a
estrutura federativa brasileira, país formado pela união indissolúvel entre Estador,
Municípios e Distrito Federal; a autonomia existente entre os entes federados; algumas de
suas atribuições e competências e a possibilidade de cooperação/coordenação entre
esses entes.
Em seguida, Constantino faz uma digressão sobre a teoria federalista que serve
como embasamento para a proposta que apresentará posteriormente. O autor destaca a
discussão que existe sobre o que seria mais eficiente para a administração do Estado, a
centralização ou a descentralização das decisões e recursos, sobretudo no que concerne
a arrecadação e distribuição dos tributos e recursos. Esta questão envolve o debate sobre
a intervenção estatal na economia por meio de gastos públicos. Os entes federativos
precisam prover os bens públicos para a população, sejam eles do tipo puro, aqueles
indivisíveis e que todos podem usufruir ou impuros, aqueles que também podem ser
fornecidas pela iniciativa privada.
Segundo o autor, a competência sobre a provisão dos bens públicos recai em uma
das esferas: federal, estadual ou municipal. Até meados da década de 1980, coube à
União o papel de direcionar a política econômica, centralizando assim os recursos e
decisões sobre a implementação de ações que promovessem o desenvolvimento nacional
e regional. A partir da CF/88, houve uma mudança que trouxe maior autonomia para os
municípios, que passaram a contar com recursos diretamente para oferecer os bens e
serviços públicos a partir de uma perspectiva local. Isto se faz necessário porque os
municípios, apesar de serem dotados de autonomia, geralmente não possuem
capacidade de arrecadação financeira, seja por serem pouco populosos, ou por
possuírem uma estrutura produtiva incipiente.
Adiante, o autor delineia as diretrizes de sua proposta de planejamento para a
região. Para Constantino, o planejamento territorial com enfoque regional deve possuir as
seguintes etapas: Diagnóstico, instrumentos/meios e objetivos. O planejamento regional
na atualidade deve estabelecer um esforço conjunto entre União, Estados e Municípios.
Outro desafio para o desenvolvimento regional segundo o autor, seria estabelecer uma
coordenação entre os diferentes municípios de uma mesma região, para que estes
possam cooperar entre si.
Por fim, o autor apresenta como exemplo a região Nordeste. Neste caso
específico,as políticas econômicas e sociais não estão coordenadas e nem são
complementares para promover o desenvolvimento da região. Enquanto a primeira tem
como foco as capitais litorâneas, a segunda promove principalmente a transferência de
renda para a áreas rurais e interioranas. De acordo com o autor, os grandes centros
urbanos, por serem locais com uma infraestrutura de bens e serviços públicos bem
estabelecida, são pontos privilegiados de onde podem ser irradiadas as políticas de
desenvolvimento regional, sendo que as áreas de enfoque das ações deveria ser o litoral,
o sertão e o centro-norte.
Nas suas considerações finais, o autor busca traçar diretrizes para um plano de
desenvolvimento da região nordeste, que busque melhorar o desempenho econômico da
região, passando de um incentivo ao “consumo de massa”, para uma “produção em
massa”. Para isso seria necessário que os instrumentos e ações institucionais fossem
voltadas para a educação, mercado de trabalho e industrialização da região. Como
anteriormente citado, a constituição prevê competências em comum que devem ser
exercidas pelos três entes federativos, o que visa promover a cooperação e a
coordenação entre eles. Por conseguinte, o planejamento da região nordeste envolveria
então a integração dessas três esferas, bem como a criação de nossos arranjos
institucionais e o fortalecimentos dos já existentes.