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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA FAZENDA


PÚBLICA DA COMARCA DE SALVADOR-BA.

REBECA VITÓRA TEIXEIRA DE SANTANA,


brasileira, solteira, estudante, portadora do RG nº 15.817.826-24, inscrita no CPF nº
086.661.815-59, neste ato Representada por seu genitor Geraldo Elias Silva de Santana,
brasileiro, maior, casado, comerciante, portador do RG nº 01259615-96 SSP/BA, e
inscrito no CPF/MF sob o nº 248.465.975-04, residentes e domiciliados na Avenida Porto
dos Mastros, nº 1325, Condomínio Porto dos Saveiros, apartamento 103, Bloco 04,
Rlõeira, Salvador- BA, CEP nº 40.421-520, por seus advogados constituídos na forma de
procuração em anexo, com escritório profissional situado na Avenida Sete de Setembro,
71, Ed. Executivo, 7° andar, sala 709, Centro, CEP n 40.060-000, Salvador- BA, onde
recebeni intimações de praxe sob pena de arguirem nulidade processual, vem perante
Vossa Excelência impetrar o presente

MANDADO DE SEGURANÇA COM PEDIDO DE LIMINAR

Contra ato do DIRETOR DO CENTRO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO


PROFISSIONAL EM TECNOLOGIA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO, com
sede na Rua Euvaldo Leite, 30, Centro, Lauro de Freitas-BA, CEP nº 42700-000,
autoridade vinculada ao Governo do Estado da Bahia, pessoa jurídica de direito público
interno, inscrita no CNPJ nº 13.937.032/0001-60, pelos fatos e fundamentos adiante
delineados:
fls. 2

DOS FATOS

A Impetrante, demonstrando a sua competência e o seu conhecimento, independente de


sua idade, fui aprovada no vesnbuJar para o Curso de FARMÁCIA na Faculdade Estácio
de Sá, conforme Declaração de aprovada e demais documentos em anexo nesta exordial.
Informando ainda que a Impetrante também passou para o Curso de Direito na faculdade
DomPedroL

Contudo, a Impetrante não concluiu o ensino médio, sendo necessária a sua submissão ao
exame supletivo pelo CPA (Comissão Permanente de Avaliação), a fim de que, aprovada,
lhe seja possibilitada a matricula na instituição de ensino superior, ingressando no curso
para o qual foi aprovada.

Contudo, a Resolução CEE 138/2001 de 28 de dezembro de 2001 (doe. 04), em seu art.
9°, contrariando todos os preceitos normativos brasileiros que asseguram direito á
educação como prioridade absoluta para os jovens do nosso país, estabelece o aitério de
idade mínima de de7.0ito anos para que o interessado po~ submeter-se ao exame
supletivo pelo CPA.

Destarte, não contando com os 18 (dezoito) anos completos de idade, serve este mandado
de segurança preventivo a impedir a consumação da grave ameaça de lesão ao direito
liquido e certo da lmpetrante.

Vale ainda di7.er que a Impetrante procurou regularizar sua situação, conquanto idade,
tendo sido emancipada por seus genitores em Cartório competente, conforme 8.
dorumentação em anexo.

E vale informar a V. EX- que o curso médio da Impetrante que era até o 4° ano, mas o
referido curso atualmente é apenas até o 3° ano, não existe mais o 4º para os novos alunos,
mas um ponto a favor da referida para que possa fil7.er o CPA, e não seja prejudicada
podendo, destarte, cursar a faculdade para Fannácia ao qual foi aprovada.
lls. 3

A lmpetrante já está aprovada no 3º ano médio conforme prova com os anexos


documentos.

Aduz, em síntese, ter sido aprovada em vestfüular para o curso de Farmácia promovido
pela Estácio de Sá, sendo necessária a apresentação do certificado de conclusão do ensino
médio, com base na Lei nº 9394196 para cursar o nível superior.

Esclarece que pode obter o referido certificado submetendo-se aos exames supletivos nas
disciplinas do ensino médio no Colégio Impetrado realizado pela COMISSÃO
PERMANENTE DE AVALIAÇÃO- CPA

E ratifica seu direito liquido e certo e dos requisitos necessários ao deferimento da liminar
pleiteada. Lembrando que foi colacionada na peça entendimentos jurisprudenciais no
sentido da pretensão almejada.

Assim requer seja concedida a medida liminar, inaudita altera pars para que a autoridade
coatora seja compelida a submetê-la aos exames supletivos, nas disciplinas do ensino
médio, sendo avaliada pela CPA da referida instituição imediatamente, para dar tempo
ser matriculada na Faculdade.

II - DO DIREITO

O legislador, visando proteger direito liquido e certo de qualquer pessoa, fisica ou


jurídica., ante atos ilegais ou abusivos praticados por autoridades, tipificou no art. 1º da
lei nº 12.016, de 7 de agosto de 2009, a proteção desses direitos através do Mandado de
Segurança, senão vejamos:

Art. I ° Conceder-se-, mandado de segurança para proteger


direito liquido e certo não amparado por habeas corpus ou habeas
data, sempre que, ilegalmente ou com abuso de poder, qualquer
pessoa ffsica ou jurídica sofrer violação ou houver justo ~iode
sofrê-la por parte de autoridade, seja de que categona for ou
sejam quais forem as funções que exerça. (Grifo nosso).

a.
ns.4

Vale ressaltar que 8 segurança. Neste caso. não fui resguardada apenas quando já houve
uma violação efetiva da ImpetraDte, mas também quando há a ameaça de violação ao
direito do mesmo, caso em que também deve ser concedida.

A restrição levantada pela Resolução, que a autoridade coatora segue. Não possui critério
de justiça e está em desarmonia com a legislação hodierna, que busca a imerção da pessoa
o mais cedo possível no cenário educacional.

É importante ainda lembrar que o art. 208, V. da Carta Maior dispõe o seguinte:

"É dever do Estado garantir acesso aos níveis mais elevados do


ensino. da pesquisa e da criação artística, segundo a capacidade de cada um".

Da mesma maneira prevêm o art. 54, inciso V do Estado da Criança e do Adolescente e


o art. 4°, inciso V da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, citados a seguir ipsi
literis:

Art. 54. É dever do Estado assegurar à criança e ao


adolescente:
V - acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da
criação artística, segundo a capacidade de cada um;" (Estatuto da Criança e do
Adolescente)

"Art. 4° O dever do Estado com educação escolar pública será


efetivado mediante a garantia de :

V - acesao aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da


criação artistica, segundo a capacidade de cada um;" (Lei de Diretrizes e Bases da
Educação nacional)

Assevera-se que a capacidade pessoal da lmpetrante, bem como verificação do seu


aprendizado, é incontestável, capazes de fazerem-se no atingir nível mais elevado de
ensino, no momento em que ele, tio novo, obteve aprovação no exame vesttbular da
UCSAL, não podendo, portanto, ser tolhido desta oportunidade.
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TJ-BA ·á se manifestou favorável à concessão da segurança desta naturem em outros


0
julgados, ~ntirmando a semença de primeiro grau, ao passo que destacamos:

REEXAME NECESSÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA.


MENOR DE DEZOITO ANOS APROVADA EM
VESTIBULAR. POSSIBILIDADE DE CONCLUSÃO DO
ENSINO MÉDIO ATRAVÉS DE EXAME SUPLETIVO
PARA QUE SE GARANTA A VAGA ~ O À
FACULDADE DE ODONTOLOGIA, PRINCIPIO DA
RAZOABILIDADE, GARANTIA CONSTITUCIONAL DE
ACESSO AO NÍVEL MAIS ELEVADO DO ENSINO
SEGUNDO A CAPACIDADE DE CADA UM. FATO
JUIÚDICO CONSOLIDADO. TEORIA DO FATO
CONSUMADO, REEXAME NECESSÁRIO IMPROVIDO.
SENTENÇA MANTIDA.TRIBUNAL DE JUSTIÇA DA
BAHIA. QUINTA CÂMARA CÍVEL. REEXAME
NECESSÁRIO N" 39356/2009 (Grifo nouo)

CONSTITUCIONAL. ADMINISTRATIV. AGRAVO DE


INSTRUMENTO EM MANDADO DE SEGURANÇA.
MENOR DE 18 ANOS. APROVAÇÃO EM CONCURSO
VESTIBULAR. EXAME SUPLETIVO PARA EFEITO DE
CONCLUSÃO DO ENSINO MÉDIO. RECUSA DO ESTADO,
VIOLAÇÃO A DIREITO ÚQUIDO E CERTO
CONFIGURADA. DECISUM INCÓLUME. NÃO É
TERATOLÓGICA. NEM CONTRÁRIA A LEI. AGRAVO
IMPROVIDO. VIOLA DIREITO LÍQUIDO E CERTO DO
ADOLESCENTE, JÁ APROVADO EM CONCURSO
VESTIBULAR PARA INGRESSO EM INSTITUIÇÃO DE
ENSINO SUPERIOR, A RECUSA DA ADMINISTRAÇÃO
EM SUBMETÊ-LO POR MOTIVO DE IDADE, A EXAME
SUPLETIVO PARA EFEITO DE CONCLUSÃO DE ENSINO
MÉDIO DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU NEM
FUNDAMENTADA E PAUTADA NOS DITAMES LEGAIS,
NÃO DEVENDO SER MODMCADA. IMPROVIMENTO
DO AGRAVO (TJ-BA - AI: 1252582009 12525-8/2009,
ReJator: JOSEVANDO SOUSA ANDRADE, Data de
julgamento: 01 09/2009, Terceira Clman Civel)
ns. 6

. ecisão 00 processo nº 0003623-69.201 l.8.05.0229 que tramita


No mesmo sentido, em d que é Impetnmte Thaís Figueredo dos Santos e
do . • desta Comarca. em . lim'
ruüª Vara JU1ZO Ié . Antônio Olavo Galvão, foi concedida mar nos
Impetrado o Diretor do Co gio
seguintes term0s:

tensão da requerente se afigura relevante, portanto tendo


Agradpreo aprov...,
lo ª"ão no certame Vesa.bular junto à Escola Baiana de
D . ito necessita apresentar certidão de conclusão de curso de
ae
gundo• grau mediante avaliação pela Co1D1Ssão
· p ermanentede
:valiação- CPA do Impetrante, sob pena de perder a o~~dade
de se ver matriculada num curso superior, ante a resistência do
impetrado em atender o pleito conforme deduzido na exordial.

Com efeito, evidenciado os requisitos ensejadores da medida, onde


se faz presente o "famus boni iuris" e o "periculum in mora ",
defiro a liminar rogada para determinar que o Colégio impetrado
por seu Diretor submeta a Impetrante à Avaliação de forma a aferir
se esta encontra-se apta a dar continuidade à formação
universitária, superada a primeira fase com a barreira do vestibular.
(Grifo nosso)

A situação é a mesma, Excelência. Ademais, considerando que a lmpetrante só poderá


cursar o ensino superior mediante Certificado de Conclusão de Ensino Médio, o que é
suprido pela avaliação rea.Jiz.ada pela CPA, caso não seja esta realizada, oa adolescente
perderá, dessa maneira, a sua oportunidade de ouro, a qual só poderá ser garantida
mediante a prestação jurisdicional resultante desta demanda.

Assim sendo, resta co~rovada a existência de ameaça ao direito líquido e certo da


Impetrante. Passível de unpetração e posterior deferimento dos pedidos a seguir arrolados
no Presente Mandado de Segurança.

f~~~~ do exame, de responsabilidade da Comissão Permanente de


antes do p:modo d~~~~~~idaduentem.ente ª o~tenção do certificado
cu es onde os Ctnco foram aprovados.

CPA
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. ...:1:-k-:os são realizados na Bahia pelas Comissões


Os exames supletivos extrao.[WUAI• d
Permanentes de Avaliação (CPA), autorimdas pelo Conselho Estadualla ResoelEducaçãoCEE
. das Comissões também é regulamentado pe ução
(CEE). O func10namento
nº 138/2001 e Portaria SEC nº 12.23Sl2002-

Ao acolher O argumento utilizado pelos operadores do direito, o juiz entende que os


estudantes tem O direito à realização dos exames em datas que_garanta s~ ~ às
mculdades nas quais já haviam sido aprovados, levando ei:n, co~tderação o m~ 5 do
art. 208 da Comtituição. A norma prevê "o aces~o aos nívets ~ elevados do eosmo, da
pesquisa e da criação artística, segundo a capacidade de cada um .

DO PEDIDO LIMINAR
Conforme o art 7º, m da Lei 12.016/09, ao despachar a inicial, o juiz ordenará que se
suspenda o ato que deu motivo ao pedido, quando houver fundamento relevante e do ato
impugnado puder resultar a ineficácia da medida, caso seja finabnente deferida.

Diante o exposto, vê-se que o fundamento da presente impetração jurisdicional, uma ve.z
que do ato impugnado pode resultar a ineficácia da medida, caso seja deferida
somente ao final, pois se oio for deferida a medida liminar a tempo a Impetrante não
poderá apresentar a doewnentaçio exigida pela Universidade para realizar sua
matrícula em tempo hábiL

Assevera-se que dentre os documentos exigidos para a realização da matrícula na


Universidade, inclui-se o certificado de conclusão do ensino médio, que poderá ser
fornecido pela autoridade coatora, demonstrando, desta forma, a urgência na concessão
da medida ora requerida.

Outrosmn, também não é raz.oável que a aluna aguarde mais um ano, atrasando seus
estudos, para submeter-se a outro exame vestibular, sem a garantia de êxito, quando já
demonstrou a sua capacidade pessoal e aprendiz.ado suficiente para o ingresso na
Universidade, já obtendo aprovação no vestibular.

A.iro, presentes os requisitos, requer a V. EX- que, LIMINARMENTE assegure a


Imp~ 0 direito de realizar a prova e obter seu resultado junto à C o ~ Permanente
de Avaliação- CPA - em data a ser estipulada a critério de V. EX-.
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PEDIDO

a) Que notifique a autoridade coatora para, no prazo legal, preste u informaç6es


que achar necessárias;

b) Que seja dada ciência do feito ao órgão de representação judicial da pessoa


jurídica interessada para que, querendo ingresse no feito;

c) A intimação do Ilustríssimo Representante do Ministério Público, na forma do


art.12 da Lei 12.016/09;

d) Seja deferida a LIMINAR requerida para que se assegure a Impetrante o direito


de realir.ar e obter seu resultado junto à Comissão Permanente de Avaliação - CPA
- em data a ser estipulada a critério de V. Ei:celência;

e) Seja reconhecido que o Cuno médio da lmpetrante atualmente vai somente até o
3° ano letivo, nio eiiste mais o 4° ano, e que assim lhe seja determinado cunar
somente até o 3°;

t) e Seja reconhecida e acatada a Emancipação da Impetrante feita legalmente em


cartório competente;

g) requer seja concedida a medida liminar, inaudita altera pars para que a
autoridade coatora seja compelida a submetê-Ia aos enmes supletivos, nas
disciplinas do ensino médio, sendo avaliada pela CPA da referida instituição
imediatamente, para dar tempo ser matriculada na Faculdade início de janeiro de
2019;

h) Requer seja permitido a Impetrante poder cunar o Ensino Superior como lhe é
de direito conforme fundamentação supra;

i) A procedência dos pedidos, concedendo-se a segurança, para assegurar EM


DEFINITIVO, o direito da Impetrante de realhar a prova do CPA em tempo bAbll
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à sua matricula na univenidade, confirmando a liminar, nos termos em que foi


requerida;

j) Requer a juntada de prova pré-coostitufda em anexo.

Dá-se à causa para meros efeitos fiscais o valor de R$ 954,00 (novecentos e cinquenta e
quatro reais).

Nestes termos,

Pede deferimento.

Salvador 18 de dezembro de 2018.

Dr8 Jane Aparecida Silva de Santana

OAB/BA n• 10.734

Dr. Felipe Rebouças de Santana

OAB/BA n• 32.608