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PARVATI, A MÃE DOS VIAJANTES ESPIRITUAIS

Foi nas ondas serenas do samadhi (1)que eu a encontrei.

Ela surgiu nimbada de Luz à minha frente, em meio às estrelas cintilantes.

Ela nada disse, mas pelo Seu Olhar fui possuído por uma onda de doçura.

Fiquei paralisado, enquanto as ondas de Amor varriam o meu corpo espiritual (2).

Um turbilhão de cores suaves envolveu-me completamente.

No silêncio da Luz, Ela abençoou-me incondicionalmente.

Ela percebia completamente os meus defeitos e qualidades, de todas as vidas.

Ela via as luzes e sombras de um homem... E vertia o Amor em silêncio.

Ela abriu os braços e acolheu-me num abraço profundo.

E eu naveguei com as estrelas no colo da Mãe Divina...

Ali eu não era mais o homem dualista, era só Unidade e Amor.


Eu não era mais o homem adulto, era sua criança-ananda (3).

Ela me levou aos planos das consciências serenas em seu regaço.

No seio do silêncio interplanos, eu fui tocado pela alma dos rishis (4).

Vi várias de minhas vidas anteriores passando em frações de segundo...

As luzes e as sombras de um espírito.

As experiências e lições da vida.

Permeando a todas elas havia uma Luz intensa...

Um Sol de Amor silencioso velando e aguardando o momento do encontro estelar.

Era Ela! Aquela a quem os próprios rishis se curvam em respeito.

Aquela Mãe Divina da qual Ramakrishna (5) tanto falava.

A Mãe do samadhi, a senhora das estrelas radiantes, a Mãe dos iogues.

Aquela que brilha no lótus das mil pétalas sorrindo com Shiva.

Aquela que cativou o Mahadeva (6) com sua beleza e graça.

Ela, a Mãe dos viajantes espirituais que reencarnam na Terra.

A mesma Mãe que tocou Vyasa e Sukadeva, e velou por Shankara (7).

A Mãe do Amor Que Gera a Vida!

Ela, a Consorte de Shiva, que me abraçou como filho.

Parvati (8), a Mãe da alegria e senhora das energias.

Que com o seu olhar amoroso me disse:

“Viaje junto com os homens, lado a lado, como um igual.

Sente-se junto com eles e lhes fale de Espiritualidade e Amor.

Brinque com eles, faça-os sorrir no serviço e anime-os na jornada.

Projete as clarinadas da consciência cósmica em seus caminhos.

Ensine a eles a arte de prestar ajuda aos outros, no físico e no extrafísico...

Até eles despertarem para o Sol de Amor que os acompanha silenciosamente.

Até que os véus escuros que encobrem suas percepções sejam dissolvidos.

Então, finalmente eles voarão nas luzes eternas do samadhi.

Até lá, siga com eles em nome do Amor que interpenetra a todos.”

Parvati, a Mãe Graciosa que conquistou o coração de Shiva...

E que me tocou silenciosamente nas ondas serenas de um olhar amoroso.

Ela, o Sol que vela invisivelmente pelos viajantes espirituais.


Om Namah Parvatiai.

Paz e Luz.

- Wagner Borges – mestre de nada e discípulo de coisa alguma.

- Notas:

1. Samadhi- do sânscrito - expansão da consciência; estado de consciência cósmica.

2. Projeção da consciência – é a capacidade parapsíquica - inerente a todas as criaturas -, que


consiste na projeção da consciência para fora de seu corpo físico.

Sinonímias: Viagem astral – Ocultismo.

Projeção astral – Teosofia.

Projeção do corpo psíquico - Ordem Rosacruz.

Experiência fora do corpo – Parapsicologia.

Viagem da alma – Eckancar.

Viagem espiritual – Espiritualismo.

Viagem fora do corpo – Diversos projetores extrafísicos e autores.

Emancipação da alma (ou desprendimento espiritual) – Espiritismo.

Arrebatamento espiritual - autores cristãos.

3. Ananda – do sânscrito – estado de bem-aventurança; êxtase espiritual.

4. Rishis – do sânscrito – sábios espirituais; mestres da velha Índia; mentores dos Upanishads.

5. Paramahamsa Ramakrishna: mestre iogue que viveu na Índia do século XIX e que é
considerado até hoje um dos maiores mestres espirituais surgidos na terra do Ganges. Para se
ter uma idéia de sua influência espiritual, posso citar que grandes mestres da Índia do século
XX se referiram a ele com muito respeito e admiração, dentre eles o Mahatma Ghandi,
Paramahamsa Yogananda e Rabindranath Tagore.

6. Mahadeva – do sânscrito – Maha, Grande; Deva, Divindade - Grande Deus.

7. Vyasa é o mentor do épico "O Mahabharata" (que contém numa de suas seções o
"Bhagavad Gita" – "A Canção do Senhor" – que fala de Krishna e Arjuna).

Sukadeva é o filho do glorioso Vyasa (e considerado por muitos como um ser

de luz mais avançado do que o próprio pai).

Shankara foi o grande reformador do Hinduísmo no século IX d.C. (é autor do célebre livro
"Viveka Chuda Mani" – “A Jóia Suprema do Discernimento”).
8. Parvati – do sânscrito - no Hinduísmo, o Absoluto (Brahman) é subdividido em três aspectos
fenomênicos de manifestação: Brahma, o Criador; Vishnu, o Preservador; e

Shiva, o Transformador. Cada um dos três aspectos possui uma consorte divina

(sua shakti, ou manifestação feminina na criação).

Parvati é a consorte de Shiva. É a deusa da alegria e da energia. É um dos aspectos


fenomênicos da Mãe Divina.

O seu mantra é Om Namah Parvatiai (Ou, Om Parvatiye Namah).

Outros aspectos fenomênicos de sua manifestação: Kali, Durga, Devi, Tripurasundari,


Jagadamba, Uma.

Obs.: Deixo na sequência um texto que fiz recentemente em homenagem à Grande Compaixão
da Mãe Divina.

OM KARUNA!

Mãe Divina,

Eu senti o Teu acalanto secreto.

E Te agradeço por isso, de todo coração.

Tu me conheces muito bem e sabe o que me move na senda...

Na verdade, Tu me conheces melhor do que eu mesmo.

E, por isso, sempre me sustentou na Tua Luz.

Sem o Teu Amor me apoiando sutilmente, o que seria de mim?

A caravela da minha vida navega sob o Teu Céu estrelado...

Na ponta do mastro, tremula a bandeira da esperança.

O vento que insufla as velas do meu viver é o Teu Karuna!*

O meu tempo é o tempo que a Tua Vontade permitir...

E o meu coração só pulsa porque Tu estás nele.

Sim, é por Ti que estou na senda.

Ontem, hoje, amanhã, e sempre...

É por Ti, sempre por Ti.

Mãe Divina, o meu mantra para Ti é esse aqui:

“Om Gratidão Om!”


(Dedicado a Paramahamsa Ramakrishna, que está lá no Astral da África ajudando a muitos
irmãos em prova, e que dará aquela risada cheia de Sukha** quando ler essas linhas.)

Paz e Luz.

Sukha.

- Wagner Borges – mestre de nada e discípulo de coisa alguma.

São Paulo, 24 de maio de 2014.

- Notas:

* Karuna – do sânscrito, Compaixão Divina.

** Sukha – do sânscrito, contentamento espiritual.

*** Enquanto eu digitava essas linhas, rolava aqui no meu som o CD “Sweet Return” - do
harpista americano Hilary Stagg. E eu gosto muito da música “Reflections of Love” (segunda
faixa desse disco). Então, deixo na sequência o link do site do Youtube para quem quiser ouvir
essa pérola musical cheia de Sukha.

Hilary Stagg - “Reflections of Love” -

http://www.youtube.com/watch?v=Qb9jwZsJruQ

Obs.: Para enriquecer a explicação sobre os aspectos da Mãe Divina, reproduzo

logo abaixo o texto de um pesquisador do Hinduísmo.

ASPECTOS DA MÃE DIVINA

- Por T. M. P. Mahadeva -

Chamar Deus de Mãe Divina não é mais equivocado do que chamá-lo Pai Divino.

Desde o ponto de vista empírico, são necessários o macho e a fêmea para

explicar criação do mundo.

O shakta* põe ênfase sobre a feminilidade porque, enquanto a parte masculina da procriação
é fugaz e momentânea, a feminina é mais permanente e íntima.

A Mãe Suprema se sacrifica para converter-se no mundo. Por esse ponto de


vista, a concepção materna é mais importante do que a paternidade de Deus.

Ao mesmo tempo, o shakta bem sabe que, desde o ponto de vista transcendental, as
distinções sexuais não são aplicáveis ao Absoluto.

A palavra sânscrita “Matri” é feminina e masculina.

Assim se dirige o “Mahakala-Samhata”, a Divina Mãe em um hino:

“Não és menina, donzela e nem anciã.

Na verdade, não és feminina, masculina e nem neutra.

Tu és o poder inconcebível e incomensurável, o Ser de tudo que existe, isento de toda


dualidade, o Supremo Brahman, só acessível através da iluminação e da sabedoria.”

Om Shakti Maya Jagat!**

- Notas:

* Shakta - do sânscrito - adorador da Mãe Divina; adorador da Shakti.

** Om Shakti Mayam Jagat - do sânscrito - mantra que evoca a vibração da Mãe

Divina. Om - A vibração do Todo em tudo; O Verbo Divino.

Shakti – Poder Divino; Força Divina

Maya - A Mãe Divina no seu aspecto de plasmadora vital (sua manifestação nos planos
fenomênicos).

Jagat - o Universo.

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