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5ª TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS CÍVEIS E CRIMINAIS DA

BAHIA

PROCESSO Nº 0072912-60.2012.8.05.0001
CLASSE: RECURSO INOMINADO
RECORRENTES: AYALLA LIMA DA CRUZ e EMILIANNY JEANMANOD DA
PALMA PERES, CONDOMÍNIO LE PARC RESIDENTIAL RESORT E
AUSTRALIA EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA.
RECORRIDOS: OS MESMOS
JUIZ PROLATOR: REGINA HELENA SANTOS E SILVA
JUIZ RELATOR: ROSALVO AUGUSTO VIEIRA DA SILVA

EMENTA

RECURSOS INOMINADOS SIMULTÂNEOS. CONSUMIDORES


VÊM RECEBENDO REITERADAS COBRANÇAS DE COTAS
CONDOMINIAIS INADIMPLIDAS EM PERÍODO ANTERIOR AO
RECEBIMENTO DAS CHAVES DO IMÓVEL, INCLUSIVE COM A
INSCRIÇÃO DOS SEUS NOMES JUNTO AOS ÓRGÃOS
RESTRITITIVOS DO CRÉDITO. SENTENÇA QUE DECLAROU A
INEXISTÊNCIA DO DÉBITO EM RELAÇÃO AOS
CONSUMIDORES, DETERMINANDO, AINDA, A RESTITUÇÃO
DOS VALORES PAGOS A TÍTULO DE TAXA CONDOMINIAL.
NÃO PROVIMENTO DO RECURSO DAS REQUERIDAS.
PROVIMENTO PARCIAL DO RECURSO DOS CONSUMIDORES
PARA ARBITRAR INDENIZAÇÃO PELSO INEGÁVEIS DANOS
MORAIS OBSERVADOS.

Dispensado o relatório nos termos do artigo 46 da Lei n.º 9.099/95.

Circunscrevendo a lide e a discussão recursal para efeito de registro,


saliento que as Requeridas, CONDOMÍNIO LE PARC RESIDENTIAL RESORT E
AUSTRALIA EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA., pretendem a reforma
da sentença lançada nos autos que declarou a inexistência do débito discutido, relacionado à
cobrança de taxas condominiais inadimplidas em período anterior à entrega das chaves,
condenando-as a restituir aos Autores, AYALLA LIMA DA CRUZ e EMILIANNY
JEANMANOD DA PALMA PERES, a quantia de R$ 3.793,15 (três mil, setecentos e
noventa e três reais e quinze centavos). Ao passo que, pretendem os Autores sejam as
Requeridas condenadas, ainda, ao pagamento de indenização por danos morais, em razão da
inscrição indevida dos seus nomes junto aos órgãos restritivos de crédito.

Presentes as condições de admissibilidade dos recursos, conheço-os,


apresentando voto com a fundamentação aqui expressa, o qual submeto aos demais
membros desta Egrégia Turma.

VOTO

Não assiste razão às Requeridas.

Não obstante a alegação de que a Assembleia de instalação do Condomínio


teria ocorrido em março de 2012, as Requeridas não carrearam aos autos qualquer prova que
evidenciasse que nessa data os Autores já tivessem em seu poder as chaves do imóvel.
1
Aliás, em nenhum momento as Requeridas questionam que os Autores
tenham recebido as chaves do imóvel no mês de outubro de 2012, e, portanto, em data
posterior às taxas condominiais inadimplidas.

Por outro lado, assiste razão em parte aos Autores, senão vejamos:

Através da reparação do dano moral não se busca refazer o patrimônio, já


que este não foi diminuído, mas sim dar à pessoa lesada uma espécie de satisfação, que lhe
passou a ser devida em razão da sensação dolorosa experimentada. Não se procura, assim,
pagar a dor ou atribuir-lhe um preço e sim atenuar o sofrimento experimentado, que é
insuscetível de avaliação precisa, mormente em dinheiro.

Segundo construção jurisprudencial, o valor a ser arbitrado deve obedecer


ao binômio razoabilidade e proporcionalidade, devendo adequar-se às condições pessoais e
sociais das partes envolvidas, para que não sirva de fonte de enriquecimento da vítima,
agravando, sem proveito, a obrigação do ofensor, nem causar frustração e melancolia tão
grande quanto a própria ofensa. As características, a gravidade, as circunstâncias, a
repercussão e as consequências do caso, a eventual duração do sofrimento, a posição social
do ofendido, tudo deve servir de baliza para que o magistrado saiba dosar com justiça a
condenação do ofensor.

Na situação em análise, os Autores não precisavam fazer prova da


ocorrência efetiva dos danos morais decorrentes dos fatos informados. Os danos dessa
natureza se presumem pelos fatos noticiados, especialmente pela inscrição indevida dos seus
nomes junto aos órgãos restritivos de crédito, o que, inegavelmente, causou-lhes aflição
psicológica, angústia e sentimento de impotência, vulnerando as suas intangibilidades
pessoais.

Buscando o arbitramento dos danos morais vislumbrados, observo que não


são abundantes os elementos coligidos para efeito de sua quantificação, havendo a certeza
apenas de que a parte autora em nada contribuiu para o resultado lesivo.

Com isso, atendendo às peculiaridades do caso e à míngua de outros dados


tangíveis que pudessem auxiliar na quantificação da indenização, entendo que emerge a
quantia de R$ 8.000,00 (oito mil reais), como o valor próximo do justo, a qual se mostra
capaz de compensar, indiretamente, os desgastes emocionais advindos aos Autores e trazer a
punição suficiente aos agentes causadores, sem centrar os olhos apenas na inegável
capacidade econômica das Requeridas.

Assim sendo, ante ao exposto, voto no sentido de CONHECER e


NEGAR PROVIMENTO ao recurso interposto pelas Requeridas, condenando-as ao
pagamento das custas processuais, excetuadas aquelas relacionadas ao recurso interposto
pelos Autores, e honorários advocatícios que arbitro em 20% (vinte por cento) sobre o valor
da condenação pecuniária imposta, e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso
manejado pelos Autores, para, mantendo a sentença hostilizada, acrescentar a condenação
das Requeridas ao pagamento de indenização pelos danos morais considerados, aqui
arbitrada no valor de R$ R$ 8.000,00 (oito mil reais), com juros moratórios, na taxa de 1%
ao mês, incidentes a partir da citação, nos termos dos arts. 405 e 406, do CC
complementados pelo disposto no § 1º, do art. 161, do CTN, e correção monetária a partir do
julgamento do recurso.

Salvador-Ba, Sala das Sessões, 28 de abril de 2015.


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Rosalvo Augusto Vieira da Silva
Juiz Relator

COJE – COORDENAÇÃO DOS JUIZADOS ESPECIAIS


TURMAS RECURSAIS CÍVEIS E CRIMINAIS

PROCESSO Nº 0072912-60.2012.8.05.0001
CLASSE: RECURSO INOMINADO
RECORRENTES: AYALLA LIMA DA CRUZ e EMILIANNY JEANMANOD DA
PALMA PERES, CONDOMÍNIO LE PARC RESIDENTIAL RESORT E
AUSTRALIA EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA.
RECORRIDOS: OS MESMOS
JUIZ PROLATOR: REGINA HELENA SANTOS E SILVA
JUIZ RELATOR: ROSALVO AUGUSTO VIEIRA DA SILVA

EMENTA

RECURSOS INOMINADOS SIMULTÂNEOS. CONSUMIDORES


VÊM RECEBENDO REITERADAS COBRANÇAS DE COTAS
CONDOMINIAIS INADIMPLIDAS EM PERÍODO ANTERIOR AO
RECEBIMENTO DAS CHAVES DO IMÓVEL, INCLUSIVE COM A
INSCRIÇÃO DOS SEUS NOMES JUNTO AOS ÓRGÃOS
RESTRITITIVOS DO CRÉDITO. SENTENÇA QUE DECLAROU A
INEXISTÊNCIA DO DÉBITO EM RELAÇÃO AOS
CONSUMIDORES, DETERMINANDO, AINDA, A RESTITUÇÃO
DOS VALORES PAGOS A TÍTULO DE TAXA CONDOMINIAL.
NÃO PROVIMENTO DO RECURSO DAS REQUERIDAS.
PROVIMENTO PARCIAL DO RECURSO DOS CONSUMIDORES
PARA ARBITRAR INDENIZAÇÃO PELSO INEGÁVEIS DANOS
MORAIS OBSERVADOS.

ACÓRDÃO

Realizado julgamento do Recurso do processo acima epigrafado, a


QUINTA TURMA, composta dos Juízes de Direito, WALTER AMÉRICO CALDAS,
EDSON PEREIRA FILHO, ROSALVO AUGUSTO VIEIRA DA SILVA, decidiu, à
unanimidade de votos, CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso interposto
pelas Requeridas, condenando-as ao pagamento das custas processuais, excetuadas aquelas
relacionadas ao recurso interposto pelos Autores, e honorários advocatícios que arbitro em
20% (vinte por cento) sobre o valor da condenação pecuniária imposta, e DAR
PROVIMENTO PARCIAL ao recurso manejado pelos Autores, para, mantendo a sentença
hostilizada, acrescentar a condenação das Requeridas ao pagamento de indenização pelos
danos morais considerados, aqui arbitrada no valor de R$ R$ 8.000,00 (oito mil reais), com
juros moratórios, na taxa de 1% ao mês, incidentes a partir da citação, nos termos dos arts.
405 e 406, do CC complementados pelo disposto no § 1º, do art. 161, do CTN, e correção
monetária a partir do julgamento do recurso.

Salvador-Ba, Sala das Sessões, 28 de abril de 2015.

JUIZ WALTER AMÉRICO CALDAS


3
Presidente

JUIZ ROSALVO AUGUSTO VIEIRA DA SILVA


Relator