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UNIVERSIDADE ANHANGUERA – UNIDERP

NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

POLO SERTAOZINHO-SP
CURSO: PEDAGOGIA

A ESCOLARIZAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS ANALFABETOS

Nome: ISABELA
SILVA OLIVEIRA
RA: 0111003226

Sertãozinho-SP
2019
ISABELA SILVA OLIVEIRA
RA 011003226

A ESCOLARIZAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS ANALFABETOS

Produção Textual Interdisciplinar


Individual, entregue à Faculdade
Anhanguera, nas disciplinas de Metodologia
Científica; Educação de Jovens e Adultos;
História da Educação; Educação Formal e
não Formal (online); Didática e Práticas
Pedagógicas: Gestão da sala de aula para
obtenção de nota.

NOME DO TUTOR A DISTÂNCIA: Janilce Muniz


SERTÃOZINHO-SP
2019
INTRODUÇÃO

Este artigo rebusca elementos históricos essenciais da educação brasileira de


jovens e adultos para entendermos a sua situação atual. Assim, analisamos ações políticas
que, no decorrer da história, tentaram desenvolver o que hoje chamamos de EJA.
Também procuramos explicitar as concepções referentes ao analfabetismo e à
pessoa analfabeta, mostrando todo o preconceito impregnado no letramento. Para tal,
delimitamos a história a partir do Império até os nossos dias. Foi uma decisão própria do
pesquisador, pois foi com o surgimento do Império que o Estado começou a dar maior
atenção à educação.
No entanto, essa lei, infelizmente ficou só no papel. Havia uma grande discussão
em todo o Império de como inserir as chamadas camadas inferiores (homens e mulheres
pobres livres, negros e negras escravos, livres e libertos) nos processos de formação
formais. E a partir do Ato Constitucional de 1834, ficou sob a responsabilidade das
províncias a instrução primaria e secundária de todas as pessoas, mas que foi designada
especialmente para jovens e adultos. É importante ressaltar que a educação de jovens e
adultos era carregada de um princípio missionário e caridoso. O letramento destas pessoas
era um ato de caridade das pessoas letradas às pessoas perigosas e degeneradas.
O objetivo deste artigo é buscar a reflexão sobre as atitudes tomadas no passado
que têm suas sequelas na atualidade, proporcionando uma reflexão sobre novos passos a
serem tomados no presente e no futuro. A partir da constituição Imperial de 1824
procurou-se dar um significado mais amplo para a educação, garantindo a todos os
cidadãos a instrução primária.

1. CAMPANHA DE EDUCAÇÃO DE ADOLESCENTES E ADULTOS

Com o término da Primeira Guerra Mundial, houve grande interesse, na década


de 1920, pela educação elementar, enaltecendo-se a necessidade de combater o
analfabetismo de adultos, visto que a realização do Censo de 1920 revelava praticamente
o mesmo percentual de analfabetos maiores de 15 anos de idade: 64,9% neste momento.
Algumas novas iniciativas nesse período, em se tratando da educação de adultos, foram
realizadas.
A alfabetização de jovens e adultos deixa de ser um direito para ser um ato de
solidariedade. A ideia da pessoa analfabeta como dependente tomou força com o período
que preconizava a República. Em 1879, a Reforma Leôncio de Carvalho caracterizava o
analfabeto como dependente e incompetente. Posteriormente em 1881, a Lei Saraiva
corrobora com a ideia da Reforma de Leôncio de Carvalho restringindo o voto às pessoas
alfabetizadas. Rui Barbosa, em 1882, postula que “os analfabetos são considerados,
assim, como crianças, incapazes de pensar por si próprios”. Instala-se uma grande onda
de preconceito e exclusão da pessoa analfabeta.
A frase de Rui Barbosa está carregada de preconceito, pois podemos perceber que
há uma desvalorização da criança em considerá-la incapaz e do adulto de reduzi-lo a esta
situação de incapacidade. Sob estas discussões a constituição republicana foi construindo-
se e em 1891, o que era ruim ficou ainda pior, o voto foi restrito à pessoas letradas e com
posses, uma pequena minoria.
Todavia, apesar dos avanços, o novo Censo realizado em 1940 revelava a
existência de 56,2% de analfabetos entre as pessoas maiores de 15 anos, evidenciando
que a redução do percentual de analfabetismo não alcançava 10% (CARVALHO, 2009).
“A Segunda Guerra Mundial recém terminara e a ONU − Organização das Nações Unidas
− alertava para a urgência de integrar os povos visando a paz e a democracia.
Tudo isso contribuiu para que a educação de adultos ganhasse destaque dentro da
preocupação geral com a educação elementar comum. Era urgente a necessidade de
aumentar as bases eleitorais para a sustentação do governo central, integrar as massas
populacionais de imigração recente e também incrementar a produção” (RIBEIRO, 1997,
p. 19-20).
No período de 1947 a 1963 ocorreram as três primeiras campanhas de
alfabetização: Campanha de Educação de Adolescentes e Adultos (CEAA); Campanha
Nacional de Educação Rural (CNER); Campanha Nacional de Erradicação do
Analfabetismo (CNEA). Carvalho (2009) apresenta reflexões bastante significativas em
relação à CEAA, afirmando que seu caráter ideológico mais visível era a apresentação do
analfabetismo como “flagelo” ou “vergonha” nacional. Ribeiro (1997) destaca que, nesse
momento, o analfabetismo era compreendido como causa e não efeito da situação
econômica, social e cultural do Brasil, legitimando a visão do adulto analfabeto como
incapaz.
Mesmo com a expansão das atividades do MOBRAL, alguns grupos que
trabalhavam com educação popular ansiavam por uma educação mais criativa e menos
anti-dialógica como se caracterizava a proposta do Movimento.
Com a Lei de Diretrizes e Base da Educação (LDB) 5692/71, que implantou o
Ensino Supletivo, a educação de adultos recebe, pela primeira vez, a atenção
governamental como uma tarefa do sistema de ensino.

2. CAMPANHA DA EDUCAÇÃO RURAL

Constatando que a CEAA atingia resultados positivos nas cidades, mas não
alcançava resultados satisfatórios nas localidades isoladas do interior do país, em 1948
Lourenço Filho desdobrou a campanha em duas, criando a Campanha Nacional de
Educação Rural (CNER).
Esta compreendia ações conjuntas do Ministério da Saúde e do Ministério da
Agricultura, visto que o pressuposto era de que não bastava a oferta da alfabetização ao
camponês, era necessário transformar sua realidade social e econômica com melhores
condições de saúde, trabalho e produção (CARVALHO, 2009).

3. CAMPANHA NACIONAL DE ERRADICAÇÃO DO ANALFABETISMO

Foi proposto pelos técnicos do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (Inep)


um caminho alternativo para combater o analfabetismo: um projeto de caráter
experimental que objetivasse à melhoria da escola primária regular e à ação
complementar de educação de jovens e adultos.
CNEA

Conforme pesquisas já realizadas por outros autores, sobre a formação de


professoras que atuam na EJA, além da formação inicial, é imprescindível que haja a
formação continuada destes professores para que haja uma melhora continua dos
profissionais e sanar quaisquer deficiências que possam existir. No período da CNEA já
se afirmava no Inep que o analfabetismo não era a causa nem a origem do
subdesenvolvimento da sociedade brasileira, mas se apresentava como uma variável
dependente do atraso econômico e cultural.
A tônica, nesse momento, foi a explicação do analfabetismo como variável
dependente de condições econômicas adversas, do isolamento cultural e, também, da falta
de funcionalidade da alfabetização no interior de regiões mais pobres do Brasil.
O Congresso não aceitou a implantação da experiência da CNEA somente na
cidade de Leopoldina (MG), proposta prevista inicialmente pelo Inep, e exigiu sua
expansão para outras cinco cidades.
Os alfabetizadores das campanhas, em geral, não tinham formação para o
exercício do magistério, recebiam somente um treinamento rápido; as aulas eram
realizadas em espaços improvisados, cedidos por igrejas, empresas e particulares; o
tempo destinado para as aulas era de duas horas diárias, no período noturno, e com
materiais didáticos empobrecidos. Em 1963, as três campanhas de alfabetização de
adultos − CEAA, CNER e CNEA foram extintas, pois já não correspondiam ao novo
modo de compreender o analfabetismo e as preocupações políticas do período
(CARVALHO, 2009).
4. PAULO FREIRE – O IDEALIZADOR

Paulo Freire sempre demonstrou preocupação e interesse relacionado a


escolarização de jovens e adultos, enfatizando a importância de leitura e escrita para que
seja possível entender o mundo, para que as pessoas que usufruem possam tomar seu
próprio destino nas mãos. Nos anos 1950, foi realizada a campanha nacional de
erradicação do analfabetismo (CNEA), que marcou uma nova etapa nas discussões sobre
a educação de adultos. Freire propõe nessa ocasião a educação
libertadora/conscientizadora. No livro Pedagogia do Oprimido, Freire faz uma crítica a
pedagogia opressora, essa opressão ocorreu com o golpe militar de 1964, onde a ditadura
quis silencia-lo, substituindo toda sua proposta libertaria e incentivadora do pensamento
crítico pelo Mobral (Movimento Brasileiro de Alfabetização) que tinha ideias opostas as
ideias de Paulo Freire. Porém a ditadura não conseguiu calar Paulo Freire, que até hoje
inspira os educadores não só da EJA. Ele sempre foi preocupado com formação docente,
a qual deve possibilitar para os alunos a produção ou a construção do conhecimento, uma
educação que possibilitasse ao homem a discussão corajosa de sua problemática.
CONSIDERAÇÕES FINAIS

Com este estudo foi possível perceber que a Educação de Jovens e Adultos requer
que o professor disponha de boa vontade e visão ampla e direcionada em desenvolver a
integração e o conhecimento partindo da diversidade cultura e mantendo a
heterogeneidade dos adultos em que atuam, visando manter suas peculiaridades e
organização, respeitando todo o conhecimento que cada pessoa tem consigo adquirido ao
longo da sua vida.

O ensino também deve acompanhar os novos tempos, novas habilidades,


globalização e mais conscientização nas necessidades humanas e de convivência,
juntamente com a preservação do planeta.
REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

HADDAD, S.; DI PIERRO, M. C. Escolarização de jovens e adultos. Revista Brasileira


de Educação – Mai /Jun./Jul. /Ago. N º1 4. São Paulo, 2000.

BRANDÃO. Ministério da Educação. Plano Nacional de educação. PNE/Ministério da


educação. Brasília: INEP, 2001.

Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Pró-Letramento: programa de


formação continuada de professores dos anos/séries iniciais do ensino fundamental:
alfabetização e linguagem. Brasília, DF: MEC, 2008.

JANNUZZI, Gilberta S. de Martino. Confronto pedagógico: Paulo Freire NOBRAL.São


Paulo: Cortez e Moraes. 1979.

"A Formação de Educadores para Atuarem na Educação Escolar de Jovens e Adultos" em


Só Pedagogia. Virtuous Tecnologia da Informação, 2008-2019. Consultado em
07/05/2019 às 22:58. Disponível na Internet em
http://www.pedagogia.com.br/artigos/a_formacao_de_educadores/?pagina=2