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CASO: JONAS NEVES

No caso retratado, Jonas Neves, desaparecido em um naufrágio, no seu retorno se


encontra em uma situação bastante complicada, no período em que estava desaparecida sua
família de forma ilegítima assumiu seu patrimônio e seus negócios, em seu nome deixou de
honrar com algumas obrigações anteriores ao seu desaparecimento. Jonas no momento do
fato narrado se encontra em estado de incapacidade transitória, o trauma ali vivido o deixou
em um estado temporário de incapacidade de discernimento, de tomar decisões, ainda sim
Jonas retomou sua vida voltando ao seu cotidiano, assumindo o que lhe pertence, mesmo que
ele não esteja de fato gozando de plenas capacidades mentais.
Nessa problemática podemos elencar alguns questionamentos a cerca da situação,
dentre os quais o posicionamento legal a cerca da interdição, a possibilidade da declaração de
sua incapacidade, sobre a anulação dos fatos praticados por Jonas antes e depois do
Naufrágio, sobre a necessidade ou não de representação ou assistência jurídica e a
legitimidade dos atos praticados pelos seu familiares em nome de Jonas durante sua ausência.
Tendo como base o Código Civil: Toda pessoa é capaz de direitos e deveres na ordem civil.
Entretanto, de acordo com o Art. 3o “São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente
os atos da vida civil:”
“I - os menores de dezesseis anos;”
“II - os que, por enfermidade ou deficiência mental, não tiverem o necessário discernimento
para a prática desses atos;”
“III - os que, mesmo por causa transitória, não puderem exprimir sua vontade. ’’

E Art. 4o São incapazes, relativamente a certos atos, ou à maneira de exercê-los:

“I - os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos;”


“II - os ébrios habituais, os viciados em tóxicos, e os que, por deficiência mental, tenham o
discernimento reduzido; ’’
“III - os excepcionais, sem desenvolvimento mental completo;”
“IV - os pródigos.”

Desta maneira seguindo essa linha de raciocínio Jonas em sua ausência se encontrava
em estado total de incapacidade, devido ao acidente e seu isolamento social não havia formas
de exercer seus direitos e deveres na sociedade, no seu retorno ainda que voltasse para sua
rotina habitual, este, por motivos de trauma do ocorrido desenvolveu dificuldade de
discernimento e tomadas de decisões de forma de forma temporária. O Ordenamento jurídico
não concebe o relativamente incapaz apto para manifestar sua vontade de forma perfeita.
Reconhece a ele, no entanto, certo discernimento e habilitação para a prática dos atos da vida
jurídica, os quais devem ser praticados com a assistência de um representante legal. Os atos
praticados pelo relativamente incapaz, sem assistência, são anuláveis, mas podem ser
ratificados em algumas situações (podem ser testemunha, entre outros). Os relativamente
incapazes ocupam, assim, uma situação de intermédio, entre a capacidade total e a
incapacidade absoluta.
Para que a Família de Jonas entrasse com uma ação de interdição deveria declarar e
comprovar que de fato Jonas se encontra num estado de total incapacidade, de forma que ele
não consiga pratica com bom senso e discernimento os atos da vida civil.
A ação de interdição tem por objetivo declarar a incapacidade absoluta ou relativa,
nomeando-se o curador que administrará o patrimônio do incapaz, porém, principalmente,
tem a função de proteger a pessoa incapaz. A sentença de interdição deve ser levada ao
Registro Civil das Pessoas Naturais para que adquira eficácia erga omnes. A partir deste
momento, todos os atos praticados pelo incapaz sem o seu curador serão nulos. Antes da
interdição, os negócios praticados no caso pelo Jonas desprovido de discernimento são, em
princípio, válidos, já que este possui presunção relativa de capacidade plena. Não serão
válidos, se os negócios jurídicos quando a falta de capacidade é visível, notória ou conhecida
da outra parte e esta age com má-fé. O curador do interditado, quando casado, é seu cônjuge,
já que este, em regra, compartilha o mesmo patrimônio daquele. A interdição deve ser
promovida pelos pais ou tutores, pelo cônjuge, ou por qualquer parente ou pelo Ministério
Público e acordo com CC, Art. 1.768.
Em relação a morte presumida, somente poderá ser requerida depois de esgotadas
as buscas e averiguações, devendo a sentença fixar a data provável do falecimento. O artigo 88
da Lei de Registros Publicos - Lei 6.015/73 - permite a justificação judicial da morte para
assento de óbito de pessoas desaparecidas em naufrágio, inundação, incêndio, terremoto ou
qualquer outra catástrofe, quando estiver provada a sua presença no local do desastre e não
for possível encontrar o cadáver para exame. O artigo 6º do Código Civil dispõe que a
existência da pessoa natural termina com a morte; presume-se esta quanto aos ausentes nos
casos em que a lei autoriza a abertura de sucessão definitiva. O artigo 22 estabelece que,
desaparecendo uma pessoa do seu domicílio sem dela haver notícia, se não houver deixado
representante ou procurador a quem caiba administrar-lhe os bens, o juiz, a requerimento de
qualquer interessado ou do Ministério Público, declarará a ausência e nomear-lhe-á curador.
Tal declaração substitui judicialmente o atestado de óbito. Na prática, o direito brasileiro prevê
dois institutos distintos para casos de desaparecimento em que não existe a constatação fática
da morte pela ausência de corpo: o da ausência e o do desaparecimento jurídico da pessoa
humana. desaparecido.