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PASTEURELOSE PULMONAR

INTRODUÇÃO
As patologias respiratórias estão entre os problemas de maior relevância econômica na
suinocultura moderna. A maioria tem causas infecciosas, de origem bacteriana ou viral. O
diagnóstico dessas enfermidades se baseia principalmente no exame clínico dos animais afetados,
características epidemiológicas do surto e nas lesões presentes em animais mortos pela infecção
ou sacrificados para diagnóstico. A confirmação do diagnóstico laboratorial depende quase que
exclusivamente do isolamento do agente causal ou de sua demonstração através de técnicas
imunológicas. Existe uma dificuldade básica no diagnóstico bacteriológico das infecções do trato
respiratório, que se relaciona com o fato de ser esse um ambiente contaminado por ampla
variedade de microorganismos comensais. Por ser uma extensão do ambiente externo, as vias
respiratórias são constantemente expostas ao contato e colonização por microorganismos em
suspensão no ar atmosférico.

Um agente importante e prevalente como causa de diferentes infecções respiratórias em suínos é


a Pasteurella (P.) multocida. As do tipo capsular D estão envolvidas na etiologia da rinite atrófica
progressiva (Figura 1) e as do tipo capsular A são consideradas agentes complicadores de
processos pneumônicos, principalmente aqueles que resultam em pleurite.

Figura 1: As cepas toxigênicas de P. multocida produzem citotoxinas que inibem a atividade


dos osteoblastos e promovem a reabsorção dos cornetos nasais. Fonte: site quizlet.com

Nos últimos anos muitos autores têm relatado a presença de P. multocida em pulmões de suínos
em diversos países, em vários tipos de clima e condições de criação. A importância da bactéria
como agente primário de pneumonia em suínos tem sido bastante discutida. O microorganismo é
incapaz de agir como patógeno primário, necessitando da interação com outros agentes para
produzir pneumonia (como adenovírus, vírus da Peste Suína Clássica, vírus da PRRS,
Mycoplasma hyopneumoniae e vírus da Doença de Aujeszky – Figura 2). Entretanto, de acordo
com os mesmos autores, o isolamento de P. multocida a partir de lesões pneumônicas de suínos
abatidos em frigorífico comprova a importância desse microorganismo em pneumonias nessa
espécie animal.
Figura 2: Pulmões de um suíno acometido por co-infecções. Fonte: site www.pig333.com

No Brasil, é cada vez maior o número de isolamentos de cepas dessa bactéria a partir de pulmões
de suínos com pneumonia e pleurite. Esse fato tem sido comprovado pelo crescente número de
diagnósticos em nosso meio.

A bactéria cresce com facilidade nos meios usuais de laboratório, mas a simples presença da
mesma não tem significação diagnóstica, pois o agente faz parte da microbiota anfibiôntica (flora
normal) das narinas, mas não é considerado parte da microbiota normal do pulmão. Para
determinar a significação dos isolados do pulmão, é necessária a determinação da patogenicidade,
o que requer o uso de provas de difícil realização.

Sob o ponto de vista econômico, as doenças respiratórias representam um dos principais


problemas nas granjas de suínos. Os prejuízos acarretados pelas mesmas são decorrentes não
somente da mortalidade de animais, mas também do retardo no desenvolvimento dos animais,
desuniformidade dos lotes, condenação de carcaças no frigorífico e gastos com medicamentos. Na
indústria, as perdas se relacionam com condenações ou utilização condicional das carcaças. É
estimada uma perda de 37,4 g/dia de ganho de peso para cada 10% de hepatização pulmonar
presente à necropsia.

INFECÇÃO EM SUÍNOS
Em suínos, a P. multocida é um habitante normal da cavidade nasal e um dos agentes etiológicos
de uma forma de infecção do trato respiratório superior, conhecida como rinite atrófica progressiva.
Nessa enfermidade somente cepas toxigênicas de P. multocida, sozinhas ou em associação com
outros fatores, como infecção prévia por Bordetella bronchiseptica, são capazes de causar o
problema.

A pneumonia por P. multocida em suínos frequentemente ocorre como estágio final de pneumonia
enzoótica, sendo essa síndrome uma das mais comuns e que provoca maiores prejuízos em
criações de suínos mantidos em confinamento.

A epidemiologia da infecção por P. multocida ainda não está completamente esclarecida, porém é
sabido que o agente está presente em quase todas as granjas de suínos e pode ser isolado da
cavidade nasal de animais sadios. Ainda que a transmissão por aerossol possa ocasionalmente
ocorrer dentro de uma granja, provavelmente a transmissão por contato seja a forma mais comum.
Existem diferentes fontes da bactéria, como camundongos, outros roedores e galinhas. Eles
frequentemente estão infectados com P. multocida, dificultando ou mesmo impossibilitando manter-
se uma granja livre do agente.

Os sinais clínicos variam em severidade, dependendo da amostra de P. multocida e do grau de


imunidade do animal. Três formas clínicas: aguda, subaguda e crônica:
• A forma aguda de pneumonia causada pela P. multocida frequentemente está associada a
amostras do sorotipo B, sendo que a mortalidade pode ser alta (5 a 40%). Este tipo de infecção
é rara em suínos.
• A forma subaguda está associada com amostras que produzem pleurite. Nesse caso, tosse e
respiração abdominal podem ser observadas em animais na fase de crescimento e terminação.
Clinicamente, a doença pode ser confundida com a pleuropneumonia, causada por
Actinobacillus pleuropneumoniae, porém geralmente não ocorre morte súbita.
• A forma crônica é a mais comum e se caracteriza por tosse ocasional, comumente entre 10 a
16 semanas de idade. Os sinais são indistinguíveis daqueles causados pela infecção simples
pelo Mycoplasma hyopneumoniae, sendo que a P. multocida representa uma continuação e
exacerbação da micoplasmose primária.

As lesões ocorrem na cavidade torácica, com consolidação do pulmão. A porção afetada apresenta
coloração de vermelho a cinza (Figura 3). Em casos severos pode ser observada pleurite e a
presença de abscessos, com aderência da pleura à parede torácica.

Figura 3: Pulmões com pneumonia causada pela P. multocida. Fonte: micogen.ouhsc.edu

DIAGNÓSTICO
O diagnóstico é baseado no isolamento do agente ou na realização de testes para demonstração
da sua presença ou seus antígenos, como sorologia ou provas moleculares. O isolamento
normalmente é feito em meios enriquecidos, principalmente naqueles suplementados com soro ou
sangue.

A utilização de meios seletivos tem sido indicada por vários autores para aumentar a probabilidade
do isolamento da P. multocida a partir de secreções nasais e de pulmões, devido à sua freqüente
associação com outros microorganismos.

Com base nos antígenos capsulares, a P. multocida tem sido classificada em 5 grupos sorológicos
(A, B, D, E e F), sendo que os sorotipos A e D estão relacionados respectivamente com pneumonia
e rinite atrófica em suínos.
Deve ser feito o diagnóstico diferencial com outros agentes envolvidos em pneumonias como
Actinobacillus pleuropneumoniae, vírus da influenza, Mycoplasma hyopneumoniae e outros
agentes como o Streptococcus spp. (conforme Quadro 1).

Quadro1- Diagnóstico diferencial entre os principais agentes envolvidos em pneumonias em


suínos.

Texto compilado de Sandra Maria Borowski, X Congresso da ABRAVES - Porto Alegre-RS.

PRAZO
CODIGO EXAMES
DIAS
BACTERIOLOGIA SISTEMA RESPIRATÓRIO
Material: Swabs nasais e de pulmão ou cabeça e pulmão;
S51 Pesquisa: Actinobacillus pleuropneumoniae, Bordetella 5
bronchseptica, Haemophillus parasuis,
Pasteurella multocida e antibiogramas.
APP - MÉTODO ELISA
S56 3
Amostra: Soro
APP - MÉTODO TESTE BAHIA
S09 5
Amostra: Soro
Bordetella bronchiseptica
S64 2
Amostra: Soro
PMT - Pasteurella multocida TOXIGÊNICA
S05 2
Amostra: Soro
Mycoplasma hyopneumoniae - MH KIT IDEXX
S08 3
Amostra: Soro
PRRS – ELISA
S06 3
Amostra: Soro
HISTOPATOLOGIA – BIOPSIA
BIO 5
Amostra: Fragmento de órgão em formol 10%
IMUNOHISTOQUÍMICA PARA CIRCOVÍRUS
S83 5
Amostra: Fragmento de órgão em formol 10%

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