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UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO

CAMPUS UNIVERSITÁRIO DO ARAGUAIA


INSTITUTO DE CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS
CURSO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL – HABILITAÇÃO EM JORNALISMO

ARTHUR LORRAN
MARCELO ALMEIDA

TRABALHO:
ENTREVISTA DE GÊNERO PERFIL: PINGUE – PONGUE E TEXTO CORRIDO

Barra do Garças
2019
1. TEXTO CORRIDO

ENTREVISTADO: Alex Matos do Nascimento

O BAIANO QUE FEZ DO MATO GROSSO A SUA TERRA NATAL

Alex Matos do Nascimento (45), é vereador e professor universitário na cidade de Barra do


Garças - MT, tem formação acadêmica em História e é mestre em Educação. Baiano, filho de
comerciantes veio para Barra do Garças – MT ainda com um ano de idade. A família mudou-
se afim de arriscar a sorte e aqui fez morada.
Durante a sua jornada como docente, Alex diz que prefere se considerar um educador e um
professor “Me considero um educador, porque em determinados momentos servimos como
exemplo para nossos alunos e eles se inspiram em nós e somos professores porque estamos
professando uma ação profissional”. Salienta ainda o papel do educador e do professor é
mediar o conhecimento e não assumir a postura de alguém considerado o centro do
conhecimento.
Acredita na educação como ferramenta capaz de mudar o cenário de retrocessos nas
questões de gênero e crenças. Argumenta que as redes sociais ajudaram a potencializar os
discursos de ódio, devido ao anonimato possibilitado inicialmente. Diz ainda “O indivíduo
voltou acreditar que ele pode de fato defender a não existência do racismo, da misoginia, não
tem essa de preconceito contra mulher e das questões ligadas a sexualidade. Eu entendo que as
pessoas estão pondo para fora isso, achando que podem voltar a ser dessa forma, ao mesmo
tempo, vejo como um momento de transformação. Em algum momento as pessoas vão enxergar
que foram infelizes”.
Alex Matos considera toda a mudança possível se sairmos da condição passiva diante da
vida e lembra ainda dos grandes personagens da história que tiveram seus nomes lembrados
porque arriscaram ir além. “No corpo a corpo no cotidiano como fizeram os grandes nomes da
humanidade, são lembrados e falados porque deram exemplos. Por isso quando a gente fala de
um Paulo Freire é porque o cara foi alfabetizar”.
Enquanto vereador ele acredita que é preciso uma abertura maior para o diálogo com a
sociedade, compreende mídias digitais como aliadas nesse processo de comunicação. “O que
a sociedade mais quer é ser escutada e ter respostas que não sejam mentiras deslavadas”.
Defende a necessidade de uma política transparente e o retorno a uma política de verdade e não
uma politicagem demagoga. Por isso as redes sociais em sua visão são fundamentais para o
retorno a uma prática política saudável onde o eleitor por ter contato direto com o candidato
escolhido para o representar.
Por último quando questionado o que é a vida e a felicidade Alex Matos diz o seguinte.
“Felicidade é andar de cabeça erguida, olhar no olho de qualquer pessoa e não ter vergonha, o
que envergonha os homens e os fazem infelizes é a necessidade de mentir para seguir em frente.
A vida é uma roda gigante uma hora estamos em cima outra hora estamos embaixo. Estar aqui
embaixo representa construir a coragem para chegar novamente lá em cima.”

2. PINGUE PONGUE
Na fala do baiano Alex Matos (45), se vê uma preocupação constante com o outro e
como a docência perpassa todo o seu dia a dia, se considera um “educador e professor” e
acredita que a educação é o caminho para uma sociedade mais justa.

Quais são as ocupações profissionais no momento?


Neste momento continuo na formação superior ministrando aulas na faculdade Univar.
Estou licenciado do estado sou servidor público, licenciado por 1 ano, por motivos
particulares e exercendo atividade legislativa.
Qual a sua formação acadêmica?
Licenciatura em História.
Você se considera um educador ou um professor?
Eu me considero os dois (risos). Por que educador é aquele que apesenta na minha visão o
caminho da transformação né, então eu estou educando. ao mesmo tempo educar a partir do
conceito tradicional não é nossa missão. Mas eu me considero educador por que a gente é
exemplo e em determinados momentos nossos alunos se inspiram em nós, então nós somos
educadores nesse ponto. Somos professores por que estamos professando uma ação
profissional e mediando a construção do conhecimento, então mediar a construção do
conhecimento é a nossa função, mediar, instigar, propor.
Notamos que em suas redes sociais o senhor está sempre dialogando com a população
essa aproximação é uma nova forma de fazer política ou é uma postura adotada da
necessidade de uma abertura maior?
São as duas coisas né, a gente tem a necessidade de dialogar, as pessoas nos cobram o
tempo todo, o que a sociedade mais quer é ser escutada e respostas que não sejam mentiras
deslavadas. Então aqui nós temos um exemplo o bairro vila maria está com a associação de
bairros abandonada a vários anos e o que mais se tem são falas de moradores que chegam até
um vereador o cara encaminha esse documento pra quem executa e la fica engavetado. Então
assim, a população aí fica cadê? mas que dia que é? o que falaram? O que a população espera
é que o poder público diga, olha me chamaram a atenção a essa situação aqui, eu não tenho o
dinheiro agora mas eu vou prever pro próximo ano, então dentro de no máximo de 10 ou 11
meses vai estar fazendo isso daqui. As pessoas esperam de maneira correta, verdadeira é que
você de uma resposta e não que fique empurrando com a barriga, portanto hoje o diálogo nas
redes sociais ele é muito franco, não dá pra enganar as pessoas. Porque a politicagem é arte
do toma lá dá cá, do jeitinho, então se resolve a situação de um, arruma um remédio pra um,
arruma consulta pra outro, arruma um caminhão de cascalho pra outro, essa é a politicagem
isso é o que ocorre na maioria do país. Em todos os níveis, e existe a política, que é conversar,
dialogar e explicar que eu só posso chegar até aqui, que a partir daqui vamos mobilizar todas
essas pessoas aqui ao redor dessa área. Vamos fazer um bloqueio aqui na rua, vamos fazer
um vídeo, vamos encaminhar uma denúncia ao ministério público. Então a política tinha que
ter na sua essência essa ideia de não resolver o individual, mas sempre o coletivo, então é
assim que a gente pensa que a política deve ser feita. Se o poder público não da resposta, os
homens que tem essa condição de liderança tem que se unir e dar a resposta ao poder público.
Eu entendo hoje que as redes sociais, a maneira com que você dialoga com o cidadão ela é
fundamental pra fazer valer o objetivo ao qual você foi colocado ali, então é obrigação, não é
favor. Quando responde alguém que faz alguma intervenção com o homem público, não é
um favor responder é uma obrigação, o cara tem um salário, o salário é bom pra estar dando
essa resposta “olha eu vou estar fazendo a minha parte”. bem verdade é que em um sistema
como o nosso nós precisamos sempre de maioria, então no legislativo não é diferente, se nós
temos maioria nós temos um poder maior de pressão, diálogo, se somos minoria vamos ter
um poder menor. Vamos estar cobrando da mesma forma mas as resoluções são mais
demoradas, então por isso deveria haver esse equilíbrio entre os poderes. Que é o que está
ocorrendo agora com o governo federal um indivíduo que foi eleito falando que é a nova
política, mas a sua primeira ação no comando da casa federal foi colocar um tubarão das
antigas. O cara é forjado na velha politica, ele não iria ser a nova politica. Então se há um
posicionamento diferenciado você cria essas relações de diálogo, por que indicar pessoas pra
trabalhar desde que seja tudo correto, faz parte do jogo democrático, o que não pode é o que
ocorre hoje, indica alguém pra que esse alguém desvie recurso pra devolver pra quem indicou.
Então por isso que eu penso que politicar hoje é muito diferente, uma pesquisa no google ela
te apresenta documentos e não dá pra ele ir muito longe, vai se descobrir se ele está fazendo
coisas erradas. Então nesse sentido, eu vejo as tecnologias de informação ajudando na
modificação. Entretanto, pra finalizar, eu cito aqui Leandro Karnal, eu vi uma vez uma fala
dele dizendo o seguinte: “ Não existe essa de uma classe política corrupta e uma sociedade
honesta” se a classe política está la em sua maioria corrupta é por que a maioria da sociedade
que os colocou lá aceita o jogo do toma lá dá cá, então o que temos que mudar é o
comportamento de todos, devagarzinho mudando e fazendo sua auto modificação.
No 2º ato, cena 2 Hamlet diz o seguinte acerca da felicidade “ Eu poderia viver recluso
numa casca de noz e me considerar rei do espaço infinito.” Dito isso o que significa a
felicidade para o senhor?
A felicidade é poder na minha visão hoje é andar de cabeça erguida, olhar no olho de
qualquer pessoa e não ter vergonha, não ter medo, por que o que envergonha hoje os homens
e os fazem infelizes é essa necessidade de mentir pra poder seguir em frente. Eu vejo assim, na
minha visão ser feliz é continuar minha caminhada fazendo valer a importância do meu nome,
que é a única coisa que eu tenho, o meu nome e o da minha família. Ao mesmo tempo ser feliz
com o que tenho.