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DOSSIÊ TÉCNICO

APICULTURA ORGÂNICA

Rosa Maria Beraldo


Ricardo Augusto Bonotto Barboza

Sistema Integrado de Respostas Técnicas –


SIRT/UNESP

Maio
2011
DOSSIÊ TÉCNICO

Sumário

INTRODUÇÃO ............................................................................................................. 2
1 HISTÓRICO ........................................................................................................ 4
1.1 Histórico da apicultura no mundo ....................................................................... 4
1.2 Histórico da apicultura no Brasil ......................................................................... 4
2 APICULTURA NO BRASIL................................................................................. 4
3 ALIMENTOS ORGÂNICOS ................................................................................ 7
4 APICULTURA ORGÂNICA ................................................................................. 8
4.1 Principais produtos da apicultura orgânica ......................................................... 9
4.1.1 Mel...................................................................................................................... 9
4.1.2 Pólen .................................................................................................................. 11
4.1.3 Própolis .............................................................................................................. 12
4.1.4 Cera.................................................................................................................... 12
4.1.5 Geléia Real......................................................................................................... 13
4.1.6 Apitoxina............................................................................................................. 13
4.2 Biologia das abelhas .......................................................................................... 14
4.3 Prática da apicultura orgânica ............................................................................ 15
4.3.1 Apiário ................................................................................................................ 15
4.3.2 Flora apícola ....................................................................................................... 17
4.3.3 Colméia .............................................................................................................. 18
4.3.4 Povoamento da colméia ..................................................................................... 22
4.3.5 Manejo produtivo das abelhas ............................................................................ 23
4.3.6 Equipamentos .................................................................................................... 24
4.3.7 Alimentação ........................................................................................................ 25
4.3.8 Substituição das rainhas .................................................................................... 26
4.3.9 Doenças e inimigos naturais das abelhas .......................................................... 26
4.3.10 Colheita ............................................................................................................ 27
4.3.11 Extração e processamento do mel ................................................................... 28
4.3.12 Produção e processamento dos demais produtos ........................................... 30
4.3.12.1 Pólen ............................................................................................................. 30
4.3.12.2 Própolis ......................................................................................................... 30
4.3.12.3 Cera ............................................................................................................... 32
4.3.12.4 Geléia real ..................................................................................................... 32
4.3.12.5 Apitoxina ........................................................................................................ 32
4.3.13 Aspectos sociais ............................................................................................... 33
5 CERTIFICAÇÃO ................................................................................................. 33
6 LEGISLAÇÃO .................................................................................................... 34

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DOSSIÊ TÉCNICO

Título

Apicultura orgânica

Assunto

Apicultura

Resumo

Informa sobre a produção de mel a partir de sistemas orgânicos, destacando exigências


técnicas para a prática da apicultura orgânica e para o registro e a certificação do produto
junto aos órgãos fiscalizadores e certificadores competentes.

Palavras chave

Abelha, apicultura orgânica, apitoxina, cera de abelha, criação, geléia real, mel orgânico,
pólen, própolis, veneno de abelha

Conteúdo

INTRODUÇÃO

A apicultura refere-se à prática da criação de abelhas para obtenção, a partir do néctar das
flores, do mel e outros produtos derivados (OLIVEIRA; SEABRA, 2006).

Todos os povos primitivos da Ásia, África e Europa conheciam as abelhas e utilizavam


seus produtos, contudo os egípcios são considerados os primeiros apicultores, uma vez
que 2400 anos a.C já criavam abelhas em colméias de barro (OLIVEIRA; SEABRA, 2006).

A palavra apicultura refere-se ao gênero de abelhas chamado Apis, dentro do qual estão
as principais espécies responsáveis pela produção de mel no mundo. As abelhas do
gênero Apis são boas produtoras de mel, o principal produto da apicultura, além de geléia
real, cera e própolis (OLIVEIRA; SEABRA, 2006).

O mel caracteriza-se como substância viscosa, formada por água, açúcares e outras
substâncias em menor proporção como aminoácidos, minerais, vitaminas, enzimas e óleos
aromáticos (VIGOR E VIDA, [200?]). Elaborado e transformado pelas abelhas, depois da
recolha do pólen nas flores, o mel não contém gordura nem colesterol; daí ser um adoçante
ideal para variadas aplicações (FALCONI FILHO, 2006).

Utilizado pelo homem desde os tempos mais remotos, o mel sempre foi considerado um
produto especial. Evidências de seu uso pelo ser humano aparecem desde a Pré-história,
com inúmeras referências em pinturas rupestres e em manuscritos e pinturas do antigo
Egito, Grécia e Roma (PEREIRA et al., 2003).

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Figura 1- Pintura egípcia referente à apicultura
Fonte: (APIÁRIO QUEIRÓZ, 2010)

Desde as civilizações antigas o mel é reconhecido por suas propriedades terapêuticas,


sendo utilizado no tratamento de várias doenças. Como produto natural, apresenta
características nutritivas e propriedades únicas que fazem dele um alimento privilegiado
(FALCONI FILHO, 2006).

A produção de mel oriundo de floradas silvestres está se tornando cada vez mais escassa
no Brasil e no mundo. Tal fato está modificando a prática da apicultura, a qual está se
tornando cada vez mais dependente de culturas agrícolas e florestais que empregam
produtos agroquímicos de maneira inadequada (EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA
AGROPECUÁRIA - EMBRAPA, 2008).

Os contaminantes químicos são geralmente aplicados na região da colméia, nas flores


onde a abelha coleta o néctar, ou ainda aplicados dentro da própria colméia, com o intuito
de diminuir ou eliminar parasitas das abelhas (CASA DO APICULTOR DE CAMPINAS,
2007). Esta prática pode prejudicar a qualidade do mel e dos demais produtos apícolas via
contaminação da produção com resíduos potencialmente tóxicos para o homem
(EMBRAPA, 2008).

Junto ao questionamento das práticas da apicultura tradicional, surge o crescimento de


uma consciência ambiental e alimentar, na busca de um estilo de vida mais saudável, fato
que abre espaço para práticas alternativas de produção agrícola que respeitem o meio
ambiente e o homem, entre elas a prática da apicultura orgânica (OLIVEIRA; SEABRA,
2006).

Por meio da apicultura orgânica é possível o aproveitamento da grande biodiversidade das


matas nativas brasileiras e do seu potencial melífero para a produção de mel, ao mesmo
tempo em que essas áreas são preservadas (OLIVEIRA; SEABRA, 2006).

O mel conhecido como orgânico possui características diferenciadas no processo de


fabricação, que lhe conferem o status de orgânico, ou seja, sem contaminação por
quaisquer produtos químicos (BENDER, PEREIRA E SOUZA, 2007).

Para produzir mel orgânico é preciso seguir normas, que vão desde o manejo e
alimentação das abelhas, passando pelo processo de coleta do mel, até a utilização de
embalagens adequadas para comercialização (REVISTA RURAL, 2008).

Apesar do consumo de mel no Brasil ser ainda pequeno (FELICONIO, [200?]), o governo
tem investido em campanhas para estimular seu consumo, inclusive na forma orgânica.

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A produção de mel certificado como orgânico no Brasil tem apresentado nos últimos anos
um crescente aumento tanto de volume produzido, como de exportação, como também de
novos processos de certificação (CAMARGO, [200?]).

1 HISTÓRICO

1.1 Histórico da apicultura no mundo

As abelhas existem há mais de 50 milhões de anos, período durante o qual quase não
sofreram transformações evolutivas. Contudo, o início da atividade apícola data de 2.400
anos a.C, no Egito (OLIVEIRA; SEABRA, 2006).

O mel, usado como alimento pelo homem desde a pré-história, por vários séculos foi
retirado dos enxames de forma extrativista e predatória, muitas vezes causando danos ao
meio ambiente, matando as abelhas. Ao longo do tempo, o homem desenvolveu técnicas
de manejo das abelhas de forma a proteger os enxames e colméias e obter maior
produção com o mínimo de prejuízo para as abelhas. Nascia, assim, a apicultura
(PEREIRA et al., 2003).

A prática apícola no Egito teve início com a criação de abelhas em potes de barro. Apesar
de esta prática possibilitar o transporte dos enxames para áreas próximas à residência do
produtor, a retirada do mel ainda era muito similar à "caçada" primitiva (PEREIRA et al.,
2003).

Os primeiros estudos formais sobre as abelhas e a apicultura foram realizados por


Aristóteles. A partir de tais estudos, a apicultura difundiu-se entre gregos e romanos, povos
que a aperfeiçoaram (OLIVEIRA; SEABRA, 2006).

Apesar de os egípcios serem considerados os pioneiros na criação de abelhas, a palavra


colméia vem do grego, pois os gregos colocavam seus enxames em recipientes com forma
de sino feitos de palha trançada chamada de colmo (PEREIRA et al., 2003).

Na idade média desenvolveram-se técnicas para que a retirada do mel pudesse ser
realizada sem a morte das abelhas. Nesta época surgiu a técnica da utilização de fumaça
dentro do recipiente de criação. Com a fumaça as abelhas iam para o fundo, inclusive a
rainha, e depois se retirava somente os favos da frente, deixando uma reserva para as
abelhas. Ao longo deste período várias técnicas foram desenvolvidas entre elas a criação
de abelhas em recipientes sobrepostos, do qual o apicultor removeria a parte superior,
deixando reserva para as abelhas na caixa inferior (PEREIRA et al., 2003).

Somente no século XVII, com a ajuda do microscópio, é que ocorreram importantes


descobertas sobre aspectos biológicos das abelhas, o que proporcionou a criação de
equipamentos especiais para sua cultura racional e exploração econômica (OLIVEIRA;
SEABRA, 2006).

No século XIX desenvolveu-se a técnica da colméia em quadros móveis, os quais poderiam


ser retirados das colméias pelo topo e movidos lateralmente dentro da caixa de criação. A
colméia de quadros móveis permitiu a criação racional de abelhas, favorecendo o avanço
tecnológico da atividade como a conhecemos hoje (PEREIRA et al., 2003).

A atividade apícola atravessou o tempo e nos dias atuais se desenvolve através de


métodos altamente técnicos e científicos (OLIVEIRA; SEABRA, 2006).

1.2 Histórico da apicultura no Brasil

Introduzida no Brasil em 1839, atividade apícola passou por vários problemas até se tornar
boa opção para os agricultores brasileiros (SERVIÇO BRASILEIRO DE APOIO ÀS MICRO

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E PEQUENAS EMPRESAS- SEBRAE, [200?]b). A história da apicultura no Brasil pode ser
dividida em três fases distintas:

 Primeira etapa ou período de implantação da apicultura no país (entre 1839 e 1955):


período anterior à chegada das abelhas africanas (Apis mellifera scutellata) ao
Brasil, em 1956. Nesta primeira fase criavam-se as abelhas mandaçaia, tuiuva,
jataí, uruçú, jandaíra, entre outras. De 1845 a 1880, com a migração dos alemães,
várias colônias da espécie Apis mellifera mellifera foram trazidas da Alemanha e
teve início a apicultura nos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná
e São Paulo (U.F.V., [200?]b; SEBRAE, [200?]b).

 Segunda etapa ou período de africanização dos apiários e das colônias na natureza


(entre 1956 e 1970): iniciou-se intensamente a partir dos primeiros enxames
africanos, importados em 1956, continuando ao longo dos anos, com menos
intensidade. Nesta fase é introduzida a abelha africana para fins de cruzamentos,
segregações de linhagens que aliem suas boas propriedades às boas propriedades
das melhores linhagens italianas (U.F.V., [200?]b; SEBRAE, [200?]b).

 Terceira etapa ou período de recuperação e expansão da apicultura brasileira (Pós


1970): iniciou-se quando ocorreu o Primeiro Congresso Brasileiro de Apicultura.
Período desde o início caracterizado pela aliança entre apicultores, cientistas e
governo (U.F.V., [200?]b; SEBRAE, [200?]b).

Desde 1956, ano em que as abelhas africanas foram introduzidas no país, houve um
significativo o avanço da apicultura brasileira. Isso se constata tanto do ponto de vista do
agronegócio, como do social e tecnológico (SEBRAE, [200?]b).

Hoje, além do mel, é possível explorar, com a criação racional das abelhas, produtos como
pólen apícola, geléia real, rainhas, polinização, apitoxina, cera e até mesmo enxames e
crias (PEREIRA et al., 2003).

2 APICULTURA NO BRASIL

A prática apícola é uma das raras atividades que promove simultaneamente os fatores
econômico, social e ambiental para a melhoria da qualidade de vida de uma população
(REVISTA RURAL, 2008).

A cadeia produtiva da apicultura propicia a geração de inúmeros postos de trabalho,


empregos e fluxo de renda, principalmente no ambiente da agricultura familiar, sendo,
dessa forma, determinante na melhoria da qualidade de vida e fixação do homem no meio
rural (PEREIRA, 2003).

Em relação aos aspectos econômicos, o Brasil se destaca na produção mundial de mel e


também tem posição de destaque como exportador (REVISTA GLOBO RURAL ON LINE,
2011).

Ambientalmente, a apicultura contribui para a polinização, processo de transporte do grão


de pólen de um planta para a parte reprodutora feminina de outra, culminando com a
fecundação cruzada entre diferentes espécies de plantas (Figura 2), o que possibilita
incremento na produção de alimentos. A polinização ocorre em conseqüência da busca das
abelhas pelo néctar.

Segundo Wilson ([200?]), muitos apicultores alugam suas abelhas para agricultores a fim
de realizarem a polinização em determinadas áreas de cultivos de plantas.

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1) Aparelhos reprodutores da flor
2) Aparelho reprodutor masculino com os grãos de pólen
3) Grão de pólen
4) Abelha como agente polinizador
5) Aparelho reprodutor feminino
Figura 2 - Processo de polinização
Fonte: (TÓPICOS..., [200?])

O Brasil apresenta características especiais de flora e clima que, aliadas à presença da


abelha africanizada, lhe conferem um potencial fabuloso para a atividade apícola, ainda
pouco explorado (PEREIRA, 2003).

No Brasil, a apicultura é praticada tanto por pequenos quanto por grandes apicultores
(OLIVEIRA; SEABRA, 2006; REVISTA RURAL, 2008). No primeiro caso, são produtores
que têm a apicultura como atividade secundária, utilizando-se de mão de obra familiar. No
caso dos grandes apicultores, a apicultura é atividade profissional, utilizando-se de mão de
obra fixa e parcerias (OLIVEIRA; SEABRA, 2006). De acordo com dados da Associação
Paulista dos Apicultores Criadores de Abelhas Melíficas Européias (APACAME) citados
pela Revista Rural (2008), 80% da produção brasileira de mel é de pequenos produtores.

A crescente produção brasileira de mel, que saltou de 38 mil toneladas em 2009 para 50
mil toneladas em 2010, colocou o país na 11ª posição no ranking dos produtores mundiais
(REVISTA GLOBO RURAL ON LINE, 2011).

Segundos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IGBE), citados por


Resende ([200?]), a principal região produtora de mel no Brasil é a região Sul, seguida
pela região Nordeste. Os principais estados produtores são o Rio Grande do Sul e Piauí,
que no ano de 2008 produziram respectivamente 7365 e 3483 toneladas do produto.

O Brasil é o quinto maior exportador do produto (REVISTA GLOBO RURAL ON LINE,


2011). O Piauí é principal estado exportador, com vendas de US$ 1.426.660, respondendo
sozinho por mais de um quarto da receita das exportações brasileiras (29,2%). O Estado
de São Paulo foi o segundo colocado com US$ 1.134.131, seguido do Ceará, com US$
790.938 (XEYLA, 2010). De acordo com Pereira (2003), os principais compradores de mel
do país são: Alemanha, Espanha, Canadá, Estados Unidos, Porto Rico e México.

Programas de incentivo à produção apícola e capacitação de agricultores envolvidos com a


cadeia produtiva são os responsáveis pelo destaque do setor nos últimos anos (REVISTA
GLOBO RURAL ON LINE, 2011).

Apesar dos incentivos à produção, no Brasil o consumo per capita do mel como alimento
ainda é muito baixo, ficando em torno de 300 gramas por ano. De maneira geral, a
população considera o mel mais como um medicamento do que como alimento, passando
a consumi-lo apenas em decorrência de problemas de saúde (FELICONIO, [200?]).
Contudo, o governo tem investido em campanhas para estimular o consumo, já que a

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maior parte da produção anual destina-se à exportação (REVISTA RURAL, 2008).
Fatos como a criação da abelha africanizada, a qual faz o controle natural de doenças, o
vasto pasto apícola, o qual permite a produção do mel durante todo o ano, e a atualização
de maquinário e pesquisas, farão com que o Brasil assuma cada vez mais uma posição de
destaque no mercado internacional de mel (XEYLA, 2010).

De acordo com Oliveira e Seabra (2006), de maneira similar a outros países, o mercado
brasileiro de mel cresce em virtude da procura por produtos naturais de alta qualidade e,
mais diretamente, por produtos que atendam a anseios específicos do consumidor, porém
com formulações naturais.

O desenvolvimento de uma consciência ambiental e alimentar, na busca de um estilo de


vida mais saudável, abre espaço para práticas alternativas de produção agrícola que
respeitem o meio ambiente e o homem, as quais defendem a não utilização de insumos e
de defensivos que venham a comprometer a qualidade do ambiente e do alimento
produzido (OLIVEIRA; SEABRA, 2006).

A preocupação com o ecológico, que se observa em todo mundo, criou um nicho de


mercado específico para os produtos obtidos em consonância com os princípios “verdes”,
mercado este que vem ocupando cada vez mais espaço junto ao mercado tradicional
(OLIVEIRA; SEABRA, 2006).

3 ALIMENTOS ORGÂNICOS

Juntamente com o crescimento do mercado de produtos naturais, tem aumentado o


interesse do consumidor pelos chamados alimentos orgânicos, principalmente devido à
preocupação com a saúde e também com o meio ambiente (PLANETA ORGÂNICO, 2006;
VIVA COM ORGÂNICOS, [200?]).

A legislação brasileira define o alimento orgânico como aquele que, em sua produção, são
adotadas tecnologias, aproveitando da melhor maneira possível o uso dos recursos
naturais e socioeconômicos, respeitando a integridade cultural, objetivando a auto-
sustentação no tempo e no espaço, minimizando a utilização de energias não renováveis e
eliminando o uso de agrotóxicos e de outros insumos artificiais tóxicos (BRASIL, 2003).

Para ser considerado orgânico, o produto tem que ser produzido em um ambiente de
produção orgânica, onde se utiliza como base do processo produtivo os princípios
agroecológicos que contemplam o uso responsável do solo, da água, do ar e dos demais
recursos naturais, respeitando as relações sociais e culturais. Não são permitidas
substâncias que coloquem em risco a saúde humana e o meio ambiente, não sendo
aplicados, desta forma, fertilizantes sintéticos solúveis, agrotóxicos e não utilizados
produtos transgênicos (PREFIRA ORGÂNICOS, [200?]).

Com base no fato de que a agricultura orgânica busca diversificar e integrar a produção de
espécies vegetais e animais com o objetivo de criar ecossistemas mais equilibrados,
observa-se que o Brasil é um país com grande potencial para o desenvolvimento da
produção orgânica de alimentos, fato decorrente de características como diferentes tipos
de solo e clima e grande biodiversidade (PREFIRA ORGÂNICOS, [200?]).

O consumo de alimentos orgânicos é uma tendência crescente no Brasil e no mundo


(MUNDO VERDE, 2010; PIMENTA; VILAS BOAS, 2008), sendo uma alternativa para o
consumidor atento com a qualidade da sua alimentação e com a questão da preservação
do meio ambiente (REVISTA DO INSTITUTO BRASILEIRO DE DEFESA DO
CONSUMIDOR, 2005).

Em face do aumento do consumo de orgânicos, um produto que ganha destaque é o mel,


possuindo boa aceitação no mercado externo. O Brasil possui vários apicultores

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cadastrados e habilitados a desenvolver a prática da apicultura orgânica (BENDER;
PEREIRA; SOUZA, 2007).

A produção de mel orgânico tem aumentado nos últimos anos, pois os consumidores
mundiais estão cada vez exigindo um produto com melhor qualidade e sem a presença de
resíduos químicos, antibióticos e outros medicamentos (BENDER; PEREIRA; SOUZA,
2007).

4 APICULTURA ORGÂNICA

A apicultura é uma importante atividade que contribui para a proteção do meio ambiente e
para a produção agro-florestal através da ação polinizadora das abelhas. A qualificação de
produtos apícolas orgânicos está diretamente relacionada às características de tratamento
das colméias e ao respeito ao meio ambiente. Esta qualificação depende também das
condições de extração, processamento e armazenagem dos produtos apícolas (MN
PRÓPOLIS, [200?]a).

Pelas próprias características de produção do mel brasileiro, tais como a utilização da


abelha “africanizada” e a exploração de áreas naturais e de espécies vegetais nativas,
muitas vezes endêmicas, observa-se que, no Brasil, a condição de produzir um mel isento
de resíduos de contaminantes químicos, de forma simplista chamado de orgânico, é
facilitada (CAMARGO, [200?]).

A abelha “africanizada” possui, além de alta capacidade produtiva, as boas características


de um animal híbrido, as quais permitem uma produção apícola intensiva sem qualquer
utilização de medicamentos ou drogas veterinárias, tão usuais na prática apícola mundial
(CAMARGO, [200?]).

As espécies vegetais nativas, por ocorrerem ou em regiões de baixa atividade agrícola,


com predominância da agricultura de subsistência, ou em vastas áreas naturais, sem a
proximidade de áreas agriculturáveis com a aplicação de defensivos, proporcionam baixo
risco de contaminação pelo uso intenso de agroquímicos, aplicados usualmente na
agricultura mecanizada (CAMARGO, [200?]).

Dentre as principais regiões produtoras de mel do país, algumas delas ainda apresentam
uma enorme disponibilidade de áreas naturais que são exploradas para a prática da
apicultura e para produção de mel, como é o caso da região Nordeste e da região Centro
Oeste. Em agosto de 2010, o Nordeste foi responsável por mais da metade (51,9%) das
exportações brasileiras de mel, com 877,30 toneladas e uma receita de US$ 2,52 milhões
(CAMARGO, [200?]).

É neste contexto que se insere a apicultura orgânica, por meio da qual é possível o
aproveitamento da grande biodiversidade das matas nativas brasileiras e do seu potencial
melífero, ao mesmo tempo em que essas áreas são preservadas (OLIVEIRA; SEABRA,
2006).

De acordo com Camargo ([200?]), a caracterização simplista da apicultura orgânica como


uma prática na qual não são empregados contaminantes químicos deve ser abandonada.
A produção orgânica deve partir de uma visão integrada, holística e que busque a
sustentabilidade do meio rural, fato que frequentemente não tem sido considerado,
vislumbrando-se apenas a perspectiva de obtenção de lucros extraordinários.

Um sistema orgânico de produção deve considerar não apenas a não utilização de


agrotóxicos, mas sim contemplar aspectos sociais dos envolvidos no processo e da
melhoria de suas relações humanas e ambientais com o local de produção. Assim, todos
os fatores envolvidos direta ou indiretamente no processo de produção devem manter
relação com o desenvolvimento social e ecológico, não devendo-se concentrar as atenções
somente no produto final, conseqüência desse processo (CAMARGO, [200?]).

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Segundo Camargo ([200?]), observa-se frequentemente que muitos produtores não
praticam de forma sistêmica a apicultura orgânica ou agroecológica, desconsiderando
dessa forma, questões tão importantes, como a utilização racional dos recursos naturais
(água, solo, pasto apícola, madeira) tão necessários para a prática de uma apicultura
sustentável.

O estímulo à produção e comercialização de mel orgânico gera aumento do consumo e das


exportações deste produto. O mercado internacional é bastante favorável aos produtos
apícolas orgânicos e aos obtidos em locais onde o uso de agroquímicos é reduzido, como
é o caso do Brasil (SEBRAE, [200?]a).

De acordo com a Revista Rural (2008), o mercado externo caracteriza-se como uma boa
opção, visto que, com o mel orgânico, o apicultor atenderá a uma demanda crescente e
comercializará o produto com maior valor agregado.

A maior parte do mel orgânico produzido no Brasil destina-se à exportação. A Alemanha,


maior consumidor de orgânicos da Europa, e os Estados Unidos são os principais destinos
do mel orgânico brasileiro (REVISTA RURAL, 2008).

Segundo Camargo ([200?]), o aumento do volume, produzido e exportado, de mel orgânico


no Brasil é decorrente de inúmeras ações de organização e de capacitação, junto
principalmente aos pequenos produtores, que algumas instituições de apoio à cadeia
produtiva do mel no Brasil vêm desenvolvendo. Além de tais fatores, ocorrem melhorias de
aspectos ligados à capacidade de organização, logística e de comercialização por parte
das empresas exportadoras de mel do país, com crescente qualificação mercadológica por
parte dos empresários do setor, principalmente no caso do produto orgânico.

O mel orgânico tem valor diferenciado no mercado, já que o custo de produção aumenta,
principalmente, devido à certificação necessária para atestar o produto como sendo
orgânico (MIRANDA, 2004). Juntamente com o aumento do volume de mel produzido e
exportado, há um aumento no número de processos de certificação (CAMARGO, [200?]).

O Brasil desenvolve, basicamente, a produção de mel, sendo ainda reduzido o


aproveitamento dos outros produtos apícolas diretos (geléia real, pólen, própolis e cera), o
que diversificaria e poderia agregar valor a toda a cadeia produtiva. No entanto, o processo
de certificação da produção como orgânica pode despertar o interesse dos apicultores
pelos demais produtos, principalmente se ficar claro que a comercialização será facilitada
pela conquista desses novos mercados e os preços sejam compensadores (SEBRAE,
[200?]a).

4.1 Principais produtos da apicultura orgânica

Os principais produtos derivados da prática apícola são o mel, a cera, o própolis, a geléia
real, o pólen e a apitoxina, sendo o mel, possuidor de qualidades nutricionais únicas e de
um mercado enorme, o mais importante (OLIVEIRA; SEABRA, 2006).

O foco da apicultura orgânica é a produção de mel e em menor escala a de cera, produtos


com menor valor agregado, mas com manejo e escoamento da produção mais fáceis para
o início da atividade apícola. Contudo, a produção orgânica de própolis, pólen e apitoxina,
que possuem mercado com demanda reprimida, torna-se opção com grande viabilidade
econômica (OLIVEIRA; SEABRA, 2006).

4.1.1 Mel

Na legislação brasileira, o mel é definido como produto alimentício produzido pelas abelhas
melíferas, a partir do néctar das flores ou das secreções procedentes de partes vivas das

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plantas, que as abelhas recolhem, transformam, combinam com substâncias específicas
próprias, armazenam e deixam madurar nos favos da colméia (BRASIL, 2000).

O mel pode ser caracterizado como substância viscosa, aromática e açucarada. Seu
aroma, paladar, coloração, viscosidade e propriedades medicinais estão diretamente
relacionados com a fonte de néctar que o originou e também com a espécie de abelha que
o produziu (REVISTA RURAL, 2008).

Por sua origem, o mel pode ser classificado como floral, quando origina-se dos néctares
das flores de uma ou mais espécie, ou como melato, quando é obtido principalmente a
partir de outras secreções de partes vivas das plantas (BRASIL, 2000).

Figura 3- Variedade de cores de mel originado de diferentes fontes florais


Fonte: (MEL DO SOL, [200?])

O mel é um alimento rico em vitaminas C, D, E e do Complexo B, que possui ainda teores


consideráveis de substâncias anti-oxidantes, como por exemplo os flavonóides. O mel
contém minerais como: cálcio, cobre, ferro, magnésio, fósforo, ácidos orgânicos, entre
outras substâncias benéficas ao equilíbrio dos processos biológicos do organismo humano
(REVISTA RURAL, 2008).

O mel começa a ser produzido a partir do néctar das flores ou de secreções procedentes
de partes vivas das plantas, os quais são coletados pelas abelhas melíficas (BRASIL,
2000; WILSON, [200?]). O néctar é uma substância constituída basicamente de açúcares,
a qual é secretada pelos vegetais através de glândulas especializadas, funcionando como
atrativo aos agentes polinizadores.

As abelhas utilizam sua língua para a coleta do néctar. A língua é uma peça bastante
flexível, coberta de pêlos, utilizada na coleta e transferência de alimento e na desidratação
do néctar (PEREIRA, 2003).

Após ser coletado pelas abelhas campeiras, o néctar é transportado para a colméia onde
irá sofrer mudanças em sua concentração e composição química (WILSON, [200?]).
Mesmo durante o transporte para a colméia, secreções de várias glândulas das abelhas,
principalmente das glândulas hipofaringeanas, situadas no interior da cabeça, são
acrescentadas, introduzindo no material original enzimas como a invertase (α glicosidase),
diastase (α e β amilase), glicose oxidase, catalase e fosfatase (PEREIRA et al., 2003).

O néctar, cuja transformação química já se iniciou durante o transporte, é então transferido


para as abelhas operárias, sendo armazenado nos alvéolos melíferos, orifícios hexagonais
nas colméias. As operárias gradualmente transformam o néctar em mel por meio da

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evaporação da maior parte da água que ele contém. Para tal, as abelhas engolem e
regurgitam o néctar várias vezes seguidas. Elas também agitam suas asas sobre os
alvéolos cheios de mel. Esse processo retém os açúcares e os óleos aromáticos da planta
enquanto são adicionadas as enzimas dos aparelhos bucais das abelhas (WILSON,
[200?]).

Figura 4– Produção do mel nos alvéolos das colméias


Fonte: (BARCO, 2010)

O mel conhecido como orgânico deve possuir características diferenciadas no processo de


fabricação que lhe conferem tal status (BENDER; PEREIRA; SOUZA, 2007).

Segundo Buainin e Batalha (2007 apud Alves et al. 2009), o mel orgânico é definido como
desprovido de qualquer contaminação química, desde a relacionada às floradas, que não
são controladas diretamente pelos apicultores e podem estar contaminadas com produtos
químicos, até as associadas ao processo de embalagem final, havendo a exigência do
controle da procedência do produto, de forma a envolver todas as fases da produção.

Os contaminantes químicos podem ser eventualmente aplicados na região da colméia, nas


flores onde a abelha coleta o néctar, ou ainda dentro da própria colméia com o intuito de
diminuir ou eliminar parasitas das abelhas. No Brasil, praticamente não ocorre
contaminação do mel através de produtos químicos na colméia, pois, em virtude da grande
resistência da abelha africanizada, a aplicação de contaminantes não se faz necessária
(CASA DO APICULTOR DE CAMPINAS, 2007).

Para serem comercializados como orgânicos, o mel e demais produtos apícolas devem
possuir reconhecimento através de uma certificadora que fiscaliza a sua produção
(BENDER; PEREIRA; SOUZA, 2007).

4.1.2 Pólen

É a célula reprodutiva masculina das plantas floríferas, coletada pelas abelhas campeiras,
a qual, após receber todas as enzimas por elas secretadas, é depositada nos favos
servindo de alimento para as larvas e abelhas jovens (CASAGRANDE, 2009).

Por suas características nutricionais o pólen é utilizado como suprimento alimentar.


Contendo todos os aminoácidos essenciais ao organismo humano, o pólen supre
deficiências nutricionais, previne distúrbios metabólicos, reforça as defesas orgânicas,
melhora o rendimento físico e mental, além de combater problemas na próstata,
aterosclerose, fragilidade capilar e envelhecimento precoce (CASAGRANDE, 2009).

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Figura 5- Bolota de pólen transportada na pata das abelhas
Fonte: (PORTAL DO PROFESSOR, 2009)

As bolotas de pólen trazidas pelas abelhas campeiras são empilhadas nos alvéolos das
colméias logo acima da área de cria. Ao pólen, são adicionadas algumas secreções
glandulares e uma fina cobertura de mel ou néctar, formando o alimento básico das larvas
e abelhas jovens (CRIAÇÃO DE ANIMAIS,2008).

4.1.3 Própolis

A própolis origina-se de substâncias resinosas que as abelhas coletam de várias partes


das plantas que visitam. Na colméia, a própolis é manipulada pelas abelhas e misturada a
um pouco de cera a fim de adquirir propriedades mecânicas adequadas para os diferentes
usos que dela serão feitos tais como vedação da colméia, contra o frio, umidade ou
inimigos naturais (CRIAÇÃO DE ANIMAIS,2008).

Este produto apícola é basicamente constituído por resinas e bálsamos (55%), ceras
(30%), óleos vegetais (10%) e pólen (5%). Também estão presentes vários flavonóides e
ácidos aromáticos, além de ferro, cobre, manganês, zinco e vitaminas do complexo B. A
composição da própolis é variável, encontrando-se alterações de acordo com o tipo de
vegetação predominante na região da prática apícola (OLIVEIRA; SEABRA, 2006).

A própolis tem ação anti-séptica, anti-inflamatória, bactericida, cicatrizante, regeneradora


dos tecidos, funcionando ainda como antibiótico natural. É bastante utilizada para curas
das vias respiratórias e cicatrizes (CASAGRANDE, 2009).

Figura 6- Própolis
Fonte: (MN PRÓPOLIS, [200?]b)

4.1.4 Cera

A cera é um produto oriundo da atividade biológica das abelhas, o qual serve para
confecção dos favos onde é depositado o mel. Caracteriza-se como substância macia e
quase cremosa, constituída basicamente de ácidos graxos entre os quais o cerótico e o
palmítico (CASAGRANDE, 2009; OLIVEIRA; SEABRA, 2006).

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A cera é produzida pelas glândulas cerígenas das operárias com idade entre 14 dias e 19
dias. Para produzir a cera, as abelhas convertem o açúcar consumido sob forma de mel,
num processo de baixa eficiência, já que cerca de 7 kg de mel precisam ser consumidos
para a produção de 1 kg de cera. (CRIAÇÃO DE ANIMAIS,2008; OLIVEIRA; SEABRA,
2006).
Geralmente a coloração da cera é branca, podendo apresentar-se com coloração
amarelada em decorrência da impregnação com própolis, resíduos de pólen e outras
impurezas. Os favos de cria antigos têm uma cor ainda mais escura, por conta dos restos
de casulo e dejetos deixados pelas larvas (CRIAÇÃO DE ANIMAIS,2008).
Este produto apícola é empregado na produção de cosméticos, velas aromáticas, cera para
assoalho, entre outros produtos (CASAGRANDE, 2009). Na medicina é aproveitada para
ungüentos, emplastros, bálsamos, pomadas, supositórios e xaropes (OLIVEIRA; SEABRA,
2006).

Figura 7 - Cera de abelhas


Fonte: (MUNDO EDUCAÇÃO, 2010)

4.1.5 Geléia real

A geléia real é uma substância secretada pelas glândulas de abelhas operárias com 4 a 14
dias de idade, sendo o único alimento da abelha rainha durante toda a sua existência, e
das larvas de operárias e zangões durante seus primeiros dias (OLIVEIRA; SEABRA, 2006;
CASAGRANDE, 2009).

Este produto origina-se do pólen coletado pelas abelhas campeiras. Na colméia, o pólen é
transformado a partir da adição de secreções fabricadas nas glândulas mandibulares e
hipofaringeanas das abelhas, sendo produzidos compostos como proteínas, carboidratos,
lipídios e vitaminas (CRIAÇÃO DE ANIMAIS,2008; VALE DO MEL, [200?]).

Para o ser humano é um alimento com ação tonificante. Melhorando o metabolismo basal,
eleva significativamente a taxa da imunidade, estimula o crescimento, auxilia na prevenção
da osteoporose, evita o envelhecimento precoce, inibe o aparecimento de células
cancerígenas e é um ótimo regulador hormonal e intestinal (CASAGRANDE, 2009).

Figura 8- Geléia real


Fonte: (LINS, 2009)

4.1.6 Apitoxina

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Trata-se de uma neurotoxina sintetizada pelas glândulas de veneno das operárias e da
rainha, basicamente composta por uma ampla mistura de enzimas, proteínas e outras
moléculas menores. A apitoxina é produzida pelas abelhas para defesa contra seus
predadores, sendo injetada com o auxílio do ferrão, provocando dor e/ou reações alérgicas
de intensidade variável. Abelhas operárias em fase de guarda ou forrageamento possuem
entre 100 e 150 mg de apitoxina. As rainhas possuem, em média, 700 mg (CRIAÇÃO DE
ANIMAIS,2008; CASAGRANDE, 2009).

Por sua ação vasodilatadora, é utilizada no combate a dores reumáticas, como bursite,
tendinite, infecção do nervo ciático, além de dores musculares. A apitoxina proporciona
maior irrigação na região afetada possibilitando assim uma melhor atuação do cortisol. É
empregada na forma de comprimidos, cremes, injetável ou pode também ser aplicada na
acupuntura (OLIVEIRA; SEABRA, 2006; CASAGRANDE, 2009).

Figura 9 – Detalhe do ferrão com apitoxina


Fonte: (CRIAÇÃO DE ANIMAIS,2008)

4.2 Biologia das abelhas

No Brasil, a produção de mel é feita predominantemente com a Apis mellifera africanizada,


uma abelha mais agressiva e mais resistente aos ácaros parasitas (REVISTA RURAL,
2008)

A abelha africana, no Brasil, é um híbrido das abelhas européias (Apis mellifera mellifera,
Apis mellifera ligustica, Apis mellifera caucasica e Apis mellifera carnica) com a abelha
africana Apis mellifera scutellata (PEREIRA, 2003).

Figura 10- Abelha Apis mellifera africanizada


Fonte: (FAPESP PESQUISA ON LINE, 2008).

A abelha africanizada possui um comportamento muito semelhante ao da Apis mellifera


scutellata, em razão da maior adaptabilidade dessa raça às condições climáticas do País.
Muito agressivas, porém, menos que as africanas, a abelha do Brasil tem grande facilidade
de enxamear, alta produtividade, tolerância a doenças e adapta-se a climas mais frios,
continuando o trabalho em temperaturas baixas, enquanto as européias se recolhem
nessas épocas (PEREIRA, 2003).

Em uma sociedade de abelhas, a função do zangão é acasalar com as fêmeas.


Geralmente, uma abelha fêmea se acasala com vários zangões enquanto está suspensa
no ar, recolhendo o esperma dos machos para fertilizar seus ovos (WILSON, [200?]).

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No ciclo reprodutivo das abelhas sociais, a rainha deposita milhares de ovos durante sua
vida. Geralmente é depositado um ovo em cada alvéolo de cera, na chamada área de
criação da colméia. Se o esperma recolhido durante o acasalamento for utilizado para
fertilizar os ovos, as larvas que destes saírem serão fêmeas. Se o ovo não for fertilizado, a
larva que sairá dele será macho. Isso significa que as abelhas fêmeas herdam os genes
das mães e dos pais, ao passo que os machos herdam apenas os genes das mães
(WILSON, [200?]). O processo de desenvolvimento de larvas sem fertilização chama-se
partenogênese.

Quando os ovos eclodem, as abelhas operárias mais jovens na colméia são responsáveis
por alimentar as larvas. Durante os dois primeiros dias de vida das larvas, as operárias
alimentam-nas com geléia real. Após este período, as larvas são alimentadas com pólen ou
com uma mistura deste com o néctar, a qual recebe o nome de pão de abelha. A única
exceção é a abelha rainha. Quando as operárias criam uma nova rainha, elas a alimentam
com geléia real até que ela troque de casulo, quando transforma-se em pupas. As larvas
das abelhas sofrem metamorfose várias vezes antes de trocarem de casulo, e nesse ponto
as operárias tapam os alvéolos com pequenas placas de cera alveolada para proteger as
crias em desenvolvimento. Completando o desenvolvimento, a abelha, já adulta, sai do
alvéolo (Figura 11) (WILSON, [200?]).

Figura 11- Desenvolvimento das abelhas


Fonte: (WILSON, [200?])

Na sociedade, uma abelha doméstica fêmea sempre começa a sua vida como uma nutriz,
cuidando das jovens larvas. Mais velhas, as fêmeas começam realizar outras tarefas
importantes na colméia, como fazer a limpeza de alvéolos vazios. Elas também passam a
produzir o mel e ir em busca de comida. Os alvéolos no favo de uma colméia podem
armazenar mel ou abelhas em desenvolvimento (WILSON, [200?]).

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As abelhas campeiras são atraídas pelas flores através de suas cores, formas diferentes,
que as destacam e facilitam a aproximação dos polinizadores, e aromas específicos. As
abelhas possuem mecanismos de comunicação que permitem indicar rapidamente a todas
as outras a localização de uma florada (GENERALIDADES, [200?]).

4.3 Prática da apicultura orgânica

4.3.1 Apiário
A prática da apicultura dá-se em uma área chamada de apiário. O apiário é um conjunto
racional de colméias, devidamente instalado em local preferivelmente seco, de fácil acesso,
suficientemente distante de pessoas e animais, provocando o confinamento das abelhas
(APACAME, [200?]a).
O apiário sofrerá, durante toda a sua existência, a interferência de fatores do meio
ambiente no qual está instalado, tais como temperatura, umidade, chuvas, florações,
ventos, pássaros predadores e insetos concorrentes, de forma que tais fatores são em
grande parte, responsáveis pelo progresso ou não do apiário. Assim, o emprego da
apicultura racional, ou seja, o correto manejo das abelhas é de fundamental importância
para a obtenção de resultados positivos no desenvolvimento do apiário (APACAME,
[200?]a).

Figura 12- Apiário


Fonte: (WILSON, [200?]).

De acordo com Pereira et al. (2003), existem dois tipos de apiários: os fixos e os
migratórios.

Um apiário fixo é caracterizado pela permanência das colméias durante todo o ano em um
local previamente escolhido, onde as abelhas irão explorar as fontes florais disponíveis em
seu raio de ação. Neste caso, a escolha do local é de fundamental importância e deve
garantir segurança para as abelhas em relação a pessoas e outros animais (PEREIRA et
al., 2003).

O apiário migratório possui as mesmas características de um apiário fixo, entretanto, as


abelhas são deslocadas ao longo do ano para locais com recursos florais abundantes. São
utilizados cavaletes desmontáveis para facilitar o transporte das colméias (PEREIRA et al.,
2003).

No apiário, distância entre as colméias (entre fundos), deve ser de três a cinco metros e,
nas laterais, de 0,5 a 1,0 metro. As colméias devem ficar em cavaletes, a uma altura de
cerca de meio metro do solo (BANCO DO NORDESTE, [200?]).

Para iniciar a produção de mel orgânico, o apiário deve cumprir uma série de exigências

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estabelecidas por órgãos fiscalizadores, a fim de receber a certificação.

Os apiários deverão estar demarcados em mapas, com coordenadas que permitam clara e
fácil localização (FELICONIO, [200?]).

As colméias devem estar localizadas em áreas de vegetação orgânica, isentas de


pesticidas e a uma distância mínima de três quilômetros de qualquer tipo de construção
humana que possa afetar a produção apícola, tais como estradas, estações de tratamento
de esgoto, usinas, indústrias, fábricas de produtos químicos e depósitos de lixo
(ASSOCIAÇÃO DE AGRICULTURA ORGÂNICA- AAO, 2004; BENDER; PEREIRA;
SOUZA, 2007; FELICONIO, [200?]; MN PRÓPOLIS, [200?]a).

De acordo com Feliconio ([200?]), a área destinada ao apiário deve conter água de boa
qualidade e de fácil acesso às abelhas.

É proibida a manutenção de apiários a uma distância menor que três quilômetros de áreas
agrícolas sob manejo convencional. No caso de haver agricultura convencional nas
proximidades, deverá ser avaliada se a distância mínima está sendo respeitada e se
alguma planta ou cultura atrai ou não a visita de abelhas (FELICONIO, [200?]).
De acordo com a Associação de Agricultura Orgânica (2004), como orientação, as
distâncias das coolméias das áreas em que são usados agrotóxicos devem ser, pelo
menos, de:
 1,5 km para apirários com até 30 colméias;
 2,0 km para apiários com 31 a 50 colméias;
 3,0 km para aiários com mais de 50 colméias.

Segundo a AAO (2004), tais valores são orientativos, de forma que a certificadora levará
em conta o pasto apícola, a existência de outros apiários nas vizinhanças, que concorrerão
por alimentação e outros fatores que possam manter ou afastar as abelhas das regiões
compreendidas naquelas distâncias.

De acordo com Feliconio [(200?]), o apiário e seus produtos podem ser classificados como
orgânicos ou em conversão para orgânicos. O período de transição da apicultura
convencional para a apicultura orgânica será de uma safra apícola de no mínimo seis
meses, conforme a época do início do processo de conversão. O apiário pode ser
classificado como orgânico após este período de carência de seis meses sob manejo
orgânico e após inspeção. Os apiários novos que iniciarem no processo orgânico poderão
ter registro desde a primeira safra (FELICONIO, [200?]).

Miranda (2004) destaca o papel do Sistema de Informações Geográficas (SIG). Segundo o


autor, trata-se de um sistema que pode ser aplicado à apicultura orgânica, que serve para
determinar a localização exata dos apiários, de forma a evitar a concentração de abelhas
em espaços inadequados. Através de tal sistema, é possível monitorar o raio de ação das
abelhas de cada apiário, o que possibilita a produção de mel orgânico. Caso haja algum
lugar onde as abelhas estejam coletando pólen com interferência humana, é possível fazer
o remanejamento da colméia.

Na apicultura orgânica, durante o transporte das colméias devem ser evitadas regiões de
agricultura convencional (FÁVARO, 2003).

4.3.2 Flora apícola

A flora apícola é caracterizada pelas espécies vegetais que possam fornecer néctar e/ou
pólen, produtos essenciais para a manutenção das colônias e para a produção de mel. O
conjunto dessas espécies é denominado pasto apícola ou pastagem apícola. Assim, o
apicultor deve planificar a formação do pasto apícola antes mesmo da instalação do
apiário, levando em consideração fatores como as espécies de abelhas com as quais se
trabalhará e os períodos de floradas (PEREIRA et al., 2003).

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Deve ser realizado um planejamento que atente para a necessidade de revisão,
alimentação suplementar e de estímulo para as abelhas, principalmente durante os
períodos de entressafra (épocas de pouca ou nenhuma disponibilidade de recursos florais)
(PEREIRA et al., 2003).

O pasto apícola pode ser natural, ou seja, formado a partir de espécies nativas ou
proveniente de culturas agrícolas e reflorestamentos da indústria de madeira e papel.
Nesses casos, não é recomendável a dependência de monoculturas, o que acarretaria uma
única fonte de néctar e pólen durante todo o ano e a maior chance de contaminação dos
enxames e produtos por agroquímicos (PEREIRA et al., 2003).

Na manutenção de um pasto apícola deve-se buscar a maior diversidade de floradas


possível, com a introdução na área em torno do apiário de espécies apícolas que sejam
adaptadas à região, de preferência que apresentem períodos de floração diferenciados,
disponibilizando recursos florais ao longo de todo o ano (PEREIRA et al., 2003).

A capacidade suporte de um pasto apícola será determinada por seu tamanho e qualidade,
esta representada pela variedade e densidade populacional das espécies, tipos de
produtos fornecidos, néctar e/ou pólen e diferentes períodos de floração. É a capacidade
de suporte que irá determinar o número de colméias a serem locadas em uma área,
levando-se em conta o aspecto produtivo. Dessa forma, o potencial florístico dessa área
será explorado pelas abelhas, de forma a maximizar a produção, sem que ocorra
competição pelos recursos disponíveis. Quanto mais próxima da colméia estiver a fonte de
alimento, mais rápido será o transporte, permitindo que as abelhas realizem um maior
número de viagens, o que contribui para o aumento da produção (PEREIRA et al., 2003).

A apicultura orgânica deve ser praticada em área de vegetação orgânica ou de mata nativa
e variada, a qual disponibilize néctar e pólen suficientes para o desenvolvimento das
famílias de abelhas e o respectivo acúmulo de mel (ASSOCIAÇÃO DE AGRICULTURA
ORGÂNICA- AAO, 2004; FELICONIO, [200?]). A área do pasto apícola não poderá ser
desmatada (AAO, 2004).

No caso de área com mata nativa, os apiários orgânicos não poderão saturar o ambiente a
ponto de interferir na sobrevivência das abelhas nativas (FELICONIO, [200?]).

Nenhum tipo de agente químico, como os agrotóxicos, comumente utilizados, é permitido


na área do pasto apícola (AAO, 2002; FELICONIO, [200?]).

4.3.3 Colméias

Com a valorização crescente dos produtos apícolas, passou-se de sua extração pura e
simples à criação em caixas fixas sem dimensões definidas. Posteriormente, com a adoção
de novas técnicas, surgiram colméias racionais, entre as quais a padrão, idealizada pelo
apicultor americano Lorenzo Langstroth. A colméia de Langstroth é atualmente a mais
usada em escala mundial, por atender às necessidades biológicas de suas ocupantes e
influenciar a maneira como as abelhas desenvolvem seus favos de mel ajustando a
quantidade de espaço em sua área de desenvolvimento (U.F.V., [200?]a; WILSON,
[200?]). É este modelo o indicado pela Confederação Brasileira de Apicultura (PEREIRA et
al., 2003).

A área de desenvolvimento, conhecida com espaço-abelha, permite que as abelhas se


movimentem, cuidem das mais jovens, desenvolvam novos favos de mel e produzam mel.
De acordo com as teorias de Langstroth, a quantidade ideal de espaço entre as camadas
de favo de mel é de 64 a 79 milímetros (WILSON, [200?]).

A colméia padrão (Langstroth) possui uma estrutura com várias camadas e quadros
removíveis para incentivar as abelhas a construírem suas colméias de forma organizada e

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para facilitar a colheita do mel pelos apicultores (WILSON, [200?]).

A colméia de Langstroth é constituída por:


 Assoalho ou fundo móvel, que protege sua parte inferior e abriga o alvado (abertura
para entrada e saída das abelhas);
 Ninho (com dez quadros), onde se desenvolverão os favos para depósito de mel,
pólen ou crias;
 Melgueira (com dez quadros), onde será depositado o mel;
 Quadros, estruturas de madeira abertas que servem de suporte para
desenvolvimento dos favos. Os quadros são móveis, facilitando a vistoria do interior
da colméia;
 Tampa;
 Pegadores (U.F.V., [200?]a).

Figura 13- Colméia de Langstroth: (A) tampa; (B) melgueira; (C) ninho; (D) fundo
Fonte: (PEREIRA et al., 2003)

Figura 14- Disposição dos quadros no ninho (A) e o alvado (B) na colméia de Langstroth
Fonte: (PEREIRA et al., 2003)

As medidas da colméia de Langstroth, em milímetros, são (U.F.V., [200?]a):

Tampa
Comprimento: 545
Largura: 440

Ninhos

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Comprimento: 465
Largura: 370
Altura: 240

Fundo
Comprimento: 555
Largura : 410

Quadros
Vareta superior
Comprimento: 481
Largura: 25
Espessura: 20
Vareta inferior
Comprimento: 450
Largura: 15
Espessura: 12
Acabamento das varetas nas pontas
Comprimento: 25
Largura: 15
Espessura: 12
Peças laterais
Comprimento: 233
Largura: 35 e 25
Espessura: 10

Podem ser utilizadas a melgueira com a mesma altura do ninho (24 cm) ou a meia-
melgueira, com 14,2 cm de altura, a qual pode propiciar um menor peso para manuseio e
maior rapidez na maturação do mel (U.F.V., [200?]a).

Figura 15- Componentes da colméia de Langstroth


Fonte: (PORTAL SÃO FRANCISCO, [200?]b)

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Figura 16- Medidas do ninho da colméia de Langstroth
Fonte: (ASSOCIAÇÃO SETENTRIONAL DE APICULTORES DE RORAIMA-ASA, [200?]).

Figura 17- Medidas do fundo da colméia de Langstroth


Fonte: (ASA, [200?])

Figura 18- Medidas da tampa da colméia de Langstroth


Fonte: (ASA, [200?])

Figura 19- Medidas dos quadros da colméia de Langstroth


Fonte: (BALLONI, [200?])

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Figura 20- Medidas das varetas inferior e superior dos quadros da colméia de Langstroth
Fonte: (BALLONI, [200?])

Figura 21- Montagem dos quadros da colméia de Langstroth


Fonte: (U.F.V., [200?]a)

Na apicultura orgânica, as colméias devem ser construídas com materiais naturais que não
comportem riscos de contaminação ao meio ambiente ou aos produtos da apicultura (MN
PRÓPOLIS, [200?]a). Segundo a Associação de Agricultura Orgânica (2004), é proibido, na
construção das colméias, materiais de revestimento e outros materiais com efeitos tóxicos.

A madeira para a construção das colméias deve ser leve, para facilitar o manejo, e não
pode apresentar cheiros fortes, que afugentem as abelhas, sendo o pinho uma madeira
bastante recomendável (U.F.V., [200?]a).

Na pintura das caixas não poderá ser usada tinta normal, mas um composto a base de
própolis, óleo vegetal e álcool (FELICONIO, [200?]).

A cobertura das caixas da colméia não pode ser de amianto, devido à toxicidade deste
produto, ou qualquer outro material potencialmente poluente ou cuja produção seja
condenada pelas normas ambientais internacionais (AAO, 2004; FELICONIO, [200?]). A
AAO (2004) recomenda telhas de barro, zinco ou outro material atóxico.

4.3.4 Povoamento da colméia

O desenvolvimento da cera alveolada foi um importante ponto no aperfeiçoamento da


apicultura moderna. Com este material o produtor poupa trabalho de suas abelhas e ganha
tempo na produção de mel. A cera alveolada é uma lâmina de cera de abelha prensada,
que apresenta, de ambos os lados, o relevo de um hexágono do mesmo tamanho do
alvéolo, que servirá de guia para a construção dos alvéolos dos favos. A cera é fixada por
meio do arame que corre por dentro dos quadros (PORTAL SÃO FRANCISCO, [200?]a).
Na prática da apicultura orgânica, a cera alveolada usada nos quadros, para início da
produção, deverá ser oriunda de apiário de confiança do apicultor orgânico, no qual não

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são utilizados materiais e substâncias proibidas (AAO, 2004).

Segundo Pereira et al. (2003), para povoar o apiário, o apicultor poderá comprar colméias
povoadas, dividir famílias fortes ou capturar enxames.

No caso da captura passiva (caixa isca), durante as épocas de enxameação (períodos


naturais de divisão e deslocamento de enxames), o apicultor deve distribuir algumas caixas
de colméia, com três a cinco quadros com cera alveolada, perto de fontes de água, sobre
árvores ou tocos com altura entre 1,5 e 2 metros, para que fiquem mais visíveis aos
enxames. A cada 10 a 20 dias deve-se verificar se houve povoamento nas caixas isca e
após a verificação da captura do enxame, deve-se proceder ao transporte das iscas para o
apiário (PEREIRA et al., 2003).

Ativamente, podem ser capturados enxames migratórios ou fixos. Um enxame migratório


de abelhas (em forma de cacho, no qual o apicultor não notará a presença de favos) pode
estar instalado provisoriamente em árvores, por exemplo. A captura ativa neste caso pode
ser feita colocando-se a caixa de coleta, contendo cera alveolada, sob o enxame e
sacudindo as abelhas. A caixa deve ser fechada imediatamente e transportada para o
apiário (PEREIRA et al., 2003).

No caso de coleta de enxame fixo é necessário retirar os favos e transferi-los para a


colméia. Para tal, deve-se aplicar bastante fumaça no local e cortar os favos, de forma a
encaixá-los na armação do quadro, fixando-os com um elástico ou barbante e tomando o
cuidado para que os favos cortados fiquem na mesma posição que estavam anteriormente.
Os favos com células de zangão e mel não devem ser aproveitados no enxame. A colméia
deve permanecer no mesmo local onde estava o enxame, com o alvado voltado para o
mesmo lado que a antiga entrada das abelhas, por três dias no mínimo (tempo necessário
para que as abelhas fixem os favos transferidos) (PEREIRA et al., 2003).

De acordo com Pereira et al. (2003), para facilitar a aceitação das abelhas à nova caixa, é
recomendável que o apicultor pincele em seu interior uma solução de própolis ou extrato de
capim-limão ou capim-cidreira (Cymbopogon citratus) ou esfregue um punhado de suas
folhas, deixando a madeira com um odor mais atrativo para o enxame.

Para início do povoamento da colméia orgânica, seja qual for a técnica utilizada, devem ser
consideradas as exigências para o desenvolvimento da apicultura orgânica.

De acordo com a AAO (2004), a aquisição de rainhas ou núcleos de abelhas deve ser feita
em apiário de confiança do produtor orgânico; é permitida a aquisição de enxames em
qualquer região, mas é vedada a comercialização do mel da primeira colheita de enxames
provenientes de regiões de agricultura convencional. É permitida a coleta de abelhas
silvestres, desde que se verifique a ausência de doenças nos enxames coletados e é
proibida a inseminação artificial.

4.3.5 Manejo produtivo das colméias

De acordo com Pereira et al. (2003), após a instalação, o apicultor deverá estar sempre
atento à situação das colméias, observando a quantidade de alimento disponível, a
presença e a qualidade da postura da rainha, o desenvolvimento das crias, a ocorrência de
doenças ou pragas, etc. Desse modo, muitos problemas podem ser evitados caso sejam
tomadas medidas preventivas, utilizando-se técnicas de manejo adequadas.

Segundo Pereira et al. (2003), quando a colméia é aberta devem-se separar os quadros,
que geralmente estão colados com própolis, e retirá-los um a um, a partir das
extremidades, para observar os seguintes aspectos:
 Presença de alimento (mel e pólen) e de crias (ovo, larva, pupa);

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 Presença da rainha, de forma que a simples verificação da ocorrência de ovos na
área de cria é indicativa de tal presença. A verificação de muitas falhas nas áreas
de cria é um indicativo de que a rainha está velha e, conseqüentemente, sua
postura está irregular;

 Existência de espaço suficiente para o desenvolvimento da colméia e


armazenamento do alimento. Quando a população está elevada e o espaço restrito,
a colônia tende a dividir-se naturalmente, enxameando;

 Sinais de ocorrência de doenças, parasitas ou predadores;

 Estado de conservação dos quadros, caixas, fundos, tampas e suportes das


colméias.
As revisões devem ser feitas somente quando necessário e com rapidez, de forma a
interferir o mínimo possível na atividade das abelhas, evitando causar desgaste ao enxame
(PEREIRA et al., 2003).

De forma geral, recomenda-se a revisão das colméias cerca de 15 dias após sua
instalação no apiário, no período anterior às floradas, com o objetivo de deixar a colméia
em ótimas condições para o início da produção e nos períodos de entressafra (PEREIRA et
al., 2003).

Os cuidados que os apicultores terão na produção do mel orgânico, têm que começar
desde a alimentação das abelhas até o processo de coleta do mel, que deve obedecer a
padrões de higiene (MIRANDA, 2004).

4.3.6 Equipamentos

A prática apícola requer alguns utensílios especiais, tanto para o preparo das colméias,
como para o manejo em si, sendo de suma importância o emprego correto desses itens
pelo apicultor, para que se possam garantir a produção racional dos diversos produtos
apícolas e a segurança de quem está manejando as colméias, assim como das próprias
abelhas (PEREIRA, et al., 2003).

Segundo Pereira et al. (2003), os principias equipamentos são:

 Fumigador: equipamento constituído de tampa, fole, fornalha, grelha e bico de pato.


Tem a função de produzir fumaça, sendo essencial para um manejo seguro. A
fumaça mascara o ferormônio responsável pela agressividade das abelhas
(WILSON, [200?]).
 Formão de Apicultor: utensílio de metal, com formato de espátula e uma das
extremidades com leve curvatura. É utilizado pelo apicultor para auxiliá-lo na
abertura da caixa (desgrudando a tampa), remoção dos quadros, limpeza e
raspagem da própolis das peças da colméia.

 Vassoura ou espanador apícola: uma pequena vassoura de mão utilizada para


remover as abelhas dos favos ou de outros locais sem machucá-las.

 Vestimentas: o uso da vestimenta apícola pelo apicultor é condição essencial para


uma prática segura. Composta de macacão, máscara, luva e bota, apresenta
algumas características específicas, como a confecção em tecidos grossos e a
coloração clara, de forma a não irritar as abelhas.

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Figura 22- Fumigador
Fonte: (PEREIRA et al., 2003)

Figura 23 - (A) Formão; (B) Vassoura


Fonte: (PEREIRA et al., 2003)

Figura 24- (A) Jaleco; (B) Luvas; (C) Botas


Fonte: (PEREIRA et al., 2003)

Na prática da apicultura orgânica todos os materiais utilizados, desde o manejo das


colméias até os produtos finais, devem ser de aço inox, cobertos com cera, ou feitos de
materiais atóxicos (MN PRÓPOLIS, [200?]a).

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4.3.7 Alimentação

Os nutrientes que as abelhas necessitam são retirados geralmente da água, do néctar e


do pólen das flores, mas também podem ser encontrados em outras substâncias usadas
pelas abelhas como alimento como caldo da cana-de-açúcar, sumo de caju, xarope de
açúcar, farelo de soja, entre outros. As abelhas necessitam de reservas de alimento
suficientes para atender a sua própria alimentação e das crias em desenvolvimento
(PEREIRA et al., 2003).

Em épocas de seca, nas quais ocorre escassez de néctar e pólen, é comum os apicultores
perderem seus enxames que, enfraquecidos em razão da fome, migram à procura de
condições melhores (PEREIRA et al., 2003).

A falta de alimento pode ocasionar a morte das abelhas ou seu enfraquecimento, o que
possibilitaria o surgimento de doenças e o ataque de inimigos naturais, como traça-da-cera,
abelhas tataíras (Oxytrigona sp.), formigas e o ácaro Varroa destructor (PEREIRA et al.,
2003).

A desnutrição das abelhas jovens prejudica o desenvolvimento do tecido muscular das


asas e das glândulas produtoras de enzimas que serão acrescentadas ao mel e à geléia
real. A falta da geléia real reduz a capacidade de postura da rainha e a sobrevivência da
cria (PEREIRA et al., 2003).

Variando de região para região, geralmente na época das secas, chuvas ou frio, deve ser
aplicada a alimentação suplementar. Nas revisões devem ser observadas as condições da
colméia e quando houver menos de dois quadros de mel na colônia, deve haver
alimentação complementar, a qual pode ser administrada em alimentadores individuais ou
coletivos (PEREIRA et al., 2003).

Em produções orgânicas, as abelhas devem contar com fontes suficientes de néctar


natural e pólen, bem como acesso à água, sendo a alimentação artificial exceção para
superar a escassez temporária de alimento, devida a condições climáticas anormais (AAO,
2004; MN PRÓPOLIS, [200?]a). Se for necessária, a alimentação das abelhas deverá ser
com produtos orgânicos, podendo ser utilizados mel, melaço, açúcar mascavo ou cristal de
origem orgânica, sal marinho ou extratos orgãnicos de ervas nativas (AAO, 2004;
FELICONIO, [200?]). No caso da utilização de alimentação suplementar, segundo a AAO
(2004), deve haver comunicação por escrito à instituição no prazo máximo de 48 horas.

4.3.8 Substituição das rainhas

Apesar da grande quantidade de abelhas presente na colônia, a vida útil de uma operária
gira em torno de 45 dias, o que leva a rainha à necessidade da reposição constante dessa
enorme massa populacional, submetendo-a a um desgaste a partir do qual as taxas
reprodutivas decaem. Em razão desses fatores, recomenda-se a substituição da rainha
anualmente (PEREIRA et al., 2003).

Por ser responsável pela transmissão de toda a informação genética à família, as


características dos indivíduos da colméia serão diretamente dependentes das qualidades
da rainha, tais como, alta taxa de postura, resistência a doenças e baixa tendência a
enxameação (PEREIRA et al., 2003).

Segundo Pereira et al. (2003), as novas rainhas poderão ser adquiridas de duas formas:
 Através da compra de criadores idôneos, tomando-se o cuidado para não adquiri-
las apenas de um fornecedor, garantindo, assim, uma maior variabilidade genética;

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 Através de criação própria. A criação de rainhas pode ser realizada de diversas
maneiras, exigindo do apicultor conhecimentos específicos para realizar com
sucesso esse manejo.
Segundo Bender, Pereira e Souza (2007), na apicultura orgânica o manejo com revisões
periódicas se faz necessário, sendo a troca das abelhas rainhas velhas por novas o
principal fator a ser observado.

4.3.9 Doenças e inimigos naturais das abelhas

Existem vários organismos que podem causar problemas para as abelhas, tanto na fase de
larva quanto na fase adulta. Algumas bactérias, fungos e vírus causam doenças que
afetam principalmente as larvas. Já as abelhas adultas são freqüentemente atacadas por
protozoários, ácaros e insetos. As doenças provocadas por tais organismos variam de
acordo com a região e com o tipo de abelha. No Brasil, de modo geral, a ocorrência e os
danos provocados por doenças e certas pragas são menores, devido à grande resistência
das abelhas africanas (PEREIRA et al., 2003).

As doenças nas colméias acarretam prejuízos como a diminuição da produção, pela


diminuição da própria população, e, mais gravemente, a perda total dos enxames
(PEREIRA et al., 2003).

Uma doença de destaque, que afeta crias de abelhas, é a cria pútrida, doença causada
pela ingestão de alimento contaminado com a bactéria Melissococus pluton, cujos
principais sintomas são o escurecimento e o cheiro pútrido (de material em decomposição)
das larvas. Tal doença não causa grandes prejuízos ao apicultor. No controle pode ser feita
a remoção dos quadros com cria doente e deve-se evitar o uso de equipamentos
contaminados quando manejar colméias sadias (PEREIRA et al., 2003).

Segundo Pereira et al. (2003), doenças em adultos são mais difíceis de ser diagnosticadas
em campo porque muitas vezes apresentam sintomas similares. Desse modo, para a
confirmação de doenças ou endoparasitoses, devem-se enviar amostras a laboratórios
especializados.

O sintoma geral da ocorrência de doenças em abelhas adultas é a presença de abelhas


mortas ou moribundas, rastejando na frente da colméia. Entretanto, esses sintomas
também ocorrem quando há intoxicação das abelhas por inseticidas (PEREIRA et al.,
2003).

Destacam-se os danos causados pelo ácaro Varroa destructor, o qual fica aderido
principalmente na região torácica das adultas, próximos ao ponto de inserção das asas.
Alimentam-se sugando a hemolinfa, podendo causar redução do peso e da longevidade
das abelhas e deformações nas asas e pernas. Pelo fato da maior resistência da abelha
africanizada a tal parasita, não se recomenda o uso de produtos químicos para o seu
controle. As colônias que apresentarem infestações freqüentes do ácaro devem ter suas
rainhas substituídas por outras provenientes de colônias mais resistentes (PEREIRA et al.,
2003).

Traças- da-cera, formigas e cupins, são, segundo Pereira et al (2003), os principais


inimigos naturais das abelhas.

Organicamente, não devem ser utilizados produtos químicos convencionais para o


tratamento das abelhas, como os antibióticos por exemplo. Caso as mesmas adoeçam,
estas deverão ser isoladas e devem ser aplicados tratamentos a base de ervas medicinais
ou homeopatia (FELICONIO, [200?]; MN PRÓPOLIS, [200?]a).

Segundo a AAO (2004), para o controle de pragas e doenças e desinfecção das colméias,
são permitidos:

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• Soda cáustica;
• Ácidos acético, oxálico, fórmico e lático;
• Óleos etéricos;
• Enxofre.

No tratamento da cria pútrida, Varroa destructor ou qualquer outra doença que afete o
enxame, é proibido o uso de penicilina ou qualquer outro antibiótico. Para controlar
formigas, é proibido o uso de produtos químicos. No tratamento da traça das colméias não
é permitida a utilização de naftalina, tetracloreto de carbono e cânfora (AAO, 2004).

4.3.10 Colheita

Na colheita do mel devem ser seguidos procedimentos que garantam não só a eficiência
do processo como também a qualidade do produto final. A colheita representa a primeira
fase crítica para obtenção da qualidade total, visto que será a primeira vez que o apicultor
terá contato direto com o mel, sendo o início de um longo processo de susceptibilidade do
produto, em relação às condições de manipulação, equipamentos, instalações e condições
ambientais (PEREIRA et al., 2003).

Durante toda a colheita devem ser seguidas recomendações que compõem um plano de
controle de qualidade, o qual pode ser empregado em várias fases da cadeia produtiva,
chamado Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle (APPCC). Tais recomendações
envolvem as vestimentas, fatores climáticos, ferramentas e transporte (PEREIRA et al.,
2003).

No caso das vestimentas, o ideal é que seja empregada uma roupa na colheita e outra
para o manejo das colméias (PEREIRA et al., 2003).

De acordo com a AAO (2004), são proibidos os repelentes convencionais usados por quem
coleta produtos apícolas orgânicos ou inspeciona as colméias.

Em relação aos fatores climáticos, a colheita do mel não deve ser realizada em dias
chuvosos ou com alta umidade relativa do ar, o que levaria a um aumento dos índices de
umidade no mel (PEREIRA et al., 2003).
É imprescindível que o apicultor tome alguns cuidados em relação ao uso da fumaça, para
que ela não deixe resíduos no mel, o que comprometeria sua qualidade final. Os cuidados
englobam a não utilização no fumigador de qualquer material que possa ser contaminante
ao mel e o não direcionamento direto da fumaça para os quadros de mel (PEREIRA et al.,
2003).

Na apicultura orgânica, para a produção de fumaça, deve ser usada madeira sem
tratamento químico ou materiais naturais, como palha de milho e outros. É proibido o uso
de combustíveis como álcool, querosene e gasolina para iniciar a combustão (AAO, 2004).

A colheita do mel deve ocorrer de forma seletiva, ou seja, ao efetuar-se a abertura das
melgueiras, o apicultor deve inspecionar cada quadro, priorizando a retirada apenas dos
quadros que apresentarem no mínimo 90% de seus alvéolos operculados (com uma fina
camada protetora de cera), sendo indicativo da maturidade do mel em relação ao
percentual de umidade (PEREIRA et al., 2003).

Para minimização dos esforços por parte do apicultor recomenda-se a utilização de


equipamentos de transporte das melgueiras. Todos os equipamentos utilizados para a
colheita do mel devem ser destinados apenas para esse fim, de forma a se evitar qualquer
possível contaminação do produto por substâncias presentes nesses utensílios (PEREIRA
et al., 2003).

Após a retirada da colméia, a melgueira deve ser colocada sobre um suporte com uma
base de aço inoxidável. Uma tampa deve ser colocada sobre a melgueira, impedindo o

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saque pelas abelhas e a sua indesejada presença excessiva nas melgueiras que serão
transportadas. Todo o material utilizado deve estar devidamente limpo ou ser
preferencialmente novo (PEREIRA et al., 2003).

O veículo de transporte não deve ter servido para o transporte recente de qualquer material
que possa ter deixado algum tipo de resíduo. A superfície da área de carga do veículo
deve ser revestida com material devidamente limpo e livre de impurezas, de forma a evitar
o contato das melgueiras diretamente com o piso. Devem ser utilizadas lonas que possam
cobrir as melgueiras, evitando a contaminação do mel por poeira, terra e outras sujidades
(PEREIRA et al., 2003).

Durante a etapa de colocação das melgueiras no veículo, recomenda-se que ele não
permaneça sob a incidência direta do sol, o que influenciaria negativamente a qualidade do
mel (PEREIRA et al., 2003).

4.3.11 Extração e processamento do mel

Durante a extração e o processamento do mel, a manipulação do produto deve ser


realizada de forma higiênica e segura, garantindo ao consumidor a qualidade do produto
final. É indispensável que esses procedimentos sejam realizados em instalações
adequadas (PEREIRA et al., 2003).

O local destinado para a extração do mel normalmente denomina-se "casa do mel". Para o
seu processamento, o local indicado é o entreposto de mel, embora essa etapa possa ser
executada também na casa do mel, caso esta apresente as condições e o
dimensionamento recomendado (PEREIRA et al., 2003).

A estrutura da casa do mel caracteriza-se pela construção e disposição simples, constando


de área de recepção do material do campo (melgueiras) separada da área de manipulação,
área de processamento do mel (podendo ser subdividida, conforme a etapa de
processamento), área de envase, local de armazenagem do produto final e banheiro em
área isolada (externa ao prédio) (PEREIRA et al., 2003).

Os equipamentos e utensílios devem ser específicos para a utilização na atividade apícola,


não cabendo qualquer forma de adaptação. Todos os equipamentos, como mesa
desoperculadora, equipamentos desoperculadores, centrífugas, peneiras, baldes,
decantadores e homogeneizadores, cada um relacionado a uma fase do processamento,
devem ser de aço inoxidável (PEREIRA et al., 2003).

Todas as etapas do processamento e da extração devem ser realizadas de forma


higiênica, seguindo-se normas de Boas Práticas de Fabricação de Alimentos (BPF)
(PEREIRA et al., 2003).

A higiene do ambiente e dos equipamentos consiste basicamente nas etapas de limpeza,


destinada à remoção dos resíduos orgânicos e minerais presentes nas superfícies do
ambiente e equipamentos, e de sanificação cuja finalidade é remover dos equipamentos a
carga microbiana, reduzindo-a a níveis satisfatórios (PEREIRA et al., 2003).

No caso da apicultura orgânica, na limpeza e desinfecção das intalações, são permitidos


detergentes biodegradáveis, soda cáustica e sabão e para limpeza dos materiais e
equipamentos de contato com o mel, devem ser utilizados água fervente, vapor e sabão de
coco (AAO, 2004).

Segundo a AAO (2004), os equipamentos para extração e processamento dos produtos


apícolas orgânicos devem ser construídos com material inoxidável. As superfícies do
equipamento de contato com o mel devem ser de aço inoxidável ou recobertas com
camadas de cera obtida em apiário orgânico.

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Após a desoperculação dos favos (retirada da cera), os quadros são encaminhados para a
centrifugação, processo através do qual o mel é extraído. Uma vez extraído, o mel pode
ser retirado da centrífuga e levado à filtração. Após a filtragem, o mel é encaminhado para
o decantador, onde "descansará", por, pelo menos, 48 horas, a fim de que as eventuais
partículas que não foram retiradas pela filtragem e as bolhas criadas durante o processo se
desloquem para a porção superior do decantador, sendo retiradas posteriormente durante
o procedimento de envase (PEREIRA et al., 2003).

No caso da necessidade da homogeneização do mel, este segue, após a decantação, para


o homogeneizador por sistema manual ou por sistema mecanizado (PEREIRA et al., 2003).

Na transferência do mel para o decantador e no momento do envase, deve-se evitar o


aparecimento indesejável de bolhas, executando-se os procedimentos de forma lenta e
posicionando os recipientes ligeiramente inclinados, fazendo com que o mel escoe pela
parede da embalagem (PEREIRA et al., 2003).

No caso do mel orgânico, depois de retirado, o produto ainda precisa estar dentro de
especificações técnicas, como conter no máximo 19% de água e não ser aquecido acima
de 42ºC. Isso porque, com o excesso de água, o produto pode fermentar e, aliado à alta
temperatura, destrói substâncias orgânicas do mel, importantes principalmente para a
saúde humana (AAO, 2004; REVISTA RURAL, 2008).

Cuidados especiais devem ser tomados em relação ao armazenamento, tanto do mel a


granel (baldes plásticos e tambores) como do fracionado (embalagens para o consumo
final), em relação à higiene do ambiente e, principalmente, em relação ao controle da
temperatura (PEREIRA et al., 2003).

No que diz respeito às embalagens, devem ser utilizadas somente embalagens próprias
para o acondicionamento de produtos alimentícios, preferencialmente novas, pois não se
recomenda a reciclagem de embalagens de outros produtos alimentícios. Atualmente, no
mercado, existem embalagens específicas para mel, com várias capacidades e formatos. O
mel destinado à exportação é geralmente embalado em tambores de metal, já o destinado
ao varejo pode ser embalado em plástico ou vidro (PEREIRA et al., 2003).

De acordo com a AAO (2004), no varejo, o mel orgânico deve ser comercializado em
recipientes de vidro. No atacado, poderão ser utilizados recipientes de plástico, desde que
sejam atóxicos.
As embalagens para comercialização do mel orgânico devem ser aprovadas pelos órgãos
competentes e homologadas pelas certificadoras, medidas estas precisam ser adotadas
contra a contaminação (REVISTA RURAL, 2008).

É importante lembrar que por se tratar por um segmento de mercado voltado para comércio
exterior, a preocupação com os procedimentos higiênicos e sanitários durante o processo
de produção e manipulação devem ser ainda maior, principalmente os relativos à
implantação das Boas Práticas de Fabricação (BPF), dos Procedimentos Padrões de
Higiene Operacional (PPHO) e a Análise dos Perigos e Pontos Críticos de Controle
(APPCC) (OLIVEIRA; SEABRA, 2006).

4.3.12 Produção e processamento dos demais produtos

4.3.12.1 Pólen

O pólen coletado, na verdade, são as bolotas trazidas pelas abelhas campeiras, não o que
é depositado nos alvéolos das coleias. Para essa coleta, empregam-se armadilhas
chamadas de caça-pólen, constituídas por uma grade e uma gaveta. As abelhas passam
apertadas pela grade e acabam perdendo a bolota de pólen, que cai dentro da gaveta. As
abelhas não têm acesso à gaveta, que é protegida por uma tela mais fina (CRIAÇÃO DE
ANIMAIS,2008).

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Há dois modelos básicos de caça-pólen, o de alvado e o interno. O de alvado é colocado
na frente da entrada da colméia, tem uma capacidade menor e deve, portanto, ser
esvaziado mais freqüentemente. O interno é posicionado entre o fundo da colméia e o
ninho e tem uma capacidade maior (CRIAÇÃO DE ANIMAIS,2008).

Não é recomendável que o tempo de permanência da armadilha de pólen seja muito


grande, pois as abelhas necessitam deste material para alimentar as larvas mais velhas e
as abelhas jovens que, por sua vez, dependem dele para produzir as secreções
hipofaringeanas e mandibulares que alimentam as larvas jovens e a rainha. Além disso, as
abelhas não fazem grandes estoques de pólen como fazem com o mel. Recomenda-se,
portanto, que o apicultor observe a resposta das abelhas em relação à falta do pólen para
que se possa determinar o correto período de ação da armadilha (CRIAÇÃO DE
ANIMAIS,2008).

Após a colheita, caso pólen não possa ser seco imediatamente, ele deve ser congelado. A
etapa de secagem é a mais importante. O pólen possui de 18 a 25% de umidade, um nível
que deve ser reduzido até cerca de 3%, para impedir o desenvolvimento de fungos e
fermentos. A limpeza do pólen, manual ou mecanizada também é muito importante. Por
fim, a armazenagem deve ser feita em recipiente hermeticamente fechado, para que não
haja nenhuma contaminação (CRIAÇÃO DE ANIMAIS,2008).

4.3.12.2 Própolis

Para produzir própolis, o apicultor cria frestas na colméia ou insere algum elemento que
induza as abelhas a cobri-lo de própolis. Para a indução da produção de própolis, a tampa
pode ser levantada por meio de pequenos calços, podem ser introduzidas telas abaixo das
tampas ou podem ser utilizados equipamentos especiais, de maior facilidade de uso e
rendimento. Entre os dispositivos disponíveis, há vários que usam melgueiras com paredes
externas especiais, que permitem a abertura progressiva de frestas, por meio de barras ou
janelas deslizantes. Estes elementos ou equipamentos podem ser mantidos por tempo
indeterminado, desde que o enxame esteja suficientemente alimentado e forte (CRIAÇÃO
DE ANIMAIS,2008).

Na colheita, deve ser feita a limpeza manual da própolis, para eliminação de lascas de
madeira (oriundas da raspagem), pedaços de abelhas e resíduos vegetais (CRIAÇÃO DE
ANIMAIS,2008). Deve-se ter o cuidado de fazer a raspagem utilizando-se materiais
inoxidáveis e de evitar a retirada de pedaços de madeira com tinta da pintura da colméia
(OLIVEIRA; SEABRA, 2006).

A secagem da própolis deve ser na sombra, durante 3 a 4 dias, colocada sobre panos
limpos. Os manipuladores devem utilizar usar luvas e máscaras (OLIVEIRA; SEABRA,
2006).

A própolis deverá ser classificada como de primeira qualidade (própolis em grandes flocos
ou tiras); de segunda qualidade (própolis granulada) e de terceira qualidade (própolis
pulverizada) (CRIAÇÃO DE ANIMAIS,2008).

Algumas substâncias presentes na própolis evaporam-se ou degradam-se com facilidade.


Desta forma, é importante que a própolis seja armazenada em recipientes hermeticamente
fechados, como vidros e plásticos atóxicos. Depois de embalada, a própolis deve sofrer um
resfriamento intenso (um dia no freezer, por exemplo), a fim de esterilizar possíveis ovos de
traça. Após o resfriamento, os recipientes devem ser guardados em local fresco, seco e
escuro, sem necessidade de refrigeração. A própolis pode ser comercializada na forma
bruta ou sob a forma de extrato alcoólico ou aquoso (CRIAÇÃO DE ANIMAIS,2008).

O pólen e a própolis podem ser obtidos ao mesmo tempo em que o mel, porém no caso do
cultivo concomitante, nenhum dos produtos será obtido de forma otimizada. Quando um

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produto falta na colméia, um número maior de abelhas passa a buscá-lo na natureza. No
caso do pólen, utilizando-se a armadilha coletora, muitas abelhas provavelmente deixarão
de colher néctar para colher pólen, o que resultará numa produção do mel inferior à
capacidade do enxame em condições normais (CRIAÇÃO DE ANIMAIS,2008).

Figura 25 – Processamento da própolis


Fonte: (MN PRÓPOLIS, [200?]b)
4.3.12.3 Cera
Quantidades relativamente pequenas são produzidas a partir do derretimento dos favos
velhos que foram substituídos e também dos opérculos que resultaram da extração do mel,
de forma que se o objetivo principal for a produção de cera, as colônias deverão ser
alimentadas abundantemente com xarope, a fim de estimular a produção dos favos
(CRIAÇÃO DE ANIMAIS,2008).

A cera produzida pode ser derretida, a fim de ser vendida bruta ou processada. Um
processamento possível, extremamente importante para a apicultura, é a laminação e
estampagem da cera, para produção de lâminas alveoladas. Outra utilidade é a produção
de favos completos, para uso na safra de mel (CRIAÇÃO DE ANIMAIS,2008).

Um equipamento relativamente eficiente para derreter favos de mel limpos e opérculos é o


derretedor solar, uma espécie de caixa confeccionada em madeira e que contém uma
tampa de vidro, a qual recebe a luz solar. No fundo da caixa são posicionados coletores da
cera derretida. Quando o volume de cera é maior, pode ser utilizado um derretedor a vapor.
Os recipientes para o derretimento da cera deverão ser confeccionados em aço inox
(CRIAÇÃO DE ANIMAIS,2008).

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No caso de serem utilizados favos de crias, os quais contêm restos de casulos nos
alvéolos e uma cera impregnada por impurezas e, por isso, mais escura, a cera precisa ser
filtrada enquanto estiver derretida, a fim de que as impurezas mais grosseiras sejam
separadas. No derretedor a vapor, normalmente já há uma tela para filtragem das
impurezas. No derretimento solar podem ser utilizadas telas filtradoras (CRIAÇÃO DE
ANIMAIS,2008).

Qualquer filtragem da cera em equipamento caseiro dificilmente conseguirá limpar a cera


convenientemente. Quando for derretida em água quente, o processo pode melhorar
bastante se a cera filtrada for mantida líquida pelo maior tempo possível. Desta forma
ocorre a decantação da cera e os detritos mais leves ficam na superfície, o que facilita sua
retirada. Recomenda-se que o tempo de permanência da cera derretida em água a 75-80
ºC seja de no mínimo 8 horas, no mínimo (CRIAÇÃO DE ANIMAIS,2008).

Dependendo da qualidade da cera derretida, os produtores de lâminas atribuem-lhe um


valor bastante variável, entregando entre 60 e 85% do peso da cera bruta em lâminas
(CRIAÇÃO DE ANIMAIS,2008).

4.3.12.4 Geléia real

Na produção de geléia real, basicamente, é feita a orfanação de um enxame forte, seguida


do enxerto de larvas de 12 a 36 horas, num quadro com cúpulas artificiais, que é
introduzido na colméia. Três dias depois, o quadro pode ser recolhido, as larvas
descartadas e a geléia real retirada. Cada cúpula fornece entre 200 e 300 mg de geléia
(CRIAÇÃO DE ANIMAIS,2008).

O produto deve ficar protegido da luz, em ambiente refrigerado, inclusive congelado. A


geléia real também pode ser desidratada por liofilização (CRIAÇÃO DE ANIMAIS,2008).

4.3.12.5 Apitoxina

Por meio de um equipamento composto por uma tela metálica e uma membrana. A tela
metálica é carregada eletricamente, o que provoca um pequeno choque nas abelhas e
leva-as a ferroar a membrana e depositar ali o veneno. A membrana cede o suficiente para
que o ferrão não seja arrancado, evitando assim a morte da abelha (CRIAÇÃO DE
ANIMAIS,2008).

Pela pequena quantidade de veneno de cada abelha, o rendimento é muito baixo - um


grama é obtido a partir de 100.000 ferroadas. E o processo de estimulação acaba
estressando muito o enxame, que se torna agressivo. Por essas razões, o valor do veneno
é muito alto (CRIAÇÃO DE ANIMAIS,2008).

4.3.13 Aspectos ambientais e sociais

Assim como toda prática orgânica, a apicultura deve ser baseada em princípios
agroecológicos que contemplem o uso responsável do solo, da água, do ar e dos demais
recursos naturais, respeitando as relações sociais e culturais (PREFIRA ORGÂNICOS,
[200?], REVISTA RURAL, 2008).

Questões relacionadas com a qualidade de vida do produtor envolvido, como as relações


empregatícias, sociais e familiares, da sua relação com sua realidade local e
sustentabilidade do meio ambiente rural, devem ser consideradas de extrema importância
pelos organismos certificadores e empresas ou grupo de produtores, sendo tão relevantes
quanto as questões comerciais (CAMARGO, [200?]).

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Devem ser respeitadas as legislações trabalhistas e ambientais vigentes (REIS, 2003;
REVISTA RURAL, 2008).

5 CERTIFICAÇÃO

A certificação da produção como orgânica, para qualquer tipo de alimento, fornece ao


consumidor a certeza de estar adquirindo um produto isento de qualquer tipo de
contaminação química. Além do fator alimentação segura, a certificação pode assegurar
que o produto é resultado de um sistema de produção que causa os menores impactos
negativos possíveis ao meio ambiente, mantendo as características nutricionais e
biológicas dos alimentos obtidos. Dessa forma, assegura condições de vida mais
satisfatórias para quem reside nas áreas rurais e nas cidades (PLANETA ORGÂNICO,
2003).

O processo de certificação orgânica ultrapassa a área comercial, pois considera não


apenas os sistemas de obtenção de produtos isolados e sim processos mais sustentáveis
ecologicamente e socialmente responsáveis (PLANETA ORGÂNICO, 2003).

A certificação tem importância estratégica para o mercado orgânico, uma vez que permite
ao produtor a obtenção de produtos diferenciados, que, por tal característica, podem gerar
mais lucro. Além disso, a certificação serve como atestado de qualidade junto aos
possíveis consumidores, diminuindo o risco de ocorrerem fraudes (MACHADO, 2008).

Produções orgânicas certificadas são mais eficientes devido à exigência de planejamento e


documentação criteriosos por parte da certificadora (MACHADO, 2008).

Um benefício indireto da certificação é a promoção e divulgação dos princípios da


agricultura orgânica junto a toda a sociedade favorecendo, dessa maneira, o aumento do
interesse pelo consumo de alimentos orgânicos (MACHADO, 2008).

Existem várias entidades certificadoras prestando serviços no Brasil (Anexo), entretanto,


nem todas possuem o reconhecimento por parte de entidades internacionais
(governamentais ou não) para que a exportação dos produtos certificados por elas seja
possível (REIS, 2003). No Brasil o Instituto Brasileiro de Biodinâmica (IBD) é a instituição
certificadora dos produtos orgânicos credenciada pela International Federation of Organic
Agriculture Movements (IFOAM) (REIS, 2003).

A certificação pode ser obtida tanto de forma individual como coletiva, através de
associações, grupos ou consórcios de produtores (SEBRAE [200?]a).

Durante o processo de certificação da apicultura orgânica todas as etapas da produção são


auditadas, desde o pasto apícola (nativo ou implantado) até o processamento, envase e
armazenamento do produto na propriedade produtora. É, portanto, o apiário como um todo
que recebe a certificação, a partir da qual o proprietário poderá comercializar o mel ou
outros produtos apícolas com o selo de orgânico (FELICONIO, [200?]).

De acordo com Harkaly (2004 apud Bender, Pereira e Souza, 2007), o mel orgânico deve
ser produzido dentro das normas técnicas aceitas pela Associação de Agricultura Orgânica
(AAO), que é um sistema de produção agropecuário que não utiliza insumos sintéticos e
persistentes ao meio ambiente. Para ser reconhecido como orgânico, a produção deve ser
fiscalizada e certificada pelas certificadoras, que através de um selo de qualidade,
garantem que o produto final foi produzido de acordo com as normas internacionais da
AAO.

De acordo com a Associação Paulista de Apicultores Criadores de Abelhas Melíferas


Européias – APACAME ([200?]b), o sistema da certificação orgânica abrange além de um
controle oficial da gerencia de controle de qualidade, também a garantia de origem do
produto, a rastreabilidade da cadeia produtiva e comercial e a aprovação de insumos

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utilizados no manejo das abelhas como no tratamento dos produtos.

De acordo com Oliveira e Seabra (2006), se o processo produtivo do mel for adequado às
exigências para certificação orgânica, além de ampliar as possibilidades de mercado, o
apicultor obterá na sua renumeração um valor prêmio acrescido ao preço do mercado, por
se tratar de um produto “verde” ou orgânico.

6 LEGISLAÇÃO

A seguir, relacionam-se as legislações pertinentes à pratica da apicultura e à agricultura


orgânica:

 Instrução Normativa n°11, de 20 de Outubro de 2000. Aprova o Regulamento


Técnico de Identidade e Qualidade do Mel;

 Decreto n° 6.323, de 27 de dezembro de 2007. Regulamenta a Lei no 10.831, de 23


de dezembro de 2003, que dispõe sobre a agricultura orgânica, e dá outras
providências;

 Lei n° 10.831, de 23 de dezembro de 2003. Define o que é e quais são as


finalidades dos sistemas orgânicos de produção;

 Instrução Normativa n° 64, de 18 de dezembro de 2008. Aprova o Regulamento


Técnico para os Sistemas Orgânicos de Produção Animal e Vegetal;

 Instrução Normativa Conjunta n° 18, de 28 de maio de 2009. Aprova o Regulamento


Técnico para o Processamento, Armazenamento e Transporte e Produtos
Orgânicos;

 Instrução Normativa n° 19, de 28 de maio de 2009. Aprova os mecanismos de


controle e informação da qualidade orgânica;

 Decreto n° 7048, de 23 de dezembro de 2009. Dá nova redação ao art. 115 do


Decreto n° 6323, de 27 de dezembro de 2007, que regulamenta a Lei n° 10.831, de
23 de dezembro de 2003, que dispõe sobre agricultura orgânica;

 Lei n° 1.283, de 18 de Dezembro de 1950. Dispõe sobre inspeção sanitária e


industrial dos produtos de origem animal.

Conclusões e recomendações

A apicultura orgânica prioriza a produção de alimento seguro, sem resíduos de


contaminantes químicos e a proteção do meio ambiente, além de contemplar aspectos
sociais dos envolvidos no processo e a melhoria de suas relações humanas e ambientais
com o local de produção.

A produção orgânica requer que todas as etapas do processo sejam documentadas e


comprovadas, de modo que as certificadoras possam acompanhar o processo durante as
visitas de fiscalização.

De acordo com a Lei n° 1.283, de 18 de Dezembro de 1950, a qual dispõe sobre inspeção
sanitária e industrial dos produtos de origem animal, o mel e cera de abelhas e seus
derivados estão sujeitos à fiscalização pelo Serviço de Inspeção Federal do Ministério da
Agricultura (SIF). Tal serviço dá a garantia ao consumidor da sanidade e segurança
alimentar do produto de origem animal que está sendo produzido.

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Segundo a legislação, todo o produto de origem animal, oriundos de sistemas
convencionais e orgânicos, deve ser inspecionado e receber o carimbo do Serviço de
Inspeção Federal do Ministério da Agricultura (SIF).

Recomenda-se a leitura complementar das Normas de Produção Orgânica da Associação


de Agricultura Orgânica (AAO)
(http://redeagroecologia.cnptia.embrapa.br/biblioteca/manuais-e-
guias/normas_producao_organica.pdf) e do Estudo sobre Rotulagem do Alimento Orgânico
(http://www.organicsnet.com.br/wp-content/uploads/cartilha-rotulagem.pdf).

Caso deseje iniciar um empreendimento no segmento apícola, recomenda-se um estudo


prévio de viabilidade técnico-econômica, a fim de conhecer melhor o capital necessário ao
investimento e o mercado consumidor que se deseja alcançar.

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Anexos

Contato de algumas certificadoras de produtos orgânicos:

Associação de Agricultores Biológicos – ABIO


Alameda São Boaventura, 770
CEP: 24120-191
Niterói - RJ
Tel: (21) 2625-6379
E-mail: contato@abio.org.br
Site: www.abio.org.br

Associação de Agricultura Natural de Campinas e região – ANC


Rua Maestro Florence, 30
Campinas – SP
CEP: 13075-010
Tel: (19) 3213-7759
E-mail: anc@correionet.com.br

BCS Öko-Garantie do Brasil


Rua Prudente de Moraes, 1428
Piracicaba – SP
CEP: 13419-260
Tel: (19) 3402-5340
E-mail: bcsbrasil@terra.com.br
Site: www.bcsbrasil.com

Ecocert Brasil
Rua Vereador Osni Ortiga, nº 949
Florianópolis – SC
CEP: 88062-450
Tel: (48) 3232-8033
E-mail: ecocert@ecocert.com.br
Site: www.ecocert.com.br

Associação de Certificação Instituto Biodinâmico – IBD


Rua Prudente de Moraes, 530
Botucatu - SP

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CEP 18602-060
Tel: (14) 3882-5066
E-mail: ibd@ibd.com.br
Site: www.ibd.com.br

Associação de Agricultura Orgânica


Avenida Francisco Matarazzo, 455, Prédio do Fazendeiro, sala 24, Parque da Água Branca
São Paulo SP
Tel: (11) 3875-2625
CEP 05001-970
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Nome do técnico responsável

Rosa Maria Beraldo


Ricardo Augusto Bonotto Barboza

Nome da Instituição do SBRT responsável

Universidade Estadual Paulista (SIRT-UNESP)

Data de finalização

19 mai. 2011.

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