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AULA 6 – MODERNIDADE E NECROPOLÍTICA

Texto: “O devir-negro no mundo” e “O sujeito racial” In: MBEMBE, Achille. Crítica da razão
negra. São Paulo: N-1, 2018: Perspectiva, 2018.

Introdução

O devir-negro do mundo

- Europa deixou de ser o centro de gravidade do mundo.

- “o pensamento europeu sempre tendeu a abordar a identidade não em termos de


pertencimento mútuo (copertencimento) a um mesmo mundo, mas antes da relação do
mesmo com o mesmo” (p.11)

- Raça = negro = vazio = loucura codificada

Vertiginoso conjunto

Três momentos:

1) Espoliação organizada e tráfico atlântico – negros = moeda = cifras


2) Nascimento da escrita = revoltas e revoluções (Haiti 1808)
3) Globalização do mercado = neoliberalismo = racionalização e lógicas empresariais

- Já não há trabalhadores, apenas nómades do trabalho (capacidade de ser explorado pelo


capital)

- empreendedorismo de si = cultura da imagem = sujeito preso no próprio desejo de narrativas


públicas da vida íntima como mercadoria.

- risco sistemático dos escravizados = norma ou quinhão de toda existência subalterna – o que
significa essa generalização? Quais as suas potências?

Capítulo 1

O sujeito racial

- razão negra designa: “figuras de saber; um modelo de exploração e depredação; um


paradigma da sujeição e das modalidades de sua superação e, por fim, um complexo psico-
onírico. Essa espécie de jaula enorme, na verdade uma complexa rede de desdobramentos, de
incertezas, de equívocos, tem a raça como armação” (p.27)

- raça = uma forma de representação primária = simulacros de superfície = figura de neurose


fóbica = alterocídio

- raça = desejo de vingança (fanon)


Fabulação e clausura do espírito

- colonialismo e fabulação (negro como o outro a ser salvo; resto; existência objetificada)

- transnacionalização da condição negra = consciência negra surge dessa dinâmica de


movimentação entre Europa – África – América

O substantivo “negro”

- Razão negra = fabulação, repetição

- Primeiro texto: Consciência ocidental do negro (Quem é esse?) = tudo que não é idêntico é
anormal = juízo de identidade

- Segundo texto: Consciência negra do negro (Quem sou eu?) = declaração de identidade =
instauração de arquivos (imagens e vestígios – gradil sankofa)

“[...] a escrita da história dos negros só pode ser feita com base em fragmentos, mobilizados
para dar conta de uma experiência em si mesmo fragmentada, a de um povo em pontilhado,
lutando para se definir não como um composto disparatado, mas como comunidade cujas
manchas de sangue são visíveis por toda superfície da modernidade” – trabalho performático

- escrever a história é um ato de imaginação moral

Aparências, verdades e simulacros

- “para que possa operar enquanto afeto, instinto e speculum, a raça deve se converter em
imagem, forma, superfície, figura e, acima de tudo, estrutura imaginária” p.69

- racismo como força de deturpação do real; de substituição do que é pelo que não é

- racismo é um distúrbio psíquico: “para o racista ver o negro é ver que ele não está lá; que ele
não existe; que ele não é outra coisa que não o ponto de fixação patológica de uma ausência
de relação” p.69’

- manter-se protegido requer uma redistribuição do sensível e do afeto, da percepção e da


palavra (p.73)