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Marcelo Gleiser

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Marcelo Gleiser

Nascimento 19 de março de 1959 (58 anos)


Rio de Janeiro

Nacionalidade Brasileiro

Alma mater Pontifícia Universidade Católica do


Rio de Janeiro
Universidade Federal do Rio de
Janeiro
King's College de Londres

Religião Nenhuma (Agnosticismo)

Instituições Dartmouth College


Fermilab
Kavli Institute for Theoretical
Physics
NASA
OTAN

Campo(s) Física

Marcelo Gleiser (Rio de Janeiro, 19 de março de 1959) é


um físico, astrônomo, professor, escritor e roteirista brasileiro. Conhecido nos Estados
Unidos por seus lecionamentos e pesquisas científicas, no Brasil é mais popular por suas
colunas de divulgação científica na Folha de S.Paulo,[1] um dos principais jornais do país.
Escreveu oito livros e publicou três coletâneas de artigos. Já participou de programas de
televisão do Brasil, Estados Unidos e Inglaterra, entre eles, Fantástico. Em 2007, foi eleito
membro da Academia Brasileira de Filosofia.

Índice
[esconder]

 1Juventude
 2Carreira
 3Atividades
 4Ciência e religião
 5Artigos científicos selecionados
 6Livros
 7Referências
 8Ligações externas

Juventude[editar | editar código-fonte]


Quando criança, morando no Rio de Janeiro, gostava de tocar violão e jogar vôlei. Mesmo
não se interessando por matemática, desde cedo eram claros seu interesse e paixão pela
natureza. Queria ser músico, mas seu pai, Isaac, que era dentista, convenceu-o a mudar
de ideia, pois, segundo ele, a música seria uma escolha arriscada, tornando incerto seu
futuro profissional.
Após cursar dois anos de Engenharia Química, Gleiser transferiu-se para o curso de Física
da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Bacharelou-se em 1981. No ano
seguinte fez seu mestrado na Universidade Federal do Rio de Janeiro e em 1986 obteve
seu doutorado no King's College London na Universidade de Londres.

Carreira[editar | editar código-fonte]


Desde 1991, é professor de Física e Astronomia e pesquisador da Dartmouth
College em Hanover, Estados Unidos.[2] Já fez parte do grupo de pesquisadores
do Fermilab, em Chicago, e do Institute for Theoretical Physics da Califórnia. Recebeu
bolsas para pesquisas da NASA, da National Science Foundation e da OTAN.
Na Dartmouth, ministra a disciplina "Física para Poetas", cujas aulas se caracterizam por
relatos da história da ciência e dos cientistas juntamente com explicações sobre os
fundamentos da física no laboratório através de experiências e demonstrações em sala de
aula.
Em 1994, ganhou do presidente norte-americano Bill Clinton o prêmio Presidential Faculty
Fellows Award por seu trabalho de pesquisa em cosmologia e por sua dedicação ao
ensino. Em 1995, ganhou o Dartmouth Award for Outstanding Creative or Scholarly Work e
venceu em 2001 o prêmio José Reis de Divulgação Científica. Em 2001, Gleiser foi
eleito Fellow da American Physical Society, a Sociedade de Física Americana, da qual é
membro. Seu ensaio "Emergent Realities in the Cosmos" apareceu na antologia Best
American Science Writing 2003, editada por Oliver Sacks.
Em 1997, lançou no Brasil seu primeiro livro, A Dança do Universo,[3] que trata da questão
da origem do Universo tanto sob o ponto de vista científico quanto religioso. O livro, escrito
para o público não-especializado, tornou-se num marco da divulgação científica no
Brasil.[4]
Em 1998 ganhou o Prêmio Jabuti por esse livro, prêmio que viria a repetir em 2002 pelo
livro O fim da Terra e do Céu.[5][4] Em 2005, lançou uma coletânea de suas colunas
publicadas na Folha de S.Paulo de 1999 a 2004 intitulada Micro Macro,[6] e em 2007,
dando prosseguimento à coleção, outra intitulada Micro Macro 2.[7] A sua primeira obra
inspirou uma peça de teatro do grupo Arte e Ciência no Palco, que estreou no Festival de
Curitiba, e foi apresentada em vários teatros e festivais no Brasil e em Portugal. Em 2006,
publicou A Harmonia do Mundo,[8] seu primeiro romance e também um best seller, sobre a
vida e obra do astrônomo alemão Johannes Kepler. Em 2010, publicou o livro "Criação
Imperfeita: Cosmo, Vida e o Código Oculto da Natureza",[9] onde faz criticas a várias das
ideias de unificação na física, argumenta que as assimetrias do Universo não tiveram
origem a partir de um Deus, e que são as imperfeições que causaram e causam a
formação de estruturas na Natureza, do átomo às células. O livro foi publicado em sete
línguas. Em 2015, publicou The Island of Knowledge que lida com o problema do
necessariamente incompleto conhecimento científico e dos limites das explicações do
universo. Em Setembro de 2006 estreou nos cinemas o filme O Maior Amor do Mundo, de
Cacá Diegues, com consultoria de Gleiser. O filme conta a história de um astrofísico que
volta ao Brasil.
Em 2006, apresentou um bloco no programa dominical Fantástico, da Rede Globo,
chamado "Poeira das Estrelas".[10] A série em muito lembra a série Cosmos, de Carl
Sagan, com episódios abordando temas científicos e mantendo o foco na astronomia e
na origem da vida. A série inspirou um livro homônimo publicado no mesmo ano.[11] Dois
anos depois, em 2008, também no Fantástico, apresentou outra série de conteúdo
científico: "Mundos Invisíveis",[12] onde explorou a história da física e da química, da
alquimia à física de partículas elementares. Em 2010, narrou o documentário Como
Funciona o Universo,[13] exibido pelo Discovery Channel.
É articulista do jornal Folha de S.Paulo desde 1997.

Atividades[editar | editar código-fonte]


Marcelo Gleiser, além de dar aulas na universidade, realiza palestras e também leciona
em cruzeiros com caçadores de eclipses. Já viajou de Zanzibar a Madagáscare pelo Mar
Negro. Nessas viagens aproveita para praticar mergulho.
Possui como hobby a pesca com isca artificial (fly fishing), que pratica na cidade onde
mora, Hanover. Lá, além da pesca, gosta de praticar alpinismo. Mantém amizade com o
escritor norte-americano Oliver Sacks, a quem faz visitas em Nova Iorque. Também é
amigo de Roald Hoffmann, ganhador do prêmio Nobel de Química de 1981. Roald já
desfilou com Gleiser pela escola de samba Unidos da Tijuca vestidos de Santos Dumont,
no carnaval de 2004.
Vive com a família no estado de Nova Hampshire, nos EUA.

Ciência e religião[editar | editar código-fonte]


Certamente recorrentes em seus trabalhos os debates entre as visões de mundo religiosas
e científicas,[3][5] Marcelo Gleiser é contudo adepto declarado do naturalismo:


Para mim, não há absolutamente nenhuma dúvida de que o sobrenatural é
completamente incompatível com uma visão científica do mundo, visão que costumo
defender arduamente. ”
“ ”
"... A mecânica universal não precisa de Deus! As pessoas podem precisar de Deus!
São duas coisas completamente diferentes!"

e declara-se ateu, especificamente "... um desses ateus liberais que Dawkins critica";
posicionamentos que certamente transparecem em suas obras também de forma implícita.
Ao contrário dos assim denominados ateus radicais, que veem uma guerra declarada
entre ciência e religião e nela militam, Gleiser reconhece - embora defensor do ateísmo - o
papel que a fé desempenhou e desempenha nos contextos sociocultural, histórico e de
definição do ser humano,[15] posicionando-se contra o radicalismo tanto religioso quanto
antirreligioso. Em suas palavras:


Se sou ateu; se fico transtornado quando vejo a infiltração de grupos
religiosos extremistas nas escolas, querendo mudar o currículo, tratando a ciência em
pé de igualdade com a Bíblia; se concordo que o extremismo religioso é um dos ”
grandes males do mundo; se batalho contra a disseminação de crenças
anticientíficas absurdas como o design inteligente e o criacionismo na mídia; por que,
então, critico o ateísmo radical de Dawkins? Porque não acredito em extremismos
e intolerância. ... É essa crença ignorante que deve ser combatida; ... É
a hipocrisia usada sob a bandeira da fé que deve ser combatida, não a fé em si.

Em novembro de 2016, No programa Canal Livre da Rede Bandeirantes de Televisão,


Gleiser declarou-se agnóstico - não especificando o tipo, mas declarou ser a posição mais
compatível com o método científico; o que não pode ser uma posição cientificista, pois
numa entrevista a fundação Na pratica, ele disse:
"A ciência é obviamente nosso melhor modo de se explorar e entender o mundo, mas não
é o único, e nem é ilimitado".
Também criticou o ateísmo por ser só uma outra forma de fé cega, pois não tem provas
para seu dogma da inexistência de Deus - ainda no programa Canal Livre.[16]
Gleiser também declara-se crítico das posturas perfeccionistas do universo,[9] criticando
fortemente a busca da comunidade de físicos pela "teoria do tudo".[17] Para Gleiser o
Universo é repleto de imperfeições, e nele não se pode identificar, baseado em nossa
tecnologia limitada, uma lei única que reja toda a natureza, postura que o torna crítico
direto dos físicos que a buscam na tentativa de estabelecer qualquer "teoria final". Para
Gleiser, tais cientistas deveriam ter uma maior "autocrítica":


Nós conhecemos o mundo por causa de nossos instrumentos... O problema é que
toda máquina tem uma precisão limitada. É impossível criar uma teoria final porque
nunca vamos saber tudo. Temos de aprender a ser humildes com relação a
nosso conhecimento de mundo, que sempre será limitado. ”
Artigos científicos selecionados[editar | editar código-fonte]
 "An Analytical Characterization of Oscillons: Their Energy, Radius, Frequency, and
Lifetime", with David Sicilia, Phys. Rev. Lett. 101, 011602 (2008).
 "A Class of Nonperturbative Configurations in Abelian-Higgs Models: Complexity from
Dynamical Symmetry Breaking", with Joel Thorarinson, Physical Review D 79, 025016
(2009).
 "An Extended Model for the Evolution of Prebiotic Homochirality: A Bottom-Up
Approach to the Origin of Life", with Sara Walker, Orig. Life Evol. Biosph. 38, 293-315
(2008).
 "Punctuated Chirality", with Joel Thorarinson and Sara I. Walker, Orig. Life Evol.
Biosph. 38, 499-508 (2008).
 "Long-lived Oscillons from Asymmetric Bubbles," with A. Adib and C. A. S. Almeida,
Phys. Rev. D66 (2002) 085011.
 "Gauged Fermionic Q-Balls," with T. S. Levi, Phys. Rev. D66 (2002) 087701.
 "Nonequilibrium Precursor Model for the Onset of Percolation in a Two-Phase System,"
with Rafael Howell and Rudnei Ramos, Phys. Rev. E65 (2002) 036113.
 "Anisotropic Stars: Exact Solutions," with Krsna Dev, Gen. Rel. Grav. 24 (2002) 1793.
 "Bubbling the False Vacuum Away", with Barrett Rogers and Joel Thorarinson, Phys.
Rev. D 77, 023513 (2008).

Livros[editar | editar código-fonte]


 A Dança do Universo (1997)
 O fim da Terra e do Céu (2002)
 Micro Macro (2005)
 A Harmonia do Mundo (2006)
 Cartas A Um Jovem Cientista: o Universo, A Vida e Outras Paixões (2007)
 Micro Macro 2 (2007)
 Criação Imperfeita: Cosmo, Vida e o Código Oculto da Natureza (2010)
 A Ilha do Conhecimento: Os Limites da Ciência e A Busca Por Sentido (2015)
 A Simples Beleza do Inesperado (2016)